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O psicólogo no contexto jurídico 
Interseção entre Psicologia e Direito e os desafios, bem como as principais áreas 
de atuação do psicólogo no contexto jurídico. 
 
Prof.º José Augusto Rento Cardoso 
Itens iniciais 
Propósito 
 
O aprendizado e o conhecimento da Psicologia no contexto jurídico, apresentando 
as principais áreas de atuação, permitem que os futuros profissionais consigam 
lidar com expectativas e desafios no cuidado de casos específicos na prática 
profissional. 
 
Objetivos 
 
Reconhecer as diferentes definições relativas à psicologia jurídica, bem como as 
principais áreas de atuação do psicólogo no contexto jurídico. 
Identificar os desafios da interseção entre Psicologia e Direito. 
 
Introdução 
 
Pode ser que você já tenha assistido a séries ou filmes em que um personagem 
busca conhecer a mente e o comportamento de um assassino, tentando 
descobrir quais serão seus próximos passos. Se você é fã do gênero, deve ter uma 
lista enorme passando pela sua cabeça. 
 
 
Essa pode ser uma representação que muitos, inicialmente, tenham de como atua 
um psicólogo no campo jurídico, ou seja, um especialista em caçar criminosos ou 
assassinos em série. 
 
 
No entanto, ainda que a criação de perfis de criminosos possa ser um trabalho a 
que um psicólogo se dedique (mesmo que seja uma prática polêmica e pouco 
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⁴Tmum que essa área da Psicologia seja apresentada como psicologia forense, 
psicologia judiciária, psicologia na prática jurídica e, algumas vezes, definida por 
apenas um dos campos de atuação no contexto da interseção entre Psicologia e 
Direito, como psicologia criminal. 
 
 
Essas diferentes definições parecem delimitar um mesmo campo de atuação, 
sendo certo que, de alguma maneira, podemos até considerá-las como 
sinônimos. No entanto, é importante que você possa compreender o motivo da 
escolha de psicologia jurídica como melhor forma de definir a atuação do 
psicólogo no campo de interseção entre Direito e Psicologia. 
 
 
Conforme Jorge Trindade (2012) destaca, a psicologia jurídica é um campo em 
construção. 
 
 
Devemos observar que a Psicologia, entendida como ciência moderna, tem pouco 
mais de cem anos, sendo uma área em pleno desenvolvimento, com a psicologia 
jurídica integrando uma subárea dentro desse campo maior que é a Psicologia. 
 
 
 
Antigo Fórum romano, em Roma, Itália 
 
Trindade (2012) traz uma importante contribuição que pode nos ajudar a melhor 
compreender esse campo, esclarecendo um pouco as distinções entre psicologia 
jurídica e forense. O autor pontua que a palavra forense provém do latim forensis 
que aponta para um espaço físico, o Fórum, onde a assembleia romana se reunia 
para tratar de assuntos importantes. 
 
 
 
Nesse sentido, ao utilizar o termo psicologia forense, podemos nos encaminhar 
para pensar que esse campo se limita a somente aquilo que ocorre nos Tribunais, 
caindo em uma pequena limitação do que seja todo o âmbito da Psicologia em 
sua relação com o Direito. 
 
 
No entanto, em língua inglesa, geralmente vamos encontrar o termo Forensic 
Psychology, que abarca muitas das atividades e atuações que se enquadram no 
nosso entendimento do que seja psicologia jurídica. Além disso, aqui deve-se 
considerar as diferenças entre as legislações dos diversos países, sendo que se a 
psicologia jurídica está em íntima relação com o Direito, mudanças nas leis 
implicam mudanças em algumas das atividades desse profissional. 
 
 
Outra aproximação com a qual podemos ter algum cuidado é a de Huss (2011, p. 
23) que entende a psicologia jurídica como: “a aplicação da psicologia clínica ao 
Poder Judiciário”. 
 
 
 
Aqui podemos cair em outro reducionismo. De certa forma, alguns aspectos da 
psicologia clínica podem contribuir para a atuação do psicólogo jurídico, mas 
existe uma gama muito maior de diferenças que, em síntese, delimitam esse 
campo como uma especialidade diversa da psicologia clínica. 
 
 
Na prática cotidiana, percebe-se que existem aspectos bem diferentes na atuação 
clínica e jurídica, vejamos a seguir algumas destas diferenças: 
 
 
Campo clínico 
 
Neste campo, a pessoa, a quem chamamos de paciente, busca o atendimento, na 
maior parte das vezes, espontaneamente, motivados por solucionar dificuldades 
emocionais e comportamentais. 
 
 
Campo jurídico 
 
Neste campo, a pessoa, a quem chamamos de usuário, é levada ao psicólogo por 
problemas relacionados com a Justiça: por exemplo, quando o indivíduo move um 
processo requerendo a guarda de seu filho, o juiz, chamado de operador do 
direito, demanda uma avaliação ou um estudo psicológico, não sendo um 
encaminhamento voluntário. 
 
 
 
 
Assim, vale ressaltar que o Conselho Federal de Psicologia, em sua resolução CFP 
014/2000, estabelece a psicologia jurídica como um dos títulos de especialista, 
passível de ser obtido por um psicólogo, diferenciando-o do título de psicólogo 
clínico. 
 
 
Saiba Mais 
Você verá o termo operadores de Direito em vários momentos do texto. Eles 
representam aqueles atores do campo do Direito como juízes, promotores, 
defensores, advogados, ou seja, todos que, de alguma forma, contribuem para o 
processo legal tramitar, tendo conhecimento específico das leis necessárias ao 
cumprimento do Direito. 
 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Campos na psicologia jurídica 
Diversidade de campos na psicologia jurídica 
 
Gomide (2016, p. 16), entendendo que psicologia jurídica e forense são 
sinônimos, define a psicologia jurídica como sendo “o estudo da integração da 
Psicologia com o Direito”, completandoAdvogado, 2012. 
 
 
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Avançarque, enquanto a Psicologia se debruça 
sobre o comportamento humano, o Direito se volta para o estudo de como as 
pessoas estabelecem regras “que regem seu comportamento em sociedade” 
(GOMIDE, 2016, p. 16). 
 
 
Acreditamos que estamos nos aproximando um pouco mais do que seja a 
psicologia jurídica e, nesse sentido, concordamos com o que Trindade (2012) 
afirma: a psicologia jurídica abarca não somente aquilo que ocorre dentro dos 
fóruns, mas também a própria lei. 
 
 
Atenção 
A psicologia jurídica, como veremos adiante, de fato, envolve uma diversificada 
gama de atuações que, muitas vezes, estão relacionadas a processos legais no 
âmbito dos tribunais. No entanto, acreditamos que a psicologia jurídica não deve 
ficar restrita a esse campo, mas atuar também, por exemplo, no auxílio à 
construção de leis que levem em conta o apoio ao sadio desenvolvimento 
emocional e à promoção do bem-estar da pessoa, o que Bicalho (2016) chamará 
de psicologia legislativa, mas que, conforme Trindade (2012), já faz parte da 
psicologia jurídica. 
 
 
Nesse sentido, a psicologia jurídica pode ser compreendida como a Psicologia 
aplicada ao melhor exercício do Direito, ou seja, o psicólogo jurídico, com seu 
conhecimento e sua prática, atua no âmbito Judiciário com o intuito de contribuir 
para que a meta do Direito – a Justiça – possa ser efetivamente alcançada. 
 
 
É interessante perceber que, nesse sentido, a Psicologia não é vista como uma 
subdisciplina, mas como uma grande auxiliar, que entra o campo do Direito com o 
intuito de fazê-lo mais efetivo, proporcionando conhecimentos acerca do 
fenômeno humano que ele, mesmo com seus milênios de existência, não 
compreendeu plenamente. 
 
 
 
Dito isso, percebe-se que a psicologia jurídica, como área da Psicologia em 
interseção com o Direito, desdobra-se em uma ampla quantidade de subáreas 
como, por exemplo: psicologia penitenciária, psicologia criminal, psicologia civil 
geral e de família, psicologia do testemunho, psicologia policial, psicologia da 
vítima ou psicologia vitimológica, entre outras. 
 
 
Visando abordar esse auxílio da Psicologia levando em consideração os diversos 
níveis do sistema de Justiça de nosso país, abordamos de forma didática a 
psicologia jurídica e suas contribuições, respeitando a separação legal entre 
direito civil e direito penal (ou direito criminal). Vamos agora apresentar algumas 
das atuações do psicólogo jurídico levando em consideração essas duas amplas 
áreas do Direito. 
 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Atuação no direito da criança e adolescente 
Todos nós, cidadãos, temos uma série de direitos e deveres, muitos dos quais são 
consagrados por nossa Constituição, notadamente em seu artigo 5º, no qual 
nossos diversos direitos estão expostos. 
 
 
O direito civil é o campo do Direito que se preocupa com os direitos privados de 
cada indivíduo, com o direito do cidadão, legislando sobre as injustiças que 
podem ocorrer nesse âmbito de relação entre pessoas físicas ou jurídicas. 
 
 
O Código de Processo Civil (CPC) define as regras de como o processo legal 
ocorre no âmbito civil e, também, como cada parte ou personagem deve atuar 
nesse processo. No caso dos psicólogos, eles se apresentam ao processo como 
peritos que são entendidos no CPC como auxiliares da Justiça. 
 
 
Assim, o perito auxilia o juiz quando a prova necessária para melhor condução do 
processo depende de conhecimento técnico ou científico específico, o que está 
redigido no art. 156 do CPC. 
 
 
Vamos a um exemplo do cotidiano da prática do psicólogo jurídico! 
 
 
Exemplo 
Imagine que um casal com dois filhos decide se separar e, diante de uma situação 
emocionalmente estressora e difícil, que é a separação, cada um busca seu 
advogado para mover uma ação de guarda compartilhada dos filhos. 
 
 
 
Nesse contexto, o juiz, ao longo do processo, pode avaliar que seria necessária a 
atuação de um psicólogo realizando um estudo ou avaliação psicológica para 
melhor compreender a história dessa família, sua dinâmica e como cada um dos 
pais exerceu os cuidados dos filhos ao longo de seu desenvolvimento, visando 
adotar uma decisão que respeite o melhor interesse da criança, um importante 
princípio quando se fala de crianças e adolescentes no contexto da Justiça. 
 
 
Compreender os aspectos emocionais, comportamentais e psicológicos de todos 
os integrantes do sistema familiar é algo passível de ser realizado por um 
psicólogo que, portanto, é chamado como perito para apresentar suas 
contribuições, por meio de um laudo, apontando os aspectos importantes no 
presente caso. 
 
 
Com esse conhecimento, o juiz é munido de mais ferramentas para exercer um 
julgamento mais adequado à realidade daquela família e, portanto, com a 
possibilidade de ser mais justo. 
 
 
Em termos de legislação, o Brasil possui um grande avanço na proteção de 
crianças e adolescentes com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 
8.069/1990), sendo que a Psicologia é demandada a contribuir com seus 
conhecimentos em diversos níveis relacionados à proteção dos direitos de 
crianças e adolescentes. 
 
 
Nesse sentido, as demandas para a atuação do psicólogo versam sobre alguns 
assuntos, como: 
 
 
 
A destituição do poder familiar 
 
O psicólogo também atua nos processos, versando sobre a destituição do poder 
familiar, ou seja, situações em que os pais ou responsáveis legais por aquela 
criança ou adolescente não conseguem cumprir com seus deveres básicos e 
garantir a esses menores a possibilidade de sadio desenvolvimento psicológico, 
físico, moral etc. 
 
 
 
Nesses casos, a importante a atuação do psicólogo em equipe multidisciplinar, 
geralmente acrescida de um assistente social, é enorme, já que sua atuação 
auxilia o juiz na decisão de retirar ou manter o poder familiar de pais ou 
responsáveis legais sobre uma criança ou adolescente. 
 
 
Os adolescentes autores de atos infracionais 
 
O psicólogo também atua em uma outro grande campo os das medidas 
socioeducativas, ou seja, a atuação com adolescentes em conflito com a lei. 
 
 
 
Os profissionais psicólogos que atuam nessa demanda devem “desenvolver 
intervenções que possam minimizar, a partir das redes externas de apoio do 
adolescente, a ocorrência de atos infracionais quando este retornar à sociedade.” 
(LAGO; NASCIMENTO, 2016). 
 
Já no que diz respeito aos processos de adoção, o psicólogo é chamado a atuar 
em três aspectos: 
 
 
1. Preparação, avaliação e habilitação de candidatos à adoção: realizando tanto a 
avaliação destes, bem como promovendo os chamados grupos de apoio a 
adoção, nos quais, por meio de dinâmicas e práticas psicoeducativas, busca-se 
contribuir para que os candidatos à adoção possam refletir sobre crenças e 
fantasias ligadas ao processo de adoção. 
 
 
2. Junto às crianças e aos adolescentes que se encontram nas instituições de 
acolhimento aguardando serem adotadas: o trabalho ocorre em conjunto com 
profissionais da instituição e do Judiciário para ajudar a criança no processo de 
reintegração familiar ou afastamento familiar e inserção na família adotiva. 
 
 
Toda criança ou adolescente que estiver inserida em programa de acolhimento 
familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 3 (três) 
meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório 
elaborado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma 
fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou pela colocação em 
família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei. 
 
(ECA, 1990) 
Um importante aspecto destacado é que o trabalho do psicólogo jurídico, muitas 
vezes, acontece em uma equipe multidisciplinar, sendo que a presença de 
assistentes sociais é frequente em quase todos os âmbitos de atuação do 
psicólogo jurídico,mas este também pode ter trabalhos conjunto com 
educadores, médicos etc. 
 
 
3. Acompanhamento da família habilitada para adoção e a criança por ela 
adotada: sendo que o processo de vinculação entre os adotantes e a criança deve 
ser acompanhado por profissional da Psicologia que possui conhecimento e 
instrumental para contribuir na solidificação desses vínculos e no manejo de 
eventuais situações conflitivas. 
 
 
Saiba Mais 
Os psicólogos que atuam nesse âmbito do Direito da Criança e Adolescente não 
são somente aqueles que estão dentro dos tribunais de justiça, mas toda a rede 
de proteção, como conselhos tutelares e centros de referência especializado em 
assistência social (CREAS), que atuam auxiliando que o Direito alcance sua meta 
final: a Justiça. 
 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Atuação no direito de família 
Como em nosso exemplo anterior, do casal que move um processo ação de 
guarda compartilhada, a atuação do psicólogo no âmbito do direito de família é 
imprescindível. Nesse complexo mundo das relações afetivas, o conhecimento 
proporcionado pela Psicologia pode contribuir para que os operadores do Direito, 
como juízes, promotores e advogados, possam deixar a letra fria da lei e entrar na 
calorosa dinâmica dos sentimentos e vínculos familiares. 
 
 
No direito de família, a Psicologia é convocada nos processos de guarda e, com o 
advento da Lei 13.058/2014, no auxílio ao que diz respeito à chamada guarda 
compartilhada. 
 
 
Essa modalidade de guarda, que visa à atuação conjunta dos pais nas decisões e 
principalmente, no acompanhamento da vida dos filhos, tem em lei prevista a 
atuação de equipe interdisciplinar, que auxiliará o juízo por meio de conhecimento 
técnico-científico (art. 1.584, § 3º). 
 
 
Embora a lei especifique que deve haver uma distribuição equilibrada de tempo da 
criança ou adolescente com o pai e com a mãe, a experiência e pesquisa sobre a 
guarda compartilhada vem apontando a necessidade de observar diferentes 
aspectos como a idade da criança (fase do desenvolvimento), a relação com cada 
um dos pais (antes da separação e após a separação), a rede de suporte familiar, a 
proximidade entre as residências, bem como questões psicológicas da criança ou 
adolescente (presença de algum transtorno). 
 
 
Na prática, percebemos que muitos pais e responsáveis acreditam que o 
compartilhamento da guarda significa que a criança ficará residindo 15 dias ou 
uma semana com cada um dos pais, alternando esse tempo de convivência entre 
uma e outra residência, o que não necessariamente atenderá ao melhor interesse 
da criança. 
 
 
O compartilhamento está, antes de tudo, situado na subjetividade que se 
expressa no estabelecimento de valores comuns; na tomada de decisões que, no 
fim, sejam uniformes; na coparticipação nos cuidados cotidianos dos filhos, 
sempre permeados por afeto e proximidade com eles, e por diálogo, no mínimo 
civilizado, polido e sensato, entre os pais, o que só é conseguido com o 
afrouxamento dos laços conjugais, visando ao desatamento deles, e o 
estreitamento dos laços parentais. 
 
(CEZAR-FERREIRA; MACEDO, 2016, p. 108) 
Nota-se que a guarda compartilhada, para além de uma modalidade 
recomendada por lei, deve ser um exercício implementado pelos pais, que 
necessita de esforço de ambas as partes. Na prática cotidiana, vê-se o desafio de 
conseguir que os pais compreendam a importância de um trabalho conjunto em 
prol dos cuidados dos filhos, em meio a uma turbulenta quantidade de 
sentimentos e experiências negativas provenientes da conjugalidade fracassada. 
 
 
Além dos processos versando sobre a guarda de crianças e adolescentes, a 
Psicologia também é chamada a participar e contribuir nos processos versando 
sobre a regulamentação de convivência entre pais e filhos após a separação 
conjugal, reconhecimento de paternidade socioafetiva, quando o pai que criou 
vínculos com a criança é diferente do pai biológico e, cada dia mais, nos casos de 
alienação parental, que veremos a seguir mais detalhes sobre o assunto. 
 
 
A alienação parental tem sido um tema polêmico e proporcionador de discussões, 
acaloradas, com defensores e detratores desse conceito e da realidade. 
 
 
 
O conceito de alienação parental foi desenvolvido pelo psiquiatra americano 
Richard Gardner (2002) para explicar o fenômeno de crianças que resistiam à 
convivência ou ao contato com um dos pais (geralmente o pai), após a separação. 
Gardner (2002) cunhou, em conjunto, o termo Síndrome de Alienação Parental 
(SAP), que se caracterizava por uma programação da criança, realizada por um 
dos pais (alienador), para rejeitar e contribuir em uma campanha voltada para 
denegrir o outro pai (alienado). 
 
 
Diante do impacto da teoria desenvolvida por Gardner (2002), vários países 
criaram legislações específicas para tratar o assunto, inclusive o Brasil, que 
possui uma lei específica, que define a alienação parental como: 
 
 
Art. 2º - a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente 
promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a 
criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que 
repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de 
vínculos com este. 
 
(LEI 12.318/2010) 
Nessa mesma lei, em seu artigo 5º, fica definido que o juiz poderá pedir uma 
perícia psicológica ou biopsicossocial, bem como descritos aspectos a serem 
observados (parágrafos 1, 2 e 3). 
 
 
Entretanto, como dito anteriormente, a síndrome de alienação parental e mesmo 
a concepção de alienação parental vem sofrendo críticas e ponderações ao longo 
dos anos, tanto no Brasil (DE SOUZA, 2014), como fora dele (SOTTOMAYOR, 2011; 
KELLY; JOHNSTON, 2002), exigindo uma reflexão crítica de todos aqueles que 
atuam nesse campo e, mesmo, para além dele, como na psicologia clínica. 
 
 
Atenção 
Em apertada síntese (para usar um termo muito presente em processos judiciais), 
as críticas à alienação parental versam tanto da teoria de Gardner, que não 
abarcaria a complexidade do fenômeno, como o movimento de problematização 
da judicialização das relações familiares. Aqui, prudência! Compreender o 
fenômeno da alienação é necessário, reconhecendo que ainda deve-se buscar 
efetivar mais estudos na área para melhor definição do que seja a alienação e 
meios para sua adequada identificação. 
 
 
Junto à temática da alienação parental, surge a questão das falsas denúncias de 
abuso sexual, que muitas vezes permeiam as situações em que existem 
acusações de alienação. Nesse momento, vemos uma interseção do direito civil e 
criminal, bem como de diferentes perspectivas da psicologia jurídica, como a 
psicologia do testemunho. 
 
 
Síndrome de Alienação Parental 
 
Neste vídeo, o especialista reflete sobre o movimento de problematização da 
judicialização das relações familiares e a Síndrome de Alienação Parental. 
 
 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Atuação no direito de família 
Como em nosso exemplo anterior, do casal que move um processo ação de 
guarda compartilhada, a atuação do psicólogo no âmbito do direito de família é 
imprescindível. Nesse complexo mundo das relações afetivas, o conhecimento 
proporcionado pela Psicologia pode contribuir para que os operadores do Direito, 
como juízes, promotores e advogados, possam deixar a letra fria da lei e entrar na 
calorosa dinâmica dos sentimentos e vínculos familiares. 
 
 
No direito de família, a Psicologia é convocada nos processos de guarda e, com o 
advento da Lei 13.058/2014, no auxílio ao que diz respeito à chamada guarda 
compartilhada. 
 
 
Essa modalidade de guarda, que visa à atuação conjunta dos pais nas decisões e 
principalmente, no acompanhamento da vida dos filhos,tem em lei prevista a 
atuação de equipe interdisciplinar, que auxiliará o juízo por meio de conhecimento 
técnico-científico (art. 1.584, § 3º). 
 
 
Embora a lei especifique que deve haver uma distribuição equilibrada de tempo da 
criança ou adolescente com o pai e com a mãe, a experiência e pesquisa sobre a 
guarda compartilhada vem apontando a necessidade de observar diferentes 
aspectos como a idade da criança (fase do desenvolvimento), a relação com cada 
um dos pais (antes da separação e após a separação), a rede de suporte familiar, a 
proximidade entre as residências, bem como questões psicológicas da criança ou 
adolescente (presença de algum transtorno). 
 
 
Na prática, percebemos que muitos pais e responsáveis acreditam que o 
compartilhamento da guarda significa que a criança ficará residindo 15 dias ou 
uma semana com cada um dos pais, alternando esse tempo de convivência entre 
uma e outra residência, o que não necessariamente atenderá ao melhor interesse 
da criança. 
 
 
O compartilhamento está, antes de tudo, situado na subjetividade que se 
expressa no estabelecimento de valores comuns; na tomada de decisões que, no 
fim, sejam uniformes; na coparticipação nos cuidados cotidianos dos filhos, 
sempre permeados por afeto e proximidade com eles, e por diálogo, no mínimo 
civilizado, polido e sensato, entre os pais, o que só é conseguido com o 
afrouxamento dos laços conjugais, visando ao desatamento deles, e o 
estreitamento dos laços parentais. 
 
(CEZAR-FERREIRA; MACEDO, 2016, p. 108) 
Nota-se que a guarda compartilhada, para além de uma modalidade 
recomendada por lei, deve ser um exercício implementado pelos pais, que 
necessita de esforço de ambas as partes. Na prática cotidiana, vê-se o desafio de 
conseguir que os pais compreendam a importância de um trabalho conjunto em 
prol dos cuidados dos filhos, em meio a uma turbulenta quantidade de 
sentimentos e experiências negativas provenientes da conjugalidade fracassada. 
 
 
Além dos processos versando sobre a guarda de crianças e adolescentes, a 
Psicologia também é chamada a participar e contribuir nos processos versando 
sobre a regulamentação de convivência entre pais e filhos após a separação 
conjugal, reconhecimento de paternidade socioafetiva, quando o pai que criou 
vínculos com a criança é diferente do pai biológico e, cada dia mais, nos casos de 
alienação parental, que veremos a seguir mais detalhes sobre o assunto. 
 
 
A alienação parental tem sido um tema polêmico e proporcionador de discussões, 
acaloradas, com defensores e detratores desse conceito e da realidade. 
 
 
 
O conceito de alienação parental foi desenvolvido pelo psiquiatra americano 
Richard Gardner (2002) para explicar o fenômeno de crianças que resistiam à 
convivência ou ao contato com um dos pais (geralmente o pai), após a separação. 
Gardner (2002) cunhou, em conjunto, o termo Síndrome de Alienação Parental 
(SAP), que se caracterizava por uma programação da criança, realizada por um 
dos pais (alienador), para rejeitar e contribuir em uma campanha voltada para 
denegrir o outro pai (alienado). 
 
 
Diante do impacto da teoria desenvolvida por Gardner (2002), vários países 
criaram legislações específicas para tratar o assunto, inclusive o Brasil, que 
possui uma lei específica, que define a alienação parental como: 
 
 
Art. 2º - a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente 
promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a 
criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que 
repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de 
vínculos com este. 
 
(LEI 12.318/2010) 
Nessa mesma lei, em seu artigo 5º, fica definido que o juiz poderá pedir uma 
perícia psicológica ou biopsicossocial, bem como descritos aspectos a serem 
observados (parágrafos 1, 2 e 3). 
 
 
Entretanto, como dito anteriormente, a síndrome de alienação parental e mesmo 
a concepção de alienação parental vem sofrendo críticas e ponderações ao longo 
dos anos, tanto no Brasil (DE SOUZA, 2014), como fora dele (SOTTOMAYOR, 2011; 
KELLY; JOHNSTON, 2002), exigindo uma reflexão crítica de todos aqueles que 
atuam nesse campo e, mesmo, para além dele, como na psicologia clínica. 
 
 
Atenção 
Em apertada síntese (para usar um termo muito presente em processos judiciais), 
as críticas à alienação parental versam tanto da teoria de Gardner, que não 
abarcaria a complexidade do fenômeno, como o movimento de problematização 
da judicialização das relações familiares. Aqui, prudência! Compreender o 
fenômeno da alienação é necessário, reconhecendo que ainda deve-se buscar 
efetivar mais estudos na área para melhor definição do que seja a alienação e 
meios para sua adequada identificação. 
 
 
Junto à temática da alienação parental, surge a questão das falsas denúncias de 
abuso sexual, que muitas vezes permeiam as situações em que existem 
acusações de alienação. Nesse momento, vemos uma interseção do direito civil e 
criminal, bem como de diferentes perspectivas da psicologia jurídica, como a 
psicologia do testemunho. 
 
 
Síndrome de Alienação Parental 
 
Neste vídeo, o especialista reflete sobre o movimento de problematização da 
judicialização das relações familiares e a Síndrome de Alienação Parental. 
 
 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Atuação no direito do trabalho e nas varas cíveis 
Ainda no âmbito do direito civil, dois outros campos se apresentam para o 
psicólogo jurídico: o direito do trabalho e as diversas temáticas das varas cíveis. 
 
 
No que diz respeito ao direito do trabalho, a atuação acontece em processos 
versando sobre danos psicológicos, que tenham como possíveis causas doenças 
ou acidentes no âmbito do trabalho. A seguir, veremos com mais detalhes dois 
principais problemas que acontecem neste meio: 
 
 
 
Síndrome de Burnout 
 
A partir de 2022, esta síndrome é reconhecida pelo CID-11 como uma doença 
ocupacional. As empresas começam a ter mais responsabilidades sobre a saúde 
mental de seus profissionais colaboradores, podendo sofrer sanções judiciais, 
caso haja o reconhecimento de que essas empresas contribuíram para o estado 
de esgotamento físico e mental característico desse quadro. 
 
 
 
Assédio moral 
 
O mundo do trabalho também vem sendo assolado por estes problemas, sendo 
outro campo em que o psicólogo pode vir a ser chamado para uma avaliação 
quanto aos danos sofridos por determinado colaborador e profissional de uma 
empresa. 
 
 
 
 
Já no âmbito das varas cíveis, o psicólogo é chamado naqueles processos 
envolvendo interdição judicial, bem como naqueles versando sobre eventual dano 
psíquico que uma pessoa pode ter sofrido em uma relação com outra pessoa 
física ou jurídica. 
 
 
No primeiro caso, a Psicologia se apresenta com seus conhecimentos, visando 
avaliar o quanto uma pessoa é capaz de gerenciar sua vida e seus bens, sendo 
certo que, nesse contexto, o psicólogo atuará de forma interdisciplinar com o 
psiquiatra. 
 
 
A avaliação psicológica, no entanto, para além da pessoa, deve envolver a família 
e os demais atores que têm contato com o sujeito interditando, ou seja, do qual se 
pede a interdição. 
 
 
Nesse contexto, é importante considerar o Código Civil Brasileiro (Lei 
10.406/2002) que, em seu artigo 3º, define quem são as pessoas absolutamente 
incapazes, ou seja, aquelas pessoas que não podem exercer atos da vida civil, 
como casamento, assinar contratos, abrir contas etc. 
 
 
 
Já a partir de 2015 teremos outro avanço na nossa legislação: a Lei Brasileira de 
Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), que inclui a categoria de 
pessoas relativamente incapazes a certos atos ou à maneira de os exercer, 
gerando maior desafio para os psicólogos na avaliação, mas proporcionando um 
reconhecimento e mesmo auxílio para quealgumas pessoas possam, em algum 
nível, exercer com ajuda de um terceiro, decisões sobre sua vida, principalmente 
com o dispositivo da Tomada de Decisão Apoiada. 
 
 
No que diz respeito à atuação nas varas cíveis, a Psicologia também é chamada a 
contribuir com a avaliação de possíveis danos psíquicos sofridos por uma pessoa, 
em uma relação com outra pessoa física ou jurídica. 
 
 
Exemplo 
Imagine que você comprou uma passagem de avião para o casamento de seu filho 
e, devido a problemas da empresa aérea, você não conseguiu embarcar e chegar a 
tempo para esse evento marcante da vida de sua família. 
 
 
 
Em um eventual processo judicial junto a uma vara cível você poderia alegar que a 
situação acarretou um sério estresse e contribuiu para o desenvolvimento de um 
quadro depressivo moderado. O juiz, diante dessa afirmação, pode requerer uma 
avaliação psicológica para ter maior convencimento quanto à relação do dano 
causado pela empresa aérea e o transtorno mental. 
 
 
Sob esse aspecto, os autores Lago e Puthin (2020, p. 35), dizem o seguinte: 
 
 
Ações de dano psicológico na esfera cível, demandam um agente causador do 
dano, um sujeito que sofreu o dano, um nexo causal entre ambos e um pedido de 
indenização pelo dano sofrido 
 
(LAGO; PUTHIN, 2020) 
Nesse sentido, o desafio na avaliação psicológica ocorre pelo questionamento: 
 
 
É possível estabelecer uma relação causal entre o trauma e os danos 
apresentados? 
 
 
No nosso caso: é possível dizer que o atraso na viagem e consequente falta ao 
casamento do filho foi fator causal significante na depressão da mãe? Fica a 
provocação para você! 
 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Atuação no direito penal 
O direito penal ou criminal é aquele que se debruça sobre os delitos, sendo 
caracterizado: 
 
 
Pelo conjunto de normas que tanto preveem os atos considerados criminosos 
como as sanções para aqueles que cometem tais atos. No direito penal, a 
preocupação não é somente na relação entre as pessoas, mas delas com o 
Estado, visto que quem comete um crime pode ser uma ameaça para toda a 
sociedade. 
 
 
Lago e Nascimento (2016) apontam que no âmbito do direito penal, o psicólogo 
atua tanto no sistema penitenciário, institutos psiquiátricos forenses. 
 
 
 
O artigo 149 do Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689/1941) dispõe sobre a 
atuação do perito no âmbito criminal, sendo que o título da seção é da insanidade 
mental do acusado. 
 
 
Nos casos em que a pessoa que cometeu o crime apresenta algum quadro 
psicopatológico (por exemplo, algum transtorno mental), após a avaliação, esses 
indivíduos são encaminhados para os chamados institutos psiquiátricos forenses. 
Assim, Segundo Huss (2011), essas pessoas são consideradas inimputáveis, ou 
seja: 
 
 
[...] não possui um estado mental básico, exigido pela lei, não podendo ser 
considerado culpado ao cometer o crime. 
 
(HUSS, 2011) 
Entretanto, também a atuação do psicólogo acontece no âmbito do processo 
penal, nos tribunais, notadamente quanto aos impactos psicológicos sofridos 
pela vítima de determinada violência. 
 
 
Nesse sentido, cresceu ao longo dos anos no Brasil a atuação do psicólogo no 
âmbito das vítimas de violência sexual, notadamente crianças e adolescentes, 
principalmente naqueles casos em que vestígios físicos da violência não são 
detectáveis. 
 
 
Saiba Mais 
Muitas situações envolvendo violência sexual (abuso sexual) contra crianças e 
adolescentes não deixam marcas físicas, ocorrendo de forma sutil, engendrando 
a criança em um processo denominado grooming e levando-a a ter dificuldades 
para revelar o acontecimento. 
 
 
É relevante considerar também que a maior parte dos abusos sexuais cometidos 
contra crianças e adolescentes são cometidos por familiares ou pessoas muito 
próximas da família, caracterizando um tipo de abuso chamado intrafamiliar. Esse 
fato dificulta a revelação por parte da criança e contribui também para anos de 
silêncio, que tendem a agravar as consequências psicológicas da violência. 
 
 
Reflexão 
Esses casos se constituem como um grande desafio para o psicólogo, do qual é 
esperado constatar a veracidade de uma acusação de abuso sexual, ou seja, os 
operadores de Direito, ao longo do tempo, acreditaram que o papel do psicólogo 
era dizer se ocorreu ou não o abuso sexual. Você acha que seria possível isso? 
 
 
No contexto da atuação em casos de violência sexual, a fala das partes é, muitas 
vezes, a única informação que está presente, sendo que o trabalho do psicólogo 
envolve três pontos: 
 
 
Análise do relato dos envolvidos 
 
Em especial da vítima. 
 
 
Sintomatologia presente 
 
Ainda que não exista uma sintomatologia exclusiva de situações de abuso sexual 
 
 
Contexto 
 
Em que ocorreu a suposta violência. 
 
 
 
 
Contribuições da Psicologia para melhores práticas 
 
Ao longo dos anos, diante do desafio nessa área de interseção entre Psicologia e 
Direito, o conhecimento da ciência psicológica tem contribuído para melhores 
práticas na área. Aqui citamos algumas: 
 
 
 
Lei da Escuta Especializada 
 
É a contribuição da Psicologia para o estabelecimento da Lei 13.431/2017 
também chamada Lei da Escuta Especializada, que se insere no contexto do 
sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha 
de violência. 
 
 
 
Essa lei contribui para criação de fluxos específicos de atendimento de crianças e 
adolescentes supostamente vítimas de abuso sexual, evitando o acontecimento 
recorrente de revitimizações. Tais revitimizações ocorriam porque, anteriormente, 
a criança ou adolescente supostamente vítima de uma violência sexual era 
escutada reiteradas vezes, por diferentes profissionais, em diferentes órgãos, por 
vários anos, causando tanto um contínuo sofrimento da suposta vítima quanto 
uma progressiva contaminação dos dados (relatos) da situação. 
 
 
 
A Lei 13.431/2017 demarcou duas intervenções importantes: a escuta 
especializada e o depoimento especial, sendo que este último ainda não é 
unanimidade entre os psicólogos havendo, por exemplo, questionamentos se é 
uma prática obrigatória dos profissionais psicólogos lotados em tribunais de 
justiça. 
 
 
 
De acordo com o artigo 7º da Lei 13.431/2017 a escuta especializada é definida 
como: ”O procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou 
adolescente perante órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao 
necessário para o cumprimento de sua finalidade.” 
 
 
 
O objetivo dessa intervenção é que a criança possa ser escutada adequadamente, 
com técnicas que contribuam para melhor aquisição das informações 
necessárias para a continuidade de medidas protetivas para a criança ou 
adolescente e instauração de um processo. 
 
 
Depoimento especial 
 
É a contribuição da Psicologia para o estabelecimento da Lei 13.431/2017, em que 
espera-se que a criança possa ser entrevistada de forma adequada, por exemplo, 
em um momento do processo criminal, sendo acolhida em espaço reservado, 
sem a presença do suposto abusador e de outras pessoas e tendo um profissional 
capacitado (psicólogo ou assistente social) que conduzirá os procedimentos, em 
busca a esclarecer a suposta situação abusiva. 
 
 
 
De acordo com o artigo 8º da Lei 13.431/2017: “O procedimento de oitiva de 
criança ou adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade 
policial ou judiciária.” 
 
 
 
Atualmente, no Brasil, foi desenvolvido o protocolo brasileiro de entrevista forense 
com crianças e adolescentes vítimas ou testemunha de violência, que se 
apresenta como um modelo de entrevista flexível, semiestruturado e passível de 
adaptação ao desenvolvimento das crianças e adolescentes. 
 
 
 
Nesse sentido, o protocolo brasileiro de entrevista forense vem sendo, sobretudo, 
usado no depoimentoespecial, garantindo melhor aquisição das informações 
necessárias para a investigação da suposta situação abusiva. 
 
 
Psicologia do Testemunho 
 
É uma segunda grande contribuição da Psicologia nessa área do direito penal, que 
busca compreender e explicar os processos implicados no fenômeno do 
testemunho. 
 
 
 
Segundo a psicologia do testemunho, o processo de relatar um acontecimento 
passado envolve diversos processos mentais como: percepção do evento, 
armazenamento da informação, recuperação da memória, capacidade para 
expressar e motivações para relatar (STEIN; PERGHER; FEIX, 2009). 
 
 
 
É importante, portanto, compreender os processos acima para desenvolver 
estratégias de entrevista, que contribuam para melhor aquisição dos dados de 
memória, evitando tanto sugestionar uma suposta vítima quanto adquirir dados 
falsos, levando, por exemplo, uma pessoa inocente à culpabilização. 
 
 
 
Estratégias de entrevistas vem sendo desenvolvidas ao longo dos últimos anos, 
bem como recomendações de procedimentos nesses casos. 
 
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1. 
Psicologia jurídica e campos de atuação 
Verificando o aprendizado 
Questão 1 
 
 
No que diz respeito à psicologia jurídica, quais das questões a seguir apresentam 
assertivas corretas? 
 
 
 
I – A psicologia jurídica é um campo plenamente desenvolvido e estabelecido, 
tanto na Psicologia quanto no Direito. 
 
II – A psicologia jurídica se refere apenas às práticas dentro dos tribunais. 
 
III – A psicologia forense, embora algumas vezes tratada como sinônimo de 
psicologia jurídica, acaba se referindo a apenas as atuações restritas aos fóruns, 
ou de forma mais ampla, tribunais de justiça, não englobando toda a gama de 
possibilidade de atuação do psicólogo jurídico. 
 
 
 
A 
Apenas a questão I. 
 
 
B 
Apenas a questão II. 
 
 
C 
As questões I e III. 
 
 
D 
Apenas a questão III. 
 
 
E 
As questões I e II. 
 
 
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Questão 2 
 
 
No que diz respeito à relação entre Psicologia e Direito, é correto afirmar que: 
 
 
 
A 
A Psicologia e o Direito são disciplinas inconciliáveis, não havendo possibilidade 
de atuarem de forma conjunta no estudo do comportamento humano. 
 
 
B 
A Psicologia é uma ciência bem estabelecida, com milênios de desenvolvimento, 
já o Direito enfrenta as dificuldades com contínuas mudanças legislativas e 
culturais. 
 
 
C 
A Psicologia jurídica pode ser compreendida como auxiliar para o melhor exercício 
do Direito. 
 
 
D 
O Direito necessita da Psicologia somente em casos graves, em que haja alta 
periculosidade de um criminoso. 
 
 
E 
A Psicologia e o Direito se debruçam sobre o estudo da mente humana, sendo 
esse o ponto em comum de ambos. 
 
 
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2. 
Psicologia e Direito 
Psicologia e Direito: origens da parceria 
Psicologia e Direito certamente possuem aspectos em comum, mas também 
aspectos divergentes, sendo que ao mesmo tempo que podem caminhar de forma 
a contribuírem para o desenvolvimento comum, também podem causar 
retrocessos e dificuldades na consecução de seus objetivos. 
 
 
Um dos primeiros pontos importantes nesse encontro são os históricos diferentes 
de cada uma dessas disciplinas. De acordo com Trindade (2012): 
 
 
De fato, se o direito radica historicamente em Roma e se consubstancia no 
Corpus Juris Civilis, a Psicologia, como ciência, é filha do século XX, embora seja 
possível desfraldar conteúdos psicológicos em Aristóteles e mesmo nos pré-
socráticos, como nos fragmentos de Heráclito, podendo-se citar a própria Bíblia 
como sua fonte primeira. 
 
(TRINDADE, 2012, p. 29) 
 
Nota-se que o Direito tem uma história praticamente milenar, passando por um 
contínuo aprimoramento alcançando, por exemplo, o ápice dos direitos humanos 
com a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, em que todas as 
pessoas, independentemente de nacionalidade, sexo, gênero, raça ou religião são 
colocados sob o mesmo nível de igualdade e dignidade. 
 
 
A Psicologia, por outro lado, embora tenha suas raízes na Filosofia, como ciência 
moderna, possui um pouco mais de um século, sendo que sua relação com o 
Direito é ainda mais recente. 
 
 
Gomide (2016) afirma que a psicologia jurídica vai surgir do campo da psiquiatria 
forense, em que a realização de perícias, a fim de responder a questões sobre a 
sanidade mental de uma pessoa, especificamente sobre aqueles que cometiam 
crimes, abriu as portas para a entrada dos psicólogos. 
 
 
 
A autora pontua que no fim do século XIX, James Cattell realizou experimentos, a 
fim de verificar a acuracidade de testemunhas, lançando as raízes de uma 
psicologia do testemunho. 
 
 
 
Ainda que a psicologia jurídica tenha começado sua história no fim do século XIX, 
seu pleno desenvolvimento, ao menos fora do Brasil, começou por volta de 1940, 
quando os psicólogos começaram a ser chamados como testemunha em 
tribunais cíveis e criminais, notadamente na França e nos Estados Unidos. 
 
 
A seguir, veremos alguns marcos do desenvolvimento da psicologia jurídica no 
Brasil: 
 
 
Reconhecimento da profissão de psicólogo em 1962 
 
A psicologia jurídica teve seu tímido desenvolvimento a partir da Lei 4.119/1962, 
em que a profissão passou a ser reconhecida (LAGO et al., 2009). 
 
 
Reconhecida e legitimada como auxiliar em outras ciências 
 
No §2º do artigo 13 da referida podemos ler que: “é da competência do psicólogo 
a colaboração em assuntos psicológicos ligados a outras ciências”, assim, a 
psicologia passou a ser legitimada, e, o Direito, foi uma das primeiras áreas em 
que esse diálogo aconteceu. 
 
 
Desenvolvimento com as atuações no campo criminal 
 
A psicologia jurídica, inicialmente, ainda que de modo informal, tinha influência 
histórica da relação da Psicologia com o Direito em outros países, bem como a 
psiquiatria forense, a atuação dos psicólogos ocorria no âmbito das avaliações de 
criminosos adultos e adolescentes infratores. 
 
 
Concurso para profissionais psicólogos do Tribunal de Justiça do Estado de São 
Paulo em 1985 
 
Foi um marco na psicologia jurídica do Brasil, pois, nesse momento, houve a 
entrada oficial dos profissionais da Psicologia no âmbito do Direito em um grande 
tribunal do país. 
 
 
 
 
Com o passar dos anos, essa relação entre Psicologia e Direito vem se tornando 
ainda mais estreita, podendo-se perceber, segundo Bicalho, que esta relação 
somente se amplia. 
 
 
Da “psicologia do testemunho” surgida no final do século XIX às formulações de 
depoimentos “especiais ou sem dano” do século XXI. Dos pareceres técnicos 
intitulados exames criminológicos às práticas de individualização da pena nos 
ambientes prisionais. Do Manual de Psicologia Jurídica, escrito por Mira y Lopez 
em 1945, à atuação do psicólogo no Judiciário, seja nas varas de família, de 
execução penal, da infância, juventude e do idoso. Do psicólogo na construção do 
“perfil psicológico do terrorista brasileiro” à atuação com direitos humanos nas 
instituições policiais e nas defensorias públicas. Das práticas com os “menores” 
do Código de 1927 à socioeducação com os adolescentes em conflito com a Lei 
do Estatuto de 1990. 
 
(BICALHO, 2016, p. 17) 
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2. 
Psicologia e Direito 
Psicologia e Direito: encontros e desencontros 
Mas o que têm em comum essas disciplinas com idades tão diferentes? Conforme 
afirma Trindade (2012), a Psicologia e o Direito se preocupam com o 
comportamento humano e, nesse aspecto, possuem um ponto de encontro, a 
seguir veremos mais esta relação. 
 
 
Psicologia 
 
 
Há certo consenso de que o estudo do comportamento humano é um dos 
principais objetos da ciência, ainda que a discussão sobre o objeto da Psicologia 
sejacomplexa. 
 
 
Direito 
 
 
Há um consenso de que o estudo também se debruça sobre o comportamento 
humano, mesmo que seja na busca por definir como ele deve se estabelecer para 
o bem comum da sociedade. 
 
 
 
Temos, portanto, o ponto em comum dessas duas disciplinas, o comportamento 
do homem. Entretanto, podemos dar mais um passo e afirmar que, para alcançar 
o seu fim, o Direito necessita da Psicologia, ou seja, a Psicologia contribui para o 
ideal de construção de uma sociedade justa, conforme já visto. 
 
 
Hoje em dia, mais do que anteriormente, a Psicologia vem contribuindo com essa 
tarefa de ajudar uma sociedade a efetivamente ser justa, seja por meio da atuação 
nos diversos âmbitos já relacionados ao longo deste nosso caminho, seja por 
meio, por exemplo, do estudo da tomada de decisões por parte de operadores do 
Direito, compreendendo os processos mentais que fazem parte desse complexo e 
importante ato jurídico. 
 
 
Nesse sentido, são interessantes as contribuições de Kahneman, Sibony e 
Sunstein (2021), em seus estudos sobre o julgamento humano e quais são os 
fatores que interferem no mesmo. 
 
 
Temos, portanto, os pontos de interdependência entre Psicologia e Direito e 
demarcamos como a Psicologia pode contribuir para o Direito. Entretanto, há de 
se afirmar também que existem pontos de independência que devem ser 
respeitados, sobretudo para que cada uma dessas disciplinas não seja 
defraudada pela outra. 
 
 
Assim, Trindade (2012) demarca bem estes pontos de independência, conforme 
veremos agora: 
 
 
Psicologia 
 
 
Busca ser empirista corroborando suas hipóteses por meio da testagem. 
 
É compreensiva (busca compreender os comportamentos e não os julgar). 
 
Atua por meio da entrevista e da testagem. 
 
 
Direito 
 
 
É racionalista buscando alcançar um raciocínio verdadeiro por meio de análises 
lógicas. 
 
É axiológico e valorativo (realiza julgamentos). 
 
Atua por meio do interrogatório e do depoimento. 
 
 
Percebe-se, portanto, os encontros e desencontros entre essas duas áreas, que 
geram desafios na prática cotidiana do psicólogo jurídico. Por exemplo, quando os 
operadores do Direito têm a expectativa de que o psicólogo vá conseguir predizer 
um comportamento futuro, ou quando acreditam que o psicólogo é capaz de 
detectar se uma pessoa está ou não mentindo. 
 
 
 
Interrelações entre Psicologia e Direito 
 
Ainda que existam aspectos que contribuam para uma melhor detecção quanto à 
emissão de fatos verdadeiros ou não por uma pessoa, as técnicas psicológicas 
estão distantes de se efetivarem como um polígrafo. 
 
 
Atenção 
Diante desse contexto, é importante que o psicólogo que atua no âmbito jurídico 
constantemente faça uma análise crítica de sua práxis, compreendendo os limites 
dela. O psicólogo só pode aceitar atuar de acordo com os princípios fundamentais 
da ética profissional. Ou seja, o psicólogo deve considerar as relações de poder 
nos ambientes profissionais, posicionando-se de forma crítica em consonância 
com o Código de Ética Profissional do Psicólogo. 
 
 
Permitir que o Direito dite como a Psicologia deve agir pode gerar caminhos 
errados, que não concretizarão o ideal de Justiça, ao contrário, poderão pervertê-
la. 
 
 
Além do conhecimento do Código de Ética Profissional do Psicólogo, outros 
conhecimentos são de especial relevância para o psicólogo que atua no campo 
jurídico. 
 
 
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2. 
Psicologia e Direito 
O psicólogo jurídico: alguns desafios 
O simples fato de a psicologia jurídica ser um campo de interseção entre duas 
disciplinas, já exige um vasto conhecimento que englobe não somente aqueles da 
Psicologia, mas também aqueles vinculados ao campo do Direito, como 
legislações específicas, por exemplo. 
 
 
No dia a dia da práxis do psicólogo jurídico é necessário o conhecimento de 
diferentes áreas da Psicologia, como as que são específicas da linha escolhida 
pelo profissional, e também das seguintes áreas: 
 
 
 
Avaliação psicológica 
Psicologia do desenvolvimento 
Psicopatologia 
Psicologia da família 
 
Além disso, resoluções do Conselho Federal de Psicologia, bem como as 
referências técnicas desse órgão sempre contribuem para uma prática baseada 
na reflexão e no discernimento dos melhores caminhos a se tomar. 
 
 
Provavelmente, um dos aspectos mais importantes é que o psicólogo que atua no 
contexto jurídico deve diferenciar a sua prática daquela desenvolvida no contexto 
clínico. 
 
 
A seguir, vamos apresentar alguns pontos de diferenciação entre essas duas áreas 
da Psicologia que nos parece importante. 
 
 
 
Perspectiva do cliente, voluntariedade e autonomia 
 
O primeiro deles, em que já tocamos anteriormente, diz respeito à perspectiva do 
cliente e voluntariedade e autonomia, como pontuam Lago e Puthim (2020). 
 
 
 
No âmbito clínico, o cliente ou paciente busca o atendimento (é voluntário), 
havendo uma possibilidade maior de colaboração (autonomia). No campo 
jurídico, as intervenções acontecem por uma determinação judicial, ou por 
encaminhamento de algum órgão de proteção, sendo que, muitas vezes, a pessoa 
não deseja tal intervenção (involuntário) ou a vê como uma ameaça. 
 
 
 
É comum que em avaliações, por exemplo, nas varas de famílias, as partes 
acreditem que o objetivo da intervenção é verificar se elas possuem algum 
distúrbio, havendo maior possibilidade de manipulação das informações. 
 
 
 
Ao mesmo tempo, surge o desafio de engajar aqueles que passam por uma 
avaliação psicológica no âmbito jurídico a serem protagonistas de sua vida, 
atuando não como sujeitos passivos, mas como construtores das decisões que 
serão, posteriormente, legitimadas por algum operador do direito. 
 
 
Validade das informações 
 
Um segundo ponto é a validade de informações ou dados colhidos. No contexto 
jurídico, é comum que as partes busquem simular, mentir ou mesmo apresentar 
informações parciais, sendo que seu interesse na causa pode gerar maior ou 
menor falsificação das informações. 
 
 
 
Por exemplo, em uma avaliação quanto a uma situação de maus-tratos de uma 
criança, pode ser que os pais busquem minimizar práticas educativas baseadas 
na punição física, afirmando que elas ocorrem esporadicamente, mas sendo na 
realidade um ponto comum no dia a dia da família. 
 
 
 
Por isso mesmo, as avaliações no contexto jurídico pedem que múltiplas fontes 
sejam consultadas, desde os dados presentes nos processos, por exemplo, como 
outras pessoas do núcleo familiar, escolas, órgãos de proteção etc. 
 
 
Tempo para avaliações 
 
Um terceiro ponto desafiador é o tempo para a efetivação das avaliações. No 
contexto clínico, há tanto a possibilidade de um tempo maior para avaliação 
quanto para reavaliações. Mesmo nas terapias breves, o tempo de duração é de 
meses, enquanto no campo jurídico as avaliações devem ser feitas em um curto 
tempo, com prazos, às vezes, de 10 ou 15 dias. 
 
 
 
Certamente é um grande desafio da interseção entre Direito e Psicologia, sendo 
que, enquanto o Direito trabalha em uma perspectiva quantitativa, por exemplo, 
querendo o maior número possível de processos julgados em um curto espaço de 
tempo, a Psicologia engloba uma realidade em que a questão qualitativa não deve 
ser desconsiderada, bem como a necessidade de necessitar de mais tempo para 
proporcionar uma reflexão e maior autonomia das partes. 
 
 
Diagnósticos 
 
Um quarto ponto diz respeito à busca por diagnósticos, sendo que na psicologia 
jurídica não será o aspecto principal a ser observado. Como dissemos, as 
questões de tempo de intervenção, a involuntariedade da intervenção e mesmo o 
contexto em que ocorrem os procedimentos podem ocasionar distorções que 
prejudiquem um melhor diagnóstico. 
 
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2. 
Psicologia e DireitoA necessidade de conhecimentos específicos 
O psicólogo jurídico também deve estar atento para a questão da testagem 
psicológica, não somente observando os testes validados, mas aqueles que 
apresentam pesquisas com a população que utiliza os serviços nos quais os 
psicólogos jurídicos atuam. Ao mesmo tempo, é necessário desconstruir para o 
público leigo, inclusive os operadores de direito, a crença de que uma avaliação 
psicológica somente é robusta se for acompanhada de testagem psicológica. 
 
 
Por fim, precisamos considerar a necessidade de formação contínua do 
profissional, tendo conhecimento das diversas legislações no âmbito do Direito e 
também da Psicologia. 
 
 
 
Nesse sentido, dois aspectos merecem destaque. O primeiro deles diz respeito 
aos documentos a serem emitidos pelo psicólogo que realiza uma avaliação ou 
intervenção no contexto jurídico. 
 
 
A resolução CFP 06/2019 apresenta orientações a serem seguidas pelos 
psicólogos quanto à elaboração de documentos psicológicos, destacando os 
pontos que devem ser obedecidos e a estrutura dos documentos. É importante o 
respeito a tal resolução para que se evite a confecção de documentos 
inadequados, o que pode incorrer em falta ética. 
 
 
Outro ponto importante é a função do psicólogo como perito e assistente técnico. 
A figura do assistente técnico é prevista em lei no Código de Processo Civil e pode 
ser sinteticamente descrita como o perito da parte. Vamos a um exemplo para 
ficar mais claro! 
 
 
Exemplo 
Lembra-se do caso do casal que move um processo para discutir a guarda 
compartilhada dos filhos? Imagine que o juiz determina a realização de um estudo 
ou uma avaliação psicológica pela equipe do Juízo. 
 
 
 
Essa equipe é constituída por profissional psicólogo que, sendo um profissional 
do Juízo, é considerado imparcial. No entanto, é facultado às partes apresentarem 
um assistente técnico, ou seja, um profissional contratado pela parte para 
acompanhar ou se manifestar sobre a avaliação feita pelo perito (psicólogo) do 
Juízo. 
 
 
 
A resolução CFP 08/2010 dispõe sobre a atuação do psicólogo como perito e 
assistente técnico no âmbito do Poder Judiciário. 
 
 
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2. 
Psicologia e Direito 
Psicologia jurídica: desafios e possibilidades 
Você já percebeu que o campo da psicologia jurídica está ainda em 
desenvolvimento e que a relação com o Direito possui alguns desentendimentos. 
 
 
Entretanto, há um contínuo esforço por novas formas de intervenção para que a 
Psicologia, de fato, ajude na concretização do ideal de Justiça almejado pelo 
Direito. 
 
 
Nesse sentido, o histórico da psicologia jurídica e sua relação com os operadores 
do Direito, muitas vezes resultou na práxis do psicólogo jurídico relegada à 
avaliação e emissão de documentos psicológicos. Entre esses documentos, 
encontramos o laudo psicológico que é, desde o campo do Direito, o documento 
oriundo do trabalho do perito. 
 
 
Esse reducionismo da atuação do psicólogo no campo jurídico vem sendo 
questionado. A práxis reduzida à perícia não atende a muitas demandas dos 
usuários nos diversos âmbitos do sistema de Justiça. 
 
 
No cotidiano, o psicólogo jurídico, frequentemente se depara com a tensão da 
exigência ou a expectativa dos operadores de Direito quanto a um documento que 
permita basear uma decisão e a necessidade de uma intervenção reflexiva, e 
promova nos usuários do serviço uma revisão de seus comportamentos e 
dinâmicas, levando-os a não depender de uma sentença ou norma para reger 
suas vidas. 
 
 
Ao mesmo tempo em que se multiplicam, de forma dispersa, os dispositivos de 
atuação chamados alternativos (por exemplo: mediação, justiça restaurativa, 
escola de pais, entre outros), são iniciativas ainda pouco valorizadas frente a 
exigência de realização de perícia, cujo instrumento exerce um poder de sedução 
para os operadores de Direito tal qual fosse o canto de uma sereia. 
 
(BRANDÃO, 2016, p. 36) 
Sendo assim, a psicologia jurídica ainda se digladia com o Direito na tentativa de 
demarcar campos de atuação em que haja a promoção do desenvolvimento das 
pessoas, levando-as a serem ativas na solução de seus conflitos. 
 
 
Saiba Mais 
Entre as práticas elencadas, como uma forma diversa da tradicional de 
autocomposição, temos a justiça restaurativa, em que as partes de um conflito 
(ofensor, vítima, comunidade) são convidadas a solucioná-lo por meio da atuação 
de um facilitador (que pode ser um psicólogo), visando à reparação do dano 
sofrido pela vítima e à restauração dos vínculos entre as partes. 
 
 
A justiça restaurativa também proporciona a possibilidade de reflexão quanto a 
uma mudança no paradigma adversarial que, de certa forma, impregna muitas 
áreas do Direito, sendo contraproducente, como nos casos envolvendo questões 
familiares: guarda e regulamentação de convivência de crianças e adolescentes. 
 
 
No âmbito da justiça restaurativa, os aspectos emocionais e comunitários são 
levados em consideração, não se limitando apenas à aplicação da sanção ou 
punição daquele que cometeu um delito. 
 
 
Agora veremos duas práticas restaurativas que vêm sendo amplamente 
desenvolvidas no país: 
 
 
 
Mediação 
 
É um método autocompositivo para resolução de conflitos, conforme pontua 
David (2019, p. 103) busca ser um “método pacífico e informal de resolução de 
conflitos, regido por princípios éticos próprios como a imparcialidade, a 
confidencialidade e a autonomia da vontade”. 
 
 
Embora não seja atribuição específica do psicólogo a realização de mediação, ela 
vem se apresentando como uma alternativa ao modelo pericial, sendo um espaço 
no qual o conhecimento de teorias psicológicas pode contribuir para um melhor 
manejo e participação no processo de mediação. 
 
 
 
Oficinas de parentalidade 
 
É uma iniciativa difundida em diversos tribunais do país, nas quais, pais, que 
movem processos de guarda ou regulamentação de convivência dos filhos, são 
convidados a participar de um grupo reflexivo sobre as práticas parentais e 
cuidados importantes nesse momento de sofrimento de todo o sistema familiar. 
 
 
As oficinas de parentalidade se apresentam como uma alternativa interessante a 
uma abordagem adversarial, tantas vezes impregnada nos processos judiciais nas 
varas de família que, infelizmente, somente contribuem para a solidificação de 
mágoas e disfuncionalidades no sistema familiar. 
 
 
 
 
O modelo pericial versus práticas não reducionistas do psicólogo jurídico 
 
Neste vídeo, o especialista reflete sobre o reducionismo do modelo pericial sobre 
a psicologia jurídica e a existência de outras práticas mais integrativas. 
 
 
 
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2. 
Psicologia e Direito 
Verificando o aprendizado 
Questão 1 
 
 
Psicologia jurídica teve início no campo da psiquiatria forense, a partir da 
realização de perícias e diagnósticos de sanidade mental em situações criminais, 
que introduziram os psicólogos nessa especialidade. Entretanto, existem dados e 
fatos históricos que contribuíram para o surgimento da psicologia jurídica. Sobre 
isso, é correto afirmar que: 
 
 
 
A 
O Brasil foi pioneiro no desenvolvimento da psicologia jurídica, sendo um dos 
primeiros países a adotar a Psicologia no auxílio da tomada de decisão no campo 
Jurídico. 
 
 
B 
Os estudos de Cattell, no fim do século XIX, constituem os primórdios da 
chamada psicologia do testemunho. 
 
 
C 
A psicologia jurídica teve seu desenvolvimento primeiramente relacionado às 
demandas do direito civil, como disputa de guarda e adoção. 
 
 
D 
A psicologia jurídica buscou se afastar da chamada psiquiatria forense, não 
querendo receber da mesma a influência quanto ao trabalho especificamente 
pericial. 
 
 
E 
A psicologia jurídica no Brasil teve seu início com o primeiro concursodo Tribunal 
de Justiça do Estado de São Paulo, em 1985. 
 
 
Responder 
Questão 2 
 
 
Em função das informações estudas sobre psicologia jurídica, avalie as 
afirmativas a seguir: 
 
 
 
I – A práxis da psicologia jurídica envolve o conhecimento de diferentes áreas da 
Psicologia, como psicopatologia, avaliação psicológica e psicologia do 
desenvolvimento. 
 
II – A psicologia jurídica pode ser compreendida como apenas a aplicação da 
psicologia clínica ao campo Jurídico. 
 
III – Na avaliação psicológica no contexto Jurídico deve-se ter significativo cuidado 
com a validade dos dados colhidos, visto a possibilidade de a pessoa que 
participa do processo de avaliação mentir, omitir ou distorcer fatos. 
 
 
 
Estão corretas as afirmativas: 
 
 
 
A 
Apenas a afirmativa I. 
 
 
B 
Apenas a afirmativa II. 
 
 
C 
Apenas a afirmativa III. 
 
 
D 
As afirmativas I e III. 
 
 
E 
As afirmativas I e II. 
 
 
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2. 
Psicologia e Direito 
Verificando o aprendizado 
Questão 1 
 
 
Psicologia jurídica teve início no campo da psiquiatria forense, a partir da 
realização de perícias e diagnósticos de sanidade mental em situações criminais, 
que introduziram os psicólogos nessa especialidade. Entretanto, existem dados e 
fatos históricos que contribuíram para o surgimento da psicologia jurídica. Sobre 
isso, é correto afirmar que: 
 
 
 
A 
o Brasil foi pioneiro no desenvolvimento da psicologia jurídica, sendo um dos 
primeiros países a adotar a Psicologia no auxílio da tomada de decisão no campo 
Jurídico. 
 
 
B 
os estudos de Cattell, no fim do século XIX, constituem os primórdios da chamada 
psicologia do testemunho. 
 
 
C 
a psicologia jurídica teve seu desenvolvimento primeiramente relacionado às 
demandas do direito civil, como disputa de guarda e adoção. 
 
 
D 
a psicologia jurídica buscou se afastar da chamada psiquiatria forense, não 
querendo receber da mesma a influência quanto ao trabalho especificamente 
pericial. 
 
 
E 
a psicologia jurídica no Brasil teve seu início com o primeiro concurso do Tribunal 
de Justiça do Estado de São Paulo, em 1985. 
 
 
Responder 
Questão 2 
 
 
Em função das informações estudas sobre psicologia jurídica, avalie as 
afirmativas a seguir: 
 
 
 
I – A práxis da psicologia jurídica envolve o conhecimento de diferentes áreas da 
Psicologia, como psicopatologia, avaliação psicológica e psicologia do 
desenvolvimento. 
 
II – A psicologia jurídica pode ser compreendida como apenas a aplicação da 
psicologia clínica ao campo Jurídico. 
 
III – Na avaliação psicológica no contexto Jurídico deve-se ter significativo cuidado 
com a validade dos dados colhidos, visto a possibilidade de a pessoa que 
participa do processo de avaliação mentir, omitir ou distorcer fatos. 
 
 
 
Estão corretas as afirmativas: 
 
 
 
A 
apenas a afirmativa I. 
 
 
B 
apenas a afirmativa II. 
 
 
C 
apenas a afirmativa III. 
 
 
D 
as afirmativas I e III. 
 
 
E 
as afirmativas I e II. 
 
 
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3. 
Conclusão 
Considerações finais 
Neste conteúdo, você foi apresentado ao campo de atuação do psicólogo no 
contexto jurídico que aqui definimos como psicologia jurídica, tendo contato com 
a definição desse campo, seu histórico e algumas das áreas de atuação. 
 
 
Também buscamos refletir sobre os desafios que surgem da interseção entre 
Direito e Psicologia, destacando a importância de adotar uma atitude crítica e 
reflexiva quanto a práxis do psicólogo jurídico. 
 
 
Esperamos que você tenha se interessado por esse campo da Psicologia em pleno 
desenvolvimento e que venha a contribuir futuramente para uma ampliação e 
melhoramento dessa área. 
 
 
Podcast 
 
Para encerrar, ouça um resumo do conteúdo estudado, em que o especialista irá 
discorrer sobre os conceitos básicos, os encontros, desencontros, 
particularidades, práticas e desafios da psicologia jurídica. 
 
 
 
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Explore + 
 
 
Assista ao documentário A Morte Inventada, de Alan Minas (2009), para saber 
mais sobre alienação parental. 
 
 
 
Para compreender melhor a importância de conhecer as formas de abordar uma 
criança ou adolescente vítima de abuso, assista ao filme A Caça, de Thomas 
Vinterberg (2013). 
 
 
 
Conheça o Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense com Crianças e 
Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência, publicado por Childhood 
Brasil, Conselho Nacional de Justiça, Fundo das Nações Unidas para Infância 
(UNICEF) e National Children’s Advocacy Center, em 2020. 
 
 
Referências 
 
 
BICALHO, Pedro Paulo Gastalho et al. Da execução à construção das leis: A 
psicologia jurídica no legislativo brasileiro. In: BRANDÃO, Eduardo Ponte (org.). 
Atualidades em Psicologia Jurídica. Rio de Janeiro: Nau, 2016, p.1-15. 
 
 
 
BRANDÃO, Eduardo Ponte. Uma leitura da genealogia dos poderes sobre a perícia 
psicológica e a crise atual na psicologia jurídica. Atualidades em Psicologia 
Jurídica. Rio de Janeiro: Nau, 2016, n. p. 
 
 
 
CEZAR-FERREIRA, Verônica A.; DE MACEDO, Rosa Maria Stefanini. Guarda 
Compartilhada: Uma Visão Psicojurídica. Porto Alegre: Artmed, 2016. 
 
 
 
DAVID, Caroline Tuffani. Mediação e Práticas Colaborativas na Alienação Parental. 
Rio de Janeiro: Espaço Jurídico, 2019. 
 
 
 
DE SOUZA, Analicia Martins. Síndrome da alienação parental: um novo tema nos 
juízos de família. São Paulo: Cortez, 2014. 
 
 
 
GARDNER, Richard A. Parental alienation syndrome vs. parental alienation: which 
diagnosis should evaluators use in child-custody disputes? American journal of 
family therapy, v. 30, n. 2, 2002, p. 93-115. 
 
 
 
GOMIDE, Paula Inêz Cunha. Áreas de atuação da Psicologia Forense. In: GOMIDE, 
Paula Inêz Cunha (org.). Introdução à Psicologia Forense. Curitiba: Juruá, 2016, p. 
15-32. 
 
 
 
HUSS, Matthew T. Psicologia forense: pesquisa, prática clínica e aplicações. Porto 
Alegre: Artmed, 2011. 
 
 
 
KAHNEMAN, Daniel; SIBONY, Olivier; SUNSTEIN, Cass. Ruído: uma falha no 
julgamento humano. Rio de Janeiro: Objetiva, 2021. 
 
 
 
KELLY, Joan B.; JOHNSTON, Janet R. The alienated child: A reformulation of 
parental alienation syndrome. Family Court Review, v. 39, n. 3, 2002, p. 249-266. 
 
 
 
LAGO, Vivian de Medeiros et al. Um breve histórico da psicologia jurídica no Brasil 
e seus campos de atuação. Estudos de psicologia, v. 26, n. 4, 2009, p. 483-491. 
Consultado na internet em: 22 mar. 2022. 
 
 
 
LAGO, Vivian de Medeiros; NASCIMENTO, Tauany Brizolla Flores do. As práticas de 
atuação do psicólogo no contexto jurídico. In: VASCONCELLOS, Silvio José Lemos 
de. A psicologia jurídica e as suas interfaces: um panorama atual. Santa Maria, RS: 
UFSM, 2016, p. 17-36. 
 
 
 
LAGO, Vivian de Medeiros; PUTHIN, Sarah Reis. Demandas de Avaliação 
Psicológica no Contexto Forense. In: HUTZ, Claudio Simon; BANDEIRA, Denise 
Ruschel; TRENTINI, Clarissa Marceli; ROVINSKI, Sonia Liane Reichert; LAGO, 
Vivian de Medeiros (Orgs.). Avaliação Psicológica no Contexto Forense. Porto 
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LOPEZ, Emilio Mira Y. Manual de psicologia jurídica. Porto Alegre: LZN, 2005. 
 
 
 
SOTTOMAYOR, Maria Clara. Uma análise da Síndrome de Alienação Parental e os 
riscos da sua utilização nos tribunais de família. Revista Julgar, n. 13, 2011, p. 73-
107. Consultado na internet em: 22 mar. 2022. 
 
 
 
STEIN, Lilian Milnitsky; PERGHER, Giovanni Kuckartz; FEIX, Leandro da Fonte. 
Desafios da oitiva de crianças e adolescentes: Técnica de entrevista investigativa. 
Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, 
2009. 
 
 
 
TRINDADE, Jorge. Manual de psicologia jurídica para operadores de Direito. 6. ed. 
Porto Alegre: Livraria do

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