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Plasmodium Prof. ERICA PACHECO CAETANO Plasmodium sp Introdução – Agente etiológico da malária (paludismo, febre palustre, impaludismo, maleita ou sezão) 300.000.000 pessoas infectadas 1.000.000 mortes/ano – Um dos mais sérios problemas de saúde pública – Espécies de interesse humano: Plasmodium falciparum Plasmodium vivax Brasil Plasmodium malariae Plasmodium ovale (regiões restritas da África) – Vetor biológico: ♀ Anopheles Plasmodium sp Morfologia – Filo Apicomplexa – Depende do estágio de desenvolvimento – Formas extracelulares Esporozoítos Merozoítos Oocineto – Formas intracelulares Trofozoítos Esquizontes Gametócitos Possuem complexo apical, formado por roptrias e micronemas, envolvidos na interiorização celular Ausência de complexo apical ✓11 m de comprimento por 1 m de diâmetro ✓2 membranas (externa e interna) ✓Roptrias e micronemas: proteínas necessárias à penetração Complexo apical Micronemas Roptrias (um par) Esporozoíto ✓ Após a penetração do esporozoíto no hepatócito, ocorre perda das organelas do complexo apical e o parasito se torna arredondado, originando o trofozoíto. Trofozoíto ✓ Esquizogonia: forma de reprodução assexuada em que ocorrem múltiplas mitoses, dando origem a uma células multinucleada. Uma vez que o núcleo e as organelas se replicaram, ocorre citocinese, dando origem aos merozoítos. ✓ 30-70 m de diâmetro ✓ Provoca o aumento do hepatócito infectado Esquizonte ✓ invadem as hemácias ✓ tem forma oval ✓ 1-5 x 2 m ✓ 2 membranas (externa e interna) ✓ roptrias e micronemas: proteínas necessárias à penetração P. vivax P. malariae P. falciparum P. ovale Reticulócitos Eritrócitos maduros Todas as idades Reticulócitos Tipos de eritrócitos que infecta Merozoíto Moléculas da superfície da hemácia servem de receptores para ligantes presentes no merozoíto Merozoíto Formas eritrocíticas Desenvolvimento no mosquito ✓ Depois da digestão do repasto sangüineo, o micro e macro gametócitos rapidamente amadurecem ✓ O microgametócito rapidamente sofre divisão nuclear múltipla para dar origem a 8 gametas – Exflagelação ✓ Macrogameta é liberado da hemácia Desenvolvimento no mosquito: oocineto Oocineto maduro Complexo apical Núcleo Película ✓ Forma alongada, móvel, 10-20 m com núcleo volumoso Desenvolvimento no mosquito: oocisto ✓ Forma esférica, 40-80 m, com grânulos pigmentados, cápsula espessa ✓ Pode produzir em média 1000 esporozoítos Oocisto rompendo-se Esporozoítas Plasmodium sp Ciclo Biológico – Heteroxênico – Hospedeiro intermediário: Homem (Rep. Assex.) Fase exo-eritrocítica ou pré- eritrocítica ou tissular Fase eritrocítica – Hospedeiro definitivo: inseto Anopheles (Rep. Sex.) Homem Inoculação de esporozoítos pelo Anopheles sp. Esporozoítos infectam os hepatócitos, Diferenciam-se em trofozoítos pré- eritrocíticos; Multiplicação trofozoítos - esquizogonia Merozoítos invadem eritrócitos e transformam trofozoítos; Formação e liberação de merozoítos Esquizogonia e liberação merozoítos das hemácias Infecção novas hemácias Repetição do ciclo eritrocítico: P.falciparum, P.vivax e P.ovale – 48 h; P.malariae – 72 h; Depois algumas gerações Diferenciação formas em gametócitos Infecção da fêmea do mosquito Durante o repasto sangüíneo - gametócitos Macrogameta e microgameta Formação do oocineto após 24h Formação de esporozoítos e rompimento do oocisto em 9-14 dias Migram para a glândula salivar do inseto; Fecundação e formação do zigoto no intestino médio do vetor Penetração na parede do intestino – formação do oocisto Plasmodium sp Ciclo biológico do Plasmodium - Homem Esporogonia Ciclo biológico do Plasmodium - Homem Plasmodium sp Habitat – Depende da fase do ciclo Homem: fígado e hemácias Anopheles: estômago, intestino e glândulas salivares Plasmodium sp Transmissão – Depende da existência do vetor Gênero Anopheles A espécie A.darlingi é a principal no Brasil – Primatas não-humanos podem ser reservatórios – Transfusão de sangue – Compartilhamento de seringas – Acidentes ocupacionais profissionais de saúde – Neonatal Anopheles spp. Asa com extremidade arredondada e manchada Anopheles darlingi ✓Anopheles darlingi ✓Aedes aegypti ✓Culex pipiens MALÁRIA DENGUE FILARIOSE Plasmodium sp Imunidade – Resistência inata Alteração genética nas hemácias (falta de receptores, ou enzimas) – Imunidade inata Células do hospedeiro detectam o parasito e inicia-se resposta inflamatória – Imunidade adquirida Recém-nascido protegido (anticorpos maternos) / Crianças mais suscetíveis / Com o passar dos anos menos episódios Ação de anticorpos / Opsonização / Citotoxicidade de linfócitos / Citocinas ativam macrófagos a fagocitar hemácias infectadas ou merozoítos Plasmodium sp Patogenia – Ciclo eritrocítico assexuado: responsável pelas manifestações clínicas e patologia da malária Destruição eritrócitos parasitados Toxicidade resultante da liberação de citocinas Sequestro dos eritrócitos parasitados na rede capilar Lesão capilar por deposição de imunocomplexos Plasmodium sp Sintomatologia – Período de incubação P. falciparum: 9-14 dias P. vivax: 12-17 dias P. malariae: 18-40 dias P. ovale: 16-18 dias – Fase sintomática inicial Mal-estar, cefaleia, cansaço e mialgia Com ruptura das hemácias, causa calafrio e sudorese (15-60 min) Posterior fase febril (41°C ou mais), seguido de sudorese e fraqueza intensa Após algumas horas os sintomas desaparecem Febre retorna a cada ciclo eritrocítico Plasmodium sp Sintomatologia – Malária não complicada Debilidade física, náuseas e vômitos Febre (crianças na África; adultos no Brasil) Anemia (mais intensa nas infecções por P. falciparum) Manifestações crônicas da malária em áreas endêmicas – Esplenomegalia / hepatomegalia / anemia / leucopenia / plaquetopenia – Malária grave e complicada Destaque para P. falciparum e P. vivax Malária cerebral Insuficiência renal aguda Edema pulmonar agudo Hipoglicemia Icterícia Hemoglubinúria Plasmodium sp Epidemiologia – Ocorre em áreas tropicais e subtropicais do mundo – A endemicidade é definida pelo índice esplênico e perfil de incidência no decorrer do tempo Malária instável no Brasil – Fatores biológicos Parasito / Homem / Vetor – Fatores ecológicos – Fatores socioculturais – Fatores econômicos e políticos Distribuição geográfica da malária no mundo Alto risco de transmissão Médio risco de transmissão Baixo risco de transmissão Sem risco de transmissão – África, Américas Central e Sul, Sudeste Asiático, Ilhas da Oceania MALÁRIA NO BRASIL Fonte: Ministério da Saúde, 2008 – Amazônia Legal: Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão Plasmodium sp Diagnóstico – Clínico Investigação e suspeita: Febre em áreas endêmicas/ área de residência/ viagens/ transfusão de sangue/ uso de agulhas contaminadas – Laboratorial Pesquisa do parasito no sangue periférico – Gota espessa (Giemsa) – alta sensibilidade – Esfregaço sanguíneo (Giemsa) – alta especificidade – Imunológico Métodos imunocromatográficos PCR Diagnóstico microscópico da malária G o ta e sp es sa Diagnóstico microscópico da malária E sf re g a ço d e lg a d o Plasmodium sp Tratamento – Drogas antimaláricas classificadas Pelo grupo químico – Quinina/ Mefloquina/ halofantrina – Cloroquina/ Amodiaquina – Primaquina – Derivados da artemisinina – Atovaquona – Tetraciclina/ Doxiciclina/ Clindamicina Pelo alvo de ação no ciclo biológico do parasito – Esquizonticidas teciduais ou hipnozoiticidas – Esquizonticidas sanguíneos – Gametocitocidas Tratamento Primaquina Mefloquina Cloroquina Doxiciclina Quinina Halofantrina Primaquina Artemisinina Plasmodium sp Tratamento – A decisão de tratar depende: Espécie de plasmódio Idade do paciente História deexposição anterior Gravidade da doença Custo da medicação Susceptibilidade dos parasitos da região aos antimaláricos convencionais Plasmodium sp Profilaxia – Medidas de proteção individual Uso de roupas claras e manga longa Uso de repelentes Telas na portas e janelas Ar condicionado Uso de mosquiteiro Plasmodium sp Profilaxia – Quimioprofilaxia Específica para cada situação. Cuidado para evitar resistência do parasito. Drogas sugeridas no Brasil: doxiciclina e mefloquina Para viajantes internacionais e grupos especiais – Medidas de proteção coletiva Combate ao vetor adulto (inseticidas) Combate às larvas (larvicidas) Saneamento básico Melhoria das condições de vida Plasmodium sp Profilaxia – Vacinação Antígenos de P. falciparum – resultados promissores – Na África, proteção de 30-40% – Redução das formas graves da malária – Para uso em crianças e pessoas não imunes, como viajantes que vão para a região endêmica Antígenos de P. vivax (prevalente nas Américas) – Em fase de teste Obrigada!!!