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O artigo “Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça 
restaurativa” de Howard Behr, aborda a importância de como interpretamos os 
acontecimentos, faz diferença no quadro mental que criamos, ou seja, qual a 
lente que usamos para analisar os acontecimentos, uma lente grande inclusiva 
que abrange vários objetos num mesmo quadro, mas não com riqueza de 
detalhes ou uma mais seletiva, composta por um ângulo menor com a 
incorporação de poucos objetos, mas com riqueza de fatos. 
E é essa lente que devemos utilizar ao analisar o crime e todo o 
emaranhado de causas que está ligado ao mesmo. Será que devemos entendê-
lo de forma aflitiva e retributiva, ou seja, toda ação ilícita, irá gerar uma sanção 
por meio do Estado como forma de resposta a vítima e toda uma sociedade 
cercada e refém da violência que assola nosso país, mas também o mundo. 
Ou será que o crime deve ser observado, com outra lente, aquela que 
questiona o que levou o indivíduo a fazer o que fez, quais são as causas por trás 
de cada ação, será que ele estava padecendo de fome em estado de 
necessidade ou sua ação foi uma resposta ao algo que a vítima que muitas vezes 
não é tão vítima assim lhe causou. 
O processo de punição realizado pelo Estado através das penas 
privativas de liberdade está se tornando ineficaz tanto como resposta a 
sociedade, que espera que o indivíduo seja retirado de circulação por um período 
e tenha uma aparente “reflexão” e “consciência” do que fez para que quando 
retorne ao convívio social, não volte mais para o universo do crime e escolha um 
caminho honrado de estudo, trabalho. Ao mesmo tempo a vítima que sofreu uma 
violação, se torna ainda mais vulnerável, pois não recebe uma resposta diante 
do que lhe aconteceu, ficando sem entender os motivos da injusta agressão. 
As penas restritivas de direito, também chamada de penas alternativas 
elencadas no art.32 do Código Penal, podem se tornar uma medida de 
substituição as penas privativas de liberdade, que infelizmente não conseguem 
cumprir seu papel, seja pela superlotação dos presídios que ferem o princípio da 
dignidade humana, como pela reintegração do indivíduo na sociedade e a 
prevenção de novos delitos. 
Em virtude disso, a justiça restaurativa tem muito contribuir ao analisar o 
crime não como violação ao Estado, mas de relacionamentos, contra as vítimas 
e suas propriedades, criando um vínculo entre “agressor e vítima” muito 
desagradável que acaba ficando sem entender por que foi a escolhida, porque 
foi tão prejudicada. A punição não deveria ser o principal foco do Estado e sim 
entender a dor da vítima, e tentar sanar o conflito entre ela e o agressor e só 
após esse momento inicial, objetivar na justiça restaurativa, garantindo o 
equilíbrio da sociedade como um todo.

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