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PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO Prof. Marcos Dias de Castro Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região @papotrabalhistaoficial 1 – CONCEITO PRINCÍPIO = “começo”, “início”, “primeiro momento da existência de algo” Plá Rodriguez: LINHAS DIRETRIZES QUE INFORMAM NORMAS, INSPIRAM DIRETA OU INDIRETAMENTE SOLUÇÕES EMBASAM APROVAÇÃO DE NOVAS NORMAS ORIENTAM A INTERPRETAÇÃO DAS EXISTENTES RESOLVEM OS CASOS NÃO PREVISTOS Celso Bandeira de Melo: “princípio é por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico”. Arnaldo Sussekind: “princípios são enunciados genéricos, explicitados ou deduzidos do ordenamento jurídico pertinente, destinados a iluminar tanto o legislador, ao elaborar as leis dos respectivos sistemas, como o intérprete, ao aplicar as normas ou sanar omissões”. (Instituições de Direito do Trabalho, vol. I, 19ª Ed., pág. 146/147). 2. PRINCÍPIOS: CIÊNCIA x DIREITO 3. FUNÇÕES DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO • I - FUNÇÃO INFORMATIVA • Iluminam a elaboração de regras e institutos jurídicos = FONTES MATERIAIS. • PL 4731/2004: modificava o artigo 884 da CLT, e fica permitida a apresentação de embargos do devedor em caso de Execução ou penhora de bens, “ainda que em valor insuficiente para o pagamento integral da importância reclamada”. II - FUNÇÃO INTERPRETATIVA • Critério orientador do intérprete diante da norma já posta pelo legislador. • São denominados PRINCÍPIOS DESCRITIVOS; • Direção na interpretação da regra jurídica. • Ex. Interpretação do artigo 8º VI da CR => dispõe sobre a obrigatoriedade dos sindicatos nas negociações coletivas. • OBS: Só para os empregados (sob pena de não recepcionar o §1º do artigo 611 da CLT) Artigo 8º, VI da CR: “É obrigatória a participação dos Sindicatos nas negociações coletivas de trabalho”. Artigo 611, §1º da CLT: “É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho”. Princípio da Proteção • III - FUNÇÃO NORMATIVA • Atuam como fonte supletiva, no caso de ausência de Lei. • PRINCÍPIOS NORMATIVOS SUBSIDIÁRIOS ou SUPLETIVOS => FONTES FORMAIS SUBSIDIÁRIAS • Artigo 8º da CLT: assim o autoriza. • PRINCÍPIOS NORMATIVOS CONCORRENTES? • É possível a existência deste tipo de princípio? • 1ª POSIÇÃO: SIM • Norberto Bobbio, Ronald Dworkin, José Joaquim Gomes Canotilho, Robert Alexy, Antoine Jammeaud; • No Brasil: Paulo Bonavides; • NORMA JURÍDICA (com natureza normativa = Lei) ou mero ENUNCIADO PROGRAMÁTICO ? • PRINCÍPIOS = NORMAS-CHAVES de todo Sistema Jurídico (Bonavides) • FUNDAMENTO da Ordem Jurídica (F. De Castro) • SUPER-FONTE • MANDAMENTOS DE OTIMIZAÇÃO da Ordem Jurídica (Alexy) • 2ª POSIÇÃO: NÃO • MAURÍCIO GODINHO: comandos otimizadores, mas não autônomos; • PLÁ RODRIGUEZ: inspiram o Direito Positivo, mas não são independentes; • CARNELUTTI: Estão dentro do direito escrito como o álcool no vinho: são o espírito ou a essência da lei. • AMAURI MASCARO E DÉLIO MARANHÃO: princípios não possuem força normativa. 4. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO Se irradiam por todos os segmentos da Ordem Jurídica; Asseguram ORGANICIDADE, UNIDADE E COERÊNCIA da Ordem Jurídica; Extensão e aplicação a todo o Direito Princípios Gerais de Direito x Princípios do Direito do Trabalho? • Eugênio Perez Botija (para quem deviam primar os Princípios de Direito do Trabalho) • X • Gaspar Bayón Chacón (para quem deviam predominar os Princípios Gerais de Direito); • Plá Rodriguez / Pinho Pedreira / Mozart V. Russomano: deve prevalecer os princípios específicos do Direito do Trabalho, em razão da expressão contida no artigo 8º da CLT CLT ANTES DA REFORMA •Artigo 8º da CLT: “As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse d classe ou particular prevaleça sobre o interesse público”. •Parágrafo único: “O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho, naquilo que não for incompatível com os princípios fundamentais deste” . CLT PÓS REFORMA TRABALHISTA •Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. •§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. DIREITO DO TRABALHO. RECURSO ORDINÁRIO. PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO. NATUREZA ABSTRATA. DIREITOS CONCRETOS. PRINCÍPIO DA IGUALDADE. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. NÃO PROVIMENTO. 1. Recurso ordinário do reclamante contra sentença em que se indeferiu a pretensão de recebimento da verba de representação. 2. A discussão concerne à amplitude do princípio da isonomia previsto na Constituição da República. 3. Os princípios gerais de direito, por sua natureza abstrata e ampla, servem como diretrizes para a interpretação, integração e aplicação do direito, mas não se configuram como normas que geram direitos concretos de forma autônoma. A criação de direitos específicos depende, por exemplo, de um processo legislativo que considere diversos fatores, incluindo aspectos sociais, econômicos, culturais e históricos, o que não se verifica na aplicação direta de princípios gerais de direito. O princípio da igualdade garante que todos sejam tratados de forma igual perante a lei, sem discriminação. A equiparação salarial, por sua vez, é um direito que materializa o princípio da igualdade no âmbito das relações de trabalho, assegurando que trabalhadores que exercem funções idênticas, com igual produtividade e perfeição técnica, recebam a mesma remuneração, independentemente de sexo, idade, cor ou estado civil. 4. Não demonstrados os requisitos da equiparação salarial, não é possível deferir direitos com fundamento no princípio geral da igualdade. 5. Recurso do autor ao qual se nega provimento. (TRT 2 – ROT 1001690-39.2023.5.02.0041, 16ª Turma, Relatora Regina Aparecida Duarte, DEJT 13/112024) PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO DO TRABALHO E PRINCÍPIOS GERAIS APLICÁVEIS AO DIREITO DO TRABALHO 5.1) PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA • Está previsto expressamente no artigo 1º, III da CR: dentre os fundamentos da República Federativa do Brasil, enquanto Estado Democrático de Direito, está a dignidade da pessoa humana. • Foco: a valorização da dignidade da pessoa humana do cidadão brasileiro. • Direito do Trabalho: deve preservar e resguardar a dignidade da pessoa humana do trabalhador. • Artigo 6º da CR: trabalho é um direito social, mas a Constituição se reporta ao TRABALHO DIGNO. DANO MORAL. OPERADORA DE TELEMARKETING . RESTRIÇÃO PELO EMPREGADOR AO USO DE BANHEIRO DO EMPREGADO. ATO ILÍCITO. OFENSA À HONRA SUBJETIVA DO EMPREGADO IN RE IPSA . INDENIZAÇÃO DEVIDA. No caso, o pedido de indenização por danos morais foi fundado em assédio moral pela restrição de uso do banheiro durante a jornada de trabalho. Extrai-se do acórdão regional que havia controle indireto pela empregadora de idas ao banheiro dos seus empregados e que o excesso de intervalo para as idas ao banheiro influenciavalei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. de enfermagem. 6.5) PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGO • CONCEITO: “o contrato de trabalho perdura até que sobrevenham circunstâncias previstas pelas partes ou em lei como idôneas para fazê-lo cessar.” (PINHO PEDREIRA) FUNDAMENTOS a) Do Princípio Protetor; b) Contrato de trabalho = de trato sucessivo; c) Segurança econômica ao trabalhador (Alice Monteiro de Barros) • EFEITOS • I) REGRA GERAL: contrato por tempo indeterminado. • Os contratos a termo, somente podem ser pactuados nas estritas hipóteses franqueadas pela Lei. • Artigo 29 da CLT: O empregador terá o prazo de 5 (cinco) dias úteis para anotar na CTPS, em relação aos trabalhadores que admitir, a data de admissão, a remuneração e as condições especiais, se houver, facultada a adoção de sistema manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério da Economia. • “INDETERMINAÇÃO DOS CONTRATOS POR PRAZO DETERMINADO – HIPÓTESES – Os contratos a prazo certo submetem-se a hipótese legais tipificadas – rígidas e restritas – no tocante à possibilidade de sua pactuação regular. Excluídas tais hipóteses legais, será irregular a contratação empregatícia mediante contratos a prazo determinado, uma vez que prevalecem no Direito do Trabalho os princípios da norma mais favorável e da continuidade da relação de emprego.” (TRT 3ª R. – RO 20.514/97 – 3ª T. – Rel. Juiz Maurício Godinho Delgado – DJMG 04.08.1998) • Vale também para os contratos especiais? Temporário? Estagiário? Aprendiz? • II) PRESUNÇÃO FAVORÁVEL AO TRABALHADOR • Súmula 212 do c. TST: “O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviços e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado”. • a) Há presunção, em caso de dúvida, de continuação da relação de emprego; • b) Faz presumida a ruptura contratual mais onerosa ao empregador • III) INTANGIBILIDADE SUBJETIVA DO CONTRATO DE TRABALHO • Alterações na estrutura jurídica da empresa não afetam os contratos de trabalho. SUCESSÃO TRABALHISTA CLT, Art. 10 - Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Art. 448-A. Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores prevista nos arts. 10 e 448 desta Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do sucessor. Parágrafo único. A empresa sucedida responderá solidariamente com a sucessora quando ficar comprovada fraude na transferência. 6.6) PRINCÍPIO DA IMPERATIVIDADE DAS NORMAS TRABALHISTAS • Os sujeitos de direito, movendo-se entre as fronteiras demarcadas pelo legislador, têm a faculdade de auto-regular seus interesses, exercendo sua AUTONOMIA PRIVADA (que é um poder jurídico que lhe assiste). • O PODER DE DISPOSIÇÃO (jus disponendi), consiste em fazer sair de nosso patrimônio um bem social que atualmente faz parte dele. • NORMAS IMPERATIVAS x NORMAS DISPOSITIVAS = intensidade de obrigatoriedade • As leis IMPERATIVAS = COMANDOS INAFASTÁVEIS, incidem inapelavelmente, não permitindo a alienação, renúncia ou transação do que nela disposto. • Essas normas imperativas podem ser ainda de ordem pública quando tutelam interesse público inafastável (salário mínimo, normas de proteção e higiene ao trabalho). • NORMAS DE ORDEM PÚBLICA: são aquelas que contém o conjunto de condições fundamentais da vida social instituídas em uma comunidade jurídica, as quais, por afetarem em seu centro a organização desta, não podem ser alteradas pela vontade dos indivíduos. • As regras DISPOSITIVAS em princípio obrigatórias, estão sujeitas, entretanto, à derrogação das partes. Assim, seu objetivo é apenas suprir a vontade dos destinatários se esta não é manifestada expressamente em sentido oposto. • Prevalece no Direito do Trabalho o domínio de regras jurídicas imediatamente obrigatórias, em detrimento de regras apenas dispositivas. • Fundamentos: Artigo 9º e 444 da CLT. • Súmula 437, II do TST (salvo no caso do motorista – artigo 71, §5º da CLT) 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE Regra geral: não é dado ao empregado dispor (renunciar ou transacionar direito trabalhista, sendo nulo atos jurídicos praticados contra tal disposição. OBS 1: Princípio da Substituição Automática das Cláusulas Nulas (Cairo Jr., Curso de Direito do Trabalho, página 104-105) OBS 2: A proteção do princípio tem uma atuação essencialmente INTRACONTRATUAL, não sendo exigível nas dimensões INTERCONTRATUAIS (Ex. a proteção da jornada de 8h se dá em um único contrato; se o empregado tem 2 empregos e ultrapassa o labor diário, não se lhe aplica tal proteção específica) 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE • Renúncia – é um ato unilateral de despojamento de direito, sem haver uma contrapartida; age sobre direito atual/certo, sendo um direito patrimonial disponível; o efeito é a cessação/extinção do direito (ex.: depois de 12 meses trabalhados o empregado tem direito a férias, ou seja, já se incorporou em sua esfera pessoal) • Transação – ato bilateral; concessões recíprocas; incide sobre direito duvidoso/incerto; só incide sobre direito patrimonial disponível; o efeito é a cessação/extinção do direito 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE Indisponibilidade pode ser: • Absoluta – quando o direito merecer uma tutela de nível de interesse público, objetivando assim garantir o Patamar Civilizatório Mínimo (inclusive, viabiliza a inversão do ônus da prova) • Relativa – quando traduzir interesse bilateral ou individual simples, que não caracterize o Patamar Civilizatório Mínimo; em termos processuais, caberá ao autor o ônus de provar suas alegações 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE Indisponibilidade é relativizada (hipóteses em que se admite transação e renúncia): Art. 14, §2°, L. 8.036 – empregado não optante do fundo poderá realizar opção a qualquer momento, realizando transação sobre a multa do art. 478, CLT Art. 14, §4°, L. 8.036 – autoriza a renúncia à estabilidade, com opção imediata ao FGTS Súmula 276, TST – viabiliza possível renúncia ao aviso prévio Súmula 51, II, TST – opção ao regimento interno novo viabiliza renúncia ao regimento interno anterior CCP – viabiliza acordo com quitação geral (confirmada pelo STF, quanto aos valores e parcelas discriminados no termo) Art. 477-B, CLT (PDV) e art. 507-B, CLT (termo de quitação anual) 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE Indisponibilidade é relativizada (hipóteses em que se admite transação e renúncia): Por meio de Norma Coletiva: Hipóteses do Artigo 611-A da CLT x Artigo 611-B da CLT Tema 1046 de Repercussão Geral: “São constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis". 6.7) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE Flexibilização do princípio pela Lei 13.467 de 2017: CLT, Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duasvezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Trabalhador Hipersuficiente? https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) Diante do conflito de normas, aplica-se aquela que for mais favorável. • Melhor: diante de uma pluralidade de fontes com vigência simultânea há de se preferir aquela que seja mais favorável ao trabalhador. • Base constitucional? • Ex. Lei prevê adicional de horas extras de 50%; Convenção Coletiva prevê adicional de 80%; Regulamento Interno prevê 100%; Qual fonte seria aplicável? 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) OBS: PRINCÍPIO que se aplica tanto em relação: Fontes Normativas Lei/Sentença normativa Acordo Coletivo e Convenção coletiva Fontes Autônomas Contrato individual Regulamento Interno 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) Mas como determinar a fonte mais favorável? Acumulação Atomística Conglobamento Incidibilidade Conglobamento por institutos 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) Teoria ou Método da Acumulação: • Aplicador acumula os itens mais favoráveis ao trabalhador, reunindo-os todos para aplicar ao caso • Atomiza o conjunto, construindo um outro “todo”, com vários ingredientes de várias fontes normativas (crítica: perda da unidade sistêmica do ordenamento jurídico) • Ex. Aplico o adicional noturno de 30% da Convenção Coletiva, o piso salarial mais benéfico do Acordo Coletivo e o adicional de férias de 100% do Regulamento 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) Teoria ou Método do Conglobamento: • Aplicador deve verificar sempre em conjunto quais das normas é mais benéfica ao trabalhador. • Aplica a norma mais favorável e descarta a menos favorável “em bloco” • Ex. Ou aplico tudo que está no Acordo Coletivo ou tudo que está na Convenção Coletiva, considerando aquela que é mais benéfica “no todo”. 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) Teoria ou Método do Conglobamento Mitigado (por institutos ou orgânico: • Aplicador deve verificar sempre dentro do conjunto, institutos que pode ser apreciados separadamente. • Aplica o bloco de vantagens jurídicas que contém elementos internos pertinentes entre si • Ex. Estabilidades; jornadas e intervalo; salários e utilidades não salariais. 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) OBS 1: CLT Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017 Art. 620. As condições estabelecidas em Convenção quando mais favoráveis, prevalecerão sôbre as estipuladas em Acôrdo. Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) Princípio da Especialidade x Princípio da Fonte mais Favorável? https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del0229.htm#art620 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) OBS 2: Posição do STF e TST: Teoria do Conglobamento Tema 1046 do STF: ao firmar a tese, valeu-se da teoria para analisar a validade das normas coletivas no exame conjunto de todas as cláusulas negociadas e não apenas em trechos isolados E-ED-Ag-RRAg-475-92.2016.5.17.0002, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 31/03/2023 ARR-139-23.2015.5.17.0132, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 18/08/2023 RRAg-799-21.2017.5.05.0022, 5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 30/06/2023 6.8) PRINCÍPIO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL (ou DA FONTE JURÍDICA MAIS FAVORÁVEL) OBS 3: Teoria do Conglobamento mitigado? Artigo 3º, II, Lei 7064/82 Art. 3º - A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido assegurar-lhe-á, independentemente da observância da legislação do local da execução dos serviços: I - os direitos previstos nesta Lei; II - a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho, naquilo que não for incompatível com o disposto nesta Lei, quando mais favorável do que a legislação territorial, no conjunto de normas e em relação a cada matéria. • 6.9) PRINCÍPIO DO MAIOR ou MELHOR RENDIMENTO • Significa que o trabalhador estaria “obrigado a desenvolver suas energias normais em prol da empresa, prestando serviços regularmente, disciplinar e funcionalmente” • Função: unificar, aglutinar as partes do contrato de trabalho. • Previsão: • Artigo 482, ”e” da CLT? (desídia) • Artigo 483, “a” da CLT (empregador que exige serviços superiores às forças do empregado => rescisão indireta) • 6.9) PRINCÍPIO DO MAIOR/MELHOR RENDIMENTO • CRÍTICAS: • 1ª) nada mais seria do que uma projeção do Princípio Geral da LEALDADE E DA BOA-FÉ nas relações de trabalho (Plá Rodriguez) • 2ª) o princípio estaria tutelando INTERESSE EMPRESARIAL • OBS: Atleta profissional de futebol (definido como desporto de rendimento pela Lei Pelé) • Ministro Alexandre Belmonte => a desídia pode ser entendida como “desleixo e falta de zelo no exercício das funções”, destarte será considerado desidioso o atleta que: “não se empenha nos exercícios preparatórios do condicionamento físico ou nos treinamentos preparatórios do condicionamento tático”. 6.10) Princípio da Continuidade da Empresa (Preservação da empresa) Criação de PJ interessa ao Estado, pois viabiliza investimentos, por haver separação patrimonial entre os patrimônios dos sócios e da sociedade. Previsão constitucional art. 170, 182 e 186, CF – função social da propriedade, onde a empresa é uma das formas de sua manifestação Função social da empresa (art. 116, §único, e 154, L. 6.404/76) A empresa deve ser vista sob dois ângulos: Não há risco de extinção Função social externa – tributo, meio ambiente, consumidor, concorrentes, etc Função social interna – empregados (deve respeitar leis trabalhistas, não praticando abuso de direito) Riscos de sua extinção – justificável que haja redução de direitos previstos em lei (haverá necessária ponderação entre o Princípio da continuidade da empresa e o Princípio da irredutibilidade salarial/redução de direitos/proteção, onde deve ser priorizada a continuidade da empresa frente ao seu aspecto mais abrangente) => E o princípio da proteção? Ponderação de interesses... 6.10) Princípio da Continuidade da Empresa (Preservação da empresa) “AGRAVO DE PETIÇÃO. BENS MÓVEIS NECESSÁRIOS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL. IMPENHORABILIDADE. Nos termos do art. 833, V, do CPC, os bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado. Com ainda mais razão no caso de bens atinentes à atividade empresarial, já que a arrematação poria em risco a continuidade da empresa, em franca contrariedade ao princípio da preservação da empresa, como atividade geradora de empregos, tributos e desenvolvimento”. (TRT 1, Processo 0010591-21.2015.5.01.0041, 2ª Turma, Relator Álvaro Antônio Borges Faria, DEJT 15.02.2020) PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO Prof. Marcos Dias de Castro Juiz do Trabalho do TRT/1ª Região @papotrabalhistaoficialna produtividade do empregado, o que poderia acarretar a redução do PIV. O Tribunal Superior do Trabalho tem entendido que a restrição pelo empregador ao uso de banheiro pelos seus empregados fere o princípio da dignidade da pessoa humana, tutelado no artigo 1º, inciso III, da Constituição Federal, traduzindo-se em verdadeiro abuso no exercício do poder diretivo da empresa (artigo 2º da CLT), o que configura ato ilícito, sendo, assim, indenizável o dano moral sofrido pelos empregados. Por outro lado, cabe salientar que a ofensa à honra subjetiva do reclamante se revela in re ipsa , ou seja, presume-se, sendo desnecessário qualquer tipo de prova para demonstrar o abalo moral sofrido em decorrência da restrição ao uso do banheiro a que o trabalhador estava submetido. Isso significa afirmar que o dano moral se configura independentemente de seus efeitos, já que a dor, o sofrimento, a angústia, a tristeza ou o abalo psíquico da vítima não são passíveis de serem demonstrados, bastando que ocorra violação efetiva de um direito da personalidade e da dignidade da pessoa humana para que o dano moral esteja configurado . Agravo desprovido. (TST, 3ª Turma, Ag 0001178-17.2018.5.09.0021, Relator José Roberto Freire Pimenta, Julgado em 13/12/2023) • Tema 54 de IRR (RRAg 0000275-02.2020.5.09.0009) • A ausência de instalações sanitárias adequadas e de local apropriado para alimentação a empregados que exercem atividades externas de limpeza e conservação de áreas públicas autoriza a condenação do empregador ao pagamento de indenização por danos morais, pois desrespeitados os padrões mínimos de higiene e segurança do trabalho, necessários e exigíveis ao ambiente de trabalho (NR-24 do MTE, CLT, art. 157, Lei nº 8.213/91, art. 19, e CRFB, art. 7º, XXII). REVISTA ÍNTIMA. DANO MORAL. LIMITES DOS PODERES DE DIREÇÃO E FISCALIZAÇÃO. VIOLAÇÃO À HONRA E À INTIMIDADE DO TRABALHADOR. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. A teor da Súmula nº 16 deste regional, cabe reparação por dano moral, por ferir o princípio da dignidade da pessoa humana, o ato patronal consubstanciado em revistas íntimas de trabalhadores de qualquer sexo. Recurso provido. (TRT – 1ª Região, número de documento 00004764620125010040, 10ª Turma, relator Desembargador Marcelo Antero de Carvalho, D.O. de 27.08.2013) Súmula 16, TRT 1ª Região (RJ): Cabe reparação por dano moral, por ferir o princípio da dignidade da pessoa humana, o ato patronal consubstanciado em revistas íntimas de trabalhadores de qualquer sexo, incluindo a vigilância por meio de câmeras instaladas em banheiros e vestiários. Qual o conceito de Revista íntima? Tema 58 de Repercussão Geral (RRAg 002044-44.2022.5.04.0811) A realização de revista meramente visual nos pertences dos empregados, desde que procedida de forma impessoal, geral, sem contato físico e exposição dos trabalhadores a situação humilhante ou vexatória, não configura ato ilícito apto a gerar indenização por dano moral. Mínimo Existencial (núcleo irredutível do princípio da dignidade da pessoa humana – art. 1º, III da Constituição) Tema 75 de IRR (RR 0000271-98.2017.5.12.0019) Na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é válida a penhora dos rendimentos (CPC, art. 833, inciso IV) para satisfação de crédito trabalhista, desde que observado o limite máximo de 50% dos rendimentos líquidos e garantido o recebimento de, pelo menos, um salário mínimo legal pelo devedor. 5.2) PRINCÍPIO DA VALORIZAÇÃO SOCIAL DO TRABALHO • Tratado de Versalhes (1919) = artigo 427 = “o trabalho não há de ser considerado como mercadoria ou artigo de comércio”. • Artigo 1º, IV da CR: Fundamento da República Federativa do Brasil, enquanto Estado Democrático do Direito = os valores sociais do trabalho. • Artigo 170 da CR = A Ordem Econômica se funda na valorização do trabalho humano. • Este princípio está intimamente vinculado ao da dignidade da pessoa humana. ADI 5132 do STF (...) 3. Impugnação do §4º do art. 37 da Lei 12.815/2013. Novo Marco Regulatório do Setor Portuário. Termo inicial para contagem do prazo prescricional consistente no cancelamento do registro junto ao Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO). 4. Alegação de violação ao princípio da segurança jurídica e ao disposto no art. 7º, inciso XXIX, da CF/88. 5. A Constituição da República, ao consignar, em seu art. 7º, o direito “à ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho (inciso XXIX) e “a igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso” (inciso XXXIV), não elidiu a possibilidade de que, dentro do preceituado pelas normas constitucionais, em atenção aos princípios da valorização social do trabalho (art. 1º, IV) e de justiça social (arts. 3º, I a III; 7º a 9º, 170 e 193), fossem reguladas de modo diverso para atender às particularidades e às condições de trabalhos próprias da relação laboral avulsa. 6. Constitui o OGMO ente a que se vincula de forma estável, isto é, de forma fixa e constante, o trabalhador portuário avulso, para fins de gozo de seus direitos trabalhistas. Parece adequado, portanto, que o prazo quinquenal ou bienal seja aplicado considerando o vínculo com o órgão gestor. A solução, por sua vez, possibilita a aplicação, na prática, do prazo quinquenal, privilegiando o espírito que animou o legislador constituinte ao promover a ampliação do prazo prescricional e da proteção social conferida ao trabalhador. 7. Pedido em ação direta de inconstitucionalidade julgado improcedente. Plenário, Sessão Virtual de 6.8.2021 a 16.8.2021. Em 23/08/2021: Ata de Julgamento Publicada, DJE. Em 22/10/2021: Publicado acórdão, DJE. Transitado(a) em julgado em 04/11/2021. Artigo 37, §4º da Lei 12.815 de 2013: Art. 37. Deve ser constituída, no âmbito do órgão de gestão de mão de obra, comissão paritária para solucionar litígios decorrentes da aplicação do disposto nos arts. 32, 33 e 35. § 4º - As ações relativas aos créditos decorrentes da relação de trabalho avulso prescrevem em 5 (cinco) anos até o limite de 2 (dois) anos após o cancelamento do registro ou do cadastro no órgão gestor de mão de obra. Norma que amplifica o direito dos trabalhadores Prescrição considera o cancelamento do registro/cadastro no Órgão Gestor e não a prestação de serviços... 5.3) PRINCÍPIO DA JUSTIÇA SOCIAL • Também se extrai do próprio artigo 170, “caput” da Carta Magna. • Valorizando o trabalho humano e a livre iniciativa, a Constituição visa assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da JUSTIÇA SOCIAL. • É o princípio mais programático de todos, pois deve nortear as políticas publicas do Estado, e também o legislador, quando da elaboração da ordem jurídica pátria. • Intérprete = deve ao aplicar o Direito do Trabalho, fazê-lo de forma a contribuir com a disseminação desta Justiça Social. 5.4) PRINCÍPIO DA BUSCA DO PLENO EMPREGO • Está previsto no artigo 170, VIII da CR • Empresa = enquanto atividade econômica organizada, que reúne os três fatores produtivos: capital, trabalho e obra prima). • Torna-se princípio importante na solução dos Dissídios Coletivos; • Princípio básico utilizado como diretriz norteadora da flexibilização das normas trabalhistas. RR 0010287-26.2023.5.15.0017, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Bastos Balazeiro (Julgado em 27/11/2024). Trecho do acórdão: => É certo que a jurisprudência vinculante da Suprema Corte foi firmada sob o prisma da disposição de direitos trabalhistas por meio de instrumentos coletivos, reputando consentânea com a ordem constitucional a mitigação de direitos dessa sorte, desde que disponíveis. Contudo, se a Constituição autoriza que as normas autônomas regularmente estabelecidas entre categorias profissionais e econômicas negociem – e potencialmente reduzam – direitos trabalhistas, não subsiste razão para compreender queos mesmos instrumentos não possam igualmente encerrar transação que redunde em potencial atenuação do direito de empresas quanto à irrestrita liberdade de contratação. => É de se notar, ademais, que o art. 170, VIII, da Constituição, integra à proteção da ordem econômica o princípio da busca do pleno emprego. Em outros termos, a convenção coletiva que estabelece limites à liberdade de contratação não encerra, em si, conflito com as garantias constitucionais, mas com elas dialoga, uma vez que a perspectiva humanista-social da Carta Magna impõe a defesa e proteção do emprego com um dos leques da ordem econômica. Trecho da Ementa do voto do Ministro Barroso (na cautelar da ADI 6363 sobre a MP 936 de 2020) 5. A leitura do direito do trabalho à luz da Constituição, além de garantir os direitos expressos no texto constitucional, deve observar os seguintes princípios e objetivos: (i) preservar o emprego e aumentar a empregabilidade; (ii) formalizar o trabalho, removendo os obstáculos que levam à informalidade; (iii) melhorar a qualidade geral e a representatividade dos sindicatos; (iv) desonerar a folha de salários; e (v) acabar com a imprevisibilidade do custo das relações do trabalho. 6. A urgência na implementação das medidas aqui examinadas inviabiliza a exigência de negociação coletiva, que deve ser ponderada com o direito ao trabalho e a garantia do emprego, valores igualmente protegidos pela Constituição. Os sindicatos não têm condição de participar, a tempo e a hora, do imenso volume de acordos resultantes da crise sanitária, econômica e humanitária trazida pela pandemia. Diante disso, impor a negociação coletiva constitui meio inadequado à consecução do próprio fim a que se destina: a tutela do empregado, a proteção do emprego e a segurança jurídica. Trecho da Ementa do voto do Ministro Barroso (na cautelar da ADI 6363 sobre a MP 936 de 2020) 7. Antevendo a impossibilidade de adoção ampla de negociação coletiva nos casos nela previstos, a própria medida provisória instituiu intensa regulação protetiva do empregado. 8. Nego referendo à cautelar e fixo a seguinte tese de julgamento: “É possível, extraordinariamente, afastar a exigência de negociação coletiva, em situação emergencial e transitória, nas hipóteses previstas na MP 936/2020, tendo em vista que a rigorosa regulação pelo Poder Público minimiza a vulnerabilidade do empregado e que a negociação coletiva poderia frustrar a proteção ao emprego.” 5.5) PRINCÍPIO DA IGUALDADE ou DA NÃO DISCRIMINAÇÃO • Artigo 3º, IV, CR: dentre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil encontra-se a promoção do bem de todos (sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação). • Artigo 5º, caput, CR = igualdade de todos perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; • Artigo 5º, I da CR = igualdade de gênero (homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações); • Artigo 5º, XLI da CR = lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; • Artigo 7º da CR: • XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; • XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; • XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; CORRENTES SOBRE O CONCEITO DE IGUALDADE: 1. NOMINALISTA = a igualdade seria apenas nominal, pois não há como atingir a verdadeira igualdade, pois a regra é a diversidade, o mundo é desigual; 2. IDEALISTA = prega a igualdade absoluta entre os seres humanos, preconizando a ideia de regras jurídicas que determinem tal igualdade no campo social (que terminaria por reduzir de desigualdade física). 3. REALISTA = se rege pelo primado da igualdade proporcional (situações desiguais devem ser tratadas desigualmente) = predominante em nosso sistema constitucional. • Esta última posição fundamenta as ações afirmativas e o conceito de discriminação “positiva” ou de discriminação “inversa”. CONVENÇÃO 111 DA OIT de 1958 (Decreto Legislativo 62.150/1968). “Artigo 1 – 1. Para os fins da presente convenção o termo “discriminação” compreende: a) toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou de tratamento em matéria de emprego ou profissão. b) qualquer outra distinção, exclusão ou preferência que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão, que poderá ser especificada pelo Membro interessado depois de consultas às organizações representativas de empregadores e trabalhadores quando estas existam e outros organismos adequados. 2. As distinções, exclusões ou preferências fundadas em qualificações exigidas para um determinado emprego não são consideradas como discriminação”. • DISCRIMINAÇÃO (CONCEITO) • Maurício Godinho Delgado = “é a conduta pela qual nega-se à pessoa tratamento compatível com o padrão jurídico assentado para a situação concreta por ela vivenciada”. • CARÁTER INFUNDADO DE DISTINÇÃO • Pode ser uma ação ou omissão, que tem por objetivo restringir direitos de pessoas ou grupos, desfavorecendo-os (é neste sentido, entendida como discriminação negativa). DISCRIMINAÇÃO POSITIVA (LÍCITAS/LEGÍTIMA) Remete à lógica das ações afirmativas Objetiva mitigar desigualdades históricas Podem ser de caráter permanente ou provisório; Legítima para fins de inserção no mercado de trabalho (por exemplo, de gênero) O direito brasileiro prevê: Art. 93, Lei 8.213/91 – reserva de vagas para pessoas com alguma limitação física (empresas com mais de 100 empregados) Cotas de acesso a Instituições Públicas de ensino superior; Estatuto do Idoso via estímulo a contratação de idosos ao trabalho; Art. 377, CLT – medidas de proteção ao trabalho da mulher • DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA (ILÍCITAS ou ILEGÍTIMAS) • 1 - DIRETA = adoção de disposições gerais que estabelecem distinções fundamentadas em critérios proibidos. • 2 - INDIRETA = adoção de disposições gerais aparentemente neutras, mas que, na realidade, criam desigualdades em relação a pessoas pertencentes a determinado grupo. • É discriminação dissimulada (adoção de critérios puramente subjetivos na admissão de trabalhadores, por exemplo). Teoria do Impacto Desproporcional sobre Grupos em Desvantagem – afirma que podem nascer causas de segregação sem que haja prévia intenção para tanto EUA: Griggs vs. Duke Power Co. - várias pessoas negras questionavam uma prática adotada pela empresa, que condicionada a promoção dos seus funcionários a “testes de inteligência”; impacto negativo desproporcional sobre os trabalhadores negros, já que estes, em sua imensa maioria, haviam estudado em escolas segregadas, em que o nível de ensino era muito inferior Brasil - Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 1946-DF (inconstitucional a limitação do salário maternidade ao teto do RGPS => violação ao artigo 7º, XXX da CR e artigo 5º, I da CR, igualdade entre homens e mulheres. • DISCRIMINAÇÃO NEGATIVA (ILÍCITAS ou ILEGÍTIMAS) 3 - Institucional – preceito encontra-se subjacente ao próprio comportamento coletivo e institucional, inserido assim na lógica da empresa de modo não necessariamente consciente, mas reprodutor de desigualdades sociais 4 - Horizontal – quando diz respeito à contratação do trabalhador Discriminação por sobrequalificação – decorre do avolumado conhecimento adquirido, que ante a determinada vaga de trabalho, ensejaria a rejeição do candidato; acaba por promover o desestímulo a continua qualificação; pode viabilizar indenização pautada na perda de uma chance 5 - Vertical – quando ocorre quanto à promoção do trabalhador (sendo contra a mulher, também chamado “teto de cristal”) 6- Múltiplas (Interseccionalidade) – quando uma forma de discriminação é potencializada pela precedência de existência de outras formas descriminalizantes imbricação das diversas formas de opressão, sobretudo raça, gênero e classe quanto mais elementos segregadores estão inseridos no indivíduo, maior o potencial e impacto de discriminação sofrido (Ex: mulher + negra + pobre...que ocupação usualmente desempenha?) • SÚMULA nº 443 do TST: • “DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. PRESUNÇÃO. EMPREGADO PORTADOR DE DOENÇA GRAVE. ESTIGMA OU PRECONCEITO. DIREITO À REINTEGRAÇÃO. • Presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do vírus HIV ou de outra doença grave que suscite estigma ou preconceito. Inválido o ato, o empregado tem direito à reintegração no emprego”. • Lei 9.029/95: • Art. 1o É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal. (Redação dada pela Lei 13.146 de 2015) 5.6) PRINCÍPIO DA LIBERDADE DO TRABALHO • Tem que ser entendido sob dois prismas: 1 – Não se admite qualquer espécie de monopólio da atividade laboral ou do exercício profissional; • Mas a exigência de certas qualificações profissionais (como filiar-se à OAB, por exemplo), não viola tal princípio. 2 – Consiste na efetiva liberdade do trabalhador escolher o seu trabalho, ofício ou profissão. • Trabalho em condições análogas às de escravo (artigo 149, CP) = viola o princípio da liberdade do trabalho. Artigo 5º, inciso XIII da CR: “É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. • Artigo 5º, inciso III da CR: • III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; • Art. 462 da CLT: VEDAÇÃO AO “TRUCK SISTEM” • § 2º - É vedado à emprêsa que mantiver armazém para venda de mercadorias aos empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações "in natura" exercer qualquer coação ou induzimento no sentido de que os empregados se utilizem do armazém ou dos serviços. • § 3º - Sempre que não fôr possível o acesso dos empregados a armazéns ou serviços não mantidos pela Emprêsa, é lícito à autoridade competente determinar a adoção de medidas adequadas, visando a que as mercadorias sejam vendidas e os serviços prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro e sempre em benefício das empregados. • INTENÇÃO: evitar um endividamento artificial do empregado que fica “preso” ao empregador • Artigo 149 do Código Penal: Redução à condição análoga de escravo • Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: • Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. • § 1o Nas mesmas penas incorre quem: • I – cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; • II – mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. CLÁUSULA DE NÃO CONCORRÊNCIA. VALIDADE . AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO GEOGRÁFICA. A jurisprudência desta Corte caminha no sentido de que, apesar da estipulação de cláusula de não concorrência cingir-se à esfera de interesses privados do empregador e do empregado, é necessária , para o reconhecimento da validade do ajuste , a obediência aos seguintes requisitos: a estipulação de limitação territorial , vigência por prazo certo e vantagem que assegure o sustento do empregado durante o período pactuado, assim como a garantia de que o empregado possa trabalhar em outra atividade. Na hipótese dos autos, tendo em vista que a referida cláusula não fixa qualquer limitação geográfica, estipulando apenas que "o Empregado não se dedicará a trabalho (...) que possam concorrer com os serviços desenvolvidos pela Empresa", correto o entendimento do TRT ao declarar a nulidade da cláusula em comento . Incidência da Súmula 333 do TST e art. 896, 7 . º, CLT. Precedentes. Agravo a que se nega provimento. (TST – 2ª Turma, Processo Ag 1000003- 47.2017.5.02.0070, Ministro Maria Helena Mallmann, Julgado em 04/09/2024)). 5.7) PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE DE DIREITOS (não retrocesso social) • Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social (...) • Visa impedir que por meio de criação legislativa ou intepretação jurídica de normas já existentes, haja retorno a momento civilizatório inferior ao alcançado por meio da concretização de determinado direito social. • Reforma Trabalhistas (Lei 13.467 de 2017)? Violação do não retrocesso social? • ADI 5766 (invalidou regra do caput e §4º do artigo 790-B da CLT e §4º do artigo 791 da CLT) • ADI 5938 (invalidou regra que condicionava o afastamento de gestantes ou lactantes do exercício de atividades insalubres à apresentação de atestado médico). • Ministra Rosa Weber: "inegável retrocesso social", pois revogou a norma anterior que vedava o trabalho insalubre da gestante ou lactante, além de menosprezar direito fundamental à saúde da mãe trabalhadora. 5.7) PRINCÍPIO DA PROGRESSIVIDADE DE DIREITOS (não retrocesso social) • OBS: Princípio da Livre Iniciativa + Princípio do Desenvolvimento Econômico do país • ADIs 5826, 5829 e 6154 (validade do contrato de trabalho intermitente – sobre o fundamento que protege os trabalhadores na informalidade – Ministro Nunes Marques) • ADI 6142 (ainda em julgamento – questiona a constitucionalidade do artigo 477-A da CLT) • STF tem posição não definida. Ora reafirma o princípio da progressividade, ora permite certa transação em nome da livre iniciativa e desenvolvimento econômico do país. Tema 1389 de RG: (ARE 1.532.603) • “Competência e ônus da prova nos processos que discutem a existência de fraude no contrato civil/comercial de prestação de serviços; e a licitude da contratação de pessoa jurídica ou trabalhador autônomo para essa finalidade”. 5.8) - PRINCÍPIO DA LEALDADE e DA BOA-FÉ, PRINCÍPIO DA NÃO ALEGAÇÃO DA PRÓPRIA TORPEZA e PRINCÍPIO DO EFEITO LÍCITO DO EXERCÍCIO REGULAR DO PRÓPRIO DIREITO • Estes três princípios sintetizam a noção de que a Ordem Jurídica só deve sancionar consequências em favor de uma Pessoa com respeito a CONDUTAS LÍCITAS e DE BOA-FÉ por ela praticadas. • PREVISÃO NA CLT: • a) Artigo 482 da CLT: incontinência de conduta, mau procedimento, negociação habitual desleal, desídia (...) • b) Artigo 483 da CLT: tratamento do empregado com rigor excessivo, exigência de serviços superiores às forças do trabalhador, redução substantiva da oferta de trabalho sem justificativa (...) OBSERVAÇÃO 1: Apresenta-se sob um duplo aspecto: • BOA-FÉ CRENÇA = tendência de se reputarem válidos os efeitos jurídicos de um determinado ato e/ou negócio, em face do desconhecimento sobre os eventuais vícios que o inquinam; • BOA-FÉ LEALDADE = diz respeito à conduta dos próprios titulares do ato e/ou negócio jurídico. OBSERVAÇÃO 2: LIMITES AO PRINCÍPIO DA NÃO ALEGAÇÃO DA PRÓPRIA TORPEZA? • Artigo 150 do CCB/2002: • “Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização”. • Direito Civil = impossibilidade de alegar-se nulidade; X • Direito do Trabalho (Princípio Protetor, Princípio da Primazia de Realidade) • Artigo 9º da CLT: atos visando impedir, desvirtuar, fraudar a aplicação da CLT. • Subordinação jurídica como ideia de “vício de vontade presumido”.“II - RECURSO DE REVISTA, INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. RECURSO REGIDO PELA LEI 13.467/2017. TRANSCENDÊNCIA RECONHECIDA. HORAS EXTRAS. PONTO BRITÂNICO. Não obstante a manifestação do reclamante impugnando as folhas de ponto, o regional considerou que "As folhas de frequência se encontram preenchidas manualmente e assinadas pelo próprio reclamante. A expressão 'horário britânico' é sinônimo de pontualidade. Portanto, se o reclamante as preencheu e assinou com tais horários, não pode pretender o não acolhimento de tais registros, pois seria alegar a própria torpeza em seu favor". Nos termos da Sumula 338, III, do TST, os cartões de ponto que registram horários "britânicos" não servem como meios de prova, assim, presume-se como verdadeira a jornada de trabalho alegada pelo reclamante na inicial se a reclamada não provar o contrário, ou seja, trata-se de presunção relativa de veracidade. Não se desvencilhando a reclamada de tal presunção, prevalecem os horários declarados na inicial. Recurso de revista conhecido e provido”. (TST – ARR 0000696-47.2015.5.05.0551, 8ª Turma, Relatora Delaíde Alves Miranda, Julgado em 10/05/2023) Limite à boa fé objetiva? Controles britânicos assinados no curso de um contrato de trabalho (razoabilidade + situação de vulnerabilidade do empregado) RECURSO ORDINÁRIO. HORAS EXTRAS. CONTROLES DE PONTO. A ré não pode invocar a seu favor a inidoneidade dos controles de ponto, pois ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Uma vez registradas horas extras sem pagamento correspondente, impõe-se a condenação. (TRT – 1ª Região, número do documento 00097001020085010020, 10ª Turma, Desembargador Flávio Ernesto Rodrigues Silva, DO 22.08.2012) Caso: Empresa juntou os controles de ponto, mas ela mesmo alegou sua inidoneidade... “Venire contra factum proprium” Curtida de uma reportagem ou “emoji” sobre notícia publicada sobre o Empregador (caso de um Supermercado multado por vender produtos fora da validade) “(...) o dever de lealdade e boa-fé objetiva que baliza o comportamento de empregados e empregadores não se confunde com submissão ou sujeição, tampouco se sobrepõe ao direito humano de livre manifestação do pensamento (arts. 19 da Declaração Universal de Direitos Humanos e 5º, IV, da Constituição Federal). Nesse contexto, o simples endosso da empregada, ainda que em tom de ironia, acerca do conteúdo de matéria jornalística veiculada em rede social acerca de conduta de sua empregadora, não representa abuso de direito. Trata-se, antes, da exteriorização da liberdade de opinião da trabalhadora no exercício de sua cidadania. Ainda que possa repercutir negativamente na imagem do empreendimento, não se verifica a ilicitude do ato ou seu enquadramento na alínea "k" do art. 482 da CLT. Agravo conhecido e não provido”. (TST, AIRR 1000178- 85.2021.5.02.0301, Ministra Delaíde Alves Miranda Arantes, DEJT 10.04.2025) 5.9. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO • Artigo 421 do Código Civil = liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social. • O Conselho da Justiça Federal, na III Jornada de Direito Civil, realizada em Brasília em dez/2004, editou o Enunciado 23: • "Art. 421: a função social do contrato, prevista no art. 421 do novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana". Súmula 244 do TST “GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b" do ADCT). II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade. III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado”. • Outro exemplo: • Súmula nº 440 do TST • “AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À MANUTENÇÃO DE PLANO DE SAÚDE OU DE ASSISTÊNCIA MÉDICA - Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 Assegura-se o direito à manutenção de plano de saúde ou de assistência médica oferecido pela empresa ao empregado, não obstante suspenso o contrato de trabalho em virtude de auxílio- doença acidentário ou de aposentadoria por invalidez”. • Contrato de Mútuo. Pacto adjeto ao contrato de trabalho. Onerosidade excessiva. Concedendo o empregador, com base em norma interna, empréstimo ao empregado para pagamento em 48 parcelas, dispensando-o no mês seguinte, não lhe é lícito exigir o pagamento integral do mútuo, com privação do trabalhador da totalidade das verbas resilitórias. Função Social do Contrato (Art. 421, do Novo Código Civil Brasileiro), que orienta a possibilidade de seu temperamento para não tornar a obrigação excessivamente onerosa (artigo 480, do mesmo Diploma Legal). Recurso Parcialmente provido. (TRT – 1ª Região, 6ª Turma, número do documento 00951004520035010059, relator Desembargador José Antônio Teixeira da Silva, DO de 23.05.2007). 5.10. - PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE • Segundo PINHO PEDREIRA, é o princípio “segundo o qual, nas relações de trabalho, as partes, os administradores e juízes, quando tenham de solucionar os problemas ou conflitos delas decorrentes, devem se conduzir de modo razoável”. • ALFREDO RUPRECHT = AMORFISMO (razoabilidade varia no tempo e no espaço) • COMANDO POSITIVO: juízo de verossimilhança, ponderação, sensatez e prudência • COMANDO NEGATIVO: repulsa condutas inverossímeis e insensatas. no Direito Administrativo (Bandeira de Melo, Diogo Figueiredo, Di Pietro) • “CONCURSO PÚBLICO – DESRESPEITO À ORDEM DE CLASSIFICAÇÃO – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE – 1. Encerrado o processo seletivo, não é dado à Administração preterir o primeiro colocado, quando do preenchimento da única vaga, sem que haja fundamento relevante para tanto. 2. O princípio da razoabilidade determina que a Administração deve se pautar por critérios racionais, para buscar o atingimento da finalidade do ato administrativo, sendo ilegítimos os atos que não se apresentem razoáveis e sensatos. 3. Preterir o primeiro colocado de um concurso apenas porque ele não dispunha, de imediato, de duas fotos 3x4, e não possuía conta corrente junto ao Banco do Brasil, é algo totalmente desarrazoado. 4. Apelação e remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª R. – AMS 92.03.029627-1 – 2ª T. – Rel. Juíza Sylvia Steiner – DJU 26.02.1997) No Direito Penal: • Artigo 24, parágrafo 1º do CP: • Declara razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado em caso de estado de necessidade; • Artigo 25 do CP: • Considera em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. No Direito do Trabalho: • PINHO PEDREIRA: modificação do horário de trabalho? • PODER DIRETIVO X PRINCÍPIO DE RAZOABILIDADE = se for prejudicar o empregado em razão de uma atividade específica, poderia haver a resistência do trabalhador. • EVARISTO DE MORAES FILHO: PROPORCIONALIDADE DA PENA (como um dos aspectos do princípio) • JUS PUNIENDI X PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE No Direito do Trabalho: • Aplicação práticas: • 1 – na admissão, empregador não pode estabelecer condições inatingíveis para o desenvolvimento do trabalho ou desumanas/exaustivas. • 2 – Na estipulação de prêmios, não pode estabelecer metas abusivas ou inalcançáveis • 3 – Não pode estabelecer critérios para promoção por mérito excessivamente difíceis ou impossíveis • 4 – A penalidade aplicada ao empregado deve observar a proporcionalidade entre a falta e a conduta do empregado. “RECURSOORDINÁRIO. HORA EXTRA. Jamais se poderia presumir verdadeira a jornada de trabalho com média mensal de 336h alegada na petição inicial, pois afronta o princípio da razoabilidade. Inverossímil a "versão" patrocinada pelo reclamante (art. 844, §4º, inciso IV da CLT), não atendendo ao mínimo de credibilidade que devem pautar as alegações das partes no processo, repelindo, por conseguinte, a presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho. Diante desse "cenário", inviável reconhecer, ao reclamante, o direito às horas extras apresentadas na petição inicial”. (TRT 1, Processo 0100021-60.2024.5.01.0043, 2ª Turma, Desembargador José Luis Campos Xavier, DEJT 27/01/2025). Jornada inverossímil? Revelia? Não juntada dos controles de ponto RR 258-77.2014.5.23.0026 (3ª Turma do TST, limitou a 12 horas, jornada alegada de 18 horas diárias; motorista carreteiro; Empresa não juntou os controles de ponto). RR 10572-43.206.5.15.0056 (7ª Turma do TST, fixou em 14 horas, jornada alegada era de 19 horas (de 4h às 23h). Empresa juntou apenas parte dos controles de ponto). Porém: SDI-2 – ROT 22802-58.2020.5.04.0000 (aplicou a Súmula 338 do TST, e restabeleceu a jornada de 12 horas que havia sido limitada, “sem qualquer outro dado objetivo ou razão adicional que justificasse a conclusão”. (decisão de novembro de 2021) • “INTERVALO INTRAJORNADA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. Afronta o princípio da razoabilidade admitir que o empregado, ainda que resida a alguns quarteirões do local de trabalho, possa ir em casa almoçar e retornar ao serviço em apenas quinze minutos” (TRT – 1ª Região, 4ª Turma, número do documento 00828008320095010045, Desembargador relator Ivan da Costa Alemão Ferreira, D.O. 08.10.2012) • Atentar: • Circunstâncias do caso concreto • Peculiaridades do empregador e do empregado Princípio da razoabilidade não pode ser aplicado de forma genérica, sob pena de ferir a teoria do ônus da prova. Desjejum. Considerando que o desjejum previsto na norma coletiva refere-se ao fornecimento de café com leite e pão com manteiga, definitivamente não equivale ao valor de R$10,00 estipulado na sentença de primeiro grau, o que deve ser reduzido para R$ 4,00 com fundamento no princípio da razoabilidade. Sentença reformada no particular. (TRT – 1ª Região, 3ª Turma, número de documento 0167000912009501028, Desembargador Jorge Fernando Gonçalves da Fonte, D.O. 14.03.2012) 5.11. - PRINCÍPIO DA TIPIFICAÇÃO LEGAL DE ILÍCITOS E PENAS • Art. 482 e 483 da CLT: (Justa causa e rescisão indireta, com “tipos” numerus clausus. • Artigo 474 da CLT => Suspensão • Exceção: ADVERTÊNCIA - criada pelo costume trabalhista. • Antiga Lei de Greve (Lei 4.330/64) e Lei 8.630/93 • Atenção: Artigo 29, §4º da CLT • É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras à conduta do empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social. 5.11. - PRINCÍPIO DA TIPIFICAÇÃO LEGAL DE ILÍCITOS E PENAS • OBS: Multa como punição? • Empregados comuns, não podem ser punidos com multas. Mas jogadores de futebol? Art . 15 A associação empregadora e as entidades a que a mesma esteja filiada poderão aplicar ao atleta as penalidades estabelecidas na legislação desportiva, facultada reclamação ao órgão competente da Justiça e Disciplina Desportivas. (Lei 6354/76) => revogada pela Lei 12.395 de 2011 Artigo 57, IV da Lei 9.615/98 V - penalidades disciplinares pecuniárias aplicadas aos atletas profissionais pelas entidades de prática desportiva, pelas de administração do desporto ou pelos órgãos da Justiça Desportiva. (revogado pela Lei 12.395/2011) • OBS 2: Multa do artigo 48 e do artigo 50 da Lei 9.615/98 => infrações disciplinares impostas pelas Entidades Desportivas, não pelo empregador. • Não há mais base jurídica para tal multa PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DO DIREITO DO TRABALHO 6. PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS DO DIREITO DO TRABALHO • CONCEITO: Linhas diretrizes ou postulados que inspiram o sentido das normas trabalhistas (ALONSO GARCIA) • 6.1) PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO (Princípio Tutelar, Tuitivo, Protetivo, Tutelar-Protetivo) • PLÁ RODRIGUEZ: “É o critério fundamental que orienta o Direito do Trabalho, pois este, ao invés de inspirar-se num propósito de igualdade, responde ao objetivo de estabelecer um amparo preferencial a uma das partes: o trabalhador” • DIREITO DO TRABALHO = TEIA DE PROTEÇÃO À PARTE HIPOSSUFICIENTE NA RELAÇÃO DE EMPREGO (direito de caráter tutelar); • 1º FUNDAMENTO: PRESUNÇÃO DE DESIGUALDADE ECONÔMICA • 2º FUNDAMENTO: A SUBORDINAÇÃO JURÍDICA • OBS: Plá Rodriguez e Alfredo Ruprecht - três dimensões distintas: • a) princípio in dubio pro operario; • b) princípio da norma mais favorável; • c) princípio da condição mais benéfica; • O princípio protetivo INSPIRA TODO O COMPLEXO DE REGRAS, PRINCÍPIOS E INSTITUTOS • OBS 2: Há previsão expressa do Princípio? • O Princípio Protetor encontra-se positivado na legislação brasileira (sendo corolário também de princípios constitucionais): • 1º) artigo 7º, CR: “que visem à melhoria da condição social dos trabalhadores” • 2º) artigo 444 da CLT: “em tudo que não contravenha as disposições de proteção ao trabalho”; • 3º) artigo 9º da CLT • 4º) artigo 170, caput CR: valorização do trabalho humano • OBS 3: Algum trabalhador estaria fora do alcance do Princípio da Proteção? • Trabalhador Hipersuficiente • CLT, Art. 444. Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. (Incluído pela Lei nº 13.467 de 2017) • 1ª POSIÇÃO: • Já existia o artigo 62, II da CLT (Cargo de Gestão); Reforma Trabalhista não se referiu necessariamente a eles, mas a empregados que tenham base salarial mais alto (mas não elevadíssimo) com nível superior, porém necessariamente exercente de cargo de gestão. • Inconstitucionalidade da distinção (violação da igualdade entre trabalho manual, técnico e intelectual – art. 7º, XXXII, CR - e proibição da não discriminação – art. 1º, III, art. 3º, IV e art. 5º caput da CR) • Trabalhador Hipersuficiente • Enunciado nº 49, 2ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho (ANAMATRA) • TRABALHADOR HIPERSUFICIENTE. ART. 444, PARÁGRAFO ÚNICO DA CLT. • I – O parágrafo único do art. 444 da CLT, acrescido pela Lei 13.467/2017, contraria os princípios do direito do trabalho, afronta a Constituição Federal (arts. 5º, caput, e 7º, XXXII, além de outros) e o sistema internacional de proteção ao trabalho, especialmente a Convenção 111 da OIT. • II – A negociação individual somente pode prevalecer sobre o instrumento coletivo se mais favorável ao trabalhador e desde que não contravenha as disposições fundamentais de proteção ao trabalho, sob pena de nulidade e de afronta ao princípio da proteção (artigo 9º da CLT c/c o artigo 166, VI, do Código Civil). • Trabalhador Hipersuficiente • 2ª Corrente: • Mesmo o hipersuficiente, é detentor de proteção, ainda que mitigada. • VÓLIA BOMFIM: valor do salário não diminui a subordinação do empregado, a vulnerabilidade permanece, mas há maior autonomia negocial concedida ao empregado. • Direitos previstos em lei irrenunciáveis e indisponíveis, ainda atrairiam o princípio da proteção. • 3ª Corrente: • Hiperssuficiente não necessitaria de qualquer proteção. • TST – 1ª Turma – RR 1001177-12.2020.5.02.0709 – Rel. Min. Amaury Rodrigues Pinto Junior – 11 nov. 2022. (que reconheceu a existência de empregado hipersuficiente e, inclusive, reformou a decisão a quo para homologar acordo extrajudicial feito entre o empregado e a empresa, reconhecendo a quitação total do contrato de trabalho) PRINCÍPIO “IN DUBIO PRO OPERARIO” (ou IN DUBIO PRO MISERO) • É o princípio que aconselha o intérprete a escolher entreduas ou mais interpretações viáveis de uma cláusula contratual ou de uma regra jurídica, a mais favorável ao trabalhador (ARNALDO SUSSEKIND) • Trata-se de transposição para o Direito do Trabalho do princípio “in dubio pro reu” do Direito Penal. • Mas é presente também no Direito Civil: • Artigo 423 do CC: “Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente”. • REQUISITOS: • a) a dúvida sobre o alcance de determinada regra jurídica ou negócio jurídico; • b) consonância da interpretação adotada com a vontade do legislador (ratio legis) • Portanto, esta regra tanto pode ser aplicada para ampliar um benefício quanto para diminuir um prejuízo: odiosa restringenda, favorabilia amplianda • Exemplos: • Contrato de trabalho que consigna jornada de 8 (seis) horas: jornada de 8 ou de 6 horas? • Dois TRCTs com duas datas diferentes: qual prevalece? • OJ 14 da SDI-1 do TST: aviso prévio cumprido em casa (prazo similar ao indenizado e não ao trabalhado). • Exemplos: • Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa? • § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. • IRR 71 TST => é devida, inclusive, na dispensa por justa causa. (Processo 0000031-72.2024.5.17.0101) • IRR 52 TST => é devida, também, no caso de rescisão indireta reconhecida em Juízo (Processo RRAg 0000367-98.2023.5.17.0008) • Exemplos: • Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa? • § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. • Reversão da justa causa em juízo? Reconhecimento do vínculo empregatício em juízo? • Súmula 462 do TST (reconhecimento) • Súmula 36 do TRT 3 (reversão) • Súmula 30 do TRT 1 (reversão ou reconhecimento) • Súmula 58 do TRT 4 • Exemplos: • Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa? • § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. • Porém: há pagamento, contudo, a menor? • Tese Prevalecente nº 6 do TRT 14 (indevida) • Súmula 54 do TRT 1 (indevida) • Súmula 36 do TRT 17 (indevida) • Súmula 33, II, TRT 2 (indevida) • Exemplos: • Artigo 477, §6º e §8ºda CLT: só para resilição sem justa causa? • § 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. • Base de Cálculo • OJ 46 do TRT 4 (todas as parcelas salariais) • Melhor interpretação de acordo com o princípio do in dubio pro operario. • Princípio alcança o Direito Processual do Trabalho? CORRENTES ALCANCE ADEPTOS Aplicável (super restritiva) Apenas para inspiração do legislador processual Amauri Mascaro, Rodrigues Pinto, Wagner Giglio, Vólia Bomfim. Aplicável (restritiva) Para inspirar o legislador e para interpretar o direito processual Sérgio Pinto Martins, Campos Batalha, Júlio César Bebber. Aplicável (ampliativa) Para inspirar, interpretar e valoração probatória pelo Juiz no Processo Cesarino Jr., Coqueijo Costa, Américo Plá Rodriguez Não aplicável Nunca se aplica Manoel Antônio Teixeira Filho PRINCÍPIO DA CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA • É o princípio que assegura a prevalência das condições mais vantajosas ao empregado ajustadas no contrato de trabalho ou em regulamento de empresa. • No contraponto entre dispositivos contratuais concorrentes, há de prevalecer aquele mais favorável ao empregador. • Prevalecem as condições mais vantajosas para o trabalhador, não importa o momento em que foram ajustadas. • NÃO É CONTRAPONTO ENTRE NORMAS (ou REGRAS), MAS ENTRE CLÁUSULAS CONTRATUAIS (tácitas ou expressas, oriundas do próprio pacto ou do regulamento da empresa). • CONDIÇÃO ou CLÁUSULA MAIS BENÉFICA? • CONDIÇÃO: • Artigo 121 do CCB: ”Cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto” • Mais técnico se denominar tal princípio de “Princípio da Cláusula Contratual Mais Benéfica” • Súmula 51, I do c. TST: “REGULAMENTO DE EMPRESA - CLÁUSULAS QUE ALTEREM OU REVOGUEM VANTAGENS - VIGÊNCIA. As cláusulas regulamentares que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento” • Súmula 288 do c. TST: “COMPLEMENTAÇÃO DOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA. A complementação dos proventos de aposentadoria é regida pelas normas em vigor na data da admissão do empregado, observando-se as alterações posteriores desde que mais favoráveis ao beneficiário do direito” • Exemplo 1: Norma Coletiva que fixa base de cálculo do adicional de insalubridade de forma diversa: • Súmula 46 do TRT 3: Adicional de insalubridade. Base de cálculo. A base de cálculo do adicional de insalubridade é o salário mínimo, enquanto não sobrevier lei dispondo de forma diversa, salvo critério mais vantajoso para o trabalhador estabelecido em norma coletiva, condição mais benéfica ou em outra norma autônoma aplicável. • Exemplo 2: Norma Coletiva que concede adicional noturno superior ao da lei, compensando a ausência de redução da hora noturna • Súmula 48 do TRT 17: ESCALA 12X36. HORA NOTURNA REDUZIDA. I - A jornada de 12 (doze) horas de trabalho por 36 (trinta e seis) de descanso (12x36) não afasta o direito do obreiro à redução da hora noturna estabelecida no artigo 73, § 1.º da CLT. II - É válida norma coletiva que compense a ausência de redução da hora noturna assegurando condição mais benéfica ao trabalhador do que aquela estabelecida na legislação trabalhista a exemplo do adicional noturno superior ao legal. • RECURSO ORDINÁRIO DOS RECLAMANTES. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. CAFÉ DA MANHÃ. SUPRESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA. Tendo em vista o princípio da condição mais benéfica, os trabalhadores contratados anteriormente a 01-10-2015 já tinham incorporado ao seu patrimônio jurídico o direito ao café da manhã fornecido pela reclamada, por ser um benefício que aderiu aos seus contratos de trabalho desde a admissão. Assim, a supressão do café da manhã, realizada de forma unilateral, configura alteração contratual lesiva, caracterizando ofensa ao disposto no artigo 468 da CLT. Recurso provido. (TRT 1, Processo 0100800-05.2019.5.01.0491, 2ª Turma, Relatora Marise Costa Rodrigues, DEJT 15.10.2021) • AGRAVO DE PETIÇÃO.CONTRATO DE TRABALHO. ALTERAÇÃO CONTRATUAL LESIVA.DIVISOR DE HORAS EXTRAS. CONDIÇÃO MAIS BENÉFICA. A adoção do divisor utilizado pela empresa constitui condição mais benéfica que aderiu ao contrato de trabalho, razão pela qual a modificação para o divisor 210 configura alteração contratual lesiva, vedada pelo ordenamento jurídico e não respaldada pela coisa julgada. Agravo improvido. (TRT – 1ª Região, número do documento 00004283920115010035, 9ª Turma, Desembargador Rogério Lucas Martins, D.O. 25.04.2012) 6.2) PRINCÍPIO DA INALTERABILIDADE CONTRATUAL LESIVA (ou INTANGIBILIDADE CONTRATUAL OBJETIVA) • Artigo 468 da CLT = prevê expressamente este princípio; • 1º fator: incentivo às alterações in melius (artigo 468 da CLT e artigo 7º, caputda Constituição => melhoria das condições sociais dos trabalhadores); • 2º fator: Vedação às alterações in pejus (arts. 444 e 468 da CLT); • 3º fator: Regra rebus sic stantibus x artigo 2º, caput da CLT (alteridade) • Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio: • Artigo 468, §1º da CLT: “Não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo anteriormente ocupado, deixando o exercício da função de confiança” • Artigo 468, §2º da CLT: A alteração de que trata o § 1o deste artigo, com ou sem justo motivo, não assegura ao empregado o direito à manutenção”. • OBS: Cancelamento da Súmula 372 do TST: jus variandi do empregador x princípio da estabilidade financeira? • Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio: • Súmula 372 do TST • GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. SUPRESSÃO OU REDUÇÃO. LIMITES • I - Percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se o empregador, sem justo motivo, revertê-lo a seu cargo efetivo, não poderá retirar-lhe a gratificação tendo em vista o princípio da estabilidade financeira. • II - Mantido o empregado no exercício da função comissionada, não pode o empregador reduzir o valor da gratificação. TST – Garantiu apenas a irretroatividade do §2º do artigo 468 da CLT E-ED-RR-43-82.2019.5.11.0019, SDI-1, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 22/10/2021 e E-RR-377-71.2017.5.09.0010,SDI-1, Relator Ministro José Roberto Freire Pimenta, DEJT 25.03.2022 • OBS: PRINCÍPIO DA ESTABILIDADE FINANCEIRA, ainda remanesce: • Súmula 291, TST • “HORAS EXTRAS. HABITUALIDADE. SUPRESSÃO. INDENIZAÇÃO. A supressão total ou parcial, pelo empregador, de serviço suplementar prestado com habitualidade, durante pelo menos 1 (um) ano, assegura ao empregado o direito à indenização correspondente ao valor de 1 (um) mês das horas suprimidas, total ou parcialmente, para cada ano ou fração igual ou superior a seis meses de prestação de serviço acima da jornada normal. O cálculo observará a média das horas suplementares nos últimos 12 (doze) meses anteriores à mudança, multiplicada pelo valor da hora extra do dia da supressão”. • Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio: Transferência do turno noturno para o diurno • Súmula 265 do TST: "A transferência para o período diurno de trabalho implica na perda do direito ao adicional noturno". • TST, 4ª Turma, Ministro Alexandre Ramos: “cabe ao empregador organizar o sistema de trabalho de acordo com suas necessidades. “Além disso, a alteração de turno de trabalho do período noturno para o diurno é benéfica para o trabalhador e amplamente admitida pela jurisprudência do TST” (TST, 4ª Turma, relator Ministro Alexandre Ramos, RR 2022-85.2012.5.15.0031, DEJT 31/01/2020) • Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio: • Súmula 80 do TST: "A eliminação da insalubridade, pelo fornecimento de aparelhos protetores aprovados pelo órgão competente do Poder Executivo, exclui a percepção do adicional respectivo". • Súmula 248 do TST: "A reclassificação ou descaracterização da insalubridade por ato da autoridade competente repercute na satisfação do respectivo adicional, sem ofensa a direito adquirido ou ao princípio da irredutibilidade salarial". • Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio • Súmula 391, II do TST: • “PETROLEIROS. LEI Nº 5.811/72. TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. HORAS EXTRAS E ALTERAÇÃO DA JORNADA PARA HORÁRIO FIXO. • I - A Lei nº 5.811/1972 foi recepcionada pela CF/1988 no que se refere à duração da jornada de trabalho em regime de revezamento dos petroleiros. • II - A previsão contida no art. 10 da Lei nº 5.811/1972, possibilitando a mudança do regime de revezamento para horário fixo, constitui alteração lícita, não violando os arts. 468 da CLT e 7º, VI, da CF/1988”. • Exceções = alterações que não implicam em lesividade ou ofensa ao princípio • OJ 159 da SDI-1 do TST: • “Diante da inexistência de previsão expressa em contrato ou em instrumento normativo, a alteração de data de pagamento pelo empregador não viola o art. 468, desde que observado o parágrafo único, do artigo 459, ambos da CLT”. • OBS = jus variandi Ordinário Aspectos secundários da atividade laboral Horários (entrada e saída) Uniforme Extraordinário Aspectos substanciais da atividade laboral Reversão, Promoção, Alterações de função • OBS = jus variandi inverso? • Quando a iniciativa parte do próprio empregado em razão de situações não previstas, que causem prejuízo à sua saúde ou a direito da personalidade, devendo haver adaptação nas condições laborais. • Assistente administrativo e enfermeiro conseguem redução de jornada para cuidar de crianças com autismo • https://www.tst.jus.br/web/guest/-/assistente-administrativa-e- enfermeiro-conseguem-redu%C3%A7%C3%A3o-de-jornada-para- cuidar-de-crian%C3%A7as-com-autismo Processos RR 1432-47.2019.5.22.003 (2ª Turma) e RR 31-38.2021.5.06.0019 (1ª Turma) https://www.tst.jus.br/web/guest/-/assistente-administrativa-e-enfermeiro-conseguem-redu%C3%A7%C3%A3o-de-jornada-para-cuidar-de-crian%C3%A7as-com-autismo 6.3) PRINCÍPIO DA INTANGIBILIDADE SALARIAL ou DA INTEGRALIDADE SALARIAL • CARÁTER ALIMENTAR DO SALÁRIO: Garantir-se juridicamente o salário, é garantir o próprio Princípio da Dignidade do Ser Humano. • Convenção nº 95/1949 da OIT, que diz que o salário não poderá ser objeto de penhora ou cessão, a não ser segundo as modalidades e nos limites prescritos pela legislação nacional – art. 10 do Decreto de Promulgação nº 41.721/87. • Artigo 7º, VI da CR: irredutibilidade salarial 6.3) PRINCÍPIO DA INTANGIBILIDADE SALARIAL ou DA INTEGRALIDADE SALARIAL • Tal princípio compreende: 1) Garantias do valor do salário 2) Garantias contra mudanças contratuais e normativas que provoquem redução salarial 3) Garantias contra práticas que prejudiquem seu efetivo montante (como redução de tarefas pelo empregador sem justo motivo) 4) Garantias contra interesses de credores diversos (Maurício Godinho Delgado, Curso de Direito do Trabalho, página 222) • Previsão infraconstitucional: • Artigo 462 da CLT: “Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo” • §1º: “Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado” • (...) • § 4º - Observado o disposto neste Capítulo, é vedado às emprêsas limitar, por qualquer forma, a liberdade dos empregados de dispôr do seu salário. • OBS 1: Previsão em Norma Coletiva • OJ 251 da SDI-1 do TST: DESCONTO DE FRENTISTAS • “É lícito de desconto referente a devolução de cheques sem fundos, quando o frentista não observar as recomendações previstas em instrumento coletivo”. • OBS 2: DESCONTOS DE UNIFORMES? • Exigência/imposição/padronização é lícita • Determinação para pagamento pelo emprego fere o artigo 462 da CLT. • PN-115 UNIFORMES (positivo): Determina-se o fornecimento gratuito de uniformes, desde que exigido seu uso pelo empregador. • Artigo 462 da CLT: VEDAÇÃO DO TRUCK SYSTEM • § 2º - É vedado à emprêsa que mantiver armazém para venda de mercadorias aos empregados ou serviços estimados a proporcionar-lhes prestações "in natura" exercer qualquer coação ou induzimento no sentido de que os empregados se utilizem do armazém ou dos serviços. • § 3º - Sempre que não fôr possível o acesso dos empregados a armazéns ou serviços não mantidos pela Emprêsa, é lícito à autoridade competente determinar a adoção de medidas adequadas, visando a que as mercadorias sejam vendidas e os serviços prestados a preços razoáveis, sem intuito de lucro e sempre em benefício das empregados. • Regra prevista também no artigo 6º da Convenção 95 da OIT (aprovada pelo Decreto Legislativo24/1956 do Congresso Nacional) • IMPENHORABILIDADE DOS SALÁRIOS • Artigo 833, IV, §2º do CPC c/c artigo 529, §3º do CPC • OJ 153 da SDI-2 do TST: vedava a penhora, hoje está limitada aos atos praticados na vigência do CPC de 1973. • Tema 75 de IRR (RR 0000271-98.2017.5.12.0019) Na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é válida a penhora dos rendimentos (CPC, art. 833, inciso IV) para satisfação de crédito trabalhista, desde que observado o limite máximo de 50% dos rendimentos líquidos e garantido o recebimento de, pelo menos, um salário mínimo legal pelo devedor. • REsp 1.407.062, 4ª Turma (2019) => sob a relatoria do ministro Luis Felipe Salomão, entendeu que o benefício previdenciário do auxílio-doença é impenhorável para pagamento de crédito constituído em favor de pessoa jurídica, quando se verifica que a penhora violaria o mínimo existencial e a dignidade do devedor (O colegiado deu provimento ao recurso de um devedor que, em ação de execução, teve 30% do seu auxílio-doença penhorado para quitar dívida com uma fornecedora de bebidas). • REsp 1.815.055 (agosto de 2020) => relatora Ministra Nancy Andrighi explicou que as verbas remuneratórias, ainda que sejam destinadas à subsistência do credor, não são equivalentes aos alimentos de que trata o Código Civil, isto é, àqueles oriundos de relações familiares ou de responsabilidade civil, fixados por sentença ou título executivo extrajudicial. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA • Súmula 342 do TST: AJUSTE PRÉVIO • “DESCONTOS SALARIAIS. ART. 462 DA CLT. Descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de outro defiro que vicie o ato jurídico”. 6.4) PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA • Em matéria trabalhista, importa o que ocorre na prática, mais do que os documentos demonstram. • PLÁ RODRIGUEZ: "significa que em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que surge de documentos e acordos se deve dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos". • GODINHO DELGADO: “o conteúdo do contrato não se circunscreve ao transposto no correspondente instrumento escrito, incorporando amplamente todos os matizes lançados pelo cotidiano da prestação de serviços”. • Este princípio manifesta-se em todas as fases da relação de emprego. • Código Civil, Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem 6.4) PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA • Ex. Súmula 12 do TST • CARTEIRA PROFISSIONAL. As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado não geram presunção “juris et de jure”, mas apenas “juris tantum” • OBS: Como interpretar o artigo 442-B da CLT? • Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3º desta Consolidação (incluído pela Lei nº 13.467 e 2017) Pejotização. Primazia da realidade. Reconhecimento da relação empregatícia. Presença dos elementos fático-jurídicos. 3ª Turma do TST. (...) A relação de emprego é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que seja incontroversa a prestação de serviços. A Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em consequência, possuem caráter manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém, por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas e a fórmula intitulada de “pejotização”. Em qualquer desses casos – além de outros –, estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõe-se e deve ser reconhecida, uma vez que a verificação desses pressupostos, muitas vezes, demonstra que a adoção de tais práticas se dá apenas como meio de precarizar as relações empregatícias. Somente não se enquadrará como empregado o efetivo trabalhador autônomo ou eventual. Contudo, a inserção do real empregado na condição de pessoa jurídica se revela como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando o obreiro cotidianamente no estabelecimento empresarial, com todos os elementos fático-jurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2º, caput, e 3º, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. (...) (TST. Ag-AIRR – 1000967-89.2015.5.02.0432, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 27/03/2019, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/03/2019) • OBS 1: PREVALÊNCIA DA PROVA ORAL SOBRE A PROVA DOCUMENTAL? • Não necessariamente. Deve se aferir a realidade objetiva dos fatos através de quaisquer meios. • Princípio da Aquisição Processual e da Livre convicção motivada do juiz (todas as provas possuem, prima facie, o mesmo valor; quem atribui o valor é o Juiz) • “HORAS EXTRAS. PROVA ORAL E DOCUMENTAL. CARTÕES DE PONTO INIDÔNEOS. VALORAÇÃO PROBATÓRIA. Na hipótese, a prova oral corroborou a inidoneidade dos registros ponto, motivo pelo qual prevaleceu a jornada indicada na inicial, limitada pela prova oral, com base no princípio da primazia da realidade e do convencimento motivado do magistrado (arts. 93, IX, da CF e 852-D da CLT)”. (TRT 1, Processo 0100023-47.2023.5.010081, 5ª Turma, Relator Desembargador Enoque Ribeiro dos Santos, DEJT 01.10.2024) • OBS 2: Se aplica só em favor do trabalhador ou também em favor do empregador? • Ex. 1. Empregador assina a CTPS do trabalhador com a função de Gerente, mas na prática, ele exerce a função de Subgerente. Pode invocar o princípio da primazia da realidade? • Ex. 2. Empregador doméstico assina a CTPS do trabalhador como empregado de sua empresa, regido pela CLT. Pode invocar o princípio? • Ex. 3. Empresa S/A assina a CTPS de Diretor como empregado. Pode alegar que era, na verdade, Diretor Estatutário? • Questão: venire contra factum proprium (boa fé objetiva)? • OBS 3: Princípio não vale no caso do exercício de trabalho ilegal (assim considerados aqueles considerados ilícitos) • OJ 199 da SDI-1 do TST: “JOGO DO BICHO. CONTRATO DE TRABALHO. NULI�DADE. OBJETO ILÍCITO. É nulo o contrato de trabalho celebrado para o desempenho de atividade inerente à prática do jogo do bicho, ante a ilicitude de seu objeto, o que subtrai o requisito de validade para a formação do ato jurídico”. • 1) RELAÇÃO JURÍDICA INTER PARTES. 1.1. Inviável o reconhecimento do vínculo empregatício na função de vigilante, quando não atendidos os requisitos e procedimentos previstos na Lei nº 7.102/1983. 1.2 In casu, restou configurado trabalho ilícito, pelo que não é possível atribuir direitos trabalhistas ao reclamante. Recurso improvido. (TRT 1, ROT 0100425- 27.2022.5.01.0029, 8ª Turma, Julgado em 16/10/2024) • OBS 4: Princípio não vale no caso de necessidade de habilitação essencial (não habilitação formal, mas sine qua non) • OJ 296 da SDI-1 do TST: • EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ATENDENTE E AUXILIAR DE ENFERMAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Sendo regulamentada a profissão de auxiliar de enfermagem, cujo exercício pressupõe habilitação técnica, realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem, impossível a equiparação salarial • Motorista? Advogado? Médico? • Artigo 482, “m” da CLT: perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em