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DIDATICA DO ENSINO SUPERIOR Apresentação Olá! Com este conteúdo, você estará pronto para aprender algo mais sobre Didática, dando continuidade ao que aprendeu nas aulas de Didática Geral, quando aprendeu os fundamentos do processo de ensino e aprendizagem. Agora, você aprenderá algo mais sobre como dirigir a aprendizagem nas aulas de educação a distância – a EAD. Observando que disciplina e aula têm o mesmo significado, nesta disciplina de didática da EAD veremos os seguintes conteúdos: Na Unidade 1, você estudará sobre a direção didática na EAD; na Unidade 2, sobre as características da educação a distância; na Unidade 3, fará uma análise da linguagem da EAD; e na Unidade 4, estudará o uso de imagens, sons e movimentos. Então, boas aulas e um excelente aprendizado! Vamos mergulhar nesse universo de conhecimentos sobre a didática na educação a distância? Sucesso!!! Unidade 1 – direção didática na EAD O que é didática? · Um ramo da pedagogia que trata diretamente das relações entre ensino e a aprendizagem, notadamente no que concerne à educação formal. · Didaktiké (didaktike) significa “ensino” ou “ensinar”. · Desenvolve e aplica métodos e técnicas voltadas à transmissão e aquisição do saber. · Baseia seus estudos e aplicações nas diversas ciências educacionais para que a aprendizagem ocorra de modo eficiente, notadamente no ensino escolar. (Exemplo: psicologia na educação, filosofia...) Características da interação na ead Questão: quais são as caraterísticas das interações na ead? · Relação assíncrona · Relação síncrona Ead pode ser usada em quaisquer níveis de ensino, como a educação presencial. Adultos apresentam um maior grau de consciência e responsabilidade (imprescindíveis nesse tipo de estudo). Metodologias de ensino na EAD Como podem ser os métodos de ensino na EAD? · Com nexo logico na apresentação dos temas, · Com motivação aos estudos, · Com exercícios de fixação da aprendizagem, · E formas dinâmicas de exposição, · E linguagem adequada e associação verbo-pictórica. · A produção de textos sucintos + vídeos institucionais e documentários. · O uso de modernas tecnologias= EAD de boa qualidade. · EAD= amplia as possibilidades educacionais ultrapassando os limites do espaço e do tempo. 1 Direção didática na EAD Ead é notavelmente definida por suas interações assíncronas em que professores e alunos não precisam estar online ao mesmo tempo para ensinar ou aprender. Eles compartilham conhecimentos e reflexões em momentos distintos, o que flexibiliza a rotina de estudo e se adapta às necessidades individuais. Contudo, há momentos em que as interações síncronas são essenciais como durante os chats e videoconferências e especialmente em apresentações de trabalhos de conclusão de curso. Os tcc. Nesses casos, a tecnologia de videoconferência permite a comunicação em tempo real, mesmo que os participantes estejam geograficamente distantes. Historicamente, a educação à distancia começou no século XIX com os cursos por correspondência e evoluiu drasticamente com o advento de tecnologias como rádio, televisão e mais recentemente a internet. Esses avanços permitiram a incorporação de dispositivos modernos como ipod, notebooks e celulares, ampliando a acessibilidade e a eficácia do ensino à distância. Esse método de ensino não apenas se estende a todos os níveis educacionais, mas tem sido particularmente valioso para alunos adultos, que trazem o maior nível de consciência e responsabilidade para seus estudos. Isso demonstra o poder e o diferencial da ead, que continua a transformar as oportunidades educacionais ao redor do mundo, promovendo desenvolvimento cultural e socioeconômico de inúmeras pessoas. 1.1Introdução à didática na EAD O conteúdo da nossa disciplina está dividido em quatro unidades, totalizando 40 horas. Nesta primeira unidade, temos suas primeiras 10 aulas e a iniciamos com algumas perguntas que servirão de base para as nossas investigações e reflexões. Vamos à primeira pergunta: 1ª) Como é a didática na EAD? Antes mesmo de estudar a didática na educação a distância e para uma maior compreensão do tema, devemos entender o que é a didática. Pois bem, a didática é um ramo da pedagogia que trata diretamente das relações entre o ensino e a aprendizagem, notadamente no que concerne à educação formal. Didática: Consiste na análise e desenvolvimento de técnicas e métodos que podem ser utilizados para ensinar determinado conteúdo para um indivíduo ou um grupo. A didática faz parte da ciência pedagógica, sendo responsável por estudar os processos de aprendizagem e ensino. Fonte: www.significados.com.br/didatica. Didática é uma palavra que tem sua origem no grego clássico didaktiké (διδακτικε), que significa “ensino” ou “ensinar”, e é a disciplina que desenvolve e aplica métodos e técnicas voltadas à transmissão e aquisição do saber. Baseia seus estudos e aplicações nas diversas ciências educacionais para que a aprendizagem ocorra de modo eficiente, notadamente no ensino escolar (FONTOURA, 1967). Você encontra um estudo mais detalhado dessa temática no módulo de Didática Geral deste curso. Aqui vamos nos aprofundar na Didática da EAD. 1.2Características da interação no EAD Há uma segunda questão para você refletir: 2ª) Quais são as características das interações no EAD? A EAD caracteriza-se por uma relação assíncrona, ou seja, uma interação na qual os professores e alunos partilham seus conhecimentos e reflexões em tempos diferentes. Uma relação síncrona (ao mesmo tempo) é observada nos chats e videoconferências, quando ocorrem sincronias temporais pela própria natureza dessas comunicações. Nesses casos, há uma relação síncrona. Relação assíncrona: Comunicação assíncrona. Comunicação que não ocorre nem se efetiva no mesmo tempo e espaço, falando do emissor e receptor, uma mensagem enviada e que não precisa ser respondida naquele exato momento, geralmente efetivada por cartas, e-mails etc. Fonte: www.dicio.com.br/assincrona. Relação síncrona: Comunicação síncrona. Comunicação em que a mensagem é recebida e imediatamente respondida, geralmente se refere a interações em que é possível estar presencialmente, ou pelo telefone, por videoconferências etc. Fonte: www.dicio.com.br/sincrona. O tempo sincrônico em algumas ocasiões é necessário, por exemplo, como o que ocorre no momento da apresentação de trabalhos de conclusão de curso (TCC). Mesmo nesse caso, como estão envolvidos locais bem distantes entre si, é utilizada, então, a videoconferência. De fato, a modalidade a distância é espacialmente o inverso da modalidade presencial, porque os estudantes e tutores encontram-se em locais diferentes. Observe que essas duas características demonstram o poder e o diferencial da EAD. A educação a distância principiou com os antigos “cursos por correspondência” desde o século 19. Com a evolução do ensino, tais cursos mostraram-se eficientes e benéficos para um número muito grande de pessoas. Posteriormente, foram introduzidos outros recursos, tais como TV, rádio, vídeos, fitas cassetes, CDs, apostilas editadas e vendidas em bancas (LUCENA, 1997). Para exemplificar, esse documentário mostra como a EAD tem sido utilizada na promoção do conhecimento do Ensino Médio, proporcionando a muitas pessoas o desenvolvimento cultural e a decorrente melhoria de suas condições socioeconômicas. Saiba mais: Série de vídeos do Ministério da Educação sobre o Novo Ensino Médio (NEM) e sobre o uso da EAD. Disponível em: www.youtube.com. www.youtube.com. Com o surgimento da Internet e suas imensas possibilidades, agora incluindo vários e modernos instrumentos como iPods, notebooks, netbooks e celulares, houve uma dinamização dessa forma de ensino, possibilitando, juntamente com o advento da banda larga, a sua universalização. Conceitualmente, a educação a distância pode ser usada em quaisquer níveis de ensino, como a educação presencial. No entanto, sua evolução tem se dado principalmente com alunos adultos, pois eles apresentam um maior grau de consciência e responsabilidade, fatores imprescindíveisa Unidade 4 Nesta última unidade da disciplina Didática na EAD, você tomou conhecimento dos recursos midiáticos que a educação a distância utiliza para atingir os seus objetivos, bem como os softwares educacionais e paradidáticos que lhe permitem atingir seus objetivos com qualidade. Por fim, quanto ao planejamento didático, você analisou que se caracteriza por alguns componentes em sua estruturação: título, ementa, justificativa da oferta do curso, objetivos gerais e específicos, conteúdo, procedimentos de ensino, recursos materiais e humanos, carga horária, avaliação e referências. PROCEDIMENTOS DE ENSINO E A AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL Objetivos Neste conteúdo discutiremos as diferentes maneiras de ensinar e avaliar os alunos na perspectiva da Educação Integral. Nesse sentido, apresentaremos alguns procedimentos de ensino que podem ser adotados nas aulas presenciais ou no ensino híbrido. Também faremos uma apresentação sobre a avaliação da aprendizagem e os instrumentos que podem ser adotados para avaliar o aprendizado dos alunos. Ensino híbrido: Um modelo de educação que propõe que a aprendizagem deve acontecer tanto no espaço físico da sala de aula quanto em plataformas digitais de ensino. Fonte: Observatório de educação - institutounibanco.org.br. 1 Como ensinar? · Escolha do professor; · Vários aprendizes: cada um aprende de uma maneira; · Professor transmissor ou mediador do conhecimento do aluno? Metodologias ativas de ensino · Alunos: ativo e participativo no processo de ensino-aprendizagem; · Professor: interagir, mediar o processo de ensino-aprendizagem. Alguns teóricos clássicos da educação criticavam a escola tradicional já concebiam metodologias ativas de ensino. Vários procedimentos de ensino: apresentação de grupo, apresentação de ideias, aula expositiva, debate, ensino com pesquisa, estudo de caso, estudo dirigido, seminário, grupos de oposição, GVGO, PBL, sala de aula invertia. Aprendizes protagonistas Avaliar a aprendizagem · Retorno de como está ensinando e como estão aprendendo; · Diversificar o modo de avaliar; · Contínua; · Avaliar a aprendizagem, nota não significa que houve aprendizagem. O modo como se vai ensinar deve ser uma escolha do professor, mas está muito relacionado à como se entende o processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, os procedimentos de ensino representam essa maneira como se irá ensinar os alunos. Sendo uma escolha do professor, deve-se levar em consideração que existem vários estudantes em sala de aula, por consequência, vários aprendizes, e que cada um aprende de maneira diferente e tem ritmos próprios. Numa mesma sala de aula, Pode haver alunos que sejam mais participantes, que aprendem a pensar e expor suas reflexões; outros alunos apenas ouvintes, que não expressam seus pensamentos no processo de construção do conhecimento; e já outros alunos que constroem seus conhecimentos com o grupo-classe, trocando experiências, respeitando os colegas (Scarpato, 2012, p. 59). Um professor que sempre esteja estudando e com uma boa formação pedagógica buscará novas formas de ensinar, sempre de modo variado, porque tem consciência de que numa mesma sala de aula há vários aprendizes, cada qual com suas características individuais. Já um professor que não se atualiza que nunca refletiu sobre como deve ensinar seus alunos, com certeza se baseará nas lembranças das aulas que teve no passado, que na maioria das vezes terão sido somente expositivas, sem a participação dos alunos, ou os famosos seminários, em que são formados vários grupos em sala e cada qual apresenta um tema definido pelo professor. Sempre devemos considerar que os alunos precisam ser os protagonistas no processo de ensino-aprendizagem, porém pela concepção tradicional de ensino, muito enraizada no imaginário dos professores, principalmente os que atuam no Ensino Superior, muitas vezes se torna algo difícil de compreender e de se colocar em prática. Quem tem que estar em ação, discutindo, participando das aulas são os alunos, e os professores devem apenas mediar essas ações pedagógicas, intervindo sempre que necessário. Poderíamos dizer que os alunos que devem sair “cansados” das aulas, não os professores. Diferentes teóricos da educação preconizaram esse protagonismo do aluno no processo de ensino-aprendizagem. Veja a seguir alguns exemplos e suas ideias principais: John Dewey (1859-1952) · A escola deve ser um espaço de produção e reflexão das experiências. · A educação deve formar democratas críticos perante a sociedade. · É fundamental aprender pela experiência. Célestin Freinet (1896-1966) · Defende os princípios da liberdade, responsabilidade e cooperação. · Reivindica no processo de ensino-aprendizagem a formação de seres humanos autônomos. · A escola deve ser vista como canteiro de obras, em que os alunos devem trabalhar o tempo todo. Alexander Neill (1883-1973) · Educar precisa ser baseado na liberdade e na autonomia. · É necessário educar com compreensão. · As escolas devem ser concebidas como “escolas-oficina”. Paulo Freire (1921-1997) · Sempre defendeu uma educação libertadora. · Pedagogia da autonomia com os princípios: decisão - responsabilidade - respeito - liberdade. · A todo o momento deve-se promover a interação escola-sociedade. Saiba mais: Para conhecer um pouco mais a concepção dos teóricos citados, leia SEBARROJA, J. C. (I.) Pedagogias do século XX. Porto Alegre: Artmed, 2003. Veja também os seguintes vídeos: Dewey, Freinet, Freire, Neill. Temos que repensar a maneira como ensinamos, afinal, estamos formando pessoas e temos que ajudá-las a serem mais críticas e participativas. O conhecimento só faz sentido se proporcionar ao aluno a compreensão, o usufruto e a transformação da realidade que vive. Temos que tornar os alunos protagonistas no processo de ensino-aprendizagem. O conhecimento não é “transferido” ou “depositado” pelo outro (conforme a concepção tradicional), nem “inventado” pelo sujeito (concepção espontaneísta), mas sim construído pelo sujeito na sua relação com os outros e com o mundo (Vasconcellos, 2002). O professor não é um transmissor de conhecimentos, mas sim um mediador da construção do conhecimento do aluno, mesmo porque este já traz para a sala de aula o seu próprio saber, e o professor deve respeitar e considerar a leitura de mundo dele (Freire, 2019). 1.1Metodologias ativas e procedimentos de ensino têm a mesma função? Os procedimentos de ensino são escolhas do professor para promover a aprendizagem integral e transformação dos alunos. Recentemente, a discussão sobre metodologias ativas tem crescido na educação, destacando a importância de alunos como protagonistas no processo de ensino aprendizagem. Embora a ideia de metodologias ativas não seja nova, o século XXI trouxe o avanço das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) intensificado pela pandemia de Covid-19 e o ensino remoto. As TDICs foram incorporadas para apoiar os professores e tornar a aprendizagem mais significativa. Essas tecnologias oferecem inúmeras possibilidades metodológicas para o ensino presencial, online e hibrido, criando uma sala de aula ampliada que integra o mundo físico e digital. Isso leva a uma educação hibrida, onde não há uma única forma de aprender ou ensinar, mas sim varias abordagens que incluem o uso de tecnologias digitais e o trabalho colaborativo. Como enfatiza Carlini “Não existe um procedimento de ensino ideal.” Cada método deve ser escolhido de acordo com os objetivos, conteúdos e características dos alunos, exigindo uma postura flexível do professor. Com acesso massivo à informação, os professores precisam rever suas praticas de ensino. Portanto, todos os procedimentos de ensino devem incorporar metodologias ativas, promovendo a atuação de alunos protagonistas no processo de ensino aprendizagem. Os procedimentos de ensino são um ato de escolha na prática docente, a fim de melhor propiciar a aprendizagem integral dos educandos, o que significa causar-lhes transformação (Scarpato,2013, p. 74). Nos últimos anos tem surgido uma grande discussão na área da educação e nos diferentes níveis de ensino sobre metodologias ativas de ensino. Nesse sentido, os teóricos citados nesse livro texto sempre defenderam métodos ativos e alunos como protagonistas do processo de ensino-aprendizagem. Contudo, precisamos tomar muito cuidado com os modismos na área e, de fato, compreendermos as ideias e conceitos em torno dessas ideias. O quadro a seguir apresenta os principais fundadores de metodologias ativa de ensino ao longo dos séculos. Quadros – Principais fundadores da metodologia ativa Autores Títulos das obras em vernáculo Datas de publicação William James Princípios de Psicologia 1890 John Dewey Meu credo pedagógico 1897 William James Palestras pedagógicas 1899 John Dewey A escola e a criança 1906 Adolphe Ferrière A lei biogenética e a escola ativa 1910 John Dewey Democracia e Educação 1916 John Dewey A Filosofia em Reconstrução 1919 Adolphe Ferrière A escola ativa 1922 Edouard Claparède A educação funcional 1931 Fonte: Araújo (2015, p. 9). O quadro constata o quanto a proposta de uso de metodologias ativas de ensino não é atual, mas, no século XXI, houve um avanço no mundo digital e o surgimento das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Além disso, a pandemia de Covid-19 impôs o fortalecimento do ensino remoto e fez crescer ainda mais as discussões e o espaço das TDICs. Tudo isso gerou formas diferentes de trabalhar, de se comunicar, de se relacionar e consequentemente de compreender o processo de ensino-aprendizagem. Na educação, as TDICs foram incorporadas às práticas docentes com o objetivo de apoiar os professores, tornando a aprendizagem mais significativa. Assim, as TDICs trouxeram às práticas docentes inúmeras possibilidades metodológicas para o contexto da sala de aula, seja ele presencial EAD ou híbrido, diferentes formas de ensinar que denominamos de “procedimentos de ensino”. Há uma variedade de procedimentos de ensino que podem ser adaptados para a sala de aula presencial, online e híbrida. Como salienta Moran (2015, p. 2), o que. A tecnologia traz hoje é integração de todos os espaços e tempos. O ensinar e aprender acontece numa interligação simbiótica, profunda, constante entre o que chamamos mundo físico e mundo digital. Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla, hibridiza constantemente. Por isso a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece só no espaço físico da sala de aula, mas nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. Para isso, devemos compreender que. Falar em educação híbrida significa partir do pressuposto de que não há uma única forma de aprender e, por consequência, não há uma única forma de ensinar. Existem diferentes maneiras de aprender e ensinar. O trabalho colaborativo pode estar aliado ao uso das tecnologias digitais e propiciar momentos de aprendizagem e troca que ultrapassam as barreiras da sala de aula. Aprender com os pares torna-se ainda mais significativo quando há um objetivo comum a ser alcançado pelo grupo (Bacich; Moran, 2015, p. 45). Ademais, como nos lembra Carlini (2013, p. 29): Não é possível acreditar que exista o melhor procedimento de ensino. Cada procedimento deve ser selecionado em função dos objetivos e conteúdos de ensino que o professor pretende realizar, considerando especificamente o grupo de alunos com que trabalha e o momento do processo ensino-aprendizagem que desenvolve. É uma tarefa que exige do professor uma mudança de postura, sem perder sua autoridade em sala de aula, porque ele deve admitir que não é o único detentor do conhecimento. Portanto, nos dias de hoje, com o excesso de informações a que os alunos têm acesso, temos que rever nosso modo de ensinar. Dessa forma, podemos concluir que todos os procedimentos de ensino devem ter como princípio o uso de metodologias ativas, além de possibilitar a atuação de aprendizes protagonistas no processo de ensino-aprendizagem. Saiba mais: No vídeo indicado, o professor José Moran nos apresenta a concepção e origem das metodologias ativas. Saiba mais em: youtube. 1.2 Diferentes procedimentos de ensino no ensino presencial ou híbrido Os procedimentos de ensino devem ser adaptados para aulas presenciais e online. Exigindo flexibilidade dos professores. Vamos conhecer alguns deles: Apresentação do grupo Utilizada no inicio do ano letivo ou disciplina para que os participantes se conheçam, pode ser feita de forma simples com cada aluno, dizendo o seu nome e algo sobre si ou em duplas onde cada aluno apresenta ao colega após uma conversa. Apresentação de ideias Para iniciar um novo tema, o professor pode usar técnicas como brainstorming, onde os alunos mencionam ideias espontaneamente ou redação de conceitos onde escrevem suas compreensões que são discutidas em grupo. Outra opção é o cartaz em grupo onde alunos elaboram cartazes e discutem ideias. Aula expositiva Embora comum deva ser interativa e não ultrapassar 15 – 20 min contínuos no ensino hibrido pode ocorrer via vídeo ou teleconferência com atenção para manter a interação Debate Baseado em leitura previa onde alunos expõem suas ideias mediadas pelo professor. No ensino hibrido pode ocorrer em fóruns de discussão. Ensino com pesquisa Requer orientação do professor e tempo dedicado para a pesquisa e apresentação dos resultados. Estudo de caso Apresenta situações reais ou simuladas para que os alunos apliquem conhecimentos teóricos, pode ser usado tanto presencialmente quanto online. Estudo dirigido Envolve leitura e analise de textos com roteiro pré-elaborado pelo professor incentivando a leitura ativa. Seminário Um procedimento de ensino baseado em pesquisa e debate de aspectos investigados em grupo. Grupo de verbalização e observação Um grupo discute um tema, enquanto o outro observa e registra promovendo uma análise profunda do assunto. Grupos de oposição Dois grupos discutem prós e contras de uma ideia, estimulando o pensamento crítico. Aprendizagem baseada em projetos (pbl) Os alunos resolvem problemas reais utilizando conhecimentos novos e existentes Salas de aula invertidas Os alunos estudam o conteúdo antes da aula e usam o tempo de classe para atividades praticas e esclarecimento de duvidas. Esses procedimentos incentivam a participação ativa dos alunos, desenvolvendo habilidades como expressão clara, reflexão, respeito às opiniões, trabalho em grupo e pesquisa. O objetivo é sempre tornar os alunos protagonistas do processo de ensino-aprendizagem. Os procedimentos de ensino apresentados a seguir podem e devem ser adaptados tanto para as aulas presenciais como para as online, o que exigirá dos professores possíveis adequações. 1.2.1Apresentação do grupo Na educação, seja presencial ou a distancia o inicio de um novo ano letivo ou disciplina é um momento chave para formar conexões entre professor e alunos, que muitas vezes ainda não se conhecem. Existem varias formas eficazes de introduzir os membros de um grupo, atividades fundamentais para promover o conhecimento mútuo e o desenvolvimento integral dos alunos. Apresentação simples: cada pessoa compartilha seu nome junto com detalhes selecionados, como preferencias e expectativas. Historia do nome: os alunos explicam a origem e o significado de seus nomes, abordando aspectos familiares e sociais. Apresentação em duplas: essa técnica envolve alunos formando pares, conversando entre si sobre suas vidas e depois, apresentando um ao outro grupo. Essa forma é especialmente útil em ambientes presenciais. Essas atividades não só ajudam na formação de um ambiente colaborativo, mas também no fortalecimento das relações interpessoais dentro do grupo. [O grupo é] utilizado nas situações em que professor e alunos ainda não se conhecem em geral no início do ano letivo ou de uma nova disciplina. E ainda, na Educação a Distância (EAD), quando, da mesma forma quena Educação presencial, há necessidade de os participantes se conhecerem e juntos constituírem o grupo de trabalho (Carlini, 2013, p. 19). Se, como professores, temos que incentivar o desenvolvimento integral dos alunos, ajudá-los a se conhecer é nosso papel. Às vezes, estudantes universitários acreditam que alguns dos seus professores, ao fazerem uma atividade de apresentação na primeira aula, querem “enrolar”. Esse comentário retrata a incompreensão do papel que essa dinâmica exerce e, consequentemente, uma falta de formação pedagógica. Alguns exemplos de apresentação em grupo são: Apresentação simples Cada componente diz seu nome e um aspecto selecionado previamente pelo professor de sua vida pessoal, suas preferências, expectativas e experiências anteriores, entre outras coisas. História do nome O componente do grupo diz seu nome e narra os motivos familiares e sociais da escolha. Apresentação em duplas “Organizados em duplas, os alunos conversam entre si e se apresentam, mencionando aspectos relevantes de sua vida. Decorrido o tempo estipulado pelo professor, cada aluno fala de seu colega ao grupo. Essa modalidade se presta melhor ao ensino presencial” (Carlini, 2013, p. 20). 1.2.2Apresentação de ideias Na educação a introdução de um novo tema muitas vezes requer que o professor faça um inventario dos conhecimentos prévios dos alunos. Isso é crucial para identificar compreensões superficiais ou conceitos preconceituosos. O método eficaz para isso é a tempestade cerebral ou brainstorming em que os alunos expressam livremente suas ideias sobre um tema que são anotadas e organizadas pelo professor no quadro. Essa técnica fomenta a espontaneidade e a reflexão sem julgamentos prévios. Outra abordagem é a redação de conceitos em que cada aluno escreve brevemente sua compreensão de um conceito em um papel que depois é coletado anonimamente pelo professor para discussão coletiva. Isso ajuda a proteger a privacidade dos estudantes, especialmente útil em grupos que ainda não estão bem integrados. Além disso, o cartaz em grupo incentiva a colaboração. Os alunos criam um cartaz através de desenhos ou colagem em subgrupos discutindo brevemente o tema antes de expor suas obras. Cada cartaz é então discutido pela turma, promovendo um dialogo aberto e aprofundado sobre o tema. No ensino hibrido o uso de ambientes virtuais de aprendizagem é igualmente valioso. Professores podem lançar questões em fóruns ou listas de discussão e os alunos respondem online, facilitando a participação e o debate continuo. Para iniciar um novo tema de estudo, muitas vezes, o professor tem a necessidade de realizar um inventário dos conhecimentos anteriores, disponíveis entre os alunos. Em algumas situações, é importante explicitar essas informações, para diagnosticar a compreensão superficial ou eventualmente preconceituosa dos conceitos a serem trabalhados, muitas vezes assumida de modo inquestionável (Carlini, 2013, p. 22). A apresentação de ideias é um modo de o professor diagnosticar o conhecimento prévio dos alunos sobre um novo tema a ser estudado. Conheça algumas formas de realizá-la: Tempestade cerebral ou brainstorming Quando o aluno menciona em voz alta e espontaneamente, sem prejulgamentos, as ideias que lhe ocorrem diante de um novo tema ou assunto. Essas palavras serão anotadas no quadro de giz pelo professor e agrupadas de acordo com sua semelhança ou diferença, ou ainda por categorias afirmativas e negativas, entre outras. Redação de conceitos O professor distribui pequenos pedaços de papel, todos iguais, e o aluno é orientado a explicar, em poucas palavras, sua compreensão do conceito ou da ideia. Concluída a redação, o professor recolhe as produções sem identificação do aluno-autor e, com base nas ideias ali contidas, organiza o registro no quadro de giz, de forma semelhante à atividade anterior. Trabalhar dessa maneira pode contribuir para proteger o aluno na exposição de suas ideias, quando o grupo ainda não tem a familiaridade necessária. Cartaz em grupo “Os alunos devem participar da elaboração de um cartaz, com um desenho ou colagem, realizado em subgrupo, após rápida discussão a respeito de um tema proposto. Concluído o tempo determinado para a atividade, os cartazes devem ser expostos e observados por toda a classe. Na sequência, serão comentados por seus autores, explicitando seu sentido e suas relações e discutidos livremente pelos demais alunos” (Carlini, 2013, p. 23). No ensino híbrido também podemos usar o ambiente virtual de aprendizagem (AVA). No entanto, o professor precisará propor uma questão ou frase lacunar (por exemplo: Que é sociedade? ou É possível afirmar que sociedade é…?), que deverá ser respondida ou completada pelos alunos, em espaço destinado a essa finalidade no ambiente do curso (fórum ou lista de discussão) (Carlini, 2013, p. 23). 1.2.3 Aula expositiva A aula expositiva é método de ensino mais utilizado nas universidades, predominando na forma como os professores apresentam os conteúdos. Essa abordagem é baseada principalmente na exposição oral do professor, que pode ser enriquecida com a participação dos alunos e o uso de recursos visuais como esquemas, gráficos e sinopses. Embora essencial para introduzir novos conteúdos ou concluir discussões, é crucial que a aula expositiva seja interativa e dialogue com os alunos, envolvendo-os ativamente no processo de aprendizado. Os professores devem ter especial atenção à duraçao das exposições, evitando ultrapassar 15 a 20 minutos contínuos para não sobrecarregar os estudantes. No contexto das aulas online e do ensino hibrido, a aula expositiva adapta às tecnologias de vídeo e teleconferência. No entanto, esses formatos podem limitar a interação. Por exemplo, a assincronia nas videoconferências pode significar que aulas gravadas são assistidas em outro momento, enquanto a teleconferência pode enfrentar desafios de comunicação, especialmente se o contato se dá via e-mail, o que pode retardar as respostas e interações. Com certeza, esse é o procedimento de ensino mais adotado nas aulas em universidades pelos professores e muitas vezes será o único modo de ensino fornecido. […] baseia-se na apresentação oral de um tema, pelo professor, e pode contar com maior ou menor participação dos alunos, dependendo da proposta e dos objetivos de ensino. Além disso, a aula expositiva pode estar apoiada em recursos de ensino, como esquemas, gráficos, sinopses, anotada no quadro de giz, em cartazes, em transparências, entre outros (Carlini, 2013, p. 26). A aula expositiva é essencial para a apresentação de um novo conteúdo ou o fechamento do tema, mas é importante ser dialogada, interativa, havendo a participação dos alunos nesse processo. Há ainda um cuidado que o professor deve ter com o tempo de duração da aula. Evite ultrapassar 15 ou 20 minutos de exposição contínua, para não ficar muito cansativo para o aluno. Imagine que há professores que falam ininterruptamente por 40 a 50 minutos. Já nas aulas online, no ensino híbrido, Aulas online: Um formato que ocorre por meio de plataformas e ferramentas digitais, em que as aulas geralmente são realizadas nos mesmos horários em que aconteceriam os encontros presenciais. Fonte: techtudo.com.br. Ensino híbrido: Um modelo de educação que propõe que a aprendizagem deve acontecer tanto no espaço físico da sala de aula quanto em plataformas digitais de ensino. Fonte: Observatório de educação - institutounibanco.org.br. […] a aula expositiva ocorre nas situações de vídeo e teleconferência, com maior frequência. Nos dois casos, a possibilidade de interação professor-aluno torna-se reduzida: na videoconferência, em virtude da assincronia, ou seja, a aula pode ter sido gravada em momento diferente daquele em que está sendo apresentada; e na teleconferência, por eventuais dificuldades ou atrasos na comunicação, se realizada por correio eletrônico (e-mail) (Carlini, 2013, p. 26). 1.2.4Debate O debate é uma ferramenta educativa poderosa, que depende de leitura e estudos prévios sobreo tema escolhido. Esse método se desenrola através da exposição oral das ideias pelos participantes, com a mediação crucial do professor para garantir uma discussão equilibrada e produtiva. Para que o debate seja eficaz, o professor deve estabelecer regras claras, como levantar a mão para falar, expressar-se de forma clara e respeitar as diferentes opiniões. Esse respeito mutuo é fundamental para que todos os pontos de vista sejam considerados e para que o debate contribua para o aprendizado de todos. No contexto do ensino hibrido ou completamente online, o debate adapta-se perfeitamente aos fóruns de discussão disponíveis nos ambientes virtuais de aprendizagem. Aqui, os alunos podem participar de debates estruturados, apresentando suas ideias e respondendo às dos colegas, tudo sob a orientação do professor, mesmo à distância. Segundo Carlini (2013, p. 29), o debate “[…] se apoia em leitura e estudo prévio sobre o assunto em foco e desenvolve-se no processo de exposição oral das ideias, pelos participantes do grupo, mediado pela atuação do professor”. O professor deve selecionar um tema para ser debatido em sala, combinando as regras para que esse procedimento flua de forma produtiva, por exemplo, levantar a mão para falar, expressar-se com clareza, respeitar as opiniões diversas. Nas aulas online, no ensino híbrido, o debate pode ocorrer no ambiente virtual de aprendizagem (AVA), no fórum de discussão. 1.2.5Ensino com pesquisa O ensino com pesquisa é uma abordagem pedagógica que vai além de simplesmente pedir aos alunos que façam pesquisas. Não se trata apenas de buscar informações em fontes bibliográficas ou digitais, mas de um processo ativo e guiado de produção de conhecimento, que demanda a orientação direta do professor e um compromisso significativo de tempo e esforço tanto dos educadores quanto dos estudantes. Esse método exige que os alunos se dediquem a um projeto de pesquisa durante aproximadamente um bimestre. Durante esse período, é essencial que o professor dedique uma ou duas aulas para orientar os alunos sobre como conduzir a pesquisa e elaborar um relatório adequado. Ele deve esclarecer se a pesquisa será bibliográfica ou de campo e definir as datas para a apresentação de cada grupo. Além disso, mesmo enquanto os alunos trabalham fora da sala de aula, o professor deve integrar esse projeto ao plano de ensino regular, encontrando momentos, como 15 minutos de uma aula, para dar suporte e orientar os grupos em suas tarefas. Segundo Carlini (2013, p. 35), o ensino com pesquisa […] requer a orientação direta do professor, no processo de elaboração da pesquisa. É muito mais do que determinar que os “alunos façam pesquisas”, caracterizadas pela busca em referências bibliográficas ou digitais das informações pretendidas e pela transcrição ou impressão gráfica dos achados. É uma atividade de ensino que demanda tempo e dedicação dos envolvidos na produção de conhecimentos. O ensino com pesquisa exige tempo – em torno de um bimestre de trabalho –, pois os alunos precisarão fazer suas pesquisas e apresentá-las para a sala. O interessante é que o professor use uma ou duas aulas para orientar esse trabalho e explicar o relatório que os alunos deverão fazer, definindo se será uma pesquisa bibliográfica ou de campo e estipulando a data de apresentação para cada grupo. Enquanto os alunos vão trabalhando fora do momento de aula, o professor pode dar continuidade aos conteúdos do seu plano de ensino e, sentindo necessidade, reservar cerca de 15 minutos do tempo para ajudar os grupos nessa tarefa. 1.2.6Estudo de caso O estudo de caso é um método pedagógico que envolve análise de uma situação real ou simulada, proporcionando aos alunos uma aplicação pratica de conhecimentos teóricos. Esta situação é geralmente introduzida pelo professor através de diferentes meios, como artigos de jornais ou revistas, filmes, ou relatos descritivos, que se relacionam diretamente com o tema em estudo. Esse método exige que os alunos mergulhem em uma situação especifica, seja ela factual ou fictícia, e busquem soluções inovadoras e práticas.É um processo que não só testa, mas também aprofunda a compreensão dos alunos sobre o material teórico, incentivando-os a fazer conexões criticas entre teoria e prática. No contexto do ensino hibrido ou totalmente online, o estudo de caso é empregado de maneira semelhante ao ensino presencial. Ele inclui a apresentação do caso, discussões em subgrupos e a elaboração de propostas de solução que são debatidas em fóruns ou listas de discussão. O objetivo é permitir que os alunos colaborem, discutam e refinem suas ideias antes de apresenta-las para avaliação e feedback coletivo. Para Carlini (2013, p. 42), o estudo de caso se apoia na apresentação aos alunos de uma situação real ou simulada, relativa ao tema em estudo, para análise e encaminhamento de solução. Corresponde a um método de trabalho no qual os alunos têm a oportunidade de aplicar conhecimentos teóricos a situações práticas. A situação pode ser trazida aos alunos, pelo professor, na forma de uma notícia de jornal ou revista, de um filme, ou de relato descritivo. O estudo de caso leva os alunos a analisarem uma situação, real ou fictícia, buscando soluções, o que os levará a retomar e aplicar os conhecimentos apreendidos em sala. Nas aulas online, no ensino híbrido, o estudo de caso é utilizado da mesma maneira que no ensino presencial. Inclui a apresentação do caso, a elaboração de propostas de solução baseadas na teoria estudada e a posterior apresentação e discussão das soluções construídas, em fórum ou lista de discussão. Também pode ser trabalhado em subgrupos, incluindo uma discussão prévia e reservada dos membros do grupo, e troca de mensagens antes da apresentação ao aluno (Carlini, 2013, p. 42). 1.2.7Estudo dirigido É uma metodologia de ensino que promove um engajamento ativo dos alunos através de um trabalho estruturado e orientado pelo professor. Esse método tipicamente ocorre em sala de aula e é fundamentado na leitura de materiais como textos, artigos ou capítulos de livros. acompanhados de um roteiro de estudos preparado pelo docente durante a sessão de estudos dirigido os alunos são incumbidos de ler, interpretar o material, analisar e comparar informações. Além de realizar sínteses e avaliações criticas do conteúdo estudado. O objetivo é não apenas engajar os alunos na leitura, mas também superar os desafios comuns associados a leitura em sala de aula entre as alternativas para incentivar a leitura entre os alunos temos: Leitura individual apoiada em roteiros Isso envolve estudos dirigidos em que cada aluno trabalha de forma independente em sala. Leitura exegética Nesse método os alunos leem e comentam em voz alta parágrafos de textos curtos, promovendo um entendimento compartilhado. Leitura dinâmica O professor prepara frases ou parágrafos selecionados para serem discutidos em duplas, culminando em uma apresentação coletiva e discussão organizada pelo professor. […] Como o nome indica, é um procedimento de ensino por meio do qual o aluno executa um trabalho proposto e orientado pelo professor, de preferência, em sala de aula. Apoiado na leitura de um texto, artigo ou capítulo de livro e em um roteiro de estudos previamente elaborado pelo professor, o aluno trabalha ativamente, realizando leitura e interpretação do texto, análise e comparações, sínteses e avaliações (Carlini, 2013, p. 44). Há necessidade de o professor elaborar um roteiro de estudos para a vivência desse procedimento, que pode ser semelhante a um questionário com perguntas. Não deixa de ser uma forma de levar os alunos a lerem o texto que o professor indicou para a aula, pois essa é uma grande dificuldade. Segundo Carlini (2008, p. 64), existem algumas alternativas a fim de que os alunos leiam os textos que os professores solicitam, como: Leitura individual, em sala de aula, apoiada em roteiro, em forma de estudo dirigido. Leitura exegética, quando cada aluno faz a leitura, em voz alta, e um breve comentáriosobre um parágrafo do texto, na sequência. Para esse procedimento devem ser utilizados textos curtos, com cerca de dez ou doze parágrafos, sob pena de a leitura tornar-se cansativa e os alunos dispersos. “Leitura dinâmica”, quando o professor seleciona previamente frases ou parágrafos do texto em estudo, os distribui entre os alunos para uma pequena troca de ideias em duplas e solicita a leitura e apresentação dos comentários ao grupo-classe. Aqui, o professor deve coordenar a apresentação das duplas e organizar o fechamento das discussões. 1.2.8Seminário No ensino superior o seminário é um procedimento familiar, mas frequentemente mal interpretado tanto por alunos quanto por professores. Diferentemente do que muitos pensam, um seminário não é simplesmente uma aula expositiva realizada pelos alunos nem um jogral em grupo. O seminário verdadeiro é uma prática educativa que se baseia no ensino com pesquisa. É desenvolvido em subgrupos com cada um investigando diferentes aspectos de um mesmo tema e apresentando sua descobertas de forma integrada. A chave esta no debate dos pontos investigados sejam eles convergentes, divergentes ou complementares, sempre sob a coordenação atenta do professor. Essa metodologia se distingue claramente das práticas mais comuns que levam esse nome, principalmente porque envolve um processo de investigação profundo. O foco esta na pesquisa genuína, não apenas na elaboração de fichamentos ou resenhas. Ademais, os seminários exigem uma apresentação critica e reflexiva dos resultados encorajando a compreensão do tema sob múltiplas perspectivas. Infelizmente alguns docentes ainda não compreendem plenamente o valor pedagógico dos seminários e limitam se a dividir a classe em grupos responsáveis por partes isoladas do tema. O ideal seria que eles guiassem os alunos para explorar subtemas de maneira critica e profunda, promovendo o entendimento mais rico e diversificado. Esse é o procedimento mais conhecido entre os alunos do Ensino Superior, pois é o que eles mais vivenciam, mas, infelizmente, é o menos compreendido por parte deles e até dos próprios professores. Seminário não é uma aula expositiva dada pelos alunos e muito menos um jogral realizado pelo grupo que apresenta. […] Seminário é um procedimento de ensino que se constrói com base no ensino com pesquisa, realizado em subgrupos, e no debate dos aspectos investigados, de maneira integrada ou complementar, sob a coordenação do professor. Esse procedimento distingue-se daquelas práticas usualmente conhecidas por essa denominação, em primeiro lugar pelo processo de investigação do tema, que é o mesmo para todos os grupos, e realiza-se por meio de pesquisa, em vez de os conhecidos fichamentos e resenhas de capítulos. Em segundo lugar, pela forma de apresentação dos trabalhos, em debate de pontos convergentes, divergentes ou complementares (Carlini, 2013, p. 54). Alguns professores desconhecem o sentido pedagógico desse procedimento e simplesmente dividem a sala em pequenos grupos, cada um responsável por uma parte de um tema, quando na verdade deveria ser feito o aprofundamento desse tema em subtemas de maneira crítica e reflexiva, compreendendo-o sob diferentes perspectivas. 1.2.9Grupo de verbalização (GV) e grupo de observação (GO) Em muitas estratégias educativas a utilização de grupos de verbalização e grupos de observação destaca-se como uma pratica eficaz para aprofundar um determinado tema ou problema. sob a coordenação do professor os estudantes são divididos em dois grupos distintos, o grupo de verbalização (gv) e o grupo de observação (go). Inicialmente os alunos formam dois círculos concêntricos. O gv ocupa um circulo menor no centro, geralmente composto por seis a sete alunos, em quanto o go forma um circulo maior ao redor. Após uma leitura preliminar ou outro tipo de preparação, o gv começa a debater um tema especifico. Esse debate é intensivo e dura cerca de 15 minutos durante os quais apenas os membros do gv podem falar explorando e discutindo o assunto em profundidade. Enquanto isso, o go tem a responsabilidade de observar atentamente a discussão eles anotam pontos importantes, argumentos notáveis e aspectos que lhes chamem atenção. Após o término do debate, os papeis se invertem de certa forma, o go apresenta suas observações e registros, proporcionando feedback sobre o que foi discutido enquanto o gv escuta. Nesse momento o professor pode intervir para destacar observações cruciais ou para relacionar as discussões com teorias relevantes ao tema tratado. É a análise de um tema/problema sob a coordenação do professor, que divide os estudantes em dois grupos: um de verbalização (GV) e outro de observação (GO). É uma estratégia aplicada com sucesso ao longo do processo de construção do conhecimento e, nesse caso, requer leitura, estudos preliminares, enfim, um contato inicial com o tema (Anastasiou; Alves, 2004, p. 88). É preciso formar dois círculos concêntricos, um menor, no centro, com uma média de seis a sete alunos, e outro maior, que pode ser o restante da sala. Após a escolha dos alunos que se sentarão no círculo do centro (GV), esse grupo debaterá um tema que pode ter sido indicado por uma leitura prévia. Terão 15 minutos para discutir, e somente eles podem falar nesse momento. O outro círculo maior, que é o grupo de observação (GO), terá a tarefa de observar a discussão e registrar os pontos debatidos que lhes chamam a atenção. Ao término dos 15 minutos, o GO comentará os pontos que registraram, e o GV ficará na escuta. O professor, nesse momento, pode intervir sobre o que observou durante a vivência do procedimento e até fazer apontamentos das questões teóricas debatidas. 1.2.10Grupos de oposição Em algumas metodologias de ensino, utilizamos os grupos de posição para explorar diferentes facetas de um mesmo tema. Esse método envolve a formação de pelo menos dois grupos de alunos com missões distintas. Um grupo é encarregado de defender uma ideia e suas vantagens enquanto o outro é desafiado a criticá-la, apontando possíveis desvantagens. Antes do debate, é essencial que todos os alunos tenham estudado o tema em profundidade, garantindo que os argumentos sejam bem fundamentados. Cada grupo recebe um tempo pré-determinado para organizar e solidificar seus argumentos. Durante o debate, os alunos devem se posicionar um de frente para o outro, facilitando o confronto direto de ideias e permitindo que todos os participantes se engajem visual e verbalmente. O professor atua como mediador do debate, não apenas para manter a ordem, mas para garantir que a discussão permaneça produtiva e respeitosa. Ele ajuda a organizar o fluxo da discussão, intervir quando necessário e encaminhar o debate para uma conclusão construtiva. […] Seu funcionamento supõe a organização de pelo menos dois grupos de alunos, sendo que um deles tem por tarefa defender uma ideia ou encontrar suas vantagens, enquanto o outro deverá atacar a mesma ideia ou mostrar sua desvantagem (Masetto, 2003, p. 118). É necessário que o assunto discutido tenha sido estudado pela sala. Cada grupo terá um tempo para organizar seus argumentos, e será necessário que os estudantes estejam sentados um de frente para o outro, para que todos se vejam. Haverá o debate entre os dois grupos, cada um defendendo uma posição, e o professor será o mediador, ajudando a organizar a discussão. 1.2.11Solução de problemas ou PBL (project-based learning - Aprendizagem baseada em projetos) Na aprendizagem baseada em projetos, também conhecida como PBL, o aluno se torna o principal agente de seu desenvolvimento educacional. Esse método incentiva uma postura flexiva e ativa, em que os estudantes são desafiados a enfrentar e resolver situações-problema, tanto individualmente quanto em equipe. O processo começa com a apresentação de um desafio que exige não só a aplicação dos conhecimentos já adquiridos, mas também a busca por novos aprendizados através de pesquisa. A solução encontrada para o problema proposto deve ser elaborada emforma de projeto e, posteriormente, compartilhada com toda a classe. Em ambientes de ensino hibrido ou completamente online, o PBL adapta-se perfeitamente, promovendo o aprofundamento dos estudos conforme as necessidades emergem. As duvidas e discussões podem ser conduzidas em tempo real através de chats no ambiente virtual de aprendizagem, facilitando a interação e o esclarecimento de questões entre alunos e professores. Neste procedimento, o aluno é o protagonista do seu próprio desenvolvimento, sendo exigida uma atitude reflexiva nas atividades individuais e em grupo, em que se experimentam diferentes formas de abordagem para realizar um projeto. Baseia-se na apresentação de uma situação-problema que deve ser resolvida utilizando os conhecimentos disponíveis ou novos conhecimentos, construídos por meio de pesquisas, depois apresentadas para a sala. Nas aulas online ou no ensino híbrido, permite promover o aprofundamento de estudos à medida que surgem necessidades individuais de cada aluno ou do grupo, que podem ser esclarecidas no chat do AVA, por exemplo. 1.2.12Salas de aulas “invertidas” (flipped classroom) Na metodologia da sala de aula invertida, o aprendizado se transforma. Aqui, os alunos são encorajados a se preparar antes de vir para a aula, acessando e estudando o conteúdo de antemão. Durante a aula, os primeiros minutos são dedicados ao esclarecimento de duvidas, permitindo que todos os mal-entendidos sejam corrigidos antes de se aprofundar nas atividades práticas. Essa abordagem não só muda a dinâmica de sala de aula mas também coloca a responsabilidade do aprendizado nas mãos dos estudantes, tornando-os protagonistas de seu desenvolvimento intelectual. As aulas presenciais tornam-se então sessões interativas em que os conceitos estudados são aplicados de forma prática. Essa transformaçao nos procedimentos de ensino estimula os alunos a serem ativos e engajados, desafiando a antiga noção de que eles são apenas espectadores. Eles aprendem a expressar-se claramente, ouvir atentamente, respeitar diversas opiniões, colaborar em grupo e conduzir pesquisas eficazes. A sala de aula invertida prevê o acesso ao conteúdo antes da aula pelos alunos e o uso dos primeiros minutos em sala para esclarecimento de dúvidas, de modo a sanar equívocos antes dos conceitos serem aplicados nas atividades práticas mais extensas no tempo de classe (Bergmann; Sams, 2020, p. 58). É um procedimento de ensino em que o aluno assume a responsabilidade pelo estudo teórico, e a aula presencial serve como aplicação prática dos conceitos estudados previamente. Observe a figura para compreender melhor o processo do planejamento e execução da sala de aula invertida: Saiba mais: Para conhecer mais sobre a sala de aula invertida, assista ao vídeo a seguir: youtu.be. Leia também: Bergmann, J.; Sams, A. Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2020. Vimos, então, alguns dos procedimentos de ensino que podemos usar em sala de aula, lembrando que, em todos eles, há a participação dos alunos, levando-os a ser ativos e protagonistas do processo de ensino-aprendizagem, não apenas espectadores, como ocorre em muitas aulas, aonde eles vão para assistir e não para participar e construir seus conhecimentos. Muitos alunos na universidade têm essa postura de espectador: sentam-se nas carteiras, cruzam os braços e só escutam. Acreditam que o professor é um transmissor e o único detentor do conhecimento. Mas o pior é quando professores ainda pensam dessa forma. Podemos perceber que, por meio dos procedimentos apresentados, várias habilidades serão desenvolvidas, como aprender a se expressar com clareza, saber escutar, refletir, respeitar a opinião do colega, trabalhar em grupo, saber colaborar, ser capaz de pesquisar e registrar, entre outras. Todos os procedimentos de ensino apresentados neste conteúdo expuseram os objetivos de ensino de cada um deles, mas é importante salientar que a proposta é sempre tornar os alunos mais participativos do processo de ensino-aprendizagem, ou seja, aprendizes protagonistas – com ênfase na perspectiva da Educação Integral. 2 Avaliar a aprendizagem do aluno Avaliar como os alunos estão aprendendo é fundamental para o professor é um retorno do processo de ensino-aprendizagem para os alunos é um diagnostico do seu desenvolvimento. Os professores precisam escolher diferentes instrumentos para avaliar a aprendizagem dos alunos. Muitas vezes o próprio professor não tem clareza do verdadeiro significado do ato de avaliar. Usando uma visão fragmentada focada apenas no resultado da prova, a avaliação deve ser continua observando diariamente o comportamento, envolvimento e participação dos alunos. Isto não deve ocorrer apenas na semana das provas. Muitas instituições ainda exigem avaliações apenas por provas, criando tenção entre professores e alunos. Os professores se tornam juízes preocupados com a cola enquanto, os alunos ficam ansiosos muitas vezes esquecendo o conteúdo na hora da prova. Seria mais produtivo se cada curso pudesse definir seus critérios de avaliação. Considerando as habilidades que os futuros profissionais precisam, a avaliação deve incluir conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, pois o mercado de trabalho exige profissionais capazes de se expressar, trabalhar em grupo e refletir autonomamente. Não podemos avaliar apenas com provas é necessário utilizar instrumentos diversificados para diagnosticar o aprendizado real dos alunos, evitando a visão distorcida de que avaliação é igual a prova mais nota que leva a aprovação ou reprovação. A verdadeira avaliação deve focar no aprendizado não apenas obtenção de notas. Os professores precisam de instrumentos claros e variados para avaliar se os alunos realmente aprenderam e não apenas decoraram o conteúdo. Avaliar como os alunos estão aprendendo é fundamental, por ser, para o professor, um retorno de como caminha o processo de ensino-aprendizagem, e, para os alunos, um diagnóstico de como estão se desenvolvendo e aprendendo. Do mesmo modo que o professor precisa escolher diferentes procedimentos de ensino para as aulas, necessita também escolher instrumentos diversificados para avaliar a aprendizagem dos seus alunos. Muitas vezes, o próprio professor não tem clareza do verdadeiro significado do ato de avaliar no processo de ensino-aprendizagem. Ele avalia conforme foi avaliado na sua época de estudante e, na maioria das vezes, foi numa visão fragmentada, isolada, vendo apenas o resultado da prova. Afinal a escola, nossos professores, só quantificaram muitas das nossas atitudes durante o processo de aprendizagem. Se a grande maioria dos professores foi avaliado de modo fragmentado, como exigir que mude sua concepção do ato de avaliar se não refletir sobre isso, se não estiver em constante processo de construção de sua identidade docente […] (Scarpato, 2012, p. 112). A avaliação deve ser contínua. Diariamente, o professor precisa observar o comportamento, o envolvimento, a participação, o interesse e a assiduidade dos alunos nas aulas. Isso deve ocorrer também ao término de algum conteúdo específico ou ao fim do bimestre, não somente na semana das provas. Os professores, muitas vezes, acabam avaliando de acordo com as normas da instituição de ensino que lecionam e muitos dos dirigentes dessas instituições desconhecem o conceito da avaliação da aprendizagem. Só exigem que se avalie por provas, intitulando das famosas Semana de provas […] Sou contra Semana de provas […] (Scarpato, 2012, p. 112). A semana de provas gera um clima de tensão nas universidades entre professores e alunos. Os primeiros sentem-se juízes, porque devem evitar a “cola” dos últimos, e desanimados, porque terão uma quantidade enorme de provas para corrigir. Já os estudantes ficam tensos porque não estudaram o suficiente ou até não entenderam o conteúdo ensinado. Podemos perceber uma das manifestações da emoção, a regressividade, em que o aluno fica nervoso e esquece o conteúdoque estudou na hora da prova. Seria muito mais interessante e produtivo para o processo de ensino-aprendizagem que cada curso dentro de uma IES pudesse definir quais critérios adotará para avaliar a aprendizagem dos alunos. Todos os professores, ao discutirem e conhecerem o PPC dos cursos em que atuam, deveriam elaborar os instrumentos de avaliação, retomando as habilidades que aquele futuro profissional deve ter para exercer sua profissão. Não podemos avaliar apenas os conteúdos conceituais, mas também os procedimentais e os atitudinais, conforme apresentado neste texto. Mesmo porque o mercado de trabalho exige cada vez mais profissionais capazes de se expressar com clareza oral e escrita, com facilidade para atuar em grupo e capacidade de reflexão e autonomia. Vários dos procedimentos de ensino apresentados podem ser um instrumento para avaliar, em lugar de somente uma prova. Masetto (2002, p. 146) apresenta uma fórmula que ilustra essa concepção distorcida do ato de avaliar: “AV= P + N → A/R → J. A.”. Ou seja: Avaliação = Prova + Nota, o que leva o aluno a uma Aprovação ou uma Reprovação (A/R). Em qualquer situação, o aluno se sente julgado (J. A.) pelo professor, de cujos critérios depende para obter a aprovação. Falta, na verdade, compreender o que se avalia da aprendizagem, porque obter uma nota para passar em uma disciplina não representa um aprendizado. Será que os alunos realmente aprendem ou apenas decoram e estão preocupados com a nota? Os professores muitas vezes estão preocupados com o aprendizado dos alunos, mas lhes faltam instrumentos claros e diversificados para diagnosticar se isso ocorreu, e nem sempre a prova será esse único instrumento. Recapitulando Neste conteúdo pudemos compreender que os procedimentos de ensino devem ser um ato de escolha do professor, que busca uma formação integral e integrada dos alunos. Ao avaliar a aprendizagem deles, é crucial que o professor compreenda o quanto pode contribuir para uma formação que apoie o desenvolvimento humano em sua integralidade. https://www.youtube.com/watch?v=JqSRs9Hqgtc AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS E O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM Objetivos Neste conteúdo discutiremos as relações interpessoais para que possamos refletir sobre as possíveis interferências no processo de ensino-aprendizagem, considerando os conceitos de Educação Integral e o desenvolvimento integral da emoção em suas diferentes formas de manifestação. Nosso objetivo é possibilitar uma educação que respeite e contribua para a formação humana, crítica e solidária. 1.1Relações interpessoais e a Educação Integral · Relações interpessoais e a educação integral · Relação entre seres humanos; · Professor e alunos são humanos: crescem e desenvolvem-se; · Educação integral – desenvolvimento integral; · Relações interpessoais: experiências escolares deixam marcas positivas ou negativas; · Situações conflituosas aparecerão; · Intervenção do professor nessas marcas; · Relação professor-aluno: carinhosa, pessoal, criação de vínculos; Manifestações da emoção · Contagiosidade: contagia as pessoas próximas; · Plasticidade: reflete no próprio corpo os sinais da emoção · Regressividade: possibilidade de regredir um raciocínio · Alegria: forte relação com o movimento · Medo: se reflete no desequilíbrio postural. Pode ser agradável para algumas pessoas · Cólera: excitações corporais e viscerais, mais relacionadas ao interpessoal; · Tristeza: mais socializada das emoções – pessoa triste não gosta de se movimentar. Manifestações da emoção e a aprendizagem · Contagiosidade e a regressividade quando o professor avisa que fará uma prova surpresa pelo mau comportamento dos alunos na ultima aula. · Plasticidade, regressividade e contagiosidade a morte de um colega de classe gera o choro de colegas, emociona todos na sala e acabam não se concentrando para fazerem outras atividades. Identificar e interpretar no processo de ensino – aprendizagem! Precisamos compreender que, durante todo o processo de ensino-aprendizagem, relações interpessoais são construídas, e todos que vivenciam esse processo, professores e alunos, são pessoas que estão sempre em processo de desenvolvimento e aprendizagem. Nesse sentido, o desenvolvimento humano precisa ser compreendido na perspectiva da Educação integral. Educação integral diz respeito a uma concepção de ser humano que transcende as concepções redutoras que são difundidas no meio social e educacional. Entre as concepções redutoras, a mais enfatizada é a do humano apenas como um ser cognitivo, que tem deixado marcas nos processos educativos, marcas que restringem esse processo à questão do conhecimento intelectual, ao desenvolvimento estritamente cognitivo (Scarpato, 2012, p. 40). A Educação Integral foi referência para muitos pesquisadores da área da educação ao longo dos séculos, como Rousseau, Pestalozzi, Froebel e Freinet, teóricos que se preocupavam, em seus escritos e em suas propostas de ensino, com uma educação voltada para a formação do homem como um todo. Dessa forma, eles têm uma visão de que o ser humano, além do pensamento e dos sentimentos, tem também um corpo que dá suporte a ambos, e pelo qual ele contata o mundo. Assim, as relações interpessoais devem contribuir para o desenvolvimento integral – cognitivo, afetivo, motor e social –, tanto do professor quanto dos alunos. […] Cada um dos âmbitos dos sujeitos – pessoal, interpessoal, social, cognitivo, afetivo –, em qualquer interação, estão sincronicamente presentes e nenhum deles é afetado ou se transforma sem que os outros sejam também transformados. A qualidade da interação estabelecida é fundamental para que a construção e transformação cognitivo afetivo social de cada um dos parceiros ocorram na direção do pleno desenvolvimento de ambos, como pessoas (Placco, 2002, p. 9). Vale salientar que, nas relações sociais, ocorrem interação, troca, expectativa e ansiedade, o que também interfere no desenvolvimento humano conforme a perspectiva da Educação Integral. Saiba mais: Leia a obra Didática e desenvolvimento integral, de Marta Thiago Scarpato, publicada pela editora Avercamp, em 2012. Nela, são aprofundadas questões a respeito de um processo de ensino-aprendizagem que possa propiciar o desenvolvimento integral de alunos e professores. Assim, é salientada a necessidade de se repensar o processo de ensino-aprendizagem dentro dessa perspectiva por meio de diferentes temas, como a aula, os espaços onde as aulas podem acontecer, os ritmos de aprendizagem de cada um, a expressividade corporal do professor e os diferentes modos de aprender com um viés na teoria das inteligências múltiplas, entre outros aspectos. 1.2Relações interpessoais A escola e a universidade são espaços cruciais para o desenvolvimento pessoal e acadêmico. As experiências que vivemos nesses ambientes podem deixar marcas profundas positivas ou negativas. É essencial reconhecer o papel do professor nesse contexto. Muitos alunos chegam à universidade com baixa autoestima, carregando lembranças negativas, sentindo-se incapazes de aprender ou expressar suas opiniões. Portanto, é vital que os professores intervenham positivamente, incentivando os alunos a acreditar em suas capacidade e lhes dando voz durante as aulas. É importante desenvolver uma relação de respeito e apoio mútuo. Conflitos são inevitáveis, mas muitos surgem de métodos autoritários que impedem os alunos de expressarem suas opiniões, ou de aulas que não engajam os alunos ativamente. É vital também que os professores leiam seus alunos, observando sinais como olhares, gestos e o nível de atenção, que são indicadores cruciais do sucesso do processo de ensino. Confrontos também podem ocorrer quando o professor representa uma figura de autoridade, especialmente em cursos superiores com estudantes mais velhos. As relações interpessoais e as experiências vividas num ambiente escolar podem afetar e comprometer o desempenho e a formação de cada pessoa e deixar marcas positivas ou negativas. O tempo que passamos na escola e na universidade tambémcontribuem para o nosso desenvolvimento integral. Essas lembranças deixam marcas para toda a nossa vida, havendo memórias boas e ruins, de modo que as vivências desse cotidiano são repletas de sucessos e fracassos, como nos lembra Arroyo (2004, p. 96): O mesmo jovem negro, João, serralheiro, que guarda uma lembrança tão boa de sua professora, nos diz: “A escola não me cativava, não despertava interesse…” Outro jovem, Flavinho, 17 anos, funkeiro (filho de mãe operária em uma fábrica de tecidos e pai alcoólatra), tem uma visão ainda mais negativa: “… Se desse para viver sem escola eu preferia viver sem escola…”. Que tem essa instituição que provoca reações tão desencontradas? Podemos perceber que o papel do professor é fundamental nesse contexto. Muitas vezes, os alunos chegam à universidade com a autoestima baixa, pois carregam lembranças negativas. Sentem-se incapazes, não acreditam em suas capacidades de poder aprender, não sabem expressar suas opiniões durante as aulas e só ouvem. Vale lembrar que todas as experiências e as lembranças vividas no ambiente escolar podem afetar e comprometer o desempenho, a formação dos alunos, por deixar marcas positivas ou negativas. É importante, portanto, haver uma intervenção do professor para que leve o aluno a acreditar que é capaz, dando oportunidade e voz para ele se expressar durante as aulas. É interessante quando, nas salas dos professores e nos corredores da universidade, profissionais comentam que seus alunos não sabem expressar suas ideias, falar em sala, explicar o que querem, o que sentem e o que pensam. Será que esses professores, enquanto ministram suas aulas, estão propiciando um modo de ensinar que dê oportunidades para os alunos expressarem suas opiniões? Estão contribuindo para a formação deles como seres humanos num âmbito integral? A relação professor-aluno no processo de ensino-aprendizagem precisa ser pessoal, carinhosa e capaz de criar vínculos. Professores e alunos são parceiros e não adversários nesse processo, cabendo ao professor ter maturidade emocional para compreender os conflitos e afrontas que ocorrem em sala de aula. Nas relações interpessoais em sala de aula, situações conflituosas sempre existirão, pois há um grupo de pessoas que convivem e dividem o mesmo espaço. Porém muitos desses conflitos podem representar uma atitude de oposição, quando o professor é autoritário e não abre espaço para os alunos expressarem suas opiniões, fazendo com que estes contestem aquele e o trabalho proposto apenas para exercitar essa contrariedade. Ou, então, o trabalho em sala de aula está desinteressante, pois só o professor fica a aula inteira falando, como se estivesse numa palestra sem interagir, esquecendo-se de olhar os corpos e gestos dos seus alunos. Como lembram Almeida e Mahoney (2004, p. 126): “[…] O professor pode `ler` seu aluno: o olhar, a tonicidade, o cansaço, a atenção, o interesse são indicadores do andamento do processo de ensino que está oferecendo”. Outro tipo de situação conflituosa que pode ocorrer seria uma atitude de afronta não contra a pessoa do professor, mas contra o papel que ocupa, que pode causar incômodo, ainda mais no Ensino Superior, em que temos o ingresso de alunos adultos, com idade mais avançada. Um professor precisa ter maturidade emocional para encarar todas essas situações conflituosas. Com isso, precisa ser mais racional, mediar e ponderar. Se alunos e professores começam a gritar uns com os outros, desrespeitar-se em sala, passa a haver uma visão totalmente distorcida da aula como espaço para crescimento e desenvolvimento, e esse encontro para aprender e crescer uns com os outros perde o seu real significado. Assim, a aula demora a voltar a ser compreendida e encarada com um espaço de desenvolvimento e aprendizagem humana. 1.3Relações interpessoais e as manifestações da emoção É preciso compreender as manifestações da emoção nas relações interpessoais no processo de ensino-aprendizagem e as possíveis consequências que possam interferir no desenvolvimento integral. A emoção apresenta três mecanismos de ação bem perceptíveis socialmente: a contagiosidade, que é a capacidade de contagiar as pessoas próximas; a regressividade, que é a possibilidade de regredir um raciocínio; e a plasticidade, que reflete no próprio corpo os sinais da emoção (Wallon, 1995a). Saiba mais: Para compreender o conceito de afetividade e de emoção no desenvolvimento humano, é necessário ler Henri Wallon ou outros pesquisadores brasileiros que estudam sua teoria, como Almeida e Mahoney (2004), Galvão (2014) e Dantas (1990). A emoção usará o corpo como veículo para se expressar, e isso pode ser observado pelas expressões faciais e posturais e até por outros sinais menos perceptíveis, como aceleração do pulso, salivação, sudorese etc. Essas diferentes manifestações da emoção precisam ser observadas pelo professor na sala de aula. A expressão corporal também atua fortemente nas relações interpessoais, e diferentes manifestações emotivas vividas nas interações sociais são perceptíveis pelo tônus postural. Tônus: Estado de excitabilidade do sistema nervoso que controla ou influencia os músculos esqueléticos. Estado normal de elasticidade e resistência de um órgão ou tecido. Fonte: dicio.com.br/tonus. Entre as emoções que podem ser analisadas pelo professor num contexto escolar, temos a alegria, que surge primeiramente como um prazer. Ela “[…] nasce com a facilidade dos movimentos” (Wallon, 1995b, p. 120) e é perceptível nos bebês, por exemplo, quando são acariciados e demonstram excitação motora, balbucios etc. Pelos estudos de Wallon (1995a), a alegria tem forte relação com o movimento e pode ser observada nas crianças pequenas que saltitam quando pegam o brinquedo que querem ou ganham o doce esperado. Há alegrias tranquilas, que se caracterizam por uma menor manifestação motora e se expressam num estado de hipotonia, porque a pessoa está contagiada por uma situação prazerosa, agradável, e seu tônus fica relaxado. Nesse sentido, no contexto de sala de aula, o professor pode perceber dois mecanismos de ação da emoção: a plasticidade e a contagiosidade. A primeira é perceptível quando os alunos pulam ou gritam ao receber a nota de uma prova que os preocupava, mas temos que considerar também aquele que expressa uma alegria tranquila, com tônus relaxado e uma expressão facial de contentamento. A segunda surge quando uma boa notícia dada pelo professor a um determinado grupo de alunos acaba contagiando toda a classe. Já o medo reflete-se no desequilíbrio postural. O aparecimento de uma cena habitual ou inusitada representa, tanto para a criança quanto para o adulto, a sua segurança pessoal ameaçada. Expresso num estado de hiper ou de hipotonia, dialeticamente, o medo pode vir a gerar emoções agradáveis para algumas pessoas. A criança, por exemplo, na atividade de jogo, pode transformar o medo em divertimento, como na brincadeira de esconde-esconde. O mesmo ocorre para os adultos que gostam de praticar esportes radicais. Hipotonia: Na fisiologia, é a redução ou perda do tono muscular. Fonte: dicio.com.br/hipotonia. Ele pode aparecer na sala de aula quando um professor zomba de uma dúvida expressa pelo aluno, o que pode impedir que este volte a fazer questionamentos, ou quando alunos que realizam uma prova não lembram do tema estudado, o que é muito comum de acontecer. Vale ressaltar que a emoção e a inteligência são inseparáveis na atividade humana. Esses exemplos destacam outro mecanismo de ação da emoção, a regressividade – que atua na regressão do raciocínio dos alunos, impedindo-os de se expressar com clareza e objetividade. A cólera pode ser visualizada pelo professor pelo mecanismo da plasticidade, quando o aluno lança golpes em si mesmo por estar inconformado ou com raiva da situação a que foi exposto, ou pela contagiosidade e pela regressividade, por exemplo, quando o professor avisa que fará uma prova surpresa pelo mau comportamento dos alunos em aula. A tristeza é, para Wallon (1995a), a mais evoluída e socializadadas emoções. Apesar de haver pouca ação corporal, pelo fato de a pessoa triste não querer se movimentar, e sim permanecer inerte, há um acúmulo de emoção no tônus, configurando-se então como uma emoção hipertônica. A morte de um aluno da classe pode ser perceptível na plasticidade, pelo choro dos colegas, na contagiosidade, por emocionar todos na sala, e na regressividade, pelos estudantes não conseguirem ter maior concentração para fazer outras atividades. Não podemos deixar de considerar as consequências da pandemia gerada pela Covid-19, iniciada em 2020, e os grandes impactos nos diferentes setores da sociedade. As pessoas no mundo todo tiveram que ficar isoladas em suas casas, longe dos familiares, amigos, o que gerou enormes mudanças nas relações interpessoais e, ao mesmo tempo, nas emoções e nos sentimentos de todos nós. No contexto escolar, vigoraram o ensino remoto e as aulas online, o que foi um desafio e um enorme aprendizado para professores, alunos, escolas e universidades. A criação de vínculos no processo de ensino-aprendizagem teve que ser modificada, por exemplo, os professores tinham que fazer inúmeros apelos para que câmeras ficassem abertas, de modo que todos os alunos estivessem realmente “presentes”, havendo um mínimo de troca, participação e envolvimento nas aulas online. Com certeza a pandemia de Covid-19 nos trouxe inúmeros aprendizados, que afetaram em aspectos positivos e negativos o desenvolvimento humano integral e integrado. Outro ponto a ser considerado nessa nossa reflexão é o quanto a visão do desenvolvimento humano no processo de ensino-aprendizagem é fragmentada, com uma distorção sobre a compreensão do corpo e seus movimentos no contexto escolar. Essa visão já foi analisada por teóricos, e há inúmeras contribuições para a questão, mas, infelizmente, isso ainda não se reflete no modo que se tem encarado o assunto nas salas de aula, pois ainda é exigido dos alunos que continuem parados, sentados por horas, ouvindo o professor. No Ensino Superior, isso é muito evidente, até pela falta de formação pedagógica da maioria dos professores. Saiba mais: Para aprofundar mais essa questão de como o corpo está à margem do processo de escolarização, pode-se ler: FREIRE, J. De corpo e alma: o discurso da motricidade. São Paulo: Summus, 1991. GONÇALVES, M. A. Sentir, pensar, agir: corporeidade e educação. Campinas: Papirus, 1994. SCARPATO, M. Didática e desenvolvimento integral. São Paulo: Avercamp, 2012. Essa prática de fragmentar a visão do aluno no ato de aprender reflete uma visão equivocada, que considera o corpo e o movimento como um empecilho no processo de ensino-aprendizagem: quanto mais o aluno permanece parado, menos atrapalha o planejamento pedagógico e mais se acredita na sua possibilidade de produção intelectual. Dentro da mesma ótica, o movimento, erroneamente, está associado à indisciplina, à falta de atenção. É fundamental levar em consideração as necessidades tônico-posturais no processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, Wallon (1995a) nos ensina que permanecer imóvel por um longo período é prejudicial, o que é confirmado pela fisiologia. O movimento, conforme apresentado, por ser uma manifestação da emoção, pode expressar um estado desencadeado em determinado momento da aula, como a alegria, que resulta numa agitação corporal, ou o medo, que gera imobilidade. Deve, com isso, haver um olhar atencioso dos professores aos movimentos corporais dos alunos. O movimentar-se faz parte dos processos de desenvolvimento e contribui para a constituição do cognitivo e do afetivo. É preciso evitar aulas longas expositivas, que deixarão os alunos muito tempo parados. É necessário dar pausas e propor que se movimentem pela sala, levantem-se e até se espreguicem. O professor deve considerar, ao planejar sua aula, o horário em que ela acontecerá. Por exemplo, nas primeiras aulas da manhã ou nas últimas da noite, os alunos estão com sono ou cansados. Também deve saber que cada aluno tem um ritmo interno e individual. Dessa forma, de acordo com as situações vividas do cotidiano, agimos com certa temporalidade. Por exemplo, se estamos em casa num domingo ou feriado, podemos calmamente acordar, tomar o café da manhã, ler o jornal e conversar com a família sem a preocupação de fazer tudo rapidamente, respeitando o nosso ritmo corporal interno. O ideal seria que aprendêssemos desde pequenos a conhecer e lidar com nosso ritmo interno individual, a fim de buscar um equilíbrio com o ritmo externo da sociedade em que vivemos, o que poderia possibilitar uma vida com menos enfermidades, dores, enxaquecas, estresse etc. Durante o processo de ensino-aprendizagem, o professor precisa explorar diferentes espaços da escola, considerar a distribuição espacial das carteiras para o tema da aula e respeitar o ritmo interno de cada aluno, a fim de possibilitar que o tempo e o espaço da aula propiciem um encontro para a aprendizagem e o crescimento do professor e dos alunos, promovendo aulas que respeitem a integralidade das pessoas. Há também muita dificuldade de interpretar a emoção, sobretudo por não se compreender seu verdadeiro significado e se desconhecer seu funcionamento, tanto fisiológico quanto social. Confunde-se emoção com sentimento, sendo a primeira mais instantânea, podendo ser observada por reações tônicas musculares. Já o segundo tem uma ação mais duradoura e, ao mesmo tempo, mais difícil de ser observada por essas reações. O tema emoção raramente é enfrentado e discutido no processo de ensino-aprendizagem de forma mais clara, por isso, muitas vezes há incertezas sobre como conduzir e administrar situações emotivas como as exemplificadas. É preciso considerar que as experiências vividas na sala de aula exercem grande influência no ser humano, mas ainda não se compreende, não se interpreta a importância da afetividade e dos sentimentos para o desenvolvimento dos alunos no contexto escolar. Perceber a existência da relação entre afeto, cognição, movimento e meio social é importante a fim de promover o desenvolvimento harmonioso de todos os atores na ação pedagógica. A universidade, com seus atores – direção, coordenação e principalmente corpo docente –, precisa conhecer e refletir sobre o papel da emoção, do sentimento, nesse cenário de aprendizagens. Há grandes riscos, segundo Wallon (apud Almeida; Mahoney, 2004), de uma educação que desconsidere o afeto. A vida passional afetiva é a origem mais poderosa da ação. Mas ela obnubila o espírito crítico e pode desenvolver o fanatismo. Uma educação exclusivamente intelectualista que a deixaria ao abandono corre o risco de se tornar o instrumento das consequências mais funestas. O exemplo do país fascista onde a inteligência tem sido depreciada e o instinto exaltado… mostra a quais aberrações selvagens ele pode chegar. Para evitar o retorno de uma barbaridade semelhante, é necessário educar a sensibilidade conjuntamente com a razão (Almeida; Mahoney, 2004, p. 102). Na sala de aula, o aluno vive diferentes emoções, conforme apresentamos há pouco, e inúmeras relações interpessoais são construídas. O professor precisa estar muito atento à observação de algumas dessas emoções surgidas em meio às relações sociais, que podem se transformar em sentimentos equivocados, como a inveja e a raiva, e gerar atitudes como a competição individualizada. Do mesmo modo que se propicia na sala de aula o desenvolvimento intelectual, também se permite o afetivo, e ambos são inseparáveis e interdependentes. Perceber a complementaridade entre emoção e inteligência no processo de ensino-aprendizagem leva a repensar a prática docente, os procedimentos de ensino adotados e a avaliação. Às vezes, a maneira pela qual o professor chama a atenção de um aluno para determinada atividade em sala, dependendo do seu tom de voz ou de sua postura, pode gerar uma inibição diante daquele conhecimento, produzindo, consequentemente, sentimentos questionáveis. A afetividade sempre permeia a relação pedagógica. Uma situação que vivemos na escola e que comcerteza ilustra essa relação de interdependência é termos estudado para uma prova, ficarmos nervosos no momento de realizá-la e esquecermos tudo. O famoso “dar um branco”. Wallon (1995a) nos alerta que o grande desafio é buscar o equilíbrio entre a razão e a emoção. Temos consciência de que predomina no contexto escolar, principalmente no Ensino Superior, uma supervalorização do aspecto cognitivo. O próprio sistema defende que sejam transmitidos inúmeros conteúdos escolares aos alunos e que estes sejam cobrados por meio de provas e exames. Isso acaba interferindo na prática pedagógica do professor, pelo fato de atribuir demasiado valor ao desenvolvimento intelectual dos estudantes. Professor e alunos se desenvolvem integradamente, não é só com os alunos que temos que nos preocupar, mas também com a formação continuada dos professores. É preciso aprender a observar os alunos como um todo e não apenas os seus aspectos cognitivos. É importante perceber a ligação entre afeto, cognição e movimento e atentar-se para a postura, o olhar, o cansaço, o excesso ou a falta de movimento no cotidiano da aula. O professor precisa saber que a afetividade – emoção e sentimentos – tem a função de estimular ou inibir a aprendizagem e criar um clima em sala de aula de parceria para canalizar a afetividade na produção do conhecimento, despertando o interesse dos alunos. Cabe ao professor estar ciente de como a afetividade permeia o processo de ensino-aprendizagem e aprender a observar os alunos de modo integral, procurando ser mais racional, com mais maturidade emocional, para mediar e ponderar os conflitos e as diversas situações vividas em sala de aula. Recapitulando Neste conteúdo pudemos analisar o quanto, no processo de ensino-aprendizagem, as relações humanas são construídas e o quanto o papel do professor é fundamental para propiciar uma educação integral que realmente apoie o desenvolvimento humano em sua integralidade. https://www.youtube.com/watch?v=-6vuFpW9dFs O PROFESSOR E O ENSINO SUPERIOR Objetivos Neste conteúdo analisaremos o papel do professor e sua atuação no Ensino Superior com base na legislação que rege a educação no Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN nº 9.394/1996), enfatizando a importância de uma formação específica e pedagógica para um ensino de qualidade. 1- O Professor Do Ensino Superior E A Legislação · Professor é uma profissão; · Formação específica X Formação pedagógica; · Didática: disciplina pedagógica. · LDBEN (9394/96): Art.61 – atuação na educação básica Art.52 – titulação acadêmica Art.66 – exercício magistério Superior/Pós-graduação: Ms. e Dr. · Titulação acadêmica não representa formação pedagógica; · Falta de exigência legal na formação pedagógica – consequências no processo de ensino-aprendizagem; · Refletir sobre o que ensinar, como ensinar, como os alunos aprendem, etc.(...) O magistério é uma profissão que historicamente foi marcada pela precondição da vocação (Fernandes, 2002), acreditando-se que, para ser professor, bastava esse fator. Essa visão está totalmente equivocada, pois essa é uma profissão como qualquer outra, que exige estudo e conhecimento. Para ser exercida, é necessário haver formação, afinal, ninguém nasce professor, mas pode se tornar um, o que exigirá muito estudo e reflexão. Nessa profissão, são fundamentais uma formação específica e uma formação pedagógica. Vocação: Vocação é um termo derivado do verbo no latim vocare, que significa “chamar”. É uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva o indivíduo a exercer determinada carreira ou profissão. Vocação é uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades associadas aos seus desejos de seguir determinado caminho. Por extensão, vocação é um talento, uma aptidão natural, um pendor, uma capacidade específica para executar algo que vai lhe dar prazer. Fonte: significados.com.br/vocacao. A formação específica é o domínio de um conteúdo de um campo científico. Por exemplo, um professor de História da Arte deve saber sobre arte, história e a influência da arte na vida das pessoas, entre outros conhecimentos. Já a formação pedagógica é aquela voltada para compreender o papel do professor, a função da escola, o processo de ensinar e de como os alunos aprendem, como se pode ensiná-los e avaliá-los, entre outros aspectos. Como nos lembra Libâneo (2007): Para se ensinar matemática a João, eu preciso: - saber matemática; - saber como se ensina matemática, como ajudo João a pensar com o modo próprio de pensar e operar mentalmente a matemática; - saber em que contexto sociocultural e institucional João vive: como esse contexto influi na sua aprendizagem e como esse contexto pode ser modificado. O “saber matemática” é a formação específica que o professor teve enquanto se formava nessa área de conhecimento; já “saber como se ensina matemática”, “conhecer o João” e “conhecer o seu contexto sociocultural” estão atrelados à formação pedagógica. Todo professor precisa ter clareza do seu papel em sala de aula como agente de transformação social, alguém que pode ajudar as pessoas a se transformarem e a transformarem o meio em que vivem. Mas precisa compreender, principalmente, o verdadeiro sentido de ensinar e aprender diante de toda a complexidade que existe nesse processo. A didática é uma das disciplinas pedagógicas que mais contribuem para essa formação dos professores que atuam nos diferentes níveis de ensino, da Educação Básica ao Ensino Superior. Porém há algumas questões para se refletir sobre a formação pedagógica dos professores no nosso país. A lei que rege a educação no país, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, nº 9.394/1996), no Título VI – Dos Profissionais da Educação –, traz definições sobre a formação dos profissionais da Educação Básica. Vale lembrar que isso se refere à atuação do professor nos níveis da Educação Infantil ao Ensino Médio. O art. 61, parágrafo único, apresenta (Brandão, 2010): Art. 61. […] § único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço (grifos nossos). Esse artigo da LDBEN, ao afirmar o “conhecimento de suas competências de trabalho” e a “associação entre teorias e práticas”, salienta a importância de o professor desenvolver, durante sua formação, habilidades para ser competente na tarefa de ensinar e compreender como os alunos aprendem. Isso é uma formação pedagógica que pode ser aprendida, refletida nos cursos de licenciatura com as disciplinas pedagógicas e, depois de formado, enquanto exerce sua profissão, conforme vai construindo sua identidade docente. A LDBEN pontua esses aspectos referindo-se ao professor que atuará na educação básica. E sobre a atuação do professor do Ensino Superior? O que a lei apresenta? No Título V, Capítulo IV – Da Educação Superior –, o art. 52 salienta apenas que as instituições de Ensino Superior (IES) deverão ter “II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral” (Brandão, 2010). Percebemos que não há uma menção quanto à importância de uma formação pedagógica para o professor atuar nesse nível de ensino, somente quanto ao percentual de mestres e/ou doutores que a IES precisa ter para ser reconhecida. Ainda na LBDEN: “Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado” (Brandão, 2010, grifos nossos). O fato de um professornesse tipo de estudo. NOVO ENSINO MÉDIO E O USO DA EAD Novo Ensino Médio | O Novo Ensino Médio terá ensino a distância? Novo Ensino Médio | O que mudará com o Novo Ensino Médio? 1Direção didática na EAD Metodologias de ensino na educação à distancia Nas aulas a distância, assim como nas presenciais, alguns elementos são fundamentais. Deve haver um nexo logico na sequencia dos temas apresentados, motivação contínua aos estudos, exercícios que fixem o aprendizado, métodos dinâmicos de exposição, linguagem clara e a eficaz combinação de texto e imagem. Além disso, a produção de materiais sucintos e a inclusão de vídeos institucionais e documentários são vitais para enriquecer a experiencia de aprendizagem. A tecnologia moderna desempenha um papel crucial, não apenas em melhorar a qualidade do ensino a distância, mas também em entender profundamente como a aprendizagem ocorre. Isso permite que os programas de cursos à distância alcancem seus objetivos de maneira eficaz. Em suma, a educação a distância não só expande as fronteiras educacionais além das barreiras físicas e temporais, mas também abre novos caminhos para o acesso ao conhecimento. 1.3Metodologias de ensino na EAD São variados os métodos e as metodologias de ensino e, na EAD, isso tudo nos remete à próxima questão: 3ª) Como podem ser os métodos de ensino na EAD? É fundamental para o sucesso docente nessa modalidade a distância o conhecimento das ciências da educação, tais como a didática e a psicologia da aprendizagem. Além disso, tanto nas aulas presenciais como nas aulas a distância são necessários: o nexo lógico na sequência da apresentação dos temas, a motivação aos estudos, os exercícios de fixação da aprendizagem, as formas dinâmicas de exposição, a linguagem adequada e a associação verbo-pictórica. É de fundamental importância na EAD a produção de textos sucintos e a inclusão de vídeos institucionais e documentários. O uso de modernas tecnologias ajuda a garantir que o ensino a distância venha a ser de boa qualidade. Mas, além disso, é necessário existir maior entendimento de como ocorre a aprendizagem para que os programas dos cursos à distância atinjam seus objetivos (NISKIER, 1999). Em essência, a educação a distância amplia as possibilidades educacionais, ultrapassando os limites do espaço e do tempo. 1.4Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) O uso de equipamentos mecânicos na educação é antigo e vem desde 1924, com a criação de máquinas de correção de testes de múltipla escolha. Na década de 1940, foram criados os primeiros simuladores de voo e, na psicologia educacional, encontramos Skinner e suas famosas máquinas de instrução programada (SKINNER; HOLLAND, 2005). Para chegarmos até a definição de AVA e para entender melhor o que é um AVA, surge mais uma questão: 4ª) Qual é o recurso que permite a superação do espaço e do tempo na educação a distância? Figura 4 – Moodle Fonte: commons.wikimedia.org. A resposta se encontra nessas plataformas multimídia, também conhecidas como plataformas EAD e que compõem, em seu conjunto, o ambiente virtual no qual ocorre a aprendizagem – ou AVA. O termo relacionado ao AVA, em inglês, é Learning Management System, ou LMS. Há diversos programas disponíveis com essa finalidade, tais como o BlackBoard e o Moodle. O BlackBoard é pago, e o Moodle é disponibilizado gratuitamente. Nós temos o nosso próprio AVA, que é a Plataforma IPE. Todas as interações entre coordenadores, tutores, autores e alunos ocorrem nesse ambiente virtual. Você, portanto, tem em seu curso uma disciplina específica que trata profundamente do estudo desse tema. Aprofunde-se nesse conhecimento! O PAPEL DO PROFESSOR NO AVA - parte 1 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) · Desde 1924: criação de máquinas de correção de testes de múltipla escolha. · Década de 1940: primeiros simuladores de voo + Skinner e suas famosas máquinas de instrução programada. 4ª) Qual é o recurso que permite a superação do espaço e do tempo na educação a distância? · As plataformas multimídia / plataformas EAD · Conjunto ou ambiente virtual no qual ocorre a aprendizagem – LMS = Learning Management System. · BlackBoard e o Moodle. O Papel do Professor Quais são as funções do professor na EAD? · Também é chamado de Tutor/ mediador / facilitador. · Também pode ser o autor de suas disciplinas. · Mantem a motivação de seus aprendentes (fundamental) · Visão preconceituosa de que a EAD era de baixa qualidade. · A formação do aluno nessa modalidade obedece aos mais rigorosos critérios científicos e técnicos. · Professor constantemente aperfeiçoa seus conhecimentos educacionais. · Ensino hibrido engloba as duas modalidades: presencial e a distância. O PAPEL DO PROFESSOR NO AVA – parte 2 O papel do professor na modalidade à distância. O professor, muitas vezes referido como tutor, é essencialmente um mediador entre o conteúdo e o aluno. Ele pode também ser o autor do material do curso, facilitando assim uma comunicação mais direta e pessoal com os alunos. Sua principal responsabilidade é manter a motivação dos alunos um desafio significativo dada à natureza remota da educação à distância. Esse aspecto é crucial não apenas na educação à distância, mas também em modalidades presenciais e semipresenciais. A educação à distancia está se consolidando como uma componente permanente da educação formal, antigas criticas à sua qualidade tem sido superada, mostrando que a formação oferecida atende a rigorosos critérios científicos e técnicos. Isso exige que os professores aprimorem constantemente seus conhecimentos para atender às exigências dessa modalidade educativa. Estamos vivendo uma verdadeira revolução da informação, em que a educação à distancia desempenha um papel crucial, transformando a educação global e tornando acessível o aprendizado para pessoas em todas as partes do mundo. 1Direção didática na EAD 1.5 O papel do professor Outro ponto importante a considerar é a presença do professor. E isso nos leva à próxima pergunta: 5ª) Quais são as funções do professor na EAD? Na EAD, o professor também é chamado de tutor e atua como um mediador entre o autor e o aprendiz. Ele também pode ser o autor de suas disciplinas e, nesse caso, a comunicação com os alunos dá-se de forma direta. O professor ou tutor deve tomar o cuidado, principalmente, com a manutenção da motivação de seus aprendentes, visto que ela é de fundamental importância nessa modalidade, assim como nas outras – a presencial e a semipresencial. Atualmente se emprega o termo ensino híbrido, que engloba as duas modalidades: presencial e a distância. A EAD veio para ficar e muitos já a chamam de “o futuro da educação formal”, não havendo nisso nenhum juízo de valor, mas apenas a constatação de uma realidade inconteste: a de que mudou definitivamente a concepção tradicional de ensino e aprendizagem, beneficiando um número cada vez maior de pessoas em todas as partes do mundo. Existia uma visão preconceituosa de que a educação a distância era de baixa qualidade. Caiu por terra essa antiga visão, pois hoje está comprovado que a formação do aluno nessa modalidade obedece aos mais rigorosos critérios científicos e técnicos, colocando o professor na condição de ter que aperfeiçoar constantemente seus conhecimentos educacionais (LEMOS, 2015). Na verdade, estamos diante de uma nova realidade mundial que pode, com justa razão, ser chamada de “Revolução da Informação”, na qual a EAD se insere. 1.6Educação a distância no Brasil Vamos agora analisar uma visão sociopolítica e significativa da educação que converge para a pergunta que vem a seguir: 6ª) Como fica a EAD no contexto brasileiro? A EAD tem se desenvolvido grandemente, havendo cada vez mais uma maior aceitação e penetração nas diversas áreas do conhecimento. A modalidade EAD é diferente do ensino presencial, porque existe uma distância física e frequentemente temporal entre professores/tutores e alunos. No entanto, há uma forte ligação, relacionada às imagens e à capacidade de se lembrar de coisas vistas – chamadater titulação de mestre e/ou doutor nem sempre indica que ele refletiu sobre o processo de ensinar e aprender enquanto cursava a pós-graduação, até porque a maioria dos programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil não oferece uma disciplina voltada para a formação pedagógica. Formam-se, na maioria das vezes, pesquisadores, não professores que saberão compreender a complexidade de uma sala de aula, o que é um problema muito sério e que deveria ser revisto nesses programas. É preciso ser um professor pesquisador como apontado por Freire (2019, p. 29): […] Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. Essa postura de professor pesquisador exige a investigação, a inquietude epistemológica e a compreensão do que é ensinar e aprender. Inquietude epistemológica: A epistemologia é a ciência que estuda a teoria do conhecimento. A inquietude epistemológica é uma busca pelo conhecimento, e está associada ao perfil do professor pesquisador. Fonte: elaborado pela autora (2024). Alguns estudos apontam que, no Ensino Superior, até por esse descuido legal, ocorre a admissão de professores com formação, ao nível de pós-graduação, específica da área de atuação, desconsiderando a sua formação pedagógica. Para ilustrar, tomemos como exemplo um advogado bacharel em Direito e, por ter cursado um bacharelado, não teve nenhuma disciplina pedagógica em sua formação. Depois, fez mestrado e/ou doutorado também em Direito, tendo uma ótima formação específica na sua área. Se vier a ministrar aulas no Ensino Superior, até porque a titulação o permite, esse professor pode nunca ter refletido sobre como devemos ensinar ou como os alunos aprendem. Para ser professor no Ensino Superior, é necessária a formação específica, mas a formação pedagógica é fundamental. Quando um professor não a teve em seus cursos de graduação e/ou pós-graduação, ela pode ser oferecida pelas IES em cursos de capacitação, reuniões em que se discutirão questões relacionadas ao ensinar e ao aprender. Saiba mais: Para saber mais sobre a formação pedagógica do professor universitário, recomendamos a leitura complementar a seguir: scielo.br. A não exigência legal da formação pedagógica dos docentes nas IES pode gerar sérias consequências no processo de ensino-aprendizagem, porque dar aula não é simplesmente entrar em sala de aula e despejar um conteúdo aos alunos. Um professor do Ensino Superior sem a formação pedagógica acaba tendo dificuldade em compreender a complexidade do processo de ensino-aprendizagem, o papel que ele exerce nesse processo e o ato político implícito no ato de ensinar. É necessária uma consciência do papel político que há em sala de aula. O professor, ao entrar em sala de aula para ensinar uma disciplina, não deixa de ser um cidadão, alguém que faz parte de um povo, de uma nação, que se encontra em um processo histórico e dialético, que participa da construção da vida e da história do seu povo. […] E isso não se desprega de sua pele no instante em que ele entra em sala de aula (Masetto, 2002, p. 23). Muitas vezes, esse professor sem formação pedagógica acabará ministrando suas aulas nos modelos dos mestres que teve enquanto foi aluno na graduação e/ou na pós-graduação. Esses modelos copiados podem, muitas vezes, estar equivocados e ser questionados. Enquanto ministra aulas, um professor deve refletir sobre o que é ensinar e como os alunos aprendem, estar aberto e repensar seus posicionamentos. Parafraseando Freire (1994), que aos 74 anos dizia que, até aquele momento, quando entrava em sala de aula, aprendia a dar aula, podemos começar a perceber o quanto nos tornamos professores e devemos procurar compreender, por exemplo, aquele aluno que chegou atrasado para o início da aula ou que não conseguiu trazer o trabalho solicitado para aquele dia por ter passado as noites com o filho hospitalizado. Recapitulando Este conteúdo apresentou a necessidade de o professor estar em constante processo de formação para conseguir exercer sua função pedagógica, tornando o processo de ensino-aprendizagem eficaz e atingindo os objetivos de uma educação crítica, humana e democrática. https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo PLANEJAMENTO E PLANO DE ENSINO Objetivos Neste conteúdo vamos discutir a importância do ato de planejar no Ensino Superior, destacando a articulação que deve existir entre o planejamento de ensino e outros planos necessários para uma Instituição de Ensino Superior, como o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e o Projeto Pedagógico do Curso (PPC). 1 Planejar as aulas · Compreender o sentido de planejar; · Ato não burocrático; · Ato consciente conhecendo o contexto para quem se planeja; · Momento dos combinados pedagógicos; · Direitos e deveres no processo de ensino-aprendizagem. Níveis do planejamento · Plano de desenvolvimento institucional · Projeto pedagógico do curso · Planejamento de ensino Etapas do planejamento de ensino Compreender as etapas do planejamento de ensino: · Objetivos de ensino – para quê vou ensinar ? · Conteúdos de ensino – o quê vou ensinar? · Procedimentos de ensino – como vou ensinar? · Recursos didáticos – com quê vou ensinar? · Avaliação da aprendizagem – o quê, como e para quê avaliar o que foi ensinado?... A prática docente exige a compreensão do sentido de planejar, sabendo para quê, o quê e como se vai ensinar sobre determinado conteúdo aos alunos, e isso está diretamente relacionado ao planejamento elaborado a cada início de curso ou de semestre pelo professor. Para uma eficaz execução desse ato de planejar, é importante conhecer a realidade em que vive o aluno, saber o que ele espera das aulas e apontar a importância daquela disciplina que estudará para a profissão que virá a exercer. Geralmente, a apresentação da proposta da disciplina é feita na primeira semana de aula na universidade. Para muitos alunos e, infelizmente, também para muitos professores, esse momento é visto como uma forma de matar o tempo da aula. Tanto que, nessa primeira semana, constatamos uma baixa frequência à universidade, pois não se compreende o real significado pedagógico desse momento. É justamente o momento dos combinados pedagógicos. Os professores que dão aulas para crianças compreendem bem esse significado, pois é o momento de combinar juntos como será a rotina de trabalho, o que pode e o que não pode ser feito naquele espaço da sala e no momento da aula. Afinal, dentro de um grupo é fundamental aprender a respeitar e conviver, não podendo cada um fazer o que quer na hora que quer. Saiba mais: Não podemos controlar todas as situações do dia a dia. Então, como podemos garantir que o plano siga sem problemas? Na verdade, não há como, por isso o professor deve preparar um plano flexível. Para saber mais, acesse: novaescola.org.br. Nas aulas do Ensino Superior, também deve haver o momento dos combinados pedagógicos. O professor apresenta o seu plano de ensino, os procedimentos que usará para que os alunos aprendam, os instrumentos de avaliação que adotará e, por fim, o que se pode ou não fazer nesse espaço que é de convívio de um grupo, às vezes grande, chegando a até mais de 70 pessoas numa mesma sala. Vale ressaltar que não é só o professor que tem responsabilidade no processo de ensino-aprendizagem. O aluno também tem e precisa ser conscientizado de que é um elemento importante nessa dinâmica, com direitos e deveres a cumprir no decorrer do semestre, mesmo porque o sucesso ou o fracasso nesse processo não dependem só do professor. Os alunos geralmente acham que só têm direitos e se esquecem dos seus deveres. Partindo desses princípios, o ato de planejar pode começar a ser compreendido em seu real significado, além do aspecto burocrático, que seria fazer esse documento e entregar ao coordenador de curso. Isso acaba levando vários professores a simplesmentemudar a data do planejamento, sem revê-lo ou analisá-lo para as características daquela turma do curso que se inicia. O momento de construir ou rever o planejamento de ensino precisa ser um momento com competência profissional, como salienta Freire (2019, p. 91): Nenhuma autoridade docente se exerce ausente desta competência. O professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe […]. Não pode ser um ato mecânico, automático e simplesmente burocrático, mas sim consciente, embutido de uma verdadeira compreensão e reflexão do que se pretende desenvolver, analisando se será mesmo significativo para a realidade de seus alunos. Caso contrário, de nada adiantará esse trabalho. O momento do planejamento deve ser algo extremamente prazeroso, como um momento de uma investigação para uma pesquisa, e, é necessário considerar que há vários aprendizes numa única sala, cada um é um indivíduo com experiências de vidas diferentes e esses alunos aprendem de diferentes maneiras, por isso é preciso diversificar o modo de ensinar (Scarpato, 2012, p. 74). O planejamento de ensino, o planejamento de curso, o programa, a ementa, conforme seja chamado numa instituição de Ensino Superior (IES), precisa ser analisado em suas diferentes etapas. Mas, antes de apresentá-lo, deve-se compreender que esse documento precisa estar articulado a outros planejamentos, como o plano de desenvolvimento institucional (PDI) e o projeto pedagógico do curso (PPC). Toda IES possui o seu PDI, até porque é exigência do MEC no momento de abertura e reconhecimento dos cursos de graduação e pós-graduação. Ele apresenta os objetivos e princípios educativos daquela instituição de ensino, e deve também demonstrar que a IES possui recursos para atingir suas metas. Já o PPC dos cursos de graduação e/ou pós-graduação expressa a proposta daquele curso especificamente, apresentando o objetivo, o perfil do egresso, a grade curricular, os critérios de avaliação etc. O projeto pedagógico do curso é também conceituado e concebido como projeto político-pedagógico: Dizemos que o projeto pedagógico é um projeto político porque estabelece e dá sentido ao compromisso social que a Instituição de Ensino Superior assume com a formação de profissionais e de pesquisadores cidadãos que, na sociedade em que vivem, trabalhando como profissionais ou pesquisadores ou cientistas, desenvolvem sua participação e seu compromisso com a transformação da qualidade de vida dessa sociedade (Masetto, 2002, p. 60). O professor deve conhecer o PPC e, se possível, participar da construção ou até da reformulação desse documento, mesmo porque ele contribui com a formação do profissional que aquele curso oferece dentro daquela IES. Mas essa participação de todos os professores que atuam num mesmo curso continua muito incipiente. Precisaria haver um avanço pedagógico nesse ponto para que eles deixem de ser os ministradores de uma disciplina e passem a ser docentes nesse curso e nessa IES, compreendendo seu papel pedagógico nesse contexto. Um planejamento de ensino precisa estar articulado ao PPC, e este, ao PDI, conforme o esquema: O professor responsável por determinada disciplina deveria ser autor do seu planejamento de ensino, afinal, ele é um especialista na área em que se formou. Como observamos no esquema, não basta apenas saber redigir e entregar o seu planejamento de ensino. Ele deve estar a par do projeto pedagógico do curso e conhecer a realidade e o contexto em que a universidade está inserida, assim como o público que a frequenta, para saber melhor planejar e gerar uma aprendizagem significativa. É o professor quem deve saber o que, como e para que ensinar àqueles alunos, e seu planejamento de ensino deve ser uma ação resultante de um processo integrador entre escola e contexto social, efetivada de forma crítica e transformadora pelo próprio professor. Isso significa dizer que as atividades educativas seriam planejadas tendo como ponto de referência as problemáticas sociocultural, econômica e política do contexto onde a escola está inserida (Lopes, 2005, p. 58). Todo planejamento de ensino organiza-se com as seguintes etapas: identificação; ementa; objetivos de ensino: geral e específicos; conteúdo programático; procedimentos de ensino; recursos didáticos; avaliação da aprendizagem; e bibliografia. Todas elas devem estar articuladas. Essas nomenclaturas podem variar de uma IES para outra, mas todas devem ter os mesmos propósitos de expressar a proposta da disciplina. As características de um planejamento de ensino são estruturadas em: Identificação Em forma de cabeçalho, apresenta o plano, por exemplo: · Curso · Disciplina · Semestre · Turno · Carga horaria semestral · Professor responsável · Ano vigente Ementa É uma descrição discursiva que resume o conteúdo de uma determinada disciplina. Deve explicitar seus objetivos, pontuando o que se pretende que os alunos aprendam. Objetivo de ensino É o que se pretende desenvolver e alcançar com os alunos, não se esquecendo de que se deve propiciar o desenvolvimento integral – cognitivo, afetivo, motor e social – dos discentes. Um professor precisa ter total clareza de quais são os seus objetivos no processo de ensino – aprendizagem. Eles podem ser expressos nos níveis: · Geral: descreve o que se pretende que os alunos aprendam em longo prazo, ou seja, durante aquele semestre e/ou ano letivo, com a disciplina. A redação do objetivo geral deve ser feita num único paragrafo de três a quatro linhas. · Especifico: explicita bem detalhadamente o que se pretende que os alunos aprendam ao termino daquela aula ou daquele conteúdo. A redação dos objetivos específicos é feita em tópicos e inicia-se com verbos no infinitivo, justamente para mostrar as ações especificas que se quer alcançar com os alunos. Considerando que devemos propiciar o desenvolvimento integral dos nossos alunos, a ideia apresentada por Coll (apud Zabala, 1998) é a de que devemos agrupar o que vamos ensinar segundo as tipologias conceitual, procedimental ou atitudinal. Propomos, numa mesma linha de raciocínio, que essas tipologias possam estar associadas à perspectiva de desenvolvimento integral dos alunos. A tipologia conceitual (Coll apud Zabala, 1998), ou do âmbito cognitivo (SCARPATO, 2012), leva o aluno a realmente compreender e não apenas memorizar fatos, propiciando uma aprendizagem significativa, fazendo com que ele aprenda a compreender. A tipologia procedimental (COLL apud Zabala, 1998), ou do âmbito motor (Scarpato, 2012), propicia que se aprenda pela ação, refletindo sobre as atividades realizadas e percebendo que essa mesma aprendizagem pode ser aplicada em outros contextos. A tipologia atitudinal (Coll apud Zabala, 1998), ou do âmbito afetivo e social (Scarpato, 2012), deve ajudar o aluno a construir o conhecimento com base em atitudes, normas e valores vivenciados naquele aprendizado, revendo sua postura, seu modo de agir e de se relacionar com os colegas e o meio. Podemos observar que os objetivos específicos divididos em conceituais, procedimentais e atitudinais não focam apenas aprendizagens fragmentadas e isoladas dos alunos, por exemplo, só a cognitiva, mas seus desenvolvimentos integrais. Tipologia: Tipologia é a ciência que estuda os tipos, a diferença intuitiva e conceitual de formas de modelo ou básicas. A tipologia é muito usada na área de estudos sistemáticos, para definir diferentes categorias. Fonte: significados.com.br/tipologia. Conteúdo programático 1.1Exemplo de plano de ensino Curso: Licenciatura. Disciplina: Didática. Semestre: 1º semestre. Turno: matutino e noturno. Carga horária semestral: 80 horas. Professora responsável: Marta Scarpato. Ano vigente: 2012. Ementa A educação brasileira e a didática. O papel sociopolítico da escola. O processo de ensino-aprendizagem. O planejamento de ensino e suas etapas. O espaço da sala de aula. Relações interpessoais: professor e aluno. Objetivogeral Refletir sobre a educação brasileira no Ensino Fundamental e Médio, tendo por foco a formação e a atuação do educador, a fim de buscar o aperfeiçoamento e/ou transformação da ação profissional. Objetivos específicos · Discutir o processo de formação do educador na realidade brasileira, levando em consideração os aspectos culturais, econômicos, políticos e histórico-sociais. · Reconhecer a didática como disciplina pedagógica. · Compreender o educador como profissional responsável por desencadear o processo de construção do conhecimento e como agente de transformação social. · Caracterizar os elementos do processo de ensino-aprendizagem. · Refletir sobre o processo de ensino-aprendizagem a partir de uma visão integral do ser humano. · Reconhecer o planejamento de atividades didáticas como instrumento da educação. · Distinguir os níveis do planejamento educacional e as possibilidades de atuação do educador. · Analisar as etapas do planejamento de ensino e sua relação com a avaliação da aprendizagem. Conteúdos · O papel da educação e do educador. · Formação de educadores. · A didática, o papel do professor e as tendências em educação. · Ensinar e aprender: desafios do educador. · O planejamento educacional. · Planejamento de ensino. · Objetivos de ensino. · Conteúdos de ensino. · Procedimentos de ensino. · Recursos de ensino. · Avaliação educacional: aspectos epistemológicos. · Avaliação do processo de ensino-aprendizagem. · A prática educativa brasileira. Procedimentos de ensino As aulas consistirão na combinação adequada de: aula expositiva, debate, estudo de caso, trabalhos individuais e em grupos. Recursos didáticos Datashow, textos, artigos, filmes. Avaliação da aprendizagem Ao longo do curso, o aluno será continuamente avaliado por meio de: · trabalhos e relatórios individuais ou em grupo; · participação e assiduidade; · autoavaliação. Assiduidade: Do latim assiduusouassiduitate, esta palavra remete para algo ou alguém que é ocupado, constante ou contínuo. Umindivíduo assíduo é alguém que não falta, ou que aparece frequentemente. Fonte: significados.com.br/assiduidade. Recapitulando Neste conteúdo pudemos perceber o quão importante é para o professor saber planejar seu curso e suas aulas, assim como cada uma das etapas do planejamento de ensino, a fim de compreender seu papel como agente de transformação social. https://www.youtube.com/watch?v=wK5VClKQDys image25.png image26.jpeg image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.jpeg image33.png image34.jpeg image35.png image36.png image37.jpeg image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.jpeg image53.jpeg image54.png image55.png image56.png image57.png image1.png image2.png image3.png image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.jpeg image24.pngde ligação eidética –, pois seus pensamentos aproximam-se por intermédio dos modernos meios de comunicação da multimídia. Na disciplina Didática Geral, está mais detidamente exposto que a educação formal no Brasil tem sido deficiente e que é necessária uma melhora na qualidade do ensino no país. Para que isso se realize, a EAD tem seu papel importante neste cenário. Por intermédio dos meios “multimidiáticos” – neologismo que se refere ao que pertence à multimídia (novas realidades impõem termos novos) –, a EAD é relevante na transmissão das ideias e no estímulo à reflexão crítica aos mais distantes locais do território nacional. Isso porque a EAD não se circunscreve apenas às áreas restritas das cidades – ela chega em lugares onde o ensino presencial ainda não alcança. Podemos, assim, com a EAD trabalhar contra a alienação e a dominação ainda reinantes em lugares determinados, atuando positivamente para a conscientização e libertação de populações estudantis, atuação digna daqueles considerados verdadeiros educadores. Saiba mais: Reportagem da TV MEC sobre a regulamentação da EAD no Brasil. Disponível em: www.youtube.com. Isso mostra como a educação a distância está disseminando o conhecimento nos mais longínquos rincões da terra brasileira. Podem e devem ser transmitidos via EAD os conhecimentos científicos, filosóficos, artísticos e técnicos. Também é imprescindível que as reflexões sobre os significados pessoais, ideológicos e políticos desses saberes sejam efetivamente estimulados para que a ampliação da consciência sociocultural do aluno possa ocorrer, proporcionando mais condições para as transformações que a sociedade brasileira necessita (FREIRE, 2013). A essa altura da aula, você já pode compreender que a EAD é um dos meios da educação e, portanto, de melhor divisão da riqueza entre os integrantes da população brasileira. Diante disso, pode-se comprovar e experienciar que a EAD pode levar formações diversas, informações fidedignas e uma vasta gama de experiências para todos os recantos do Brasil. Aquelas pessoas que, pelas razões mais diversas, não podiam estudar, hoje, podem, com o auxílio dos meios multimidiáticos que a EAD utiliza. Com o tempo, isso irá permitir cada vez mais que a população se torne culta e capaz de promover as transformações tão necessárias em nosso país. EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA NO BRASIL Como fica a EAD no contexto brasileiro? Desenvolvimento + aceitação + penetração nas diversas áreas do conhecimento; Distância física/ temporal entre professores/tutores e alunos; Forte ligação, relacionada às imagens e à capacidade de se lembrar de coisas vistas = ligação eidética (pensamentos aproximam-se por intermédio dos modernos meios de comunicação da multimidia). Transmissão das ideias + estimulo à reflexão crítica; Dissemina o conhecimento nos mais longínquos rincões. Didática da EAD (Educação a distância) Unidade 2 – características da educação a distancia Concepção da ead · A didática da ead é multimidia e está, assim como a presencial, sujeita a regras especificas para que ocorra a aprendizagem. · Há instituições que oferecem exclusivamente essa modalidade de educação a distância. · No Brasil, as Instituições de Educação Superior são reguladas e supervisionadas pelo Ministério da Educação (MEC) quanto à criação e oferta de cursos na modalidade a distância. TICs permitem a intensificação dessas interações. Atualmente: criação de vídeos, animações e jogos, videoconferências, chats, gravações de professores interagindo em ambientes diferentes e tudo o mais que tv, cinema e internet podem, cada vez mais, oferecer. · Funções do professor tornaram-se mais dinâmicas: recursos multimidiaticos visando à geração de aulas interessantes e produtivas. · Alunos: atuam a partir de ambientes diferentes. · Cidades diferentes de um mesmo estado ou em estados diferentes num mesmo país; nos mais longínquos rincões das matas e florestas de um território; e em países, hemisférios e continentes diferentes. · Formam todos uma turma ou classe. Isso é fantástico! Vai muito além do ensino presencial, pois até mesmo a modalidade presencial precisa se reinventar e partir para o ensino hibrido. Se não usar as ferramentas e novidades da EAD, o ensino presencial no ensino superior tende a encolher ou mesmo correra o risco de talvez desaparecer. · Sociedade de mercado + pressão do fator econômico = cursos da EAD mostram-se como mais econômicos e fáceis de gerir em relação aos presenciais. · Educação infantil e de adolescentes: preparar alunos para a EAD / novíssima e revolucionaria modalidade de educação formal. · Nos cursos médios e superiores: ambiente virtual substituirá o físico. · Reorganização geral das escolas: edifícios menores, poucas salas de aula convencionais para a experimentação real e salas de reunião para debatedores ou supervisores de estágio. A REGULAMENTAÇÃO DA EAD NO BRASIL MEC regulamenta novas regras para Educação a Distância no país - YouTube Educação a Distância é tema do Educação no Ar - YouTube Recapitulando a Unidade 1 Na Unidade 1, vimos os aspectos fundamentais da didática na EAD, as interações síncronas e assíncronas e as metodologias aplicáveis ao ensino a distância. Você aprendeu algo importante sobre o Ambiente Virtual de Aprendizagem e sobre o papel do professor de EAD, também chamado de tutor. Ainda analisou dados fundamentais sobre a EAD no nosso país. Com isso em mãos, estará apto para prosseguir para a próxima unidade dessa disciplina. Exercícios de fixação Unidade 2 – Características da educação a distância A Concepção da EAD A ead vem evoluindo a passos largos, e a interação com o uso diversificado dos diversos meios da multimidia tem sido usada progressivamente com mais intensidade. A ead está em processo acelerado de crescimento. Novas tecnologias e propostas criativas surgem a todo momento. As escolas estão competindo entre si, num mercado cada vez mais exigente. Com certeza haverá, progressivamente, uma maior democratização da cultura e formação filosófica, cientifica e profissional. As fases da direção didática Quais são os passos que devem ser dados nas aulas para que ocorra a aprendizagem na educação a distância? Como resposta, apontamos que estes passos ou fases da direção didática durante as aulas são as seguintes: 1 motivação ao estudo: para que haja motivação, é preciso que os estudantes saibam quais são os significados desses saberes para suas vidas, tendo a energia psicofisiológica necessária aos estudos. Sem isso a força motivacional desaparece. 2 apresentações do conteúdo e é preciso que, nas plataformas multimidia, o conteúdo apareça de forma clara, direta e atraente para os alunos, para que possa ser bem entendido e o interesse seja constantemente despertado. Apresentação de vídeos, imagens e fotos sugestivas, tabelas e links relacionados a textos curtos e escritos numa linguagem direta. Estética das páginas: eficácia e beleza para a promoção do bem-estar de quem efetua a leitura e o estudo das matérias publicadas. Exposições devem ser segmentadas: temas em sequência lógica. Todos os recursos materiais, desde os clássicos aos mais modernos, podem ser largamente utilizados: vídeos, entrevistas, exposições, diálogos, problematizações e etc. 3 exercícios de fixação da aprendizagem Fixação da aprendizagem do conteúdo estudado, para a aquisição definitiva dos novos saberes. Quais os tipos de exercícios que podem ser utilizados na ead? · Diversas modalidades + criatividade de cada aluno + avanço tecnológico · Questões práticas, fóruns de discussão etc., imprescindíveis à reflexão crítica; · Isso determina a apresentação de novo saber, = integração ao quadro cognitivo de referência do estudante. 2 Características Da Ead A ead se caracteriza pela multimidia e pela interatividade, seguindo regras especificas para garantir uma aprendizagem eficaz. Instituições renomadas como a open universit na Inglaterra, bem como várias no brasil reguladas pelo mec. são pioneiras nessa modalidade. Graças as modernastecnologias da informação a ead permite interações intensificadas por meio de vídeos, animações e outras ferramentas digitais tornando as funções do professor mais dinâmicas e interativas, os alunos por sua vez podem participar de qualquer lugar do mundo criando uma sala de aula verdadeiramente global. Essa abordagem não só ultrapassa os limites do ensino presencial, mas também desafia a modalidade a se reinventar para incorporar elementos da ead. A educação infantil e adolescente, contudo querem interações sociais diretas devido as necessidades especificas de desenvolvimento, como socialização e afetividade. Com a evolução da ead, estamos vendo uma transformação na estrutura educacional. As escolas estão se adaptando com tamanhos menores, menos salas de aula convencionais e mais espaços para gravações e laboratórios. O ambiente virtual está começando a substituir o físico, especialmente em cursos médios e superiores. 2.1Concepção da EAD A didática da EAD é multimídia e está, assim como a presencial, sujeita a regras específicas para que ocorra a aprendizagem. Para conhecer melhor tais regras, que se inserem na direção da aprendizagem, para você que está interessado na EAD temos algumas questões que ajudarão você a conhecê-las. 7ª) O que é educação a distância? Há instituições que oferecem exclusivamente essa modalidade de educação a distância, a EAD, em diversos países do mundo, notadamente na Europa, como a Open University, na Inglaterra, e a Universidad Nacional de Distancia, na Espanha. No Brasil, as Instituições de Educação Superior são reguladas e supervisionadas pelo Ministério da Educação (MEC) quanto à criação e oferta de cursos na modalidade a distância. Para que a EAD seja de boa qualidade, é preciso, sobretudo, que haja uma interação constante entre os professores e os alunos envolvidos nessa forma de educação (LEVY, 2011). As modernas tecnologias da informação permitem cada vez mais a intensificação dessas interações. Atualmente é possível a criação de vídeos, animações, jogos, videoconferências, chats e gravações de professores interagindo em ambientes diferentes e tudo o mais que TV, cinema e internet podem oferecer cada vez mais. Na EAD, as funções do professor tornaram-se mais dinâmicas, pois ele pode fazer uso de todos os recursos multimidiáticos para a produção de suas aulas. Os textos, links e objetos de aprendizagem podem ser analisados, entendidos, relacionados, medidos e redimensionados, visando à geração de aulas interessantes e produtivas. Figura 7 – Conectividade Aos alunos é facultado atuar a partir de ambientes diferentes. Podem estar em cidades diferentes de um mesmo estado ou em estados diferentes num mesmo país; nos mais longínquos rincões das matas e florestas de um território; e em países, hemisférios e continentes diferentes. Todos formam uma turma ou classe. Isso é fantástico e vai muito além do ensino presencial, pois até mesmo a modalidade presencial precisa se reinventar e partir para o ensino híbrido. Se não usar as ferramentas e novidades da EAD, o ensino presencial no nível superior tende a encolher e até corre o risco de talvez desaparecer. Dentro da perspectiva de uma sociedade de mercado como a nossa, a pressão exercida pelo fator econômico vem tendo, e terá cada vez mais, um peso enorme na mudança de direção do ensino brasileiro, visto que, ao longo do tempo, os cursos da EAD mostram-se mais econômicos e fáceis de gerir em relação aos presenciais. No entanto, como a educação infantil e de adolescentes tem suas especificidades de desenvolvimento, além de necessidades próprias dessas faixas etárias, ligadas principalmente à socialização, afetividade e capacidade cognitiva, deverá manter o contato social direto para interações face a face. E essa conclusão decorre de descobertas oriundas de mais de um século de pesquisas no campo da psicologia do desenvolvimento. A equipe da Univesp TV viajou até Reggio Emilia, cidade de 170 mil habitantes que fica no norte da Itália e é conhecida no mundo todo por sua excelência na educação infantil. A reportagem conta como as dificuldades do pós-guerra fizeram surgir na comunidade o desejo de iniciar um novo tempo para todos, começando com a formação das crianças pequenas. A visita a uma escola ligada à prefeitura de Reggio Emilia mostra como é a rotina de professores, alunos e pais. Saiba mais: Assista a um ótimo vídeo falando sobre Educação Infantil. Disponível em: www.youtube.com. É preciso que haja o contato direto de educadores preparados para que possam haurir as informações e os conhecimentos, bem como desenvolver as atitudes e valores que façam deles cidadãos exemplares voltados para o bem comum (PFROMM NETTO, 1977). Com base nessas especificidades, por outro lado é necessário que a educação infantil e de adolescentes gradualmente prepare seus alunos para a educação a distância, a fim de que, com uma idade mais madura, possam adentrar essa novíssima e revolucionária modalidade de educação formal. Figura 9 – Transição para o EAD Fonte: Jacek Kita/istock. Nos cursos médios e superiores, o ambiente virtual provavelmente substituirá quase que inteiramente o físico. Teremos, em função disso, uma reorganização geral das escolas, com edifícios de menor tamanho, poucas salas de aula convencionais, que servirão apenas para algumas simulações, salas específicas voltadas à gravação de programas em ciências e disciplinas diferentes, mais laboratórios para a experimentação real (isso deverá ser presencial, mas ocorrendo em polos diversos) e salas de reunião para debatedores ou supervisores de estágio. Figura 10 – EAD (Educação a Distância) Fonte: pixdeluxe/istock. Parte disso já está ocorrendo: casas, escritórios, clínicas, hospitais e demais lugares de trabalho estão se tornando locais de estudo e aprendizagem. Grupos de estudo presenciais ou virtuais estão sendo formados em função de interesses e proximidades geográficas. É preciso que se ressalte que, para algumas profissões, como medicina, odontologia, psicologia e outras desse tipo, os estágios e supervisões são essenciais. Para outras, como química e engenharia, entre outras, o trabalho em laboratórios reais é de fundamental importância. Tudo isso, no entanto, pode conviver com os ambientes virtuais, que favorecem a aprendizagem em localidades diferentes, e polos para as ações presenciais supracitadas. Figura 11 – Sistema EAD Fonte: AntonioSolano/istock. A EAD vem evoluindo a passos largos, e a interação com o uso diversificado dos diversos meios da multimídia tem sido usada progressivamente com mais intensidade. Logo poderemos ter à nossa disposição os recursos das transmissões em 3-D, como no cinema, que vão dar um impulso inimaginável à educação a distância, porque, seja como professores ou alunos, poderemos nos ver, até em tempo real, como se estivéssemos fisicamente perto uns dos outros. A banda larga está em processo constante de aperfeiçoamento, estando já as tecnologias 4G e 5G disponíveis no mercado brasileiro. Isso favorecerá até, com um grau superior de definição nas diversas telas, a assistência às aulas da EAD em todos os lugares. Figura 12 – Professores e alunos em aulas online Fonte: insta_photos/istock. A TV a cabo poderá entrar nesse campo e, em parceria com provedores da internet, oferecer cursos gravados e em tempo real para seus espectadores, de maneira que possa ocorrer a interação entre apresentação do conteúdo, sites indicados, vídeos, videoconferências, perguntas em tempo real e toda uma gama variada de novas possibilidades. A EAD está em processo acelerado de crescimento. Novas tecnologias e propostas criativas surgem a todo momento. As escolas estão competindo entre si num mercado cada vez mais exigente. Com certeza haverá, progressivamente, uma maior democratização da cultura e formação filosófica, científica e profissional. Educação infantil Reportagem especial - As Escolas de Educação Infantil de Reggio Emilia, Itália - YouTube 2.2As fases da direção didática Aqui temos mais uma questão para a sua reflexão,que ajudará você a entender a importância dessas fases ou passos a serem dados: 8ª) Quais são os passos que devem ser dados nas aulas para que ocorra a aprendizagem na educação a distância? Como resposta, apontamos que os passos ou fases da direção didática durante as aulas são as seguintes: 1. motivação ao estudo; 2. apresentação do conteúdo; e 3. exercícios de fixação da aprendizagem. Vamos analisar a primeira fase, a motivação ao estudo: para que haja motivação, é preciso que os estudantes saibam quais são os significados desses saberes para suas vidas, tendo a energia psicofisiológica necessária aos estudos. Sem isso, a força motivacional desaparece. A apresentação e discussão desses motivos pelo professor, juntamente com a indicação de sites e vídeos esclarecedores dos assuntos tratados, ajudam a promover a motivação constante nos alunos. A reflexão e o autoconhecimento servem também a esse propósito, e os professores, bem como os alunos, podem e devem fazer uso desses recursos para o próprio aperfeiçoamento pessoal. Na disciplina Didática Geral, desenvolvemos reflexões que aprofundam a compreensão dessa temática. Vamos reiterá-las aqui: · Apresentação do conteúdo: É preciso que, nas plataformas multimídia, o conteúdo apareça de forma clara, direta e atraente para os alunos, para que possa ser bem entendido e o interesse ser constantemente despertado. Figura 13 – Conteúdo Fonte: anyaberkut/istock. Assim, na apresentação de vídeos, tanto documentários como institucionais, imagens e fotos sugestivas, tabelas e links devem estar relacionados a textos curtos e escritos numa linguagem direta. Tal linguagem deve conter apenas o suficiente para a promoção do entendimento, evitar exposições demasiadamente longas e promover uma aprendizagem significativa e eficiente. Outro ponto relevante, que sempre deve ser levado em consideração pelos editores, é a estética das páginas, nas quais a eficácia e a beleza devem andar juntas para a promoção do bem-estar de quem efetua a leitura e o estudo das matérias publicadas. Para que os alunos possam entender rapidamente as ideias explanadas, as exposições devem ser segmentadas, isto é, seus temas devem ser apresentados parte por parte, em sequência lógica. Para a educação a distância, entendemos que todos os recursos materiais, desde os clássicos aos mais modernos, podem ser largamente utilizados: vídeos, entrevistas, exposições, diálogos, problematizações, perguntas, explanações e demonstrações podem ser apresentados pelos professores, junto com diversos recursos materiais disponíveis nos estúdios de gravação, incluindo imagens fixas, tais como figuras e fotos, ou animadas, que podem ser reportagens ou trechos de filmes selecionados e documentários, favorecendo a transmissão dos conhecimentos. · Exercícios de fixação da aprendizagem: Assim como na educação presencial, é fundamental que sejam utilizados também exercícios de fixação da aprendizagem do conteúdo estudado, para a aquisição definitiva dos novos saberes. Sem isso, não há efetiva aprendizagem. Assim, a partir da próxima questão, reflita sobre: 9ª) Quais os tipos de exercícios que podem ser utilizados na EAD? Há diversas modalidades. Apresentaremos apenas algumas, ficando a cargo da criatividade de cada aluno, bem como do avanço tecnológico, o progresso que pode ser alcançado nesse campo. O mais importante é a essência que deve ser compreendida. As práticas, para que promovam a aprendizagem, devem estar relacionadas à aplicação dos conhecimentos expostos. É por isso que, por exemplo, na matemática, após a exposição de conceitos transcritos em fórmulas, estes são seguidos de diversos exercícios, que promovem a aprendizagem requerida. Essa regra deve ser seguida em todos os setores do conhecimento: “a aplicação do saber”! Na multimídia, isso pode ser dado por meio de jogos, simuladores, animações, questões práticas e todo tipo de objetos de aprendizagem que estimulem a absorção efetiva dos conhecimentos adquiridos anteriormente. Administração Geral 15 - YouTube Exemplo 4 – Questões práticas. Qual pode ser a sua contribuição para melhorar a qualidade da educação formal no Brasil? Quais podem ser as ações políticas dos professores na EAD? Como fazer com que os cursos em EAD sejam atraentes e motivadores aos alunos? Figura 14 – Aprendizado Fonte: Prostock-Studio/istock. É evidente que as instituições educacionais devem fornecer os meios para a aquisição ou criação dos objetos de aprendizagem, tais como os colocados nos exemplos de 1 a 4. Mesmo assim, a colocação de questões práticas nos finais dos textos ou nos fóruns de discussão, como as do exemplo 5, é imprescindível à reflexão crítica e, portanto, aplicadora do conhecimento aprendido. Isso determina, de fato, a apreensão de novo saber, pela sua integração ao quadro cognitivo de referência do estudante. Recapitulando a Unidade 2 Nesta segunda unidade, você estudou algumas características da educação a distância, desde a concepção dessa modalidade de ensino até às suas fases da direção didática, como a motivação ao estudo, a apresentação de conteúdos e os exercícios de fixação. UNIDADE 3 – AS LINGUAGENS DA EAD AS LINGUAGENS DA EAD O uso da linguagem mais adequada: · A linguagem narrativa diz respeito às experiencias diretas vividas pelas pessoas, como a que está presente nos romances. · A linguagem descritiva, que expõe realidades materiais, tal como em textos de geografia. · Nos trabalhos de conclusão de curso, monografias e teses de mestrado e doutorado, encontramos a linguagem dissertativa. · Por fim, nos jornais, revistas e programas jornalísticos na tv, deparamo-nos com a linguagem mista ou jornalística. Qual é a linguagem mais apropriada para os cursos em ead? O que é linguagem jornalística? · Ela é caracterizada pelo uso equilibrado de narrações, descrições e dissertações, apoiadas por sons e imagens para que se torne agradável ao leitor, ouvinte ou assistente, mantendo sua atenção durante todo o tempo da exposição. · Seus textos em geral são curtos, apenas o suficiente para o leitor, ouvinte ou assistente fazer uma ideia clara do que lhe está sendo transmitido. · É fundamental à aprendizagem a associação entre imagens e palavras, bem como o envolvimento emocional, para despertar a motivação. · A apresentação imparcial dos fatos com interpretações bem elaboradas, juntamente com argumentações logicas e textos que, sem comprometerem o entendimento, são curtos, para que a atenção seja neles mantida, despertam o prazer de ler. · Tudo isso é linguagem jornalística! Tudo isso é linguagem multimidia! · Devemos também levar em consideração que há uma semelhança muito grande entre o que aparece nas telas do computador e da tv. · Os assistentes estão treinados, trabalharem com textos curtos, + sons, imagens e movimentos, tudo dentro das regras da linguagem jornalística. · Tudo isso é linguagem jornalística! Tudo isso é linguagem multimidia! 3 As linguagens da EAD A respeito do linguajar utilizado na comunicação multimidiática, as linguagens utilizadas nos variados meios da multimídia podem ser: narrativa, descritiva, dissertativa e mista (ou jornalística). 3.1 uso da linguagem mais adequada Existem vários tipos de linguagem. A linguagem narrativa diz respeito às experiências diretas vividas pelas pessoas, linguagem essa presente nos romances; já a linguagem descritiva expõe realidades materiais, tal como em textos de geografia. Nos trabalhos de conclusão de curso, monografias e teses de mestrado e doutorado, encontramos a linguagem dissertativa. Por fim, nos jornais, revistas e programas jornalísticos na TV, deparamo-nos com a linguagem mista ou jornalística. Diante disso, você pode estar com a seguinte dúvida: 10ª) Qual é a linguagem mais apropriada para os cursos em EAD? Se um texto contivesse apenas linguagem narrativa, o que aconteceria? Entendemos que ficaria uma comunicação tão somente coloquial, até mesmo interessante e motivadora, mas que impossibilitaria a transmissão imparcial dos fatos, bem como a apresentaçãode teorias e conceitos de forma equilibrada e discursiva, inviabilizando a compreensão em profundidade de um ou mais temas. Portanto, a linguagem narrativa não poderia ser utilizada sozinha. Vamos agora à análise da linguagem descritiva e suas possíveis aplicações na educação a distância. Seria possível seu uso exclusivo na EAD? De fato, a linguagem descritiva serve unicamente para a exposição desapaixonada dos fatos, quando muito para uma interpretação deles, mas impossibilitaria a exposição dos conhecimentos teóricos. Por essa razão, seu uso exclusivo é contraindicado na educação a distância. Vamos agora passar a entender o uso da linguagem dissertativa na EAD. Ela pode ser usada exclusivamente? A linguagem dissertativa é imparcial, clara, precisa e é usada na apresentação das teorias e demais conceitos. Estes, no entanto, sem os fatos que os fundamentam, parecem apenas conhecimentos a priori, sendo suas exposições, por conseguinte, incompletas. Sua utilização exclusiva na EAD, portanto, torna o texto incompleto, complexo e monótono. As monografias e teses contêm tanto a linguagem descritiva quanto a dissertativa, podendo, então, essa combinação ser usada na EAD. Há, no entanto, algo a ser considerado. Seu discurso tende a ser longo e frequentemente percebido como cansativo, o que prejudica as exposições da educação a distância. Muitos cursos, no entanto, são elaborados dessa forma, tendo poucas figuras e vídeos, sendo normalmente percebidos como desagradáveis e desmotivadores pelos alunos. Consequentemente, embora seja possível o uso da linguagem científica nos textos da educação a distância, ela sozinha tem se mostrado ineficiente nesse tipo de curso. Por fim, analisemos agora a linguagem mista ou jornalística e sua aplicação nos cursos à distância. Ela é caracterizada pelo uso equilibrado de narrações, descrições e dissertações, apoiadas por sons e imagens para que se torne agradável ao leitor, ouvinte ou assistente, mantendo sua atenção durante todo o tempo da exposição. Seus textos, em geral, são curtos, apenas o suficiente para o leitor, ouvinte ou assistente ter uma ideia clara do que lhe está sendo transmitido. Se isso for utilizado na EAD, pode dar certo? É fundamental à aprendizagem a associação entre imagens e palavras, bem como o envolvimento emocional, para despertar a motivação. A apresentação imparcial dos fatos com interpretações bem elaboradas, juntamente com argumentações lógicas e textos que, sem comprometer o entendimento, são curtos, para que a atenção seja neles mantida, despertam o prazer de ler (GARDNER; KORNHABER; WAKE, 2003). Tudo isso é linguagem jornalística! Tudo isso é linguagem multimídia! Linguagem jornalística: A linguagem jornalística é em prosa e deve ser clara, simples, imparcial e objetiva, de modo a expor para o emissor as informações mais relevantes sobre o tema. Fonte: www.todamateria.com.br. Assim, essa forma de linguagem mista ou jornalística parece ser a mais acertada para a elaboração de cursos à distância, pois utiliza todos os recursos próprios da capacidade humana de comunicação, sendo, pois, a mais eficiente e mais adequada aos textos multimídia. Fonte: basenacionalcomum.mec.gov.br. Devemos também levar em consideração que há uma semelhança muito grande entre o que aparece nas telas do computador e da TV, visto que os assistentes estão acostumados, por anos de assistência televisiva e computacional, a trabalharem com textos curtos, juntamente com sons, imagens e movimentos, tudo dentro das regras da linguagem jornalística. Isso precisa ser respeitado nos cursos EAD porque a probabilidade de sucesso pedagógico torna-se muito maior. Deve-se ressaltar também que a prolixidade é um risco a ser evitado, pois escrever demais em vez de enriquecer acaba deturpando e tornando os textos monótonos e sem graça. Os autores das disciplinas devem ficar atentos a isso, para que esse grave erro seja evitado. Escrever um bom texto não é escrever demais ou, o que é pior, usar termos rebuscados que poucos entendem. Prolixidade: Prolixo é um adjetivo que significa muito longo, extenso ou demorado. É empregado quando alguém fala ou escreve demoradamente, com o uso excessivo de palavras. Fonte: www.significados.com.br/prolixo. Ser um bom escritor requer conhecimentos dos conteúdos, bem como da língua em que se escreve, e sensibilidade suficiente para poder atingir as ideias e sentimentos do leitor. Sem isso não há verdadeira comunicação entre o autor e o estudante. O tutor deve se acautelar quanto a isso e, diante de um texto prolixo, apresentar às suas turmas alternativas válidas, tais como guias de estudo, interpretações e sinopses das matérias dadas. Isso facilita a aprendizagem, pois se estabelece a comunicação entre o autor e os alunos. Se a mesma pessoa exerce as funções de autor do conteúdo das aulas e de professor, sua interação com os alunos fica mais fácil, pois o saber apresentado passa a ser discutido diretamente, sem a intermediação de um terceiro nesse processo, embora, com frequência, isso aconteça também com resultados promissores. O que colocamos é que fica mais fácil a transmissão profunda dos conhecimentos e ideias quando há uma identidade única entre os dois papéis supramencionados. O uso de imagens, sons e movimentos Quais são os fundamentos científicos da associação entre imagens e palavras nos textos de ead? (ligação eidética) Neurociência: demonstra a necessidade de se associar palavras e imagens que, no passado, era feito intuitivamente, pois é por meio da interação entre as áreas da linguagem e da visão que ocorre a leitura e, por consequência, a compreensão daquilo que se lê. As associações facilitam a aprendizagem porque são estabelecidas conexões neurais que favorecem a memorização. Pode-se dizer mesmo que a memoria é o conjunto das conexões de um individuo. Isso quer dizer que a memoria retém todas as informações recebidas por um individuo, que a desenvolve a partir da compreensão dos significados de sua experiência. As linguagens da ead · Programas em ead devem ter um grande numero de imagens fixas e moveis jogos, simuladores e vídeos. · Tudo para facilitar a compreensão e memorização do que é lido. · Essa composição entre imagens, textos e sons, para ser efetivamente funcional precisa ter harmonia entre seus elementos, para que facilite a compreensão, uma forma de manifestação artística. · Os educadores da ead tem a responsabilidade de se aperfeiçoarem constantemente, para que eficiência, beleza e funcionalidade possam estar sempre presentes nesses cursos. 3 As linguagens da EAD 3.2O uso de imagens, sons e movimentos. A realidade de comunicação multimídia reveste-se de características distintivas, visto que, desde os tempos dos antigos, pioneiros e famosos cursos por correspondência, passando pelo Telecurso 2º Grau da TV Educativa, até os dias de hoje com os cursos online das universidades brasileiras, ela tem feito uso das cores e imagens primordialmente, além de sons e movimentos, em sua evolução. 11ª) Quais são os fundamentos científicos da associação entre imagens e palavras nos textos de EAD? Quanto ao uso de imagens na EAD, tudo isso conta com o apoio de teorias e pesquisas recentes, principalmente no campo da Neurociência. São estudos que demonstram a necessidade de se associar palavras e imagens, o que, no passado, era feito intuitivamente, pois é por meio da interação entre as áreas da linguagem e da visão que ocorre a leitura e, por consequência, a compreensão daquilo que se lê. As associações facilitam a aprendizagem porque são estabelecidas conexões neurais que favorecem a memorização. Pode-se dizer mesmo que a memória é o conjunto das conexões neurais de um indivíduo. Isso quer dizer que a memória retém todas as informações recebidas por um indivíduo, que a desenvolve a partir da compreensão dos significados de sua experiência (PIAGET; INHELDER, 1979). Saiba mais: Imagens e palavras Este vídeo apresenta uma reportagem feita pela Rede Globo na quais cientistas brasileiros e franceses descobrema região do cérebro responsável pela leitura. Disponível em: www.youtube.com. Quando é feita uma leitura, normalmente a pessoa imagina cenas que dizem respeito ao conteúdo. Se isso não acontece, os olhos são passados sobre o texto sem que haja a leitura de fato e, portanto, a memorização não é efetuada. Isso foi descoberto em função do uso da máquina de ressonância magnética. As pessoas alfabetizadas, quando eram expostas a palavras escritas, tinham a área da visão ativada. Nas analfabetas, isso não ocorria. A leitura é algo recente na história humana, tendo cerca de 5.000 anos, e o cérebro teve que se adaptar a essa evolução cultural, porque não teve tempo suficiente para desenvolver uma área específica para isso. Em função dessa descoberta, compreende-se que os textos devem ser carregados de muitos estímulos visuais para que, na leitura, torne-se fácil a compreensão e memorização. Os cursos em EAD podem ter filmes e animações em 3-D, o que facilita ainda mais esse tipo de associação e é mais uma vantagem adicional da EAD. Assim, os programas em EAD devem ter um grande número de imagens fixas e móveis, jogos, simuladores e vídeos. Tudo para facilitar a compreensão e memorização do que é lido. Há algo, no entanto, que deve ser dito. Essa composição entre imagens, textos e sons, para ser efetivamente funcional precisa ter harmonia entre seus elementos para que facilite a compreensão, sendo, portanto, também uma forma de manifestação artística. Isso implica que os educadores da EAD têm a responsabilidade de se aperfeiçoar constantemente, para que eficiência, beleza e funcionalidade possam estar sempre presentes nesses cursos. Imagens e palavras https://www.youtube.com/watch?v=DOw5n45YSRU&list=RDCMUCn9sSXxb1Pd3v6bszZRssJA&index=15 Para caracterizar o uso de imagens, sons e movimentos na ead, complete a frase a seguir: Unidade 4 – Recursos midiáticos na EAD Recursos midiáticos na EAD: softwares educacionais e paradidáticos O que são e como podem ser os Softwares Educacionais? SW= todos os recursos da multimídia com programação computacional e que visam à aprendizagem de um tema especifico para exposição ou exercício pratico. E.O. A= objeto de aprendizagem = todo e qualquer meio multimídia que favoreça ou possibilite a aprendizagem. O uso de SW Educacionais e Paradidáticos Tutorial = organiza e dirige o aluno para os objetivos traçados pelo professor/o passo a passo do que deve der feito... Exercício – Pratica= SW que facilita a fixação da aprendizagem dos conteúdos. Enciclopédia eletrônica= textos, vídeos, imagens digitais. Simulador= de situações e ações que são de difícil reprodução Modelador= possibilita a análise experimental de fenômenos... Também existem jogos, SW paradidáticos e os O.A... Os O.A. podem ser definidos como todo e qualquer meio utilizável na multimídia visando à aprendizagem de conceitos, teorias, técnicas e habilidades. Imagens, vídeos e programas de computador = O.A. Para obter eficiência e satisfação, o especialista em EAD deve levar em consideração: Finalidade/ Facilidade/ Durabilidade Qualidade/ Flexibilidade/ Adaptabilidade 4 Recursos midiáticos na EAD Um ponto importante nesse contexto é a utilização de programas especiais voltados à educação. Isso nos leva a mais uma questão: (12ª) O que são e como podem ser os softwares educacionais e paradidáticos? Softwares educacionais: Programa de computador que visa atender necessidades e objetivos pedagógicos. Dessa forma, todo software pode ser considerado educacional, desde que sua utilização esteja inserida num contexto e numa situação de ensino-aprendizagem, onde exista uma metodologia que oriente todo o processo. Fonte: www.educabrasil.com.br. Chamamos de software todos os recursos da multimídia que obedecem a uma programação computacional e que visam à aprendizagem de um tema específico por meio da exposição, demonstração ou exercício prático. Outro termo mais abrangente é Objeto de Aprendizagem (OA), pois ele se refere a todo e qualquer meio multimídia que favoreça ou possibilite a aprendizagem. Por extensão, os aplicativos supramencionados são também OA. 4.1O uso de softwares educacionais e paradidáticos Existem diversos tipos de programas educacionais no mercado, mas, como essa área está em constante mudança e novas realidades são criadas a todo o momento, os itens a seguir devem ser vistos apenas como possibilidades. Tutorial O tutorial organiza e dirige o aluno para os objetivos específicos traçados pelo professor, instruindo passo a passo o que deve ser feito, até alcançar a fase final. Exercício e pratica Fizemos referência acima a este tipo de software, que favorece a fixação da aprendizagem dos conteúdos anteriormente conhecidos. Enciclopédia eletrônica É a transformação dos livros e artigos em textos, vídeos e imagens digitais. Um conjunto de obras constitui uma biblioteca. Simulador Refere-se à simulação de situações e ações que normalmente ocorrem na vida prática, sendo de difícil reprodução. Modelador Esse tipo de software possibilita a análise experimental de fenômenos diversos, pois dá a oportunidade de que sejam implementados e que as alterações escolhidas e programadas sejam levadas a efeito. Jogos Foram anteriormente dados alguns exemplos desse tipo. A diferença entre o game comum e o jogo educativo é que neste o aprendiz, ao manuseá-lo, aprende alguns conceitos e habilidades requeridas em sua educação. É o mais conhecido e utilizado nos aplicativos educacionais. Paradidáticos São todos aqueles que, voltados para o entretenimento, podem ocasionalmente servir como apoio a programas educacionais específicos. Objetos de Aprendizagem (OA) Os Objetos de Aprendizagem (OA) podem ser definidos como todo e qualquer meio utilizável e reutilizável na multimídia visando à aprendizagem de conceitos, teorias, técnicas e habilidades. Nessa conceituação, todas as imagens, vídeos e programas de computador podem ser considerados objetos de aprendizagem. O especialista em EAD, antes de fazer uso de quaisquer softwares educacionais, para obter o máximo de eficiência e satisfação em seu trabalho, deve levantar as suas características, levando em consideração: Finalidade: Deve corresponder à finalidade à qual se destina. Facilidade: Nível de facilidade na operação do software. Durabilidade: Manutenção do desempenho ao longo do tempo. Qualidade: Esforços envolvidos propiciam o desempenho esperado. Flexibilidade: Possibilidade de correções, atualizações e mudanças. Adaptabilidade: Utilização do software em diversos AVAs. O uso de Objetos de Aprendizagem (OA) de tipos diversos constitui-se numa obrigatoriedade na criação e implementação de cursos à distância, visto que devem compor, junto com os textos, um conjunto harmonioso de palavras e imagens que facilite o processo de ensino-aprendizagem. Saiba mais: Série de reportagens do Jornal Nacional sobre EAD. Disponível em: www.youtube.com. As discussões sobre a qualidade dos cursos a distância são úteis para uma maior compreensão da complexidade que envolve essa formação. E há dois pontos fundamentais nas páginas inseridas nas AVAs que devem ser levados, necessariamente, em consideração para o sucesso desse empreendimento. O primeiro diz respeito ao uso bem pronunciado de objetos de aprendizagem, visto que eles fornecem o dinamismo necessário aos cursos e possibilitam a melhor e mais rápida compreensão e memorização das matérias estudadas. Os links relacionados acima possibilitam a vocês e seus alunos o fácil acesso aos úteis OA. O segundo refere-se à ortografia e às sentenças. Os erros ortográficos devem ser eliminados, e as frases e parágrafos escritos de tal modo que facilitem a compreensão. Textos cheios de erros, com hifenização inadequada e neologismos indevidamente criados e sem a correta definição comprometem o entendimento e a própria credibilidade. O professor deve estar atento a todos esses aspectos para fazer as devidas correções sempre que necessário. Saiba mais: Para mais informações, acesse os links: www.infoescola.com.meuartigo.brasilescola.com. pt.wikipedia.org. Planejamento didático e estruturação Recursos midiáticos na ead O que são e como podem ser os softwares educacionais? SW= todos os recursos da multimídia com programação computacional e que visam à aprendizagem de um tema especifico para exposição ou exercício pratico. E.O. A= objeto de aprendizagem = todo e qualquer meio multimídia que favoreça ou possibilite a aprendizagem. O uso de SW educacionais e paradidáticos Tutorial= organiza e dirige o aluno para os objetivos traçados pelo professor/ o passo a passo do que deve ser feito... Exercício – Prática = SW que facilita a fixação da aprendizagem dos conteúdos. Enciclopédia Eletrônica = textos, vídeos, imagens digitais. Simulador = de situações e ações que são de difícil reprodução Modelador = possibilita a análise experimental de fenômenos... Também existem jogos, SW paradidáticos e os O.A... Os O.A. podem ser definidos como todo e qualquer meio utilizável na multimídia visando à aprendizagem de conceitos, teorias, técnicas e habilidades. Imagens, vídeos e programas de computador = O.A. Para obter eficiência e satisfação, o especialista em EAD deve levar em consideração: finalidade/ facilidade/ durabilidade. Qualidade/ flexibilidade/ adaptabilidade Objetos de aprendizagem e o uso deles Planejamento didático / estruturação Quais os componentes principais de um projeto de curso ou disciplina? Titulo/ ementa / justificativas Objetos gerais e específicos Conteúdos em módulos – unidades Procedimentos de ensino / recursos materiais e humanos Carga horária / avaliação/ referencias 4.2Planejamento didático Figura 18 – Componentes do plano de ensino Fonte: www.eprofessor.blog.br. O conhecimento de como deve ser feito o plano de ensino de uma disciplina ou curso em EAD é de fundamental importância para o aluno que está se especializando nessa novíssima área do saber. · Estruturação: O primeiro passo refere-se à aquisição de informações relativas ao planejamento educacional estabelecido pelo governo federal, que dá as diretrizes e bases da educação formal do país. Saiba mais: No Brasil, o planejamento educacional é definido pela Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 - Presidência da República, que estabelece as regras do ensino brasileiro. Outras informações no link: pt.wikipedia.org. A próxima etapa faz referência aos planos existentes na unidade da federação na qual o curso tem seu polo principal, devendo-se fazer os levantamentos relativos à educação a distância consultando suas normas legais. Aqui, para exemplificar, indicamos a pesquisa da legislação educacional do Estado de São Paulo. Saiba mais: Para mais informações, consultar os links: www.ceesp.sp.gov.br. www.microeducacao.com.br. Em função dessas informações básicas, o curso deve ser adequado às normas legais, viabilizando sua realização. A próxima ação decorrente refere-se à pesquisa do Plano Educacional da escola (superior ou média) na qual o curso será apresentado. Assim que o especialista detiver todas essas informações, estará pronto para propor seu Projeto Pedagógico de Curso,o qual deverá ser constituído de acordo com os componentes estruturais. Surge, então, esta questão: 13ª) Quais são os principais componentes estruturais de um Projeto de Curso ou Disciplina? Figura 19 – Os quatro pilares da educação Fonte: inovareducacaodeexcelencia.com. Título: Deve ser uma descrição que sintetize a matéria a ser ministrada. Nele, em essência, estão contidas as informações relativas ao seu objetivo central e conteúdos. Ex.: Docência e gestão da educação a distância. Ementa: Possibilita, por intermédio de palavras-chave, caracterizar o Projeto Pedagógico de Curso. Ex.: Educação. Educação a distância. Multimídia. Docência da EAD. Gestão da EAD. Internet. Informática. Modernidade. Justificativa da oferta de curso: Refere-se à apresentação das razões que justificam a criação do curso. Ex.: Atualmente a Internet trouxe a multiplicidade de sites, TVs online, podcasts, aplicativos, portais etc. que tornam a cultura mais ampla e universal. Tal ferramenta é poderosa e tem influenciado o mundo todo, e a EaD cresceu diante das possibilidades que a Internet propiciou. A oferta do presente projeto justifica-se por se tratar de um curso com estrutura inédita e inovadora. Atualmente, existem no Brasil cursos de Formação de Tutores, porém não de especialistas em todas as ferramentas e possibilidades que a EAD oferece. A ausência quase completa de profissionais preparados para a criação de programas nesse tipo de modalidade educacional torna imprescindível a criação de um curso que proporcione a formação de um grande número de educadores com tal preparo. Os números do Enade não deixam dúvidas. As médias conseguidas pelos alunos de cursos oferecidos em EAD são superiores às do ensino presencial. Figura 20 – Enade Fonte: www.gov.br. · Objetivos Dizem respeito às metas que se quer atingir. Eles podem ser divididos em gerais e específicos. · Objetivos gerais Os objetivos gerais são os essenciais e dizem respeito diretamente à filosofia educacional adotada. Da escolha de seus objetivos gerais depende o planejamento de seu trabalho. Com isso, levanta-se a próxima questão: 14ª) Qual dessas posições lhe parece mais adequada à educação a distância em nosso país? Saiba mais: Série de reportagens do Jornal Nacional sobre EAD. Nesta foi enfocada a educação a distância para os cursos de graduação e pós-graduação, apresentando a ampliação das propostas da USP nessa área. Disponível em: globoplay.globo.com. Portanto, quanto à conceituação dos objetivos gerais, podemos dizer que, se tiverem um caráter democrático, construtivo, reflexivo, libertador e interativo, os verbos utilizados podem ser criar, fornecer, propiciar, facilitar, libertar, promover, refletir, emancipar, favorecer e outros semelhantes. No entanto, se a doutrina adotada tiver um caráter autoritário ou manipulador, os verbos mais frequentemente empregados são estabelecer, controlar, determinar, conduzir, manipular, regrar, formar e outros análogos. Por aí se vê que a ideia central se refere principalmente às condições de ensino. Os objetivos gerais determinam a linha de conduta adotada pelo mestre e seguida pelo aprendente. Exemplos de objetivos gerais: “possibilitar aos estudantes o acesso ao saber referente à ...., fornecer a formação necessária para a criação de cursos EAD ....”, entre outros. Os objetivos gerais da internet são o de possibilitar o acesso ao saber, referindo-se aos seus recursos de informática em sua estrutura e dinâmica. Isso permite a criação de cursos a distância em todas as áreas do conhecimento. Para ilustrar esta questão de escolha de seus objetivos gerais, é necessário, no Brasil, observar que há pelo menos estas três visões educacionais: a tecnicista, a construtivista-sociointerativa e a histórico-crítica. Figura 21 – Escola conteudista Fonte: educador.brasilescola.uol.com.br. A primeira é a tecnicista, eufemisticamente também chamada de conteudista, que dá valor à formação técnico-científica do educando visando prepará-lo para conseguir posições de destaque no mercado de trabalho, muito a gosto da elite econômica de nosso país, visto que seus objetivos educativos coincidem com os desse tipo de escola. Outra abordagem existente é a construtivista-sociointerativa (hifenização necessária à criação desse neologismo, que explica a estrutura de uma postura sincrética entre as propostas de Piaget, Vygotsky e Emília Ferreiro), a gosto de posicionamentos mais modernos e intelectualizados da educação formal. Ela apregoa a construção do conhecimento por meio da interação constante entre o aprendiz e seu meio sociocultural. Por fim, a terceira abordagem, a histórico-crítica, desenvolvida principalmente por pensadores brasileiros, é caracterizada pela crítica histórica, política e social dos conteúdos e métodos educacionais, visando a uma educação de alta competência que prepare e emancipe as classes sociais oprimidas, contribuindo para a justiça social.José Libâneo, Demerval Saviani e Paulo Freire são educadores brasileiros que deram impulso a essa visão. Embora esses autores apresentem diferenças entre si, têm em comum as ideias de crítica ao modelo educacional e emancipação das classes sociais oprimidas, na qual o processo educacional tem destaque. Todos esses autores dão grande valor ao diálogo entre educadores e educandos para a criação das condições necessárias ao desenvolvimento sociocultural, destacando-se nesse aspecto Paulo Freire, com reflexões aprofundadas sobre esse método (FREIRE, 2009). Há outras vertentes, e o sincretismo em várias instituições de ensino é uma realidade em nosso país; mas as citadas anteriormente parecem ser as que mais frequentemente orientam nossas escolas. Saiba mais: Para mais informações, acesse os links: www.durmevaltrigueiro.pro.br. www.infoescola.com. estudosacademicos-pedagogia.blogspot.com.br. · Objetivos específicos: São os que visam operacionalizar os gerais, na prática. Podem ser divididos em conhecimentos, atitudes e habilidades. · Conhecimentos: Dizem respeito ao conteúdo propriamente dito. Ex.: Favorecer a compreensão de conceitos e práticas integradas à EAD. · Atitudes: Fazem referência às ações esperadas, por exemplo: fortalecer o senso crítico relativo a EAD [...] contribuir para o aperfeiçoamento [...] · Habilidades: Dizem respeito às capacitações técnicas conseguidas: estimular o desenvolvimento próprio à disciplina [...] · Conteúdo: Esse elemento estrutural diz respeito, especificamente, à matéria a ser ensinada. É o ápice de todo projeto pedagógico e pode ser dividido em unidades de ensino ou em módulos. As unidades de ensino estabelecem uma relação de subordinação entre os conteúdos, ministrados em sequência lógica, sendo um conhecimento pré-requisito para o posterior, e assim sucessivamente. Um exemplo clássico é o estudo da matemática, pois uma matéria torna-se base para a seguinte, e assim por diante. A outra forma de organização é por módulos, os quais guardam apenas uma relação de coordenação entre si. Um exemplo a ser citado é a literatura, na qual os diversos estilos podem ser estudados independentemente. Deve-se salientar que os cursos modulares têm que, por diversas vezes, retomar algumas informações, notadamente as de caráter introdutório ou conceitual, devendo ser entendidas como recapitulações necessárias ao bom entendimento dos temas. Citamos como exemplo o conceito de Didática, que aparece tanto no módulo sobre Didática Geral quanto no de Didática em EAD. Ex.: Modelo Resumido Os títulos são módulos, e os subtítulos, unidades de ensino. (Módulo) 1. Evolução da EAD. (Unidades de ensino): Conceitos fundamentais e História da EAD no Brasil. Eficiência da EAD no Enade e a importância do fator presencial. Avanços da EAD no mundo: do Lato Sensu ao Stricto Sensu. (Módulo) 2. Psicologia da Aprendizagem. (Unidades de ensino): Conceitos básicos. Fundamentos da Teoria Cognitiva e papel do reforço positivo na EAD. Método PQRST (U) na EAD. Aprendizagem observacional. Psicologia da Aprendizagem na EAD. (Módulo) 3. Didática geral. (Unidades de ensino): Conceitos de pedagogia e didática. Direção didática: motivação, apresentação de conteúdo e fixação da aprendizagem. Tipos de exposição. Demonstração. Linguagem didática e recursos didáticos. (Módulo) 4. Didática em EAD. (Unidades de ensino): Direção didática nas aulas da EAD. Características da exposição multimidiática. Linguagem didática na internet. Uso de imagens, sons e movimentos. Uso de softwares educacionais e paradidáticos. Planejamento didático. Softwares educacionais: Programa de computador que visa atender necessidades e objetivos pedagógicos. Dessa forma, todo software pode ser considerado educacional, desde que sua utilização esteja inserida num contexto e numa situação de ensino-aprendizagem, onde exista uma metodologia que oriente todo o processo. Fonte: www.educabrasil.com.br. (Módulo) 5. Plataformas multimídia na EAD. (Unidades de ensino): Plataformas tradicionais: tipos, usos, recursos, qualidades e limites. Plataforma IPE: características e utilização. Treinamento: usos e aplicações de plataformas de ensino. (Módulo) 6. Agentes da educação a distância – autor, tutor e aprendiz. (Unidades de ensino): Gestão e métodos da Tutoria em EAD. Técnicas de formação de tutores em EAD. Gestão do conhecimento em EAD. (Módulo) 7. Pesquisa em EAD. (Unidades de ensino): Conceitos fundamentais. Níveis de conhecimento. Métodos de pesquisa e elaboração de projetos em EAD. Procedimentos de Ensino: Referem-se mais especificamente à metodologia de ensino aplicada. Ex.: Exposições segmentadas e dinâmicas, demonstrações, projeção de filmes, recapitulação, discussão em chats, comunicações por e-mail, indicação de links de sites de referência, edição de materiais de apoio pedagógico etc. Recursos materiais e humanos: Fazem referência ao que pode ser utilizado nas aulas do curso. Ex.: Comunicação oral, diálogo, textos escritos, figuras, fotos, filmes institucionais, filmes documentários, questionários de recapitulação etc. Figura 27 – Pessoas, processos e tecnologia Fonte: www.classico-alphaville.com.br. Carga horária: Refere-se às horas necessárias ao curso mencionado. Ex.: 40 horas, 360 horas-aula. Avaliação: Demonstra como avaliar os objetivos alcançados pelos alunos. Ex.: provas com questões de múltipla escolha, provas com questões dissertativas. Saiba mais: Série de reportagens do Jornal Nacional sobre EAD. Esta reportagem apresenta uma discussão sobre como a avaliação pode ser feita de modo eficiente. Disponível em: globoplay.globo.com. Uma reflexão que se insere nesse contexto diz respeito aos aspectos éticos da EAD. No mundo cada vez mais dominado pela cibercultura, o desenvolvimento de uma postura crítica referente à própria formação faz do aluno seu principal avaliador tanto no que tange às atitudes perante a disseminação do conhecimento quanto à avaliação de seu nível de compreensão e memorização do saber estudado. Desse modo, pensar em meios presenciais para o controle de todas as avaliações é, no mínimo, retrógrado e contrário à própria dinâmica da EAD. O fundamental é que o estudante avalie a si mesmo constantemente, sendo seu autoconhecimento fator indispensável à sua boa formação. Se no que concerne à formação exigida forem necessárias provas práticas, então elas poderão ocorrer em polos devidamente estruturados para esse fim. A essência, no entanto, está numa educação que propicie o desenvolvimento de uma mentalidade ética no uso dos recursos e conhecimentos próprios da cibercultura (RUCKENBAUER; KOLB; ESTERBAUER, 2001). Figura 28 – Referências bibliográficas Fonte: Natalia Shabasheva/istock. · Referências bibliográficas São as obras e sites que servirão de base à estruturação do curso. No caso dos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC), as referências devem ser feitas com relação a cada uma das disciplinas. Se forem apenas disciplinas isoladas, aceita-se uma única relação de referência. Ex. (resumido): AUSUBEL, David P.; NOVAK, Joseph D.; HANESIAN, Helen. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980. Trad. Eva Nick. Observação: Dependendo da instituição educacional, outras exigências podem ser apresentadas, tais como infraestrutura, condições de obtenção do certificado, atividades complementares, polos educacionais, titulação dos professores, titulação do coordenador, mediatização (meios usados na multimídia para a interação entre professores e alunos), número máximo de vagas, ementas das disciplinas, que obedecem às normas estabelecidas pelo MEC e pela instituição de educação na qual o curso será oferecido. O aluno deve estar atento às exigências para que a apreciação seja logo efetuada e o curso possa ser viabilizado. Saiba mais: Série de reportagens do Jornal Nacional sobre EAD. Este documentário apresenta um novo mercado de trabalho, que é o do especialista em EAD nas corporações empresariais, notadamente na área do Treinamento. Disponível em: globoplay.globo.com. Recapitulando