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53
URINÁLISE II
UNIDADE 2 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender os aspectos químicos inerentes às amostras de urina;
• compreender os metabólitos presentes nas amostras de urina;
• realizar pesquisa de componentes urinários;
• entender as doenças metabólicas relacionadas ao trato urinário e diagnosticadas 
através da urinálise.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ANÁLISE QUÍMICA DA URINA
TÓPICO 2 – SEDIMENTOS URINÁRIOS
TÓPICO 3 – DOENÇAS URINÁRIAS E METABÓLICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
54
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
QR Code abaixo:
55
TÓPICO 1 — 
ANÁLISE QUÍMICA DA URINA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na Idade Média, quando Paracelso, médico e cientista, adicionou vinagre a 
amostras de urina e obteve a formação de um precipitado, teve-se o ponto de partida 
para o desenvolvimento das análises químicas da urina. Em seguida, metodologias para 
identificação e quantificação de glicose, por meio da redução do cobre, e análise de 
proteínas com o ácido pícrico, enriqueceram o exame da urina. A análise da urina também 
permitiu ao neurologista Thomas Willis diferenciar pacientes com Diabetes mellitus 
daqueles com Diabetes insipidus, através do aspecto doce das amostras. Por volta de 
1900, métodos enzimáticos para detecção de glicose em papel filtro foram desenvolvidos 
e se tornaram amplamente utilizados para testes de urina e sangue (SBPC, 2017).
Essas metodologias deram origem às tiras reagentes impregnadas de indicadores 
químicos, que atualmente permitem uma análise química da urina mais rápida, simples, 
com baixo custo e alta precisão, além de possibilitarem a sua análise automatizada.
Neste tópico, nós abordaremos a análise química da urina, na qual geralmente é 
avaliado o pH, a presença de proteínas, glicose, cetonas, sangue, bilirrubina, leucócitos, 
nitrito e urobilinogênio. Veremos também os possíveis interferentes e os protocolos para 
garantia da qualidade nesta etapa da urinálise.
2 METODOLOGIA DOS TESTES
As tiras reativas constituem um meio simples e rápido de realizar dez ou mais 
análises bioquímicas clinicamente importantes, além da densidade, nas amostras de 
urina. Elas são constituídas por pequenos quadrados, ou almofadas, de papel absorvente 
impregnados com substâncias químicas e presos a uma tira de plástico, conforme 
exemplificado na Figura 1.
Quando o papel absorvente entra em contato com a urina, ocorre uma reação 
química que produz uma mudança cromática, a qual pode ser lida de forma visual ou 
automatizada. A leitura automatizada é feita em equipamentos que são basicamente 
espectrofotômetros que medem a intensidade da luz na área reagente da fita, convertendo 
cor e intensidade de luz em concentração. De acordo com a Sociedade Brasileira 
de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (2017), esses equipamentos permitem a 
padronização da leitura das análises químicas da urina, aumentando sua precisão 
enquanto diminui o tempo de análise.
56
A execução do teste obedece basicamente a cinco passos, com pequenas 
variações entre cada fabricante: 
• Primeiramente, mergulha-se brevemente a tira reativa na amostra de urina bem 
homogeneizada, não centrifugada e em temperatura ambiente.
• na sequência, retira-se o excesso de urina encostando a borda da tira no recipiente e 
em um papel absorvente descartável.
• espera-se o tempo da reação, geralmente de 1 a 2 minutos, dependendo de cada 
marca de teste.
• por último, compara-se a cor de cada região da tira reativa com a tabela de cores e 
resultados fornecida pelo fabricante na própria embalagem do teste (STRASINGER; 
LORENZO, 2009).
 Figura 1 – Fita reagente para análise química da urina acompanhada da embalagem que possui o quadro 
para leitura do resultado
 Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/routine-test-urine-rapid-test-urine-test-strip-uri-WXAML7M. 
Acesso em: 9 set. 2022. 
2.1 CONTROLE DE QUALIDADE DOS EXAMES
Para garantir a integridade das tiras reagentes, seu armazenamento adequado 
é essencial, e as instruções do fabricante devem ser seguidas, mantendo-as protegidas 
da umidade, calor e luz, e respeitando o prazo de validade. Quaisquer tiras que mostrem 
evidência de deterioração, contaminação ou armazenamento inadequado devem ser 
descartadas. Para garantir a precisão dos resultados do teste, deve-se testar a reatividade 
química das tiras diariamente com controles de resultados conhecidos (BRUNZEL, 2018).
Em relação à amostra, se esta for mantida à temperatura ambiente, deve ser 
testada dentro de duas horas após a coleta. Se a amostra de urina tiver sido refrigerada, 
deve-se aguardar que volte a temperatura ambiente antes de testar com tiras reagentes. 
A amostra pode ser testada no recipiente original de coleta ou depois que uma alíquota 
é colocada em um tubo de centrífuga. A tira reagente deve ser mergulhada brevemente 
57
na amostra de urina, molhando todas as almofadas de teste. A remoção inadequada do 
excesso de urina da tira pode causar contaminação de um teste da almofada com os 
reagentes de outro, enquanto a imersão prolongada da tira faz com que os produtos 
químicos vazem da almofada na urina, sendo que ambas as ações podem produzir erros 
no teste (BRUNZEL, 2018).
3 PARÂMETROS ANALISADOS
Durante a análise química da urina, diversos parâmetros são analisados 
simultaneamente. A seguir, veremos cada uma dessas análises, seus possíveis 
interferentes e como interpretá-las de acordo com seu significado clínico. 
3.1 pH
O metabolismo diário normal gera ácidos e bases, em resposta os rins e os pulmões 
trabalham em conjunto para manter o equilíbrio ácido básico do corpo. Os pulmões 
eliminam dióxido de carbono, enquanto os rins reabsorvem e geram bicarbonato, além de 
eliminar íons amônio. Nos distúrbios acidobásicos, o pH da urina reflete as tentativas de 
compensação por parte dos rins (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012). 
O pH urinário pode variar entre 4,6 e 8,0. Um indivíduo adulto em condições 
normais excreta, em média, cerca de 50 a 100 mEq de íons hidrogênio diariamente, para 
produzir urina com pH em torno de 6. Uma urina ácida pode ocorrer em dietas ricas em 
proteína, devido a agentes farmacológicos, ou ainda em pacientes com acidose metabólica 
ou respiratória. Na cetoacidose diabética, grandes quantidades de íons hidrogênio são 
excretadas, principalmente sob a forma de íons amônio, refletindo na acidez da urina em 
pacientes com Diabetes mellitus mal controlada. Nos casos de perda de potássio, como 
nos casos prolongados de vômito ou uso de diuréticos, pode haver produção de uma 
urina discretamente ácida na presença de alcalose metabólica.
MEq é a abreviação de miliequivalente e é definida como número de 
miliequivalentes de um soluto contido em 1 mL de solução. Obtida a através 
do peso molecular em miligramas, dividido pela valência/peso atômico da 
substância.
NOTA
58
Por outro lado, a urina alcalina pode ocorrer no período pós-prandial, em pessoas 
que fazem dietas vegetarianas, devido a medicamentos alcalinizantes utilizados no 
tratamento de alguns tipos de cálculo e diante do comprometimento da função tubular. 
Na alcalose metabólica, há produção de urina alcalina com níveis elevados de bicarbonato 
urinário e diminuição da produção de amônia. Na alcalose respiratória, a urina alcalina 
ocorre pelo aumento da excreção de bicarbonato (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012). 
Uma urina alcalina também pode sugerir infecção urinária, entretanto, este, também 
pode ser um efeito da proliferação de bactérias que aumentam a quantidade de ureia na 
amostra devido à demora em analisá-la (RIELLA et al., 2018). 
A partir do exposto, podemos inferir que o conhecimento do pH urinário pode 
auxiliar no diagnóstico e no acompanhamento94
95
TÓPICO 3 - 
DOENÇAS URINÁRIAS E METABÓLICAS
1 INTRODUÇÃO
Já sabemos que a análise da urina é um teste laboratorial amplamente utilizado 
na prática clínica e constitui um exame de fácil obtenção, indolor, de baixo custo e útil 
para o diagnóstico de infecção do trato urinário.
A partir de agora, trabalharemos a urina como amostra essencial para a avaliação 
da função renal e para triagem, e, em muitos casos, veremos o diagnóstico final de 
doenças de origem metabólica que refletem na composição da urina.
As doenças urinárias podem ser categorizadas pelo local da lesão, como 
glomérulos ou túbulos, pela natureza dos fatores que levaram à doença, como 
imunológicos, metabólicos, infiltrativos, infecciosos, hemodinâmicos e tóxicos – ou 
ainda de acordo com a apresentação clínica.
Neste tópico, vamos estudar as principais doenças urinárias e metabólicas que 
atingem o ser humano e podem ser avaliadas através da urina, a fim de aprofundar os 
conhecimentos na fisiopatologia dessas enfermidades e auxiliar na compreensão das 
possíveis condições clínicas evidenciadas pela análise da urina.
2 DISTÚRBIOS RENAIS 
 
As doenças renais respondem por grande parte da morbidade e mortalidade em 
todo o mundo, especialmente a doença renal em fase terminal, que gera altos custos aos 
sistemas de saúde e aumenta consideravelmente o risco de doença cardiovascular. A 
lesão renal aguda atinge mais de dois milhões de pessoas no mundo, e é um importante 
fator de risco para o desenvolvimento de doença renal crônica e doença renal em fase 
terminal. Além disso, anualmente milhões de pessoas são afetadas por doenças renais 
não fatais, como infecções, cálculos renais e obstrução urinária (ALPERS; CHANG, 2016).
A seguir, vamos discutir as principais enfermidades renais diagnosticadas com 
o auxílio da análise de urina.
Para que serve e como calcular a taxa de filtração glomerular (TFG)? Para avaliar 
a capacidade de filtração dos glomérulos renais por meio da quantidade de sangue 
filtrada por minuto. Indicada pela depuração total de uma substância em um período 
definido.
UNIDADE 2
96
Para que uma substância possa ser utilizada para a avaliação da filtração 
glomerular, ela precisa ter um nível plasmático constante, ser livremente filtrada e 
não sofrer secreção ou reabsorção tubular, além de ser possível dosá-la na urina e no 
sangue. A creatinina vem mostrando um bom desempenho para este tipo de análise, 
com vantagens em relação à praticidade, custo e eficiência.
O cálculo da depuração é realizado pela fórmula UxV/P, sendo: U = concentração 
urinária da creatinina; V = volume urinário por unidade de tempo (mL/min); P = 
concentração plasmática da creatinina. As concentrações plasmática e urinária devem 
ser expressas nas mesmas unidades, e o volume urinário precisa ser medido com 
precisão na amostra coletada por 24 horas.
Para que os resultados possam ser comparados, utiliza-se o procedimento de 
normalização de acordo com a idade, gênero e superfície corpórea de cada paciente, 
de modo que o resultado final é expresso em mL/min/1.73 m2. Considera-se normal o 
intervalo de referência de 90 a 120 mL/min/1,73 m2. Considera-se insuficiência renal 
quando a TFG é menor que 60 mL/min/1,73 m, já na falência renal pode estar abaixo de 
15 mL/min/1,73 m (SBPC, 2017; MALTA et al., 2019).
2.1 GLOMERULONEFRITE
 
Vários distúrbios levam à lesão glomerular, que se apresenta com combinação 
de hematúria, proteinúria, taxa de filtração glomerular (TFG) reduzida e hipertensão. Esta 
condição, denominada glomerulonefrite (GN), pode ser aguda e constituir uma causa 
intrarrenal de lesão renal aguda, ou ainda pode ter manifestações sistêmicas em que 
o rim é apenas um dos órgãos envolvidos. A biópsia renal se torna a principal forma de 
diagnosticar corretamente a causa da GN, e assim determinar o tratamento apropriado 
(PERLMAN; HEUNG; LX, 2016).
2.2 SÍNDROME NEFRÍTICA 
 
Causada primordialmente por doença glomerular, inicia com graus variáveis de 
proteinúria, associada à hematúria macroscópica ou microscópica, presença de cilindros 
hemáticos e leucócitos na urina. Classicamente a taxa de filtração glomerular (TFG) é diminuída, 
ocorre proteinúria de leve a moderada, e hipertensão. Essa condição frequentemente está 
associada à glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda (ALPERS; CHANG, 2016).
Pode haver uma progressão rápida da glomerulonefrite, evidenciada pela queda 
expressiva da TFG em questão de horas e dias. Os distúrbios nefríticos apresentam 
depósitos de imunocomplexos subendotelial ou na membrana basal glomerular, o que 
inicia uma reação inflamatória pelo sistema imune celular, a qual pode ser prejudicial, 
pois ao mesmo tempo que auxilia na fagocitose, controle do processo e recuperação 
do tecido, a resposta inflamatória descontrolada ou prolongada pode resultar em maior 
destruição da arquitetura glomerular.
97
A diminuição progressiva da função renal leva a um acúmulo de ureia e 
à incapacidade de manter o equilíbrio de eletrólitos, água e ácido-básico. A falta de 
excreção adequada de ureia, leva a sua elevação plasmática e resulta em uremia. A uremia 
é uma síndrome caracterizada por um conjunto peculiar de sintomas e anormalidades 
laboratoriais, causada pelo acúmulo de toxinas na circulação sanguínea. Na ausência de 
depuração renal adequada, a ingestão de eletrólitos ou ácidos pode levar a um quadro 
fatal (PERLMAN; HEUNG; LX, 2016).
2.3 SÍNDROME NEFRÓTICA
 
Também iniciada por disfunção glomerular, caracteriza-se por uma proteinúria 
intensa (maior que 3,5 g/dia), hipoalbuminemia, edema grave, hiperlipidemia e perda de 
lipídios na urina. Apesar da proteinúria maciça, devido ao aumento da permeabilidade 
do capilar glomerular à passagem de proteínas, os distúrbios nefróticos não apresentam 
evidência de uma reação inflamatória celular. Geralmente mostram depósito de 
imunocomplexos nas células epiteliais, com alterações, isso reflete dano seletividade 
glomerular. Embora a falta da resposta imune celular seja benéfica no sentido de 
limitar a extensão do dano, ela também torna mais lenta a resolução do distúrbio, com 
proteinúria podendo durar meses ou anos (PERLMAN; HEUNG; LX, 2016).
2.4 LESÃO RENAL AGUDA
 
Caracterizando o processo agudo, tem-se rápido declínio da TFG, com 
desregulação simultânea do equilíbrio de fluidos e eletrólitos, e a retenção de metabólitos 
como ureia e creatinina. Em suas formas mais graves, ocorre oligúria ou anúria (diminuição 
e ausência de fluxo de urina, respectivamente). Pode resultar de injúrias glomerulares, 
intersticiais ou vasculares e lesões tubulares. A lesão tubular aguda é a causa mais 
comum de lesão renal aguda, atribuída a isquemia ou toxicidade substâncias endógenas 
ou exógenas, associada a alterações hemodinâmicas intrarrenais. O desfecho clínico é 
definido pela magnitude e duração da lesão tubular aguda (ALPERS; CHANG, 2016).
O exame do sedimento urinário é uma ferramenta importante na avaliação inicial 
do paciente com lesão renal aguda, pois a presença de hematúria e proteinúria sugere 
a avaliação para glomerulonefrite. Presença de cilindros granulosos, células epiteliais 
tubulares e cilindros de células epiteliais sugerem necrose tubular aguda (PERLMAN; 
HEUNG; LX, 2016).
2.5 LESÃO RENAL CRÔNICA
Anteriormente chamada de insuficiência renal crônica é definida pela 
presença de uma TFG persistentemente diminuída. Pode estar associada à diminuição 
assintomática da função excretora renal ou em casos mais graves apresentar sinais e 
sintomas prolongados de uremia (ALPERS; CHANG, 2016).
98
Essa condição é o resultado final de todas as doenças crônicas do parênquima 
renal. Na doença renal em fase terminal, a TFG é menos de 5% da taxa considerada 
normal. Pacientes com doença renal crônica e uremia apresentam um conjunto de 
sintomas e alterações laboratoriais além daqueles observados na lesão renal aguda. 
Isso reflete a progressão e longa duração de sua doença renal e seus efeitos sistêmicos 
(PERLMAN; HEUNG; LX,2016).
2.6 NEFROLITÍASE OU CÁLCULOS RENAIS
 
Os cálculos renais se formam devido à concentração urinária aumentada de seus 
constituintes na urina, de modo que exceda sua solubilidade, ou seja, atingindo uma 
condição de supersaturação. Vários fatores podem favorecer a formação de cálculos, 
como desidratação, dieta rica em proteínas e sódio, além da predisposição genética, 
uma vez que muitos erros inatos do metabolismo, como a cistinúria e a hiperoxalúria, 
são doenças hereditárias caracterizadas pela produção e excreção excessivas de 
substâncias formadoras de cálculos (ALPERS; CHANG, 2016).
Seus sintomas clássicos são espasmos de dor severa (cólica renal) e hematúria, 
que pode ser macroscópica ou microscópica (ALPERS; CHANG, 2016). A maioria dos 
cálculos renais contém cálcio, devido à hipercalciúria (aumento da excreção urinária de 
cálcio) idiopática. Os cálculos de ácido úrico são causados por hiperuricosúria (aumento 
da excreção urinária de ácido úrico), sobretudo em pacientes com histórico de gota ou 
ingestão excessiva de purinas, em dietas ricas em carne. Já os cálculos de estruvita 
são compostos por magnésio, amônia, fosfato e carbonato de cálcio, e por estarem 
associados à infecção recorrente do trato urinário por microrganismos produtores 
de urease, que formam amônia e elevam o pH urinário, promovendo a formação de 
estruvita, também chamados de cálculos de infecção (PERLMAN; HEUNG; LX, 2016).
2.7 INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO (ITU)
Caracteriza-se pela invasão e multiplicação de microrganismos em qualquer 
segmento do trato urinário, com ou sem sintomatologia. Quando acomete o trato 
inferior, chama-se cistite (infecção na bexiga) ou uretrite (infecção na uretra), já no trato 
urinário superior, acometendo rins e pelve renal, chama-se pielonefrite (SBPC, 2017). 
A cistite é mais comum em mulheres, pois as bactérias atingem a bexiga através da 
uretra e devido à anatomia do trato urinário feminino, sua uretra mais curta favorece 
este processo.
A maioria das infecções bacterianas do trato urinário inferior permanecem 
restritas à bexiga, no entanto, elas sempre carregam o potencial de se propagar para 
o rim, levando à pielonefrite e a partir daí até mesmo evoluir a uma infecção sistêmica.
Os principais sintomas de ITU não complicada são disúria (dor e desconforto ao 
urinar), polaciúria (vontade de urinar frequentemente), urgência miccional e hematúria.
99
A infecção ascendente, ou seja, quando os microrganismos advêm da uretra 
para a bexiga, é a principal origem das ITUs. As bactérias gram-negativas são os 
principais agentes, vindos da microbiota intestinal, sendo Escherichia coli, espécies de 
Proteus, Enterobacter e Klebsiella as mais prevalentes (BRUNZEL, 2018). Micobactérias, 
fungos e vírus também podem causar ITU.
Além da triagem através da análise química e microscópica da urina, para a 
confirmar o diagnóstico é necessária a cultura de urina, a fim de identificar o tipo de 
microrganismo e o melhor antimicrobiano para o tratamento (SBPC, 2017).
3 DISTÚRBIOS METABÓLICOS EVIDENCIADOS PELA URINA
 
Além das doenças renais, muitos dos resultados obtidos na análise da urina 
fornecem indícios da ocorrência de doenças metabólicas. Apesar de mais raras, 
essas doenças podem ter desfechos graves e serem evidenciadas pela eliminação de 
substâncias anormais na urina, que não detectadas nos exames de rotina urina. Por isso, 
muitas vezes, são necessários testes adicionais, em conjunto com a sintomatologia e o 
histórico familiar, para avaliação precisa dos distúrbios metabólicos que discutiremos a 
frente.
Estes testes adicionais são baseados em reações químicas enzimáticas e 
colorimétricas, mas diferem dos testes químicos discutidos no Tópico 1, por serem 
realizados em tubos de ensaio e não em tiras reagentes disponíveis comercialmente, já 
que raramente são solicitados pela equipe médica.
Grande parte das doenças metabólicas são hereditárias, pois são causadas por 
mutações do DNA capazes de gerar proteínas anômalas que correspondem a defeitos 
enzimáticos. Esses defeitos levam ao acúmulo de substratos, à falta do produto destes 
substratos ou ainda à produção de substâncias tóxicas pela sua metabolização por vias 
alternativas. Todas essas alterações podem levar ao comprometimento das funções 
celulares, interrompendo a homeostase do organismo (SBPC, 2017).
Um número considerável de doenças metabólicas só pode ser identificado pela 
análise dos ácidos orgânicos na urina. A cromatografia gasosa acoplada a espectrometria 
de massas (GC-MS) é a técnica mais indicada para tal análise, pois permite separar 
e identificar marcadores de baixo peso molecular e solúveis em água. O diagnóstico 
precoce das doenças metabólicas hereditárias permite o início do tratamento e melhora 
do prognóstico, principalmente se for possível evitar que repetidos episódios de 
descompensação metabólica ocorram. Ainda, para outras condições que são incuráveis, 
o diagnóstico permite o aconselhamento genético da família (SBPC, 2017).
100
3.1 FENILCETONÚRIA 
A fenilcetonúria é uma aminoacidúria, pois nessa condição ocorrem níveis 
urinários elevados de dois aminoácidos: fenilpiruvato e fenilacetato. As pessoas que 
possuem fenilcetonúria herdam um gene de caráter autossômico recessivo que não 
codifica a produção da enzima fenilalanina hidroxilase, sintetizada pelo fígado, que 
converte o aminoácido fenilalanina em tirosina (STRASINGER; LORENZO, 2009).
O excesso de fenilalanina é desviado para uma via metabólica alternativa, 
produzindo compostos secundários, como os ácidos fenilpirúvico, feniláctico e 
fenilacético, que conferem à urina e outras secreções corpóreas um odor desagradável. 
A interrupção da via de conversão de fenilalanina também faz com que as crianças 
afetadas tenham a pele clara, em razão da diminuição da produção da tirosina e de 
metabólito de pigmentação, a melanina (STRASINGER; LORENZO, 2009).
A fenilcetonúria é diagnosticada na triagem neonatal pelo Teste do Pezinho. 
Na idade adulta, o diagnóstico e acompanhamento se dá pela avaliação dos níveis 
de fenilalanina no sangue e de fenilpiruvato e fenilacetato na urina. A detecção de 
ácido fenilpirúvico se dá pela reação com cloreto férrico, porém essa é uma reação 
inespecífica que também detecta outros aminoácidos envolvidos em diferentes erros 
inatos do metabolismo. O tratamento incluí o uso da fórmula metabólica e uma dieta 
com restrição de fenilalanina (PERLMAN; HEUNG; LX, 2016).
3.2 TIROSINÚRIA
O excesso do aminoácido tirosina no sangue produz transbordamento urinário 
e ocorre tanto por defeitos metabólicos como hereditários. Isso reflete não somente no 
aparecimento da tirosina na urina, como também dos seus produtos de degradação, o 
ácido hidroxifenilpirúvico e o ácido p-hidroxifenillactico, acompanhados de cristais de 
tirosina e leucina.
A tirosinúria pode ser transitória em pacientes com doença hepática grave e em 
recém-nascidos que ainda não possuem a função hepática totalmente desenvolvida e 
lhes faltam as enzimas necessárias para converter a tirosina. Devido à semelhança na 
reação com cloreto férrico, a tirosinúria pode ser confundida com fenilcetonúria, já que 
ambas podem ser identificadas em recém-nascidos e produzem resultados semelhantes 
no teste com cloreto férrico. O teste de triagem para tirosina na urina é baseado no 
naftol-nitroso, que na realidade reage com outros compostos além da tirosina e seus 
metabólitos, produzindo uma coloração vermelho-alaranjado (STRASINGER; LORENZO, 
2009).
101
Defeitos inatos do metabolismo, nos quais as enzimas necessárias para uma 
via metabólica estão ausentes podem representar condições graves de saúde, pois 
resultam em aminoacidúria generalizada, doença hepática e renal, e frequentemente 
levam à óbito.
 3.3 MELANÚRIA
 
Em uma via metabólica secundária, a tirosina dá origem à melanina, pigmento 
responsável pela coloração dos nossos cabelos, peles e olhos. O aumento da melanina 
urinária induz o escurecimento da urina quando expostaao ar e esse fato pode acontecer 
devido a tumores malignos em que há proliferação exacerbada dos melanócitos, células 
produtoras de melanina.
Assim como os produtos dos dois distúrbios anteriores, a melanina urinária 
reage com cloreto férrico e nitroprussiato de sódio (STRASINGER; LORENZO, 2009).
3.4 ALCAPTONÚRIA 
A alcaptonúria é uma doença hereditária de caráter autossômico recessivo, 
caracterizada pela alteração do metabolismo dos aminoácidos fenilalanina e tirosina, 
devido à ausência da enzima homogentisato-1,2-dioxigenase. Normalmente, esta 
enzima atua nos rins e no fígado, na sua falta ocorre o aumento do ácido homogentísico, 
no sangue e em diversos tecidos, sendo então eliminado na urina.
O ácido homogentísico oxida em contato com o ar e exposição à luz, 
transformando-se em acetato de benzoquinona, que se polimeriza para formar uma 
proteína semelhante à melanina, resultando na deposição de um pigmento amarelo 
escuro ou marrom na cartilagem e outros tecidos conjuntivos. Esse pigmento negro, 
chamado alcaptona, caracteriza a cor da urina dos indivíduos com esta doença. O 
diagnóstico é confirmado pela identificação e quantificação do ácido homogentísico na 
urina por técnicas de cromatografia (KHATU et al., 2015).
3.5 DOENÇA DO XAROPE DE BORDO NA URINA
Segundo Valadares, Oliveira e Tálamo (2009), essa é uma doença extremamente 
rara causada por um erro inato do metabolismo, com herança autossômica recessiva, 
que leva a um defeito no metabolismo dos aminoácidos leucina, isoleucina e valina. 
Normalmente, esses três aminoácidos sofrem transaminação no fígado, sendo 
transformados em cetoácidos. A ausência da enzima que produz a descaboxilação 
oxidativa desses cetoácidos resulta em seu acumulo no sangue e na urina.
A triagem para esta doença está inclusa em alguns painéis de exames neonatais, 
já que recém-nascidos com doença do xarope de bordo na urina apresentam retardo 
de crescimento e desenvolvimento mental já na primeira semana de vida e pode ser 
102
irreversível. Os cetoácidos presentes na urina reagem com 2,4-dinitrofenil-hidrazina, 
originando uma turvação amarela ou precipitado branco. Outra característica marcante 
que pode auxiliar no diagnóstico e está associada ao nome da doença, é que a urina 
de pacientes acometidos possui um forte odor de xarope de bordo (STRASINGER; 
LORENZO, 2009). 
3.6 CISTINÚRIA
Doença hereditária dos túbulos renais em que a reabsorção de cistina é 
prejudicada, o que aumenta sua excreção urinária e a formação de cálculos de cistina. 
Há casos em que outros aminoácidos, incluindo lisina, arginina e ornitina não são 
reabsorvidos pelos rins. Entretanto, como a cistina é muito menos solúvel que os demais 
aminoácidos envolvidos, a triagem laboratorial baseia-se na detecção de cristais de 
cistina no sedimento urinário concentrado. Como teste químico, a cistina reage com 
cianeto-nitroprussiato, produzindo uma cor vermelho-purpura (STRASINGER; LORENZO, 
2009).
3.7 DOENÇAS DAS PORFIRINAS
Porfirinas são compostos intermediários na produção do heme, que constitui 
a hemoglobina e a mioglobina. O bloqueio de uma das etapas da sua via metabólica 
resulta no acumulo do produto formado na etapa anterior, que pode ser detectado em 
diferentes amostras como: urina, bile, fezes e sangue.
Distúrbios do metabolismo das porfirinas são chamados porfirias e podem ser 
hereditários ou adquiridos por disfunção eritrocitárias, hepática ou exposição a agentes 
tóxicos, como chumbo e álcool. A presença de porfirinas na urina é suspeita quando esta 
adquire cor vermelha ou vinho após exposição ao ar (STRASINGER; LORENZO, 2009). 
3.9 DOENÇAS DAS PURINAS
A doença de Lesch-Nyhan é um raro distúrbio no metabolismo das purinas, 
de herança autossômica recessiva ligada ao sexo, que resulta na abundante excreção 
urinária de cristais de ácido úrico, subproduto normal do metabolismo das purinas, 
devido à falta da enzima hipoxantina guanina fosforibosiltransferase (JINNAH, 2009).
Os pacientes acometidos podem apresentar artrite gotosa, cálculos renais, 
insuficiência renal, deficiência motora grave associada à distonia, deficiência cognitiva, 
entre outros graves sintomas. Diante da gravidade dessa doença, é importante estar 
atento a presença de cristais de ácido úrico na urina de crianças (STRASINGER; 
LORENZO, 2009).
103
MICROALBUMINÚRIA: FATOR DE RISCO CARDIOVASCULAR E RENAL 
SUBESTIMADO NA PRÁTICA CLÍNICA 
Maria Teresa Zanella
A ocorrência de excreção urinária excessiva de albumina em indivíduos com 
diabetes tipo 2 é provavelmente o sinal de alerta mais precoce e importante do início de 
um comprometimento vascular generalizado, não somente limitado ao glomérulo, mas 
também presente em outros sítios vasculares, particularmente em órgãos vitais como 
o cérebro e o coração. Acredita-se que, sem uma intervenção específica, 20 40% dos 
pacientes com diabetes tipo 2 e microalbuminúria progridem para a fase proteinúrica 
e finalmente para os estágios finais da doença renal. Ainda que nos faltem evidências, 
a adoção de medidas terapêuticas que promovam a redução da microalbuminúria 
provavelmente se mostrará efetiva não só para promover proteção renal como também 
proteção cardiovascular. Assim sendo, a identificação e normalização da excreção 
urinária de albumina devem ser sempre consideradas no tratamento de pacientes com 
diabetes tipo 2.
Embora de fácil de determinação, a medida da excreção de albumina na urina 
tem sido muito pouco utilizada como arma útil na identificação de indivíduos com 
diabetes tipo 2, passíveis de evoluírem para insuficiência renal crônica e de maior risco 
para o desenvolvimento de doença cardiovascular. Existem basicamente três métodos 
diferentes de rastreamento para detectar aumentos na excreção urinária de albumina: 
1. Medida da relação entre as medidas de albumina e creatinina em amostra isolada de 
urina; 2. Medida da albuminúria em quantidade de urina obtida dentro de um período de 
tempo determinado (p. ex. 12 horas noturnas ou diurnas), expressa em microgramas por 
minuto (µg/min); 3. Determinação da quantidade de albumina excretada nas 24 horas, 
considerada como padrão ouro de determinação da albuminúria.
Microalbuminúria: evidência de lesão renal
A presença de microalbuminúria no paciente diabético tipo 2 frequentemente 
se associa à elevação dos níveis da pressão arterial, e representa uma condição de alto 
risco cardiovascular. Além de aumentos na pressão arterial sistêmica, dados clínicos e 
experimentais indicam que no diabetes ocorre aumento na pressão capilar glomerular. 
Esta é determinada não somente pela pressão arterial sistêmica, mas também por 
um distúrbio da autorregulação renal e uma hemodinâmica glomerular alterada, 
LEITURA
COMPLEMENTAR
104
caracterizada pela vasodilatação pré-glomerular e vasoconstrição pós-glomerular. 
A última é fortemente regulada pela atividade do sistema renina angiotensina intra-
renal, que tem sua atividade aumentada pela hiperglicemia. O aumento da produção 
de angiotensina II no rim, através do estímulo do receptor AT1, leva à menor produção 
de nefrina, proteína importante na integridade da membrana glomerular como barreira 
filtrante. A redução na produção de nefrina resulta em aumento da permeabilidade por 
aumento do tamanho dos poros da membrana glomerular. A pressão intraglomerular 
aumentada leva a hiperfiltração e, na presença de um aumento da permeabilidade da 
membrana glomerular, favorece o aumento na excreção de albumina/proteína.
Além de aumentar a permeabilidade da membrana glomerular e de suas ações 
hemodinâmicas que favorecem a hipertensão intraglomerular, a AII também exerce 
efeitos nos rins, que contribuem para aumentar a produção da matriz extracelular. A 
hiperglicemia e a angiotensina II parecem produzir efeitos semelhantes sobre as células 
renais em cultura, estimulando a síntese da matriz proteica e inibindo sua degradação 
enzimática.
Microalbuminúria: sinal de comprometimento vascular generalizado
Evidências epidemiológicasindicam que a presença de microalbuminúria prediz 
maior morbidade e mortalidade cardiovascular independente de outros fatores de risco. 
Tem sido demonstrada uma correlação positiva e praticamente linear entre a presença 
de quantidades aumentadas de albumina na urina e a ocorrência de infarto do miocárdio 
ou de acidentes vasculares cerebrais, tanto em pacientes com diabetes tipo 2 quanto 
em pacientes não diabéticos.
Microalbuminúria e síndrome metabólica
A microalbuminúria mostra-se também frequentemente associada a 
outros fatores de risco cardiovascular, fazendo parte da condição que conhecemos 
como síndrome metabólica. Esta se caracteriza pela constelação de fatores de 
risco cardiovascular que inclui hipertensão arterial, obesidade central, dislipidemia, 
intolerância à glicose, um estado de hipercoagulabilidade, além de lesão endotelial que 
se manifesta através da microalbuminúria.
Existem evidências de que aproximadamente 40% dos pacientes diabéticos 
tipo 2 com microalbuminúria, em decorrência de lesão vascular progressiva, evoluirão 
ao longo de uma década para a condição de macroproteinúria. Esta condição, que 
revela lesão vascular mais grave, associa-se a um risco de eventos cardiovasculares 
ainda maior.
Se considerarmos a vasta interface sangue filtrado glomerular provida por 
500.000 a 1.000.000 de glomérulos renais, fica fácil compreender porque um sinal de 
lesão na superfície vascular envolvida na filtração glomerular pode representar medida 
105
fidedigna de comprometimento vascular generalizado por todo o organismo. A excreção 
aumentada de albumina ou proteína na urina de pacientes diabéticos seria resultado 
de um distúrbio mais abrangente da função de barreira da célula endotelial, ocorrendo 
também na macrocirculação, especialmente nas coronárias, onde a transudação da 
proteína do plasma para a parede do vaso poderia promover o processo aterogênico. 
Assim, a microalbuminúria, parâmetro de avaliação da microcirculação renal, pode ser 
utilizada também como parâmetro de lesão vascular generalizada, não confinada aos 
glomérulos. Nesta condição, existe, portanto, a necessidade de maior atenção para 
as medidas de controle dos diversos fatores de risco cardiovascular, em particular da 
hipertensão arterial, objetivando atingir com mais rigor as metas desse controle e a 
proteção vascular. Embora as diretrizes preconizem que valores da pressão arterial 
inferiores a 130/80 mmHg devam ser atingidos para maior proteção renal e cardiovascular 
(28, 29) em pacientes diabéticos, é possível que níveis até mais baixos precisem ser 
atingidos quando se constata a presença de microalbuminúria.
Resultados de estudos mais recentes mostram que mesmo valores baixos da 
albuminúria, bem inferiores àqueles que atualmente definem a microalbuminúria, tem 
sido associados a um aumento do risco cardiovascular, fazendo crer que os limites da 
normalidade devam ser revistos.
Hipertensão arterial
A pressão arterial elevada é um fenômeno precoce e frequente na nefropatia 
diabética, e tem sido documentada uma relação direta entre a pressão arterial e a taxa 
de declínio de TFG em pacientes com diabetes tipos 1 e 2. Vários estudos mostram 
claramente que a terapia anti-hipertensiva precoce e intensiva reduz com eficácia tanto 
a albuminúria quanto a taxa de declínio da TFG em pacientes com nefropatia diabética 
clinicamente manifesta.
Contrariamente ao que ocorre no diabetes tipo 1, nos pacientes com diabetes 
tipo 2, a hipertensão não necessariamente está vinculada à presença de doença renal e, 
em geral, precede o diagnóstico de diabetes. A hipertensão é duas vezes mais frequente 
em pacientes diabéticos que em não diabéticos e está fortemente relacionada ao 
aumento do peso corporal, resistência à insulina e hiperinsulinemia.
A hipertensão aumenta o risco de morbidade e mortalidade cardiovascular, 
especialmente quando a função renal começa a decair. A combinação de diabetes 
e hipertensão está associada a um aumento de cerca de quatro vezes no risco 
cardiovascular, se comparada à população diabética normotensa. 
Angiotensina II (AII) e nefropatia diabética
Apesar da atividade plasmática de renina encontrar-se reduzida em pacientes 
diabéticos, estudos múltiplos em modelos animais mostram que os níveis teciduais de 
106
renina e mesmo a produção de renina são normais ou até mesmo elevados. Portanto, as 
medidas da atividade da renina ou mesmo da AII na circulação podem ser enganosas, 
fornecendo poucas informações sobre o estado do sistema renina angiotensina intra-
renal. Vale lembrar que a AII é a mediadora principal do SRA e parece ser responsável por 
importantes efeitos patológicos em nível celular por meio de estimulação do receptor 
AT1 da AII.
Os benefícios dos bloqueadores do sistema renina angiotensina na nefropatia 
diabética são vistos como resultado, pelo menos em parte, da atenuação dos efeitos 
da AII na pressão arterial e na hemodinâmica glomerular. Evidências indiretas indicam 
que a acentuada resposta vasodilatadora renal aos inibidores da enzima conversora da 
angiotensina (IECAs) e aos bloqueadores dos receptores da AII (BRAs) em pacientes 
diabéticos pode ser atribuída à redução dos efeitos da AII no rim. Ao reduzir os efeitos 
vasoconstritores da AII na arteríola glomerular eferente, os IECAs reduzem a pressão 
intraglomerular, a qual parece ser um determinante importante da progressão de 
nefropatia diabética.
Em indivíduos saudáveis e pacientes hipertensos, os BRAs possuem efeitos 
idênticos aos dos IECAs na hemodinâmica renal, decorrente de sua ação direta sobre 
os receptores de AT1 (43). Também tem sido demonstrado que os BRAs são capazes 
de reduzir o tamanho dos poros excessivamente grandes da membrana glomerular, 
um mecanismo também envolvido no efeito antiproteinúrico destes agentes. 
Experimentalmente, já se demonstrou que o efeito antiproteinúrico do irbesartana se 
associa ao aumento da expressão glomerular da nefrina, que reduz a permeabilidade da 
membrana glomerular comprometida.
Microalbuminúria: importância do bloqueio do SRA
A capacidade de reduzir a pressão intraglomerular e a permeabilidade da 
membrana glomerular explica o efeito antiproteinúrico dos IECAs e BRAs demonstrado 
em estudos randomizados prospectivos de desfecho, os quais documentaram menor 
velocidade de deterioração da função renal durante o bloqueio do SRA.
O uso de IECAs e BRAs tem se mostrado nitidamente benéfico, não só para 
promover proteção renal em pacientes com nefropatia diabética como também para 
promover proteção cardiovascular em pacientes diabéticos com outros fatores de risco.
A importância de se reduzir a excreção urinária de proteínas foi demonstrada 
no estudo IDNT, onde a proteinúria inicial foi capaz de prever a progressão para os 
desfechos do estudo, mostrando um risco dobrado para cada duplicação nos valores da 
proteína urinária. Além disso, redução de 50% na proteinúria observada aos 12 meses de 
tratamento com irbesartana se associou a uma redução de 50% no risco de duplicação 
da creatinina ou de atingir os estágios finais da insuficiência renal.
107
Embora o uso de bloqueadores do sistema renina angiotensina seja importante 
na prevenção da nefropatia diabética, é importante lembrar que o controle da pressão 
arterial é essencial e que a maioria dos pacientes requer a combinação de múltiplas 
drogas para reduzi-la a níveis que permitam a correção da hipertensão no capilar 
glomerular e a redução máxima da proteinúria. Embora se preconize que em pacientes 
diabéticos devam ser atingidos valores da pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, é 
possível que a manutenção de níveis ainda mais baixos possa trazer maiores benefícios.
Com relação à utilização dos inibidores da ECA em pacientes com diabetes 
tipo 2 e microalbuminúria ou proteinúria instalada, o único estudo aleatório comparou 
o enalapril ao BRA, a telmisartana, no ensaio DETAIL, que incluiu 250 pacientes com 
nefropatia inicial, definida pelo valor da albuminúria (82%com microalbuminúria e 18% 
macroalbuminúria de no máximo de 1,4 g/dia) e uma taxa de filtração glomerular (TFG) 
basal (medida com a utilização de radioisótopo) de cerca de 93 ml/min por 1,73 m2 (52).
Uma queda na TFG mais acentuada, próxima a 10,0 mL/min por 1,73 m2, após 
cinco anos, foi pré-definida como indicador de uma diferença clinicamente significativa 
entre os grupos. Após cinco anos, houve uma queda mais atenuada na TFG do grupo 
enalapril, não significativa estatisticamente (14,9 versus 17,9 mL/min por 1,73 m2 no 
grupo telmisartana). Ambos os grupos se mostraram semelhantes para os desfechos 
secundários, os quais incluíram alterações anuais na TFG, pressão arterial, creatinina 
sérica, albumina urinária, doença renal crônica terminal, eventos cardiovasculares e 
mortalidade.
As duas limitações do estudo foram as de que somente 168 dos 250 pacientes 
concluíram o estudo e de que somente 20% apresentaram macroalbuminúria. Embora 
tenha sido feita apenas esta única comparação entre as duas classes de bloqueadores 
do sistema renina angiotensina, os resultados condizem com a hipótese de que 
os inibidores de ECA seriam pelo menos tão eficazes quanto os BRAs em pacientes 
diabéticos com microalbuminúria.
Recomendações
A detecção da microalbuminúria é medida importante para identificar 
indivíduos com maior risco de doença cardiovascular e com lesão renal passível de 
progressão para a insuficiência renal. O rastreamento para microalbuminúria, segundo 
as recomendações da American Diabetes Association e da Sociedade Brasileira de 
Diabetes, deve ser feito anualmente em pacientes diabéticos do tipo 1 a partir do quinto 
ano do diagnóstico e em pacientes com diabetes do tipo 2 a partir do diagnóstico. A 
presença de microalbuminúria requer maior atenção para as medidas de controle da 
pressão arterial, que deve ser mantida em níveis inferiores a 130/80 mmHg, assim como 
para as medidas de controle dos lípides e glicemia, além da adoção de medidas eficazes 
na redução da excreção urinária de albumina como o uso de inibidores da ECA ou de 
108
antagonistas da angiotensina II. Estes últimos, em pacientes diabéticos do tipo 2 já na 
fase proteinúrica da nefropatia diabética, se mostraram comprovadamente eficazes 
para promover renoproteção e certo grau de cardioproteção, uma vez que também 
reduzirão a necessidade de hospitalizações por insuficiência cardíaca.
Fonte: Adaptado de ZANELLA, M. T. Microalbuminúria: fator de risco cardiovascular e renal subestimado na 
prática clínica. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. 2006, v. 50, n. 2, pp. 313-321. Dispo-
nível em: https://doi.org/10.1590/S0004-27302006000200017. Acesso em: 10 set. 2022.
https://doi.org/10.1590/S0004-27302006000200017
109
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• A utilizar a taxa de filtração glomerular para a avaliação da função renal e como obtê-
la através das dosagens creatinina sérica e urinária.
• Como se iniciam as doenças tubulares e glomerulares e quais intercorrências diferem 
as doenças renais agudas e crônicas. 
• A maioria dos casos não possui relação entre a precipitação de cristais urinários e a 
formação de cálculos renais.
• Como as infecções do trato urinário podem evoluir para uma doença sistêmica, por 
isso seu diagnóstico e tratamento corretos são essenciais.
• Como erros inatos do metabolismo refletem na eliminação de substâncias atípicas na 
urina e esse fato é usado como ferramenta de diagnóstico. 
• Os mecanismos fisiológicos, características e achados típicos de urinálise na 
fenilcetonúria, tirosinúria, melanúria, alcaptonúria, doença do xarope de bordo na 
urina, cistinúria, porfirias e doença de Lesch-Nyhan – doenças raras que podem ser 
fatais.
110
AUTOATIVIDADE
1 A taxa de filtração glomerular é um reflexo do funcionamento dos rins, pois representa 
o volume de sangue que é filtrado nos rins para formar a urina. Este cálculo é muito 
utilizado no diagnóstico de lesões renais e monitoramento de pacientes com doença 
renal crônica. Qual das seguintes opções é uma substância endógena usada para 
calcular a taxa de filtração glomerular?
a) ( ) Ureia.
b) ( ) Inulina.
c) ( ) Albumina.
d) ( ) Creatinina.
2 Doenças metabólicas hereditárias e adquiridas que alteram o metabolismo de 
aminoácidos podem ter sintomatologia, idade de aparecimento e achados laboratoriais 
semelhantes, da mesma forma que alteram o aspecto da urina. A urina que fica preta 
após permanecer durante horas no vaso sanitário, em contato com o ar, pode ser 
indicar algo. Sobre o exposto, analise as opções a seguir:
I- Alcaptonúria
II- Doença do xarope de bordo na urina
III- Melanúria
IV- Cistinuria
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As opções I e II estão corretas.
b) ( ) As opções II e III estão corretas.
c) ( ) As opções I e III estão corretas. 
d) ( ) Somente a opção II está correta.
3 As infecções do trato urinário (ITUs) afetam cerca de 150 milhões de pessoas por 
ano e caracterizam-se pela resposta do organismo à presença e à multiplicação de 
microrganismos no trato urinário. A respeito da porfirina e precursores de porfirina, 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) O acúmulo de precursores de porfirina causa fotossensibilidade na pele.
( ) A porfiria pode ser um distúrbio herdado ou induzido.
( ) As porfirinas podem tornar a urina vermelha ou roxa.
111
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – V.
d) ( ) F – F – V.
4 Os pacientes com cálculos renais apresentam episódios de dores agudas no flanco que 
pode se irradiar para a região da virilha, não raros associados à eliminação de sangue 
na urina. Muitos desses pacientes conseguem eliminá-los espontaneamente ou por 
procedimentos minimamente invasivos, entretanto, pode haver também recorrência 
na formação destes cálculos. A partir disso, disserte sobre os motivos que levam à 
formação dos cálculos renais.
5 As doenças renais estão entre as principais causas de incapacidade e morte em todo 
o mundo. As síndromes, nefrítica e nefrótica, agrupam diversas doenças renais, que 
provocam diferentes tipos de lesão renal, com desfechos diferentes. Cite e explique 
quais são as diferenças entre elas.
112
REFERÊNCIAS
ALPERS, C. E.; CHANG, A. O rim. In: KUMAR, V. et al. Patologia: bases patológicas das 
doenças. 9. ed. São Paulo: Elsevier, 2016.
BATISTA, D. et al. Avaliação microscópica do sedimento urinário no exame de urina de 
rotina: comparação entre dois métodos. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 
51, n. 1, p. 1-10, dez. 2019.
BRUNZEL, N. A. Fundamentos da análise de urina e fluido corporal. 4. ed. Elsevier, 
2018.
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msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-renais-e-urin%C3%A1rios/
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em: 10 set 2022.
JINNAH, H. A. Doença de Lesch-Nyhan: do mecanismo ao modelo e de volta. Modelos 
e mecanismos de doenças, v. 2, n. 3-4, p. 116-121, 2009.
KHATU, S. S. et al. Alkaptonuria: relatório do caso. Revista Médica da Universidade 
Dr. DY Patil, v. 8, n. 1, p. 84, 2015. Disponível em: https://www.mjdrdypu.org/text.
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Epidemiologia [on-line]. v. 22, n. 02. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-
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MCPHERSON, R. A.; BEN-EZRA, J.; ZHAO, S. Exame de urina básico. In: MCPHERSON, R. 
A.; PINCUS, M. R. Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos laboratoriais. 
21. ed. Barueri: Manole, 2012.
NASCIMENTO, D. et al. Sedimentoscopia de parciais de urina sem alterações físico-
químicas. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, [s.l.], v. 54, n. 3, 
p.177-182, 2018.
PERLMAN,R. L.; HEUNG, M.; LX, J. H. Doenças dos rins. In: HAMMER, G. D.; MCPHEE, S. 
J. Fisiopatologia da doença: uma introdução à medicina clínica. 7. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2016. p. 455-482.
113
RIELLA, M. C. et al. Avaliação clínica e laboratorial da função renal. In: RIELLA, M. C. 
Princípios de nefrologia e distúrbios hidreletrolíticos. 6. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2018.
SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ 
Medicina Laboratorial: realização de exames de urina. (on-line plataforma Pearson) 
Barueri: Manole, 2017.
STRASINGER, S. K.; DI LORENZO, M. S. Urinálise e fluidos corporais. 5. ed. São Paulo: 
Livraria Médica Paulista, 2009.
VALADARES, E. R.; OLIVEIRA, J. S.; TÁLAMO, L. E. P. Tratamento metabólico da doença 
da urina do xarope de bordo. Revista Médica de Minas Gerais, [s.l.], v. 20, n. 2, 2009.
114
115
FLUÍDOS CORPORAIS
UNIDADE 3 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• aprofundar conhecimentos sobre os fl uidos do organismo;
• nomear as estruturas envolvidas na produção dos líquidos cefalorraquidiano, sinovial, 
seminal e amniótico e as principais funções dos fl uidos corporais;
• ter o entendimento sobre alguns aspectos regulatórios do Ensino Superior no Brasil;
• identifi car qual a seção laboratorial que irá realizar as análises dos diferentes líquidos 
corporais;
• analisar os aspectos quantitativos e qualitativos dos líquidos cefalorraquidiano, 
sinovial, seminal e amniótico;
• relacionar os achados dos testes laboratoriais do líquido sinovial com as quatro 
classifi cações comuns das articulações;
• discutir a composição celular normal e anormal dos líquidos corporais estudados e o 
signifi cado dos principais achados macroscópicos e microscópicos das amostras dos 
líquidos estudados.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar 
o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO AOS FLUÍDOS CORPORAIS
TÓPICO 2 – LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E FLUIDO SINOVIAL
TÓPICO 3 – LÍQUIDO SEMINAL E LÍQUIDO AMNIÓTICO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
116
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
Acesse o 
QR Code abaixo:
117
TÓPICO 1 — 
INTRODUÇÃO AOS FLUÍDOS CORPORAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, no Tópico 1, abordaremos os fluidos corporais, também 
chamados de líquidos corporais. Como o próprio nome sugere, são líquidos produzidos 
no corpo humano, podendo ser secretados ou excretados. Você já imaginou como é 
fundamental estudarmos os fluidos produzidos no corpo humano, quais são suas 
funções e sua importância para o diagnóstico de patologias? 
Neste tópico, veremos que os estudos dos fluidos corporais são indispensáveis 
para o diagnóstico e monitorização de diversas doenças infecciosas, inflamatórias e 
hemorrágicas. No decorrer deste tópico, estudaremos os principais fluidos decorrentes 
do corpo humano, suas funções, composição, procedimentos de obtenção, análises 
macroscópicas e microscópicas e suas correlações clínicas.
Veremos também que as análises dos fluidos biológicos são desafiadoras para os 
laboratórios. Estas análises envolvem diferentes departamentos do laboratório e requer 
profissionais com conhecimentos especializados em diferentes tipos de fluidos. As 
análises citológicas, bioquímicas, microbiológicas e imunológicas fornecem importantes 
informações para o diagnóstico e tratamento adequado de diversas patologias.
Para conseguirmos assimilar o conteúdo que será abordado e alcançarmos 
nossos objetivos é necessário que você, acadêmico, leia o livro didático, acesse os links 
de pesquisa, responda às autoatividades sugeridas e busque sempre aprender mais. 
Bons estudos!
2 TIPOS DE FLUIDOS CORPORAIS, COMPOSIÇÃO E 
FUNÇÃO
Existem diferentes tipos de fluidos corporais e estes variam de acordo com as 
características físicas, tipos de células e contagem de células. Os principais líquidos 
biológicos são o líquido cerebrospinal, seminal, sinovial, suor, líquidos serosos ou 
cavitários (pleural, peritoneal e pericárdico), secreções respiratórias como aquelas 
derivadas do lavado broncoalveolar, líquido amniótico, dentre outros fluidos e secreções 
não abordados neste livro. A urina como já vimos nas unidades anteriores, também é um 
fluido do corpo humano.
118
Os fluidos biológicos variam quanto à composição, mas possuem alguns 
elementos em comum. De acordo com Mundt e Shanahan (2012), as funções da água e 
dos eletrólitos são determinantes essenciais de qualquer composição e movimento dos 
fluidos no corpo humano, desempenhando importantes funções no nosso organismo. 
A água entra no nosso organismo pelo consumo de água e alimentos e por processos 
metabólicos celulares. 
Os líquidos biológicos podem ser divididos em dois grandes compartimentos: 
intracelular e extracelular. Sendo em torno de 55% da água situados no interior das 
células (compartimento intracelular), enquanto a água do meio extracelular corresponde 
a cerca de 45%. A composição dos eletrólitos e enzimas dos fluidos intracelulares difere 
daquela dos fluidos extracelulares. O líquido extracelular tem grandes quantidades de 
sódio e cloreto e pequenas quantidades de potássio, cálcio, magnésio, fosfato e ácidos 
orgânicos, enquanto o potássio e o fosfato são predominantes no líquido intracelular e 
contêm pequenas quantidades de sódio, cloreto e cálcio (GUYTON; HALL, 2011).
O líquido extracelular, por sua vez, é subdividido em: líquido intersticial, líquidos 
transcelulares encontrados em várias cavidades corporais e plasma. O plasma troca 
continuamente substâncias com o líquido intersticial através dos poros das membranas 
capilares com permeabilidade a quase todos os solutos do líquido extracelular com 
exceção das proteínas que possui alta concentração no plasma. O líquido transcelular 
é o que está presente nas cavidades corporais, nas vísceras ocas e demais locais. 
Esse compartimento inclui o líquido dos espaços sinoviais, peritoneais, pericárdicos, 
intraoculares e o líquido cefalorraquidiano (GUYTON; HALL, 2011). 
A composição dos fluidos pode ser alterada dependendo das condições locais 
de diversas membranas e tecidos adjacentes. A realização de exames bioquímicos em 
conjunto com exames citológicos auxilia no diagnóstico e monitoramento das condições 
do paciente (MUNDT; SHANAHAN, 2012).
Como já vimos, existem diversos fluidos corporais e estes desempenham 
funções importantes para a manutenção do nosso corpo, portanto, sua função principal 
Acadêmico, vamos entender a diferença entre fluidos e secreções.
Fluidos são substâncias permanentes do nosso corpo sua produção não 
depende de estímulos externo, por exemplo, o líquido cerebrospinal, que 
protege o cérebro e a medula espinhal e o líquido sinovial que lubrifica 
as articulações. Já as secreções são produzidas de acordo com as 
necessidades do nosso corpo, por exemplo, a secreção gástrica produzida 
no estômago para facilitar a digestão de proteína.
NOTA
119
é lubrificar e nutrir os espaços intra e extracelulares de todo o corpo. As membranas 
que envolvem o sistema nervoso central, por exemplo, são lubrificadas pelo líquor – 
substância composta basicamente por água, que fornece proteção mecânica a esse 
sistema. Os fluidos das articulações também possuem água e protegem os ossos 
do atrito. Além disso, o líquido amniótico protege o feto de impactos durante o seu 
desenvolvimento. A deficiência ou excesso desses fluidos podem provocar várias 
patologias, como edema e efusões serosas.
3 VOLUME DOS FLUIDOS CORPORAL, ASPECTOS E COLETA 
O volume do fluido corporal varia significativamente de acordo com a cavidade 
corporal. Além disso, em condições patológicas, o volume do fluido presente pode alterar 
de forma drástica, por exemplo, nas cavidades serosas que em condições normais 
encontra-se presente uma quantidadepequena do fluido e em casos patológicos pode 
aumentar alguns mililitros até mesmo litros.
 
De acordo com Mundt e Shanahan (2012), a pressão coloido-osmótica do tecido 
junto à pressão hidrostática do capilar, regula o fluxo de saída do líquido a partir do 
capilar, enquanto a pressão coloido-osmótica do capilar e a pressão hidrostática do 
tecido regulam o fluxo de entrada do líquido capilar a partir do tecido.
O fluido existente na cavidade pleural circula numa pequena quantidade, 
cerca de 1 a 20mL, na cavidade do pericárdio se encontra em torno de 15 a 50mL e 
na cavidade peritoneal contém aproximadamente 50mL de fluido (BARCELOS; AQUINO, 
2018). Estes fluidos têm como função primordial a lubrificação das membranas que o 
envolvem. Diversas doenças provocam o acúmulo desses fluidos nas cavidades serosas 
denominado de efusões, também conhecido como derrame.
Com base na causa do acúmulo de líquido são classificadas em dois grupos: 
transudato e exsudato. O transudato ocorre quando fatores mecânicos ou sistêmicos 
alteram o equilíbrio na regulação da filtração e absorção do líquido, por exemplo, as 
mudanças na pressão hidrostática criada por insuficiência cardíaca congestiva e 
cirrose. Os exsudatos são produzidos por condições que comprometem diretamente as 
membranas da cavidade especial, por exemplo, lesão ou inflamação da pleura causada 
por diferentes etiologias (ROCHA, 2014).
A peritonite é uma inflamação decorrente de infecção que acomete o 
peritônio, membrana que reveste a parede interna do abdômen e recobre 
a maioria dos órgãos abdominais. Essa infecção pode ser decorrente de 
microrganismos (bactérias, fungos). Já a pericardite é processo inflamatório 
que afeta a membrana que recobre e protege o coração. A doença pode 
ser aguda ou crônica. A forma aguda ocorre subitamente e se estende por 
volta de uma a três semanas, enquanto a forma crônica pode durar mais 
três meses.
NOTA
120
A diferenciação dos fluidos pleural e pericárdico em transudato e exsudato, 
geralmente é feito pelo uso dos critérios que comparam alguns parâmetros bioquímicos 
do fluido com os encontrados no soro do paciente, representados na Tabela 1. Com 
uma sensibilidade de 98%, estes critérios se utilizam de dois parâmetros principais: nível 
proteico e nível da desidrogenase lática (LDH). A presença de qualquer um dos critérios 
de exsudato confirma sua caracterização, enquanto para confirmar a presença de um 
transudato é necessária a presença de três critérios.
Tabela 1 – Critérios de Light
Parâmetros Transudato Exsudato
Proteína 0,5
Relação entre 
LDH do líquido pleural/
pericárdico e sérica.
≤ 0,6 > 0,6
LDH no líquido 
pleural/pericárdico > 2/3 
do limite superior no soro 
ou >220 U/L
Não Sim
Fonte: a autora
A diferenciação entre transudato e exsudato no líquido peritoneal é recomendada 
o gradiente de albumina soro/ascite (GASA) do que as relações de proteínas e de 
desidrogenase lática (LDH), pois as doenças malignas classicamente provocam uma 
ascite exsudativa, mas a dosagem de proteínas no líquido peritoneal não é importante, 
há muitos equívocos na prática clínica, por exemplo, na ascite transudativa de pacientes 
com cirrose, 30% apresentam valores de proteínas superiores a 2,5 g/dL e dos pacientes 
com insuficiência cardíaca congestiva e 50% apresentam proteínas acima de 3,0 g/dL. 
Assim, o gradiente soro/albumina é mais preciso na diferenciação da ascite. O nível 
de albumina no líquido é subtraído do nível de albumina no soro, se a diferença for 
gradiente inferior a 1,1g/dL é um exsudato e quando superior a 1,1 g/dL é um transudato 
(STRASINGER; DI LORENZO, 2008).
As características físicas dos fluidos corporais, como a cor e o aspecto, dependem 
da cavidade corporal que eles foram coletados. Normalmente, o líquido cerebrospinal e 
sinovial, que serão abordados detalhadamente nos próximos tópicos, são incolores e 
límpidos, enquanto os líquidos serosos são amarelados e límpidos (BARCELOS; AQUINO, 
2018).
Em condições patológicas a cor e o aspecto dos fluidos podem ser alterados. 
Geralmente, os termos mais utilizados para descrever o aspecto são “límpido”, ‘turvo”, 
“purulento” (indica presença de uma grande quantidade de leucócitos) e “leitoso” 
121
(presença de gordura). Para descrever a cor são utilizados os termos: “incolor”, 
‘hemorrágico” ou ‘vermelho” (indica presença de hemácias), “xantocrômico” (indica 
degradação de hemoglobina), entre outros (BARCELOS; AQUINO, 2018). 
Amostra vermelha é indicativa de hemorragia ou punção traumática. A punção 
traumática nada mais é do que quando a agulha atinge um vaso sanguíneo no momento 
da coleta. Nesse caso deve ser realizado o diagnóstico diferencial entre acidente de 
punção e a hemorragia. Rotineiramente é realizada a prova de três tubos, que consiste 
em separar o líquido em três tubos deixar em repouso por alguns minutos e em seguida 
fazer a comparação dos três tubos, num acidente de punção usualmente ele clareia 
entre o primeiro e o terceiro tubo coletado e permanece uniforme na hemorragia 
(STRASINGE; DI LORENZO, 2008). No Tópico 2, abordaremos outras provas que podem 
ser realizadas em alguns líquidos biológicos para fazer essa diferenciação.
As amostras em geral são colhidas em um frasco (urina, sêmen) ou inserindo 
uma agulha fina em uma cavidade do corpo e aspirando ao líquido com uma seringa 
(líquido cerebrospinal, líquido pericárdico, pleural, ascítico, amniótico etc.). Depois da 
coleta são distribuídas em tubos específicos e encaminhados ao laboratório onde são 
feitos diversos exames, incluindo bioquímicos como dosagem de proteínas e glicose, 
contagem global de hemácias e leucócitos, contagem diferencial de leucócitos, 
coloração de Gram, cultura e testes imunológicos. A Tabela 2 descreve os principais 
fluidos examinados e o tipo de procedimento realizado para a obtenção da amostra a 
ser analisada.
Tabela 2 – Fluidos analisados e procedimento de coleta
Fluido Corporal Procedimento
Fluido pleural Toracentese
Fluido peritoneal 
(ascítico)
Paracentese
Fluido pericárdico Pericardiocentese
Fluido cerebrospinal Punção lombar, suboccipital, cervical lateral
Fluido amniótico
Fluido sinovial
Amniocentese
Artrocentese
Fonte: adaptado de Mundt e Shanahan (2012, p. 223) 
As análises citológicas dos fluidos corporais têm objetivo realizar a avaliação 
das células de diversos tipos de fluido, sendo capazes de identificar a presença de 
doenças infecciosas, sangramentos, inflamatória, ou de células neoplásicas por meio 
da observação da amostra no microscópio. O exame citológico compreende a contagem 
global de células e contagem diferencial de leucócitos.
Ultimamente tem ocorrido um maior interesse no desenvolvimento da análise 
automatizada de fluidos corporais, principalmente, devido às limitações da contagem 
122
manual de células ocasionadas pela falta de experiência profissional ou por falta de 
padronização do processo da análise, mas a maioria das contagens de células ainda é 
realizada de forma manual pelos laboratórios, utilizando-se o hemocitômetro (MUNDT; 
SHANAHAN, 2012). Cabe ressaltar que a diferenciação celular deve ser sempre realizada 
em microscopia óptica manual. Existem diferentes tipos de hemocitômetro, também 
conhecido como câmara de contagem, sendo o mais conhecido o hemocitômetro de 
Neubauer e Fuchs Rosenthal. O primeiro é o mais utilizado pelos laboratórios.
• Câmara de Neubauer: a grade de contagem tem 3 mm x 3 mm de tamanho e 
contém 9 subdivisões quadradas de 1 mm de largura. O quadrado central é dividido 
em 25 quadrados com 0, 2mm de largura. Cada um dos 25 quadrados centrais é 
subdividido em 16 pequenos quadrados (Figura 1).
• Câmara de Fuchs Rosenthal: a câmara tem uma profundidade de 0,2mm e uma 
grande área de 16 mm², um volume total de 3,2 mm² e dividida em 16 grandes 
quadrados. Cada um dos 16 é subdividido em quadrados menores (COMAR et al, 
2009; BARCELOS;AQUINO, 2018). A linha central é o limite e determina quando uma 
célula deve ser incluída na contagem ou não.
 
Figura 1 – Hemocitômetro de Neubauer
Fonte: adaptada de https://pncq.org.br/uploads/pdfs/manual_laboratorio_oms_A5_web.pdf. Acesso em: 9 
set. 2022.
Como dito anteriormente existem, vários tipos de câmara de contagem, o que 
as diferenciam são algumas características como resolução, profundidade, composição 
que pode ser de vidro ou descartável e o tamanho e desenho da malha.
Antes de realizar a contagem deve ser realizada a preparação do líquido devendo 
ser uma suspensão homogênea, não centrifugada e com concentração apropriada, 
caso esteja muito baixa, pode haver um erro de contagem ao analisar o resultado 
por quadrante. Já, se estiver muito alta, as células correm o risco de sobreposição, 
dificultando a contagem. A amostra deve ser diluída em solução salina (NaCI 0,9%) 
caso apresente elevada celularidade, pois permite que as células tenham um espaço 
adequado para se espalharem formando uma única camada na superfície da câmara 
com sobreposição mínima.
Na câmara de Neubauer, geralmente, são contadas todas as células presentes 
nos nove milímetros quadrados. Porém, quando a concentração de células é elevada 
123
os laboratórios podem realizar alguns ajustes no procedimento de contagem. Segundo 
Mundt e Shanahan (2012), quando muitas hemácias estão presentes na amostra 
apenas a contagem do quadrante central pode ser necessária, oferecendo um resultado 
preciso assim como a contagem de todos os 9 quadrantes. Caso a presença de células 
nucleadas seja elevada, as contagens dessas células nos quatro quadrados do canto 
geralmente são suficientes. O cálculo de contagem em hemocitômetro de Neubauer 
consiste em: 
Contagem celular = N x D x 10/A.
Portanto, N representa o número de células contadas e D corresponde ao fator 
de diluição. É necessário multiplicar por 10 para compensar a profundidade da câmara 
de 1 mm e dividido por A (área contada em milímetros quadrados), resultando no número 
de células por milímetro cúbico (MUNDT; SHANAHAN, 2012).
A contagem diferencial de células de líquidos biológicos é realizada quando a 
contagem global de leucócitos se apresenta elevada. Pode ser realizada com o líquido 
puro ou o sedimento obtido após centrifugação em baixa rotação. A lâmina pode ser 
confeccionada com várias técnicas como esfregaço, gota espessa, citocentrifugação e 
câmara de Suta (STRASINGER; DI LORENZO, 2008). A citocentrifugação é a técnica mais 
recomendada para a contagem de células em líquidos biológicos, pois requer pouca 
habilidade profissional e permite uma boa recuperação de células. 
Após a preparação da lâmina ela é corada com corantes hematológicos como 
Leishmann e Giemsa e observada em microscopia para detecção dos tipos leucócitos 
predominantes como neutrófilos, eosinófilos, linfócitos, macrófagos, basófilos, além de 
células teciduais. Esses tipos de células se elevam de acordo com a patologia presente.
Para a diferenciação de hemácias, leucócitos e células teciduais em câmara 
de contagem, o profissional deve conhecer as características de cada uma dessas 
células. As hemácias são células circulares, com halos e o centro da célula é limpo. Em 
caso de hemácias crenadas pode se apresentar com projeções finas e pontudas. Já os 
leucócitos apresentam um aspecto granular, as células teciduais, por sua vez possui 
contorno irregular, são grandes e granulares (COMAR et al., 2009).
 
124
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• Existem vários tipos de fluidos biológicos, os principais: o líquido cerebrospinal, 
sêmen, sinovial, suor, líquidos serosos ou cavitários (pleural, peritoneal e pericárdico), 
urina, secreções respiratórias, como o lavado broncoalveolar e líquido amniótico. 
Esses líquidos variam quanto à composição, mas possuem alguns elementos em 
comum. As funções da água e dos eletrólitos são determinantes essenciais de 
qualquer composição e movimento dos fluidos no corpo humano, desempenhando 
importantes funções em diversos processos do metabolismo.
• Os fluidos corporais são classificados em intracelular e extracelular, aproximadamente, 
55% da água fica situados no interior das células, enquanto a água do meio extracelular 
corresponde em torno de 45%. O líquido extracelular tem grandes quantidades 
de sódio e cloreto e pequenas quantidades de potássio, cálcio, magnésio, fosfato 
e ácidos orgânicos, enquanto o potássio e o fosfato são predominantes no líquido 
intracelular e contém pequenas quantidades de sódio e cloreto. O líquido extracelular 
é subdividido em: líquido intersticial, líquidos transcelulares e plasma.
 
• O volume do fluido varia significativamente de acordo com o sítio corpóreo. Várias 
doenças provocam o acúmulo desses fluidos nas cavidades, denominado de 
efusões. Essas efusões são classificadas em transudato e exsudato. O transudato 
ocorre quando fatores sistêmicos influenciam na formação e reabsorção dos fluidos. 
Já o exsudato é um derrame que causa comprometimento direto dos revestimentos 
mesoteliais. As características físicas dos fluidos corporais, como a cor e o aspecto, 
dependem do sítio coletado. Em condições patológicas podem ser alteradas. Para 
obtenção dos fluidos corporais é realizado um procedimento médico, geralmente o 
nome denominado corresponde ao local de coleta.
• Depois da coleta, são encaminhados ao laboratório onde são feitos diversos exames, 
incluindo bioquímicos, microscópicos e exames para doenças infecciosas. A 
contagem de células é realizada de forma manual pelos laboratórios, utilizando-se 
o hemocitômetro. Já a contagem diferencial é realizada quando a contagem global 
apresenta uma pleocitose. A citocentrifugação é a técnica mais recomendada para a 
contagem de diferencial em fluidos biológicos. Após a preparação da amostra, ela é 
corada por corante e observada para detecção dos tipos celulares predominantes.
125
AUTOATIVIDADE
1 São muitas doenças que provocam o acúmulo de fluidos nas cavidades serosas, 
denominados de efusões. Com base na causa do acúmulo, as efusões são classificadas 
em transudato e exsudato. No entanto, é possível distinguir o líquido nas categorias 
de transudato ou de exsudato. Diante disso, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Um transudato ocorre quando fatores mecânicos ou sistêmicos influenciam na 
formação e reabsorção dos fluidos.
b) ( ) Transudato, apresenta proteínas superiores a 3,0 g/dL e LDH maior que 200 UI.
c) ( ) Exsudatos são resultantes de um processo sistêmico, e os transudatos provém 
direto dos revestimentos mesoteliais.
d) ( ) Exsudato, apresenta proteínas inferiores a 3,0 g/dL e LDH maior que 200 UI.
2 A classificação dos fluidos biológicos serosos entre transudato ou exsudato deve ser 
um dos primeiros passos para o diagnóstico laboratorial correto. Sobre a combinação 
de testes que permite obter resultados mais sensíveis e acurados em relação à 
diferenciação do líquido pleural entre essas duas classificações, assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) Determinação de leucócitos e proporção de proteínas do líquido pleural/soro.
b) ( ) Determinação dos níveis de glicose e proporção de LDH do líquido pleural/soro.
c) ( ) Proporção de proteínas e Lactato desidrogenase do líquido pleural/soro.
d) ( ) Contagem de hemácias e proporção de Lactato desidrogenase (LDH) do líquido 
pleural/soro.
3 Para obtenção dos fluidos corporais é realizado um procedimento médico. 
Geralmente, o nome denominado corresponde ao local de coleta. Após a coleta, 
são encaminhados ao laboratório para a realização de diversos exames, incluindo 
bioquímicos, microscópicos e exames para doenças infecciosas. Sobre a obtenção 
dos fluidos corporais para a análise laboratorial, analise as sentenças a seguir:
I- O procedimento chamado de toracentese é seguro, rápido e indicado para pacientes 
com derrame pleural.
II- A obtenção do fluido cerebrospinal ocorre exclusivamente por punção lombar.
III- A paracentese é realizadapara obtenção do líquido ascítico.
IV- A obtenção dos fluidos corporais ocorre por punção aspirativa com agulha fina no 
interior das cavidades corporais.
126
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) As sentenças IIII e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença II está correta..
4 Atualmente, cada vez mais a análise automatizada de fluidos corporais tem sido usada, 
devido às limitações da contagem manual de células, ocasionadas principalmente 
pela falta de experiência profissional ou por falta de padronização do processo da 
análise em si, mas a maioria das contagens de células ainda são realizadas de forma 
manual pelos laboratórios. Com base nessas informações, explique a importância 
do exame citológico em fluidos corporais e as técnicas manuais empregadas nesta 
análise.
5 Os fluidos corporais podem ser divididos em dois grandes compartimentos: intracelular 
e extracelular. A composição dos eletrólitos e enzimas dos fluidos intracelulares difere 
daquela dos fluidos extracelulares. Com base nessas informações, disserte sobre a 
composição dos fluidos intracelulares e extracelulares e suas funções.
127
LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E FLUIDO 
SINOVIAL
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, neste momento, estamos iniciando o Tópico 2, sobre os líquidos 
cefalorraquidiano e sinovial. No tópico anterior, fizemos uma introdução sobre os fluidos 
corporais e a importância destes para a manutenção do nosso corpo e diagnóstico de 
doenças. Neste tópico 2, abordaremos detalhadamente o fluido cerebrospinal e sinovial. 
As análises desses fluidos são fundamentais para a obtenção de informações 
relevantes sobre várias doenças que acometem as suas respectivas cavidades. A análise do 
fluido cerebrospinal, também conhecido como cefalorraquidiano, líquor ou simplesmente 
por LCR é fundamental na obtenção de informações diagnósticas de várias doenças que 
acometem o sistema nervoso central, podendo ser considerado uma biópsia de líquido do 
cérebro (BARCELOS; AQUINO, 2018). A coleta do fluido cerebrospinal é indicada em casos 
de processos infecciosos e não infecciosos no sistema nervoso central como hemorragia 
e meningites.
O líquido sinovial encontrado nas cavidades das articulações móveis ou diartroses 
é um fluido viscoso, produzido pela membrana sinovial com função de lubrificação, 
nutrição, suporte mecânico e absorção de impacto. A análise do fluido sinovial é importante 
no diagnóstico e prognóstico de várias artropatias que acometem a cavidade articular.
Neste Tópico 2, abordaremos a formação, composição, circulação e funções dos 
fluidos cerebrospinal e sinovial, os procedimentos de coleta desses fluidos, bem como a 
análise laboratorial, as correlações clínicas e seu uso para o diagnóstico de doenças. Bons 
estudos!
2 FORMAÇÃO, COMPOSIÇÃO E FISIOLOGIA DO FLUIDO 
CEREBROSPINAL
O fluido cerebrospinal é um fluido estéril, aparência clara, semelhante ao plasma 
que está em íntima relação com o sistema nervoso central (SNC) e suas membranas. 
A estrutura do sistema nervoso central e seus tecidos são muito delicados, por isso 
é necessário um sistema de proteção, que consiste em quatro estruturas: crânio, 
meninges, fluido cerebrospinal e barreira hematoencefálica. 
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
128
As meninges são membranas conjuntivas que envolvem o encéfalo e o medula 
espinal que constituem o sistema nervoso central. Todas essas estruturas estão 
envoltas por três meninges, conhecidas como dura-máter, aracnoide e pia-máter. A 
dura-máter é a membrana externa que reveste o crânio e a coluna vertebral. A aracnoide 
é a membrana intermediária e a pia-máter é a membrana mais interna (DI LORENZO; 
STRASINGER, 2008).
A infl amação das meninges é chamada de meningite, provoca febre 
e rigidez na nuca. Pode ser causada por vários microrganismos como 
bactérias, vírus, fungos e parasitas. As meningites virais e bacterianas são 
contagiosas e de maior importância para a saúde pública.
IMPORTANTE
A barreira hematoencefálica (BHE) é formada por células endoteliais que reveste 
o plexo coroide alinhada com o epitélio dos capilares, que criam uma barreira entre o 
sangue circulante e o tecido nervoso, controlando o movimento da água e dos solutos 
para o fl uido cerebrospinal, bem como do fl uido para o tecido neural (VIEIRA; SOUSA, 
2013). Manter a integridade da barreira é essencial para proteger o sistema nervoso 
central de substâncias químicas e outras substâncias que circula na corrente sanguínea 
que poderiam afetar o tecido nervoso.
A produção do fl uido cerebrospinal, aproximadamente 70% ocorrem nos 
ventrículos laterais e no 3º e no 4º ventrículo conhecidos como plexo coroide, por uma 
combinação de processos de difusão, pinocitose e transporte ativo. Sendo os outros 
30%, formados pelo revestimento ependimal dos ventrículos e do espaço subaracnóideo 
cerebral (MUNDT; SHANAHAN, 2012; BARCELOS; AQUINO, 2018).
O fl uido passa dos ventrículos laterais ao terceiro ventrículo através dos 
forames intraventricular, o terceiro ventrículo fl ui pelo aqueduto cerebral para o quarto 
ventrículo. Do quarto ventrículo, parte do fl uido entra no canal central da medula espinal, 
no entanto, a maior parte do fl uido passa pelas aberturas do quarto ventrículo. Assim, 
por entre as aberturas medianas e laterais do IV ventrículo, o líquor formado alcança 
o espaço subaracnóideo e circula de baixo para cima. Na medula desce em direção 
caudal, apenas uma parte retorna, pois há reabsorção nos seios venosos durais por 
meio de granulações aracnoideas (DI LORENZO; STRASINGER, 2008).
O volume produzido, normalmente é de 90 a 150 mL em adultos e de 10 a 60 
mL em recém-nascidos, com taxa de produção em torno de 500 mL/dia ou 20 mL/hora 
(MUNDT; SHANAHAN, 2012). A Figura 2 ilustra a circulação do fl uido cerebrospinal ao 
redor do sistema nervoso central.
129
Como vimos no tópico anterior, os fluidos corporais são compostos basicamente 
por água. O líquor é composto por aproximadamente 99% de água com concentração 
aumentada de magnésio e íons clorídricos, e menor concentração de glicose, proteínas, 
aminoácidos, ácido úrico, cálcio, fosfato e íons de magnésio (DIMAS; PUCCIONI-SOHLER, 
2008). 
Dentre as funções que o fluido cerebrospinal desempenha, podemos citar a 
proteção mecânica que amortece o encéfalo e a medula espinhal contrachoques e 
pressão. Além da barreira mecânica, o fluido fornece também nutrientes essenciais ao 
sistema nervoso central, barreira de proteção contra agentes infecciosos e por meio 
dele é realizada excreção de produtos do metabolismo.
3 COLETA E MANIPULAÇÃO DO FLUIDO CEREBROSPINAL
A análise do fluido cerebrospinal é indicada para diagnóstico de doenças que 
afetam o SNC como meningites, doenças inflamatórias, processos desmeilinizantes, 
leucemias e linfomas (estadiamento e tratamento), esclerose múltipla, hemorragia 
subaracnóidea, tuberculose, neurosífilis, entre outras.
O fluido cerebrospinal pode ser obtido por diferentes vias de acesso como 
lombar, suboccipital e ventricular, sendo a mais utilizada à punção lombar no espaço 
intervertebral entre L3 e L4 (MUNDT; SHANAHAN, 2012; LEITE et al., 2016). A região é a 
mais indicada em virtude do menor risco de dano à medula espinal, uma vez que em 
adultos a medula não atinge essa região.
O procedimento só pode ser realizado pelo profissional médico habilitado. Antes 
da coleta o local é devidamente higienizado e aplicado um anestésico local (OLIVEIRA 
et al., 2016). Alguns questionamentos também são feitos ao paciente, como se ele 
faz uso de medicamentos – principalmente anticoagulantes. Não é necessário que o 
paciente esteja em jejum, mas ele deve ser orientado sobre os desconfortos e possíveis 
complicações após a coleta, assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 
(TCLE) e estar acompanhado.
Após a realização da anestesia, o médico posiciona a agulha na dura-máter 
com o paciente, geralmente na posição decúbito lateral,e realiza a medição da pressão 
intracraniana com aparelho raquimanômetro ligado à seringa. Assim, o fluido é coletado 
quando a pressão está normal. A pressão inicial e final deve ser medidas para análise 
laboratorial, pois várias doenças podem aumentar a pressão intracraniana.
 A pressão normal em adultos varia de 10 a 200 mmH2O, em bebês e crianças o 
intervalo normal é de 10 a 100 mmH2O (COMAR et al., 2009). Geralmente, são coletados 
no mínimo 3 mL em recém-nascidos, crianças 5 mL, adultos 10 mL e suspeito de BK 
13mL, o volume não pode exceder de 20 mL (POZZOBON, 2017). 
130
O fluido coletado é distribuído em três ou quatro tubos estéreis e sem 
anticoagulante, devidamente identificados na ordem em que são obtidos (DI LORENZO; 
STRASINGER, 2008). O tubo 1 é encaminhado à seção laboratorial de bioquímica, tubo 2 
à seção de microbiologia e o tubo 3 para contagem celular. Caso a amostra tenha sido 
coletada apenas em um frasco, deve ser encaminhada à seção de microbiologia e, em 
seguida, à seção de hematologia e, posteriormente, à seção de bioquímica e imunologia 
(DI LORENZO; STRASINGER, 2008).
4 ANÁLISE LABORATORIAL DO FLUIDO CEREBROSPINAL
Após a coleta, as amostras são encaminhadas ao laboratório para armazenamento, 
processamento e análise. A análise deve ser realizada preferencialmente em até duas 
horas após a coleta para evitar a degradação ou alterações morfológicas das células, 
diminuição da glicose e concentração de microrganismos (COMAR et al., 2009).
Como podemos perceber a análise do fluido cerebrospinal envolve diferentes 
setores laboratoriais. Diferentes estudos podem ser realizados, entre eles, podem ser 
realizadas análise macroscópica (física), análise microscópica de contagem global de 
células e contagem diferencial, análise bioquímica, testes imunológicos e moleculares 
e culturas microbiológicas. 
• ANÁLISE MACROSCÓPICA
Análise macroscópica compreende a observação do aspecto, cor, retículo 
fibrinoso, e formação de coágulo.
Aspecto: o aspecto diz respeito à transparência do fluido. A turvação 
começa a aparecer quando ocorre um aumento no número de células, presença de 
microrganismos, contraste radiográfico e nível proteico elevado (MUNDT; SHANAHAN, 
2012). Outra alteração é quando se apresenta hemorrágico, indicando hemorragia 
subaracnoidea ou punção traumática.
Podem ocorrer diferentes graus de turvação no líquor em decorrência da 
presença do número de células, recebendo a denominação de pleocitose. O aspecto 
pode ser descrito da seguinte forma: límpido (até 45 células), levemente turvo (de 46 até 
Acadêmico, assista ao vídeo educacional sobre a técnica, indicações, 
contraindicações e possíveis complicações da punção lombar, produzido 
pelo New England Journal of Medicine, traduzido para o português brasileiro. 
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ErNhuKfoYAU. Acesso 
em: 28 agosto de 2022
DICAS
https://www.youtube.com/watch?v=ErNhuKfoYAU
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300 células), turvo (de 301 a 6.000 células) e purulento (acima de 6.000 células). Com 
aspecto oleoso, pode ser decorrente da presença de contraste radiológico (POZZOBON, 
2017). Caso o aspecto esteja alterado, o fl uido deve ser centrifugado e o aspecto 
reavaliado, devendo ser informado no laudo o aspecto antes e após a centrifugação.
Pleocitose é o aumento do número de leucócitos em fl uidos corporais. Em 
líquor, está relacionado à vigência de um processo infl amatório do SNC. A 
quantidade de células ou o tipo celular predominante pode determinar o 
tempo de evolução da patologia e o agente ou grupo de agentes causais.
Xantocromia é considerada fi siológica no período neonatal em virtude da 
imaturidade da função hepática no processo de eliminação da bilirrubina.
NOTA
DICA
Cor: normalmente, o líquor é incolor, quando anormal pode apresentar diferentes 
cores em decorrência da presença de substâncias variadas. Quando a cor estiver entre 
rosa, amarelo ou laranja, a amostra é considerada xantocrômica e pode ocorrer pela 
hemólise das hemácias, pelas concentrações aumentadas de proteínas ou bilirrubina, 
enquanto eritrocrômico é proveniente das hemácias recém hemolisadas. 
Quando a espécime apresentar a coloração vermelha é indicativo de sangue, 
nesse caso deve ser realizado o diagnóstico diferencial entre punção traumática e a 
hemorragia. Além da prova de três tubos vista no Tópico 1, também podem ser realizadas 
as provas de centrifugação e sedimentação (BARCELOS; AQUINO, 2018). No caso de 
confi rmação de acidente de punção, é feita uma correção de células e proteínas totais 
do líquido usando uma fórmula específi ca.
• Prova de sedimentação: consiste em observar a cor do sobrenadante; caso esse seja 
límpido e incolor após centrifugação é decorrente da punção traumática; caso fi que 
na cor rosa é sugestivo de hemorragia.
• Prova de sedimentação: consiste em deixar o fl uido em repouso após a coleta, caso 
haja a formação de coágulo, trata-se de punção traumática.
Normalmente, o fl uido cerebrospinal não apresenta retículo, uma vez que 
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não contém trombina e nem fibrinogênio. Esse pode estar presente em algumas 
doenças, como meningite, abcessos encefálicos e poliomielite. A formação de coágulos 
pode ocorrer em caso de punção traumática, nas meningites bacterianas agudas e 
tuberculosas e neurossífilis.
• ANÁLISE CITOLÓGICA 
A análise citológica compreende a contagem global de células em 
hemocitômetro e a contagem diferencial de leucócitos. A análise citológica deve ser 
realizada preferencialmente em caráter de urgência após duas horas. Como já vimos, 
pode ocorrer à degradação ou alterações morfológicas das células.
Para a realização de contagem global de leucócitos e hemácias, o líquor deve 
ser homogeneizado e não pode ser diluído ou congelado. Contudo, em casos em que 
a amostra está muito rica em células, pode ser diluído em solução salina (COMAR et 
al. 2009). As contagens são realizadas em hemocitômetro, sendo o mais utilizado o 
hemocitômetro de Fuks-Rosenthal. O procedimento para contagem global de células 
varia de acordo com a celularidade da amostra, conforme mostrado na Tabela 3.
Tabela 3 – Procedimento de contagem celular em hemocitômetro de Fuchs Rosenthal
Celularidade Procedimento de contagem
Baixa Contar os 16 quadrados maiores e dividir por 3,2.
Intermediária Contar 4 quadrados maiores, multiplicar por 4 e dividir por 
3,2.
Alta Contar um quadrado maior, multiplicar por 16 e dividir por 
3,2.
Altíssima (sobreposição de 
células)
Fazer diluição com salina ou líquido de Türk (para leucócitos) 
e multiplicar o resultado pelo fator da diluição.
Alta quantidade de 
hemácias
Contar um quadrado menor, multiplicar por 256 e dividir 
por 3,2.
Fonte: Barcelos e Aquino (2018, p. 174)
A contagem diferencial de leucócitos é realizada quando a contagem global 
apresenta uma pleocitose. O sedimento obtido após centrifugação rotineiramente 
é preparado por citocentrifugação. Após a preparação da amostra, ela é corada por 
corante do tipo Wright e observada para detecção dos tipos celulares predominantes 
(MUNDT; SHANAHAN, 2012).
Normalmente deve haver o predomínio de linfócitos (70%), com presença de 
alguns monócitos (30%) e quase nenhum neutrófilo. Já eosinófilos e células ependimais 
raramente são observadas. Quando a pleocitose envolve a presença de neutrófilos, 
eosinófilos, linfócitos, monócitos ou macrófagos a contagem diferencial fornece 
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importantes informações sobre o tipo de microrganismo que está causando a meningite 
(DI LORENZO; STRASINGER, 2009). 
• Linfocitose: a pleocitose linfocítica apresenta nos estágios tardios da meningite viral, 
tuberculosa, fúngica e sifílica, esclerose múltipla e ocasionalmente em meningite 
bacteriana.
• Neutrofilia: indica meningite bacteriana e processos inflamatórios agudos da 
meningite e micótica, virótica e tuberculosa se transformando numa pleocitose num 
período de dois a três dias. Também é observada em casos de abscesso cerebral, 
empiema subdural, hemorragia do SNC e pós-convulsões.de distúrbios eletrolíticos sistêmicos de 
origem metabólica ou respiratório e na monitoração de tratamentos que necessitam de 
um pH urinário específico (SBPC, 2017). O pH da urina fornece informações valiosas sobre 
condições gerais de saúde e sobre a adequação da amostra. A correlação do pH da urina 
com a condição clínica do paciente auxilia no diagnóstico de doenças e na monitoração 
de pacientes com histórico de formação de cálculos renais (BRUNZEL, 2018). Por outro 
lado, o valor do pH urinário isoladamente não identifica nem exclui enfermidade renal.
A técnica de determinação do pH urinário baseada em tiras reativas é 
fundamentada no uso de um sistema indicador duplo, utilizando azul de bromotimol e 
vermelho de metila, que em combinação, produzem mudanças de cores de laranja (pH 
5,0) a verde (pH 7,0) e azul (pH 9,0) (BRUNZEL, 2018).
3.2 PROTEÍNAS 
Em condições normais, até 150 mg de proteína são excretadas diariamente pela 
urina, com uma concentração proteica urinária média de 2 a 10 mg/dL, dependendo do 
volume de urina. Estas proteínas se originam da ultrafiltração do plasma nos glomérulos 
renais e do próprio trato urinário, sendo em sua maioria proteínas de baixo peso molecular, 
que tem a capacidade de passar pela barreira de filtração glomerular e serem reabsorvidas 
(MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Cerca de um terço do total das proteínas excretadas, corresponde à albumina, e 
o restante às pequenas globulinas. Em menor proporção pode haver uma glicoproteína 
(Tamm-Horsfall) de alto peso molecular, secretada pelas células dos túbulos distais e da 
alça de Henle ascendente, e que representa a maior constituinte dos cilindros hialinos 
(RIELLA et al., 2018).
 
A presença de uma quantidade aumentada de proteína na urina, chama-se 
proteinúria, e pode ser o primeiro indicador de doença renal. Entretanto, é importante 
ressaltar que a demonstração de proteinúria nem sempre significa doença renal, portanto, 
exames adicionais são necessários para determinar se a condição é normal ou patológica 
(STRASINGER; LORENZO, 2009).
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A proteinúria é resultado do aumento na quantidade de proteínas plasmáticas 
filtradas ou da redução da capacidade de reabsorção dos túbulos renais, podendo ser 
diferenciada pela origem proteica e da disfunção renal, que determinam os tipos de 
proteínas excretados de forma aumentada na urina (BRUNZEL, 2018).
A proteinúria postural ou ortostática ocorre devido à pressão sobre a veia renal, 
apenas quando o indivíduo permanece em posição ereta por longo período, desaparecendo 
durante o período de sono (STRASINGER; LORENZO, 2009).
A proteinúria funcional é associada à febre alta, desidratação, exposição ao calor 
ou ao frio intensos e exercícios físicos vigorosos. Uma proteinúria transitória também pode 
ocorrer durante a gravidez, e nos últimos meses da gestação pode indicar pré-eclâmpsia, 
devendo ser analisada em conjunto com demais sintomas (MCPHERSON; BEN-EZRA; 
ZHAO, 2012).
A proteinúria pré-renal não é indicativa de doença renal, pois é causada pelo 
aumento de proteínas plasmáticas associadas à infecção, inflamação, lesão muscular, que 
excedem a capacidade de absorção dos túbulos renais. Pacientes com mieloma múltiplo 
– uma desordem proliferativa de células produtoras de imunoglobulinas – apresentam o 
aumento da excreção de uma proteína específica, a proteína de Bence-Jones, que possui 
baixo peso molecular e corresponde a cadeia leve livre de imunoglobulinas (MCPHERSON; 
BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
A proteinúria renal geralmente se dá pelo real dano glomerular ou tubular. No 
primeiro caso, a membrana glomerular danificada perde a seletividade na filtração e leva 
ao aumento das proteínas séricas na urina, ocorrendo na exposição a substâncias tóxicas, 
lúpus eritematoso e glomerulonefrite estreptocócica. Quando a reabsorção tubular é 
afetada, a albumina e outras proteínas de baixo peso molecular não são reabsorvidas 
da forma que deveriam e por isso são excretadas em excesso. Tal disfunção ocorre 
após exposição a substâncias tóxicas, infecções virais e síndrome de Fanconi. Já a 
microalbuminúria, refere-se à excreção de pequena quantidade de albumina, e é um 
indicador precoce de disfunção renal, principalmente associada à nefropatia diabética e 
doença cardiovascular (SBPC, 2017).
Veja mais sobre o papel do exame de urina na avaliação da 
microalbuminúria na Leitura Complementar, indicada ao final do Tópico 3.
ESTUDOS FUTUROS
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A proteinúria pós-renal é resultado do extravasamento de proteínas no trato 
urinário inferior, em decorrência de eventos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos 
(STRASINGER; LORENZO, 2009).
Em relação às metodologias utilizadas, a tira reativa é sensível apenas à 
albumina. Os métodos que utilizam precipitação ácida detectam também a presença de 
imunoglobulinas, por isso são muito úteis em situações específicas, em que é preciso 
dosar as proteínas urinárias, especialmente na urina de 24 horas, onde se pode obter 
informações mais completas para o diagnóstico de doença renal e o acompanhamento 
da resposta ao tratamento (SBPC, 2017). 
Você já ouvir falar em Síndrome de Fanconi? Conhece alguém portador 
desta Síndrome? Não?! Então vamos conhecer maiores detalhes sobre 
ela.
A Síndrome de Fanconi é um distúrbio raro dos túbulos renais que 
resulta na diminuição da reabsorção, que resulta na eliminação em 
excesso de glicose, bicarbonato, fosfatos, ácido úrico, potássio e 
aminoácidos na urina. Essa síndrome pode ser hereditária ou ocorrer 
devido à ingestão de drogas ou metais pesados. Os pacientes acometidos 
podem ter desidratação, raquitismo e desenvolvimento limitado. O 
diagnóstico envolve além dos sinais clínicos, a detecção de níveis elevados 
de glicose, fosfatos e aminoácidos na urina, enquanto a glicose sanguínea 
permanece em níveis normais (HECHANOVA, 2020).
INTERESSANTE
3.3 GLICOSE
Os açúcares normalmente não são excretados na urina, entretanto vários deles 
podem ser detectados nestas amostras em circunstâncias patológicas ou fisiológicas, 
sendo a glicose o tipo mais comum.
Quando os níveis de glicose no sangue excedem a capacidade de reabsorção 
dos túbulos renais (160 a 180 mg/dL), ela é eliminada na urina, situação denominada 
glicosúria. O fluxo sanguíneo glomerular, a taxa de reabsorção tubular e o fluxo urinário 
também influenciam no seu aparecimento (RIELLA et al., 2018).
A glicosúria associada à hiperglicemia pode ser observada na Diabetes mellitus, 
em distúrbios endócrinos, envolvendo as glândulas pituitária e suprarrenal, tumores 
pancreáticos, distúrbios afetando o sistema nervoso central, distúrbios metabólicos 
associados a queimaduras, infecções, infarto do miocárdio, doença hepática, doenças do 
armazenamento de glicogênio, obesidade e alimentação após o jejum. Na gravidez, há um 
aumento da taxa de filtração glomerular, e toda a glicose filtrada pode não ser reabsorvida. 
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Nessa situação, a glicosúria pode aparecer diante de níveis sanguíneos de glicose 
relativamente baixos. É preciso investigar a glicosúria persistente ou as concentrações 
urinárias de glicose maiores do que apenas traços. A glicosúria sem hiperglicemia 
usualmente está associada à disfunção tubular renal (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 
2012).
Como teste de triagem para diabetes, a pesquisa de glicosúria em jejum tem uma 
especificidade de 98%, mas uma sensibilidade apenas de 17% (RIELLA et al., 2018). Portanto, 
quando um paciente tem glicosúria, a avaliação do sangue e da urina é necessária para 
identificar o processo específico da doença.
A maior parte das tiras reativas usa o método glicose oxidase/peroxidase, que 
consegue detectar níveis baixos de glicose urinária (50 mg/dL). A enzima glicose oxidase 
impregnada na almofada de reação catalisa rapidamente a oxidação da glicose presente 
na urina para formar peróxido de hidrogênio e ácido glucônico. O peróxido de hidrogênio 
oxida o cromogênio na almofada na presença de peroxidase. Grandes quantidades de 
corpos cetônicos, ácido ascórbico• Eosinofilia: em qualquer quantidade são indicativos de presença de parasitas e 
fungos no SNC, reação alérgica e drogas.
• ANÁLISE BIOQUÍMICA 
Na análise bioquímica, geralmente são realizadas as dosagens de proteínas, 
lactato desidrogenase (LDH), creatinoquinase (CK), cloreto, glicose, lactato, 
imunoglobulinas e eletroforese. Como já vimos o líquor é formado pela filtração do 
plasma, porém o processo de filtração é seletivo, ou seja, sua composição química é 
controlada pela barreira hematoencefálica, sendo assim, os valores normais do plasma 
não são os mesmos do líquor. 
Proteínas: as proteínas de baixo peso molecular podem ter origem da síntese 
intratecal, em sua maioria são originadas por ultrafiltração do plasma pelas paredes 
capilares nas meninges e plexos coroides (MUNDT; SHANAHAN, 2012). Os valores 
normais de proteínas totais variam no fluido de 15 até 45 mg/dL. Entretanto, variam com 
a idade e sítio de coleta, em recém-nascidos e adultos acima de 40 anos apresentam 
concentrações mais elevadas, bem como coletados na punção lombar. 
Valores abaixo do normal estão relacionados à perda de fluido no SNC, enquanto 
a elevação denominada de hiperproteinorraquia é observada em várias doenças como 
danos a barreira hematoencefálica, meningites bacteriana e virótica, hemorragia, 
esclerose múltipla, lesão traumática, encefalite, poliomielite, tumor cerebral, meningite 
tuberculosa, abcesso cerebral e medicamentos (DI LORENZO; STRASING, 2009). 
Diversos métodos são usados na determinação de proteínas totais frequentemente são 
usados a turbedimentria, imunoturbidimetria e método de biureto.
 Uma das proteínas específicas avaliadas no líquor é a albumina, derivada da 
filtração da barreira hematoencefálica, uma vez que o SNC não sintetiza albumina. Os 
métodos utilizados para a dosagem da albumina no líquor é a nefelometria (considerado 
padrão ouro) e a turbidimetria. Os valores de concentração da albumina variam entre 10 
e 30 mg/dL (BARCELOS; AQUINO, 2018).
A avaliação da integridade da barreira hematoencefálica é principalmente 
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avaliada dosando a proporção albumina líquor/sérica ou um índice albumina líquor/
sérica. De acordo com Mundt e Shanahan (2012), a proporção normal de albumina 
líquor/sérica é aproximadamente de 1:230. Em condições normais, o índice albumina 
líquor/sérica é menor que 9. Índice entre 9 e 14 indica comprometimento leve; 15 a 30 
comprometimento moderado; superior a 30 indica comprometimento grave e superior a 
100 indica perda total da barreira hematoencefálica.
Fatores como peso corporal, cigarro, consumo de álcool e hipotireoidismo 
influenciam no quociente de concentração de albumina. Também em 
neonatos esses quocientes podem ser mais elevados do que em adultos 
em decorrência da imaturidade da barreira hematoencefálica.
NOTA
Glicose: a concentração de glicose no fluido cerebrospinal é proporcional à 
concentração de glicose no sangue correspondendo a 60-70% da concentração do 
sangue em condições normais. A variação normal de glicose no LCR corresponde de 
50 a 80 mg/dL com uma proporção normal entre a glicose do fluido e glicose do soro 
de 0,6.
Os níveis de glicose são importantes para diferenciar a meningite bacteriana 
e viral. A diminuição acentuada e com elevado número de glóbulos brancos e 
acompanhados de uma neutrofilia são indicativos de meningite bacteriana, entretanto se 
o aumento for de linfócitos ao invés de neutrófilos é sugestivo de meningite tuberculosa 
(DI LORENZO; STRASINGER, 2008). 
Nas meningites virais a diminuição pode ocorrer de forma discreta ou até 
mesmo apresentar normal acompanhado de uma linfocitose. A diminuição dos níveis de 
glicose no líquor, denominado de hipoglicorraquia pode ser decorrente principalmente 
de alterações nos mecanismos de transporte da glicose através da barreira 
hematoencefálica e infecções no SNC, tanto os leucócitos como os microrganismos 
consomem glicose (BARCELOS; AQUINO, 2018). A análise da glicose no líquor e no 
sangue geralmente é realizada por métodos enzimáticos calorimétricos.
Lactato: as concentrações de lactato no fluido cerebrospinal estão entre 10 
e 20 mg/dL (1,1 a 2,2 mmol/L). Diferentemente da glicose, seu nível é independente 
dos níveis plasmáticos, pois há produção intratecal. Níveis aumentados de lactato são 
encontrados na hipóxia associada à meningite bacteriana, infarto cerebral, arteriosclerose 
cerebral, hemorragia intracraniana, hidrocefalia, lesão cerebral traumática e edema 
cerebral (MUNDT; SHANAHAN, 2012). Os níveis de lacto no líquor são fundamentais na 
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diferenciação da meningite viral, que dificilmente eleva o lactato além de 30 mg/dL. Em 
outras formas de meningite (bacteriana, fúngica e tuberculosa), geralmente, o lactato é 
superior a 35 mg/dL. 
Cloreto: os valores normais de cloreto no líquor são entre 118 e 132 mEq/L 
em adultos. Os níveis diminuídos, denominados de hipoclorraquia são encontrados 
principalmente nas meningites tuberculosa e bacteriana e na criptococose. Os níveis 
elevados são encontrados nas nefrites, insuficiência renal e desidratação. O nível de 
cloreto não tem muita importância clínica na análise de líquor, pois sempre que há 
alteração nos níveis séricos também haverá alteração nos níveis no LCR.
Eletroforese de proteínas: a eletroforese de proteínas do fluido cerebrospinal 
permite avaliar os teores das diferentes frações proteicas. As bandas de proteínas 
no fluido são similares às encontradas na eletroforese dos níveis séricos, mas em 
quantidades e proporções diferentes.
Estão presentes a transtiretina (pré-albumina) e a albumina, sendo que a 
quantidade de beta é quase o dobro do presente no soro e a quantidade de gama 
corresponde praticamente à metade do presente no soro. Também estão presentes 
outras bandas de proteínas no líquor, como a transferrina e a alfa1-antitripsina em 
pequenas quantidades (MUNDT; SHANAHAN, 2012). A análise eletroforética das 
proteínas do líquor é utilizada primariamente para detecção de bandas oligloconais na 
região gama, indicando a produção de imunoglobulinas.
 A presença de duas ou mais bandas oligloconais que não estejam no soro são 
fundamentais no diagnóstico de esclerose múltipla, principalmente acompanhado por 
aumento do índice de IgG. Outas doenças neurológicas, como neurossífilis, encefalite 
e Síndrome de Guillain-Barré, podem produzir bandeamento e estar com soro ausente. 
• ANÁLISE MICROBIOLÓGICA 
Amostra do líquor encaminhada para análise microbiológica deve ser mantida 
em temperatura ambiente, ou seja, não podem ser esfriadas e congeladas, a diminuição 
da temperatura acarreta a diminuição da positividade da cultura especialmente para 
as bactérias mais comuns nas infecções das meninges. A amostra após a coleta 
deve ser enviada imediatamente ao laboratório e o processamento deve ser realizado 
urgentemente para evitar a contaminação da amostra. Seu processamento se inicia 
com a centrifugação em 1.500 x g por 15 minutos para preparação de lâminas e cultura.
A análise microbiológica do fluido cerebrospinal compreende à bacterioscopia 
e cultura para identificação do agente etiológico causador das meningites. A coloração 
Gram é a principal coloração utilizada para análise microbiológica microscópica do fluido 
cerebrospinal. Sendo possível a identificação de bactérias Gram-negativas e Gram-positivas, 
além de corar todos os fungos como Gram-positivos (BARCELOS; AQUINO, 2018).
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A bacterioscopia pela coloração de Gram é realizada como pesquisa obrigatória 
quando na citologia diferencial houver predomínio de neutrófilo ou quando a contagem 
global for superior a 5 células/mm³. De acordo com Barcelos e Aquino (2018), em casos 
de suspeita de meningite fúngica observadas durante a coloração Gram, é importante 
realizar colorações específicas como a Tinta da China ou nigrosina. Caso exista a suspeita 
de neurotuberculose, deve ser realizada uma pesquisa de BAAR (bacilos álcool-ácido 
resistentes) pela coloração de Ziehl-Neelsen.
A cultura bacteriológicaé considerada padrão ouro na identificação de bactérias 
e testes de sensibilidade aos antibióticos. Deve, então, ser feita em meios de cultura 
específicos após resultado da bacterioscopia como o ágar-sangue, tioglicolato e ágar 
chocolate. Os tipos de bactérias frequentemente encontradas em meningites bacterianas 
incluem Haemophilus influenzae (um mês a cinco anos), Neisseria meningitidis (cinco 
a 29 anos), Streptococcus pneumoniae (29 anos acima), (BARCELOS; AQUINO, 2018). 
As meningites podem ser causadas menos frequentemente por estafilococos, outros 
estreptococos, Listeria monocytogenes, M. tuberculosis, C. neoformans, leptospiras, 
amebas e parasitas (MUNDT; SHANAHAN, 2012).
• TESTES IMUNOLÓGICOS 
Os testes imunológicos do fluido cerebrospinal não são realizados rotineiramente 
nos laboratórios, contudo, alguns podem ser requisitados pelo médico para o diagnóstico 
de algumas doenças do SNC. São testes rápidos para detecção de agentes etiológicos 
causadores das meningites, sua sensibilidade e especificidade variam de acordo com 
os ensaios. 
Os exames imunológicos do líquor são indicados em casos de suspeitas de 
meningites bacterianas agudas, também para a investigação de sífilis, Criptococcus 
ssp., cisticercose e toxoplasmose, entre outros. O exame VDRL, do inglês venereal 
disease research laboratory é utilizado no diagnóstico de neurossífilis, um tipo de 
sífilis que infecta a medula espinal e o cérebro. Embora o resultado positivo para VDRL 
confirme o diagnóstico de neurossífilis, podem ocorrer resultados falso-positivos e 
falso-negativos em decorrência da alta sensibilidade e baixa especificidade do teste. 
Em caso de suspeita de cisticercose, é realizada a técnica de imunofluorescência 
indireta para pré-diagnóstico, caso seja confirmado será realizado o ensaio enzimático 
de imunoabsorbância (ELISA) para a pesquisa de anticorpos IgG contra o Cysticercus 
cellulosae (LEITE et al., 2016).
Existem diversos testes imunológicos para o diagnóstico de microrganismo no 
líquor, entre eles incluem métodos contraimunoeletroforese, aglutinação de látex, VDRL, 
teste com anticorpos treponêmico fluorescente e radioimunoensaio. Estes métodos 
têm sido utilizados em unidades de emergência, mas não substituem a colorações 
microbiológicas e as culturas em virtude da possibilidade de resultados falso-negativos 
ou falso-positivos.
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Acadêmico, vimos que a análise do líquor é indispensável no 
diagnóstico das meningites, sendo assim, vamos conhecer os 
resultados laboratoriais para diferenciação das meningites.
Meningite bacteriana: elevada concentração de leucócitos com 
neutrófilos aumentados, elevação das proteínas, diminuição de glicose, 
nível de lactato superior a 35 mg/dL, bacterioscópico e testes antigênicos 
positivos.
Meningite viral: elevada concentração de leucócitos com linfócitos 
elevados, proteínas moderadamente aumentadas, nível de glicose e 
lactato normal.
Meningite tuberculosa: elevada concentração de leucócitos com 
linfócitos e monócitos presentes, moderada a acentuada elevação de 
proteínas, nível de glicose diminuído e nível de lactato superior a 25 mg/
dl e formação de película.
Meningite fúngica: elevada concentração de leucócitos com linfócitos 
e monócitos presentes, moderada a acentuada elevação de proteínas, 
glicose normal a diminuída, nível de lactato superior a 25 mg/dL, positivo 
para Cryptococcus neofarmans com Tinta da China e testes imunológicos 
(DI LORENZO; STRASINGER, 2008).
IMPORTANTE
5 LÍQUIDO SINOVIAL 
O líquido sinovial é ultrafiltrado plasmático e viscoso encontrado nas cavidades 
das articulações móveis ou diartroses, conferindo a conexão entre uma extremidade 
óssea e outra, permitindo-lhe movimento, e são compostos de cartilagem que revestem 
as extremidades ósseas, ligamentos, líquido sinovial e cápsula articular, conforme 
ilustrado na Figura 3. 
Praticamente, todas as articulações do corpo humano são revestidas por uma 
membrana sinovial, que produz o líquido sinovial, contendo mucina e ácido hialurônico, 
a estrutura química do ácido hialurônico contribui para a viscosidade do líquido com 
função primordial de lubrificação, nutrição, auxiliando no suporte mecânico e na 
absorção de impacto da cavidade articular. 
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Figura 3 – Esquematização de articulação sinovial 
Fonte: Di Lorenzo e Strasinger (2008, p. 232)
Os rompimentos das membranas sinoviais provocam dor e rigidez nas 
articulações, causando a artrite. Atualmente, o estudo do fluido sinovial é um recurso 
bastante útil que permite o estabelecimento de diagnóstico de artropatias associadas a 
cristais, ajuda no diagnóstico de artrite séptica e ajuda a estabelecer outros diagnósticos 
reumatológicos como monoartrite ou derrame articular, extrapolando o mero efeito 
descompressivo da retirada de líquido da articulação.
6 COLETA E MANIPULAÇÃO DO LÍQUIDO SINOVIAL
A quantidade de líquido sinovial presente na cavidade articular varia com o 
tamanho da articulação e em condições patológicas pode aumentar a quantidade do fluido. 
Na cavidade articular do joelho adulto, o volume normal presente é inferior à 3,5 mL, mas 
em condições anormais pode aumentar em até 25 mL (DI LORENZO; STRASINGER, 2008). 
O volume é coletado através de procedimento médico, por punção aspirativa 
chamado de artrocentese. Antes da coleta o sítio de coleta é higienizado e administrado 
analgésico local, uma agulha de calibre adequado é acoplada a uma seringa 
preferencialmente heparinizada, pois o fluido patológico pode conter fibrinogênio e 
coagular. A maior parte do fluido é obtida da articulação do joelho, das mais atingidas 
pelas artrites e, também, das mais fáceis de aspirar, como o ombro, o cotovelo e o punho.
Após a coleta, o fluido é fracionado em tubos de acordo os testes a 
serem realizados. Para a análise microbiológica, são colocadas alíquotas em tubo 
estéril heparinizado, para o setor de citologia um tubo heparinizado ou com ácido 
etilenodiamino-tetracético (EDTA) para evitar a formação de coágulos e preservar as 
estruturas morfológicas das células, já os tubos destinados aos setores de bioquímico e 
imunológico não requerem tubos com anticoagulantes (BARCELOS; AQUINO, 2018). Em 
alguns casos, são obtidos pequena quantidade do fluido, neste caso é fundamental que 
seja obedecida à sequência de setores do laboratório, sendo o primeiro enviado ao setor 
de microbiologia para evitar a contaminação da amostra, posterior o setor de citologia e, 
por último os setores de bioquímica e imunologia. 
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Vale ressaltar que o procedimento de coleta e envio ao laboratório para testes 
em seringa heparinizada ou tubos contendo anticoagulante dependem do volume do 
fluido obtido e da padronização do laboratório. Idealmente as amostras devem ser 
encaminhadas ao laboratório o mais breve possível para que os testes e as análises 
possam acontecer em no máximo uma hora após a realização da artrocentese, ao 
decorrer desse tempo os prejuízos às estruturas morfológicas das células, alterações 
bioquímicas e os riscos de contaminação por microrganismos são significativos. Caso 
não seja possível realizar a análise dentro desse tempo estipulado, a amostra deve ser 
refrigerada em temperatura entre 2 °C e 8 °C.
Por fim, a artrocentese é considerada um procedimento simples, mas podem 
ocorrer alguns riscos, entre eles a introdução de infecção na pele, tecido subcutâneo 
ou intra-articular, reações alérgicas à povidona (solução antisséptica) e anestésicos e 
desconforto para o paciente durante o procedimento.
7 ANÁLISE LABORATORIAL DO LÍQUIDO SINOVIAL
O exame do líquido sinovial está entre os mais importantes exames para 
complementar a avaliação de pacientes com patologias na cavidade articular, fornecendo 
um diagnóstico específico e orientando o tratamento adequado. A análise laboratorial 
do líquido sinovial permite determinar a presença de artrite, bem como classificar os 
distúrbios articulares em cinco grupos, numerados de I a V, conforme mostrado na 
Tabela 4. 
Tabela 4 – Classificaçãodos grupos de artropatias
Grupo Artropatias
Grupo I - Não inflamatório
Osteoartrite
Artrite traumática
Acromegalia
Grupo II - Inflamatório
Artrite reumatoide
Lúpus eritematoso sistêmico
Febre reumática
Artrite psoríase
Síndrome Reiter
Colite ulcerativa
Grupo III - Séptica/infeccioso Artrite séptica (bactérias, fungos, 
Micobacterium, vírus...).
Grupo IV - Induzido por cristais Pseudogota (condrocalcinose)
Grupo V - Hemorrágico Artrite traumática
Distúrbios de coagulação (hemofilia)
Hemangioma
Fonte: Barcelos e Aquino (2018, p. 214)
140
Os exames laboratoriais comumente realizados do líquido sinovial são a análise 
macroscópica, a celularidade, contagem diferencial de leucócitos, coloração Gram, 
cultura em caso suspeito de infecção e exame microscópico a fresco do líquido sinovial 
para identificar células e cristais. No entanto, os exames exatos frequentemente 
dependem da suspeita diagnóstica.
• ANÁLISE MACROSCÓPICA DO LÍQUIDO SINOVIAL
A análise física do líquido sinovial compreende a observação do volume, cor, 
aspecto, viscosidade e coagulação.
Volume: como dito anteriormente, o volume do líquido sinovial depende do 
tamanho da articulação, por exemplo, no joelho, é inferior a 3,5 ml, sendo que um 
volume superior é indicativo de derrame articular. Deve-se, portanto, registar o volume 
de líquido aspirado durante a artrocentese.
Cor e aspecto: normalmente, o líquido sinovial é incolor e amarelo pálido, 
mas em condições patológicas pode apresentar outros aspectos estabelecendo uma 
relação direta com a etiologia do derrame. Líquidos amarelos e límpidos são comuns em 
artropatias não inflamatórias (grupo I), já os líquidos de processos inflamatórios (grupo 
II) apresentam uma grande quantidade de leucócitos com tonalidade acinzentados/
turvos. Quando o líquido é de origem séptica (grupo III) a amostra é purulenta e bastante 
turva, enquanto os líquidos sinoviais leitosos são sugestivos de cristais (grupo IV) e 
líquidos sanguinolentos ou xantocrômicos (grupo V) são típicos de hemorragia articular 
(MUNDT; SHANAHAN, 2012; BARCELOS; AQUINO, 2018). A presença de sangue no líquido 
sinovial, assim como no líquido cerebrospinal, deve ser realizada a diferenciação entre 
hemorragia articular e punção traumática pela prova de três tubos, centrifugação ou 
sedimentação.
Viscosidade: a viscosidade do líquido é avaliada ao observar a sua consistência 
Além da análise da cor e aspecto do LS, pode conter diferentes inclusões, 
como os chamados corpos de arroz decorrentes da degradação da 
membrana sinovial, observados na artrite reumatoide e, também, pode 
ser observada partículas pigmentadas, que se assemelham à pimenta 
moída, que são fragmentos de próteses articulares metálicas ou plásticas 
(BARCELOS; AQUINO, 2018).
NOTA
141
na passagem da seringa para os tubos de vidro. A viscosidade do LS é decorrente da 
polimerização do ácido hialurônico fundamental na lubrificação das articulações. 
Existem diferentes métodos para medir a viscosidade do líquido sinovial, sendo o mais 
comum a realização de teste fio, que observa a capacidade do LS formar um filamento 
a partir da abertura da seringa, normalmente formará um filamento de entre 3 e 5 cm 
de comprimento (MUNDT; SHANAHAN, 2012). A diminuição da viscosidade indica a 
presença de artropatias inflamatórias. 
Coagulação: normalmente, o LS não coagula, porém quando ocorre um 
processo patológico pode conter alta quantidade de fibrinogênio e fatores proteicos de 
coagulação, podendo assim formar pequenos coágulos. O teste de coágulo de mucina, 
também chamado de teste de Ropes é usado para avaliar a integridade do complexo 
ácido hialurônico-proteína (mucina). O teste reflete a polimerização do hialuronato pela 
precipitação do sal proteico, após a adição de ácido cético a 2%. De acordo com Barcelos e 
Aquino (2018), a qualidade do coágulo é avaliada depois de 2 horas da seguinte maneira: 
· Boa: forma um coágulo consistente e viscoso, considerado normal. 
· Fraco: quando forma um coágulo macio e o sobrenadante ligeiramente turvo.
· Pobre: coágulo pequeno e turvo.
· Muito pobre: manchas de precipitado e sobrenadante turvo.
• ANÁLISES BIOQUÍMICAS 
Como o líquido sinovial é um ultrafiltrado plasmático, os valores das 
concentrações bioquímicas são semelhantes aos valores encontrados no soro. Os 
testes mais solicitados nas análises de LS são glicose, proteínas, ácido úrico e lactato. 
As determinações bioquímicas no LS têm pouca importância no diagnóstico da maioria 
das artropatias, pois não fornecem informações além das obtidas em outros exames 
realizados.
Glicose: os níveis de glicose normal no LS são 10 mg/dL inferiores aos níveis 
séricos. A concentração deve ser sempre comparada com a glicemia preferencialmente 
após jejum de oito horas para permitir o equilíbrio entre os dois fluidos. Valores diminuídos 
são indicativos de processos inflamatórios (grupo II) com redução entre 0 e 20 mg/dL 
no líquido sinovial ou séptico (III) com níveis de redução superior entre 20 e 100 mg/dL 
no líquido sinovial (BARCELOS; AQUINO, 2018).
Proteínas: os grandes moléculas de proteínas não são filtradas pela membrana 
sinovial que incluem fibrinogênio, beta 2 macroglobulinas e alfa 2 macroglobulinas. 
A concentração normal é entre 1 e 3 g/dL, valores aumentados são encontrados em 
processos inflamatórios como espondilite anquilosante, artrite, gota, psoríase, síndrome 
de Reiter, e doença de Crohn (BARCELOS; AQUINO, 2018). 
142
Ácido úrico: normalmente, o ácido úrico no líquido sinovial varia de 6 a 8 mg/
dL. A dosagem de ácido úrico é essencial em casos suspeitos de gota em que a pesquisa 
de cristais de ácido úrico no líquido sinovial tenha sido negativa, desta forma, quando 
a dosagem de ácido úrico é mais elevada no líquido sinovial do que no soro é indicativo 
de gota. Os valores aumentados no LS podem levar a formação de cristais de urato de 
monossódico (UMS), resultando em processo inflamatório agudo e doloroso (MUNDT; 
SHANAHAN, 2012).
Vários cristais podem ser encontrados no líquido sinovial, sendo os mais comuns 
o urato monossódico (UMS) e pirofosfato de cálcio (PFC). Podem ser encontrados 
intracelularmente (dentro dos neutrófilos) ou livres no líquido articular. Os cristais de 
urato de monossódico são encontrados em caso de artrite de gota, já os pirofosfatos 
de cálcio são encontrados principalmente dentro de leucócitos e macrófagos na 
pseudogota.
 A gota é causada pela hiperuricemia entre as causas observadas nos pacientes 
com gota, está à ingestão dietética de purinas, álcool e frutose, além de tratamento 
quimioterápico de leucemias e diminuição na excreção renal de ácido úrico (PINHEIRO, 
2008). A pseudogota está associada à artrite degenerativa, resultando na calcificação 
da cartilagem e distúrbios, causando o aumento dos níveis séricos de cálcio.
 Para a realização de pesquisa de cristais no líquido sinovial é colocada uma 
gota do líquido a fresco sobre uma lâmina e coberta com uma lamínula, em primeiro 
momento a lâmina pode ser examinada em pequeno e grande aumento no microscópio 
óptico regular. Além do exame de preparação a fresco, também pode ser usada à luz 
polarizada e luz polarizada compensada para identificação dos cristais. Os cristais UMS 
normalmente são vistos em formato pontiagudos, enquanto os cristais PFC são vistos 
em formato rômbico ou quadrado.
Lactato: a medição do lactato no líquido sinovial pode ser útil no diagnóstico 
de artrite séptica. O nível normal no LS é inferior a 25 mg/dL, enquanto na artrite séptica 
pode ser superior a 1.000 mg/dL. 
• CONTAGEM CELULAR
A contagem global de células do líquido sinovial, assim como no líquido 
cerebrospinal, é realizada manualmente no hemocitômetro de Neubauer ou Fuchs-
Rosenthal. Quando houver um elevado número de células no líquido poderá ser utilizada 
a diluição utilizando uma solução salina. No caso do grande número de glóbulos 
vermelhos, poderá ser usada uma solução salina hipotônica ou um ácido fraco. 
A contagem diferencialde leucócitos deve ser realizada preferencialmente 
em citocentrifugação. Tanto a contagem global como a diferencial são de grande 
importância na análise do líquido sinovial para a distinção entre um líquido séptico, 
143
inflamatório e não inflamatório. A contagem de leucócitos inferior a 150 células/µL é 
considerada normal, sendo sua distribuição média em torno de 10% neutrófilos, 25% 
de linfócitos, 50 de monócitos, 10% de macrófagos e 5% de células de revestimento 
sinovial (BARCELOS; AQUINO, 2018). Alguns pesquisadores consideram a contagem 
normalmente até 200 células/µL.
Em casos de infecções graves a contagem global pode chegar a 100.000 células/
µL. No início de uma artrite séptica, o número de leucócitos pode se apresentar normal 
ou discretamente aumentado, podendo ser relacionado a uma artropatia inflamatória 
não infecciosa, com isso a infiltração de leucócitos é relacionada não apenas a etiologia 
do processo, mas também ao tempo de exposição ao agente. 
De acordo com a classificação do líquido sinovial, valores de leucócitos entre 200 
e 3.000 mm3 com aumento de monócitos e linfócitos são indicativos de patologias não 
inflamatórias (grupo I); contagem de leucócitos entre 3.000 a 7.500 mm3 com valores 
elevados de neutrófilos são indicativos de artropatias inflamatórias (grupo II); entre 
50.000 e 200.000 com neutrófilos acima de 90% são encontrados nas artrites sépticas 
(grupo III) e; no grupo IV (induzidas por cristais) pode variar entre 500 a 200.000 mm3 
(BARCELOS; AQUINO, 2018).
 Vale destacar que tanto a quantidade como a relação diferencial de leucócitos 
não são específicos a um determinado grupo de classificação de artropatias, ou seja, 
pode apresentar relação com um ou mais grupos. Durante a interpretação devem ser 
levados em consideração alguns aspectos, como a característica do agente etiológico, 
tempo de exposição ao agente, tempo de mobilização celular e característica de 
integridade do paciente para estabelecer a correta identificação e tratamento adequado 
da patologia articular.
• ANÁLISE MICROBIOLÓGICA 
Assim como no líquido cerebrospinal, a análise microbiológica ajuda a 
diagnosticar várias patologias provocadas por agentes infecciosos como bactérias, 
Mycobacterium, vírus e fungos, sendo as bactérias mais comuns. Esses microrganismos 
penetram na cavidade articular através da corrente sanguínea, decorrente de infecções 
como pneumonia, meningite e septicemia, além disso, podem ser introduzidos durante 
a artrocospia e cirurgias articulares prostéticas. A identificação de microrganismo no 
líquido sinovial é realizada pela coloração por Gram e Ziehl-Neelse e cultura em meios 
enriquecidos como ágar sangue e ágar chocolate. Os microrganismos mais comuns no 
LS são Staphylococcus e Streptococcus. Em sepse articular 50% dos casos são positivos 
em colorações por Gram.
144
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• O líquido cerebrospinal é um ultrafiltrado plasmático produzido em maior quantidade 
pelos plexos coroides, que circula o cérebro e a medula espinhal através do espaço 
subaracnóideo, ventrículos cerebrais e o canal central da medula com função de 
proteção mecânica do sistema nervoso central, defesa contra agentes infecciosos 
do SNC e fornecimento de nutrientes ao cérebro. O volume de líquor normalmente é 
de 90 a 150 mL em adultos.
• A coleta para análise laboratorial geralmente é realizada por punção lombar, são 
coletados entre 10 e 20 mL em três tubos numerados na ordem em que são obtidos. Os 
testes realizados no líquor incluem avaliação física, testes bioquímicos e imunológicos, 
celulariadade e contagem diferencial de leucócitos e culturas biológicas. Com a 
análise do líquor são obtidas informações relevantes para o diagnóstico de diversas 
doenças que afetam o SNC como meningites e hemorragias. 
• Já o líquido sinovial, também é um ultrafiltrado plasmático viscoso encontrado nas 
cavidades das articulações móveis. A membrana sinovial produz o líquido sinovial 
contendo ácido hialurônico, que contribui para a viscosidade do líquido com 
função de lubrificação, nutrição e suporte mecânico. A quantidade presente na 
cavidade articular varia com o tamanho da articulação, em condições patológicas 
pode aumentar a quantidade do fluido. O volume é coletado por punção aspirativa 
chamado de artrocentese. O fluido coletado é fracionado em tubos e encaminhado 
ao laboratório para realização de testes como contagem de células e contagem 
diferencial de leucócitos e pesquisa de cristais. 
• A análise laboratorial do líquido sinovial permite determinar a presença de artrite, bem 
como classificar os distúrbios articulares, que incluem processos não inflamatórios, 
inflamatórios, infecciosos/sépticos, induzidos por cristais e hemorrágicos. O fluido 
sinovial normalmente apresenta uma contagem diferencial de células inferior a 150 
células por microlitro. LS com contagem de leucócitos inferior 3.000 leucócitos/mm3 
são encontrados em desordens primariamente não inflamatórias como osteoartrite 
e trauma. LS inflamatórios, em geral, apresentam entre 3.000 e 7.500 leucócitos/
mm3, enquanto valores entre 50.000 e 200.000 com neutrófilos acima de 90% são 
encontrados nas artrites sépticas.
145
AUTOATIVIDADE
1 A produção do fluido cerebrospinal ocorre, principalmente, no plexo coroide. O volume 
produzido, normalmente, é entre 90 e 150 mL em adultos, composto majoritário 
por água, normalmente é límpido e incolor. Diante de uma anormalidade, por sua 
vez, pode apresentar-se turvo, purulento ou tingido com pigmentos. A respeito das 
análises laboratoriais do líquor, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Análise citológica compreende apenas a contagem global de hemácias e leucócitos.
b) ( ) Análise bioquímica e microbiológica são eventualmente realizadas e correspondem, 
respectivamente, às dosagens de proteínas e glicose e identificação de agentes 
infecciosos. 
c) ( ) Amostras hemorrágicas são decorrentes de hemorragias ou acidente de punção. 
d) ( ) Em condições patológicas o líquor pode apresentar límpido e incolor.
2 A coleta dos líquidos cerebrospinal e sinovial são realizados inserindo uma agulha 
específica em suas cavidades e aspirando o líquido com uma seringa. Depois da 
coleta podem ser realizados diversos exames, incluindo avaliação macroscópica, 
testes bioquímicos, contagem global e diferencial de células e exames para doenças 
infecciosas ajudando no diagnóstico e tratamento do paciente. Com base nessas 
informações, analise as sentenças a seguir:
I- As culturas do líquido sinovial são geralmente plaqueadas em meios enriquecidos 
com ágar sangue e ágar chocolate. 
II- Na análise bioquímica do fluido cerebrospinal os níveis de glicose são importantes 
para diferenciar a meningite bacteriana e viral.
III- Os cristais de urato monossódico são associados à pseudogota, enquanto os cristais 
de pirofosfato de cálcio estar associado à gota.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 A análise laboratorial do líquido sinovial permite determinar a presença de artrite, 
bem como classificar os distúrbios articulares em não inflamatórios, inflamatórios, 
infecciosos/sépticos, induzidos por cristais e hemorrágicos. Determinada amostra de 
LS apresenta alterações como baixa viscosidade, níveis de glicose reduzidos e valores 
de leucócitos superior a 200.000 mm3 com neutrófilos acima de 90%. Com base nos 
resultados obtidos dessa amostra, classifique V para as sentenças verdadeiras e F 
para as falsas:
146
( ) Processo induzido por cristais. 
( ) Processo não inflamatório.
( ) Processo infeccioso ou séptico.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – F.
b) ( ) F – V – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Uma mulher de 45 anos de idade procura a emergência do hospital com dor e inchaçono joelho esquerdo. O médico realiza a artrocentese e 20 mL de líquido sinovial leitoso 
é coletado. São solicitados bacterioscópico, cultura, pesquisa de cristal e dosagem de 
ácido úrico. Com base nas informações fornecidas, descreva os tubos que o líquido 
seria rotineiramente colocado, se o nível de uricemia do paciente será elevado e quais 
os tipos de cristais e distúrbios são prováveis. 
5 Criança com 8 anos de idade é levada à emergência do hospital, a mãe relata que a 
criança iniciou febre a 15 dias de 39 ºC, apresentava ainda cefaleia, perda de apetite 
e náuseas. O médico solicitou punção lombar e 10 mL de líquor turvo foi coletado. 
Foram solicitados a bacterioscopia e cultura, dosagens de proteínas totais, cloreto, 
glicose e contagem de células. Descreva como o líquido seria rotineiramente coletado 
e qual os achados para um diagnóstico de meningite bacteriana.
147
TÓPICO 3 - 
LÍQUIDO SEMINAL E LÍQUIDO AMNIÓTICO
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, no Tópico 3, abordaremos o líquido seminal e o líquido 
amniótico. Serão abordadas a formação, a composição e a fisiologia desses líquidos, os 
procedimentos de coleta, bem como a análise laboratorial e suas correlações clínicas. 
A análise do líquido seminal é o primeiro teste a ser solicitado para avaliar a saúde 
da próstata e qualidade dos espermatozoides e auxiliar na investigação da infertilidade 
masculina. A infertilidade é um problema de saúde mundial que afeta em torno de 48 
milhões de casais e 186 milhões de pessoas ao redor do mundo, e, no Brasil, cerca de 8 
milhões de indivíduos podem ser inférteis.
O aparelho reprodutor masculino é formado basicamente pelas estruturas 
externas e internas. O pênis e o saco escrotal são estruturas externa do aparelho 
reprodutivo masculino, enquanto os testículos, epidídimos, canal deferente, glândulas 
seminais, glândulas bulbouretrais, ducto ejaculatório, uretra e próstata são as estruturas 
internas. Os testículos são duas glândulas ovais localizadas no saco escrotal, formados 
pelos túbulos seminíferos, onde ocorre a produção espermatozoides pelo de processo 
espermatogênese e a produção de hormônios, como a testosterona (LAGE, 2013).
Após a conclusão da espermatogênese, os espermatozoides migram e ficam 
armazenados no epidídimo onde completam sua maturação e desenvolvem o flagelo. 
No momento da ejaculação são impulsionados pelos ductos deferentes para o interior 
dos ductos ejaculatórios, estes recebem os espermatozoides, bem como as secreções 
das glândulas seminais, próstata e das glândulas bulbouretrais e formam a mistura 
conhecida como sêmen ou esperma, assim, durante a ejaculação, o sêmen é expelido 
do corpo (DI LORENZO; STRASINGER, 2008).
Os espermatozoides representam apenas 1% do volume total do esperma; 
o líquido seminal levemente alcalino composto de ácido cítrico, flavinas, potássio 
e elevadas concentração de frutose constitui de 45 a 85% do sêmen (JUNQUEIRA; 
CARNEIRO, 2008). O fluido prostático composto de fosfatase ácida, ácido cítrico, zinco e 
enzimas contribuem, em torno de 23%, sendo responsável pela coagulação e liquefação 
do sêmen. Já as glândulas bulbouretrais contribuem com 1% do volume do sêmen 
ajudando a neutralizar a acidez da próstata e da vagina.
Conforme dito anteriormente, os espermatozoides são formados nos 
testículos especificamente nos túbulos seminíferos, a partir de um processo chamado 
UNIDADE 3
148
espermatogênese. A espermatogênese se inicia ainda na fase embrionária do homem. 
Esse processo é dividido em fase espermacitogênese, fase meiótica e espermiogênese, 
o processo completo leva aproximadamente 74 dias (BARCELOS; AQUINO, 2018).
A partir das células germinativas primordiais são formadas as espermatogônias 
após sucessivas mitoses. Por volta dos 13 anos, elas se multiplicam, e algumas se 
diferenciam em espermatócitos primários. Estes se dividem por meiose, resultam em 
espermatócitos secundários, que se dividem novamente e se tornam espermátides. 
Estas perdem parte do citoplasma e desenvolvem, a partir do centríolo, um flagelo. 
Assim, por processo denominado espermiogênese, se diferenciam em espermatozoides. 
A espermatogênese é um processo altamente regulado por hormônios como hormônio 
de crescimento (HGH), testosterona, hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo 
estimulante (FSH).
Os espermatozoides são formados por três partes básicas: cabeça, peça 
intermediária e cauda. A cabeça possui a estrutura em formato oval a qual contém o 
núcleo e em sua extremidade contém o acrossoma, estrutura em formato de capuz 
que contém enzimas auxiliando na penetração do ovócito no momento da fecundação. 
Na peça intermediária são encontradas mitocôndrias responsáveis pela produção 
de energia necessária para a motilidade da cauda com movimentos espiralados e 
rotacionais (DI LORENZO; STRASINGER, 2008).
Cabe destacar que, durante a formação dos espermatozoides pode apresentar 
alguma anormalidade morfológica, por exemplo, com mais de uma cabeça, com 
tamanhos fora da média ou ainda com diferentes números de caudas. Quanto maior a 
quantidade de espermatozoides com morfologia anormal, maior será a possibilidade de 
infertilidade masculina.
De forma geral, o exame realiza análises em duas esferas distintas, sendo a 
primeira delas a análise macroscópica e a segunda a análise microscópica. Na análise 
macroscópica são analisadas as condições físicas do material como aspecto, cor, 
liquefação, odor, volume e pH e na análise microscópica são verificados a agregação 
e aglutinação dos espermatozoides, a concentração, motilidade, vitalidade, estruturas 
morfológicas e contagem de células. 
2 COLETA E MANIPULAÇÃO DO SÊMEN 
O exame que analisa o sêmen é denominado de espermograma, solicitado por 
médicos urologistas e especialistas em reprodução humana, imprescindível na avaliação 
da fertilidade masculina, assim como, avaliar parâmetros quantitativos e qualitativos 
que ajudam no diagnóstico de infertilidade masculina onde existem vários fatores de 
risco, aos quais devem ser identificados, controlados ou tratados, incluem uso de drogas 
entorpecentes, alcoolismo, tabagismo, medicamentos, doenças infecciosas, distúrbios 
hormonais, varicocele, criptorquidia, entre outros.
149
Para realizar a análise do sêmen, os procedimentos de coleta devem ser bem 
esclarecidos ao paciente, a fim de manter o controle de qualidade laboratorial. Os 
procedimentos de coleta e manipulação devem ser realizados seguindo as instruções 
da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2010) os quais são descritos a seguir:
• as amostras devem ser obtidas por masturbação, assegurando a coleta total do 
ejaculado;
• a coleta deve ser precedida de abstinência sexual de dois a no máximo sete dias; 
a fim de obter uma amostra que reflita de forma precisa a contagem e viabilidade 
espermática;
• a amostra deve ser obtida num recinto silencioso e confortável disponibilizado no 
laboratório para amenizar os efeitos inibitórios do paciente;
• a coleta domiciliar só deve ser permitida em caso de impedimento físico ou emocional, 
a coleta deve ser encaminhada ao laboratório o mais breve possível após a coleta, 
pois o material sofre coagulação devido à ação de uma enzima coagulante formada 
na próstata. 
• antes da coleta o paciente deve lavar bem as mãos e o pênis com água e sabão 
enxugar com toalha descartável;
• a amostra deve ser coletada em frasco estéril aquecido ou recipiente plástico não 
espermicida fornecido pelo laboratório;
• a amostra deve ser encaminhada ao laboratório em até 30 minutos, pois a liquefação 
ocorre entre 30 e 60 minutos. caso seja necessário aguardar a análise devem ser 
mantidas a temperatura de 20 a 37 ˚C.
Após a coleta, a recepção deve etiquetar a amostra e registrar o nome do 
paciente, período abstinência sexual data e hora da coleta e de recepção da amostra, 
além do uso de medicamentos e se houve perda de material durante a coleta. A perda 
do material principalmente durante o 1˚ jato, que contém a maior concentraçãode 
espermatozoides pode influenciar na contagem total de espermatozoides.
Todas as amostras do sêmen devem ser manuseadas com precauções de 
segurança, desde a recepção até as análises laboratoriais, pois pode conter 
microrganismos patogênicos como qualquer líquido (ROCHA, 2014).
ATENÇÃO
150
3 ANÁLISE MACROSCÓPICA 
Neste momento da análise é observado o volume de líquido seminal; o pH, que 
mede a acidez do material coletado; a cor e o aspecto; a viscosidade; e o tempo de 
liquefação, que se refere ao tempo que o sêmen demora para sair do estado viscoso 
para o líquido. Os achados macroscópicos em conjunto com os achados microscópicos 
auxiliam no diagnóstico e tratamento da infertilidade.
Volume: o valor de referência varia de 1,5 a 5 mL em caso de ejaculação total. 
Assim, caso o valor identificado pelo exame seja inferior à medida, o diagnóstico é 
de hipospermia. Isso indica que o homem apresenta baixa quantidade de sêmen por 
ejaculação podendo estar relacionado à obstrução dos ductos ejaculatórios, ausência 
congênita das vesículas seminais, hipogonodismo e perda de material (ROCHA, 2014). 
Pode ocorrer também a azoospermia, que é a ausência de espermatozoides observada 
em caso de vasectomia. Existem tratamentos para ambos os casos. Valores aumentados 
chamado de hiperesperma podem ser identificados em período de abstinência sexual 
prolongado. Para medir o volume pode ser utilizado pipeta estéril graduada ou um copo 
cilindro e graduado em incrementos de 0,1 mL. Deve ser evitado o uso de seringas 
plásticas, pois podem interferir na motilidade dos espermatozoides.
Liquefação: quando a amostra chega ao laboratório é observada o tempo de 
liquefação. O sêmen normal costuma coagular e liquefazer entre 30 e 60 minutos após a 
colheita tempo de liquefação superior a 60 minutos é considerado anormal. As amostras 
em que não ocorre a liquefação devem ser submetidas ao processo mecânico de 
liquefação que consiste na passagem uso de bromelina com concentração 1 g por litro 
ou solução alfa-amilase, a fim de solubilizar o muco para permitir contagens precisa de 
espermatozoides (ROCHA, 2014). Quando a amostra demora chegar ao laboratório pode 
já ter acontecido a liquefação, impedindo a observação da ocorrência da coagulação. 
Amostra em que é observada a azoospermia e que não coagula pode ser indicativo 
de ausência congênita bilateral dos dutos deferentes e vesículas seminais (MUNDT; 
SHANAHAN, 2012).
Aspecto, cor e odor: dentro dos padrões de normalidade é opaco e cinza 
opalescente, branco e homogêneo. Coloração amarelada ou avermelhada pode ser 
um forte indicativo de infecções no trato reprodutivo masculino e até de doenças 
mais graves, como o câncer de próstata. Logo após a coleta o sêmen tem cheiro 
característico próprio, que pode ser comparado à água sanitária, este odor se deve 
a substâncias produzidas pela próstata podendo ser ausente em caso de atrofia da 
próstata e prostatites.
Viscosidade: consistência da amostra é considerada normal quando é levemente 
viscoso e gotas são formadas. Quando forma filamentos de mais de dois centímetros é 
considerado anormal (RODRIGUES, 2018). A viscosidade pode ser observada durante a 
mensuração do volume ou pipetagem para outros testes. Viscosidade aumentada podee metabólitos de alguns medicamentos podem interferir 
na reação, assim como o armazenamento inadequado e prolongado de amostras de urina 
podem favorecer a glicólise bacteriana e causar resultados falso-negativos (BRUNZEL, 
2018).
Alternativamente, a glicose pode ser dosada na urina com o reativo de Benedict. 
Além disso, nos exames de urina de crianças com menos de um ano de idade, pode ser 
relevante a detecção de outros açúcares, como a galactose e a frutose, isso se faz através 
de métodos menos específicos, baseados na propriedade de redução de sais de cobre 
(SBPC, 2017).
3.4 CETONAS
Quando as necessidades energéticas de um indivíduo são superiores à quantidade 
de carboidratos disponíveis, ocorre o catabolismo dos ácidos graxos como fonte alternativa 
de energia. Porém, sua metabolização é incompleta e gera corpos cetônicos, como ácido 
acético, acetona e ácido beta-hidroxibutírico. Quando a concentração de cetonas no 
sangue excede 70 mg/dL, limiar renal, elas são excretadas na urina. Essa condição é 
denominada cetonúria (SBPC, 2017).
Qualquer condição que cause o aumento do metabolismo de gorduras pode 
resultar em cetonúria, como no jejum prolongado, em dietas para redução de peso, em 
estados febris, após exercícios físicos ou vômitos intensos, no frio intenso, e principalmente 
no diabete melito não controlado, sendo a detecção de cetonas na urina uma valiosa 
ferramenta de monitoramento para estes pacientes (BRUNZEL, 2018). Em bebês e 
crianças, é comum haver cetonúria em diversas condições, como doenças febris agudas 
e estados de intoxicação acompanhados de vômito e diarreia, porém, se o quadro for 
severo e persistente, possíveis doenças metabólicas hereditárias devem ser investigadas 
62
(MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Os corpos cetônicos podem ser pesquisados na urina por meio de testes 
baseados na reação do nitroprussiato com nitroprussiato de sódio (nitroferricianeto), 
onde o acetoacetato reage com o nitroprussiato para produzir uma mudança de cor de 
bege para roxo, princípio aplicado tanto em tubos ou em fitas reagentes. Essa reação 
não detecta o ácido beta-hidroxibutírico e esta área da fita reagente, em particular, é 
extremamente sensível à umidade ambiente, tornando-se não reativa se exposta ao ar 
ambiente por algumas horas (SBPC, 2017). Além disso, as cetonas volatilizam muito rápido 
à temperatura ambiente, o que pode levar a resultados falso-negativos. 
3.5 BILIRRUBINA E UROBILINOGÊNIO
A bilirrubina é um pigmento amarelo-alaranjado, produto de degradação da 
hemoglobina, originada no processo de morte e renovação das hemácias. A bilirrubina não 
conjugada ou indireta é transportada no sangue associada à albumina, sendo insolúvel 
em água e incapaz de atravessar a barreira glomerular dos rins. No fígado, a bilirrubina 
indireta é conjugada ao ácido glicurônico, formando a bilirrubina direta ou conjugada, que 
é hidrossolúvel e capaz de transpor o glomérulo renal e ser eliminada na urina. Porém, 
em condições normais a bilirrubina conjugada é excretada pelas vias biliares, chegando 
ao intestino. A urina de um indivíduo adulto normalmente tem apenas 0,02 mg de 
bilirrubina/dL, concentração que não é detectada pelos testes laboratoriais mais comuns 
(MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Seu aparecimento em maiores quantidades na urina, em geral, indica sua 
presença em excesso na circulação sanguínea. Isso ocorre em casos de obstrução do 
fluxo biliar proveniente do fígado ou de doença hepatocelular, que resulta na incapacidade 
dos hepatócitos de excretar toda a bilirrubina conjugada na bile. Estes quadros são vistos 
na presença de cálculos biliares no ducto biliar, carcinoma do pâncreas, hepatite viral e 
alcoólica aguda. O aumento da bilirrubina plasmática e seu aparecimento na urina são 
indicadores precoces de doença hepática, pois a presença destes, é detectável muito 
antes do desenvolvimento da icterícia (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Na bilirrubinúria, a cor da urina varia de castanho-amarelada a castanho-
esverdeada e pode apresentar uma espuma amarela. A visualização dessas características 
na amostra de urina levanta a suspeita da presença de bilirrubina. A bilirrubina é instável 
e fotossensível, isso significa que o armazenamento inadequado da amostra e sua 
exposição à luz artificial ou solar podem degradá-la e causar testes de bilirrubina falso-
negativos (BRUNZEL, 2018).
No intestino, a bilirrubina direta é reduzida por bactérias intestinais, dando origem 
ao urobilinogênio, que é incolor. Em seguida, parte deste é reduzido à estercobilinogênio 
e a maior parte é reabsorvido através da circulação portal hepática e excretado nas fezes 
como urobilina ou estercobilina. Apenas 2% a 5% do urobilinogênio permanece na corrente 
63
sanguínea e ao ser filtrado nos rins é excretado na urina. A oxidação do urobilinogênio em 
urobilina confere a coloração amarelo alaranjada à urina normal (BRUNZEL, 2018).
Quando o fígado é incapaz de remover eficientemente o urobilinogênio reabsorvido 
a partir da circulação porta, seu excesso é desviado para os rins e excretado pela urina. Tal 
situação pode ocorrer em caso de lesão hepatocelular devido à hepatite viral, fármacos, 
substâncias tóxicas, ou ainda em casos de cirrose. Um resultado positivo de teste para 
detecção de bilirrubina urinária acompanhado de um resultado negativo de teste para 
detecção de urobilinogênio na urina indicam a existência de uma obstrução biliar intra ou 
extra-hepática (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Já a positividade para urobilinogênio na urina concomitante à ausência de 
bilirrubina na mesma amostra, é associado às doenças hemolíticas, quando há um 
aumento na produção da bilirrubina indireta. Neste caso, o fígado saudável produz grande 
quantidade de bilirrubina direta, que é lançada no intestino, e convertida em urobilinogênio. 
Há um aumento da reabsorção intestinal de urobilinogênio, elevando o nível sanguíneo e 
aumentando sua excreção renal. Não ocorre excreção de bilirrubina pela urina, uma vez 
que a fração que está aumentada é a indireta (RIELLA et al., 2018).
Em outras situações, a ausência persistente de urobilinogênio urinário pode ocorrer 
devido à completa obstrução do fluxo biliar no intestino e é acompanhada da produção de 
fezes pálidas. Os antibióticos de amplo espectro, que extinguem a microbiota intestinal, 
podem inibir a transformação da bilirrubina em urobilinogênio e consequentemente 
reduzir sua excreção pelas fezes e urina (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
A análise de urobilinogênio urinário costuma ser qualitativa, através da tira 
reagente impregnada com o reagente de Ehrlich (p-dimetilaminobenzaldeído), o qual 
reage com o urobilinogênio presente na amostra para formar um cromóforo rosa escuro/
vermelho (BRUNZEL, 2018).
3.6 SANGUE
A presença de um número aumentado de hemácias íntegras na urina é 
denominada hematúria, enquanto a presença de hemoglobina na urina é denominada 
hemoglobinúria. Sendo a primeira muito mais comum do que a segunda. Em diversas 
doenças do trato urinário ocorre liberação de hemácias na urina, como nefropatias, 
glomerulonefrite, neoplasias, traumas e distúrbios de sangramento.
Uma vez que pequenas quantidades de hematúria podem ter significado clínico 
e estas hemácias tendem a sofrer lise no meio aquoso da urina, o teste para detecção 
de hemoglobina se torna um importante complemento do exame microscópico. Quando 
temos a detecção de hemoglobina na urina e não vemos hemácias no exame do 
sedimento urinário, pode ser que tenha ocorrido a lise dessas células e requer a análise de 
uma amostra de urina recém-emitida (STRASINGER; LORENZO, 2009).
64
As causas de hemólise são também potenciais causas de hemoglobinúria. No 
entanto, a presença de hemoglobinúria indica a ocorrência de um processo intravascular 
de hemólise mais intenso. A hemoglobinúria pode acontecer após prática vigorosa de 
exercícios, em que há trauma direto a pequenos vasos sanguíneos. Nos casos em que há 
destruição aguda defibras musculares, a mioglobina é liberada, rapidamente eliminada do 
sangue e excretada pela urina sob a forma de pigmento castanho-avermelhado. No exame 
de urina, pode ser difícil diferenciar entre hematúria, hemoglobinúria e mioglobinúria, já 
que em todos os casos, a urina pode aparecer escura e conter eritrócitos (STRASINGER; 
LORENZO, 2009).
O teste com tira reativa para detecção de sangue também é positivo em todas 
essas condições, pois é baseado no peróxido orgânico da hemoglobina que reage com o 
cromógeno tetrametilbenzidina, e detectam grupos heme, liberando oxigênio a partir do 
peróxido, pela ação da peroxidase sobre a hemoglobina livre, os eritrócitos lisados ou a 
mioglobina (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
A detecção de sangue pelas tiras reagentes é suscetível à interferência do ácido 
ascórbico. Quando vemos hemácias no exame microscópico do sedimento urinário, mas 
o exame químico tem resultado negativo para sangue, suspeitamos da presença do ácido 
ascórbico ou vitamina C, que reage diretamente com o peróxido da tira e inibe a oxidação 
do cromogênio com a amostra (BRUNZEL, 2018).
3.7 LEUCÓCITOS
Os leucócitos granulócitos contêm enzimas que catalisam a hidrólise dos ésteres, 
denominadas esterases. Estas enzimas são liberadas quando ocorre degeneração celular. 
O teste com tiras reativas identifica a presença de leucócitos na urina através da detecção 
das esterases. Outras células presentes na urina também podem conter essas esterases, 
assim, a análise da amostra no microscópico continua necessária para confirmar a 
presença dos leucócitos.
Os leucócitos que não possuem granulócitos, como os linfócitos por exemplo, não 
produzem esterase, e não são detectados nas tiras reativas (SBPC, 2017). Os resultados 
falso-positivos para esterase leucocitária ocorrem na amostra de urina contaminada com 
secreção vaginal, ou ainda na urina que contém metabólitos pigmentados de alimentos 
ou medicamentos (BRUNZEL, 2018).
A positividade dos leucócitos na urina indica provável inflamação, a qual pode 
ocorrer em qualquer parte do sistema urinário, relacionada ou não à infecção por 
microrganismos. No entanto, mais frequentemente, a leucocitúria é associada a infecções 
bacterianas envolvendo os rins (pielonefrite) ou o trato urinário inferior (cistite ou uretrite) 
(STRASINGER; LORENZO, 2009). 
 
65
3.8 NITRITO
A detecção do nitrito nas amostras de urina constituí um teste indireto para 
identificação de infecção urinária, pois principalmente as bactérias gram-negativas 
produzem a enzima nitrato redutase e, em razão disso, são capazes de reduzir nitrato em 
nitrito, identificável na urina quando presente em concentrações elevadas. As principais 
bactérias que produzem esse feito são: Escherichia coli, e espécies dos gêneros Klebsiella, 
Enterobacter, Proteus, Staphylococcus e Pseudomonas. Sendo assim, a principal 
conduta após o teste de nitrito positivo é a realização da cultura microbiológica da urina, 
exceto quando a amostra foi coletada ou armazenada de forma indevida, permitindo o 
crescimento de bactérias contaminantes (STRASINGER; LORENZO, 2009).
Resultados falsamente negativos podem ocorrer em amostras coletadas ao 
acaso durante o dia ou via cateteres, devido ao tempo necessário, cerca de quatro horas, 
para que ocorra a redução química a nitrito na urina presente na bexiga (MCPHERSON; 
BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Apesar de muito útil na triagem para identificação de infecção do trato urinário, 
é importante lembrar que o teste de nitrito negativo não significa ausência de infecção 
urinária já que alguns microrganismos não possuem a capacidade de converter nitrato em 
nitrito, como é o caso de Streptococcus faecalis, Neisseria gonorrhoeae e Mycobacterium 
tuberculosis (RIELLA et al., 2018).
Falsos-positivos para nitrito podem ocorrer por substâncias que colorem a urina 
de vermelho ou rosa em meio ácido, interferindo na interpretação visual do teste. Por 
outro lado, altas concentrações de ácido ascórbico na urina podem causar resultados 
falso-negativos de nitrito, por formar um produto final incolor que impede que a reação 
acontece mesmo na presença de nitrito (BRUNZEL, 2018).
 
66
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• O processamento da amostra e o princípio do método para análise química da 
urina, através de tiras reativas, que permitem a detecção simultânea de parâmetros 
importantes, como pH, proteínas, glicose, corpos cetônicos, sangue, urobilinogênio, 
bilirrubina, leucócitos e nitritos.
• O papel dos testes químicos da urina na triagem para identificação de infecção do 
trato urinário, além de doenças renais e metabólicas.
• A correlação entre as disfunções renais e as alterações nas proteínas urinárias.
• A correlação entre as infecções urinárias e a presença de nitrito e leucócitos na 
amostra de urina.
• A correlação entre alterações no metabolismo de carboidratos e a presença de glicose 
e corpos cetônicos na urina.
• A garantia da qualidade da amostra analisada e das tiras reativas utilizadas, seguindo 
as boas práticas laboratoriais, bem como as condições de armazenamento e 
manipulação orientadas pelo fabricante do teste, para avaliar todos esses parâmetros 
com confiança e precisão.
67
AUTOATIVIDADE
1 A urinálise é um procedimento laboratorial rápido, confiável e que nos fornece uma 
gama de informações a respeito da condição geral de saúde. Sobre a etapa de análise 
química da urina, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O princípio da tira reagente para o teste de pH é a utilização de dois indicadores 
ácido-base colorimétricos em conjunto.
b) ( ) Um teste de corpos cetônicos positivo indica que o paciente tem feito uma dieta 
rica em carboidratos.
c) ( ) As tiras reativas permitem detectar qualquer tipo de proteína presente na amostra 
de urina, porém não as identifica de forma diferencial.
d) ( ) Amostras de urina com coloração castanho-amarelada podem ser positivas para 
bilirrubina indireta.
2 A análise da urina foi a precursora das análises clínicas laboratoriais e desde então 
mais testes e tecnologia foram incorporados na urinálise, permitindo que esta análise 
relativamente simples forneça uma variedade de informações a respeito do estado 
de saúde geral do paciente. Com base na interpretação clínica dos testes químicos 
da urina, analise as sentenças a seguir:
I- O teste de nitratos negativo indica que não há infecção do trato urinário por bactérias. 
II- A presença de urobilinogênio na urina pode indicar doença hemolítica ou lesão 
hepática.
III- Linfócitos podem estar presentes urina sem causar reação positiva para leucócitos 
na tira reagente.
IV- O diagnóstico de lesão renal avançada é concluído com a detecção de proteinúria. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Grande parte dos resultados do exame de urina pode ser obtido por meio das tiras 
reativas, que analisam diversos parâmetros bioquímicos de forma rápida e de baixo 
custo. De acordo com as boas práticas para a utilização e controle de qualidade das 
tiras reagentes, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
68
( ) Pigmentos alimentares não alteram a coloração das tiras reativas, pois as reações 
são específicas para componentes endógenos.
( ) O controle de qualidade das tiras reagentes deve ser realizado diariamente com 
amostras sabidamente positivas e negativas.
( ) O contato prolongado da tira reagente com a amostra de urina pode ocasionar 
resultados falsamente positivos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – V – V.
4 O exame microscópico de um sedimento urinário revelou uma média de três a cinco 
leucócitos por campo avaliado. Entretanto, na tira reativa para detecção dessas células, 
através da esteraseleucocitária, o teste foi negativo. Nesse contexto, qual hipótese 
poderia explicar essa discrepância entre os resultados das duas metodologias?
5 Algumas tiras reagentes incluem a determinação da pesquisa de ácido ascórbico 
(Vitamina C) na urina, com a finalidade de validar o resultado dos demais testes. Isso 
foi necessário já que o ácido ascórbico quando presente em amostras biológicas, pode 
interferir nos ensaios laboratoriais modificando o diagnóstico clínico-laboratorial. 
Explique como o ácido ascórbico reage inespecificamente com os reagentes da tira 
reativa e cite quais parâmetros da análise química da urina podem ser alterados pela 
sua presença na amostra.
69
SEDIMENTOS URINÁRIOS
1 INTRODUÇÃO
O exame do sedimento urinário é uma etapa muito importante da urinálise, 
principalmente quando a amostra apresenta alterações nas análises físicas e químicas. 
A partir da análise microscópica do sedimento da urina, ou sedimentoscopia, muitas 
informações são obtidas pelo profissional responsável pelo diagnóstico, pois uma 
variedade de elementos pode ser encontrada no sedimento urinário (NASCIMENTO et al., 
2018).
Estes elementos podem se originar no próprio trato urinário ou resultarem 
de contaminação por diferentes fontes. Podemos encontrar componentes celulares, 
precipitados químicos, como os cristais, e inúmeros microrganismos. Por vezes, esses 
achados são fisiológicos, no entanto de acordo com a sua quantidade, persistência e 
correlação com sinais clínicos, podem indicar presença de doenças. 
Por meio da microscopia podemos detectar elementos celulares e acelulares na 
urina que não produzem reações bioquímicas e, portanto, não são identificados na análise 
química que discutimos anteriormente. A microscopia também pode servir de teste 
confirmatório para eritrócitos, leucócitos e bactérias, por exemplo.
Uma vez que a quantificação dos elementos encontrados é relevante, o protocolo 
de preparo do sedimento e a leitura padronizada são aspectos que precisamos tomar 
cuidado. Além dos fatores inerentes à amostra, como o tipo de coleta da urina e seu 
armazenamento.
A partir de agora, estudaremos em detalhes a variedade de elementos que 
possivelmente encontramos no sedimento urinário, bem como sua origem e significado 
clínico.
2 PROCESSAMENTO DA AMOSTRA PARA 
SEDIMENTOSCOPIA
O sedimento urinário centrifugado contém todos os elementos insolúveis 
acumulados na urina após a filtração glomerular e durante a passagem de líquidos pelos 
túbulos renais e pelo trato urinário inferior (RIELLA et al., 2018). Entretanto, também é 
importante lembrar que os artefatos e contaminações podem ocorrer nas diferentes fases 
do procedimento, por isso o profissional analista clínico precisa estar preparado e treinado 
para identificá-los.
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
70
O resultado da sedimentoscopia deve ser reportado qualitativamente, de 
acordo com os tipos de células, cilindros, cristais e microrganismo encontrados, e 
quantitativamente, em relação ao número de elementos visualizados por campo (SBPC, 
2017).
Essa análise pode ser feita por microscopia ou por metodologias automatizadas, 
em laboratórios com grandes rotinas, empregando citometria de fluxo e na análise de 
imagens.
 
2.1 ANÁLISE QUANTITATIVA 
Neste caso, os resultados são expressos por mL de urina, e para obtê-los deve-
se homogeneizar a amostra de urina e transferir para um tubo cônico um volume de 10 
mL, realizar a análise da tira reativa, centrifugar entre 1000 a 1500 rotações por minuto 
(rpm), por 10 minutos, retirar 9,5 mL do sobrenadante, deixando apenas 0,50 mL no tubo. 
Este sedimento é ressuspendido e transfere-se um volume padronizado para uma lâmina 
convencional ou lâminas específicas, como a câmara de Neubauer (Figura 2) e K-cell 
(Figura 3). Os resultados são expressos de acordo com 
o volume e os procedimentos utilizados (SBPC, 2017).
A quantidade de alguns componentes, como muco, cristais, bactérias, é avaliada 
qualitativamente por campo de visão em termos descritivos (ausentes, raros, moderados, 
abundantes) ou numéricos (em número de cruzes, +), padronizados em cada laboratório.
 Figura 2 – Câmara de Neubauer utilizada para contagem de elementos em um volume padronizado de 
urina, também conhecida como hemocitômetro
 FONTE: https://www.scienceabc.com/wp-content/uploads/2018/08/counting-chember-hemocytometer.
jpg. Acesso em: 9 set. 2022. 
71
 Figura 3 – Lâmina k-cell utilizada em rotinas para contagem de células e outros elementos urinários
Fonte: https://kasvi.com.br/wp-content/uploads/2017/02/K27-0102.jpg. Acesso em: 17 set. 2022.
Métodos qualitativos e não padronizados de análise do sedimento 
urinário não são recomendados, pois ao observar um volume 
desconhecido, esse procedimento fornece resultados associados 
às condições patológicas de maneira imprecisa, com grande 
incerteza dos resultados e da baixa sensibilidade em detectar 
elementos essenciais.
ATENÇÃO
3 ELEMENTOS OBSERVADOS NA URINA
Vimos que a análise do sedimento urinário permite a identifi cação e quantifi cação 
dos elementos fi gurados presentes na urina. A partir de agora aprenderemos, com detalhes, 
as características morfológicas de cada um deles e sua correlação com aspectos físicos 
e químicos da urina.
72
3.1 HEMÁCIAS
Em condições normais não é comum haver quantidades signifi cativas de hemácias 
na urina, os valores de referência fi cam em torno de 5000 hemácias/mL de urina. Portanto, 
a hematúria é um dado importante a ser detectado para investigação de diversas doenças 
renais, como litíase renal, doenças glomerulares, pielonefrite, cistite e tumores; além de 
condições não renais, como hipertensão, apendicite, traumas, exercício extenuante, 
exposição a agentes tóxicos e drogas, e qualquer condição que resulte em infl amação ou 
que comprometa a integridade do sistema vascular do trato urinário. Quando o aumento 
de hemácias na urina está acompanhado do aparecimento de cilindros de hemácias, é 
possível concluir que o sangramento tem origem renal (BATISTA ET AL., 2019).
As hemácias na urina podem ser de difícil distinção, e essa tarefa requer experiência. 
Elas são melhor visualizadas em ampliações maiores, geralmente com objetiva de 40x. 
As hemácias medem cerca de medem 7µm de diâmetro, normalmente aparecem como 
discos bicôncavos lisos e são moderadamente refratários (Figura 3). Quando dispersas 
no sedimento urinário, as hemácias podem ser vistas lateralmente, adquirindo formato 
de ampulheta ou quando vistas de cima, aparecem como discos com palidez central. 
Na urina diluída, ou seja, com baixa densidade, as células sofrem tumefação e lisam 
rapidamente, liberando a hemoglobina, o que deixa apenas a membrana celular vazia, 
estruturas conhecidas como "células-fantasmas" (BRUNZEL, 2018).
A morfologia das hemácias encontradas na urina pode ajudar a localizar a origem 
da lesão. Hemácias com morfologia normal, que aparecem com formato redondo e 
uniforme como os vistos nas análises de sangue periférico, sugerem hematúria extrarrenal. 
Já as hemácias dismórfi cas, caracterizadas por bolhas, brotamentos e perda parcial da 
membrana celular, geralmente indicam uma lesão renal, especialmente glomerular (SBPC, 
2017).
A correta identifi cação dos elementos no sedimento urinário, 
assim como qualquer outra análise visual, requer experiência 
e treinamento. Por isso é importante acompanhar o conteúdo 
que se segue com o auxílio de um material visual, para que você 
possa observar as características relatadas em imagens reais de 
microscopia.
Sugerimos os seguintes materiais encontrados em: 
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/pequeno-atlas-
de-uroanalise.html e
http://atlasdeurinalise.blogspot.com/.
https://laces.icb.ufg.br/p/20662-atlas-virtual-de-uroanalise
https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/laact/Atlas-%20
urinalise%204(1).pdf.
DICA
73
Figura 4 – Hemácias com morfologia normal visualizadas na sedimentoscopia da urina em microscópio 
óptico
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifica%c3%a7%c3%a3o_201508.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022.
3.2 LEUCÓCITOS
O leucócito polimorfonuclear, neutrófi lo, é o tipo predominante de leucócito 
encontrado na urina. Tais células são esféricas e granulares com diâmetro aproximado 
de 12µm e núcleo segmentado. Os segmentos nucleares podem aparecer como núcleos 
pequenos, redondos e discretos. Na urina diluída ou hipotônica, os neutrófi los fi cam 
inchados e seus grânulos citoplasmáticos exibem movimento browniano (MCPHERSON; 
BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
É relativamente comum encontrar até 5 leucócitos por campo em amostras 
de urina normais, com valores de referência de até 7000 leucócitos/mL. Os leucócitos 
podem atingir o fl uxo urinário através de lesão glomerular ou capilar, e também são 
capazes de migrar de forma ameboide através dos tecidos, indo para locais de infecção 
ou infl amação. O aumento de leucócitos na urina é denominado piúria ou leucocitúria e 
indica a presença de infecção ou infl amação no trato urinário. Quando acompanhada de 
cilindros de leucócitos ou células epiteliais, considera-se que os leucócitos na urina têm 
origem renal (SBPC, 2017).
Um número aumentado de leucócitos pode ser detectado em diversas doenças 
que afetam o trato urinário, como glomerulonefrite, lúpus eritematoso sistêmico, nefrite 
intersticial, cálculos renais, tumores de bexiga urinária e uma variedade de processos 
infl amatórios (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Quando há grande quantidade de leucócitos na urina, esta pode se apresentar 
turva e com um odor forte. Os leucócitos são bastante sensíveis e lisam facilmente na 
urina em um período de 2 a 4 horas após a coleta, por isso podem haver discrepâncias 
entre o número de células vistas no microscópio e o resultado positivo para leucócitos na 
tira reativa (BRUNZEL, 2018)
74
3.3 CÉLULAS EPITELIAIS
Vários tipos de células epiteliais podem ser encontrados no sedimento urinário, 
de modo geral até 10000 células/mL, alguns resultam da renovação celular normal, 
enquanto outros representam danos epiteliais e descamação causadas por processos 
inflamatórios ou doença renal. Conhecer o tipo de epitélio presente em cada porção 
do néfron e do trato urinário, conforme vimos na Unidade 1, facilita a diferenciação das 
células no sedimento urinário e sua interpretação.
Além disso, por vezes, a presença de muitas células indica que a urina foi 
coletada de forma inadequada, enquanto o aumento de outros tipos celulares indica um 
processo patológico grave. Podemos identificar três tipos diferentes de células epiteliais 
em amostras de urina, a seguir abordaremos cada uma delas.
3.3.1 Células epiteliais escamosas
Constituem tipo de célula epitelial mais frequentemente observado na urina 
normal, pois revestem o terço inferior da uretra, assim possuem baixo ou nenhum 
significado clínico. Tais células são grandes, achatadas e poligonais, com citoplasma 
abundante e núcleo pequeno, redondo e central, conforme exemplo da Figura 5. 
Frequentemente seu grande citoplasma é pontilhado com granulações finas, que 
aumentam com o avanço da degeneração celular.
Em pacientes do sexo feminino, se a coleta da amostra de urina não for realizada 
adequadamente, sem afastar os lábios vaginais e sem descartar o primeiro jato de urina, 
podem aparecer abundantes células escamosas na urina provenientes do epitélio do 
revestimento da vagina ou da vulva, o que indica contaminação vaginal e muitas vezes 
impossibilita a visualização de outros elementos de interesse na sedimentoscopia 
(MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Figura 5 – Célula epitelial escamosa, também chamada pavimentosa, encontrada na urina
Fonte: https://lh3.ggpht.com/_STDVFQGESJI/S_xxq4oTXcI/AAAAAAAABDA/CHhklJz0isI/060%5B2%5D.
jpg?imgmax=800. Acesso em: 17 set. 2022.
75
3.3.2 Células epiteliais de transição ou uroteliais
Esse tipo celular delimita o trato urinário da pelve renal até o terço inferior da 
uretra. São menores do que as células escamosas, tem formato redondo ou de pera, com 
núcleo redondo que pode estar deslocado do centro. Geralmente, as bordas do núcleo e 
da membrana celular são bastante delineadas. As células epiteliais de transição não são 
frequentemente encontradas na urina, quando aparecem é em pequena quantidade 
devido ao processo normal de descamação. Podem ser observadas na urina em 
quantidades maiores após procedimentos como cateterismo ou cistoscopia. Quando 
ocorrem grandes agregados de células epiteliais de transição na urina, é importante 
investigar a possibilidade de um carcinoma de células de transição (BRUNZEL, 2018).
3.3.3 Células epiteliais tubulares
Este tipo de celular acende um alerta quando visualizado nas amostras de 
urina, pois quando em quantidade aumentada indica doenças causadoras de lesão nos 
túbulos renais, como necrose tubular aguda, pielonefrite, reações tóxicas, infecções 
virais, rejeição de transplante, efeitos secundários da glomerunonefrite (MCPHERSON; 
BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
Geralmente, as células epiteliais tubulares renais possuem tamanhos variados 
e seu núcleo é redondo, central ou excêntrico (Figura 6). Pode ser difícil distinguir essas 
células das células transicionais do trato urinário baixo. Os diferentes segmentos dos 
túbulos renais são revestidos por diferentes tipos de células epiteliais, que variam quanto 
à forma (plana, cuboide ou colunar), contorno (com ou sem uma borda em escova; com 
ou sem microvilos) e localização nuclear (basal, central ou apical). Em microscopia 
comum, geralmente não é possível fazer essa diferenciação com precisão (SBPC, 2017).
Quando há grande reabsorção de proteínas e degeneração gordurosa das 
células epiteliais tubulares, elas podem exibir gotículas de gordura em seu citoplasma, 
sendo abundantemente encontradas na síndrome nefrótica, associada à proteinúria 
(RIELLA et al., 2018). 
Figura 6 – Células epiteliais tubulares visualizadas em microscópio de contraste de fase
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifi ca%c3%a7%c3%a3o_201508.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022.
76
3.4 CRISTAIS
Os cristais são elementos que se formam devido à precipitação de sais urinários, 
em razão de diversos fatores, como pH da urina, temperatura, concentração dos solutos 
e fluxo lento de urina através dos túbulos renais, que afetam suas solubilidades. A maioria 
dos cristais presentes na urina não apresentam significância clínica, porém, alguns tipos 
menos frequentes são associados a doenças. Na avaliação microscópica, os cristais são 
geralmente relatados como ausentes, raros, moderados ou abundantes.
De modo geral, o pH urinário determina qual tipo de substância irá precipitar 
na urina, por isso a importância de sabermos o pH da amostra. Sais inorgânicos como 
oxalato, fosfato, cálcio, amônio e magnésio são menos solúveis em meio neutro 
ou alcalino. Por isso, quando o pH da urina está nesta faixa, estes solutos tendem a 
precipitar. De forma oposta, solutos orgânicos como ácido úrico, bilirrubina e cistina são 
menos solúveis em condições ácidas e podem formar cristais na urina ácida (BRUNZEL, 
2018).
Além da formação dos cristais in vivo, após a eliminação da urina os fatores 
ambientais, com destaque para a temperatura, continuam influenciando na precipitação 
desses compostos. Por isso, é muito comum a formação de cristais em amostras de 
urina refrigeradas e naquelas deixadas em repouso à temperatura ambiente por muitas 
horas (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012).
3.4.1 Cristais normais encontrados na urina ácida
Na urina com pH ácido os cristais mais frequentemente encontrados são os 
derivados de uratos:
Urato amorfo: 
Precipitam quando submetidos ao repouso em urina com pH discretamente 
ácido. Em grandes concentrações é visto como um aspecto de “fundo sujo” ou “"poeira 
de tijolo" de coloração rosa-alaranjada e castanho-avermelhada ao exame microscópico, 
por aparentar como pequenos grânulos castanho-amarelados. Microscopicamente são 
praticamente idênticos aos cristais de fosfato amorfo, os quais são encontrados em 
urinasneutras ou alcalinas, diferindo pelo pH de solubilidade e pela birrefringência sob 
luz polarizada.
Urato de sódio
Aparecem como pequenas esferas de cor marrom, com aspecto amorfo, como 
agulhas incolores ou amarelas, ou como prismas delgados ou organizados em feixes e 
agrupamentos, formando rosetas.
77
Ácido úrico
Os cristais de ácido úrico são birrefringentes e apresentam uma variedade de 
formas, como placas achatadas de quatro lados, prismas, formas ovais com extremidades 
pontudas, conforme mostrado na Figura 7, rosetas e outros formatos irregulares, com 
coloração variando de incolor a amarelo e castanho-avermelhado e bicolores quando 
observados em microscópio com luz polarizada. A presença de cristais de ácido úrico 
na urina, associada a níveis elevados de ácido úrico no soro, pode ser um indicativo de 
gota. 
Figura 7 – Cristal de ácido úrico
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifi ca%c3%a7%c3%a3o_201508.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022.
Oxalato de cálcio
Sua forma di-hidratada possui formato de octaedro incolor, semelhante a 
um envelope ou como duas pirâmides por suas bases (Figura 8), enquanto a versão 
monoidratada tem forma ovoide ou de haltere. O aumento expressivo da excreção de 
oxalato de cálcio na urina associa-se à formação de litíase, sendo um fator de risco 
problemas renais. Também podem estar presentes na urina devido à ingestão de 
alimentos ricos em oxalato, como tomate, laranja e alho.
Figura 8 – Cristal de oxalato de cálcio (1), também é possível observar hemácias (2) e leucócitos (3) nessa 
microscopia de urina
Fonte: Adaptado de: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2012/08/como-identifi car-hemacias-no-sedi-
mento. Acesso em: 17 set. 2022. 
78
3.4.2 Cristais normais encontrados na urina alcalina
Os derivados de fosfatos representam a maioria dos cristais observados nas 
amostras de urina alcalina e incluem:
Fosfato amorfo
Possuem aspecto granular, incolor e fino ou rendado. Não possuem significância 
clínica.
Fosfato de cálcio 
Aparecem como placas retangulares, incolores ou prismas finos ou em rosetas. 
Não têm significado clínico, apesar de o fosfato de cálcio ser um constituinte comum de 
cálculos renais.
Fosfato triplo
Possuem forma de prismas incolores de 3 e 6 lados e extremidades oblíquas, 
comumente comparados a "tampas de caixão" (Figura 9). Além de estarem na urina 
normal, são observados em urinas que possuem bactérias que metabolizam a ureia 
e em condições patológicas como pielonefrite crônica, cistite crônica, hiperplasia da 
próstata.
Uma causa importante de cristalúria por oxalato de cálcio é a 
ingestão de etilenoglicol, que é transformado no fígado em glicolato, 
glioxilato e depois em oxalato. Esses metabólitos causam uma 
doença multissistêmica pela precipitação de cristais de oxalato de 
cálcio no cérebro, nos pulmões e no coração. Nos rins, os cristais 
precipitam nos túbulos causando lesão renal aguda. Os achados 
laboratoriais típicos são: elevação da creatinina sérica, acidose 
metabólica e cristalúria. Para saber mais sobre esse tipo grave de 
intoxicação assista ao vídeo do Dr. Marcelo Werneck https://www.
youtube.com/watch?v=yBRApe2jQ6c..
DICA
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/pequeno-atlas-de-uroanalise.html e http://atlasdeurinalise.blogspot.com/. https://laces.icb.ufg.br/p/20662-atlas-virtual-de-uroanalise https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/laact/Atlas-%20urinalise%204(1
79
Figura 9 – Cristal de fosfato triplo
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifi ca%c3%a7%c3%a3o_201511.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022. 
Carbonato de cálcio
 São pequenos, incolores, com formas em haltere ou esféricas. 
Biurato de amônia
Com coloração castanho-amarelada, possuem forma esférica, com estriações 
radiais ou concêntricas e projeções irregulares ou espinhos. Podem estar associados 
à presença da amônia produzida pelas bactérias produtoras de urease, as quais 
metabolizam a ureia, elevando a concentração de amônia na urina.
3.4.3 Cristais anormais encontrados na urina
Os cristais anormais, aqueles que podem ter de fato um signifi cado clínico ou 
uma origem específi ca, são encontrados na urina ácida ou, em menor proporção, na 
urina neutra. 
Cistina
São formados por placas hexagonais, com bordas iguais ou desiguais, incolores 
e refringentes (Figura 10). Ocorrem em pacientes com cistinúria, distúrbio metabólico 
que impede a reabsorção de cistina pelos túbulos renais.
80
Figura 10 – Cristais de cistina
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifi ca%c3%a7%c3%a3o_201508.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022.
Tirosina
Os cristais de tirosina aparecem como agulhas fi nas refringentes dispostas em 
feixes ou agrupamentos, podem ser incolores, escurecidas ou amarelas quando há 
presença de bilirrubina. Podem estar associados à doença hepática grave.
Leucina
Cristais de leucina aparecem como esferas amarelas ou castanhas e oleaginosas, 
com estriações radiais e concêntricas. Assim como os cristais de tirosina, podem ser 
encontrados em casos de lesão hepática severa e em pacientes com a doença urinária 
em xarope de bordo.
A cistinúria e a doença urinária em xarope de bordo são alguns dos 
distúrbios metabólicos que serão abordados no Tópico 3, não deixe 
de conferir!
ESTUDOS FUTUROS
Colesterol
81
Os cristais de colesterol lembram uma placa de vidro retangular (Figura 11) com 
um entalhe em uma ou mais bordas, e são altamente birrefringentes à luz polarizada. 
São observados em pacientes com síndrome nefrótica e em casos de presença da linfa 
na urina, secundária à obstrução da drenagem linfática por tumores. Raramente são 
vistos em urina recente e sua presença, em geral, está associada à proteinúria maciça 
e à presença concomitante de corpos ovais gordurosos, cilindros gordurosos ou graxos 
e gotículas de gordura.
Figura 11 – Cristais de colesterol
 
Fonte: https://laboratoryinfo.com/types-of-crystals-in-urine/. Acesso em: 17 set. 2022.
Bilirrubina
Estão presentes na urina de pacientes com doenças hepáticas que promovem 
o aparecimento de grande quantidade de bilirrubina na urina. São vistos como agulhas 
isoladas, agrupadas ou como esferas de coloração amarela ou marrom-avermelhada 
(Figura 12). Esses cristais podem ser encontrados incorporados à matriz proteica dos 
cilindros ou fagocitados por neutrófilos ou ainda no interior de células epiteliais tubulares 
renais.
Figura 12 – Cristais de bilirrubina
 
Fonte: https://laboratoryinfo.com/types-of-crystals-in-urine/. Acesso em: 17 set. 2022
82
Sulfonamida
Com formas variadas, dependendo do fármaco envolvido, aparecem em feixes 
castanho-amarelados com amarras centrais, rosetas (Figura 13), cabeças de seta, pétalas, 
agulhas e formas arredondadas com estriações radiais. Esses cristais podem causar 
lesão tubular renal quando formados no néfron. Felizmente com o desenvolvimento das 
sulfonamidas solúveis, os cristais de sulfa se tornaram raros.
Figura 13 – Cristal de sulfonamida
 
Fonte: https://laboratoryinfo.com/types-of-crystals-in-urine/. Acesso em: 17 set. 2022.
Ampicilina
Podem ocorrer quando se utiliza uma dose muito alta do fármaco, sem a 
hidratação adequada. Aparecem na urina na forma de agulhas delgadas, longas, 
incolores e que tendem a formar feixes após refrigeração.
Corantes radiográficos
Cristais de meios de contraste radiográficos têm aparência muito semelhante à 
dos cristais de colesterol e são altamente birrefringentes, a diferenciação deve ser feita 
pela avaliação do conjunto de resultados do exame de urina e pela história do paciente.
3.5 CILINDROS
Os cilindros são os únicos elementos da urina formados exclusivamente nos 
rins. Nada mais são do que conglomerados proteicos que adquirem a forma dos túbulos 
renais onde são formados. A proteína de Tamm-Horsfall é uma glicoproteína secretada 
na alça ascendente de Henle, que constitui cerca de um terço do conteúdo total de 
proteínas urinárias em indivíduos normais. Essa proteína compõe a matriz de todos83
os cilindros urinários, formando uma rede de fibrilas que captura elementos presentes 
no filtrado tubular, incluindo células, fragmentos celulares ou material granular 
(MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 2012). A formação de cilindros aumenta na presença 
de pH ácido, concentração iônica aumentada, estase ou obstrução do néfron e devido 
ao excesso de proteínas plasmáticas nos túbulos renais.
Os cilindros podem ser bastante variáveis quanto à aparência, tamanho, forma 
e estabilidade. Isso faz com que haja bastante variação na sua identificação entre 
diferentes profissionais e laboratórios. A largura de um cilindro depende do tamanho do 
túbulo no qual ele se forma.
Em pessoas sadias, são observados raros cilindros no sedimento urinário, 
enquanto nas doenças renais, é possível observar cilindros em grande número e de 
vários formatos. O aumento de cilindros indica a disseminação da doença renal, com 
envolvimento de muitos néfrons, por outro lado também podem ser observados em 
indivíduos sadios após a prática de exercícios físicos vigorosos, acompanhados de 
proteinúria (NASCIMENTO et al., 2018).
Os cilindros podem ser classificados de acordo com a matriz, as inclusões, os 
pigmentos e as células que apresentam (RIELLA et al., 2018; (MCPHERSON; BEN-EZRA; 
ZHAO, 2012; NASCIMENTO et al., 2018)
3.5.1 Cilindros hialinos
Tipo de cilindro mais comum, são constituídos somente pela proteína de Tamm-
Horsfall, por isso são translúcidos à microscopia de campo claro. Aparecem em maior 
quantidade nas doenças renais e após a prática de exercícios, exposição ao calor, 
desidratação, febre, insuficiência cardíaca congestiva e terapia com diuréticos.
Figura 14– Cilindro hialino
 
Fonte: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/pequeno-atlas-de-uroanalise.html. Acesso em: 17 
set. 2022.
84
3.5.2 Cilindros céreos
Diferem dos cilindros hialinos por serem terem índice refrativo mais alto, aspecto 
liso e bordas pontiagudas, extremidades cegas e ranhuras ao longo das margens 
laterais. Os cilindros céreos estão associados à inflamação e à degeneração tubular, 
pois são observados em pacientes com insuficiência renal crônica. Esse tipo de cilindro 
pode obstruir os néfrons quando são muito grandes. 
3.5.3 Cilindros de eritrócitos
A detecção desses cilindros na urina indica a existência de sangramento no 
néfron. Podem aparecer em glomerulonefrites agudas, nefrite lúpica, pielonefrite severa, 
endocardite bacteriana e infarto renal. Para confirmar a presença deste tipo de cilindro é 
preciso visualizar em seu interior células com contornos francamente definidos (Figura 
15). Também podem conter muitas hemácias dismórficas. Com a estase prolongada, os 
cilindros de eritrócitos podem sofrer degeneração e aparecer na urina com conteúdo de 
grânulos grosseiros de hemoglobina e cor castanho-avermelhada.
Figura 15 – Cilindro hemático ou de eritrócitos
 
Fonte: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/pequeno-atlas-de-uroanalise.html. Acesso em: 17 
set. 2022.
3.5.4 Cilindros de leucócitos 
Ao microscópio são refrateis, com grânulos e células com núcleos segmentados 
visíveis (Figura 16). Os leucócitos atingem a lâmina tubular a partir do interstício e os 
cilindros leucocitários indicam doença tubulointersticial com exsudação neutrofílica e 
inflamação. Diante disso, esse tipo de cilindro é muito comum na pielonefrite, doença 
glomerular, nefrite intersticial, nefrite lúpica e síndrome nefrótica.
85
Figura 16 – Cilindro leucocitário em amostra de urina
 
Fonte: https://kasvi.com.br/sedimentoscopia-analise-urina/. Acesso em: 17 set. 2022.
3.5.5 Cilindros de células epiteliais tubulares renais
São facilmente confundidos com cilindros de leucócitos, porém nesse caso as 
células que compõem o cilindro possuem núcleo arredondado e sem segmentação. 
São encontrados na urina de pacientes com necrose tubular aguda, doença viral ou 
expostos a determinados fármacos. Os cilindros de células epiteliais tubulares renais, 
auxiliam na detecção da rejeição de transplantes renais.
3.5.6 Cilindros celulares mistos
Neste caso, dois tipos celulares estão presentes em um único cilindro, como 
leucócitos e células tubulares renais, eritrócitos e leucócitos. Quando não é possível 
identificar os tipos celulares envolvidos, chamamos apenas de cilindro celular.
3.5.7 Cilindros granulares
Comuns em condições fisiológicas e patológicas, podem se originar de agregados 
proteicos, como fibrinogênio, imunocomplexos e globulinas, que atravessam os túbulos 
de glomérulos danificados, além de restos de leucócitos, eritrócitos e células tubulares 
renais danificadas. Os cilindros granulares surgem com as doenças glomerulares e 
tubulares, pielonefrite, infecções virais e envenenamento por chumbo, porém também 
são característicos do processo de rejeição a aloenxertos renais. 
86
3.5.8 Cilindros gordurosos
A gordura de células tubulares renais carregadas de lipídeos é incorporada à 
matriz deste tipo de cilindro, que são encontrados na proteinúria severa e síndrome 
nefrótica.
3.5.9 Cilindros de cristais
Podem conter uratos, oxalato de cálcio e sulfonamidas e indicam a deposição de 
cristais no túbulo ou ducto coletor. Também podem estar acompanhados de hematúria, 
devido ao dano tubular.
3.5.10 Cilindros de hemoglobina
Possuem coloração entre amarelo e vermelho, são frequentemente 
acompanhados de cilindros de eritrócitos e surgem na doença glomerular.
3.5.11 Cilindros de hemossiderina
Esses cilindros são formados por grânulos de hemossiderina originados das 
células tubulares renais carregadas deste pigmento.
3.5.12 Cilindros de mioglobina
Com coloração castanho-avermelhada, estes cilindros aparecem na urina após 
dano muscular agudo e podem estar associados à insuficiência renal crônica.
Podemos concluir que alguns tipos de cilindros podem estar associados a 
desordens renais e por isso sua correta identificação é essencial para o diagnóstico. 
Quando temos cilindros íntegros na amostra de urina é um sinal de que ela foi bem 
preservada. Os cilindros refletem o conteúdo dos túbulos renais no momento de sua 
formação, por isso são conhecidos por serem como uma “biópsia” da luz tubular, quando 
encontrados em número significativo devem ser interpretados em conjunto com outros 
achados do sedimento urinário e do exame químico da urina (BRUNZEL, 2018).
3.6 MUCO
O muco é uma substância glicoproteica secretada por glândulas acessórias, 
visualizado sob microscópio como filamentos longos e finos, com baixo índice de refração 
e contornos irregulares, conforme visto na Figura 17 (SBPC, 2017). A presença de muco 
não tem significância clínica, sendo frequentemente oriundos de contaminação durante 
a coleta. Podem até estar aumentados em processos infecciosos ou inflamatórios, 
porém não levam a nenhuma conclusão diagnóstica.
87
 
Figura 17 – Microscopia de urina com presença abundante de filamentos de muco
 
Fonte: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/pequeno-atlas-de-uroanalise.html. Acesso em: 17 
set. 2022.
3.7 MICRORGANISMOS
Bactérias, fungos e parasitas podem ser encontrados na análise do sedimento 
urinário. A urina normal é estéril, entretanto sua composição pode ser um bom meio 
de cultivo para fungos e bactérias, por isso muitas vezes esses microrganismos estão 
falsamente aumentados na urina devido a sua multiplicação na amostra após a coleta 
e armazenamento inadequados.
3.7.1 Bactérias
Para observá-las é necessária uma alta ampliação, a detecção de bactérias em 
amostras de urina pode ser um achado significativo, entretanto é importante diferenciar 
de situação de contaminação com bactérias da microbiota. Caracteriza infecção urinária 
quando as bactérias estão presentes em amostras recentemente obtidas por coleta de 
jato médio e se numerosos leucócitos também estiverem presentes. Em infecções com 
envolvimento dos rins, também podem ser observados cilindros contendo bactérias 
(SBPC, 2017). Na Figura 18, podemos observar o aspecto de uma lâmina de urina 
contendo bactérias.Figura 18 – Bactérias com formato de bacilos na urina (círculos)
 
Fonte: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2010/05/pequeno-atlas-de-uroanalise.html. Acesso em: 17 
set. 2022.
88
3.7.2 Fungos
Os mais observados na urina são as leveduras do gênero Candida, que podem ser 
causadoras oportunistas de infecção do trato urinário. Entretanto, as leveduras também 
podem ser colonizadoras da pele e do trato genital feminino (BATISTA et al., 2019). Como 
podemos observar nas Figuras 19 e 20, a presença de brotamentos e pseudo-hifas 
facilitam a sua identifi cação. No laudo da sedimentoscopia, a presença de leveduras 
é relatada na sessão “Outros elementos” e quantifi cada como raras, moderadas, ou 
abundantes leveduras (SBPC, 2017).
Figura 19 – Presença de leveduras com brotamento 
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifi ca%c3%a7%c3%a3o_201508.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022.
Figura 20 – Pseudo-hifa em análise de urina à fresco, ou seja, entre lâmina e lamínula e sem coloração
Fonte: https://so.controllab.com/pdf/cl_urinalise_identifi ca%c3%a7%c3%a3o_201508.pdf. Acesso em: 17 
set. 2022.
89
3.7.3 Parasitas
Parasitas e seus ovos podem ser observados no sedimento urinário devido 
à contaminação fecal ou vaginal. Pacientes com esquistossomose causada por 
Schistosoma haematobium podem apresentar ovos deste parasito na urina. Raramente 
também é possível encontrar na urina ovos de Enterobius vermicularis e larvas de 
Strongyloides stercoralis.
A presença do protozoário flagelado Trichomonas vaginalis pode ser 
consequência de contaminação vaginal, mas de forma mais rara também é possível 
causar infecção da uretra ou da bexiga urinária. Quando ainda estão vivos na amostra, 
podem ser facilmente identificados pela motilidade dos flagelos e seus rápidos e 
irregulares movimentos pela lâmina (BRUNZEL, 2018)
3.8 CONTAMINANTES E ARTEFATOS
Fibras musculares e células vegetais podem aparecer na sedimentoscopia da 
urina devido à contaminação fecal.
Espermatozoides, às vezes, estão presentes na urina por algumas horas depois 
do ato sexual e devem ser relatados de acordo com o sexo e idade do paciente, pois em 
homens acima dos 50 anos de idade pode indicar disfunção prostática. 
Fibras de algodão, pelos, fibras de madeira e sintéticas, grânulos de amido 
provenientes de luvas cirúrgicas (Figura 21) e gotículas de gordura porventura aparecem 
na urina devido à contaminação do ambiente ou do recipiente de coleta, apesar de 
não terem relevância, examinadores inexperientes precisam estar atentos para não 
os confundir com elementos de importância clínica (MCPHERSON; BEN-EZRA; ZHAO, 
2012).
Figura 21 – Contaminação da amostra de urina através do talco presente na luva, podendo ser facilmente 
confundido com cristais
 
Fonte: https://4.bp.blogspot.com/-gHv7LshqnWs/TcgbVkBGLcI/AAAAAAAAAgc/pSYEfpDioUM/s1600/par-
ticula-de-talco.jpg. Acesso em: 17 set. 2022.
 
90
Depois da grande difusão das leitoras automatizadas para tiras 
reagentes, a análise automatizada do sedimento urinário também 
vem ganhando espaço nos laboratórios clínicos, uma vez que esses 
equipamentos permitem agilidade e padronização da análise do 
sedimento urinário.
Geralmente utilizam tecnologias de citometria de fluxo, análise 
digital de imagens ou microscopia automatizada com imagem 
digitalizada para classificar e quantificar os elementos presentes 
no sedimento urinário. Esses equipamentos reduzem o uso da 
microscopia manual, mas não a eliminam por completo, já que as 
alterações detectadas precisam ser confirmadas por um profissional 
(SBPC, 2017). Esses instrumentos também podem ser integrados 
aos sistemas de informação laboratoriais, otimizando a emissão dos 
resultados.
INTERESSANTE
91
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
As características morfológicas dos principais elementos encontrados no exame 
microscópico da urina, e a importância dessa etapa da urinálise, para a correlação 
entre os resultados da análise física, química e microscópica da urina.
Que através da preservação dos componentes na urina conseguimos avaliar como foi 
realizada a coleta e o armazenamento da amostra, para considerar se um achado é 
ou não representativo da condição de saúde do paciente.
A diferenciar cristais de urina ácida e alcalina, bem como cristais normais, produzidos 
pelo metabolismo e eliminados pela via urinária, de cristais anormais, como os de 
bilirrubina, cistina, colesterol, leucina e tirosina, que sugerem a existência de distúrbios 
favorecendo alterações físico-químicas urinárias que proporcionam sua formação.
A identificar as características microscópicas e a origem dos cilindros urinários, 
contribuindo para a definição da hipótese diagnóstica.
A significância da presença de leucócitos na urina para a confirmação da relação entre 
os microrganismos encontrados na amostra e a infecção estabelecida por eles.
92
AUTOATIVIDADE
1 A observação da urina com finalidade diagnóstica faz parte da história da medicina, 
desde Hipócrates no século V a.C., posteriormente surgiram classificações diversas, 
mas a introdução da microscopia e das câmaras de contagem pelo médico escocês 
Thomas Addis destacaram sua importância como ferramenta diagnóstica. Sobre a 
avaliação microscópica do sedimento urinário, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A análise microscópica da urina é realizada com a amostra não centrifugada para 
prevenir a degradação de elementos como células e cilindros.
b) ( ) O volume de urina utilizado na contagem não altera o resultado, se o número de 
campos contados for sempre o mesmo.
c) ( ) A observação de bactérias, leveduras e hemácias na microscopia requer o uso de 
objetivas de maior aumento.
d) ( ) Amostras de urina refrigeradas mantém seus elementos conservados e são 
preferíveis para análise da morfologia dos cristais.
2 A identificação microscópica de hemácias ou eritrócitos serve como confirmação e 
complementação das informações sobre presença de sangue obtidas na análise 
química da urina. Com base nessa análise, qual das seguintes afirmações sobre as 
hemácias na urina é CORRETA?
a) ( ) As hemácias adquirem formato crenado na urina alcalina.
b) ( ) A urina hipotônica provoca a desintegração dos eritrócitos.
c) ( ) Os restos e detritos de hemácias são chamados de “células fantasmas”.
d) ( ) Hemácias dismórficas geralmente estão associados à doença tubular renal.
3 Os cilindros urinários podem ser identificados na sedimentoscopia e refletem situações 
fisiológicas e patológicas, eles fornecem informações sobre a homeostase renal já 
que são formados exclusivamente nos rins. Analise as sentenças a seguir sobre os 
fatores que contribuem para a determinação do formato e do tamanho dos cilindros:
I- Concentração da proteína de Tamm-Horsfall na matriz do cilindro. 
II- A conformação do túbulo renal em que o cilindro é formado.
III- O diâmetro do lúmen tubular em que o é formado.
IV- O tempo de estase urinária.
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Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, III e IV estão corretas.
b) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença I está correta
4 O pH urinário, além de fornecer informações sobre a conservação e adequação da 
amostra de urina, influencia no processo de formação dos cristais urinários. Disserte 
sobre a relação do caráter ácido-básico da urina com os tipos de cristais que podem 
se formar.
5 A interpretação das análises de urina funciona como um quebra-cabeça, no qual 
os resultados do exame físico da urina se unem às informações obtidas nos testes 
químicos e por fim são confirmados e se obtém novas “peças” na análise do sedimento 
urinário, para compor um resultado que indica ou não determinada patologia. Explique 
quais os achados da urinálise, ou “peças do quebra-cabeça”, são encontradas em 
uma situação de infecção urinária por bactérias e qual o exame padrão-ouro para a 
confirmação deste quadro.

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