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Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 1 Guideline → Muito importante sempre lembrar dos níveis de evidência e do grau de recomendação Definição • Estado fisiopatológico em que o coração é incapaz de bombear sangue para manter o débito cardíaco adequado, de forma a atender as demandas metabólicas tissulares ou fazem às custas de elevadas pressões de enchimento ↳ Coração apresenta uma incapacidade de gerar o débito, seja porque ele não bombeia (perda de força de contração) ou porque não tem a capacidade de encher (algum distúrbio que impeça que ele tenha um volume diastólico adequado para gerar um débito cardíaco suficiente) o Problema de contração ou de diástole o Ou só consegue gerar um volume sistólico eficiente às custas de pressões de enchimento muito altas o Quando a pressão dentro da cavidade aumenta, há uma distensão das fibras de actina e miosina gerando uma maior contração. Mas isso não é sustentável a longo prazo É uma síndrome clínica complexa que resulta de uma incapacidade estrutural ou funcional de enchimento ou ejeção ventricular de sangue ↳ Pode ter um problema na estrutura que não deixa o coração encher ou contrair ↳ Ou pode ter um problema funcional → Estrutura normal, mas o músculo não consegue gerar uma contração efetiva Conclusão • Não é apenas um simples diagnóstico patológico, mas uma síndrome clínica complexa consistindo de sintomas cardinais (ex. falta de ar, cansaço) que podem estar acompanhadas de sinais (ex. aumento pressão venosa jugular, edemas, estertores pulmonares. É provocada por anormalidades estruturais e/ou funcionais do coração que resultam em elevações das pressões intracardíacas e/ou inadequado débito cardíaco em repouso e/ou durante exercício. • Identificação da etiologia por trás da disfunção cardíaca é peça fundamental, já que um específico diagnóstico pode determinar o tratamento subsequente. • Mais comumente, a IC é causada por disfunção miocárdica: sistólica, diastólica ou ambas. ↳ Se tem uma incapacidade do coração de ter um enchimento adequado → Problema diastólico ↳ Se o problema é gerar força → Sistólico • Etiologia da IC é ampla: ↳ Patologias das válvulas, do pericárdio, do endocárdio, do sistema de condução ou anormalidades do ritmo podem ser a causa ou contribuírem para a IC ↳ As vezes identificar a etiologia da IC (fundamental para tratamento adequado) é muito difícil, um desafio • Tem uma gama de estruturas no coração que qualquer uma delas pode ocasionar uma insuficiência cardíaca • Exemplos: ↳ Problema valvar – Estenose mitral grave – Na diástole a VM se abre, se tem uma estenose, há uma incapacidade dessa válvula se abrir, se abre menos, o volume diastólico final do ventrículo esquerdo está reduzido. Se tem um ventrículo vazio no final da diástole, na hora de gerar uma contração, gera uma concentração com pouco volume, o débito diminui ↳ Doença arrítmica – Bloqueio atrioventricular avançado – Paciente batendo frequência de 20, possui volume sistólico adequado. Volume sistólico bom com FC baixa, o débito cardíaco diminui. Se o músculo do coração é incapaz de gerar uma contração efetiva, o volume sistólico diminui e, consequentemente, o débito ↳ Doenças infiltrativa do músculo do coração – Cromatose (paciente com doença do metabolismo do ferro) – Ferro se acumula no músculo cardíaco, deixando o músculo enrijecido, perdendo a capacidade de se distender durante a diástole, diminuindo o volume diastólico final As etiologias são distintas Epidemiologia • Maior problema de saúde pública do mundo moderno • A maior parte das doenças cardiovasculares possuem um evento final que é uma insuficiência cardíaca (morte súbita ou evolução para IC) Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 2 • Alta mortalidade • Gera custo elevado → Paciente interna com frequência, as medicações são cada vez mais caras, os dispositivos para tratamento da IC são caros... • O maior problema de saúde pública dos EUA. Aproximadamente 5 milhões de casos diagnosticados. • 500.000 casos novos anuais. • 300.000 óbitos anuais causados direta ou indiretamente pela patologia. • Gastos anuais de US$ 40 bilhões, maior parte por internação. • Apesar da evolução do tratamento, o prognóstico continua pobre com perda significativa da QoL. • Taxas de mortalidade em 1 e 5 anos: 20% e > 50%. • Média de internações: 1,3/ano. Patogênese • A IC é a via final das doenças cardiovasculares • Existem mecanismos compensatórios que, em uma fase inicial, são extremamente úteis para que se mantenha um débito cardíaco eficiente, mas quando utilizados por muito tempo, começam a causar danos secundários às estruturas do coração • A IC pode ser vista como uma doença progressiva iniciada após um evento índice, que produz um dano no músculo cardíaco com consequente perda dos cardiomiócitos funcionantes, ou, alternativamente, incapacidade do miocárdio de gerar força, impedindo assim, a contração normal do coração. • O evento índice pode começar da forma abrupta (IAM) (aguda) ou ter início gradual e insidioso (sobrecargas de pressão e volume) (crônica). • Independente da natureza do evento índice, todos produzem declínio na capacidade de bombeamento do coração. • Na maioria das vezes, os pacientes permanecerão assintomáticos ou minimamente sintomáticos depois do declínio inicial e desenvolverão sintomas após algum tempo de disfunção → Presença de mecanismos compensatórios. • A ativação mantida dos sistemas neuro-hormonais e citocinas leva a uma série de alterações estruturais dentro do miocárdio → Remodelamento miocárdio do VE • Dano cardíaco por qualquer situação • Caso crônico – Como o paciente do caso clínico – Teve um IAMCSST → Quuando infartou, o músculo necrosou e perdeu unidade de contração. Para compensar essa perda, o organismo utiliza de mecanismos compensatórios para que o débito cardáico seja amntido normal por um determinado tempo • Mas esses mesmos mecanismos compesatórios causam danos secundários nas estruturas do coração, fazendo com que tenha um músculo mais fibrótico, mais afilado, dilatado, perdendo a geometria elíptica que a cavidade ventricular tem e o coração começa a dilatar • Chegam em um determinado ponto que, mesmo esses mecanismos compensatórios, não são mais capazes de manter um débito cardíaco eficiente → Paciente entra em uma segunda fase da IC, passando a ter sintomas (IC sintomática) As vezes o infarto é tão grande que não dá tempo desse mecanismo compensatório acontecer e o paciente já dilata e entra em uma fase de IC na fase aguda do infarto (Paciente com Killip 3/4) • Remodelamento ventricular: Coração perde sua geometria e capacidade contrátil ↳ No tratamento → Evitar que o músculo se remodele e perca a capacidade de contração. Se remodelar, tenta fazer um remodelamento reverso BASE DO TRATAMENTO → CONHECER O MECANISMO COMPENSATÓRIO Principais mecanismos compensatórios que mantém o débito cardíaco eficiente na fase inicial • Sistema renina angiotensina aldosterona • Sistema nervoso simpático • Existem mecanismos inflamatórios que liberam citocinas, mas que, ainda, não existe um mecanismo muito útil de bloqueio • A longo prazo gera dano secundário – O coração perde sua forma elíptica, afilamento da parede, arredondar e dilatar, gerando menos eficiência de contração → Diminui contratilidade, gera hipertrofia muscular, apoptose, fibrose, distúrbios de condução • Objetivo = Bloquear esses mecanismos a ponto de não gerar dano secundário Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 3 Fisiopatologia • Débito cardíaco = Frequência cardíaca X volume sistólico Determinantes da função ventricular • O Volume sistólico depende de três fatores: ↳ Quantidade sangue que chega no coração → Pré- carga ↳ Resistência vascular periférica → Pós-carga↳ Capacidade inerente do coração de gerar uma contração • Quando está tratando uma IC descompensada e quer ajustar o débito cardíaco, são essas varáveis que precisam ser alteradas • Para melhorar o débito, as vezes é preciso reduzir a pós-carga. As vezes aumentar a pré-carga ou a contração. As vezes aumentar a FC ou diminuir. Mecanismos neuro-hormonais • Ativação do sistema nervoso adrenérgico • Ativação do sistema renina-angiotensina • São os principais responsáveis por manter o débito cardíaco por meio de aumento de retenção de sal e água, vasoconstrição arterial periférica e contratilidade aumentada. Sistema nervoso simpático • Existem os barorreceptores (sensíveis a pressão), principalmente a carótida. Se tem alguma patologia que reduz o débito cardíaco, a pressão nos barorreceptores estará reduzida, os ativando (Redução da atividade parassimpática e aumento da atividade simpática). Aumenta catecolaminas na corrente sanguínea que vão se ligar aos receptores e , resultando em aumento de contratilidade e aumento de FC → Aumento de débito cardíaco • Entretanto, essas catecolaminas, por muito tempo circulantes, irão gerar remodelamento, hipertrofia, fibrose, apoptose, arritmia, IC • Quanto mais tempo existir essa exacerbação da atividade simpática, ocorrerá Downregulation → Os receptores ficarão cada vez menos sensíveis as catecolaminas, precisando cada vez mais de catecolaminas para gerar o mesmo resultado • Quanto mais catecolaminas circulantes, mais danos secundários -bloqueador é parte fundamental do tratamento da IC • A ativação do sistema nervoso simpático é acompanhada por concomitante redução do tônus parassimpático. • Em condições normais, os impulsos inibitórios de elevada pressão nos barorreceptores do seio carotídeo e arco aórtico são os principais inibidores da ativação simpática. • Como resultado do aumento do tônus simpático, há aumento dos níveis de NE circulantes, um potente neurotransmissor adrenérgico. • Em pacientes com IC, os níveis de NE são de 2 a 3x mais altos e são preditores de mortalidade. • A ativação simpática aumentada dos receptores 1-adrenérgicos resulta em aumento da FC e da força contrátil e, consequentemente, no aumento do débito cardíaco. • A estimulação 1-adrenérgicos miocárdicos induz pequeno efeito inotrópico positivo, bem como vasoconstrição periférica - mecanismos compensatórios. • Hiperexcitação prolongada: “downregulation”, aumento da demanda miocárdica de O2 (pode piorar isquemia), taquiarrimtias ventriculares. Sistema renina-angiotensina • Redução do débito cardíaco → Má perfusão renal → Redução de sódio filtrado na mácula densa → Liberação de renina • Renina → angiotensinogênio → Angio I → (ECA) → Angio II • Angio II vai agir na suprarrenal liberando aldosterona que vai reabsorver sódio e água • Aumento de sódio e água → Aumenta volemia → Aumenta pré-carga → Aumenta distensão sobre o músculo na diástole → Aumenta capacidade contrátil → Aumenta débito cardíaco • Angio II causa vasoconstrição periférica, aumentando a perfusão sobre os tecidos periféricos Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 4 • Danos secundários pela angio II e aldosterona → Remodelamento, apoptose, fibrose, dilatação ventricular, afilamento da camada muscular, redução do débito cardíaco a longo prazo Tratamento bloqueando SRAA = BRA ou IECA + espironolactona (para bloquear aldosterona) • Os mecanismos de ativação incluem hipoperfusão renal, redução do sódio filtrado atingindo a mácula densa distal e ativação simpática aumentada, levando ao aumento da liberação da renina pelo aparelho justaglomerular. • A angiotensina II tem várias ações importantes que são críticas para manutenção da homeostase no curto prazo. • Contudo, a expressão por longo prazo é deletéria e leva à fibrose do coração, rins e de outros órgãos. • Também aumenta liberação de NE nas terminações nervosas simpáticas - ciclo vicioso. • Análoga à AT II, a aldosterona permite um suporte em curto prazo na circulação por promover reabsorção de sódio em troca de potássio nos segmentos distais do néfron. Contudo, expressão sustentada exerce efeitos deletérios provocando hipertrofia e fibrose na vasculatura e no miocárdio - reduz complacência vascular e aumento do enrijecimento ventricular Resumo da fisiopatologia • Redução do débito cardíaco → Hipoperfusão dos barorreceptores → Aumento da atividade simpática → Aumenta catecolamina circulante → Aumenta FC e débito → Aumenta dano secundário • Hipoperfusão renal → Filtração renal reduz → Concentração de sódio na mácula densa cai → Liberação de resina → SRAA → Angio II → Aldosterona ↳ Vasoconstrição → Aumento de pré-carga → Aumento de débito cardíaco ↳ Dano secundário → Paciente entra na fase sintomática OS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS POSSUEM UM LIMITE Relação entre a FC e o DC • Se aumenta a frequência cardíaca, aumenta o débito cardíaco • Porém, até determinado ponto • Aumento adicionais de FC não vão aumentar o débito, irão reduzir • Ex: Paciente com fibrilação atrial com FC de 150 – FC aumentou, mas o débito caiu, porque a FC cardíaca está tão rápida que não deu tempo do ventrículo se encher na diástole, e o volume sistólico caiu Influência da PD2 de VE sobre o volume sistólico - mecanismo de Frank-Starling • Aumento da pré-carga, aumenta no débito • Aumentos adicionais da pré-carga não aumentam o débito mais. Pode esgotar o mecanismo de contração e o débito começar a cair • Tem pacientes que precisamos aumentar o débito, mas pode ser que ele esteja com a pré-carga muito baixa. Precisa aumentar a pré-carga para aumentar o débito. • Tem pacientes que estão com a pré-carga muito aumenta e para aumentar o volume sistólico tem que reduzir o débito cardíaco Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 5 Influência das variações da pré-carga sobre o volume sistólico nos diversos graus funcionais da I.C. • Quanto mais grave é a doença, mais falível é o mecanismo de Frank-Starling • A IC tem estágios • Quanto mais grave o paciente, mais para o “4” ele vai, menos ele tolera aumento de pré-carga • Paciente com IC avançada, que não se cuida, pouco de excesso de sódio e água que consume, que aumenta a pré-carga, faz com que o volume sistólico caia e entra em uma fase sintomática ↳ Muitas vezes tais pacientes apresentam restrição hídrica • Quanto mais grave é a doença, menos o paciente tolera o aumento da pré-carga Influência da resistência periférica sobre o volume sistólico • Mecanismo simpático aumenta a resistência vascular para aumentar a perfusão • Aumentos significativos da resistência vascular vão aumentar tanto a pós-carga que o músculo cardíaco não consegue gerar um débito contra aquela grande resistência • Perfusão começa a diminuir Influência das variações da pós-carga sobre o volume sistólico nos diversos graus da IC • O paciente pode apresentar dois fenótipos distintos de insuficiência cardíaca ↳ Incapaz de gerar débito por incapacidade contrátil – Insuficiência cardíaca de fenótipo sistólico ↳ Paciente não gera débito porque é incapaz de produzir um bom enchimento ventricular (parede ventricular muito hipertrófica) – Insuficiência cardíaca de fenótipo diastólico • Os mecanismos compensatórios são os mesmos, tanto na sístole quanto na diástole e a via final será o remodelamento ventricular • O músculo afila, a cavidade dilata, perde a geometria elíptica e começa a ficar mais arredondada • Se tem uma dilatação da cavidade, os folhetos da válvula mitral vão ser impedidos de coacta durante a sístole • Os folhetos estarão afastados e, na hora da sístole, a válvula mitral é incapaz de se fechar e o paciente entra na insuficiência mitral, tendo regurgitação do sangue para dentro do átrio esquerdo • O problema não é primárioda válvula, é secundário da dilatação ventricular Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 6 *Atualmente, não é mais utilizada a nomenclatura IC sistólica e diastólica Classificações Classificação funcional – NYHA • Baseada apenas no sintoma do paciente, na história • NYHA 1 – Paciente tem IC, mas não apresenta nenhuma limitação para as atividades do cotidiano. Consegue fazer todas as suas atividades • NYHA 2 – Pequena limitação para as atividades diárias. Em repouso está confortável, mas quando começa a fazer um esforço um pouco maior, começa a ficar cansado e com dispneia • NYHA 3 – Limitação bem marcada para as atividades do cotidiano. Atividades menores, como andar no plano ou subir um lance de escadas já é suficiente para que ele fique muito cansado, tendo que interromper a atividade que está fazendo. • NYHA 4 – Incapaz de fazer qualquer atividade. Se cansa ao andar de um cômodo para o outro, ao tomar banho, em repouso, assistindo televisão, já apresenta falta de ar Classificação por estágio • Estágio A – Paciente com fator de risco para IC, mas o coração estruturalmente ainda é normal. ↳ Paciente hipertenso, diabético, consumo excessivo de álcool, tabagista, portador de doença coronariana sem doença estrutural... • Estágio B – Paciente tem doença estrutural (ventrículo já dilatou ou hipertrofiou), mas nunca teve sintomas de IC • Estágio C – Paciente que já teve remodelamento, ou está com sintoma de IC, ou já teve sintoma que foi tratado e melhorou (Paciente sintomático, seja agora ou no passado) • Estágio D – Paciente que já tem grande limitação para as atividades diárias, mesmo com o tratamento clínico já otimizado. Paciente candidato a transplante cardíaco Classificação fenotípica FEVE = VDFVE - VSFVE x 100 ——————— VDFVE ↳ Volume diastólico – volume sistólico/volume diastólico X 100 • Baseada na fração de ejeção • Fração de ejeção = Percentual de volume que é ejetado diante da quantidade de sangue que chega no ventrículo na diástole • Calculado pelo ecocardiograma ICFEr = Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida ↳ Problema de sístole → Não é capaz de gerar contração eficiente ICFEi = Insuficiência cardíaca com fração de ejeção intermediária ICFEp = Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada ↳ Contração está adequada. O problema está no enchimento → Diastólico Tipos de IC ICFEr ICFEi ICFEp Sintomas ± sinais Sintomas ± sinais Sintomas ± sinais FEVE ≤ 40% FEVE 41 - 49% FEVE ≥ 50% Evidencia objetiva de alterações estruturais e/ou funcionais consistentes com disfunção diastólica ou aumento das pressões de enchimento ventricular ou elevação do BNP NOVA CLASSE: IC com fração de ejeção melhorada = Paciente era 40% e depois do tratamento aumentou para >40. • Coração normal • Coração hipertrofiado – Gera contração eficiente, porém a cavidade está reduzida, recebe pouco sangue → ICFEp • Coração dilatado – Parede muito fina, já incapaz de gerar contração → ICFEr Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 7 Classificação temporal • Insuficiência cardíaca aguda ↳ Começou de uma hora para outra ↳ Infarto agudo do miocárdio extenso ↳ Miocardites • Insuficiência cardíaca crônica ↳ Mais comum ↳ Causada por patologia crônica ↳ HAS – Aumento da RVP leva a uma hipertrofia ventricular, ativação do mecanismo compensatório, dano secundário, dilatação Classificação anatômica • Insuficiência cardíaca esquerda – Dano primariamente no VE (Ex: IAM) • Insuficiência cardíaca direita – Patologia que compromete o VD (Ex: Chagas, DPOC, embolia pulmonar) • Insuficiência cardíaca congestiva – Disfunção biventricular A via final da ICE é congestiva. Normalmente, o infarto a longo prazo, é ICC ↳ Se tem uma insuficiência cardíaca esquerda e a pressão de enchimento no VE aumenta. A pressão é transmitida para trás, aumentando a pressão arterial pulmonar. VD entra em disfunção Considerações diagnósticas Diagnóstico clínico • Para fazer o diagnóstico é necessário saber sinais e sintomas e exames complementares • Os sinais e sintomas podem ser anterógrados ou retrógrados • Retrógrado – Tem um infarto, não gera débito, os volumes sistólico e diastólico finais aumentam, a pressão de enchimento dentro do ventrículo também aumenta. Essas pressões são transmitidas de forma retrógrada. ↳ Aumento de pressão no VE → Transmitido para o AE → Veias pulmonares → Aumento de pressão nos capilares pulmonares → Aumenta pressão hidrostática → Extravasamento para o interstício o Paciente vai apresentar cansaço, dispneia, ortopneia, tosse seca, dispneia paroxística noturna ↳ Aumenta pressão artéria pulmonar → Aumenta pressão no VD → Aumenta pressão no AD o Turgência jugular, edema de MMII, ascite, hepatomegalia, refluxo hepatojugular, edema sacral ICE – Sintomas predominantemente pulmonares ICD – Sintomas predominantemente sistêmicos ICC – Presença de sinais e sintomas E e D • Anterógrados – Sintomas relacionados ao baixo débito cardíaco ↳ Síncope em caso extremo, fraqueza de membros, má perfusão periférica, enchimento capilar periférico lentificado, cianose de periferia, oligúria, sintomas neurológicos (confusão mental, agitação, sonolência), precordialgia (se tiver SC associada), hipotensão, pressão pinçada (PAS e PAD próximas), pulso alternante Semiologia da IC esquerda • Cardiomegalia, taquicardia, Pulso alternante, arritmias, baixa reserva • Dispnéia, ortopnéia, Dispnéia paroxística noturna, Respiração de Cheyne – Stokes, Edema agudo • Confusão, dificuldade de concentração, cefaléia, insônia e ansiedade • Oligúria; nictúria • Fadiga, astenia Semiologia IC direita • Cardiomegalia, taquicardia, Pulso alternante, arritmias, baixa reserva • Nictúria • Confusão, dificuldade de concentração, cefaléia, insônia e ansiedade • Estase jugular • Hepatomegalia, dor, pulsátil e esplenomegalia (Refluxo hepatojugular) • Derrames Cavitários; edema em MMII; cianose • Fadiga, astenia Exame físico ICE • Coração: ↳ Cardiomegalia ↳ B3 ↳ Sopro insuficiência mitral ↳ Pulso alternante ↳ Hiperfonese de P2 • Pulmões: ↳ Estertores creptantes ↳ Sinais de derrame pleural Exame físico ICD • Coração: Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 8 ↳ Cardiomegalia ↳ B3 ↳ Sopro insuficiência tricúspide • Hipertensão venosa sistêmica • Hepatomegalia • Esplenomegalia • Refluxo hepatojugular • Ascite • Derrame periférico • Caquexia Critérios de FRAMINGHAM para suspeitar de IC *Não é mais utilizado CRITÉRIOS MAIORES CRITÉRIOS MENORES Dispnéia paroxística noturna Edema de membros Distensão das veias do pescoço Tosse noturna Estertores Dispnéia de esforço Cardiomegalia Hepatomegalia Edema Pulmonar Agudo Derrame Pleural Galope B3 Capacidade vital reduzida a 1/3 do normal Pressão venosa aumentada (>16 cm H2O) Taquicardia (>120 bpm) Refluxo hepatojugular positivo Para diagnóstico são necessários ao menos 1 critério maior e 2 menores. • Critérios maiores – Muito específico da IC, quase nenhuma outra patologia irá dar • Critérios menores – Comum a várias outras patologias • É preciso conhecer os sintomas maiores e menores e, a partir da suspeita, realizar exames complementares para confirmar Exames complementares Ecocardiograma • Classe 1 • É o exame de escolha para diagnóstico e seguimento dos pacientes com suspeita de IC. • Permite avaliação das funções sistólicas esquerda e direita, das espessuras parietais, do tamanho das cavidades, da função valvar e das doenças do pericárdio. • Outros exames de imagem como a tomografia computadorizada e ressonância magnética podem ser solicitados nos casos inconclusivos ou na pesquisa de miocardiopatias específicas • Classificar fração de ejeção • Auxilia na visualização→ Válvula, volume sistólico, remodelamento ventricular. Pode auxiliar na descoberta da etiologia • Exemplos: ↳ ECO normal – Ventrículo esquerdo acima, músculo com espessura adequada, toda cavidade ventricular contrai de forma simultânea, aparato valvar normal, átrio esquerdo de tamanho adequado ↳ ECO de um paciente com ICE – Parede já afinada, dilatada e arredondada. ICFEr Fluxo retornando para dentro do átrio, pois o ventrículo dilatou e a válvula desarranjou Indicação classe I: para todos os pacientes com suspeita clínica de IC Radiografia de tórax • Ainda muito útil, mas não é fundamental • Exame de rotina, principalmente nos casos de IC descompensada. • Índice cardiotorácico aumentado • Edema pulmonar: padrão de borboleta • Linhas B de Kerley • Derrames pleurais • Não dá diagnóstico definido Biomarcadores – BNP ou pró-BNP (Peptídeo natriurético cerebral) • São usados para distinguir a IC de outras condições. • Estabelecem a gravidade do diagnóstico. • Fornecem informações prognósticas. • São úteis para guiarem o tratamento. • Destacam-se: peptídeos natriuréticos (BNP e pró- BNP). • Estes dois biomarcadores são liberados dos cardiomiócitos em resposta ao estiramento ventricular e sintetizados em resposta ao estresse parietal. • Liberados em qualquer situação em que há aumento da pressão de enchimento do ventrículo Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 9 pelo átrio. O estiramento sobre o músculo do coração faz liberar BNP • A IC gera aumento de pressões de enchimento. Logo, toda vez que tem IC, tem uma pressão de enchimento alta, tendo BPN aumentado • Quanto mais alto o BNP, mais grave é o paciente BNP é importante para confirmação do diagnóstico, para estratificação, auxilia no tratamento, importante no diagnóstico diferencial (falta de ar) • Indicação classe I: dosagem de peptídeos natriuréticos quando se tem dúvidas no diagnóstico de IC. • Indicação classe I: dosagem de peptídeos natriuréticos para estratificação prognóstica • Suspeita de IC → Clínico, Raio X e eletro → Biomarcador ↳ Negativo – Diagnóstico diferencial, procurar causa extracardíaca ↳ Positivo – Confirmação de ICC • ECO para classificação fenotípica • Exame laboratorial para prognóstico Exames complementares adicionais podem ser utilizados para determinação da etiologia por trás da insuficiência cardíaca crônica Avaliação eitológica • A avaliação diagnóstica difere nas diferentes regiões do mundo. • Buscar a causa para o desenvolvimento da IC tem particular importância, uma vez que o prognóstico difere entre elas, podendo orientar tratamento específico. • Várias classificações foram propostas, porém de difícil aplicação prática Caso Clínico ID: DVC, 65 anos, branco, poderoso chefão, residente NYC, natural e procedente de Sicília / Itália, católica, Sul América. QP: “cansaço e falta de ar com piora nos últimos 10 dias”. HDA: Paciente com antecedentes de HAS, DM II, DLP e com histórico de IAM prévio relata que, há aproximadamente 6 meses, apresentou quadro de cansaço e dispneia inicialmente desencadeados por esforços físicos maiores que habituais. Evoluiu, nos últimos 2 meses, com piora progressiva do quadro clínico, com tais sintomas sendo desencadeados por esforços cada vez menores e, desta vez, associados a edema perimaleolar bilateral. Refere que, há 10 dias, apresenta dispneia de repouso associados a plenitude pós-prandial, inapetência, tosse seca noturna, ortopneia e edema de MMII simétrico e ascendente. Nega dor torácica, febre e tosse produtiva. Procura atendimento médico para elucidação diagnóstica. HPP: HAS desde os 42 anos. DM II desde os 50 anos. IAMCSST aos 60 anos com angioplastia primária de Artéria descente anterior. Uso regular de metformina 850 mg/dia, captopril 50 mg/dia, AAS 100 mg/dia e sinvastatina 20 mg/dia. Nega traumas, cirurgias, alergias ou hemotransfusões. • No atendimento inicial da SCA não precisa fazer estatina, mas precisa introduzir dentro das primeiras 24h de atendimento e é parte fundamental do tratamento adiante. Independente do nível de colesterol, será usado “para sempre” HFisiol: nada significativo H. Fam.: pai falecido por IAM aos 50 anos; mãe falecida por CA de colo de útero / 3 filhos saudáveis. Saúde do Adulto I – Cardiologia Letícia Brum Leal 2024/1 10 H. Social e hábitos de vida: alimentação rica em gorduras saturadas e carboidratos de rápida absorção. Sedentário. Etilista social. Nega tabagismo. IS: nada significativo. Sinais vitais: PA: 165 x 102 mmHg em ambos MMSS / FC: 85 bpm / SO2 98% / TAX 36,8º C. Medidas Antropométricas: P: 97 kg / A: 175 cm / CA: 118 cm. IMC 31 (obesidade grau I) Ectoscopia: bom estado geral, acordado, LOTE, posição e atitudes ativa e ortostática, corado, hidratado, acianótico, anictérico, perfusão periférica preservada, normolíneo. • Perfusão é um dado extremamente significativo, principalmente na descompensação AR: tórax atípico, expansibilidade simétrica preservada, FTV e percussão normais, MVUA com estertores crepitantes basais bilaterais. ACV: estase jugular a 45º, ictus visível e palpável no 6º EICE junto à linha axilar anterior com 2 1/2 polpas digitais, RCR 3T, B3 no ápice, hiperfonese de P2 e sopro sistólico no foco mitral irradiado para região axilar. Refluxo hapatojugular positivo. ABD: batráquio, sem cicatrizes, presença de circulação colateral verticais. Ruídos intestinais presentes e sem sopros abdominais. Percussão com maciez móvel e sinal de Piparote +. Depressível, indolor à palpação superficial e profunda. Fígado palpável a 8cm abaixo do gradil costal com bordas regulares e rombas. Não palpo massas. MMII: edema bilateral, ascendente, até a raiz da coxa, simétrico, frio, mole, inelástico e indolor / pulsos distais são palpáveis e simétricos. Diagnóstico sindrômico? • Síndrome aterosclerótica • Síndrome dispneica (cansaço, dispneia, ortopneia) associada a uma síndrome edemigínica (ascite, edema de MMII, crepitação pulmonar) → SÍNDROME CONGESTIVA (turgência jugular, insuficiência mitral, edema...) ↳ É uma síndrome congestiva esquerda, direita ou sistêmica? O exame clínico diz qual síndrome é. Exame: • BNP 4000 – Normal para faixa etária 250 • Insuficiência cardíaca confirmada ECO AE: 50 / VE: 68 x 59 mm / S e PP: 10 mm / FEVE: 30% / IMi moderada / PSAP: 55 mmHg / VE com acinesia parede anterior e apical • As bases e o septo se contraem na sístole, mas o local em vermelho não (parede anterior onde sofreu IAM) • Ventrículo dilatou, parede dilatou, fração estará reduzida Diagnóstico fenótipo? • ICFEr Causa da ICFEr • Miocardiopatagia isquêmica gerando uma ICFEr Estágio da doença • Estágio C Classe funcional • NYHA 4 Paciente com ICFEr, de causa isquêmica, estágio C, classe funcional 4