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REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR
1Revista de Ciência Elementar | doi: 10.24927/rce2014.249 | dezembro de 2014
Ciclo Celular
Catarina Moreira
Faculdade de Ciências Universidade de Lisboa
O Ciclo celular é definido como a sequência de acontecimentos que levam ao o cres-
cimento e a divisão da célula, de forma contínua e repetitiva. Considera-se, assim, 
que o ciclo celular compreende a mitose e o tempo que decorre entre duas mitoses, 
a interfase (FIGURA 1).
FIGURA 1. Esquema do ciclo celular I - interfase; M - mitose. (A duração da fase mitótica em relação às outras fases 
encontra-se exagerada.)
A interfase é um período relativamente longo quando comparado com a mitose, podendo 
demorar horas, anos ou até perpetuar-se até à morte da célula, sem que nova divisão ocor-
ra (ex. maioria das células nervosas e musculares). Durante este período ocorre a síntese 
de diversos constituintes que conduzem ao crescimento e à maturação celulares, para que 
a célula esteja preparada se ocorrer uma nova divisão.
À interfase correspondem três períodos: G1, S e G2 (alguns organismos unicelulares, 
como a levedura não possuem G2).
• Período G1: a designação desta etapa deriva de ‘gap’ do inglês intervalo, e decorre
imediatamente após a mitose. É um período de intensa atividade bioquímica, no qual
a célula cresce em volume e o número de organelos aumenta. Ocorre a síntese de
RNA no sentido de a célula sintetizar (fabricar) proteínas, lípidos e glícidos.
• Período S: de síntese do inglês ‘synthesis’ é caracterizado pela replicação do DNA.
Às novas moléculas de DNA associam-se proteínas básicas chamadas histonas,
formando-se cromossomas, constituídos por dois cromatídeos ligados pelo centró-
mero.
• Período G2: síntese de mais proteínas e produção de estruturas membranares que
serão utilizadas nas células-filhas resultantes da mitose.
A fase mitótica embora varie em aspetos mínimos de uns organismos para os outros, é 
basicamente semelhante na maior parte das células eucarióticas. Esta fase em que uma 
célula se divide em duas células-filhas, podem ser considerada 2 processos consecutivos: 
CITAÇÃO
Moreira, C.(2014) 
Ciclo Celular,
Rev. Ciência Elem., V2(04):249
doi.org/10.24927/rce2014.249
EDITOR
José Ferreira Gomes,
Universidade do Porto
RECEBIDO EM
20 de outubro de 2009
ACEITE EM
16 de março de 2010
PUBLICADO EM
31 de dezembro de 2014
COPYRIGHT
© Casa das Ciências 2014.
Este artigo é de acesso livre,
distribuído sob licença Creative
Commons com a designação
CC-BY-NC-SA 4.0, que permite
a utilização e a partilha para fins
não comerciais, desde que citado
o autor e a fonte original do artigo.
rce.casadasciencias.org
http://doi.org/10.24927/rce2014.249
http://doi.org/10.24927/rce2014.249
https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/
REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR
2Revista de Ciência Elementar | doi: 10.24927/rce2014.249 | dezembro de 2014
a Mitose propriamente dita ou a Cariocinese (divisão do núcleo) e a Citocinese (divisão do 
citoplasma).
A mitose pode ser dividida em quatro fases embora seja um processo contínuo: pro-
fase, metafase, anafase e telofase (gerando a célebre mnemónica “PRÓximo da META a 
ANA TELefonou”) (FIGURA 2). Neste processo, associado à divisão de células somáticas, 
o material genético sintetizado no período S da interfase é dividido igualmente por dois
núcleos resultantes. A mitose é regulada por diferentes classes de proteínas, iniciando-se
quando uma delas, as ciclinas, atingem determinadas concentração no citoplasma e ativa
o fator promotor da mitose (MPF) proteico citoplasmático, que inicia a condensação dos
cromossomas.
Nas células animais e vegetais a diferença no processo de mitose é a ausência de centró-
meros nas células vegetais e, por consequência, a formação do fusos multipolares.
Fases da Mitose
• Profase: É a etapa mais longa da mitose. Nesta fase a cromatina condensa-se gra-
dualmente em cromossomas bem definidos, sendo por vezes visível que são com-
postos por dois cromatídeos enrolados um no outro (o DNA já tinha sido duplicado
durante a fase S da interfase). Os centrossomas (dois pares de centríolos) afastam-
-se para pólos opostos, formando entre eles o fuso acromático (em plantas os fusos
são multipolares por ausência de centrómeros). As fibras do fuso acromático são
feixes de microtúbulos ligados a complexos proteicos especializados – cinetócoros
– desenvolvidos nos centrómeros durante a profase. O nucléolo desintegra-se de-
terminando o final da etapa e o invólucro nuclear desagrega-se.
• Metafase: os cromossomas atingem a sua máxima condensação. Os cromossomas
no centro do fuso, alinham-se no plano equatorial da célula, formando a chamada
placa equatorial. Os dois cromatídeos de cada cromossoma estão em posição opos-
ta, permitindo que se separem na fase seguinte.
• Anafase: divisão pelo centrómero e separação simultânea de todos os cromatídeos
(cada cromatídeo passa agora a ser designado por cromossoma). Os cromossomas
iniciam a ascensão polar ao longo dos feixes de microtúbulos. No final da Anafase
dois conjuntos idênticos de cromossomas encontram-se em cada pólo da célula.
• Telofase: inicia-se a organização dos núcleos das células-filhas. Forma-se o invólu-
cro nuclear em torno dos cromossomas, a partir do retículo endoplasmático rugoso.
As fibras do fuso acromático desorganizam-se, os cromossomas começam a des-
condensar, tornando-se novamente indistintos. O nucléolo é reconstituído e cada
célula-filha entra na interfase.
Terminada a divisão nuclear (cariocinese) geralmente inicia-se a divisão citoplasmática 
(citocinese), completando-se desta forma a divisão celular que originará duas células-filhas. 
Nas células animais (sem parede celular) o início da citocinese é marcado pelo surgimento 
de uma constrição da membrana citoplasmástica na zona equatorial da célula. Este estran-
gulamento resulta da contração de um conjunto de filamentos proteicos localizados juntos 
da membrana plasmática. O resultado é a clivagem da célula mãe em duas células-filhas.
http://doi.org/10.24927/rce2014.249
REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR
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Nas células vegetais a existência da parede celular esquelética não permite a citocinese 
por estrangulamento. A clivagem da célula mãe ocorre através da formação do fragmo-
plasto, estrutura formada por vesículas resultantes do complexo de Golgi, contendo dife-
rentes polissacáridos entre os quais celulose e proteínas que são depositadas na região 
equatorial da célula aproveitando os microtúbulos entre os dois pólos celulares, e forman-
do uma placa celular, a lamela média. À medida que as vesículas de Golgi se vão fundindo, 
origina-se uma parede celular que acabará por dividir a célula em duas. A deposição de 
celulose junto à lamela média vai dar origem às duas paredes celulares que, geralmente 
se formam do centro da célula-mãe para a periferia. As paredes celulares formadas mui-
tas vezes não são herméticas (estanques), existindo poros de comunicação, denominador 
plasmodesmos, que permitem a comunicação entre o citoplasma das diferentes células.
FIGURA 2. Fases da mitose I ao III profase; IV metafase; V e VI anafase; VII e VIII telofase.
Mitose versus Meiose
São ambos processos de divisão nuclear que ocorrem ao longo do ciclo de vida dos orga-
nismos mas apresentam aspetos que os distinguem.
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REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR
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Mitose Meiose
Ocorre em células somáticas
Ocorre em células sexuais para produção 
de gâmetas
Origina duas células-filhas, cujo número 
de cromossomas é igual ao da célula mãe
Origina quatro células-filhas com metade 
do número de cromossomas da célula mãe
Origina duas células-filhas, cujo número 
de cromossomas é igual ao da célula mãe
Nunca ocorre em células haplóides
Não há emparelhamento de cromossomas 
homólogos(cada cromossoma compor-
ta-se de forma independente do outro)
Há emparelhamento de cromossomas 
homólogos
Quase nunca ocorre crossing-over
Há crossing-over entre cromatídeos de 
cromossomas homólogos
As células-filhas podem continuar a 
dividir-se
As células-filhas não podem sofrer mais 
divisões meióticas
Centrómeros dividem-se longitudinal-
mente na anafase
Centrómeros dividem-se longitudinal-
mente apenas na anafase II (divisão 
equacional)
Só ocorre uma divisão
Ocorrem duas divisões sucessivas (primei-
ra dita reducional e a segunda equacional, 
semelhante à mitose)
Materiais relacionados disponíveis na Casa das Ciências:
1. Apoptose, a morte celular - Como acontece?
http://doi.org/10.24927/rce2014.249

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