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TRAUMA TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR SUMÁRIO 1. Traumatismo raquimedular .................................................................................3 2. Epidemiologia .....................................................................................................3 3. Anatomia ............................................................................................................5 4. Tipos de Fratura .................................................................................................8 5. Escalas .............................................................................................................14 6. Clínica ..............................................................................................................15 7. Radiologia ........................................................................................................19 8. Tratamento .......................................................................................................23 Referências ..................................................................................................... 26 Traumatismo Raquimedular 3 1. TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR Pacientes politraumatizados devem sempre ser considerados portadores de Trauma Raquimedular, mesmo se não apresentarem déficit neurológico. Para tanto, a imobilização adequada deve ser realizada para todos os pacien- tes, bem como o rolamento em bloco. A excessiva manipulação e a imobilização inadequada podem gerar lesões neurológicas adicionais e piorar o prognóstico do paciente. 2. EPIDEMIOLOGIA A incidência do traumatismo raquimedular (TRM) é de 12,7 a 50 pessoas por mi- lhão de pessoas/ano, ocorrendo através de um insulto vertebro-medular que gera alterações temporárias ou permanentes na função motora, na sensibilidade ou na função autonômica do organismo. Em relação aos níveis medulares mais acometidos, o principal é o cervical, ocor- rendo em cerca de 50% dos casos, devido à sua maior exposição e mobilidade, geral- mente relacionado a mergulhos em superfícies rasas. O TRM na região cervical pode culminar em morte pela apneia provocada pela lesão dos nervos frênicos. Saiba mais! O nervo frênico é o primeiro nervo periférico a emer- gir da coluna cervical. Em seguida, verifica-se o nível torácico, contabilizando cerca de 29% dos casos, seguido pelo nível lombar (15%) e sacrais (4%). Se liga! Devemos lembrar que concomitantemente ao envelhe- cimento ocorre o processo de enfraquecimento dos ossos, inclusive das vér- tebras, predispondo a fraturas em níveis mais inferiores, principalmente pelo mecanismo de quedas. Traumatismo Raquimedular 4 Com relação aos fatores causais, podemos observar os acidentes automobilís- ticos despontando como a principal causa de TRM, acumulando cerca de 30% dos casos. Nesse âmbito, devemos sinalizar a importância da ejeção, muitas vezes pela não utilização do cinto de segurança, como um mecanismo de trauma frequente. Em seguida, pode-se observar o acidente por mergulho em água rasa cursando com 21% dos casos de TRM. Verifica-se a queda da própria altura como mecanismo de 20% dos casos, comum principalmente na faixa etária senil. Além disso, os feri- mentos por arma de fogo também possuem uma grande responsabilidade no TRM, gerandocerca de 12% dos casos. Por fim, os acidentes esportivos ocorrem em cerca de 2% dos casos. Figura 1. Fatores causais no TRM, de acordo com suas ordens de prevalência. Fonte: Elaborado pelo autor. Cabe ressaltar que o TRM usualmente acomete a população jovem, de 15 a 40 anos, em plena idade produtiva. Sendo assim, gera dependência e diminuição expres- siva da qualidade de vida, com um estigma associado muito importante, além do im- pacto para previdência, sendo portanto uma importante questão de saúde pública. Sabe-se que o homem é epidemiologicamente mais acometido que a mulher nos mecanismos de trauma, em geral. O TRM não varia dessa observação, acometendo mais homens, em uma proporção de 4 homens a cada 1 mulher. Cabe aqui a diferenciação entre TRM primário e secundário. A TRM primária tra- ta-se do insulto inicial, onde a fratura ocorreu. A TRM secundária envolve as lesões secundárias medulares, como o edema medular, a ocorrência de disautonomia, es- pasticidade, entre outros. Traumatismo Raquimedular 5 3. ANATOMIA Para entendermos melhor o nível da lesão de acordo com sua repercussão clínica é mandatório o conhecimento da anatomia relacionada. A coluna vertebral é formada por 24 vértebras, sendo 7 cervicais, 12 torácicas e 5 lombares, além do sacro e do cóccix. São compostas por um corpo vertebral, sendo esse o principal mecanismo de sustentação, separados entre si pelos discos inter- vertebrais e fixados pelos ligamentos. MAPA MENTAL: EPIDEMIOLOGIA DO TRM 12,7 a 50 pessoas por milhão de pessoas/ano Cervical: 50% Torácico: 29% Lombar: 15% Sacral: 4% Acidentes automobilísticos:30% Mergulho em água rasa: 21% Queda da própria altura: 20% FAF: 12% Acidentes esportivos: 2% População Jovem (15 a 40 anos) Homem 4:1 Mulheres TRM Primário: Insulto inicial TRM Secundário: Lesões medulares secundárias Epidemiologia do Trauma Raquimedular Fonte: Elaborado pelo autor. Traumatismo Raquimedular 6 Figura 2. Anatomia da coluna vertebral.10 Fonte: Ellen_Bronstayn/Shutterstock.com A medula espinhal, por sua vez, partícipe do Sistema Nervoso Central, se inicia a nível do forame magno e termina ao nível de L1, continuando como cauda equina com as raízes nervosas. As raízes nervosas emitidas se distribuem para inervação do corpo dentro de determinados segmentos, chamados miótomos (porção motora) e dermátomos (porção sensitiva). Traumatismo Raquimedular 7 Hora da revisão! Os dermátomos são a área da pele inervada por neurônios sensitivos pertencentes a uma determinada raiz nervosa. É im- portante termos noção de alguns dermátomos, para que saibamos reconhecer o nível da lesão traumática. Podemos internalizar alguns dermátomos mais significativos, a partir dos quais lembraremos o restante! C5 – Deltoide T4 – Mamilos T8 – Apêndice Xifóide T10 – Umbigo T12 Região Inguinal S4/S5 – Região Perianal. Figura 3. Distribuição dos dermátomos de acordo com as raízes nervosas.11 Fonte: VectorMine/Shutterstock.com Sendo assim, durante a avaliação clínica, tanto a nível térmico, nociceptivo ou tátil, é necessário determinarmos os níveis avaliados para predizer um prognóstico de acordo com nível medular afetado. Traumatismo Raquimedular 8 4. TIPOS DE FRATURA Existem 3 tipos de fratura: A (Lesões compressivas), B ou C. Tipo A – Lesões Compressivas: As lesões compressivas nada mais são que o achatamento de vértebras. As lesões do tipo A podem ser classificadas de I a IV. • A 1: Fratura em “tear drop”. • A 2: Fratura em “Split”, acomete os dois platôs, como uma rachadura. Trata-se de um caso cirúrgico limítrofe, em que se pode adotar • medidas conservadoras em alguns casos. • A 3: O acometimento do platô superior. • A 4: O acometimento de ambos os platôs. Devemos ter em mente a classificação das fraturas para possível indicação cirúr- gica. Fraturas A 3 e A 4, com achatamento maior que 50%, são indicativos cirúrgicos. Figura 4. Lesões compressivas.6 Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com Tipo B – Lesões por Ruptura: • B 1: Lesão por ruptura anteroposterior. • B 2: Lesão por ruptura do platô superior, associada à ruptura ligamentar. • B 3: Lesão por ruptura do disco vertebral, associada à ruptura ligamentar total. • Usualmente, as fraturas do Tipo B são abordadas cirurgicamente, justamente pela comum afecção das estruturas ligamentares. Traumatismo Raquimedular 9 Figura 5. Lesões por ruptura.7 Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com Tipo C - Lesões por Deslocamento: A lesão por deslocamento geralmente envolve compressão, rupturas e desloca- mentos, sendo o tipo mais grave de fratura, podendo estar associada a sinais clíni- cos de rotura parcial ou completa medular. Figura 6. Lesão pordeslocamento.8 Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com Traumatismo Raquimedular 10 MAPA MENTAL: TIPOS DE FRATURA VERTEBRAIS Tipo A – Lesões Compressivas Tipo B – Lesões por Ruptura Tipo C – Lesões por Deslocamento Envolvem compressão, rupturas e deslocamentos 2: Ruptura do platô superior, com lesão ligamentar 1: Ruptura anteroposterior2: Fratura em Split1: “Tear Drop” Tipo mais graveUsualmente cirúrgicas3: Ruptura do disco, com ruptura ligamentar total 4: Acometimento de ambos platôs 3: Acometimento de platô superior Indicação cirúrgica: A 3 e 4, com achatamento > 50% Associação com rotura parcial ou total de medula Fonte: Elaborado pelo autor. Traumatismo Raquimedular 11 Os tipos de fratura mais frequentes, em ordem craniocaudal, são: • Luxação Atlanto-Occipital: disjunções craniocervicais, pouco comuns, gerada por movimentos acentuados de flexão e tração. Normalmente fatal por destrui- ção do tronco encefálico e apneia. Figura 7. Luxação Atlanto-Occipital – Disjunções craniocervicais. Fonte: Acervo do Professor Everson Gomes. • Fratura do Atlas (C1): A fratura mais comum do Atlas é a fratura por explosão da vértebra (Fratura de Jefferson). O seu mecanismo é normalmente uma so- brecarga axial, como ocorre em mergulhos em superfície rasa. A melhor forma de diagnosticar essa fratura é a radiografia por incidência transoral. A B C Figura 8. A – RX Transoral normal, demonstra que as margens laterais de C1 se alinham com as mar- gens laterais de C2. B - RX transoral evidenciando fratura do atlas (C1), observando-se deslocamento das massas laterais de C1. C - TC demonstrando fratura instável, com corpo anterior fraturado bilate- ralmente e na região posterior do lado esquerdo. Fonte: Acervo do Professor Everson Gomes. Traumatismo Raquimedular 12 • Subluxação por rotação em C1: O doente se apresenta com a cabeça em ro- tação persistente (torcicolo). Pode-se observar nessa lesão que o odontoide não se encontra equidistante dos processos laterais de C1 , mais comum em crianças. • Fraturas do Áxis (C2): • Fraturas do Odontoide: O processo odontoide é uma protuberância óssea bem definida, que se projeta cranialmente da vértebra C2, fazendo contando com C1. Em geral, é necessária uma TC para definir a fratura do odontoide mais claramente. • Fraturas dos elementos posteriores: Fratura típica dos enforcamentos, com- promete a parte interarticular de C2, resultando de uma lesão por extensão. • Outras fraturas de C2: Fraturas no corpo, pedículo, processos laterais, lâmi- nas e processo espinhoso de C2. Cerca de 20% das fraturas do Áxis. • Fraturas e luxações (C3 a C7): As vértebras C5 e C6 constituem a parte mais móvel da coluna cervical, sendo os locais mais frequentes de fratura (C5) e luxação (entre C5 e C6). A fratura das facetas articulares aumenta a incidência de lesões neurológicas drasticamente, nesses casos. • Fraturas da coluna torácica (T1 a T10): Podem ser lesões em cunha por com- pressão anterior (sobrecarga axial associada à flexão), lesões por explosão do corpo vertebral (compressão vertical axial), fraturas de chance (fraturas transversas no corpo vertebral, associadas ao uso isolado do cinto de segu- rança abdominal) ou fraturas-luxações (ruptura dos elementos posteriores das vértebras). • Fraturas da Junção Toracolombar (T11 a L1): Resultantes da combinação de hiperflexão e rotação agudas, costumam ser instáveis. Os portadores tornam- -se vulneráveis a movimentos de rotação. • Fraturas lombares: Por acometerem apenas a cauda equina, possuem um me- nor risco de déficit neurológico completo. • Lesões penetrantes: Ferimentos por arma branca (FAB) ou ferimentos por armas de fogo (FAF). A passagem do agente diretamente pelo canal verte- bral usualmente culmina em déficit neurológico completo, podendo também ocorrer por transferência de energia, mesmo sem a transfixação da medula espinhal. • Lesões vasculares contusas das artérias carótida e vertebral: São critérios su- geridos para avaliação vascular nas fraturas de C1 a C3, fraturas cervicais com subluxação e fraturas envolvendo forame transverso. O tratamento envolve an- ticoagulação ou agentes antiplaquetários. Traumatismo Raquimedular 13 Raro, normalmente fatal por destruição de tronco encefálico. MAPA MENTAL: TIPOS DE FRATURAS MAIS FREQUENTES (ATLS 9ª ED, 2012) Critérios de avaliação tronco encefálico. vascular: fraturas de C1 a C3, fraturas cervicais com subluxação e envolvendo forame transverso Fratura por explosão = Fratura de Jefferson Sobrecarga axial Rx transoral Passagem do agente pelo canal vertebral usualmente gera déficit neurológico completo. Pode ocorrer também por transferência de energia Menor risco de déficit neurológico Combinação de hiperflexão e rotação agudas, são fraturas instáveis. Local mais frequente de fratura (C5) e luxação (entre C5 e C6) da coluna cervical pela hipermobilidade Luxação Atlanto-Occipital Fraturas da coluna torácica Lesões vasculares Lesões Penetrantes Fraturas Lombares Fraturas da Junção Toracolombar Fratura do Atlas Subluxação por rotação em C1 Fratura do Áxis Fraturas e Luxações de C3 a C7 Lesões em cunha, lesões por explosão, fraturas de chance ou fraturas-luxações Torcicolo persistente por cotação de C1 sobre C2 Fratura do Odontoide Fratura dos elementos posteriores (Do enforcado) Fonte: Elaborado pelo autor. Traumatismo Raquimedular 14 5. ESCALAS A Escala de Frankel serve para classificação clínica do paciente com TRM, sendo dividida em A, B, C, D ou E. Essa escala classifica o paciente do mais grave possível (A – rotura completa medular) ao paciente menos grave (E – Normal) de acordo com os critérios clínicos de função motora e sensitiva observados. • A: Paciente não apresenta nenhuma resposta motora. Rotura completa. • B: Paciente apresenta função sensitiva até S4/S5, sem resposta motora. Rotura incompleta. • C: Paciente apresenta resposta motora com força inferior a grau 3 na grande maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta. • D: Paciente apresenta resposta motora com força superior a grau 3 na grande maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta. • E: Paciente sem alterações motoras ou sensitivas. Normal. Hora da revisão! As lesões medulares implicam em síndromes específicas a depender da topografia de acometimento. Lembrando que a me- dula espinhal possui 3 tratos que podem ser avaliados clinicamente: o trato corticoespinhal lateral (motor), o trato espinotalâmico lateral (dor e tempera- tura) e os tratos das colunas dorsais (fasículo grácil e corneato, responsáveis pela propriocepção consciente, tato epicrítico e sensibilidade vibratória). Síndrome central medular: perda de força mais acentuada em membros supe- riores. Geralmente ocorre por hiperextensão em pacientes com estenose pree- xistente do canal medular. Síndrome anterior medular: paraplegia e dissociação da perda sensorial, com perda de sensibilidade à dor e temperatura (Trato Espinotalâmico). Das lesões incompletas, é a de pior prognóstico. Síndrome posterior medular: comprometimento da propriocepção, sensação vibratória e tato epicrítico. Síndrome de Brown-Séquard ou Hemissecção medular: comprometimento motor ipsilateral (trato corticoespinhal) e perda da sensibilidade postural (co- luna posterior), além da perda contralateral à sensibilidade térmica e à dor (Trato Espinotalâmico). Figura 9. Tratos da Medula Espinhal.9 Fonte: Ali_DM/Shutterstock.com Traumatismo Raquimedular 15 ESCALA DE FRANKEL A Não apresenta nenhuma resposta motora. Rotura completa. B Função sensitiva até S4/S5, sem resposta motora. Rotura incompleta. C Resposta motora com grau inferior a 3 na maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta. D Resposta motora com grau superior a 3 na maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta. E Sem alterações motoras ou sensitivas. Normal. Tabela 1. Escala de Frankel. Fonte: Elaborado pelo autor. 6. CLÍNICA Existem alguns conceitos semiológicos importantes de seremabordados no to- cante ao TRM. A paraplegia é a perda dos movimentos dos membros inferiores, ocorrendo por lesões torácicas ou mais inferiores (abaixo de T1). A tetraplegia envolve também a perda de movimentos de membros superiores além da sustentação axial, denotando uma possível lesão cervical (acima de T1). A lesão completa medular envolve a perda de todos os movimentos, enquanto a lesão incompleta cursa com a manutenção do movimento de certos grupamentos musculares, de um hemicorpo, entre outras formas a depender do mecanismo de acometimento medular. O paciente que cursa com uma lesão completa de medula cursa com disfunção esfincteriana, arreflexia, hipotonia generalizada, perda total dos movimentos e da sensibilidade, sendo essa entidade caracterizada como um choque medular. Nesse caso, pode-se observar a ausência do reflexo do bulbo cavernoso, bem como a pre- sença de priapismo, ambos pela descarga adrenérgica expressiva que ocorre no cho- que medular, indicando um pior prognóstico. Hora da revisão! Priapismo é definido como uma ereção pe- niana prolongada e persistente (> 4 horas), frequentemente dolorosa, desenca- deada ou não por estímulo sexual. Caracteriza-se como uma situação clínica de emergência, requerendo um diagnóstico rápido. O reflexo bulbocavernoso, por sua vez, é observado pelo estímulo da glande peniana ou do clitóris, que gera em situações fisiológicas a contração do es- fíncter anal. Traumatismo Raquimedular 16 Saiba mais! O choque neurogênico ocorre por uma lesão das vias descendentes do sistema nervoso simpático a nível cervical ou torácico alto (geralmente até T6). Essa lesão provoca a perda do tônus vasomotor (pro- movendo a vasodilatação dos vasos viscerais e das extremidades inferiores, represamento de sangue e, como consequência, a hipotensão) e a perda da inervação simpática cardíaca (fazendo com que o paciente curse com bradi- cardia ou descontinue uma taquicardia, em resposta à hipovolemia). O choque neurogênico está associado ao choque hemorrágico, então o tratamento será a reanimação volêmica e, se esta não resolver, pode-se, criteriosamente, optar pelos vasopressores. Por outro lado, o choque medular, não está associado à inervação do vaso e sim, da inervação muscular, sendo assim caracterizado pela flacidez (perda do tônus muscular) e pela perda de reflexos, observada após a lesão medular. MAPA MENTAL: CHOQUE NEUROGÊNICO X CHOQUE MEDULAR Choque Neurogênico Lesão das vias descendentes do SNA simpático Cervical a Torácico alto (até T6) Perda do tônus muscular e arreflexia Choque por lesão medular em qualquer nível Choque Medular Perda do tônus vasomotor Perda da inervação simpática do coração Pode voltar a apresentar função normal Período de acometimento é variável Vasodilatação de vasos viscerais e extremidades Bradicardia ou taquicardia não compensatória Hipotensão PA não se normaliza apenas com cristaloides Fonte: Elaborado pelo autor. Traumatismo Raquimedular 17 Além disso, é importante a verificação do nível de sensibilidade, bem como da avaliação do grau de força muscular em todo o corpo do indivíduo que sofreu de um TRM. GRAUS DE FORÇA MUSCULAR 0 Nenhum movimento é observado 1 Esboço de movimentos ou fasciculações musculares 2 Força muscular e movimentação apenas sem a resistência da gravidade 3 Força muscular e movimentação contra a gravidade, mas falha contra resistência do examinador 4 Força muscular reduzida, mas vence a resistência do examinador 5 Força muscular normal contra a resistência do examinador Tabela 2. Graus de Força Muscular. Fonte: Elaborado pelo autor. Traumatismo Raquimedular 18 MAPA MENTAL: QUADRO CLÍNICO DO TRAUMA RAQUIMEDULAR Paraplegia: Lesões abaixo de T1, MMII’s Fonte: Elaborado pelo autor. Tetraplegia: Lesões acima de T1, MMII’s, MMSS’s e sustentação axial Lesão incompleta: Manutenção de certos movimentos, hemicorpo, etc. Lesão completa: Perda de todos movimentos e sensibilidade, disfunção esfincteriana, arreflexia, hipotonia = Choque Medular Ausência do reflexo bulbocavernoso e presença de priapismo Paraplegia x Tetraplegia Lesão completa x Incompleta Verificar grau de força muscular Verificar nível de sensibilidade (Dermátomos) Grau 0: Nenhum movimento Grau 1: Esboço de movimentos Grau 2: Apenas a favor da gravidade Grau 3: Vence a gravidade, mas falha contra a resistência Grau 4: Há contração contra resistência Grau 5: Força muscular normal Choque medular: Hipotonia e arreflexia após lesão Choque neurogênico: lesão das vias simpáticas (Até T6) Perda do tônus vasomotor e da inervação simpática do coração Quadro Clínico TRM Choque medular x Choque Neurogênico Traumatismo Raquimedular 19 7. RADIOLOGIA A coluna vertebral deve ser avaliada por meio de radiografias nas incidências an- teroposterior (AP) e em perfil, buscando avaliar a assimetria, o alinhamento das vér- tebras e rotura de partes moles. Avaliação Radiológica Cervical As Colunas de Denis são linhas que separam a região cervical em anterior, médio e posterior. O acometimento de duas ou mais dessas colunas usualmente implica na realização de um procedimento cirúrgico. Esse conceito se estende para a coluna torácica e lombar. Figura 10. Colunas de Denis na avaliação radiográfica. 3 colunas: anterior (parte anterior do corpo vertebral, disco intervertebral e ligamento longitudinal anterior), média (ligamento longitudinal poste- rior, 1/3 posterior do ânulo fibroso e corpo vertebral) e posterior (ligamento supra e interespinhoso, ligamento amarelo, cápsula e facetas articulares). Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo. A observação radiológica da região cervical em colunas, bem como a verificação dos pontos entre as vértebras Atlas e Áxis (C1 e C2, respectivamente), possibilita a avaliação de simetria, distância entre pontos anatômicos importantes, como a posi- ção do do dente do Áxis em relação ao Atlas Traumatismo Raquimedular 20 Figura 11. Avaliação radiográfica de simetria e relação entre os pontos anatômicos através de linhas e pontos. Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo. A realização de radiografia em AP, perfil e transoral (para visualização do proces- so odontoide ou dente do Áxis) é eficaz para o diagnóstico de > 80% das fraturas de coluna cervical. É de extrema importância a visualização de todas as vértebras da coluna cervical, bem como a transição cervicotorácica. Na impossibilidade de visualização desse segmento em radiografias convencionais pode-se lançar mão das radiografias sob tração de membros superiores ou na posição do nadador. Em certos momentos é necessária a realização de radiografias em extensão/ fle- xão para observar se há alguma luxação nas vértebras cervicais. Se liga! As radiografias com hiperflexão ou hiperextensão (dinâmi- cas) são contraindicadas em pacientes com dor, déficit neurológico ou incons- cientes, devido ao risco de agravamento de lesão subjacente. Traumatismo Raquimedular 21 Figura 12. Radiografia realizada em movimento de hiperextensão para possibilitar a melhor visualiza- ção de luxações nas vértebras cervicais. Lembrando que radiografias em hiperextensão/flexão são contraindicadas em pacientes com dor, déficit neurológico ou inconscientes, pelo alto risco de lesão. Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo. Além da radiografia, pode-se utilizar da tomografia computadorizada (TC) e da ressonância magnética nuclear (RMN). A TC possibilita um diagnóstico de fraturas ocultas, bem como avaliação de sua morfologia, estabilidade e se há compressão do canal vertebral pelos fragmentos fraturados. Além disso, a TC tem um importante papel para avaliação de lesões lombares, principalmente para detectar fraturas dos elementos posteriores (pedículos, lâmina e processos espinhosos) e determinar o grau de compressão medular. A RMN, por sua vez, permite um maior detalhamento das partes moles, avaliando contusões medulares, hematomas, lesões ligamentares, hérnias discaise coleções líquidas. Traumatismo Raquimedular 22 Figura 13. RNM evidenciando lesão cervical completa. Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo. Avaliação Radiográfica Torácica e Lombar: Nesse caso também se utiliza de radiografia em AP, perfil e aqui há um maior papel da TC em cortes axiais, principalmente para detectar fraturas dos elementos posteriores (pedículos, lâmina e processos espinhosos) e determinar o grau de com- pressão medular provocado por fraturas. Figura 14. TC em perfil, evidenciando fratura, tipo A3, em L1. Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo. Traumatismo Raquimedular 23 8. TRATAMENTO Por ser um trauma, semelhante ao trauma torácico, abdominal, entre outros, o tra- tamento do TRM também pautado no ATLS, seguindo a sequência de atendimento inicial do trauma, o ABCDE. A prioridade, como qualquer trauma, é evitar as lesões secundárias. MAPA MENTAL: ABCDE DO TRAUMA A AIRWAY Via aérea e colar cervical Viabilidade da via aérea Avaliar pescoço antes de passar colar B BREATHING Ventilação e Respiração Inspeção, palpação Ausculta e Percussão C CIRCULATION Circulação e controle da Hemorragia Pele, pulso, perfusão e hemorragias USG Fast D DISABILITY Disfunção Neurológica Escala de Coma de Glasgow e Pupilas IOT se ECG