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Endocrinologia 1 Endocrinologia Endocrinologia 1. INTRODUÇÃO A endocrinologia é o ramo da ciência biológica que estuda o funcionamento das glândulas e dos órgãos com funções endócrinas, bem como a ação dos seus produtos de secreção, os hormônios. Principal função: Proporcionar ao organismo do animal a capacidade de manter a integração funcional dos diversos tecidos, permitindo a adaptação ao ambiente. Os hormônios atuam em diferentes níveis: Molecular → controlando a transcrição gênica e a síntese proteica. Celular → influenciando a divisão, diferenciação e apoptose das células. Orgânico. Para tanto a função dos hormônios atige quatro grandes domínios: Reprodução; Crescimento e desenvolvimento corporal; Manutenção adequada do meio interno; Produção, utilização e armazenamento de energia. 2. ÓRGÃOS ENDÓCRINOS Os órgãos capazes de produzir hosrmônios estão distribuidos pelo organismo animal sob diversas apresentações. Endocrinologia 2 GLÂNDULAS ENDOCRINAS CENTRAIS Hipófise Hormônio de crescimento - GH; Tireoestimulante - TSH; Adrenocorticotrófico - ACTH; Luteiniante - LH; Foliculoestimulante -FSH; Prolactina - PRL; Antidiurético - ADH; Ocitocina. Hipotálamo Incubido da produção de peptídeos secretagogos ou inibitórios dos hormônios hipofisários. Pineal Melatonina → hormônio que regula o ciclo sono-vigília. GLÂNDULAS ENDÓCRINAS PERIFÉRICAS Tireoide Tironinas; Tri-iodotironina - T3; Tiroxina - T4; Calcitocina. Paratireoides Hormônio paratireóideo - PTH. Adrenais Corticosteroides. Catecolaminas. Endocrinologia 3 Pâncreas endócrino Insulina; Glucagon; Somatostatina; Polipeptídio pacreático. Gônadas sexuais - testículos e ovários Esteroides sexuais; Progestágenos; Andrógenos; Estrógenos. Por outro lado, também, tecidos ou órgãos não endócrinos, com outras funções fisiológicas primárias, podem atuar como secretores de hormônios. Rins Renina → converte angiotensinogênio em angiotensina I. Eritropoetina → estimula a eritropoese a partir da medula óssea. Tecido adiposo Produz hôrmonios que controlam a saciedade e metabolismo, como: Leptina; Resistina; Adiponectina → também relacionada com resposta inflamatória. Coração Capaz de produzir ligantes como: Pepídeos natriuréticos. 3. HORMÔNIOS Os hormônios podem ser definicos ´de acordo com sua atuação, como: Sinalizadores celulares Endocrinologia 4 Secretados na corrente sanguínea e atuarão a distância em órgãos ou tecidos-alvo. Parácrina Comunica-se com células vizinhas. EX: testosterona → age localmente nas células seminíferas controlando a produção de espermatozoides. Autócrina Hormônio controla sua própria produção ou o funcionamento da célula que o produz. EX: Fatores de crescimento → IGF - fator de crescimento insulino símile. Existem três principais categorias químicas de hormônios: Proteicos ou Polipeptídicos Variam de tamanho, desde três aminácidos a grandes proteínas. São produzidos inicialmene como grandes hormônios e convertidos no hormônio original dentro da células antes da sua secreção. Armazenado em grânulos secretórios ou vesículoas sendo liberadas pelo processo de exocitose. Atuam na célula alvo ligando-se a receptores localizados em suas superfície externa. EX: ACTH, insulina e PTH. Esteroidais São derivados do colesterol e incluem produtos do córtex adrenal, ovários, testículos e vitamina D. Não são armazenados em grandes quantidade e quando necessário são rapidamente sintetizados a partir do colesterol por reações enzimáticas. Os precursores (em resposta aos sintomas) são movidos para organelas (mitocôndria e retículo endoplásmatico liso), onde uma série de enzimas converte a molécula no hormônio esteroide adequado. São hidrofóbicos e atravessam com facilidade a membrana celular. No sangue se ligam a proteínas carreadoras. Tem meia vida maior → minutos ou até horas. Endocrinologia 5 Atuam na célula-alvo via receptores localizados no interior da células → modificação da expressão gênica. Derivados de aminoácidos São feitos a partir de modificações químicas nas moléculas → principalmente a tirosina. Incluem hormônios tireoidianos e os catecolaminas (epinefrina e norepinefrina). Tireoidianos → atual em células alvos, como esteroides, e são relativamente insolúveis em água, sendo transportados por proteínas na circulação. Atuam em receptores intracelulares. Catecolaminas → produzidos após uma série de metabolismo da tirosina e são secretadas no sangue pela porção medular das adrenais. Não se ligam a proteínas e atuam em receptores celulares de superfície. 4. MECANISMO DE CONTROLE A base do funcionamento do sistema endócrino é a homeostasia. A síntese e liberação dos hormônios dependem de vários mecanismos de controle (periféricos ou centrais), sendo na maioria das vezes autorregulatórios ou de retroalimentação (feedback). Hormônios promovem efeitos biológicos que controlam sua própria produção e liberação. Feedback negativo O efeito promovido pelo hormônio suprime sua própria secreção. Exemplo: Eixo hipotalâmico-pituitário-glândula-alvo → controle da tireoide. Eixos CRH-ACTH-corticosteroides. GnRG-FSH/LH-esteroides gonadais. Endocrinologia 6 Figura representa a Retroalimentação negativa do eixo hipotalâmico-pituitário- adrenal. O produto final (glicocorticoides) inibe a secreção dos hormônios hipotalâmicos (CRH) e hipofisário (ACTH). O sistema renina/angiotensina tem atuação estimuladora sobre o aldosterona também, demonstrando que este pouco depende do ACTH. Feedback positivo Considerado o mais raro. Observado quando o resultado da ação hormonal incrementa → potencializa sua própria produção. EX: produção da ocitocina pela neuro-hipófise. I niciada quando há dilatação da cérvice e resulta em contração uterina. Doenças Endocrinas Endocrinologia 7 Tireoide Hipotireoidismo 1. ANATOMIA A tireoide é composta de dois lobos localizados nas superfícies laterais da traqueia. Lobo direito encontra-se um pouco acima do esquerdo, próximo à superfície caudal da laringe. O tecido glandular é formado por um arranjo circular de células, chamado de folículo. O lúmen folicular é preenchido pelo coloide, principal reservatório de tireoglobulina. Endocrinologia 8 Tireoglobulina Glicoproteína formada dentro da célula folicular e secretada para dentro do lúmen folicular. 2. FISIOLOGIA Para o processo da síntese dos hormônios tireoideanos são necessários duas moléculas: tirosina e iodo. A tirosina é parte da tireoglobulina. Os hormônios da tireoide são os únicos compostos orgânicos iodetados → a única função do iodo ingerido é para a síntese dos hormônios da tireoide. Organificação 1. O iodo absorvido pelo intestino na forma de iodeto é transportado na circulação para a glândula tireoide. Endocrinologia 9 2. Este iodo atravessam à célula folicular e entram no lúmen onde será oxidado pela tireoperoxidase. 3. O iodo oxidado reage com os resíduos tirosina da tireoglobulina formando a monoiodotirosina (MIT) e a di-iodotirosina (DIT). T3 → ligação de um MIT e um DIT. T4 → ligação de duas moléculas de DIT. 4. Sob o estímulo de TSH a tireoglobulina é captada por endocitose pela membrana da célula. 5. Ocorre então a formação do fagolisossomo e várias proteases hidrolisam a tireoglobulina liberando o T3 e T4 para a porção basal da célula, em direção ao sangue. 6. Também são liberados o MIT e o DIT e o iodo é removido por uma enzima sendo reaproveitado pela tireoide. Por se tratarem de hormônios lipofílicos os hormônios tireoidianos necessitam de proteínas transportadoras, entre elas: Globulina ligante de tiroxina Proteína carreadora mais importante nos caninos. Alta afinidade com T4. Baixa concentração sanguínea → baixa capacidade de transporte. Pré-albumina ligante de tiroxina (TBTA) Específica para T4. Albumina. Baixa afinidade por T3 e T4. Alta concentração plasmática → alta capacidadede transporte. Além de certas lipoproteínas: Lipoproteína de alta densidade L2 (HDL2). Apenas 0,5% estão circulando na sua forma livre. O hormônio ligado atuará como grande reservatório, uma vez que ele vai dissociando à medida que a fração livre no sangue vai sendo utilizada pelos tecidos. Endocrinologia 10 T3 → penetra mais rápido nas células. Sendo de 3 a 5 vezes mais potente que o T4. Regulação A síntese dos hormônios tireoidianos e sua secreção são reguladas por mecanismos extra (TSH) e intratireoidianos (autorregulação). TSH → principal regulador da atividade da tireoide, resultando no aumento de sua secreção hormonal. Hormônios da tireoide → regulam a secreção de TSH mediante ao feedback negativo. Ajuste realizado pelo TRH no hipotalâmo. Qualquer redução dos níveis de hormônios tireoidianos livres estimula a hipófise a produzir TSH, ao passo que o excesso desses hormônios reduz a secreção de TSH. Função A glândula tireoide é a mais importante na regulação dos metabolismo. Sendo responsáveis pelo: Estímulo da calorigênese → responsável pela regulação metabólica de todas as células do organismo. Crescimento; Incentiva o catabolismo de lipídios → regulando sua diferenciação e metabolismo; Estimulam o anabolismo e catabolismo proteico; Regulam o metabolismo de carboidratos; Síntese de vitaminas e minerais; Secreção e degradação de outros hormônios. Controle da temperatura corporal; São importantes no desenvolvimeno fetal; Exercem efeitos cronotrópicos e inotrópicos no coração. Atuam no centro respiratório. Endocrinologia 11 Atuam na eritropoese. 3. ETIOPATOGENIA O hipotireoidismo é uma efcção clínica endócrina causada por produção ou secreção ineficiente de hormônios tireoidianos. Esta enfermidade pode ser classificada de acordo com a localização do problema. Hipotireoidismo primário É o tipo mais comum em cães, acomentendo 95% dos casos. Decorrente da perda progressiva do tecido tireoidiano funcional. Os dois achados histológicos mais comuns nesse distúrbio são: Tireoidite linfocítica Caracterizada por destruição autoimune da tireoide e corresponde a mais de 50% dos casos. O próprio organismo produz anticorpos contra as tireoglobulinas, tireoperoxidase e os hormônios T3 e T4. A glândula encontra-se infiltrada por linfócitos, plasmócitos e macrófagos → resulta na destruição glandular e substituição em tecido fibroso. Pode estar associada a síndrome poliglandular. Tem maior predisposição por determinadas raças, sugerindo um padrão de herança genética: Beagles; Borzóis. Os sinais aparecem quando mais de 75% da glândula for destruída. Atrofia folicular idiopática Caracterizada pela perda do parênquima tireoidiano e substituição por tecido adiposo. Ausência de fibrose ou de mínica resposta inflamatória → síndrome distinta ou resultado final da tireoidite linfocítica. Endocrinologia 12 Outras causas Hiperplasia de células foliculares; Neoplasias; Congênita; Iatrogênicas → pós tireoidectomia, farmácos antitireoideos e tratamento com iodo radioativo. Hipotireoidismo secundário Corresponde a menos de 5% dos casos, sendo consequência da falha no desenvolvimento hipofiário ou pela disfunção das células tireotróficas da hipófise. Consequente diminuição da produção do TSH e secundariamente da secreção dos hormônios tireoidianos. As principais causas são: Tumores pituitários; Má formação congênita da glândula pituitária → Pastor Alemão (hipoplasia ou formação de uma bolsa de Rathke cística na hipófise anterior); Deficiência isolada de TSH; Processos iatrogênicos → tratamento cirúrgico, radioativo, medicamentos (glicocorticóides). Hipotireoidismo terciário Tem como característica a deficiência na secreção do TRH pelos neurônios peptidérgicos no hipotálamo. A ausência de secreção de TRH ocasiona na deficiência de secreção do TSH e atrofia folicular seundária da tireóide. Não foi relatada em cães sendo considerada extremamente rara. Hipotireoidismo cogênito Endocrinologia 13 Relatado em filhotes de cães, sendo uma afecção rara e os animais vêm a óbito precocemente. Tem como denominação → cretinismo. As causas documentadas são: Ingestão dietética deficitária de iodo; Disormoniogênese → defeito na organificação do iodo; Disgenesia tireoidiana → má desenvolvimento. 4. INCIDÊNCIA Ocorre principalmente em cães de meia-idade, tendo cerca de 30% dos cães entre 4 e 6 anos. Todos os cães podem desenvolver, contudo cães puros são mais comumente adetados → influência genética. Dobermann; Pinsher; Golden Retriever; Labrador; Cocker Spaniel; Schanauzer miniatura;Teckel; Setter Irlândes; Boxer; Beagle; Borzói; Dogue-alemão. Sem predisposição sexual. 5. SINAIS CLÍNICOS Os sintomas são insidiosos, não específicos e raramente patognomônicos. Os hormônios da tireoide influenciam na função de vários órgãos e por isso os sinais são muito variados. Endocrinologia 14 Sinais metabólicos Os sinais clínicos metabólicos observados incluem: Letargia; Retardo mental; Intolerância ao exercício; Propensão ao ganho de peso; Aumento de apetite e da igestão de alimentos. 40% dos hipotiróideos são obesos. Intolerância ao frio Dificuldade em manter a temperatura corporal constante. Sinais dermatológicos Anormalidades dermatológicas está entre as alterações mais encontradas → 60 a 80% dos casos. Entre os sintomas de destaque temos: Alopecia bilateral → acomete 25% dos animais. Geralmente simétrica não pruriginosa que poupa a cabeça e extremidades. A causa do animal pode ser afetada → cauda de rato. Endocrinologia 15 Hiperqueratose e Seborreia seca Diminuição dos ácidos graxos cutâneos e da prostaglandina unto com a atrofia sebácea. Otite ceruminosa e comedões. Decorrene da mudança na produção sebácea. Áreas sem pelos, axilas e região inguinal. Hiperpigmentação. Pode estar relacionado com menor fluxo sanguíneo ou baixa temperatura cutânea. Endocrinologia 16 Mixederma → fácie trágica. Casos mais avançados, espessamento da pele deido acúmulo de glicocaminoglicanos nas pálpebras, testa e bochechas. Alterações neuromusculares A axoniopatia e a desmielinização segmentar induzida pelo hipotireoidismo podem provocar sinais relacionados ao sistema nervoso central (SNC) ou periférico. As alterações podem ser decorrentes de acúmulo de mucopolissacarídeos, por hiperlipemia ou aterosclerose cerebral. Os sintomas mais comuns incluem: Convulsões; Ataxia; Andar em círculo; Hemiparesia; Hipermetria; Nistagmo. Sintomas relacionados com neuropatia periféria incluem: Paralisia do nervo facial; Fraqueza; Endocrinologia 17 Paresia; Tetraparesia; Dismetria + hiporreflexia ou atrofia muscular. Alterações reprodutivas As alterações so nistema reprodutivo aparecem uma vez que os hormônios tireoidianos são necessários para a secreção normal de hormonônios foliculoestimulantes (FSH) e leuteinizantes (LH). Nos machos podem ocorrer (incomuns): Perda de libido; Oligospermia - baixa quantidade de espermatozoides no sêmen; Azoospermia - ausência de espermatozoide no sêmen; Atrofia testicular. Nas fêmeas o hipotireoidismo predispões: Aumento no intervalo interestro; Dificuldade em desenvolver ciclo estral; Cios silenciosos; Sangramento estral prolongado; Aborto espontâneo; Nascimento de filhores menores que o normal. O aumento de TRH em cadelas pode elevar a produção de prolactina, consequentemente (25% dos casos): Ginecomastia - desenvolvimento anormal das mamas; Galactorreia inapropriada - produção de leite. Alterações cardiovasculares Os sintomas relacionados com o sistema cardiovascular incluem: Bradicardia; Endocrinologia 18 Decréscimo dos efeitos cronotrópicos do miocardio - diminuição do ritmo ou frequência cardíaca ; Aumento do tamanho ventricular; Arritmias. Mudanças de comportamento Estão relacionadas com alterações neurocomportamentais, como: Agressividade; Sumissão; Timidez; Medo; Excitabilidade;Passividade; Irritabilidade; Temperamento instável. Apresentação clínica mais grave O coma mixedematoso é a condição clínica mais grave do hipotireoidismo. Uma complicação rara em casos avançados que provoca graves alterações na consciência e risco de morte. Sintomas encontrados são: Coma ou estupor; Controle anormal da temperatura corporal; Supressão cardiovascular e respiratória. 6. DIAGNÓSTICO Para o diagnóstico corretor é necessário que os dados da anamnese, do exame físico e laboratoriais sejam aliados às determinações dos níveis hormonais → indicando hipofunção glandular. Endocrinologia 19 As determinações hormonais são essenciais para a identificação das endocrinopatias. Exame clínico Palpação da glândula tireoide: O pescoço do paciente deve ficar estendido quando a cabeça do animal for erguida. Deve-se palpar cuidadosamente a região da laringe e traqueia. Fazer palpação bilateral. Avaliar o tamanho, consistência e formato da glândula. Cães com hipotireoidismo é comum que a tireoide esteja aumentada de tamanho e com consistência firme. Procedimentos laboratoriais de triagem Hemograma: Anemia normocítica normocrômica arregenerativa - 30% dos casos. Causa: Especula-se que essa anemia seja causada pelo decréscimo do consumo de oxigênio, o que leva à diminuição da produção de eritropoetina. Bioquímico: Hipercolesterolemia em jejum - 75% dos pacientes; Hiperlipidemia - altos níveis de gordura no sangue. Causa: Devido ao decréscimo do metabolismo, ocorre redução tanto na excreção do colesterol quanto na conversão dos lipídios em ácidos biliares Testes de função da glândula tireoide Concentração sérica basal de T4 total Endocrinologia 20 A mensuração dos níveis de T4 total (T4t) é a soma da porção ligada às proteínas + à fração livre no plasma. A técnica mais eficientes é a radioimunoensaio. Quanto menor a dosagem de T4 total, maior a probabilidade de o animal apresentar hipotireoidismo. Rotineiramente utilizado como teste de triagem. 90% de sensibilidade quando associado a sinais e sintomas clínicos e laboratoriais compatíveis. No entanto essa dosagem hormonal pode sofrer interferências, pois essa diminição pode ocorrer em: Doenças não tireoidianas; Secundárias a medicamentos - glicocorticoides e anticonvulsivantes. Baixox níveis de proteinas trasnportadoras. Concentração sérica basal de T4 livre Corresponde à parcela do hormônio que não está ligado à proteínas transportadoras → 0,1% de T4. Apresentação mais precisa da função da tireoide. O método padrão indicado para mensuração de T4L é a diálise de equilíbrio. Concentração sérica basal de T3 total Assim como no T4t, o T3t é a soma da fração ligada às proteínas + à fração livre no plasma. Esta dosagem não é importante no diagnóstico, uma vez que as médias em cães sádios, hipotireóideos e eutireóideos doentes são muito próximos. Concentração sérica basal de T3 livre Os mesmos problemas apresentados na dosagem de T3T se aplicam a T3L, inviabilizando seu uso. Endocrinologia 21 Concentração sérica basal de TSH canino Essa análise no cão tem deixado a desejar, pois aproximadamente 20 a 40% dos hipotireóideos apresentam-se com TSH dentro dos limites normais. Teste de estimulação por TSH Este teste tem como objetivo estimular a atividade da tireide mediante estímulo pelo TSH exógeno. Capaz de diferenciar o hipotireóideo do eutireóideo em casos de baixa concentração hormonal no soro. A síndrome do eutireóideo doente refere-se à supressão das concentrações séricas do hormônio tireoidiano em caninos eutireóideos em resposta a doenças concomitantes. O TSH utilizado pode ser tanto o bovino como o recombinante humano. Metódo Realiza-se a dosagem de T4t basal, seguida da aplicação de 0,1 unidade/kg de TSH bovino via intravenosa. Após 6 horas, uma nova coleta é feita para análise de T4t é feita após a aplicação. Animais hipotireóideo tanto a primeira quanto a segunda dosagem estarão abaixo do normal. Teste de estimulação por TRH Tem como objetivo fazer a diferenciação entre o hipotireoidimos primário e o secundário. Animais com hipotireoidismo secundário não respondem à administração do TRH. Testes para avaliação da tireoidite linfocítica Visam detectar anticorpos anti-T3, anti-T4 e antitireoblobulina (antiTg) em cães com tireoidite linfocítica. A detecção dos anti-Tg é considerado um teste sensível e específico - 50% dos casos apresentam esses anticorpos e são mensurados pela técnica de ELISA. Endocrinologia 22 7. TRATAMENTO O tratamento tem como objetivo suplementar o hormônio da tireoide em doses que controle os sintomas sem causas tireotoxicose. O tratamento de escolha é: Levotiroxina sódica → dosagem de 0,02 mg/kg sendo o máximo de 0,8 mg por cão a cada 12 horas. Podendo varias de 0,011 a 0,044 mg/kg SID ou BID. A resposta clínica do paciente é o ponto de melhor avaliação do tratamento → com 8 semenas. Hipertireoidismo 1. DEFINIÇÃO O hipertireoidismo é uma doença caracterizada pela produção/secreção excessiva dos hormônis ta tireoide (tireotoxicose): T4 - Tiroxina; T3 - Tri-Iodotironina. É uma doença crônica de evolução lenta e progressiva que causa distúrbios fisiológicos multiplos já que é provocada pelo excesso de atividade metabólica. Geralmente ocorre por conta de uma hiperplasia adenomatosa: Adenoma benigno (98%) Unilateral - 30%; Bilateral - 70%. Carcinoma (2%). 2. INCIDÊNCIA Nos últimos 25 anos houve um aumento na prevalência do hipertireoidismo felino, sendo considerado atualmente a endocrinopatia mais frequente em gatos. É uma enfermidade que acomete: Gatos de meia idade a idosos → > de 6 anos, com média de 12 anosde idade. Não há predisposição racial e sexual. Endocrinologia 23 ETIOLOGIA Ainda não se sabe ao certo o principal fator que causa o HTF. A teoria que se acredita é que seja multifatores: Imunológicos; Genéticos; Ambientais; Comportamentais; Nutricionais: Alguns estudos demonstram maior risco em gatos que se alimentam quase que exclusivamente de dietas úmidas (com sabores específicos) e que utilizam areia sanitária. Falta ou excesso de iodo na dieta. A maioria das rações comerciais contém altos níveis de componentes bociogênicos: Ftalatos; Bisofenóis. Substâncias adicionadas nas embalagens. 3. PATOFISIOLOGIA A patofisiologia do hipertireoidismo envolve uma subpopulação das células epiteliasi foliculares da tireoide, os tireócitos. Esta células se replicam rapidamente e de maneira independente. Estas células adenomatosas hiperplásicas possuem autonomia suficiente para se replicarem e secretar hormônio tireoidiano sem o estímulo do TSH que encontra-se suprimido na hipófise. Adenoma e Hiperplasia Adenomatosa Benigna São alterações neoplásicas e hiperplásicas que frequentemente desencadeiam o hipertireoidismo. Adenoma - aumento de 3 a 4 vezes o tamanho da tireoide. Contêm cápsula e comprime o parênquima adjacente. Endocrinologia 24 Hiperplasia adenomatosa - causa secreção autonôma e em excesso od hrmônios tireoidianos. Proteína G Estudos demostraram redução da expressão de uma proteína G no tecidos tireoidianos de gatos tireotóxicos. A proteína G se acopla ao TSG e pode agir de modo estimulatório (Gs) ou inibitório (Gi). Caso ocorra uma superexpressão do Gs ou uma subexpressão do Gi ocorrera aumento no estímulo das células tireoidianas. O aumento dos níveis de T3 e T4 acarreta numa série de fatores por conta do aumento do metabolismo: Aumento do consumo de O2 nos tecidos (60 a 100%). Tecidos renais e cardiacos há uma exarcebação. Aumento os efeitos catabólicos do músculo e tecido adiposo: Perda de peso (gordura) e perda de massa muscular (sarcopnicos). Gatos idosos já são propensos a serem sarcopenicos. Aumento da eritropoiese: O aumento do oxigênio gera um estímulo para a produção de células vermelhas pela medula óssea. Endocrinologia 25 Observa-se em alguns casos aumento do hematróquito.Aumento da sensibilidade dos tecidos às catecolaminas: Gatos naturalmente já são sensíveis as manifestações do SNSimpático. Exarcebação sinais simpáticomiméticos. 4. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os hormônios tireoidianos são responsáveis por várias funções fisiológicas. Deste modo, praticamente todos os órgãos podem ser afetados pelo HTF levando a uma grande variedade de sinais clínicos. Gatos com Hipertireoidismo normalmente apresentam um excelente apetite e são bastante ativos para a idade o que acaba sendo percebido pelos tutores como um comportamento positivo. Os sinais podem variar dependendo de fatores como: Duração da efecção; Gravidade; Presença de doenças concomitantes; Incapacidade do sistema suportar o excesso de hormônio; Grau de observação dos tutores. Principais manifestações Endocrinologia 26 Aspectos gerais A perda de peso é o sinal clínico mais comumente observado em gatos com HTF → 90% tem perda de peso moderada a grave. Em 60% dos casos a polifagia acompanha a perda de peso. Ambos são decorrentes do aumento da taxa metabólica e do gasto energético. Com o decorrer do tempo ocorrerá deficiência nutricional e calórica que resultarar em catabolismo proteico e balanço begativo de nitrogênio → levando a sarcopenia e fraqueza muscular. Pele e pelos A falta de cuidado com os pelos e o maior crescimento destes ocorrem devido ao aumento da síntese proteica. Também é observado onicogrifose e pele quente. A alopecia ocorre devido as excessivas lambeduras induzidas pela termogênese ou de ordem comportamental. Sistema nervoso e alterações comportamentais Animais com hipertireoidismo geralmente são inquietos apresentando ansiedade e agressividade → dificultando manuseio durante o exame físico. Além de Hiperatividade, deambulação e vocalização. Baixa tolerância diante de situações que provoquem tensão (estresse) → arritmias cardíacas, angústia respiratória e fraqueza. Alterações musculares Fraqueza e presença de fadiga → menor frequência. A perda de massa muscular (depleção muscular) generalizada acompanhada de grave perda de peso provavelmente é um fator contributivo. As vezes ocorre em gatos hipertireóideos com outras doenças concomitantes. Geralmente apresenta caquexia. A ventroflexão do pescoço ocorre devido a fraqueza gerada pela depleção muscular. Sistema gastrintestinal A regurgitação é causada pela ingestão alimentar excessiva e rápida. Endocrinologia 27 A hipermotilidade gastrintestinal povoca aumento da massa fecal, dessa maneira, há má absorção dos nurientes fazendo causando aumento de gordura eliminada nas fezes. A ação direta do T4 no centro do vômito provoca no animal vômitos de intensidade crônica (1 ou 2 vezes na semana) ou esporádica. Sistema renal Os hormônios tireoidianos apresentam ação diurética. Por conta do aumento da perfusão renal ocorre a poliúria e polidipsia. Doença Renal Crônica → afecção frequentemente mascarada pelo hipertireoidismo felino. O T4 elevado levam a aumento de do débito cardíaco e da dilatação das arteríolas da circulação periférica o que leva ao aumento do volume filtrado. Essas alterações ativam o sistema renina-angiotensina-aldosterona o que gera hipertensão renal e retenção de sódio → mascarando alterações clínicas e bioquímicas. Sistema respiratório As anormalidade do padrão respiratório são resultados da combinação de fraqueza muscular, intolerância ao calor e aumento da produção de CO2. Dispneia; Arquejameto; Hiperventilação em repouso. Sistema cardiovascular A presença de sinais cardíacos é observada em cerca de 50% dos gatos com hipertireoidismo. As alterações mais comumente encontradas são sopro e taquicardia. Os hormônios tireoidianos tem efeito cronotrópico positivo causada aumento da frequência cardíaca. A interação do T3 3 T4 sobre o SNSimpáttico e sua ação direta sobre o miocárdio causa aumento da contração do músculo cardíaco e, consequentemente, levando a: Hipertrofia cardíaca; Aumento do: Endocrinologia 28 Volume plasmático; Pressão arterial sistêmica; Débito cardíaco → insuficiência cardíaca. Edema pulmonar. Efusão pleural (acúmulo de líquido no espalo pleural); Falência biventricular; Arritmia. Frequência; Contratilidade cardíaca. Anormalidade encontradadas na ecocardiografia são: Hipertrofia da parede ventricular esquerda; Dilatação atrial e ventricular esquerda; Hipertrofia do septo interventricular. Hipertensão arterial A prevalência da hipertensão arterial sistêmica (HAS) em gatos hipertireóideos foi relatada em 87% dos casos → mecanismo não esta esclarecido, podendo ser resultado de: Diminuição da resistência vascular periférica; Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona; Aumento da frequência cardíaca e do débito cardíaco. Gatos normotensos, após iniciarem o tratamento para hipertireoidismo, podem desenvolver HAS. Aumento da resitência vascular periférica; IRC. HIPERTIREOIDISMO APÁTICO Esse estado de impassibilidade representa uma forma incomum de hipertireoidismo que ocorre em aproximadamente 10% dos gatos com hipertireoidismo. Sinais como hiperexcitabilidade ou intranquilidad são substituidos por: Endocrinologia 29 Depressão; Letargia; Anorexia; Perda de peso. Estes animais apresentam com frequência: Anormalidades cardíacas; Arritimias; Insuficiência cardíaca congestiva. Flexão cervical ventral → animais anoréxicos. 5. DIAGNÓSTICO O diagnóstico é realizado com base no: Histórico; Identificação dos sintomas; Avaliação clínica laboratorial; Exploração funcional dos lobos tireoidianos → testes específicos e palpação. EXAME FÍSICO No exame físico o primeiro passo para o diagnóstico é a palpação da tireoide → > 90% dos casos apresentam nódulos uni e bilaterais. A ausência da glândula na palpação não descarta o hipertireoidsmo. Endocrinologia 30 Animal também apresenta: EXAMES LABORATORIAIS Tem como objetivo: Diagnosticar o hipertireoidismo. Endocrinologia 31 Identificar doenças associada que são importantes para a decisão do tratamento → EX: HTF + DRC. Pesquisar diagnósticos diferenciais → EX: Diabete mellitus, DRC ou Linfomas. Parâmetros de monitoração subsequente. Testes inespecíficos Hemograma Eritrocitose → por conta da demanda de oxigênio e do estímulo na medula óssea na produção de eritropoiese. Leucograma de stress: Leucocitose; Neutrofilia; Linfopenia; Eosinopenia. Bioquímico Aumento de ALT (90%) → consequência da hipermetabolismo hepático, hiópica hepática, má nutrição ou efeitos tóxicos do T3 e T4. Aumento de AST/FA (62%); Azotemia → DRC associada que aumenta o nível de ureia no sangue decorrente da polifagia e do catabolismo proteico. Hiperfosfatemia → decorrente da elevada reabosrção óssea. Hipocalemia → por conta da perda de potássio a urina já que são poluiricos. Urinálise Identificar doenças associadas: Redução da densidade urinária → DRC; Glicosúria → Diabetes; Bacteriúria → Infecção do trato urinároa (ITU). Radiografia de toráx Não é muito utilizada na rotina. Em animais com Cardiopatias secundárias são observados: Endocrinologia 32 Cardiomegalia; Efusão pleural; Edema pulmonar. Eletrocardiograma 50% dos animais apresentam alterações como: Taquicardia (>240bpm) Alterações de condução ventricular. Contração atrial e/ou ventriculares prematuras. Ecocardiograma Hipertrofia ventricular esquerda. Espessamento do septo interventricular. Dilatação ventricular e atrial esquerda. Hipercontratilidade do miocárdio. Testes específico Mensuração de T3 total Não é um método recomendado por ser menos eficiente já que 30% dos gatos com Hipertireoidismo apresentam níveis normais. Mensuração de T4 total Altamente específico Teste padrão para o diagnóstico já que 90-98% dos gatos com suspeita de hipertireodismo apresentam acima do valor. Não há falsos positivos. Porém pode ocorrer falsos negativos → Síndrome do Eutireoideo doente: 10% dos gatos hipertireoideos temT4 total normal ou dentro do limite superior por conta de: Flutuação diária; Se tratar de uma doença inicial; Endocrinologia 33 Doenças graves que suprime os níveis → nefropatia, DM, doenças sistêmicas, hepatopatia e doenças crônicas. Mensuração de T4 livre A mensuração de T4 livre é feita por meio do método de diálise de equilíbrio. Altamente sensível. Pouco específico → pode dar falso positivo. Não deve ser utilizado como teste inicial, contudo sofre menor tendência a sofre interferência de doenças associadas. Níveis elevados de T4 livre, em associação a T4 total normal alto ou levemente elevada, apoiam o diagnóstico de hipertireoidismo. Mensuração de TSH Em gatos com hipertireoidismo o TSH encontra-se reduzido a 0. Deve ser utilizado em combinação com o T4 total. 6. TRATAMENTO Endocrinologia 34 As opções de tratamento incluem: Tratamento medicamentoso METIMAZOL → fármaco de escolha. Estes fármacos inibem a síntese de hormônios da tireoide ao inibirem a captação de iodo. Não bloqueiam a liberação do hormônio no sangue → controla. Não apresentam efeito antitumoral → o adenoma pode continuar aumentando (consequentemente as doses do medicamento também). CONTROLE e não CURA. Alguns animais podem apresentar efeitos colaterais ou intolerância ao medicamento. Protocolo Dose inicial → 2,5mg 2x ao dia por 2 semanas. Dose padrão → 2,5 a 7,5 mg por dia. Em casos de efeitos adversos → 2,5 mg SID ou 1,25 mg BID. Retornar ao veterinário após o término de 4 semans de “triagem terapêutica”. Nova avaliação do histório e do exame clínico. Realizar um novo hemograma e bioqímica. Mensurar novamente a concentração de T4 total. Em casos de interrupção os níveis de T4 se elevam novamente em até 72 horas. Efeitos adversos Ocorre em 18% dos animais após os primeiros 3 meses do tratamento. Anorexia; Letargia; Vomitos; Diarreia; Alterações hematológicas; Prurido e eritema facial. Hipotireoidismo iatrogênico → corrigir os valores de dosagem. Endocrinologia 35 Forma transdérmica Em casos de efeitos adversos (Vômitos) o medicamento pode ser formulado em gel para aplicação transdérmica. Veículo → gel plurônico de lecitina. Reduz os efeitos colaterias TGI. Tratamento cirúrgico TIREOIDECTOMIA Procedimento considerado em casos de carcinoa. É um tratamento curativo que deve ser realizado por um cirurgião experiente. Tem como desvantagens: Riscos anestésicos; Lesão na paratireoide; A não retirada de tecido ectópico → continua produzindo T4. Tratamento radioterápico IODO RADIOATIVO A teraparia radioativa com administração de iodo 131 considerado tratamento de eleição por ser: Tratamento simples. Alta eficácia. 80% de cura . Indicada principalmente para pacientes com carcinoma tireoidiano. O princípio básico do tratamento com uso de iodo radioativo é que o mesmo são capturados e concentrados pelas células tireoidianas hiperplásicas e neoplásicas, promovendo então sua irradiação e destruição. Tecidos tireoidiano normal tende a ser protegido do efeito radioativo. Vantagens Seguro; Aplicação feita subcutâneo - >70-80% necessitam de apenas uma aplicação; Não é necessário anestesia geral; Endocrinologia 36 Evita medicação diária e possíveis efeitos colaterais. Pode tratar tecido tireóideo ectópico. Protocolo Após a administração do iodo o paciente precisa ficar de 3-1 semana internado para reduzir a taxa de radiação. Depois de 30 dias medir os níveis de T4. T4 normla - gato curado. T4 abaixo do normal sem manifestações de hipotireoidismo → monitorar por 3 meses. Hipotireoidismo permanente → reposição hormonal com levotiroxina. T4 alta → falha no tratamento. T4 muito alta → segunda aplicação. T4 discretamente aumentada → aguardar 3-6 meses. Córtex Adrenal Hiperadrenocorticismo 1. ANATOMIA E FISIOLOGIA As glândulas adrenais nos mamíferos são dois órgãos endócrinos, de cor clara, localizados no tecido retroperitonial, que encontram-se na porção cranial pu antetior de cada rim. Endocrinologia 37 Glândula adrenal direta → encontra-se entre a veia cava caudal e o lobo caudal do fígado. Glândula adrenal esquerda → está adjacente ao lado esquerdo da aorta. Cada glândula é dividida em duas partes distintas que se diferem entre di morfológica, funcional e embriologicamente: Córtex Provém do epitélio celômico mesodérmico. Representa 80 a 90% da glândula e tem função de secretar diferentes hormônios esteróides. O córtex adrenal é constituído de três zonas distintas: Zona glomerulosa → a mais externa, compreendendo 15% do córtex. Responsável pela secreção de mineralocorticóides, sendo o mais importante o aldosterona. Função: aumento na reabsorção de Na+ e aumento da excreção de K+ e H+. Endocrinologia 38 Zona fasciculada → região média, que representa 80% do volume cortical. Responsável pela secreção de glicocorticóides, sendo o principal representante o cortisol. Função: ação imunossupressora e antiinflamatória, efeitos metabólicos como elevação glicogenólise, inibição da síntese de proteínas (exceto fígado), redistribuição da gordura corporal e retenção de Na+. Zona reticulada: mais interna, que compreende os 5% restantes do córtex e que secreta diversos hormônios sexuais, como testosterona, estrogênio e progesterona. Medula Provém do neuroectoderma. Representa de 10 a 20% da glândula nos cães e é responsável pela secreção dos hormônios catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) na corrente sanguínea quando o animal é submetido a estresse fisiológico. As secreções da medula adrenal, principalmente adrenalina, afetam os seguintes processos: Facilitam a transmissão adrenérgica; Aumentam a frequência dos batimentos cardíacos; Aumentam a força de contração do coração; Aumentam a glicogenólise no fígado e músculos; Liberam ácidos graxos livres do tecido adiposo. Endocrinologia 39 Eixo corticocotrófico - Fisiologia A secreção de glicocorticoides é controlada pelo hormônio adrenocorticotrófico - ACTH, no qual é secretado pela adeno hipófise, que por sua vez é controlada pelo hormônio liberador de corticotrofina - CRH, do hipotalámo. No hipótalamo o cortisol é responsável por causar efeito de feedback negativo, diminuindo consequentemente a produção de ACTH; CRH - (Hormônio de Liberação da Corticotropina) → hipotálamo. ACTH (Hormônio Adrenocorticotrópico) → adeno-hipófise. Endocrinologia 40 O ACTH tem tropismo pelas células do córtex da adrenal, mais precisamente da zona fasciculado-reticular. Sua união aos receptores destas células estimula a conversão de colesterol em pregnenolona e posteriormente em cortisol e outros glicocorticoides. Os níveis de cortisol em cães varia durante o dia. Níveis mais altos ocorrem pela manhã e os pontos mais baixos algumas horas após o início do sono. A regulação dos mineralocorticóides (aldosterona) não depende diretamente da hipófise. Ela é regulada pelas concentrações de sódio e potássio e pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona (S-RAA). Dessa forma a aldosterona é liberada quando ocorre diminuição de Na+ sérico (hiponatremia) ou diminuição da pressão sanguínea. Definição e Incidência Também conhecido como Síndrome de Cushing é uma condição clínica caracterizada por concentrações persistentemente elevada de cortisol na corrente sanguínea. Pode ser classificado de acordo com sua origem: HAC hipófise-dependente: Acomete principalmente cães com mais de 6 anos de idade. Não há predisposição sexual. Raças mais predispostas: Poodle, Teckel, Beagle, Terrier Brasileiro, Yorkshire Terrier, Scottish Terrier, Boston Terrier, Labrador, Boxer e Pastor-alemão. HAC adrenal-dependente: 90% tem idade superior a 9 anos. 60-65% dos casos são do sexo feminino. HAC iatrogênico. Endocrinologia 41 Etiologia e fisiopatologia Tem várias origens patofisiológicas, mas todas apresentam um denominador comum: níveis sanguíneos cronicamente elevados de cortisol. HAC - ACTH ou hipófise dependente:Está presente em 85% dos casos - mais comum. Manifesta presença de pequenos adenomas ou macroadenomas. Tumor corticotrófico secretor de ACTH. O adenoma da pars distalis é o achado histológico mais comum. Causa hiperplasia adrenocortical bilateral e excesso de secreção de cortisol e ou hormônios sexuais. O eixo hipofisário-adrenocortical em cães com tumor adrenocortical funcional (AT; à esquerda) e em cães com hiperadrenocorticismo dependente da hipófise (PDH; à direita). HAC adrenal-dependente São responsáveis por 15 a 20% dos casos na espécie canina. Tanto adenomas quando adenocarcinomas podem se desenvolver automaticamente e secretarem quantidades excessivas de glicocorticoides separadamente do controle hipofisário. O cortisol oriundo desses tumores provoca um feedback negativo crônico no hipotalamo e nas hipófise. Consequentemnete causa uma atrofia na região cortical da glândula adrenal contralateral não neoplásica. Endocrinologia 42 Carcinomas geralmente invadem órgãos próximos como rins, fígado e veia casa podendo provocar metástase no fígado e pulmão. HAC iatrogênica Consequência da administração excessiva de corticoides. Tratamento de doenças alérgicas e imunomediadas. Provoca hipoplasia bilateral das glândulas adrenais, pois o cortisol exógeno inibe a produção de ACTH. Manifestações clínicas 1. POLIÚRIA E POLIDIPSIA Caracteriza-se por produção excessiva de urina (>50 ml kg ao dia) e ingestão compensatória de água superior a 60 ml kg ao dia. Ocorre devido a: Aumento da taxa de filtração glomerular; Endocrinologia 43 Inibição da liberação do hormônio antidiurético (ADH) pela neurohipófise; Resposta inadequada ao ADH. O resultado final é a diabetes insípido secundário parcial 2. POLIFAGIA Presente em mais de 90% dos cães com hiperadrenocorticismo sendo único na espécie canina. Representa efeito direto dos glicocorticoides na inibição do centro de saciedade. 3. ABDOME DISTENDIDO A distensão abdominal é um dos sinais mais clássicos e está presente em mais de 80% dos casos. Fatores associados a distensão abdominal: Acúmulo de tecido adiposo na região abdominal associado à astenia dos músculos abdominais e à atrofia (secundário ao catabolismo proteico). Essa alta concentração de gordura se da pela redistribuição anormal de gordura na região do omento e peritônio. Hepatomegalia → consequência da esteatose (gordura) hepática, edema e à vacuolização hepatocelular (secundários ao acúmulo de glicogênio no interior dos hepatócitos). Aumento da bexiga devido à polidipsia que expande a região caudal do abdômen. Endocrinologia 44 4. ASTENIA E ATROFIA MUSCULAR A fraqueza muscular é resultado da perda de massa muscular causada pelo catabolismo proteico. Letargia é provavelmente uma expressão de fraqueza e desgaste muscular. Este definhamento e fraqueza muscular leva o paciente à apresentar sinais como: Letargia; Respiração excessivamente ofegante; Baixa tolerância ao exercício. É possível observar o crescimento do abdômen pendular e redução da massa muscular nos membros, região temporal e sobre a coluna vertebral. 5. DISPNEIA E TAQUIPNEIA Cães com HAC comumente demonstram intensa fadiga e dispneia após mínimo esforço físico. Tal condição é resultado de combinação de fatores, como: Redução do volume torácico pelo acúmulo de gordura na caixa torácica; Aumento da pressão exercida pelo abdome mais distendido; Fraqueza do músculo respiratório. Além disso o aumento de cortisol pode provocar tromboembolismo pulmonar → uma das complicações clínicas mais graves da HAC. Endocrinologia 45 6. ALTERAÇÕES CUTÂNEAS As alterações que envolvem o sistema tegumentar estão presentes em 60-90% dos casos de pacientes com HAC. Tais alterações na fisiologia tegumentar provocada pelos corticosteroides causam: Alopecia simétrica e bilateral ou não; Disqueratinização; Rarefação pilosa; Telangiectasia; Atrofia cutânea; Estriações; Hematomas; Comedões; Piodermatite; Discromia do pelame; Má cicatrização; Calcinose cutânea; A pele se torna fina e perde a elasticidade, principalmente na região ventral do abdômen → consequência da atrofia dos tecidos conectivos dérmicos. Excessiva descamação da superfície cutânea e comedões decorrentes do tamponamento de folículos pilosos, principalmente ao redor de mamilos. Endocrinologia 46 7. HIPERTENSÃO A hipertensão sistêmica é diagnosticada em mais da metade dos casos de cães que HAC que não são tratados. Esta alteração ocorre devido a: Aumento da secreção de renina; Ativação do sistema renina-angiotensina; Aumento da sensibilidade vascular pelo excesso de catecolaminas e agonistas adrenérgicos; Redução de prostaglandinas vasodilatadoras; Aumento da secreção de mirenalocorticoides. 8. CALCIFICAÇÃO ECTÓPICA Em 90% dos casos, cães com HAC apresentam hiperparatireoidismo secundário por resposta ineficaz de pth provocada pelos glicocorticoides. Tal alteração provoca: Calcionse cutânea; Mineralização ectópica em anéis traqueais, paredes brônquicas, rins, artérias e veias; Ceratopatia. Urolitíase; Endocrinologia 47 Depósito de cálcio ectópico em articulações; Reabsorção de cálcio ósseo. 9. ATROFIA TESTICULAR E ANESTRO PROLONGADO O aumento dos níveis de glicocorticoides promove redução da produção de testosterona em machos → atrofia peniana. As concentrações reduzidas de FSH e LH devido a feedback negativo pelo excesso de cortisol promove supressão ovariana e anestro prolongado. 10. SINAIS NEUROLÓGICOS Cães com macroadenoma hipofisário geralmente apresentam alterações neurológicas, como: Anorexia; Agitação; Perda de resposta a estímulos; Desorientação; Compressão de cabeça; Ataxia; Alterações comportamentais; Convulsões; Estupor. 11. SARDS A Síndrome de Degeneração Retinal Súbita Adquirida - SARS é uma desordem retinal que provoca cegueira súbita. Cães que apresentam SARS tem sinais sugestivos de HAC. Cães com HAC - ACTH dependente com macroadenoma hipofisário podem desenvolver cegueira por compressão do quiasma óptico. Diagnóstico Endocrinologia 48 A suspeita de HAC canino fundamenta-se, inicialmente, em anamneses detalhada e exame físico completo → reconhecimento de sintomas clínicos e alterações físicas sugestivas. 1. HEMOGRAMA Normalmente no hemograma é encontrado leucograma de estresse que consiste em: Neutrofilia e monocitose → aumento da liberação das células da medula óssea para os vasos sanguíneos e diminuição da migração para os tecidos. Linfopenia → devido a redistribuição dos linfócitos aos órgãos linfoides. Eosinopenia → devido ao sequestro medular de eosinófilos. Outro achado decorrente é o aumento na contagem de plaquetas → trombocitemia devido aos efeitos estimuladores dos glicocorticoides na medula óssea. 2. BIOQUÍMICA SÉRICA 2.1. Glicemia Discreta hiperglicemia deve resultar do aumento da gliconeogênese hepática e do antagonismo à ação da insulina exercido pelos glicocorticoides. Concentração média de insulina sérica: Cães normais → 12 U/mL. Cães com HAC espontânea → 38 U/mL. Concentração de glicose média: Cães normais → 85 mg/dL. Cães com HAC → 111 mg/dL. 2.2. Fosfotase alcalina (FA) A elevada atividade de FA é a anormalidade mais comum no HA. 85% dos cães tem atividades maiores que 150 UI/L e valores acima de 1000 UI/L são comuns de acordo coma severidade do HAC. 2.3. Alanina aminotransferase (ALT) Endocrinologia 49 Em cães com HAC a atividade do ALT esta elevada sendo decorrente aos danos hepatocelulares decorrentes de esteatose hepática e acúmulo de glicogênio no hepatócito. 2.4. Colesterol O estímulo dos glicocorticóides ao organismo induzindo à lipólise causa incremento nas concentrações sanguíneas e colesterol. 75% dos cães com HAC possuem valores maiores de 300mg/dL das concentrações séricas de colesterol. Animal apresenta: Hipercolesterolemia; Hipertrigliceridemia; Lipemia. 2.5. Eletrólitos séricos A avaliação dos eletrólitosséricos torna-se importante caso o animal com HAC apresente anorexia, vômitos ou diarreia. Um terço dos cães com HAC têm hipofosfatemia devido ao aumento da excreção urinária de fosfato induzido pro glicocorticóides. 2.6. Enzimas pancreáticas Estes parâmetros não são analisados como rotina, e a medição é recomendável quando os animais apresentem sinais de pancreatite. 3. URINÁLISE A anormalidade mais frequente é a diluição urinária (< 1,015-1,020), presente em 85% dos casos Um achado frequente em pacientes com HAC não tratado é a proteinúria → associada a hipertensão sistêmica e glomerular levada por glicocorticoides, pela glomerulosclerose ou glomerulonefrite. Em mais da metade dos casos de HAC é possível constatar infecção no trato urinário, ocorrendo em 50% dos cães afetados. Endocrinologia 50 Recomenda-se a cistocentese. 4. DIAGNÓSTICO POR IMAGEM 4.1. Ultrassonografia abdominal A ultrassonografia é uma das modalidades de diagnóstico que auxilia também na diferenciação do HAC proveniente de um tumor hipofisário do HAC proveniente de um tumor na adrenal. Cães normais: Adrenal esquerda → 2,49 cm de comprimento e 0,61 cm de espessura. Adrenal direita → 2,24 cm de comprimento e 0,58 de espessura. Adrenomegalia Valores se espessura superiores a 0,7 cm ou 0,75 cm em animais com peso superior a 10kg. Cães com tumores adrenais apresentam: Adrenomegalia unilateral com contornos irregulares; Atrofia da glândula contralateral. 4.2. Radiografia Os achados mais compatíveis com HAC são: Aumento do contraste abdominal em virtude de maior distribuição de gordura no abdômen; Endocrinologia 51 Hepatomegalia → provocada pela hepatopatia; Bexiga aumentada → estado poliúrico; Calcificação distrófica da traqueia, brônquios e pele em alguns casos. 4.3. Tomografia computadorizada (TC) Em animais a TC abdominal é eficiente na identificação das adrenais normais e uma adrenal grande ou adrenomegalia bilateral (mesma sensibilidade que a US). Especificamente a TC avalia: Tamanho e simetria das glândulas adrenais; Determina a presença de um macroadenoma hipofisário. 4.4. Ressonância magnética (RM) A RM é considerada a técnica mais sensível para a visibilização da hipófise, sendo capaz de identificar massas hipofisárias pequenas em 50% dos cães com HAC hipófise-dependente na ausência de sintomas neurológicos. Além disso pode-se observar através da RM alterações associadas ao tumor como: Cistos; Edema; Hemorragia; Necrose. 5. TESTE ENDÓCRINOS Para confirmação do HAC, o eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal deve ser avaliado por meio da integridade do feedback negativo. Os testes rotineiramente empregados para a confirmação do HAC endógeno incluem: 5.1. Teste de supressão com dexametasona baixa dose O teste de supressão com baixa dose de dexametasona apresenta sensibilidade de 85 a 100% e uma média de 95% de exatidão na identificação de HAC canino. Endocrinologia 52 O dexametasona se deve ao fato de ser um glicocorticoide sintético potente e não apresentar reação cruzada com o cortisol endógeno do paciente nos ensaios hormonais. A administração baixa de dexametasona gera um feedback negativo suficiente em cães sem alterações clínicas gerando uma supressão na liberação de ACTH na hipófise e consequentemente diminuindo a concentração de cortisol presente no plasma. Protocolo: 💡 Quando é realizado este teste é importante que o paciente esteja livre de todos os fatores estressantes, e não devem se realizar outros procedimentos até completar o estudo Para o protocolo do teste utilizada : Fosfato sódico de dexametasona ou o Dexametasona em polietilnoglicol → 0,01 mg/kg por via intravenosa. É feita a coleta de sangue posteriormente à administração do medicamento e repetir 4-8 horas após. Para o diagnóstico de HAC é utilizado o resultado da concentração sérica de cortisol após 8 horas da aplicação de dexametasona. Cães saudáveis → valores séricos de cortisol abaixo de 1,0 µg/dL. Cães com HAC → concentrações séricas de cortisol acima de 1,4 µg/dL. Concentrações de cortisol que variam de 1,0 a 1,4 µg/dL são consideradas inconclusivas. Ainda que as amostras coletas no momento basal e após 8 horas da aplicação de dexametasona sejam as mais importantes outras amostras coletadas em horas intermediários (2-4 horas após a adm) também podem ser importantes para diferenciar a origem. 60% dos cães com HAC hipófise dependente apresentam após 4 horas da administração do medicamento redução da concentração plasmática de cortisol já que o dexametasona suprime a secreção de ACTH. Endocrinologia 53 5.2. Teste de estimulação com ACTH O teste de estimulação com ACTH é o melhor teste de triagem para diferenciar HAC espontâneo e iatrogênico. Neste exame utiliza-se ACTH exógeno, exemplo: ACTH porcina; ACTH sintética. Tem como objetivo: promover a estimulação máxima da reserva adrenocortical de cortisol, medindo pré e pós a estimulação, a concentração sérica de cortisol. Protocolo: Coleta-se uma amostra de sangue previamente à administração do ACTH sintético. Realização a administração na dosagem de 5 μg/kg, por via intravenosa, e 1 h após é realizada nova coleta para a mensuração de cortisol sérico. Cão normal → 6- 17 µg/dL. Em cães com HAC hipófise ou adrenal dependente a resposta do cortisol ao ACTH é exageradamente elevada. Endocrinologia 54 Cão com HAC espontâneo → superiores ou iguais a 21 µg/dL. Enquanto isso cães com HAC iatrogênico os valores de cortisol estão baixos após a estimulação do ACTH já que o eixo H-H-A está suprimido pela ação dos glicocóticoides exógenos. Cão com HAC-iatrogênico ou normais → Valores abaixo de 17 µg/dL. Valores que levam a suspeita e necessita de retestagem: Variam de 16 a 21 µg/dL. Observação: O teste de estimulação com ACTH não diferencia de forma confiável os casos de HAC adrenal-dependente dos HAC pituitário-dependente. 💡 Cão submetido a um longo período de estresse pode desenvolver determinado grau de hiperplasia adrenal, sendo capaz de induzir a uma resposta anormal ao ACTH (diabetes melito ou piometra), quando a doença primária é tratada atinge uma resposta normal. 5.3. Concentração de ACTH endógeno Endocrinologia 55 💡 A concentração basal plasmática de ACTH não é utilizado como diagnóstico de HAC, uma vez que animais com HAC encontram-se dentro dos valores de referências. A determinação de uma só concentração basal plasmática de ACTH pode ajudar após o diagnóstico para diferenciar a causa de Adrenal dependente de Pituitária dependente. As concentrações plasmáticas basais normais de ACTH variam de 20 a 60 pg/mℓ em cães. HAC iatrogênico ou Adrenal-dependente → suprem a liberação de ACTH → inferiores ao valor de referência → (< 5 pg/mℓ). HAC pituitário-dependente → consequência do excesso de liberação de ACTH → concentrações plasmáticas de ACTH na metade superior ou acima do valor de referência → (> 25 pg/mℓ). Tratamento A escolha do tratamento depende de diversos fatores, tais como: Métodos viáveis da clínica; Etiologia; Estado clínico do paciente; Existência de doenças concomitantes; Endocrinologia 56 Escolha preferencial do MV e proprietário; Custo. Parâmetros para verificação da necessidade do tratamento: Pressão arterial; Glicemia; Urinálise; Avaliação dos sinais clínicos. O tratamento escolhido pode ser clínico ou cirúrgico. 1. TRILOSTANO Considerado atualmente como primeira escolha no tratamento de HAC em cães. Nome comercial: Vetoryl. O trilostano inibe a enzima esteroidogênica suprimindo a produção de progesterona e consequentemente seus produtos finais: cortisol e aldosterona. Endocrinologia 57 Antes de se iniciar o tratamento, os animais devem ser avaliados quanto à sua função renal e hepática Protocolo Dose inicial: 2-6 mg/Kg (cada 24 horas) → administrado após refeição para melhor absorção. Monitorização: Observação da sintomatologia → redução da poliúria, polidipsia epofilagia. Avaliar valor de cortisol → teste de estimulação com ACTH → 4-6 horas após a adm do medicamente e 20-30 dias após início da terapia → nível ideal: e 2 a 5 μg/dℓ. Níveis de cortisol pós ACTH superiores a 5 ou inferiores a 2 μg/dℓ implicam aumento ou redução da dose do trilostano. Realizado mensalmente nos primeiros meses de tratamento e posteriormente a cada 2-3 meses. Endocrinologia 58 Ajuste de dose: em alguns animais é frequente o aumento da dosagem. Contra-indicação: Animais nefropatas e cardiopatas. 2. MITOTANO O mitotano controla os níveis de cortisol por seu efeito adrenolectomia medicamento → destrói de forma seletiva as zonas fasciculadas e reticular do córtex adrenal. Nome comercial → p’DDD; Lysodren®. O mitotano pode ser empregado tanto no tratamento de HAC hipofisário como no de HAC adrenocortical. Envolver duas fases: 1. Fase de indução A dose inicial recomendada para HAC HD é de 20-25 mg/kg 2 vezes por dia, ou 40-50 mg/kg 1 vez ao dia. Tempo de administração: média de 7-10 dias. Deve-se notar efeitos de hipocorticolismo: apetite seletivo, hiporexia, prostração, anorexia, vômito, diarreia. Suspender uso por 7 dias caso observado os sintomas até a que se inicie a fase de manutenção. Também sendo necessário o teste de estimulação de ACTH para comprovação. Níveis de cortisol após 1h da adm de ACTH → 2 e 5 μg/dℓ. Caso continuem aumentado → continuar com o mitotano por mais 4-7 dias até observação de sinais compatíveis com hipocorticolismo. Endocrinologia 59 Níveis inferiores a 2 μg/dℓ + sintomas de hipocorticolismo → suplementar o animal com prednisona a 0,2 mg/kg, 1 vez/dia, durante 5 a 7 dias, e avaliar os níveis séricos de sódio e potássio. 2. Fase de manutenção Nesta fase é feita dose semanal de 500mg/kg dividido 2 ou 3 doses ao longo da semana. Para se certificar de um bom controle terapêutico é realizado: Teste de estimulação de ACTH + perfil bioquímico completo → a cada 2 meses. Retornos ao clínico mensalmente no início. Níveis séricos de cortisol basal e pós-ACTH entre 2 e 5 μg/dℓ indicam controle terapêutico satisfatório. Valores superiores a 5 μg/dℓ, a necessidade de aumentar a dose semanal do mitotano em 25 a 50%. Valores inferiores a 2 μg/dℓ, de reduzir ou suspender a medicação. Endocrinologia 60 3. CETOCONAZOL Tem ação semelhante ao trilostano ao suprimir a secreção de cortisol ao interferir a biossíntese de esteroides. Dose inicial: e 5 mg/kg, 2 vezes/dia por via oral, durante 7 dias. Sem efeitos colaterais (icterícia, disorexia ou prostração): elevar a 10 mg/kg, 2 vezes/dia, podendo chegar até 20 mg/kg, 2 vezes/dia. Após 15 dias do início do tratamento deve-se avaliar o animal para obter níveis de cortisol pós-ACTH inferiores a 5 μg/dℓ Observação: elevado risco de hepatotoxicidade. 💡 50% dos cães não respondem a tal terapia, sendo seu uso fica restrito a casos refratários ou de intolerância ao mitotano e ao trilostano ou a condições financeiras inadequadas para proporcionar o tratamento com um desses fármacos. 4. ADRENALECTOMIA A remoção cirúrgica completa do tumor adrenal apresenta o melhor prognóstico para os cães com hiperadrenocorticismo adrenal-dependente. Contra indicação: animais debilitados ou que apresentam tromboembolismo. Cirurgia de risco: há elevada morbidade e mortalidade no trans e no pós-operatório imediato. Endocrinologia 61 A reposição de glicocorticoide se faz necessária no trans e no pós- operatório, em virtude da atrofia do córtex adrenal da glândula contralateral. Diabetes Melittus Concomitante Devido à resistência provocada pelos glicocorticoides cães com HAC não tratados podem desenvolver Diabetes mellitus. Os glicocorticoides aumentam a gliconeogênese e antagonizam a ação da insulina levando as células beta pancreáticas à exaustão diminuindo assim a produção de insulina. Tratamento: Insulinoterapia → 0,5 a 1,0UI/Kg BID. Insulina intermediária (age durante metade do dia) → NPH ou Lenta. Pâncreas Diabetes mellitus 1. ANATOMIA O Pâncreas é uma glândulas mista, isto é, possui atividades endócrinas e exócrinas. Localizada na região epigástrica direita, possui um: Lobo esquerdo → atrás da curvatura do estômago, próximo do aspecto cranial do cólon transverso. Lobo direito → aderido ao duodeno. Endocrinologia 62 O pâncreas exócrino compõe a maior parte do órgão, apresenta-se como uma glândulas acinosas que sintetizam enzimas digestivas no qual compõe o suco pancreático. Essas enzimas tem como função: Digestão de amidos; Digestão de triglicerídeos; Digestão e proteínas. O pâncreas endócrino está localizada nas Ilhotas de Langerhans que constituem 2% do tecido pancreático e são aglomerados celulares dispersos pelo tecido acinar pancreático. Endocrinologia 63 Nestas ilhotas é possível encontrar ao menos seis tipos celulares, sendo as três mais importante para a manutenção de glicemia: Células alfa → corresponde a 25% das células → produção de glucagon. Células beta → corresponde a 60% das células → produção de insulina. Células delta → corresponde a 10% das células → produção de somatostatina. Células pp → corresponde a 1% das células → produção de polipeptídeo pancreático. Também é possível encontrar: Células G → produção de gastrina. Células épsilon → produção de grelina. 2. CONTROLE DE GLICEMIA A glicose é a principal fonte de energia requisitada pelas células, sendo a partir dela a produção de ATP. Fontes de glicose: Carboidratos → oriundos da dieta. Produção hepática → gliconeogênese e glicogenólise. Células epiteliais renais → gliconeogênese. Quando a glicose não é absorvida pelo intestino, o fígado e os rins assumem um papel importante na sua produção. A produção hepática é resultante da: Gliconeogênese → processos onde precursores como lactato, piruvato, glicerol e aminoácidos são convertidos em glicose. Endocrinologia 64 Glicogenólise → Degradação do glicogênio através da retirada de moléculas de glicose. Glicogênio → polissacarídeo de reserva em animais encontrados nas células do fígado e musculares. Considera-se normal para a glicemia o intervalo de referência para cães entre 60 e 120 mg/dℓ e em gatos 75 a 140mg/dℓ . Cuidado ao interpretar resultados de glicemias de felinos. O estresse pode acarretar glicemias superiores a 200mg/dL. A interação entre a insulina e o glucagon é o que regula o metabolismo da glicose, ácidos graxos livres, aminoácidos e outros substratos. A somatostatina é a reguladora da secreção das células s α e β-pancreática Agem principalmente sobre: Fígado; Massa muscular; Tecido adiposo. 1. Insulina A insulina é um peptídeo que age no controle da glicemia → secretada em resposta a hiperglicemia → diminuindo a glicose no sangue. É um hormônio anabolizante (construção de moléculas) tendo efeitos sobre: Carboidratos → glicogênio. Lipídeos → triglicérideos. Aminoácidos → proteínas. Dentro das células esses compostos são anabolizados para que seja feito seu armazenamento. Funções: Transporte de glicose para dentro das células, já que a mesma não consegue atravessar livremente a membrana plasmática, excetos nos tecidos que precisam constante como cerebrais, leucocitárias e hepáticos. Efeitos biológicos. Endocrinologia 65 Metabolismo de carboidratos: Facilita o uso da glicose para formação de ATP principalmente por induzir enzimas que promove a glicólise. Promove a produção de glicogênio hepático e nos músculos esqueléticos. Diminui a gliconeogênese por aumentar por aumentar a síntese proteica. Proteínas Promove a absorção de aminoácidos pela pelos tecidos periféricos. Induz a síntese proteica. Inibe o catabolismo proteico. Lipídeos Aumenta a lipogênese. Diminui a lipólise. Inibe a síntese de glucagon pelas células alfa. 2. Glucagon Endocrinologia 66 O glucagon tem papel fisiológico em estimular a produção metabólica do fígado. Em condições normais o mesmo é secretado em ocorrência dahipoglicemia. Em períodos de jejum os níveis séricos de glicose se mantém através da produção hepática que aumenta a concentração de glicose e corpos cetônicos no sangue. Além de promover o aumento da glicose sanguínea promove efeitos biológicos: Fígado → promove: Glicogenólise; Cetogênese; Gliconeogênese. Tecido adiposo: Lipólise → aumenta os ácidos graxos no sangue. Músculo: Glicogenólise. Em resumo, a sinalização hepática do glucagon estimula a quebra do glicogênio armazenado, mantém o débito hepático de glicose por meio da gliconeogênese e cetogênese, utilizando como precursores aminoácidos e ácidos graxos, respectivamente. 3. CLASSIFICAÇÃO E ETIOPATOGÊNIA 💡 A diabetes mellitus (DM) é definida como um grupo de doenças metabólicas de origem múltiplas caracterizada por hiperglicemia crônica resultante de defeitos na secreção de insulina, na ação dela ou ambos. 1. CÃES Em cães a DM é considerada como a principal doença pancreática endócrina sendo representada como um grupo de doenças metabólicas autoimunes de múltiplas origes. Etiologia → multifatorial Insuline imunomediada; Predisposição genética → hipoplasia das ilhotas pancreáticas; Panceatite - 30 a 40% dos casos; Obesidade; Endocrinologia 67 Doenças ou fármacos antagônicos à insulina (HAC, acromegalia, glicocorticoides, progestágenos, insuficiência renal, doenças cardíacas, hiperlipidemia e síndrome metabólica). A rota final desses diferentes fatores é a perda de função das células β, hipoinsulinemia e hiperglicemia. Raças com predisposição: Poodle; Labrador; Schnauzer; Cocker Spaniel; Shih tzu; Pug. Não há predisposição sexual, contudo na rotina encontra-se mais fêmeas. Fisiopatogenia: Resulta de uma deficiência absoluta ou relativa na secreção de insulina pelas células beta ou de resistência à insulina. Uma vez estabelecida essa a deficiência ou resistência de insulina ocorre a redução na utilização tecidual de glicose, aminoácidos e ácidos graxos. O fígado acelera os processos de glicogenólise e gliconeogênese → mediada pela falta de insulina e pelo excesso de glucagon → hiperglicemia. A glicose proveniente da dieta também contribui para a hiperglicemia. Toda glicose circulante é filtrada nos glomérulos renais e reabsorvida no ultrafiltrado glomerular. Em cães quando a glicemia fica acima de 180 a 220 mg/dℓ ultrapassa o limite de reabsorção ocorrendo então → glicosúria. A glicose também puxa a água pela osmose para o filtrado levando o animal a uma diurese osmótica → poliúria. O mecanismos da sede é acionado → polidipsia compensatória. Apesar da hiperglicemia ocorre redução de glicose pelos tecidos periféricos decorrente da hipoinsulinemia levando o organismo a ativar vias catabólicas como se estivesse em situação de jejum prolongado → Utilização das reservas energéticas. Endocrinologia 68 Músculo esquelético efeito anabólico → a falta de insulina promove o aumento do catabolismo muscular → degradação de proteínas em aminoácidos para a gliconeogênese. Tecido adiposo inibição do efeito anabólico → ocorre o processo de lipólise para liberar os ácidos graxos não esterificados para o sangue como fontes de energia. Consequentemente ocorre a perda de peso nos animais. No hipotálamo o centro da fome esta sempre ativo, porém é temporariamente inibido pelo centro da saciedade após a refeição. A insulina é um importante regulador e ativador do centro da saciedade. Na sua ausência, em associação ao processo catabólico, ocorre estímulo à polifagia. Assim, tem-se a fisiopatologia dos ditos 4 P do diabetes: Poliúria, Polidipsia, Perda de peso, Polifagia. Resistência insulínica: Endocrinologia 69 Condição patológica onde a insulina é secretada, mas as células dos tecidos periféricos são resistentes a ação da mesma. O pâncreas precisa secretar mais insulina para ela exercer seu efeito biológico. Alguns hormônios podem gerar resistência insulínica: Adrenalina; Cortisol; GH; Glucagon; T3 3 T4; Progestágenos. Patologias também podem causar esta resistências, como: Hipertireoidismo; HAC; Lipidose; Pancreatites; Outras. Glicotoxicidade: A hiperglicemia crônica leva a glicotoxicidade gerando ainda mais lesão às células beta, levando a uma série de outras anomalidades: Redução da secreção de insulina; Interferência no transporte da glicose; Aumenta a resistência insulínica nos tecidos periféricos. Classificação: 1. Diabetes mellitus insulinodependente: O pâncreas não secreta a insulina. 2. Diabetes mellitus não insulinodependente: A insulina é secretada, mas ocorre resistência dos tecidos périfericos a sua ação. Endocrinologia 70 2. GATOS A diabetes mellitus em felinos domésticos, assim como em cães, são multifatorias: Obesidade → causa comum. Amiloidose → característica morfologica mais comum. Dieta; Medicamentos; Imunomediada; Pancreatite. A doença nos felinos é semelhantes ao tipo II dos seres humanos, onde: A resistência insulínica dos tecidos periféricos vão levar ao aumento da secreção de insulina pelas células betas causando uma exaustão nas mesmas e consequentemente a redução da secreção de insulina. A hipersecreção de insulina em gatos promove aumento significativo da produção de amilina desencadeando Amiloidose. Predisposição: Gatos com mais de 6kg; Animais idosos → 8 a 14 vezes maior as chances de desenvolver; Machos inteiros mais propensos que fêmeas inteiras; Animais castrados → aumento de peso. 4. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS As manifestações clínicas mais comuns em ambos os animais são: Poliúria; Polidipsia; Polifagia; Perda de peso; Glicosúria: Nos gatos, o limiar de reabsorção renal corresponde a aproximadamente 300 mg/dℓ. Em cães, o limiar de reabsorção renal é de 180 a 220 mg/dℓ. Endocrinologia 71 Letargia, anorexia, pelo opaco e sem brilho são sinais adicionais. Outros achados característicos em: CÃES Desidratação (48%) Emagrecimento (44%) Catarata bilateral (40%) Também são encontrados nos exames clínicos: Hepatomegalia; Infecções de trato urinário ou respiratório; Infecções de pele → por vezes encontrados lesões ulcerativas. Acidose metabólica ou Cetoacidose Complicação da diabetes mellitus que pode levar o animal a óbito caracterizada pela tríade bioquímica de hiperglicemia, acidose metabólica e cetose. Formação de corpos cetônicos no sangue de cães diabéticos, típico em pacientes diabéticos insulinodependentes. Através da lipólise ocorre aumento da mobilização de ácidos graxos livres (AGL). No fígado esses AGL são oxidades e geram como metabólitos os chamados corpos cetônicos. Sinais clínicos: Desidratação → a perda de água pela urina e perdas adicionais por êmese e hiperventilação. Depressão; Fraqueza; Taquipnéia → diante da acidose intensa. Vômitos; Odor de cetona na respiração. GATOS A postura plantígrada, o que é bastante incomum, pode ser observada no felino. Observada nos membros posteriores devido à neuropatia diabética. Endocrinologia 72 5. DIAGNÓSTICO O diagnóstico da doença requer a presença dos sintomas apropriados, associado à verificação de hiperglicemia persistente após jejum e glicosúria. Hemograma: Cães diabéticos não complicados comum hemogramas sem alterações. Policitemia → excesso de glóbulos vermelhos (hemácias) em casos de desidratação. Em felinos é possível observar o leucograma de estresse. Bioquímico Cães com DM não complicado o painel bioquímico é considerado normal com exceção de hiperglicemia. DM descontrolado ocorre: Aumento de alanina transaminase (ALT) e fosfatase alcalina (FA). Decorrência de lipidose hepática. Aumento de FA acima de 500U/l são compatíveis com hiperadrenocorticismo concomitante. Lipemia; Hipercolesterolemia; Hipertrigliceridemia. Nos felinos , ara descartar hiperglicemia causada por estresse ou mesmo para obter uma acurácia maior em relação à concentração de glicose sanguínea é necessária a dosagem de frutosamina. Recém diagnósticados→ 400 mmol/L, chegando a 1500mm/L. Urinálise Glicosúria; Cetonúria; Liúria; Proteinúeira; Bacteriúria; Hematúria. Endocrinologia 73 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Felinos → Glicosúria de estresse Glicosúria renal primária → compromete a reabsorção de glicose. 6. TRATAMENTO A meta primária do tratamento do DM é: Eliminação dos sintomas secundários à hiperglicemia e à glicosúria, Recuperação do estilo de vida habitual do animal, Fuga dos episódios de hipoglicemia, Evitamento das complicações crônicas da doença. Em felinos o tratamento tem como um dos focos principais o controle da obesidade e do peso. CÃES 1. Terapia insulínica Os objetivos principais da terapia inicial na diabetes são proporcionar uma quantidade adequada de insulina para normalizar o metabolismo intermediário. A insulina é classificada pelo início, duração e potência após a administração subcutânea. Endocrinologia 74 As insulinas de eleição para o tratamento inicial de cães com diabetes mellitus são: Insulina NPH → insulina recombinante humana. Dose: 0,25 a 0,5 UI/kg BID. Insulina Lenta → insulina suína purificada. 2. Dieta e exercício O objetivo da dieta é reduzir a obesidade e melhorar o controle glicêmico, evitando flutuações nos níveis de glicose. Além de: Corrigir necessidades nutricionais; Melhorar a sensibilidade periférica à insulina. No cão, isto é mais bem atingido através de uma dieta com elevado teor de fibra e baixo teor de gordura. Em cães abaixo do peso, o objetivo principal da dieta terapêutica é normalizar o peso corporal, aumentar a massa muscular e estabilizar o metabolismo e as necessidades de insulina. No cão diabético, deve instituir-se uma rotina diária com exercício sempre à mesma hora do dia. GATOS 1. Terapia insulínica A abordagem inicial para o manejo do gato diabético é iniciar a terapia insulínica com: Insulina NPH (ação intermediária) → pacientes com diabete não complicada. Dose inicial para gatos de 1 a 2 U/gato, a cada 12 h. Insulina de ação lenta Glargina ou Protamina Zinco (PZI). Endocrinologia 75 Dose inicial de 1-2 unidades internacionais (UI) por gato, a cada 12 h. 2. Dieta e exercício Os gatos diabéticos devem ser alimentados com uma dieta com alto teor de proteínas para: Maximizar a taxa metabólica, Limitar o risco de lipidose hepática durante a perda de peso, Melhorar a saciedade e prevenir a perda de massa muscular magra. A ingestão de carboidratos deve ser limitada, pois os carboidratos podem contribuir para a hiperglicemia e a toxicidade da glicose. Estimular o gato diabético a realizar exercícios é uma maneira de favorecer o gasto energético e melhorar o controle glicêmico. Enriquecimento ambiental e brinquedos que estimula a curiosidade. 3. Hipoglicemiantes Para animais estáveis pode ser instituído, a princípio, uso de hipoglicemiantes orais em associação a dietas específicas. Os agentes hipoglicemiantes orais têm uma variedade de ações: Endocrinologia 76 Aumento da secreção de insulina pelas células beta; Reduz a resistência insuliníca periférica; Diminui a absorção de glicose pelo TGI; Inibe a produção hepática de glicose. 7. MONITORAMENTO O objetivo principal do monitoramento de cães e gatos diabéticos é controlar os sinais clínicos do DM evitando ao mesmo tempo a hipoglicemia. As opções de monitoramento incluem: 1. Curvas glicêmicas O monitoramento da curva glicêmica contém dois propósitos: Identificar a hipoglicemia clinicamente indetrctável; Ajuste de insulina. Para construir uma curva glicêmica, a glicemia é geralmente medida a cada 2 h durante um intervalo entre as injeções (12 a 24 horas). Glicosímetros → AlphaTrack2. O nadir (nível mais baixo da glicemia) ideal é uma glicemia de 80-150 mg/dL. Ajuste da insulina se o nadir for <80 mg/dL Diminuir a dose de insulina. Ajuste da insulina se o nadir for >125mg/dL A dose de insulise deverá ser aumentada. 2. Monitoramento da glicosúria Endocrinologia 77 3. Dosagem da frutosamina 4. Avaliação dos sinais clínicos e peso 8. TRATAMENTO DE CETOACIDOSE Os objetivos iniciais do tratamento da CAD são: Restauração do volume intravascular, Correção da desidratação e dos distúrbios eletrolítico e ácido-base, Controle da glicemia. TERAPIA INSULÍNICA: Utilização da insulina regulaR Dose inicial é de 0,2 U/kg IM seguida por doses de 0,1 U/kg IM a cada hora até que a glicemia atinja um valor menor do que 250 mg/dL. HIDRATAÇÃO A correta reposição de fluidos garante: O débito cardíaco, Melhora a perfusão renal contribuindo para a excreção da glicose, Reduz a excreção de hormônios do estresse, Diminui a resistência periférica à insulina e o estímulo a gliconeogênese hepática. A fluidoterapia de escolha é a solução salina 0,9%. CORREÇÃO DE ACIDOSE O uso de bicarbonato possui efeitos adversos devendo ser utilizado com cautela. Utilizado quando as concentrações sérica estiver inferior a 50% da normalidade → menor que 12 mEq/L, ou quando o pH sanguíneo estiver inferior a 7,1. Dose: 2 a 4mEq/kg Em casos de choque: até 8 mEq/kg. 8. EFEITO SOMOGYI Refere-se à hipoglicemia seguida de hiperglicemia marcante. Endocrinologia 78 Resulta de uma resposta fisiológica quando uma dose de insulina faz com que a glicemia chegue a níveis inferiores a 60 mg/dL ou quando a concentração glicêmica cai rapidamente. Os hormônios contrarreguladores (ex: cortisol, epinefrina, glucagon) são liberados aumentando a glicemia.