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DESCRIÇÃO Glândulas hipófise, tireoide e suprarrenal: funções e condições; fatores patológicos associados às alterações e principais achados laboratoriais dos hormônios sexuais, da gravidez, pancreáticos e metabolismo ósseo. Principais marcadores tumorais. PROPÓSITO Conhecer os principais mecanismos de ação e regulação das funções glandulares e seus marcadores séricos, do metabolismo mineral e ósseo, em seus estados basais e com alterações em condições patológicas. Conhecer os métodos usados para o diagnóstico de condições patológicas e apresentar os marcadores tumorais. Tal conhecimento é importante para que o profissional tenha propriedade de suas atividades exercidas no laboratório clínico, sendo capaz de realizá-las com caução e qualidade. PREPARAÇÃO Tenha em mãos um dicionário médico para consultar as doenças relatadas no tema. OBJETIVOS MÓDULO 1 Descrever as funções das glândulas hipófise, tireoide e suprarrenal, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios MÓDULO 2 Reconhecer as funções dos hormônios sexuais, da gravidez, pancreático e do metabolismo ósseo, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios MÓDULO 3 Descrever o perfil dos marcadores tumorais mais comumente determinados no laboratório clínico INTRODUÇÃO A endocrinologia é o estudo das ações fisiológicas e patológicas dos hormônios, que são moléculas biologicamente ativas que influenciam e controlam diferentes funções metabólicas no organismo. Qualquer distúrbio no sistema endócrino que provoque um excesso ou deficiência hormonal pode levar a consequências significativas na fisiologia normal do organismo. Em tal contexto, o laboratório assume importante papel na avaliação dessas moléculas, contribuindo para o acompanhamento e diagnóstico dos distúrbios hormonais. Neste conteúdo, vamos identificar os principais conceitos correlatos às doenças da função glandular, visitando as principais glândulas endócrinas, seus hormônios e suas funções, além dos métodos de dosagem hormonal, bem como suas alterações e marcadores em condições basais e patológicas. Por fim, conheceremos os marcadores tumorais, moléculas presentes no sangue ou em outros líquidos biológicos, cujo aparecimento ou alteração em suas concentrações indiquem a formação ou crescimento de células neoplásicas. Vamos abordar as alterações séricas detectadas nesses marcadores, estudando o comportamento fisiológico e as correlações com a enfermidade apresentada. Vamos juntos? AVISO: orientações sobre unidades de medida ORIENTAÇÕES SOBRE UNIDADES DE MEDIDA Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o padrão internacional de separação dos números e das unidades. MÓDULO 1 Descrever as funções das glândulas hipófise, tireoide e suprarrenal, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios javascript:void(0) HIPÓFISE A hipófise, ou glândula pituitária, está localizada na base do cérebro e tem a função de regular o trabalho de outras glândulas, dentre elas a suprarrenal, tireoide, testículos e ovários. É responsável pela produção dos hormônios fundamentais à lactação (prolactina), o hormônio do crescimento (GH), o hormônio antidiurético (ADH) e a ocitocina, crucial para o trabalho de parto. Esses hormônios são responsáveis por controlar diferentes glândulas do nosso corpo. Por este motivo, a hipófise recebe o nome de glândula mestra. Imagem: Shutterstock.com Esquema mostrando os hormônios pituitários e sua ação. Como podemos observar na figura, a hipófise é dividida anatomicamente em duas porções: a anterior e a posterior, ambas ligadas ao hipotálamo, que controla a hipófise pelos hormônios que atingem a hipófise anterior, via vasos sanguíneos, e a posterior, a partir de impulsos nervosos. Imagem: Shutterstock.com Hipófise (glândula pituitária). Na hipófise, as enfermidades mais comuns são os tumores benignos, denominados adenomas. Além disso, outras doenças resultam de defeitos hereditários, alterações congênitas, traumatismos, sequelas de suprimento sanguíneo ou de tratamentos cirúrgicos, radioterápicos, sendo bastante raros os tumores malignos. Qualquer enfermidade que acometa essa glândula afeta diretamente a produção dos diferentes hormônios hipofisários, o que desregula várias outras glândulas do organismo. HIPÓFISE ANTERIOR OU ADENO-HIPÓFISE Hipófise anterior produz diversos hormônios peptídicos, com destaque para o hormônio estimulante da tireoide (TSH), prolactina (PRL), Hormônio folículo-estimulante (FSH), Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e Hormônio do crescimento (GH). Esses hormônios regulam as principais glândulas endócrinas periféricas e o crescimento e a lactação. Vamos conhecer um pouco mais sobre essa glândula? HORMÔNIO DE CRESCIMENTO (GH) E SOMATOMEDINA C (IGF-1) O GH, ou growing hormone , é o hormônio do crescimento, secretado pela hipófise anterior, responsável por estimular o crescimento corporal durante a infância. Na idade adulta, ele é produzido em pequenas quantidades, pois, caso um adulto o produza em excesso, poderá haver crescimento contínuo dos ossos das mãos, pés e face, levando à perda da simetria e tamanho habituais (acromegalia). Foto: Shutterstock.com Pessoa com acromegalia na face. Foto: Shutterstock.com Comparação de mão normal e acromegalia na mão. Na infância, um excesso de produção do GH leva ao gigantismo. Juntamente ao adrenocorticotrófico, o GH inibe a absorção de glicose pelos tecidos extra-hepáticos, como o tecido adiposo e o músculo esquelético. Os efeitos biológicos do hormônio GH no crescimento de órgãos e tecidos moles é mediado pela produção da somatomedina C ou IGF-1, pelo fígado e tecidos periféricos. Assim, a hipófise libera um hormônio, o GH, que estimula a produção de outro hormônio, o IGF-1, que atua no metabolismo, proliferação, crescimento e diferenciação celular. Imagem: Shutterstock.com O GHRH estimula a hipófise a produzir o GH que estimula o fígado a produzir IGF-1. Imagem: Shutterstock.com Baixa estatura/nanismo hipofisário. A somatomedina C é um extraordinário marcador dessa a condição tanto para o diagnóstico como na monitoração terapêutica. Além disso, é amplamente dosado para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com tumores hipofisários que produzem elevadas concentrações de GH. A dosagem desse hormônio também é usada na avaliação de crianças com distúrbio de crescimento, como a baixa estatura. Valores baixos de IGF-I confirmam a deficiência de GH. Nos pacientes com nanismo hipofisário, por deficiência do hormônio de crescimento, os valores de IGF-1 estão muito abaixo do normal. A determinação da somatomedina C é realizada a partir de amostras do soro, não sendo necessário preparo ou jejum, pelos métodos de quimiluminescência ou por radioimunoensaio (RIA). SAIBA MAIS A liberação de GH durante o dia apresenta grandes flutuações, sendo difícil avaliar se uma concentração alta é resultado de um aumento de produção desse hormônio ou apenas um pico hormonal normal. Assim, a dosagem basal de GH apresenta valor diagnóstico limitado, não eliminando a necessidade de exames adicionais. PROLACTINA (PRL) A prolactina é o hormônio associado à estimulação das glândulas mamárias na produção do leite materno, na gravidez e durante a amamentação. Ele também atua como regulador da função sexual. É secretado em quantidade que pode apresentar variações, por conta de estímulos como a amamentação, ovulação, alimentação, cópula e tratamento com estrógeno. Esse hormônio é produzido na hipófise anterior,mas também em células e tecidos como fibroblastos da pele, linfócitos, glândula mamária, cérebro, próstata, tecido adiposo e decídua basal da placenta. Tem influência já conhecida na neurogênese e reparo do sistema nervoso, bem como em resposta à ansiedade e ao estresse. A avaliação sérica da prolactina pode ser realizada durante a gravidez, para avalição da sua produção, e nos homens, para a avaliação da infertilidade e disfunção erétil. Além disso, pode ser empregada no diagnóstico e acompanhamento de tumores hipofisários e na síndrome de galactorreia e/ou amenorreia (Default tooltip) . Imagem: Shutterstock.com Prolactina e amamentação. javascript:void(0) GALACTORREIA Produção de leite fora do período pós-parto ou de lactação, podendo ocorrer também em indivíduos do sexo masculino. Na avaliação tumoral, normalmente apresentam elevadas concentrações. É importante ressaltar que a utilização de medicamentos como neurolépticos, antidepressivos e bloqueadores dos receptores de dopamina aumentam sua concentração. SAIBA MAIS Para determinar a concentração sérica da prolactina, é necessário um jejum de quatro horas e, em alguns casos, repouso de cerca de 30 minutos antes da coleta. O material coletado é o soro, e as dosagens são realizadas por diversos métodos, a exemplo de: RIA, enzimaimunoensaio (ELISA), fluorimetria por tempo resolvido e quimiluminescência. HORMÔNIO FOLÍCULO-ESTIMULANTE (FSH) E HORMÔNIO LUTEINIZANTE (LH) O FSH tem a sua produção controlada pelos hormônios produzidos pelas gônadas (ovários ou testículos), pela própria hipófise e pelo hipotálamo, atuando em retroalimentação, ou sistemas de “feedback”. Nas mulheres, atua para o crescimento e a maturação dos folículos (óvulos) no ciclo menstrual. O FSH dá início à produção de estradiol pelo folículo (desenvolvimento do óvulo) e estimula a secreção de progesterona, e estes ajudam a hipófise a controlar a quantidade de FSH produzida. Nos homens, o FSH estimula os testículos a produzirem espermatozoides, promovendo a produção de proteínas ligantes de andrógenos, mantendo-se em níveis constantes após a puberdade. É indicada a sua dosagem quando há dificuldade para engravidar ou irregularidade menstrual, sintomas de distúrbio hipofisário ou hipotalâmico, doença ovariana ou testicular, e nos casos de criança com puberdade precoce ou atrasada. O LH, semelhante ao FSH, apresenta o controle da produção por um sistema complexo que envolve hormônios produzidos pelas gônadas (ovários ou testículos), a hipófise e o hipotálamo. Imagem: Artoria2e5/Wikimedia commons/ CC BY 3.0. Eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Nas mulheres, o nível elevado de LH (e FSH) no meio do ciclo menstrual induz a ovulação. Também estimula os ovários a produzirem esteroides, principalmente o estradiol, e este ajuda a hipófise a regular a produção de LH. No período da menopausa, os níveis de LH aumentam. Nos homens, por sua vez, o LH estimula as células de Leydig testiculares a secretarem testosterona, permanecendo em níveis constantes após a puberdade. Gráfico: Atuação do LH e FSH no ciclo menstrual. Extraído de: Shutterstock.com. A dosagem sérica de LH é utilizada para averiguação da ovulação, da puberdade precoce e de casos de hipogonadismo primário. A verificação plasmática do LH e FSH é realizada pelo método de ensaio imunofluorométrico não competitivo com anticorpos, em amostras de soro, urina (única amostra) ou urina de 24 horas. HIPOGONADISMO PRIMÁRIO Termo empregado para descrever doenças nas gônadas (feminina ou masculina) que leva a alteração na produção de hormônios gonadotróficos, desencadeada por infecção nos testículos, como a cachumba, obesidade e traumas. javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. HORMÔNIO ESTIMULANTE DA TIREOIDE (TSH) O hormônio estimulante da tireoide (TSH), também conhecido como tireotropina, é o responsável pela função tireoidiana. A sua produção é regulada pelo hipotálamo que produz o hormônio liberador de tirotrofina (TRH), que circula pelo sangue e que, pelo sistema porta hipotálamo-hipofisário, é conduzido à adeno-hipófise, ligando-se aos receptores específicos, promovendo a síntese e secreção do TSH. A dosagem desse hormônio auxilia o diagnóstico dos distúrbios da tireoide. Estudaremos mais sobre esses hormônios no tópico destinado à glândula tireoide. HORMÔNIO ADRENOCORTICOTRÓFICO (ACTH) O ACTH, ou corticotrofina, é um hormônio hipofisário crítico no diagnóstico de doenças das glândulas suprarrenais e hipófise, como síndrome de Cushing, doença de Addison, tumores nas suprarrenais e hipófise. Sua dosagem é realizada quando há sintomas associados à produção excessiva ou deficiente de cortisol, suspeita de um desequilíbrio hormonal nessas duas glândulas. O ACTH estimula a produção de cortisol nas glândulas suprarrenais, que é um hormônio esteroide importante e regulador do metabolismo da glicose, de proteínas e de lipídios, pois suprime a resposta imunológica e mantém a pressão arterial. A produção de ACTH aumenta quando os níveis de cortisol estão baixos e diminui quando estão altos. Imagem: Shutterstock.com Eixo hipotalâmico da hipófise adrenal (HPA). Para a determinação dos níveis séricos de ACTH, as amostras de sangue devem ser coletadas às oito horas da manhã, podendo ser necessário jejum, e dosadas pelo método de ensaio eletroquimioluminométrico. A determinação sérica do cortisol será abordada no tópico de glândulas suprarrenais. SAIBA MAIS Hipopituitarismo é uma doença endócrina marcada pela redução da secreção de um ou mais hormônios secretados da hipófise, mas se ocorre a diminuição da maioria dos hormônios hipofisários, é chamada de pan-hipopituitarismo. HIPÓFISE POSTERIOR A hipófise posterior ou neuro-hipófise secreta os hormônios vasopressina e ocitocina que são produzidos pelo hipotálamo. Vamos conhecê-los? Imagem: Shutterstock.com Estrutura do néfron. HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (HAD) (VASOPRESSINA) Produzido quando há desidratação e diminuição da pressão arterial, que leva os rins a reabsorverem a água, concentrando e reduzindo o volume de urina. O HAD também é chamado de vasopressina, pois aumenta a pressão sanguínea ao induzir uma vasoconstrição moderada sobre as arteríolas, agindo diretamente nos néfrons. O diabetes insípido resulta de falta de produção de HAD pela hipófise ou pela falta de resposta dos rins a ela, reduzindo a capacidade de reabsorção da água, o que pode causar desidratação severa e elevação dos níveis de sódio. A determinação do HAD é feita em amostra de sangue, coletado após jejum de, no mínimo, 12 horas. O paciente deve manter-se deitado, sem qualquer estresse, num ambiente tranquilo, pelo menos uma hora antes da coleta de sangue. OCITOCINA Hormônio do parto e do amor, tem a função de promover as contrações uterinas durante o parto, assim como a lactação e ejeção do leite materno durante a amamentação, e está associado a sentimentos como o amor, união social e bem-estar. É produzido, frequentemente, quando estamos perto de nossos entes queridos e tem relação com a redução dos níveis de cortisol, ligada ao estresse. Ela é medida no plasma congelado, a partir de amostras coletadas sem jejum ou com necessidade de jejum prévio pelo ELISA. Imagem: Shutterstock.com Estrutura química da ocitocina. Imagem: Shutterstock.com GLÂNDULA TIREOIDE A tireoide é a maior glândula endócrina do organismo e possui dois tipos de células: as foliculares, que produz os hormônios tiroidianos (T3 e T4), que estão relacionados a inúmeras funções corporais (metabolismo, crescimento e desenvolvimento) e as células C, que produzem a calcitonina, importante para o metabolismo ósseo e mineral. A partir de agora vamos conhecer melhor esses hormônios. MECANISMO DE AÇÃO E REGULAÇÃO DA FUNÇÃO TIREOIDIANA Como aprendemos anteriormente, o TSH é produzido pela hipófise após a estimulação do TRH produzido pelo hipotálamo. O TSH, uma vez liberado, interagecom receptores das células foliculares tiroidianas, estimulando o cotransporte de sódio e iodeto, a síntese e proteólise de tireoglobulina em tiroxina e triiodotironina, que atuam no controle do metabolismo, sendo responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento, maturação sexual dos tecidos, respiração, contração cardíaca, metabolismo de carboidratos, aumento da síntese e degradação dos triglicerídeos e colesterol, entre outras funções. A partir da imagem, vemos que a glândula tireoide regula por feedback negativo, ou retroalimentação negativa, a produção dos hormônios pelo hipotálamo e pela hipófise, ou seja, um aumento na concentração plasmática do T3 e T4 sinaliza para a diminuição da produção do TRH e TSH. A glândula tireoide produz, predominantemente, o T4, em relação ao T3, que, por sua vez, é sintetizado pela desiodação (perda de iodo) do T 4. É importante ressaltar que o hormônio T3 apresenta atividade biológica maior (mais ou menos 5x mais) que o T4. A maior parte do T3 e T4 circulantes encontram-se ligados a proteína plasmáticas, como a albumina, pré-albumina e globulina ligadas a proteína T4. Imagem: Shutterstock.com Hormônios da tireoide e controle via mecanismos de feedback . DISFUNÇÕES DA TIREOIDE As disfunções na tireoide ocorrem muitas vezes em idosos e devem ser consideradas quando houver ganho de peso, sensação de frio, lentidão, prisão de ventre, distúrbios menstruais, mixedema, bradicardia, casos suspeitos de hipotireoidismo e de hipertireoidismo, quando há diarreia, perda de peso em apetite normal, distúrbios menstruais, palpitações, nervosismo e oftalmopatia. Imagem: Shutterstock.com Desordens na glândula tireoide. Falamos em hipotireoidismo e hipertireoidismo, mas você sabe o que é? HIPOTIREOIDISMO Ocorre quando a tireoide produz menos hormônios do que deveria. Pode ser causada pela doença de Hashimoto, doença autoimune, tireoidite silenciosa (hipotireoidismo ou hipotireoidismo temporário), iatrogênica (após a radioterapia/cirurgia, por drogas como lítio/amiodarona). HIPERTIREOIDISMO (TIREOTOXICOSE) É quando a tireoide produz mais hormônios do que deveria. Pode ser causada pela doença de Graves, doença autoimune, bócio difuso, bócio multinodular: nódulos produtores de hormônios tireoidianos, com pouca tendência à remissão; tireoidite subaguda (infecção viral); adenoma tóxico: nódulo solitário produtor de hormônios tireoidianos; iatrogênica: por drogas (lítio/amiodarona) e uso de contraste iodado. DOSAGENS DOS HORMÔNIOS TIREOIDIANOS E DO TSH Como mencionado anteriormente, a dosagem sérica do TSH serve para avaliar disfunções na tireoide. Além disso, podemos verificar indiretamente a função hipofisária, uma vez que qualquer alteração em tal glândula leva a alteração nesse hormônio. Nos casos de hipotireoidismo relacionados a hipofunção da tireoide, o TSH encontra-se elevado no sangue, já o inverso acontece no hipertireoidismo. Essas variações acontecem antes da alteração dos níveis plasmáticos de T3 e T4 livres. T4 Permite a avaliação da função da glândula tireoide, auxiliando no diagnóstico do hipotireoidismo ou hipertireoidismo, e na triagem de recém-nascidos para hipotireoidismo, verificado durante o teste do pezinho. T3 É o hormônio auxiliar no diagnóstico do hipertireoidismo, sendo necessária à sua dosagem quando uma pessoa apresenta resultados anormais de TSH ou T4, ou tem sintomas de hipertireoidismo. Tanto o T3 como o T4 podem ser dosados em sua forma total ou livre. Entretanto, é importante ressaltar que, como o T3 e o T4 encontram-se quase totalmente ligados a proteínas plasmáticas, qualquer alteração nestas, como por exemplo, na gravidez e hepatite aguda, afeta diretamente a dosagem de T3 e T4 totais, sendo preferível a avaliação de T3 e T4 livres e o TSH. Para a avaliação plasmática de T3, T4 e TSH são utilizadas amostras de soro, coletadas após jejum de quatro horas, e empregadas algumas metodologias, como RIA, enzimoimunifluorescência ou quimioluminescência. ATENÇÃO Alguns medicamentos podem alterar as provas de função tiroidiana. javascript:void(0) javascript:void(0) Os glicocorticoides em altas concentrações reduzem os níveis séricos de T3 e inibem TSH, a dopamina inibe a secreção do TSH, a Fenitoína e a carbamaxepina inibem a produção de TSH, e o propranolol aumenta os níveis de TSH, pois inibe a conversão de T4 em T3. Por isso, é tão importante perguntar sobre as medicações utilizadas antes da realização do exame! Você já ouviu falar em dosagem de anticorpos antiperoxidase (Anti-TPO), antitireoglibulina (Anti-Tg)? Sabe para que elas servem? Essas dosagens permitem avaliar a presença de doenças tiroidianas autoimunes, como a doenças de graves e tireoidite de Hashimoto. Como essas duas doenças são as causas mais comuns de hipo e hipertireodismo, é muito importante sua verificação para avaliar se essas doenças são responsáveis pela disfunção tireoidiana. SAIBA MAIS T3 reverso (rT3) é sintetizado a partir da conversão do hormônio T4, ocorrendo majoritariamente no fígado, com o objetivo de eliminar o T4 em excesso. Em pessoas saudáveis, a produção de rT3 é normal. No entanto, ele pode estar elevado em situações de estresse, doenças sistêmicas graves, inflamações crônicas, pós-parto, doenças hepáticas e pacientes que façam uso de medicações como corticoides, amiodarona e propranolol. Os três motivos fisiológicos que levam ao aumento da produção de rT3 são: cortisol baixo ou elevado, e os níveis de ferro. Raramente, pode derivar-se de falta de vitamina B12, inflamações crônicas e outros problemas de saúde. CALCITONINA Como já mencionado, além do T4 e T3, a glândula tireoide também é responsável pela produção da calcitonina, um hormônio que auxilia no diagnóstico e monitoramento da hiperplasia de células-C e do câncer de tireoide. Produzida pelas células especiais da tireoide, ou células-C, está relacionada com a regulação dos níveis de cálcio no sangue e inibição da degeneração óssea. Essa dosagem é bastante solicitada para a investigação dos indivíduos em risco para o desenvolvimento da neoplasia medular múltipla tipo 2 (Default tooltip) (NEM 2). Nos casos de hiperplasia de células-C e no carcinoma medular de tireoide, a calcitonina é produzida em excesso. No entanto, está diminuída após a cirurgia de retirada da tireoide. A dosagem desse hormônio é realizada no soro pelo método de quimiluminescência e o paciente não precisa estar em jejum. Imagem: Shutterstock.com Câncer de tireoide. GLÂNDULAS ADRENAIS As glândulas adrenais, localizadas na parte anterior e superior de cada rim, são divididas em córtex e medula e responsáveis pela produção de uma série de hormônios, como demostrado na imagem abaixo. Imagem: Shutterstock.com Hormônios da glândula adrenal. MEDULA ADRENAL A medula suprarrenal ou adrenal é responsável pela síntese das catecolaminas, uma monoamina produzida a partir da tirosina e fenilalanina. Nesse grupo de substâncias, fazem parte a epinefrina, norepinefrina e a dopamina. Em resposta ao estresse, as catecolaminas são liberadas na corrente sanguínea, como auxiliares na transmissão dos impulsos nervosos no cérebro, disparando a liberação de ácidos graxos e glicose para conversão em energia, dilatando bronquíolos e pupilas. A norepinefrina promove vasoconstrição, aumentando a pressão arterial; a epinefrina eleva a frequência cardíaca e o metabolismo. Imagem: Shutterstock.com Resposta do organismo ao estresse. Após atuações efetoras, esses hormônios são metabolizados em compostos inativos, a dopamina (responsável pelo controle motor, prazer, cognição etc.) é convertida em ácido homovanílico (HVA), a norepinefrina é metabolizada em normetanefrina e ácido vanilmandélico (VMA), e, por fim, a epinefrina se torna metanefrina e VMA. SAIBA MAIS A adrenalina e a noradrenalina são quase sempre liberadas pela medula adrenal como parte da ativação generalizada do sistema nervoso simpático, conseguindo atingir locaisdo corpo que não são inervados pelas fibras simpáticas. As catecolaminas e seus metabólitos são normalmente encontrados em pequenas quantidades flutuantes no sangue e na urina e conhecer suas dosagens é muito importante: METABÓLITOS CATECOLAMINAS ÁCIDOS VANILMANDÉLICO (VMA) E HOMOVANÍLICO METABÓLITOS A dosagem do metabólito metanefrina é usada para auxiliar o diagnóstico ou exclusão do feocromocitoma, um tumor raro que pode produzir grandes quantidades de catecolaminas. Pacientes com esse tumor apresentam concentrações significativamente aumentadas de metanefrina e normetanefrina, tanto no sangue quanto na urina, e podem apresentar o aumento da hipertensão arterial persistente ou episódica, dores de cabeça, aumento da frequência cardíaca e sudorese. O exame para dosagem de metanefrinas livres no plasma mede a quantidade de metanefrina e normetanefrina no sangue. CATECOLAMINAS A dosagem das catecolaminas permite a confirmação ou exclusão do diagnóstico da feocromocitoma e de outros tumores neuroendócrinos. As catecolaminas podem ser dosadas a partir de amostras como o sangue e/ou urina pelo teste de supressão com clonidina, uma substância que atua inibindo a liberação destas moléculas. Esse teste permite avaliar se as catecolaminas são produzidas de forma normal ou pelas células do tumor, pois, na feocromocitoma, a liberação de catecolaminas é autônoma e intermitente, não ocorrendo supressão após a ingestão de clonidina. ÁCIDOS VANILMANDÉLICO (VMA) E HOMOVANÍLICO São também empregados no diagnóstico ou exclusão de feocromocitomas e outros tumores neuroendócrinos. Na presença desses tumores, há grandes concentrações dos hormônios (dopamina e noradrenalina) e seus metabólitos, tanto no sangue quanto na urina. CÓRTEX SUPRARRENAL O córtex da suprarrenal é responsável pela produção dos hormônios cortisol, aldosterona e andrógenos adrenais. Vamos estudar agora o cortisol e a aldosterona. É importante destacar que os andrógenos adrenais são responsáveis pela produção do estrogênio e testosterona que serão estudados de forma separada. Cortisol Como mencionado anteriormente, o cortisol, estimulado pelo ACTH liberado pela hipófise, é responsável por uma série de funções metabólicas, conforme ilustrado a seguir: Imagem: Shutterstock.com O papel do cortisol no organismo humano. A dosagem do cortisol é utilizada para o diagnóstico da síndrome de Cushing (hipercortisolismo), na qual há excesso na liberação do cortisol. Também é importante para o diagnóstico da doença de Addison, condição que apresenta uma produção excessiva de ACHT e deficiente do cortisol (hipocortisolismo). SAIBA MAIS O hipercortisolismo pode causar aumento da pressão arterial, hiperglicemia, obesidade, pele frágil, estrias roxas no abdômen, fraqueza muscular e osteoporose, além de promover nas mulheres períodos menstruais irregulares e aumento de pelos faciais; nas crianças, pode haver atraso no desenvolvimento e baixa estatura. Já o hipocortisolismo, ou deficiência de cortisol, acarreta sintomas como a dificuldade em acordar pela manhã, cansaço sem motivo, oscilações nos níveis de energia ao longo do dia, apatia, além de dificuldade de concentração. Fatores exógenos ou endógenos, como calor, frio, infecção, trauma, estresse, exercícios, obesidade e doenças debilitantes podem influenciar as concentrações de cortisol. Ele é secretado num padrão diário com pico por volta das oito horas e atenuando à noite, chamado de ritmo circadiano. A determinação do cortisol plasmático é feita pelo método colorimétrico, em amostras coletadas no período da manhã após a ingestão de dexametasona 1,0 a 2,0mg, por via oral, entre 23 horas na noite anterior ou à meia-noite. No plasma, a maior concentração de cortisol está ligada a proteínas plasmáticas e apenas 1% dele é secretado de forma intacta na urina e, assim, a dosagem de cortisol urinário livre (CLU) reflete a concentração de cortisol livre, que é biologicamente ativo. Para isso, pode ser utilizada urina de 24 horas ou de uma única amostra coletada pela manhã. A excreção urinária de 24 horas de cortisol na urina é o índice mais direto e confiável de secreção cortical. Imagem: Shutterstock.com Ritmo circadiano. Aldosterona A aldosterona estimula a retenção de sódio e a excreção de potássio pelos rins, com papel fundamental na manutenção das concentrações de sódio e potássio normais no sangue e no controle do volume sanguíneo e da pressão arterial. Esse hormônio está integrado no sistema renina-angiotensina-aldosterona, que consiste em uma série de reações envolvidas no controle da pressão arterial e no volume de líquido extracelular, conforme observamos na figura a seguir: Imagem: WOtP/wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0. Sistema renina-angiotensina-aldosterona. A avaliação plasmática desse hormônio permite verificar a produção insuficiente ou comprometimento do funcionamento da aldosterona (hipoaldosteronismo) ou o aumento da sua produção. O hiperaldosteronismo (Síndrome de Conn), ocasiona baixa concentração plasmática de potássio e o aumento na pressão arterial pelo aumento da produção de aldosterona. Ele pode ser primário, ocasionado por um tumor na glândula suprarrenal, ou secundário, pelo aumento da produção de renina. Para a determinação da aldosterona são coletadas amostras de sangue venoso, urina de 24 horas, ou sangue das veias renais ou adrenais, e o paciente deve ficar de pé ou deitado por um determinado período (por exemplo, 15 a 30 minutos) antes da coleta. HORMÔNIOS X DOPING Neste vídeo, a especialista aborda a questão do doping e a detecção de hormônios e quando podemos considerar ou não que se trata de um caso de doping.