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Psicologia social psicológica e 
sociológica
Apresentação
A psicologia social é um campo do conhecimento que se estabelece entre o final do século XIX e 
início do século XX. Seu surgimento é marcado por uma pluralidade de posicionamentos teóricos e 
de objetos de estudo, construindo uma trajetória própria enquanto campo do conhecimento. Ainda 
que não seja possível estabelecer um ato fundacional preciso para a psicologia social enquanto 
ciência autônoma, é sabido que esse campo se produziu a partir de diferentes correntes teóricas.
Em termos gerais, a psicologia social pode ser dividida em psicologia social psicológica e psicologia 
social sociológica. Tal distinção diz respeito a formas diferentes de entender teorias e objetos de 
estudo, pois a psicologia social psicológica se originou da aproximação com o positivismo e com as 
ciências naturais, já a psicologia social sociológica se relacionou com a sociologia.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre as diferenças teóricas e as origens 
dessas duas linhas de estudo da psicologia social. Também vai conhecer mais sobre as aplicações 
contemporâneas e os principais desafios.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Distinguir as perspectivas teóricas da psicologia social.•
Contextualizar o surgimento da psicologia social psicológica e a sociológica.•
Destacar o papel da psicologia social psicológica como campo de estudos da psicologia social 
contemporânea.
•
Desafio
A psicologia social é uma área do conhecimento múltipla e heterogênea. No cotidiano profissional, 
diversas são as formas possíveis de se apresentar como psicólogo social e diversos são os 
alinhamentos teóricos possíveis. A psicologia social se apresenta enquanto uma área de atuação 
para pensar as relações entre indivíduos e suas dinâmicas grupais em ambientes de trabalho. Tendo 
isso em vista, apresenta-se o seguinte desafio:
 
Escolha uma das vertentes da psicologia social (psicologia social psicológica ou psicologia social 
sociológica) e apresente possíveis diretrizes de atuação para o trabalho a partir do posicionamento 
teórico escolhido.
Infográfico
A psicologia social é um campo do conhecimento que tem suas raízes tanto na psicologia quanto na 
sociologia. A multiplicidade de perspectivas teórico-metodológicas produz uma certa tensão entre 
saberes ao mesmo tempo que enriquece o debate sobre o campo social.
No Infográfico a seguir, você vai conhecer um pouco mais sobre a linha do tempo das principais 
correntes teóricas da psicologia social.
 
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Conteúdo do Livro
A psicologia social é um campo do conhecimento relativamente recente, tendo pouco mais de um 
século de existência. Desenvolveu-se a partir de duas vertentes: a psicologia social psicológica e a 
psicologia social sociológica. Essas duas perspectivas surgiram de maneira praticamente 
concomitante e, por mais que tenham diferenças significativas entre si, contribuíram muito para o 
desenvolvimento da área.
Leia o capítulo Psicologia social psicológica e sociológica, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, para conhecer um pouco sobre a história e sobre as especificidades da psicologia 
social em suas vertentes psicológica e sociológica, bem como o atual contexto desses campos de 
estudo.
Boa leitura.
PSICOLOGIA SOCIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Distinguir as perspectivas teóricas da psicologia social.
 > Contextualizar o surgimento da psicologia social psicológica e da socio-
lógica.
 > Destacar o papel da psicologia social psicológica como campo de estudos 
da psicologia social contemporânea.
Introdução
A psicologia social é uma área do conhecimento muito diversa, com teorias, 
autores e autoras que assumem posições não só distintas, como, por vezes, 
antagônicas. Tal multiplicidade está presente desde as primeiras publicações 
em psicologia social e está associada ao contexto histórico que contribuiu para 
o surgimento da disciplina em questão. A segunda metade do século XIX marca 
a consolidação de diversas disciplinas que buscavam sua independência da 
filosofia, constituindo o campo que hoje em dia chamamos de ciências humanas.
A psicologia social se constitui a partir de um lugar híbrido, ora se aproxi-
mando do positivismo, derivado das ciências naturais, ora dialogando com a 
emergente sociologia. Esse cenário de disputa epistemológica, combinado com 
a efervescência social que era originada, principalmente, pelos processos de 
industrialização, culmina no surgimento da psicologia social, uma disciplina 
Psicologia social 
psicológica e 
sociológica
Diego Drescher de Castro
que nasce cindida. Tal divisão vai ser marcada por duas principais linhas de 
pensamento que definem os modos de entender a psicologia social até os dias 
atuais: a psicologia social psicológica e a psicologia social sociológica.
Neste capítulo, você estudará as origens e diferenças da psicologia social 
sociológica e da psicologia social psicológica. Além disso, também conhecerá 
um pouco mais sobre interpretações e aplicações contemporâneas desses 
campos do saber.
Perspectivas teóricas das psicologias sociais
A psicologia social se constitui enquanto uma ciência autônoma a partir do 
início do século XX. Ainda que não possua um ato fundacional preciso, esse 
campo do saber estrutura-se a partir de duas vertentes distintas e, por vezes, 
antagônicas: a psicologia social psicológica e a psicologia social sociológica. 
Com o passar do tempo, essas vertentes se ramificaram e outras linhas teóricas 
se desenvolveram, mas a principal divisão segue sendo entre as perspectivas 
sociológica, predominante na Europa e originada de uma aproximação com 
a sociologia e outras ciências sociais, e a psicológica, que é dominante na 
América do Norte e tem forte influência do positivismo, além de ser herdeira 
das ciências naturais.
Em linhas gerais, pode-se afirmar que a psicologia social psicológica 
está voltada a um entendimento que prioriza os processos intraindividuais, 
procurando explicar de que forma comportamentos, pensamentos ou senti-
mentos das pessoas se manifestam a partir da presença de outros indivíduos. 
Já a psicologia social sociológica centra seus estudos nos fenômenos que 
emergem a partir da interação dos indivíduos com grupos e sociedades e 
das experiências que são geradas a partir desse convívio (FERREIRA, 2010).
A psicologia social psicológica tem suas bases nas ciências naturais e no 
positivismo, principalmente a partir das teorizações realizadas pelo francês 
Augusto Comte (1798–1857). A filosofia positivista de Comte acreditava que a 
solução para as crises sociais e políticas estava relacionada com um estudo 
rigoroso e científico dos fatos sociais. Essa perspectiva parte do pressuposto 
de que leis universais regem os fenômenos e, a partir de uma observação 
neutra destes, são estabelecidos padrões que tornariam possível prever e 
modificar os fenômenos sociais. Outra influência do positivismo na psico-
logia social psicológica pode ser observada a partir da ideia de que grande 
parte do comportamento humano teria uma origem inata, sendo explicado 
por questões como herança genética ou instintos (ÁLVARO; GARRIDO, 2017).
Psicologia social psicológica e sociológica2
Desde essas perspectivas, a psicologia social psicológica se caracteriza 
por um estudo científico das influências resultantes das situações sociais 
nos indivíduos (RODRIGUES, 1986) e por uma base amplamente influenciada 
pelo cognitivismo e pelo experimentalismo. São destacados como campos 
de interesse dessa vertente da psicologia questões como cognição social, 
atitudes, neurociência social, psicologia social evolucionista, entre outras.
As diferenças entre a psicologia social psicológica e a sociológica situam-se 
a partir de uma tensão entre objetividade e subjetividade, respectivamente. 
Dessa forma, a vertente sociológica vai desenvolver uma preocupação maior 
coma estrutura social do que com os processos intraindividuais. Suas consoli-
dação e predominância atual podem ser localizadas na Europa, e ela se dedica 
a temas como identidade social e representações sociais (FERREIRA, 2010).
Diferente da perspectiva psicológica, a perspectiva sociológica pensa 
os fenômenos psicológicos como produções das interações sociais e não a 
partir de uma origem inata. Isso implica dizer que o método experimental do 
positivismo não se aplica nas análises de caráter sociológico, uma vez que 
não é adequado para fenômenos sociais, já que esses seriam produzidos a 
partir de relações e interações. A impossibilidade de separação entre sujeito 
e objeto está associada à noção de que não existe como assumir neutralidade 
diante de um fenômeno social.
No que diz respeito aos pressupostos metodológicos, a psicologia social 
sociológica é mais flexível do que a psicológica. Ainda que em suas origens o 
método científico tenha sido uma referência para ambas as vertentes, a partir 
dos anos 1970 a distância entre a psicologia social psicológica e a sociológica 
se intensificou, sendo marcada por uma crítica ao paradigma cientificista por 
parte de pensadores da vertente sociológica.
Em sua origem, a psicologia social sociológica se constituiu muito próxima 
ao interacionismo simbólico, porém, com o passar dos anos, outras referên-
cias foram se constituindo, como o materialismo dialético e as perspectivas 
pós-modernas, por exemplo. Ainda que possuam tensões epistemológicas 
entre si, esses campos da psicologia social se alicerçam nas mesmas bases 
que constituíram a perspectiva sociológica no início do século XX. Entre 
essas características da psicologia social sociológica destacam-se a impor-
tância em um enfoque relacional, a crítica à psicologia experimental e a um 
posicionamento naturalista, a negação de critérios universais de validação 
do conhecimento e a defesa de que a ciência não é superior a outras formas 
de conhecimento.
Psicologia social psicológica e sociológica 3
Tanto a psicologia social sociológica quanto a psicologia social psicológica 
são áreas do conhecimento que compõem o campo amplo da psicologia so-
cial. Diferem entre si em epistemologia e ontologia desde a constituição da 
psicologia social como uma disciplina autônoma e, apesar da amplitude de 
diferenças, é importante não pautá-las desde um posicionamento dicotômico 
e moral que hierarquiza uma forma de saber em relação à outra, mas dentro 
de um contexto sócio-histórico e a partir de um posicionamento ético em 
relação à forma de pensar o mundo.
No ano de 2003, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) editou a Reso-
lução nº 5/2003 que reconhecia a psicologia social como especialidade 
da psicologia. Essa decisão tem gerado certa polêmica desde então, e uma das 
principais críticas se deve ao fato de a psicologia social não ser uma área de 
interesse de exclusividade da psicologia. A intersecção com a sociologia, por 
exemplo, já colocaria em questão o fato de a psicologia social ser regulamentada 
pelo CFP. Por outro lado, defensores da medida argumentam que transformar 
a área em especialidade da psicologia social ajudaria a fortalecer esse campo 
profissional.
Percurso histórico das psicologias sociais
Agora que você já conhece um pouco mais sobre as especificidades e diferenças 
entre a psicologia social psicológica e a sociológica, é importante entender 
como essas vertentes se constituíram e de que maneira esse percurso his-
tórico vem sendo trilhado. Ainda que alguns autores tentem atribuir um ato 
inaugural para a psicologia social, essa localização temporal é imprecisa e 
pessoalizada. Para entender um pouco melhor esse contexto, é necessário 
observar os movimentos do final do século XIX e início do século XX nos 
Estados Unidos e na Europa e de que forma a reorganização epistemológica 
influenciou a psicologia social.
O ano de 1908 é comumente sinalizado como um dos marcos da psico-
logia social, principalmente pelas publicações daqueles que são considera-
dos os primeiros manuais da área. No mesmo ano foram lançados os livros 
An Introduction to Social Psychology, escrito pelo psicólogo William McDougall, 
e Social Psychology: An Outline and a Source Book, do sociólogo Edward Ross, 
livros que partiam de premissas teóricas diferentes e já anunciavam uma certa 
cisão da área desde a sua origem. Ainda que esses livros sejam tomados como 
Psicologia social psicológica e sociológica4
as publicações inaugurais da psicologia social, eles condensam discussões que 
aconteciam desde a segunda metade do século XIX (ÁLVARO; GARRIDO, 2017).
Enquanto a obra de McDougall situa a psicologia social a partir do estudo 
de dimensões cognitivas, comportamentais e emocionais, Ross localizava a 
psicologia social como um ramo da sociologia, a partir das problematizações 
feitas por Gabriel Tarde (ÁLVARO; GARRIDO, 2017). Este último, sociólogo francês, 
já havia publicado textos no final do século XIX que serviram de inspiração 
não só para a publicação de Ross, bem como para embasar outras publicações 
sociológicas na Europa e nos Estados Unidos (FAZZI; LIMA, 2016).
O final do século XIX marcou a consolidação das ciências sociais em um 
caminho independente da filosofia e, nesse cenário, sociologia e psicologia 
trilhavam caminhos que eventualmente se cruzavam. Em maior ou menor 
grau, todas as ciências sociais foram influenciadas pelo positivismo e pela 
visão unitária da ciência que essa perspectiva pregava. Na sociologia, foi 
motivo de tensão e debate entre Gabriel Tarde (1843–1904) e Émile Durkheim 
(1858–1917), pensadores que marcam a cisão da psicologia social antes das 
publicações de McDougall e Ross. Enquanto Durkheim aproximava seu pen-
samento da perspectiva positivista e nutria admiração pelo trabalho que 
Wundt realizava em seu laboratório de psicologia experimental em Leipzig, 
Tarde vai sustentar um posicionamento nas causas sociais em oposição aos 
instintos (FAZZI; LIMA, 2016).
Esse ponto de tensão acaba explicando a cisão entre a perspectiva psico-
lógica e a sociológica pela forma como esse debate chega aos Estados Unidos. 
Enquanto a psicologia norte-americana vai ser majoritariamente inspirada 
pelo experimentalismo de Wundt e pelas ideias sociológicas de Durkheim, 
a sociologia ganha peso nos Estados Unidos a partir da Escola de Chicago, 
fortemente influenciada pelo pensamento de Tarde.
A partir dos anos 1930, a psicologia social acentua o enfoque psicoló-
gico, principalmente a partir das contribuições de Floyd Allport, defensor 
do comportamentalismo e de uma perspectiva individualista dos sujeitos 
em contraposição às perspectivas mais holísticas da sociologia (ÁLVARO; 
GARRIDO, 2017). A predominância do discurso positivista em sua vertente 
comportamentalista dominou o debate acadêmico nos Estados Unidos e 
cresceu exponencialmente durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. 
Nesse período, os campos da sociologia mais próximos da psicologia perdem 
relevância em comparação aos argumentos comportamentalistas. A influência 
dessa corrente nos Estados Unidos pode ser ampliada para outras partes do 
mundo e, dessa forma, a psicologia social que chega ao Brasil é fortemente 
Psicologia social psicológica e sociológica 5
influenciada pela perspectiva norte-americana, tendo como principal refe-
rência Aroldo Rodrigues, nome célebre da psicologia social psicológica.
A década de 1970 marca uma crise na psicologia social como vinha sendo 
pensada desde a perspectiva positivista. Diversos pesquisadores centravam 
suas críticas à psicologia social vigente a partir da distância que havia se produ-
zido entre as condições sociais e os questionamentos e pesquisas realizados; a 
argumentação era de que a psicologia, a partir de uma justificativa de neutrali-
dade, havia se afastado das realidades locais, principalmente nos países do sul 
global (BOCK et al., 2007). Autores como Martin-Baró e Sílvia Lane buscaram no 
materialismo dialético as bases metodológicas parauma revolução na forma de 
pensar a psicologia social. Essa vertente viria a ser conhecida como psicologia 
social crítica e se situava enquanto parte da vertente sociológica.
As décadas de 1980 e 1990 foram marcadas pela intensificação dos proces-
sos de neoliberalismo e pauperização do sul global, fatores que fortaleceram 
a psicologia social sociológica como forma de compreender os fenômenos do 
mundo. Além da psicologia social crítica, filosofias pós-estruturalistas foram 
agregadas ao debate da psicologia social, principalmente a partir de autores 
como Michel Foucault, Gilles Deleuze, Felix Guattari e Suely Rolnik (GUATTARI; 
ROLNIK, 1996). No campo da psicologia social psicológica, a tecnologia e as 
novas descobertas científicas pavimentaram o caminho para a aproximação da 
psicologia social com as neurociências. Nesse campo destaca-se a neurociência 
social, termo cunhado a partir do trabalho de Cacioppo e Bernston (1992).
Esse panorama histórico ajudará você a entender um pouco mais sobre 
como a psicologia social contemporânea foi constituída, a partir de composi-
ções e discordâncias. Na próxima seção, você aprenderá sobre a organização 
atual da psicologia social e suas principais aplicações práticas.
Entre as décadas de 1940 e 1970, a psicologia social psicológica era 
amplamente predominante. Para fins de comparação, no início do 
século XX foram documentados 15 manuais de psicologia social, sendo oito 
escritos por sociólogos e sete por psicólogos. Já nos anos 1970 existem registros 
de 38 manuais de psicologia social, sendo que 30 foram escritos por psicólogos 
e somente oito por sociólogos. Essa diferença se deve principalmente ao do-
mínio norte-americano na produção acadêmica, potencializado pelos efeitos 
da Segunda Guerra Mundial e pelo período de reconstrução das universidades 
europeias. Na década de 1980, essa diferença entre as duas vertentes da psi-
cologia social diminuiu, sendo registrados 32 manuais publicados, sendo 21 por 
psicólogos e 11 por sociólogos (ÁLVARO; GARRIDO, 2017).
Psicologia social psicológica e sociológica6
As perspectivas psicológica e sociológica na 
contemporaneidade
Em sua trajetória de pouco mais de um século de existência, a psicologia social 
vem contribuindo com problematizações acerca das dinâmicas sociais, seja 
por meio de uma concepção holística das sociedades ou a partir de processos 
intraindividuais. Até aqui, você pode conhecer um pouco mais sobre as diferen-
ças entre as duas principais vertentes da psicologia social e de que maneira a 
psicologia social psicológica e a psicologia social sociológica se constituíram 
enquanto áreas de relevância global na história do conhecimento moderno. 
Nesta seção, você aprenderá sobre os principais desafios e as aplicações 
contemporâneas que compõem as psicologias sociais.
Como qualquer outra área do conhecimento, conforme a psicologia social 
foi se consolidando e os estudos obtendo relevância, houve um incremento 
considerável na quantidade de pesquisas e criação de metodologias. Processos 
como a globalização e a facilidade no acesso à informação potencializaram 
a aplicação das diversas vertentes da psicologia social, de modo que grande 
parte dos acontecimentos sociais contemporâneos pode ser interpretada 
e analisada à luz de um estudo de psicologia social. Contudo, as diferenças 
entre as vertentes e seus pressupostos epistemológicos, ontológicos e éticos 
seguem produzindo tensões e debates acirrados.
Sobre a psicologia social psicológica, seus pressupostos teóricos e meto-
dológicos pouco se alteraram nas últimas décadas. Ainda que as produções e 
pesquisas tenham alcançado novas temáticas e complexificado seu arsenal 
argumentativo, seu nível de análise segue em uma perspectiva intraindividual, 
e o experimentalismo permanece como a principal estratégia metodológica 
(ÁLVARO; GARRIDO, 2017). Em que pese a manutenção das premissas teórico-
-metodológicas, a inovação da tecnologia e as descobertas recentes de fundo 
neurobiológico abriram novos questionamentos. Segundo Ross, Lepper e Ward 
(2010), os principais tópicos de interesse contemporâneos em psicologia social 
na América do Norte são: cognição social, atitudes e processos grupais. Além 
disso, como campos emergentes, merecem destaque a neurociência social e 
a psicologia social evolucionista.
Em termos de Brasil, a psicologia social psicológica segue a tendência das 
produções norte-americanas, tanto em termos teórico-metodológicos quanto 
no que diz respeito às áreas de interesse. Em estudo realizado por Ferreira 
(2010), que analisou a produção brasileira em psicologia social nos principais 
periódicos da área, foi constatado que cerca de 38% da produção nacional em 
psicologia social era orientada pela perspectiva psicológica. Dentro dessa 
Psicologia social psicológica e sociológica 7
porcentagem, as principais áreas de interesse pesquisadas foram “atitudes, 
crenças, valores e percepções sociais (34%), as relações interpessoais (17%), 
os afetos, emoções e motivação social (16%) e a autopercepção (12%)” (FER-
REIRA, 2010, p. 61).
As perspectivas contemporâneas da corrente sociológica têm ganhado, 
fora da América do Norte, bastante relevância, principalmente pela série de 
questionamentos que o viés cientificista tem recebido enquanto perspectiva 
de entendimento do social. A principal argumentação que embasa esse posi-
cionamento crítico diz respeito à insuficiência e à falta de complexidade que 
uma abordagem experimental teria diante da complexidade dos problemas 
sociais. Os estudos sobre psicologia social sociológica acabam assumindo 
mais relevância na Europa, e a ideia de uma compreensão mais ampla das 
dinâmicas sociais e relações grupais para pensar o campo social embasa 
pensamentos como a teoria da identidade social, de Henri Tajfel, e as repre-
sentações sociais de Serge Moscovici.
Para além das perspectivas de Tajfel e Moscovici, a psicologia social tem 
buscado suporte em outros pensamentos, como é o caso da psicologia social 
crítica e sua aproximação com o materialismo histórico-dialético e as pers-
pectivas chamadas de pós-modernas, que dialogam com autores e autoras 
pós-estruturalistas. Tais posicionamentos surgem a partir do momento em 
que países do sul global reivindicam uma produção teórica que dialogue de 
uma maneira mais próxima com as questões locais e que superem a crença no 
cientificismo enquanto única possibilidade. Na produção latino-americana, 
destacam-se nomes como Ignácio Martín-Baró, Sílvia Lane e Suely Rolnik.
No que diz respeito às produções acadêmicas a respeito da psicologia 
social sociológica, a pesquisa realizada por Ferreira demonstra que 46% das 
produções nacionais estão localizadas no campo da psicologia social crítica, 
enquanto 16% correspondem à psicologia social sociológica de tradição 
europeia. Sobre os temas pesquisados na vertente sociológica, destacam-se 
“violência, a inclusão e exclusão social, a criatividade, etc. (32%), a configuração 
de identidades e subjetividades (30%), as práticas de pesquisa e intervenção 
em psicologia social (15%) e os papéis de gênero (8%)” (FERREIRA, 2010, p. 61).
Como você pode acompanhar neste capítulo, a psicologia social encontra 
suas bases fundacionais tanto na psicologia quanto na sociologia. Ambas as 
vertentes contribuíram de maneira significativa para complexificar o dis-
curso acerca do social e das dinâmicas intraindividuais e grupais e compõe 
esse tecido. Ainda que divergentes em muitos aspectos, a pluralidade das 
perspectivas sociológicas e psicológicas é fundamental para uma construção 
múltipla e densa enquanto campo do saber.
Psicologia social psicológica e sociológica8
Referências
ÁLVARO, J. L.; GARRIDO, A. Psicologia social: perspectivas psicológicas e sociológicas. 
Porto Alegre: AMGH; Artmed, 2017. 440 p.
BOCK, A. M. B. et al. Sílvia Lane e o projeto do “Compromisso Social da Psicologia”. 
Psicologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 19, n. esp. 2, p. 46–56, 2007. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/psoc/a/w5gPmcgxnB5w5ThhFkCyCtb.Acesso em: 27 jan. 2022.
CACIOPPO, J. T.; BERNSTON, G. G. Social psychological contributions to the decade of 
the brain. Doctrine of multilevel analysis. American Psychologist, Washington, v. 47, 
n. 8, p. 1019–1028, Aug. 1992.
FAZZI, R. C.; LIMA, J. A. A psicologia social sociológica: percursos, rumos e contempora-
neidade de uma tradição teórico-metodológica. Revista Internacional Interdisciplinar 
INTERthesis, Florianópolis, v. 13, n. 3, p. 101–120, set./dez. 2016. Disponível em: https://
periodicos.ufsc.br/index.php/interthesis/article/view/1807-1384.2016v13n3p101. Acesso 
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FERREIRA, M. C. A Psicologia Social Contemporânea: Principais Tendências e Perspec-
tivas Nacionais e Internacionais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 26, n. spe., 
p. 51–64, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/q35bD9r4HyTpLMhyH5C
pTcP/?lang=pt. Acesso em: 27 jan. 2022.
GUATTARI, F.; ROLNIK, S. Micropolítica: cartografias do desejo. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 
1996. 325 p.
RODRIGUES, A. Sobre o Desconhecimento das Aplicações da Psicologia Social. Psicologia, 
Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 2, n. 1, p. 42–55, jan./abr. 1986. Disponível em: https://
periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/16988. Acesso em: 27 jan. 2022.
ROSS, L.; LEPPER, M.; WARD, A. History of social psychology: insights, challenges and 
contributions to theory and application. In: FISKE, S. T.; GILBERT, D. T.; LINDZEY, G. (org.). 
The handbook of social psychology. 5. ed. New York: Wiley, 2010. v. 1. p. 3–50.
Leitura recomendada
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP Nº 005/2003. Reconhece a Psicologia 
Social como especialidade em Psicologia para finalidade de concessão e registro do 
título de Especialista. Brasília: CFP, 2003. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-
-content/uploads/2006/01/resolucao2003_5.pdf. Acesso em: 27 jan. 2022.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os edito-
res declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Psicologia social psicológica e sociológica 9
Dica do Professor
A psicologia social é composta por um vasto aparato teórico-metodológico e é dívida em duas 
vertentes principais: a psicologia social sociológica e a psicologia social psicológica. Os psicólogos 
sociais da segunda vertente enfatizam principalmente os processos intraindividuais e o modo como 
os indivíduos respondem aos estímulos sociais. 
Na base da psicologia social psicológica está o positivismo, uma corrente filosófica que nasce na 
modernidade e defende a aplicação do cientificismo em sua radicalidade.
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer um pouco mais sobre esse pensamento que influencia 
de maneira marcante a psicologia social e outras áreas do conhecimento.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/4943faf66934485d052d2f290f7ec265
Exercícios
1) O início do século XX marca o lançamento de dois manuais de psicologia social, 
materializando uma tensão epistemológica que já circulava entre os pensadores. Os manuais 
marcam o surgimento das correntes sociológica e psicológica da psicologia social. Analise as 
alternativas a seguir:
I - Psicólogos sociais da vertente conhecida como psicologia social psicológica tendem a 
privilegiar os fenômenos que emergem de diferentes grupos e sociedades, enquanto 
profissionais da psicologia social sociológica atentam-se principalmente aos processos 
intraindividuais e ao modo como os indivíduos respondem aos estímulos sociais.
II - A psicologia social trabalha com áreas como cognição social, atitudes e processos 
grupais, além de novas vertentes, como neurociência social e psicologia social evolucionista.
III - A psicologia social crítica é um movimento que ocorre a partir da América Latina e se 
aproxima das problematizações da psicologia social sociológica. 
Sobre essas áreas da psicologia social, é correto afirmar que: 
A) as alternativas I, II e III estão corretas.
B) apenas as alternativas II e III estão corretas.
C) apenas as alternativas I e III estão corretas.
D) apenas as alternativas I e II estão corretas.
E) apenas a alternativa III está correta.
2) O positivismo é uma doutrina que influencia toda a epistemologia moderna e contribui de 
maneira significativa para a psicologia social.
Sobre o positivismo, é correto afirmar que:
A) seu principal nome é o psicólogo Ignácio Martín-Baró, que parte de seus pressupostos 
filosóficos para criar a psicologia social crítica.
B) é uma escola filosófica criada nos Estados Unidos por Floyd Allport, famoso teórico da 
psicologia social sociológica.
C) é fundamentado na ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento 
verdadeira.
D) privilegia formas metafísicas e teológicas de conhecimento.
E) influenciou a psicologia social psicológica, vertente predominante na Europa.
3) A psicologia social sociológica é uma vertente da psicologia social que se constitui no início 
do século XX sob influência da sociologia.
Sobre a psicologia social sociológica, é correto afirmar que:
A) o livro An Introduction to Social Psychology, escrito pelo psicólogo William McDougall, é 
considerado como a primeira publicação da vertente.
B) foi Influenciada pela sociologia de Émile Durkheim e seu viés positivista.
C) é predominante na América Latina e nos Estados Unidos.
D) dialoga com a psicologia social crítica e é predominante na Europa.
E) foi substituída pela psicologia social crítica nos anos de 1970.
4) A psicologia social crítica surge na América Latina na década de 1970, tornando-se um dos 
campos mais relevantes da psicologia social até os dias atuais. Analise as alternativas a 
seguir: 
I - A psicologia social crítica surge em oposição à psicologia social psicológica e como crítica 
ao positivismo. Busca uma aproximação da psicologia social com as realidades locais.
II - A psicologia social sociológica privilegia o estudo do comportamento a partir do 
experimentalismo e da afirmação do cientificismo radical.
III - A psicologia social crítica tem como principal referencial teórico o pós-modernismo, 
pautado em uma crítica ao positivismo.
Sobre essa área de atuação, é correto afirmar que: 
A) apenas a alternativa I é correta.
B) apenas a alternativa II é correta.
C) apenas as alternativas II e III estão corretas.
D) as alternativas I, II e III estão corretas.
E) apenas as alternativas I e III estão corretas.
5) A psicologia social chega ao Brasil na primeira metade do século XX sob forte influência das 
produções norte-americanas. Ao longo de mais de um século de produções, a psicologia 
social se tornou obrigatória nos currículos de graduação e cresceu em importância. Analise 
as alternativas a seguir:
I - Até os anos de 1970 era predominantemente de caráter psicológico. A principal 
referência nacional era o psicólogo Aroldo Rodrigues, suas produções eram baseadas no 
positivismo, que influenciava a ciência estadunidense.
II - Nos dias atuais, a vertente sociológica domina as produções em psicologia social no 
Brasil. A psicologia social crítica é a área mais pesquisada.
III - A separação entre as vertentes psicológica e sociológica diz respeito ao currículo dos 
cursos de graduação. A psicologia social psicológica é estudada nos cursos de psicologia, 
enquanto a psicologia social sociológica é estudada nas ciências sociais.
Sobre a psicologia social no Brasil, é correto afirmar que: 
A) somente a alternativa I está correta.
B) somente a alternativa II está correta.
C) somente as alternativas I e II estão corretas.
D) somente as alternativas II e III estão corretas.
E) as alternativas I, IIe III estão corretas.
Na prática
A psicologia social crítica surge na década de 1970 a partir das problematizações feitas por 
pensadores da América Latina. Ela se constitui a partir das produções da vertente sociológica e 
enquanto crítica ao cientificismo e ao experimentalismo da psicologia social psicológica.
Um dos principais nomes da psicologia social crítica é Ignácio Martín-Baró, pensador que segue 
inspirando as produções na área.
Neste Na Prática, você vai conhecer um pouco mais sobre esse autor fundamental para a psicologia 
social, além de como ele se apropriou das problematizações da psicologia social sociológica para 
tensionar a produção de conhecimento vigente até então.
 
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Saiba mais
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um pouco mais sobre as tensões entre as perspectivas sociológica e psicológica na história da 
psicologia social.
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Neurociências: nós somos nossos cérebros? - Francisco Ortega
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psicologia social como especialidade da psicologia.
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https://www.scielo.br/j/psoc/a/yMxwVBg7f3qvCdksBFmQ4CQ/?stop=next&lang=pt&format=html
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social e as abordagens biossociais
Leia o artigo que apresenta uma revisão de literatura sobre as aproximações entre neurociências e 
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https://www.scielo.br/j/pcp/a/8J3NLv6LNh3xSypkNC88jGR/?lang=pt

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