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do exemplo europeu, e influências internas, geradas pelas mudanças políticas e 
econômicas do início do século. Dentre os primeiros incentivos do movimento, 
destacam-se o crescente ritmo de industrialização pelo qual passava o país, 
sobretudo a cidade de São Paulo e as novidades culturais que chegavam ao 
Brasil pelo Rio de Janeiro.
Percebe-se que a arquitetura moderna brasileira teve seus traços definidos 
por um período de ruptura, em que o espaço aberto pôde ser preenchido por 
um estilo amadurecido, refletindo influências estrangeiras. Segundo Carvalho 
(2002), os primeiros ensaios da arquitetura moderna no Brasil apareceram em 
1930, nos quais se percebe a influência de países como a França, a Alemanha, 
a Itália e, também, os Estados Unidos. Ao passar essa primeira etapa, em que 
Brasil se familiarizou com a arquitetura moderna internacional e recebeu 
arquitetos estrangeiros que a aplicaram aqui, teve início uma trilha nova e 
original: o caminho do modernismo. 
Fases do estilo moderno
Desde meados do século XX, arquitetos e historiadores se debruçam sobre 
a arquitetura moderna brasileira, procurando revelar os aspectos que a fi ze-
ram reconhecida internacionalmente, como ocorreu seu desenvolvimento no 
Brasil e quais foram os protagonistas desse processo. Segundo Santos (2006, 
p. 38), é possível sintetizar a trajetória da arquitetura moderna brasileira a 
partir de quatro conceitos, que listaremos a seguir como as quatro fases do 
modernismo no Brasil.
1. Construção — abrigam-se as ideias de Lúcio Costa e de Vitor Dubu-
gras. O primeiro, no Rio de Janeiro, criou uma teoria relacionando a 
arquitetura moderna brasileira com a arquitetura colonial. Já em São 
Paulo, a arquitetura moderna se desenvolveu a partir da atuação de 
Vitor Dubugras como arquiteto e como professor da Escola Politécnica. 
2. Consolidação — a arquitetura moderna brasileira se consolidou com 
a construção do Ministério da Educação e Saúde (MES, 1937), cujo 
processo incluiu a participação de Le Corbusier como consultor. 
3. Difusão — evidencia o desenvolvimento da arquitetura moderna em 
outras capitais, relacionado à participação dos arquitetos cariocas, 
principalmente.
4. Consagração — descreve o processo de criação de Brasília, que con-
grega as ideias sobre arquitetura e urbanismo no período de forma única.
3O modernismo no Brasil
Primeira fase: construção
A primeira fase é marcada pelo processo de surgimento da arquitetura moderna 
brasileira, no qual são apresentadas as raízes da Escola Carioca, a partir do 
pensamento de Lúcio Costa. Destacam-se também as raízes da arquitetura 
moderna paulista, marcada pela infl uência de Victor Dubugras.
Em meados dos anos 1920, Lúcio Costa, junto com Fernando Valentin, 
projetou e construiu um grande número de residências no estilo neocolonial, 
como a residência de Raul Pedrosa (1924), no Rio de Janeiro, entre outras. 
Se, em um primeiro momento, Costa estabelecia uma relação com a arquite-
tura do passado, alguns anos depois tornou-se o precursor, do ponto de vista 
teórico, da arquitetura moderna brasileira. Para Santos (2006), Lúcio Costa 
teria sido influenciado por dois trabalhos escritos de Mário de Andrade, cada 
qual indicando um dos passos do processo que levou à transformação do seu 
pensamento.
Em São Paulo, a arquitetura moderna seguiu caminhos diferentes, a partir 
da influência de Vitor Dubugras. Sua produção se caracterizou por uma busca 
constante de um racionalismo, como o edifício da Estação de Mayrink, de 
1905. Mas sua contribuição para o desenvolvimento da arquitetura moderna 
consolidou-se na atividade de professor da Escola Politécnica. Por meio de 
Dubugras, os alunos daquela escola puderam apreciar a produção orgânica de 
Frank Lloyd Wright. E aí está, ainda que de forma bastante simplificada, uma 
característica da produção de arquitetura de São Paulo, da qual o paranaense 
João Batista Vilanova Artigas seria o representante exemplar, segundo Santos 
(2006).
Além do arquiteto mencionado, destacam-se as contribuições de outros 
dois arquitetos para definir um caráter particular à arquitetura moderna de 
São Paulo: Rino Levi — que estudou arquitetura na Real Escola Superior 
de Arquitetura, em Roma — e Gregori Warchavchik — arquiteto russo for-
mado na Itália e emigrado para o Brasil em 1923. Em 1925, ambos lançaram 
manifestos a favor da arquitetura moderna — um, em São Paulo, e o outro, 
no Rio de Janeiro.
Rino Levi, em seu manifesto intitulado “A Arquitetura e a Estética das 
Cidades” e publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 15 de outubro de 
1925, fez uma apologia à realidade moderna, chamando atenção para os novos 
materiais, que deveriam ser aplicados de forma a compor uma arquitetura 
com traços simples. Já o manifesto de Gregori Warchavchik foi publicado 
em novembro do mesmo ano, no Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, com 
o título “Acerca da Arquitetura Moderna”. Nele, Warchavchik proclamava 
O modernismo no Brasil4
a negação dos estilos do passado e apontava as vantagens da estética das 
máquinas quando aplicada à arquitetura.
Para saber mais sobre os dois manifestos, acesse o link a seguir e leia o artigo “War-
chavchik e Levi — dois Manifestos pela Arquitetura Moderna no Brasil”, de Renato 
Luis Sobral Anelli.
https://qrgo.page.link/6jsH
A importância dos dois arquitetos ultrapassou a publicação dos manifestos. 
Rino Levi tornou-se referência para jovens profissionais, tanto pela quantidade 
como pela qualidade de suas obras — que incluem desde residências até pro-
jetos mais complexos, como hospitais, cinemas e teatros. Warchavchik, por 
sua vez, desenvolveu uma série de projetos em São Paulo, antes de se mudar 
para o Rio de Janeiro, onde participou da tentativa de reforma do ensino da 
Escola Nacional de Belas Artes, com Lúcio Costa.
Warchavchik elaborou o projeto de sete casas em São Paulo, começando pela 
mais polêmica: a Casa da Rua Santa Cruz (1928), que fez para morar após seu 
casamento, considerada a primeira casa modernista do Brasil. A intenção de 
modernidade de suas obras mostrou-se também na Casa da Rua Itápolis, que 
revelava a ideia corrente — advinda da Bauhaus — da integração das artes. 
A casa apresentava móveis de linhas “modernas”, desenhados pelo próprio 
Warchavchik, junto a obras de artistas famosos, como Tarsila do Amaral, 
Regina Gomide Graz, John Graz, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Celso Antonio, 
Anita Malfatti e Vítor Brecheret, além de tapeçarias da Bauhaus, conforme 
aponta Santos (2006, p. 44).
5O modernismo no Brasil

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