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<p>O psicólogo no contexto jurídico</p><p>Prof.º José Augusto Rento Cardoso</p><p>Descrição</p><p>Interseção entre Psicologia e Direito e os desafios, bem como as</p><p>principais áreas de atuação do psicólogo no contexto jurídico.</p><p>Propósito</p><p>O aprendizado e o conhecimento da Psicologia no contexto jurídico,</p><p>apresentando as principais áreas de atuação, permitem que os futuros</p><p>profissionais consigam lidar com expectativas e desafios no cuidado de</p><p>casos específicos na prática profissional.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Psicologia jurídica e campos de</p><p>atuação</p><p>Reconhecer as diferentes definições relativas à psicologia jurídica,</p><p>bem como as principais áreas de atuação do psicólogo no contexto</p><p>jurídico.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 1/43</p><p>Módulo 2</p><p>Psicologia e Direito: origens da</p><p>parceria</p><p>Identificar os desafios da interseção entre Psicologia e Direito.</p><p>Pode ser que você já tenha assistido a séries ou filmes em que um</p><p>personagem busca conhecer a mente e o comportamento de um</p><p>assassino, tentando descobrir quais serão seus próximos passos.</p><p>Se você é fã do gênero, deve ter uma lista enorme passando pela</p><p>sua cabeça.</p><p>Essa pode ser uma representação que muitos, inicialmente, tenham</p><p>de como atua um psicólogo no campo jurídico, ou seja, um</p><p>especialista em caçar criminosos ou assassinos em série.</p><p>No entanto, ainda que a criação de perfis de criminosos possa ser</p><p>um trabalho a que um psicólogo se dedique (mesmo que seja uma</p><p>prática polêmica e pouco desenvolvida no Brasil), o campo jurídico</p><p>apresenta uma enorme quantidade de espaços que envolvem o</p><p>estudo do comportamento e da mente humana.</p><p>A partir de agora vamos embarcar na jornada para conhecer esse</p><p>campo ainda em pleno desenvolvimento, algumas vezes chamado</p><p>de psicologia jurídica, outras de psicologia forense, mas que</p><p>sempre será permeado por estas duas disciplinas – Psicologia e</p><p>Direito –, e os desafios que nascem desse complexo encontro.</p><p>Introdução</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 2/43</p><p>1 - Psicologia jurídica e campos de atuação</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer as diferentes</p><p>de�nições relativas à psicologia jurídica, bem como as principais áreas de</p><p>atuação do psicólogo no contexto jurídico.</p><p>Conceitos básicos</p><p>De�nindo psicologia jurídica</p><p>É muito provável que em seus estudos no campo da Psicologia no</p><p>contexto jurídico você se depare com diferentes definições que podem</p><p>causar certa confusão.</p><p>Por exemplo, é comum que essa área da Psicologia seja apresentada</p><p>como psicologia forense, psicologia judiciária, psicologia na prática</p><p>jurídica e, algumas vezes, definida por apenas um dos campos de</p><p>atuação no contexto da interseção entre Psicologia e Direito, como</p><p>psicologia criminal.</p><p>Essas diferentes definições parecem delimitar um mesmo campo de</p><p>atuação, sendo certo que, de alguma maneira, podemos até considerá-</p><p>las como sinônimos. No entanto, é importante que você possa</p><p>compreender o motivo da escolha de psicologia jurídica como melhor</p><p>forma de definir a atuação do psicólogo no campo de interseção entre</p><p>Direito e Psicologia.</p><p>Conforme Jorge Trindade (2012) destaca, a psicologia</p><p>jurídica é um campo em construção.</p><p>Devemos observar que a Psicologia, entendida como ciência moderna,</p><p>tem pouco mais de cem anos, sendo uma área em pleno</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 3/43</p><p>desenvolvimento, com a psicologia jurídica integrando uma subárea</p><p>dentro desse campo maior que é a Psicologia.</p><p>Trindade (2012) traz uma importante contribuição que pode nos ajudar a</p><p>melhor compreender esse campo, esclarecendo um pouco as distinções</p><p>entre psicologia jurídica e forense. O autor pontua que a palavra forense</p><p>provém do latim forensis que aponta para um espaço físico, o Fórum,</p><p>onde a assembleia romana se reunia para tratar de assuntos</p><p>importantes.</p><p>Antigo Fórum romano, em Roma, Itália.</p><p>Nesse sentido, ao utilizar o termo psicologia forense, podemos nos</p><p>encaminhar para pensar que esse campo se limita a somente aquilo que</p><p>ocorre nos Tribunais, caindo em uma pequena limitação do que seja</p><p>todo o âmbito da Psicologia em sua relação com o Direito.</p><p>No entanto, em língua inglesa, geralmente vamos encontrar o termo</p><p>Forensic Psychology, que abarca muitas das atividades e atuações que</p><p>se enquadram no nosso entendimento do que seja psicologia jurídica.</p><p>Além disso, aqui deve-se considerar as diferenças entre as legislações</p><p>dos diversos países, sendo que se a psicologia jurídica está em íntima</p><p>relação com o Direito, mudanças nas leis implicam mudanças em</p><p>algumas das atividades desse profissional.</p><p>Outra aproximação com a qual podemos ter algum</p><p>cuidado é a de Huss (2011, p. 23) que entende a</p><p>psicologia jurídica como: “a aplicação da psicologia</p><p>clínica ao Poder Judiciário”.</p><p>Aqui podemos cair em outro reducionismo. De certa forma, alguns</p><p>aspectos da psicologia clínica podem contribuir para a atuação do</p><p>psicólogo jurídico, mas existe uma gama muito maior de diferenças que,</p><p>em síntese, delimitam esse campo como uma especialidade diversa da</p><p>psicologia clínica.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 4/43</p><p>Na prática cotidiana, percebe-se que existem aspectos bem diferentes</p><p>na atuação clínica e jurídica, vejamos a seguir algumas destas</p><p>diferenças:</p><p>Assim, vale ressaltar que o Conselho Federal de Psicologia, em sua</p><p>resolução CFP 013/2017, estabelece a psicologia jurídica como um dos</p><p>títulos de especialista, passível de ser obtido por um psicólogo,</p><p>diferenciando-o do título de psicólogo clínico.</p><p>Saiba mais</p><p>Você verá o termo operadores de Direito em vários momentos do texto.</p><p>Eles representam aqueles atores do campo do Direito como juízes,</p><p>promotores, defensores, advogados, ou seja, todos que, de alguma</p><p> Campo clínico</p><p>Neste campo, a pessoa, a quem chamamos de</p><p>paciente, busca o atendimento, na maior parte das</p><p>vezes, espontaneamente, motivados por solucionar</p><p>dificuldades emocionais e comportamentais.</p><p> Campo jurídico</p><p>Neste campo, a pessoa, a quem chamamos de</p><p>usuário, é levada ao psicólogo por problemas</p><p>relacionados com a Justiça: por exemplo, quando o</p><p>indivíduo move um processo requerendo a guarda</p><p>de seu filho, o juiz, chamado de operador do direito,</p><p>demanda uma avaliação ou um estudo psicológico,</p><p>não sendo um encaminhamento voluntário.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 5/43</p><p>forma, contribuem para o processo legal tramitar, tendo conhecimento</p><p>específico das leis necessárias ao cumprimento do Direito.</p><p>Campos na psicologia</p><p>jurídica</p><p>Diversidade de campos na psicologia jurídica</p><p>Gomide (2016, p. 16), entendendo que psicologia jurídica e forense são</p><p>sinônimos, define a psicologia jurídica como sendo “o estudo da</p><p>integração da Psicologia com o Direito”, completando que, enquanto a</p><p>Psicologia se debruça sobre o comportamento humano, o Direito se</p><p>volta para o estudo de como as pessoas estabelecem regras “que regem</p><p>seu comportamento em sociedade” (GOMIDE, 2016, p. 16).</p><p>Acreditamos que estamos nos aproximando um pouco mais do que seja</p><p>a psicologia jurídica e, nesse sentido, concordamos com o que Trindade</p><p>(2012) afirma: a psicologia jurídica abarca não somente aquilo que</p><p>ocorre dentro dos fóruns, mas também a própria lei.</p><p>Atenção!</p><p>A psicologia jurídica, como veremos adiante, de fato, envolve uma</p><p>diversificada gama de atuações que, muitas vezes, estão relacionadas a</p><p>processos legais no âmbito dos tribunais. No entanto, acreditamos que</p><p>a psicologia jurídica não deve ficar restrita a esse campo, mas atuar</p><p>também, por exemplo, no auxílio à construção de leis que levem em</p><p>conta o apoio ao</p><p>sadio desenvolvimento emocional e à promoção do</p><p>bem-estar da pessoa, o que Bicalho (2016) chamará de psicologia</p><p>legislativa, mas que, conforme Trindade (2012), já faz parte da</p><p>psicologia jurídica.</p><p>Nesse sentido, a psicologia jurídica pode ser compreendida como a</p><p>Psicologia aplicada ao melhor exercício do Direito, ou seja, o psicólogo</p><p>jurídico, com seu conhecimento e sua prática, atua no âmbito Judiciário</p><p>com o intuito de contribuir para que a meta do Direito – a Justiça –</p><p>possa ser efetivamente alcançada.</p><p>É interessante perceber que, nesse sentido, a Psicologia não é vista</p><p>como uma subdisciplina, mas como uma grande auxiliar, que entra o</p><p>campo do Direito com o intuito de fazê-lo mais efetivo, proporcionando</p><p>conhecimentos acerca do fenômeno humano que ele, mesmo com seus</p><p>milênios de existência, não compreendeu plenamente.</p><p>Dito isso, percebe-se que a psicologia jurídica, como área da Psicologia</p><p>em interseção com o Direito, desdobra-se em uma ampla quantidade de</p><p>subáreas como, por exemplo: psicologia penitenciária, psicologia</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 6/43</p><p>criminal, psicologia civil geral e de família, psicologia do testemunho,</p><p>psicologia policial, psicologia da vítima ou psicologia vitimológica, entre</p><p>outras.</p><p>Visando abordar esse auxílio da Psicologia levando em consideração os</p><p>diversos níveis do sistema de Justiça de nosso país, abordamos de</p><p>forma didática a psicologia jurídica e suas contribuições, respeitando a</p><p>separação legal entre direito civil e direito penal (ou direito criminal).</p><p>Vamos agora apresentar algumas das atuações do psicólogo jurídico</p><p>levando em consideração essas duas amplas áreas do Direito.</p><p>Atuação no direito da criança</p><p>e adolescente</p><p>Todos nós, cidadãos, temos uma série de direitos e deveres, muitos dos</p><p>quais são consagrados por nossa Constituição, notadamente em seu</p><p>artigo 5º, no qual nossos diversos direitos estão expostos.</p><p>O direito civil é o campo do Direito que se preocupa</p><p>com os direitos privados de cada indivíduo, com o</p><p>direito do cidadão, legislando sobre as injustiças que</p><p>podem ocorrer nesse âmbito de relação entre pessoas</p><p>físicas ou jurídicas.</p><p>O Código de Processo Civil (CPC) define as regras de como o processo</p><p>legal ocorre no âmbito civil e, também, como cada parte ou personagem</p><p>deve atuar nesse processo. No caso dos psicólogos, eles se</p><p>apresentam ao processo como peritos que são entendidos no CPC</p><p>como auxiliares da Justiça.</p><p>Assim, o perito auxilia o juiz quando a prova necessária para melhor</p><p>condução do processo depende de conhecimento técnico ou científico</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 7/43</p><p>específico, o que está redigido no art. 156 do CPC.</p><p>Vamos a um exemplo do cotidiano da prática do psicólogo jurídico!</p><p>Exemplo</p><p>Imagine que um casal com dois filhos decide se separar e, diante de</p><p>uma situação emocionalmente estressora e difícil, que é a separação,</p><p>cada um busca seu advogado para mover uma ação de guarda</p><p>compartilhada dos filhos.</p><p>Nesse contexto, o juiz, ao longo do processo, pode avaliar que seria</p><p>necessária a atuação de um psicólogo realizando um estudo ou</p><p>avaliação psicológica para melhor compreender a história dessa família,</p><p>sua dinâmica e como cada um dos pais exerceu os cuidados dos filhos</p><p>ao longo de seu desenvolvimento, visando adotar uma decisão que</p><p>respeite o melhor interesse da criança, um importante princípio quando</p><p>se fala de crianças e adolescentes no contexto da Justiça.</p><p>Compreender os aspectos emocionais, comportamentais e psicológicos</p><p>de todos os integrantes do sistema familiar é algo passível de ser</p><p>realizado por um psicólogo que, portanto, é chamado como perito para</p><p>apresentar suas contribuições, por meio de um laudo, apontando os</p><p>aspectos importantes no presente caso.</p><p>Com esse conhecimento, o juiz é munido de mais ferramentas para</p><p>exercer um julgamento mais adequado à realidade daquela família e,</p><p>portanto, com a possibilidade de ser mais justo.</p><p>Em termos de legislação, o Brasil possui um grande</p><p>avanço na proteção de crianças e adolescentes com o</p><p>Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei</p><p>8.069/1990), sendo que a Psicologia é demandada a</p><p>contribuir com seus conhecimentos em diversos níveis</p><p>relacionados à proteção dos direitos de crianças e</p><p>adolescentes.</p><p>Nesse sentido, as demandas para a atuação do psicólogo versam sobre</p><p>alguns assuntos, como:</p><p>O psicólogo também atua nos processos, versando sobre a</p><p>destituição do poder familiar, ou seja, situações em que os pais</p><p>ou responsáveis legais por aquela criança ou adolescente não</p><p>conseguem cumprir com seus deveres básicos e garantir a</p><p>A destituição do poder familiar </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 8/43</p><p>esses menores a possibilidade de sadio desenvolvimento</p><p>psicológico, físico, moral etc.</p><p>Nesses casos, a importante a atuação do psicólogo em equipe</p><p>multidisciplinar, geralmente acrescida de um assistente social, é</p><p>enorme, já que sua atuação auxilia o juiz na decisão de retirar ou</p><p>manter o poder familiar de pais ou responsáveis legais sobre</p><p>uma criança ou adolescente.</p><p>O psicólogo também atua em uma outro grande campo os das</p><p>medidas socioeducativas, ou seja, a atuação com adolescentes</p><p>em conflito com a lei.</p><p>Os profissionais psicólogos que atuam nessa demanda devem</p><p>“desenvolver intervenções que possam minimizar, a partir das</p><p>redes externas de apoio do adolescente, a ocorrência de atos</p><p>infracionais quando este retornar à sociedade.” (LAGO;</p><p>NASCIMENTO, 2016).</p><p>Já no que diz respeito aos processos de adoção, o psicólogo é</p><p>chamado a atuar em três aspectos:</p><p>1. Preparação, avaliação e habilitação de candidatos à adoção:</p><p>realizando tanto a avaliação destes, bem como promovendo os</p><p>chamados grupos de apoio a adoção, nos quais, por meio de dinâmicas</p><p>e práticas psicoeducativas, busca-se contribuir para que os candidatos à</p><p>adoção possam refletir sobre crenças e fantasias ligadas ao processo</p><p>de adoção.</p><p>2. Junto às crianças e aos adolescentes que se encontram nas</p><p>instituições de acolhimento aguardando serem adotadas: o trabalho</p><p>ocorre em conjunto com profissionais da instituição e do Judiciário para</p><p>ajudar a criança no processo de reintegração familiar ou afastamento</p><p>familiar e inserção na família adotiva.</p><p>Toda criança ou adolescente que</p><p>estiver inserida em programa de</p><p>acolhimento familiar ou institucional</p><p>terá sua situação reavaliada, no</p><p>máximo, a cada 3 (três) meses,</p><p>devendo a autoridade judiciária</p><p>Os adolescentes autores de atos infracionais </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 9/43</p><p>competente, com base em relatório</p><p>elaborado por equipe</p><p>interprofissional ou multidisciplinar,</p><p>decidir de forma fundamentada pela</p><p>possibilidade de reintegração</p><p>familiar ou pela colocação em</p><p>família substituta, em quaisquer das</p><p>modalidades previstas no art. 28</p><p>desta Lei.</p><p>(ECA, 1990)</p><p>Um importante aspecto destacado é que o trabalho do psicólogo</p><p>jurídico, muitas vezes, acontece em uma equipe multidisciplinar, sendo</p><p>que a presença de assistentes sociais é frequente em quase todos os</p><p>âmbitos de atuação do psicólogo jurídico, mas este também pode ter</p><p>trabalhos conjunto com educadores, médicos etc.</p><p>3. Acompanhamento da família habilitada para adoção e a criança por</p><p>ela adotada: sendo que o processo de vinculação entre os adotantes e a</p><p>criança deve ser acompanhado por profissional da Psicologia que</p><p>possui conhecimento e instrumental para contribuir na solidificação</p><p>desses vínculos e no manejo de eventuais situações conflitivas.</p><p>Saiba mais</p><p>Os psicólogos que atuam nesse âmbito do Direito da Criança e</p><p>Adolescente não são somente aqueles que estão dentro dos tribunais</p><p>de justiça, mas toda</p><p>a rede de proteção, como conselhos tutelares e</p><p>centros de referência especializado em assistência social (CREAS), que</p><p>atuam auxiliando que o Direito alcance sua meta final: a Justiça.</p><p>Atuação no direito de família</p><p>Como em nosso exemplo anterior, do casal que move um processo ação</p><p>de guarda compartilhada, a atuação do psicólogo no âmbito do direito</p><p>de família é imprescindível. Nesse complexo mundo das relações</p><p>afetivas, o conhecimento proporcionado pela Psicologia pode contribuir</p><p>para que os operadores do Direito, como juízes, promotores e</p><p>advogados, possam deixar a letra fria da lei e entrar na calorosa</p><p>dinâmica dos sentimentos e vínculos familiares.</p><p>No direito de família, a Psicologia é convocada nos processos de guarda</p><p>e, com o advento da Lei 13.058/2014, no auxílio ao que diz respeito à</p><p>chamada guarda compartilhada.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 10/43</p><p>Essa modalidade de guarda, que visa à atuação</p><p>conjunta dos pais nas decisões e principalmente, no</p><p>acompanhamento da vida dos filhos, tem em lei</p><p>prevista a atuação de equipe interdisciplinar, que</p><p>auxiliará o juízo por meio de conhecimento técnico-</p><p>científico (art. 1.584, § 3º).</p><p>Embora a lei especifique que deve haver uma distribuição equilibrada de</p><p>tempo da criança ou adolescente com o pai e com a mãe, a experiência</p><p>e pesquisa sobre a guarda compartilhada vem apontando a necessidade</p><p>de observar diferentes aspectos como a idade da criança (fase do</p><p>desenvolvimento), a relação com cada um dos pais (antes da separação</p><p>e após a separação), a rede de suporte familiar, a proximidade entre as</p><p>residências, bem como questões psicológicas da criança ou</p><p>adolescente (presença de algum transtorno).</p><p>Na prática, percebemos que muitos pais e responsáveis acreditam que o</p><p>compartilhamento da guarda significa que a criança ficará residindo 15</p><p>dias ou uma semana com cada um dos pais, alternando esse tempo de</p><p>convivência entre uma e outra residência, o que não necessariamente</p><p>atenderá ao melhor interesse da criança.</p><p>O compartilhamento está, antes de</p><p>tudo, situado na subjetividade que</p><p>se expressa no estabelecimento de</p><p>valores comuns; na tomada de</p><p>decisões que, no fim, sejam</p><p>uniformes; na coparticipação nos</p><p>cuidados cotidianos dos filhos,</p><p>sempre permeados por afeto e</p><p>proximidade com eles, e por diálogo,</p><p>no mínimo civilizado, polido e</p><p>sensato, entre os pais, o que só é</p><p>conseguido com o afrouxamento</p><p>dos laços conjugais, visando ao</p><p>desatamento deles, e o</p><p>estreitamento dos laços parentais.</p><p>(CEZAR-FERREIRA; MACEDO, 2016, p. 108)</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 11/43</p><p>Nota-se que a guarda compartilhada, para além de uma modalidade</p><p>recomendada por lei, deve ser um exercício implementado pelos pais,</p><p>que necessita de esforço de ambas as partes. Na prática cotidiana, vê-</p><p>se o desafio de conseguir que os pais compreendam a importância de</p><p>um trabalho conjunto em prol dos cuidados dos filhos, em meio a uma</p><p>turbulenta quantidade de sentimentos e experiências negativas</p><p>provenientes da conjugalidade fracassada.</p><p>Além dos processos versando sobre a guarda de crianças e</p><p>adolescentes, a Psicologia também é chamada a participar e contribuir</p><p>nos processos versando sobre a regulamentação de convivência entre</p><p>pais e filhos após a separação conjugal, reconhecimento de paternidade</p><p>socioafetiva, quando o pai que criou vínculos com a criança é diferente</p><p>do pai biológico e, cada dia mais, nos casos de alienação parental, que</p><p>veremos a seguir mais detalhes sobre o assunto.</p><p>A alienação parental tem sido um tema polêmico e proporcionador de</p><p>discussões, acaloradas, com defensores e detratores desse conceito e</p><p>da realidade.</p><p>O conceito de alienação parental foi desenvolvido pelo psiquiatra</p><p>americano Richard Gardner (2002) para explicar o fenômeno de crianças</p><p>que resistiam à convivência ou ao contato com um dos pais (geralmente</p><p>o pai), após a separação. Gardner (2002) cunhou, em conjunto, o termo</p><p>Síndrome de Alienação Parental (SAP), que se caracterizava por uma</p><p>programação da criança, realizada por um dos pais (alienador), para</p><p>rejeitar e contribuir em uma campanha voltada para denegrir o outro pai</p><p>(alienado).</p><p>Diante do impacto da teoria desenvolvida por Gardner (2002), vários</p><p>países criaram legislações específicas para tratar o assunto, inclusive o</p><p>Brasil, que possui uma lei específica, que define a alienação parental</p><p>como:</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 12/43</p><p>Art. 2º - a interferência na formação</p><p>psicológica da criança ou do</p><p>adolescente promovida ou induzida</p><p>por um dos genitores, pelos avós ou</p><p>pelos que tenham a criança ou</p><p>adolescente sob a sua autoridade,</p><p>guarda ou vigilância para que</p><p>repudie genitor ou que cause</p><p>prejuízo ao estabelecimento ou à</p><p>manutenção de vínculos com este.</p><p>(LEI 12.318/2010)</p><p>Nessa mesma lei, em seu artigo 5º, fica definido que o juiz poderá pedir</p><p>uma perícia psicológica ou biopsicossocial, bem como descritos</p><p>aspectos a serem observados (parágrafos 1, 2 e 3).</p><p>Entretanto, como dito anteriormente, a síndrome de alienação parental e</p><p>mesmo a concepção de alienação parental vem sofrendo críticas e</p><p>ponderações ao longo dos anos, tanto no Brasil (DE SOUZA, 2014),</p><p>como fora dele (SOTTOMAYOR, 2011; KELLY; JOHNSTON, 2002),</p><p>exigindo uma reflexão crítica de todos aqueles que atuam nesse campo</p><p>e, mesmo, para além dele, como na psicologia clínica.</p><p>Atenção!</p><p>Em apertada síntese (para usar um termo muito presente em processos</p><p>judiciais), as críticas à alienação parental versam tanto da teoria de</p><p>Gardner, que não abarcaria a complexidade do fenômeno, como o</p><p>movimento de problematização da judicialização das relações</p><p>familiares. Aqui, prudência! Compreender o fenômeno da alienação é</p><p>necessário, reconhecendo que ainda deve-se buscar efetivar mais</p><p>estudos na área para melhor definição do que seja a alienação e meios</p><p>para sua adequada identificação.</p><p>Junto à temática da alienação parental, surge a questão das falsas</p><p>denúncias de abuso sexual, que muitas vezes permeiam as situações</p><p>em que existem acusações de alienação. Nesse momento, vemos uma</p><p>interseção do direito civil e criminal, bem como de diferentes</p><p>perspectivas da psicologia jurídica, como a psicologia do testemunho.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 13/43</p><p>Síndrome de Alienação</p><p>Parental</p><p>Neste vídeo, o especialista reflete sobre o movimento de</p><p>problematização da judicialização das relações familiares e a Síndrome</p><p>de Alienação Parental.</p><p>Atuação no direito do</p><p>trabalho e nas varas cíveis</p><p>Ainda no âmbito do direito civil, dois outros campos se apresentam para</p><p>o psicólogo jurídico: o direito do trabalho e as diversas temáticas das</p><p>varas cíveis.</p><p>No que diz respeito ao direito do trabalho, a atuação acontece em</p><p>processos versando sobre danos psicológicos, que tenham como</p><p>possíveis causas doenças ou acidentes no âmbito do trabalho. A seguir,</p><p>veremos com mais detalhes dois principais problemas que acontecem</p><p>neste meio:</p><p>Síndrome de Burnout</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 14/43</p><p>A partir de 2022, esta síndrome é reconhecida pelo CID-11</p><p>como uma doença ocupacional. As empresas começam a ter</p><p>mais responsabilidades sobre a saúde mental de seus</p><p>profissionais colaboradores, podendo sofrer sanções judiciais,</p><p>caso haja o reconhecimento de que essas empresas</p><p>contribuíram para o estado de esgotamento físico e mental</p><p>característico desse quadro.</p><p>Assédio moral</p><p>O mundo do trabalho também vem sendo assolado por estes</p><p>problemas, sendo outro campo em que o psicólogo pode vir a</p><p>ser chamado para uma avaliação quanto</p><p>aos danos sofridos</p><p>por determinado colaborador e profissional de uma empresa.</p><p>Já no âmbito das varas cíveis, o psicólogo é chamado naqueles</p><p>processos envolvendo interdição judicial, bem como naqueles versando</p><p>sobre eventual dano psíquico que uma pessoa pode ter sofrido em uma</p><p>relação com outra pessoa física ou jurídica.</p><p>No primeiro caso, a Psicologia se apresenta com seus</p><p>conhecimentos, visando avaliar o quanto uma pessoa é</p><p>capaz de gerenciar sua vida e seus bens, sendo certo</p><p>que, nesse contexto, o psicólogo atuará de forma</p><p>interdisciplinar com o psiquiatra.</p><p>A avaliação psicológica, no entanto, para além da pessoa, deve envolver</p><p>a família e os demais atores que têm contato com o sujeito interditando,</p><p>ou seja, do qual se pede a interdição.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 15/43</p><p>Nesse contexto, é importante considerar o Código Civil Brasileiro (Lei</p><p>10.406/2002) que, em seu artigo 3º, define quem são as pessoas</p><p>absolutamente incapazes, ou seja, aquelas pessoas que não podem</p><p>exercer atos da vida civil, como casamento, assinar contratos, abrir</p><p>contas etc.</p><p>Já a partir de 2015 teremos outro avanço na nossa legislação: a Lei</p><p>Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015),</p><p>que inclui a categoria de pessoas relativamente incapazes a certos atos</p><p>ou à maneira de os exercer, gerando maior desafio para os psicólogos</p><p>na avaliação, mas proporcionando um reconhecimento e mesmo auxílio</p><p>para que algumas pessoas possam, em algum nível, exercer com ajuda</p><p>de um terceiro, decisões sobre sua vida, principalmente com o</p><p>dispositivo da Tomada de Decisão Apoiada.</p><p>No que diz respeito à atuação nas varas cíveis, a Psicologia também é</p><p>chamada a contribuir com a avaliação de possíveis danos psíquicos</p><p>sofridos por uma pessoa, em uma relação com outra pessoa física ou</p><p>jurídica.</p><p>Exemplo</p><p>Imagine que você comprou uma passagem de avião para o casamento</p><p>de seu filho e, devido a problemas da empresa aérea, você não</p><p>conseguiu embarcar e chegar a tempo para esse evento marcante da</p><p>vida de sua família.</p><p>Em um eventual processo judicial junto a uma vara cível você poderia</p><p>alegar que a situação acarretou um sério estresse e contribuiu para o</p><p>desenvolvimento de um quadro depressivo moderado. O juiz, diante</p><p>dessa afirmação, pode requerer uma avaliação psicológica para ter</p><p>maior convencimento quanto à relação do dano causado pela empresa</p><p>aérea e o transtorno mental.</p><p>Sob esse aspecto, os autores Lago e Puthin (2020, p. 35), dizem o</p><p>seguinte:</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 16/43</p><p>Ações de dano psicológico na</p><p>esfera cível, demandam um agente</p><p>causador do dano, um sujeito que</p><p>sofreu o dano, um nexo causal entre</p><p>ambos e um pedido de indenização</p><p>pelo dano sofrido</p><p>(LAGO; PUTHIN, 2020)</p><p>Nesse sentido, o desafio na avaliação psicológica ocorre pelo</p><p>questionamento:</p><p>É possível estabelecer uma relação causal entre o</p><p>trauma e os danos apresentados?</p><p>No nosso caso: é possível dizer que o atraso na viagem e consequente</p><p>falta ao casamento do filho foi fator causal significante na depressão da</p><p>mãe? Fica a provocação para você!</p><p>Atuação no direito penal</p><p>O direito penal ou criminal é aquele que se debruça sobre os delitos,</p><p>sendo caracterizado:</p><p>Pelo conjunto de normas que tanto preveem os atos</p><p>considerados criminosos como as sanções para</p><p>aqueles que cometem tais atos. No direito penal, a</p><p>preocupação não é somente na relação entre as</p><p>pessoas, mas delas com o Estado, visto que quem</p><p>comete um crime pode ser uma ameaça para toda a</p><p>sociedade.</p><p>Lago e Nascimento (2016) apontam que no âmbito do direito penal, o</p><p>psicólogo atua tanto no sistema penitenciário, institutos psiquiátricos</p><p>forenses.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 17/43</p><p>O artigo 149 do Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689/1941)</p><p>dispõe sobre a atuação do perito no âmbito criminal, sendo que o título</p><p>da seção é da insanidade mental do acusado.</p><p>Nos casos em que a pessoa que cometeu o crime apresenta algum</p><p>quadro psicopatológico (por exemplo, algum transtorno mental), após a</p><p>avaliação, esses indivíduos são encaminhados para os chamados</p><p>institutos psiquiátricos forenses. Assim, Segundo Huss (2011), essas</p><p>pessoas são consideradas inimputáveis, ou seja:</p><p>[...] não possui um estado mental</p><p>básico, exigido pela lei, não podendo</p><p>ser considerado culpado ao cometer</p><p>o crime.</p><p>(HUSS, 2011)</p><p>Entretanto, também a atuação do psicólogo acontece no âmbito do</p><p>processo penal, nos tribunais, notadamente quanto aos impactos</p><p>psicológicos sofridos pela vítima de determinada violência.</p><p>Nesse sentido, cresceu ao longo dos anos no Brasil a atuação do</p><p>psicólogo no âmbito das vítimas de violência sexual, notadamente</p><p>crianças e adolescentes, principalmente naqueles casos em que</p><p>vestígios físicos da violência não são detectáveis.</p><p>Saiba mais</p><p>Muitas situações envolvendo violência sexual (abuso sexual) contra</p><p>crianças e adolescentes não deixam marcas físicas, ocorrendo de forma</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 18/43</p><p>sutil, engendrando a criança em um processo denominado grooming e</p><p>levando-a a ter dificuldades para revelar o acontecimento.</p><p>É relevante considerar também que a maior parte dos abusos sexuais</p><p>cometidos contra crianças e adolescentes são cometidos por familiares</p><p>ou pessoas muito próximas da família, caracterizando um tipo de abuso</p><p>chamado intrafamiliar. Esse fato dificulta a revelação por parte da</p><p>criança e contribui também para anos de silêncio, que tendem a agravar</p><p>as consequências psicológicas da violência.</p><p>Re�exão</p><p>Esses casos se constituem como um grande desafio para o psicólogo,</p><p>do qual é esperado constatar a veracidade de uma acusação de abuso</p><p>sexual, ou seja, os operadores de Direito, ao longo do tempo,</p><p>acreditaram que o papel do psicólogo era dizer se ocorreu ou não o</p><p>abuso sexual. Você acha que seria possível isso?</p><p>No contexto da atuação em casos de violência sexual, a fala das partes</p><p>é, muitas vezes, a única informação que está presente, sendo que o</p><p>trabalho do psicólogo envolve três pontos:</p><p>Contribuições da Psicologia para melhores</p><p>práticas</p><p>Ao longo dos anos, diante do desafio nessa área de interseção entre</p><p>Psicologia e Direito, o conhecimento da ciência psicológica tem</p><p> Análise do relato dos envolvidos</p><p>Em especial da vítima.</p><p> Sintomatologia presente</p><p>Ainda que não exista uma sintomatologia exclusiva</p><p>de situações de abuso sexual</p><p> Contexto</p><p>Em que ocorreu a suposta violência.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 19/43</p><p>contribuído para melhores práticas na área. Aqui citamos algumas:</p><p>É a contribuição da Psicologia para o estabelecimento da Lei</p><p>13.431/2017 também chamada Lei da Escuta Especializada, que</p><p>se insere no contexto do sistema de garantia de direitos da</p><p>criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência.</p><p>Essa lei contribui para criação de fluxos específicos de</p><p>atendimento de crianças e adolescentes supostamente vítimas</p><p>de abuso sexual, evitando o acontecimento recorrente de</p><p>revitimizações. Tais revitimizações ocorriam porque,</p><p>anteriormente, a criança ou adolescente supostamente vítima de</p><p>uma violência sexual era escutada reiteradas vezes, por</p><p>diferentes profissionais, em diferentes órgãos, por vários anos,</p><p>causando tanto um contínuo sofrimento da suposta vítima</p><p>quanto uma progressiva contaminação dos dados (relatos) da</p><p>situação.</p><p>A Lei 13.431/2017 demarcou duas intervenções importantes: a</p><p>escuta especializada e o depoimento especial, sendo que este</p><p>último ainda não é unanimidade entre os psicólogos havendo,</p><p>por exemplo, questionamentos</p><p>se é uma prática obrigatória dos</p><p>profissionais psicólogos lotados em tribunais de justiça.</p><p>De acordo com o artigo 7º da Lei 13.431/2017 a escuta</p><p>especializada é definida como: ”O procedimento de entrevista</p><p>sobre situação de violência com criança ou adolescente perante</p><p>órgão da rede de proteção, limitado o relato estritamente ao</p><p>necessário para o cumprimento de sua finalidade.”</p><p>O objetivo dessa intervenção é que a criança possa ser escutada</p><p>adequadamente, com técnicas que contribuam para melhor</p><p>aquisição das informações necessárias para a continuidade de</p><p>medidas protetivas para a criança ou adolescente e instauração</p><p>de um processo.</p><p>É a contribuição da Psicologia para o estabelecimento da Lei</p><p>13.431/2017, em que espera-se que a criança possa ser</p><p>entrevistada de forma adequada, por exemplo, em um momento</p><p>do processo criminal, sendo acolhida em espaço reservado, sem</p><p>a presença do suposto abusador e de outras pessoas e tendo um</p><p>profissional capacitado (psicólogo ou assistente social) que</p><p>Lei da Escuta Especializada </p><p>Depoimento especial </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 20/43</p><p>conduzirá os procedimentos, em busca a esclarecer a suposta</p><p>situação abusiva.</p><p>De acordo com o artigo 8º da Lei 13.431/2017: “O procedimento</p><p>de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de</p><p>violência perante autoridade policial ou judiciária.”</p><p>Atualmente, no Brasil, foi desenvolvido o protocolo brasileiro de</p><p>entrevista forense com crianças e adolescentes vítimas ou</p><p>testemunha de violência, que se apresenta como um modelo de</p><p>entrevista flexível, semiestruturado e passível de adaptação ao</p><p>desenvolvimento das crianças e adolescentes.</p><p>Nesse sentido, o protocolo brasileiro de entrevista forense vem</p><p>sendo, sobretudo, usado no depoimento especial, garantindo</p><p>melhor aquisição das informações necessárias para a</p><p>investigação da suposta situação abusiva.</p><p>É uma segunda grande contribuição da Psicologia nessa área do</p><p>direito penal, que busca compreender e explicar os processos</p><p>implicados no fenômeno do testemunho.</p><p>Segundo a psicologia do testemunho, o processo de relatar um</p><p>acontecimento passado envolve diversos processos mentais</p><p>como: percepção do evento, armazenamento da informação,</p><p>recuperação da memória, capacidade para expressar e</p><p>motivações para relatar (STEIN; PERGHER; FEIX, 2009).</p><p>É importante, portanto, compreender os processos acima para</p><p>desenvolver estratégias de entrevista, que contribuam para</p><p>melhor aquisição dos dados de memória, evitando tanto</p><p>sugestionar uma suposta vítima quanto adquirir dados falsos,</p><p>levando, por exemplo, uma pessoa inocente à culpabilização.</p><p>Estratégias de entrevistas vem sendo desenvolvidas ao longo</p><p>dos últimos anos, bem como recomendações de procedimentos</p><p>nesses casos.</p><p>R E C U R S O N à O E N C O N T R A D O</p><p>Psicologia do Testemunho </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 21/43</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>No que diz respeito à psicologia jurídica, quais das questões a</p><p>seguir apresentam assertivas corretas?</p><p>I – A psicologia jurídica é um campo plenamente desenvolvido e</p><p>estabelecido, tanto na Psicologia quanto no Direito.</p><p>II – A psicologia jurídica se refere apenas às práticas dentro dos</p><p>tribunais.</p><p>III – A psicologia forense, embora algumas vezes tratada como</p><p>sinônimo de psicologia jurídica, acaba se referindo a apenas as</p><p>atuações restritas aos fóruns, ou de forma mais ampla, tribunais de</p><p>justiça, não englobando toda a gama de possibilidade de atuação</p><p>do psicólogo jurídico.</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>A afirmativa I é incorreta, pois a psicologia jurídica não é um campo</p><p>plenamente desenvolvido e estabelecido, ao contrário, é um campo</p><p>em pleno desenvolvimento. A afirmativa II erra ao limitar as práticas</p><p>dos psicólogos jurídicos aos tribunais. A afirmativa III é correta</p><p>quando demarca que a psicologia forense, embora às vezes tratada</p><p>A Apenas a questão I.</p><p>B Apenas a questão II.</p><p>C As questões I e III.</p><p>D Apenas a questão III.</p><p>E As questões I e II.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 22/43</p><p>como sinônimo da psicologia jurídica, possibilita o reducionismo do</p><p>campo de atuação do psicólogo.</p><p>Questão 2</p><p>No que diz respeito à relação entre Psicologia e Direito, é correto</p><p>afirmar que</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A alternativa A está incorreta, pois afirma serem a Psicologia e o</p><p>Direito inconciliáveis, o que não é um fato. A alternativa B é</p><p>incorreta, pois afirma ser a Psicologia uma ciência bem</p><p>estabelecida, com milênios de desenvolvimento, o que é falso, bem</p><p>como erra ao afirmar que o Direito enfrenta dificuldades com</p><p>contínuas mudanças legislativas e culturais. A alternativa C está</p><p>correta, visto apresentar uma definição possível de psicologia</p><p>jurídica como auxiliar do Direito. A alternativa D erra ao reduzir a</p><p>atuação da Psicologia no campo do Direito somente a casos graves</p><p>A</p><p>a Psicologia e o Direito são disciplinas</p><p>inconciliáveis, não havendo possibilidade de</p><p>atuarem de forma conjunta no estudo do</p><p>comportamento humano.</p><p>B</p><p>a Psicologia é uma ciência bem estabelecida, com</p><p>milênios de desenvolvimento, já o Direito enfrenta as</p><p>dificuldades com contínuas mudanças legislativas e</p><p>culturais.</p><p>C</p><p>a Psicologia jurídica pode ser compreendida como</p><p>auxiliar para o melhor exercício do Direito.</p><p>D</p><p>o Direito necessita da Psicologia somente em casos</p><p>graves, em que haja alta periculosidade de um</p><p>criminoso.</p><p>E</p><p>a Psicologia e o Direito se debruçam sobre o estudo</p><p>da mente humana, sendo esse o ponto em comum</p><p>de ambos.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 23/43</p><p>de periculosidade. A alternativa E erra ao afirmar que Psicologia e</p><p>Direito se debruçam sobre o estudo da mente humana. Ainda que a</p><p>Psicologia possa ter como objeto de estudo a mente humana, o</p><p>Direito certamente não o terá.</p><p>2 - Psicologia e Direito</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os desa�os da</p><p>interseção entre Psicologia e Direito.</p><p>Psicologia e Direito: origens</p><p>da parceria</p><p>Psicologia e Direito certamente possuem aspectos em comum, mas</p><p>também aspectos divergentes, sendo que ao mesmo tempo que podem</p><p>caminhar de forma a contribuírem para o desenvolvimento comum,</p><p>também podem causar retrocessos e dificuldades na consecução de</p><p>seus objetivos.</p><p>Um dos primeiros pontos importantes nesse encontro são os históricos</p><p>diferentes de cada uma dessas disciplinas. De acordo com Trindade</p><p>(2012):</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 24/43</p><p>Nota-se que o Direito tem uma história praticamente milenar, passando</p><p>por um contínuo aprimoramento alcançando, por exemplo, o ápice dos</p><p>direitos humanos com a Declaração Universal dos Direitos Humanos da</p><p>ONU, em que todas as pessoas, independentemente de nacionalidade,</p><p>sexo, gênero, raça ou religião são colocados sob o mesmo nível de</p><p>igualdade e dignidade.</p><p>A Psicologia, por outro lado, embora tenha suas raízes</p><p>na Filosofia, como ciência moderna, possui um pouco</p><p>mais de um século, sendo que sua relação com o</p><p>Direito é ainda mais recente.</p><p>Gomide (2016) afirma que a psicologia jurídica vai surgir do campo da</p><p>psiquiatria forense, em que a realização de perícias, a fim de responder</p><p>a questões sobre a sanidade mental de uma pessoa, especificamente</p><p>sobre aqueles que cometiam crimes, abriu as portas para a entrada dos</p><p>psicólogos.</p><p>A autora pontua que no fim do século XIX, James Cattell realizou</p><p>experimentos, a fim de verificar a acuracidade de testemunhas,</p><p>lançando as raízes de uma psicologia do</p><p>testemunho.</p><p>Ainda que a psicologia jurídica tenha começado sua história no fim do</p><p>século XIX, seu pleno desenvolvimento, ao menos fora do Brasil,</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 25/43</p><p>começou por volta de 1940, quando os psicólogos começaram a ser</p><p>chamados como testemunha em tribunais cíveis e criminais,</p><p>notadamente na França e nos Estados Unidos.</p><p>A seguir, veremos alguns marcos do desenvolvimento da psicologia</p><p>jurídica no Brasil:</p><p> Reconhecimento da pro�ssão de</p><p>psicólogo em 1962</p><p>A psicologia jurídica teve seu tímido</p><p>desenvolvimento a partir da Lei 4.119/1962, em que</p><p>a profissão passou a ser reconhecida (LAGO et al.,</p><p>2009).</p><p> Reconhecida e legitimada como</p><p>auxiliar em outras ciências</p><p>No §2º do artigo 13 da referida podemos ler que: “é</p><p>da competência do psicólogo a colaboração em</p><p>assuntos psicológicos ligados a outras ciências”,</p><p>assim, a psicologia passou a ser legitimada, e, o</p><p>Direito, foi uma das primeiras áreas em que esse</p><p>diálogo aconteceu.</p><p> Desenvolvimento com as atuações</p><p>no campo criminal</p><p>A psicologia jurídica, inicialmente, ainda que de</p><p>modo informal, tinha influência histórica da relação</p><p>da Psicologia com o Direito em outros países, bem</p><p>como a psiquiatria forense, a atuação dos</p><p>psicólogos ocorria no âmbito das avaliações de</p><p>criminosos adultos e adolescentes infratores.</p><p> Concurso para pro�ssionais</p><p>psicólogos do Tribunal de Justiça</p><p>d d d l</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 26/43</p><p>Com o passar dos anos, essa relação entre Psicologia e Direito vem se</p><p>tornando ainda mais estreita, podendo-se perceber, segundo Bicalho,</p><p>que esta relação somente se amplia.</p><p>Da “psicologia do testemunho”</p><p>surgida no final do século XIX às</p><p>formulações de depoimentos</p><p>“especiais ou sem dano” do século</p><p>XXI. Dos pareceres técnicos</p><p>intitulados exames criminológicos</p><p>às práticas de individualização da</p><p>pena nos ambientes prisionais. Do</p><p>Manual de Psicologia Jurídica,</p><p>escrito por Mira y Lopez em 1945, à</p><p>atuação do psicólogo no Judiciário,</p><p>seja nas varas de família, de</p><p>execução penal, da infância,</p><p>juventude e do idoso. Do psicólogo</p><p>na construção do “perfil psicológico</p><p>do terrorista brasileiro” à atuação</p><p>com direitos humanos nas</p><p>instituições policiais e nas</p><p>defensorias públicas. Das práticas</p><p>com os “menores” do Código de</p><p>1927 à socioeducação com os</p><p>adolescentes em conflito com a Lei</p><p>do Estatuto de 1990.</p><p>(BICALHO, 2016, p. 17)</p><p>do Estado de São Paulo em 1985</p><p>Foi um marco na psicologia jurídica do Brasil, pois,</p><p>nesse momento, houve a entrada oficial dos</p><p>profissionais da Psicologia no âmbito do Direito em</p><p>um grande tribunal do país.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 27/43</p><p>Psicologia e Direito:</p><p>encontros e desencontros</p><p>Mas o que têm em comum essas disciplinas com idades tão</p><p>diferentes? Conforme afirma Trindade (2012), a Psicologia e o Direito se</p><p>preocupam com o comportamento humano e, nesse aspecto, possuem</p><p>um ponto de encontro, a seguir veremos mais esta relação.</p><p></p><p>Psicologia</p><p>Há certo consenso de</p><p>que o estudo do</p><p>comportamento</p><p>humano é um dos</p><p>principais objetos da</p><p>ciência, ainda que a</p><p>discussão sobre o</p><p>objeto da Psicologia</p><p>seja complexa.</p><p></p><p>Direito</p><p>Há um consenso de que</p><p>o estudo também se</p><p>debruça sobre o</p><p>comportamento</p><p>humano, mesmo que</p><p>seja na busca por</p><p>definir como ele deve se</p><p>estabelecer para o bem</p><p>comum da sociedade.</p><p>Temos, portanto, o ponto em comum dessas duas disciplinas, o</p><p>comportamento do homem. Entretanto, podemos dar mais um passo e</p><p>afirmar que, para alcançar o seu fim, o Direito necessita da Psicologia,</p><p>ou seja, a Psicologia contribui para o ideal de construção de uma</p><p>sociedade justa, conforme já visto.</p><p>Hoje em dia, mais do que anteriormente, a Psicologia vem contribuindo</p><p>com essa tarefa de ajudar uma sociedade a efetivamente ser justa, seja</p><p>por meio da atuação nos diversos âmbitos já relacionados ao longo</p><p></p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 28/43</p><p>deste nosso caminho, seja por meio, por exemplo, do estudo da tomada</p><p>de decisões por parte de operadores do Direito, compreendendo os</p><p>processos mentais que fazem parte desse complexo e importante ato</p><p>jurídico.</p><p>Nesse sentido, são interessantes as contribuições de Kahneman, Sibony</p><p>e Sunstein (2021), em seus estudos sobre o julgamento humano e quais</p><p>são os fatores que interferem no mesmo.</p><p>Temos, portanto, os pontos de interdependência entre</p><p>Psicologia e Direito e demarcamos como a Psicologia</p><p>pode contribuir para o Direito. Entretanto, há de se</p><p>afirmar também que existem pontos de independência</p><p>que devem ser respeitados, sobretudo para que cada</p><p>uma dessas disciplinas não seja defraudada pela</p><p>outra.</p><p>Assim, Trindade (2012) demarca bem estes pontos de independência,</p><p>conforme veremos agora:</p><p>Psicologia</p><p>Busca ser empirista</p><p>corroborando suas</p><p>hipóteses por meio da</p><p>testagem.</p><p>É compreensiva (busca</p><p>compreender os</p><p>comportamentos e não</p><p>os julgar).</p><p>Atua por meio da</p><p>entrevista e da</p><p>testagem.</p><p>Direito</p><p>É racionalista buscando</p><p>alcançar um raciocínio</p><p>verdadeiro por meio de</p><p>análises lógicas.</p><p>É axiológico e valorativo</p><p>(realiza julgamentos).</p><p>Atua por meio do</p><p>interrogatório e do</p><p>depoimento.</p><p>Percebe-se, portanto, os encontros e desencontros entre essas duas</p><p>áreas, que geram desafios na prática cotidiana do psicólogo jurídico. Por</p><p>exemplo, quando os operadores do Direito têm a expectativa de que o</p><p>psicólogo vá conseguir predizer um comportamento futuro, ou quando</p><p>acreditam que o psicólogo é capaz de detectar se uma pessoa está ou</p><p>não mentindo.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 29/43</p><p>Interrelações entre Psicologia e Direito.</p><p>Ainda que existam aspectos que contribuam para uma melhor detecção</p><p>quanto à emissão de fatos verdadeiros ou não por uma pessoa, as</p><p>técnicas psicológicas estão distantes de se efetivarem como um</p><p>polígrafo.</p><p>Atenção!</p><p>Diante desse contexto, é importante que o psicólogo que atua no âmbito</p><p>jurídico constantemente faça uma análise crítica de sua práxis,</p><p>compreendendo os limites dela. O psicólogo só pode aceitar atuar de</p><p>acordo com os princípios fundamentais da ética profissional. Ou seja, o</p><p>psicólogo deve considerar as relações de poder nos ambientes</p><p>profissionais, posicionando-se de forma crítica em consonância com o</p><p>Código de Ética Profissional do Psicólogo.</p><p>Permitir que o Direito dite como a Psicologia deve agir pode gerar</p><p>caminhos errados, que não concretizarão o ideal de Justiça, ao</p><p>contrário, poderão pervertê-la.</p><p>Além do conhecimento do Código de Ética Profissional do Psicólogo,</p><p>outros conhecimentos são de especial relevância para o psicólogo que</p><p>atua no campo jurídico.</p><p>O psicólogo jurídico: alguns</p><p>desa�os</p><p>O simples fato de a psicologia jurídica ser um campo de interseção</p><p>entre duas disciplinas, já exige um vasto conhecimento que englobe não</p><p>somente aqueles da Psicologia, mas também aqueles vinculados ao</p><p>campo do Direito, como legislações específicas, por exemplo.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 30/43</p><p>No dia a dia da práxis do psicólogo jurídico é necessário o</p><p>conhecimento de diferentes áreas da Psicologia, como as que são</p><p>específicas da linha escolhida pelo profissional, e também das</p><p>seguintes áreas:</p><p>Além disso, resoluções do Conselho Federal de Psicologia, bem como</p><p>as referências técnicas desse órgão sempre contribuem para uma</p><p>prática baseada na reflexão e no discernimento dos melhores caminhos</p><p>a se tomar.</p><p>Provavelmente, um dos aspectos mais importantes é</p><p>que o psicólogo que atua no</p><p>contexto jurídico deve</p><p>diferenciar a sua prática daquela desenvolvida no</p><p>contexto clínico.</p><p>A seguir, vamos apresentar alguns pontos de diferenciação entre essas</p><p>duas áreas da Psicologia que nos parece importante.</p><p>O primeiro deles, em que já tocamos anteriormente, diz respeito</p><p>à perspectiva do cliente e voluntariedade e autonomia, como</p><p>pontuam Lago e Puthim (2020).</p><p> Avaliação psicológica</p><p> Psicologia do desenvolvimento</p><p> Psicopatologia</p><p> Psicologia da família</p><p>Perspectiva do cliente, voluntariedade e autonomia </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 31/43</p><p>No âmbito clínico, o cliente ou paciente busca o atendimento (é</p><p>voluntário), havendo uma possibilidade maior de colaboração</p><p>(autonomia). No campo jurídico, as intervenções acontecem por</p><p>uma determinação judicial, ou por encaminhamento de algum</p><p>órgão de proteção, sendo que, muitas vezes, a pessoa não</p><p>deseja tal intervenção (involuntário) ou a vê como uma ameaça.</p><p>É comum que em avaliações, por exemplo, nas varas de famílias,</p><p>as partes acreditem que o objetivo da intervenção é verificar se</p><p>elas possuem algum distúrbio, havendo maior possibilidade de</p><p>manipulação das informações.</p><p>Ao mesmo tempo, surge o desafio de engajar aqueles que</p><p>passam por uma avaliação psicológica no âmbito jurídico a</p><p>serem protagonistas de sua vida, atuando não como sujeitos</p><p>passivos, mas como construtores das decisões que serão,</p><p>posteriormente, legitimadas por algum operador do direito.</p><p>Um segundo ponto é a validade de informações ou dados</p><p>colhidos. No contexto jurídico, é comum que as partes busquem</p><p>simular, mentir ou mesmo apresentar informações parciais,</p><p>sendo que seu interesse na causa pode gerar maior ou menor</p><p>falsificação das informações.</p><p>Por exemplo, em uma avaliação quanto a uma situação de maus-</p><p>tratos de uma criança, pode ser que os pais busquem minimizar</p><p>práticas educativas baseadas na punição física, afirmando que</p><p>elas ocorrem esporadicamente, mas sendo na realidade um</p><p>ponto comum no dia a dia da família.</p><p>Por isso mesmo, as avaliações no contexto jurídico pedem que</p><p>múltiplas fontes sejam consultadas, desde os dados presentes</p><p>nos processos, por exemplo, como outras pessoas do núcleo</p><p>familiar, escolas, órgãos de proteção etc.</p><p>Um terceiro ponto desafiador é o tempo para a efetivação das</p><p>avaliações. No contexto clínico, há tanto a possibilidade de um</p><p>tempo maior para avaliação quanto para reavaliações. Mesmo</p><p>nas terapias breves, o tempo de duração é de meses, enquanto</p><p>no campo jurídico as avaliações devem ser feitas em um curto</p><p>tempo, com prazos, às vezes, de 10 ou 15 dias.</p><p>Validade das informações </p><p>Tempo para avaliações </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 32/43</p><p>Certamente é um grande desafio da interseção entre Direito e</p><p>Psicologia, sendo que, enquanto o Direito trabalha em uma</p><p>perspectiva quantitativa, por exemplo, querendo o maior número</p><p>possível de processos julgados em um curto espaço de tempo, a</p><p>Psicologia engloba uma realidade em que a questão qualitativa</p><p>não deve ser desconsiderada, bem como a necessidade de</p><p>necessitar de mais tempo para proporcionar uma reflexão e</p><p>maior autonomia das partes.</p><p>Um quarto ponto diz respeito à busca por diagnósticos, sendo</p><p>que na psicologia jurídica não será o aspecto principal a ser</p><p>observado. Como dissemos, as questões de tempo de</p><p>intervenção, a involuntariedade da intervenção e mesmo o</p><p>contexto em que ocorrem os procedimentos podem ocasionar</p><p>distorções que prejudiquem um melhor diagnóstico.</p><p>A necessidade de</p><p>conhecimentos especí�cos</p><p>O psicólogo jurídico também deve estar atento para a questão da</p><p>testagem psicológica, não somente observando os testes validados,</p><p>mas aqueles que apresentam pesquisas com a população que utiliza os</p><p>serviços nos quais os psicólogos jurídicos atuam. Ao mesmo tempo, é</p><p>necessário desconstruir para o público leigo, inclusive os operadores de</p><p>direito, a crença de que uma avaliação psicológica somente é robusta se</p><p>for acompanhada de testagem psicológica.</p><p>Por fim, precisamos considerar a necessidade de</p><p>formação contínua do profissional, tendo</p><p>conhecimento das diversas legislações no âmbito do</p><p>Direito e também da Psicologia.</p><p>Nesse sentido, dois aspectos merecem destaque. O primeiro deles diz</p><p>respeito aos documentos a serem emitidos pelo psicólogo que realiza</p><p>uma avaliação ou intervenção no contexto jurídico.</p><p>A resolução CFP 06/2019 apresenta orientações a serem seguidas</p><p>pelos psicólogos quanto à elaboração de documentos psicológicos,</p><p>destacando os pontos que devem ser obedecidos e a estrutura dos</p><p>documentos. É importante o respeito a tal resolução para que se evite a</p><p>Diagnósticos </p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 33/43</p><p>confecção de documentos inadequados, o que pode incorrer em falta</p><p>ética.</p><p>Outro ponto importante é a função do psicólogo como perito e</p><p>assistente técnico. A figura do assistente técnico é prevista em lei no</p><p>Código de Processo Civil e pode ser sinteticamente descrita como o</p><p>perito da parte. Vamos a um exemplo para ficar mais claro!</p><p>Exemplo</p><p>Lembra-se do caso do casal que move um processo para discutir a</p><p>guarda compartilhada dos filhos? Imagine que o juiz determina a</p><p>realização de um estudo ou uma avaliação psicológica pela equipe do</p><p>Juízo.</p><p>Essa equipe é constituída por profissional psicólogo que, sendo um</p><p>profissional do Juízo, é considerado imparcial. No entanto, é facultado</p><p>às partes apresentarem um assistente técnico, ou seja, um profissional</p><p>contratado pela parte para acompanhar ou se manifestar sobre a</p><p>avaliação feita pelo perito (psicólogo) do Juízo.</p><p>A resolução CFP 08/2010 dispõe sobre a atuação do psicólogo como</p><p>perito e assistente técnico no âmbito do Poder Judiciário.</p><p>Psicologia jurídica: desa�os e</p><p>possibilidades</p><p>Você já percebeu que o campo da psicologia jurídica está ainda em</p><p>desenvolvimento e que a relação com o Direito possui alguns</p><p>desentendimentos.</p><p>Entretanto, há um contínuo esforço por novas formas de intervenção</p><p>para que a Psicologia, de fato, ajude na concretização do ideal de</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 34/43</p><p>Justiça almejado pelo Direito.</p><p>Nesse sentido, o histórico da psicologia jurídica e sua relação com os</p><p>operadores do Direito, muitas vezes resultou na práxis do psicólogo</p><p>jurídico relegada à avaliação e emissão de documentos psicológicos.</p><p>Entre esses documentos, encontramos o laudo psicológico que é, desde</p><p>o campo do Direito, o documento oriundo do trabalho do perito.</p><p>Esse reducionismo da atuação do psicólogo no campo</p><p>jurídico vem sendo questionado. A práxis reduzida à</p><p>perícia não atende a muitas demandas dos usuários</p><p>nos diversos âmbitos do sistema de Justiça.</p><p>No cotidiano, o psicólogo jurídico, frequentemente se depara com a</p><p>tensão da exigência ou a expectativa dos operadores de Direito quanto a</p><p>um documento que permita basear uma decisão e a necessidade de</p><p>uma intervenção reflexiva, e promova nos usuários do serviço uma</p><p>revisão de seus comportamentos e dinâmicas, levando-os a não</p><p>depender de uma sentença ou norma para reger suas vidas.</p><p>Ao mesmo tempo em que se</p><p>multiplicam, de forma dispersa, os</p><p>dispositivos de atuação chamados</p><p>alternativos (por exemplo:</p><p>mediação, justiça restaurativa,</p><p>escola de pais, entre outros), são</p><p>iniciativas ainda pouco valorizadas</p><p>frente a exigência de realização de</p><p>perícia, cujo instrumento exerce um</p><p>poder de sedução para os</p><p>operadores de Direito tal qual fosse</p><p>o canto de uma sereia.</p><p>(BRANDÃO, 2016, p. 36)</p><p>Sendo assim, a psicologia jurídica ainda se digladia com o Direito na</p><p>tentativa de demarcar campos de atuação em que haja a promoção do</p><p>desenvolvimento das pessoas, levando-as a serem</p><p>ativas na solução de</p><p>seus conflitos.</p><p>Saiba mais</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 35/43</p><p>Entre as práticas elencadas, como uma forma diversa da tradicional de</p><p>autocomposição, temos a justiça restaurativa, em que as partes de um</p><p>conflito (ofensor, vítima, comunidade) são convidadas a solucioná-lo por</p><p>meio da atuação de um facilitador (que pode ser um psicólogo), visando</p><p>à reparação do dano sofrido pela vítima e à restauração dos vínculos</p><p>entre as partes.</p><p>A justiça restaurativa também proporciona a possibilidade de reflexão</p><p>quanto a uma mudança no paradigma adversarial que, de certa forma,</p><p>impregna muitas áreas do Direito, sendo contraproducente, como nos</p><p>casos envolvendo questões familiares: guarda e regulamentação de</p><p>convivência de crianças e adolescentes.</p><p>No âmbito da justiça restaurativa, os aspectos</p><p>emocionais e comunitários são levados em</p><p>consideração, não se limitando apenas à aplicação da</p><p>sanção ou punição daquele que cometeu um delito.</p><p>Agora veremos duas práticas restaurativas que vêm sendo amplamente</p><p>desenvolvidas no país:</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 36/43</p><p>Mediação</p><p>É um método autocompositivo para resolução de conflitos,</p><p>conforme pontua David (2019, p. 103) busca ser um “método</p><p>pacífico e informal de resolução de conflitos, regido por</p><p>princípios éticos próprios como a imparcialidade, a</p><p>confidencialidade e a autonomia da vontade”.</p><p>Embora não seja atribuição específica do psicólogo a</p><p>realização de mediação, ela vem se apresentando como uma</p><p>alternativa ao modelo pericial, sendo um espaço no qual o</p><p>conhecimento de teorias psicológicas pode contribuir para um</p><p>melhor manejo e participação no processo de mediação.</p><p>O�cinas de parentalidade</p><p>É uma iniciativa difundida em diversos tribunais do país, nas</p><p>quais, pais, que movem processos de guarda ou</p><p>regulamentação de convivência dos filhos, são convidados a</p><p>participar de um grupo reflexivo sobre as práticas parentais e</p><p>cuidados importantes nesse momento de sofrimento de todo o</p><p>sistema familiar.</p><p>As oficinas de parentalidade se apresentam como uma</p><p>alternativa interessante a uma abordagem adversarial, tantas</p><p>vezes impregnada nos processos judiciais nas varas de família</p><p>que, infelizmente, somente contribuem para a solidificação de</p><p>mágoas e disfuncionalidades no sistema familiar.</p><p></p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 37/43</p><p>O modelo pericial versus</p><p>práticas não reducionistas do</p><p>psicólogo jurídico</p><p>Neste vídeo, o especialista reflete sobre o reducionismo do modelo</p><p>pericial sobre a psicologia jurídica e a existência de outras práticas mais</p><p>integrativas.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Psicologia jurídica teve início no campo da psiquiatria forense, a</p><p>partir da realização de perícias e diagnósticos de sanidade mental</p><p>em situações criminais, que introduziram os psicólogos nessa</p><p>especialidade. Entretanto, existem dados e fatos históricos que</p><p>contribuíram para o surgimento da psicologia jurídica. Sobre isso, é</p><p>correto afirmar que</p><p>A</p><p>o Brasil foi pioneiro no desenvolvimento da</p><p>psicologia jurídica, sendo um dos primeiros países a</p><p>adotar a Psicologia no auxílio da tomada de decisão</p><p>no campo Jurídico.</p><p>B</p><p>os estudos de Cattell, no fim do século XIX,</p><p>constituem os primórdios da chamada psicologia do</p><p>testemunho.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 38/43</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>O Brasil não foi pioneiro no desenvolvimento da psicologia jurídica.</p><p>De fato, os estudos de Cattell sobre a acuracidade de testemunhos</p><p>constitui os primórdios da psicologia do testemunho. No entanto, a</p><p>psicologia jurídica teve seu desenvolvimento sobretudo relacionado</p><p>ao direito criminal (penal), e encontrou espaço na psiquiatria</p><p>forense, por meio das perícias. Portanto, não podemos afirmar que</p><p>o início da psicologia jurídica no Brasil ocorreu com o concurso do</p><p>Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo sendo que, desde a lei</p><p>que regulamentou a profissão de psicólogo no país, já se via o</p><p>desenvolvimento da psicologia jurídica.</p><p>Questão 2</p><p>Em função das informações estudas sobre psicologia jurídica,</p><p>avalie as afirmativas a seguir:</p><p>I – A práxis da psicologia jurídica envolve o conhecimento de</p><p>diferentes áreas da Psicologia, como psicopatologia, avaliação</p><p>psicológica e psicologia do desenvolvimento.</p><p>II – A psicologia jurídica pode ser compreendida como apenas a</p><p>aplicação da psicologia clínica ao campo Jurídico.</p><p>III – Na avaliação psicológica no contexto Jurídico deve-se ter</p><p>significativo cuidado com a validade dos dados colhidos, visto a</p><p>possibilidade de a pessoa que participa do processo de avaliação</p><p>mentir, omitir ou distorcer fatos.</p><p>Estão corretas as afirmativas</p><p>C</p><p>a psicologia jurídica teve seu desenvolvimento</p><p>primeiramente relacionado às demandas do direito</p><p>civil, como disputa de guarda e adoção.</p><p>D</p><p>a psicologia jurídica buscou se afastar da chamada</p><p>psiquiatria forense, não querendo receber da</p><p>mesma a influência quanto ao trabalho</p><p>especificamente pericial.</p><p>E</p><p>a psicologia jurídica no Brasil teve seu início com o</p><p>primeiro concurso do Tribunal de Justiça do Estado</p><p>de São Paulo, em 1985.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 39/43</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>A afirmativa I está correta visto ser importante o conhecimento de</p><p>diferentes áreas da Psicologia e mesmo do Direito para melhor</p><p>atuação no campo da psicologia jurídica. A afirmativa II erra ao</p><p>afirmar que a psicologia jurídica seria apenas a aplicação da</p><p>psicologia clínica ao Direito, sendo que esta concepção é criticada</p><p>por diversos autores. A afirmativa III está correta, visto que a</p><p>avaliação no campo Jurídico padece dos riscos de tentativa de</p><p>manipulação da parte para o alcance de seus próprios interesses.</p><p>Considerações �nais</p><p>Neste conteúdo, você foi apresentado ao campo de atuação do</p><p>psicólogo no contexto jurídico que aqui definimos como psicologia</p><p>jurídica, tendo contato com a definição desse campo, seu histórico e</p><p>algumas das áreas de atuação.</p><p>Também buscamos refletir sobre os desafios que surgem da interseção</p><p>entre Direito e Psicologia, destacando a importância de adotar uma</p><p>atitude crítica e reflexiva quanto a práxis do psicólogo jurídico.</p><p>Esperamos que você tenha se interessado por esse campo da</p><p>Psicologia em pleno desenvolvimento e que venha a contribuir</p><p>futuramente para uma ampliação e melhoramento dessa área.</p><p>A apenas a afirmativa I.</p><p>B apenas a afirmativa II.</p><p>C apenas a afirmativa III.</p><p>D as afirmativas I e III.</p><p>E as afirmativas I e II.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 40/43</p><p>Podcast</p><p>Para encerrar, ouça um resumo do conteúdo estudado, em que o</p><p>especialista irá discorrer sobre os conceitos básicos, os encontros,</p><p>desencontros, particularidades, práticas e desafios da psicologia</p><p>jurídica.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Assista ao documentário A Morte Inventada, de Alan Minas (2009), para</p><p>saber mais sobre alienação parental</p><p>Para compreender melhor a importância de conhecer as formas de</p><p>abordar uma criança ou adolescente vítima de abuso, assista ao filme A</p><p>Caça, de Thomas Vinterberg (2013).</p><p>Conheça o Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense com Crianças e</p><p>Adolescentes Vítimas ou Testemunhas de Violência, publicado por</p><p>Childhood Brasil, Conselho Nacional de Justiça, Fundo das Nações</p><p>Unidas para Infância (UNICEF) e National Children’s Advocacy Center,</p><p>em 2020.</p><p>Referências</p><p>BICALHO, Pedro Paulo</p><p>Gastalho et al. Da execução à construção das</p><p>leis: A psicologia jurídica no legislativo brasileiro. In: BRANDÃO, Eduardo</p><p>Ponte (org.). Atualidades em Psicologia Jurídica. Rio de Janeiro: Nau,</p><p>2016, p.1-15.</p><p>BRANDÃO, Eduardo Ponte. Uma leitura da genealogia dos poderes</p><p>sobre a perícia psicológica e a crise atual na psicologia jurídica.</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 41/43</p><p>Atualidades em Psicologia Jurídica. Rio de Janeiro: Nau, 2016, n. p.</p><p>CEZAR-FERREIRA, Verônica A.; DE MACEDO, Rosa Maria Stefanini.</p><p>Guarda Compartilhada: Uma Visão Psicojurídica. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2016.</p><p>DAVID, Caroline Tuffani. Mediação e Práticas Colaborativas na</p><p>Alienação Parental. Rio de Janeiro: Espaço Jurídico, 2019.</p><p>DE SOUZA, Analicia Martins. Síndrome da alienação parental: um novo</p><p>tema nos juízos de família. São Paulo: Cortez, 2014.</p><p>GARDNER, Richard A. Parental alienation syndrome vs. parental</p><p>alienation: which diagnosis should evaluators use in child-custody</p><p>disputes? American journal of family therapy, v. 30, n. 2, 2002, p. 93-115.</p><p>GOMIDE, Paula Inêz Cunha. Áreas de atuação da Psicologia Forense. In:</p><p>GOMIDE, Paula Inêz Cunha (org.). Introdução à Psicologia Forense.</p><p>Curitiba: Juruá, 2016, p. 15-32.</p><p>HUSS, Matthew T. Psicologia forense: pesquisa, prática clínica e</p><p>aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2011.</p><p>KAHNEMAN, Daniel; SIBONY, Olivier; SUNSTEIN, Cass. Ruído: uma falha</p><p>no julgamento humano. Rio de Janeiro: Objetiva, 2021.</p><p>KELLY, Joan B.; JOHNSTON, Janet R. The alienated child: A</p><p>reformulation of parental alienation syndrome. Family Court Review, v.</p><p>39, n. 3, 2002, p. 249-266.</p><p>LAGO, Vivian de Medeiros et al. Um breve histórico da psicologia</p><p>jurídica no Brasil e seus campos de atuação. Estudos de psicologia, v.</p><p>26, n. 4, 2009, p. 483-491. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.</p><p>LAGO, Vivian de Medeiros; NASCIMENTO, Tauany Brizolla Flores do. As</p><p>práticas de atuação do psicólogo no contexto jurídico. In:</p><p>VASCONCELLOS, Silvio José Lemos de. A psicologia jurídica e as suas</p><p>interfaces: um panorama atual. Santa Maria, RS: UFSM, 2016, p. 17-36.</p><p>LAGO, Vivian de Medeiros; PUTHIN, Sarah Reis. Demandas de Avaliação</p><p>Psicológica no Contexto Forense. In: HUTZ, Claudio Simon; BANDEIRA,</p><p>Denise Ruschel; TRENTINI, Clarissa Marceli; ROVINSKI, Sonia Liane</p><p>Reichert; LAGO, Vivian de Medeiros (Orgs.). Avaliação Psicológica no</p><p>Contexto Forense. Porto Alegre: Artmed, 2020.</p><p>LOPEZ, Emilio Mira Y. Manual de psicologia jurídica. Porto Alegre: LZN,</p><p>2005.</p><p>SOTTOMAYOR, Maria Clara. Uma análise da Síndrome de Alienação</p><p>Parental e os riscos da sua utilização nos tribunais de família. Revista</p><p>Julgar, n. 13, 2011, p. 73-107. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.</p><p>STEIN, Lilian Milnitsky; PERGHER, Giovanni Kuckartz; FEIX, Leandro da</p><p>Fonte. Desafios da oitiva de crianças e adolescentes: Técnica de</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 42/43</p><p>entrevista investigativa. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos</p><p>Humanos da Presidência da República, 2009.</p><p>TRINDADE, Jorge. Manual de psicologia jurídica para operadores de</p><p>Direito. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>08/08/2024, 15:16 O psicólogo no contexto jurídico</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/03268/index.html?brand=estacio#imprimir 43/43</p><p>javascript:CriaPDF()</p>