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APG 3º PERÍODO
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA
1. Início da aterosclerose: disfunção endotelial e
inflamação
A aterosclerose começa com disfunção
endotelial, que pode ser causada por fatores
como hipertensão arterial, tabagismo,
hiperlipidemia, resistência à insulina e
inflamação sistêmica.
Essa disfunção favorece a penetração e
oxidação de lipoproteínas de baixa densidade
(LDL) na camada íntima da artéria.
A presença de LDL oxidado desencadeia uma
resposta inflamatória, recrutando monócitos
que se diferenciam em macrófagos.
2. Formação da placa aterosclerótica
Os macrófagos fagocitam o LDL oxidado e se
transformam em células espumosas,
promovendo um ciclo inflamatório que leva à
formação da placa ateromatosa.
Essas placas são constituídas por um núcleo
lipídico e uma capa fibrosa, podendo evoluir
de forma estável ou instável.
3. Características do DAC Estável
Na DAC estável, as placas ateroscleróticas
possuem predominância de tecido fibroso,
conferindo maior estabilidade estrutural e
menor risco de ruptura.
A obstrução do lúmen arterial (a uma redução
do diâmetro da artéria), diminuindo o fluxo
sanguíneo para o miocárdio principalmente em
situações de aumento da demanda de oxigênio,
como:
Esforço físico
Estresse emocional
Exposição ao frio
Quando o fluxo sanguíneo é insuficiente, ocorre
isquemia miocárdica transitória, resultando em
angina de peito.
Doença Arterial Coronariana (DAC) Estável
1. Epidemiologia e Etiologia da DAC Estável
Epidemiologia
A Doença Arterial Coronariana (DAC) é a principal
causa de morte global e uma das principais causas
de incapacidade. A DAC estável representa cerca
de 50-60% dos casos de DAC e afeta
predominantemente homens acima de 45 anos e
mulheres acima de 55 anos.
Os principais fatores de risco incluem:
Não modificáveis: idade, sexo masculino,
história familiar de DAC precoce.
Modificáveis: hipertensão arterial,
dislipidemia (LDL elevado, HDL baixo),
tabagismo, diabetes mellitus, obesidade,
sedentarismo, dieta rica em gorduras
saturadas e estresse estressante.
Etiologia
A DAC estável é causada pela aterosclerose
coronariana, caracterizada pelo acúmulo
progressivo de lipídios, células inflamatórias e
matriz extracelular na parede das artérias
coronárias. Esse processo reduz o lúmen arterial,
dificultando o fluxo sanguíneo para o miocárdio.
Fisiopatologia
A doença arterial coronariana (DAC) estável é
causada pela aterosclerose coronariana, um
processo inflamatório que leva à formação de
placas ateromatosas nas artérias coronárias
(depósitos de gordura que se acumulam nas
paredes das artérias).
S5P1: Doença Arterial Coronariana
Objetivos:
Estudar a epidemiologia e etiologia da DAC estável;
Compreender a fisiopatologia da DAC estável;
Entender as manifestações clínicas DAC estável;
Elucidar como é feito o diagnóstico da DAC estável;
Compreender os fármacos prescritos da DAC estável e
seu mecanismo de ação.
APG 3º PERÍODO
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA
3. Manifestações Clínicas da DAC Estável
A principal manifestação da DAC estável é a
angina do peito, que ocorre devido à isquemia
miocárdica transitória causada pelo fluxo
sanguíneo limitado nas artérias coronárias.
A intensidade e a apresentação da dor torácica
podem variar de acordo com o grau de
interferência coronariana e a presença de
comorbidades, como diabetes mellitus, que
podem levar a uma neuropatia autonômica e
alterar a percepção da dor.
Classificação da Dor Torácica: a dor torácica pode
ser definida em três categorias principais:
1. Dor Anginosa Típica
A dor é considerada típica quando atende a TODOS
os 3 critérios abaixo:
Localização e qualidade: dor retroesternal,
geralmente descrita como opressiva, em
abertura ou em queimação. Pode irradiar para o
ombro esquerdo, braço, mandíbula ou dorso.
Fatores precipitantes: ocorrem durante exercício
físico, estresse emocional ou exposição ao frio.
Alívio: melhora com conservação ou uso de
nitratos (exemplo: nitroglicerina sublingual) em
até 5 minutos.
Alívio com conservação: ou seja, a dor
melhora ao reduzir o esforço físico, ao adotar
repouso ou fatores desencadeantes (como
estresse emocional), porque isso reduz a
demanda de oxigênio do coração.
Alívio com nitratos em até 5 minutos: indica
que a nitroglicerina sublingual é um
vasodilatador que atua relaxando a
musculatura vascular, reduzindo a pré-carga e
a pós-carga cardíaca. Com isso, diminui a
demanda de oxigênio do miocárdio e melhora
o fluxo sanguíneo coronariano, por isso deve
aliviar os sintomas rapidamente. Se a dor
persistir após esse tempo, pode sugerir um
evento mais grave, como angina instável ou
infarto agudo do miocárdio (IAM).
2. Dor Anginosa Atípica
A dor é considerada atípica quando apenas 2 dos 3
critérios acima são atendidos.
É mais comum em mulheres, idosos e
diabéticos, que podem apresentar sintomas
menos característicos.
3. Dor Torácica Não Anginosa
Dor torácica não anginosa é quando apenas 1 dos
critérios acima está presente, a dor não tem
características isquêmicas e, na maioria dos casos,
não tem origem cardíaca.
Pode ser causada por distúrbios
musculoesqueléticos, esofágicos,
pulmonares ou ansiedade.
Outras Manifestações Clínicas da DAC Estável
Além da dor torácica, a isquemia miocárdica pode
gerar sintomas adicionais, principalmente em
pacientes idosos e diabéticos, nos quais a dor pode
ser ausente ou pouco expressiva ("isquemia
silenciosa").
Dispneia aos esforços: pode ocorrer devido à
disfunção ventricular esquerda transitória,
resultante da isquemia.
Fadiga: mais comum em diabéticos e idosos,
pode estar associada à redução do subsídio
cardíaco.
Palpitações: podem ocorrer se houver arritmias
cardíacas associadas.
4. Diagnóstico da DAC Estável
1. História Clínica e Exame Físico
Uma anamnese detalhada é essencial para o
diagnóstico do DAC, considerando os seguintes
aspectos:
Sintomas típicos de angina: dor torácica opressiva,
desencadeada por esforço e aliviada por repouso
ou nitratos.
Fatores de risco cardiovasculares:
Hipertensão arterial sistêmica (HAS)
Diabetes mellitus (DM)
Dislipidemia
Tabagismo
Histórico familiar de DAC prematura
Sedentarismo e obesidade
O exame físico pode ser normal ou revelar sinais
indiretos de doenças cardiovasculares, como:
problemas cardíacos, alteração de pulsos
periféricos e sinais de insuficiência cardíaca em
intervenções mais avançadas.
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ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA
5. Tratamento
Nitratos (ex: Nitroglicerina, Mononitrato de
Isossorbida)
Mecanismo de ação:
Vasodilatação venosa predominante,
redução da pré-carga e demanda de
oxigênio pelo miocárdio.
Melhora do fluxo coronariano pela dilatação
das artérias epicárdicas.
Uso clínico:
Alívio imediato da angina (nitroglicerina
sublingual).
Prevenção de crises anginosas (mononitrato
de isossorbida de liberação prolongada).
Atenção:
O uso contínuo pode levar à tolerância ,
sendo recomendados intervalos livres de
nitrato (12h sem uso) para evitar essa
complicação.
Betabloqueadores (ex: Metoprolol, Carvedilol,
Bisoprolol, Atenolol)
Mecanismo de ação:
Reduzem a frequência cardíaca e a
contratilidade miocárdica, provocando a
demanda de oxigênio do coração.
Efeito cardioprotetor, redução do risco de
infarto e morte súbita.
Uso clínico:
Primeira escolha para controle da angina e
prevenção secundária de eventos
cardiovasculares.
Indicado especialmente em pacientes com
infarto prévio, disfunção ventricular esquerda
ou insuficiência cardíaca.
Bloqueadores dos Canais de Cálcio (ex: Verapamil,
Diltiazem, Amlodipina, Nifedipina)
Mecanismo de ação:
Vasodilatação coronariana, melhorando o fluxo
sanguíneo.
Redução da pós-carga, impedindo o trabalho
cardíaco.
Diltiazem e Verapamil também reduzirama
frequência cardíaca (efeito cronotrópico
negativo).
2. Exames Complementares
Os exames complementares são essenciais para
confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da
DAC.
Eletrocardiograma (ECG)
Pode ser normal em segurança,
especialmente em pacientes assintomáticos.
Durante uma crise anginosa, pode ocorrer
infra-desnivelamento do segmento ST e
inversão da onda T nas derivações
correspondentes à região isquêmica.
Teste Ergométrico
Indicado para avaliação da capacidade
funcional e detecção de isquemia causada
por esforço.
Considerado positivo quando há infra-
desnivelamento do segmento ST ≥ 1 mm
durante o esforço, associado a sintomas
típicos.
Cintilografia do Miocárdio ou Ecocardiograma com
Estresse
Avalia a presença e extensão da isquemia
miocárdica.
Indicado quando o teste ergométrico é
inconclusivo ou em pacientes com maior
risco cardiovascular.
Angiotomografia Coronariana
Método não invasivo que permite avaliar a
presença e gravidade da aterosclerose
coronariana.
Pode ser útil em pacientes de baixo risco
intermediário, especialmente para descartar
a doença em casos duvidosos.
Cateterismo Cardíaco (Coronariografia)
Padrão-ouro para avaliação da anatomia
coronariana e identificação de obstruções
significativas.
Indicado em pacientes com alto risco
cardiovascular ou quando os
testículos não invasivos sugerem
doença grave.
APG 3º PERÍODO
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA
Mecanismo de ação:
Inibem a enzima HMG-CoA redutase,
restaurando as propriedades hepáticas do
colesterol LDL.
Efeito anti-inflamatório vascular, estabilizando
placas ateroscleróticase reduzindo risco de
ruptura.
Uso clínico:
Redução de eventos cardiovasculares
(infarto, AVC, morte cardíaca súbita).
Retardam a progressão da aterosclerose.
4. Outras Terapias Adicionais
Inibidores da ECA (IECA) e Bloqueadores dos
receptores de Angiotensina II (BRA)
Reduzem a pressão arterial e promovem
proteção cardiovascular adicional.
Indicação para pacientes com hipertensão,
diabetes, disfunção ventricular esquerda ou
insuficiência renal.
Ivabradina:
Alternativa quando betabloqueadores são
contraindicados ou mal tolerados.
Reduz a frequência cardíaca sem afetar a
pressão arterial.
Resumo:
O tratamento farmacológico da DAC Estável se
baseia em três pilares fundamentais:
Controle da angina: nitratos, betabloqueadores
e bloqueadores dos canais de cálcio.
Prevenção de eventos trombóticos: AAS e
Clopidogrel.
Redução da progressão da aterosclerose:
estatinas.
A escolha terapêutica deve ser individualizada,
considerando fatores como risco cardiovascular
global, sintomas e comorbidades associadas.
Uso clínico:
Alternativa aos betabloqueadores quando estes
são contraindicados ou efeitos adversos.
Diltiazem e Verapamil: Reduzem a frequência
cardíaca, sendo úteis quando há taquiarritmias
associadas.
Amlodipina e Nifedipina são preferidas quando
há hipertensão arterial concomitante.
2. Placas Antiagregantes
Os antiagregantes plaquetários reduz o risco da
formação de trombos arteriais, prevenindo infarto
agudo do miocárdio (IAM).
Ácido Acetilsalicílico (AAS) - 75 a 100 mg/dia
Mecanismo de ação:
Inibição irreversível da ciclo-oxigenase-1
(COX-1), redução da síntese de tromboxano
A2, um mediador da agregação plaquetária.
Uso clínico:
Indicado para todos os pacientes com DAC
estabelecida, salvo contraindicação.
Prevenção secundária de eventos
cardiovasculares em pacientes com DAC
estabelecida.
Clopidogrel - 75 mg/dia
Mecanismo de ação:
Inibição irreversível do receptor P2Y12 da
ADP, impedindo a ativação plaquetária.
Uso clínico:
Alternativa ao AAS em pacientes com
contraindicação ou intolerância.
Pode ser associado ao AAS (terapia dupla) em
pacientes com DAC mais grave ou após
angioplastia com stent.
3. Estatinas (ex: Atorvastatina, Rosuvastatina,
Sinvastatina)
As estatinas são essenciais para reduzir a
progressão da aterosclerose e do risco
cardiovascular.
As estatinas são essenciais na redução do risco
cardiovascular, pois atuam na redução do colesterol
LDL e na estabilização da placa aterosclerótica.