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O QUE É TEORIA DO CONHECIMENTO A teoria do conhecimento é uma área da filosofia que estuda a origem, a maneira e a natureza do ato de conhecer dos seres humanos. Mas o que seria o conhecimento? Quais as condições necessárias para que eu possa dizer com certeza que eu “conheço algo”? Essas questões intrigam pensadores desde a Antiguidade, como Sócrates e Platão. Suas reflexões sobre o tema chegaram até nós por meio dos diálogos do “Teeteto” (369 a.C.). As discussões em torno da teoria do conhecimento foram sistematizadas na Idade Moderna, com as ideias de John Locke (1632-1704) e o empirismo – que será detalhado no próximo tópico. Hoje é comum falar em diferentes fontes de conhecimento, que abrangem: Mitologia: uso da alegoria e da metáfora para explicar os fenômenos da natureza; Senso comum: uso generalizado do conhecimento do dia a dia para explicar fenômenos, sem investigar se esse saber está certo ou errado; Religião: uso de um conjunto de crenças para explicar questões que estão além do mundo material; Filosofia: forma de compreensão da realidade a partir da observação e da lógica; Ciência: uso da razão pura e aplicada para explicar fenômenos. Recorre a experimentos e está em constante transformação. Cada uma delas explica um acontecimento ou objeto de uma perspectiva diferente, de acordo com a necessidade e instrumentos disponíveis em um dado momento histórico. Gnosiologia e epistemologia Agora que você conhece as bases da teoria do conhecimento, é importante fazer a distinção entre gnosiologia e epistemologia, dois termos que vão aparecer durante os seus estudos: Gnosiologia: estudo do conhecimento individual e psicológico, a partir da relação entre o sujeito (aquele que conhece, o ser cognoscente) e o objeto (aquele que pode ser conhecido, o cognoscível); Epistemologia: estudo sobre o conhecimento científico e universalizável, ou seja, de como a ciência é produzida. Principais vertentes da teoria do conhecimento 1. Metafísica Platão é considerado o pensador mais importante dessa vertente da teoria do conhecimento. Nos diálogos do “Teeteto”, que mencionamos acima, ele define dois tipos de saberes: a doxa (opinião) e a episteme (conhecimento verdadeiro). O filósofo grego também dizia que havia duas realidades diferentes e que o conhecimento verdadeiro estaria em uma delas. Essas duas realidades seriam: 1. Realidade sensível: percebida pelos sentidos do corpo; 2. Realidade suprassensível: percebida pelo intelecto, que abrangeria uma entidade superior, eterna e imutável que conseguiria entender conceitos também eternos e imutáveis. O conhecimento verdadeiro viria da realidade suprassensível, pois nossos sentidos captariam uma realidade que é falha e enganosa. A “Alegoria da Caverna” de Platão traz uma ótima narrativa que ajuda a entender a diferença entre essas duas realidades. O discípulo de Platão, Aristóteles, questionou o mestre e sistematizou a vertente que seria chamada de metafísica. O pensador a chamava de “Filosofia Primeira”, referindo-se a um conjunto de conhecimentos que permitiriam alcançar o pleno estudo do ser enquanto ser. Para Aristóteles, haveria seis graus de conhecimento: Sensação; Percepção; Imaginação; Memória; Raciocínio; Intuição. 2. Racionalismo O pensador mais conhecido dessa vertente da teoria do conhecimento é René Descartes (1596-1650), famoso pela frase “penso, logo existo”. O racionalismo defende que toda possibilidade de conhecimento depende do raciocínio puro. Inspirado em Platão, Descartes afirmava que a origem das ideias está em ideias inatas, que adquirimos antes de nosso nascimento. Essas ideias inatas estariam em nossas almas e só poderiam ser alcançadas por meio da razão. Ou seja, existe um conhecimento além do raciocínio, em um nível superior. Além das ideias inatas, o pensador definiu mais dois conjuntos de ideias: 1.Adventícias: têm origem no que é captado pelos nossos sentidos; 2.Factícias: têm origem em nossa imaginação; 3.Inatas: estão em nossas mentes ao nascermos e não dependem da experiência para existirem. Podemos resumir a ideia central do racionalismo na seguinte frase: O conhecimento tem origem na razão e tem como base a razão. Os sentidos nos enganam. Outros filósofos racionalistas para incluir no seu plano de estudos: Baruch de Spinoza (1632-1677) Principal obra: "Tratado da emenda do intelecto" (1677). Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) Principal obra: “Monadologia” (1714). Um livro de René Descartes que inspira muitas questões do Enem é o “Discurso do Método” (1637), em que estão as principais ideias do filósofo francês. 3. Empirismo Além de ter sido pioneiro na sistematização de uma teoria do conhecimento, John Locke é o principal representante da vertente empirista. O filósofo se inspirava nas ideias de Aristóteles ao afirmar que a origem de todo conhecimento está na experiência sensorial. São os sentidos que nos oferecem os primeiros dados para construir um saber. A razão só seria mobilizada após o recebimento dos dados por meio dos sentidos e da intuição. Ela seria a responsável por organizar as informações empíricas, além de verificar a veracidade ou falsidade das informações. A verificação se daria com experimentos e observações. Para Locke, a mente seria uma “tabula rasa”, ou seja, um “quadro em branco onde seria gravado o conhecimento obtido pela experiência. A obra “Ensaio acerca do entendimento humano” (1689) de John Locke é considerada uma das bases teóricas do Empirismo, além de ser bastante utilizada como texto de apoio para questões do Enem. Podemos resumir a ideia central do empirismo na seguinte frase: O conhecimento tem origem na experiência. Nos relacionamos com o mundo e obtemos conhecimento por meio dos sentidos e das percepções. O empirismo é uma das bases do método científico de produção de conhecimento que conhecemos hoje. Outros filósofos racionalistas para incluir no seu plano de estudos: Francis Bacon (1561-1626) Principal obra: “Novum organum” (1620). David Hume (1711-1776). Principal obra: “Tratado da natureza humana” (1739). 4. Criticismo Immanuel Kant (1724-1804) é visto como o pai do criticismo. Ele propôs que racionalismo e empirismo não se anulam, mas, sim, se complementam. O filósofo argumentou que as duas vertentes da teoria do conhecimento são essenciais, pois obtemos os dados por meio dos sentidos e adquirimos o conhecimento racional com a ajuda de conceitos universais. Assim, para chegar ao conhecimento verdadeiro, é preciso que a informação passe pela intuição e pelo conceito. O espaço e o tempo, por exemplo, são percebidos pela nossa intuição, ao mesmo tempo em que são conceitos. Kant defendia que, para realmente conhecermos algo, o objeto deve estar localizado no tempo e no espaço. Só assim conseguimos captá-lo com os nossos sentidos, a nossa intuição. A principal obra de Immanuel Kant que inspira questões do Enem é “Crítica da razão pura” (1781). Podemos resumir a ideia central do criticismo de Kant dessa forma: Os limites do conhecimento humano são estabelecidos por meio de um intenso exercício filosófico, a partir de uma crítica da razão que combine o empirismo e o racionalismo. 5. Fenomenologia A fenomenologia é a vertente da teoria do conhecimento mais contemporânea, tendo como pensador mais conhecido o alemão Edmund Husserl (1859-1938). Husserl defendia um método de investigação que apreenda os fenômenos, ou seja, a aparição de algo para nossa consciência. O fenômeno seria o ponto inicial da construção do conhecimento, que depende de como interpretamos o que se mostra a nós. ❗ ATENÇÃO: não confunda o conceito de “fenômeno” de Edmund Husserl com o significado que damos à palavra “fenômeno” em nosso dia a dia, de algo extraordinário. Lembre-se de que, na Filosofia, “fenômeno” é simplesmente a aparição ou manifestação de alguma coisa, que pode ser comum ou não. Em outras palavras, só conseguimos compreender a realidade, o mundo à nossa volta, a partir da forma como ele se manifesta em nossa consciência.Esta é que dá sentido às coisas. O sujeito tem mais protagonismo que o objeto. A fenomenologia, assim, dá mais importância à subjetividade no processo cognitivo de obtenção do conhecimento. O livro “Investigações lógicas” (1901), de Edmund Husserl, é considerada a obra fundadora da fenomenologia. Podemos resumir a ideia central da fenomenologia dessa forma: Em oposição ao positivismo, a fenomenologia defende que não existe uma realidade pura e isolada do homem. A realidade existe a partir do momento em que é percebida. Outros filósofos da fenomenologia para incluir no seu plano de estudos: Friedrich Hegel (1770-1831) Principal obra: “Fenomenologia do espírito” (1807). Martin Heidegger (1889-1976) Principal obra: “Ser e tempo” (1927). Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) Principal obra: "Fenomenologia da percepção" (1945). Fonte: Unisinos O QUE É TEORIA DO CONHECIMENTO A teoria do conhecimento é uma área da filosofia que estuda a origem, a maneira e a natureza do ato de conhecer dos seres humanos. Mas o que seria o conhecimento? Quais as condições necessárias para que eu possa dizer com certeza que eu “conheço algo”? Essas questões intrigam pensadores desde a Antiguidade, como Sócrates e Platão. Suas reflexões sobre o tema chegaram até nós por meio dos diálogos do “Teeteto” (369 a.C.). As discussões em torno da teoria do conhecimento foram sistematizadas na Idade Moderna, com as ideias de John Locke (1632 - 1704) e o empirismo – que será detalhado no próximo tópico. Hoje é comum falar em diferentes fontes de conhecimento, que abrangem: Mitologia: uso da alegoria e da metáfora para explicar os fenômenos da natureza; Senso comum: uso generalizado do conhecimento do dia a dia para explicar fenômenos, sem investigar se esse saber está certo ou errado; Religião: uso de um conjunto de crenças para explicar questões que estão além do mundo material; Filosofia: forma de compreensão da realidade a partir da observação e da lógica; Ciência: uso da razão pura e aplicada para explicar fenômenos. Recorre a experimentos e está em constante transformação. Cada uma delas explica um acontecimento ou objeto de uma perspectiva diferente, de acordo com a necessidade e instrumentos disponíveis em um dado momento histórico. Gnosiologia e epistemologia Agora que você conhece as bases da teoria do conhecimento, é importante fazer a distinção entre gnosiologia e epistemologia, dois termos que vão aparecer durante os seus estudos: Gnosiologia: estudo do conhecimento individual e psicológico, a partir da relação entre o sujeito (aquele que conhece, o ser cognoscente) e o objeto (aquele que pode ser conhecido, o cognoscível); Epistemologia: estudo sobre o conhecimento científico e universalizável, ou seja, de como a ciência é produzida. Principais vertentes da teoria do conhecimento 1. Metafísica Platão é considerado o pensador mais importante dessa vertente da teoria do conhecimento. Nos diálogos do “Teeteto”, que mencionamos acima, ele define dois tipos de saberes: a doxa (opinião) e a episteme (conhecimento verdadeiro). O QUE É TEORIA DO CONHECIMENTO A teoria do conhecimento é uma área da filosofia que estuda a origem, a maneira e a natureza do ato de conhecer dos seres humanos. Mas o que seria o conhecimento? Quais as condições necessárias para que eu possa dizer com certeza que eu “conheço algo”? Essas questões intrigam pensadores desde a Antiguidade, como Sócrates e Platão. Suas reflexões sobre o tema chegaram até nós por meio dos diálogos do “Teeteto” (369 a.C.). As discussões em torno da teoria do conhecimento foram sistematizadas na Idade Moderna, com as ideias de John Locke (1632-1704) e o empirismo – que será detalhado no próximo tópico. Hoje é comum falar em diferentes fontes de conhecimento, que abrangem: Mitologia: uso da alegoria e da metáfora para explicar os fenômenos da natureza; Senso comum: uso generalizado do conhecimento do dia a dia para explicar fenômenos, sem investigar se esse saber está certo ou errado; Religião: uso de um conjunto de crenças para explicar questões que estão além do mundo material; Filosofia: forma de compreensão da realidade a partir da observação e da lógica; Ciência: uso da razão pura e aplicada para explicar fenômenos. Recorre a experimentos e está em constante transformação. Cada uma delas explica um acontecimento ou objeto de uma perspectiva diferente, de acordo com a necessidade e instrumentos disponíveis em um dado momento histórico. Gnosiologia e epistemologia Agora que você conhece as bases da teoria do conhecimento, é importante fazer a distinção entre gnosiologia e epistemologia, dois termos que vão aparecer durante os seus estudos: Gnosiologia: estudo do conhecimento individual e psicológico, a partir da relação entre o sujeito (aquele que conhece, o ser cognoscente) e o objeto (aquele que pode ser conhecido, o cognoscível); Epistemologia: estudo sobre o conhecimento científico e universalizável, ou seja, de como a ciência é produzida. Principais vertentes da teoria do conhecimento 1. Metafísica Platão é considerado o pensador mais importante dessa vertente da teoria do conhecimento. Nos diálogos do “Teeteto”, que mencionamos acima, ele define dois tipos de saberes: a doxa (opinião) e a episteme (conhecimento verdadeiro).