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AULA 1 SITES DE ALTA PERFORMANCE Profª Maura Oliveira Martins 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, traremos uma contextualização sobre como a Internet se configura hoje, a partir de um olhar histórico à sua evolução. Falaremos sobre as diferentes fases que a world wide web atravessou e o paradigma estabelecido pela Web 2.0. A partir disso, discutiremos conceitos de marketing, enfocando sobretudo na explosão das redes sociais e como o perfil e o comportamento do consumidor se alteraram ao longo destas fases. Essa discussão servirá para começarmos a entender como os consumidores tomam suas decisões de compra e por que os mecanismos de busca, como o Google, são tão importantes. TEMA 1 – AS FASES DA ERA DIGITAL: INTERNET 1.0, 2.0 E 3.0 Para começarmos nossa discussão, um questionamento: você se lembra da primeira vez que usou a Internet? Como era naquela época o funcionamento da rede e o que mudou desde então? A resposta a essa pergunta pode mudar de acordo com a sua idade: pode ser que você seja um imigrante digital ou um nativo digital (Prensky, 2001 citado por Passarelli; Junqueira; Angeluci, 2014). Caso seja um imigrante digital, ou seja, uma pessoa que foi “alfabetizada” em linguagens analógicas e que precisou aprender a linguagem digital, é possível que você tenha visto muitas mudanças, como o processo de usar uma internet discada. Talvez você se comunicasse com os amigos a partir de plataformas de troca de mensagem como o mIRC e o ICQ. Provavelmente, quando você estava em busca de alguma informação, usava mecanismos de busca como AltaVista, Yahoo, Cadê, entre outros, e tinha acesso a resultados bem limitados. Agora, pode ser que você seja um nativo digital, ou seja, uma pessoa que já cresceu ambientada no mundo digital, e por isso já com habilidades – como uma recepção ágil e rápida de informações; uma facilidade para lidar com processos randômicos; uma preferência ao imagético em detrimento do textual; uma tendência à realização de multitarefas etc. – que talvez sejam difíceis para os seus pais ou seus avós, por exemplo. O que queremos sinalizar aqui é que tanto as gerações quanto a própria Internet se transformaram ao longo destas décadas. Ainda que muitos autores se referenciem aos processos ligados à Internet como “novas mídias”, o fato é que a world wide web já passou por diversas fases. Basta dizer as primeiras experimentações modernas do que se considera a primeira fase da Web 1.0 – 3 quando começamos a ter as primeiras páginas na Internet – datam de 1991, com o trabalho de Tim Berners-Lee e colegas no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Martino, 2014). Essa internet se caracterizava por uma configuração mais “passiva”, no sentido do uso de páginas (como blogs, navegadores e a transposição do conteúdo analógico para o digital) fixas, operando apenas na base da leitura, sem que houvesse grandes possibilidades de interferência nelas por parte do usuário. Figura 1 – Nativos digitais Créditos: Caleb Minear/Unsplash. Em suma, a Internet se apresentava de maneira estanque, engessada – característica que se modifica com a Web 2.0, que tem como marca principal a interatividade e a participação maior dos usuários. A Web 2.0, portanto, se diferencia por um processo de interação cada vez maior dos sujeitos, que “constroem” a Internet com as empresas. Esse é o paradigma do funcionamento das redes sociais, que só existem à medida que os usuários produzem conteúdo, e de plataformas como a Wikipédia e o Google, que também são alimentadas pelos indivíduos comuns. Da evolução da Web 2.0, decorre o surgimento, hoje em processo, do que alguns autores chamam de Web 3.0 ou web semântica, ou seja, de uma internet muito mais personalizada a cada usuário em sua individualidade, ofertando a cada um uma experiência única, a partir da performance estabelecida por máquinas (como sistemas inteligentes, coleta de big data1, robôs de inteligência artificial, 1 Entendemos por big data a alta quantidade de dados gerados por usuários quando navegam na Internet e que são coletados por empresas para usos comerciais. 4 algoritmos) que armazenam dados que podem ser usados para otimizar a navegação. Segundo Gabriel (2010, p. 79), “na web semântica, além da informação em si, o contexto e as ligações referentes a essa informação permitirão encontrar um significado que auxilie o uso da web”. Na sequência, nos atentaremos mais à mudança de paradigma simbolizada pela Web 2.0, em virtude de sua importância dentro do contexto que delineamos aqui. TEMA 2 – A REVOLUÇÃO DA WEB 2.0 Antes de tudo, é preciso deixar claro que as fases aqui indicadas são sucessivas, mas isso não significa que elas se encerrem para que outra comece, nem que estão exclusivamente ligadas a mudanças técnicas. Na verdade, elas são cumulativas (portanto, uma decorre da outra e só existe a partir de elementos assimilados em fases antecessoras) e têm mais a ver com as mudanças no comportamento do usuário do que com as tecnologias em si. É importante destacar isso para indicarmos por que é importante nos aprofundarmos na discussão sobre o que significa a fase da Web 2.0, uma vez que ela indica aqui uma espécie de revolução digital: ela mostra quando nós, usuários da Internet, saímos de uma posição “passiva” de meros receptores e passamos a ser “ativos”, ou seja, produtores de conteúdo e construtores da própria rede. É bem fácil entender isso: basta um olhar atento às suas redes sociais (como Facebook, Instagram, LinkedIn, Twitter etc.) para começarmos a perceber que grande parte dos conteúdos que recebemos lá foram produzidos por pessoas como nós, e não por empresas ou instituições. As consequências disso são múltiplas. Segundo Martha Gabriel (2014, p. 80): Ao mesmo tempo que isso é bom, pois traz liberdade, por outro lado possibilita a multiplicação de conteúdos em velocidade vertiginosa. Some-se a isso o fato de que normalmente não há controle sobre a qualidade desta enorme quantidade de conteúdo publicado. A consequência disso é a quantidade de filtros e validação de conteúdos, criando assim um ambiente fértil para os processos de busca. Dito em outras palavras, a Web 2.0, ao mesmo tempo que amplificou a possibilidade de participação dos usuários, trouxe o novo desafio da criação de mecanismos que ajudem a otimizar a navegação – uma vez que, sem filtro algum, a Internet se torna um grande mar aberto, em que conteúdos de boa e baixa qualidade competem em pé de igualdade pela atenção dos sujeitos. Se tudo na 5 Internet está ao alcance de um clique, é preciso ter a noção de que os cliques que podemos dar são limitados, e que o excesso de informação tende a trazer mais desconforto do que, necessariamente, a impressão de se ter uma livre escolha. No entanto, é preciso ter em mente que não apenas a Internet mudou, mas o comportamento dos usuários, frente a tanta oferta de conteúdo, também se alterou significativamente. Para entendermos com mais profundidade essa mudança, abordaremos a seguir o conceito de cauda longa. TEMA 3 – NOVOS PARADIGMAS: COMO A CAUDA LONGA ALTERA AS NOÇÕES DE MARKETING Cunhado por Chris Anderson (2006), o conceito de cauda longa (the long tail) sinaliza uma mudança importante nos interesses dos consumidores e, consequentemente, nos desafios trazidos às ações de marketing adotadas pelas empresas. Segundo esse autor, não podemos pensar mais nos mercados conforme eles outrora existiram, quando apenas algumas grandes empresas dominavam toda a indústria – por exemplo, a indústria cinematográfica de Hollywood, que praticamente centralizava toda a produção de filmes do mundo, ou a indústria fonográfica que girava em torno de grandes hits e alguns poucos álbuns best-seller. Desta forma, Anderson (2006) indica a existência de outro movimento:em vez de o público se direcionar como uma “manada” em uma única direção, buscando alguns poucos produtos ou empresas, hoje os consumidores estão dispersos em mercados de nicho. Se antes vivíamos em um ambiente em que o broadcast (as mídias de massa, como televisão, rádio, cinema) reinava absoluto, hoje a Internet fragmentou a audiência em diversos públicos que conseguem ter suas demandas contempladas, por mais específicas que sejam. A grande vantagem do broadcast é sua capacidade de levar um programa a milhões de pessoas com eficiência sem igual. Mas não é capaz de fazer o oposto – levar um milhão de programas para cada pessoa. No entanto, é isso que a Internet faz tão bem. A economia na era do broadcast exigia programas de grande sucesso – algo grandioso – para atrair audiências enormes. Hoje, a realidade é a oposta. Servir a mesma coisa para milhões de pessoas ao mesmo tempo é demasiado dispendioso e oneroso para as redes de distribuição destinadas a comunicação ponto a ponto. (Anderson, 2006, p. 5) Isso ocorre, em partes, em razão da superoferta de conteúdos disponibilizados na world wide web. O cenário atual subverte um princípio clássico 6 do marketing nomeado como regra dos 80/20, o que significaria dizer que 20% dos produtos presentes no mercado corresponderiam a 80% de todas as vendas feitas (id.). Conforme o conceito da cauda longa, o consumidor, com amplo acesso à Internet, entra cada vez mais a fundo nos nichos e nas subculturas e está gradativamente mais disposto a sair dessa “bolha” dos maiores hits e, consequentemente, a adquirir produtos que estão mais adequados a seus gostos específicos. Por essa razão, o princípio da cauda longa postula que, quanto maior a variedade de produtos dispostos no mercado, maiores serão as vendas. Figura 2 – Cauda longa Como atualmente a Internet regula boa parte das trocas informacionais e/ou comerciais, isso se torna muito significativo, pois equivale a dizer que hoje o marketing lida com consumidores com demandas bastante específicas e que não podem mais ser abordados por meio de estratégias generalizantes. Aliás, é bom lembrar que boa parte das pessoas tomam suas decisões de compra por intermédio da Internet – seja para adquirir um produto, seja para obter informações que sustentarão as suas compras em ambiente off-line. Atentar-se aos quesitos articulados pelo conceito da cauda longa traz bastante vantagens no planejamento de uma boa estratégia de marketing aos negócios. Vamos nos debruçar, então, sobre alguns quesitos cruciais dessa teoria: • A internet mudou os princípios dos negócios e tornou possível que os produtos de nicho encontrassem novos consumidores. Isso se dá, em parte, pela imaterialidade do mundo digital. 7 Para tentar entender o que isso quer dizer, pense no seguinte exemplo: na diferença entre uma loja de discos e a disponibilização de discos e músicas em plataformas como Spotfy e App Store. Enquanto as lojas têm limitações claras (de custos para a aquisição de produtos, de espaço para armazená-los, etc.), os ambientes virtuais têm espaços ilimitados. Por isso, é viável que um e-commerce de música disponibilize um disco que só tenha um comprador, o que seria impossível em uma loja física. Isso quer dizer que antes essas demandas por coisas muito específicas não existiam? Não. Mas a diferença agora, nas palavras de Anderson (2006), é que um mercado antes invisível se tornou visível. • A variedade é importante: não se pode mais apostar apenas nos grandes hits. Vivemos em tempos em que as subculturas e os nichos encontram cada vez mais seus espaços. Outro exemplo: pense, lá nos anos 80, quais eram os desenhos animados disponíveis para as crianças, e onde elas os assistiam. Se você fizer um esforço de memória (ou de pesquisa), talvez chegue numa lista de uns 15 nomes de desenhos diferentes que passavam no Brasil em, no máximo, 5 programas infantis que passavam na televisão. Hoje, a oferta é muito maior: há desenhos animados para todos os gostos (dos pais e dos filhos), faixa etária das crianças, perfis e propostas pedagógicas, disponibilizados em múltiplas plataformas (como os canais de TV aberta ou paga, nas plataformas de streaming ou mesmo em sites como YouTube). Se esses produtos existem e estão ao nosso alcance, é porque eles conseguem existir (ou seja, gerar lucro) dentro de um mercado. Por isso, é preciso atentar-se aos interesses dos consumidores: eles estão dispostos a procurar aquilo que mais se adequa às suas demandas. Em outras palavras, a “cauda” é longa. • Do broadcast ao narrowcast Qualquer empresa que pense em seu marketing precisa, então, se atentar à mudança de paradigma: já saímos da era do broadcast – em que as emissões totalmente massivas, como a televisão e o rádio, reinavam soberanas – e nos encaminhamos ao narrowcast, aos mercados nichados e específicos. Anderson (2006) ainda propõe o termo mass customization, ou “customização em massa”, que parece um tanto contraditório, mas faz sentido: cada vez mais as empresas precisam “personalizar” seus conteúdos, atendendo às solicitações dos públicos a que atende. 8 E o que isso tem a ver com o uso das estratégias digitais por parte das empresas? Tem tudo a ver, pois é preciso ter uma clara noção de como funciona o comportamento e a mente daqueles sujeitos com quem dialogamos quando estamos em busca da popularização de nossa marca. Isso significa que hoje não lidamos com meros consumidores passivos, mas sim com prosumers ou prossumidores. Veremos mais sobre isso a seguir. Saiba mais Neste artigo do especialista em marketing digital Neil Patel, disponível no link a seguir, entendemos com mais detalhes alguns princípios da cauda longa e por que ela deve ser considerada por todas as marcas e empresas: . TEMA 4 – O NOVO CONSUMIDOR: PROSUMERS E A EXPLOSÃO DAS REDES SOCIAIS Ainda que estejamos aqui falando do atual comportamento do consumidor, a verdade é que esse consumidor não é exatamente novo: data pelo menos dos anos 80, quando Alvin Toffler (1980) definiu o termo prosumer. Basicamente, o termo prossumidor funde as categorias de produtor e consumidor, apontando para um sujeito que recebe informações na mesma medida que as produz. O fato é que, hoje, somos todos prosumers, uma vez que não aceitamos apenas ser impactados pelas ações de marketing – pelo contrário, queremos ser participantes ativos dessas relações com as marcas. Para tentar explicar isso de forma clara, propomos agora um exercício: refaça em sua mente uma das últimas compras que você realizou. Tente mapear quais foram as ações que o levaram a tomar aquela decisão de compra. Digamos, por exemplo, que você queria comprar um tênis esportivo para praticar exercícios. Como você decidiu pela marca do tênis escolhido? Onde fez a compra? Como teve a convicção de que se tratava de um produto de qualidade e que valeria a pena o seu investimento de tempo e dinheiro? Possivelmente, a sua experiência de compra tenha passado por alguma interferência de algum sujeito que não fosse a própria marca. Por exemplo: pode ser que você tenha feito alguma pesquisa em sites de avaliação de compras alimentados por usuários comuns. Pode ser que você tenha decidido pela compra depois que algum influenciador digital em quem você confia tenha postado alguma 9 imagem na qual aparecia um tênis – e você, mesmo inconscientemente, tenha desejado emprestar um pouco do prestígio daquela pessoa que você admira. Pode ser que algum amigo seu tenha postado em suas redes sociais algum depoimento afiançando tal produto. Pode ser que você tenha jogado sua dúvida entre seus grupos do WhatsApp e coletado a opinião de seus contatos até tomar a sua decisão. E pode ser ainda que os próprios algoritmos presentes nas plataformas que você usa diariamentetenham, a partir da coleta dos seus dados, ofertado a você o tênis que você acabou adquirindo. Figura 3 – Prosumers Créditos: Ben Ben Collins/Unsplash. Dentre as características identificadas nos prosumers, podemos listar (Marques; Vidigal, 2018): • O domínio das tecnologias: são pessoas capazes não apenas de acessar as redes, mas de produzir conteúdo para elas; • Estão sempre conectados; • A influência no mercado: prosumers tendem a influenciar outros consumidores; • A busca de valores a cada marca que consomem: por exemplo, um prosumer irá se atentar à origem daquela roupa que ele veste, observando se ela se adequa aos seus princípios; 10 • Quando ouvidos, podem influenciar no aprimoramento dos produtos – isso ocorre porque os prosumers interagem bastante com as marcas. Isso significa que todas as pessoas que estão na Internet são prosumers? A resposta é não, pois há diversos perfis de usuários – lembre-se, como já explicamos nesta aula, que muitos de nós são imigrantes digitais, e por isso têm certas dificuldades na adaptação às linguagens usadas na Internet. Por mais incrível que possa parecer, nem todos são usuários de redes sociais: nem todo mundo posta suas ideias no Twitter, suas novidades no Facebook, faz contatos profissionais no LinkedIn, compartilha seu dia a dia nos stories do Instagram. O que indicamos aqui é que esse usuário mais engajado – o que não apenas recebe informação, mas se relaciona e responde a ela – precisa ser sempre considerado, pois sua influência é grande. Somando tudo o que vimos até agora, como já sabemos que a Internet se transformou ao longo de décadas, precisamos entender com mais precisão de que modo o comportamento do usuário também se alterou para compreendermos como podemos atuar de forma mais eficiente no contato com o consumidor de nossa marca. Vamos nos atentar em seguida, portanto, ao funcionamento dos mecanismos de busca. TEMA 5 – OS MECANISMOS DE BUSCA E A CENTRALIDADE DO GOOGLE Tente reproduzir mentalmente a sua postura quando você precisa descobrir alguma coisa e recorre à Internet. Há uma enorme chance de que a sua primeira ação seja: digitar algumas palavras-chave no Google. Se você pensou nisso, você faz parte de um grupo composto por 92,51% dos usuários da Internet que recorre cotidianamente a essa ferramenta, somando 3,5 bilhões de buscas diárias. Apenas a título de curiosidade, o segundo site de busca mais usado é o Bing, que abocanha apenas 2,45% deste mercado (Priory, 2020). Em outras palavras, os mecanismos de busca são centrais hoje na experiência de praticamente todo usuário da Internet, pois eles têm função de organizar, filtrar e moderar a jornada que cada um de nós percorre quando precisa fazer uso de uma mídia tão vasta e incontrolável quanto a rede mundial de computadores. Essas ferramentas tecnológicas, portanto, configuram como intermediações inevitáveis pelos quais todos nós – sejamos usuários individuais, 11 marcas ou empresas – precisamos passar para entrarmos em contato uns com os outros. Deste modo, podemos entender que as ferramentas de busca servem para a comunicação entre uma informação e um indivíduo que tem uma demanda. Em resumo, os buscadores funcionam por mecanismos (ou robôs) que indexam os dados disponíveis e, de acordo com o pedido feito por um usuário, recuperam essas informações e fornecem uma página com o resultado desta pesquisa. Parece bastante simples explicar isso, mas, na verdade, entender de fato o mecanismo do Google e demais buscadores é algo bem complexo. Para que você tenha uma noção precisa de como é o típico comportamento do usuário quando está procurando algo na internet, apontamos aqui alguns dados interessantes para nortear a discussão. Dados recentes nos mostram que: • 63% das buscas orgânicas (ou seja, as buscas gratuitas, feitas espontaneamente por usuários) no Google ocorrem em dispositivos móveis (como celulares e tablets); • 84% das pessoas que usam o Google realizam 3 ou mais pesquisas diárias; • 46% das pesquisas para compra de produtos começam no Google; • 47% das buscas feitas em desktops (computadores) ocorrem no Google; • 90% dos usuários do Google só clicam nas primeiras posições da página de resultados (Priory, 2020). A partir de dados apontados aqui – como o fato de as pessoas, em sua maioria, não vão além da primeira página de resultados do Google – como então eu posso fazer para que minha marca ou meu site seja encontrado pelas pessoas interessadas nos conteúdos que estão hospedados lá? Acreditamos que já está claro até aqui que é crucial entender como funcionam os “robôs” inseridos nos mecanismos como o Google – o chamado GoogleBot2. Quem conhecer os meandros dessas tecnologias, portanto, terá vantagem em relação a seus concorrentes no que diz respeito a “ser buscado” pelas pessoas nas redes. Em linhas gerais, os buscadores funcionam da seguinte forma: • Seus mecanismos operam a partir de operações que “decompõem” e isolam os termos a serem buscados, avaliando o que se chama de stop words (como artigos, conjunções, preposições, etc.) e, por fim, identificam 2 Espécie de computador desenvolvido pelo Google que rastreia e analisa todas as páginas públicas existentes na internet e as indexa conforme critérios específicos definidos pela empresa. 12 os radicais das palavras buscadas. Tudo isso acontece em menos de um segundo; • Em seguida, os algoritmos analisam automaticamente as palavras usadas na busca e buscam correspondentes nos textos. As palavras têm diferentes pesos. Por exemplo: as palavras presentes em um título de um texto têm um peso maior do que as que estão numa descrição. De acordo com o buscador usado, outros fatores podem ser levados em consideração: a repetição de palavras, aproximação ou distância entre palavras, uso ou não de imagens no texto, etc. • Os buscadores costumam analisar tudo isso a partir de dois principais componentes: a popularidade da página (quesito sobre o qual falaremos com mais detalhe nas próximas aulas) e a relevância da página para a frase que foi pesquisada. O Google, por exemplo rastreará elementos como blacklinks3, PageRank4, qualidade da URL, tamanho da fonte e uso de termos-chave para diagnosticar a posição desse texto em seu resultado. • A partir daí, os buscadores selecionarão os resultados de uma forma que, conforme já dito, difere muito do jeito que nós, humanos, fazemos nossas seleções. Apresentarão para o usuário uma lista de links ranqueados pela relevância estabelecida nos critérios explicados anteriormente. Talvez, neste momento, você esteja pensando: mas por que meu site precisa estar bem ranqueado no Google? Não é possível que eu consiga ter sucesso no meu e-commerce, por exemplo, sem que tenha que me preocupar com meu posicionamento neste mecanismo de busca? Não posso ser achado em outros buscadores, como o Bing, o Duckduckgo ou mesmo o Yahoo? Responderemos por partes. Sim, é claro que há possibilidades de você ser bem-sucedido sem passar pelos filtros do Google, mas é um risco muito grande de você deixar de preencher uma lacuna de usuários e consumidores que têm tudo a ver com o conteúdo que você compartilha e os produtos que você anuncia. Ou seja, ficar fora do Google (ou pelo menos não se preocupar com isso) é perder muitas oportunidades de negócio. Em relação à segunda questão: sim, muitas pessoas poderão chegar até você por meio de outros buscadores, que organizam os resultados por outros 3 São as “indicações” feitas para um site por outros sites. Quanto mais um site estiver sendo referenciado por outros por meio de links, maior a chance de ele ser bem ranqueado no Google. 4 Sistema de ranqueamento múltiplo usado pelo Google para avaliar a relevância de um site.13 filtros diferentes do GoogleBot. Mas é bom lembrar que mais de 90% dos usuários usam apenas o Google, por isso, confiar em ser “achado” pelas outras plataformas é, certamente, perder muitos acessos e novos contatos. Vale lembrar ainda que a expressividade do Google é tão vasta que ele virou uma própria expressão: há quem fale sobre “dar um Google” ou “googlear”, e todos que estão em volta entendem o que estamos dizendo. Por isso, não se atentar a isso é algo impensável para quem investe em marketing digital. Não por acaso, há um ditado que diz que “o que não está no Google, não existe”. Saiba mais Quando falamos sobre a importância de estar presente no Google, isso não significa que este seja uma empresa que não seja passível de críticas. Para entender mais sobre os problemas gerados pelo Google, recomendamos o episódio EUA X Google, um duelo de gigantes, do podcast O Assunto, apresentado pela jornalista Renata Lo Prete. O episódio está disponível aqui: Acesso em: 8 abr. 2021. Agora que você já entendeu que, para quem trabalha com Internet ou simplesmente quer ser encontrado nela, o Google é essencial, como fazer então para conseguir ser bem ranqueado pelo GoogleBot? É isso que começaremos a explicar na próxima aula. 14 REFERÊNCIAS ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. GABRIEL, M. Marketing na era digital. São Paulo: Novatec Editora, 2010. MARQUES, L. K.; VIDIGAL, F. Prosumers e redes sociais como fontes de informação mercadológica: uma análise sob a perspectiva da inteligência competitiva em empresas brasileiras. Revista Transinformação, Campinas, v. 30, n. 1., jan./abr. 2018. Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2021. MARTINO, L. M. S. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes, redes. Petrópolis: Vozes, 2014. QUANTAS pesquisas são realizadas no Google por dia e outros dados que você precisa conhecer. Priory, 10 de fevereiro de 2020. Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2021. PASSARELLI, B.; JUNQUEIRA, A.; ANGELUCI, A. Os nativos digitais no Brasil e seus comportamentos diante das telas. Revista Matrizes, v. 8, n. 4. 2014. Disponível em: . Acesso em: 4 abr. 2021. TOFFLER, A. A terceira onda. Rio de Janeiro: Record, 1980. QUANTAS pesquisas são realizadas no Google por dia e outros dados que você precisa conhecer. Priory, 10 de fevereiro de 2020. Disponível em: