Logo Passei Direto
Buscar

453996e4-efa0-4f71-97db-4634e6738148

Capítulo sobre traumatismo raquimedular que aborda definição e manejo inicial (imobilização), epidemiologia (incidência, níveis afetados, causas), anatomia vertebral, tipos de fratura, escalas, clínica, radiologia e tratamento.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

TRAUMA
TRAUMATISMO 
RAQUIMEDULAR
SUMÁRIO
1. Traumatismo raquimedular .................................................................................3
2. Epidemiologia .....................................................................................................3
3. Anatomia ............................................................................................................5
4. Tipos de Fratura .................................................................................................8
5. Escalas .............................................................................................................14
6. Clínica ..............................................................................................................15
7. Radiologia ........................................................................................................19
8. Tratamento .......................................................................................................23
Referências ..................................................................................................... 26
Traumatismo Raquimedular   3
1. TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR
Pacientes politraumatizados devem sempre ser considerados portadores de 
Trauma Raquimedular, mesmo se não apresentarem déficit neurológico.
Para tanto, a imobilização adequada deve ser realizada para todos os pacien-
tes, bem como o rolamento em bloco. A excessiva manipulação e a imobilização 
inadequada podem gerar lesões neurológicas adicionais e piorar o prognóstico do 
paciente.
2. EPIDEMIOLOGIA
A incidência do traumatismo raquimedular (TRM) é de 12,7 a 50 pessoas por mi-
lhão de pessoas/ano, ocorrendo através de um insulto vertebro-medular que gera 
alterações temporárias ou permanentes na função motora, na sensibilidade ou na 
função autonômica do organismo.
Em relação aos níveis medulares mais acometidos, o principal é o cervical, ocor-
rendo em cerca de 50% dos casos, devido à sua maior exposição e mobilidade, geral-
mente relacionado a mergulhos em superfícies rasas. O TRM na região cervical pode 
culminar em morte pela apneia provocada pela lesão dos nervos frênicos.
 Saiba mais! O nervo frênico é o primeiro nervo periférico a emer-
gir da coluna cervical.
Em seguida, verifica-se o nível torácico, contabilizando cerca de 29% dos casos, 
seguido pelo nível lombar (15%) e sacrais (4%).
 Se liga! Devemos lembrar que concomitantemente ao envelhe-
cimento ocorre o processo de enfraquecimento dos ossos, inclusive das vér-
tebras, predispondo a fraturas em níveis mais inferiores, principalmente pelo 
mecanismo de quedas.
Traumatismo Raquimedular   4
Com relação aos fatores causais, podemos observar os acidentes automobilís-
ticos despontando como a principal causa de TRM, acumulando cerca de 30% dos 
casos. Nesse âmbito, devemos sinalizar a importância da ejeção, muitas vezes pela 
não utilização do cinto de segurança, como um mecanismo de trauma frequente. 
Em seguida, pode-se observar o acidente por mergulho em água rasa cursando com 
21% dos casos de TRM. Verifica-se a queda da própria altura como mecanismo de 
20% dos casos, comum principalmente na faixa etária senil. Além disso, os feri-
mentos por arma de fogo também possuem uma grande responsabilidade no TRM, 
gerandocerca de 12% dos casos. Por fim, os acidentes esportivos ocorrem em cerca 
de 2% dos casos.
Figura 1. Fatores causais no TRM, de acordo com suas ordens de prevalência. 
Fonte: Elaborado pelo autor.
Cabe ressaltar que o TRM usualmente acomete a população jovem, de 15 a 40 
anos, em plena idade produtiva. Sendo assim, gera dependência e diminuição expres-
siva da qualidade de vida, com um estigma associado muito importante, além do im-
pacto para previdência, sendo portanto uma importante questão de saúde pública.
Sabe-se que o homem é epidemiologicamente mais acometido que a mulher nos 
mecanismos de trauma, em geral. O TRM não varia dessa observação, acometendo 
mais homens, em uma proporção de 4 homens a cada 1 mulher.
Cabe aqui a diferenciação entre TRM primário e secundário. A TRM primária tra-
ta-se do insulto inicial, onde a fratura ocorreu. A TRM secundária envolve as lesões 
secundárias medulares, como o edema medular, a ocorrência de disautonomia, es-
pasticidade, entre outros.
Traumatismo Raquimedular   5
3. ANATOMIA
Para entendermos melhor o nível da lesão de acordo com sua repercussão clínica 
é mandatório o conhecimento da anatomia relacionada. 
A coluna vertebral é formada por 24 vértebras, sendo 7 cervicais, 12 torácicas e 5 
lombares, além do sacro e do cóccix. São compostas por um corpo vertebral, sendo 
esse o principal mecanismo de sustentação, separados entre si pelos discos inter-
vertebrais e fixados pelos ligamentos.
MAPA MENTAL: EPIDEMIOLOGIA DO TRM
12,7 a 50 pessoas por
milhão de pessoas/ano
Cervical: 50%
Torácico: 29%
Lombar: 15%
Sacral: 4%
Acidentes automobilísticos:30%
Mergulho em água rasa: 21%
Queda da própria altura: 20%
FAF: 12%
Acidentes esportivos: 2%
População Jovem 
(15 a 40 anos)
Homem 4:1 Mulheres
TRM Primário: Insulto inicial
TRM Secundário:
Lesões medulares secundárias
Epidemiologia
do Trauma
Raquimedular
Fonte: Elaborado pelo autor.
Traumatismo Raquimedular   6
Figura 2. Anatomia da coluna vertebral.10
Fonte: Ellen_Bronstayn/Shutterstock.com
A medula espinhal, por sua vez, partícipe do Sistema Nervoso Central, se inicia a 
nível do forame magno e termina ao nível de L1, continuando como cauda equina 
com as raízes nervosas. As raízes nervosas emitidas se distribuem para inervação 
do corpo dentro de determinados segmentos, chamados miótomos (porção motora) 
e dermátomos (porção sensitiva).
Traumatismo Raquimedular   7
 Hora da revisão! Os dermátomos são a área da pele inervada 
por neurônios sensitivos pertencentes a uma determinada raiz nervosa. É im-
portante termos noção de alguns dermátomos, para que saibamos reconhecer 
o nível da lesão traumática. 
Podemos internalizar alguns dermátomos mais significativos, a partir dos quais 
lembraremos o restante! C5 – Deltoide T4 – Mamilos T8 – Apêndice Xifóide 
T10 – Umbigo T12 Região Inguinal S4/S5 – Região Perianal.
Figura 3. Distribuição dos dermátomos de acordo com as raízes nervosas.11
Fonte: VectorMine/Shutterstock.com
Sendo assim, durante a avaliação clínica, tanto a nível térmico, nociceptivo ou tátil, 
é necessário determinarmos os níveis avaliados para predizer um prognóstico de 
acordo com nível medular afetado.
Traumatismo Raquimedular   8
4. TIPOS DE FRATURA
Existem 3 tipos de fratura: A (Lesões compressivas), B ou C.
Tipo A – Lesões Compressivas:
As lesões compressivas nada mais são que o achatamento de vértebras.
As lesões do tipo A podem ser classificadas de I a IV.
• A 1: Fratura em “tear drop”.
• A 2: Fratura em “Split”, acomete os dois platôs, como uma rachadura. Trata-se 
de um caso cirúrgico limítrofe, em que se pode adotar
• medidas conservadoras em alguns casos.
• A 3: O acometimento do platô superior.
• A 4: O acometimento de ambos os platôs.
Devemos ter em mente a classificação das fraturas para possível indicação cirúr-
gica. Fraturas A 3 e A 4, com achatamento maior que 50%, são indicativos cirúrgicos.
Figura 4. Lesões compressivas.6
Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com
Tipo B – Lesões por Ruptura:
• B 1: Lesão por ruptura anteroposterior.
• B 2: Lesão por ruptura do platô superior, associada à ruptura ligamentar.
• B 3: Lesão por ruptura do disco vertebral, associada à ruptura ligamentar total.
• Usualmente, as fraturas do Tipo B são abordadas cirurgicamente, justamente 
pela comum afecção das estruturas ligamentares.
Traumatismo Raquimedular   9
Figura 5. Lesões por ruptura.7
Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com
Tipo C - Lesões por Deslocamento:
A lesão por deslocamento geralmente envolve compressão, rupturas e desloca-
mentos, sendo o tipo mais grave de fratura, podendo estar associada a sinais clíni-
cos de rotura parcial ou completa medular.
Figura 6. Lesão pordeslocamento.8
Fonte: Artemida-psy/Shutterstock.com
Traumatismo Raquimedular   10
MAPA MENTAL: TIPOS DE FRATURA VERTEBRAIS
Tipo A – Lesões
Compressivas
Tipo B – Lesões
por Ruptura
Tipo C – Lesões
por Deslocamento
Envolvem compressão,
rupturas e deslocamentos
2: Ruptura do platô
superior, com lesão
ligamentar
1: Ruptura anteroposterior2: Fratura em Split1: “Tear Drop”
Tipo mais graveUsualmente cirúrgicas3: Ruptura do disco, com
ruptura ligamentar total
4: Acometimento
de ambos platôs
3: Acometimento
de platô superior
Indicação cirúrgica: A 3 e 4,
com achatamento > 50%
Associação com rotura
parcial ou total de medula
Fonte: Elaborado pelo autor.
Traumatismo Raquimedular   11
Os tipos de fratura mais frequentes, em ordem craniocaudal, são:
• Luxação Atlanto-Occipital: disjunções craniocervicais, pouco comuns, gerada 
por movimentos acentuados de flexão e tração. Normalmente fatal por destrui-
ção do tronco encefálico e apneia.
Figura 7. Luxação Atlanto-Occipital – Disjunções craniocervicais.
Fonte: Acervo do Professor Everson Gomes.
• Fratura do Atlas (C1): A fratura mais comum do Atlas é a fratura por explosão 
da vértebra (Fratura de Jefferson). O seu mecanismo é normalmente uma so-
brecarga axial, como ocorre em mergulhos em superfície rasa. A melhor forma 
de diagnosticar essa fratura é a radiografia por incidência transoral.
A B C
Figura 8. A – RX Transoral normal, demonstra que as margens laterais de C1 se alinham com as mar-
gens laterais de C2. B - RX transoral evidenciando fratura do atlas (C1), observando-se deslocamento 
das massas laterais de C1. C - TC demonstrando fratura instável, com corpo anterior fraturado bilate-
ralmente e na região posterior do lado esquerdo. Fonte: Acervo do Professor Everson Gomes.
Traumatismo Raquimedular   12
• Subluxação por rotação em C1: O doente se apresenta com a cabeça em ro-
tação persistente (torcicolo). Pode-se observar nessa lesão que o odontoide 
não se encontra equidistante dos processos laterais de C1 , mais comum em 
crianças.
• Fraturas do Áxis (C2):
• Fraturas do Odontoide: O processo odontoide é uma protuberância óssea 
bem definida, que se projeta cranialmente da vértebra C2, fazendo contando 
com C1. Em geral, é necessária uma TC para definir a fratura do odontoide 
mais claramente.
• Fraturas dos elementos posteriores: Fratura típica dos enforcamentos, com-
promete a parte interarticular de C2, resultando de uma lesão por extensão.
• Outras fraturas de C2: Fraturas no corpo, pedículo, processos laterais, lâmi-
nas e processo espinhoso de C2. Cerca de 20% das fraturas do Áxis.
• Fraturas e luxações (C3 a C7): As vértebras C5 e C6 constituem a parte mais 
móvel da coluna cervical, sendo os locais mais frequentes de fratura (C5) e 
luxação (entre C5 e C6). A fratura das facetas articulares aumenta a incidência 
de lesões neurológicas drasticamente, nesses casos.
• Fraturas da coluna torácica (T1 a T10): Podem ser lesões em cunha por com-
pressão anterior (sobrecarga axial associada à flexão), lesões por explosão 
do corpo vertebral (compressão vertical axial), fraturas de chance (fraturas 
transversas no corpo vertebral, associadas ao uso isolado do cinto de segu-
rança abdominal) ou fraturas-luxações (ruptura dos elementos posteriores das 
vértebras).
• Fraturas da Junção Toracolombar (T11 a L1): Resultantes da combinação de 
hiperflexão e rotação agudas, costumam ser instáveis. Os portadores tornam-
-se vulneráveis a movimentos de rotação.
• Fraturas lombares: Por acometerem apenas a cauda equina, possuem um me-
nor risco de déficit neurológico completo.
• Lesões penetrantes: Ferimentos por arma branca (FAB) ou ferimentos por 
armas de fogo (FAF). A passagem do agente diretamente pelo canal verte-
bral usualmente culmina em déficit neurológico completo, podendo também 
ocorrer por transferência de energia, mesmo sem a transfixação da medula 
espinhal.
• Lesões vasculares contusas das artérias carótida e vertebral: São critérios su-
geridos para avaliação vascular nas fraturas de C1 a C3, fraturas cervicais com 
subluxação e fraturas envolvendo forame transverso. O tratamento envolve an-
ticoagulação ou agentes antiplaquetários.
Traumatismo Raquimedular   13
Raro, normalmente
fatal por destruição de
tronco encefálico.
MAPA MENTAL: TIPOS DE FRATURAS MAIS FREQUENTES (ATLS 9ª ED, 2012)
Critérios de avaliação tronco 
encefálico.
vascular: fraturas de C1 a
C3, fraturas cervicais com
subluxação e envolvendo
forame transverso
Fratura por explosão =
Fratura de Jefferson
Sobrecarga axial
Rx transoral
Passagem do agente
pelo canal vertebral
usualmente gera déficit
neurológico completo.
Pode ocorrer também por
transferência de energia
Menor risco de déficit
neurológico
Combinação de hiperflexão
e rotação agudas, são
fraturas instáveis.
Local mais frequente
de fratura (C5) e luxação
(entre C5 e C6) da
coluna cervical pela
hipermobilidade
Luxação Atlanto-Occipital
Fraturas da coluna torácica
Lesões vasculares
Lesões Penetrantes
Fraturas Lombares
Fraturas da Junção
Toracolombar
Fratura do Atlas
Subluxação por
rotação em C1
Fratura do Áxis
Fraturas e Luxações
de C3 a C7
Lesões em cunha, lesões por explosão, 
fraturas de chance ou
fraturas-luxações
Torcicolo persistente por
cotação de C1 sobre C2
Fratura do Odontoide
Fratura dos elementos
posteriores (Do enforcado)
Fonte: Elaborado pelo autor.
Traumatismo Raquimedular   14
5. ESCALAS
A Escala de Frankel serve para classificação clínica do paciente com TRM, sendo 
dividida em A, B, C, D ou E. Essa escala classifica o paciente do mais grave possível 
(A – rotura completa medular) ao paciente menos grave (E – Normal) de acordo 
com os critérios clínicos de função motora e sensitiva observados.
• A: Paciente não apresenta nenhuma resposta motora. Rotura completa.
• B: Paciente apresenta função sensitiva até S4/S5, sem resposta motora. 
Rotura incompleta.
• C: Paciente apresenta resposta motora com força inferior a grau 3 na grande 
maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta.
• D: Paciente apresenta resposta motora com força superior a grau 3 na grande 
maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta.
• E: Paciente sem alterações motoras ou sensitivas. Normal.
 Hora da revisão! As lesões medulares implicam em síndromes 
específicas a depender da topografia de acometimento. Lembrando que a me-
dula espinhal possui 3 tratos que podem ser avaliados clinicamente: o trato 
corticoespinhal lateral (motor), o trato espinotalâmico lateral (dor e tempera-
tura) e os tratos das colunas dorsais (fasículo grácil e corneato, responsáveis 
pela propriocepção consciente, tato epicrítico e sensibilidade vibratória).
Síndrome central medular: perda de força mais acentuada em membros supe-
riores. Geralmente ocorre por hiperextensão em pacientes com estenose pree-
xistente do canal medular.
Síndrome anterior medular: paraplegia e dissociação da perda sensorial, com 
perda de sensibilidade à dor e temperatura (Trato Espinotalâmico). Das lesões 
incompletas, é a de pior prognóstico.
Síndrome posterior medular: comprometimento da propriocepção, sensação 
vibratória e tato epicrítico.
Síndrome de Brown-Séquard ou Hemissecção medular: comprometimento 
motor ipsilateral (trato corticoespinhal) e perda da sensibilidade postural (co-
luna posterior), além da perda contralateral à sensibilidade térmica e à dor 
(Trato Espinotalâmico). 
Figura 9. Tratos da Medula Espinhal.9
Fonte: Ali_DM/Shutterstock.com
Traumatismo Raquimedular   15
ESCALA DE FRANKEL
A Não apresenta nenhuma resposta motora. Rotura completa.
B Função sensitiva até S4/S5, sem resposta motora. Rotura incompleta.
C Resposta motora com grau inferior a 3 na maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta.
D Resposta motora com grau superior a 3 na maioria dos grupos musculares. Rotura incompleta.
E Sem alterações motoras ou sensitivas. Normal.
Tabela 1. Escala de Frankel. Fonte: Elaborado pelo autor.
6. CLÍNICA
Existem alguns conceitos semiológicos importantes de seremabordados no to-
cante ao TRM.
A paraplegia é a perda dos movimentos dos membros inferiores, ocorrendo por 
lesões torácicas ou mais inferiores (abaixo de T1). A tetraplegia envolve também a 
perda de movimentos de membros superiores além da sustentação axial, denotando 
uma possível lesão cervical (acima de T1).
A lesão completa medular envolve a perda de todos os movimentos, enquanto a 
lesão incompleta cursa com a manutenção do movimento de certos grupamentos 
musculares, de um hemicorpo, entre outras formas a depender do mecanismo de 
acometimento medular.
O paciente que cursa com uma lesão completa de medula cursa com disfunção 
esfincteriana, arreflexia, hipotonia generalizada, perda total dos movimentos e da 
sensibilidade, sendo essa entidade caracterizada como um choque medular. Nesse 
caso, pode-se observar a ausência do reflexo do bulbo cavernoso, bem como a pre-
sença de priapismo, ambos pela descarga adrenérgica expressiva que ocorre no cho-
que medular, indicando um pior prognóstico.
 Hora da revisão! Priapismo é definido como uma ereção pe-
niana prolongada e persistente (> 4 horas), frequentemente dolorosa, desenca-
deada ou não por estímulo sexual. Caracteriza-se como uma situação clínica de 
emergência, requerendo um diagnóstico rápido.
O reflexo bulbocavernoso, por sua vez, é observado pelo estímulo da glande 
peniana ou do clitóris, que gera em situações fisiológicas a contração do es-
fíncter anal.
Traumatismo Raquimedular   16
 Saiba mais! O choque neurogênico ocorre por uma lesão das vias 
descendentes do sistema nervoso simpático a nível cervical ou torácico alto 
(geralmente até T6). Essa lesão provoca a perda do tônus vasomotor (pro-
movendo a vasodilatação dos vasos viscerais e das extremidades inferiores, 
represamento de sangue e, como consequência, a hipotensão) e a perda da 
inervação simpática cardíaca (fazendo com que o paciente curse com bradi-
cardia ou descontinue uma taquicardia, em resposta à hipovolemia). O choque 
neurogênico está associado ao choque hemorrágico, então o tratamento será 
a reanimação volêmica e, se esta não resolver, pode-se, criteriosamente, optar 
pelos vasopressores. 
Por outro lado, o choque medular, não está associado à inervação do vaso e 
sim, da inervação muscular, sendo assim caracterizado pela flacidez (perda do 
tônus muscular) e pela perda de reflexos, observada após a lesão medular.
MAPA MENTAL: CHOQUE NEUROGÊNICO X CHOQUE MEDULAR
Choque 
Neurogênico
Lesão das vias
descendentes do
SNA simpático
Cervical a Torácico
alto (até T6)
Perda do tônus
muscular e 
arreflexia
Choque por
lesão medular em
qualquer nível
Choque Medular
Perda do tônus
vasomotor
Perda da inervação
simpática do 
coração
Pode voltar
a apresentar
função normal
Período de
acometimento
é variável
Vasodilatação
de vasos viscerais
e extremidades
Bradicardia ou
taquicardia não
compensatória
Hipotensão
PA não se
normaliza apenas
com cristaloides
 Fonte: Elaborado pelo autor.
Traumatismo Raquimedular   17
Além disso, é importante a verificação do nível de sensibilidade, bem como da 
avaliação do grau de força muscular em todo o corpo do indivíduo que sofreu de um 
TRM.
GRAUS DE FORÇA MUSCULAR
0 Nenhum movimento é observado
1 Esboço de movimentos ou fasciculações musculares
2 Força muscular e movimentação apenas sem a resistência da gravidade
3 Força muscular e movimentação contra a gravidade, mas falha contra resistência do examinador
4
Força muscular reduzida, mas vence a
resistência do examinador
5
Força muscular normal contra a resistência
do examinador
Tabela 2. Graus de Força Muscular. 
Fonte: Elaborado pelo autor.
Traumatismo Raquimedular   18
MAPA MENTAL: QUADRO CLÍNICO DO TRAUMA RAQUIMEDULAR
Paraplegia: Lesões
abaixo de T1, MMII’s
Fonte: Elaborado pelo autor.
Tetraplegia: Lesões acima
de T1, MMII’s, MMSS’s e
sustentação axial
Lesão incompleta:
Manutenção de certos
movimentos, hemicorpo, etc.
Lesão completa: Perda de todos
movimentos e sensibilidade,
disfunção esfincteriana,
arreflexia, hipotonia
=
Choque Medular
Ausência do reflexo
bulbocavernoso e
presença de priapismo
Paraplegia x
Tetraplegia
Lesão completa x
Incompleta
Verificar grau de
força muscular
Verificar nível
de sensibilidade
(Dermátomos)
Grau 0: Nenhum movimento
Grau 1: Esboço de movimentos
Grau 2: Apenas a favor da gravidade
Grau 3: Vence a gravidade,
mas falha contra a resistência
Grau 4: Há contração contra resistência
Grau 5: Força muscular normal
Choque medular:
Hipotonia e arreflexia
após lesão
Choque neurogênico:
lesão das vias
simpáticas (Até T6)
Perda do tônus
vasomotor e da
inervação simpática
do coração
Quadro
Clínico TRM
Choque medular x
Choque Neurogênico
Traumatismo Raquimedular   19
7. RADIOLOGIA
A coluna vertebral deve ser avaliada por meio de radiografias nas incidências an-
teroposterior (AP) e em perfil, buscando avaliar a assimetria, o alinhamento das vér-
tebras e rotura de partes moles.
Avaliação Radiológica Cervical
As Colunas de Denis são linhas que separam a região cervical em anterior, médio 
e posterior. O acometimento de duas ou mais dessas colunas usualmente implica 
na realização de um procedimento cirúrgico. Esse conceito se estende para a coluna 
torácica e lombar.
Figura 10. Colunas de Denis na avaliação radiográfica. 3 colunas: anterior (parte anterior do corpo 
vertebral, disco intervertebral e ligamento longitudinal anterior), média (ligamento longitudinal poste-
rior, 1/3 posterior do ânulo fibroso e corpo vertebral) e posterior (ligamento supra e interespinhoso, 
ligamento amarelo, cápsula e facetas articulares).
Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo.
A observação radiológica da região cervical em colunas, bem como a verificação 
dos pontos entre as vértebras Atlas e Áxis (C1 e C2, respectivamente), possibilita a 
avaliação de simetria, distância entre pontos anatômicos importantes, como a posi-
ção do do dente do Áxis em relação ao Atlas
Traumatismo Raquimedular   20
Figura 11. Avaliação radiográfica de simetria e relação entre os pontos anatômicos através de linhas 
e pontos.
Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo.
A realização de radiografia em AP, perfil e transoral (para visualização do proces-
so odontoide ou dente do Áxis) é eficaz para o diagnóstico de > 80% das fraturas de 
coluna cervical.
É de extrema importância a visualização de todas as vértebras da coluna cervical, 
bem como a transição cervicotorácica. Na impossibilidade de visualização desse 
segmento em radiografias convencionais pode-se lançar mão das radiografias sob 
tração de membros superiores ou na posição do nadador.
Em certos momentos é necessária a realização de radiografias em extensão/ fle-
xão para observar se há alguma luxação nas vértebras cervicais.
 Se liga! As radiografias com hiperflexão ou hiperextensão (dinâmi-
cas) são contraindicadas em pacientes com dor, déficit neurológico ou incons-
cientes, devido ao risco de agravamento de lesão subjacente.
Traumatismo Raquimedular   21
Figura 12. Radiografia realizada em movimento de hiperextensão para possibilitar a melhor visualiza-
ção de luxações nas vértebras cervicais. Lembrando que radiografias em hiperextensão/flexão são 
contraindicadas em pacientes com dor, déficit neurológico ou inconscientes, pelo alto risco de lesão. 
Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo.
Além da radiografia, pode-se utilizar da tomografia computadorizada (TC) e da 
ressonância magnética nuclear (RMN). A TC possibilita um diagnóstico de fraturas 
ocultas, bem como avaliação de sua morfologia, estabilidade e se há compressão 
do canal vertebral pelos fragmentos fraturados. Além disso, a TC tem um importante 
papel para avaliação de lesões lombares, principalmente para detectar fraturas dos 
elementos posteriores (pedículos, lâmina e processos espinhosos) e determinar o 
grau de compressão medular. A RMN, por sua vez, permite um maior detalhamento 
das partes moles, avaliando contusões medulares, hematomas, lesões ligamentares, 
hérnias discaise coleções líquidas.
Traumatismo Raquimedular   22
Figura 13. RNM evidenciando lesão cervical completa. 
Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo.
Avaliação Radiográfica Torácica e Lombar:
Nesse caso também se utiliza de radiografia em AP, perfil e aqui há um maior 
papel da TC em cortes axiais, principalmente para detectar fraturas dos elementos 
posteriores (pedículos, lâmina e processos espinhosos) e determinar o grau de com-
pressão medular provocado por fraturas.
Figura 14. TC em perfil, evidenciando fratura, tipo A3, em L1.
Fonte: Acervo do Professor Nicollas Rabelo.
Traumatismo Raquimedular   23
8. TRATAMENTO
Por ser um trauma, semelhante ao trauma torácico, abdominal, entre outros, o tra-
tamento do TRM também pautado no ATLS, seguindo a sequência de atendimento 
inicial do trauma, o ABCDE. A prioridade, como qualquer trauma, é evitar as lesões 
secundárias.
MAPA MENTAL: ABCDE DO TRAUMA
A
AIRWAY
Via aérea e
colar cervical
Viabilidade da
via aérea
Avaliar pescoço
antes de passar
colar
B
BREATHING
Ventilação e
Respiração
Inspeção,
palpação
Ausculta e
Percussão
C
CIRCULATION
Circulação
e controle da
Hemorragia
Pele, pulso,
perfusão e
hemorragias
USG Fast
D
DISABILITY
Disfunção
Neurológica
Escala
de Coma de
Glasgow e
Pupilas
IOT se ECG

Mais conteúdos dessa disciplina