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HORMÔNIOS E MARCADORES TUMORAIS BIOQUÍMICOS DESCRIÇÃO Glândulas hipófise, tireoide e suprarrenal: funções e condições; fatores patológicos associado às alterações e principais achados laboratoriais dos hormônios sexuais, da gravidez, pancreáticos e metabolismo ósseo. Principais marcadores tumorais. PROPÓSITO Conhecer os principais mecanismos de ação e regulação das funções glandulares e seus marcadores séricos, do metabolismo mineral e ósseo, em seus estados basais e com alterações em condições patológicas. Conhecer os métodos usados para o diagnóstico de condições patológicas e apresentar os marcadores tumorais. Tal conhecimento é importante para que o profissional tenha propriedade de suas atividades exercidas no laboratório clínico, sendo capaz de realizá-las com caução e qualidade.PREPARAÇÃO Tenha em mãos um dicionário médico para consultar as doenças relatadas no OBJETIVOS MÓDULO 1 Descrever as funções das glândulas hipófise, tireoide e suprarrenal, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios MÓDULO 2 Reconhecer as funções dos hormônios sexuais, da gravidez, pancreático e do metabolismo ósseo, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios MÓDULO 3 Descrever o perfil dos marcadores tumorais mais comumente determinados no laboratório clínico INTRODUÇÃOA endocrinologia é o estudo das ações fisiológicas e patológicas dos hormônios, que são moléculas biologicamente ativas que influenciam e controlam diferentes funções metabólicas no organismo. Qualquer distúrbio no sistema endócrino que provoque um excesso ou deficiência hormonal pode levar a consequências significativas na fisiologia normal do organismo. Em tal contexto, o laboratório assume importante papel na avaliação dessas moléculas, contribuindo para o acompanhamento e diagnóstico dos distúrbios hormonais. Neste conteúdo, vamos identificar os principais conceitos correlatos às doenças da função glandular, visitando as principais glândulas endócrinas, seus hormônios e suas funções, além dos métodos de dosagem hormonal, bem como suas alterações e marcadores em condições basais e patológicas. Por fim, conheceremos os marcadores tumorais, moléculas presentes no sangue ou em outros líquidos biológicos, cujo aparecimento ou alteração em suas concentrações indiquem a formação ou crescimento de células neoplásicas. Vamos abordar as alterações séricas detectadas nesses marcadores, estudando o comportamento fisiológico e as correlações com a enfermidade apresentada. Vamos juntos? AVISO: orientações sobre unidades de medida ORIENTAÇÕES SOBRE UNIDADES DE MEDIDA Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o padrão internacional de separação dos números e das unidades. MÓDULO 1Descrever as funções das glândulas hipófise, tireoide e suprarrenal, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios HIPÓFISE A hipófise, ou glândula pituitária, está localizada na base do cérebro e tem a função de regular o trabalho de outras glândulas, dentre elas a suprarrenal, tireoide, testículos e ovários. É responsável pela produção dos hormônios fundamentais à lactação (prolactina), o hormônio do crescimento (GH), o hormônio antidiurético (ADH) e a ocitocina, crucial para o trabalho de parto. Esses hormônios são responsáveis por controlar diferentes glândulas do nosso corpo. Por este motivo, a hipófise recebe o nome de glândula mestra. Cérebro Corpo caloso Tálamo Glândula Hipotálamo pineal Glândula pituitária Fluxo Fluxo sanguíneo sanguíneo Hipófise anterior posterior Corpo LH ACTH Prolactina Ocitocina ADH FSH Glândula Testículo Ovário adrenal Rim TSH U GH Glândula Glândula Músculo Osso tireoide mamária Imagem: Shutterstock.com Esquema mostrando os hormônios pituitários e sua ação. Como podemos observar na figura, a hipófise é dividida anatomicamente em duas porções: a anterior e a posterior, ambas ligadas ao hipotálamo, que controla a hipófise pelos hormônios que atingem a hipófise anterior, via vasos sanguíneos, e a posterior, a partir de impulsos nervosos.Quiasma óptico Corpo mamilar Hipotálamo Lóbulo da hipófise anterior Lóbulo da hipófise posterior Imagem: Shutterstock.com Hipófise (glândula pituitária). Na hipófise, as enfermidades mais comuns são os tumores benignos, denominados adenomas. Além disso, outras doenças resultam de defeitos hereditários, alterações congênitas, traumatismos, sequelas de suprimento sanguíneo ou de tratamentos cirúrgicos, radioterápicos, sendo bastante raros os tumores malignos. Qualquer enfermidade que acometa essa glândula afeta diretamente a produção dos diferentes hormônios hipofisários, o que desregula várias outras glândulas do organismo. HIPÓFISE ANTERIOR OU ADENO-HIPÓFISE Hipófise anterior produz diversos hormônios peptídicos, com destaque para o hormônio estimulante da tireoide (TSH), prolactina (PRL), Hormônio folículo-estimulante (FSH), Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e Hormônio do crescimento (GH). Esses hormônios regulam as principais glândulas endócrinas periféricas e o crescimento e a lactação. Vamos conhecer um pouco mais sobre essa glândula? HORMÔNIO DE CRESCIMENTO (GH) E SOMATOMEDINA C (IGF-1) O GH, ou growing hormone , o hormônio do crescimento, secretado pela hipófise anterior, responsável por estimular o crescimento corporal durante a infância. Na idade adulta, ele éproduzido em pequenas quantidades, pois, caso um adulto o produza em excesso, poderá haver crescimento contínuo dos ossos das mãos, pés e face, levando à perda da simetria e tamanho habituais (acromegalia). Foto: Shutterstock.com Pessoa com acromegalia na face. Foto: Shutterstock.com Comparação de mão normal e acromegalia na mão.Na infância, um excesso de produção do GH leva ao gigantismo. Juntamente ao adrenocorticotrófico, o GH inibe a absorção de glicose pelos tecidos extra-hepáticos, como o tecido adiposo e o músculo esquelético. Os efeitos biológicos do hormônio GH no crescimento de órgãos e tecidos moles é mediado pela produção da somatomedina C ou IGF-1, pelo fígado e tecidos periféricos. Assim, a hipófise libera um hormônio, o GH, que estimula a produção de outro hormônio, o IGF-1, que atua no metabolismo, proliferação, crescimento e diferenciação celular. Hormônio do Crescimento Hipotálamo GHRH Hormônio liberador do hormônio do crescimento GH Hormônio do crescimento IGF-1 Insulin like growth factor-1 Somatotropina GHRH Glândula Fígado Ossos pituitária GH Ghrelin IGF-1 Estômago Adipócitos Músculos Imagem: Shutterstock.com O GHRH estimula a hipófise a produzir o GH que estimula o fígado a produzir IGF-1.Imagem: Shutterstock.com Baixa estatura/nanismo hipofisário. A somatomedina C é um extraordinário marcador dessa a condição tanto para o diagnóstico como na monitoração terapêutica. Além disso, é amplamente dosado para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com tumores hipofisários que produzem elevadas concentrações de GH. A dosagem desse hormônio também é usada na avaliação de crianças com distúrbio de crescimento, como a baixa estatura. Valores baixos de IGF-I confirmam a deficiência de GH. Nos pacientes com nanismo hipofisário, por deficiência do hormônio de crescimento, os valores de IGF-1 estão muito abaixo do normal. A determinação da somatomedina C é realizada a partir de amostras do soro, não sendo necessário preparo ou jejum, pelos métodos de quimiluminescência ou por radioimunoensaio (RIA). + SAIBA MAIS A liberação de GH durante o dia apresenta grandes flutuações, sendo difícil avaliar se uma concentração alta é resultado de um aumento de produção desse hormônio ou apenas um pico hormonal normal. Assim, a dosagem basal de GH apresenta valor diagnóstico limitado, não eliminando a necessidade de exames adicionais.PROLACTINA (PRL) A prolactina é o hormônio associado à estimulação das glândulas mamárias na produção do leite materno, na gravidez e durante a amamentação. Ele também atua como regulador da função sexual. É secretado em quantidade que pode apresentar variações, por conta de estímulos como a amamentação, ovulação, alimentação, cópula e tratamento com estrógeno. Esse hormônio é produzido na hipófise anterior, mas também em células e tecidos como fibroblastos da pele, linfócitos, glândula mamária, cérebro, próstata, tecido adiposo e decídua basal da placenta. Tem influência já conhecida na neurogênese e reparo do sistema nervoso, bem como em resposta à ansiedade e ao estresse. A avaliação sérica da prolactina pode ser realizada durante a gravidez, para avalição da sua produção, e nos homens, para a avaliação da infertilidade e disfunção erétil. Além disso, pode ser empregada no diagnóstico e acompanhamento de tumores hipofisários e na síndrome de galactorreia e/ou amenorreia (Default tooltip) Imagem: Shutterstock.com Prolactina e amamentação.GALACTORREIA Produção de leite fora do período pós-parto ou de lactação, podendo ocorrer também em indivíduos do sexo masculino. Na avaliação tumoral, normalmente apresentam elevadas concentrações. É importante ressaltar que a utilização de medicamentos como neurolépticos, antidepressivos e bloqueadores dos receptores de dopamina aumentam sua concentração. SAIBA MAIS Para determinar a concentração sérica da prolactina, é necessário um jejum de quatro horas e, em alguns casos, repouso de cerca de 30 minutos antes da coleta. material coletado é o soro, e as dosagens são realizadas por diversos métodos, a exemplo de: RIA, enzimaimunoensaio (ELISA), fluorimetria por tempo resolvido e quimiluminescência. HORMÔNIO FOLÍCULO-ESTIMULANTE (FSH) E HORMÔNIO LUTEINIZANTE (LH) FSH tem a sua produção controlada pelos hormônios produzidos pelas gônadas (ovários ou testículos), pela própria hipófise e pelo hipotálamo, atuando em retroalimentação, ou sistemas de "feedback". Nas mulheres, atua para o crescimento e a maturação dos folículos (óvulos) no ciclo menstrual. O FSH dá início à produção de estradiol pelo folículo (desenvolvimento do óvulo) e estimula a secreção de progesterona, e estes ajudam a hipófise a controlar a quantidade de FSH produzida. Nos homens, o FSH estimula os testículos a produzirem espermatozoides, promovendo a produção de proteínas ligantes de andrógenos, mantendo-se em níveis constantes após apuberdade. É indicada a sua dosagem quando há dificuldade para engravidar ou irregularidade menstrual, sintomas de distúrbio hipofisário ou hipotalâmico, doença ovariana ou testicular, e nos casos de criança com puberdade precoce ou atrasada. O LH, semelhante ao FSH, apresenta o controle da produção por um sistema complexo que envolve hormônios produzidos pelas gônadas (ovários ou testículos), a hipófise e o hipotálamo. Hipotálamo + GnRH Hipófise anterior + LH, FSH Testísculos Ovários Gônadas femininos Hormônios Testosterona Estradiol sexuais Progesterona Imagem: Artoria2e5/Wikimedia commons/ CC BY 3.0. Eixo hipotálamo-hipófise-gonadal Nas mulheres, o nível elevado de LH (e FSH) no meio do ciclo menstrual induz a ovulação. Também estimula os ovários a produzirem esteroides, principalmente o estradiol, e este ajuda a hipófise a regular a produção de LH. No período da menopausa, os níveis de LH aumentam. Nos homens, por sua vez, o LH estimula as células de Leydig testiculares a secretarem testosterona, permanecendo em níveis constantes após a puberdade.FASE FOLICULAR FASE LÚTEA LH FSH Estrogênio Progesterona de 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Dias Menstruação Ovulação Gráfico: Atuação do LH e FSH no ciclo menstrual. Extraído de: Shutterstock.com. A dosagem sérica de LH é utilizada para averiguação da ovulação, da puberdade precoce e de casos de hipogonadismo primário. A verificação plasmática do LH e FSH é realizada pelo método de ensaio imunofluorométrico não competitivo com anticorpos, em amostras de soro, urina (única amostra) ou urina de 24 horas. HIPOGONADISMO PRIMÁRIO Termo empregado para descrever doenças nas gônadas (feminina ou masculina) que leva a alteração na produção de hormônios gonadotróficos, desencadeada por infecção nos testículos, como a cachumba, obesidade e traumas.TRH TSH Hormônios da tireoide Imagem: Shutterstock.com Eixo HORMÔNIO ESTIMULANTE DA TIREOIDE (TSH) hormônio estimulante da tireoide (TSH), também conhecido como tireotropina, é o responsável pela função tireoidiana. A sua produção é regulada pelo hipotálamo que produz o hormônio liberador de tirotrofina (TRH), que circula pelo sangue e que, pelo sistema porta hipotálamo-hipofisário, é conduzido à adeno-hipófise, ligando-se aos receptores específicos, promovendo a síntese e secreção do TSH. A dosagem desse hormônio auxilia o diagnóstico dos distúrbios da tireoide. Estudaremos mais sobre esses hormônios no tópico destinado à glândula tireoide. HORMÔNIO ADRENOCORTICOTRÓFICO (ACTH) ACTH, ou corticotrofina, é um hormônio hipofisário crítico no diagnóstico de doenças das glândulas suprarrenais e hipófise, como síndrome de Cushing, doença de Addison, tumores nas suprarrenais e hipófise. Sua dosagem é realizada quando há sintomas associados àprodução excessiva ou deficiente de cortisol, suspeita de um desequilíbrio hormonal nessas duas glândulas. O ACTH estimula a produção de cortisol nas glândulas suprarrenais, que é um hormônio esteroide importante e regulador do metabolismo da glicose, de proteínas e de lipídios, pois suprime a resposta imunológica e mantém a pressão arterial. A produção de ACTH aumenta quando os níveis de cortisol estão baixos e diminui quando estão altos. Cortisol Glândula adrenal CRH Hipotálamo Glândula pituitária ACTH Imagem: Shutterstock.com Eixo hipotalâmico da hipófise adrenal (HPA). Para a determinação dos níveis séricos de ACTH, as amostras de sangue devem ser coletadas às oito horas da manhã, podendo ser necessário jejum, e dosadas pelo método de ensaio A determinação sérica do cortisol será abordada no tópico de glândulas suprarrenais. + SAIBA MAIS Hipopituitarismo é uma doença endócrina marcada pela redução da secreção de um ou mais hormônios secretados da hipófise, mas se ocorre a diminuição da maioria dos hormônios hipofisários, é chamada de pan-hipopituitarismo.HIPÓFISE POSTERIOR A hipófise posterior ou neuro-hipófise secreta os hormônios vasopressina e ocitocina que são produzidos pelo hipotálamo. Vamos conhecê-los? Imagem: Shutterstock.com Estrutura do néfron. HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO (HAD) (VASOPRESSINA) Produzido quando há desidratação e diminuição da pressão arterial, que leva os rins a reabsorverem a água, concentrando e reduzindo o volume de urina. HAD também é chamado de vasopressina, pois aumenta a pressão sanguínea ao induzir uma vasoconstrição moderada sobre as arteríolas, agindo diretamente nos néfrons. diabetes insípido resulta de falta de produção de HAD pela hipófise ou pela falta de resposta dos rins a ela, reduzindo a capacidade de reabsorção da água, o que pode causar desidratação severa e elevação dos níveis de sódio.A determinação do HAD é feita em amostra de sangue, coletado após jejum de, no mínimo, 12 horas. O paciente deve manter-se deitado, sem qualquer estresse, num ambiente tranquilo, pelo menos uma hora antes da coleta de sangue. OCITOCINA Hormônio do parto e do amor, tem a função de promover as contrações uterinas durante o parto, assim como a lactação e ejeção do leite materno durante a amamentação, e está associado a sentimentos como o amor, união social e bem-estar. É produzido, frequentemente, quando estamos perto de nossos entes queridos e tem relação com a redução dos níveis de cortisol, ligada ao estresse. Ela é medida no plasma congelado, a partir de amostras coletadas sem jejum ou com necessidade de jejum prévio pelo ELISA. OH NH HN NH, HN HN HN N NH o NH NH NH, NH, NH NH, Imagem: Shutterstock.com Estrutura química daImagem: Shutterstock.com GLÂNDULA TIREOIDE A tireoide é a maior glândula endócrina do organismo e possui dois tipos de células: as foliculares, que produz os hormônios tiroidianos (T3 e T4), que estão relacionados a inúmeras funções corporais (metabolismo, crescimento e desenvolvimento) e as células C, que produzem a calcitonina, importante para o metabolismo ósseo e mineral. A partir de agora vamos conhecer melhor esses hormônios. MECANISMO DE AÇÃO E REGULAÇÃO DA FUNÇÃO TIREOIDIANA Como aprendemos anteriormente, o TSH é produzido pela hipófise após a estimulação do TRH produzido pelo hipotálamo. O TSH, uma vez liberado, interage com receptores das células foliculares tiroidianas, estimulando o cotransporte de sódio e iodeto, a síntese e proteólise de tireoglobulina em tiroxina e triiodotironina, que atuam no controle do metabolismo, sendo responsáveis pelo crescimento, desenvolvimento, maturação sexual dos tecidos, respiração, contração cardíaca, metabolismo de carboidratos, aumento da síntese e degradação dos triglicerídeos e colesterol, entre outras funções. A partir da imagem, vemos que a glândula tireoide regula por feedback negativo, ou retroalimentação negativa, a produção dos hormônios pelo hipotálamo e pela hipófise, ou seja,um aumento na concentração plasmática do T3 e T4 sinaliza para a diminuição da produção do TRH e TSH. A glândula tireoide produz, predominantemente, o T4, em relação ao T3, que, por sua vez, é sintetizado pela desiodação (perda de iodo) do T 4- É importante ressaltar que o hormônio T3 apresenta atividade biológica maior (mais ou menos 5x mais) que o T4. A maior parte do T3 e T4 circulantes encontram-se ligados a proteína plasmáticas, como a albumina, pré-albumina e globulina ligadas a proteína T4. Glândula Hipotálamo tireoide por feedback TSH Glândula pituitária TRH Hormônio liberador de tireotrofina TSH Hormônio estimulante da tireoide Calcitonina T4 T3 T3 T4 Tiroxina Imagem: Shutterstock.com Hormônios da tireoide e controle via mecanismos de feedback - DISFUNÇÕES DA TIREOIDE As disfunções na tireoide ocorrem muitas vezes em idosos e devem ser consideradas quando houver ganho de peso, sensação de frio, lentidão, prisão de ventre, distúrbios menstruais, mixedema, bradicardia, casos suspeitos de hipotireoidismo e de hipertireoidismo, quando há diarreia, perda de peso em apetite normal, distúrbios menstruais, palpitações, nervosismo e oftalmopatia.Hipotireoidismo Hipertireoidismo Cabelo seco Perda de cabelo Olhos esbugalhados Rosto inchado Intolerância Intolerância ao frio Bócio Bócio ao calor Batimento Batimento cardíado lento cardíaco rápido Ganho de peso Perda de peso Constipação Diarreia Possibilidade de infertilidade e aumento Os períodos menstruais podem do risco de aborto espontâneo. ocorrer menos frequentemente Ciclo menstrual irregular ou com ciclos mais longos Imagem: Shutterstock.com Desordens na glândula tireoide. Falamos em hipotireoidismo e hipertireoidismo, mas você sabe o que é? HIPOTIREOIDISMO Ocorre quando a tireoide produz menos hormônios do que deveria. Pode ser causada pela doença de Hashimoto, doença autoimune, tireoidite silenciosa (hipotireoidismo ou hipotireoidismo temporário), iatrogênica (após a radioterapia/cirurgia, por drogas como lítio/amiodarona). HIPERTIREOIDISMO (TIREOTOXICOSE) É quando a tireoide produz mais hormônios do que deveria. Pode ser causada pela doença de Graves, doença autoimune, bócio difuso, bócio multinodular: nódulos produtores de hormônios tireoidianos, com pouca tendência à remissão; tireoidite subaguda (infecção viral); adenoma tóxico: nódulo solitário produtor de hormônios tireoidianos; iatrogênica: por drogas e uso de contraste iodado.DOSAGENS DOS HORMÔNIOS TIREOIDIANOS E DO TSH Como mencionado anteriormente, a dosagem sérica do TSH serve para avaliar disfunções na tireoide. Além disso, podemos verificar indiretamente a função hipofisária, uma vez que qualquer alteração em tal glândula leva a alteração nesse hormônio. Nos casos de hipotireoidismo relacionados a hipofunção da tireoide, o TSH encontra-se elevado no sangue, já o inverso acontece no hipertireoidismo. Essas variações acontecem antes da alteração dos níveis plasmáticos de T3 e T4 livres. T4 Permite a avaliação da função da glândula tireoide, auxiliando no diagnóstico do hipotireoidismo ou hipertireoidismo, e na triagem de recém-nascidos para hipotireoidismo, verificado durante o teste do pezinho. T3 É o hormônio auxiliar no diagnóstico do hipertireoidismo, sendo necessária à sua dosagem quando uma pessoa apresenta resultados anormais de TSH ou T4, ou tem sintomas de hipertireoidismo. Tanto o T3 como o T4 podem ser dosados em sua forma total ou livre. Entretanto, é importante ressaltar que, como o T3 e o T4 encontram-se quase totalmente ligados a proteínas plasmáticas, qualquer alteração nestas, como por exemplo, na gravidez e hepatite aguda, afeta diretamente a dosagem de T3 e T4 totais, sendo preferível a avaliação de T3 e T4 livres e o TSH. Para a avaliação plasmática de T3, T4 e TSH são utilizadas amostras de soro, coletadas após jejum de quatro horas, e empregadas algumas metodologias, como RIA, enzimoimunifluorescência ou quimioluminescência. ATENÇÃO Alguns medicamentos podem alterar as provas de função tiroidiana.Os glicocorticoides em altas concentrações reduzem os níveis séricos de T3 e inibem TSH, a dopamina inibe a secreção do TSH, a Fenitoína e a carbamaxepina inibem a produção de TSH, e o propranolol aumenta os níveis de TSH, pois inibe a conversão de T4 em T3. Por isso, é tão importante perguntar sobre as medicações utilizadas antes da realização do exame! Você já ouviu falar em dosagem de anticorpos antiperoxidase (Anti-TPO), antitireoglibulina (Anti-Tg)? Sabe para que elas servem? Essas dosagens permitem avaliar a presença de doenças tiroidianas autoimunes, como a doenças de graves e tireoidite de Hashimoto. Como essas duas doenças são as causas mais comuns de hipo e hipertireodismo, é muito importante sua verificação para avaliar se essas doenças são responsáveis pela disfunção tireoidiana. SAIBA MAIS T3 reverso (rT3) é sintetizado a partir da conversão do hormônio T4, ocorrendo majoritariamente no fígado, com o objetivo de eliminar o T4 em excesso. Em pessoas saudáveis, a produção de rT3 é normal. No entanto, ele pode estar elevado em situações de estresse, doenças sistêmicas graves, inflamações crônicas, pós-parto, doenças hepáticas e pacientes que façam uso de medicações como corticoides, amiodarona e propranolol. Os três motivos fisiológicos que levam ao aumento da produção de rT3 são: cortisol baixo ou elevado, e os níveis de ferro. Raramente, pode derivar-se de falta de vitamina B12, inflamações crônicas e outros problemas de saúde. CALCITONINA Como já mencionado, além do T4 e T3, a glândula tireoide também é responsável pela produção da calcitonina, um hormônio que auxilia no diagnóstico e monitoramento da hiperplasia de células-C e do câncer de tireoide. Produzida pelas células especiais da tireoide, ou células-C, está relacionada com a regulação dos níveis de cálcio no sangue e inibição da degeneração óssea. Essa dosagem é bastante solicitada para a investigação dos indivíduos em risco para o desenvolvimento da neoplasia medular múltipla tipo 2 (Default tooltip) (NEM 2). Nos casos dehiperplasia de células-O e no carcinoma medular de tireoide, a calcitonina é produzida em excesso. No entanto, está diminuída após a cirurgia de retirada da tireoide. A dosagem desse hormônio é realizada no soro pelo método de quimiluminescência e o paciente não precisa estar em Imagem: Shutterstock.com Câncer de tireoide. GLÂNDULAS ADRENAIS As glândulas adrenais, localizadas na parte anterior e superior de cada rim, são divididas em córtex e medula e responsáveis pela produção de uma série de hormônios, como demostrado na imagem abaixo.Glicocorticoides Catecolaminas Cortisol Epinefrina Cortisona Norepinefrina Estrógeno Testosterona Mineralocorticoides Aldosterona Somastatina Corticosterona Substância P Córtex Medula Cápsula Imagem: Shutterstock.com Hormônios da glândula adrenal. MEDULA ADRENAL A medula suprarrenal ou adrenal é responsável pela síntese das catecolaminas, uma monoamina produzida a partir da tirosina e fenilalanina. Nesse grupo de substâncias, fazem parte a epinefrina, norepinefrina e a dopamina. Em resposta ao estresse, as catecolaminas são liberadas na corrente sanguínea, como auxiliares na transmissão dos impulsos nervosos no cérebro, disparando a liberação de ácidos graxos e glicose para conversão em energia, dilatando bronquíolos e pupilas. A norepinefrina promove vasoconstrição, aumentando a pressão arterial; a epinefrina eleva a frequência cardíaca e o metabolismo.Hipotálamo Medula espinal Impulso nervoso Glândula Impulso adrenal nervoso Catecolaminas Vaso sanguíneo Aumento da Aumento frequência da pressão cardíada cardíaca Fígado converte Diminuição da glicogênio em glicose atividade digestória Dilatação dos Imagem: Shutterstock.com Resposta do organismo ao estresse. Após atuações efetoras, esses hormônios são metabolizados em compostos inativos, a dopamina (responsável pelo controle motor, prazer, cognição etc.) é convertida em ácido homovanílico (HVA), a norepinefrina é metabolizada em normetanefrina e ácido vanilmandélico (VMA), e, por fim, a epinefrina se torna metanefrina e VMA. + SAIBA MAIS A adrenalina e a noradrenalina são quase sempre liberadas pela medula adrenal como parte da ativação generalizada do sistema nervoso simpático, conseguindo atingir locais do corpo que não são inervados pelas fibras simpáticas. As catecolaminas e seus metabólitos são normalmente encontrados em pequenas quantidades flutuantes no sangue e na urina e conhecer suas dosagens é muito importante: METABÓLITOS CATECOLAMINAS ÁCIDOS VANILMANDÉLICO (VMA) E HOMOVANÍLICOMETABÓLITOS A dosagem do metabólito metanefrina é usada para auxiliar o diagnóstico ou exclusão do feocromocitoma, um tumor raro que pode produzir grandes quantidades de catecolaminas. Pacientes com esse tumor apresentam concentrações significativamente aumentadas de metanefrina e normetanefrina, tanto no sangue quanto na urina, e podem apresentar o aumento da hipertensão arterial persistente ou episódica, dores de cabeça, aumento da frequência cardíaca e sudorese. O exame para dosagem de metanefrinas livres no plasma mede a quantidade de metanefrina e normetanefrina no sangue. CATECOLAMINAS A dosagem das catecolaminas permite a confirmação ou exclusão do diagnóstico da feocromocitoma e de outros tumores As catecolaminas podem ser dosadas a partir de amostras como o sangue e/ou urina pelo teste de supressão com clonidina, uma substância que atua inibindo a liberação destas moléculas. Esse teste permite avaliar se as catecolaminas são produzidas de forma normal ou pelas células do tumor, pois na feocromocitoma, a liberação de catecolaminas é autônoma e intermitente, não ocorrendo supressão após a ingestão de clonidina. ÁCIDOS VANILMANDÉLICO (VMA) E HOMOVANÍLICO São também empregados no diagnóstico ou exclusão de feocromocitomas e outros tumores neuroendócrinos. Na presença desses tumores, há grandes concentrações dos hormônios (dopamina e noradrenalina) e seus metabólitos, tanto no sangue quanto na urina. CÓRTEX SUPRARRENAL O córtex da suprarrenal é responsável pela produção dos hormônios cortisol, aldosterona e andrógenos adrenais. Vamos estudar agora o cortisol e a É importante destacarque os andrógenos adrenais são responsáveis pela produção do estrogênio e testosterona que serão estudados de forma separada. Cortisol Como mencionado anteriormente, o cortisol, estimulado pelo ACTH liberado pela hipófise, é responsável por uma série de funções metabólicas, conforme ilustrado a seguir: Aumenta ou diminui o humor A produção de cortisol dependendo da situação. é controlada pelo hipotálamo e pela hipófise. Estimula a gliconeogenese no fígado. Hiperglicemia, aumento da pressão arterial e do sistema imune A digestão encontra-se mais lenta. Diminui a reação alérgica, anti-inflamatório, diminui a sensação de dor e aumenta a sudorese. o aumento permanente favorece a osteoporose e fraqueza muscular. Imagem: Shutterstock.com O papel do cortisol no organismo humano. A dosagem do cortisol é utilizada para o diagnóstico da síndrome de Cushing (hipercortisolismo), na qual há excesso na liberação do cortisol. Também é importante para o diagnóstico da doença de Addison, condição que apresenta uma produção excessiva de ACHT e deficiente do cortisol (hipocortisolismo). + SAIBA MAIS hipercortisolismo pode causar aumento da pressão arterial, hiperglicemia, obesidade, pele frágil, estrias roxas no abdômen, fraqueza muscular e osteoporose, além de promover nas mulheres períodos menstruais irregulares e aumento de pelos faciais; nas crianças, pode haver atraso no desenvolvimento e baixa estatura. Já o hipocortisolismo, ou deficiência de cortisol,acarreta sintomas como a dificuldade em acordar pela manhã, cansaço sem motivo, oscilações nos níveis de energia ao longo do dia, apatia, além de dificuldade de concentração. Fatores exógenos ou endógenos, como calor, frio, infecção, trauma, estresse, exercícios, obesidade e doenças debilitantes podem influenciar as concentrações de cortisol. Ele é secretado num padrão diário com pico por volta das oito horas e atenuando à noite, chamado de ritmo circadiano. A determinação do cortisol plasmático é feita pelo método colorimétrico, em amostras coletadas no período da manhã após a ingestão de dexametasona 1,0 a 2,0mg, por via oral, entre 23 horas na noite anterior ou à meia-noite. No plasma, a maior concentração de cortisol está ligada a proteínas plasmáticas e apenas 1% dele é secretado de forma intacta na urina e, assim, a dosagem de cortisol urinário livre (CLU) reflete a concentração de cortisol livre, que é biologicamente ativo. Para isso, pode ser utilizada urina de 24 horas ou de uma única amostra coletada pela manhã. A excreção urinária de 24 horas de cortisol na urina é o índice mais direto e confiável de secreção cortical. Durante o dia Durante a noite Cortisol Melatonina 6am 9am 12am 3am 6am 9am 12am 3am 6am 9am Imagem: Shutterstock.com Ritmo circadiano. Aldosterona A aldosterona estimula a retenção de sódio e a excreção de potássio pelos rins, com papel fundamental na manutenção das concentrações de sódio e potássio normais no sangue e no controle do volume sanguíneo e da pressão arterial. Esse hormônio está integrado no sistemaque consiste em uma série de reações envolvidas no controle da pressão arterial e no volume de líquido extracelular, conforme observamos na figura a seguir: Legend Atividade Secreção de simpática órgão Sinal estimulante Rim Sinal inibidor Pulmões Reabsorção tubular dos Figado do endotélio excreção de CI Reação pulmonar renal: retenção de H2O H2O Transporte ativo ECA Transporte passivo Cortex da glândula adrenal Angiotensinogênio Angiotensina I Angiotensina II Secreção de aldosterona Retenção de água e sal. + Volume circulante Diminuição da Renina efetivo aumenta. perfusão renal Perfusão do aparato Vasocontrição (aparato juxtaglomerular arteriolar juxtaglomerular) Aumento da aumenta. sanguínea Arteriola Rim Secreção de ADH Glândula pituitária Lobo posterior Duto coletor H2O absorção Imagem: WOtP/wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0. Sistema renina-angiotensina-aldosterona A avaliação plasmática desse hormônio permite verificar a produção insuficiente ou comprometimento do funcionamento da aldosterona (hipoaldosteronismo) ou o aumento da sua produção. O hiperaldosteronismo (Síndrome de Conn), ocasiona baixa concentração plasmática de potássio e o aumento na pressão arterial pelo aumento da produção de aldosterona. Ele pode ser primário, ocasionado por um tumor na glândula suprarrenal, ou secundário, pelo aumento da produção de renina. Para a determinação da aldosterona são coletadas amostras de sangue venoso, urina de 24 horas, ou sangue das veias renais ou adrenais, e o paciente deve ficar de pé ou deitado por um determinado período (por exemplo, 15 a 30 minutos) antes da coleta. HORMÔNIOS X DOPING Neste vídeo, a especialista aborda a questão do doping e a detecção de hormônios e quando podemos considerar ou não que se trata de um caso de doping.Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo. VERIFICANDO APRENDIZADO 1. VIMOS QUE os HORMÔNIOS PRODUZIDOS PELA HIPÓFISE SÃO RESPONSÁVEIS POR CONTROLAR DIFERENTES GLÂNDULAS DO NOSSO CORPO, E, POR ESSE MOTIVO, ELA RECEBE NOME DE GLÂNDULA MESTRA. o GH, SECRETADO PELA HIPÓFISE ANTERIOR, É RESPONSÁVEL POR ESTIMULAR o CRESCIMENTO CORPORAL DURANTE A INFÂNCIA. SOBRE GH ANALISE AS AFIRMATIVAS A SEGUIR: I. NOS ADULTOS A PRODUÇÃO EXCESSIVA DE GH LEVA A UMA CONDIÇÃO CONHECIDA COMO GIGANTISMO. II. A DOSAGEM DE IGF-1 É UTILIZADA PARA DIAGNÓSTICO DA ACROMEGALIA. III. A DOSAGEM DE IGF-1 PODE SER UTILIZADA PARA DIAGNÓSTICO, MAS NÃO PARA ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES COM TUMORES HIPOFISÁRIOS PRODUTORES DE GH. É CORRETO o QUE SE AFIRMA EM: A) B)C) III 2. FOI AVALIADA A RESPOSTA FISIOLÓGICA PARA A AÇÃO DE UM DETERMINADO HORMÔNIO, LIBERADO POR CERTA PARA o DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO DA HIPERPLASIA DE CÉLULAS-C E DO CARCINOMA MEDULAR DE TIREOIDE. HORMÔNIO E A GLÂNDULA SÃO, RESPECTIVAMENTE: A) Somatotrófico, hipófise. B) Adrenalina, suprarrenal. C) Calcitonina, tireoide. D) Prolactina, tireoide. E) ADH, hipófise. GABARITO 1. Vimos que os hormônios produzidos pela hipófise são responsáveis por controlar diferentes glândulas do nosso corpo, e, por esse motivo, ela recebe o nome de glândula mestra. o GH, secretado pela hipófise anterior, é responsável por estimular crescimento corporal durante a infância. Sobre o GH analise as afirmativas a seguir: I. Nos adultos a produção excessiva de GH leva a uma condição conhecida como gigantismo. II. A dosagem de IGF-1 é utilizada para o diagnóstico da acromegalia. III. A dosagem de IGF-1 pode ser utilizada para o diagnóstico, mas não para acompanhamento de pacientes com tumores hipofisários produtores de GH. É correto que se afirma em:A alternativa "B está correta. O GNRH é responsável por estimular a hipófise a produzir GH, o hormônio do crescimento, que, por sua vez, estimula a produção do IGF-1 nos tecidos e no fígado, com ação sobre o metabolismo, induzindo a proliferação, crescimento e diferenciação celular. O IGF-1 é um excelente marcador da acromegalia, que indica uma produção elevada de hormônio GH no adulto. Além disso, as dosagens de IGF-1 são uteis para o diagnóstico e acompanhamento de tumores hipofisários que levam ao aumento da produção de GH. 2. Foi avaliada a resposta fisiológica para a ação de um determinado hormônio, liberado por certa glândula, para o diagnóstico e monitoramento da hiperplasia de células-C e do carcinoma medular de tireoide. o hormônio e a glândula são, respectivamente: A alternativa "C " " está correta. TSH estimula a tireoide a produzir os hormônios T3, T4 e calcitonina. A calcitonina é um hormônio que atua como marcador da hiperplasia de células-C e do carcinoma medular de tireoide. Esse hormônio atua na regulação dos níveis de cálcio no sangue e inibição da degeneração óssea. MÓDULO 2 Reconhecer as funções dos hormônios sexuais, da gravidez, pancreático e do metabolismo ósseo, as condições e fatores patológicos que alteram o seu funcionamento e os métodos de determinação laboratorial desses hormônios ANDROGÊNIOS São hormônios denominados esteroides, que atuam especialmente para o desenvolvimento e manutenção das características masculinas e da função reprodutiva, mas também são produzidos por mulheres. Também colaboram com a fisiologia dos ossos e do sistemamusculoesquelético. Como são responsáveis pelas características sexuais, são chamados de hormônios sexuais. Esses hormônios são produzidos nas gônadas, suprarrenal e placenta a partir do colesterol, após estímulo do hipotálamo, que, ao liberar GnHR, ativa a hipófise para produzir FSH e LH. esquema a seguir mostra de forma resumida os hormônios esteroidais: Colesterol Pregnolona Progesterona Desidroepiandrosterona Androstenediona (DHEA) Sulfato de desidropiandroesterona Androstenediol Testosterona (dHEA-S) Estrona Estradiol Dihidroestosterona (DHT) Imagem: Hoffmeier e Settersr/Wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0, adaptada por Helena Horta Nasser. Síntese dos hormônios a partir do colesterol. A dosagem desses hormônios é importante para avaliar diferentes condições patológicas, avaliação da maturação sexual e da fertilidade. Para entender melhor, vamos estudar os principais hormônios sexuais. TESTOSTERONA TOTAL E LIVRE A testosterona, produzida pelas células de Leydig e estimuladas pela LH, é o hormônio responsável pelo desenvolvimento dos caracteres secundários masculinos, como a presença de barba, engrossamento da e aumento da massa muscular. Além disso, estimula o crescimento dos órgãos sexuais masculinos, a produção de espermatozoides e a função erétil, estando atrelado a fertilidade masculina. Entretanto, esse hormônio também é produzido (aindaque em valores diminutos) pelas mulheres, nos ovários e na suprarrenal, e apresenta função de auxiliar o processo de reprodução. Cérebro Corpo Aumento do desejo sexual Crescimento do cabelo Memória Síntese de colágeno Melhora do humor Músculos Crescimento muscular Medula óssea Aumento da resistência Síntese de eritrócitos e força muscular Testículos Ossos Produção de espermatozoides Manutenção da Função erétil densidade óssea Crescimento da próstata Imagem: Shutterstock.com Efeitos da testosterona no corpo. A produção de testosterona no homem apresenta um pico na adolescência, mas, ao longo dos anos, diminui gradativamente devido ao lento declínio da função gonadal, conforme podemos observar no esquema a seguir: DECLÍNIO GRADUAL DE TESTOSTERONA NO CORPO DO HOMEM Nível de testosterona Deficiência de testosterona Idade 20 Idade 30 Idade 40 Idade 50 Idade 60 Idade 70 Idade 80 Idade 90 Imagem: Shutterstock.com Níveis de testosterona no homem.A dosagem da testosterona sérica é importante para o diagnóstico de disfunções das gônadas e da glândula adrenal, e na avaliação do desenvolvimento puberal. A maior fração desse hormônio circula no plasma, ligada à albumina e à globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), e a testosterona livre corresponde a apenas 1-3% de sua concentração total. Assim, qualquer alteração na concentração das proteínas plasmáticas, como hepatite aguda, afeta a concentração de testosterona total, sendo mais interessante a dosagem da fração livre. + SAIBA MAIS Estudos atuais mostram que a fração livre e a ligada à albumina exercem a ação biológica desse hormônio. A ligação da testosterona com albumina é mais fraca em relação a ligação com SHBG, assim, apenas a testosterona livre e ligada à albumina é capaz de ligar-se aos receptores desse hormônio nas células, sendo essas duas formas consideradas como testosterona biodisponível. A fração total pode ser dosada no soro ou plasma por RIA ou quimiluminescência, a fração livre, por diálise de equilíbrio e a testosterona biodisponível, após precipitação com sulfato de amônio. É importante ressaltar que esses métodos são caros, e a fração livre pode ser calculada por uma equação tendo como base as dosagens de SHBG (dosada pelo RIA) e testosterona total. A testosterona livre, fração da testosterona que é biodisponível, é um marcador mais exato do hipogonadismo.19 26 2 CH, 0 3 CH. CH, 0 CH, 3 CH, CH CH CH, CH CH2 CH2 0 CH CH Foto: Shutterstock.com Estrutura química da androstenediona. ANDROSTENEDIONA Esse é um hormônio de natureza esteroide, sendo um dos mais extraordinários precursores da testosterona e da estrona, e está comumente elevada em casos de hirsutismo e virilização. Diferente de outros andrógenos suprarrenais, origina-se nas suprarrenais e nos ovários. Os níveis séricos se elevam constantemente a partir do sétimo ano de vida, e diminuem gradualmente após os 30 anos. Possui oscilação diurna, aumentada de manhã, variando durante o período menstrual, e mais elevada perto do meio do ciclo, também aumentada durante a gravidez. A determinação da androstenediona é realizada no sangue total, pelo método da quimiluminescência. ESTRONAÉ um hormônio estrogênico secretado pelos ovários e é o principal estrogênio circulante após a menopausa. HIRSUTISMO Hirsutismo é um aumento da quantidade de pelos na mulher em locais comuns ao homem. VIRILIZAÇÃO Virilização é o surgimento de características masculinas exageradas, normalmente em mulheres, frequentemente causado pela superprodução de andrógenos. ATENÇÃO Baixas taxas séricas podem indicar doença de Addison. Índices elevados desse hormônio estão ligados à hiperplasia adrenal congênita por deficiência da enzima 21-hidroxilase, síndrome do ovário policístico, tumores virilizantes, síndrome de Stein-Leventhal, hiperplasia ovariana estromal, síndrome de Cushing, tumores ectópicos produtores de ACTH. ESTROGÊNIOS E PROGESTERONA Os estrogênios e a progesterona são os hormônios esteroides sexuais femininos. Formados a partir do colesterol em múltiplos tecidos endócrinos, ligam-se a proteínas carreadoras e sãotransportados pelo sangue até suas células-alvo. Afetam o desenvolvimento e o comportamento sexual, além de várias funções reprodutivas e não reprodutivas, atuando em receptores celulares no núcleo que causam a modificação da expressão de genes específicos. estrogênio, na verdade, agrupa muitos compostos químicos que se diferenciam entre si na estrutura química e nas propriedades gerais, porém todos demonstram a capacidade de estimular o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais femininas. Os principais são estradiol e estriol, que são produzidos pelos ovários, placenta e, ainda, podem ser derivados da reação de aromatização dos androgênios nos tecidos periféricos. ESTRADIOL (E2) Também denominado 17-beta-estradiol é o hormônio sexual mais ativo e importante na mulher em estágio reprodutivo, encontrado em níveis baixos no hipogonadismo primário e secundário. Geralmente, é dosado nos casos de amenorreia e monitoração do desenvolvimento folicular, durante indução da ovulação. Também pode ser secretado pelas glândulas adrenais, testículos e pela conversão periférica da testosterona. Índices elevados são detectados nos tumores ovarianos, tumores feminilizantes adrenais, puberdade precoce feminina, doença hepática e ginecomastia (homens). Como as dosagens do estradiol podem apresentar enorme variação entre diferentes laboratórios, sugere-se seu controle em um único laboratório. A determinação da concentração plasmática é feita em amostra de sangue, após jejum de quatro horas, pelo método do RIA ou quimiluminescência. ESTRIOL (E3) É um estrogênio de baixa atividade produzido pelas células trofoblásticas da placenta.Placenta Placenta Vilosidade placentária Membrana placentária Cordão umbilical Espaço interviloso Vasos Cordão umbilical sanguíneos Vasos sanguíneos da mãe do feto Imagem: Shutterstock.com Anatomia da placenta humana. Suas indicações para dosagem se fazem necessárias nas seguintes situações: gravidez para a triagem de síndrome de Down e trissomia do cromossomo 18 e 13, e suspeita de diversas síndromes genéticas com defeitos de fechamento do tubo neural. X X X X X X X 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 X y Imagem: Shutterstock.com Cariótipo da síndrome de Down (note a trissomia do cromossomo 21). Seu aumento ocorre no primeiro trimestre de gestação, decaindo a partir da semana de gestação e sendo útil entre a e a Encontra-se diminuído nos casos de qualquer defeito do tubo neural (até mesmo a anencefalia), bem como no retardo de crescimento intrauterino e doença hipertensiva da gravidez; condições de uso de diuréticos, corticosteroides, penicilinas, cáscara-sagrada, sene, fenolftaleína, anemia, hepatopatia e altitudes elevadas também podem baixar seus níveis séricos. Aumentos do estriol são notados na hiperplasia adrenal congênita. A avaliação da sua concentração plasmática é feita em amostras de sangue,coletadas após o jejum obrigatório, sendo dosado pelo método de RIA ou quimiluminescência. Pacientes devem informar se estão grávidas e o tempo de gestação. PROGESTERONA Hormônio feminino HC COCH, 3 Diminuição Normal Aumento dos níveis dos níveis hormonais hormonais Tratamento do aborto, Gravidez (normal), disfunção amenorreia, menopausa congênita do córtex adrenal, tumor nos gravidez ectópica, reposição hormonal Foto: Shutterstock.com O Causa do aumento e diminuição da progesterona. É o principal hormônio que afeta o desenvolvimento sexual durante a puberdade, compreendido na reprodução feminina. Como ensaio laboratorial, auxilia bastante no diagnóstico de causas de infertilidade, indicando quando e se a ovulação ocorre e/ou monitorando uma ovulação induzida, identificando gravidez ectópica ou aborto espontâneo, monitorando gravidez de alto risco e acompanhando a reposição hormonal de progesterona (do início da gravidez). A determinação da progesterona é realizada com amostras de sangue, coletadas após jejum mínimo de três horas, pelo método do RIA ou quimiluminescência. HORMÔNIOS DA GRAVIDEZ Durante a gravidez, a mulher sofre várias alterações endócrinas, para implementação da placenta e manutenção da vida do feto. A placenta é responsável pela síntese dos hormônios esteroidais (que estudamos) e dos hormônios peptídicos, como a gonadotrofina coriônica humana (hCG) e lactogênio placentário humano (hPL).Você certamente já conhece o exame de para avaliar uma possível gravidez, mas sabe para que dosamos o hPL? Vamos entender? GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA (HCG) A gonadotrofina coriônica humana (hCG) é formada pela combinação não covalente de duas subunidades, alfa (ahCG) e beta (BhCG). Essas subunidades são sintetizadas em separado pelo tecido trofoblástico normal e células hipofisárias e, em seguida, glicosiladas em várias etapas, o que resulta na secreção plasmática de moléculas heterogêneas, são elas: hCG intacta, as subunidades nas formas livres e as variantes hCG hiperglicosilada (H-hCG), hCG clivada (N-hCG) e fragmento-núcleo de bhCG (CF-bhCG). Na gravidez, esse hormônio é sintetizado pela placenta e liberado nas formas intactas e nas subunidades alfa e beta, estimulando a produção dos hormônios esteroidais, a manutenção do corpo lúteo durante as dez primeiras semanas e evitando a rejeição fetal. Sua produção começa no momento da implementação e pode ser detectado no plasma a partir de 8-10 dias de gestação, permanecendo alto até dois meses e meio, conforme ilustra a imagem abaixo. E hCG P 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Meses de gestação P Progesterona (P) E Estradiol (E) Foto: Shutterstock.com Modificações hormonais durante a gravidez.A hCG e suas variantes podem ser encontradas no soro, urina e líquido amniótico de grávidas; soro, urina e vesículas em pacientes com coriocarcinoma e em fluidos biológicos de mulheres (não grávidas) e homens saudáveis ou com tumores de variada origem embrionária. Sendo aplicadas para a detecção precoce da gravidez ectópica, na avaliação do risco do aborto, anomalias cromossômicas êmbrio-fetais, pré-eclâmpsia ou crescimento intrauterino restrito. Na ausência de gravidez, são importantes marcadores laboratoriais de tumores com diferentes tipos histológicos e seguimento após a terapia inicial. Nos homens, são indicativos de câncer nos testículos. A determinação de hCG é feita a partir de amostras de urina ou de sangue, sem necessidade de jejum, dosado pelo método fluorimétrico automatizado, por ensaio imunocromatográfico e imunoenzimático. ATENÇÃO Como a subunidade alfa é semelhante aos hormônios LH e FSH e a beta está presente apenas na hCG, sua detecção é mais específica e sensível, por isso, o exame de é tão famoso! LACTOGÊNIO PLACENTÁRIO HUMANO (HPL) Esse hormônio, produzido pela placenta, com estrutura química bastante similar à do GH, à da prolactina e da somatotrofina hipofisária, é encontrado no plasma da gestante a partir da semana, e é muito importante na preparação das mamas para a amamentação. Além disso, estimula a lipólise, aumentando os níveis de ácidos graxos livres, a gliconeogênese e aumenta a insulina plasmática (Default tooltip) , o que disponibiliza para o feto uma maior concentração de glicose e nutrientes para o seu crescimento. Ele é dosado no plasma congelado pelo método de ELISA.DIAGNÓSTICO DA GESTAÇÃO E SÍNDROMES HEREDITÁRIAS PELA DOSAGEM DE HORMÔNIOS Neste vídeo, saiba mais sobre os hormônios utilizados para o diagnóstico da gestação e de síndromes hereditárias. Para assistir a um vídeo sobre assunto, acesse a versão online deste conteúdo. PARATIREOIDE E METABOLISMO ÓSSEO Durante a vida, o tecido ósseo encontra-se em constante remodelamento, pela atividade osteoblástica, responsável pela síntese de matriz orgânica e mineralização óssea e atividade osteoclástica, que produz enzimas proteolíticas que hidrolisam essa matriz. remodelamento ósseo regula a concentração de cálcio e fósforo no sangue e é controlado pelo paratormônio (PTH) e calcitonina, conforme observamos na imagem a seguir.Glândula tireoide Estimulação da deposição Ca2+ Osso Calcitonina Redução da Hipercalcemia reabsorção Ca2+ Rim cálcio Concentração plasmática de cálcio Osso Ca2+ cálcio Rim Hipocalcemia Estimulação da liberação Ca2+ Intestino Estimulação Paratireoides delgado a captação Ca2+ PTH Imagem: Shutterstock.com Mecanismo de homeostasia do cálcio. Como estudamos a calcitonina quando visitamos a glândula tireoide, vamos aprender sobre a importância da dosagem do paratormônio. Além disso, vamos entender a importância da dosagem da osteocalcina, uma proteína produzida pelos vamos lá? PARATORMÔNIO O paratormônio é um hormônio produzido pelas glândulas paratireoides que ajuda a manter os níveis séricos de cálcio. Ele é controlado via mecanismo de feedback pelo próprio PTH, pela Vitamina D, pelo fósforo (fosfatos), magnésio e cálcio. É dosado quando se deseja determinar a causa do desequilíbrio nos níveis do cálcio, avaliando a função dessas glândulas. Usado largamente a fim de diagnosticar e diferenciar o hiperparatireoidismo primário, secundário e terciário. No quadro a seguir, conseguimos verificar algumas características dessas desordens. É importante ressaltar que, além do PTH, devemos dosar cálcio sérico. Hiperparatireoidismo Hiperparatireoidismo Hiperparatireoidismo primário secundário terciárioQuando a alta produção de PTH é Evolução do Produção excessiva devida à hiperplasia hiperparatireoidismo de PTH em uma ou das paratireoides, em Defeito secundário para um mais glândulas da consequência de estado de evolução paratireoide. hipocalcemia, devido autônoma de PTH. a insuficiência renal crônica. PTH Elevado Elevado Elevado Cálcio Elevado Reduzido Elevado Reduzido, normal ou Fósforo Reduzido ou normal Reduzido ou normal elevado Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal Quadro: Característica do Elaborado por: Mila Muraro de Almeida. Essa avaliação também é empregada no diagnóstico de hipoparatireoidismo. Nesses casos, há uma diminuição dos níveis de PTH e cálcio. Além disso, quando se realiza o tratamento cirúrgico para o hiperparatireoidismo, o PTH deve ser dosado para confirmar se a glândula ou glândulas retiradas eram as responsáveis pela produção excessiva desse hormônio. O PTH é um peptídeo de meia-vida biológica bastante curta e extremamente frágil. A coleta requer condições especiais, que incluem refrigeração imediata (2°C-8°C), centrifugação, rápida separação e congelamento do soro. Caso essas condições não sejam seguidas, podem ser obtidos resultados falsamente baixos. A determinação é feita em amostra de soro pelo método da quimiluminescência. Como as taxas de PTH variam durante o dia, as amostras deverão ser colhidas por volta das 8 horas da manhã.SAIBA MAIS Para a realização do diagnóstico diferencial das hipercalcemias, é feita a dosagem do paratormônio relacionado à proteína (PTH-rP), pois ela é produzida e liberada por tecidos neoplásicos, como o carcinoma de células escamosas do pulmão, provocando um pseudo- hiperparatireoidismo, com hipercalcemia grave e níveis baixos ou indetectáveis de PTH. Sua determinação é feita por radioimunoensaio em amostra de sangue. OSTEOCALCINA A osteocalcina, ou BPG, é uma proteína da matriz óssea produzida exclusivamente pelos osteoblastos durante o processo de síntese da matriz Além disso, a BPG está ligada também a diversas ações hormonais associada à homeostase de glicose e metabolismo energético, atuando nas células e no tecido adiposo. A isoforma hormonalmente ativa é a decarboxilada, responsável por estimular a secreção e sensibilidade à insulina, nos adipócitos e músculos. A insulina e a leptina agem nos ossos e modulam a secreção da osteocalcina, fazendo com que o esqueleto se torne um órgão endócrino. + SAIBA MAIS A osteocalcina é a principal proteína não-colágena presente no osso e funciona como marcador de formação óssea, sendo importante sua dosagem para o melhor controle do processo de remodelação óssea, como nos tratamentos da osteoporose. Ela está elevada na Doença de Paget, hiperparatireoidismo primário e insuficiência renal. A determinação da BGP é feita pelo método eletroquimioluminescência em amostras de soro obtidos após jejum de oito horas, pois a lipemia afeta a dosagem dessa substância. HORMÔNIOS PANCREÁTICOSINSULINA A dosagem desse analito hormonal serve para avaliar a produção de insulina, diagnosticar insulinoma e investigar a causa de hipoglicemia. Esse hormônio é sintetizado e armazenado nas células sendo crucial para transporte e armazenamento da glicose nas células, e regulando o nível sérico de glicose e controle do metabolismo de lipídios. Níveis de glicose elevam-se após a ingestão de alimentos e promovem a liberação de insulir permitindo que a glicose entre nas células para a produção de energia. Também estimula o armazenamento da glicose em excesso no fígado como glicogênio, e no tecido adiposo, com ácidos graxos. Sem esse hormônio, a glicose não atingiria a maioria das células do corpo. Insulina Somatostatina Glucagon VIP Insulina: Aumenta Somatostatina: a captação de glicose regula o sistema e o metabolismo endócrino inibindo a nas células secreção de insulina e o glucacon. Glucagon: Atua vasoativo no fígado levando a intestinal: Estimula a quebra de glicogênio secreção de água, eletrólitos em glicose e relaxa a musculatura aumentando a motilidade. Imagem: Shutterstock.com Hormônios pancreáticos e insulina. ATENÇÃO A falta de glicose nas células e em demasia na circulação pode causar alterações do metabolismo, como doença renal, doença cardiovascular e problemas neurológicos e visuais diante disso, o diabetes, associado à diminuição da função da insulina, pode causar problem que envolvem risco de vida.Pode ser solicitada a sua dosagem quando há hipoglicemia documentada, sintomas sugestivos de liberação ou utilização inadequada da insulina pelo corpo, monitorando pacientes diabéticos e identificando a resistência à insulina. Sua determinação é feita em amostra de sangue, com oito horas de jejum, ou com um jejum mais longo, conforme determinação médica, pelo método de radioimunoensaio com duplo anticorpo. PRÓ-INSULINA E PEPTÍDEO C A insulina é sintetizada nas células das ilhotas pancreáticas, sendo formada por duas cadeias de polipeptídeos - A e B - ligadas por pontes de dissulfeto. No entanto, a insulina é, primeiramente, produzida pelo pâncreas como pré-pró-insulina. Ainda nas células pancreáticas, no retículo endoplasmático rugoso, um pequeno resíduo peptídico de sinalização é clivado e a pró-insulina é formada, apresentando as duas cadeias A e B conectadas pelo peptídeo C. Após ser enviada para o complexo de Golgi, a pró-insulina é clivada por enzimas que liberam o e as duas cadeias ficam ligadas por pontes dissulfeto. Então, a molécula madura de insulina é formada, empacotada em grânulos maduros, para ser liberada na circulação. Normalmente, uma pequena concentração escapa para a corrente sanguínea (2-3%), antes da conversão da insulina. A determinação de pró-insulina reflete a produção de insulina no pâncreas. Em qualquer aumento na estimulação das células 3, como na obesidade, na resistência periférica à insulina, ocorre um aumento sérico da pró-insulina. Além disso, ela é empregada no diagnóstico de insulinomas, nos quais a secreção dessa molécula é muito maior.Pro-insulina NH, Phe 6 8 9 10 21 COOH 2 3 Asn Gin 5 His 6 Leu > 8 9 15 16 Cys Gly S 24 27 Pro 28 29 Thr 30 11 12 13 14 17 18 19 10 11 12 13 Glu 14 Ala Leu 15 Tyr 16 17 18 19 20 21 22 Cadeia A 1 2 3 4 5 7 8 9 10 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 S Insulina NH2 Gly Va Glu Cys Cys Glu Asr Cys Asn COOH NH, Asr His Leu Glu Ala Arg Gly COOH Cadeia B 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Imagem: Shutterstock.com Insulina e Pro-insulina. A determinação da pró-insulina é feita em amostras de sangue (soro), coletadas após jejum de oito a dez horas, pelo método de quimiluminescência. paciente não pode fazer atividade física e as medicações para o tratamento da diabetes devem ser, preferencialmente, suspensas, mas recomenda-se seguir a orientação médica. Assim como a pró-insulina, o peptídeo C é usado a fim de monitorar a produção de insulina pelo pâncreas. Como mencionado anteriormente, o peptídeo C é uma cadeia curta de aminoácidos, sintetizada quando a pró-insulina, molécula inativa, se divide para formar Esse peptídeo é liberado para a corrente sanguínea, não apresentando atividade biológica, mas meia vida alta, e sendo excretado pelos rins. Sua dosagem é empregada quando houver suspeita de resistência à insulina, nos casos de o paciente ter hipoglicemia, para a investigação da produção da insulina em um paciente com diabetes e para estabelecer a melhor hora de administração da insulina. Ela é feita em amostra de sangue ou urina de 24 horas pelo método de quimiluminescência. Para as amostras de sangue, é obrigatório o jejum de oito a dez horas. VERIFICANDO APRENDIZADO1. NO HOMEM, HIPOGONADISMO É UMA CONDIÇÃO QUE SE CARACTERIZA PELA DIMINUIÇÃO DO DESEJO SEXUAL, DA EREÇÃO MATINAL, DIMINUIÇÃO DA MASSA E FORÇA MUSCULAR, E AUMENTO DA GORDURA ABDOMINAL, TUDO ISSO ASSOCIADO À QUEDA DOS NÍVEIS DE TESTOSTERONA. SOBRE A DOSAGEM DESSE HORMÔNIO, ANALISE AS AFIRMATIVAS A SEGUIR: I. A FRAÇÃO LIVRE PODE SER DOSADA PELO MÉTODO DE DIÁLISE POR EQUILÍBRIO. II. A FRAÇÃO LIVRE PODE SER CALCULADA A PARTIR DOS VALORES DE TESTOSTERONA TOTAL E DA FRAÇÃO LIGADA A ALBUMINA. III. A DOSAGEM DE TESTOSTERONA TOTAL É UM MARCADOR MAIS EXATO DO É CORRETO o QUE SE AFIRMA EM: A) B) C) III III 2. VIMOS QUE A DOSAGEM DO PARATORMÔNIO É IMPORTANTE NA AVALIAÇÃO DA CAUSA DO DESEQUILÍBRIO NOS NÍVEIS DO CÁLCIO, AVALIANDO A FUNÇÃO DA GLÂNDULA UM AUMENTO DOS NÍVEIS DE CÁLCIO, SEGUIDO DE UM AUMENTO DO HORMÔNIO PTH E DIMINUIÇÃO DE FÓSFORO É INDICATIVO DE: A) Carcinoma de células escamosas do pulmão. B) Insuficiência renal crônica. C) Hiperparatireoidismo secundário.D) Hipoparatireodismo. E) Hiperparatireoidismo primário. GABARITO 1. No homem, o hipogonadismo é uma condição que se caracteriza pela diminuição do desejo sexual, da ereção matinal, diminuição da massa e força muscular, e aumento da gordura abdominal, tudo isso associado à queda dos níveis de testosterona. Sobre a dosagem desse hormônio, analise as afirmativas a seguir: I. A fração livre pode ser dosada pelo método de diálise por equilíbrio. II. A fração livre pode ser calculada a partir dos valores de testosterona total e da fração ligada a albumina. III. A dosagem de testosterona total é um marcador mais exato do hipogonadismo. É correto que se afirma em: A alternativa "A' está correta A testosterona é encontrada no plasma, na forma livre, em baixas concentrações e em maior concentração, ligada à albumina ou à SHBG. Apenas a fração livre e a ligada a albumina são capazes de exercer o efeito sobre o organismo, pois a ligação à albumina é fraca e rapidamente revertida, em comparação à ligação com a SHBG. Assim, essas duas frações (livre e ligada a albumina) são marcadores mais exatos do hipogonadismo. A fração livre pode ser dosada pelo método de diálise por equilíbrio ou estimada por cálculos matemáticos, utilizando por bases os valores de testosterona total e da fração ligada a SHBG. 2. Vimos que a dosagem do paratormônio é importante na avaliação da causa do desequilíbrio nos níveis do cálcio, avaliando a função da glândula paratireoide. Um aumento dos níveis de cálcio, seguido de um aumento do hormônio PTH e diminuição de fósforo é indicativo de: A alternativa "E " está correta.