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Disciplina: Teorias da Geografia Aula 2: O espaço geográfico ao longo da história Apresentação Nos dicionários, de uma forma em geral, existem várias definições de espaço. No Michaelis há 16 concepções que buscam o entendimento do conceito. Na Geografia não poderia ser diferente. Ao longo dos anos, a Geografia vem analisando o espaço geográfico como uma categoria para compreender a realidade. O conceito de espaço geográfico, usado na área, define-se de forma bastante complexa e abrangente. Nesta aula, entenderemos mais sobre a evolução do conceito de espaço ao longo da História do Pensamento Geográfico. Bons estudos! Objetivos Relacionar o conceito de espaço geográfico na Geografia Tradicional; Discutir o conceito de espaço geográfico na Geografia Teorético-Quantitativa; Analisar o conceito de espaço geográfico na Geografia Crítica; Elaborar a relação entre espaço geográfico e a Geografia do Comportamento. A evolução da Geografia Séculos XV e XVIII Entre esses séculos, vivemos um dos momentos mais significativos da história ocidental, quando houve a transição da era medieval para a Idade Moderna, com expressivas mudanças nas esferas econômica, política e social. Nesse período, assistimos ao fortalecimento da burguesia e do modo de produção capitalista, marcado pela expansão do comércio, da manufatura e por um novo ordenamento territorial da produção e da vida social, refletidos na expansão das cidades, na ascensão dos Estados Nacionais e no efetivo conhecimento do planeta, por meio das Grandes Navegações e Descobertas. Século XVIII Conforme Moraes (2005), até o final desse século não é possível falar de conhecimento geográfico como algo padronizado, com um mínimo de unidade temática e continuidade nas formulações. Até então, eram designados como Geografia os relatos de viagem, os compêndios de curiosidades sobre os lugares exóticos, os relatórios estatísticos produzidos pelos órgãos de administração, e algumas obras que agrupavam os conhecimentos sobre os fenômenos naturais, os continentes e o globo. Século XIX Para se pensar a Geografia como um conhecimento autônomo foram necessários alguns pressupostos cruciais, consolidados no processo de avanço e domínio das relações capitalistas de produção e das condições históricas, técnicas, científicas e filosóficas da sociedade. São quatro pressupostos fundamentais para a sistematização da Geografia como ciência, fato ocorrido a partir do século XIX: • O conhecimento efetivo da extensão real do planeta ; • O acúmulo de informações sobre os diferentes lugares; • O aperfeiçoamento das técnicas cartográficas ; • As mudanças filosóficas e científicas. No início desse século o conjunto de pressupostos históricos para a sistematização da Geografia e sua colocação como uma ciência particular e autônoma já estavam consolidados. Como estudamos na aula anterior, a Geografia surgiu como ciência na Alemanha, durante o século XIX. Os autores considerados os pais da Geografia Moderna são os alemães Alexander von Humboldt e Karl Ritter. Todo o eixo de elaboração do pensamento geográfico, no século XIX, era sediado na Alemanha, onde apareceram as primeiras teorias, propostas metodológicas e cátedras dedicadas a esta disciplina. Atividade 1 - Entre os pressupostos necessários para a sistematização da Geografia como ciência estão os citados a seguir, com exceção: a) As explicações do mundo baseadas no sagrado e nas questões transcendentais; b) O conhecimento efetivo da extensão real do planeta; c) O acúmulo de informações sobre os diferentes lugares; d) O aperfeiçoamento das técnicas cartográficas; e) As mudanças filosóficas e científicas. O Espaço na Geografia Tradicional O conceito de espaço, como categoria de análise, ganhou força no final do século XIX, com Frederich Ratzel. Até então, o espaço geográfico era tratado com pouca valorização dentro da Geografia Tradicional, que privilegiou muito mais os conceitos de região e paisagem, assim como discutiu a proposta dos gêneros de vida, espaço vital — mais voltado para território —, e diferenciação de área. Mapa | Fonte: Park Jae Beom / Shutterstock No final do século XIX, Frederich Ratzel foi um representante típico do intelectual engajado no projeto estatal, sua obra propunha uma legitimação do expansionismo bismarckiano e é dentro desse contexto que se compreende o uso do conceito de espaço vital. 1 Notas Expansionismo Bismarckiano 1 Otto von Bismarck, também conhecido como chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube a ele contribuir para a unificação alemã e iniciar o processo de expansão estatal em direção aos países vizinhos. Dentro desse contexto, era fundamental que a Geografia legitimasse essa força imperialista-expansionista. https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0080/aula2.html?brand=estacio https://stecine.azureedge.net/webaula/estacio/go0080/aula2.html?brand=estacio Otto von Bismarck | Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_von_Bismarck#/media/File:Bundesarchiv_Bild_146-2005-0057,_Otto_von_Bismarck.jpg No pensamento de Ratzel, os homens organizam-se em Estados para os quais o espaço é a fonte de vida, assim como na luta das espécies pelo domínio do espaço, que contém sua nutrição. Os Estados necessitam de espaço, como as espécies e, por isso, lutam pelo seu domínio. A subsistência, energia, vitalidade e o crescimento dos Estados têm como motor a busca e a conquista de novos espaços, de novos territórios. (Fonte: Shutterstock) Conforme Moraes (2005), para Ratzel, o território é a condição de trabalho e de existência de uma sociedade. Sua perda conduz a decadência de uma sociedade. Já o progresso estaria relacionado ao maior uso dos recursos disponíveis no meio, daí a necessidade de os grupos sociais ampliarem o seu território e conquistarem novas áreas. A partir dessas ideias, Ratzel elaborou o conceito de espaço vital, que consiste no equilíbrio entre a população de uma dada sociedade e os recursos disponíveis para suprir suas necessidades e sobrevivência. Existe uma íntima vinculação entre as formulações de Ratzel e o projeto imperial e expansionista alemão que se expressa na justificativa do expansionismo como algo natural e inevitável em uma sociedade que progride. A história humana se resume na história natural da luta dos povos pelo espaço vital, pela defesa ou conquista de territórios. (Fonte: Shutterstock) A partir das ideias de Ratzel, o conceito de Estado passou a estar relacionado a uma sociedade organizada sobre as bases de um território, sendo impossível conceber um Estado sem território e sem fronteiras. No pensamento de Frederich Ratzel, o espaço vital é uma representação do território, inspirado pela geopolítica. Saiba mais Para saber mais sobre esse assunto, leia o texto “A Filosofia na Antropogeografia de Friedrich Ratzel ”. Ainda na Geografia Tradicional, vejamos algumas das ideias de Richard Hartshorne: É uma ciência da natureza e da sociedade. Deveria procurar compreender como os fenômenos se combinam em uma área da superfície terrestre. https://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/viewFile/6466/6745 https://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/viewFile/6466/6745 É uma disciplina que procura descrever e interpretar o caráter variável da terra, de lugar a lugar, como o mundo do homem. De acordo com Moraes (2005), para Hartshorne, as ciências se definiriam por métodos próprios e não pelos seus objetos singulares. Em sua concepção, a individualidade e a autoridade da Geografia seriam decorrentes de sua forma específica de analisar a realidade. Ou seja, a ciência geográfica possuiria um método específico de trabalhar com o real em sua complexidade, analisando fenômenos variados, estudados por outras ciências. Na visão Hartshorniana, inspirada em Immanuel Kant, o espaço é absoluto e se constitui em um conjuntode pontos que têm existência em si, apresentando dependência (SPOSITO, 2004). Comentário Será que o espaço é tão intangível assim? Mesmo com todas as críticas ao posicionamento de Hartshorne ao conceito é bom destacar que seu uso pode ser realizado. Quer ver um exemplo? Como Côrrea (2006) afirma, no processo decisório de uma corporação o conceito de espaço absoluto precisa ser considerado. Em algum momento de incorporação de uma área, há a necessidade de se pensar na dimensão das terras, que pode afetar as decisões locacionais de maquinário ou recursos humanos. No conceito de espaço geográfico, subentende-se que existe certa articulação entre natureza e sociedade. No entanto, para que isso ocorra, é necessário que a Geografia trabalhe: Com os elementos e atributos naturais, compreendendo as interações existentes entre eles e não apensas descrevendo-os. Averiguando a maneira pela qual a sociedade está administrando e interferindo nos sistemas naturais. Atividade 2 - Adaptado de CEPERJ 2013. Leia o texto a seguir: “A sociedade que consideramos, seja grande ou pequena, desejará sempre manter sobretudo a posse do território sobre o qual e graças ao qual ela vive. Quando essa sociedade se organiza com esse objetivo, ela se transforma em Estado" (MORAES, 1990. p. 76). A análise central da obra da qual foi extraída o fragmento anterior é a relação entre o Estado e o espaço. Contribuindo consideravelmente para a formulação da geopolítica e do conceito de território, a obra em questão é da autoria de: a) Alexander von Humboldt b) Karl Ritter c) Friedrich Ratzel d) Yves Lacoste e) Cláudio Ptolomeu O Espaço na Geografia Teorético-Quantitativa A Geografia Teorético-Quantitativa, também denominada de Nova Geografia ou Geografia Pragmática, desenvolveu-se principalmente entre as décadas de 1960 e 1970 e se caracteriza pela utilização da estatística e de modelos matemáticos. A Geografia Teorético-Quantitativa propôs algumas considerações sobre o espaço geográfico. A partir da concepção de seus defensores, o espaço passou a ser considerado um conceito-chave e sua identificação e análise começou a passar pelo uso de uma parafernália da cibernética, com estudos matemáticos e estatísticos complexos. No âmbito da corrente geográfica em questão, o espaço é considerado sob várias formas, que não são mutuamente excludentes, mas a que mais se destaca é a planície isotrópica (Côrrea, 2006). Comentário A planície isotrópica é uma construção teórica que deriva de um paradigma racionalista e hipotético-dedutivo. Como assim? Seria uma superfície plana com as mesmas propriedades físicas em todas as direções. Imagine um trecho da Terra, sem diferenciação interna quanto à geomorfologia, clima, densidade ocupacional, nível de renda, entre outros. Há homogeneidade interna. E esse recorte espacial estaria sob a ação de mecanismos unicamente econômicos (uso da terra, relações centro– periferia etc.). Observe que sob esse recorte homogêneo, desenvolvem-se ações e mecanismos econômicos que levam à diferenciação do espaço: O ponto de partida é a homogeneidade. O ponto de chegada é a diferenciação espacial. Na planície isotrópica, a variável mais importante é a distância, aquela que determina em um espaço previamente homogêneo, a diferenciação espacial. Exemplo Imagine as distâncias em anéis concêntricos de uso da terra ou as distâncias entre o centro e a periferia de um bairro ou cidade. Veja, na figura a seguir, os círculos com as diferenciações de distâncias em relação ao centro da cidade do Rio de Janeiro. Figura 01: Centro e Periferia na cidade do Rio de Janeiro. Adaptado de Google Maps. No círculo 1, estão reunidas áreas mais centrais, como o núcleo comercial e grande parte da Zona Sul da cidade, onde estão Ipanema, Copacabana e Leblon. O segundo círculo já incorpora as áreas mais valorizadas da Zona Oeste, como Barra da Tijuca e municípios com forte interligação comercial com o centro do Rio. E assim por diante. De acordo com Côrrea (2006), os esquemas centro-periferia, tanto em nível intraurbano, como em escala nacional e internacional, são derivados dessa concepção marcada pela noção de efeito declinante da distância. Você sabia que a Geografia Quantitativa trabalhava muito mais com o espaço relativo do que com o espaço absoluto proposto por Hartshorne? O espaço relativo é entendido a partir das relações entre os objetos, relações estas que implicam em custos para se vencer a fricção imposta pela distância. (CORRÊA, 2006, p.21) O que desejavam os novos geógrafos era compreender o espaço geográfico e as relações econômicas internas, no sentido de pensar a gestão territorial. Por isso, havia essa demanda de privilegiar o espaço pelo viés geométrico. Mas, será que essa estratégia permitia as análises mais aprofundadas sobre as relações sociais? Certamente, você já sabe que a cultura canavieira foi instaurada, originalmente, no Nordeste, durante o Brasil Colônia. Ao longo do tempo, houve forte modernização dessa prática produtiva e os resultados da análise da relação entre área plantada e toneladas de alimentos colhidos deixam qualquer especialista financeiro animado com as potencialidades econômicas. Sem contar que esse setor econômico emprega milhões de trabalhadores, e ainda gera renda e impostos para o poder público. Atualmente, pode-se afirmar que a agroindústria da cana-de-açúcar é um dos principais sustentáculos do agronegócio brasileiro. Mas, se observarmos os números da produtividade canavieira, o número de trabalhadores envolvidos e os impostos gerados é possível fazer uma análise do contexto do boia-fria, nome dado ao colaborador laboral que é sistematicamente explorado e têm, muitas vezes, os seus direitos trabalhistas desrespeitados? Certamente que não! Ainda por cima, o trabalhador come a boia fria, porque precisa levar a comida para o campo, onde não tem espaço para aquecer a refeição. O espaço que a Geografia Matemática pretende produzir não é o espaço das sociedades em movimento e sim a fotografia de alguns de seus momentos. (SANTOS,1978, p.53) Atividade 3 - A Geografia Pragmática é a Geografia que estuda, analisa o espaço utilizando quantidade e números, e analisa-o de acordo com pontos, ignorando o lado social e humano, diário, mas somente observando os fatos de acordo com os dados obtidos. Sobre a Geografia Teorético-Quantitativa aponte a afirmativa incorreta. a) Os Geográfos Teoréticos-Quantitativos seguem orientações neopositivistas. Ao contrário dos neokantianos, os neopositivistas consideram que não deve existir dualismo científico entre as ciências naturais e as ciências sociais. b) É necessário estabelecer maior rigor nos enunciados e na verificação de hipóteses, assim como na formulação e nas explicações dos fenômenos geográficos. c) A Geografia deve somente explicar o existente e o acontecido, sem se preocupar com o futuro e propor ações transformadoras. d) Os temas da Geografia poderiam ser explicados totalmente por meio do uso dos métodos matemático e estatísticos. e) A formulação de modelos foi um instrumento de trabalho adotado na análise dos sistemas das organizações espaciais. O espaço na Geografia Crítica Além da Geografia Teorético-Quantitativa, a Geografia Crítica também é uma importante vertente do movimento de renovação do pensamento geográfico, e tem essa denominação por causa de sua postura crítica radical, frente à Geografia existente — seja a Tradicional ou a Pragmática. Na segunda metade do século XX, o mundo viu o processo de descolonização dos países do terceiro mundo, sobretudo os localizados nos continentes africano e asiático. O avanço das tecnologias de comunicação revelou um planeta em que as desigualdades sociais eram gritantes. Como afirmam Dantas; Medeiros (2011), a opinião pública internacional, conscientizou-se de que, em boa medida, os problemas do subdesenvolvimento são consequência da dominação capitalista e confirma as relações entre o atraso econômico, a dependênciae as relações comerciais internacionais. E a Geografia não poderia deixar de reconhecer esses processos histórico- econômicos, não é mesmo? Essa ciência tem buscado uma nova compreensão para os países dependentes e para o papel das potências ocidentais e do próprio sistema capitalista. Os geógrafos críticos não buscam uma ciência apolítica ou neutra. Muito pelo contrário, assumem o conteúdo político de conhecimento científico, propondo uma Geografia militante, que luta por uma sociedade mais justa. A Geografia Crítica, a análise geográfica, é vista como um instrumento de libertação do homem. (MORAES, 2005, p.42) Há diferenças importantes entre a Nova Geografia e a Geografia Crítica. Enquanto os geógrafos pragmáticos buscavam saber a diferença entre país desenvolvido e subdesenvolvido, os geógrafos críticos queriam entender as origens dessa diferença. Qual a relação que o colonialismo tem com as diferenças econômicas entre os países? Como vivem essas populações do mundo pobre? O que está sendo feito para mudar essa realidade? Nova Geografia Geografia Crítica Corrêa (2000) afirma que a Geografia Crítica possui a base teórica e filosófica no Materialismo dialético. Você sabe o que é isso? Sendo assim, o espaço, que antes estava esquecido pela Geografia Tradicional, passou a ser um conceito valorizado e de grande importância. A partir da década de 1970, no Brasil, teve início uma nova concepção atrelada à Geografia Crítica, que se baseia nos pensamentos marxistas e para a qual o espaço é definido como o locus da reprodução das relações sociais de produção. Nesta concepção, espaço e sociedade estão interligados como mostra o conceito expresso por Milton Santos. (Fonte: Shutterstock) O espaço geográfico é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetivos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como um quadro único na qual a história se dá. No começo era a natureza selvagem, formada por objetos naturais, que ao longo da história vão sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois cibernéticos fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar como uma máquina. (SANTOS, 1999, p.37) Sendo assim, o espaço geográfico é, na verdade, o que corresponde ao espaço construído e alterado pelo homem e pode ser definido com o lugar onde estão as relações entre os homens e desses com a natureza. O espaço geográfico abriga o homem e todos os elementos naturais, tais como relevo, clima, vegetação e tudo que nele está inserido. Mas, é importante saber que o espaço geográfico está em constante movimento e transformação. Considerando a obra de Milton Santos, Espaço e Método (1985), pode-se inferir que, diferente de outras correntes do pensamento geográfico, tais como a Teorética-quantitativa e a Tradicional, a Geografia Crítica entende o espaço como em permanente movimento, sempre dinâmico e histórico. (Fonte: Shutterstock) O Espaço na Geografia do Comportamento A Geografia do Comportamento e da Percepção ou Humanística, também surgiu nos fins da década de 1960 e no início de 1970, e se desenvolveu majoritariamente nos países anglo-saxões e algum tempo depois, no Brasil. A Geografia humanista é mais calcada nas filosofias do significado, especialmente na fenomenologia e no existencialismo e, certamente é, tal como a Geografia Crítica, uma reprovação à Geografia de cunho lógico-positivista ou neopositivista (CÔRREA, 2006). A questão cultural, na Geografia, ganhou ênfase com a teoria de diferenciação regional da Terra, baseada na existência de combinações de aspectos naturais e de artefatos comuns em dados espaços como resultante da ação conjugada das forças naturais e da ação humana, proposta por Paul Vidal de La Blache, ainda no século XIX. A partir de então, pode-se dizer que houve um novo enfoque geográfico: O estudo da distribuição dos homens e sua relação com o meio ambiente. A Geografia Humanística baseia-se não só no comportamento humano e na simbologia, mas também na fenomenologia ou no método fenomenológico. Você sabe o que é isso? Para Edward Relph: O método fenomenológico seria utilizado para se fazer uma descrição rigorosa do mundo vivido da experiência humana e, com isso, através da intencionalidade, reconhecer as ‘essências’ da estrutura perceptiva. (HOLZER, 1999, p.11) De acordo com Rocha (2007), com a Geografia Humanística, a ciência ganhou um novo modo de pensar, agora, sob um enfoque cultural, no qual a natureza, a sociedade e a cultura são refletidas como fenômenos complexos, no espaço geográfico. A partir dos anos 1970, uma parte dos geógrafos só obteriam respostas por meio de experiências que vivenciam e conforme o sentido que as pessoas dão à sua existência. Quais as principais bases da Geografia Humanista? 1 Subjetividade 2 Intuição 3 Sentimentos 1 Experiência 2 Simbolismo 3 Privilégio ao singular A paisagem e o lugar são os conceitos-chave mais valorizados da Geografia Humanística, mas o espaço-geográfico também vem sendo trabalhado, embora, em menor escala. No âmbito desse ramo da Geografia, o estudo do espaço precisa levar em conta os sentimentos espaciais e as ideias de um grupo/povo sobre o espaço, a partir da experiência. O Espaço vivido é obtido a partir de paisagens marcadas, construídas e constituídas de vontades, valores e memórias, que são baseadas em experiências do mundo, referências sociais e redes de interação, resultando, assim, esse conhecimento no entendimento geográfico do mundo e do autoconhecimento humano em relação aos seus sentimentos sobre o seu meio ambiente (HOLZER, 1997). Nesse caso, podemos considerar alguns tipos de espaço: Espaço mítico Há extrapolação da evidência sensorial e das necessidades imediatas e se remete à imaginação e sentimento. Os mitos são criados a partir da falta de conhecimento preciso sobre coisas e lugares. Até a metade do século XV, os europeus achavam que os oceanos eram ocupados por grandes monstros, por exemplo. Gangorra (2013) afirma que monstros marinhos eram comuns em mapas antigos e, principalmente, da Idade Média e Renascença — fase de expansão do conhecimento europeu acerca dos oceanos. O espaço mítico é uma construção intelectual, satisfaz as necessidades psicológicas, além das intelectuais, obviamente; salva as aparências e explica os acontecimentos. É também uma resposta do sentimento e da imaginação às necessidades humanas fundamentais (TUAN, 2005). Espaço sagrado Seria o principal lugar da Hierofania, ou seja, manifestação do sagrado, a exemplo do que acontece na cidade de Fátima, em Portugal, ou no Muro das Lamentações, em Israel. Certamente, vivemos uma época em que a religiosidade tem se mostrado cada vez menos implícita em relação ao espaço geográfico. Hoje, são construídos verdadeiros templos religiosos, sobretudo de associação evangélica, que demarcam o seu lugar em determinado recorte espacial, convidando fiéis na configuração de sua fé. No passado, eram as igrejas católicas, com edificações grandiosas, como é o caso da Basílica de São Pedro, no Vaticano, construída no século XVI. Saiba mais Para saber mais sobre esse assunto, leia o texto “Por uma geografia do sagrado ”, de Sylvio Fausto Gil Filho. Atividade 4 - Ao longo dos anos, a Geografia vem analisando o espaço geográfico como uma categoria para compreender a realidade. Na Geografia ______________, o espaço geográfico é mais calcado nas filosofias do significado, especialmente fenomenologia e o existencialismo e se discute o "espaço vivido". Entre as alternativas, qual delas se refere ao espaço vivido do enunciado? a) Geografia Tradicional b) Geografia Crítica c) Geografia Clássica d) Geografia Quantitativa e) Geografia Humanística Referências CORREA, Roberto Lobato. Região e organizaçãoespacial. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000. CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço, um conceito-chave da Geografia. In: CASTRO, Ina Elias; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato (Orgs.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. DANTAS, Aldo; MEDEIROS, Tássia Hortência de Lima. Introdução à ciência geográfica. Natal: EDUFRN, 2011. GANGORA, Alexandre. Monstros marinhos, Cartografia Temática e as Grandes Navegações. Publicado em 19 out 2013. Disponível em: >. 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