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Medicina Preventiva e Controle de Zoonoses
Medicina Preventiva e Controle de Zoonoses ................................................................................... 1
Introdução a doenças zoonótica .......................................................................................................... 4
Leptospirose ......................................................................................................................................... 10
Febre maculosa .................................................................................................................................... 20
Doença de Lyme .................................................................................................................................. 25
Complexo equinococose - hidatidose ............................................................................................... 27
Cryptosporidium ................................................................................................................................. 31
Vírus do Oeste do Nilo ....................................................................................................................... 34
Febre Amarela ...................................................................................................................................... 39
Dermatofitose e Esporotricose .......................................................................................................... 44
Doença de Chagas ............................................................................................................................... 52
Influenza Aviária ................................................................................................................................. 58
Thainá S. Gonçalves
Introdução a doenças zoonótica
Doença X Animais:
No período da idade média, a estruturação da cidades medievais dentro de castelos feudais,
ocorria:
● Aglomeração de pessoas e animais
● Condições de higiene precárias / acúmulo de resíduos
Atualmente, ocorre:
● Crescimento população desordenado
● Influência humana sobre o meio ambiente (degradação ambientais e desequilíbrio no
ecossistema)
● Intensificação da criação animal para a produção de alimentos
● Alteração climática aumenta a possibilidade de transmissão de doenças com
transmissão hídrica ou vetorial
● Humanização dos animais na sociedade moderna/popularização da criação de
animais exóticos
● Globalização e os deslocamentos humanos frequentes e constante
Ocorrendo o aparecimento e disseminação de zoonose.
Aspectos gerais das zoonose:
São responsáveis por 2.4 bi de casos de doenças e 2.2 mi de mortes por ano. Representa um
grande desafio para a saúde pública e a segurança alimentar. Geram graves impactos
econômicos e sociais.
● 60% de doenças infecciosas
● 70% doenças infecciosas emergentes
Principais doenças: dengue, febre amarela, doença de chagas, esquistossomose, febre
maculosa, hantavirose, leishmaniose, leptospirose, malária, raiva humana, tétano e
tuberculose.
Importância sanitária: leishmaniose visceral, brucelose, tuberculose, mormo, esporotricose,
raiva, toxoplasmose…
Classificação das zoonoses:
De acordo com o sentido de transmissão:
● Antropozoonose : doenças de animais que afetam os seres humanos, como a raiva,
leishmaniose, leptospirose, brucelose.
● Zooantroponose : doença de humanos transmitida aos animais, como a cisticercose,
esquistossomose, M. Tuberculosis da TB humana
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● Antixenosis : se transmitem com igual intensidade entre animais e humanos,
geralmente doenças bacterianas, como estafilococoses e streptococcus
De acordo com os ciclos de manutenção do ciclo:
● Zoonoses direta : agente infecciosas se transmitem de forma direta, não precisa do
ambiente ou de um vetor para contaminar, por exemplo a raiva
● Ciclo Zoonose : agente infecciosas que necessita obrigatoriamente passar por duas
espécies distintas de animais vertebrados para que seu ciclo se complete, por
exemplo a teníase cisticercose, equinococose hidatidose
● Meta Zoonose : necessita passar por hospedeiro invertebrado para que seu ciclo se
complete, como a leishmania, doença de chagas.
● Sapro Zoonose : necessita passar por transformações que ocorrem no ambiente
externo em ausência de parasitismo, como a toxoplasmose e toxocaríase,
esporotricose, histoplasmose, tétano.
De acordo com agente etiológico:
● Parasitárias : toxoplasmose, leishmaniose, doença de Chagas, Teníase cisticercose,
larvas migrans, malária.
● Bacterianas : brucelose, leptospirose, peste, bartonelose, antraz, febre tifóide,
tuberculose, salmonelose, mormo, lepra, tularemia, bordetelose.
● Fúngicas : esporotricose, dermatofitose, criptococose, malassezia, histoplasmose.
● Virais : raiva, febre amarela, febre do Nilo, gripe aviária, ebola, Nipah, varíola dos
macacos, hantavirose, doença de Newcastle.
● Priônicas : EEB, Scrapie
● Riquétsias : febre maculosa, doença de Lyme
● Transmitida por ácaro : sarna
De acordo com o elo da cadeia de transmissão que deverá ser o objeto das ações preventiva:
● Zoonose animais de companhia:
○ cães - raiva, leptospirose, leishmaniose visceral*, dermatofitose, larva
migrans, equinococose, sem transmissão direta
○ gatos - raiva, toxoplasmose, esporotricose, dermatofitose, Bartonella henselae
● Zoonose animais de produção:
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○ bovinos - tuberculose, brucelose, salmonelose, leptospirose,
campilobacteriosis, antrax, colibacilosis, criptosporidiosis, encefalopatía
espongiforme bovina
○ ovinos - coxiella burnetii, colibacilose, hidatidose, clostridioses, scrapie (EET).
● Zoonose de animais domiciliados (sinantrópicos): leptospirose, hantavirose,
arenavirus, febre maculosa
● Zoonose de animais silvestre:
○ aves doméstica e silvestres - salmonelose, colibacilose, psitacose (chlamydia
psittaci), criptococose, histoplasmose, sem transmissão direta
○ morcegos - raiva, ebola, febre de Marburg, vírus Nipah, Sars-COV e Sars-Cov
2, criptococose, histoplasmose, sem transmissão direta
Importância dos morcegos: patógenos
carregados por morcegos, muitas vezes
não causam doenças neles, mas em outros
animais, podem causar doenças.
● Zoonose Transmitidas por alimento de origem animal
● Zoonose Transmitida por vetor: Malária, Leishmaniose, Febre amarela, Febre do
Nilo, Chagas, Febre maculosa e doença de Lyme.
Emergentes X reemergentes:
Surgimento de novas doenças zoonóticas - emergentes
Alteração do comportamento epidemiológico de antigas zoonoses - reemergentes
Fatores que contribuem para emergência/reemergência de zoonose:
Crescimento da população
● Demanda crescente por alimentos - proteínas de origem animal
● Criação animal em aglomeração/condições sanitárias pobres
Hábitos culturais (consumir carnes exóticas)
● Favorece: comércio ilegal de animal, maior contato com animais exóticos oi possíveis
vetores ocorrem ambientes silvestres, maior risco de exposição por patógenos
exóticos.
● Turismo, globalização, comércio internacional e a facilidade de deslocamento
triplicou nos últimos 20 anos
● Favorece a disseminação de patógenos, vetores e reservatórios.
Alterações climáticas
● Fenômenos como desertificação
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● Maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos que têm impacto
sobre a saúde humana
○ Descongelamento das geleiras - antraz
○ Alagamentos - leptospirose
Maior incidência de doenças zoonóticas, disseminadas por vetores (dengue, maláriapopularmente conhecida como "micose de pele" ou "tinha", é uma infecção
fúngica superficial que afeta a pele, pelos e unhas. É uma zoonose comum, o que significa
que pode ser transmitida entre animais e humanos.
Etiologia
● Agentes etiológicos: Os agentes causadores são fungos do grupo dos dermatófitos. Os
gêneros mais comuns envolvidos são:
○ Microsporum: Especialmente Microsporum canis, que é um dos principais
causadores de dermatofitose em cães e gatos e também em humanos.
○ Trichophyton: Incluindo espécies como Trichophyton mentagrophytes e
Trichophyton rubrum.
○ Epidermophyton: Principalmente Epidermophyton floccosum.
Fatores Condicionantes
A infecção por dermatófitos é facilitada por uma série de fatores, incluindo:
● Idade: Animais jovens e filhotes, bem como crianças, são mais suscetíveis devido à
imaturidade do sistema imunológico.
● Imunossupressão: Doenças concomitantes (como FIV, FeLV, diabetes, Cushing) ou
uso de medicamentos imunossupressores (como corticosteroides) enfraquecem as
defesas do organismo.
● Condições de higiene e aglomeração: Ambientes úmidos, sujos e superpopulados
(como abrigos, gatis, canis) favorecem a disseminação dos esporos fúngicos.
● Lesões na pele: Cortes, arranhões ou outras lesões comprometem a barreira protetora
da pele, facilitando a entrada dos fungos.
● Nutrição deficiente: Dietas inadequadas podem levar a deficiências nutricionais que
impactam a saúde da pele e a resposta imune.
● Umidade e calor: Ambientes úmidos e quentes criam um microclima favorável ao
crescimento dos fungos.
● Contato com animais ou pessoas infectadas: A principal forma de transmissão é o
contato direto ou indireto.
Epidemiologia
A dermatofitose tem uma distribuição geográfica cosmopolita, ou seja, ocorre em todo o
mundo. É uma das zoonoses mais comuns.
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● Em animais: Gatos (especialmente filhotes de Persa), cães, equídeos, bovinos e
roedores são frequentemente afetados. Gatos podem ser portadores assintomáticos,
disseminando o fungo sem apresentar lesões visíveis.
● Em humanos: Pode afetar qualquer idade, mas é mais comum em crianças. Pessoas
que têm contato próximo com animais de estimação ou que trabalham com animais
estão em maior risco.
Forma de Contágio
A transmissão da dermatofitose ocorre principalmente por:
● Contato direto: Com um animal ou pessoa infectada.
● Contato indireto: Através de fômites (objetos inanimados) contaminados com pelos
ou escamas de pele contendo esporos fúngicos. Isso inclui escovas, pentes, caminhas,
cobertores, toalhas, sofás, tapetes e o próprio ambiente. Os esporos são altamente
resistentes e podem sobreviver no ambiente por longos períodos.
Patogenia
Os dermatófitos têm a capacidade de invadir e colonizar os tecidos queratinizados, como a
camada mais superficial da pele (estrato córneo), pelos e unhas. Eles produzem enzimas
(queratinases) que digerem a queratina, utilizando-a como fonte de nutrientes. A infecção
geralmente se inicia em um ponto e se espalha centrifugamente, criando as lesões anulares
características. A resposta do hospedeiro à infecção e aos metabólitos fúngicos causa a
inflamação e os sintomas clínicos observados.
Principais Sintomas Clínicos
Em animais (cães e gatos, principalmente):
● Lesões cutâneas arredondadas: Com áreas de alopecia (perda de pelo), descamação,
crostas e vermelhidão, geralmente com um centro mais claro e bordas avermelhadas e
elevadas.
● Prurido (coceira): Pode variar de leve a intenso.
● Pelos quebradiços: Os pelos afetados ficam frágeis e se quebram facilmente.
● Onicomicose: Infecção das unhas, tornando-as espessas, quebradiças e deformadas.
● Variabilidade clínica: Em gatos, especialmente, as lesões podem ser muito sutis ou o
animal pode ser um portador assintomático. Em casos graves, pode ocorrer
piodermite secundária (infecção bacteriana da pele).
Em humanos:
● Tineas (micoses):
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○ Tinha do corpo (tinea corporis): Lesões anulares, avermelhadas, descamativas,
com bordas elevadas e coceira.
○ Tinha da cabeça (tinea capitis): Mais comum em crianças, com áreas de
alopecia, descamação e pelos quebradiços no couro cabeludo.
○ Tinha da unha (onicomicose): Unhas espessas, descoloridas e quebradiças.
○ Tinha do pé (pé de atleta), tinha da virilha: Outras formas que podem ser
causadas por dermatófitos.
Diagnóstico
O diagnóstico da dermatofitose envolve:
● Exame clínico: Observação das lesões características.
● Lâmpada de Wood: Cerca de 50% das infecções por Microsporum canis apresentam
fluorescência verde-maçã sob a luz ultravioleta da lâmpada de Wood.
● Exame micológico direto: Coleta de pelos e escamas da pele e observação
microscópica em solução de hidróxido de potássio (KOH) para identificar hifas e
esporos fúngicos.
● Cultura fúngica: Considerado o método diagnóstico definitivo. Amostras de pelos
e escamas são cultivadas em meio de cultura seletivo (como o ágar Sabouraud com
cloranfenicol e cicloheximida, ou o DTM - Dermatophyte Test Medium) para
identificação do fungo.
● Biópsia e histopatologia: Em casos atípicos ou quando outros métodos não são
conclusivos.
Métodos de Controle
O controle da dermatofitose envolve tratamento do animal e/ou humano infectado e medidas
de higiene ambiental:
● Tratamento:
○ Terapia tópica: Shampoos antifúngicos, cremes, loções ou sprays diretamente
nas lesões.
○ Terapia sistêmica: Medicamentos antifúngicos orais (como itraconazol,
terbinafina, griseofulvina) em casos generalizados, graves ou em animais de
difícil tratamento tópico. O tratamento deve ser prolongado, geralmente por
semanas a meses, e continuado até que duas culturas fúngicas consecutivas
sejam negativas.
● Controle ambiental:
○ Limpeza e desinfecção rigorosa do ambiente com produtos antifúngicos ou
diluição de água sanitária.
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○ Aspiração frequente de pelos e detritos.
○ Descarte ou lavagem de fômites contaminados (caminhas, cobertores).
● Isolamento: Separar animais infectados de outros animais suscetíveis e de humanos
para evitar a disseminação.
● Tosa: Em alguns casos, a tosa dos pelos ao redor das lesões ou do animal todo pode
ser recomendada para reduzir a carga fúngica e facilitar o tratamento tópico.
● Atenção à saúde do hospedeiro: Corrigir fatores predisponentes como
imunossupressão ou deficiências nutricionais.
● Educação: Orientar os tutores sobre a natureza zoonótica da doença, a importância
do tratamento completo e das medidas de higiene.
Esporotricose
A Esporotricose é uma micose subcutânea crônica causada por fungos do gênero Sporothrix.
É uma zoonose de grande relevância, especialmente no Brasil, onde a transmissão para
humanos a partir de gatos doentes se tornou uma preocupação crescente.
Etiologia
● Agente etiológico: Fungos do complexo Sporothrix, sendo as espécies mais
frequentemente envolvidas:
○ Sporothrix schenckii: A espécie clássica e mais conhecida.
○ Sporothrix brasiliensis: Responsável pela maioria dos casos de esporotricose
zoonótica no Brasil, especialmente a transmitida por gatos, e considerada
mais virulenta.
○ Sporothrix globosa
○ Sporothrix luriei
Fatores Condicionantes
Os fatores que favorecem a infecção e disseminação da esporotricose incluem:
● Presença do fungo no ambiente: O Sporothrix é encontrado naturalmente no solo, na
vegetação (principalmente matéria orgânica em decomposição, como palha,
madeiras), e em espinhos de plantas.
● Atividades de risco: Jardineiros, agricultores, trabalhadores rurais e pessoas que
lidam com gatos doentes estão mais expostos.● Ferimentos na pele: A porta de entrada do fungo é geralmente uma lesão
pré-existente na pele (arranhões, cortes, picadas de insetos) ou um trauma com
material contaminado.
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● Aglomeração de animais: Em locais com grande número de gatos sem controle
sanitário, a doença se dissemina rapidamente.
● Fatores imunológicos: Imunossupressão pode agravar a doença, mas indivíduos
imunocompetentes também podem ser infectados.
● Comportamento dos gatos: Gatos infectados, especialmente aqueles com lesões na
pele, arranham e lambem as lesões, disseminando o fungo para o ambiente e para
outros animais/humanos.
Epidemiologia
A esporotricose tem uma distribuição global, mas as áreas endêmicas são mais evidentes em
regiões de clima tropical e subtropical, como o Brasil.
● Em animais: Gatos são os animais mais acometidos e são a principal fonte de
transmissão para humanos no contexto da epidemia brasileira. Cães, equídeos e
outros animais também podem ser infectados, mas em menor grau e com menor risco
de transmissão.
● Em humanos: Pode afetar qualquer idade, mas pessoas que têm contato com gatos
doentes ou que se expõem ao ambiente contaminado (jardineiros, por exemplo) são
mais suscetíveis.
● Epidemia no Brasil: Houve um aumento drástico de casos de esporotricose no Brasil,
especialmente no Rio de Janeiro, com a transmissão primariamente ligada a gatos
doentes.
Forma de Contágio
As principais formas de contágio são:
● Inoculação traumática: A forma mais comum de contágio. O fungo entra no
organismo através de um ferimento na pele, geralmente por:
○ Contato com material vegetal contaminado: Espinhos de plantas, palha,
madeira.
○ Arranhão ou mordida de gato infectado: Especialmente gatos com lesões
visíveis e que estão disseminando o fungo pelas suas garras e saliva.
● Inalação: Menos comum, mas pode ocorrer pela inalação de esporos, levando à forma
pulmonar da doença.
● Ingestão: Muito rara, mas possível em caso de ingestão de material contaminado.
Importante: A esporotricose zoonótica é um grande problema no Brasil, onde o gato
doente atua como um vetor de transmissão. A transmissão de cães para humanos é rara.
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Patogenia
Após a inoculação na pele, os esporos do Sporothrix se transformam em leveduras no tecido
do hospedeiro, iniciando o processo infeccioso. O fungo se replica localmente, causando uma
resposta inflamatória que leva à formação de nódulos e lesões.
A patogenia pode variar dependendo da via de entrada e do estado imunológico do
hospedeiro:
● Forma cutânea: O fungo se dissemina pelos vasos linfáticos, causando uma cadeia de
nódulos e úlceras ao longo do trajeto linfático (esporotricose linfocutânea).
● Forma disseminada: Em casos de imunossupressão ou em espécies mais virulentas
(como S. brasiliensis), o fungo pode se disseminar pela corrente sanguínea, afetando
órgãos internos (pulmões, ossos, articulações) ou causando lesões cutâneas múltiplas
e variadas.
● Em gatos: A carga fúngica nos tecidos dos gatos (especialmente na pele) é muito alta,
tornando-os altamente infecciosos e uma fonte importante de contaminação
ambiental e para humanos.
Principais Sintomas Clínicos
Em animais (principalmente gatos):
● Forma cutânea: É a mais comum.
○ Nódulos: Pequenos caroços firmes na pele, que podem ulcerar e se
transformar em feridas abertas, geralmente com crostas e secreção.
○ Lesões em cadeia: Podem aparecer em sequência, seguindo o trajeto dos vasos
linfáticos.
○ Localização: Frequentemente na face, orelhas, patas e cauda.
○ Sinais variados: Os gatos podem apresentar lesões variadas, desde pequenas
feridas que não cicatrizam até lesões extensas e deformantes.
○ Sinais respiratórios: Em casos de forma pulmonar (tosse, dificuldade
respiratória).
○ Sinais sistêmicos: Febre, apatia, perda de peso em casos mais avançados ou
disseminados.
Em humanos:
● Forma cutânea (mais comum):
○ Esporotricose cutânea fixa: Um único nódulo que se desenvolve no local da
inoculação, que pode ulcerar.
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○ Esporotricose linfocutânea: Lesão primária no local da inoculação, seguida
pelo aparecimento de nódulos que ulceram ao longo do trajeto dos vasos
linfáticos regionais (aspecto de "colar de contas").
● Outras formas (menos comuns, geralmente em imunossuprimidos):
○ Esporotricose disseminada: Lesões cutâneas múltiplas e comprometimento de
órgãos internos (ossos, articulações, pulmões, sistema nervoso central).
○ Esporotricose pulmonar: Tosse, febre, dor no peito, mimetizando tuberculose.
○ Esporotricose extracutânea (outros órgãos): Infecção de ossos, articulações,
olhos.
Diagnóstico
O diagnóstico da esporotricose requer a identificação do fungo.
● Clínico-epidemiológico: Avaliação das lesões e histórico de exposição (contato com
gatos doentes, atividades de risco).
● Exame micológico direto: Coleta de material das lesões (secreção, biópsia) e
observação microscópica para identificar as estruturas leveduriformes do fungo. Em
gatos, a quantidade de leveduras pode ser muito alta.
● Cultura fúngica: Considerado o padrão-ouro. O material coletado é cultivado em
meio de cultura (como ágar Sabouraud), e as colônias crescem e podem ser
identificadas microscopicamente e por testes bioquímicos. A diferenciação das
espécies do complexo Sporothrix pode requerer testes moleculares.
● Biópsia e histopatologia: Análise de tecidos, que pode mostrar as estruturas fúngicas
e a reação inflamatória característica.
● Sorologia: Embora existam testes sorológicos, a interpretação pode ser complexa e
eles não são tão amplamente utilizados para diagnóstico definitivo quanto a cultura.
Métodos de Controle
O controle da esporotricose, especialmente no cenário de surto zoonótico, é complexo e
exige uma abordagem multifacetada:
● Tratamento de animais infectados:
○ Em gatos: O iodeto de potássio e o itraconazol são os medicamentos de
escolha. O tratamento é prolongado (meses) e deve ser mantido até a cura
clínica e negativação das culturas. A adesão ao tratamento é crucial, e a
eutanásia é uma medida extrema, mas por vezes necessária em casos
incuráveis, abandonados ou de difícil manejo, para evitar a disseminação.
● Tratamento de humanos infectados:
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○ Itraconazol é o tratamento de escolha para a maioria dos casos. O iodeto de
potássio oral também pode ser utilizado.
○ Para formas graves ou disseminadas, pode ser necessária a anfotericina B
intravenosa.
● Controle ambiental:
○ Limpeza e desinfecção de ambientes onde animais doentes foram mantidos.
○ Uso de luvas e roupas de proteção ao manipular material vegetal ou solo em
áreas de risco.
● Manejo de gatos:
○ Castração de gatos para reduzir brigas e contato que podem levar a arranhões
e disseminação.
○ Não abandonar gatos doentes.
○ Educação dos tutores sobre a doença e a importância do tratamento.
● Prevenção da transmissão:
○ Para humanos: Uso de luvas e óculos de proteção ao lidar com gatos suspeitos
de esporotricose, ao manipular solo ou vegetação em áreas de risco. Evitar
contato direto com lesões de animais.
○ Para animais: Evitar que gatos doentes saiam de casa e entrem em contato
com outros animais.
● Vigilância Epidemiológica:
○ Notificação de casos em animais e humanos.
○ Monitoramento da ocorrência da doença e mapeamento das áreas de risco.
● Saúde Única (One Health): Ações integradas entre profissionais de saúde humana,
veterinária e ambiental são fundamentais para controlar a esporotricose, dada sua
naturezazoonótica e ambiental.
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Doença de Chagas
A Doença de Chagas, também conhecida como tripanossomíase americana, é uma infecção
causada por um protozoário e que pode levar a sérios problemas cardíacos e digestivos.
Etiologia
● Agente etiológico: O protozoário parasita Trypanosoma cruzi (T. cruzi).
● Vetor: O parasita é transmitido principalmente por insetos hematófagos conhecidos
como vetores, popularmente chamados de "barbeiros" ou "percevejos", que
pertencem à subfamília Triatominae. As espécies mais importantes no Brasil são
Triatoma infestans, Panstrongylus megistus e Rhodnius prolixus.
● Reservatórios: O T. cruzi circula na natureza entre animais silvestres (principalmente
mamíferos como gambás, tatus, roedores, marsupiais e primatas) e os barbeiros.
Animais domésticos (cães, gatos) e o próprio homem também podem se tornar
reservatórios do parasita.
Fatores Condicionantes
Os fatores que condicionam a ocorrência e persistência da Doença de Chagas são diversos e
multifacetados:
● Pobreza e condições habitacionais precárias: As casas de taipa, pau a pique, adobe, ou
com frestas e rachaduras nas paredes, telhados de sapê e pisos de terra batida,
oferecem abrigo ideal para os barbeiros.
● Desmatamento e mudanças ambientais: A destruição de habitats silvestres força os
barbeiros a buscar novos abrigos, aproximando-os das residências humanas e dos
animais domésticos.
● Falta de saneamento básico e higiene: Contribui para a proliferação de roedores e
outros animais que podem atrair os barbeiros.
● Migração populacional: O deslocamento de pessoas infectadas para áreas não
endêmicas pode introduzir o parasita em novas regiões, especialmente através da
transmissão transfusional ou vertical.
● Falta de informação e acesso a serviços de saúde: Dificulta a detecção precoce, o
tratamento e as medidas de controle.
● Hábitos de vida: Consumo de alimentos contaminados (caldo de cana, açaí) em áreas
onde a contaminação por barbeiros é possível.
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Epidemiologia
A Doença de Chagas é uma doença endêmica nas Américas, afetando principalmente a
América Latina, onde milhões de pessoas vivem em risco de infecção.
● Distribuição: Presente desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina, com maior
prevalência em países da América do Sul, como Brasil, Argentina, Bolívia e Chile.
● Redução da transmissão vetorial: No Brasil, houve um sucesso notável no controle da
transmissão vetorial domiciliar pelo Triatoma infestans (considerado o principal
vetor domiciliar), o que levou à interrupção da transmissão autóctone (adquirida na
região) em algumas áreas.
● Desafios atuais: Apesar dos avanços, persistem desafios relacionados à
transmissão por outras espécies de barbeiros (principalmente Panstrongylus
megistus), à transmissão oral por alimentos contaminados e à reemergência de
casos em áreas de expansão agrícola ou desmatamento. A transmissão vertical
(mãe para filho) e transfusional também permanecem como formas importantes
de contágio.
● Zoonose: A Doença de Chagas é uma zoonose complexa, com a circulação do parasita
em múltiplos ciclos envolvendo vetores, animais silvestres e domésticos, e o homem.
Forma de Contágio
A principal forma de contágio é a vetorial, mas outras vias são importantes:
1. Transmissão Vetorial (clássica): É a forma mais comum. Ocorre quando o barbeiro,
infectado com o T. cruzi, pica uma pessoa ou animal para se alimentar de sangue.
Durante ou logo após a picada, o barbeiro defeca, liberando o parasita nas fezes. A
pessoa, ao coçar o local da picada, facilita a entrada do parasita através da pele lesada
ou de mucosas (olhos, boca).
2. Transmissão Oral: Ingestão de alimentos contaminados com fezes de barbeiros
infectados ou com o próprio parasita (ex: açaí, caldo de cana, sucos de frutas) que não
foram submetidos a condições de higiene e preparo adequadas. Essa forma tem sido
responsável por surtos agudos da doença, especialmente na Região Norte do Brasil.
3. Transmissão Vertical (congênita): De mãe para filho durante a gestação ou parto. É
uma importante via de transmissão, mesmo em áreas com controle da transmissão
vetorial.
4. Transfusão de Sangue: Através da transfusão de sangue ou derivados de doadores
infectados. O rastreamento de doadores em bancos de sangue é fundamental para
evitar essa via.
5. Transplante de Órgãos: De doadores infectados para receptores.
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6. Acidentes Laboratoriais: Profissionais de laboratório que manipulam o T. cruzi sem
os devidos cuidados.
Patogenia
Após a entrada do T. cruzi no organismo, a doença de Chagas pode ser dividida em duas
fases principais:
1. Fase Aguda:
○ Período inicial: Caracterizado pela presença de parasitas na corrente
sanguínea (parasitemia).
○ Sinais locais: No local da picada do barbeiro, pode surgir uma lesão
avermelhada e inchada chamada chagoma. Se a infecção ocorrer pela
conjuntiva ocular, pode-se observar o sinal de Romaña (edema bipalpebral
unilateral, inchaço da pálpebra).
○ Sinais sistêmicos: Muitos casos são assintomáticos ou apresentam sintomas
leves e inespecíficos, como febre, mal-estar, dor de cabeça, inchaço
generalizado, gânglios aumentados (linfadenopatia) e aumento do fígado e
baço (hepatoesplenomegalia).
○ Duração: Geralmente dura de algumas semanas a poucos meses. A maioria
dos indivíduos sobrevive a essa fase, mas uma pequena porcentagem pode
desenvolver formas graves e, em casos raros, evoluir para óbito, especialmente
crianças e imunocomprometidos.
2. Fase Crônica:
○ Período de latência: Após a fase aguda, a maioria dos indivíduos entra na fase
crônica indeterminada, onde não apresentam sintomas e os parasitas são
detectáveis em baixas concentrações no sangue. Essa fase pode durar décadas.
○ Formas clínicas: Cerca de 30% dos pacientes na fase indeterminada irão
desenvolver as formas crônicas sintomáticas da doença, que resultam de
lesões teciduais progressivas causadas pela persistência do parasita e pela
resposta imunológica do hospedeiro. As formas mais comuns são:
■ Cardiopatia Chagásica Crônica (CCC): É a manifestação mais grave e
comum, afetando o coração. Pode levar a arritmias cardíacas
(alterações no ritmo), cardiomegalia (aumento do coração), aneurismas
apicais (dilatações em uma parte do coração) e insuficiência cardíaca
congestiva.
■ Megaesôfago e Megacólon: Afetam o sistema digestório, causando
dilatação e perda de função do esôfago (dificuldade para engolir,
regurgitação) e do intestino grosso (constipação crônica grave).
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■ Forma Mista: Combinação das formas cardíaca e digestiva.
■ Forma Neurológica: Menos comum, pode causar lesões no sistema
nervoso.
Principais Sintomas Clínicos
Os sintomas variam de acordo com a fase da doença:
Fase Aguda:
● Chagoma de inoculação: Inchaço e vermelhidão no local da picada (na pele).
● Sinal de Romaña: Inchaço unilateral das pálpebras, geralmente com conjuntivite.
● Febre, mal-estar, dor de cabeça.
● Apatia, inchaço generalizado.
● Aumento de gânglios (linfonodos), fígado e baço.
● Em casos graves (raros): Miocardite (inflamação do músculo cardíaco) ou
meningoencefalite (inflamação do cérebro e meninges).
Fase Crônica Indeterminada:
● Ausência de sintomas. O paciente vive com o parasita, mas sem manifestações
clínicas da doença.
Fase Crônica Sintomática:
● Cardiopatia Chagásica Crônica:
○ Palpitações, arritmias.
○ Fadiga, falta de ar (dispneia).
○ Dor no peito.
○ Tontura, desmaios.
○ Edema (inchaço) nas pernas.● Megaesôfago:
○ Dificuldade para engolir (disfagia), especialmente alimentos sólidos.
○ Regurgitação de alimentos não digeridos.
○ Dor atrás do esterno.
○ Perda de peso.
● Megacólon:
○ Constipação intestinal crônica e grave.
○ Dor abdominal.
○ Inchaço abdominal.
○ Em casos extremos, impactação fecal e obstrução intestinal.
Thainá S. Gonçalves 52
Diagnóstico
O diagnóstico da Doença de Chagas depende da fase da doença:
● Fase Aguda:
○ Parasitológico direto: Pesquisa do parasita no sangue por microscopia (gota
espessa, esfregaço sanguíneo, método de Strout). É o método de escolha
devido à alta parasitemia.
○ PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Detecção do DNA do T. cruzi no
sangue, com alta sensibilidade e especificidade.
○ Hemocultura e Xenodiagnóstico: Métodos mais demorados, mas úteis em
casos específicos, onde o parasita é cultivado ou inoculado em barbeiros não
infectados.
● Fase Crônica:
○ Sorologia: Pesquisa de anticorpos anti-T. cruzi no sangue (IgG). São
utilizados testes como ELISA, imunofluorescência indireta (IFI) e
hemaglutinação indireta (HAI). Recomenda-se a realização de pelo menos
dois testes com metodologias diferentes para confirmação.
○ Exames complementares: Em pacientes com formas crônicas sintomáticas,
exames como eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma, radiografias de tórax
e contrastadas (esôfago, cólon) são realizados para avaliar o comprometimento
dos órgãos.
Métodos de Controle
O controle da Doença de Chagas envolve uma série de medidas, focadas na interrupção da
transmissão e no tratamento dos infectados:
1. Controle Vetorial:
○ Melhoria habitacional: Construção ou reforma de casas com materiais que
não ofereçam abrigo aos barbeiros (paredes lisas, telhados vedados).
○ Pulverização com inseticidas: Em áreas endêmicas, a aplicação de inseticidas
residuais nas casas é a principal medida para eliminar os barbeiros.
○ Vigilância entomológica: Monitoramento da presença e infestação de
barbeiros nas residências e no ambiente. A participação da comunidade
(notificação da presença de barbeiros) é fundamental.
○ Educação em saúde: Informar a população sobre o vetor, a doença e as
medidas de prevenção.
2. Controle da Transmissão por Transfusão de Sangue e Transplante de Órgãos:
Thainá S. Gonçalves 53
○ Triagem sorológica obrigatória: Testagem de todos os doadores de sangue e
órgãos para T. cruzi.
3. Controle da Transmissão Vertical:
○ Diagnóstico e tratamento de mulheres em idade fértil: Testagem de gestantes
e crianças nascidas de mães infectadas para diagnóstico e tratamento precoce.
4. Controle da Transmissão Oral:
○ Medidas de higiene e segurança alimentar: Orientação sobre o preparo
adequado de alimentos, especialmente aqueles de consumo in natura (açaí,
caldo de cana) em áreas de risco.
○ Fiscalização sanitária: Monitoramento da produção e comercialização desses
alimentos.
5. Diagnóstico e Tratamento:
○ Diagnóstico precoce: Fundamental para o tratamento, especialmente na fase
aguda e congênita, quando a eficácia dos medicamentos é maior.
○ Tratamento medicamentoso: Os medicamentos antiparasitários (benzonidazol
e nifurtimox) são eficazes na fase aguda e em casos de transmissão congênita.
Na fase crônica, o tratamento visa impedir a progressão da doença, embora a
cura parasitológica seja mais difícil.
○ Manejo das complicações: Tratamento das manifestações cardíacas e
digestivas (medicamentos, cirurgias, implante de marca-passo).
6. Vigilância Epidemiológica:
○ Notificação compulsória de casos suspeitos e confirmados.
○ Investigação epidemiológica para identificar a forma de transmissão e a fonte
de infecção.
Thainá S. Gonçalves 54
Influenza Aviária
A Influenza Aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves,
mas que, em algumas cepas, pode causar infecção e doença grave em humanos e outros
mamíferos.
Etiologia
● Agente etiológico: Vírus influenza tipo A. Existem diversos subtipos do vírus
influenza A, classificados com base em duas proteínas de superfície:
○ Hemaglutinina (H): Com 18 subtipos (H1 a H18).
○ Neuraminidase (N): Com 11 subtipos (N1 a N11).
○ Os subtipos H5 e H7 são de particular preocupação global devido ao seu
potencial de causar doença grave em aves e, ocasionalmente, em humanos.
○ Classificação de patogenicidade: Os vírus da influenza aviária são
classificados como de baixa patogenicidade (LPAI - Low Pathogenic Avian
Influenza) ou de alta patogenicidade (HPAI - High Pathogenic Avian
Influenza). As cepas HPAI, como a H5N1, H5N8, H5N6, H7N9 e mais
recentemente a H5N2 no México, causam doença grave e alta mortalidade em
aves.
Fatores Condicionantes
Diversos fatores contribuem para a ocorrência, disseminação e impacto da Influenza Aviária:
● Aves migratórias: São os reservatórios naturais do vírus e desempenham um papel
crucial na disseminação global dos subtipos de baixa e alta patogenicidade.
● Comércio e transporte de aves: O transporte de aves (vivas ou produtos avícolas)
infectadas, tanto legal quanto ilegal, pode espalhar o vírus rapidamente entre
diferentes regiões e países.
● Sistemas de produção avícola: Aves criadas em sistemas intensivos e com alta
densidade populacional são mais suscetíveis à rápida disseminação do vírus em caso
de introdução. Falhas na biosseguridade aumentam o risco.
● Contato entre aves silvestres e domésticas: Em áreas onde aves domésticas têm
acesso a ambientes externos ou onde a biosseguridade é deficiente, o contato com
aves silvestres pode levar à introdução do vírus nas granjas.
● Condições climáticas e ambientais: Podem influenciar os padrões migratórios das
aves e a sobrevivência do vírus no ambiente.
● Deficiências na vigilância e resposta: A falta de detecção precoce e a demora na
implementação de medidas de controle podem permitir a rápida disseminação do
vírus.
Thainá S. Gonçalves 55
● Mutações virais: O vírus influenza A é conhecido por sua alta taxa de mutação e
recombinação genética (reassortment), o que pode levar ao surgimento de novas
cepas com maior patogenicidade ou capacidade de infectar novas espécies (inclusive
mamíferos e humanos).
Epidemiologia
A epidemiologia da Influenza Aviária é complexa e dinâmica:
● Reservatório natural: Aves aquáticas silvestres (patos, gansos, gaivotas) são
consideradas os hospedeiros naturais de todos os subtipos de vírus influenza A. Elas
geralmente portam o vírus no trato intestinal sem adoecer.
● Ciclo de transmissão: O vírus é transmitido principalmente por via fecal-oral, através
da água e do ambiente contaminado com fezes de aves infectadas.
● Distribuição global: A HPAI, em particular a H5N1, H5N8 e agora a H5N2, tem se
espalhado por diversos continentes, afetando aves de produção, aves silvestres e,
ocasionalmente, mamíferos e humanos.
● No Brasil: O Brasil é historicamente livre de HPAI em aves comerciais. No entanto,
em 2023, houve a detecção de casos de HPAI (subtipo H5N1) em aves silvestres e de
subsistência (aves de fundo de quintal) em diversas regiões do país, o que elevou o
nível de alerta sanitário. Até a data de hoje, 27 de maio de 2025, não há registro de
casos em granjas comerciais. A recente detecção de H5N2 em humanos no México
(notificada em 23 de maio de 2024, de acordo com a OPAS) acende um alerta sobre a
constante evolução do vírus.
● Transmissão para mamíferos: Em surtos recentes, observou-se a infecção por H5N1
em mamíferos (focas, leões marinhos, raposas, ursos, gatos, bovinos), o que indica
uma expansão do espectro dehospedeiros e aumenta a preocupação com o potencial
de adaptação do vírus.
Forma de Contágio
A transmissão da Influenza Aviária ocorre principalmente por:
1. Contato direto: Com aves infectadas (doentes ou portadoras assintomáticas), seus
fluidos respiratórios, secreções e fezes.
2. Contato indireto: Através de equipamentos, veículos, ração, água, camas e vestuário
contaminados com o vírus.
3. Aerossóis: Em ambientes fechados e com grande concentração de aves, a transmissão
pode ocorrer por aerossóis contendo o vírus.
4. Em humanos: A maioria dos casos de infecção humana ocorre após contato direto e
prolongado com aves doentes ou mortas, ou com ambientes altamente contaminados
(ex: granjas, mercados de aves vivas). A transmissão de humano para humano é rara e
Thainá S. Gonçalves 56
não sustentada, mas é uma das maiores preocupações de saúde pública, pois poderia
levar a uma pandemia.
Patogenia
A patogenia da Influenza Aviária varia amplamente dependendo da cepa viral, da espécie da
ave e da idade do hospedeiro.
● Em aves:
○ LPAI: Geralmente causa sinais respiratórios leves (tosse, espirros), queda na
produção de ovos e leve depressão.
○ HPAI: Causa doença sistêmica grave, com alta replicação viral em múltiplos
órgãos (trato respiratório, digestório, sistema nervoso, etc.). Leva a
hemorragias, necrose e inflamação generalizada, resultando em doença severa
e mortalidade de até 100% em poucos dias.
● Em mamíferos e humanos:
○ O vírus se replica no trato respiratório, podendo causar pneumonia.
○ Em casos graves, pode ocorrer uma "tempestade de citocinas" (resposta
inflamatória excessiva e descontrolada) que leva a danos pulmonares graves,
insuficiência respiratória aguda e falência de múltiplos órgãos.
○ A infecção pode afetar outros sistemas, como o gastrointestinal e o
neurológico, dependendo da cepa e da capacidade do vírus de se ligar a
receptores específicos em diferentes tecidos do hospedeiro.
Principais Sintomas Clínicos
Em aves (especialmente aves de produção):
● Sinais inespecíficos:
○ Queda súbita na produção de ovos e na qualidade da casca.
○ Depressão, prostração, desidratação.
○ Redução no consumo de ração e água.
● Sinais respiratórios:
○ Tosse, espirros, dificuldade respiratória.
○ Secreções nasais.
○ Inchaço da face e barbela.
● Sinais digestórios:
○ Diarreia aquosa.
● Sinais neurológicos (em HPAI):
○ Tremores, incoordenação, torcicolo.
○ Paralisia.
Thainá S. Gonçalves 57
● Mortalidade:
○ LPAI: Mortalidade baixa ou ausente.
○ HPAI: Mortalidade súbita e elevada, muitas vezes atingindo 100% do lote em
poucos dias.
Em humanos (casos de infecção por subtipos aviários como H5N1, H7N9, H5N2):
● Sintomas respiratórios:
○ Febre (geralmente alta).
○ Tosse.
○ Dor de garganta.
○ Falta de ar (dispneia).
○ Em casos graves, pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo
(SDRA).
● Sintomas sistêmicos:
○ Mialgia (dores musculares), dor de cabeça, fadiga.
○ Náuseas, vômitos, diarreia (menos comuns, mas podem ocorrer).
● Conjuntivite: Em alguns casos.
● Sintomas neurológicos: Raramente, mas foram relatados casos de encefalite.
● Gravidade: Os casos em humanos variam de leves a muito graves, com alta taxa de
letalidade para algumas cepas HPAI, como H5N1.
Diagnóstico
O diagnóstico da Influenza Aviária é laboratorial e rápido, especialmente para casos
suspeitos de HPAI.
● Em aves:
○ Coleta de amostras: Suabes de cloaca, orofaringe, traqueia, órgãos internos
(pulmões, baço, rins) de aves doentes ou mortas.
○ RT-PCR (Reverse Transcription Polymerase Chain Reaction): Método rápido e
sensível para detectar o material genético do vírus e determinar o subtipo (H e
N).
○ Isolamento viral: Cultivo do vírus em ovos embrionados de galinha ou em
cultura de células para posterior caracterização.
○ Sorologia: Detecção de anticorpos no soro das aves, indicando exposição
prévia ao vírus.
● Em humanos:
○ Coleta de amostras: Suabes de nasofaringe, orofaringe, aspirado traqueal ou
lavado broncoalveolar.
Thainá S. Gonçalves 58
○ RT-PCR: Para detectar o vírus influenza A e subtipar a cepa.
○ Sorologia: Detecção de anticorpos para confirmação de infecção.
Métodos de Controle
O controle da Influenza Aviária, especialmente as cepas de alta patogenicidade, é crucial
para proteger a avicultura e a saúde pública:
1. Biosseguridade rigorosa:
○ Restrição de acesso a granjas (controle de pessoas e veículos).
○ Desinfecção de equipamentos e veículos.
○ Uso de vestuário e calçados específicos para a granja.
○ Controle de pragas e outros animais (roedores, aves silvestres) que podem
atuar como vetores mecânicos.
○ Limpeza e desinfecção regulares das instalações.
2. Vigilância Epidemiológica:
○ Monitoramento ativo da saúde das aves, com notificação imediata de qualquer
sinal de doença suspeita.
○ Vigilância em aves silvestres (mortalidade atípica).
○ Rastreamento e investigação de contatos.
3. Detecção Precoce e Resposta Rápida:
○ Em caso de surto em aves comerciais, a estratégia é de sacrifício sanitário
(eutanásia e descarte seguro das aves infectadas e expostas) para conter a
disseminação.
○ Estabelecimento de zonas de proteção e vigilância ao redor dos focos.
○ Controle rigoroso do trânsito de aves e produtos avícolas.
4. Educação e Conscientização:
○ Informar avicultores, veterinários, trabalhadores e a população sobre os
riscos, sintomas e medidas de prevenção.
5. Vacinação:
○ A vacinação de aves pode ser uma ferramenta de controle em algumas regiões,
mas sua implementação é complexa e requer avaliação cuidadosa, pois pode
mascarar a circulação viral e dificultar a erradicação. No Brasil, por ser país
livre de HPAI, a vacinação em aves comerciais é proibida para não impactar o
status sanitário do país.
6. Medidas de Saúde Pública (para prevenir a transmissão para humanos):
○ Evitar contato com aves doentes ou mortas, especialmente aves silvestres.
Thainá S. Gonçalves 59
○ Uso de equipamentos de proteção individual (máscaras, luvas, óculos) por
pessoas que trabalham com aves ou que precisam manipular aves
doentes/mortas.
○ Higiene das mãos.
○ Cozinhar adequadamente a carne de aves e ovos.
○ Vigilância de casos humanos suspeitos, com investigação epidemiológica para
identificar a fonte de infecção e contatos.
○ Preparação para uma possível pandemia (desenvolvimento de vacinas
humanas, planos de resposta).
Thainá S. Gonçalves 60e
arbovirose)
● Desmatamento por urbanização, ocupação de novas áreas para uso do solo, animais
domésticos, de produção ou seres humanos.
● Maior contato dos humanos com animais silvestres, sinantrópicos e vetores -
proporcionando o surgimento de novas doenças ou alteração no padrão transmissão
das antigas
○ Doença de Lyme nos EUA: aumento das fronteiras agrícolas (morte de
cervídeos). Aumento de carrapatos nos centros urbanos
○ Hantavírus no Brasil: o desmatamento e morte de taquarais, ocasionaram o
deslocamento de roedores para os centros urbanos de PR e SC
Hábito de criar/domesticar ou comercializar irregularmente animais silvestres:
● Favorece comércio ilegal de animais, o maior contato com animais no ambiente
silvestres
● Maior risco de exposição e disseminação de patógenos exóticos
○ Surto de psitacose humana no RS associado ao contato com caturritas
● Aumenta significativamente a quantidade de espécies invasoras
● Animal inusitado “perde a graça” - é solto em habitats onde não há predadores
naturais
● Afeta a fauna e diminui a biodiversidade local
● Afeta a população local
● Favorece a disseminação de patógenos exóticos para outras espécies hospedeiras
Contato com animais de estimação e produção
● Humanização dos animais
● Se não for aliada a sanidade ocorre maior exposição ao risco de contrair zoonoses
● Bactérias produzem substâncias antimicrobiana para atacar umas às outras
Desmatamento - favorece o aumento da competição de sobrevivência
Produção em larga escala de animais com finalidade alimentícias
● Uso de antibiótico para controle de patógenos em locais medidas sanitária precárias
● Aumento da resistência antimicrobiana
● Disseminação de genes de resistência entre patógenos
Thainá S. Gonçalves 4
Zoonose recentes x atividade humana
● Ebola desmatamentos florestais
● Contatos mais próximos entre morcegos e outros animais de vida selvagem
● Destes com assentamentos humanos na África
● Hábitos locais consumo carne exóticas
● Vírus Nipah: desmatamento na Malásia para estabelecimentos da agricultura
(produção de frutas) e pecuária (intensificação da suinocultura)
○ Eliminou habitar e fontes de comida de morcego - migraram em busca de
alimento
○ Estabeleceram-se em nova região (próximos a criação de porcos e a
população humana)
○ Possibilitou a disseminação do vírus para os suínos e humanos
● Surto de febre amarela - rompimento da barragem da Samarco (Mariana, MG)
○ Degradação provocada pelo desastre - possibilitado a emergência da FA
○ Responsável pela contaminação e morte, por febre amarela
■ 400 macacos de uma espécie em extinção
■ Milhares de pessoas
Novas zoonoses e pandemia:
● Podem emergir ou reemergiu continuamente
● Se continuamos explorando a vida selvagem, alterando/destruindo os ecossistemas,
podemos esperar um fluxo constante de doenças transmitida de animais para
humanos nos próximos anos
● Zoonoses e pandemia podem ser devastadoras para nossas vida e nosso economias,
como vimos na pandemia da covid-19
● Veterinários: ter consciência do seus maior risco de exposição devido a sua ocupação
○ Precaver de EPIs
○ Conhecer as zoonoses mais comum de cada espécie, forma de transmissão,
métodos de diagnóstico, tratamento, controle e prevenção
● Alertar proprietário/criadores (relação próxima com seu animal de estimação) -
relevante para transmissão de doenças
○ Alertar a importância de sanidade dos animais para evitar o risco para a
transmissão de doenças: posse responsável, vacinação, vermifugação, controle
de ectoparasitas (pulgas/carrapatos)
○ Comunicar eventos aos órgãos de saúde …
● Independente da área de atuação do med. Vet. Sempre tem que impedir a
manutenção da cadeia de transmissão de doenças zoonóticas
Thainá S. Gonçalves 5
Desafios no controle das zoonoses:
● Zoonoses representam uma área de intersecção entre a saúde pública, saúde animal e
vigilância ambiental
● São doenças mais desafiadoras para controles pois algumas além de apresentarem
diversos hospedeiros (animais vertebrados), ainda tem uma complexa inter-relação
com as alterações ambientais e por isso representam um dos maiores desafios na
atualidade.
● O controle implica em uma abordagem governamental, com cooperação intersetorial
e requer interação e colaboração de equipes profissionais dos setores da saúde
humana, animal e ambiental, que dependem da adoção de políticas públicas de saúde.
Thainá S. Gonçalves 6
Leptospirose
Situação problema
Cães:
● Quadro febril
● Inapetência
● Vômitos
● Diarréia
● Icterícia
● Alterações renais com presença ou não de uremia
● Alterações hepáticas
● Hemorragias
Bovinos:
● Bezerros jovens - quadro febril, apatia, inapetência, icterícia e hemoglobinúria
● Vacas adultas (aptidão leiteira) - infecção da glândula mamária, mastite, diminuição
da secreção láctea, úbere flácido e leite com coágulos de sangue
● Aborto no terço final da gestação
Equino:
● Febre
● Apatia
● Inapetência
● Icterícia
● Aborto esporádico no terço final da gestação e infertilidade
● Conjuntivite que pode evoluir para cegueira
Suíno:
● Jovens: diminuição no ganho de peso, encefalite com incoordenação motora,
convulsões, movimento de pedalagem
● Adultos(reprodutores) - abortamento no terço final da gestação, aumento do número
de natimortos, nascimento de poucos leitões fracos e inviáveis, mumificação fetal,
marrãs com infertilidade
● Adultos - mastite com diminuição da produção de leite e condenação de carcaça em
frigorífico
Doença infectocontagiosa aguda, causada por bactérias do gênero Leptospira, que afeta
animais e humanos, cujo espectro clínico pode variar desde um processo inaparente até
formas graves
Thainá S. Gonçalves 7
Etiologia
➔ Bactérias
➔ Família Leptospiraceae
➔ Gênero leptospira
➔ Espiroquetas longas e espiraladas semelhantes rolhas
➔ Apresentam flagelos não detectáveis - endoflagelos, filamentos axiais
Possibilitam deslocamento em meio líquido ou nos tecidos, vencendo barreiras, conseguindo
penetrar na pele inclusive íntegra ou macerada pela água
Leptospiras patogênicas provocam doenças:
- Leptospira interrogans - espécies patogênico mais comum causadora da leptospirose
em todo mundo
- Outras espécies patogênicas para animais domésticos, L. Kirschneri, L. Noguchi, L.
Borgpetersenii, L. Santarosai
Agente etiológico
Classificação sorológica:
● Leva em conta características das lipopolissacarídeos de membrana que podem
provocar aglutinação in vitro.
Sorovar:
● corresponde as leptospiras com reatividade a determinado anticorpo, com base nos
carboidratos da membrana externa
Sorogrupo:
● conjunto de sorovares que possuem carboidratos em comum e, portanto, podem
apresentar reatividade cruzada em métodos diagnósticos que envolvem anticorpos
Cada sorovar tem seu(s) reservatório(s) preferencial(ais), porém uma espécie animal pode se
infectar com sorovares preferenciais de outras espécies
● Quando um hospedeiro se infecta com sorovar distinto do seu preferencial, os
sintomas tendem a ser diferentes e mais graves
Brasil:
● Copenhageni e Icterohaemorrhagiae (reservatório roedores) são os sorovares
relacionados aos casos mais graves
Importância
● Impacto na saúde animal
● Envolvimento de diversas espécies (cães, bovinos, equinos, suínos, caprinos e ovinos)
Thainá S. Gonçalves 8
● Prejuízos econômico para a produção anual (alterações reprodutivas além de
diminuição da produção) e custosde tratamento animais enfermos
● Impacto em saúde pública:
● Risco a saúde pública (cães) e diagnóstico difícil
● Ausência do trabalho.
● Alto custo hospital do tratamento dos seres humanos
● Letalidade da ordem de 5% a 20%
● Mais de um milhão de novos casos/ano e gerando cerca de 59 mil mortes
Impacto social:
● Grupos socioeconômico menos favorecidos
● Crescimento desordenado da população
● Infraestrutura precária
● Condições inadequadas de saneamento
● Habitam próximo a esgoto a céu aberto, margens córregos, ou exposto a enchentes
● Presença de cães errantes
● Alta infestação de roedores infectados
Epidemiologia
● Antropozoonose (animal -> homem) de distribuição universal
● Animais são hospedeiros primários, essenciais para a persistência dos focos de
infeção
● Seres humanos são hospedeiros acidentais, terminais, pouco eficientes na
perpetuação da mesma
● Animais infectados podem eliminar a leptospira através da urina durante meses, anos
ou por toda vida, segundo a espécie animal e o sorovar envolvido.
● Importância do direcionamento das ações preventivas para os animais vertebrados
que se comportam como reservatórios
Doença ocupacional:
● Trabalhadores do serviço de saneamento ambiental (águas, bueiros, galerias de esgoto
e coleta de lixo) - manipulação de material contaminados por excretas de roedores
● Trabalhadores em arrozais e canaviais
● Fazendeiros e agricultores
● Veterinários e pessoas que manipulam produtos de origem animal
● Trabalhadores domésticos (risco individual para infecção - limpeza da casa ou jardim)
Thainá S. Gonçalves 9
● População de maior poder aquisitivo - risco de infecção por meio de animais de
companhia ou cães errantes infectados, em atividades recreativas (em águas de rios e
riachos - rafting e canoagem), além de viagens e turismo
Onde?
● Brasil
● doença endêmica e de caráter sazonal
● epidêmica em períodos chuvosos
Fatores (ligados ao agente) que favorecem a disseminação da doença
● Elevado grau de variação antigênica (sorovares/sorogrupos)
● Ampla variedade de reservatórios
● Elevado grau de variação antigênica (sorovares/sorogrupos)
● Amolga variada de de reservatórios
● Capacidade de sobrevivência no ambiente (180 dias)
Aspectos epidemiológicos no Brasil
● Centros urbanos - aprovares Icterohaemorrhagiae, Canicola, Autumnalis são os
principais responsáveis pelos casos de leptospirose em cães assintomáticos
● Autumnalis não está presente em nenhuma vacina
● As outras duas podemos observar nas vacinas V8
● A reação do animal vai ser menor quando a vacina tiver várias cepas pois o sistema
imunológico está recebendo muita “informação”
● Vacinas adaptadas nos EUA para as cepas prevalentes no país são vendidas no Brasil,
sendo que não temos as mesmas prevalências aqui
Epidemiologia
Roedores e cães
● principais reservatórios da doença ambiente urbano
Roedores
● importantes disseminadores, pois não vem óbito em consequência da doença
● Os roedores eliminam o vírus por tempo prolongado, são mais acometidos com o
Icterohaemorrhagiae
Animais produção (bovinos, ovinos, suínos, equinos) domésticos (cães) e silvestres infectados
● principais reservatórios em ambiente rural
● Também podem eliminar os vírus por tempo maiores, não tanto quanto os roedores
Fontes de infecção
● animais infectados, convalescentes e assintomáticos
Thainá S. Gonçalves 10
● Eliminam de forma contínua ou intermitente bactéria promovendo a contaminação
ambiental e a persistência de focos
Vias de eliminação
● Urina , fetos abortados, placenta, descargas cervico-vaginais e sêmen
● Urina e pH alcalino do tecido renal de roedores (outras espécies) favoráveis a
sobrevivência do agente e colonização renal acarretando leptospiuria prolongada ou
vitalícia
Leptospiuria é prolongada, o contato com essa urina pode contaminar
● Como o rim é de difícil penetração dos anticorpos, a leptospirose permanece
eliminado o vírus
Transmissão
● Contato direto com sangue, tecidos, órgãos e urina infectados, convalescentes e
assintomáticos
● Contato indireto com água, solo contaminado ou ingestão de produtos contendo
urina ou outros fluidos de animais infectados, convalescentes e assintomáticos
● Acidental -> Laboratório
Penetrar suscetível por portas de entradas:
● Mucosa oral
● Mucosa ocular
● Mucosa genital
● Pele (íntegra ou lesionadas)
Suscetíveis:
● Animais
Hospedeiros acidentais
Imunidade adquirida
● sorovar-específico, podendo um mesmo indivíduo apresentar a doença mais de uma
vez, se acontecer infecção por um sorovar diferente do anterior
● Porque a infecção vai causar os sinais clínicos apresentados?
Patogenia
● Penetração no organismos -> pele ou mucosas (mucosa ocular, oral, genital, ou pele
íntegra ou lesionada)
● Multiplicação sanguínea (Leptospiremia) c/ disseminação para muitos órgãos e
tecidos (rins, fígado, baço, SNC, olhos, trato genital)
Thainá S. Gonçalves 11
● Lesões em células endoteliais de revestimento vascular decorrente da ação mecânica
do microorganismo
● Hemorragias e trombos que levam à infartos teciduais
● Apresentações clínicas variáveis depende da espécie afetada e do sorovar causador da
infecção (super agudos, agudos, crônicos)
Cão/Homem:
● Icterícia em virtude de lesão hepática + rins podem apresentar problemas na filtração
Outras espécies de animais de produção:
● Mais comum observar problemas reprodutivos (diminuição da fertilidade e
abortamento)
● Formação de anticorpo para combater as leptospiras que se estabelecem em locais de
difícil acesso ao sistema imune (Globo ocular e Túbulos Contornados Renais)
Cães/Outras espécies animais:
● Leptospirúria intermitente (duração meses a anos)
Sinais clínicos
● Homem -> desde formas assintomáticas até formas graves
● Frequentemente confundida com outras doenças febris, icterícia sou não (hepatite,
dengue)
● Icterícia (não agudas
Limitações do cultivo
● Laboratórios especializados no procedimento
● Demorado (crescimento bactéria)
● Laborioso - Complexidade de meios de cultura
● Semeadura imediata do material após a coleta
● Semeadura imediata do material após a coleta
● Coleta anteceder antibioticoterapia
● Dificuldade de obter amostra livre de contaminação
● Baixa sensibilidade
PCR
● Matérias - idem cultivo
● Vantagem: identificação de pequenas quantidades de DNA Leptospira spp. e a
depender da técnica pode determinar a espécies envolvida
● Limitações : preço e laboratório especializados
Soroaglutinação microscópica (SAM)
● Realizada com soro de pacientes reação contra sorovares específicos de Leptospira,
utilizando cepas de vivas leptospiras como antígeno
Thainá S. Gonçalves 13
Vantagem:
● teste diagnóstico recomendado pela OMS
● baseada em reação de antígenos e anticorpos
● elevada especificidade
Teste mais recomendado para humanos e animais
Desvantagem:
● Utiliza leptospira vivas
● Não detecta anticorpo antes da segunda semana de doença
● Vacinas podem causar reações cruzadas na fase aguda
● interferência no resultado do teste, dificultam identificação do sorovar infectante
Interpretação:
● Requeridas amostras da fase aguda e convalescente para identificar soroconversão
(aumento de quatro vezes nos títulos demonstrados) para confirmação do diagnóstico
● Importante o questionamento do histórico vacinal contra leptospirose (animais
vacinados podem ter títulos baixos contra os sorovares contidos na vacina)
● Sorologia negativa na fase animal não exclui doença, já que os anticorpos começam a
ser produzidos a partir da segunda semana
Notificação obrigatória - Instrução Normativa MAPA n° 50, 2013
Categoria IV - doenças que requerem notificação mensal de qualquer caso confirmado
● Botulismo
● Cisticercose
● equinococose
● fasciolose
● Leptospirose
● Influenza suína
● Leishmaniose
● Doença de Malek
● Diarreia Viral Bovina, etc…
Tratamento
● Administração de antibióticos (combater a leptospiremia e a leptospiúria)
● Tratamento de suporte para as demais complicações da doença
● Eficácia depende do diagnóstico precoce da doença
● Tratamento instituído na fase iniciação da doença - melhor prognóstico
Thainá S. Gonçalves 14
● Penicilinas, Amoxicilinas e doxiciclina - antimicrobianos de escolha humanos e cães
( só têm ação na leptospiremia )
Considerar terapia antimicrobiana para leptospiúria na fase convalescente -
Dihidroestreptomicina IM indicada nos animais de produção
Medidas Preventivas
● Medidas ligadas ao meio ambiente:
➔ Obras de saneamento básico (abastecimento de água e esgoto)
➔ Melhorias nas condições das habitações humanas
● Controle de roedores
● Destino adequado do lixo
● Armazenamento adequado de alimentos
● Educação ambiental e em saúde
➔ Médico veterinário orientar medidas preventivas e profiláticas aos tutores,
criadores em canis, ou responsáveis da gestão sanitária de rebanhos
● Evitar o contato com água ou lama que possam estar contaminadas pela urina de rato
● Medidas ligadas a Exposição Ocupacional
➔ Utilização de EPIs adequados a atitude profissional
● Alguns países possuem vacinas para a prevenção da leptospirose humana (pouco
seguras)
● Direcionar ações preventivas para os animais (reservatórios de Leptospira)
● Tratamento dos animais doentes - controlar a eliminação de leptospiras da urina e a
contaminação ambiental
● Vacinação (cães e animais de produção) é uma importante medida profilática -
efetivas em reduzir a ocorrência da doença e a gravidade da sintomatologia
● Vacinas animais - compostas por bacterianas (fragmentos inativados de leptospiras
de sorovares diferentes)
➔ Despertando a imunidade contra sorovares específicos
➔ Previnem desenvolvimento de doença clínica grave
➔ Mas não protegem contra a infecção de sorovares não constantes na
formulação
Vacinação em cães
● Vacinas múltiplas V8, contém bacteriana para imunização contra os sorovares
icterohaemorrhagiae e canicola (+ prevalentes)
Thainá S. Gonçalves 15
● Vacinas múltiplas V1 0 , p o s s u e m adicionalmente os sorovares grippotyphosa e
pomona em sua composição
● Vacinas múltiplas V1 2 possuem adicionalmente os sorovares copenhageni, hardjo e
pyogenes em sua composição
● Quando a prevalência de outros sorovares for significativa na região, justifica-se a
utilização de vacinas específicas
● Imunidade induzida pelas vacinas - duração três a nove meses
● Esquema vacinal adotado para cães com revacinação anual, pode deixar os animais
em risco de infecção em locais altamente expostos
● Recomendado nestes locais dose de reforço contra leptospirose a cada seis meses
(vacina tríplice
➔ Cinomose, HIC, e leptospiras ou Guard-Vac LCI/GP
➔ Leptospira sorotipos canicola icterohaemorrhagiae, grippotyphosa e pomona
em cães)
Thainá S. Gonçalves 16
Febre maculosa
● Zoonoses
● Capivara é um amplificador
● Rickettsia
● Doença emergente
Doença infecciosa (não contagiosa) causada por bactérias do gênero Rickettsia , transmitidas
por carrapatos do gênero Amblyomma.
Sintomatologia em humanos:
● Febre
● Cefaleia
● Mialgia
● Prostração
● Náuseas/vômitos
● Linfadenopatia
● Exantema - pontos avermelhados
● Dor abdominal
● Diarréia
Importância da doença:
● Diagnóstico e tratamento tardio aumentam as chances de complicações ou da doença
evoluir para óbito
● Doença reemergiu a partir das década de 80, se tornou importante problema de saúde
pública no Brasil (região sudeste)
○ Aumento no número de casos
○ Expansão das áreas de transmissão
○ Transmissão em áreas urbanas
○ Elevada letalidade
● Áreas urbanas, periurbanas
Etiologia:
● Bactérias
● Cocobacilo/bacilo curto - gram negativos
● Intracelular obrigatória
● Têm tropical por células endoteliais
Thainá S. Gonçalves 17
● Brasil causada por duas espécies
○ Rickettsia rickettsii - produz os quadros mais graves (Paraná e região sudeste)
○ Rickettsia sp. cepa mata atlântica - quadro clínico mais leve (região de mata
atlântica)
● Transmitido por carrapatos Amblyomma (estrela):
○ Parasita equídeos, bovinos, caprinos, suínos, aves silvestres, cães, gatos,
capivaras e o homem
○ Encontrado no cerrado, no Pantanal e em áreas degradadas da mata atlântica
no estados da região sul, sudeste e nordeste e centro oeste
● Amblyomma aureolatum:
○ Carrapato amarelo do cão
○ Larga parasita aves passeriformes e roedores silvestre
○ Fase adulta parasita cães
● Amblyomma Ovale
○ Fases imatura parasita pequeno roedores silvestres
○ Fase adulta preferência por carnívoros
○ Vetor da Rickettsia parkeri (menos virulenta que a R. rickettsii)
● Rhiphocelus sanguíneos - em pesquisa
Infecção do carrapato:
● Carrapatos vetores se infectam pelas riquétsias por:
○ Repasto sanguíneo em um animal que esteja em período de bacteremia
○ Cópula
○ Via transovariana - fêmea para os ovos
○ Via transestadial - das larvas até as fases de ninfa e adulta, permanecendo
mais durante toda a vida
Epidemiologia :
● Casos isolados ou pequenos surtos
● Sazonalidade - acompanha os ciclos populacionais de carrapatos-estrelas jovens
(meses secos)
● Histórico de região rurais >> tendência de urbanização
● > 70% dos casos - adultos do sexo masculino, atividade ocupacionais em aérea
habitadas por capivaras (ex: margens de rios e lagos)
● FMB está entre as doençasque apresentam maior letalidade, quando comparadas a
dengue, malária e leishmaniose visceral
Thainá S. Gonçalves 18
● Espécie R. Rickettsia causa a mais severa forma clínica da FMB e 80% dos casos
graves podem evoluir a óbito
● 808 casos confirmados entre 97 e 2009
● 75 óbitos no Brasil entre 2005 - 2010
● Observou letalidade de 24%
● Concentração de regiões sudeste e sul
● Notificações: são Paulo, minas gerais, Paraná, Rio de janeiro e espírito santo
● Casos confirmados concentram-se em homens do que mulheres, a faixa etária mais
acometida é de 40 a 49 anos e 20 a 29 anos.
● Concentra-se em julho a novembro (períodos mais secos do ano e de maior risco para
a transmissão da doença) devido a presença de formas jovens.
● Reservatórios
○ Animais vertebrados
○ Fundamentais na amplificação da infecção pela bactéria na população dos
vetores da doença
○ Roedores - capivaras
○ Marsupiais - gambás
○ Equídeos - não são bons amplificadores
○ Canídeos e humanos - hospedeiros acidentais
Fatores de risco:
● Locais rurais ou de crescimento desordenado da área urbana junto a áreas com matas
remanescentes - expõe a população ao risco de ser parasitados por carrapatos
● Convivência com animais reservatórios
● Contato com carrapato
● Frequentar áreas de com matas, florestas, rios e cachoeiras
● Contato com equino, capivara, bovinos
Transmissão:
● Não ocorre diretamente entre humanos
● Picada de carrapato infectado após um período mínimo de 10 min de parasitismos
● Fases de ninfa e larvas (menor tamanho)
● O carrapato pode permanecer infectado por toda a vida (18 a 36 meses), funcionando
também como reservatórios
● Retirada incorreta de carrapato parasitados
● Mãos sem proteção ou o esmagamento do artrópode com as unhas
● Penetração da riquétsias nas mucosas íntegras ou na pele lesada
Thainá S. Gonçalves 19
● Acidente de laboratório
Patogenia:
● Picada do carrapato infectado
● Liberação da bactéria encontrada nas glândulas salivares
Aspectos clínicos:
● Curso clínico variável, desde quadro clássicos a formas atípicas sem exantema
● Período de incubação - 2 a 14 dias (em média 7 dias)
● Fase inicial: febre alta, cefaleia, mialgia, mal estar generalizada, sintomas gástricos,
exantema maculopapular inicia nas mãos e pés
● Em diversos pacientes não há manifestação do exantema e dificulta ou retarda o
diagnóstico
● Casos graves: icterícia, edema nas mãos e nos pés ou edema generalizado,
acometimento neurológico, insuficiência respiratória aguda, insuficiência renal
aguda, hipotensão, evoluir para diástese hemorrágica hemorragia, choque
hipovolêmico
● Sequelas: alterações neurológicas, alterações vasculares importantes (quadro
neuróticos, principalmente em região de extremidade)
● Óbito entre 5 a 15 dia
Diagnóstico:
● Difícil - inespecificidade das manifestações clínicas
● Diagnóstico confundidos com outras doenças infecciosas
● Anamnese é o fundamental
Diagnóstico laboratoriais:
● Reação de imunofluorescência indireta (IFI)
○ Método sorológico
○ Anticorpos presentes na amostra de sangue/soro reagem com o antígeno
(riquétsias) gerando um sinal de fluorescência nas amostras positivas
○ Positivo a partir do sétimo dia após manifestação clínica
● Técnica de biologia molecular (PCR)
○ Detecta presença de material genético do agente
○ Realizada em soro e carrapato
● Cultura em isolamento
Thainá S. Gonçalves 20
○ Identificar o agente etiológico e possibilita a diferenciação das riquétsias
○ Não utilizado de rotina
○ Realizado em apenas de laboratórios N3
Tratamento:
● Antibiótico
● Iniciado logo depois que se suspeita de FMB, não devendo esperar confirmação de
diagnóstico
● Tratamento precoce revela-se eficaz
● Tratamento após o quarto dia, por não ter eficácia esperada, ocasionando
consequências graves
● Doxiciclina - antimicrobiano de escolha para os pacientes com suspeita
● Suspende o antibiótico após desaparecimento dos sintomas, como febre
● Não é recomendada a antibioticoterapia profilática para indivíduos assintomáticos
que tenha sido recentemente picados por carrapatos, risco de prolongar o período de
incubação da doença
● O paciente observar se aparecer os sintomas
Notificações:
● Obrigatória
● Realizar investigação epidemiológico em até 48 h após a notificações, avaliando a
necessidade de adoção de medidas de controle pertinentes
Vigilância da FM:
● Epidemiológico + ambiental
● Detectar e tratar precocemente os casos suspeitos, visando reduzir letalidade
● Investigar e controlar surtos..
● OMS: aviso as unidades de saúde locais e colocar placas de alertas para população,
capacitação dos profissionais
Prevenção e controle:
● Uso de repelentes DEET
● Fazer controle químico nos animais através de banhos frequentes (carrapaticida)
● Uso de roupas longas em áreas de infestação
● Cuidado ao proceder a retirada dos carrapatos para evitar contaminação.
Thainá S. Gonçalves 21
Doença de Lyme
A Doença de Lyme é uma zoonose complexa e multifacetada, com aspectos importantes a
serem considerados:
Informações gerais:
● Causada por espiroquetas do gênero Borrelia: Especificamente, a Borrelia
burgdorferi é a principal responsável nos Estados Unidos e Europa. No Brasil, outras
espécies de Borrelia também podem estar envolvidas.
● Doença infecciosa não contagiosa de caráter multissistêmico transmitida por
carrapatos: Isso significa que a doença afeta diversos sistemas do corpo e é
transmitida pela picada de carrapatos infectados.
● Principal sintoma: eritema cutâneo migratório: Uma mancha vermelha que se
expande gradualmente no local da picada do carrapato, muitas vezes com um centro
mais claro, formando um "alvo".
● Outros sintomas: Febre, dores musculares e articulares, inchaço nas articulações,
alterações cardíacas e neurológicas podem ocorrer em estágios mais avançados.
● Zoonose emergente: A Doença de Lyme está se tornando mais comum em diversas
partes do mundo, incluindo o Brasil.
● Gatos são resistentes à bactéria: Embora possam ser infectados, geralmente não
apresentam sintomas clínicos.
Etiologia:
● As espiroquetas do gênero Borrelia são bactérias helicoidais, gram-negativas, que
podem ser visualizadas por microscopia de campo escuro, contraste de fase ou
coloração por prata.
● Podem ser encontradas no sangue, pele, líquido cefalorraquidiano (LCR), líquido
sinovial e nos carrapatos vetores.
● Diferentes espécies de Borrelia são encontradas em diferentes regiões: Borrelia
burgdorferi sensu stricto (BSK) nos EUA e Europa, e outras espécies no Brasil (SPK).
Epidemiologia:
● Carrapatos vetores: Amblyomma sculptum, Ixodes ricinus, Rhipicephalus sanguineus
e Ixodes loricatus são alguns dos vetores conhecidos.
● Reservatórios: Cervos (fase adulta do carrapato) e roedores (fase inicial do carrapato)
são importantes reservatórios nos EUA e Europa. No Brasil, roedores, marsupiais,
animais domésticos e aves silvestres também podem atuar como reservatórios.
● A presença de capivaras tem sido associada à maior ocorrência da doença no Brasil.
● Áreas de risco para infecção: regiões litorâneas e áreas rurais com rica vegetação.
Thainá S. Gonçalves 22
Patogenia:
A doença progride em estágios:
● Estágio 1 (Localizada precoce): Eritema migratório e sintomas semelhantes à gripe.
● Estágio 2 (Disseminação precoce): A bactéria se espalha pelo corpo, podendo afetar o
sistema nervoso, coração e articulações.
● Estágio 3 (Disseminação tardia):Artrite crônica, problemas neurológicos e cardíacos
podem se desenvolver.
Diagnóstico:
● O diagnóstico pode ser desafiador, especialmente no Brasil, devido à falta de
conhecimento da doença por parte da classe médica.
● Testes sorológicos (ELISA e Western blot) são utilizados para detectar anticorpos
contra a Borrelia.
Tratamento:
● Doxiciclina e amoxicilina são antibióticos comumente utilizados no tratamento.
Outras informações importantes:
● A Doença de Lyme é de notificação compulsória em alguns países, mas não há uma
vigilância específica no Brasil.
● A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda medidas de prevenção, como o
uso de repelentes, roupas protetoras e inspeção do corpo após atividades ao ar livre.
● A Doença de Lyme, quando não tratada, pode levar a quadros de mortalidade e é uma
doença debilitante.
● Síndrome de Baggio-Yoshinari (SBY) é uma doença infecciosa emergente no Brasil,
com sintomas semelhantes à Doença de Lyme, causada pela bactéria Borrelia
burgdorferi e transmitida pela picada de carrapatos (o mais suspeito sendo o gênero
Amblyomma cajennense) infectados. Ambas as doenças podem apresentar sintomas
como eritema migrans (mancha vermelha na pele), febre, fadiga, dores articulares e
musculares, e problemas neurológicos.
Thainá S. Gonçalves 23
Complexo equinococose - hidatidose
O Complexo Equinococose-Hidatidose é uma zoonose parasitária de grande importância em
saúde pública e veterinária, causada por cestódeos do gênero Echinococcus. Vamos detalhar
as informações fornecidas:
Características Gerais:
Agente etiológico:
● Cestódeos do gênero Echinococcus (principalmente Echinococcus granulosus e
Echinococcus multilocularis).
● Parasitas adultos pequenos, encontrados no intestino de carnívoros.
● Larvas formam cistos hidáticos em hospedeiros intermediários.
Equinococose:
● Refere-se à infecção pela forma adulta do parasita no hospedeiro definitivo (cães e
outros carnívoros).
Hidatidose:
● Refere-se à infecção pela forma larval do parasita no hospedeiro intermediário
(animais de produção e humanos), com formação de cistos hidáticos.
Transmissão:
● Orofecal, com humanos podendo se infectar pelo contato com a pelagem de animais
contaminados.
Agente Etiológico:
● Classe Cestoda
● Ordem Cyclophyllidea
● Família Taeniidae
● Gênero Echinococcus spp.
○ E. granulosus (hidatidose cística)
○ E. multilocularis (hidatidose alveolar ou policística)
○ E. vogeli (hidatidose policística neotropical)
○ E. oligarthrus (hidatidose policística neotropical)
● A diferença entre a hidatidose cística e policística está na formação de múltiplos
cistos com crescimento infiltrativo nos tecidos, no caso da policística.
● Genótipos: Existem 10 genótipos conhecidos, sendo o G1 o mais patogênico para
humanos e com maior disseminação mundial.
Thainá S. Gonçalves 24
Epidemiologia:
● Distribuição mundial, com focos endêmicos em áreas rurais.
● Importância: Zoonose emergente e reemergente, causando morbidade e mortalidade
em humanos e perdas econômicas na produção animal.
Ciclo Evolutivo:
● Heteroxênico (dois hospedeiros).
● Hospedeiros definitivos: Cães e outros canídeos (parasita adulto no intestino delgado,
eliminação de ovos nas fezes).
● Hospedeiros intermediários: Ovelhas, cabras, bovinos, suínos e humanos (larvas
formam cistos hidáticos em diversos órgãos).
● Ovos liberados nas fezes contaminam o ambiente.
● Hospedeiros intermediários ingerem ovos viáveis.
● Larvas migram para órgãos, formando cistos hidáticos.
● Hospedeiros definitivos se infectam ao ingerir cistos hidáticos presentes nas vísceras
de hospedeiros intermediários.
● A transmissão da hidatidose cística se mantém no ciclo: cão-ovino/bovino/suíno-cão.
● A transmissão da hidatidose policística ocorre em ciclo silvestre entre
canídeos/felídeos-roedores-canídeos/felídeos.
● Humanos se infectam pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos,
ou pelo contato com a pelagem de carnívoros.
Sinais Clínicos:
Cães/gatos/carnívoros:
● Parasitose intestinal.
● Animais jovens com infecção massiva: enfraquecimento, diarreia ou constipação,
emagrecimento, abdômen inchado.
● Animais adultos com infecções leves podem ser assintomáticos.
Animais de produção:
● Cistos hidáticos em diversos órgãos, geralmente assintomáticos.
● Rejeição de órgãos em abatedouros devido à presença de cistos.
Humanos:
● Hospedeiros intermediários acidentais.
● Assintomáticos por anos, com sinais clínicos tardios devido à disfunção dos órgãos
afetados.
Thainá S. Gonçalves 25
● Sintomas dependem dos órgãos afetados, tamanho e localização dos cistos, e
complicações associadas.
● Ruptura de cistos pode causar choque anafilático.
● Cistos ocorrem principalmente no fígado e pulmões, mas também em outros órgãos.
● Hidatidose pulmonar: dor torácica, tosse com expectoração sanguinolenta, dispnéia.
● Hidatidose abdominal: dor abdominal, febre, náuseas, ascite, vômitos, diarreia,
massas palpáveis, icterícia, hepatoesplenomegalia.
● Hidatidose óssea: dor focal, fraturas espontâneas, paraplegias, paresias, destruição de
trabéculas ósseas.
Diagnóstico:
● Exames de fezes (coproparasitológico): Difícil diferenciação de ovos de tênias.
● Técnicas sorológicas (ELISA, PCR):
● ELISA: Sensível e específico para diagnóstico.
● PCR: Diferencia infecções por E. granulosus e E. multilocularis.
Hidatidose humana:
● Sinais clínicos inespecíficos
● Exames de imagem (radiologia, tomografia computadorizada, ultrassonografia) para
diagnóstico presuntivo.
● Métodos imunológicos (ELISA, radioimunoensaio, imunofluorescência).
● PCR para detecção do DNA do agente.
● Observar fatores epidemiológicos.
Tratamento:
● Cães e gatos: Praziquantel (anti-helmíntico de eleição).
● Hidatidose humana: Remoção cirúrgica dos cistos (com risco de complicações).
Mebendazol em casos inoperáveis.
● Animais de produção: Geralmente não compensa o tratamento, diagnóstico
pós-morte.
Prevenção:
Humanos:
● Lavar as mãos após contato com animais e antes das refeições.
● Lavar bem vegetais crus.
● Ingerir água de boa procedência.
Cães e gatos:
Thainá S. Gonçalves 26
● Não alimentar com vísceras cruas.
● Destruir vísceras de abatedouros.
● Evitar abate domiciliar.
● Não abandonar carcaças no campo.
● Tratamento sistemático de cães com praziquantel.
● Cozinhar ou congelar vísceras (-20°C por 48 horas).
● Desinfecção do ambiente com temperatura superior a 60°C, inferior a -20°C,
hidróxido de potássio, hipoclorito de sódio, cloreto de benzalcônio.
● Educação sanitária é fundamental para o controle da zoonose.
Thainá S. Gonçalves 27
Cryptosporidium
Características Gerais:
Cryptosporidium spp.:
● Protozoário coccídeo intracelular obrigatório.
● Causa a criptosporidiose, uma doença entérica de grande relevância em saúde pública
e veterinária.
● Possui ampla distribuição geográfica e alta capacidade de transmissão.
● Considerada uma doença negligenciada pela OMS.
Importância:
● Zoonose: Transmitida entre animais e humanos.
● Impacto significativo em crianças, especialmente desnutridas, e em indivíduos
imunocomprometidos, como portadores de HIV.
● Contaminação ambiental por oócitos eliminados nas fezes de animais,
principalmente bovinos.
● Transmissão hídrica: Oócitos resistentes à cloração em sistemas de tratamento de
água e piscinas.
Etiologia:
Filo Apicomplexa: Grupo de protozoários parasitas que inclui outros coccídeos.Gênero Cryptosporidium:
● Grande diversidade genética: Cerca de 21 espécies e mais de 61 genótipos.
● Caráter cosmopolita: Infecta aproximadamente 150 espécies de animais.
● Diferença de outros coccídeos: Não possui hospedeiro definitivo, o que significa que
o ciclo de vida completo ocorre em um único hospedeiro.
Transmissão:
Via fecal-oral: Principal rota de transmissão.
Oócitos:
● Forma infectante do parasita.
● Não necessitam de período de maturação no ambiente para se tornarem infectantes.
● Alta resistência: Sobrevivem por meses em condições ambientais favoráveis e são
resistentes à cloração da água.
● Dose infectante mínima variável: Pequena quantidade de oócitos pode causar
infecção.
Vias de transmissão:
● Contato direto: Pessoa a pessoa ou animal a pessoa.
Thainá S. Gonçalves 28
● Contato indireto: Água (contaminada por fezes de animais ou humanos), alimentos
(peixes, alface, leite) e fômites (objetos contaminados).
● Uso de piscinas de crianças com fraldas.
Epidemiologia:
Grupos de risco:
● Crianças (0 a 5 anos): Alta morbidade e mortalidade, especialmente em países em
desenvolvimento.
● Indivíduos imunocomprometidos (portadores de HIV/AIDS).
● Viajantes de turismo ecológico.
● Idosos.
Surtos:
● Piscinas.
● Manipulação de animais de produção.
● Creches.
Brasil:
● Causa importante de diarreia em crianças e pacientes com HIV/AIDS.
Desinfecção:
● Peróxido de hidrogênio (6% a 7,5%): Único desinfetante eficaz contra oócitos de
Cryptosporidium.
Patogenia:
● Ingestão de oócitos: Início da infecção.
● Liberação de esporozoítos: No trato gastrointestinal (TGI).
● Parasitismo de células intestinais: os esporozoítos se transformam em trofozoítos.
● Reprodução: Trofozoítos se multiplicam e produzem novos oócitos.
● Eliminação de oocistos: Nas fezes, já na forma infectante, perpetuando o ciclo.
Sinais Clínicos:
Humanos:
● Episódios diarreicos.
● Dor abdominal.
● Náusea moderada.
● Enterite grave, com diarreia abundante semelhante à cólera, em
imunocomprometidos.
● Desidratação e desnutrição, especialmente em crianças.
● Em adultos imunocompetentes, a cura geralmente é espontânea.
Animais (cães e gatos):
● Diarréia crônica ou intermitente.
Thainá S. Gonçalves 29
● Emagrecimento.
● Êmese (vômito).
● Infecção assintomática.
● Comprometimento do crescimento.
Diagnóstico:
● Exame de fezes: principal método diagnóstico.
○ Excreção intermitente de oócitos: Amostras múltiplas podem ser necessárias.
○ Colorações: Ritchie, auramina, safranina modificada ou Ziehl-Neelsen (ZN).
● Histórico e sinais clínicos: Auxiliam na suspeita diagnóstica.
Tratamento:
Humanos:
● Paramomicina: Reduz a excreção de oócitos.
● Nitazoxanida (Annita)
● Suporte nutricional: Hidratação e reposição de eletrólitos.
Animais:
● Halofuginona (bovinos).
● Nitazoxanida (cães).
Prevenção:
● Higiene pessoal e dos alimentos: Lavar as mãos, cozinhar bem os alimentos, evitar
água não tratada.
● Isolamento de indivíduos com diarreia: Impedir a disseminação do parasita.
● Evitar piscinas com diarreia: Principalmente crianças.
● Lavar as mãos após contato com animais: Especialmente aqueles com diarreia.
● Pacientes imunocomprometidos: Evitar contato com pessoas e animais com diarreia.
● Prevenção da poluição de rios: Manejo adequado de excretas de animais.
● Saneamento básico: Tratamento de água e esgoto.
● Educação sanitária: Conscientização sobre a importância da higiene.
● Vacinas: Em desenvolvimento contra C. parvum (alternativa para reduzir a excreção
de oócitos em animais de produção).
Thainá S. Gonçalves 30
Vírus do Oeste do Nilo
A Febre do Nilo Ocidental é uma doença infecciosa causada pelo Vírus do Oeste do Nilo
(VNO), um arbovírus pertencente à família Flaviviridae, gênero Flavivirus, o mesmo gênero
do vírus da Dengue, Zika e Chikungunya. É uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser
transmitida de animais para humanos.
Etiologia e Epidemiologia
● Agente etiológico: Vírus do Oeste do Nilo (VNO).
● Hospedeiros primários: Aves silvestres são os principais reservatórios e
amplificadores do vírus. Muitas espécies de aves podem ser infectadas, mas a doença
clínica varia.
● Vetores: Mosquitos do gênero Culex são os principais vetores do VNO. Eles
adquirem o vírus ao picar aves infectadas e, posteriormente, podem transmiti-lo a
outros animais e a humanos.
● Hospedeiros acidentais: Equídeos (cavalos, burros, mulas) e humanos são
considerados hospedeiros acidentais. Embora possam ser infectados e desenvolver a
doença, eles geralmente não produzem viremia (quantidade de vírus no sangue)
suficiente para infectar outros mosquitos e, portanto, não contribuem para o ciclo de
transmissão do vírus.
● Distribuição geográfica: O VNO é endêmico em muitas partes do mundo, incluindo
África, Europa, Oriente Médio, Ásia, Austrália e Américas. No Brasil, o vírus foi
isolado em equídeos e em mosquitos, e há evidências de circulação viral em aves e
humanos.
Formas de Transmissão
A transmissão principal do VNO ocorre através da picada de mosquitos infectados. O ciclo
de transmissão envolve:
1. Mosquito pica uma ave infectada: O mosquito adquire o vírus ao se alimentar do
sangue de uma ave infectada (reservatório).
2. Vírus se replica no mosquito: O vírus se replica no mosquito e se move para suas
glândulas salivares.
3. Mosquito infectado pica outro animal ou humano: O mosquito, ao picar um novo
hospedeiro (ave não infectada, equídeo ou humano), injeta o vírus.
Outras formas de transmissão são raras, mas possíveis:
● Transfusão de sangue ou transplante de órgãos: Em humanos, casos de transmissão
via transfusão de sangue e transplante de órgãos foram documentados.
Thainá S. Gonçalves 31
● Transmissão vertical: Em aves, há relatos de transmissão vertical (de mãe para
filhote).
● Leite materno: Embora raro, há um relato de transmissão através do leite materno em
humanos.
● Exposição ocupacional: Profissionais que lidam com animais infectados ou amostras
de laboratório contaminadas podem estar em risco de exposição, mas a transmissão
por contato direto com animais doentes é considerada de baixo risco.
Patogenia
Após a picada do mosquito infectado, o vírus se replica inicialmente na pele, nos gânglios
linfáticos regionais e, posteriormente, em outros órgãos. A viremia pode ocorrer, permitindo
que o vírus atinja o sistema nervoso central (SNC) em alguns casos. A entrada do vírus no
SNC pode levar a inflamação cerebral (encefalite), meningite (inflamação das membranas que
envolvem o cérebro e a medula espinhal) ou mielite (inflamação da medula espinhal),
resultando nos sinais clínicos neurológicos característicos da doença grave. A gravidade da
doença depende de fatores como a cepa viral, a idade e o estado imunológico do hospedeiro.
Sinais Clínicos
A maioria das infecções por VNO (aproximadamente 80%) é assintomática em humanos e
equídeos.
Em humanos:
● Assintomáticos: A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas.
● Febre do Nilo Ocidental (sintomática não neurológica): Cerca de 20% das pessoas
infectadas desenvolvem sintomas leves, que podem incluir:
○ Febre
○ Dor de cabeça
○ Dores no corpo
○ Erupção cutânea (rash)
○ Dor nas articulações
○ Vômito
○ Diarreia
● Doença neuroinvasiva grave: Menos de 1% das pessoas infectadas desenvolvem a
forma grave da doença, que afeta o sistema nervoso central e pode ser fatal. Os
sintomas incluem:
○ Febre alta
○ Dor de cabeça intensa
ThaináS. Gonçalves 32
○ Rigidez do pescoço
○ Estupor
○ Desorientação
○ Coma
○ Tremores
○ Convulsões
○ Paralisia
○ Fraqueza muscular
Em equídeos:
● Assintomáticos: Assim como em humanos, a maioria dos equídeos infectados não
apresenta sinais clínicos.
● Forma neurológica: Em casos sintomáticos, os sinais clínicos são principalmente
neurológicos e podem ser semelhantes aos de outras encefalites virais. Os mais
comuns incluem:
○ Ataxia (falta de coordenação)
○ Depressão
○ Sonolência
○ Tremores musculares (principalmente faciais)
○ Fraqueza nos membros (paralisia)
○ Incoordenação
○ Andar em círculos
○ Pressão da cabeça contra objetos
○ Cegueira aparente
○ Convulsões
○ Decúbito (animal deitado, incapaz de se levantar)
○ Morte
Diagnóstico
O diagnóstico da FNO é feito por meio de exames laboratoriais, que buscam detectar a
presença do vírus ou anticorpos contra ele.
● Em humanos e equídeos:
○ Sorologia: Detecção de anticorpos IgM e IgG no soro ou no líquido
cefalorraquidiano (LCR). Os anticorpos IgM são os primeiros a aparecer e
indicam infecção recente.
○ PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Detecção do material genético do
vírus (RNA viral) em amostras de sangue, LCR ou tecidos. É mais útil na fase
aguda da infecção, quando a viremia é maior.
Thainá S. Gonçalves 33
○ Isolamento viral: Tentativa de isolar o vírus em cultura de células, embora seja
mais complexo e demorado.
● Em aves:
○ Amostras de órgãos (cérebro, rim, baço, coração) de aves mortas podem ser
analisadas por PCR ou isolamento viral.
Tratamento
Não existe tratamento antiviral específico para a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é de
suporte e visa aliviar os sintomas e manter o paciente confortável.
● Em humanos:
○ Repouso
○ Hidratação
○ Analgésicos e antipiréticos para aliviar a dor e a febre
○ Em casos graves (neuroinvasivos), a internação hospitalar e cuidados
intensivos podem ser necessários para suporte respiratório, controle de
convulsões e prevenção de complicações.
● Em equídeos:
○ Medidas de suporte, como hidratação intravenosa e nutrição.
○ Anti-inflamatórios para reduzir a inflamação cerebral.
○ Medicações para controle de convulsões.
○ Apoio para evitar quedas e lesões.
Prevenção e Controle
A prevenção e o controle da Febre do Nilo Ocidental baseiam-se principalmente na redução
da exposição aos mosquitos vetores e na vigilância epidemiológica.
● Controle de mosquitos:
○ Eliminar focos de água parada, onde os mosquitos depositam seus ovos (vasos
de plantas, pneus, calhas entupidas, etc.).
○ Uso de repelentes de insetos em áreas expostas da pele.
○ Uso de telas em janelas e portas.
○ Uso de mosquiteiros.
○ Tratamento de água parada com larvicidas em larga escala, quando aplicável.
● Vacinação:
○ Em equídeos: Existem vacinas disponíveis para equídeos que podem ajudar a
prevenir a doença clínica grave. A vacinação de equídeos em áreas de risco é
uma medida importante de controle.
Thainá S. Gonçalves 34
○ Em humanos: Não existe vacina comercialmente disponível para humanos.
● Vigilância epidemiológica:
○ Monitoramento da ocorrência da doença em aves, equídeos e humanos para
detectar a circulação do vírus e implementar medidas de controle
precocemente.
○ Testagem de mosquitos para identificar a presença do VNO.
● Educação em saúde:
○ Informar a população sobre os riscos da doença, as formas de transmissão e as
medidas de prevenção.
Implicações para Sanidade Animal e Saúde Pública
A Febre do Nilo Ocidental representa um desafio significativo tanto para a sanidade animal
quanto para a saúde pública.
Sanidade Animal:
● Equídeos: A FNO é uma das principais causas de encefalite viral em equídeos em
muitas partes do mundo. A doença pode levar à morte ou a sequelas neurológicas
permanentes, causando perdas econômicas significativas para criadores e
proprietários de cavalos. A vacinação de equídeos é crucial para proteger os animais e
reduzir a carga da doença.
● Aves: Embora muitas aves sejam assintomáticas, algumas espécies podem adoecer e
morrer, especialmente corvídeos (corvos, gralhas). A morte de aves pode servir como
um sinal de alerta para a circulação do vírus em uma determinada área.
Saúde Pública:
● Risco para humanos: Embora a maioria das infecções seja assintomática, a FNO pode
causar doença neurológica grave e fatal em uma pequena porcentagem de pessoas,
especialmente idosos e indivíduos imunocomprometidos.
● Impacto no sistema de saúde: Surtos de FNO podem sobrecarregar os sistemas de
saúde, exigindo internações e cuidados intensivos para pacientes com a forma grave
da doença.
● Vigilância e controle: A presença do VNO em uma área exige a implementação de
programas de vigilância e controle de mosquitos para proteger a população.
● Desafio diagnóstico: Os sintomas inespecíficos da FNO podem dificultar o
diagnóstico diferencial com outras doenças febris e neurológicas, exigindo
capacidade laboratorial adequada.
Thainá S. Gonçalves 35
Febre Amarela
A Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda, de curta duração (no máximo 10 dias)
e de gravidade variável, causada por um vírus e transmitida por mosquitos. É uma doença de
notificação compulsória, o que significa que todos os casos suspeitos devem ser informados
às autoridades de saúde.
Etiologia
● Agente etiológico: Vírus da Febre Amarela (YFV - Yellow Fever Virus). Este vírus
pertence à família Flaviviridae, gênero Flavivirus, assim como o Vírus do Oeste do
Nilo, Dengue, Zika e Chikungunya.
● Genótipos: Existem diferentes genótipos do vírus da Febre Amarela, que variam
geograficamente, mas todos causam a mesma doença.
Fatores Condicionantes
Os fatores condicionantes para a ocorrência e propagação da Febre Amarela estão
intrinsecamente ligados ao seu ciclo de transmissão e à interação entre humanos,
hospedeiros, vetores e ambiente.
● Presença do vetor: A existência de mosquitos dos gêneros Aedes (principalmente
Aedes aegypti em áreas urbanas e Haemagogus e Sabethes em áreas silvestres) é
fundamental para a transmissão.
● Populações de hospedeiros suscetíveis: Tanto humanos não vacinados quanto
primatas não humanos (macacos) são hospedeiros suscetíveis ao vírus.
● Condições ambientais: Temperaturas elevadas e chuvas favorecem a proliferação de
mosquitos. Desmatamento e invasão de áreas silvestres por humanos aumentam o
risco de contato com o ciclo silvestre da doença.
● Mobilidade populacional: O deslocamento de pessoas não vacinadas para áreas de
circulação viral pode introduzir o vírus em novas regiões ou levar à infecção e
subsequentemente à disseminação em áreas com presença do vetor.
● Cobertura vacinal inadequada: Baixas taxas de vacinação em populações sob risco
aumentam a proporção de indivíduos suscetíveis, facilitando a ocorrência de surtos.
● Fatores socioeconômicos: Condições precárias de saneamento básico e habitação
podem favorecer a proliferação de Aedes aegypti em áreas urbanas.
Epidemiologia
A Febre Amarela apresenta dois ciclos epidemiológicos distintos, mas interligados:
1. Ciclo Silvestre (ou Selvagem):
Thainá S. Gonçalves 36
○ Reservatórios: Primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros
e amplificadores do vírus na natureza. Os macacos são sentinelas importantes
para a circulação do vírus.
○ Vetores: Mosquitos do gênero Haemagogus e Sabethes transmitem o vírus
entre macacos e ocasionalmente para humanos que adentram áreas de mata.
○ Ocorrência:Principalmente em áreas de floresta tropical e subtropical. No
Brasil, ocorre em grande parte da região amazônica e em outras áreas
florestais.
○ Transmissão para humanos: Acontece quando pessoas não vacinadas se
expõem a ambientes silvestres onde o vírus está circulando (trabalho, lazer,
ecoturismo).
2. Ciclo Urbano:
○ Reservatórios: Humanos são os principais hospedeiros.
○ Vetor: Aedes aegypti. Este mosquito é encontrado em áreas urbanas e
periurbanas, dentro e ao redor de domicílios, e transmite o vírus de um
humano infectado para outro.
○ Ocorrência: O ciclo urbano da Febre Amarela não ocorre no Brasil desde
1942, graças às intensas campanhas de vacinação e controle do Aedes aegypti.
No entanto, o risco de reintrodução é uma preocupação constante, dado a
presença do vetor em grande parte do território nacional e a circulação do
vírus no ciclo silvestre.
A Febre Amarela é endêmica em países da África e da América do Sul. No Brasil, tem
ocorrido uma expansão do ciclo silvestre para regiões antes consideradas de baixo risco, o
que reforça a importância da vacinação.
Forma de Contágio
O contágio da Febre Amarela ocorre exclusivamente pela picada de mosquitos infectados.
● No ciclo silvestre: O mosquito (Haemagogus ou Sabethes) pica um macaco infectado
e, ao se infectar, transmite o vírus para outro macaco ou para um humano que esteja
em ambiente de mata.
● No ciclo urbano: O mosquito Aedes aegypti pica uma pessoa infectada (que pode ter
se contaminado no ciclo silvestre ou em outra área urbana com circulação do vírus) e,
após o vírus se replicar em seu organismo, pica e transmite o vírus para outra pessoa.
Importante: A Febre Amarela não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa, nem
de macacos para pessoas. A transmissão sempre se dá por meio do mosquito.
Thainá S. Gonçalves 37
Patogenia
Após a picada do mosquito infectado, o vírus da Febre Amarela se replica inicialmente no
local da inoculação e se dissemina para os linfonodos regionais. De lá, o vírus se espalha para
outros órgãos, especialmente fígado, baço, gânglios linfáticos e medula óssea.
No fígado, o vírus causa necrose hepatocelular (morte das células do fígado), levando a
icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos, daí o nome "febre amarela"), hemorragias
e disfunção hepática. A infecção também pode afetar os rins, causando necrose tubular e
insuficiência renal aguda.
A forma grave da doença é caracterizada por uma resposta inflamatória sistêmica intensa e
disfunção de múltiplos órgãos, o que pode levar a:
● Distúrbios da coagulação: O dano hepático compromete a produção de fatores de
coagulação, resultando em hemorragias.
● Hemorragias: Sangramentos podem ocorrer em diversas partes do corpo (gengivas,
nariz, trato gastrointestinal, pele).
● Insuficiência hepática e renal: Danos graves aos órgãos vitais.
● Choque: Devido à perda de fluidos e à disfunção cardiovascular.
● Encefalopatia: Em alguns casos, pode haver comprometimento do sistema nervoso
central.
Principais Sintomas Clínicos
A maioria das pessoas infectadas (cerca de 90%) desenvolve a forma leve ou assintomática da
doença. No entanto, uma parcela (cerca de 10-15%) pode evoluir para a forma grave e
potencialmente fatal.
Forma Leve/Moderada:
● Fase de infecção (3 a 6 dias após a picada):
○ Febre de início súbito
○ Calafrios
○ Dor de cabeça intensa
○ Dor muscular (mialgia)
○ Dor nas costas (lombalgia)
○ Náuseas e vômitos
○ Fadiga
Geralmente, os sintomas regridem após 3 a 4 dias e o paciente se recupera.
Forma Grave (ou maligna): Após uma breve melhora (chamado "período de remissão" ou
"período de tranquilidade") de algumas horas a um dia, cerca de 10% a 15% dos casos
evoluem para a fase tóxica, com o reaparecimento de sintomas mais severos:
Thainá S. Gonçalves 38
● Febre alta
● Icterícia (pele e olhos amarelados) – sinal característico.
● Hemorragias:
○ Epistaxe (sangramento nasal)
○ Gengivorragia (sangramento nas gengivas)
○ Hematêmese ("vômito negro", com sangue digerido)
○ Melena (fezes escuras e pastosas, devido à presença de sangue)
○ Petéquias (pequenas manchas vermelhas na pele) e equimoses (manchas
roxas).
● Oligúria/anúria: Diminuição ou ausência de produção de urina, indicando falência
renal.
● Comprometimento neurológico: Delírio, convulsões, coma (em casos mais graves).
● Choque: Leva à morte em cerca de 50% dos casos graves.
Diagnóstico
O diagnóstico da Febre Amarela é feito com base nos sintomas clínicos, histórico de
exposição (viagem para áreas de risco) e, principalmente, exames laboratoriais.
● Clínico-epidemiológico: Avaliação dos sintomas e histórico do paciente,
especialmente se esteve em áreas de risco ou não é vacinado.
● Laboratorial:
○ Sorologia (ELISA - IgM e IgG): Detecção de anticorpos específicos no sangue.
Os anticorpos IgM geralmente são detectáveis a partir do 5º dia de doença e
indicam infecção recente. Os anticorpos IgG indicam infecção prévia ou
vacinação.
○ PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Detecção do material genético (RNA)
do vírus no sangue, urina ou amostras de tecido. É útil na fase aguda da
doença, quando a viremia é alta.
○ Isolamento viral: Tentativa de isolar o vírus em cultura de células, embora seja
mais demorado e utilizado principalmente para pesquisa.
○ Histopatologia: Análise de amostras de tecido hepático (biópsia ou necrópsia)
pode revelar as alterações características da doença.
Métodos de Controle
Os métodos de controle da Febre Amarela são focados na prevenção da infecção humana e
na interrupção da cadeia de transmissão.
1. Vacinação:
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○ A vacina contra a Febre Amarela é a medida mais eficaz e segura de
prevenção. É uma vacina de vírus vivo atenuado, de dose única (para a maioria
dos indivíduos) e confere proteção duradoura (provavelmente por toda a vida).
○ Indicações: A vacinação é recomendada para todas as pessoas que residem ou
se deslocam para áreas com recomendação de vacinação (áreas de risco ou de
transição).
○ Contraindicações: Pessoas com imunossupressão grave, gestantes, lactantes
de bebês menores de 6 meses e indivíduos com alergia grave a componentes
da vacina devem discutir o risco-benefício com um médico. Crianças menores
de 9 meses não devem ser vacinadas (salvo em situações de surto e sob
orientação médica).
○ Estratégia de dose única/fracionada: Em situações de surto ou para
aumentar a cobertura vacinal em curto prazo, pode ser utilizada a dose
fracionada da vacina, que confere proteção por um período limitado
(mínimo de 8 anos).
2. Controle do vetor:
○ No ciclo urbano: Eliminação de criadouros do Aedes aegypti (água parada em
vasos de plantas, pneus, caixas d'água, etc.) e ações de saneamento ambiental.
○ No ciclo silvestre: O controle do mosquito no ambiente silvestre é inviável,
por isso a vacinação é a principal medida de proteção para humanos que
frequentam essas áreas.
3. Vigilância Epidemiológica:
○ Monitoramento constante da circulação do vírus em primatas não humanos
(investigação de epizootias - morte de macacos) e em mosquitos.
○ Vigilância de casos humanos suspeitos e confirmação laboratorial para
identificação precoce de surtos e implementação de medidas de contenção.
4. Educação em Saúde:
○ Informar a população sobre a doença, os riscos, a importância da vacinação e
as medidas de proteção individual (uso de repelentes, roupas de manga
comprida) ao adentrar áreas de mata.
Thainá S. Gonçalves 40
Dermatofitose e Esporotricose
A Dermatofitose,