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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
Prof. Marcos Dias de Castro
Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região
@papotrabalhistaoficial
 1 – CONCEITO
 PRINCÍPIO = “começo”, “início”, “primeiro momento da existência de algo”
 Plá Rodriguez:
 LINHAS DIRETRIZES QUE INFORMAM NORMAS,
 INSPIRAM DIRETA OU INDIRETAMENTE SOLUÇÕES
 EMBASAM APROVAÇÃO DE NOVAS NORMAS
 ORIENTAM A INTERPRETAÇÃO DAS EXISTENTES
 RESOLVEM OS CASOS NÃO PREVISTOS
 Celso Bandeira de Melo: “princípio é por definição,
mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro
alicerce dele, disposição que se irradia sobre diferentes
normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério
para sua exata compreensão e inteligência exatamente
por definir a lógica e a racionalidade do sistema
normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido
harmônico”.
Arnaldo Sussekind: “princípios são enunciados genéricos,
explicitados ou deduzidos do ordenamento jurídico
pertinente, destinados a iluminar tanto o legislador, ao
elaborar as leis dos respectivos sistemas, como o
intérprete, ao aplicar as normas ou sanar omissões”.
(Instituições de Direito do Trabalho, vol. I, 19ª Ed., pág.
146/147).
 2. PRINCÍPIOS: CIÊNCIA x DIREITO
 3. FUNÇÕES DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO
• I - FUNÇÃO INFORMATIVA
• Iluminam a elaboração de regras e institutos jurídicos =
FONTES MATERIAIS.
• PL 4731/2004: modificava o artigo 884 da CLT, e fica
permitida a apresentação de embargos do devedor em
caso de Execução ou penhora de bens, “ainda que em
valor insuficiente para o pagamento integral da
importância reclamada”.
 II - FUNÇÃO INTERPRETATIVA
• Critério orientador do intérprete diante da norma já
posta pelo legislador.
• São denominados PRINCÍPIOS DESCRITIVOS;
• Direção na interpretação da regra jurídica.
• Ex. Interpretação do artigo 8º VI da CR => dispõe sobre a
obrigatoriedade dos sindicatos nas negociações coletivas.
• OBS: Só para os empregados (sob pena de não
recepcionar o §1º do artigo 611 da CLT)
Artigo 8º, VI da CR: “É obrigatória a participação
dos Sindicatos nas negociações coletivas de
trabalho”.
Artigo 611, §1º da CLT: “É facultado aos Sindicatos
representativos de categorias profissionais
celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais
empresas da correspondente categoria
econômica, que estipulem condições de trabalho,
aplicáveis no âmbito da empresa ou das
acordantes respectivas relações de trabalho”.
Princípio da Proteção
• III - FUNÇÃO NORMATIVA
• Atuam como fonte supletiva, no caso de ausência
de Lei.
• PRINCÍPIOS NORMATIVOS SUBSIDIÁRIOS ou
SUPLETIVOS => FONTES FORMAIS SUBSIDIÁRIAS
• Artigo 8º da CLT: assim o autoriza.
• PRINCÍPIOS NORMATIVOS CONCORRENTES?
• É possível a existência deste tipo de princípio?
• 1ª POSIÇÃO: SIM
• Norberto Bobbio, Ronald Dworkin, José Joaquim Gomes Canotilho,
Robert Alexy, Antoine Jammeaud;
• No Brasil: Paulo Bonavides;
• NORMA JURÍDICA (com natureza normativa = Lei) ou mero
ENUNCIADO PROGRAMÁTICO ?
• PRINCÍPIOS = NORMAS-CHAVES de todo Sistema Jurídico (Bonavides)
• FUNDAMENTO da Ordem Jurídica (F. De Castro)
• SUPER-FONTE
• MANDAMENTOS DE OTIMIZAÇÃO da Ordem Jurídica (Alexy)
• 2ª POSIÇÃO: NÃO
• MAURÍCIO GODINHO: comandos otimizadores, mas não
autônomos;
• PLÁ RODRIGUEZ: inspiram o Direito Positivo, mas não são
independentes;
• CARNELUTTI: Estão dentro do direito escrito como o álcool no
vinho: são o espírito ou a essência da lei.
• AMAURI MASCARO E DÉLIO MARANHÃO: princípios não
possuem força normativa.
 4. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
Se irradiam por todos os segmentos da Ordem Jurídica;
Asseguram ORGANICIDADE, UNIDADE E COERÊNCIA da Ordem Jurídica;
Extensão e aplicação a todo o Direito
 Princípios Gerais de Direito x Princípios do Direito do Trabalho?
• Eugênio Perez Botija (para quem deviam primar os Princípios de Direito do
Trabalho)
• X
• Gaspar Bayón Chacón (para quem deviam predominar os Princípios Gerais
de Direito);
• Plá Rodriguez / Pinho Pedreira / Mozart V. Russomano: deve prevalecer os
princípios específicos do Direito do Trabalho, em razão da expressão contida
no artigo 8º da CLT
CLT ANTES DA REFORMA
•Artigo 8º da CLT: “As autoridades administrativas e a Justiça do
Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão,
conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e
outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do
direito do trabalho, e ainda, de acordo com os usos e costumes, o
direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse d
classe ou particular prevaleça sobre o interesse público”.
•Parágrafo único: “O direito comum será fonte subsidiária do direito
do trabalho, naquilo que não for incompatível com os princípios
fundamentais deste” .
CLT PÓS REFORMA TRABALHISTA
•Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na
falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o
caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros
princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do
trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito
comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe
ou particular prevaleça sobre o interesse público.
•§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho.
DIREITO DO TRABALHO. RECURSO ORDINÁRIO. PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO. NATUREZA
ABSTRATA. DIREITOS CONCRETOS. PRINCÍPIO DA IGUALDADE. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. NÃO
PROVIMENTO.
1. Recurso ordinário do reclamante contra sentença em que se indeferiu a pretensão de recebimento da verba
de representação.
2. A discussão concerne à amplitude do princípio da isonomia previsto na Constituição da República.
3. Os princípios gerais de direito, por sua natureza abstrata e ampla, servem como diretrizes para a
interpretação, integração e aplicação do direito, mas não se configuram como normas que geram direitos
concretos de forma autônoma. A criação de direitos específicos depende, por exemplo, de um processo
legislativo que considere diversos fatores, incluindo aspectos sociais, econômicos, culturais e históricos, o
que não se verifica na aplicação direta de princípios gerais de direito. O princípio da igualdade garante que
todos sejam tratados de forma igual perante a lei, sem discriminação. A equiparação salarial, por sua vez, é
um direito que materializa o princípio da igualdade no âmbito das relações de trabalho, assegurando
que trabalhadores que exercem funções idênticas, com igual produtividade e perfeição técnica,
recebam a mesma remuneração, independentemente de sexo, idade, cor ou estado civil.
4. Não demonstrados os requisitos da equiparação salarial, não é possível deferir direitos com
fundamento no princípio geral da igualdade.
5. Recurso do autor ao qual se nega provimento. (TRT 2 – ROT 1001690-39.2023.5.02.0041, 16ª Turma,
Relatora Regina Aparecida Duarte, DEJT 13/112024)
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
DO DIREITO DO TRABALHO 
E 
PRINCÍPIOS GERAIS 
APLICÁVEIS AO DIREITO DO TRABALHO
 5.1) PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
• Está previsto expressamente no artigo 1º, III da CR: dentre os
fundamentos da República Federativa do Brasil, enquanto Estado
Democrático de Direito, está a dignidade da pessoa humana.
• Foco: a valorização da dignidade da pessoa humana do cidadão
brasileiro.
• Direito do Trabalho: deve preservar e resguardar a dignidade da
pessoa humana do trabalhador.
• Artigo 6º da CR: trabalho é um direito social, mas a Constituição se
reporta ao TRABALHO DIGNO.
DANO MORAL. OPERADORA DE TELEMARKETING . RESTRIÇÃO PELO EMPREGADOR AO USO
DE BANHEIRO DO EMPREGADO. ATO ILÍCITO. OFENSA À HONRA SUBJETIVA DO EMPREGADO
IN RE IPSA . INDENIZAÇÃO DEVIDA.
No caso, o pedido de indenização por danos morais foi fundado em assédio moral pela restrição de uso
do banheiro durante a jornada de trabalho. Extrai-se do acórdão regional que havia controle indireto pela
empregadora de idas ao banheiro dos seus empregados e que o excesso de intervalo para as idas ao
banheiro influenciavalei para
o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. de
enfermagem.
 6.5) PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGO
• CONCEITO: “o contrato de trabalho perdura até que sobrevenham
circunstâncias previstas pelas partes ou em lei como idôneas para
fazê-lo cessar.” (PINHO PEDREIRA)
 FUNDAMENTOS
 a) Do Princípio Protetor;
 b) Contrato de trabalho = de trato sucessivo;
 c) Segurança econômica ao trabalhador (Alice Monteiro de Barros)
• EFEITOS
• I) REGRA GERAL: contrato por tempo indeterminado.
• Os contratos a termo, somente podem ser pactuados
nas estritas hipóteses franqueadas pela Lei.
• Artigo 29 da CLT: O empregador terá o prazo de 5 (cinco) dias
úteis para anotar na CTPS, em relação aos trabalhadores que
admitir, a data de admissão, a remuneração e as condições
especiais, se houver, facultada a adoção de sistema manual,
mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas
pelo Ministério da Economia.
• “INDETERMINAÇÃO DOS CONTRATOS POR PRAZO
DETERMINADO – HIPÓTESES – Os contratos a prazo certo
submetem-se a hipótese legais tipificadas – rígidas e restritas –
no tocante à possibilidade de sua pactuação regular. Excluídas
tais hipóteses legais, será irregular a contratação empregatícia
mediante contratos a prazo determinado, uma vez que
prevalecem no Direito do Trabalho os princípios da norma mais
favorável e da continuidade da relação de emprego.” (TRT 3ª R.
– RO 20.514/97 – 3ª T. – Rel. Juiz Maurício Godinho Delgado –
DJMG 04.08.1998)
• Vale também para os contratos especiais? Temporário?
Estagiário? Aprendiz?
• II) PRESUNÇÃO FAVORÁVEL AO TRABALHADOR
• Súmula 212 do c. TST: “O ônus de provar o término do contrato de
trabalho, quando negados a prestação de serviços e o
despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade
da relação de emprego constitui presunção favorável ao
empregado”.
• a) Há presunção, em caso de dúvida, de continuação da relação de
emprego;
• b) Faz presumida a ruptura contratual mais onerosa ao empregador
• III) INTANGIBILIDADE SUBJETIVA DO CONTRATO DE TRABALHO
• Alterações na estrutura jurídica da empresa não afetam os contratos de
trabalho.
SUCESSÃO TRABALHISTA
CLT, Art. 10 - Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos
por seus empregados.
Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de
trabalho dos respectivos empregados.
Art. 448-A. Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores prevista nos arts. 10 e 448
desta Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os
empregados trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do sucessor.
Parágrafo único. A empresa sucedida responderá solidariamente com a sucessora quando ficar
comprovada fraude na transferência.
 6.6) PRINCÍPIO DA IMPERATIVIDADE DAS NORMAS TRABALHISTAS
• Os sujeitos de direito, movendo-se entre as fronteiras demarcadas
pelo legislador, têm a faculdade de auto-regular seus interesses,
exercendo sua AUTONOMIA PRIVADA (que é um poder jurídico
que lhe assiste).
• O PODER DE DISPOSIÇÃO (jus disponendi), consiste em fazer sair
de nosso patrimônio um bem social que atualmente faz parte dele.
• NORMAS IMPERATIVAS x NORMAS DISPOSITIVAS = intensidade de
obrigatoriedade
• As leis IMPERATIVAS = COMANDOS INAFASTÁVEIS, incidem
inapelavelmente, não permitindo a alienação, renúncia ou
transação do que nela disposto.
• Essas normas imperativas podem ser ainda de ordem pública
quando tutelam interesse público inafastável (salário mínimo,
normas de proteção e higiene ao trabalho).
• NORMAS DE ORDEM PÚBLICA: são aquelas que contém o
conjunto de condições fundamentais da vida social instituídas
em uma comunidade jurídica, as quais, por afetarem em seu
centro a organização desta, não podem ser alteradas pela
vontade dos indivíduos.
• As regras DISPOSITIVAS em princípio obrigatórias, estão sujeitas,
entretanto, à derrogação das partes. Assim, seu objetivo é apenas
suprir a vontade dos destinatários se esta não é manifestada
expressamente em sentido oposto.
• Prevalece no Direito do Trabalho o domínio de regras jurídicas
imediatamente obrigatórias, em detrimento de regras apenas
dispositivas.
• Fundamentos: Artigo 9º e 444 da CLT.
• Súmula 437, II do TST (salvo no caso do motorista – artigo 71, §5º
da CLT)
 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE
Regra geral: não é dado ao empregado dispor (renunciar ou
transacionar direito trabalhista, sendo nulo atos jurídicos praticados
contra tal disposição.
OBS 1: Princípio da Substituição Automática das Cláusulas Nulas
(Cairo Jr., Curso de Direito do Trabalho, página 104-105)
OBS 2: A proteção do princípio tem uma atuação essencialmente
INTRACONTRATUAL, não sendo exigível nas dimensões
INTERCONTRATUAIS (Ex. a proteção da jornada de 8h se dá em um
único contrato; se o empregado tem 2 empregos e ultrapassa o
labor diário, não se lhe aplica tal proteção específica)
 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE
• Renúncia – é um ato unilateral de despojamento de direito, sem haver uma
contrapartida; age sobre direito atual/certo, sendo um direito patrimonial disponível; o
efeito é a cessação/extinção do direito (ex.: depois de 12 meses trabalhados o
empregado tem direito a férias, ou seja, já se incorporou em sua esfera pessoal)
• Transação – ato bilateral; concessões recíprocas; incide sobre direito
duvidoso/incerto; só incide sobre direito patrimonial disponível; o efeito é a
cessação/extinção do direito
 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE
Indisponibilidade pode ser:
• Absoluta – quando o direito merecer uma tutela de nível de interesse público,
objetivando assim garantir o Patamar Civilizatório Mínimo (inclusive, viabiliza a inversão
do ônus da prova)
• Relativa – quando traduzir interesse bilateral ou individual simples, que não caracterize o
Patamar Civilizatório Mínimo; em termos processuais, caberá ao autor o ônus de provar
suas alegações
 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE
Indisponibilidade é relativizada (hipóteses em que se admite transação e renúncia):
 Art. 14, §2°, L. 8.036 – empregado não optante do fundo poderá realizar opção
a qualquer momento, realizando transação sobre a multa do art. 478, CLT
 Art. 14, §4°, L. 8.036 – autoriza a renúncia à estabilidade, com opção imediata
ao FGTS
 Súmula 276, TST – viabiliza possível renúncia ao aviso prévio
 Súmula 51, II, TST – opção ao regimento interno novo viabiliza renúncia ao
regimento interno anterior
 CCP – viabiliza acordo com quitação geral (confirmada pelo STF, quanto aos
valores e parcelas discriminados no termo)
 Art. 477-B, CLT (PDV) e art. 507-B, CLT (termo de quitação anual)
 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE
Indisponibilidade é relativizada (hipóteses em que se admite transação e renúncia):
 Por meio de Norma Coletiva:
 Hipóteses do Artigo 611-A da CLT x Artigo 611-B da CLT
 Tema 1046 de Repercussão Geral:
 “São constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem
a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos
trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens
compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis".
 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE
Flexibilização do princípio pela Lei 13.467 de 2017:
CLT, Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre
estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às
disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam
aplicáveis e às decisões das autoridades competentes.
Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se
às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia
legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de
empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário
mensal igual ou superior a duasvezes o limite máximo dos benefícios do
Regime Geral de Previdência Social. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
Trabalhador Hipersuficiente?
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
Diante do conflito de normas, aplica-se aquela que for mais favorável.
• Melhor: diante de uma pluralidade de fontes com vigência simultânea há de se
preferir aquela que seja mais favorável ao trabalhador.
• Base constitucional?
• Ex. Lei prevê adicional de horas extras de 50%; Convenção Coletiva prevê
adicional de 80%; Regulamento Interno prevê 100%; Qual fonte seria aplicável?
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
OBS: PRINCÍPIO que se aplica tanto em relação:
Fontes 
Normativas
Lei/Sentença 
normativa
Acordo Coletivo 
e Convenção 
coletiva
Fontes 
Autônomas
Contrato 
individual
Regulamento 
Interno
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
Mas como determinar a fonte mais favorável?
Acumulação
Atomística
Conglobamento
Incidibilidade
Conglobamento 
por institutos
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
Teoria ou Método da Acumulação:
• Aplicador acumula os itens mais favoráveis ao
trabalhador, reunindo-os todos para aplicar ao caso
• Atomiza o conjunto, construindo um outro “todo”, com
vários ingredientes de várias fontes normativas (crítica:
perda da unidade sistêmica do ordenamento jurídico)
• Ex. Aplico o adicional noturno de 30% da Convenção Coletiva, o piso salarial
mais benéfico do Acordo Coletivo e o adicional de férias de 100% do
Regulamento
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
Teoria ou Método do Conglobamento:
• Aplicador deve verificar sempre em conjunto quais das
normas é mais benéfica ao trabalhador.
• Aplica a norma mais favorável e descarta a menos
favorável “em bloco”
• Ex. Ou aplico tudo que está no Acordo Coletivo ou tudo que está na Convenção
Coletiva, considerando aquela que é mais benéfica “no todo”.
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
Teoria ou Método do Conglobamento Mitigado (por
institutos ou orgânico:
• Aplicador deve verificar sempre dentro do conjunto,
institutos que pode ser apreciados separadamente.
• Aplica o bloco de vantagens jurídicas que contém
elementos internos pertinentes entre si
• Ex. Estabilidades; jornadas e intervalo; salários e utilidades não salariais.
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
OBS 1: CLT
Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de
trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção
coletiva de trabalho. Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017
Art. 620. As condições estabelecidas em Convenção quando mais
favoráveis, prevalecerão sôbre as estipuladas em Acôrdo. Redação
dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967)
Princípio da Especialidade x Princípio da Fonte mais Favorável?
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del0229.htm#art620
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
OBS 2: Posição do STF e TST: Teoria do Conglobamento
 Tema 1046 do STF: ao firmar a tese, valeu-se da teoria para analisar a validade
das normas coletivas no exame conjunto de todas as cláusulas negociadas e
não apenas em trechos isolados
 E-ED-Ag-RRAg-475-92.2016.5.17.0002, Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais, Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 31/03/2023
 ARR-139-23.2015.5.17.0132, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de
Carvalho, DEJT 18/08/2023
 RRAg-799-21.2017.5.05.0022, 5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT
30/06/2023
 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE
JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL)
OBS 3: Teoria do Conglobamento mitigado?
 Artigo 3º, II, Lei 7064/82
Art. 3º - A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido
assegurar-lhe-á, independentemente da observância da legislação do local da execução dos
serviços:
I - os direitos previstos nesta Lei;
II - a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho, naquilo que não for
incompatível com o disposto nesta Lei, quando mais favorável do que a legislação
territorial, no conjunto de normas e em relação a cada matéria.
• 6.9) PRINCÍPIO DO MAIOR ou MELHOR RENDIMENTO
• Significa que o trabalhador estaria “obrigado a desenvolver suas
energias normais em prol da empresa, prestando serviços
regularmente, disciplinar e funcionalmente”
• Função: unificar, aglutinar as partes do contrato de trabalho.
• Previsão:
• Artigo 482, ”e” da CLT? (desídia)
• Artigo 483, “a” da CLT (empregador que exige serviços superiores
às forças do empregado => rescisão indireta)
• 6.9) PRINCÍPIO DO MAIOR/MELHOR RENDIMENTO
• CRÍTICAS:
• 1ª) nada mais seria do que uma projeção do Princípio Geral da
LEALDADE E DA BOA-FÉ nas relações de trabalho (Plá Rodriguez)
• 2ª) o princípio estaria tutelando INTERESSE EMPRESARIAL
• OBS: Atleta profissional de futebol (definido como desporto de
rendimento pela Lei Pelé)
• Ministro Alexandre Belmonte => a desídia pode ser entendida como “desleixo e
falta de zelo no exercício das funções”, destarte será considerado desidioso o
atleta que: “não se empenha nos exercícios preparatórios do
condicionamento físico ou nos treinamentos preparatórios do
condicionamento tático”.
6.10) Princípio da Continuidade da Empresa (Preservação da empresa)
Criação de PJ interessa ao Estado, pois viabiliza investimentos, por haver separação patrimonial
entre os patrimônios dos sócios e da sociedade.
Previsão constitucional art. 170, 182 e 186, CF – função social da propriedade, onde a empresa é
uma das formas de sua manifestação
Função social da empresa (art. 116, §único, e 154, L. 6.404/76)
A empresa deve ser vista sob dois ângulos:
Não há risco de extinção
Função social externa – tributo, meio ambiente, consumidor, concorrentes, etc
Função social interna – empregados (deve respeitar leis trabalhistas, não praticando abuso de direito)
Riscos de sua extinção – justificável que haja redução de direitos previstos em lei (haverá necessária
ponderação entre o Princípio da continuidade da empresa e o Princípio da irredutibilidade
salarial/redução de direitos/proteção, onde deve ser priorizada a continuidade da empresa frente ao
seu aspecto mais abrangente)
=> E o princípio da proteção? Ponderação de interesses...
6.10) Princípio da Continuidade da Empresa (Preservação da empresa)
“AGRAVO DE PETIÇÃO. BENS MÓVEIS NECESSÁRIOS AO EXERCÍCIO DA
ATIVIDADE EMPRESARIAL. IMPENHORABILIDADE. Nos termos do art. 833, V,
do CPC, os bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do
executado. Com ainda mais razão no caso de bens atinentes à atividade
empresarial, já que a arrematação poria em risco a continuidade da empresa,
em franca contrariedade ao princípio da preservação da empresa, como
atividade geradora de empregos, tributos e desenvolvimento”. (TRT 1,
Processo 0010591-21.2015.5.01.0041, 2ª Turma, Relator Álvaro Antônio Borges
Faria, DEJT 15.02.2020)
PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
Prof. Marcos Dias de Castro
Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região
@papotrabalhistaoficialna produtividade do empregado, o que poderia acarretar a redução do PIV. O
Tribunal Superior do Trabalho tem entendido que a restrição pelo empregador ao uso de banheiro pelos
seus empregados fere o princípio da dignidade da pessoa humana, tutelado no artigo 1º, inciso III,
da Constituição Federal, traduzindo-se em verdadeiro abuso no exercício do poder diretivo da empresa
(artigo 2º da CLT), o que configura ato ilícito, sendo, assim, indenizável o dano moral sofrido pelos
empregados. Por outro lado, cabe salientar que a ofensa à honra subjetiva do reclamante se revela in re
ipsa , ou seja, presume-se, sendo desnecessário qualquer tipo de prova para demonstrar o abalo
moral sofrido em decorrência da restrição ao uso do banheiro a que o trabalhador estava
submetido. Isso significa afirmar que o dano moral se configura independentemente de seus efeitos, já
que a dor, o sofrimento, a angústia, a tristeza ou o abalo psíquico da vítima não são passíveis de serem
demonstrados, bastando que ocorra violação efetiva de um direito da personalidade e da dignidade da
pessoa humana para que o dano moral esteja configurado .
Agravo desprovido. (TST, 3ª Turma, Ag 0001178-17.2018.5.09.0021, Relator José Roberto Freire
Pimenta, Julgado em 13/12/2023)
• Tema 54 de IRR (RRAg 0000275-02.2020.5.09.0009)
• A ausência de instalações sanitárias adequadas e de local
apropriado para alimentação a empregados que exercem atividades
externas de limpeza e conservação de áreas públicas autoriza a
condenação do empregador ao pagamento de indenização por danos
morais, pois desrespeitados os padrões mínimos de higiene e segurança
do trabalho, necessários e exigíveis ao ambiente de trabalho (NR-24 do
MTE, CLT, art. 157, Lei nº 8.213/91, art. 19, e CRFB, art. 7º, XXII).
REVISTA ÍNTIMA. DANO MORAL. LIMITES DOS PODERES DE
DIREÇÃO E FISCALIZAÇÃO. VIOLAÇÃO À HONRA E À INTIMIDADE
DO TRABALHADOR. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA
HUMANA. A teor da Súmula nº 16 deste regional, cabe reparação
por dano moral, por ferir o princípio da dignidade da pessoa
humana, o ato patronal consubstanciado em revistas íntimas de
trabalhadores de qualquer sexo. Recurso provido.
(TRT – 1ª Região, número de documento 00004764620125010040,
10ª Turma, relator Desembargador Marcelo Antero de Carvalho,
D.O. de 27.08.2013)
Súmula 16, TRT 1ª Região (RJ):
Cabe reparação por dano moral, por ferir o princípio da
dignidade da pessoa humana, o ato patronal
consubstanciado em revistas íntimas de trabalhadores de
qualquer sexo, incluindo a vigilância por meio de
câmeras instaladas em banheiros e vestiários.
Qual o conceito de Revista íntima?
Tema 58 de Repercussão Geral
(RRAg 002044-44.2022.5.04.0811)
A realização de revista meramente visual nos pertences
dos empregados, desde que procedida de forma
impessoal, geral, sem contato físico e exposição dos
trabalhadores a situação humilhante ou vexatória, não
configura ato ilícito apto a gerar indenização por dano moral.
Mínimo Existencial (núcleo irredutível do princípio da
dignidade da pessoa humana – art. 1º, III da Constituição)
Tema 75 de IRR (RR 0000271-98.2017.5.12.0019)
Na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é válida
a penhora dos rendimentos (CPC, art. 833, inciso IV) para
satisfação de crédito trabalhista, desde que observado o
limite máximo de 50% dos rendimentos líquidos e
garantido o recebimento de, pelo menos, um salário
mínimo legal pelo devedor.
 5.2) PRINCÍPIO DA VALORIZAÇÃO SOCIAL DO TRABALHO
• Tratado de Versalhes (1919) = artigo 427 = “o trabalho não há
de ser considerado como mercadoria ou artigo de comércio”.
• Artigo 1º, IV da CR: Fundamento da República Federativa do
Brasil, enquanto Estado Democrático do Direito = os valores
sociais do trabalho.
• Artigo 170 da CR = A Ordem Econômica se funda na
valorização do trabalho humano.
• Este princípio está intimamente vinculado ao da dignidade da
pessoa humana.
ADI 5132 do STF
(...) 3. Impugnação do §4º do art. 37 da Lei 12.815/2013. Novo Marco Regulatório do Setor Portuário. Termo
inicial para contagem do prazo prescricional consistente no cancelamento do registro junto ao Órgão Gestor
de Mão de Obra (OGMO). 4. Alegação de violação ao princípio da segurança jurídica e ao disposto no art. 7º,
inciso XXIX, da CF/88. 5. A Constituição da República, ao consignar, em seu art. 7º, o direito “à ação, quanto
aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho (inciso XXIX)
e “a igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso”
(inciso XXXIV), não elidiu a possibilidade de que, dentro do preceituado pelas normas constitucionais,
em atenção aos princípios da valorização social do trabalho (art. 1º, IV) e de justiça social (arts. 3º, I a
III; 7º a 9º, 170 e 193), fossem reguladas de modo diverso para atender às particularidades e às
condições de trabalhos próprias da relação laboral avulsa. 6. Constitui o OGMO ente a que se vincula de
forma estável, isto é, de forma fixa e constante, o trabalhador portuário avulso, para fins de gozo de seus
direitos trabalhistas. Parece adequado, portanto, que o prazo quinquenal ou bienal seja aplicado
considerando o vínculo com o órgão gestor. A solução, por sua vez, possibilita a aplicação, na prática, do
prazo quinquenal, privilegiando o espírito que animou o legislador constituinte ao promover a ampliação do
prazo prescricional e da proteção social conferida ao trabalhador. 7. Pedido em ação direta de
inconstitucionalidade julgado improcedente. Plenário, Sessão Virtual de 6.8.2021 a 16.8.2021. Em
23/08/2021: Ata de Julgamento Publicada, DJE. Em 22/10/2021: Publicado acórdão, DJE. Transitado(a) em
julgado em 04/11/2021.
Artigo 37, §4º da Lei 12.815 de 2013:
Art. 37. Deve ser constituída, no âmbito do órgão de gestão de mão de obra, comissão
paritária para solucionar litígios decorrentes da aplicação do disposto nos arts. 32, 33 e
35.
§ 4º - As ações relativas aos créditos decorrentes da relação de trabalho avulso
prescrevem em 5 (cinco) anos até o limite de 2 (dois) anos após o cancelamento do
registro ou do cadastro no órgão gestor de mão de obra.
Norma que amplifica o direito dos trabalhadores
Prescrição considera o cancelamento do registro/cadastro no Órgão Gestor e não a prestação
de serviços...
 5.3) PRINCÍPIO DA JUSTIÇA SOCIAL
• Também se extrai do próprio artigo 170, “caput” da Carta Magna.
• Valorizando o trabalho humano e a livre iniciativa, a Constituição
visa assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames
da JUSTIÇA SOCIAL.
• É o princípio mais programático de todos, pois deve nortear as
políticas publicas do Estado, e também o legislador, quando da
elaboração da ordem jurídica pátria.
• Intérprete = deve ao aplicar o Direito do Trabalho, fazê-lo de
forma a contribuir com a disseminação desta Justiça Social.
 5.4) PRINCÍPIO DA BUSCA DO PLENO EMPREGO
• Está previsto no artigo 170, VIII da CR
• Empresa = enquanto atividade econômica organizada,
que reúne os três fatores produtivos: capital, trabalho e
obra prima).
• Torna-se princípio importante na solução dos Dissídios
Coletivos;
• Princípio básico utilizado como diretriz norteadora da
flexibilização das normas trabalhistas.
RR 0010287-26.2023.5.15.0017, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Bastos Balazeiro
(Julgado em 27/11/2024). Trecho do acórdão:
=> É certo que a jurisprudência vinculante da Suprema Corte foi firmada sob o prisma da
disposição de direitos trabalhistas por meio de instrumentos coletivos, reputando consentânea
com a ordem constitucional a mitigação de direitos dessa sorte, desde que disponíveis.
Contudo, se a Constituição autoriza que as normas autônomas regularmente estabelecidas
entre categorias profissionais e econômicas negociem – e potencialmente reduzam – direitos
trabalhistas, não subsiste razão para compreender queos mesmos instrumentos não possam
igualmente encerrar transação que redunde em potencial atenuação do direito de
empresas quanto à irrestrita liberdade de contratação.
=> É de se notar, ademais, que o art. 170, VIII, da Constituição, integra à proteção da ordem
econômica o princípio da busca do pleno emprego. Em outros termos, a convenção
coletiva que estabelece limites à liberdade de contratação não encerra, em si, conflito com as
garantias constitucionais, mas com elas dialoga, uma vez que a perspectiva humanista-social
da Carta Magna impõe a defesa e proteção do emprego com um dos leques da ordem
econômica.
Trecho da Ementa do voto do Ministro Barroso (na cautelar da ADI 6363 sobre a MP 936
de 2020)
5. A leitura do direito do trabalho à luz da Constituição, além de garantir os direitos
expressos no texto constitucional, deve observar os seguintes princípios e objetivos: (i)
preservar o emprego e aumentar a empregabilidade; (ii) formalizar o trabalho,
removendo os obstáculos que levam à informalidade; (iii) melhorar a qualidade geral e a
representatividade dos sindicatos; (iv) desonerar a folha de salários; e (v) acabar com a
imprevisibilidade do custo das relações do trabalho.
6. A urgência na implementação das medidas aqui examinadas inviabiliza a exigência de
negociação coletiva, que deve ser ponderada com o direito ao trabalho e a garantia do
emprego, valores igualmente protegidos pela Constituição. Os sindicatos não têm
condição de participar, a tempo e a hora, do imenso volume de acordos resultantes da
crise sanitária, econômica e humanitária trazida pela pandemia. Diante disso, impor a
negociação coletiva constitui meio inadequado à consecução do próprio fim a que se
destina: a tutela do empregado, a proteção do emprego e a segurança jurídica.
Trecho da Ementa do voto do Ministro Barroso (na cautelar da ADI 6363 sobre a MP
936 de 2020)
7. Antevendo a impossibilidade de adoção ampla de negociação coletiva nos casos
nela previstos, a própria medida provisória instituiu intensa regulação protetiva do
empregado.
8. Nego referendo à cautelar e fixo a seguinte tese de julgamento: “É possível,
extraordinariamente, afastar a exigência de negociação coletiva, em situação
emergencial e transitória, nas hipóteses previstas na MP 936/2020, tendo em vista
que a rigorosa regulação pelo Poder Público minimiza a vulnerabilidade do
empregado e que a negociação coletiva poderia frustrar a proteção ao emprego.”
 5.5) PRINCÍPIO DA IGUALDADE ou DA NÃO DISCRIMINAÇÃO
• Artigo 3º, IV, CR: dentre os objetivos fundamentais da
República Federativa do Brasil encontra-se a promoção do
bem de todos (sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
idade e quaisquer outras formas de discriminação).
• Artigo 5º, caput, CR = igualdade de todos perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza;
• Artigo 5º, I da CR = igualdade de gênero (homens e mulheres
são iguais em direitos e obrigações);
• Artigo 5º, XLI da CR = lei punirá qualquer discriminação atentatória
dos direitos e liberdades fundamentais;
• Artigo 7º da CR:
• XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e
de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado
civil;
• XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e
critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
• XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e
intelectual ou entre os profissionais respectivos;
 CORRENTES SOBRE O CONCEITO DE IGUALDADE:
1. NOMINALISTA = a igualdade seria apenas nominal, pois não há como
atingir a verdadeira igualdade, pois a regra é a diversidade, o mundo é
desigual;
2. IDEALISTA = prega a igualdade absoluta entre os seres humanos,
preconizando a ideia de regras jurídicas que determinem tal igualdade no
campo social (que terminaria por reduzir de desigualdade física).
3. REALISTA = se rege pelo primado da igualdade proporcional (situações
desiguais devem ser tratadas desigualmente) = predominante em nosso
sistema constitucional.
• Esta última posição fundamenta as ações afirmativas e o conceito de
discriminação “positiva” ou de discriminação “inversa”.
CONVENÇÃO 111 DA OIT de 1958 (Decreto Legislativo 62.150/1968).
“Artigo 1 – 1. Para os fins da presente convenção o termo “discriminação”
compreende:
a) toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo, religião,
opinião política, ascendência nacional ou origem social que tenha por efeito
destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou de tratamento em matéria
de emprego ou profissão.
b) qualquer outra distinção, exclusão ou preferência que tenha por efeito
destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de
emprego ou profissão, que poderá ser especificada pelo Membro interessado
depois de consultas às organizações representativas de empregadores e
trabalhadores quando estas existam e outros organismos adequados.
2. As distinções, exclusões ou preferências fundadas em qualificações exigidas
para um determinado emprego não são consideradas como discriminação”.
• DISCRIMINAÇÃO (CONCEITO)
• Maurício Godinho Delgado = “é a conduta pela qual nega-se à
pessoa tratamento compatível com o padrão jurídico assentado
para a situação concreta por ela vivenciada”.
• CARÁTER INFUNDADO DE DISTINÇÃO
• Pode ser uma ação ou omissão, que tem por objetivo restringir
direitos de pessoas ou grupos, desfavorecendo-os (é neste sentido,
entendida como discriminação negativa).
 DISCRIMINAÇÃO POSITIVA (LÍCITAS/LEGÍTIMA)
Remete à lógica das ações afirmativas 
Objetiva mitigar desigualdades históricas 
Podem ser de caráter permanente ou provisório; 
Legítima para fins de inserção no mercado de trabalho (por exemplo, de gênero)
O direito brasileiro prevê:
Art. 93, Lei 8.213/91 – reserva de vagas para pessoas com alguma limitação física 
(empresas com mais de 100 empregados) 
Cotas de acesso a Instituições Públicas de ensino superior; 
Estatuto do Idoso via estímulo a contratação de idosos ao trabalho; 
Art. 377, CLT – medidas de proteção ao trabalho da mulher
• DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA (ILÍCITAS ou ILEGÍTIMAS)
• 1 - DIRETA = adoção de disposições gerais que estabelecem distinções
fundamentadas em critérios proibidos.
• 2 - INDIRETA = adoção de disposições gerais aparentemente neutras, mas que,
na realidade, criam desigualdades em relação a pessoas pertencentes a
determinado grupo.
• É discriminação dissimulada (adoção de critérios puramente subjetivos na
admissão de trabalhadores, por exemplo).
 Teoria do Impacto Desproporcional sobre Grupos em Desvantagem – afirma que podem nascer causas de segregação sem
que haja prévia intenção para tanto
 EUA: Griggs vs. Duke Power Co. - várias pessoas negras questionavam uma prática adotada pela empresa, que
condicionada a promoção dos seus funcionários a “testes de inteligência”; impacto negativo desproporcional sobre os
trabalhadores negros, já que estes, em sua imensa maioria, haviam estudado em escolas segregadas, em que o nível de
ensino era muito inferior
 Brasil - Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 1946-DF (inconstitucional a limitação do salário maternidade ao teto
do RGPS => violação ao artigo 7º, XXX da CR e artigo 5º, I da CR, igualdade entre homens e mulheres.
• DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA (ILÍCITAS ou ILEGÍTIMAS)
3 - Institucional – preceito encontra-se subjacente ao próprio comportamento coletivo e
institucional, inserido assim na lógica da empresa de modo não necessariamente consciente,
mas reprodutor de desigualdades sociais
4 - Horizontal – quando diz respeito à contratação do trabalhador
Discriminação por sobrequalificação – decorre do avolumado conhecimento adquirido, que ante a
determinada vaga de trabalho, ensejaria a rejeição do candidato; acaba por promover o desestímulo a
continua qualificação; pode viabilizar indenização pautada na perda de uma chance
5 - Vertical – quando ocorre quanto à promoção do trabalhador (sendo contra a mulher, também
chamado “teto de cristal”)
6- Múltiplas (Interseccionalidade) – quando uma forma de discriminação é potencializada pela
precedência de existência de outras formas descriminalizantes
 imbricação das diversas formas de opressão, sobretudo raça, gênero e classe
 quanto mais elementos segregadores estão inseridos no indivíduo, maior o potencial e impacto de discriminação sofrido (Ex:
mulher + negra + pobre...que ocupação usualmente desempenha?)
• SÚMULA nº 443 do TST:
• “DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. PRESUNÇÃO. EMPREGADO PORTADOR DE DOENÇA
GRAVE. ESTIGMA OU PRECONCEITO. DIREITO À REINTEGRAÇÃO.
• Presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do vírus HIV ou de
outra doença grave que suscite estigma ou preconceito. Inválido o ato, o empregado
tem direito à reintegração no emprego”.
• Lei 9.029/95:
• Art. 1o É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito
de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem,
raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade,
entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao
adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal. (Redação
dada pela Lei 13.146 de 2015)
 5.6) PRINCÍPIO DA LIBERDADE DO TRABALHO
• Tem que ser entendido sob dois prismas:
 1 – Não se admite qualquer espécie de monopólio da atividade laboral ou do exercício
profissional;
• Mas a exigência de certas qualificações profissionais (como filiar-se à OAB, por exemplo),
não viola tal princípio.
 2 – Consiste na efetiva liberdade do trabalhador escolher o seu trabalho, ofício ou
profissão.
• Trabalho em condições análogas às de escravo (artigo 149, CP) = viola o princípio da
liberdade do trabalho.
 Artigo 5º, inciso XIII da CR: “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”.
• Artigo 5º, inciso III da CR:
• III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
• Art. 462 da CLT: VEDAÇÃO AO “TRUCK SISTEM”
• § 2º - É vedado à emprêsa que mantiver armazém para venda de mercadorias aos
empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações "in natura" exercer
qualquer coação ou induzimento no sentido de que os empregados se utilizem do
armazém ou dos serviços.
• § 3º - Sempre que não fôr possível o acesso dos empregados a armazéns ou serviços não
mantidos pela Emprêsa, é lícito à autoridade competente determinar a adoção de
medidas adequadas, visando a que as mercadorias sejam vendidas e os serviços
prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro e sempre em benefício das
empregados.
• INTENÇÃO: evitar um endividamento artificial do empregado que fica “preso” ao
empregador
• Artigo 149 do Código Penal: Redução à condição análoga de escravo
• Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a
trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes
de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida
contraída com o empregador ou preposto:
• Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
• § 1o Nas mesmas penas incorre quem:
• I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de
retê-lo no local de trabalho;
• II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou
objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.
CLÁUSULA DE NÃO CONCORRÊNCIA. VALIDADE . AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO
GEOGRÁFICA. A jurisprudência desta Corte caminha no sentido de que, apesar da
estipulação de cláusula de não concorrência cingir-se à esfera de interesses privados
do empregador e do empregado, é necessária , para o reconhecimento da validade do
ajuste , a obediência aos seguintes requisitos: a estipulação de limitação territorial ,
vigência por prazo certo e vantagem que assegure o sustento do empregado durante o
período pactuado, assim como a garantia de que o empregado possa trabalhar em
outra atividade. Na hipótese dos autos, tendo em vista que a referida cláusula não fixa
qualquer limitação geográfica, estipulando apenas que "o Empregado não se
dedicará a trabalho (...) que possam concorrer com os serviços desenvolvidos
pela Empresa", correto o entendimento do TRT ao declarar a nulidade da cláusula em
comento . Incidência da Súmula 333 do TST e art. 896, 7 . º, CLT. Precedentes. Agravo
a que se nega provimento. (TST – 2ª Turma, Processo Ag 1000003-
47.2017.5.02.0070, Ministro Maria Helena Mallmann, Julgado em 04/09/2024)).
 5.7) PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE DE DIREITOS (não
retrocesso social)
• Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social (...)
• Visa impedir que por meio de criação legislativa ou intepretação jurídica de normas já
existentes, haja retorno a momento civilizatório inferior ao alcançado por meio da
concretização de determinado direito social.
• Reforma Trabalhistas (Lei 13.467 de 2017)? Violação do não retrocesso social?
• ADI 5766 (invalidou regra do caput e §4º do artigo 790-B da CLT e §4º do artigo 791 da
CLT)
• ADI 5938 (invalidou regra que condicionava o afastamento de gestantes ou lactantes do
exercício de atividades insalubres à apresentação de atestado médico).
• Ministra Rosa Weber: "inegável retrocesso social", pois revogou a norma anterior que vedava o trabalho
insalubre da gestante ou lactante, além de menosprezar direito fundamental à saúde da mãe
trabalhadora.
 5.7) PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE DE DIREITOS (não
retrocesso social)
• OBS: Princípio da Livre Iniciativa + Princípio do Desenvolvimento Econômico do país
• ADIs 5826, 5829 e 6154 (validade do contrato de trabalho intermitente – sobre o fundamento que
protege os trabalhadores na informalidade – Ministro Nunes Marques)
• ADI 6142 (ainda em julgamento – questiona a constitucionalidade do artigo 477-A da CLT)
• STF tem posição não definida. Ora reafirma o princípio da progressividade, ora permite
certa transação em nome da livre iniciativa e desenvolvimento econômico do país.
 Tema 1389 de RG: (ARE 1.532.603)
• “Competência e ônus da prova nos processos que discutem a existência de fraude no
contrato civil/comercial de prestação de serviços; e a licitude da contratação de
pessoa jurídica ou trabalhador autônomo para essa finalidade”.
 5.8) - PRINCÍPIO DA LEALDADE e DA BOA-FÉ, PRINCÍPIO DA NÃO ALEGAÇÃO
DA PRÓPRIA TORPEZA e PRINCÍPIO DO EFEITO LÍCITO DO EXERCÍCIO REGULAR
DO PRÓPRIO DIREITO
• Estes três princípios sintetizam a noção de que a Ordem Jurídica só deve
sancionar consequências em favor de uma Pessoa com respeito a CONDUTAS
LÍCITAS e DE BOA-FÉ por ela praticadas.
• PREVISÃO NA CLT:
• a) Artigo 482 da CLT: incontinência de conduta, mau procedimento, negociação
habitual desleal, desídia (...)
• b) Artigo 483 da CLT: tratamento do empregado com rigor excessivo, exigência
de serviços superiores às forças do trabalhador, redução substantiva da oferta
de trabalho sem justificativa (...)
 OBSERVAÇÃO 1: Apresenta-se sob um duplo aspecto:
• BOA-FÉ CRENÇA = tendência de se reputarem válidos os efeitos
jurídicos de um determinado ato e/ou negócio, em face do
desconhecimento sobre os eventuais vícios que o inquinam;
• BOA-FÉ LEALDADE = diz respeito à conduta dos próprios titulares
do ato e/ou negócio jurídico.
 OBSERVAÇÃO 2: LIMITES AO PRINCÍPIO DA NÃO ALEGAÇÃO DA PRÓPRIA
TORPEZA?
• Artigo 150 do CCB/2002:
• “Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para
anular o negócio, ou reclamar indenização”.
• Direito Civil = impossibilidade de alegar-se nulidade;
X
• Direito do Trabalho (Princípio Protetor, Princípio da Primazia de Realidade)
• Artigo 9º da CLT: atos visando impedir, desvirtuar, fraudar a aplicação da CLT.
• Subordinação jurídica como ideia de “vício de vontade presumido”.“II - RECURSO DE REVISTA, INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. RECURSO REGIDO
PELA LEI 13.467/2017. TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. HORAS EXTRAS. PONTO
BRITÂNICO. Não obstante a manifestação do reclamante impugnando as folhas de ponto,
o regional considerou que "As folhas de frequência se encontram preenchidas
manualmente e assinadas pelo próprio reclamante. A expressão 'horário britânico' é
sinônimo de pontualidade. Portanto, se o reclamante as preencheu e assinou com tais
horários, não pode pretender o não acolhimento de tais registros, pois seria alegar a
própria torpeza em seu favor". Nos termos da Sumula 338, III, do TST, os cartões de
ponto que registram horários "britânicos" não servem como meios de prova, assim,
presume-se como verdadeira a jornada de trabalho alegada pelo reclamante na inicial se
a reclamada não provar o contrário, ou seja, trata-se de presunção relativa de
veracidade. Não se desvencilhando a reclamada de tal presunção, prevalecem os
horários declarados na inicial. Recurso de revista conhecido e provido”. (TST – ARR
0000696-47.2015.5.05.0551, 8ª Turma, Relatora Delaíde Alves Miranda, Julgado em 10/05/2023)
Limite à boa fé objetiva? Controles britânicos assinados no curso de um contrato de trabalho
(razoabilidade + situação de vulnerabilidade do empregado)
 RECURSO ORDINÁRIO. HORAS EXTRAS. CONTROLES DE PONTO. A
ré não pode invocar a seu favor a inidoneidade dos controles de
ponto, pois ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Uma
vez registradas horas extras sem pagamento correspondente,
impõe-se a condenação. (TRT – 1ª Região, número do documento
00097001020085010020, 10ª Turma, Desembargador Flávio
Ernesto Rodrigues Silva, DO 22.08.2012)
 Caso: Empresa juntou os controles de ponto, mas ela mesmo
alegou sua inidoneidade...
 “Venire contra factum proprium”
 Curtida de uma reportagem ou “emoji” sobre notícia publicada
sobre o Empregador (caso de um Supermercado multado por vender
produtos fora da validade)
 “(...) o dever de lealdade e boa-fé objetiva que baliza o comportamento de empregados e
empregadores não se confunde com submissão ou sujeição, tampouco se sobrepõe
ao direito humano de livre manifestação do pensamento (arts. 19 da Declaração
Universal de Direitos Humanos e 5º, IV, da Constituição Federal). Nesse contexto, o simples
endosso da empregada, ainda que em tom de ironia, acerca do conteúdo de matéria
jornalística veiculada em rede social acerca de conduta de sua empregadora, não
representa abuso de direito. Trata-se, antes, da exteriorização da liberdade de opinião da
trabalhadora no exercício de sua cidadania. Ainda que possa repercutir negativamente na
imagem do empreendimento, não se verifica a ilicitude do ato ou seu enquadramento na
alínea "k" do art. 482 da CLT. Agravo conhecido e não provido”. (TST, AIRR 1000178-
85.2021.5.02.0301, Ministra Delaíde Alves Miranda Arantes, DEJT 10.04.2025)
 5.9. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
• Artigo 421 do Código Civil = liberdade de contratar será exercida
em razão e nos limites da função social.
• O Conselho da Justiça Federal, na III Jornada de Direito Civil,
realizada em Brasília em dez/2004, editou o Enunciado 23:
• "Art. 421: a função social do contrato, prevista no art. 421 do
novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia
contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando
presentes interesses metaindividuais ou interesse individual
relativo à dignidade da pessoa humana".
 Súmula 244 do TST
“GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA.
I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito
ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do
ADCT).
II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der
durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos
salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade.
III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art.
10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,
mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado”.
• Outro exemplo:
• Súmula nº 440 do TST
• “AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. APOSENTADORIA POR
INVALIDEZ. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
RECONHECIMENTO DO DIREITO À MANUTENÇÃO DE PLANO DE
SAÚDE OU DE ASSISTÊNCIA MÉDICA - Res. 185/2012, DEJT
divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
Assegura-se o direito à manutenção de plano de saúde ou de
assistência médica oferecido pela empresa ao empregado, não
obstante suspenso o contrato de trabalho em virtude de auxílio-
doença acidentário ou de aposentadoria por invalidez”.
• Contrato de Mútuo. Pacto adjeto ao contrato de trabalho.
Onerosidade excessiva. Concedendo o empregador, com base
em norma interna, empréstimo ao empregado para pagamento
em 48 parcelas, dispensando-o no mês seguinte, não lhe é lícito
exigir o pagamento integral do mútuo, com privação do
trabalhador da totalidade das verbas resilitórias. Função Social
do Contrato (Art. 421, do Novo Código Civil Brasileiro), que
orienta a possibilidade de seu temperamento para não tornar a
obrigação excessivamente onerosa (artigo 480, do mesmo
Diploma Legal). Recurso Parcialmente provido. (TRT – 1ª Região,
6ª Turma, número do documento 00951004520035010059,
relator Desembargador José Antônio Teixeira da Silva, DO de
23.05.2007).
 5.10. - PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE
• Segundo PINHO PEDREIRA, é o princípio “segundo o qual, nas
relações de trabalho, as partes, os administradores e juízes,
quando tenham de solucionar os problemas ou conflitos delas
decorrentes, devem se conduzir de modo razoável”.
• ALFREDO RUPRECHT = AMORFISMO (razoabilidade varia no tempo
e no espaço)
• COMANDO POSITIVO: juízo de verossimilhança, ponderação,
sensatez e prudência
• COMANDO NEGATIVO: repulsa condutas inverossímeis e
insensatas.
 no Direito Administrativo (Bandeira de Melo, Diogo Figueiredo, Di Pietro)
• “CONCURSO PÚBLICO – DESRESPEITO À ORDEM DE CLASSIFICAÇÃO – AUSÊNCIA
DE FUNDAMENTO – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE – 1. Encerrado o processo
seletivo, não é dado à Administração preterir o primeiro colocado, quando do
preenchimento da única vaga, sem que haja fundamento relevante para tanto.
2. O princípio da razoabilidade determina que a Administração deve se pautar
por critérios racionais, para buscar o atingimento da finalidade do ato
administrativo, sendo ilegítimos os atos que não se apresentem razoáveis e
sensatos. 3. Preterir o primeiro colocado de um concurso apenas porque ele
não dispunha, de imediato, de duas fotos 3x4, e não possuía conta corrente
junto ao Banco do Brasil, é algo totalmente desarrazoado. 4. Apelação e
remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª R. – AMS 92.03.029627-1 – 2ª T. – Rel. Juíza
Sylvia Steiner – DJU 26.02.1997)
 No Direito Penal:
• Artigo 24, parágrafo 1º do CP:
• Declara razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado
em caso de estado de necessidade;
• Artigo 25 do CP:
• Considera em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
 No Direito do Trabalho:
• PINHO PEDREIRA: modificação do horário de trabalho?
• PODER DIRETIVO X PRINCÍPIO DE RAZOABILIDADE = se for
prejudicar o empregado em razão de uma atividade
específica, poderia haver a resistência do trabalhador.
• EVARISTO DE MORAES FILHO: PROPORCIONALIDADE DA
PENA (como um dos aspectos do princípio)
• JUS PUNIENDI X PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE
 No Direito do Trabalho:
• Aplicação práticas:
• 1 – na admissão, empregador não pode estabelecer condições
inatingíveis para o desenvolvimento do trabalho ou
desumanas/exaustivas.
• 2 – Na estipulação de prêmios, não pode estabelecer metas abusivas ou
inalcançáveis
• 3 – Não pode estabelecer critérios para promoção por mérito
excessivamente difíceis ou impossíveis
• 4 – A penalidade aplicada ao empregado deve observar a
proporcionalidade entre a falta e a conduta do empregado.
 “RECURSOORDINÁRIO. HORA EXTRA. Jamais se poderia presumir
verdadeira a jornada de trabalho com média mensal de 336h alegada
na petição inicial, pois afronta o princípio da razoabilidade.
Inverossímil a "versão" patrocinada pelo reclamante (art. 844, §4º,
inciso IV da CLT), não atendendo ao mínimo de credibilidade que
devem pautar as alegações das partes no processo, repelindo, por
conseguinte, a presunção relativa de veracidade da jornada de
trabalho. Diante desse "cenário", inviável reconhecer, ao
reclamante, o direito às horas extras apresentadas na petição
inicial”. (TRT 1, Processo 0100021-60.2024.5.01.0043, 2ª Turma,
Desembargador José Luis Campos Xavier, DEJT 27/01/2025).
 Jornada inverossímil? Revelia? Não juntada dos controles de ponto
 RR 258-77.2014.5.23.0026 (3ª Turma do TST, limitou a 12 horas, jornada
alegada de 18 horas diárias; motorista carreteiro; Empresa não juntou os
controles de ponto).
 RR 10572-43.206.5.15.0056 (7ª Turma do TST, fixou em 14 horas, jornada
alegada era de 19 horas (de 4h às 23h). Empresa juntou apenas parte dos
controles de ponto).
 Porém: SDI-2 – ROT 22802-58.2020.5.04.0000 (aplicou a Súmula 338 do
TST, e restabeleceu a jornada de 12 horas que havia sido limitada, “sem
qualquer outro dado objetivo ou razão adicional que justificasse a
conclusão”. (decisão de novembro de 2021)
• “INTERVALO INTRAJORNADA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
Afronta o princípio da razoabilidade admitir que o empregado,
ainda que resida a alguns quarteirões do local de trabalho, possa
ir em casa almoçar e retornar ao serviço em apenas quinze
minutos” (TRT – 1ª Região, 4ª Turma, número do documento
00828008320095010045, Desembargador relator Ivan da Costa
Alemão Ferreira, D.O. 08.10.2012)
• Atentar:
• Circunstâncias do caso concreto
• Peculiaridades do empregador e do empregado
 Princípio da razoabilidade não pode ser aplicado de forma genérica, sob pena de
ferir a teoria do ônus da prova.
 Desjejum. Considerando que o desjejum previsto na norma
coletiva refere-se ao fornecimento de café com leite e pão com
manteiga, definitivamente não equivale ao valor de R$10,00
estipulado na sentença de primeiro grau, o que deve ser reduzido
para R$ 4,00 com fundamento no princípio da razoabilidade.
Sentença reformada no particular. (TRT – 1ª Região, 3ª Turma,
número de documento 0167000912009501028, Desembargador
Jorge Fernando Gonçalves da Fonte, D.O. 14.03.2012)
 5.11. - PRINCÍPIO DA TIPIFICAÇÃO LEGAL DE ILÍCITOS E PENAS
• Art. 482 e 483 da CLT: (Justa causa e rescisão indireta,
com “tipos” numerus clausus.
• Artigo 474 da CLT => Suspensão
• Exceção: ADVERTÊNCIA - criada pelo costume trabalhista.
• Antiga Lei de Greve (Lei 4.330/64) e Lei 8.630/93
• Atenção: Artigo 29, §4º da CLT
• É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras à conduta do
empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social.
 5.11. - PRINCÍPIO DA TIPIFICAÇÃO LEGAL DE ILÍCITOS E PENAS
• OBS: Multa como punição?
• Empregados comuns, não podem ser punidos com multas. Mas jogadores de futebol?
 Art . 15 A associação empregadora e as entidades a que a mesma esteja filiada poderão aplicar ao
atleta as penalidades estabelecidas na legislação desportiva, facultada reclamação ao órgão
competente da Justiça e Disciplina Desportivas. (Lei 6354/76) => revogada pela Lei 12.395 de 2011
 Artigo 57, IV da Lei 9.615/98
 V - penalidades disciplinares pecuniárias aplicadas aos atletas profissionais pelas entidades de prática
desportiva, pelas de administração do desporto ou pelos órgãos da Justiça Desportiva. (revogado
pela Lei 12.395/2011)
• OBS 2: Multa do artigo 48 e do artigo 50 da Lei 9.615/98 => infrações disciplinares
impostas pelas Entidades Desportivas, não pelo empregador.
• Não há mais base jurídica para tal multa
PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS
DO DIREITO DO TRABALHO
 6. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DO DIREITO DO TRABALHO
• CONCEITO: Linhas diretrizes ou postulados que inspiram o sentido
das normas trabalhistas (ALONSO GARCIA)
• 6.1) PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO (Princípio Tutelar, Tuitivo,
Protetivo, Tutelar-Protetivo)
• PLÁ RODRIGUEZ: “É o critério fundamental que orienta o Direito
do Trabalho, pois este, ao invés de inspirar-se num propósito de
igualdade, responde ao objetivo de estabelecer um amparo
preferencial a uma das partes: o trabalhador”
• DIREITO DO TRABALHO = TEIA DE PROTEÇÃO À PARTE HIPOSSUFICIENTE NA
RELAÇÃO DE EMPREGO (direito de caráter tutelar);
• 1º FUNDAMENTO: PRESUNÇÃO DE DESIGUALDADE ECONÔMICA
• 2º FUNDAMENTO: A SUBORDINAÇÃO JURÍDICA
• OBS: Plá Rodriguez e Alfredo Ruprecht - três dimensões distintas:
• a) princípio in dubio pro operario;
• b) princípio da norma mais favorável;
• c) princípio da condição mais benéfica;
• O princípio protetivo INSPIRA TODO O COMPLEXO DE REGRAS, PRINCÍPIOS E
INSTITUTOS
• OBS 2: Há previsão expressa do Princípio?
• O Princípio Protetor encontra-se positivado na legislação brasileira 
(sendo corolário também de princípios constitucionais):
• 1º) artigo 7º, CR: “que visem à melhoria da condição social dos 
trabalhadores”
• 2º) artigo 444 da CLT: “em tudo que não contravenha as 
disposições de proteção ao trabalho”;
• 3º) artigo 9º da CLT
• 4º) artigo 170, caput CR: valorização do trabalho humano 
• OBS 3: Algum trabalhador estaria fora do alcance do Princípio da Proteção?
• Trabalhador Hipersuficiente
• CLT, Art. 444. Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo
aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma
eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de
empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual
ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de
Previdência Social. (Incluído pela Lei nº 13.467 de 2017)
• 1ª POSIÇÃO:
• Já existia o artigo 62, II da CLT (Cargo de Gestão); Reforma Trabalhista não se referiu necessariamente
a eles, mas a empregados que tenham base salarial mais alto (mas não elevadíssimo) com nível
superior, porém necessariamente exercente de cargo de gestão.
• Inconstitucionalidade da distinção (violação da igualdade entre trabalho manual, técnico e
intelectual – art. 7º, XXXII, CR - e proibição da não discriminação – art. 1º, III, art. 3º, IV e art. 5º
caput da CR)
• Trabalhador Hipersuficiente
• Enunciado nº 49, 2ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho
(ANAMATRA)
• TRABALHADOR HIPERSUFICIENTE. ART. 444, PARÁGRAFO ÚNICO DA CLT.
• I – O parágrafo único do art. 444 da CLT, acrescido pela Lei 13.467/2017,
contraria os princípios do direito do trabalho, afronta a Constituição Federal
(arts. 5º, caput, e 7º, XXXII, além de outros) e o sistema internacional de
proteção ao trabalho, especialmente a Convenção 111 da OIT.
• II – A negociação individual somente pode prevalecer sobre o instrumento
coletivo se mais favorável ao trabalhador e desde que não contravenha as
disposições fundamentais de proteção ao trabalho, sob pena de nulidade e
de afronta ao princípio da proteção (artigo 9º da CLT c/c o artigo 166, VI, do
Código Civil).
• Trabalhador Hipersuficiente
• 2ª Corrente:
• Mesmo o hipersuficiente, é detentor de proteção, ainda que mitigada.
• VÓLIA BOMFIM: valor do salário não diminui a subordinação do empregado, a
vulnerabilidade permanece, mas há maior autonomia negocial concedida ao empregado.
• Direitos previstos em lei irrenunciáveis e indisponíveis, ainda atrairiam o princípio da
proteção.
• 3ª Corrente:
• Hiperssuficiente não necessitaria de qualquer proteção.
• TST – 1ª Turma – RR 1001177-12.2020.5.02.0709 – Rel. Min. Amaury Rodrigues Pinto
Junior – 11 nov. 2022. (que reconheceu a existência de empregado hipersuficiente e, inclusive,
reformou a decisão a quo para homologar acordo extrajudicial feito entre o empregado e a
empresa, reconhecendo a quitação total do contrato de trabalho)
PRINCÍPIO “IN DUBIO PRO OPERARIO” (ou IN DUBIO PRO MISERO) 
• É o princípio que aconselha o intérprete a escolher entreduas ou
mais interpretações viáveis de uma cláusula contratual ou de uma
regra jurídica, a mais favorável ao trabalhador (ARNALDO
SUSSEKIND)
• Trata-se de transposição para o Direito do Trabalho do princípio
“in dubio pro reu” do Direito Penal.
• Mas é presente também no Direito Civil:
• Artigo 423 do CC: “Quando houver no contrato de adesão
cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a
interpretação mais favorável ao aderente”.
• REQUISITOS:
• a) a dúvida sobre o alcance de determinada regra jurídica ou
negócio jurídico;
• b) consonância da interpretação adotada com a vontade do
legislador (ratio legis)
• Portanto, esta regra tanto pode ser aplicada para ampliar um
benefício quanto para diminuir um prejuízo: odiosa
restringenda, favorabilia amplianda
• Exemplos:
• Contrato de trabalho que consigna jornada de 8 (seis)
horas: jornada de 8 ou de 6 horas?
• Dois TRCTs com duas datas diferentes: qual prevalece?
• OJ 14 da SDI-1 do TST: aviso prévio cumprido em casa
(prazo similar ao indenizado e não ao trabalhado).
• Exemplos:
• Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa?
• § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa
de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do
empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo
índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador
der causa à mora.
• IRR 71 TST => é devida, inclusive, na dispensa por justa causa. (Processo
0000031-72.2024.5.17.0101)
• IRR 52 TST => é devida, também, no caso de rescisão indireta reconhecida em
Juízo (Processo RRAg 0000367-98.2023.5.17.0008)
• Exemplos:
• Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa?
• § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa
de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do
empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo
índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador
der causa à mora.
• Reversão da justa causa em juízo? Reconhecimento do vínculo empregatício em
juízo?
• Súmula 462 do TST (reconhecimento)
• Súmula 36 do TRT 3 (reversão)
• Súmula 30 do TRT 1 (reversão ou reconhecimento)
• Súmula 58 do TRT 4
• Exemplos:
• Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa?
• § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa
de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do
empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo
índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador
der causa à mora.
• Porém: há pagamento, contudo, a menor?
• Tese Prevalecente nº 6 do TRT 14 (indevida)
• Súmula 54 do TRT 1 (indevida)
• Súmula 36 do TRT 17 (indevida)
• Súmula 33, II, TRT 2 (indevida)
• Exemplos:
• Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa?
• § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa
de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do
empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo
índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der
causa à mora.
• Base de Cálculo
• OJ 46 do TRT 4 (todas as parcelas salariais)
• Melhor interpretação de acordo com o princípio do in dubio pro operario.
• Princípio alcança o Direito Processual do Trabalho?
CORRENTES ALCANCE ADEPTOS
Aplicável (super restritiva) Apenas para inspiração do 
legislador processual
Amauri Mascaro, Rodrigues Pinto, 
Wagner Giglio, Vólia Bomfim.
Aplicável (restritiva) Para inspirar o legislador e para 
interpretar o direito processual
Sérgio Pinto Martins, Campos 
Batalha, Júlio César Bebber.
Aplicável (ampliativa) Para inspirar, interpretar e 
valoração probatória pelo Juiz no 
Processo
Cesarino Jr., Coqueijo Costa, 
Américo Plá Rodriguez
Não aplicável Nunca se aplica Manoel Antônio Teixeira Filho
 PRINCÍPIO DA CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA
• É o princípio que assegura a prevalência das condições mais
vantajosas ao empregado ajustadas no contrato de trabalho ou em
regulamento de empresa.
• No contraponto entre dispositivos contratuais concorrentes, há de
prevalecer aquele mais favorável ao empregador.
• Prevalecem as condições mais vantajosas para o trabalhador, não
importa o momento em que foram ajustadas.
• NÃO É CONTRAPONTO ENTRE NORMAS (ou REGRAS), MAS ENTRE
CLÁUSULAS CONTRATUAIS (tácitas ou expressas, oriundas do
próprio pacto ou do regulamento da empresa).
• CONDIÇÃO ou CLÁUSULA MAIS BENÉFICA?
• CONDIÇÃO:
• Artigo 121 do CCB: ”Cláusula que subordina o
efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto”
• Mais técnico se denominar tal princípio de
“Princípio da Cláusula Contratual Mais Benéfica”
• Súmula 51, I do c. TST: “REGULAMENTO DE EMPRESA -
CLÁUSULAS QUE ALTEREM OU REVOGUEM VANTAGENS -
VIGÊNCIA. As cláusulas regulamentares que revoguem ou alterem
vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores
admitidos após a revogação ou alteração do regulamento”
• Súmula 288 do c. TST: “COMPLEMENTAÇÃO DOS PROVENTOS DE
APOSENTADORIA. A complementação dos proventos de
aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão
do empregado, observando-se as alterações posteriores desde que
mais favoráveis ao beneficiário do direito”
• Exemplo 1: Norma Coletiva que fixa base de cálculo do adicional de
insalubridade de forma diversa:
• Súmula 46 do TRT 3: Adicional de insalubridade. Base de cálculo. A base de
cálculo do adicional de insalubridade é o salário mínimo, enquanto não sobrevier lei
dispondo de forma diversa, salvo critério mais vantajoso para o trabalhador
estabelecido em norma coletiva, condição mais benéfica ou em outra norma
autônoma aplicável.
• Exemplo 2: Norma Coletiva que concede adicional noturno superior ao da
lei, compensando a ausência de redução da hora noturna
• Súmula 48 do TRT 17: ESCALA 12X36. HORA NOTURNA REDUZIDA. I - A jornada
de 12 (doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) de descanso (12x36) não afasta o
direito do obreiro à redução da hora noturna estabelecida no artigo 73, § 1.º da CLT. II
- É válida norma coletiva que compense a ausência de redução da hora noturna
assegurando condição mais benéfica ao trabalhador do que aquela estabelecida na
legislação trabalhista a exemplo do adicional noturno superior ao legal.
• RECURSO ORDINÁRIO DOS RECLAMANTES. FORNECIMENTO DE
ALIMENTAÇÃO. CAFÉ DA MANHÃ. SUPRESSÃO.
IMPOSSIBILIDADE. CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA. Tendo em vista o
princípio da condição mais benéfica, os trabalhadores contratados
anteriormente a 01-10-2015 já tinham incorporado ao seu patrimônio
jurídico o direito ao café da manhã fornecido pela reclamada, por ser
um benefício que aderiu aos seus contratos de trabalho desde a
admissão. Assim, a supressão do café da manhã, realizada de forma
unilateral, configura alteração contratual lesiva, caracterizando
ofensa ao disposto no artigo 468 da CLT. Recurso provido. (TRT 1,
Processo 0100800-05.2019.5.01.0491, 2ª Turma, Relatora Marise Costa
Rodrigues, DEJT 15.10.2021)
• AGRAVO DE PETIÇÃO.CONTRATO DE TRABALHO. ALTERAÇÃO
CONTRATUAL LESIVA.DIVISOR DE HORAS EXTRAS. CONDIÇÃO
MAIS BENÉFICA. A adoção do divisor utilizado pela empresa
constitui condição mais benéfica que aderiu ao contrato de trabalho,
razão pela qual a modificação para o divisor 210 configura alteração
contratual lesiva, vedada pelo ordenamento jurídico e não
respaldada pela coisa julgada. Agravo improvido. (TRT – 1ª Região,
número do documento 00004283920115010035, 9ª Turma, Desembargador
Rogério Lucas Martins, D.O. 25.04.2012)
 6.2) PRINCÍPIO DA INALTERABILIDADE CONTRATUAL LESIVA (ou
INTANGIBILIDADE CONTRATUAL OBJETIVA)
• Artigo 468 da CLT = prevê expressamente este princípio;
• 1º fator: incentivo às alterações in melius (artigo 468 da CLT e
artigo 7º, caputda Constituição => melhoria das condições sociais
dos trabalhadores);
• 2º fator: Vedação às alterações in pejus (arts. 444 e 468 da CLT);
• 3º fator: Regra rebus sic stantibus x artigo 2º, caput da CLT
(alteridade)
• Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa
ao princípio:
• Artigo 468, §1º da CLT: “Não se considera alteração unilateral a
determinação do empregador para que o respectivo empregado
reverta ao cargo efetivo anteriormente ocupado, deixando o
exercício da função de confiança”
• Artigo 468, §2º da CLT: A alteração de que trata o § 1o deste
artigo, com ou sem justo motivo, não assegura ao empregado o
direito à manutenção”.
• OBS: Cancelamento da Súmula 372 do TST: jus variandi do
empregador x princípio da estabilidade financeira?
• Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio:
• Súmula 372 do TST
• GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO. LIMITES
• I - Percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se
o empregador, sem justo motivo, revertê-lo a seu cargo efetivo, não poderá
retirar-lhe a gratificação tendo em vista o princípio da estabilidade financeira.
• II - Mantido o empregado no exercício da função comissionada, não pode o
empregador reduzir o valor da gratificação.
 TST – Garantiu apenas a irretroatividade do §2º do artigo 468 da CLT
 E-ED-RR-43-82.2019.5.11.0019, SDI-1, Relatora Ministra Dora Maria da Costa,
DEJT 22/10/2021 e E-RR-377-71.2017.5.09.0010,SDI-1, Relator Ministro José
Roberto Freire Pimenta, DEJT 25.03.2022
• OBS: PRINCÍPIO DA ESTABILIDADE FINANCEIRA, ainda remanesce:
• Súmula 291, TST
• “HORAS EXTRAS. HABITUALIDADE. SUPRESSÃO. INDENIZAÇÃO. A supressão
total ou parcial, pelo empregador, de serviço suplementar prestado com
habitualidade, durante pelo menos 1 (um) ano, assegura ao empregado o
direito à indenização correspondente ao valor de 1 (um) mês das horas
suprimidas, total ou parcialmente, para cada ano ou fração igual ou superior
a seis meses de prestação de serviço acima da jornada normal. O cálculo
observará a média das horas suplementares nos últimos 12 (doze) meses
anteriores à mudança, multiplicada pelo valor da hora extra do dia da
supressão”.
• Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa
ao princípio:
Transferência do turno noturno para o diurno
• Súmula 265 do TST: "A transferência para o período diurno de
trabalho implica na perda do direito ao adicional noturno".
• TST, 4ª Turma, Ministro Alexandre Ramos: “cabe ao empregador
organizar o sistema de trabalho de acordo com suas necessidades.
“Além disso, a alteração de turno de trabalho do período noturno
para o diurno é benéfica para o trabalhador e amplamente admitida
pela jurisprudência do TST” (TST, 4ª Turma, relator Ministro Alexandre
Ramos, RR 2022-85.2012.5.15.0031, DEJT 31/01/2020)
• Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa
ao princípio:
• Súmula 80 do TST: "A eliminação da insalubridade, pelo
fornecimento de aparelhos protetores aprovados pelo órgão
competente do Poder Executivo, exclui a percepção do adicional
respectivo".
• Súmula 248 do TST: "A reclassificação ou descaracterização da
insalubridade por ato da autoridade competente repercute na
satisfação do respectivo adicional, sem ofensa a direito adquirido
ou ao princípio da irredutibilidade salarial".
• Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio
• Súmula 391, II do TST:
• “PETROLEIROS. LEI Nº 5.811/72. TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO.
HORAS EXTRAS E ALTERAÇÃO DA JORNADA PARA HORÁRIO FIXO.
• I - A Lei nº 5.811/1972 foi recepcionada pela CF/1988 no que se refere à
duração da jornada de trabalho em regime de revezamento dos petroleiros.
• II - A previsão contida no art. 10 da Lei nº 5.811/1972, possibilitando a
mudança do regime de revezamento para horário fixo, constitui alteração
lícita, não violando os arts. 468 da CLT e 7º, VI, da CF/1988”.
• Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa
ao princípio
• OJ 159 da SDI-1 do TST:
• “Diante da inexistência de previsão expressa em contrato ou em
instrumento normativo, a alteração de data de pagamento pelo
empregador não viola o art. 468, desde que observado o
parágrafo único, do artigo 459, ambos da CLT”.
• OBS = jus variandi
Ordinário
Aspectos 
secundários da 
atividade laboral
Horários (entrada 
e saída) Uniforme
Extraordinário
Aspectos 
substanciais da 
atividade laboral
Reversão, 
Promoção, 
Alterações de 
função
• OBS = jus variandi inverso?
• Quando a iniciativa parte do próprio empregado em razão de
situações não previstas, que causem prejuízo à sua saúde ou a
direito da personalidade, devendo haver adaptação nas condições
laborais.
• Assistente administrativo e enfermeiro conseguem redução de jornada para
cuidar de crianças com autismo
• https://www.tst.jus.br/web/guest/-/assistente-administrativa-e-
enfermeiro-conseguem-redu%C3%A7%C3%A3o-de-jornada-para-
cuidar-de-crian%C3%A7as-com-autismo
 Processos RR 1432-47.2019.5.22.003 (2ª Turma) e RR 31-38.2021.5.06.0019 (1ª
Turma)
https://www.tst.jus.br/web/guest/-/assistente-administrativa-e-enfermeiro-conseguem-redu%C3%A7%C3%A3o-de-jornada-para-cuidar-de-crian%C3%A7as-com-autismo
 6.3) PRINCÍPIO DA INTANGIBILIDADE SALARIAL ou DA INTEGRALIDADE
SALARIAL
• CARÁTER ALIMENTAR DO SALÁRIO: Garantir-se juridicamente o
salário, é garantir o próprio Princípio da Dignidade do Ser Humano.
• Convenção nº 95/1949 da OIT, que diz que o salário não poderá ser
objeto de penhora ou cessão, a não ser segundo as modalidades e
nos limites prescritos pela legislação nacional – art. 10 do Decreto
de Promulgação nº 41.721/87.
• Artigo 7º, VI da CR: irredutibilidade salarial
 6.3) PRINCÍPIO DA INTANGIBILIDADE SALARIAL ou DA
INTEGRALIDADE SALARIAL
• Tal princípio compreende:
1) Garantias do valor do salário
2) Garantias contra mudanças contratuais e normativas que
provoquem redução salarial
3) Garantias contra práticas que prejudiquem seu efetivo montante
(como redução de tarefas pelo empregador sem justo motivo)
4) Garantias contra interesses de credores diversos
(Maurício Godinho Delgado, Curso de Direito do Trabalho, página 222)
• Previsão infraconstitucional:
• Artigo 462 da CLT: “Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos
salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de
dispositivos de lei ou de contrato coletivo”
• §1º: “Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde
que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do
empregado”
• (...)
• § 4º - Observado o disposto neste Capítulo, é vedado às emprêsas limitar, por
qualquer forma, a liberdade dos empregados de dispôr do seu salário.
• OBS 1: Previsão em Norma Coletiva
• OJ 251 da SDI-1 do TST: DESCONTO DE FRENTISTAS
• “É lícito de desconto referente a devolução de cheques sem fundos,
quando o frentista não observar as recomendações previstas em
instrumento coletivo”.
• OBS 2: DESCONTOS DE UNIFORMES?
• Exigência/imposição/padronização é lícita
• Determinação para pagamento pelo emprego fere o artigo 462 da CLT.
• PN-115 UNIFORMES (positivo): Determina-se o fornecimento gratuito de
uniformes, desde que exigido seu uso pelo empregador.
• Artigo 462 da CLT: VEDAÇÃO DO TRUCK SYSTEM
• § 2º - É vedado à emprêsa que mantiver armazém para venda de mercadorias
aos empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações "in
natura" exercer qualquer coação ou induzimento no sentido de que os
empregados se utilizem do armazém ou dos serviços.
• § 3º - Sempre que não fôr possível o acesso dos empregados a armazéns ou
serviços não mantidos pela Emprêsa, é lícito à autoridade competente
determinar a adoção de medidas adequadas, visando a que as mercadorias
sejam vendidas e os serviços prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro
e sempre em benefício das empregados.
• Regra prevista também no artigo 6º da Convenção 95 da OIT (aprovada pelo
Decreto Legislativo24/1956 do Congresso Nacional)
• IMPENHORABILIDADE DOS SALÁRIOS
• Artigo 833, IV, §2º do CPC c/c artigo 529, §3º do CPC
• OJ 153 da SDI-2 do TST: vedava a penhora, hoje está limitada aos
atos praticados na vigência do CPC de 1973.
• Tema 75 de IRR (RR 0000271-98.2017.5.12.0019)
Na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é válida a penhora
dos rendimentos (CPC, art. 833, inciso IV) para satisfação de crédito
trabalhista, desde que observado o limite máximo de 50% dos
rendimentos líquidos e garantido o recebimento de, pelo menos,
um salário mínimo legal pelo devedor.
• REsp 1.407.062, 4ª Turma (2019) => sob a relatoria do ministro Luis Felipe
Salomão, entendeu que o benefício previdenciário do auxílio-doença é impenhorável
para pagamento de crédito constituído em favor de pessoa jurídica, quando se verifica
que a penhora violaria o mínimo existencial e a dignidade do devedor (O colegiado
deu provimento ao recurso de um devedor que, em ação de execução, teve 30% do seu
auxílio-doença penhorado para quitar dívida com uma fornecedora de bebidas).
• REsp 1.815.055 (agosto de 2020) => relatora Ministra Nancy Andrighi explicou que as
verbas remuneratórias, ainda que sejam destinadas à subsistência do credor, não são
equivalentes aos alimentos de que trata o Código Civil, isto é, àqueles oriundos de
relações familiares ou de responsabilidade civil, fixados por sentença ou título executivo
extrajudicial.
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
• Súmula 342 do TST: AJUSTE PRÉVIO
• “DESCONTOS SALARIAIS. ART. 462 DA CLT. Descontos salariais
efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por
escrito do empregado, para ser integrado em planos de
assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de
previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou
recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício
e de seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da
CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de
outro defiro que vicie o ato jurídico”.
 6.4) PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA
• Em matéria trabalhista, importa o que ocorre na prática, mais do que os
documentos demonstram.
• PLÁ RODRIGUEZ: "significa que em caso de discordância entre o que ocorre na
prática e o que surge de documentos e acordos se deve dar preferência ao
primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos".
• GODINHO DELGADO: “o conteúdo do contrato não se circunscreve ao
transposto no correspondente instrumento escrito, incorporando amplamente
todos os matizes lançados pelo cotidiano da prestação de serviços”.
• Este princípio manifesta-se em todas as fases da relação de emprego.
• Código Civil, Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção
nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem
 6.4) PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA
• Ex. Súmula 12 do TST
• CARTEIRA PROFISSIONAL. As anotações apostas pelo empregador na carteira
profissional do empregado não geram presunção “juris et de jure”, mas apenas
“juris tantum”
• OBS: Como interpretar o artigo 442-B da CLT?
• Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as
formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não,
afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3º desta Consolidação
(incluído pela Lei nº 13.467 e 2017)
Pejotização. Primazia da realidade. Reconhecimento da relação empregatícia. Presença dos
elementos fático-jurídicos. 3ª Turma do TST. (...) A relação de emprego é a principal fórmula de
conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua
existência, desde que seja incontroversa a prestação de serviços. A Constituição da República, a
propósito, elogia e estimula a relação empregatícia ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias
dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em consequência, possuem caráter
manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém, por pessoas
naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações
cooperativadas e a fórmula intitulada de “pejotização”. Em qualquer desses casos – além de outros –,
estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõe-se e deve ser
reconhecida, uma vez que a verificação desses pressupostos, muitas vezes, demonstra que a adoção
de tais práticas se dá apenas como meio de precarizar as relações empregatícias. Somente não se
enquadrará como empregado o efetivo trabalhador autônomo ou eventual. Contudo, a inserção do
real empregado na condição de pessoa jurídica se revela como mero simulacro ou artifício
para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos
sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando o obreiro cotidianamente no
estabelecimento empresarial, com todos os elementos fático-jurídicos da relação empregatícia, deve o
vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2º, caput, e 3º, caput, CLT), com todos os seus consectários
pertinentes. (...) (TST. Ag-AIRR – 1000967-89.2015.5.02.0432, Relator Ministro: Mauricio Godinho
Delgado, Data de Julgamento: 27/03/2019, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019)
• OBS 1: PREVALÊNCIA DA PROVA ORAL SOBRE A PROVA DOCUMENTAL?
• Não necessariamente. Deve se aferir a realidade objetiva dos fatos através de
quaisquer meios.
• Princípio da Aquisição Processual e da Livre convicção motivada do juiz (todas as
provas possuem, prima facie, o mesmo valor; quem atribui o valor é o Juiz)
• “HORAS EXTRAS. PROVA ORAL E DOCUMENTAL. CARTÕES DE PONTO
INIDÔNEOS. VALORAÇÃO PROBATÓRIA. Na hipótese, a prova oral
corroborou a inidoneidade dos registros ponto, motivo pelo qual prevaleceu
a jornada indicada na inicial, limitada pela prova oral, com base no princípio
da primazia da realidade e do convencimento motivado do magistrado (arts.
93, IX, da CF e 852-D da CLT)”. (TRT 1, Processo 0100023-47.2023.5.010081,
5ª Turma, Relator Desembargador Enoque Ribeiro dos Santos, DEJT 01.10.2024)
• OBS 2: Se aplica só em favor do trabalhador ou também em favor do
empregador?
• Ex. 1. Empregador assina a CTPS do trabalhador com a função de Gerente, mas
na prática, ele exerce a função de Subgerente. Pode invocar o princípio da
primazia da realidade?
• Ex. 2. Empregador doméstico assina a CTPS do trabalhador como empregado de
sua empresa, regido pela CLT. Pode invocar o princípio?
• Ex. 3. Empresa S/A assina a CTPS de Diretor como empregado. Pode alegar que
era, na verdade, Diretor Estatutário?
• Questão: venire contra factum proprium (boa fé objetiva)?
• OBS 3: Princípio não vale no caso do exercício de trabalho ilegal (assim
considerados aqueles considerados ilícitos)
• OJ 199 da SDI-1 do TST: “JOGO DO BICHO. CONTRATO DE TRABALHO.
NULI�DADE. OBJETO ILÍCITO. É nulo o contrato de trabalho celebrado para o
desempenho de atividade inerente à prática do jogo do bicho, ante a ilicitude
de seu objeto, o que subtrai o requisito de validade para a formação do ato
jurídico”.
• 1) RELAÇÃO JURÍDICA INTER PARTES. 1.1. Inviável o reconhecimento do
vínculo empregatício na função de vigilante, quando não atendidos os
requisitos e procedimentos previstos na Lei nº 7.102/1983. 1.2 In casu,
restou configurado trabalho ilícito, pelo que não é possível atribuir direitos
trabalhistas ao reclamante. Recurso improvido. (TRT 1, ROT 0100425-
27.2022.5.01.0029, 8ª Turma, Julgado em 16/10/2024)
• OBS 4: Princípio não vale no caso de necessidade de habilitação
essencial (não habilitação formal, mas sine qua non)
• OJ 296 da SDI-1 do TST:
• EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ATENDENTE E AUXILIAR DE ENFERMAGEM.
IMPOSSIBILIDADE. Sendo regulamentada a profissão de auxiliar de
enfermagem, cujo exercício pressupõe habilitação técnica, realizada pelo
Conselho Regional de Enfermagem, impossível a equiparação salarial
• Motorista? Advogado? Médico?
• Artigo 482, “m” da CLT: perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em

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