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Alessandro Rangel Carolino Sales Silva Centro Universitário Newton Paiva Disciplina: Bases Biológicas e Bioquímica dos Sistemas Unidade 2 – Membranas e ultraestruturas celulares Matriz extracelular e citoesqueleto Matriz extracelular 2 MATRIZ EXTRACELULAR ◉ Os tecidos não são constituídos apenas por células. Uma parte substancial do seu volume é de espaço extracelular, que por sua vez, é preenchido por uma rede de macromoléculas que constituem a matriz extracelular 3 MATRIZ EXTRACELULAR ◉ A matriz extracelular (MEC) é uma rede de macromoléculas e minerais que preenche os espaços entre as células. Ela é composta por proteínas, polissacarídeos, enzimas, glicoproteínas e hidroxiapatita. ◉ A MEC é um componente fundamental para a organização, função e dinâmica das estruturas multicelulares. Ela: ○ Liga as células ○ Controla a orientação, movimento e comportamento das células ○ Auxilia no controle do crescimento e na diferenciação celular 4 Mobile User Mobile User Mobile User Mobile User Mobile User Mobile User Mobile User Mobile User ASPECTOS GERAIS ◉ A matriz extracelular (MEC) corresponde aos complexos macromoleculares relativamente estáveis, formados por moléculas de diferentes naturezas que são produzidas, exportadas e complexadas pelas células, modulando a estrutura, a fisiologia e a biomecânica dos tecidos ◉ Ocorrem especialmente e de forma abundante nos tecidos conjuntivos (tendões, cartilagens e ligamentos), mas apresenta papel fundamental também nos demais tecidos 5 ASPECTOS GERAIS ◉ Três componentes principais: ○ Componentes fibrilares (colágenos fibrilares e pelas fibras elásticas) ○ Componentes não-fibrilares (proteoglicanos e glicoproteínas estruturais não-colagênicas) ○ Microfibrilas (colágeno tipo VI e microfibrilas associadas à elastina) 6 COLÁGENO ◉ Maior classe de proteínas fibrosas insolúveis da MEC e são as mais abundantes na maioria dos tecidos de origem animal ◉ Atualmente são conhecidos 24 tipos de colágenos, geneticamente distintos (variação na cadeia de aminoácidos – com isso, cada um tem características próprias) 7 COLÁGENO ◉ Constitui cerca de 80 a 90% da massa de tendões (grande importância em fornecer resistência mecânica aos tecidos) ◉ As moléculas de colágeno também estão envolvidas, direta e indiretamente, na adesão e diferenciação celulares, quimiotaxia e, também, por meio de proteínas de adesão, como a fibronectina, podem transmitir informações às células sobre alterações físicas ou químicas que ocorrem no meio extracelular 8 COLÁGENO - Síntese ◉ A síntese do colágeno ocorre nos ribossomos aderidos à membranas do retículo endoplasmático rugoso (molécula de secreção) ◉ Ocorre dentro das células, principalmente em fibroblastos, condroblastos e osteoblastos ◉ As moléculas de colágeno são formadas por aminoácidos, principalmente glicina, prolina, hidroxilisina e hidroxiprolina ◉ Através de enzimas, as moléculas formam uma estrutura de tripla hélice ◉ As moléculas são secretadas na matriz extracelular, onde formam fibras de colágeno 9 PROTEOGLICANOS ◉ São macromoléculas que desempenham um papel importante na estrutura e funcionamento de vários tecidos do corpo humano ◉ São formados por uma proteína central e cadeias laterais de glicosaminoglicanos (GAGs - carboidratos) ◉ Podem formar complexos com outras moléculas, como o ácido hialurônico ou as fibras de colágeno ◉ Criam uma estrutura de suporte e atraem moléculas de água 10 PROTEOGLICANOS ◉ Funções estruturais: ○ Fornecem suporte estrutural à matriz extracelular, tecidos e órgãos ○ Integram a constituição de matrizes complexas, como cartilagem, cérebro, discos intervertebrais, tendões e córneas ○ Mantêm a pressão osmótica ○ Determinam a organização do colágeno ◉ Funções de hidratação: ○ Retêm água, mantêm a hidratação do espaço extracelular, proporcionam firmeza à pele 11 PROTEOGLICANOS ◉ Funções de sinalização: ○ Regulam a atividade de moléculas sinalizadoras ○ Controlam o tráfego de células e moléculas ○ Interagem com proteínas fibrosas da matriz ◉ Funções de filtragem: ○ Formam uma rede com tamanhos de poros e cargas características capazes de filtrar moléculas e células ◉ Funções de amortecimento e proteção ◉ Funções de regeneração: ○ Aceleram a renovação da pele 12 PROTEÍNAS NÃO COLAGÊNICAS ◉ São várias proteínas com características próprias e funções específicas, que constituem famílias ou grupos bem distintos ◉ Exemplos: a fibronectina encontrada no plasma e na matriz extracelular de tecidos de um modo geral (modula a diferenciação celular e os arranjos do citoesqueleto, alterando as propriedades de adesão e migração celular). A vitronectina localizada no plasma e na matriz extracelular de diferentes tecidos, interage com elementos de vários sistemas proteolíticos, incluindo aqueles de formação do trombo. 13 SISTEMA ELÁSTICO ◉ Alguns tecidos apresentam uma enorme capacidade de deformação e de restauração da forma original, sem gasto de energia, uma vez que as forças de distensão tenham cessado ◉ Esses tecidos possuem uma série de macromoléculas que se associam de diferentes maneiras na formação de microfibrilas, fibras elásticas e/ou lâminas elásticas 14 SISTEMA ELÁSTICO ◉ O sistema elástico é composto por fibras elásticas que conferem elasticidade aos tecidos do corpo. ◉ Componentes: ○ Fibras elásticas: são longos fios de elastina, uma proteína que compõe cerca de 90% das fibras elásticas ○ Fibras oxitalânicas: são as precursoras das fibras elásticas, formadas por microfibrilas de fibrilina ○ Fibras elaunínicas: são fibras mais espessas que as oxitalânicas, formadas pela junção de elastina às microfibrilas 15 SISTEMA ELÁSTICO ◉ Onde estão as fibras elásticas? ○ Na pele, as fibras elásticas prendem-na aos músculos subjacentes e devolvem-lhe a forma inicial quando a puxamos e depois soltamos ○ Nos pulmões ○ Nas paredes dos vasos sanguíneos ○ No mesentério ○ Nos ligamentos ○ Nas cartilagens ◉ O rompimento das fibras elásticas da pele resulta no aparecimento das estrias 16 DOENÇAS RELACIONADAS À ME ◉ OSTEOGÊNESE IMPERFEITA É uma patologia de origem genética cujas mutações atingem genes relacionados ao colágeno tipo I. Caracteriza-se por ossos quebradiços, pele fina, tendão fraco e perda de audição 17 DOENÇAS RELACIONADAS À ME ◉ Síndrome de Ehrlers-Danlos do tipo VII Hipermobilidade das articulações e hiperextensibilidade da pele. Tem origem em uma mutação nos genes do colágeno tipo I 18 DOENÇAS RELACIONADAS À ME ◉ ESCORBUTO Causada por carência da vitamina C (cofator indispensável para a síntese de colágeno), que causa enfraquecimento do colágeno dos vasos sanguíneos e dos ligamentos dentários. Caracteriza-se por hemorragias frequentes e quedas dos dentes 19 DOENÇAS RELACIONADAS À ME ◉ SÍNDROME DE MARFAN Patologia genética causada por mutação no cromossomo 15, que codifica a fibrilina. Hiperextensibilidade das articulações, dilatação da artéria aorta, podendo causar ruptura desse vaso sanguíneo e hemorragia muito grave, e deslocamento do cristalino do globo ocular com deficiência visual 20 Citoesqueleto 21 CITOESQUELETO ◉ Rede complexa de filamentos de proteínas que se estendem por todo citoplasma ◉ Forma um arcabouço interno para o grande volume do citoplasma, sustentando-o da mesma forma que uma estrutura metálica sustenta um prédio ◉ É uma estrutura altamente dinâmica que se reorganiza rápida e continuamente ◉ Presente em células eucarióticas 22 CITOESQUELETO ◉ Constituído por três classes de filamentos: ○ Filamentos intermediários ○ Microtúbulos ○ Filamentos de actina (microfilamentos) 23 CITOESQUELETO - Microtúbulos ◉ São polímeros rígidos formados por 13 protofilamentos de tubulina alfa e beta, em forma de filamentos longos e ocos, com 25nm de diâmetro e são muito mais rígidos do que os filamentos de actina 24 CITOESQUELETO - Microtúbulos ◉ FUNÇÕES: o Transporte (vesículas, organelas, cromossomos, etc) o Formação do fuso mitótico o Arquitetura celular(junto com FI e Microfilamentos) o Movimento axonal o Movimento de vesículas e organelas o Movimento de cílios e Flagelos 25 CITOESQUELETO - Microtúbulos ◉ Centríolo: o 9 grupos de três microtúbulos, fundidos em tripletes, formam a parede do centríolo e cada triplete se incline para dentro como as lâminas de uma turbina o Formam o fuso mitótico para segregação dos cromossomos 26 CITOESQUELETO – Microfilamentos ◉ Filamentos de actina concentrados logo abaixo da membrana plasmática ◉ Funções: endocitose, pinocitose, migração celular, contração muscular ◉ Sustenta as microvilosidades – superfície celular ◉ Encontra-se nas junções celulares – manter células unidas ◉ Associam-se com inúmeros complexos proteicos 27 CITOESQUELETO – Microfilamentos 28 CITOESQUELETO – Microfilamentos 29 Microfilamentos na contração muscular: Deslizamento de filamentos de actina (filamentos finos) sobre filamentos de miosina (filamentos grossos) CITOESQUELETO – Filamentos intermediários ◉ São polímeros constituídos de polipeptídios fibrosos. ◉ Diâmetro entre 8 e 12 nm ◉ Parte mais estável do Citoesqueleto ◉ Participam: estrutura, estabilidade, sustentação, resistência, interação celular. 30 CITOESQUELETO – Filamentos intermediários ◉ Grupos heterogêneos (+50) de proteínas de FI ◉ Citoqueratina - células epiteliais, bexiga ◉ Vimentina – Células de fibroblastos, leucócitos ◉ Neurofilamentos das células nervosas ◉ Lamina - forma a lâmina fibrosa que se estende sob o envelope nuclear 31 CITOESQUELETO – Ação de drogas ◉ Algumas drogas podem agir no citoesqueleto, afetando a velocidade de deslocamento celular e a integridade de filamentos • Uma droga antitumoral pode agir sobre os microtúbulos, afetando a velocidade de deslocamento celular • Uma droga antitumoral pode agir diretamente na velocidade de movimentos das células que usam flagelos para se mover • As células motoras também podem ser afetadas por essa droga, tendo em mente que os sarcômeros são formados por muita actina e miosina 32 CITOESQUELETO – Identificação de tumores Como o citoesqueleto pode ajudar no diagnóstico de tumores? • Ao identificar os tipos de filamento intermediário das células tumorais, o médico pode saber de que tipo celular o tumor se originou. • Com base nisso, ele pode escolher o melhor tratamento, evitando terapias que não sejam eficazes. Mutações no citoesqueleto e câncer • Mutações e expressão anormal das proteínas do citoesqueleto podem contribuir para a capacidade das células cancerígenas de resistir à quimioterapia e se espalhar. 33 ALBERTS, B.; et al. Molecular biology of the cell. 5 ed. New York: Garland Science, 2008. CARVALHO, H. F.; RECCO-PIMENTEL, S. M. A célula. 2 ed. Barueri: SP, Editora Manole Ltda., 2007. CARVALHO, H. F.; RECCO-PIMENTEL, S. M. A célula. 1 ed. Barueri: SP, Editora Manole Ltda., 2001. DARNELL, J.; BALTIMORE, D.; MATSUDAIRA, P.; ZIPURSKY, S. L.; BERK, A.; LODISH, H. Biologia Celular e Molecular (com CD-Room). 5 ed. Revinter Ltda. Rio de Janeiro, 2008. DE ROBERTIS, E. D. P.; DE ROBERTIS, E. M. F. Bases da Biologia Ce lular e Molecular. 8 ed., Editora Guanabara Koogan; Rio de Janeiro, 2007. GARTNER, L.; HIATT, J. Atlas colorido de histologia. 3 ed., Editora Guanabara Koogan; Rio de Janeiro, cap. 3, p. 52. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Biologia Celular e Molecular. 4 ed. Rio de Jneiro: Editora Guanabara Koogan; 2005 34 REFERÊNCIAS ◉ alessandro.silva@newtonpaiva.br Obrigado! 35 Slide 1 Slide 2: Matriz extracelular Slide 3: MATRIZ EXTRACELULAR Slide 4: MATRIZ EXTRACELULAR Slide 5: ASPECTOS GERAIS Slide 6: ASPECTOS GERAIS Slide 7: COLÁGENO Slide 8: COLÁGENO Slide 9: COLÁGENO - Síntese Slide 10: PROTEOGLICANOS Slide 11: PROTEOGLICANOS Slide 12: PROTEOGLICANOS Slide 13: PROTEÍNAS NÃO COLAGÊNICAS Slide 14: SISTEMA ELÁSTICO Slide 15: SISTEMA ELÁSTICO Slide 16: SISTEMA ELÁSTICO Slide 17: DOENÇAS RELACIONADAS À ME Slide 18: DOENÇAS RELACIONADAS À ME Slide 19: DOENÇAS RELACIONADAS À ME Slide 20: DOENÇAS RELACIONADAS À ME Slide 21: Citoesqueleto Slide 22: CITOESQUELETO Slide 23: CITOESQUELETO Slide 24: CITOESQUELETO - Microtúbulos Slide 25: CITOESQUELETO - Microtúbulos Slide 26: CITOESQUELETO - Microtúbulos Slide 27: CITOESQUELETO – Microfilamentos Slide 28: CITOESQUELETO – Microfilamentos Slide 29: CITOESQUELETO – Microfilamentos Slide 30: CITOESQUELETO – Filamentos intermediários Slide 31: CITOESQUELETO – Filamentos intermediários Slide 32: CITOESQUELETO – Ação de drogas Slide 33: CITOESQUELETO – Identificação de tumores Slide 34: REFERÊNCIAS Slide 35: Obrigado!