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CEREBELO 
 
INTRODUÇÃO 
 
O cerebelo é uma estrutura do encéfalo localizada na fossa posterior do crânio, logo abaixo do 
cérebro e atrás da ponte e do bulbo. Apesar de representar apenas cerca de 10% do volume total do 
encéfalo e pesar em média 150 gramas, ele abriga aproximadamente 69 bilhões de neurônios, o que 
demonstra sua alta densidade e complexidade funcional. 
 
Ele é separado do cérebro por uma estrutura chamada fissura transversa, onde se insere o tentório 
do cerebelo, uma prega da dura-máter que divide o compartimento intracraniano em regiões supra e 
infratentoriais. Outra prega da dura-máter, a foice do cerebelo, separa parcialmente os dois 
hemisférios cerebelares. 
 
Do ponto de vista estrutural, o cerebelo e o cérebro têm uma organização interna semelhante: ambos 
apresentam um córtex de substância cinzenta superficial, uma substância branca central e 
núcleos profundos de substância cinzenta. No entanto, o córtex cerebral é muito mais complexo e 
variável, enquanto o córtex cerebelar é uniforme e organizado em três camadas fixas. 
 
Historicamente, o cerebelo sempre esteve associado às funções motoras, especialmente no ajuste 
fino dos movimentos, regulando a interação entre músculos agonistas, antagonistas, sinergistas e 
estabilizadores. Ele também contribui significativamente para o controle postural, equilíbrio, 
marcha e coordenação motora. Contudo, estudos mais recentes demonstram que sua atuação vai 
além da motricidade: o cerebelo também está envolvido em funções cognitivas, emocionais, 
comportamentais, afetivas, sociais e linguísticas, ajudando a modular e estabilizar não apenas os 
movimentos, mas também os processos mentais. 
 
ESTRUTURA ANATÔMICA DO CEREBELO 
 
O cerebelo é formado por dois hemisférios laterais e uma porção mediana e única chamada verme 
(ou vermis), composta por nove segmentos: língula, lóbulo central, cúlmen, declive, folium, túber, 
pirâmide, úvula e nódulo. Com exceção da língula, cada um desses segmentos do verme possui 
lóbulos correspondentes nos hemisférios cerebelares, como as asas do lóbulo central, os lóbulos 
quadrangulares, semilunares, biventres, tonsilas e flóculos. 
 
Essas estruturas são separadas por fissuras específicas, como a fissura primária e a fissura 
posterolateral (também chamada de fissura secundária), que delimitam os três lobos do cerebelo: 
anterior, posterior e flóculo-nodular. O lobo anterior é composto pela língula, lóbulo central e 
cúlmen, junto de seus respectivos lóbulos correspondentes. O lobo posterior, entre as fissuras 
primária e posterolateral, inclui o declive, folium, túber, pirâmide e úvula com suas estruturas 
equivalentes. Já o lobo flóculo-nodular é separado dos demais pela fissura posterolateral e contém o 
nódulo e os flóculos. 
 
A superfície do cerebelo é marcada por numerosos sulcos rasos e fissuras profundas, conferindo-lhe 
um aspecto laminado. Internamente, há uma região de substância branca chamada corpo branco 
medular, onde se localizam quatro pares de núcleos cerebelares: denteado, emboliforme, globoso 
e do fastígio. 
O núcleo denteado, o maior e mais lateral, tem formato serrilhado e envia fibras motoras ao 
tálamo e núcleo rubro. O núcleo emboliforme, situado anteromedialmente ao denteado, e o 
globoso, formado por pequenos grupos de neurônios, se ligam ao sistema descendente lateral, 
envolvido na execução dos movimentos. 
 
Já o núcleo do fastígio, localizado na linha média sobre o teto do quarto ventrículo, integra o sistema 
descendente medial, atuando principalmente na manutenção do equilíbrio e postura. 
 
O cerebelo se conecta ao tronco encefálico por meio de três pares de pedúnculos cerebelares. O 
pedúnculo superior leva fibras para o mesencéfalo e córtex cerebral, incluindo as vias 
dentatorrubrais e espinocerebelares. O pedúnculo médio, o maior deles, conduz fibras dos núcleos 
pontinos ao neocerebelo contralateral. O pedúnculo inferior, por sua vez, traz fibras da medula e 
bulbo ao cerebelo, como os feixes olivocerebelar, espinocerebelar dorsal, vestibulocerebelar e 
fibras arqueadas. 
 
Esses circuitos integrados permitem ao cerebelo regular o controle motor fino, equilíbrio, postura 
e participar de funções cognitivas associadas ao planejamento e à coordenação motora. 
 
 
CÓRTEX CEREBELAR 
 
O córtex cerebelar é a camada superficial do cerebelo, composta por substância cinzenta, 
organizada em dobras finas chamadas folhas do cerebelo. Logo abaixo dela, há tratos de substância 
branca que formam a característica “árvore da vida”. Em corte microscópico, o córtex se divide em 
três camadas distintas: a camada molecular, a camada de células de Purkinje e a camada 
granular. 
 
A camada molecular, mais externa, contém células estreladas (mais superficiais) e células em cesto 
(mais internas), além de muitos axônios de células granulares que formam as fibras paralelas. 
Essas fibras estabelecem sinapses com os dendritos das células de Purkinje, que estão na camada 
média. As células de Purkinje são fundamentais por serem a principal via de saída do córtex 
cerebelar e por receberem grande volume de informações, que retransmitem aos núcleos profundos 
do cerebelo, além de enviarem colaterais às células de Golgi e células em cesto. 
 
Na camada granular, há células granulares, cujos axônios sobem até a camada molecular para 
formar as fibras paralelas, e células de Golgi tipo II, cujos dendritos também se projetam para a 
camada molecular. Esse arranjo permite uma complexa rede de interações sinápticas, essencial para o 
processamento das informações sensoriais e motoras que o cerebelo coordena. 
 
 
ESTRUTURAÇÃO FILOGENÉTICA DO CEREBELO 
 
O cerebelo pode ser dividido filogeneticamente em arquicerebelo, paleocerebelo e neocerebelo, de 
acordo com a ordem evolutiva de suas partes. O arquicerebelo é a porção mais antiga e é formado 
pelo lobo flóculo-nodular (nódulo e flóculos), estando relacionado ao equilíbrio e à orientação 
espacial. Ele se conecta com os núcleos vestibulares através do núcleo do fastígio, recebendo 
informações do aparelho vestibular sobre a posição da cabeça e controlando automaticamente a 
musculatura axial e proximal para manter a postura e o reflexo postural, especialmente durante a 
marcha. 
 
O paleocerebelo, que inclui partes do verme cerebelar e os núcleos emboliforme e globoso, está 
relacionado ao controle dos músculos posturais e ao tônus muscular. Atua com base na 
propriocepção inconsciente, recebendo sinais dos feixes espinocerebelares e ajustando os 
movimentos por meio de conexões com o núcleo rubro, influenciando os neurônios motores da 
medula e do tronco encefálico. Sua ação, junto com a do arquicerebelo, é essencial para o controle do 
equilíbrio e da postura ao coordenar a atividade entre músculos agonistas e antagonistas. 
 
Já o neocerebelo, a parte mais recente e mais desenvolvida, inclui a maior parte do córtex cerebelar e 
o núcleo denteado. Ele se comunica com o córtex cerebral pré-motor e motor por meio da via 
córtico-pontocerebelar, atuando no ajuste fino dos movimentos voluntários. Recebe estímulos 
antes da execução motora, permitindo uma ação antecipada e precisa. Além disso, participa de um 
circuito neural corticoponto-cerebelo-tálamo-cortical, e de outro que envolve o núcleo rubro e o 
núcleo olivar inferior, sendo fundamental no aprendizado motor e na execução de movimentos 
suaves, coordenados e exatos. 
 
 
CIRCUITOS CEREBELARES 
 
VIAS AFERENTES 
 
Os circuitos cerebelares aferentes são compostos por vias que levam informações ao cerebelo, 
permitindo a regulação precisa do equilíbrio, postura e movimentos. As vias espinocerebelares 
originadas na medula espinhal incluem os tratos espinocerebelar anterior, posterior e 
cuneocerebelar, que transmitem propriocepção inconsciente sobre articulações, músculos e tendões. 
O trato espinocerebelar anterior carrega estímulos do tronco e membros superiores, enquanto o 
posterior transmite dados da parte inferior do corpo. As fibras musgosas, provenientes desses tratos,fazem sinapse com núcleos profundos do cerebelo e células granulares. 
O trato cuneocerebelar, vindo do núcleo cuneiforme do bulbo, leva informações dos membros 
superiores e parte superior do tórax. Já as vias com origem vestibular conduzem dados sobre o 
equilíbrio, posição da cabeça e movimentos oculares, entrando pelo pedúnculo cerebelar inferior. 
Também são fibras musgosas e atuam especialmente no lobo flóculo-nodular. 
As vias corticocerebelares, originadas no córtex cerebral, chegam ao cerebelo indiretamente por 
três principais tratos. O trato córtico-pontocerebelar, originado em vários lobos do cérebro, cruza a 
linha média e entra no hemisfério cerebelar contralateral pelos pedúnculos cerebelares médios. O 
trato córtico-olivo-cerebelar termina nos núcleos olivares inferiores, cujas fibras trepadeiras 
cruzam para o cerebelo, fazendo sinapse direta com células de Purkinje e neurônios profundos. Já o 
trato córtico-retículo-cerebelar, que passa pela formação reticular, envia fibras 
reticulocerebelares que entram pelo pedúnculo inferior, participando do controle dos movimentos 
voluntários. Essas conexões asseguram a integração e o refinamento da atividade motora. 
 
VIAS EFERENTES 
As vias eferentes do cerebelo são fundamentais para o controle motor descendente. Originam-se nos 
núcleos cerebelares profundos e transmitem impulsos que saem principalmente pelos pedúnculos 
cerebelares inferior e superior. 
Pelo pedúnculo inferior, seguem fibras fastigiobulbares que se dirigem aos núcleos vestibulares e 
reticulares da ponte e do bulbo, fibras que se conectam com neurônios motores da medula espinal 
cervical contralateral, e fibras do lobo flóculo-nodular destinadas aos núcleos vestibulares. 
Já o pedúnculo superior é composto majoritariamente por fibras dos núcleos denteado, 
emboliforme e globoso. O núcleo denteado origina os tratos denteado-rubro, denteado-talâmico e 
denteado-reticular, que projetam-se para os núcleos ventrolateral e intralaminar do tálamo, com 
destino final no córtex motor primário (área 4) e no córtex pré-frontal. 
O cerebelo, assim, exerce papel essencial na modulação e ajuste fino dos movimentos voluntários, 
influenciando diretamente o córtex motor por meio de suas conexões via tálamo e núcleo rubro.

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