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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO Série BiologiaENSINO MÉDIO BIOLOGIA SÉRIE AULA 17 SUCESSÃO ECOLÓGICA INTRODUÇÃO Quando observamos um ecossistema qualquer, por exemplo uma floresta, não imaginamos como ela surgiu. Será que desde o início surgiram todas as plantas e animais ao mesmo tempo? Como era o ambiente físico sem os seres vivos de agora? Pensando um pouco, logo concluímos que a floresta deve ter se desenvolvido aos poucos, com o passar do tempo. Imaginemos que uma certa região possui um solo rochoso, não havendo seres vivos. vento desgasta as rochas, carregando partículas que batem nelas e arrancam novas A chuva tam- bém participa deste processo, conhecido como erosão. A mudança de temperatura enfraquece as rochas, que sofrem rachaduras. Assim, o calor do sol e o frio à noite ou o calor do sol interrompido por chuvas, causam choques térmicos nas rochas. Aos poucos, as rochas vão se quebrando em pedaços menores, até resultar numa camada mais fofa, composta de Este processo pode demorar milhares de anos, dependendo do tipo de rocha. Os primeiros seres vivos a se instalarem devem suportar as condições do local. Os líquens são os mais prepara- dos para se desenvolver sob condições difíceis e são os primeiros a se instalar a partir de partículas reprodutoras trazi- das pelo vento. Lembramos que os líquens são associações de fungos e algas que vivem numa relação de mutualismo. Os fungos eliminam substâncias ácidas que vão alterando a rocha. Líquens que morrem deixam restos de matéria orgânica nas frestas das rochas. Eles ainda retêm um pouco de umidade nos limites ocupados. Por serem os primeiros seres vivos a se instalar, os líquens representam as espécies pioneiras nos ecossistemas terrestres. Nos ecossistemas aquáticos as espécies pioneiras são as algas microscópicas do fitoplâncton. Após os líquens, desenvolvem-se os musgos, samambaias, pequenos arbustos, grandes arbustos e por último, surgem as árvores. As sementes podem ser trazidas pelo vento ou espalhadas pelas fezes de aves e outros animais que se alimentam de frutos. Os animais vão chegando, à medida que o ambiente se torna mais suportável. A presença dos animais também vai modificando o ambiente, em das interações entre seres vivos e ambiente físico. Isto quer dizer que com o passar do tempo, vão surgindo mais espécies vegetais e aumentando também a diversi- dade de espécies animais. COMUNIDADE CLÍMAX As diferentes populações que vão se estabelecendo criam uma comunidade com maior estabilidade e equilíbrio. Isto quer dizer que pequenas alterações no ambiente e na comunidade não chegam a destruir o ecossistema. estágio de desenvolvimento é atingido quando: há uma grande diversidade de espécies (isto é, um número grande de espécies diferentes); ocorrem variadas relações ecológicas entre os seres e grande variedade de nichos ecológicos; as teias alimentares representam as várias opções de alimento no ecossistema; ocorre o aumento da biomassa. Uma comunidade com estas características é chamada de comunidade climax e este estágio é atingido após sucessivas modificações na comunidade, ao longo do tempo. Sucessão ecológica Sucessão ecológica é o processo que ocorre por meio de sucessivas mudanças na comunidade biótica de uma região, ao longo do tempo.SUCESSÃO PRIMÁRIA A sucessão ecológica segue uma certa ordem e seu resultado final pode ser previsto, de acordo com as caracte- rísticas da região, do clima e do solo. A fase inicial de uma sucessão ecológica é o momento da fixação ou estabelecimento da espécie pioneira. ponto máximo de uma sucessão ecológica, o clímax, é alcançado quando a comunidade atinge o desenvolvi- mento máximo permitido pelo ambiente físico. Se a região não foi ocupada antes por nenhuma comunidade, a sucessão que ocorre é chamada de sucessão primária. Esta acontece muito lentamente. SUCESSÃO SECUNDÁRIA Quando uma região já abrigou uma comunidade que por algum motivo foi eliminada, a sucessão que ocorre é chamada de sucessão secundária. A sucessão secundária acontece com maior rapidez, pois o solo já está formado e em geral, restam ainda algu- mas espécies da comunidade anterior. Um exemplo de sucessão ecológica secundária é a comunidade que se desen- volve numa área abandonada que anteriormente foi um campo de cultivo. Se uma grande área de uma floresta for destruída pelo fogo, a sucessão ecológica que se desenvolve também é do tipo secundária. PRINCIPAIS ECOSSISTEMAS Lembramos que a biosfera é o conjunto de todas as regiões do planeta onde existe vida. Assim, a biosfera é formada pelo conjunto de todos os ecossistemas. Recordemos também que um ecossistema é formado pelos organismos da comu- nidade biótica, relacionando-se entre si e interagindo com o meio ambiente (Ecossistema = comunidade + ambiente). Nas camadas de existem muitos seres vivos que vivem temporariamente, enquanto estão sendo transporta- dos pelo vento ou se locomovendo nas migrações. Por isso, não podemos falar em l'ecossistemas Os ecossistemas podem ser e terrestres. Ecossistemas Aquáticos Podem ser de água salgada, doce ou salobra. Os mares e oceanos são os ecossistemas de água salgada onde os seres vivos classificam-se como perten- centes ao plâncton, ao nécton ou ao bentos, de acordo com seu modo de vida e região marinha explorada por eles. Os seres que constituem o plâncton são pequenos e a maioria é microscópica; vivem flutuando e à deriva, arras- tados pelas correntes de água. o plâncton compreende o zooplâncton e o fitoplâncton. fitoplâncton é constituído por algas microscópicas e macroscópicas flutuantes, que têm vital importância pois, sendo fotossintetizantes, são os produtores nos ambientes aquáticos, garantindo a existência das diferentes cadeias alimentares. Animais pequeninos e vários tipos de larvas de invertebrados, formam o zooplâncton, que se alimenta do fitoplâncton. nécton (nécton = que nada) é o conjunto de animais aquáticos capazes de nadar livremente, vencendo o movi- mento da água. São os peixes, baleias, golfinhos, polvos, lulas, tartarugas e muitos outros. São todos consumidores. bentos (bénthon = profundidade) é o conjunto de seres que vivem no fundo, presos em rochas ou nos corais. Inclui também aqueles seres que vivem livres, porém se arrastando no fundo ou ainda enterrados. Exemplos: esponjas, algas fixas, vermes, poliquetas, ouriços-do-mar, estrela-do-mar, caranguejos, anêmonas e inúmeros outros. Como exemplos de ecossistemas de água doce temos os de águas calmas como lagoas, lagos e represas, e os de água corrente, como riachos, corredeiras e rios. Nos lagos e lagoas, que têm águas mais calmas, há maior quantidade de plâncton e portanto o fitoplâncton é o responsável pela produção de matéria orgânica para as cadeias alimentares, através da fotossíntese. Por outro lado, nas águas com maior movimento há muito menos plâncton, mas os rios recebem grande quanti- dade de matéria orgânica trazida das margens e das áreas inundadas, ao longo dos seus caminhos. mangue representa uma região costeira de transição, sujeita às marés, onde há mistura de água doce (dos rios que com a água salgada do mar, caracterizando a água salobra. mangue serve como de inúmeras espécies de animais aquáticos, de larvas de invertebrados que sedesenvolvem em suas águas rasas, calmas, quentes e ricas em matéria orgânica. Ecossistemas Terrestres Usamos o termo bioma, quando nos referimos aos grandes ecossistemas terrestres, com aparência mais ou menos uniforme e condições climáticas parecidas. Na aparência de um bioma, chamam mais a atenção as espécies vegetais, visto que as espécies animais se expõem menos, escondendo-se dos predadores. Assim, os nomes dados aos biomas baseiam-se no tipo de vegetação apresentada. Os biomas terrestres são: tundra taiga floresta temperada floresta tropical campos (estepes e savanas) desertos Tundra: Bioma característico da região polar ártica (extremo do hemisfério norte), com temperatura muitíssimo baixa. solo somente descongela na superfície, durante o rápido verão. A baixa incidência de luz solar e o solo conge- lado só permitem o desenvolvimento de líquens, musgos e plantas herbáceas. Os animais desta região são renas, caribus, urso polar, pequenos roedores como os lemingues, raposa, lobo, aves migratórias e poucos insetos, que se reproduzem no verão. Alguns animais como os caribus e aves migram, fugindo do inverno. Outros como o urso, hiber- nam, isto é, às custas da gordura armazenada é produzido um mínimo de energia, como resultado de um baixo metabo- lismo. Durante este sono hibernal, seu metabolismo reduz-se tanto que o coração bate poucas vezes por minuto. Taiga: Região que se segue à tundra, afastando-se do pólo norte; o inverno é menos rigoroso e o solo descon- gela no verão, o que permite o desenvolvimento de coníferas. A taiga também é conhecida com o nome de floresta de coníferas, com pinheiros, abetos e bétulas, mais ao sul. Estas árvores, tendo copas mais delgadas, dificultam a deposição de neve nos galhos. Contêm substâncias anticongelantes que impedem que se formem cristais de gelo que perfurariam suas células. A taiga é característica da Sibéria, na Rússia, estendendo-se pelo Canadá e Alasca, sendo a maior floresta do mundo, em extensão. As sementes das pinhas, são importantes na alimentação de muitos animais da floresta. Sobre seus galhos desenvolvem-se líquens que também servem de alimento aos herbívoros. São comuns raposas, alces, ursos, lobos, arminhos, esquilos e outros pequenos roedores que se alimentam das pinhas; lebres do ártico, coruja e aves migratórias; insetos que se desenvolvem no verão, quando a neve derretida forma lagoinhas onde vivem larvas de libélulas e friganários, um tipo de inseto que se reúne em grande quantidade sobre a superfície da água, a fim de se reproduzir, fato que atrai muitas aves. Floresta temperada: Encontrada nas regiões de clima temperado, com estações bem definidas. As temperaturas um pouco mais altas possibilitam o desenvolvimento de florestas com grandes árvores que, no entanto, perdem suas fo- lhas no inverno, bem rigoroso. Devido à queda das folhas, a floresta é chamada de floresta e apresenta árvores como carvalhos, nogueiras, bordos, faias, comuns no norte dos Estados Unidos e em grande parte da Europa, bem como na Ásia. Os animais típicos que vivem neste tipo de floresta são veados, esquilos, raposas, lobos, ursos marrons, aves e maior quantidade de insetos no verão. Floresta Tropical: Localizada na região equatorial, caracteriza-se por um clima úmido, com muita chuva e altas temperaturas. Há uma grande variedade de espécies vegetais e animais. No interior da floresta é intensa a transpiração das plantas e há pouca circulação de ar, devido ao grande número de plantas. Rente ao solo quase não chega luz e por isso há poucas espécies rasteiras. chão é forrado de restos em decomposição, que é muito rápida devido ao calor e à umidade. Os vegetais formam estratos, isto é, de acordo com sua altura. As grandes árvores ultrapassam 30 metros de altura. Em busca de luz é comum a presença de plantas epífitas, que se desenvolvem apoiadas sobre as mais altas. Por exemplo, são inúmeras as espécies de bromélias, orquídeas e samambaias. A maior floresta tropical é a Floresta Amazônica.Campos: Neste bioma não há problemas com a quantidade de luz solar mas sim com a quantidade de água. Ocorrem períodos de estiagem (época de seca, sem chuvas) e assim, a vegetação é constituída por plantas herbáceas, que têm pequeno porte, hastes flexíveis e delicadas, pouco desenvolvimento, porém rápido. Esta é a vegetação típica dos campos conhecidos como as estepes da Rússia e as pradarias dos Estados Unidos. Neste país, antes da colonização, eram abundantes os bisões que ali pastavam e que hoje existem em pouca quantidade. No Brasil, temos campos como os chamados de pampas, no Rio Grande do Sul, com muitas vegetação muito adequada à criação de gado. Os campos do tipo savanas, caracterizam-se por apresentar plantas herbáceas porém, com alguns arbustos e árvores espalhadas. Como exemplo típico, temos as savanas da África, hábitat de muitos animais africanos como gnus, zebras, girafas, e hienas, entre outros. No Brasil, o equivalente às savanas é o campo cerrado ou simplesmente cerrado, do Brasil Central. Formações Fitogeográficas Brasileiras Brasil ocupa uma imensa área com diferentes climas e solos e por isto apresenta grande diversidade no tipo de vegetação. Como esta vegetação variada caracteriza as diferentes regiões geográficas, falamos em formações fito- geográficas. São elas: Floresta Amazônica ou Hiléia Amazônica Mata Atlântica ou Mata Costeira Caatinga Mata de Cocais Campos Mata de Araucárias Mangue A localização destas formações pode ser verificada na figura a seguir. Identifique a sua localização e acompanhe as características de cada formação fitogeográfica brasileira. FORMAÇÕES FITOGEOGRÁFICAS BRASILEIRAS 6 1 1 Fioresta Amazônica 3 2 Mata Atlântica 3 Mata dos Cocais 5 4 Floresta de Araucária 5 Caatinga 6 6 Cerrado 8 7 Campos 8 Pantanal 2 9 Mangue 4 7 Floresta Amazônica ou Amazônica clima muito quente e chuvas constantes caracterizam a floresta do tipo pluvial tropical. A transpiração intensa das folhas não só garante a umidade no interior da floresta, como também influi na ocorrência de chuvas, juntamentecom a evaporação da água dos rios que cortam a floresta. As espécies vegetais formam andares ou estratos de vegetação, de acordo com suas alturas. As mais altas são as grandes árvores com mais de 30 metros de altura, cujas copas procuram a luz solar para a fotossíntese. Outras plantas crescem sobre as mais altas, em busca de luz. São as epífitas, como bromélias, orquídeas e samambaias. Elas não prejudicam a planta que lhes serve de apoio. Apenas absorvem a umidade da casca e os sais minerais provenientes da decomposição de folhas que caem sobre os ramos. Por ser tão rica em número e diversidade de espécies, poderíamos deduzir que o seu solo é originalmente rico em sais minerais. No entanto, se não fosse a floresta, o solo seria pobre em nutrientes. Vejamos a explicação para isto. No solo há a decomposição dos restos de vegetais e animais, que forma uma camada fértil de humo (adubo na- tural), que contém sais minerais que serão absorvidos pelas plantas. A floresta se auto-sustenta, numa reciclagem constante. Além disso, o solo arenoso e raso obriga as raízes das plantas a se espalharem mais na horizontal do que na vertical. Assim, as raízes também colaboram para a retenção das partículas do solo. Com o crescimento populacional, agricultores chegam cada vez em maior número à Amazônia. Desmatam áreas da floresta para suas plantações e então os sais minerais logo se esgotam. A área é abandonada pela procura de outra, que também será desmatada. As chuvas então, provocam erosão no solo desprotegido. Outras áreas são desmatadas para comercialização da madeira, para implantação de projetos de exploração de minerais, para garimpos e outros. Inúmeras espécies são destruídas, entre elas espécies medicinais, conhecidas pelos povos da floresta, índios e extrativistas que coletam o látex das seringueiras, os frutos das castanheiras, do guaraná, etc. Supõe-se que existam inúmeras espécies medicinais, ainda desconhecidas. As espécies vegetais estão adaptadas à época das cheias, quando a floresta fica parcialmente submersa nas várzeas que acompanham os rios. Uma vegetação que dispõe de tanta umidade é do tipo higrófila, com final cutícula nas folhas, que não apresentam pêlos nem espinhos, pois não precisam se proteger contra a perda de água por transpiração. Mata Atlântica ou Mata Costeira Como o nome sugere, esta mata deveria acompanhar o perfil de toda a costa atlântica brasileira. Originalmente era assim, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, começando no litoral, avançando pelas montanhas e entrando para o interior. Desde a colonização do Brasil esta mata vem sendo destruída e hoje só resta 8% da mata original, concentrada principalmente na Serra do Mar. Em muitos trechos a mata está desprovida da vegetação devido ao desmatamento; como sofre desmoronamentos e erosão, atingindo as cidades nas proximidades da serra. A Mata Atlântica é também uma floresta pluvial tropical, com espécies higrófilas, com abundância de musgos e samambaias gigantes (samambaiaçus). A umidade deve-se às montanhas que retêm os ventos que trazem o vapor de água formado nos mares. Entre as espécies arbóreas, o famoso pau-brasil era abundante mas hoje restam poucos nas áreas de preser- vação ambiental. Entre as espécies mais conhecidas, citamos os jatobás, canelas, quaresmeiras, jequitibá rosa, a palmeira que fornece o palmito, etc. Também são muito abundantes as bromélias e outras epífitas. Caatinga É uma vegetação típica do clima semi-árido que caracteriza regiões do Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Bahia. As Plantas apresentam adaptações ao clima seco e quente. Assim, nas cactáceas as folhas se transformaram em espinhos, para evitar a perda de água por transpiração. A fotossíntese é feita por caules com tecidos verdes e suculentos, com reserva de água. Há ainda arbustos e árvores pequenas que em geral, perdem suas folhas na estação seca, para evitar a transpiração. Estas adaptações são características de plantas xerófilas (xerós = seco, secura). Mata de Cocais Abrange regiões dos estados do Maranhão e Piauí, entre a Floresta Amazônica e a caatinga. Nesta mata predo- minam as palmeiras conhecidas como babaçu e a carnaúba, de grande valor econômico para a região, pois represen-tam matéria-prima para a cera de carnaúba e para o óleo de babaçu. Campos: cerrados e pampas Os campos conhecidos como cerrados aparecem na região centro-oeste do Brasil. A seca é prolongada e a vege- tação adaptou-se a ela. Caracteriza-se por arbustos e árvores baixas, com galhos retorcidos e angulosos e casca grossa; as folhas são espessas e endurecidas, devido à cutícula grossa. Muitas espécies apresentam folhas cobertas por pêlos que retêm uma camada de ar, com efeito isolante contra o calor. Apesar da seca, o solo é úmido à medida que se aprofunda, existindo lençóis de água (depósitos naturais e sub- terrâneos de água). Assim, muitas espécies do cerrado têm raízes profundas. Uma árvore típica do cerrado é o ipê amarelo, que perde suas folhas na época de floração. Outros campos, conhecidos como pampas, apresentam muitas que cobrem grandes extensões no Rio Grande do Sul. Essa vegetação estimula a criação de gado, com a formação de extensos pastos. Mata de Araucárias Vegetação que caracteriza o clima subtropical do sul do Brasil, com estações do ano bem definidas e chuvas re- gulares, verão mais ameno e inverno rigoroso. A espécie mais comum é o pinheiro-do-paraná, cujo nome científico, Araucaria angustifolia, originou o nome da mata. Suas sementes, que são os pinhões, são comercializadas e usadas como alimento. Os pinheiros possuem troncos muito altos e suas ramificações só existem no topo. Daí, possuírem grande valor comercial para a indústria madeireira, que vem contribuindo para a sua devastação, num ritmo tão intenso que não permite a renovação deste recurso natural. Com as copas muito altas, a floresta é mais aberta que a mata pluvial tropical, menos úmida e com poucas epífitas. Pantanal É um tipo de vegetação localizada nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e que continua pelo Paraguai e Bolívia. Durante o período de chuvas (de outono a março), ocorre a cheia da bacia do Rio Paraguai quando grandes extensões de terra são inundadas. Após este período, a terra reaparece, mas muitas regiões continuam inundadas, for- mando grandes lagoas, ricas em matéria orgânica trazida pelas águas dos rios. A vegetação é mista e complexa, podendo ocorrer na formação de campos, de cerrados e de mata mais fechada acompanhando as margens dos rios (mata ciliar). São comuns palmeiras como o buriti. Há plantas aquáticas como aguapé, vitória-régia e taboa, esta última, típica nos brejos. São abundantes as aves, em das muitas espécies de peixes. Jacarés, jabutis e grandes cobras como a sucuri, capivaras e pacas são animais típicos desta região inundada. Mangue Apresenta-se distribuído nas regiões costeiras, próximas a estuários de rios. É uma região sujeita à ação das marés e assim, as árvores caracterizam-se pelas raízes-escora que aumentam sua estabilidade e as mantêm firmes sobre o fundo lamacento. Outras espécies apresentam raízes que se projetam para cima da água, com a função de captar oxigênio e por isso são denominadas raízes respiratórias ou pneumatóforos. solo é rico em nutrientes minerais trazidos pelos rios e originados pela decomposição dos restos orgânicos. Conseqüentemente, é útil para muitas espé- cies animais que aí se desenvolvem. Larvas de inúmeras espécies, animais aquáticos vivem nestas águas calmas, rasas, quentes e ricas em nutrientes. o HOMEM E A BIOSFERA: CONSERVAÇÃO E POLUIÇÃO nosso planeta está sujeito a variações climáticas naturais que não podem ser evitadas pelo ser humano. No entanto, com o progresso, o homem vem alterando significativamente as condições do meio ambiente, de forma não- natural, prejudicando os seres vivos e a si próprio. A maioria das ações humanas são imediatistas, isto é, visam um resultado imediato, ignorando asa médio e longo prazo. Assim, em nome do progresso, da necessidade de matéria-prima, da sociedade consumista, vamos destruindo o ambiente deste planeta onde as condições essenciais à vida são únicas e especiais, comparando- se com os demais planetas do sistema solar. abandono social e econômico de muitos países vem contribuindo para o aumento excessivo da miséria. A po- pulação aumenta assustadoramente e, na luta pela sobrevivência, explora-se todos os recursos naturais renováveis sem, no entanto, dar-se tempo para esta renovação. Nas últimas quatro décadas, vem aumentando a preocupação com a qualidade de vida e condições do meio ambiente. Algumas medidas têm sido tomadas: criaram-se leis de proteção ao meio ambiente e às espécies vivas, com legislação própria desde o nível municipal até o federal; temas sobre educação ambiental são apresentados e discutidos com os estudantes; organizações não-governamentais (ONG's) vêm pressionando os governos a incluirem em seus planejamentos, projetos de preservação ambiental, estudos de impacto no meio ambiente, criação e execução de leis e outras medidas que contribuam para a qualidade de vida desta e das futuras gerações. Com o maior conhecimento e estudo das relações ecológicas entre os seres e das interações das espécies com o meio ambiente, vem crescendo o respeito e o interesse. Vejamos algumas alterações provocadas pelo ser humano no meio ambiente e que prejudicam a qualidade do ar, solo e água, dos quais todos dependemos. Poluição Chamamos de poluição o resultado da ação de substâncias presentes no ambiente em quantidade excessiva ou que, mesmo em pequena quantidade, são prejudiciais à vida. A maioria destas substâncias não são naturais, isto é, são substâncias sintetizadas pelas indústrias químicas. São chamadas de poluentes e contaminam os seres vivos através do ar, da água ou do No entanto, o termo poluição pode ser mais amplo, como por exemplo, quando consideramos a poluição sonora como uma agressão, com sérios prejuízos à saúde física e mental. Poluição do ar Resíduos industriais em forma de sólidas, cinzas das queimadas e de amianto afetam direta- mente nossa saúde, causando distúrbios respiratórios. Além das sólidas, há inúmeros gases nocivos. Entre estes, destaca-se o monóxido de carbono (CO), produzido na combustão incompleta de combustíveis como gasolina, óleo, carvão e gás natural. Este gás combina-se definitivamente com a hemoglobina do sangue, impedindo que esta se combine e transporte oxigênio pelo nosso corpo e pulmões. Da energia solar que chega à Terra, parte é usada para a parte é absorvida pela atmosfera, pelo solo e corpos materiais, usada para a evaporação e parte é refletida, sendo devolvida ao espaço. Por outro lado, a queima de combustíveis pelas indústrias, pelos meios de transporte e pelas queimadas, provo- cam um excesso de gás carbônico na atmosfera. Este excesso forma uma camada de gás que absorve e prende a energia que deveria ser devolvida ao espaço, provocando um aumento médio da temperatura em todo o planeta. Teme-se que este aumento de temperatura provoque o degelo das calotas polares e dos icebergs (grandes blocos de gelo flutuantes), o que causaria aumento no nível da água, cobrindo cidades e ilhas. Nas altas altitudes da atmosfera, existe uma grande quantidade de gás ozônio (O3), conhecida como camada de ozônio. Esta, absorve as radiações ultra-violeta do sol, prejudiciais a todos os seres vivos. As radiações ultra-violeta (UV) afetam os cloroplastos das plantas e assim, afetam a fotossíntese e toda a cadeia alimentar, além de causar câncer em animais e Porém, o uso de substâncias gasosas conhecidas como CFC (com os elementos destróem as moléculas de ozônio da atmosfera. Assim, formam-se grandes áreas na atmosfera, onde há pouco ozônio e as radia- ções UV passam livremente e atingem os seres vivos. Estas áreas com baixa concentração de ozônio, são conhecidas como 'buracos na camada de ozônio'. As substâncias com CFC são usadas na indústria de refrigeração (freezer, geladeira e condicionador de ar), nos aerossóis (embalagens tipo 'spray') e na expansão de espumas e isopor, entre outros. Alguns acordos internacionais determinaram uma substituição progressiva no uso do CFC, existindo já as geladeiras que não usam este gás. Uma outra da presença de gases poluentes é a chuva ácida. Todo combustível de origem orgânica como o petróleo ou carvão, quando são queimados liberam muitos produtosquímicos com enxofre e nitrogênio. Estes se transformam em dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, reagem com o vapor de água da atmosfera e caem finalmente em forma de ácidos de enxofre e de nitrogênio, tornando a água da chuva extremamente ácida. Esta chuva é prejudicial aos seres vivos e tem destruído grandes áreas de florestas, plantações e afetado as cadeias alimenta- res, inclusive de lagos que chegam a apresentar total ausência de vida, devido à acidez de suas águas. gás carbônico também contribui para a formação de ácidos. Não podemos nos esquecer que até no degelo da neve, forma-se água ácida. As substâncias que saem dos escapamentos dos veículos, resultantes da queima dos combustíveis, também con- têm vários produtos de enxofre e nitrogênio. mesmo acontece com indústrias e usinas termoelétricas que obtêm ener- gia da combustão. São necessárias medidas preventivas, a nível mundial, para a obrigatoriedade de filtros e cata- lisadores nas indústrias e nos escapamentos, bem como o uso racional das fontes de energia, diminuindo sua demanda. A melhoria do transporte coletivo nas grandes cidades também possibilitaria menor quantidade de veículos nas ruas e conseqüente melhoria da qualidade do ar. Poluição da Água Está claro que a chuva ácida também contamina a água, embora se forme na atmosfera, como estudamos pouco antes. Vejamos outros tipos de contaminação da água. As indústrias lançam nos rios resíduos de metais pesados como chumbo e mercúrio, ácidos, amônia e todo tipo de substâncias, na maioria das vezes sem nenhum tratamento. Na agricultura são amplamente usados herbicidas, inseticidas e pesticidas que, além de contaminar as plantas, contaminam o solo e demais seres vivos e, são arrastados para os rios, através das corredeiras formadas pelas chuvas. uso de adubos químicos na agricultura também colabora para o aumento da poluição. Adubos de nitratos e fosfatos são carregados para lagos e rios, possibilitando um ritmo intenso de reprodução de algas, com tanta fartura de nutrientes. Sua população aumenta tanto que morrem. Bactérias decompositoras então proliferam assustadoramente, consumindo todo o oxigênio da água e provocando a morte de todos os componentes da cadeia alimentar. Os esgotos domésticos não tratados, contaminam as águas com parasitas causadores de inúmeras doenças, como cólera, verminoses e hepatite. Contaminando a água, contaminam indiretamente alimentos que serão regados com esta água. Finalizando, devemos nos lembrar das águas dos mares que recebem todos os rios e substâncias tóxicas. Nos mares, um dos maiores problemas são os derramamentos de petróleo, que afetam as cadeias alimentares. Além disso, são detectadas grandes quantidades de metais pesados lançados como resíduos das indústrias químicas. Os metais pesados são assimilados pelo fitoplâncton e contaminam toda a cadeia alimentar, concentrando-se mais nos seres do final da cadeia. Tornou-se famoso um acidente que ocorreu no Japão, na baía de Minamata. Uma indústria lançou mer- cúrio no mar, que foi assimilado pelos seres marinhos, concentrando-se no final das teias alimentares, nos peixes. Ao serem comidos pela população, contaminou milhares de pessoas, causando a morte de dezenas. mercúrio causa dis- túrbios neurológicos, perda de coordenação, cegueira, loucura e morte. Poluição do Solo solo é afetado em da poluição do ar e da água, uma vez que recebe substâncias vindas por estes meios. Recebe diretamente substâncias químicas dos adubos, inseticidas e herbicidas. lixo das indústrias e o lixo doméstico também são fontes de poluição para o solo, chamando a atenção os duos de metais pesados das pilhas jogadas no lixo e a proliferação de microrganismos do lixo, que causam doenças. Finalizando, queremos lembrar que a poluição produzida num determinado lugar, sempre acaba atingindo outros, por mais longe que se encontrem. Assim, o vento carrega e substâncias nocivas; a água contamina um rio e acaba contaminando o mar. Acidentes em usinas nucleares têm espalhado materiais radioativos por todo o mundo. É claro que chegam em menor quantidade quanto mais longe estiverem, mas o perigo existe e não pode ser ignorado. É importante que se divulgue e aumente o conhecimento sobre os problemas ambientais, para que as popu- lações pressionem os governos a tomarem decisões preventivas e conservacionistas em benefício de todos os seres que habitam a Terra. Não temos o direito de destruir o meio ambiente em prejuízo das gerações futuras. Temos o dever de protegê-lo, respeitá-lo e lutar por sua qualidade. Afinal, dependemos dele e a Terra é o único e maravilhoso lugar que temos para viver.EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR Assinale um (X) na única alternativa correta que comple- 4. (Santa Casa SP) De acordo com as definições ta o significado das frases no início de cada questão. expostas na questão anterior, uma baleia, um proto- zoário e um crinóide são, respectivamente: 1. "Com o passar do tempo, ocorre uma série de mudan- ças na comunidade biótica que ocupa uma certa região, a) ( ) planctônica, nectônico e bentônico. até o estabelecimento de uma comunidade b) ( ) nectônica, nectônico e planctônico. c) ( bentônica, planctônico e nectônico. significado desta frase está relacionado à d) ( ) bentônica, nectônico e planctônico. a) adaptação. e) (X) nectônica, planctônico e bentônico. b) mutação. Comentário: Lembramos que os protozoários são c) ( ) evolução. d) (X) sucessão. unicelulares e incapazes de nadar livremente, vencendo o movimento da água; pelo contrário, são levados por 2. (PUC SP) Em determinada área, foram colhidos os ela. Os crinóides são os lírios-do-mar, do filo dos equino- seguintes dados: dermas, que em geral vivem fixos no fundo ou em rochas submersas. 1 Temperatura média anual elevada. 2 Umidade relativa do superior a 5. Entre os biomas apresentados a seguir, assinale 3 Vegetação formada principalmente por árvores de aquele que se caracteriza por apresentar baixas grande, médio e pequeno porte; presença de epífitas. temperaturas, solo permanentemente congelado logo abaixo da superfície, com líquens, musgos e plantas her- De posse desses dados, pode-se concluir que a área báceas: estudada é: a) ( ) uma floresta montanhosa. b) ( ) uma floresta de coníferas. a) ( ) estepe. c) um cerrado. b) ( ) floresta pluvial. d) (X) uma floresta pluvial tropical. c) (X) tundra. e) ( ) uma estepe. d) ( floresta temperada. 3. (Santa Casa SP) Os animais marinhos: 6. (UERJ) Uma comunidade climax caracteriza-se 1° que flutuam e são movidos passivamente pelos ven- a) (X) por uma sucessão de comunidades em uma deter- tos, ondas e correntes; minada área. 2° que nadam livremente por atividade própria; b) ( por um aumento das relações de competição em de- 3° que são restritos ao fundo; trimento das relações de cooperação entre as espécies. são, ecológica e respectivamente referidos como: c) ( ) pelo seu desenvolvimento em curto prazo de a) (X) planctônicos, nectônicos e bentônicos. tempo. b) planctônicos, bentônicos e d) ( pela exaustão das reservas abióticas de sua área. c) ( ) nectônicos, bentônicos e planctônicos. e) ( ) pela reprodução, sem substituição de espécies, de d) ( ) nectônicos, planctônicos e bentônicos. seus componentes bióticos e pelo controle limitado do e) ( ) bentônicos, planctônicos e nectônicos. ambiente. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER 1. A chuva ácida é provocada b) ( ) pela combinação de óxidos de enxofre e ni- trogênio com o vapor de água da atmosfera, formando a) pela formação de ácidos no solo, carregados pela chuva. ácidos.c) ( ) pela formação de ácidos por certas bactérias que 4. Dos gases abaixo, qual o relacionado diretamente ao vivem na água. estufa'? d) ( ) pela água evaporada e contaminada com ácidos do solo. a) ( ) gás carbônico. b) ( ) monóxido de carbono. 2. A camada de ozônio é importante pois c) ( ) gás nitrogênio. d) ( ) gás ozônio. a) ( ) evita a formação de chuva ácida na atmosfera. b) ( ) forma um buraco na atmosfera que deixa passar a 5. A do é luz solar para a c) ( ) retém as radiações ultra-violeta do sol, prejudiciais a) ( ) a formação de ácido carbônico, a partir da combi- aos seres vivos. nação do gás carbônico com a água. d) ( ) está muito alta na atmosfera, não sendo atingida por b) ( ) a diminuição da temperatura média da Terra. nenhuma substância produzida no planeta. c) ( ) o aumento da temperatura média da Terra. d) ( ) o impedimento da passagem dos raios ultra-vio- 3. Um perigoso inseticida foi carregado pela água da leta. chuva e contaminou um lago. Após algum tempo, o grupo de seres vivos que apresentará maior concen- 6. A formação de buracos na camada de ozônio deve-se tração das substâncias nocivas do inseticida será o grupo a) ( ) à sua destruição pela chuva ácida. b) ( ) à sua destruição pelo aumento da temperatura a) ( ) dos peixes ocasionado pelo b) ( ) dos peixes c) ( ) à destruição da camada de ozônio pelos gases c) ( ) do zooplâncton. de substâncias genericamente conhecidas como CFC. d) ( ) do fitoplâncton. d) ( ) à queima dos combustíveis fósseis. CHAVE DE RESPOSTAS 1. A chuva ácida é provocada terão maior concentração de substâncias tóxi- cas em seu organismo. b) (X) pela combinação de óxidos de enxofre e nitrogênio Os últimos consumidores nas teias alimentares rece- com o vapor de água da atmosfera, formando ácidos. bem toda substância acumulada nos níveis alimentares anteriores. 2. A camada de ozônio é importante pois 4. Dos gases abaixo, qual o relacionado diretamente ao c) (X) retém as radiações ultra-violeta do sol, prejudiciais estufa'? aos seres vivos. a) (X) gás carbônico. 3. Um perigoso inseticida foi carregado pela água da chuva e contaminou um lago. Após algum tempo, o grupo 5. A do "efeito estufa" é: de seres vivos que apresentará maior concentração das substâncias nocivas do inseticida será o grupo c) (X) aumento da temperatura média da Terra. a) (X) dos peixes carnivoros. Comentário: fitoplâncton se contamina e o 6. A formação de buracos na camada de ozônio deve-se formado por pequenos animais e larvas que se alimentam filtrando a água, também se contamina. Os peixes c) (X) à destruição da camada de ozônio pelos gases de que se alimentam do zooplâncton e dos peixes substâncias genericamente conhecidas como CFC.