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Instituto de Física de São Carlos 7600109 - Laboratório de Física Geral I Relatório Experimental 4 Movimento Unidimensional Larissa Piazentin Dantas - 13782327 Isadora Jamile Silva Fincatto - 12745549 Diego Nince e Marques - 15636077 Docente: Prof. Henrik Bradtmüller São Carlos - 2025 Objetivos: Esta prática teve como objetivo analisar as condições de equilíbrio estático em três sistemas mecânicos distintos. No primeiro experimento, investigamos o equilíbrio de um ponto material em um sistema com duas polias fixas e três massas suspensas, determinando a massa de dois dos corpos a partir dos ângulos formados pelas cordas tensionadas. No segundo experimento, medimos a força de ruptura de um fio de algodão submetido à tração por dois métodos: variando-se gradualmente o ângulo de inclinação de um suporte móvel e aplicando diretamente massas suspensas. Por fim, no terceiro experimento, determinamos o coeficiente de atrito estático entre um bloco de madeira com diferentes revestimentos e um plano inclinado, identificando o ângulo crítico de deslizamento. Materiais e métodos: Parte 1 - Sistema de polias. O primeiro experimento é baseado em um sistema de polias, composto por três massas, com valores medidos a partir de uma balança de precisão, as quais estão suspensas em um conjunto de polias, presas a um suporte fixo. No ponto A, ocorre a interação entre as três forças de tração das cordas, de forma a possibilitar a aplicação da condição de equilíbrio que é expressada pelas fórmulas: (1) 𝑖=1 𝑛 ∑ 𝐹 1 → = 0 (2) 𝑖=1 𝑛 ∑ 𝑟 𝑖 → × 𝐹 𝑖 → = 0 Assim é possível medir os ângulos α e γ diretamente com um transferidor. Figura 1 Figura 1: Representa o sistema de polias que foi utilizado ao longo do experimento 1. A partir das massas e dos ângulos medidos, pode-se verificar se a condição de equilíbrio (1) é satisfeita. Parte 2 - Tensão de ruptura de uma corda. Nesta parte do experimento utilizou-se um aparato que permitiu a realização de dois experimentos com os fios, no primeiro deles uma seção de fio com comprimento L foi fixado de modo a formar a aresta (AC) de um triângulo, que possuía uma segunda lateral de comprimento fixo (BA) e uma outra de comprimento variável (CB). Uma massa M invariante foi aplicada na aresta A e em seguida a lateral CB foi reduzida gradativamente e o comprimento L foi medido constantemente, a fim de encontrar o seu comprimento final logo antes da ruptura. Figura 2 Figura 2: Representa a configuração utilizada para medir a tensão de ruptura do fio, no experimento 2 desta prática. A medida do comprimento no instante da ruptura, juntamente com o 𝐶𝐵 comprimento final L, foi registrada, e o experimento foi repetido um total de cinco vezes. A massa M utilizada foi previamente selecionada a partir de uma tentativa inicial de ruptura, garantindo que fosse suficiente para romper o fio nas repetições subsequentes. Os dados obtidos permitiram calcular a tensão T à qual o fio foi submetido no momento da ruptura, utilizando-se a equação: (3) 𝑇 = 𝑚𝑔𝐿 𝐶𝐵 Os valores experimentais foram organizados na Tabela 1, e a média das tensões, juntamente com sua incerteza, foi determinada e apresentada na seção seguinte. O segundo método para determinar a tensão de ruptura do fio foi realizado utilizando o mesmo aparato mecânico, porém em configuração distinta. Nessa etapa, uma seção de aproximadamente 15 cm do fio era mantida suspensa verticalmente, e massas metálicas de valores crescentes eram adicionadas gradualmente à sua extremidade livre até ocorrer a ruptura. Após cada rompimento, as massas utilizadas eram recolhidas em um balde com amortecedores de espuma e, em seguida, pesadas em uma balança de precisão. Esse procedimento foi repetido cinco vezes. As massas medidas foram multiplicadas pela aceleração da gravidade (g=9,81 m/s) para calcular a tensão correspondente à ruptura. Por fim, foi calculado o valor médio das tensões obtidas, permitindo sua comparação com os resultados do primeiro método. Figura 3 Figura 3: Representa a configuração utilizada para medir a tensão de ruptura do fio, no experimento 2 desta prática. Parte 3: Coeficiente de atrito estático No último experimento, voltado para o estudo do coeficiente de atrito estático, utilizou-se uma base com superfície de fórmica sobre a qual foi colocado um corpo cujas faces eram revestidas parcialmente com fórmica e parcialmente com feltro. Cada material entrava em contato com uma superfície distinta da base. A inclinação da base foi aumentada gradualmente até que o corpo iniciasse o deslizamento. O ângulo crítico de inclinação, correspondente ao início do movimento, foi medido com o auxílio de um transferidor. Figura 4 Figura 4: Representa a configuração do plano inclinado utilizado no experimento 3 desta prática, no qual foi medido o coeficiente de atrito entre as superfícies da massa deslizante e do plano inclinado. É possível utilizar a fórmula abaixo para calcular o coeficiente de atrito estático para cada um dos ângulos medidos. (4) µ = 𝑡𝑎𝑛 (θ) Resultados e Discussão: Parte 1 - Sistema de polias. Neste primeiro experimento, três massas são dispostas conforme o sistema apresentado na figura 1. Como os fios e as polias são considerados ideais, as trações das cordas nas extremidades são transmitidas de maneira equivalente por toda a corda; de tal forma que a massa central fica sujeita a três forças: duas do tipo tração, uma proveniente da corda da esquerda e a outra da que está a direita, e uma força peso. Assim, utilizando o diagrama de forças a seguir, foi possível realizar os cálculos, considerando a primeira lei de Newton, ou seja, o somatório de forças é nulo, e encontrar o valor das trações. Figura 5 Os ângulos α e γ são, respectivamente, 45 e 34 graus. A partir deles, juntamente com o auxílio do diagrama a seguir, foi possível deduzir as seguintes relações matemáticas: (5) 𝑚 3 = 𝑚 2 𝑠𝑒𝑛(α±∆θ) 𝑠𝑒𝑛((α+γ)±2∆θ) (6) 𝑚 1 𝑠𝑒𝑛 γ = 𝑚 3 𝑠𝑒𝑛 α = 𝑚 2 𝑠𝑒𝑛 (α+γ) (7) 𝑇 3 𝑠𝑒𝑛 α = 𝑇 1 𝑠𝑒𝑛 γ = 𝑇 2 𝑠𝑒𝑛 (α +γ) (8) 𝑇 2 = 𝑚𝑔 ± 𝑔∆𝑚 A partir das equações acima, foi possível calcular os valores das massas e 𝑚 1 , além das trações exercidas por cada fio, e . A massa 𝑚 3 𝑇 1 𝑇 3 𝑚 2 = (72, 7 ± 0, 01)𝑔 foi utilizada como referencial, de tal forma que três corpos distintos foram utilizados no lugar desse referencial, mantendo os valores de ângulos os mesmos. Experimentalmente, tem-se que os valores das massas e são, 𝑚 1 𝑚 3 respectivamente, e . A partir dos cálculos (42, 30 ± 0, 01)𝑔 (54, 60 ± 0, 01)𝑔 realizados com a massa de se obteve um valor de , assim 𝑚 2 𝑚 1 = (41, 10 ± 0, 01)𝑔 como o valor de . O que se configura de maneira aproximada 𝑚 3 = (52, 00 ± 0, 01)𝑔 daquele testado experimentalmente. Ou seja, o estudo da estática está condizente com aquela observada de forma experimental. Com as observações acima, pode-se concluir os valores das trações , e 𝑇 1 𝑇 2 : 𝑇 3 𝑇 1 = 406, 3 ± 0, 1 𝑇 2 = 713, 2 ± 0, 1 𝑇 3 = 513, 7 ± 0, 1 Parte 2 - Tensão de ruptura de uma corda. Neste experimento, foi inicialmente fixada uma massa de valor m=(568,3±0,1) g, conforme mostra a Figura 2. Considerando os fios como ideais (sem massa e sem atrito), a tração é distribuída de maneira uniforme ao longo de toda a corda, tal como no Experimento 1. Dessa forma, foi possível determinar a tração no fio no momento imediatamente anterior à ruptura, utilizando a Equação 3 em conjunto com as seguintes fórmulas estatísticas: Valor médio da tração: 𝑇 = ∑𝑇 𝑁 Desvio absoluto médio: ∆𝑇 = ∑ 𝑇−𝑇| | 𝑁 Tabela 1 Comprimento de CB (± 0,1 cm) L final (± 0,1 cm) Tensão de ruptura do fio (N) 𝑇 − 𝑇| | 14,9 18,7 6,997 1,109 10,0 16,1 8,976 0,87010,6 13,3 6,995 1,111 10,7 15,7 8,180 0,074 10,1 17,0 9,384 1,278 A média das tensões foi calculada em seguida utilizando a equação 3, juntamente da sua incerteza, onde obtemos: 𝑇 𝑚é𝑑𝑖𝑎 = (8, 1 ± 0, 1) 𝑁 Em sequência realizou-se a segunda seção do experimento, como explicado na seção anterior. As massas que ocasionaram a ruptura do fio assim como as tensões calculadas estão apresentadas a seguir: Tabela 2 Massa responsável pela ruptura. (± 0,1 g) Tensão de ruptura do fio (± 0,001 N) 1021,9 10,025 981,6 9,629 832,9 8,171 993,4 9,745 1036,7 10,170 Novamente foi calculado o valor médio das tensões de ruptura juntamente de sua incerteza, cujo resultado foi: 𝑇 𝑚é𝑑𝑖𝑎 = (9, 548 ± 0, 001) 𝑁 Os diferentes valores de Tensão média podem então ser comparados seguindo os protocolos de comparação de dados com incerteza. Note que o módulo da diferença entre as tensões ultrapassa o valor de três vezes a soma das incertezas, ou seja: |8, 1 − 9, 548| > 3 · (0, 1 + 0, 001) 1, 448 > 0, 303 Portanto podemos afirmar que apesar dos resultados serem relativamente próximos os valores de tensão encontrados não podem ser considerados equivalentes. Por consequência, também podemos afirmar que os métodos utilizados para obter as tensões de ruptura também não são equivalentes entre si, visto que na primeira configuração ocorreu um ajuste mais fino em relação ao incremento de tensão aplicada no fio de algodão por conta do aparato utilizado que permitia a redução gradativa do comprimento . Apesar disso o fio de algodão também 𝐵𝐶 apresentava dilatação que aumentava com a tensão aplicada e era impossível obter seu comprimento final instantaneamente antes da ruptura, portanto os dados de podem ser menores que os comprimentos reais de antes da quebra. 𝐿 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝐿 Já no segundo método os incrementos de tensão eram mais grosseiros pois dependiam do conjunto de massas disponíveis no laboratório, ou seja, a massa adicionada que ocasionou a ruptura pode representar perfeitamente o valor necessário para ruptura assim como um valor maior que ele. Também é importante levar em consideração que o fio de algodão não era perfeitamente uniforme, podendo quebrar com mais ou menos força dependendo do trecho escolhido, o que explica as diferenças em tensões vistas dentro de cada experimento. Parte 3 - Coeficiente de atrito estático. Neste terceiro experimento, foi utilizado um plano inclinado com duas superfícies de contato distintas: uma de fórmica e outra de feltro. Um bloco, com uma de suas faces revestida de fórmica e a outra de feltro, foi posicionado sobre cada uma dessas superfícies em momentos distintos. Em seguida, o ângulo de inclinação do plano foi aumentado gradualmente até que o bloco atingisse a iminência de movimento. O ângulo crítico θc , correspondente ao início do deslizamento, foi registrado em cada repetição. Com os valores de θc , o coeficiente de atrito estático μe foi calculado para cada caso utilizando a seguinte relação: µ𝑒 = 𝑡𝑎𝑛(θ𝑐) As seguintes equações também foram consideradas: ● Força máxima de atrito: 𝐹 𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑚á𝑥 = 𝑚𝑔 𝑠𝑒𝑛(θ) ● Normal: 𝑁 = 𝑚𝑔 𝑐𝑜𝑠(θ) ● Condição de equilíbrio antes do deslizamento: 0 ≤ 𝐹 𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 ≤ 𝐹 𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑚á𝑥 Tabela 3 - Superfície de contato fórmica i θ𝑐(°) ± 1° µ𝑒 µ𝑒 − µ𝑒| | 1 15 0,268 0,007 2 15 0,268 0,007 3 14 0,249 0,026 4 17 0,306 0,031 5 14 0,249 0,026 6 15 0,268 0,007 7 15 0,268 0,007 8 16 0,287 0,012 9 15 0,268 0,007 10 14 0,249 0,026 11 16 0,287 0,012 12 16 0,287 0,012 13 15 0,268 0,007 14 15 0,268 0,007 15 15 0,268 0,007 16 16 0,287 0,012 17 17 0,306 0,031 18 15 0,268 0,007 19 16 0,287 0,012 20 16 0,287 0,012 ● ∆µ𝑒 = 0, 014 ● µ = 0, 275 ● µ𝑐 = (0, 28 ± 0, 01) A partir das equações citadas anteriormente, chega-se ao valor de atrito estático entre duas superfícies fórmicas de 0,28 ± 0,01. Tabela 4: Superfície de contato feltro i θ𝑐(°) ± 1° µ𝑒 µ𝑒 − µ𝑒| | 1 25 0,466 0,024 2 24 0,445 0,045 3 27 0,510 0,020 4 25 0,466 0,024 5 23 0,424 0,066 6 27 0,510 0,020 7 28 0,532 0,042 8 27 0,510 0,020 9 25 0,466 0,024 10 28 0,532 0,042 11 27 0,510 0,020 12 26 0,488 0,002 13 27 0,510 0,020 14 26 0,488 0,002 15 26 0,488 0,002 16 25 0,466 0,024 17 26 0,488 0,002 18 29 0,554 0,064 19 25 0,466 0,024 20 26 0,488 0,002 ● ∆µ𝑒 = 0, 024 ● µ = 0, 490 ● µ𝑐 = (0, 49 ± 0, 02) A partir das equações citadas anteriormente, chega-se ao valor de atrito estático de 0,49 ± 0,02 entre uma superfície fórmica e uma superfície de feltro. Dessa forma, observa-se que quanto maior o coeficiente de atrito estático entre superfícies, maior força de contato entre as mesmas, impossibilitando escorregamento. No caso, como tal coeficiente superfície de contato feltro é maior que na superfície fórmica, o ângulo inclinação suportado entre plano o bloco na primeira situação, sem que haja escorregamento, é maior que na segunda situação. Conclusão: Nesta prática, foi discutido, enquanto tema maior, a parte que engloba campo da mecânica, mais especificamente a “Estática”. Em que,como é nítido todos os experimentos aqui apresentados, o “Princípio da Inércia”, ou seja, a Primeira Lei de Newton, é mecanismo regente a todas as situações. No primeiro experimento, os cálculos feitos para determinação das trações nos fios e das massas nas extremidades do sistema de polias levaram em consideração o fato de que os corpos estavam em repouso. Além disso, no segundo experimento, a tensão de ruptura do fio foi determinada duas situações, nas quais o sistema estava na iminência de sair estado "Estático”. Por fim,no terceiro experimento, o método para se encontrar os dois coeficientes de atrito estático foi o mesmo segundo, pois o plano inclinado foi elevado até o escorregamento da massa pontual. Dessa forma, levando em consideração que o atrito, os fios, sistemas de massas com contra-pesos, como elevadores, por exemplo, estão presentes no cotidiano de todas as pessoas; o que denota a importância da “Mecânica” e, principalmente, da “Estática”. Bibliografia: ● Halliday, D., Resnick, R., Walker, J.. Fundamentos de Física. Vol. 1. LTC; ● Tipler, P. A., Mosca, G.. Física para Cientistas e Engenheiros. Vol. 1. LTC; ● Young, H. D.; Freedman, R. A.. Sears and Zemanski Física I. 12. ed. São Paulo: Addison Wesley, 2008; ● Laboratório de Física I: livro de práticas/compilado por José F. Schneider, São Carlos: IFSC - USP, 2017; Objetivos: Parte 1 - Sistema de polias. Figura 1: Representa o sistema de polias que foi utilizado ao longo do experimento 1.