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AULA 1 
SITES DE ALTA PERFORMANCE 
Profª Maura Oliveira Martins 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, traremos uma contextualização sobre como a Internet se 
configura hoje, a partir de um olhar histórico à sua evolução. Falaremos sobre as 
diferentes fases que a world wide web atravessou e o paradigma estabelecido 
pela Web 2.0. A partir disso, discutiremos conceitos de marketing, enfocando 
sobretudo na explosão das redes sociais e como o perfil e o comportamento do 
consumidor se alteraram ao longo destas fases. Essa discussão servirá para 
começarmos a entender como os consumidores tomam suas decisões de compra 
e por que os mecanismos de busca, como o Google, são tão importantes. 
TEMA 1 – AS FASES DA ERA DIGITAL: INTERNET 1.0, 2.0 E 3.0 
Para começarmos nossa discussão, um questionamento: você se lembra 
da primeira vez que usou a Internet? Como era naquela época o funcionamento 
da rede e o que mudou desde então? A resposta a essa pergunta pode mudar de 
acordo com a sua idade: pode ser que você seja um imigrante digital ou um nativo 
digital (Prensky, 2001 citado por Passarelli; Junqueira; Angeluci, 2014). Caso seja 
um imigrante digital, ou seja, uma pessoa que foi “alfabetizada” em linguagens 
analógicas e que precisou aprender a linguagem digital, é possível que você tenha 
visto muitas mudanças, como o processo de usar uma internet discada. Talvez 
você se comunicasse com os amigos a partir de plataformas de troca de 
mensagem como o mIRC e o ICQ. Provavelmente, quando você estava em busca 
de alguma informação, usava mecanismos de busca como AltaVista, Yahoo, 
Cadê, entre outros, e tinha acesso a resultados bem limitados. 
Agora, pode ser que você seja um nativo digital, ou seja, uma pessoa que 
já cresceu ambientada no mundo digital, e por isso já com habilidades – como 
uma recepção ágil e rápida de informações; uma facilidade para lidar com 
processos randômicos; uma preferência ao imagético em detrimento do textual; 
uma tendência à realização de multitarefas etc. – que talvez sejam difíceis para 
os seus pais ou seus avós, por exemplo. 
O que queremos sinalizar aqui é que tanto as gerações quanto a própria 
Internet se transformaram ao longo destas décadas. Ainda que muitos autores se 
referenciem aos processos ligados à Internet como “novas mídias”, o fato é que a 
world wide web já passou por diversas fases. Basta dizer as primeiras 
experimentações modernas do que se considera a primeira fase da Web 1.0 – 
 
 
3 
quando começamos a ter as primeiras páginas na Internet – datam de 1991, com 
o trabalho de Tim Berners-Lee e colegas no Centro Europeu de Pesquisas 
Nucleares (Martino, 2014). Essa internet se caracterizava por uma configuração 
mais “passiva”, no sentido do uso de páginas (como blogs, navegadores e a 
transposição do conteúdo analógico para o digital) fixas, operando apenas na 
base da leitura, sem que houvesse grandes possibilidades de interferência nelas 
por parte do usuário. 
Figura 1 – Nativos digitais 
 
Créditos: Caleb Minear/Unsplash. 
Em suma, a Internet se apresentava de maneira estanque, engessada – 
característica que se modifica com a Web 2.0, que tem como marca principal a 
interatividade e a participação maior dos usuários. A Web 2.0, portanto, se 
diferencia por um processo de interação cada vez maior dos sujeitos, que 
“constroem” a Internet com as empresas. Esse é o paradigma do funcionamento 
das redes sociais, que só existem à medida que os usuários produzem conteúdo, 
e de plataformas como a Wikipédia e o Google, que também são alimentadas 
pelos indivíduos comuns. 
Da evolução da Web 2.0, decorre o surgimento, hoje em processo, do que 
alguns autores chamam de Web 3.0 ou web semântica, ou seja, de uma internet 
muito mais personalizada a cada usuário em sua individualidade, ofertando a cada 
um uma experiência única, a partir da performance estabelecida por máquinas 
(como sistemas inteligentes, coleta de big data1, robôs de inteligência artificial, 
 
1 Entendemos por big data a alta quantidade de dados gerados por usuários quando navegam na 
Internet e que são coletados por empresas para usos comerciais. 
 
 
4 
algoritmos) que armazenam dados que podem ser usados para otimizar a 
navegação. Segundo Gabriel (2010, p. 79), “na web semântica, além da 
informação em si, o contexto e as ligações referentes a essa informação permitirão 
encontrar um significado que auxilie o uso da web”. 
Na sequência, nos atentaremos mais à mudança de paradigma simbolizada 
pela Web 2.0, em virtude de sua importância dentro do contexto que delineamos 
aqui. 
TEMA 2 – A REVOLUÇÃO DA WEB 2.0 
Antes de tudo, é preciso deixar claro que as fases aqui indicadas são 
sucessivas, mas isso não significa que elas se encerrem para que outra comece, 
nem que estão exclusivamente ligadas a mudanças técnicas. Na verdade, elas 
são cumulativas (portanto, uma decorre da outra e só existe a partir de elementos 
assimilados em fases antecessoras) e têm mais a ver com as mudanças no 
comportamento do usuário do que com as tecnologias em si. 
É importante destacar isso para indicarmos por que é importante nos 
aprofundarmos na discussão sobre o que significa a fase da Web 2.0, uma vez 
que ela indica aqui uma espécie de revolução digital: ela mostra quando nós, 
usuários da Internet, saímos de uma posição “passiva” de meros receptores e 
passamos a ser “ativos”, ou seja, produtores de conteúdo e construtores da 
própria rede. É bem fácil entender isso: basta um olhar atento às suas redes 
sociais (como Facebook, Instagram, LinkedIn, Twitter etc.) para começarmos a 
perceber que grande parte dos conteúdos que recebemos lá foram produzidos por 
pessoas como nós, e não por empresas ou instituições. As consequências disso 
são múltiplas. Segundo Martha Gabriel (2014, p. 80): 
Ao mesmo tempo que isso é bom, pois traz liberdade, por outro lado 
possibilita a multiplicação de conteúdos em velocidade vertiginosa. 
Some-se a isso o fato de que normalmente não há controle sobre a 
qualidade desta enorme quantidade de conteúdo publicado. A 
consequência disso é a quantidade de filtros e validação de conteúdos, 
criando assim um ambiente fértil para os processos de busca. 
Dito em outras palavras, a Web 2.0, ao mesmo tempo que amplificou a 
possibilidade de participação dos usuários, trouxe o novo desafio da criação de 
mecanismos que ajudem a otimizar a navegação – uma vez que, sem filtro algum, 
a Internet se torna um grande mar aberto, em que conteúdos de boa e baixa 
qualidade competem em pé de igualdade pela atenção dos sujeitos. Se tudo na 
 
 
5 
Internet está ao alcance de um clique, é preciso ter a noção de que os cliques que 
podemos dar são limitados, e que o excesso de informação tende a trazer mais 
desconforto do que, necessariamente, a impressão de se ter uma livre escolha. 
No entanto, é preciso ter em mente que não apenas a Internet mudou, mas 
o comportamento dos usuários, frente a tanta oferta de conteúdo, também se 
alterou significativamente. Para entendermos com mais profundidade essa 
mudança, abordaremos a seguir o conceito de cauda longa. 
TEMA 3 – NOVOS PARADIGMAS: COMO A CAUDA LONGA ALTERA AS 
NOÇÕES DE MARKETING 
Cunhado por Chris Anderson (2006), o conceito de cauda longa (the long 
tail) sinaliza uma mudança importante nos interesses dos consumidores e, 
consequentemente, nos desafios trazidos às ações de marketing adotadas pelas 
empresas. Segundo esse autor, não podemos pensar mais nos mercados 
conforme eles outrora existiram, quando apenas algumas grandes empresas 
dominavam toda a indústria – por exemplo, a indústria cinematográfica de 
Hollywood, que praticamente centralizava toda a produção de filmes do mundo, 
ou a indústria fonográfica que girava em torno de grandes hits e alguns poucos 
álbuns best-seller. 
Desta forma, Anderson (2006) indica a existência de outro movimento:em 
vez de o público se direcionar como uma “manada” em uma única direção, 
buscando alguns poucos produtos ou empresas, hoje os consumidores estão 
dispersos em mercados de nicho. Se antes vivíamos em um ambiente em que o 
broadcast (as mídias de massa, como televisão, rádio, cinema) reinava absoluto, 
hoje a Internet fragmentou a audiência em diversos públicos que conseguem ter 
suas demandas contempladas, por mais específicas que sejam. 
A grande vantagem do broadcast é sua capacidade de levar um 
programa a milhões de pessoas com eficiência sem igual. Mas não é 
capaz de fazer o oposto – levar um milhão de programas para cada 
pessoa. No entanto, é isso que a Internet faz tão bem. A economia na 
era do broadcast exigia programas de grande sucesso – algo grandioso 
– para atrair audiências enormes. Hoje, a realidade é a oposta. Servir a 
mesma coisa para milhões de pessoas ao mesmo tempo é demasiado 
dispendioso e oneroso para as redes de distribuição destinadas a 
comunicação ponto a ponto. (Anderson, 2006, p. 5) 
Isso ocorre, em partes, em razão da superoferta de conteúdos 
disponibilizados na world wide web. O cenário atual subverte um princípio clássico 
 
 
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do marketing nomeado como regra dos 80/20, o que significaria dizer que 20% 
dos produtos presentes no mercado corresponderiam a 80% de todas as vendas 
feitas (id.). Conforme o conceito da cauda longa, o consumidor, com amplo acesso 
à Internet, entra cada vez mais a fundo nos nichos e nas subculturas e está 
gradativamente mais disposto a sair dessa “bolha” dos maiores hits e, 
consequentemente, a adquirir produtos que estão mais adequados a seus gostos 
específicos. Por essa razão, o princípio da cauda longa postula que, quanto maior 
a variedade de produtos dispostos no mercado, maiores serão as vendas. 
Figura 2 – Cauda longa 
 
Como atualmente a Internet regula boa parte das trocas informacionais 
e/ou comerciais, isso se torna muito significativo, pois equivale a dizer que hoje o 
marketing lida com consumidores com demandas bastante específicas e que não 
podem mais ser abordados por meio de estratégias generalizantes. Aliás, é bom 
lembrar que boa parte das pessoas tomam suas decisões de compra por 
intermédio da Internet – seja para adquirir um produto, seja para obter informações 
que sustentarão as suas compras em ambiente off-line. 
Atentar-se aos quesitos articulados pelo conceito da cauda longa traz 
bastante vantagens no planejamento de uma boa estratégia de marketing aos 
negócios. Vamos nos debruçar, então, sobre alguns quesitos cruciais dessa 
teoria: 
• A internet mudou os princípios dos negócios e tornou possível que os 
produtos de nicho encontrassem novos consumidores. Isso se dá, em 
parte, pela imaterialidade do mundo digital. 
 
 
7 
Para tentar entender o que isso quer dizer, pense no seguinte exemplo: na 
diferença entre uma loja de discos e a disponibilização de discos e músicas em 
plataformas como Spotfy e App Store. Enquanto as lojas têm limitações claras (de 
custos para a aquisição de produtos, de espaço para armazená-los, etc.), os 
ambientes virtuais têm espaços ilimitados. Por isso, é viável que um e-commerce 
de música disponibilize um disco que só tenha um comprador, o que seria 
impossível em uma loja física. Isso quer dizer que antes essas demandas por 
coisas muito específicas não existiam? Não. Mas a diferença agora, nas palavras 
de Anderson (2006), é que um mercado antes invisível se tornou visível. 
• A variedade é importante: não se pode mais apostar apenas nos grandes 
hits. 
Vivemos em tempos em que as subculturas e os nichos encontram cada 
vez mais seus espaços. Outro exemplo: pense, lá nos anos 80, quais eram os 
desenhos animados disponíveis para as crianças, e onde elas os assistiam. Se 
você fizer um esforço de memória (ou de pesquisa), talvez chegue numa lista de 
uns 15 nomes de desenhos diferentes que passavam no Brasil em, no máximo, 5 
programas infantis que passavam na televisão. Hoje, a oferta é muito maior: há 
desenhos animados para todos os gostos (dos pais e dos filhos), faixa etária das 
crianças, perfis e propostas pedagógicas, disponibilizados em múltiplas 
plataformas (como os canais de TV aberta ou paga, nas plataformas de streaming 
ou mesmo em sites como YouTube). Se esses produtos existem e estão ao nosso 
alcance, é porque eles conseguem existir (ou seja, gerar lucro) dentro de um 
mercado. Por isso, é preciso atentar-se aos interesses dos consumidores: eles 
estão dispostos a procurar aquilo que mais se adequa às suas demandas. Em 
outras palavras, a “cauda” é longa. 
• Do broadcast ao narrowcast 
Qualquer empresa que pense em seu marketing precisa, então, se atentar 
à mudança de paradigma: já saímos da era do broadcast – em que as emissões 
totalmente massivas, como a televisão e o rádio, reinavam soberanas – e nos 
encaminhamos ao narrowcast, aos mercados nichados e específicos. Anderson 
(2006) ainda propõe o termo mass customization, ou “customização em massa”, 
que parece um tanto contraditório, mas faz sentido: cada vez mais as empresas 
precisam “personalizar” seus conteúdos, atendendo às solicitações dos públicos 
a que atende. 
 
 
8 
E o que isso tem a ver com o uso das estratégias digitais por parte das 
empresas? Tem tudo a ver, pois é preciso ter uma clara noção de como funciona 
o comportamento e a mente daqueles sujeitos com quem dialogamos quando 
estamos em busca da popularização de nossa marca. Isso significa que hoje não 
lidamos com meros consumidores passivos, mas sim com prosumers ou 
prossumidores. Veremos mais sobre isso a seguir. 
Saiba mais 
Neste artigo do especialista em marketing digital Neil Patel, disponível no 
link a seguir, entendemos com mais detalhes alguns princípios da cauda longa e 
por que ela deve ser considerada por todas as marcas e empresas: 
. 
TEMA 4 – O NOVO CONSUMIDOR: PROSUMERS E A EXPLOSÃO DAS REDES 
SOCIAIS 
Ainda que estejamos aqui falando do atual comportamento do consumidor, 
a verdade é que esse consumidor não é exatamente novo: data pelo menos dos 
anos 80, quando Alvin Toffler (1980) definiu o termo prosumer. Basicamente, o 
termo prossumidor funde as categorias de produtor e consumidor, apontando para 
um sujeito que recebe informações na mesma medida que as produz. 
O fato é que, hoje, somos todos prosumers, uma vez que não aceitamos 
apenas ser impactados pelas ações de marketing – pelo contrário, queremos ser 
participantes ativos dessas relações com as marcas. Para tentar explicar isso de 
forma clara, propomos agora um exercício: refaça em sua mente uma das últimas 
compras que você realizou. Tente mapear quais foram as ações que o levaram a 
tomar aquela decisão de compra. Digamos, por exemplo, que você queria comprar 
um tênis esportivo para praticar exercícios. Como você decidiu pela marca do tênis 
escolhido? Onde fez a compra? Como teve a convicção de que se tratava de um 
produto de qualidade e que valeria a pena o seu investimento de tempo e 
dinheiro? 
Possivelmente, a sua experiência de compra tenha passado por alguma 
interferência de algum sujeito que não fosse a própria marca. Por exemplo: pode 
ser que você tenha feito alguma pesquisa em sites de avaliação de compras 
alimentados por usuários comuns. Pode ser que você tenha decidido pela compra 
depois que algum influenciador digital em quem você confia tenha postado alguma 
 
 
9 
imagem na qual aparecia um tênis – e você, mesmo inconscientemente, tenha 
desejado emprestar um pouco do prestígio daquela pessoa que você admira. 
Pode ser que algum amigo seu tenha postado em suas redes sociais algum 
depoimento afiançando tal produto. Pode ser que você tenha jogado sua dúvida 
entre seus grupos do WhatsApp e coletado a opinião de seus contatos até tomar 
a sua decisão. E pode ser ainda que os próprios algoritmos presentes nas 
plataformas que você usa diariamentetenham, a partir da coleta dos seus dados, 
ofertado a você o tênis que você acabou adquirindo. 
Figura 3 – Prosumers 
 
Créditos: Ben Ben Collins/Unsplash. 
Dentre as características identificadas nos prosumers, podemos listar 
(Marques; Vidigal, 2018): 
• O domínio das tecnologias: são pessoas capazes não apenas de acessar 
as redes, mas de produzir conteúdo para elas; 
• Estão sempre conectados; 
• A influência no mercado: prosumers tendem a influenciar outros 
consumidores; 
• A busca de valores a cada marca que consomem: por exemplo, um 
prosumer irá se atentar à origem daquela roupa que ele veste, observando 
se ela se adequa aos seus princípios; 
 
 
10 
• Quando ouvidos, podem influenciar no aprimoramento dos produtos – isso 
ocorre porque os prosumers interagem bastante com as marcas. 
Isso significa que todas as pessoas que estão na Internet são prosumers? 
A resposta é não, pois há diversos perfis de usuários – lembre-se, como já 
explicamos nesta aula, que muitos de nós são imigrantes digitais, e por isso têm 
certas dificuldades na adaptação às linguagens usadas na Internet. Por mais 
incrível que possa parecer, nem todos são usuários de redes sociais: nem todo 
mundo posta suas ideias no Twitter, suas novidades no Facebook, faz contatos 
profissionais no LinkedIn, compartilha seu dia a dia nos stories do Instagram. O 
que indicamos aqui é que esse usuário mais engajado – o que não apenas recebe 
informação, mas se relaciona e responde a ela – precisa ser sempre considerado, 
pois sua influência é grande. 
Somando tudo o que vimos até agora, como já sabemos que a Internet se 
transformou ao longo de décadas, precisamos entender com mais precisão de 
que modo o comportamento do usuário também se alterou para compreendermos 
como podemos atuar de forma mais eficiente no contato com o consumidor de 
nossa marca. Vamos nos atentar em seguida, portanto, ao funcionamento dos 
mecanismos de busca. 
TEMA 5 – OS MECANISMOS DE BUSCA E A CENTRALIDADE DO GOOGLE 
Tente reproduzir mentalmente a sua postura quando você precisa descobrir 
alguma coisa e recorre à Internet. Há uma enorme chance de que a sua primeira 
ação seja: digitar algumas palavras-chave no Google. Se você pensou nisso, você 
faz parte de um grupo composto por 92,51% dos usuários da Internet que recorre 
cotidianamente a essa ferramenta, somando 3,5 bilhões de buscas diárias. 
Apenas a título de curiosidade, o segundo site de busca mais usado é o Bing, que 
abocanha apenas 2,45% deste mercado (Priory, 2020). 
Em outras palavras, os mecanismos de busca são centrais hoje na 
experiência de praticamente todo usuário da Internet, pois eles têm função de 
organizar, filtrar e moderar a jornada que cada um de nós percorre quando precisa 
fazer uso de uma mídia tão vasta e incontrolável quanto a rede mundial de 
computadores. Essas ferramentas tecnológicas, portanto, configuram como 
intermediações inevitáveis pelos quais todos nós – sejamos usuários individuais, 
 
 
11 
marcas ou empresas – precisamos passar para entrarmos em contato uns com 
os outros. 
Deste modo, podemos entender que as ferramentas de busca servem para 
a comunicação entre uma informação e um indivíduo que tem uma demanda. Em 
resumo, os buscadores funcionam por mecanismos (ou robôs) que indexam os 
dados disponíveis e, de acordo com o pedido feito por um usuário, recuperam 
essas informações e fornecem uma página com o resultado desta pesquisa. 
Parece bastante simples explicar isso, mas, na verdade, entender de fato 
o mecanismo do Google e demais buscadores é algo bem complexo. Para que 
você tenha uma noção precisa de como é o típico comportamento do usuário 
quando está procurando algo na internet, apontamos aqui alguns dados 
interessantes para nortear a discussão. Dados recentes nos mostram que: 
• 63% das buscas orgânicas (ou seja, as buscas gratuitas, feitas 
espontaneamente por usuários) no Google ocorrem em dispositivos móveis 
(como celulares e tablets); 
• 84% das pessoas que usam o Google realizam 3 ou mais pesquisas diárias; 
• 46% das pesquisas para compra de produtos começam no Google; 
• 47% das buscas feitas em desktops (computadores) ocorrem no Google; 
• 90% dos usuários do Google só clicam nas primeiras posições da página 
de resultados (Priory, 2020). 
A partir de dados apontados aqui – como o fato de as pessoas, em sua 
maioria, não vão além da primeira página de resultados do Google – como então 
eu posso fazer para que minha marca ou meu site seja encontrado pelas pessoas 
interessadas nos conteúdos que estão hospedados lá? Acreditamos que já está 
claro até aqui que é crucial entender como funcionam os “robôs” inseridos nos 
mecanismos como o Google – o chamado GoogleBot2. Quem conhecer os 
meandros dessas tecnologias, portanto, terá vantagem em relação a seus 
concorrentes no que diz respeito a “ser buscado” pelas pessoas nas redes. 
Em linhas gerais, os buscadores funcionam da seguinte forma: 
• Seus mecanismos operam a partir de operações que “decompõem” e 
isolam os termos a serem buscados, avaliando o que se chama de stop 
words (como artigos, conjunções, preposições, etc.) e, por fim, identificam 
 
2 Espécie de computador desenvolvido pelo Google que rastreia e analisa todas as páginas 
públicas existentes na internet e as indexa conforme critérios específicos definidos pela empresa. 
 
 
12 
os radicais das palavras buscadas. Tudo isso acontece em menos de um 
segundo; 
• Em seguida, os algoritmos analisam automaticamente as palavras usadas 
na busca e buscam correspondentes nos textos. As palavras têm diferentes 
pesos. Por exemplo: as palavras presentes em um título de um texto têm 
um peso maior do que as que estão numa descrição. De acordo com o 
buscador usado, outros fatores podem ser levados em consideração: a 
repetição de palavras, aproximação ou distância entre palavras, uso ou não 
de imagens no texto, etc. 
• Os buscadores costumam analisar tudo isso a partir de dois principais 
componentes: a popularidade da página (quesito sobre o qual falaremos 
com mais detalhe nas próximas aulas) e a relevância da página para a frase 
que foi pesquisada. O Google, por exemplo rastreará elementos como 
blacklinks3, PageRank4, qualidade da URL, tamanho da fonte e uso de 
termos-chave para diagnosticar a posição desse texto em seu resultado. 
• A partir daí, os buscadores selecionarão os resultados de uma forma que, 
conforme já dito, difere muito do jeito que nós, humanos, fazemos nossas 
seleções. Apresentarão para o usuário uma lista de links ranqueados pela 
relevância estabelecida nos critérios explicados anteriormente. 
Talvez, neste momento, você esteja pensando: mas por que meu site 
precisa estar bem ranqueado no Google? Não é possível que eu consiga ter 
sucesso no meu e-commerce, por exemplo, sem que tenha que me preocupar 
com meu posicionamento neste mecanismo de busca? Não posso ser achado em 
outros buscadores, como o Bing, o Duckduckgo ou mesmo o Yahoo? 
Responderemos por partes. Sim, é claro que há possibilidades de você ser 
bem-sucedido sem passar pelos filtros do Google, mas é um risco muito grande 
de você deixar de preencher uma lacuna de usuários e consumidores que têm 
tudo a ver com o conteúdo que você compartilha e os produtos que você anuncia. 
Ou seja, ficar fora do Google (ou pelo menos não se preocupar com isso) é perder 
muitas oportunidades de negócio. 
Em relação à segunda questão: sim, muitas pessoas poderão chegar até 
você por meio de outros buscadores, que organizam os resultados por outros 
 
3 São as “indicações” feitas para um site por outros sites. Quanto mais um site estiver sendo referenciado por 
outros por meio de links, maior a chance de ele ser bem ranqueado no Google. 
4 Sistema de ranqueamento múltiplo usado pelo Google para avaliar a relevância de um site.13 
filtros diferentes do GoogleBot. Mas é bom lembrar que mais de 90% dos usuários 
usam apenas o Google, por isso, confiar em ser “achado” pelas outras plataformas 
é, certamente, perder muitos acessos e novos contatos. 
Vale lembrar ainda que a expressividade do Google é tão vasta que ele 
virou uma própria expressão: há quem fale sobre “dar um Google” ou “googlear”, 
e todos que estão em volta entendem o que estamos dizendo. Por isso, não se 
atentar a isso é algo impensável para quem investe em marketing digital. Não por 
acaso, há um ditado que diz que “o que não está no Google, não existe”. 
Saiba mais 
Quando falamos sobre a importância de estar presente no Google, isso não 
significa que este seja uma empresa que não seja passível de críticas. Para 
entender mais sobre os problemas gerados pelo Google, recomendamos o 
episódio EUA X Google, um duelo de gigantes, do podcast O Assunto, 
apresentado pela jornalista Renata Lo Prete. O episódio está disponível aqui: 
 Acesso em: 8 abr. 2021. 
Agora que você já entendeu que, para quem trabalha com Internet ou 
simplesmente quer ser encontrado nela, o Google é essencial, como fazer então 
para conseguir ser bem ranqueado pelo GoogleBot? É isso que começaremos a 
explicar na próxima aula. 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. 
Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 
GABRIEL, M. Marketing na era digital. São Paulo: Novatec Editora, 2010. 
MARQUES, L. K.; VIDIGAL, F. Prosumers e redes sociais como fontes de 
informação mercadológica: uma análise sob a perspectiva da inteligência 
competitiva em empresas brasileiras. Revista Transinformação, Campinas, v. 
30, n. 1., jan./abr. 2018. Disponível em: 
. Acesso em: 4 abr. 2021. 
MARTINO, L. M. S. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes, redes. 
Petrópolis: Vozes, 2014. 
QUANTAS pesquisas são realizadas no Google por dia e outros dados que você 
precisa conhecer. Priory, 10 de fevereiro de 2020. Disponível em: 
. Acesso em: 4 abr. 2021. 
PASSARELLI, B.; JUNQUEIRA, A.; ANGELUCI, A. Os nativos digitais no Brasil e 
seus comportamentos diante das telas. Revista Matrizes, v. 8, n. 4. 2014. 
Disponível em: . Acesso 
em: 4 abr. 2021. 
TOFFLER, A. A terceira onda. Rio de Janeiro: Record, 1980. 
 
 
	QUANTAS pesquisas são realizadas no Google por dia e outros dados que você precisa conhecer. Priory, 10 de fevereiro de 2020. Disponível em:

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