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SISTEMA DE ENSINO NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO Princípios e Fontes Livro Eletrônico 2 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Sumário Princípios e Fontes ..........................................................................................................................................................3 1. Princípios Relevantes ao Direito do Trabalho ............................................................................................3 1.1. Princípio da Proteção, Protetor, da Favorabilidade, Tutelar, Tuitivo ou Corretor de Desigualdades ...................................................................................................................................................................3 1.2. Princípio da Irredutibilidade de Salários..................................................................................................12 1.3. Princípio da Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas .............................................................14 1.4. Princípio da Imperatividade das Normas Trabalhistas ...................................................................16 1.5. Princípio da Integridade ou da Intangibilidade Salarial ..................................................................17 1.6. Princípio da Continuidade da Relação de Emprego ...........................................................................19 1.7. Princípio da Primazia da Realidade ............................................................................................................ 22 1.8. Princípio da Vedação ao Enriquecimento Sem Causa ......................................................................23 1.9. Princípio da Razoabilidade (ou Racionalidade) e Proporcionalidade .................................... 25 1.10. Princípio da Boa-Fé ............................................................................................................................................27 1.11. Princípio da Não Discriminação .................................................................................................................. 28 1.12. Princípio da Liberdade do Trabalho .........................................................................................................30 1.13. Princípio da Isonomia .......................................................................................................................................32 1.14. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana .........................................................................................34 2. Fontes do Direito do Trabalho ..........................................................................................................................39 2.1. Fontes Formais e Materiais ............................................................................................................................39 2.2. Fontes Estatais e Não Estatais ....................................................................................................................41 2.3. Fontes Principais e Subsidiárias .................................................................................................................41 2.4. Hierarquia das Fontes .......................................................................................................................................42 Resumo ...............................................................................................................................................................................46 Questões de Concurso ...............................................................................................................................................49 Gabarito ..............................................................................................................................................................................55 Gabarito Comentado ...................................................................................................................................................56 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 3 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles PRINCÍPIOS E FONTES 1. PrincíPios relevantes ao Direito Do trabalho O estudo dos princípios do Direito do Trabalho abrange tanto aqueles de matriz constitucional como os infraconstitucionais. No entanto, antes de adentrar os princípios, é fundamental com- preender a definição e a finalidade. Assim, o que são e para que servem os princípios? Princípios são padrões centrais em torno dos quais gravitam todo o sistema jurídico. Exer- cem três funções principais: • a) Função informativa: é destinada ao legislador. Inspira o legislador como sugestão quando esse cria novas regras jurídicas ou atualiza as regras jurídicas já existentes. • b) Função interpretativa: é destinada ao aplicador do Direito, pois os princípios auxiliam na compreensão dos significados e sentidos das normas que compõem o ordenamento jurídico. • c) Função normativa ou integrativa: auxilia na solução dos casos concretos, visto que permite que o operador do Direito possa encontrar, no princípio, uma resposta para ca- sos para os quais não existe nenhuma regra expressa prevista no ordenamento Para o operador do Direito no cotidiano (Advogado, Procurador, Membro do Ministério Pú- blico, Magistrado, Acadêmico, Estagiário etc.), é evidente que as funções mais importantes serão a interpretativa e a normativa. De fato, diante de uma regra prevista em lei, o operador deve utilizar os princípios para in- terpretar a regra. Quando existe uma omissão, os princípios auxiliam na supressão da lacuna. Além disso, o operador deve, ainda, utilizar os princípios quando houver conflito entre re- gras aplicáveis a um caso. Assim, é possível que haja duas regras diferentes aplicáveis a deter- minado caso, quando, então, haverá necessidade de que se opte por uma delas ou mesmo que haja aplicação limitada de ambas. São os princípios que ajudam nesse trabalho. Feitas essas considerações iniciais, vamos ao estudo dos princípios mais relevantes apli- cáveis ao Processo do Trabalho. Por oportuno, registre-se que os princípios do Direito Coletivo do Trabalho serão analisados no capítulo próprio. 1.1. PrincíPio Da Proteção, Protetor, Da FavorabiliDaDe, tutelar, tuitivo ou corretor De DesigualDaDes São diversos nomes para o mesmo princípio. Parte da premissa de que, no Direito do Trabalho, deve-se conceder proteção à parte hipossuficiente, que, na relação laboral, é o trabalhador. Ora, estando o trabalhador e o tomador de serviços (aquele que recebe o trabalho em seu benefício, conceito que inclui o empregador) em posição de clara desigualdade, visto que esse último detém O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 4 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles o capital e controla o processo produtivo, deve a aplicação da norma considerar a fragilidade da posição jurídica do obreiro. O trabalhador possui sua vontade restringida, pois, por ser economicamente mais fraco, não possui o mesmo nível de autonomia que o tomador de serviços. Não possui o obreiro a mesma facilidade para negociar as regras que regerão seu trabalho. Logo, para se atingir o equilíbrio, o DireitoIndividual do Trabalho consagra esse princípio, o qual se divide em três espécies: 1.1.1. Princípio in dubio pro operario (in dubio pro misero) Na dúvida sobre as diversas interpretações possíveis de uma regra, deve-se considerar aquela que seja mais favorável ao trabalhador. Dessa maneira, havendo uma regra com di- versas interpretações possíveis, deve o operador do Direito adotar aquela que seja a mais vantajosa ao obreiro. Para ilustrar o tema, veja a regra do art. 1º da Lei n. 12.506/11 sobre a proporcionalidade do aviso prévio: Art. 1º O aviso prévio, de que trata o Capítulo VI do Título IV da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943, será concedido na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contem até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa. Parágrafo único. Ao aviso prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de até 90 (noventa) dias. Esse preceito não é expresso se a proporcionalidade do aviso prévio deve ser aplicada ape- nas em favor do trabalhador, quando ele é dispensado sem justa causa, ou se também deve ser aplicado em benefício do empregador, quando o trabalhador pede demissão. Se Joaquim pede demissão da Empresa X, a empresa somente pode exigir o cumprimento do aviso prévio por apenas 30 dias ou pode exigir no mínimo 30 dias com acréscimo de 3 dias para cada ano trabalhado? Aplicando o princípio estudado, deve-se entender que a proporcionalidade apenas surge como direito do trabalhador, e não do empregador. Entender de forma contrária implicaria im- por ao trabalhador que laborou por muitos anos a obrigação de ficar vinculado por mais tempo a um contrato no qual não possui mais interesse. Isso contrariaria a finalidade buscada pelo legislador ao regular a proporcionalidade do aviso, que seria dar mais proteção àquele que possui muitos anos no mesmo emprego. Aliás, vejamos um julgado do TST sobre o assunto: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del5452.htm#tituloIVcapvi 5 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA PROPORCIONALIDADE DO AVISO PRÉVIO AO TEMPO DE SERVIÇO. VANTAGEM ESTEN- DIDA APENAS AOS EMPREGADOS. A Lei n.. 12.506/2011 é clara em considerar a pro- porcionalidade do aviso prévio uma vantagem estendida aos empregados (caput do art. 1º do diploma legal), sem a bilateralidade que caracteriza o instituto original, fixado em 30 dias desde 5.10.1988. A bilateralidade restringe-se ao aviso prévio de 30 dias, que tem de ser concedido também pelo empregado a seu empregador, caso queira pedir demissão (caput do art. 487 da CLT), sob pena de poder sofrer o desconto correspon- dente ao prazo descumprido (art. 487, § 2º, CLT). (...) A escolha jurídica feita pela Lei n. 12.506/2011, mantendo os trinta dias como módulo que abrange todos os aspectos do instituto, inclusive os desfavoráveis ao empregado, ao passo que a proporcionalidade favorece apenas o trabalhador, é sensata, proporcional e razoável, caso considerados a lógica e o direcionamento jurídicos da Constituição e de todo o Direito do Trabalho. Trata-se da única maneira de se evitar que o avanço normativo da proporcionalidade se converta em uma contrafacção, como seria impor-se ao trabalhador com vários anos de serviço gravíssima restrição a seu direito de se desvincular do contrato de emprego. Essa restrição nunca existiu no Direito do Trabalho nem na Constituição, que jamais exigiram até mesmo do trabalhador estável ou com garantia de emprego (que tem – ou tinha – vantagem enorme em seu benefício) qualquer óbice ao exercício de seu pedido de demissão. Ora, o cumprimento de um aviso de 60, 80 ou 90 dias ou o desconto sala- rial nessa mesma proporção fariam a ordem jurídica retornar a períodos selvagens da civilização ocidental, antes do advento do próprio Direito do Trabalho – situação norma- tiva incompatível com o espírito da Constituição da República e do Direito do Trabalho brasileiros. Agravo de instrumento desprovido (AIRR-742-92.2016.5.05.0036, 3ª Turma, Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 22/11/2019). 001. (CESPE/CEBRASPE/TRT/8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS- TRATIVA/2016/ADAPTADA) Acerca dos princípios e das fontes do direito do trabalho, julgue certo ou errado. A aplicação do in dubio pro operario decorre do princípio da proteção. O princípio do in dubio pro operario é um subprincípio do princípio da proteção. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 6 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Todavia, esse princípio não pode ser aplicado em todos os casos do Direito. Existem duas exceções que são significativas: a) Não se admite, segundo posição majoritária, sua incidência em matéria probatória no Processo do Trabalho. Tal vedação decorre da premissa de que, no âmbito processual, cada uma das partes (autor e réu) possui seus encargos probatórios. Se houver dúvida se um fato ocorreu ou não, não deve o juiz julgar automaticamente em favor do trabalhador. Na verdade, o magistrado deve analisar de quem era o ônus da prova (quem tinha que fazer a prova) e, em seguida, caso o encargo fosse do trabalhador, julgar contra ele se o obreiro não se livrou de seu fardo processual. Veja essa aplicação prática que afastou, em matéria probatória, o princípio: JURISPRUDÊNCIA RECURSO DE REVISTA. APELO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 13.015/2014. ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE DIFERENÇAS SALARIAIS. PROVA DIVIDIDA. JULGAMENTO EM DESFAVOR DA PARTE A QUEM INCUMBE O ÔNUS PROBATÓRIO. (...) Outra peculiaridade é que diante da prova dividida, prevaleceu a tese declinada na exordial em observação ao princípio do in dubio pro operario, ou ao princí- pio de proteção ao hipossuficiente. Ocorre que, no caso dos autos, verificou-se ainda a existência da prova dividida, porquanto empregado e empregador, por meio de suas res- pectivas testemunhas, ratificaram a tese autoral e confirmaram a tese defensiva. Diante do referido quadro fático, em que a prova produzida encontra-se dividida, doutrina e juris- prudência entendem que a lide deve ser decidida em prejuízo de quem detinha o ônus de provar, no caso, o Autor. Assim, ao contrário da decisão recorrida, o ônus da prova do fato constitutivo é do Autor, do qual não se desincumbiu. Recurso de Revista parcialmente conhecido e provido (RR-621-68.2013.5.05.0101, 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DEJT 13/11/2015). b) Não se admite a sua incidência, quando a própria regra já estabelece uma orientação expressamente contrária ao trabalhador. Nesse caso, não se pode usar o princípio porque a regra é clara, mesmo que prejudicial ao obreiro. Portanto, não se podeatuar contra a lei (contra legem). Entendimento contrário implicaria o afastamento da lei e substituição da vontade do legislador sem uma matriz constitucionalmente aceitável. Claro que não se nega que uma regra prevista na lei pode ser desconsiderada se a norma contrariar princípios constitucionais. Se a norma for inconstitucional, a Justiça pode reconhe- cer essa incompatibilidade da regra com a Constituição Federal. Todavia, percebe-se que não se trata de aplicação do princípio in dubio pro misero. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 7 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 1.1.2. Princípio da Norma Mais Favorável ao Trabalhador A situação é distinta: existem diversas regras inconciliáveis sobre o mesmo tema. Nesse caso, diante da pluralidade de normas, deve-se aplicar aquela mais favorável ao trabalhador. Esse princípio da norma mais favorável, além das funções típicas dos princípios, ainda pos- sui uma função hierarquizante, porque a hierarquia das normas trabalhistas é definida, como regra, com base na norma mais favorável. No entanto, existem exceções para essa regra, como veremos mais adiante. Daí surge uma pergunta natural: qual é a norma mais favorável ao trabalhador? Apesar de a questão parecer simples, ela exige uma ponderação sobre as teorias existen- tes acerca da definição de norma mais favorável. Surgiram três teorias principais: a) Teoria da acumulação ou atomista Esta teoria parte da premissa de que devem ser pinçadas apenas as regras mais favorá- veis ao trabalhador em cada conjunto normativo. Assim, se existe um regramento A e um re- gramento B sobre o mesmo assunto, as normas mais vantajosas do A e as regras mais vanta- josas do B devem ser consideradas, desprezando as menos vantajosas sobre o mesmo tema. Por exemplo, imagine uma empresa que possui dois regulamentos empresariais (A e B). No regulamento A, havia previsão de férias de 60 dias, 1/3 de acréscimo na remuneração das férias e gratificação mensal de R$ 500,00, ao passo que, no regulamento B, havia previsão de férias de 30 dias, 2/3 de acréscimo na remuneração das férias e gratificação mensal de R$ 1.000,00. Para a teoria atomista, o trabalhador teria direito às férias de 60 dias do regulamento A e aos 2/3 de acréscimo na remuneração das férias e à gratificação de R$ 1.000,00 do regulamento B. Contudo, a posição prevalecente não aceita essa teoria quando os conjuntos normativos possuem a mesma hierarquia, porque, ao separar as somente regras mais vantajosas de cada diploma normativo, ela cria, de forma fictícia um terceiro diploma de supervantagens. Essa teoria tem sido recusada no confronto entre dois conjuntos normativos de mesma hierarquia. Por outro lado, se existem conjuntos de normas de hierarquia diferente, é possível se falar em acumulação de normas mais benéficas. É que o critério de norma mais favorável, no Direito do Trabalho, é plástico. Essa lógica pode ser inferida da própria Constituição Federal, quando estabelece no art. 7º, caput: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 8 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Exemplos disso são a jornada do turno ininterrupto de revezamento e as horas extras. Suponhamos que a convenção coletiva estabelece que a jornada de seis horas para turnos ininterruptos de revezamento (art. 7º, XIV) e adicional de horas extras, no mínimo, 60% acima da remuneração da hora normal. Por outro lado, imagine um contrato de trabalho que preveja adicional de horas extras de 50% e uma jornada de 5 horas para o turno ininterrupto de reveza- mento. Nesse caso, deve-se aplicar o adicional previsto na convenção coletiva e a jornada pre- vista no contrato. Assim, note que foram pinçadas regras de conjuntos normativos diferentes. b) Teoria do conglobamento Esta teoria parte a premissa de que, entre regramentos diferentes, deve-se considerar o conjunto de normas por inteiro, com todas as suas vantagens e desvantagens. Não se pode apenas escolher as regras mais favoráveis de cada diploma normativo. Portanto, no exemplo dado anteriormente sobre o regulamento empresarial, o trabalhador pode escolher o regulamento A ou o regulamento B, mas não pode escolher regras mais bené- ficas de cada um. Essa teoria é utilizada quando existem regramentos de mesma hierarquia. Assim, se houver um confronto entre diplomas normativos diferentes de mesma hierarquia, deve-se optar por aquele mais favorável no seu conjunto. c) Teoria do conglobamento mitigado ou por instituto ou teoria da incindibilidade dos institutos Dentro de cada conjunto de normas, existem diversas matérias. Essa teoria preconiza que cada matéria deve ser aproveitada em seu conjunto, mas é possível que matérias diferentes possam ser extraídas de cada um dos instrumentos normativos. Assim, se dois conjuntos normativos possuem regras sobre férias e sobre horas extras, é perfeitamente possível que as regras sobre férias sejam retiradas de um e as regras sobre horas extras sejam retiradas de outro. Entretanto, não se pode fracionar as regras das horas ex- tras ou das férias: a matéria deve permanecer intacta em relação ao diploma escolhido. Logo, não se admite que sejam pinçadas as melhores regras de horas extras de um regramento e as melhores regras de horas extras de outro. As regras sobre horas extras devem ser retiradas de um único diploma, com as vantagens e desvantagens. Da mesma forma, como a matéria férias é outro assunto, podem as suas regras ser retira- das de qualquer um dos conjuntos normativos, desde que todas as regras sobre férias sejam todas oriundas de um mesmo conjunto. No Brasil, há uma situação em que se aplica essa teoria: quando existe empregado contratado no Brasil que é transferido ao exterior. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 9 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Nesse ponto, o art. 3º da Lei n. 7.064/82 disciplina: Art. 3º A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido assegurar-lhe-á, independentemente da observância da legislação do local da execução dos serviços: II – a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho, naquilo que não for incompatível com o disposto nesta Lei, quando mais favorável do que a legislação territorial, no conjunto de nor- mas e em relação a cada matéria. Veja um julgado que esclarece bem essa lógica: JURISPRUDÊNCIA (…) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA SEGUNDA RECLAMADA (…) HORAS EXTRA- ORDINÁRIAS. ADICIONAL INCIDENTE. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. NORMA MAIS FAVORÁ- VEL. TEORIA DA INCINDIBILIDADE DOS INSTITUTOS. LEI N. 7.064/1982. Nos termos do artigo 3º, II, da Lei n. 7.064/1982, ao empregado transferido para trabalhar no exterior, aplica-se a legislação brasileira, quando mais favorável do que a legislação territorial, no conjunto de normas e em relação a cada matéria.Dessa forma, uma vez concluído ser a legislação brasileira a mais favorável no que tange às horas extraordinárias, em atenção à Teoria da Incindibilidade dos Institutos, segundo a qual a legislação favorável deve ser analisada quanto a cada matéria, é devida sua aplicação de forma integral, tanto quanto à jornada máxima diária e semanal, como no tocante ao adicional de horas extraordiná- rias (…) (ARR – 459-84.2012.5.04.0732, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento: 09/12/2015, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/12/2015). 1.1.2.1. Exceções à Teoria da Norma Mais Favorável O princípio da norma mais favorável não é absoluto. Existem 3 situações que flexibilizam o princípio: a) Confronto entre convenção e acordo coletivo de trabalho Acordo coletivo é o instrumento assinado por sindicato de trabalhadores e por uma ou mais empresas e que contém o conjunto de normas que regerão as relações de trabalho dos empregados dessas empresas que sejam representados pelo sindicato signatário. Convenção coletiva é instrumento assinado por sindicato de trabalhadores e sindicato de empresas e que contém o conjunto de normas que regerão as relações de trabalho das empre- sas e empregados que são representados pelos sindicatos respectivos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 10 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Veja os conceitos no art. 611 da CLT: Art. 611. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de traba- lho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coleti- vos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. Na prática, pode ocorrer de existir, de forma concomitante, uma convenção coletiva e um acordo coletivo de trabalho. E qual seria o regramento que prevalece frente a uma relação de trabalho? Pode ser aplicada a teoria da norma mais favorável? O art. 620 da CLT menciona a prevalência do acordo coletivo de trabalho: Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. Assim, percebe-se que a lei não menciona nada no sentido de que prevalecerá a norma mais favorável quando houver convenção e acordo coletivo, mas apenas que o acordo coletivo prevalecerá “sempre”. Logo, mesmo que o acordo coletivo seja menos favorável, a intenção do legislador foi a prevalência desse conjunto normativo. b) Prevalência de norma coletiva sobre a lei O art. 611-A da CLT assegura, como regra, a prevalência da norma coletiva sobre a lei. É o famoso negociado sobre o legislado: Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: I – pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; II – banco de horas anual; III – intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas; IV – adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei no 13.189, de 19 de novembro de 2015; V – plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado, bem como identificação dos cargos que se enquadram como funções de confiança; VI – regulamento empresarial; VII – representante dos trabalhadores no local de trabalho; VIII – teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho intermitente; IX – remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado, e remunera- ção por desempenho individual; X – modalidade de registro de jornada de trabalho; XI – troca do dia de feriado; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 11 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles XII – enquadramento do grau de insalubridade; XIII – prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia das autoridades com- petentes do Ministério do Trabalho; XIV – prêmios de incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de incentivo; XV – participação nos lucros ou resultados da empresa. Constata-se que essa prevalência não foi condicionada a que haja norma coletiva mais favorável. Isso significa que a norma coletiva poderia prever vantagens inferiores à lei. Nessa hipótese, ainda assim, a norma coletiva prevaleceria. Claro que o art. 611-B da CLT cria restrições a essa nova regra, restrições essas que estu- daremos na aula sobre direito coletivo. c) Trabalhador que se enquadrar no art. 444, parágrafo único, da CLT O legislador deferiu um tratamento diferenciado para o trabalhador que se enquadra no art. 444, parágrafo único, da CLT: Art. 444. Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Como se nota, se o trabalhador que possui diploma de curso superior receber salário men- sal igual ou maior que o dobro do limite máximo dos benefícios do regime geral da previ- dência, o que for estipulado no contrato entre ele e o empregador prevalece sobre as normas coletivas e sobre as leis, quando se tratar das hipóteses previstas no art. 611-A da CLT. Isto significa que, para esses trabalhadores de salário maior, suas cláusulas contratuais prevalecem sobre instrumentos coletivos (Acordo coletivo e Convenção Coletiva) e sobre as normas legais, no que tange às matérias do art. 611-A da CLT. Ressalte-se que alguns denominam esse trabalhador como “hiperssuficiente”, mas a qua- lificação não corresponde adequadamente à posição do obreiro na relação de emprego. É te- merário qualificar o trabalhador como hiperssuficiente, quando ele, independentemente de sua remuneração, aceita contratualmente se subordinar às ordens ou à dinâmica produtiva defini- da pelo empregador. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 12 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 1.1.3. Princípio da Preservação da Condição Mais Benéfica ou Inalterabilidade Contratual Lesiva Nesse princípio, estabelecida uma determinada vantagem/condição para o trabalhador na formação ou no curso do contrato de trabalho, as alterações posteriores apenas podem ocor- rer validamente, como regra, se não forem prejudiciais ao obreiro. Assim, se o empregador estipulou, no regulamento ou no contrato, um adicional de horas extras de 70% sobre o valor da hora normal de trabalho, então não pode reduzir o referidoadi- cional para 50%, pois isso configuraria uma alteração contratual lesiva. Na hipótese de existir essa mudança para pior, a alteração seria inválida. Esse princípio é o fundamento do art. 468, caput, da CLT: Art. 468.Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O princípio orienta a inteligência da Súmula 51, I, do TST: JURISPRUDÊNCIA NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO PELO NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT (incorporada a Orientação Jurisprudencial n. 163 da SBDI-I) – Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I – As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas ante- riormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. Aplicando a lógica mencionada, na prática, se um empregador cria um regulamento na empresa que prevê um plano de saúde aos trabalhadores, não pode mais retirar esse benefício dos trabalhadores que possuem contrato em curso. Logo, se o regulamento for alterado para retirar o benefício, apenas os trabalhadores contratados após alteração não terão direito ao plano de saúde. 1.2. PrincíPio Da irreDutibiliDaDe De salários De acordo com o princípio, o salário não pode sofrer redução, excetuada a hipótese de norma coletiva prever essa circunstância. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 13 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles O princípio possui clara matriz constitucional no art. 7º, VI, da Constituição Federal: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: VI – irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo; Vale lembrar de que, com a reforma trabalhista (Lei n. 13.467/17), a redução salarial por negociação coletiva deve ser acompanhada de garantia no emprego durante a vigência na nor- ma coletiva, conforme preceitua o art. 611-A, § 3º, da CLT: Art. 611-A (...) § 3º Se for pactuada cláusula que reduza o salário ou a jornada, a convenção coletiva ou o acordo coletivo de trabalho deverão prever a proteção dos empregados contra dispensa imotivada durante o prazo de vigência do instrumento coletivo. Assim, no caso de redução de salário ou jornada, a lei estabeleceu uma contrapartida especí- fica, ou seja, a impossibilidade de dispensa sem justa causa durante a vigência da norma coletiva. Outro ponto relevante sobre o princípio refere-se à peculiaridade do salário-condição. Tra- ta-se de parcela remuneratória que apenas é devida se o trabalho é realizado em determi- nadas condições, tais como adicional de insalubridade (devido se o trabalho é realizado em condições insalutíferas), adicional de periculosidade (devido se é realizado em condições peri- gosas), adicional de transferência (devido enquanto dura a transferência provisória) etc. No salário-condição, eliminada a condição que justifica aquela parcela, não há mais necessidade de pagamento, o que não afronta o princípio da irredutibilidade. Nesse con- texto, é perfeitamente compreensível o disposto nas Súmulas 248 e 265 do TST, as quais respectivamente aduzem: JURISPRUDÊNCIA Súmula 248 do TST ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. DIREITO ADQUIRIDO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21/11/2003 A reclassificação ou a descaracterização da insalubridade, por ato da autoridade compe- tente, repercute na satisfação do respectivo adicional, sem ofensa a direito adquirido ou ao princípio da irredutibilidade salarial. Súmula 265 do TST ADICIONAL NOTURNO. ALTERAÇÃO DE TURNO DE TRABALHO. POSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21/11/2003 A transferência para o período diurno de trabalho implica a perda do direito ao adicional noturno. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 14 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 1.3. PrincíPio Da inDisPonibiliDaDe Dos Direitos trabalhistas Esse princípio envolve, como regra, a impossibilidade de renúncia a direitos trabalhistas e a impossibilidade de transação de direitos trabalhistas em detrimento do trabalhador. A premissa considera a restrição da vontade do trabalhador, o qual, por sua condição de hipossuficiente, poderia ter o risco de ser coagido a negociar direitos trabalhistas de forma a se prejudicar. Haveria o risco de o trabalhador, para preservar seu emprego ou sua função, abrir mão de direitos trabalhistas assegurados por lei. Como consequência, não se aceita, como regra, a possibilidade de o trabalhador, renunciar ou transacionar para pior, seus direitos trabalhistas. Além disso, o princípio considera que as normas de proteção ao trabalhador previstas em lei não podem, em geral, ser afastadas. Esse caráter cogente (obrigatório) das normas traba- lhistas impediria que o trabalhador tivesse sua gama de direitos diminuída e reforça a indispo- nibilidade de seus direitos. Todavia, esse princípio não é absoluto. Isso ocorre por diversos motivos: a) Pode haver renúncia como consequência tácita de opções juridicamente válidas; Há opções juridicamente válidas feitas pelo trabalhador que implicam, como consequên- cia, uma renúncia a um direito. Exemplo disso seria quando a empresa possui dois regulamentos (A e B). Se o empregado optar por um deles, implica automaticamente a renúncia às regras do outro, visto que, pela teoria do conglobamento, sendo normas de mesma hierarquia, deve ser aplicado aquele cujo conjunto integral mais favorável. Nessa direção segue a Súmula 51, II, do TST: JURISPRUDÊNCIA Súmula 51, II, do TST NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO PELO NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT II – Havendo a coexistência de dois regulamentos da empresa, a opção do empregado por um deles tem efeito jurídico de renúncia às regras do sistema do outro. Outra ilustração seria o pedido de demissão formulado por um dirigente sindical. Pedir de- missão é um direito potestativo do trabalhador, não podendo o empregador impedir a extinção do vínculo. No entanto, esse pedido elimina, quando preenchidos os requisitos legais, a estabi- lidade do dirigente sindical. b) Pode haver renúncia ou transação do direito quando a conciliação ocorre em juízo; Quando ocorre a conciliação em juízo, elimina-se o risco de haver qualquer coação do tra- balhador pelo empregador, o que torna possível a negociação. A presença do juiz afastaria, em O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 15 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles tese, o risco. Além disso, o magistrado não homologa as transações que importem violações a direitos humanos ou a princípios constitucionalmente assegurados. Como exemplo, não há óbice jurídico para que um trabalhador que detenha créditos de dez mil reais aceite, na audiência, uma proposta de cinco mil para receber em duas parcelas, evitando um processo judicialprolongado. c) No Direito Coletivo do Trabalho, pode haver transação de direitos trabalhistas Como as normas coletivas (acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho) são assinadas pelo sindicato dos trabalhadores (art. 8º, VI, CF) e tais entidades não estão em posição de hipossuficiência, elas podem negociar direitos trabalhistas, flexibilizando direitos normalmente em troca de outras vantagens para os trabalhadores representados. A autonomia para transacionar, na seara coletiva, é muito maior do que no plano individual. Aliás, presume-se que o sindicato obreiro irá proteger os trabalhadores que representa. A importância da negociação coletiva foi consagrada constitucionalmente no art. 7º, XXVI: Art. 7º (…) XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; Essa autorização para negociar coletivamente ocorre, ilustrativamente, com a jornada. Veja o art. 7º, XIII e XIV, da Constituição Federal: Art. 7º XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; XIV – jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; d) Com a reforma trabalhista (Lei n. 13.467/17), surgiu a possibilidade de transação ex- trajudicial João, ex-empregado da empresa X, entende que tem direito a horas extras que não rece- beu. A empresa aceita fazer um acordo com ele para pagar valores. Mesmo tendo sido forma- do o acordo fora da Justiça do Trabalho, poderiam ele levar o acordo para ser homologado na Justiça do Trabalho? A reforma trabalhista reconheceu a competência das Varas do Trabalho para homologar acordos extrajudiciais. Veja o previsto no art. 652, “f”, da CLT: Art. 652. Compete às Varas do Trabalho: f) decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial em matéria de competência da Justiça do Trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 16 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Logo, existe a possibilidade de empregado e empregador transacionarem direitos traba- lhistas fora da Justiça e, atingindo um termo comum, requerer a chancela estatal através da homologação judicial. A grande questão refere-se aos limites dessa transação. O que poderia ser negociado? Recorde-se de que existem direitos fundamentais e de que existem também direitos infracons- titucionais que nem mesmo por norma coletiva podem ser transacionados para pior. Apenas o tempo consolidará essa resposta através da jurisprudência. 1.4. PrincíPio Da imPerativiDaDe Das normas trabalhistas As normas trabalhistas, em virtude da proteção ao hipossuficiente, são imperativas, co- gentes, quer dizer, inafastáveis. Isso significa que as partes não podem, em regra, negociar o afastamento das normas. Portanto, as normas são de ordem pública. Se ocorrer o afastamento da norma, haverá nulidade do ato. O art. 9º da CLT apresenta claramente essa diretriz: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou frau- dar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Essa noção de imperatividade é tão relevante que o legislador, apesar de admitir que as partes em um contrato de trabalho podem estabelecer as regras que regerão sua relação jurí- dica, é incisivo ao criar limites: Art. 444. As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes inte- ressadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. Essa proteção decorre da restrição da autonomia da vontade que sofre o trabalhador no momento da criação de cláusulas contratuais como reflexo de sua hipossuficiência. Logo, o legislador cria limites para essa liberdade contratual, tornando as normas trabalhistas impera- tivas, ou seja, de observância obrigatória. No entanto, existem casos específicos (são exceções) em que a lei prevê que as partes podem estabelecer regras distintas da prevista em lei. São as chamadas normas dispositivas. Veja um exemplo na CLT: Art. 543. § 2º Considera-se de licença não remunerada, salvo assentimento da empresa ou cláusula contra- tual, o tempo em que o empregado se ausentar do trabalho no desempenho das funções a que se refere este artigo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 17 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Na regra transcrita, o trabalhador eleito dirigente sindical e afastado do trabalho para exer- cer seu mandato terá o contrato suspenso, o que significa dizer: sem a percepção de remunera- ção durante seu mandato. Todavia, podem a empresa e o trabalhador eleito estipular regra con- trária, isto é, o pagamento de salário durante o período em que exerce a função de dirigente. Compreendida a premissa principiológica, registre-se que a imperatividade das normas trabalhistas comportou algumas flexibilizações com a reforma trabalhista (Lei n. 13.467/17), principalmente por 2 motivos: a) Inclusão do art. 611-A da CLT O art. 611-A da CLT assegura, como regra, a prevalência da norma coletiva sobre a lei. É o famoso negociado sobre o legislado. Isso significa que a norma coletiva poderia afastar algu- mas regras previstas em lei: Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (...). b) Trabalhador que se enquadrar no art. 444, parágrafo único, da CLT Esse trabalhador com maior salário poderia, em tese, afastar a proteção da lei no que tange às hipóteses previstas no art. 611-A da CLT: Art. 444. Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Ora, este trabalhador pode estipular cláusulas contratuais com a mesma eficácia e preponde- rância sobre instrumentos coletivos, e, como se sabe, as normas coletivas prevalecem sobre a lei no que tange a diversas matérias (art. 611-A da CLT). Então, em relação a essas matérias descritas naquele preceito legal, este trabalhador pode afastá-las para fazer valer sua cláusula contratual. 1.5. PrincíPio Da integriDaDe ou Da intangibiliDaDe salarial O empregador não pode realizar descontos no salário do empregado, como regra. As ex- ceções ocorrem quando os descontos são: • a) Autorizados em lei; • b) Autorizados em norma coletiva (convenção ou acordo coletivo de trabalho); • c) Autorizados por adesão individual voluntária de trabalhador a benefício concedido ou contratado pelo empregador. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 18 de 66www.grancursosonline.com.br Princípiose Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Os dois primeiros casos estão previstos no art. 462, caput, da CLT: Art. 462. Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo. Quando o legislador menciona “contrato coletivo”, deve-se compreender atualmente que o pre- ceito se refere a norma coletiva (gênero do qual a convenção e o acordo coletivo são espécies). Nes- se particular, vale lembrar, a título ilustrativo, o disposto na Orientação Jurisprudencial 251 do TST: JURISPRUDÊNCIA OJ 251 da SDI-I do TST DESCONTOS. FRENTISTA. CHEQUES SEM FUNDOS (inserida em 13.03.2002) É lícito o desconto salarial referente à devolução de cheques sem fundos, quando o fren- tista não observar as recomendações previstas em instrumento coletivo. Além disso, quando a lei menciona “adiantamentos”, tal constitui apenas um exemplo de desconto autorizado em lei, visto que a CLT foi recepcionada pela Constituição como lei ordi- nária. Outro exemplo de autorização em lei cuida do art. 462, § 1º, da CLT: Art. 462. § 1º Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. Por último, vale lembrar de que o TST admite a adesão do obreiro a um benefício fornecido ou contratado pelo empregador, concordância essa que pressupõe muitas vezes o desconto de valores do salário para ajudar a custear a vantagem. São exemplos dessas vantagens a adesão ao plano de saúde, ao seguro de vida e a clubes recreativos. Por exemplo, a empresa pode oferecer um plano de saúde ao trabalhador custeando gran- de parte do valor, sendo que o trabalhador interessado adere ao plano com um desconto pe- queno sobre seu salário. O TST sintetizou a questão na Súmula 342: JURISPRUDÊNCIA Súmula 342 do TST DESCONTOS SALARIAIS. ART. 462 DA CLT (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21/11/2003 Descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada, ou de entidade cooperativa, cultural ou recreativo-asso- ciativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus dependentes, não afrontam o O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 19 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de outro defeito que vicie o ato jurídico. A Súmula evidencia que a adesão individual não vulnera o art. 462 da CLT, exceto se hou- ver algum vício na declaração de vontade do trabalhador (coação, por exemplo). Assim, se o trabalhador provar que foi coagido a assinar uma adesão, então o juiz invalida esta adesão e condena o empregador a devolver os descontos realizados. 1.6. PrincíPio Da continuiDaDe Da relação De emPrego Esse princípio orienta o operador do Direito no sentido de que se deve buscar, ao aplicar os institutos e solucionar os litígios trabalhistas, a manutenção do vínculo de emprego. Ora, além de que ser fonte de subsistência do trabalhador (o salário possui natureza alimentar), o emprego é a relação de trabalho mais protetiva que existe no ordenamento brasileiro. A diretriz do princípio possui dezenas de aplicações práticas no Direito do Trabalho, dentre as quais citamos apenas algumas para melhor entendimento: a) Fixação de ônus da prova e presunção de a rescisão ser imotivada Quando um contrato de trabalho é extinto, devemos presumir que o empregado, necessi- tando desse trabalho, não daria margem ao rompimento. Logo, caso o empregador alegue que houve pedido de demissão ou dispensa por justa causa, deve provar o alegado. JURISPRUDÊNCIA Nessa direção veja a Súmula 212 do TST: DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21/11/2003 O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de ser- viço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. Então, se não há prova contrária, devemos presumir que a extinção do contrato ocorreu sem justa causa. O contrário será provado pelo empregador: JURISPRUDÊNCIA 2. FORMA DE DISSOLUÇÃO CONTRATUAL. A imposição da maior penalidade aplicável ao empregado, consistente na rescisão do contrato por justa causa, norteia-se pelos princípios da atualidade, proporcionalidade, gravidade e caráter determinante, necessi- O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 20 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles tando, ainda, da produção de prova robusta sobre o cometimento da infração. Por força, também, do princípio da continuidade da relação de emprego que vigora no Direito do Trabalho, é ônus do empregador demonstrar, de forma inequívoca, a presença dos moti- vos e dos requisitos ensejadores da referida modalidade de dispensa. Assim, inexistindo elementos a corroborar a dispensa por justa causa, correta a decisão que concluiu pela extinção do contrato de trabalho de forma imotivada (ARR-11062-78.2014.5.15.0042, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 17/04/2020). b) Manutenção do vínculo em caso de alteração da propriedade ou da estrutura da empresa Suponha que uma empresa X é uma sociedade limitada (LTDA) e ela possua o empregado Danilo. Ora, se a empresa for transformada em sociedade anônima (S.A.), Danilo continua com o mesmo contrato de trabalho. A alteração na estrutura jurídica da empresa não afetou o con- trato de trabalho. Além disso, imagine agora que uma empresa Y tenha como sócios Roberto e Lorena, sendo que Manuel é seu empregado. Se os sócios venderem suas quotas na empresa para Jorge e Milena, isso não afeta o vínculo de emprego de Manuel com a empresa Y. A mudança na pro- priedade não afetou o contrato. Nesse particular, vejamos o disposto nos arts. 10 e 448 da CLT: Art. 10. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. Art. 448. A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. c) Manutenção do contrato de trabalho durante a suspensão e a interrupção do contrato Existem situações em que o trabalhador não está prestando serviços (devido à suspensão ou interrupção do contrato), mas o vínculo de emprego segue mantido, gerando uma seguran- ça ao trabalhador no sentido de que, ao final desse período, o contrato continuará normalmen- te. Isso atende ao princípio estudado. É o que ocorre, a título ilustrativo, com as férias. Durante as férias (período de interrupção), o obreiro não está laborando, mas sabe que continua empregado durante o lapso de descanso. d) Eliminação de certas nulidades relativas do contrato de trabalho Considerando a premissa do princípio, se o juiz constatar que existem nulidades que são relativas, ou seja, que podem ser sanadas, deve privilegiar a manutenção do vínculo de empre- go, permitindo que as irregularidades sejam eliminadas. Assim, por exemplo, existem contratos que, por força de lei, devem ser escritos, como ocor- re, por exemplo, com o artista profissional: O conteúdodeste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 21 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Lei n. 6.533/78, Art. 10. O contrato de trabalho conterá, obrigatoriamente: I – qualificação das partes contratantes; II – prazo de vigência; III – natureza da função profissional, com definição das obrigações respectivas. No entanto, se o juiz constatar que existe um artista sem contrato escrito, não determinará a cessação do serviço de imediato, mas a regularização do problema. Por outro lado, se houver nulidade absoluta, não é possível sanar a irregularidade, não sendo o princípio suficiente para manter a relação jurídica. Assim, para ilustrar, uma nulidade de contrato por ausência de concurso público não permite a regularização, devendo o juiz de- terminar que cesse a prestação de serviços. e) Presunção de existência de contrato de trabalho por prazo indeterminado Diante de um contrato de trabalho, o princípio permite a inferência de que se deve presumir a existência de um contrato por prazo indeterminado. Logo, o contrato por prazo determinado é uma exceção e deve ser provado por quem alega sua existência. Veja esse julgado do TST: JURISPRUDÊNCIA RECURSO DE REVISTA – CONTRATO DE EXPERIÊNCIA – VALIDADE A jurisprudência desta Corte orienta que, por se tratar de exceção ao princípio da continuidade da rela- ção de emprego, os contratos por prazo determinado, como o de experiência, devem ser celebrados formalmente, de modo a garantir às partes o pleno conhecimento de suas condições. Não provada a regular celebração de contrato de experiência, porque não acostados aos autos documentos idôneos a esse fim, e considerando-se que o ônus da prova era da Reclamada, por se tratar de fato modificativo/impeditivo do direito do Recla- mante, deve-se reconhecer a existência de contrato por prazo indeterminado (RR – 1438- 36.2011.5.12.0028, Relator Desembargador Convocado: João Pedro Silvestrin, Data de Julgamento: 10/12/2014, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 12/12/2014). f) Manutenção do vínculo em caso de sucessão trabalhista com continuidade na presta- ção de serviços pelo obreiro Havendo sucessão trabalhista (matéria que vamos estudar em outra aula), como ocorre, por exemplo, quando uma empresa X é adquirida (incorporada) por uma empresa W, se o empregado da X continua trabalhando para a empresa W, então o contrato de trabalho con- tinua sendo o mesmo. Trata-se de mera alteração subjetiva do polo passivo da relação de emprego (polo em que se localiza o empregador). Altera-se o empregador, mas permanece hígido o vínculo de emprego. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 22 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Nesse particular, vejamos o disposto no art. 448 da CLT: Art. 448. A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. 1.7. PrincíPio Da Primazia Da realiDaDe Segundo esse princípio, prevalece a realidade dos fatos sobre atos formalizados. Logo, mesmo que um documento ou instrumento aponte em um determinado sentido, vale o que realmente aconteceu. A verdade prevalece sobre o que está formalizado. Assim, se, na Carteira de Trabalho do obreiro, consta que as comissões são de 3% so- bre as vendas, mas, na realidade, são de 5% (parte era pago “por fora”), então prevalece o verdadeiro percentual. Nesse particular, muitos dirão que a CTPS é meio de prova, o que não se nega. O problema é que a prova não é absoluta (juris et de jure), mas relativa (juris tantum), sendo afastada quan- do existe prova que demonstra que a realidade é outra. Isso permite-nos compreender, com perfeição, a lógica da Súmula 12 do TST: JURISPRUDÊNCIA CARTEIRA PROFISSIONAL (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21/11/2003 As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do empregado não geram presunção juris et de jure, mas apenas juris tantum. 2. (FCC/TRT-5ª REGIÃO-BA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) O Direito do Trabalho possui princípios próprios que norteiam a sua aplicação. Assim, o postu- lado informando que na matéria trabalhista importa mais o que ocorre na prática do que o que está inserido em documentos é conhecido como princípio da a) intangibilidade contratual. b) primazia da realidade. c) continuidade da relação de emprego. d) integralidade salarial. e) flexibilização. O Direito do Trabalho considera o que ocorre na realidade. Essa realidade prevalece so- bre a forma. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 23 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Esse princípio não é específico do Direito do Trabalho, mas princípio geral de direito apli- cável, portanto, também ao Direito do Trabalho. Pontue-se, contudo, que a primazia da realidade não pode suplantar exigências legais e/ou constitucionais para determinados institutos. Assim, por exemplo, mesmo que um trabalhador e um Município quisessem formar uma relação de emprego sem concurso público, isso não será possível, como regra, após a Constituição Federal de 1988, visto que a Magna Carta exige o respeito ao postulado do concurso (art. 37, II, e § 2º). Tanto é verdade que não é possível o reconhecimento de vínculo de emprego nesse caso. Veja um julgado do TST sobre o tema: JURISPRUDÊNCIA CONTRATO NULO. EFEITOS. SÚMULA 363 DO TST. A contratação irregular pela Admi- nistração Pública não tem o condão de produzir o efeito de reconhecimento de vínculo empregatício com ente público, ante a vedação expressa do art. 37, II, § 2º, da CF/88. No tocante aos efeitos do contrato nulo, como é o caso dos autos, esta Corte Superior tem reiteradamente decidido pela declaração de nulidade dos contratos de trabalho celebra- dos com pessoa jurídica de direito público, sem prévia aprovação em concurso público, assegurando ao trabalhador tão somente o pagamento da contraprestação pactuada, em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o salário-mínimo/hora e dos valores referentes aos depósitos do FGTS (Súmula 363/TST). Ademais, da análise da referida Súmula, é possível extrair o entendimento de que não existe previsão que autorize a inci- dência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas devidas em razão de contrato nulo (...) (RR-16181-62.2014.5.16.0019, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 16/11/2018). 1.8. PrincíPio Da veDação ao enriquecimento sem causa Trata-se de outro princípio geral do Direito. Ele parte da premissa de que não deve o ope- rador do Direito aceitar o enriquecimento sem um motivo justificável. Sua incidência impede a obtenção de vantagens indevidas. No âmbito trabalhista, existem diversas aplicações para essa matriz. Exemplo disso ocorre em relação às horas extras. Muito embora a CLT apenas permita, como regra, a realização de duas horas extras por dia (art. 59 da CLT), se a pessoa trabalhar mais de duas horas extras, todas elas deverão ser pagas para impedir o enriquecimento sem causa. Apenaspara confirmar, veja a Súmula 376, I, do TST: Súmula 376, I, do TST O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 24 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA HORAS EXTRAS. LIMITAÇÃO. ART. 59 DA CLT. REFLEXOS (conversão das Orientações Jurisprudenciais n. 89 e 117 da SBDI-I) – Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25/04/2005 I – A limitação legal da jornada suplementar a duas horas diárias não exime o emprega- dor de pagar todas as horas trabalhadas. Todavia, a aplicação desse princípio não é absoluta, porquanto existem casos em que o bem tutelado pela norma, por ser mais relevante, não permite que haja efeitos trabalhistas. Para melhor compreensão, imagine uma pessoa trabalhando em atividade penalmente ilí- cita, como jogo do bicho ou tráfico de drogas. Como reconhecer direitos trabalhistas para uma atividade que configura, respectivamente, contravenção e crime? Isso definitivamente não é permitido. O Estado não pode compactuar com atividades que repudia, tanto que chegou a classificá-las como ilícitos penais. Logo, não se pode reconhecer efeitos trabalhistas. Nessa direção veja o entendimento do TST: JURISPRUDÊNCIA OJ 199 da SDI-I do TST JOGO DO BICHO. CONTRATO DE TRABALHO. NULIDADE. OBJETO ILÍCITO (título alterado e inserido dispositivo) – DEJT divulgado em 16, 17 e 18/11/2010 É nulo o contrato de trabalho celebrado para o desempenho de atividade inerente à prá- tica do jogo do bicho, ante a ilicitude de seu objeto, o que subtrai o requisito de validade para a formação do ato jurídico. Veja esse julgado do TST: JURISPRUDÊNCIA RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI N. 13.015/2014. JOGO DO BICHO. ILICITUDE. EFEITOS. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL N. 199 DO C. TST. A vali- dade do contrato de trabalho depende da licitude do objeto, nos termos dos arts. 104, II, e 166, II, do Código Civil. A atuação da autora para o desempenho de atividades inerentes ao jogo do bicho não enseja o reconhecimento de vínculo de emprego ou o deferimento de parcelas de natureza trabalhista, diante da previsão da atividade como contraven- ção penal (art. 58 do Dec.-Lei n. 3.688/1941). Entendimento consagrado na Orientação Jurisprudencial n. 199 da SDI-1. Recurso de revista conhecido e provido (RR – 78500- 38.2014.5.13.0023, Relator Desembargador Convocado: Paulo Marcelo de Miranda Ser- rano, Data de Julgamento: 08/06/2016, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 10/06/2016). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 25 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 1.9. PrincíPio Da razoabiliDaDe (ou racionaliDaDe) e ProPorcionaliDaDe Ainda que doutrinariamente existam diferenças entre razoabilidade e proporcionalidade, é muito comum que inúmeros julgados utilizem as expressões como se fossem sinônimas. Esse princípio pressupõe basicamente um exame sobre a adequação, a necessidade e/ou a compatibilidade de condutas de trabalhadores e tomadores de serviços, além de parâme- tros para reconhecimento de violação de direitos e suas consequências. No Direito do Trabalho, existem aplicações diversas dessa matriz. Apenas para facilitar a compreensão, citamos algumas demonstrações: a) O arbitramento de indenizações por danos morais deve considerar a razoabilidade por ocasião da fixação do valor. Quando um juiz fixa uma indenização, ele deve ser razoável na apreciação de diversos fa- tores para definir um valor justo. Veja um julgado: JURISPRUDÊNCIA AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. DOENÇA OCUPACIONAL. CON- CAUSALIDADE. DANOS MORAL E MATERIAL. INDENIZAÇÕES. REDUÇÃO. A decisão recor- rida, ao fixar os valores arbitrados às indenizações por danos moral e material, obser- vou as peculiaridades do caso concreto, levando em consideração critérios objetivos e legais como a gravidade do dano, a capacidade econômica do responsável pelo dano e o caráter pedagógico da condenação, em estrita consonância com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Diante desses fundamentos, não se divisa ofensa ao literal ao art. 944 do CC. Agravo de instrumento conhecido e não provido (AIRR-634- 69.2017.5.11.0001, 8ª Turma, Relatora Ministra Dora Maria da Costa, DEJT 14/08/2020). Mesmo com a reforma trabalhista (Lei n. 13.467/17), a qual estabeleceu limites para fixa- ção do dano moral (espécie de extrapatrimonial), deve o juiz usar a razoabilidade para fixar a indenização dentro dos parâmetros estabelecidos. Veja os parâmetros: Art. 223-G. § 1º Se julgar procedente o pedido, o juízo fixará a indenização a ser paga, a cada um dos ofendidos, em um dos seguintes parâmetros, vedada a acumulação: I – ofensa de natureza leve, até três vezes o último salário contratual do ofendido; II – ofensa de natureza média, até cinco vezes o último salário contratual do ofendido; III – ofensa de natureza grave, até vinte vezes o último salário contratual do ofendido; IV – ofensa de natureza gravíssima, até cinquenta vezes o último salário contratual do ofendido. § 2º Se o ofendido for pessoa jurídica, a indenização será fixada com observância dos mesmos parâmetros estabelecidos no § 1º deste artigo, mas em relação ao salário contratual do ofensor. § 3º Na reincidência entre partes idênticas, o juízo poderá elevar ao dobro o valor da indenização. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 26 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles O debate sobre a constitucionalidade dessas limitações será apresentado no capítulo so- bre danos extrapatrimoniais. b) Deve o princípio ser considerado para avaliar a gravidade de condutas que geraram aplicações de penalidades ao empregado. Isso significa que o juiz deve considerar, ao examinar as punições aplicadas ao trabalhador, se elas eram adequadas diante das peculiaridades do caso concreto. Não se pode aplicar uma punição grave para uma infração leve. Por exemplo, a aplicação de penalidade de desídia em virtude de uma única falta de traba- lhador, como regra, não pode ser qualificada grave o suficiente para a imposição de justa causa: JURISPRUDÊNCIA DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA. DESÍDIA. FALTA INJUSTIFICADA. AUSÊNCIA DE GRADA- ÇÃO DE PUNIÇÃO. (...) Com efeito, a rescisão por justa causa é medida a ser utilizada apenas em casos graves, como na reiteração do descumprimento dos deveres legais e contratuais do empregado ou como sanção negativa em razão de determinada conduta crítica que impeça o prosseguimento da relação de emprego por quebra de confiança. No caso, a reclamada, ao rescindir o contrato de emprego por justa causa em razão de uma única conduta, qual seja, falta ao trabalho no dia 04/10/2014, não observou a gradação das penalidades nem o princípio da proporcionalidade. Nesse contexto, correta a deci- são regional que manteve a conclusão da sentença no sentido de que houve rigor exces- sivo do empregador ao aplicar a penalidade máxima, uma vez que a conduta descrita no acórdão regional não caracteriza desídia grave a ponto de inviabilizar a manutenção da relação de emprego (AIRR-1471-59.2015.5.11.0013,2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 26/06/2020). c) A regularidade das medidas adotadas no exercício do poder diretivo e do poder fiscali- zatório pressupõe razoabilidade. O empregador, ao definir a forma de produção, a distribuição de tarefas e a organização do empreendimento, deve agir com proporcionalidade. Se não o fizer, a violação pode ser conside- rada exercício abusivo do poder patronal, gerando a possibilidade de controle judicial. Veja um julgado: JURISPRUDÊNCIA XII – Ocorre que prevalece nesta Corte o entendimento de que a revista realizada com moderação e razoabilidade não caracteriza abuso de direito ou ato ilícito, constituindo, na realidade, exercício regular do direito do empregador inerente ao seu poder diretivo e de fiscalização. Precedentes da SBDI-1 (RR-566-44.2015.5.19.0009, 5ª Turma, Relator Minis- tro Antonio Jose de Barros Levenhagen, DEJT 23/06/2017). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 27 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 1.10. PrincíPio Da boa-Fé As partes em um contrato de trabalho devem agir com lealdade e colaboração recíproca no ajuste, execução e término do pacto laboral. Aplica-se tanto ao empregado quanto ao empregador. O princípio alcança qualquer aspecto contratual e ressalta o valor ético nas relações de trabalho. Essa boa-fé cuida de princípio geral do direito e deve ser tanto subjetiva como objetiva. A boa fé subjetiva envolve a própria intenção das partes. Por exemplo, eventual intenção do empregador de forçar o empregado a pedir demissão mediante alteração da jornada do empre- gado do período noturno para o diurno, quando ciente de que o novo horário é incompatível com o horário de outro trabalho (outro emprego do profissional) configura má-fé subjetiva. No caso da boa-fé objetiva, esse aspecto envolve o conteúdo do próprio ajuste contratu- al e desenvolvimento da relação de trabalho. Assim, no curso do contrato, as partes devem respeitar a expectativa legítima que um cria no outro no sentido de que cumprirão suas obri- gações e não violarão a confiança da outra parte. Trata-se de padrão ético de comportamento das partes envolvidas. Definido no ajuste que o empregado perceberá salário fixo como forma de pagamento de salário, eventual novo ajuste promovido pelo empregador para substituir o salário fixo por comissões não pode implicar redução salarial. O princípio explica regras claras como o art. 422 do Código Civil: Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. Veja um julgado do TST sobre a boa-fé objetiva: JURISPRUDÊNCIA ESTABILIDADE PRÉ-APOSENTADORIA. DISPENSA OBSTATIVA. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA. A cláusula geral de boa-fé objetiva, prevista nos artigos 113 e 422 do Código Civil, representa regra de valoração da conduta das partes como honesta, correta e leal e induz expectativa legítima nos contratantes, especialmente hipossuficientes. A atitude do empregador, de dispensar o empregado apenas 4 (quatro) meses antes de adquirir o direito à estabilidade pré-aposentadoria, representa violação a esse dever geral de con- duta e torna este último credor das diferenças postuladas, porque manifestamente obsta- tiva ao direito à garantia em questão. Ademais, especificamente sobre a matéria, a SBDI-1 desta Corte, no julgamento do E-ED-RR-968000-08.2009.5.09.0011, fixou entendimento no sentido de que “[se] presume [...] obstativa à estabilidade pré-aposentadoria prevista em norma coletiva a dispensa imotivada do empregado ocorrida até 12 meses antes da aquisição do direito”. Decisão regional que merece reforma. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento (RR-1338-23.2013.5.09.0084, 7ª Turma, Relator Minis- tro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 19/06/2020). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 28 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 1.11. PrincíPio Da não Discriminação Todos os trabalhadores merecem tratamento isonômico (art. 5º, I, da CF), vedada a prática de qualquer medida discriminatória não aceitável constitucionalmente. No Direito do Traba- lho, é extremamente relevante o disposto no art. 1º da Lei n. 9.029/1995: Lei n. 9.029/95, Art. 1º É proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de trabalho, ou de sua manutenção, por motivo de sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, deficiência, reabilitação profissional, idade, entre outros, ressalvadas, nesse caso, as hipóteses de proteção à criança e ao adolescente previstas no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal. Aliás, o combate ao preconceito é elencado como um dos fundamentos da República Bra- sileira, na forma do art. 3º, IV, da CF: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. O Brasil ratificou a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O instru- mento internacional versa sobre o combate da discriminação em matéria de emprego ou profissão. Veja o conteúdo do art. 1º da Convenção: Artigo 1º 1. Para fins da presente convenção, o termo “discriminação” compreende: a) Toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião política, as- cendência nacional ou origem social, que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportu- nidades ou de tratamento em matéria de emprego ou profissão; b) Qualquer outra distinção, exclusão ou preferência que tenha por efeito destruir ou alterar a igual- dade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão, que poderá ser especi- ficada pelo Membro interessado depois de consultadas as organizações representativas de empre- gadores e trabalhadores, quando estas existam, e outros organismos adequados. 2. As distinções, exclusões ou preferências fundadas em qualificações exigidas para um determina- do emprego não são consideradas como discriminação. 3. Para os fins da presente convenção as palavras “emprego” e “profissão” incluem o acesso à for- mação profissional, ao emprego e às diferentes profissões, bem como as condições de emprego. Registre-se que, conforme item 2 do art. 1º, não há discriminação quando as diferenciações são baseadas nas qualificações exigidas para o emprego. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 29 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Ressalte-se que a Constituição, especificamente no âmbito trabalhista, edita normas com cristalino objetivo de combater a discriminação. Apenas para ilustrar, observe o art. 7º, XXX, XXXI e XXXII, da CF: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivode sexo, idade, cor ou estado civil; XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; XXXII – proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissio- nais respectivos. Contudo, o operador do Direito deve compreender que existem casos em que a diferen- ciação é constitucionalmente aceitável. Trata-se de uma aferição objetiva do caso concreto frente à Constituição Federal. Por exemplo, imagine que uma empresa prestadora de serviços em uma penitenciária fe- minina tenha que contratar empregados para atuar na limpeza de banheiros e vestiários, sendo que o serviço deverá ser eventualmente realizado inclusive na presença das detentas. Ora, a empresa poderia buscar a contratação somente de mulheres, porquanto a contratação de ho- mens imporia, durante a prestação de serviços, constrangimento absolutamente inaceitável para as presas (porque estamos tratando de banheiros e vestiários). Há impossibilidade de contratação de homens, mas a diferenciação/discriminação é constitucionalmente legítima. Outra ilustração ocorre com as gestantes. É claro que, como regra, elas não podem ser discriminadas nas oportunidades de emprego. No entanto, existem situações em que a con- tratação da empregada gestante poderia gerar risco ao nascituro. Pense em uma empresa cuja atividade laboral no posto de trabalho seja a de experimentador de cerveja ou que maneje produtos com exposição à radioatividade. É por isso que exigem determinadas ressalvas na lei. Veja um exemplo: Art. 373-A. Ressalvadas as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos tra- balhistas, é vedado: II – recusar emprego, promoção ou motivar a dispensa do trabalho em razão de sexo, idade, cor, situação familiar ou estado de gravidez, salvo quando a natureza da atividade seja notória e publi- camente incompatível. Por último, para finalizar o assunto nesse tópico, uma das hipóteses em que se reconhece a ilicitude da discriminação refere-se à dispensa de trabalhadores que possuem doenças gra- ves que geram preconceito. A questão inclusive gerou a necessidade de edição de súmula em que o TST estabeleceu uma presunção: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 30 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA Súmula 443 do TST DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. PRESUNÇÃO. EMPREGADO PORTADOR DE DOENÇA GRAVE. ESTIGMA OU PRECONCEITO. DIREITO À REINTEGRAÇÃO. Presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do vírus HIV ou de outra doença grave que suscite estigma ou preconceito. Inválido o ato, o empregado tem direito à reintegração no emprego (Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27/09/2012). 1.12. PrincíPio Da liberDaDe Do trabalho Esse princípio considera que o ser humano possui o direito e a liberdade de trabalhar, o que pode ser inferido diretamente da Constituição, no art. 5º, XIII: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, (…), nos termos seguintes: XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profis- sionais que a lei estabelecer. Considerando a própria natureza do Estado Democrático de Direito, deve-se reconhecer que o trabalhador é livre, como regra, para desempenhar qualquer trabalho ou ofício, desde que não haja violação a valores caros ao ser humano e consagrados constitucionalmente, além de que deve atender às qualificações profissionais eventualmente exigidas por lei. Essa lógica atende inclusive a um dos fundamentos da República Brasileira, conforme se nota no art. 1º da CF: Art. 1º A República Federativa do Brasil, (…), constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. O art. 170, caput, da CF, ao tratar da ordem econômica, reforça: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social. No entanto, a liberdade do trabalho não é absoluta. Pode haver, para determinados traba- lhos e profissões, requisitos legais e administrativos que devem ser atendidos, tais como ida- de mínima, autorização administrativa etc. Como exemplo, veja o art. 16 da Lei n. 7.102/1983, que trata de vigilante: Art. 16. Para o exercício da profissão, o vigilante preencherá os seguintes requisitos: I – ser brasileiro; II – ter idade mínima de 21 (vinte e um) anos; III – ter instrução correspondente à quarta série do primeiro grau; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 31 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles IV – ter sido aprovado em curso de formação de vigilante, realizado em estabelecimento com fun- cionamento autorizado nos termos desta lei; V – ter sido aprovado em exame de saúde física, mental e psicotécnico; VI – não ter antecedentes criminais registrados; e VII – estar quite com as obrigações eleitorais e militares. Nesse ponto, surge uma questão: será que a exigência, para ser válida, depende de previ- são em lei ou em ato administrativo? O TST entende que a exigência de atendimento de determinados requisitos para admissão no emprego não precisa estar expressa em norma legal ou administrativa, bastando que haja razoabilidade nessa estipulação. Para melhor elucidar a questão, recorde-se do debate sobre a possibilidade de exigência de certidão de antecedentes criminais para contratação. Na grande maioria das vezes, não há qualquer previsão legal ou administrativa que autorize sua exigência. No entanto, consideran- do a natureza do trabalho ou grau de confiança exigido, o TST aceita a exigência como legíti- ma. Veja a Tese do tema repetitivo n. 1: JURISPRUDÊNCIA Tese do Tema Repetitivo 1 do TST (item II) II – a exigência de Certidão de Antecedentes Criminais de candidato a emprego é legítima e não caracteriza lesão moral quando amparada em expressa previsão legal ou justifi- car-se em razão da natureza do ofício ou do grau especial de fidúcia exigido, a exemplo de empregados domésticos, cuidadores de menores, idosos ou deficientes (em creches, asilos ou intuições afins), motoristas rodoviários de carga, empregados que laboram no setor da agroindústria no manejo de ferramentas de trabalho perfurocortantes, bancá- rios e afins, trabalhadores que atuam com substâncias tóxicas, entorpecentes e armas, trabalhadores que atuam com informações sigilosas. Vencidos parcialmente os Exmos. Ministros Augusto César de Carvalho, relator, Aloysio Corrêa da Veiga, Walmir Oliveira da Costa e Cláudio Mascarenhas Brandão, que não exemplificavam. Claro que isso não significa que em todo e qualquer trabalho possa ser exigida certidão de antecedentes criminais. Pelo contrário, se essa exigência não se justificar em razão de lei, na- tureza do ofício ou grau de fidúcia exigido ou se tratar de exigência meramente discriminatória, haverá dano moral: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilizaçãocivil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 32 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA Tese do Tema Repetitivo 1 do TST (itens I e III) I – não é legítima e caracteriza lesão moral a exigência de Certidão de Antecedentes Crimi- nais de candidato a emprego quando traduzir tratamento discriminatório ou não se justifi- car em razão de previsão de lei, da natureza do ofício ou do grau especial de fidúcia exigido. III – a exigência de Certidão de Antecedentes Criminais, quando ausente alguma das justificativas de que trata o item II, supra, caracteriza dano moral in re ipsa, passível de indenização, independentemente de o candidato ao emprego ter ou não sido admitido. Por outro lado, resta óbvio que não se podem aceitar exigências patronais arbitrárias e descabidas. Veja o caso da exigência de certidão negativa de restrição de crédito para a função de vigilante: JURISPRUDÊNCIA RECURSO DE REVISTA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VIGILANTES. EDITAL DE LICITAÇÃO. DIS- CRIMINAÇÃO. Discute-se, in casu, a legalidade da cláusula contida em edital de licitação, na qual se prevê a impossibilidade de contratação, pela empresa terceirizada, de vigilante que apresentar restrição creditícia, mediante consulta em serviços de proteção ao cré- dito. (…) No caso concreto, a situação financeira do empregado vigilante não tem vincu- lação com o serviço a ser prestado, tampouco atesta a idoneidade do empregado, o que demonstra se tratar de eleição de fator arbitrário para a seleção dos vigilantes a serem contratados. Por outro lado, dispõe-se no art. 5º, XIII, da Constituição Federal que é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissio- nais que a lei estabelecer. Da exegese da Lei n. 7.102/1983, que disciplina a função de vigilante, não se constata a previsão de restrição ao seu exercício, no caso de débito regis- trado nos serviços de proteção ao crédito. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento (RR – 123800-10.2007.5.06.0008, Relator Ministro: Pedro Paulo Manus, Data de Julgamento: 14/12/2011, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 03/02/2012). 1.13. PrincíPio Da isonomia Por esse princípio, devem ser reconhecidos os mesmos direitos àqueles que se encontram na mesma situação jurídica, desde que não exista uma razão plausível de diferenciação. Essa isonomia pode ser vista em diversos dispositivos constitucionais e infraconstitucio- nais, tais como: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 33 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasi- leiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualda- de, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (…) Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXXIV – igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o traba- lhador avulso. Art. 460. Na falta de estipulação do salário ou não havendo prova sobre a importância ajustada, o empregado terá direito a perceber salário igual ao daquela que, na mesma empresa, fizer serviço equivalente ou do que for habitualmente pago para serviço semelhante. Art. 461. Sendo idêntica a função, a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, no mesmo estabelecimento empresarial, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade. Como se percebe, a igualdade salarial é uma das manifestações da isonomia. No entanto, existem parcelas que, mesmo não tendo natureza salarial, também devem atender ao princípio da isonomia. Veja, por exemplo, a participação em lucros e resultados: JURISPRUDÊNCIA Súmula 451 do TST PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. RESCISÃO CONTRATUAL ANTERIOR À DATA DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. PAGAMENTO PROPORCIONAL AOS MESES TRA- BALHADOS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Fere o princípio da isonomia instituir vantagem mediante acordo coletivo ou norma regu- lamentar que condiciona a percepção da parcela participação nos lucros e resultados ao fato de estar o contrato de trabalho em vigor na data prevista para a distribuição dos lucros. Assim, inclusive na rescisão contratual antecipada, é devido o pagamento da par- cela de forma proporcional aos meses trabalhados, pois o ex-empregado concorreu para os resultados positivos da empresa (conversão da Orientação Jurisprudencial n. 390 da SBDII) (Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014). Além disso, o princípio da isonomia também se irradia para além da renda do trabalhador, sendo aplicável em outras searas como o poder disciplinar, por exemplo. Esse princípio da isonomia é o fundamento que justifica o princípio da simetria das penas em relação ao exer- cício do poder disciplinar. Logo, não pode o empregador, como regra, punir de forma diferente empregados de mesmo nível hierárquico quando praticaram o mesmo tipo de irregularidade. Observe uma aplicação do princípio isonômico em matéria disciplinar: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 34 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA INCIDÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 40/2016. DISPENSA POR JUSTA CAUSA. REVERSÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Na hipótese, o quadro fático consignado pelo Tri- bunal Regional revela que a reclamante foi dispensada por justa causa com fundamento no artigo 482, “j”, da CLT, por ter, junto com outra empregada, agredido fisicamente uma colega de trabalho. Ainda, consta que a vítima da agressão participou apenas de uma dis- cussão verbal com uma das autoras. Diante de tais premissas, insuscetíveis de reexame nesta seara recursal, não há que se falar em ofensa ao Princípio da Isonomia, pois, como registrado pela Corte de origem, as atitudes das empregadas não tiveram a mesma gra- vidade. Com efeito, enquanto a reclamante cometeu uma agressão física, a outra empre- gada, vítima dessa agressão, participou apenas de uma discussão verbal. Assim, ausente a igualdade de condições que ensejaram a dispensa da reclamante, a não aplicação de pena à outra empregada não configura tratamento discriminatório ou contrário à isono- mia. Agravo de instrumento a que se nega provimento (ARR-764-73.2011.5.12.0023, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 08/06/2018). Uma ponderação merece ser feita. É evidente que estamos falando da isonomia material (ou real). É o famoso axioma “tratar os desiguais desigualmente”. Dessa forma, havendo uma justificativa constitucionalmente aceitável, pode haver uma diferenciação no tratamento. Esse certamente é o espírito que norteou o legislador ao estabelecer que a mulher pos- sui direito a uma escala de revezamento com uma folga coincidente aos domingos a cada quinzena (art. 386 da CLT) e que o menor de 18 anos trabalhador não pode, como regra, fazer horas extras (art. 413, caput, da CLT), sendo o labor extraordinário apenas em casos excepcionais (art. 413, I e II, da CLT). Assim, é louvável a adoção de políticas ou ações afirmativas, as quais são medidas ou po- líticas que impõem diferenciações importantes para promovera igualdade entre os desiguais. 1.14. PrincíPio Da DigniDaDe Da Pessoa humana Possui matriz constitucional, tendo a dignidade da pessoa humana sido alçada a verdadei- ro fundamento da República Federativa do Brasil, além de nortear a ordem econômica: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III – a dignidade da pessoa humana; Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 35 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles A aplicação prática no âmbito do Direito do Trabalho é imensa. Dentre as aplicações mais co- muns, normalmente incide em situações relacionadas aos limites do poder diretivo e à necessi- dade de preservação da higidez física, moral e mental do trabalhador, além de sua subsistência. Ressalte-se que, na primeira jornada de Direito Material e Processual do Trabalho, foi a aprovado o enunciado n. 1, que trata justamente desse princípio: JURISPRUDÊNCIA Enunciado 1 da 1ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO. Os direitos fundamentais devem ser interpretados e aplicados de maneira a preservar a integridade sistêmica da Constituição, a estabilizar as relações sociais e, acima de tudo, a oferecer a devida tutela ao titular do direito fundamental. No Direito do Trabalho, deve prevalecer o princípio da dignidade da pessoa humana. Nesse ponto, apenas para que você possa entender a dimensão da extrema relevância des- se princípio no âmbito laboral, registrem-se diversas aplicações práticas: a) Controles pessoais no emprego: Esses controles devem respeitar a dignidade da pessoa humana, não podendo o direito de propriedade do empregador e seu poder diretivo suplantar a observância desse fundamento constitucional. Veja um caso: JURISPRUDÊNCIA DANO MORAL. REVISTA ÍNTIMA. ÔNUS DA PROVA. A revista pessoal viola a dignidade da pessoa humana e a intimidade do trabalhador, direitos fundamentais de primeira geração que, numa ponderação de valores, têm maior intensidade sobre os direitos de proprie- dade e de autonomia da vontade empresarial. Além disso, é evidente a opção axiológica adotada pelo constituinte de 1988 da primazia do SER sobre o TER; da pessoa sobre o patrimônio; do homem sobre a coisa. No caso, depreende-se do acórdão regional que a ré realizava revista pessoal em seus empregados (RR-195-32.2010.5.09.0010, 7ª Turma, Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 23/03/2018). b) Limitações de jornada, intervalos intrajornada e intervalos interjornada são relevantes para preservar a dignidade da pessoa humana, porque estão diretamente relacionados com a recuperação física e psíquica. Veja uma aplicação prática: JURISPRUDÊNCIA Dessa maneira, uma gestão empregatícia que submeta o indivíduo a reiterada e con- tínua jornada extenuante, que se concretize muito acima dos limites legais, em dias O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 36 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles sequenciais, agride todos os princípios constitucionais acima explicitados e a própria noção estruturante de Estado Democrático de Direito. Se não bastasse, essa jornada gravemente excessiva reduz acentuadamente e de modo injustificável, por longo perí- odo, o direito à razoável disponibilidade temporal inerente a todo indivíduo, direito que é assegurado pelos princípios constitucionais mencionados e pelas regras cons- titucionais e legais regentes da jornada de trabalho. Tal situação anômala deflagra, assim, o dano existencial, que consiste em lesão ao tempo razoável e proporcional, assegurado pela ordem jurídica, à pessoa humana do trabalhador, para que possa se dedicar às atividades individuais, familiares e sociais inerentes a todos os indivíduos, sem a sobrecarga horária desproporcional, desarrazoada e ilegal, de intensidade repe- tida e contínua, em decorrência do contrato de trabalho mantido com o empregador. No presente caso, ficou demonstrado que o Autor estava sujeito a jornada de trabalho extenuante, restando configurado o dano existencial reconhecido pelas Instâncias Ordinárias. Recurso de revista não conhecido (RR-352-25.2015.5.17.0101, 3ª Turma, Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, DEJT 13/03/2020). c) Respeito às opiniões pessoais do trabalhador, o qual possui liberdade de crença, consci- ência e liberdade ideológica. A Constituição Federal inclusive consagra esse direito fundamental: Art. 5º VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cul- tos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; Portanto, a violação desses direitos implica vulneração da própria dignidade da pessoa humana. d) Preservação do salário com pagamento realizado no tempo ajustado. O caráter ali- mentar do salário mostra sua essencialidade para o trabalhador. Logo, considerando a neces- sidade de subsistência própria e de sua família, o TST entende que a mora (o atraso) salarial reiterada viola a dignidade da pessoa humana: JURISPRUDÊNCIA RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI N. 13.015/2014. 1. INDENIZA- ÇÃO POR DANO MORAL DECORRENTE DE MORA SALARIAL – CARACTERIZAÇÃO. IX – Com base nessas digressões doutrinárias, acha-se materializado o dano moral decor- rente do ato culposo, consubstanciado no pagamento atrasado dos salários dos meses de janeiro (19 dias), fevereiro, março e abril de 2013, reputado verídico pela aplicação da confissão ficta, em razão de ele implicar abalo aos valores inerentes à dignidade da O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 37 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles pessoa humana, consistentes, dentre outros, na aflição psicológica do empregado com a dificuldade de fazer frente às despesas para a manutenção de si próprio e de sua família. X – Nesse sentido, consolidou-se a jurisprudência da SBDI-1 desta Corte, pois compro- vado o reiterado descumprimento, por parte do empregador, da obrigação de pagar salá- rios ao empregado, resta configurado o dano moral. XI – Firmou-se, assim, o entendimento de que o atraso no pagamento dos salários é capaz de gerar lesão de ordem psíquica no trabalhador, relacionada à aptidão de honrar compromissos assumidos e de prover o sustento próprio e da família (RR – 1256- 64.2013.5.04.0008, Relator Ministro: Antonio José de Barros Levenhagen, Data de Julga- mento: 11/05/2016,5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 13/05/2016). e) Preservação da saúde. O legislador constituinte assegura a saúde como direito funda- mental do trabalhador: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; Claro que sua violação contraria a própria condição humana, a qual pressupõe cuidado pa- tronal com a integridade física, mental e moral do trabalhador. Veja o seguinte julgado do TST: JURISPRUDÊNCIA DANOS MORAIS. ASSÉDIO MORAL. TRANSFERÊNCIA. MÁS CONDIÇÕES DE TRABALHO. (...) Consta ainda que tal local de trabalho apresentava péssimas condições de higiene, com vazamentos de água e esgoto, ambiente com mofo, além da existência de ratos e baratas, “evidenciando a exposição de sua saúde a todos os riscos que, por conse- quência, violou-lhe a esfera íntima, em sua honra e dignidade como pessoa humana”. Diante dos graves fatos narrados no acórdão regional, relativos à situação de humilhação e desrespeito por que passou a reclamante, o consequente dano moral é considerado in re ipsa, já que decorre da própria natureza dos fatos ocorridos, prescindindo, assim, de prova da sua ocorrência, em virtude de ele consistir em ofensa a valores humanos, bas- tando a demonstração do ato ilícito ou antijurídico em função do qual a parte afirma tê-lo sofrido (RR – 142800-26.2006.5.01.0022, Relator Ministro: José Roberto Freire Pimenta, Data de Julgamento: 25/02/2015, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 06/03/2015). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 38 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles f) Tratamento pessoal dispensado aos trabalhadores deve ser urbano e respeitar a con- dição humana. O trabalhador não pode ser submetido a constrangimentos ou situações ve- xatórias, devendo ser tratado com respeito e urbanidade, da mesma forma que deve respeito e tratamento adequado ao tomador de serviços. Veja julgado em que o TST deixa claro que houve violação da dignidade pelo tratamento ilegal dado pelo superior hierárquico: JURISPRUDÊNCIA 2. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ASSÉDIO MORAL. CONFIGURAÇÃO. VALOR. Trata- mento urbano e respeitoso é dever legal e contratual das partes no âmbito trabalhista. Excessos ao razoável, por parte do empregador, atentam contra a dignidade da pessoa humana, princípio assegurado no art. 1º, III, da Carta Magna e um dos pilares da Repú- blica Federativa do Brasil. Comprovado o assédio, devida a pretensão reparatória. Agravo de instrumento conhecido e desprovido (AIRR-21072-10.2015.5.04.0025, 3ª Turma, Rela- tor Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, DEJT 06/03/2020). g) Condições de trabalho devem ser oferecidas de maneira adequada a atender o míni- mo das necessidades do ser humano. É proibido, inclusive constitucionalmente, submeter qualquer ser humano a tratamento degradante. No sentido do exposto, o TST combate qual- quer labor degradante a que o ser humano esteja sujeito, valorizando a dignidade assegura- da na Carta Magna. Leia esse julgado: JURISPRUDÊNCIA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE SANITÁRIOS E LOCAL ADEQUADO PARA ALIMENTAÇÃO. Verifica-se do acórdão recorrido que a prova testemunhal corro- borou as alegações do reclamante de que as refeições eram feitas no interior do veículo de coleta de lixo, não havendo torneira no caminhão para higienização das mãos, além da ausência de disponibilização de sanitários. Por tais razões, a Corte regional concluiu que foi demonstrada a violação do direito à dignidade da pessoa humana, e deferiu ao reclamante indenização por danos morais no importe de R$ 7.000,00. A decisão encon- tra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que submissão de empregados a condições precárias de trabalho viola a dignidade da pessoa humana, maculando a honra e a autoestima e ensejando o dever de indenizar, nos termos do artigo 5º, X, da CF/1988 (ARR-1258-09.2014.5.04.0102, 2ª Turma, Relatora Ministra Maria Helena Mallmann, DEJT 07/08/2020). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 39 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 2. Fontes Do Direito Do trabalho 2.1. Fontes Formais e materiais As fontes do Direito do Trabalho podem ser formais ou materiais. As fontes formais constituem a forma como as normas jurídicas se exteriorizam, isto é, refle- tem no meio social. Podemos resumir as fontes formais do Direito do Trabalho em seis grupos: a) Normas estatais: são aquelas oriundas do Estado. Exemplo dessas são a Constituição, as leis, os decretos etc. b) Normas internacionais: são produzidas por organismo internacional ou mediante a conjuga- ção de vontade da República Federativa do Brasil com Estado estrangeiro. Ilustrando essa catego- ria estão as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e tratados internacionais. c) Normas coletivas: gênero que inclui as convenções e os acordos coletivos de trabalho. d) Regulamento da empresa: conjunto de regras que a empresa voluntariamente adota para reger sua atividade, vinculando a empresa e integrando o contrato de trabalho. Aqui cabe uma ponderação: alguns doutrinadores não consideram o regulamento como fonte do Direito, seja porque ele é editado de maneira unilateral, seja porque sua natureza seria de cláusula contratual e não de norma jurídica. Por essa linha, as normas jurídicas seriam do- tadas, como regra, de impessoalidade, abstração e generalidade, diferentemente do que ocorre com as cláusulas contratuais. Por outro lado, existe uma corrente que defende que existem direitos, interpretações e obri- gações derivados dos regulamentos, o que os torna fonte de Direito. e) Contrato de trabalho: regras adotadas pelas partes contratantes. Contudo, reitere-se, mais uma vez, que existem aqueles que entendem que a cláusula contratual não é fonte de Direito. f) Costumes: são práticas sociais repetidas que alcançam caráter de obrigatoriedade implí- cita no meio comunitário. Este meio pode ser a própria empresa que, tacitamente, ajusta con- dições de trabalho que assumiram a condição de verdadeiros costumes internos. Nesse ponto importante lembrar que alguns doutrinadores consideram os usos também fonte do direito. Usos são ocorrências habituais inseridas em uma relação de trabalho específica. Os cos- tumes são mais amplos e abrangem uma região, categoria ou um empregador como um todo. Quanto à sua origem ou formação, as fontes formais podem ser heterônomas ou autônomas. As fontes heterônomas são produzidas por um terceiro à relação social a ser disciplinada, em geral o Estado, sem a participação direta dos destinatários da norma jurídica. O terceiro define as normas que regerão a relação jurídica. São fontes formais heterônomas: a Constituição Federal, leis ordinárias e complementares, medidas provisórias, decretos, a sentença normativa, a sentença arbitral em litígio coletivo, tratados e convenções internacionais ratificados no Brasil. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciadopara Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 40 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Registre-se, por oportuno, que sentença normativa é o nome que se dá a uma decisão do TRT ou do TST em um dissídio coletivo que julga o mérito e fixa cláusulas que irão reger as relações de trabalho. De forma extremamente simples (esse não é o momento oportuno para detalhes), nessa ação, o Tribunal estabelece normas sobre condições de trabalho, direitos e deveres dos trabalhadores e empresa(s). Vamos entender melhor. Suponha que o sindicato dos trabalhadores na indústria de Minas Gerais queira um reajus- te de 15% e o sindicato das indústrias queria conceder apenas 2%. Se não chegam sozinhos em um consenso, pode haver o ajuizamento de dissídio coletivo, quando, então, o Estado (atra- vés Poder Judiciário) decidirá e estabelecerá as normas. Assim, o TRT da 3ª Região (MG) que decidirá qual será o reajuste, cabendo recurso para o TST. As fontes formais autônomas são aquelas cuja produção normativa conta com a partici- pação imediata dos atores sociais destinatários da regra. Os próprios envolvidos na aplicação da norma é que promovem a sua criação. São fontes autônomas o costume, a convenção coletiva de trabalho e o acordo coletivo de trabalho. Citem-se, ainda, como fontes autônomas, o contrato de trabalho e o regulamen- to de empresa, muito embora haja divergência acerca da caracterização destas categorias como fontes formais. Nesse particular, ressalte-se que as normas previstas na Convenção Coletiva de Trabalho valem para toda a categoria, quer dizer, todos os trabalhadores e empresas que integram a categoria. Observe o art. 611, caput, da CLT: Art. 611. Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. Logo, se o sindicato de professores assina convenção coletiva com o sindicato dos esta- belecimentos de ensino (patronal), todas as escolas e todos os professores, independente- mente de serem ou não filiados, serão regidos por essa fonte do Direito. Lembre-se de que o trabalhador pode não ser filiado a uma entidade sindical, mas continua integrando a categoria representada pelo sindicato. Por outro lado, em um acordo coletivo desse sindicato com uma escola, os professores dessa escola específica, independentemente de serem filiados ao sindicato, serão regidos pelo Acordo. Leia o art. 611, § 1º, da CLT: Art. 611. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coleti- vos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 41 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles As fontes materiais, por seu turno, seriam os fatos sociais, históricos, religiosos, políticos, ge- opolíticos e econômicos que interferem na produção das normas. Servem de parâmetro para infor- mar o legislador e também como ponto de partida de algumas soluções dadas ao caso concreto. Uma pandemia provoca fatos sociais e econômicos tão relevantes que gera a necessidade de produção de normas jurídicas. Trata-se de uma fonte material. 2.2. Fontes estatais e não estatais As fontes estatais são aquelas em que as normas derivam do Estado, no seu sentido am- plo. Podem ter origem legislativa, administrativa e judicial. As leis e medidas provisórias são fontes estatais. A sentença normativa é uma fonte esta- tal. São exemplos. As fontes não estatais ou extraestatais são aquelas que derivam de outras origens dife- rentes da estatal. As convenções coletivas, os acordos coletivos e o contrato de trabalho (este último para quem defende que é fonte) são ilustrações de fontes não estatais. 2.3. Fontes PrinciPais e subsiDiárias Existe, ainda, uma outra classificação que divide as fontes em principais e subsidiárias. As fontes principais regulam diretamente os institutos componentes do Direito do Trabalho, ao passo que as fontes subsidiárias servem para solucionar os litígios em situação de lacu- nas no ordenamento jurídico laboral. Logo, se não há norma clara nas leis trabalhistas, pode-se buscar solução nos demais instrumentos do Direito, os quais passam a ser fontes subsidiárias. Registre-se que alguns doutrinadores chamam as fontes subsidiárias de fontes supletivas. Nesse ponto, é essencial conhecer o art. 8º, caput e § 1º da CLT: Art. 8º As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. § 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. Quanto se menciona o Direito Comum, resta evidente que se trata dos demais instrumentos normativos de Direito, como ocorre com o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor, por exemplo. No entanto, o Direito Comum apenas é fonte subsidiária quando existe compati- bilidade com o Direito do Trabalho. Veja um exemplo de norma do Código Civil que é incompatível com o Direito do Trabalho: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 42 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 940 DO CÓDIGO CIVIL À RELAÇÃO DE EMPREGO (alega- ção de violação aos artigos 8º da CLT, 940 do Código Civil e 93, IX, da CF/88 e divergência jurisprudencial). A norma prevista no artigo 940 do Código Civil que impõe o pagamento de indenização em dobro, em favor do empregador, pela cobrança de dívida já paga, não se aplica à relação de emprego, já que incompatível com um de seus princípios funda- mentais, que é o da proteção, que confere tratamento mais benéfico aos trabalhadores, ante a sua condição de hipossuficiência em relação ao empregador. Recurso de revista não conhecido (RR-165-28.2011.5.02.0019, 7ª Turma, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, DEJT 28/08/2020). De toda sorte, quando se analisa o art. 8º, surge uma dúvida: será que a jurisprudência, a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade são fontes do direito? Aqui existe uma divergência doutrinária. Existem aqueles (primeira corrente) que defen- dem que são apenas meios de suprir as lacunas da norma trabalhista (meios de integração). Existe uma segunda corrente que defende que são fontes subsidiárias. E há uma terceira cor- rente que defende que apenas parte deles são fontes e a outra parte são meios de integração. 002. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) O ar- tigo 8º da Consolidaçãodas Leis do Trabalho elenca algumas fontes subsidiárias ou supletivas do Direito do trabalho, NÃO se incluindo a) direito comparado. b) jurisprudência. c) analogia. d) usos e costumes. e) convenção coletiva de trabalho. A convenção coletiva não é uma fonte supletiva, mas uma fonte principal, primária do Direito do Trabalho. Logo, este é o item claramente errado. Letra e. 2.4. hierarquia Das Fontes Qual fonte deve ter prevalência? Qual regramento fica em posição superior no Direito do Trabalho? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 43 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles No Direito do Trabalho, prevalece o critério da norma mais favorável. Assim, em regra, não importa se norma é convenção coletiva, contrato de trabalho, lei, ou mesmo a Constituição. O importante é a norma mais favorável. Ressalte-se que o princípio da norma mais favorável foi estudado no capítulo anterior. Logo, se houver uma norma mais vantajosa no contrato de trabalho do que na Convenção Coletiva, então, prevalece o contrato de trabalho. Se houver uma norma mais vantajosa na con- venção coletiva do que Constituição prevalece a norma coletiva. Portanto, o critério é plástico, ou seja, não é fixo. Entretanto, algumas ressalvas (exceções) precisam ser mencionadas: a) Acordo coletivo x convenção coletiva Com a reforma trabalhista (Lei n. 13.467/17), o art. 620 da CLT foi alterado de maneira que o acordo coletivo sempre prevalece sobre a convenção coletiva. De acordo com a reforma, não importa se a regra da convenção é mais vantajosa, porquanto não foi feita qualquer res- salva no dispositivo: Art. 620. As condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho. b) Contrato de trabalho x norma coletiva (ACT ou CCT) É verdade que as normas mais vantajosas do contrato prevalecem sobre as normas cole- tivas, mas existe uma exceção. Se a norma coletiva proibir determinada situação, não pode o contrato contrariar a norma coletiva. Não importa se a regra do contrato é mais vantajosa. É que nesse caso incide o art. 619 da CLT: Art. 619. Nenhuma disposição de contrato individual de trabalho que contrarie normas de Conven- ção ou Acordo Coletivo de Trabalho poderá prevalecer na execução do mesmo, sendo considerada nula de pleno direito. c) Contrato de trabalho envolvendo empregado com diploma de nível superior e salário mensal significativo O art. 444, parágrafo único, da CLT prevê, em relação às matérias previstas no art. 611-A da CLT, a prevalência do pactuado individualmente sobre o que consta na lei e na norma cole- tiva quando o trabalhador possui diploma de curso superior e recebe salário mensal igual ou maior que o dobro do limite máximo dos benefícios do regime geral da previdência: Art. 444. As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes inte- ressadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 44 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Isto significa que, em relação àquelas matérias do art. 611-A da CLT, as cláusulas contra- tuais ajustadas com esse trabalhador com diploma de nível superior e salário significativo, em regra, prevalecem, mesmo que a norma coletiva ou a lei preveja situação mais vantajosa. d) Decreto regulamentar x lei Quando existe uma lei, nada impede que haja a edição de um decreto regulamentar, tam- bém conhecido como decreto de execução ou regulamento de execução. Esse decreto é expe- dido pelo Chefe do Executivo na forma do art. 84, IV, da Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Aqui cabe um cuidado. Esse decreto não pode inovar no mundo jurídico. Não pode criar direito novo, mas explicar e operacionalizar a lei regulamentada. Se o Decreto ultrapassar os limites da lei, mesmo que criando direito mais vantajoso, é ilegal. e) Norma coletiva x Lei O art. 611-A da CLT consagrou a ideia da prevalência do negociado sobre o legislado: Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (...) A nova regra assegura a prevalência da norma coletiva sobre a lei em relação de diversas matérias, apresentando um rol exemplificativo. Perceba que essa prevalência não foi condi- cionada a que haja norma coletiva mais favorável. Isso significa que a norma coletiva poderia prever vantagens inferiores à lei e, ainda assim, a norma coletiva prevaleceria. f) Valores e direitos tutelados pela Constituição x qualquer outro regramento Os valores e direitos tutelados na Constituição não podem ser retirados ou flexibilizados, exceto para manter princípios e regras previstos na própria Constituição. Assim, não adianta, por exemplo, o contrato de trabalho estabelecer direitos ao trabalhador contratado pela Administração Pública sem concurso público, uma vez que a Constituição considera nulo esse contrato (art. 37, II e § 2º, da CLT). Logo, serão devidos apenas o saldo de salário e o FGTS, conforme Súmula 363 do TST: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 45 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles JURISPRUDÊNCIA Súmula 363 do TST CONTRATO NULO. EFEITOS (nova redação). A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes aos depósitos do FGTS (Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 46 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles RESUMO Foco Linha Mestra In dubio pro operario 1 – Na dúvida sobre a interpretação de uma norma, deve-se considerar a interpretação que seja mais favorável ao trabalhador. 2 – O princípionão é absoluto. Não pode ser aplicado em matéria probatória ou se houver regra expressa contrária. Norma mais favorável ao trabalhador 1 – Havendo diversas normas sobre o mesmo tema, deve-se aplicar aquela norma mais favorável ao trabalhador. 2 – Há três teorias para sua aplicação: acumulação; conglobamento; e conglobamento mitigado ou por instituto. 3 – Existem exceções ao princípio, isto é, situações em que pode prevalecer uma norma menos favorável. Inalterabilidade contratual lesiva 1 – Estabelecida uma determinada vantagem ou condição para o trabalhador na formação ou no curso do contrato de trabalho, as alterações posteriores apenas podem ocorrer validamente, como regra, se mais benéficas ao obreiro. 2 – As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. Irredutibilidade de salários 1 – Salário não pode sofrer redução, excetuada a hipótese de previsão em norma coletiva. 2 – A eliminação da condição, permite a supressão do salário-condição sem que haja violação ao princípio. Integridade ou intangibilidade salarial 1 – Empregador não pode realizar descontos no salário do empregado, como regra. 2 – Há exceções, sendo os descontos lícitos quando autorizados em lei, norma coletiva ou adesão individual voluntária de trabalhador a benefício concedido ou contratado pelo empregador. Imperatividade das normas trabalhistas 1 – As normas trabalhistas, em virtude da proteção ao hipossuficiente que elas visam, são imperativas, cogentes, quer dizer, inafastáveis. 2 – Excepcionalmente, a lei prevê que as partes podem estabelecer regras distintas daquela prevista em lei (normas dispositivas). 3 – Com a reforma trabalhista, esse princípio foi flexibilizado. Continuidade da relação de emprego 1 – A aplicação do Direito considera a necessidade de se buscar a manutenção do vínculo de emprego. 2 – O princípio não é absoluto, havendo situações em que é afastado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 47 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Foco Linha Mestra Primazia da realidade 1 – Trata-se de princípio geral do Direito. Prevalece a realidade dos fatos sobre atos formalizados. 2 – Contudo, o princípio não pode suplantar exigências legais e/ou constitucionais para determinados institutos. Vedação ao enriquecimento sem causa 1 – Trata-se de princípio geral do Direito. Não deve o operador do Direito aceitar o enriquecimento sem um motivo justificável. 2 – Não é um princípio absoluto. Não justifica efeitos trabalhistas quando existe um bem maior tutelado pelo ordenamento sendo prejudicado. Razoabilidade, racionalidade ou proporcionalidade 1 – Trata-se de princípio geral do Direito. Envolve o exame sobre a adequação, a necessidade e/ ou a compatibilidade de condutas de trabalhadores e tomadores de serviço, além de parâmetros para verificar violação de direitos e consequências. Boa-fé 1 – Trata-se de princípio geral do Direito. Pode ser tanto objetiva como subjetiva. A primeira refere-se à expectativa de que as partes cumprirão o esperado pela outra parte no curso do contrato, e a segunda refere-se à intenção das partes. Não-discriminação 1 – Todos os trabalhadores merecem tratamento isonômico, vedada a prática de qualquer medida discriminatória sem fundamento constitucionalmente aceitável. 2 – O Brasil ratificou a Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Liberdade do trabalho 1 – O trabalhador é livre, como regra, para desempenhar qualquer trabalho ou ofício, desde que não haja violação a valores caros ao ser humano e consagrados constitucionalmente, além de que deve atender as qualificações profissionais exigidas. 2 – O princípio não é absoluto, havendo possibilidade de exigências para o desempenho de certos trabalhos. 3 – O TST entende que a exigência de atendimento de determinados requisitos para admissão no emprego não precisa estar expressa em norma legal ou administrativa, bastando que haja razoabilidade nessa estipulação. Dignidade da pessoa humana 1 – Trata-se de princípio constitucional, verdadeiro fundamento da República. 2 – Possui inúmeras aplicações no Direito do Trabalho, normalmente relacionado com limites do poder diretivo e necessidade de preservação da higidez física, moral e mental do trabalhador, além de sua subsistência. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 48 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Foco Linha Mestra Isonomia 1 – Devem ser reconhecidos os mesmos direitos àqueles que se encontram na mesma situação jurídica, desde que não exista uma razão plausível de diferenciação. 2 – A isonomia é material e não formal. Fontes do Direito do Trabalho 1 – As fontes formais constituem a forma como as normas jurídicas se exteriorizam, isto é, refletem no meio social. 2 – Fontes formais dividem-se em: normas estatais, normas internacionais, normas coletivas, regulamento de empresa, contrato de trabalho e costumes. Há uma corrente que defende que os contratos e regulamentos não são fontes. 3 – As fontes formais podem ser heterônomas ou autônomas. 4 – As fontes heterônomas são produzidas por um terceiro à relação social a ser disciplinada, em geral o Estado, sem a participação direta dos destinatários da norma jurídica. 5 – As fontes formais autônomas são aquelas cuja produção normativa conta com a participação imediata dos atores sociais destinatários da regra. 6 – As fontes materiais, por seu turno, seriam os fatos sociais, históricos, religiosos, políticos, geopolíticos e econômicos que interferem na produção das normas. 7 – As fontes principais regulam diretamente os institutos componentes do Direito do Trabalho, ao passo que as fontes subsidiárias servem para solucionar os litígios em situação de lacunas no ordenamento jurídico laboral. 8 – No Direito do Trabalho, prevalece o critério da norma mais favorável, mas existem exceções. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 49 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles QUESTÕES DE CONCURSO Os princípios possuem aplicação enorme no Direito do Trabalho. Assim, é muito fácil ver questões sobre esses princípios. Muitas questões são puramente teóricas, sendo que outras são referências a aspectos legais e jurisprudenciais. Quanto às questões comentadas, você deve ter em mente que, se um exercício envolver di- versos itens com matérias diferentes, apenas os itens relacionados à matéria desta aula foram escolhidos para exame. Assim, se você verificar que a questão possui menos itens, isso ocorre porque os itens suprimidos não se relacionam à matéria dessa aula. Logo, apenas os itens sobre a matéria desta aula foram examinados e os gabaritos adaptados para o exame destes itens. Vamos aos estudos. 001. (FCC/TRT-20ª REGIÃO-SE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ADMINISTRATIVA/2016) Considere: I – A obrigação de comprovar o término do contratode trabalho quando negado o despedimento é do empregador. II – A descaracterização de um contrato de prestação de serviços de trabalhador sob sistema de cooperativa, desde que presentes os requisitos fático-jurídicos da relação empregatícia. III – As cláusulas regulamentares que alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a alteração do regulamento. Os itens I, II e III correspondem, respectivamente, aos princípios do Direito do Trabalho: a) continuidade da relação de emprego; irrenunciabilidade; razoabilidade. b) razoabilidade; primazia da realidade; intangibilidade salarial. c) continuidade da relação de emprego; primazia da realidade; condição mais benéfica. d) primazia da realidade; condição mais benéfica; instrumentalidade das formas. e) irrenunciabilidade; continuidade da relação de emprego; prevalência do negociado sobre o legislado. 002. (FCC/TRT-15ª REGIÃO-SP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) No Direito do Trabalho, as sentenças normativas da Justiça do Trabalho, os costumes e a Conven- ção Coletiva de Trabalho são classificados, respectivamente, como fontes: a) formal autônoma, material heterônima e formal autônoma. b) material autônoma, formal heterônima e formal autônoma. c) formal autônoma, material heterônima e material heterônima. d) material heterônima, formal autônoma e material heterônima. e) formal heterônima, formal autônoma e formal autônoma. 003. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) O ar- tigo 8º da Consolidação das Leis do Trabalho elenca algumas fontes subsidiárias ou supletivas do Direito do trabalho, NÃO se incluindo O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 50 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles a) direito comparado. b) jurisprudência. c) analogia. d) usos e costumes. e) convenção coletiva de trabalho. 004. (CESPE/CEBRASPE/TRT-8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS- TRATIVA/2016) Acerca dos princípios e das fontes do direito do trabalho, assinale a opção correta. a) A aplicação do in dubio pro operario decorre do princípio da proteção. b) As fontes formais correspondem aos fatores sociais que levam o legislador a codificar ex- pressamente as normas jurídicas. c) Dado o princípio da realidade expressa, deve-se reconhecer apenas o que está demonstrado documentalmente nos autos processuais. d) Em decorrência do princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, o empregador não pode interferir nos direitos dos seus empregados, salvo se expressamente acordado entre as partes. e) O princípio da razoabilidade não se aplica ao direito do trabalho. 005. (FCC/TRT/14ª REGIÃO/RO E AC/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2016) A doutrina dominante classifica como fontes formais autônomas do Direito do Trabalho: a) a Constituição Federal e as Medidas Provisórias. b) as Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. c) os fatos sociais e políticos que contribuíram para formação e a substância das normas jurí- dicas trabalhistas. d) os acordos coletivos de trabalho e as convenções coletivas de trabalho. e) as greves de trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho. 006. (FCC/TRT-9ª REGIÃO-PR/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Considere: I – As convenções coletivas e os acordos coletivos de trabalho são exemplos de fontes for- mais autônomas do Direito do Trabalho. II – A legislação trabalhista faz referência aos costumes como fonte integradora do Direito do Trabalho. III – A jurisprudência não é considerada fonte formal de Direito do Trabalho, uma vez que não há previsão legal para sua utilização, bem como se refere apenas a casos concretos e específicos. Está correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) III, apenas. c) I, II e III. d) I e III, apenas. e) II, apenas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 51 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 007. (FCC/TRT–5ª REGIÃO-BA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) O Direito do Trabalho possui princípios próprios que norteiam a sua aplicação. Assim, o postula- do informando que na matéria trabalhista importa mais o que ocorre na prática do que o que está inserido em documentos é conhecido como princípio da a) intangibilidade contratual. b) primazia da realidade. c) continuidade da relação de emprego. d) integralidade salarial. e) flexibilização. 008. (FCC/TRT-15ª REGIÃO-SP/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) A Consolidação das Leis do Trabalho, no seu Título I – Introdução, prevê expressamente no art. 8º, algumas modalidades de fontes do Direito do Trabalho, como por exemplo a analogia. O dispositivo legal NÃO relaciona. a) presunção jurídica b) princípios gerais do direito. c) direito comparado. d) equidade. e) usos e costumes. 009. (FCC/TRT-5ª REGIÃO-BA/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Con- forme previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho, a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirá conforme o caso, NÃO podendo utilizar como fonte supletiva do Direito do Trabalho a) a jurisprudência. b) os usos e costumes. c) valores sociais da livre iniciativa. d) os princípios gerais do Direito. e) a analogia e equidade. 010. (FCC/TRT-9ª REGIÃO-PR/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Pau- lo foi contratado como empregado da empresa Fábrica de Doces Celestes para exercer as funções de ajudante geral, recebendo um salário mínimo mensal. Após um ano de trabalho, Paulo foi chamado pelo gerente que o informou que, em razão das dificuldades econômicas da empresa, seu salário seria reduzido para meio salário mínimo mensal. A atitude da empresa a) está correta, pois a redução de salário é permitida, se comprovado que o empregador está em situação econômica difícil. b) está correta, pois a redução de salário é permitida após o empregado completar um ano de serviço. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 52 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles c) não está correta, pois o salário é irredutível, salvo previsão em convenção ou acordo coletivo. d) não está correta, pois o salário é impenhorável, salvo previsão em convenção ou acordo coletivo. e) não está correta, pois a redução de salário depende de lei. 011. (CESPE/CEBRASPE/TRT-10ª REGIÃO/DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMI- NISTRATIVA/2013) Em relação ao direito do trabalho, julgue os itens a seguir. No direito do trabalho, aplica-se o princípio da norma mais favorável, que autoriza o intérprete a aplicar a norma mais benéfica ao trabalhador, ainda que essa norma esteja em posição hie- rárquica inferior no sistema jurídico. 012. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2012) O Re- gulamento da empresa “BOA” revogou vantagens deferidas a trabalhadores em Regulamento anterior. Neste caso, segundo a Súmula 51 do TST, “as cláusulas regulamentares, que revo- guem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadoresadmitidos após a revogação ou alteração do regulamento”. Em matéria de Direito do Trabalho, esta Súmu- la trata, especificamente, do Princípio da a) Razoabilidade. b) Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas. c) Imperatividade das Normas Trabalhistas. d) Dignidade da Pessoa Humana. e) Condição mais benéfica. 013. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2012) Com relação às Fontes do Direito do Trabalho, considere: I – A Lei Ordinária que prevê disposições a respeito do 13º salário é uma fonte material autônoma. II – As fontes heterônimas decorrem do exercício da autonomia privada, ou seja, sujeitos dis- tintos do Estado possuem a faculdade de editar. III – O contrato individual de emprego é uma fonte autônoma. IV – A Convenção Coletiva de Trabalho é uma fonte autônoma. Está correto o que se afirma APENAS em a) III e IV. b) I, II e III. c) I, II e IV. d) I e III. e) II e IV. 014. (FCC/TRT-24ª REGIÃO-MS/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2011) O princípio que faz prevalecer a restrição à autonomia da vontade no contrato trabalhista, em O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 53 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles contraponto à diretriz civil de soberania das partes no ajuste das condições contratuais, é, especificamente, o princípio a) da condição mais benéfica. b) da imperatividade das normas trabalhistas. c) da primazia da realidade sobre a forma. d) da continuidade da relação de emprego. e) do in dubio pro operario. 015. (CESPE/CEBRASPE/TRT-8ª REGIÃO/PA E AP/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS- TRATIVA/2016) Em relação aos princípios e às fontes do direito do trabalho, assinale a opção correta. a) Em virtude do princípio da boa-fé, via de regra, o trabalhador pode renunciar a seu direito de férias, se assim preferir. b) Na falta de disposições legais ou contratuais, a justiça do trabalho ou as autoridades ad- ministrativas poderão decidir o caso de acordo com os usos e costumes, que são fontes do direito do trabalho. c) Por conter regras específicas acerca da maioria dos institutos trabalhistas, na análise de um caso concreto, a Consolidação das Leis do Trabalho pode se sobrepor aos dispositivos cons- tantes da Constituição Federal de 1988 (CF). d) A sentença normativa é fonte do direito do trabalho, mas não o são os atos normativos do Poder Executivo. e) Os princípios gerais de direito não são aplicados na interpretação das normas do direito do trabalho, ainda que subsidiariamente. 016. (CESPE/CEBRASPE/TRT-21ª REGIÃO-RN/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRA- TIVA/2010) Acerca do direito do trabalho, julgue os itens a seguir. Pelo princípio da continuidade da relação de emprego, os fatos ordinários são presumidos, em de- trimento dos fatos extraordinários, que precisam ser provados. Assim, o ônus de provar o vínculo empregatício e o despedimento é do empregado, porque se trata de fatos constitutivos do seu direito. 017. (FCC/TRT-8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2010) O Princípio que importa especificamente na garantia de preservação, ao longo do contrato, da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador, que se reveste de caráter de direito adquiri- do, é o Princípio da a) Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas. b) Continuidade da Relação de Emprego. c) Intangibilidade Contratual Objetiva. d) Imperatividade das Normas Trabalhistas. e) Condição Mais Benéfica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 54 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 018. (FCC/TRT-16ª REGIÃO-MA/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2009) Considere: I – Lei ordinária. II – Medida provisória. III – sentenças normativas. IV – Convenção Coletiva de Trabalho. V – Acordo Coletivo de Trabalho. São Fontes de origem estatal as indicadas APENAS em a) I, II e V. b) I e II. c) I, II, IV e V. d) I, II e III. e) IV e V. 019. (CESPE/CEBRASPE/TRT–17ª REGIÃO-ES/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS- TRATIVA/2009) Julgue os itens a seguir, a respeito do direito do trabalho. No direito do trabalho, aplica-se o princípio da primazia da realidade, que concede aos fatos um valor maior que aos documentos. 020. (FCC/TRT-7ª REGIÃO-CE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2009) Acer- ca dos princípios que informam o Direito do Trabalho, pode-se afirmar que: a) O empregador pode reduzir o salário de seus empregados, desde que 75% deles concordem com tal redução, independentemente de negociação com a entidade sindical da categoria. b) A irredutibilidade do salário é um princípio absoluto. c) É lícita a redução dos salários dos empregados da empresa, desde que disposta em Convenção ou Acordo Coletivo. d) O empregador pode, livremente, em qualquer hipótese, reduzir o salário do empregado. e) O empregador pode reduzir o salário do empregado, se este firmar por escrito sua concordância O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 55 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles GABARITO 1. c 2. e 3. e 4. a 5. d 6. a 7. b 8. a 9. c 10. c 11. C 12. e 13. a 14. b 15. b 16. E 17. e 18. d 19. C 20. c O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 56 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles GABARITO COMENTADO 001. (FCC/TRT-20ª REGIÃO-SE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ADMINISTRATIVA/2016) Considere: I – A obrigação de comprovar o término do contrato de trabalho quando negado o despedimen- to é do empregador. II – A descaracterização de um contrato de prestação de serviços de trabalhador sob sistema de cooperativa, desde que presentes os requisitos fático-jurídicos da relação empregatícia. III – As cláusulas regulamentares que alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a alteração do regulamento. Os itens I, II e III correspondem, respectivamente, aos princípios do Direito do Trabalho: a) continuidade da relação de emprego; irrenunciabilidade; razoabilidade. b) razoabilidade; primazia da realidade; intangibilidade salarial. c) continuidade da relação de emprego; primazia da realidade; condição mais benéfica. d) primazia da realidade; condição mais benéfica; instrumentalidade das formas. e) irrenunciabilidade; continuidade da relação de emprego; prevalência do negociado sobre o legislado. I – Trata-se de manifestação típica do princípio da continuidade da relação de emprego previs- to na Súmula 212 do TST. II – Se os elementos da relação de emprego estão presentes, deve prevalecer essa realidade sobre o instrumento formal que foi celebrado. Logo, trata-se da primazia da realidade. III – Essa lógica pode ser vista na Súmula 51, I, do Tribunal Superior do Trabalho. De fato, aqueles empregados que já estavam sendoregidos pelo regulamento não podem ser afe- tados por uma alteração que lhes seja prejudicial. Trata-se da aplicação do princípio da inalterabilidade contratual lesiva. Letra c. 002. (FCC/TRT-15ª REGIÃO-SP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) No Direito do Trabalho, as sentenças normativas da Justiça do Trabalho, os costumes e a Conven- ção Coletiva de Trabalho são classificados, respectivamente, como fontes: a) formal autônoma, material heterônima e formal autônoma. b) material autônoma, formal heterônima e formal autônoma. c) formal autônoma, material heterônima e material heterônima. d) material heterônima, formal autônoma e material heterônima. e) formal heterônima, formal autônoma e formal autônoma. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 57 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Todas são fontes formais. As sentenças normativas são produzidas por terceiros, ou seja, por aqueles que não são destinatários da norma. Logo, são fontes formais heterônomas. Os costu- mes são produzidos pelos atores sociais envolvidos nos costumes. Assim, os destinatários da norma estão diretamente envolvidos. Logo, trata-se de fonte formal autônoma. As convenções coletivas de trabalho são assinadas pelos sindicatos dos trabalhadores e pelos sindicatos dos empregadores/empresas, de maneira que, como eles representam as categorias, os destinatá- rios da norma participaram da produção. Letra e. 003. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) O ar- tigo 8º da Consolidação das Leis do Trabalho elenca algumas fontes subsidiárias ou supletivas do Direito do trabalho, NÃO se incluindo a) direito comparado. b) jurisprudência. c) analogia. d) usos e costumes. e) convenção coletiva de trabalho. A convenção coletiva não é uma fonte supletiva, mas uma fonte principal, primária do Direito do Trabalho. Letra e. 004. (CESPE/CEBRASPE/TRT-8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMI- NISTRATIVA/2016) Acerca dos princípios e das fontes do direito do trabalho, assinale a op- ção correta. a) A aplicação do in dubio pro operario decorre do princípio da proteção. b) As fontes formais correspondem aos fatores sociais que levam o legislador a codificar ex- pressamente as normas jurídicas. c) Dado o princípio da realidade expressa, deve-se reconhecer apenas o que está demonstrado documentalmente nos autos processuais. d) Em decorrência do princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, o empregador não pode interferir nos direitos dos seus empregados, salvo se expressamente acordado entre as partes. e) O princípio da razoabilidade não se aplica ao direito do trabalho. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 58 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles a) Certa. O princípio do in dubio pro operario é um subprincípio do princípio da proteção. b) Errada. Tais fatores sociais são fontes materiais. c) Errada. O princípio é da primazia da realidade. Não importa o que está expresso no docu- mento, mas sim o que ocorreu na prática, de verdade. d) Errada. O fato de haver acordo expresso entre as partes não permite que possa o empregador entender que o empregado renunciou a direitos. Esse acordo seria, se existisse, como regra, nulo. e) Errada. O princípio da razoabilidade é perfeitamente aplicável ao Direito do Trabalho. Letra a. 005. (FCC/TRT/14ª REGIÃO/RO E AC/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2016) A doutrina dominante classifica como fontes formais autônomas do Direito do Trabalho: a) a Constituição Federal e as Medidas Provisórias. b) as Portarias do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. c) os fatos sociais e políticos que contribuíram para formação e a substância das normas jurí- dicas trabalhistas. d) os acordos coletivos de trabalho e as convenções coletivas de trabalho. e) as greves de trabalhadores em busca de melhores condições de trabalho. a) Errada. Ambas são fontes formais heterônomas. b) Errada. São fontes formais heterônomas. c) Errada. São fontes materiais. d) Certa. São produzidas com participação direta dos destinatários da norma. e) Errada. Para a corrente que defende que a greve é uma fonte, certamente ela seria uma fonte material do direito. Letra d. 006. (FCC/TRT-9ª REGIÃO-PR/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2015) Considere: I – As convenções coletivas e os acordos coletivos de trabalho são exemplos de fontes for- mais autônomas do Direito do Trabalho. II – A legislação trabalhista faz referência aos costumes como fonte integradora do Direito do Trabalho. III – A jurisprudência não é considerada fonte formal de Direito do Trabalho, uma vez que não há previsão legal para sua utilização, bem como se refere apenas a casos concretos e específicos. Está correto o que se afirma em: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 59 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles a) I e II, apenas. b) III, apenas. c) I, II e III. d) I e III, apenas. e) II, apenas. I – Certa. As convenções coletivas e os acordos coletivos de trabalho, de fato, são exemplos de fontes formais autônomas. II – Certa. Fonte integradora é a fonte subsidiária. Logo, os costumes são considerados fonte integradora. III – Errada. É verdade que existe uma corrente que entende que a jurisprudência não é sequer fonte, ao passo que outros defendem que se trata de fonte subsidiária. No entanto, o item segu- ramente está errado porque existe previsão legal para uso da jurisprudência no art. 8º da CLT. Letra a. 007. (FCC/TRT–5ª REGIÃO-BA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) O Direito do Trabalho possui princípios próprios que norteiam a sua aplicação. Assim, o postula- do informando que na matéria trabalhista importa mais o que ocorre na prática do que o que está inserido em documentos é conhecido como princípio da a) intangibilidade contratual. b) primazia da realidade. c) continuidade da relação de emprego. d) integralidade salarial. e) flexibilização. O Direito do Trabalho considera o que ocorre na realidade. Essa realidade prevalece so- bre a forma. Letra b. 008. (FCC/TRT-15ª REGIÃO-SP/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) A Consolidação das Leis do Trabalho, no seu Título I – Introdução, prevê expressamente no art. 8º, algumas modalidades de fontes do Direito do Trabalho, como por exemplo a analogia. O dispositivo legal NÃO relaciona. a) presunção jurídica b) princípios gerais do direito. c) direito comparado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 60 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles d) equidade. e) usos e costumes. A presunção jurídica, muito embora seja aplicável no âmbito trabalhista, não é uma fonte. Aliás,respondendo à pergunta, ela não consta no art. 8º da CLT. Letra a. 009. (FCC/TRT-5ª REGIÃO-BA/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Con- forme previsão expressa contida na Consolidação das Leis do Trabalho, a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirá conforme o caso, NÃO podendo utilizar como fonte supletiva do Direito do Trabalho a) a jurisprudência. b) os usos e costumes. c) valores sociais da livre iniciativa. d) os princípios gerais do Direito. e) a analogia e equidade. A previsão expressa da CLT refere-se ao art. 8º, dispositivo em que não consta os valores so- ciais da livre iniciativa como fonte supletiva. Letra c. 010. (FCC/TRT-9ª REGIÃO-PR/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) Pau- lo foi contratado como empregado da empresa Fábrica de Doces Celestes para exercer as funções de ajudante geral, recebendo um salário mínimo mensal. Após um ano de trabalho, Paulo foi chamado pelo gerente que o informou que, em razão das dificuldades econômicas da empresa, seu salário seria reduzido para meio salário mínimo mensal. A atitude da empresa a) está correta, pois a redução de salário é permitida, se comprovado que o empregador está em situação econômica difícil. b) está correta, pois a redução de salário é permitida após o empregado completar um ano de serviço. c) não está correta, pois o salário é irredutível, salvo previsão em convenção ou acordo coletivo. d) não está correta, pois o salário é impenhorável, salvo previsão em convenção ou acor- do coletivo. e) não está correta, pois a redução de salário depende de lei. A atitude da empresa viola as normas de Direito do Trabalho. Considerando o princípio da ir- redutibilidade salarial, o salário, como regra, não é passível de redução. Contudo, pode haver O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 61 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles redução se houver norma coletiva autorizando, por força do art. 7º, VI, da CF. Não depende a redução por norma coletiva de qualquer lei. Isso responde à pergunta, mas cuidado. Veremos em outra aula também os limites da negociação coletiva, quando você aprenderá que nem tudo pode ser negociado por norma coletiva (um exemplo é a impossibilidade de pagamento a menor do salário mínimo para quem trabalha uma jornada completa). Letra c. 011. (CESPE/CEBRASPE/TRT-10ª REGIÃO/DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMI- NISTRATIVA/2013) Em relação ao direito do trabalho, julgue os itens a seguir. No direito do trabalho, aplica-se o princípio da norma mais favorável, que autoriza o intérprete a aplicar a norma mais benéfica ao trabalhador, ainda que essa norma esteja em posição hie- rárquica inferior no sistema jurídico. O princípio da norma mais favorável e permite uma flexibilização da hierarquia das normas, de maneira que uma norma em posição inferior possa prevalecer sobre uma norma em posição superior se aquela for mais benéfica para o trabalhador do que essa última. Certo. 012. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2012) O Re- gulamento da empresa “BOA” revogou vantagens deferidas a trabalhadores em Regulamento anterior. Neste caso, segundo a Súmula 51 do TST, “as cláusulas regulamentares, que revo- guem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento”. Em matéria de Direito do Trabalho, esta Súmu- la trata, especificamente, do Princípio da a) Razoabilidade. b) Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas. c) Imperatividade das Normas Trabalhistas. d) Dignidade da Pessoa Humana. e) Condição mais benéfica. De fato, se vantagens são revogadas ou alteradas para pior, não podem os trabalhadores que já estavam empregados ter sua condição piorada. Seria uma alteração lesiva. Logo, incide o princípio da inalterabilidade contratual lesiva, também conhecida como preservação da condi- ção mais benéfica. Letra e. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 62 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 013. (FCC/TRT-6ª REGIÃO-PE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2012) Com relação às Fontes do Direito do Trabalho, considere: I – A Lei Ordinária que prevê disposições a respeito do 13º salário é uma fonte material autônoma. II – As fontes heterônimas decorrem do exercício da autonomia privada, ou seja, sujeitos dis- tintos do Estado possuem a faculdade de editar. III – O contrato individual de emprego é uma fonte autônoma. IV – A Convenção Coletiva de Trabalho é uma fonte autônoma. Está correto o que se afirma APENAS em a) III e IV. b) I, II e III. c) I, II e IV. d) I e III. e) II e IV. I – Errada. A lei é uma fonte formal heterônoma. II – Errada. A autonomia privada (liberdade das partes na formação e desenvolvimento de rela- ções jurídicas) está relacionada com as fontes formais autônomas, já que os destinatários da norma participam diretamente da sua criação. Quando ocorre uma edição de lei ou quando um Tribunal Trabalhista edita uma sentença normativa (que são fontes heterônomas), não existe autonomia privada das partes (pelo contrário, é o Estado que decide ainda que contra a vonta- de daqueles destinatários). III – Certa. O contrato de trabalho é uma fonte formal autônoma para a corrente que defende ser uma fonte. Claro que há uma corrente que entende que o contrato não é fonte de Direito, mas essa corrente não poderia ter sido adotada pelo examinador diante das alternativas que ele deu no exercício. IV – Certa. A Convenção Coletiva é criada e assinada pelos destinatários da norma, pelas cate- gorias profissionais (de trabalhadores) e econômicas (dos empregadores/empresas) por meio dos sindicatos representativos. Letra a. 014. (FCC/TRT-24ª REGIÃO-MS/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2011) O princípio que faz prevalecer a restrição à autonomia da vontade no contrato trabalhista, em contraponto à diretriz civil de soberania das partes no ajuste das condições contratuais, é, especificamente, o princípio a) da condição mais benéfica. b) da imperatividade das normas trabalhistas. c) da primazia da realidade sobre a forma. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 63 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles d) da continuidade da relação de emprego. e) do in dubio pro operario. No Direito Civil, o legislador parte de uma premissa de que as partes em um contrato estão em posição igual ou similar, razão pela qual as partes possuem maior autonomia negocial. No Direi- to do Trabalho, contudo, existe uma discrepância grande, sendo o trabalhador presumivelmente hipossuficiente e o empregador presumivelmente hiperssuficiente. Logo, o legislador do Direito do Trabalho cria uma grande gama de normas cogentes, imperativas, que não podem ser afasta- das pelas partes (nem mesmo pelo próprio empregado), de forma a proteger o trabalhador. Letra b. 015. (CESPE/CEBRASPE/TRT-8ª REGIÃO/PA E AP/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMI- NISTRATIVA/2016) Em relação aos princípios e às fontesdo direito do trabalho, assinale a opção correta. a) Em virtude do princípio da boa-fé, via de regra, o trabalhador pode renunciar a seu direito de férias, se assim preferir. b) Na falta de disposições legais ou contratuais, a justiça do trabalho ou as autoridades ad- ministrativas poderão decidir o caso de acordo com os usos e costumes, que são fontes do direito do trabalho. c) Por conter regras específicas acerca da maioria dos institutos trabalhistas, na análise de um caso concreto, a Consolidação das Leis do Trabalho pode se sobrepor aos dispositivos cons- tantes da Constituição Federal de 1988 (CF). d) A sentença normativa é fonte do direito do trabalho, mas não o são os atos normativos do Poder Executivo. e) Os princípios gerais de direito não são aplicados na interpretação das normas do direito do trabalho, ainda que subsidiariamente. a) Errada. O direito às férias é irrenunciável. Incide o princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. b) Certa. É a previsão do art. 8º da CLT. Os costumes são fontes do Direito do Trabalho. c) Errada. O fato de conter regras específicas não significa dizer que isso gera um critério de prevalência. Se a CLT menciona, por exemplo, um adicional de horas extras de 25%, isso con- traria a Constituição, que prevê mínimo de 50% (fazendo prevalecer a Constituição Federal). d) Errada. A sentença normativa é fonte do direito do trabalho, mas os atos normativos do po- der executivo também são. e) Errada. Os princípios gerais do Direito também são aplicados na interpretação de normas do Direito trabalho. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 64 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles 016. (CESPE/CEBRASPE/TRT-21ª REGIÃO-RN/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRA- TIVA/2010) Acerca do direito do trabalho, julgue os itens a seguir. Pelo princípio da continuidade da relação de emprego, os fatos ordinários são presumidos, em detrimento dos fatos extraordinários, que precisam ser provados. Assim, o ônus de provar o vínculo empregatício e o despedimento é do empregado, porque se trata de fatos constitutivos do seu direito. O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado, na forma da Súmula 212 do TST. Errado. 017. (FCC/TRT-8ª REGIÃO/PA E AP/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2010) O Princípio que importa especificamente na garantia de preservação, ao longo do contrato, da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador, que se reveste de caráter de direito adquiri- do, é o Princípio da a) Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas. b) Continuidade da Relação de Emprego. c) Intangibilidade Contratual Objetiva. d) Imperatividade das Normas Trabalhistas. e) Condição Mais Benéfica. É exatamente a lógica deste princípio. Letra e. 018. (FCC/TRT-16ª REGIÃO-MA/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2009) Considere: I – Lei ordinária. II – Medida provisória. III – sentenças normativas. IV – Convenção Coletiva de Trabalho. V – Acordo Coletivo de Trabalho. São Fontes de origem estatal as indicadas APENAS em a) I, II e V. b) I e II. c) I, II, IV e V. d) I, II e III. e) IV e V. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 65 de 66www.grancursosonline.com.br Princípios e Fontes NOÇÕES DE DIREITO DO TRABALHO José Gervásio A. Meireles Os itens I, II e III são fontes oriundas do Estado em seu sentido lato (amplo). Os itens IV e V são fontes extraestatais, não sendo produzidas pelo Estado, mas por particulares. Letra d. 019. (CESPE/CEBRASPE/TRT–17ª REGIÃO-ES/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS- TRATIVA/2009) Julgue os itens a seguir, a respeito do direito do trabalho. No direito do trabalho, aplica-se o princípio da primazia da realidade, que concede aos fatos um valor maior que aos documentos. A realidade prevalece sobre o que foi formalmente registrado. Certo. 020. (FCC/TRT-7ª REGIÃO-CE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/2009) Acer- ca dos princípios que informam o Direito do Trabalho, pode-se afirmar que: a) O empregador pode reduzir o salário de seus empregados, desde que 75% deles concordem com tal redução, independentemente de negociação com a entidade sindical da categoria. b) A irredutibilidade do salário é um princípio absoluto. c) É lícita a redução dos salários dos empregados da empresa, desde que disposta em Con- venção ou Acordo Coletivo. d) O empregador pode, livremente, em qualquer hipótese, reduzir o salário do empregado. e) O empregador pode reduzir o salário do empregado, se este firmar por escrito sua concordância Conforme art. 7º, VI, da CF, existe a irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. Letra c. José Gervásio A. Meireles Juiz Federal do Trabalho, pós-graduado em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB). Leciona Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho e Direito Administrativo em cursos preparatórios para concursos públicos. Ocupou os cargos de Procurador da Fazenda Nacional (AGU) e Procurador do Estado de Goiás (PGE). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Nome do Concurseiro(a) - 000.000.000-00, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Princípios e Fontes 1. Princípios Relevantes ao Direito do Trabalho 1.1. Princípio da Proteção, Protetor, da Favorabilidade, Tutelar, Tuitivo ou Corretor de Desigualdades 1.2. Princípio da Irredutibilidade de Salários 1.3. Princípio da Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas 1.4. Princípio da Imperatividade das Normas Trabalhistas 1.5. Princípio da Integridade ou da Intangibilidade Salarial 1.6. Princípio da Continuidade da Relação de Emprego 1.7. Princípio da Primazia da Realidade 1.8. Princípio da Vedação ao Enriquecimento Sem Causa 1.9. Princípio da Razoabilidade (ou Racionalidade) e Proporcionalidade 1.10. Princípio da Boa-Fé 1.11. Princípio da Não Discriminação 1.12. Princípio da Liberdade do Trabalho 1.13. Princípio da Isonomia 1.14. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana 2. Fontes do Direito do Trabalho 2.1. Fontes Formais e Materiais 2.2. Fontes Estatais e Não Estatais 2.3. Fontes Principais e Subsidiárias 2.4. Hierarquia das Fontes Resumo Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentado AVALIAR 5: Página 66: