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1 
Luara Paz 
Problema 1- Coagulação 
 
 Objetivo 1: Descrever os mecanismos de coagulação ( 
Cascata de coagulação) 
O termo hemostasia significa prevenção da perda de sangue, 
sempre que um vaso sanguíneo é rompido, a hemostasia é 
obtida por vários mecanismos, são eles: 
1- Constrição vascular ou Espasmo vascular 
2- Formação de um tampão plaquetário 
3- Formação de um coágulo sanguíneo 
4- Crescimento de tecido fibroso no coágulo para fechar 
permanentemente o orifício no vaso 
 ESPASMO VASCULAR 
Descreve o primeiro estágio da resposta do corpo ao rompimento de 
um vaso sanguíneo: 
o espasmo vascular. Esse processo é essencial para reduzir o fluxo 
sanguíneo na área afetada e minimizar a perda de sangue logo após 
o trauma. Essa contração vascular resulta de: 
1. Espasmo miogênico local: A contração dos vasos sanguíneos 
após o dano é causada pela resposta dos próprios músculos 
lisos da parede do vaso. Quando há um corte ou rompimento, 
as células musculares lisas se contraem automaticamente, 
reduzindo o diâmetro do vaso e diminuindo o fluxo 
sanguíneo. Isso ocorre de maneira quase instantânea após o 
dano. 
2. Fatores locais (autacoides): Quando o vaso é rompido, o 
tecido danificado libera substâncias chamadas autacoides, que 
são sinais químicos locais que atuam sobre os vasos 
sanguíneos. No caso do espasmo vascular, o endotélio (a 
camada de células que revestem os vasos) e as plaquetas 
liberam várias substâncias, como a serotonina e o tromboxano 
A2, que também têm efeito vasoconstritor, ajudando a 
diminuir o fluxo sanguíneo na região danificada. 
3. Reflexos nervosos: O trauma também ativa nervos sensoriais 
na área afetada, causando reflexos que aumentam a 
vasoconstrição. A dor ou outros estímulos sensoriais gerados 
pela lesão podem sinalizar ao sistema nervoso para provocar 
vasoconstrição adicional. 
O papel das plaquetas é bem destacado aqui. Elas não só participam 
da formação do tampão plaquetário, mas também liberam o 
tromboxano A2, uma substância que tem um potente efeito 
vasoconstritor. Nos vasos menores, as plaquetas são fundamentais 
para essa constrição adicional. 
O espasmo vascular é uma resposta inicial, mas ele pode durar de 
minutos até horas, e quanto mais gravemente um vaso é 
traumatizado, maior é o grau de espasmo vascular. Esse tempo é 
importante, pois durante esse período, o corpo começa a formar 
tampão plaquetário e a iniciar o processo de coagulação 
sanguínea, que são os próximos passos para estancar o sangramento 
de maneira mais duradoura. 
 O papel do tramboxano A2 
O que é o Tromboxano A2? 
O tromboxano A2 é um lipídeo vasoativo e agregante plaquetário 
derivado dos ácidos graxos da membrana celular, especificamente 
do ácido araquidônico. Ele é produzido principalmente pelas 
plaquetas após a ativação, através de uma via enzimática que 
envolve a ciclooxigenase (COX). 
Como o Tromboxano A2 Age? 
1. Vasoconstrição: O tromboxano A2 tem um efeito direto na 
contração dos músculos lisos das paredes dos vasos 
sanguíneos. Esse efeito vasoconstritor ajuda a reduzir o 
diâmetro do vaso sanguíneo rompido e diminuir a perda de 
sangue logo após o trauma. Em vasos menores, a contribuição 
do tromboxano A2 é ainda mais significativa para esse 
controle inicial do fluxo sanguíneo. 
2. Agregação Plaquetária: Além de causar vasoconstrição, o 
tromboxano A2 também potencializa a agregação das 
plaquetas. Ele faz com que as plaquetas que estão circulando 
no sangue se "agreguem", ou seja, formem um tampão 
plaquetário na área da lesão, o que ajuda a estancar o 
sangramento temporariamente. O tromboxano A2 é um dos 
principais mediadores que atraem mais plaquetas para o 
local da lesão, onde elas se ligam umas às outras e à parede 
do vaso. 
3. Amplificação da Resposta Coagulante: A formação de 
tromboxano A2 é parte de um ciclo de amplificação. À medida 
que as plaquetas se ativam e liberam tromboxano A2, ele não 
só ajuda nas ações de vasoconstrição e agregação, mas 
também pode ativar outras plaquetas para continuar o 
processo de formação do tampão. 
O Papel do Tromboxano A2 na Hemostasia e Coagulação 
 Hemostasia primária: Durante os primeiros momentos após 
uma lesão vascular, a formação do tampão plaquetário é 
essencial. O tromboxano A2 desempenha um papel central em 
reunir as plaquetas e fazer com que elas formem esse tampão, 
limitando a perda de sangue. 
 Ligação com o Sistema de Coagulação: Após a hemostasia 
primária, o tromboxano A2 ainda está envolvido na 
coagulação secundária ao ajudar na amplificação do 
processo 
que leva à formação de fibrina, o que finaliza o estancamento 
do sangue. 
 
 2 
Importância Clínica do Tromboxano A2 
O tromboxano A2 tem tanta importância que ele é um alvo 
terapêutico em várias condições clínicas. Por exemplo, medicações 
antiplaquetárias, como a aspirina, atuam inibindo a 
ciclooxigenase (COX), impedindo a produção do tromboxano A2 e, 
portanto, reduzindo a agregação plaquetária e o risco de eventos 
trombóticos (como infartos ou acidentes vasculares cerebrais). A 
aspirina faz isso ao inibir a COX-1, uma enzima que é crucial para 
a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas. 
 TAMPÃO PLAQUETÁRIO 
O Papel das Plaquetas 
As plaquetas ou trombócitos são células do sangue, mas, ao 
contrário dos glóbulos vermelhos ou brancos, elas não têm 
núcleo. Elas são produzidas a partir dos megacariócitos na 
medula óssea e são fragmentos desses grandes precursores. Após 
sua liberação na corrente sanguínea, elas circulam por cerca de 8 
a 12 dias antes de serem eliminadas pelo sistema de 
macrófagos, especialmente no baço. 
Características das Plaquetas 
Embora as plaquetas não tenham núcleos e não possam se 
reproduzir, elas são ricas em proteínas e organelas que 
são essenciais para o processo de coagulação: 
1. Proteínas contráteis (actina, miosina e trombostenina) – 
permitem que as plaquetas mudem de forma e se contraiam, o 
que é essencial na formação do tampão. 
2. Grânulos com substâncias ativas – que contêm, por 
exemplo, ADP e fator ativador de plaquetas (PAF), que 
ajudam a ativar outras plaquetas e a propagar a resposta de 
coagulação. 
3. Fosfolipídios e glicoproteínas – essas moléculas na 
superfície das plaquetas são fundamentais para a adesão delas 
ao local da lesão. 
Formação do tampão plaquetário 
Mecanismo de formação do tampão plaquetário, que ocorre logo 
após a lesão de um vaso sanguíneo. 
1. Exposição do colágeno: Quando o vaso se rompe, as fibras 
de colágeno no interior da parede vascular ficam expostas. 
Isso é crucial porque as plaquetas, que normalmente não 
aderem ao endotélio saudável, se ligam fortemente a essas 
fibras de colágeno expostas. 
2. Ativação das plaquetas: Quando as plaquetas entram em 
contato com o colágeno, elas mudam drasticamente de forma. 
Elas se dilatam, assumem formas irregulares e começam a 
projetar pseudópodos, que são extensões da célula. Esse 
processo é facilitado pelas proteínas contráteis dentro das 
plaquetas (actina, miosina e trombostenina). 
3. Liberação de grânulos: As plaquetas liberam grânulos 
contendo várias substâncias ativas, como ADP, PAF, e 
tromboxano A2. O ADP e o PAF ajudam a ativar outras 
plaquetas próximas, enquanto o tromboxano A2 tem efeito 
vasoconstritor e também promove a agregação plaquetária. 
4. Adesão ao fator de von Willebrand (FvW): Além de se 
ligarem ao colágeno, as plaquetas também se aderem ao fator 
de von Willebrand (FvW), uma proteína plasmática que é 
liberada do plasma para a área da lesão. O FvWajuda a 
prender as plaquetas ao local da lesão e a garantir que elas 
formem um tampão estável. 
5. Formação do Tampão Plaquetário: O resultado é que uma 
avalanche de plaquetas se acumula na área da lesão. 
Inicialmente, esse tampão é solto, mas ele pode ser suficiente 
para estancar o sangramento em casos de lesões menores. 
6. Aperfeiçoamento com Fibrina: Em seguida, o processo de 
coagulação sanguínea começa, e as fibrinas (que são 
proteínas do sistema de coagulação) formam umarede de 
fibrina que se entrelaça com as plaquetas, tornando o tampão 
mais firme e definitivo. Esse processo gera um coágulo 
sanguíneo mais robusto que impede a perda contínua de 
sangue. 
Resumo do processo: 
1. Lesão vascular expõe colágeno e outras substâncias da 
parede do vaso. 
2. As plaquetas se ativam, mudam de forma e se aderem ao 
colágeno e ao fator de von Willebrand. 
3. ADP, PAF e tromboxano A2 são liberados, ativando mais 
plaquetas, que aderem umas às outras. 
4. As plaquetas formam um tampão plaquetário solto, mas 
eficaz, para estancar o sangramento. 
5. O coágulo sanguíneo é reforçado com fibrina para formar 
um tampão definitivo. 
Esse tampão plaquetário é um mecanismo de hemostasia 
primária, essencial para controlar o sangramento enquanto o 
processo de coagulação sanguínea continua. 
Importância Clínica 
A formação do tampão plaquetário é crucial em situações de lesões 
pequenas e em locais onde a coagulação não é suficiente para parar 
o sangramento. Distúrbios que afetam a função das plaquetas, como 
a doença de von Willebrand ou a trombocitopatias, podem 
resultar em sangramentos excessivos, pois o tampão plaquetário não 
se forma corretamente. 
 Fechamento de Rupturas Pequenas 
 
 3 
O processo descrito aqui é fundamental para lidar com lesões 
microscópicas nos vasos sanguíneos, que acontecem a todo 
momento, mesmo sem que percebamos. Quando esses pequenos 
orifícios se formam, especialmente em vasos de calibre muito 
pequeno (como os capilares), o corpo depende das plaquetas 
para evitar a perda significativa de sangue. A formação do 
tampão plaquetário é o processo inicial crucial para parar o 
sangramento nessas situações. 
 Mecanismo de Fechamento 
As plaquetas não apenas se agrupam e formam um tampão, mas em 
casos específicos, elas podem fundir-se com as células endoteliais 
danificadas e contribuir para a formação de uma nova camada 
celular endotelial, o que ajuda a reparar o vaso danificado. Esse 
processo é parte do mecanismo de reparo vascular. As plaquetas 
não se limitam a formar uma barreira temporária; elas também 
contribuem para o crescimento e regeneração das células 
endoteliais, o que ajuda a restaurar a integridade do vaso a longo 
prazo. 
Importância nas Lesões Pequenas 
 Ocorrência frequente: Pequenos orifícios vasculares 
ocorrem continuamente no corpo, seja pela pressão, 
movimento ou outros fatores do cotidiano. Esses pequenos 
defeitos podem ser causados por pequenas lesões nas células 
endoteliais, a camada de células que reveste os vasos 
sanguíneos. 
 Resposta rápida das plaquetas: As plaquetas são 
rapidamente atraídas para esses locais de lesão, onde elas se 
ativam, se agregam e formam o tampão plaquetário. Esse 
processo evita que o sangue vaze para os tecidos circundantes, 
o que poderia causar hematomas ou sangramentos visíveis. 
 Prevenção de hemorragias visíveis: Em pessoas com níveis 
normais de plaquetas, esse mecanismo evita que as pequenas 
rupturas nos vasos resultem em sangramentos visíveis. 
Quando as plaquetas estão presentes em número adequado, as 
pequenas rupturas, como aquelas que causam as petéquias 
(pontos roxos ou vermelhos na pele), são fechadas antes que a 
hemorragia se torne visível. 
Caso da pessoa com baixa contagem de plaquetas 
Se uma pessoa tem uma baixa contagem de plaquetas, como nas 
condições trombocitopênicas (como na púrpura 
trombocitopênica), as plaquetas não conseguem formar tampões 
eficazes. Isso faz com que o corpo tenha dificuldade em estancar 
essas pequenas rupturas, resultando em petéquias ou equimoses 
(hematomas pequenos), que são visíveis na pele. 
 Petéquias: São pontos pequenos, vermelhos ou roxos, que 
aparecem na pele devido a sangramentos microscópicos 
causados pela incapacidade das plaquetas de formar tampões 
adequados nas pequenas rupturas dos vasos capilares. 
 Equimoses: São hematomas maiores que surgem devido à 
ruptura de vasos sanguíneos maiores, com um acúmulo de 
sangue sob a pele, que é mais comum em pessoas com 
plaquetas insuficientes. 
Esse mecanismo de formação do tampão plaquetário é crucial para 
a hemostasia primária. A ausência ou deficiência nas plaquetas 
pode levar a distúrbios hemorrágicos, nos quais o corpo não 
consegue estancar pequenas rupturas, levando a sangramentos 
internos e visíveis, como as petéquias, que são indicativos de uma 
falha no fechamento de orifícios vasculares pequenos. 
 FORMAÇÃO DO COÁGULO SANGUÍNEO 
O processo de coagulação sanguínea é um evento fundamental para 
a hemostasia (cessação de sangramento) após a ruptura de um vaso 
sanguíneo. Esse processo começa rapidamente após o traumatismo 
vascular. A formação do coágulo é iniciada pela ativação de vários 
componentes no sangue e na parede do vaso danificado: 
 Em 15 a 20 segundos (para lesões graves) ou 1 a 2 minutos 
(para lesões menores), as substâncias ativadoras presentes na 
parede vascular danificada, nas plaquetas e nas proteínas do 
plasma (como a protrombina) começam a reagir, ativando os 
fatores de coagulação. 
 Esse processo resulta na formação de uma rede de fibrina, 
que é responsável por selar a abertura no vaso e impedir a 
perda excessiva de sangue. 
 Em 3 a 6 minutos após a ruptura do vaso, o coágulo já 
preenche a abertura do vaso, desde que o defeito não seja 
grande. 
 Entre 20 a 60 minutos, o coágulo começa a retrair-se, um 
processo que ajuda a fechar ainda mais o vaso e a estabilizar a 
formação do coágulo. 
Após a formação inicial do coágulo, as plaquetas desempenham um 
papel crucial na retração do coágulo. Esse processo envolve as 
plaquetas se contraírem e puxarem as bordas do vaso para dentro, 
ajudando a reduzir a abertura e contribuindo para o fechamento do 
vaso.\ 
 Destinos do Coágulo 
Após a formação do coágulo, ele pode seguir dois caminhos 
principais: 
 Invasão por fibroblastos: O coágulo é gradualmente 
substituído por tecido conjuntivo (fibroso), que é formado 
pelos fibroblastos. Esse processo começa algumas horas 
após a formação do coágulo e pode levar de 1 a 2 semanas 
para ser concluído. Durante esse período, o coágulo é 
organizado e convertido em uma estrutura mais permanente 
que ajuda a selar o vaso danificado. 
 
 4 
 Dissolução: Se o coágulo foi formado em excesso ou em áreas 
desnecessárias, ele pode ser dissolvido por enzimas 
específicas ativadas dentro do próprio coágulo. 
Fatores de Coagulação 
Lista dos principais fatores de coagulação envolvidos no processo 
de coagulação. Esses fatores trabalham em sequência para formar a 
rede de fibrina que sela a ruptura no vaso. 
 Fator I (Fibrinogênio): A principal proteína que será 
convertida em fibrina, formando a rede do coágulo. 
 Fator II (Protrombina): Sua conversão em trombina é 
crucial para a transformação do fibrinogênio em fibrina. 
 Fator III (Fator tecidual ou tromboplastina tecidual): 
Liberado pela parede vascular danificada e inicia a via 
extrínseca de coagulação. 
Fator IV (Cálcio): Essencial para várias etapas da cascata de 
coagulação. 
Fator Vb: Proacelerina; fator- lábil; Ac- globulina 
Fator VII: acelerador da conversão de protrombina sérica; 
proconvertina; fator estável 
Fator VII: Fator anti- hemofílico, globulina anti- hemofílica, 
fator anti-hemofílico A 
Fator IX: Componente da tromboplastina plasmática; fator de 
Christmas; Fator anti hemofílico-B 
Fator X: Fator de Stuart 
Fator XI: Fator anti hemofílico C 
Fator XII: Fator de Hageman 
Fator XIII (Fator estabilizador da fibrina): Ajuda a 
estabilizar a rede de fibrina e a fortalecer o coágulo. 
Obs: fator VI não aparece pois descobriu-se que ele e o fator V são 
a mesma molécula, a proacelerina. 
A formação do coágulo é fundamental para estancar a perda de 
sangue após a ruptura de um vaso sanguíneo. O processo de 
retração do coágulo ajuda a reduzir ainda mais o fluxo sanguíneo, 
garantindo que a abertura do vaso seja completamente fechada. 
Quando um coágulo não é mais necessário, ele pode ser dissolvido 
por um processo chamado fibrinólise, mediadopor enzimas como 
a plasmina, que degradam a fibrina e ajudam a restaurar o fluxo 
sanguíneo normal. 
Mecanismo Geral da Coagulação 
A coagulação depende de um equilíbrio entre substâncias pró-
coagulantes (que promovem a coagulação) e substâncias 
anticoagulantes (que inibem a coagulação). Em condições normais, 
os anticoagulantes predominam, evitando a coagulação do sangue 
enquanto circula pelos vasos sanguíneos. No entanto, quando um 
vaso é rompido, os pró-coagulantes da área lesionada são ativados, 
ultrapassando os anticoagulantes, e um coágulo se forma. 
Etapas da Coagulação 
 
1. Ativação do Ativador da Protrombina 
 A ruptura do vaso ou o dano ao sangue leva a uma 
cascata de reações químicas envolvendo mais de 12 
fatores de coagulação. 
 O resultado dessa cascata é a formação do ativador da 
protrombina. 
2. Conversão de Protrombina em Trombina 
 O ativador da protrombina catalisa a conversão da 
protrombina (uma proteína plasmática) em trombina. 
 Cálcio iônico (Ca²⁺) é necessário para que essa conversão 
ocorra. 
3. Conversão de Fibrinogênio em Fibrina 
A trombina então converte fibrinogênio (uma proteína 
plasmática) em fibrina. 
A fibrina forma filamentos, que se entrelaçam e ajudam a 
formar o coágulo. 
 Processos Envolvidos 
Conversão da Protrombina em Trombina 
 A protrombina é produzida pelo fígado e circula no sangue em 
uma concentração controlada. Quando um vaso sanguíneo é 
rompido, o ativador da protrombina é gerado, iniciando a 
conversão da protrombina em trombina. 
 
 5 
A trombina, em sua forma ativada, é crucial para a formação da rede 
de fibrina. 
Conversão de Fibrinogênio em Fibrina 
 O fibrinogênio é uma proteína de alto peso molecular, 
produzida no fígado, que circula no plasma sanguíneo. 
Quando o fibrinogênio entra em contato com a trombina, ele 
sofre uma proteólise (quebra enzimática) para gerar 
monômeros de fibrina. 
 Esses monômeros se polimerizam rapidamente para formar 
filamentos de fibrina, que formam uma rede que aprisiona 
células sanguíneas, plaquetas e plasma, criando o coágulo. 
Ação do Fator Estabilizador da Fibrina 
 Inicialmente, os filamentos de fibrina formados são 
relativamente fracos e podem ser facilmente rompidos. 
Contudo, um processo adicional fortalece essa rede. 
 O fator estabilizador da fibrina, que é ativado pela 
trombina, forma ligações covalentes entre os monômeros 
de fibrina, criando uma rede tridimensional de fibrina mais 
forte e resistente. 
 Esse fator estabilizador ajuda a tornar o coágulo mais durável 
e resistente ao rompimento, essencial para impedir a perda de 
sangue a longo prazo. 
 Formação e Aderência do Coágulo 
 O coágulo é composto por uma rede de fibrina que aprisiona 
células sanguíneas (como os glóbulos vermelhos), plaquetas e 
plasma. 
 Os filamentos de fibrina aderem às superfícies danificadas dos 
vasos sanguíneos, tornando o coágulo aderente à abertura no 
vaso rompido, ajudando a selar a lesão e a evitar mais 
sangramentos. 
 
Retração do Coágulo e Expulsão do Soro 
Após a formação do coágulo, ocorre um processo de retração: 
 Retração do coágulo: Em 20 a 60 minutos, o coágulo 
começa a se contrair, ajudando a aproximar as bordas do 
vaso rompido. Esse processo é indispensável para a 
hemostasia e é promovido pelas plaquetas. 
 Durante a retração, o líquido presente no coágulo, chamado de 
soro, é expelido. O soro é o fluido que não contém 
fibrinogênio e não pode coagular, pois este componente foi 
removido. 
Importância das Plaquetas na Coagulação 
As plaquetas são essenciais para iniciar e sustentar o 
processo de coagulação, porque: 
Elas liberam substâncias que promovem a coagulação 
(como o fator estabilizador da fibrina). 
 Elas se ligam aos filamentos de fibrina, ajudando a 
estabilizar a rede e promovendo a retração do coágulo. 
 As plaquetas ativam proteínas contráteis (como 
trombostenina, actina e miosina) que ajudam a contrair 
o coágulo. 
O feedback positivo no processo de formação do coágulo é uma 
parte crucial da coagulação sanguínea, permitindo a amplificação da 
resposta inicial e garantindo que o coágulo cresça rapidamente até 
que o sangramento seja controlado. 
Feedback Positivo na Formação do Coágulo 
Ação Proteolítica da Trombina 
A trombina, uma enzima chave no processo de 
coagulação, não apenas converte o fibrinogênio em 
fibrina, mas também age diretamente sobre vários 
fatores de coagulação que ajudam a continuar o 
processo de coagulação. 
Um dos efeitos mais importantes da trombina é a conversão da 
protrombina em mais trombina. Esse efeito autocatalítico de 
amplificação é essencial para a continuidade do processo de 
coagulação. 
Além disso, a trombina ativa outros fatores de coagulação como 
fator V, fator VIII, e fator XI, o que ajuda a acelerar ainda mais a 
formação de trombina. 
Feedback Positivo 
A formação de trombina gera um ciclo de feedback positivo, onde a 
produção de trombina acelera o processo de coagulação, 
promovendo a formação de mais trombina e mais fibrina, até que o 
sangramento seja estancado.Quando a trombina alcança uma 
 
 6 
quantidade crítica, o feedback positivo expande rapidamente o 
coágulo. 
Vias de Coagulação 
Via extrínseca 
 
Liberação do Fator Tecidual (TF) 
 Quando ocorre um traumatismo na parede do vaso sanguíneo 
ou nos tecidos ao redor, as células danificadas do tecido 
liberam o Fator Tecidual (TF), também chamado de 
Tromboplastina Tecidual. 
 O Fator Tecidual é composto principalmente por fosfolipídios 
provenientes das membranas das células do tecido danificado. 
Ele também contém uma lipoproteína com atividade 
enzimática que tem um papel fundamental na ativação dos 
fatores subsequentes da coagulação. 
 Ativação do Fator VII 
 O Fator VII é uma proteína presente no plasma sanguíneo. 
Quando o Fator VII se liga ao Fator Tecidual (TF), ele se ativa 
para formar Fator VIIa. 
 Fator VIIa tem capacidade de ativar outras proteínas do 
processo de coagulação, especialmente o Fator X, mas 
somente na presença de cálcio (Ca²⁺), um íon essencial para o 
processo de coagulação. 
Ativação do Fator X 
 O Fator VIIa, junto com o Fator Tecidual (TF) e a presença de 
cálcio (Ca²⁺), ativa o Fator X. O Fator X ativado (Xa) é uma 
enzima proteolítica crucial na coagulação, responsável por 
iniciar a transformação da protrombina em trombina. 
Formação do Complexo Ativador da Protrombina 
 O Fator Xa (Fator X ativado) não age sozinho. Ele se combina 
com o Fator V, que está inicialmente inativo. 
 Essa combinação de Fator Xa, Fator V e fosfolipídios 
(originários das membranas das células danificadas e das 
plaquetas) forma o complexo ativador da protrombina. Esse 
complexo é crucial para a clivagem da protrombina em 
trombina. 
 Importante: O Fator V é ativado pela trombina após o início 
da coagulação, amplificando o processo. 
 Conversão de Protrombina em Tromina 
 O complexo ativador da protrombina, agora formado, cliva a 
protrombina (uma proteína plasmática inativa) para 
transformá-la em trombina. 
 A trombina é a enzima principal no processo de coagulação, e 
sua formação marca o início da fase final da coagulação. Ela 
tem várias funções essenciais: 
 Conversão de fibrinogênio em fibrina, formando a rede 
de fibrina que ajuda a estancar o sangramento. 
Ativação de mais plaquetas para formar um tampão 
plaquetário. 
Ativação de outros fatores da coagulação que 
intensificam o processo, criando o feedback positivo, 
acelerando ainda mais a coagulação. 
Resumo 
 Fator Tecidual liberado pelo tecido danificado, composto por 
fosfolipídios e lipoproteínas com atividade enzimática. 
 O Fator VII se liga ao Fator Tecidual, formando VIIa, o que 
ativa a próxima etapa da coagulação. 
 Fator VIIa e o Fator Tecidual, com a presença de cálcio (Ca²⁺), 
ativam o Fator X, formando o Fator Xa. 
 O Fator Xa se combina com o Fator V (inativo inicialmente) e 
os fosfolipídios para formar o complexo ativador da 
protrombina. Esse complexo ativa a protrombina, 
transformando-aem trombina. 
 A trombina é gerada, que inicia a fase final 
da coagulação, ativando fibrinogênio em 
fibrina e promovendo o fechamento do 
ferimento. 
 
 7 
Via intrínseca 
 
Ativação do Fator XII (Fator Hageman) 
 Quando o sangue entra em contato com uma superfície 
traumatizada ou com colágeno exposto, ocorre a ativação 
do Fator XII, também conhecido como Fator Hageman. 
 O Fator XII, que é uma proteína plasmática inativa, passa por 
uma alteração conformacional ao entrar em contato com a 
superfície danificada (como colágeno ou vidro). Isso converte 
o Fator XII em Fator XIIa, uma enzima proteolítica. 
 O Fator XIIa ativa uma série de eventos subsequentes ao clivar 
outras proteínas envolvidas na coagulação. 
 Liberação de Fosfolipídios das Plaquetas 
 O traumatismo do sangue também resulta no danos às 
plaquetas, que, ao se aderirem ao colágeno, liberam 
fosfolipídios plaquetários (como a lipoproteína chamada fator 
plaquetário 3). 
 Esses fosfolipídios servem como superfície para a reação 
enzimática de coagulação e ajudam a acelerar o processo. 
 Ativação do Fator XI 
O Fator XIIa atua sobre o Fator XI, ativando-o para o Fator 
XIa. 
O Fator XIa então desempenha um papel essencial, ativando o 
Fator IX na próxima etapa da via intrínseca. 
 A ativação do Fator XI também é acelerada pela pré-calicreína 
e pelo cininogênio de alto peso molecular presentes no sangue. 
Ativação do Fator IX 
O Fator XIa então ativa o Fator IX, que, após ativado, se 
torna o Fator IXa. 
O Fator IXa é crucial porque ele vai formar um complexo com o 
Fator VIIIa na próxima etapa. 
Ativação do Fator X – Papel do Fator VIII 
 O Fator IXa, em conjunto com o Fator VIIIa (que foi 
previamente ativado pela trombina), forma um complexo 
enzimático. 
 Esse complexo IXa-VIIIa, juntamente com os fosfolipídios 
plaquetários e o cálcio (Ca²⁺), ativa o Fator X, que se converte 
no Fator Xa. 
 O Fator VIII é crucial nessa etapa. Na hemofilia clássica, o 
Fator VIII está ausente ou deficiente, o que resulta em uma 
falha na ativação do Fator X. 
 Além disso, em condições como a trombocitopenia (baixa 
contagem de plaquetas), a ativação do Fator X também pode 
ser comprometida. 
Formação do Complexo Ativador da Protrombina 
 O Fator Xa, assim como ocorre na via extrínseca, precisa do 
Fator V para continuar a reação. 
 O Fator Xa, em conjunto com o Fator V (que precisa 
ser ativado pela trombina), os fosfolipídios das 
plaquetas ou tecidos danificados, forma o complexo 
ativador da protrombina. 
 Esse complexo cliva a protrombina para gerar trombina. 
 Conversão de Protrombina em Trombina 
 A trombina gerada nessa etapa será responsável por promover 
a formação do coágulo sanguíneo, convertendo fibrinogênio 
em fibrina, e realizando outras ações que ajudam a selar o 
ferimento, como ativar mais plaquetas. 
 
 8 
Resumindo 
Fator XII é ativado ao entrar em contato com superfícies 
danificadas (como o colágeno). 
As plaquetas se aderem ao colágeno e liberam fosfolipídios, 
essencial para o processo. 
O Fator XIIa ativa o Fator XI para Fator XIa. 
O Fator XIa ativa o Fator IX para Fator IXa. 
O Fator IXa, em conjunto com o Fator VIIIa e fosfolipídios, ativa 
o Fator X para Fator Xa. 
 O Fator Xa, em conjunto com o Fator V e fosfolipídios, ativa 
a protrombina para formar trombina. 
A trombina é gerada e começa a formar a rede de fibrina, fechando 
o ferimento. 
A principal diferença entre a via intrínseca e a via extrínseca é que a 
via extrínseca é mais rápida e ocorre em questão de segundos, 
enquanto a via intrínseca é mais lenta, geralmente demorando de 1 
a 6 minutos. No entanto, ambas as vias trabalham em conjunto para 
garantir que o processo de coagulação seja eficiente e rápido. 
Assim como na via extrínseca, a via intrínseca também envolve um 
feedback positivo. Uma vez que a trombina é gerada, ela ativa o 
Fator V, amplificando ainda mais a formação de trombina, o que 
acelera a coagulação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aspecto Via Extrínseca Via Intrínseca 
Início da ativação 
Inicia com o trauma nos tecidos fora do vaso 
sanguíneo ou na parede vascular (colágeno 
exposto). 
Inicia com o trauma ao próprio sangue ou a exposição 
ao colágeno da parede do vaso. 
Fatores principais 
envolvidos 
Fator Tecidual (ou tromboplastina tecidual), Fator 
VII. Fator XII, Fator XI, Fator IX, Fator VIII. 
Velocidade Muito rápida, a coagulação pode ocorrer em 
segundos (15-20 segundos). 
Mais lenta, pode levar de 1 a 6 minutos para formar o 
coágulo. 
Papel do Fator 
Tecidual 
Liberado do tecido danificado, inicia a formação 
do ativador da protrombina. 
Não envolve fator tecidual, mas usa o contato do sangue 
com superfícies danificadas. 
Ativação do Fator X Fator X é ativado pelo complexo Fator VII + 
Fator Tecidual. 
Fator X é ativado pela combinação de Fator IXa, Fator 
VIIIa, e fosfolipídios plaquetários. 
Feedback positivo Trombina gerada pelo ativador da protrombina 
acelera o processo de coagulação. 
Trombina gerada também ativa o Fator V, que acelera 
ainda mais a formação de trombina. 
Importância clínica Crucial em lesões de grande porte, onde a 
ativação rápida é necessária. 
Essencial para o processo de coagulação em pequenos 
vasos sanguíneos e após o início do processo por via 
extrínseca. 
Exemplo de doença 
relacionada 
Deficiência do Fator VII (síndrome de deficiência 
de VII). 
Deficiência do Fator VIII (hemofilia clássica) ou Fator 
IX (hemofilia B). 
 
 
 
 9 
 
Ou seja: 
 Via Extrínseca: Rápida, iniciada por lesões nos tecidos fora 
dos vasos, e essencial para uma coagulação imediata. 
 Via Intrínseca: Mais lenta, depende de uma cascata mais 
longa de reações, e é crucial para amplificar a resposta da 
coagulação após o início pela via extrínseca. 
Essas vias trabalham simultaneamente após o dano ao vaso 
sanguíneo para formar um coágulo eficaz e rápido. 
A cascata de coagulação é um conjunto de reações bioquímicas que 
ocorrem no sangue para formar um coágulo e evitar hemorragias. 
Esse processo envolve uma série de proteínas chamadas fatores de 
coagulação, que são ativadas sequencialmente numa espécie de 
“efeito dominó”. 
Fases da Cascata da Coagulação 
1. Fase de Iniciação 
A coagulação começa por dois caminhos: 
Via Extrínseca: ativada por lesão tecidual → 
envolve o Fator Tissular (TF) e Fator VII. 
 Via Intrínseca: ativada pelo contato do sangue 
com superfícies anormais → envolve Fatores XII, 
XI, IX e VIII. 
2. Fase de Amplificação 
Ambas as vias convergem na ativação do Fator X, 
iniciando a Via Comum. 
O Fator X converte a protrombina (Fator II) em trombina 
(Fator IIa). 
3. Fase de Propagação 
 A trombina transforma fibrinogénio em fibrina, que é a 
proteína responsável por formar a malha do coágulo. 
 O Fator XIII estabiliza a fibrina, tornando o coágulo mais 
resistente. 
Regulação da Coagulação 
Para evitar coágulos excessivos, o corpo usa 
mecanismos de controle, como: 
Antitrombina III (inibe trombina e outros fatores). 
Proteína C e Proteína S (regulam os fatores V e VIII). 
OBJETIVO 2- Classificar as hemorragias de acordo com o 
volume de sangue perdido 
Geralmente, o exame físico é capaz de fornecer todas as informações 
necessárias sobre a perda de sangue. Nessa etapa, é importante 
lembrar de que a hemorragia provoca respostas orgânicas diferentes 
em idosos, atletas, crianças e indivíduos com doenças crônicas. 
Quanto ao tipo, os quadros hemorrágicos podem ser arteriais, 
venosos ou capilares. Nos arteriais, o sangue é liberado em um jato 
pulsátil, com coloração vermelho viva. Os rompimentos venosos, 
por sua vez, provocam um vazamento mais lento, de tom mais 
escuro, em que o sangue escorre pela ferida. Os vazamentos 
capilares são mais superficiais, caracterizando-se pela cor 
intermediária e pelo gotejamento lento. 
Em relação à localização, as hemorragias podem ser externas ou 
internas. As primeiras são facilmente identificáveis, e as internas 
representam um desafio maior.Pacientes nessa situação costumam 
apresentar palidez, fadiga, pulso rápido e fraco, sede, queda de 
pressão, respiração acelerada, náuseas ou vômitos com sangue, 
desmaios e confusão mental. 
Existe ainda uma terceira classificação, referente às hemorragias 
internas que se exteriorizam. 
Nesses casos, o sangue é encontrado nas fezes, na urina, no útero, 
na tosse ou no nariz. 
Com base nos sinais clínicos mencionados, o Guia de Suporte 
Avançado de Vida no Trauma (Advanced Trauma Life Suport – 
ATLS) do Colégio Americano de Cirurgiões descreve quatro classes 
de hemorragia, que estimam o nível da perda sanguínea: 
>> CLASSE I: perda de menos de 15% do volume total de sangue 
e sinais vitais normais. 
Pacientes saudáveis não necessitam de transfusão. 
>> CLASSE II: perda entre 15% e 30% do volume sanguíneo. Há 
taquicardia, taquipneia e pressão de pulso diminuída. Algumas 
pessoas se estabilizam com soluções cristaloides, outras precisam de 
transfusão. 
>> CLASSE III: perda de 31% a 40% do sangue, com queda da 
pressão arterial e alteração do estado mental. Frequência cardíaca e 
respiratória se elevam. É necessário administrar concentrado de 
hemáticas e demais produtos sanguíneos. 
>> CLASSE IV: perda de mais de 40% do volume sanguíneo, 
resultado em depressão significativa da pressão arterial e do estado 
mental. Há taquicardia de mais de 140bpm e redução expressiva da 
diurese. É preciso realizar transfusão e procedimento cirúrgico 
imediato. 
Manejo e controle de hemorragias 
Independentemente da origem, do local e do tipo da hemorragia, o 
primeiro passo é tentar estancar o sangramento. Perdas sanguíneas 
óbvias em áreas compressíveis devem receber pressão direta. Se o 
método não for suficiente, pode-se recorrer ao torniquete. 
Atualmente, o uso de “pontos de pressão” é desaconselhado, uma 
https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/manejo-de-hemorragias-digestivas/
https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/manejo-de-hemorragias-digestivas/
https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/manejo-de-hemorragias-digestivas/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/
 
 10 
vez que a circulação colateral invalida a técnica rapidamente. Se o 
paciente já chegar ao hospital com torniquete, é preciso avaliar o 
tempo de permanência do recurso antes de decidir soltá-lo. 
Os casos não compressíveis se concentram na região do tronco e das 
suas junções, e normalmente necessitam de cirurgias complexas. Até 
iniciar o procedimento, utilizamse agentes hemostáticos de escolha, 
como a gaze cirúrgica com silicato de alumínio. Após compactar o 
agente no local afetado, realiza-se pressão direta (mas não intensa) 
por três minutos. Outras ações, como o tamponamento, também 
podem ser empregadas no cuidado do indivíduo com hemorragia 
não compressiva. 
Se a perda sanguínea continuar mesmo após a intervenção cirúrgica, 
é possível optar por toracotomia ressuscitativa (RT), oclusão de 
aoarta endovascular reanimadora (REBOA) ou até pelo uso de 
medicamentos que aumentam a capacidade de formar coágulos, 
como o ácido tranexâmico, fibrinogênio e Concentrado de complexo 
de protrombina (PCC). 
 
 
OBJETIVO 3 
Púrpura Trombocitopênica trombótica 
O que é a PTT? 
A PTT é uma microangiopatia trombótica caracterizada por: 
✅ Trombocitopenia (queda no número de plaquetas) 
✅ Hemólise microangiopática (destruição das hemácias nos 
pequenos vasos) 
✅ Trombose generalizada na microcirculação 
Ela pode ser adquirida (mais comum) ou congénita (rara). 
Causa/Fisiopatologia 
 O problema central é a deficiência da enzima ADAMTS13, 
que normalmente quebra os multímeros gigantes do Fator de 
von Willebrand (FVW). 
 Sem essa quebra, essas moléculas de FVW permanecem 
grandes e grudam nas plaquetas, formando microtrombosna 
circulação. 
 Esses trombos obstruem os pequenos vasos, levando à 
destruição das hemácias (formação de esquizócitos) e à 
redução das plaquetas. 
 Deficiência ou Inibição de ADAMTS 13 
A ADAMTS13 é uma metaloproteinase (uma enzima que quebra 
proteínas) essencial para o processamento do fator de von 
Willebrand (vWF), uma proteína que ajuda as plaquetas a se 
agregarem e formarem coágulos sanguíneos. Em condições 
normais, a ADAMTS13 corta as longas cadeias do vWF em 
fragmentos menores, que são mais seguros para a circulação. 
Na PTT, por algum motivo, há deficiência ou inibição da 
ADAMTS13. A causa pode ser: 
 Autoimune: Quando o sistema imunológico produz anticorpos 
que bloqueiam a função da ADAMTS13, isso é chamado de 
PTT idiopática. 
 Congênita: Quando há uma mutação genética que resulta em 
uma produção insuficiente ou disfuncional da ADAMTS13, 
levando à PTT hereditária (Síndrome de UpshawSchulman). 
Sem a função normal da ADAMTS13, o vWF permanece em sua 
forma longa e ativa, o que favorece a agregação das plaquetas. 
 
 Formação de Microcoágulos 
O vWF ativo, em sua forma mais longa, tem uma maior 
capacidade de se ligar às plaquetas, levando à formação de 
microcoágulos. Esses coágulos são formados principalmente em 
pequenos vasos sanguíneos, como capilares e arteriolas, e podem 
ser vistos como uma obstrução da microcirculação. 
Danos às Plaquetas e Anemia Hemolítica 
A formação de microcoágulos consome as plaquetas. Como os 
coágulos são compostos em grande parte por plaquetas, elas são 
“capturadas” nos locais de formação do coágulo e removidas da 
circulação. Isso resulta em trombocitopenia(baixa contagem de 
plaquetas). Além disso, a passagem dos glóbulos vermelhos pelos 
microcoágulos causa a sua ruptura (hemólise), o que leva à anemia 
hemolítica microangiopática. A hemólise ocorre porque os glóbulos 
vermelhos são literalmente “rasgados” ao passar pelos vasos 
sanguíneos obstruídos pelos coágulos. 
 Lesão Endotelial 
Os microcoágulos podem lesionar as células endoteliais que 
revestem os vasos sanguíneos. Essas lesões promovem ainda mais a 
agregação de plaquetas e a formação de novos coágulos, agravando 
o ciclo de trombocitopenia e microangiopatia. 
 Isquemia e Danos a Órgãos 
À medida que os microcoágulos bloqueiam os pequenos vasos, há 
redução no fluxo sanguíneo para os órgãos vitais. Isso pode levar a 
isquemia (falta de oxigenação dos tecidos) e dano a órgãos, com 
destaque para: 
• Rins: Os rins são frequentemente afetados, 
podendo levar à insuficiência renal aguda. 
• Cérebro: Pode ocorrer comprometimento neurológico, como 
alterações de consciência, convulsões e até coma. 
• Coração: Em alguns casos, pode ocorrer dano cardíaco. 
http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento.
http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento.
http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento.
http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento.
http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento.
 
 11 
Inflamação e Liberação de Substâncias 
O processo de microcoagulação e a lesão endotelial podem 
desencadear uma resposta inflamatória, o que agrava a situação e 
contribui para o aumento da liberação de substâncias pró-
coagulantes, criando um ciclo vicioso de coagulação. 
Formas Secundárias da PTT 
Embora a forma idiopática da PTT seja mais comum, ela também 
pode ocorrer como PTT secundária, ou seja, causada por outros 
fatores. Alguns fatores desencadeantes incluem:Infecções (como a infecção por E. coli que produz toxinas) 
Transplante de células-tronco hematopoéticas 
Uso de medicamentos como inibidores da calcineurina, que 
são usados para prevenir a rejeição em transplantes. 
 Gravidez, especialmente em casos de eclâmpsia. 
Complicações e Prognóstico 
O quadro da PTT pode evoluir rapidamente para falência de 
múltiplos órgãos, especialmente se o tratamento não for iniciado 
precocemente. O prognóstico tem melhorado muito com o uso da 
plasmaférese, que é um tratamento capaz de remover as toxinas e 
anticorpos envolvidos no processo, além de repor a ADAMTS13. 
 
Como se manifesta? 
Os sintomas podem ser súbitos ou lentos e afetam vários órgãos: 
🔹 Neurológicos: Confusão, dor de cabeça, convulsões, coma 
🔹 Hematológicos: Palidez, icterícia (pelo aumento da destruição 
das hemácias) 
🔹 Sangramentos: Manchas roxas na pele (púrpura), sangramento 
gengival ou nasal 
🔹 Febre (presente em cerca de 50% dos casos) 
🔹 Alterações renais (insuficiência renal 
não é comum na PTT clássica) A evolução 
pode ser rápida e grave, por isso é uma 
emergência médica. 
O que é Microangiopatia Trombótica (MAT)? 
A Microangiopatia Trombótica (MAT) é um grupo de doenças 
caracterizadas pela formação de microtrombos na 
microcirculação (pequenos vasos sanguíneos), levando à 
destruição das hemácias (hemólise microangiopática) e queda 
no número de plaquetas (trombocitopenia). 
 
Mecanismo da Microangiopatia Trombótica 
• Dano ao endotélio dos pequenos vasos → Isso leva à 
ativação das plaquetas e formação de pequenos trombos. 
• Obstrução dos vasos por trombos → Dificulta a 
circulação sanguínea. 
• Esquizócitos (hemácias fragmentadas) → Como os 
vasos estão parcialmente bloqueados, as hemácias tentam 
passar, mas acabam sendo destruídas mecanicamente. 
• Trombocitopenia (queda das plaquetas) → As 
plaquetas são consumidas na formação dos trombos. 
 
Doenças associadas à Microangiopatia Trombótica 
🔹 Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) → Causada 
pela deficiência da enzima ADAMTS13, levando à formação de 
trombos plaquetários. 
🔹 Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) → Mais comum em 
crianças, associada a infeções por E. coli O157:H7, que libera 
toxinas prejudicando o endotélio. 
🔹 Síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de Enzimas Hepáticas 
e Plaquetopenia) → Complicação grave da pré-eclâmpsia. 
🔹 Doenças autoimunes → Como lúpus e síndrome do anticorpo 
antifosfolípide. 
🔹 Hipertensão maligna → Pode causar dano endotelial e levar à 
MAT. 
Achados laboratoriais 
A PTT é caracterizada por anemia hemolítica microangiopática e 
trombocitopenia, o que significa: 
 Anemia normocrômica e normocítica → os glóbulos 
vermelhos têm tamanho e coloração normais. 
 Presença de esquizócitos → fragmentos de hemácias no 
exame de sangue, sinal de destruição dos glóbulos vermelhos. 
 Aumento de reticulócitos → porque a medula óssea tenta 
compensar a destruição das hemácias. 
 Elevação da DHL (Desidrogenase Lática) e bilirrubina 
indireta → indica destruição das hemácias 
Diagnóstico 
Antigamente, era necessário um conjunto de 5 sintomas para fechar 
o diagnóstico: 
1. Anemia hemolítica microangiopática 
2. Trombocitopenia 
 
 12 
3. Sintomas neurológicos 
4. Disfunção renal 
5. Febre 
 Atualmente, só a anemia hemolítica microangiopática e a 
trombocitopenia já justificam iniciar o tratamento. 
 Como a PTT pode ser fulminante, o tratamento deve começar 
o mais rápido possível, sem esperar exames confirmatórios. 
Exame ADAMTS13 
Essa enzima é responsável por evitar a formação excessiva de 
coágulos no sangue. 
Na PTT, ela está muito reduzida (Imunoglobulina intravenosa (IVIG): Pode ser utilizada em 
alta dose para aumentar a contagem de plaquetas e interromper 
o processo de destruição. 
 Tratamentos alternativos: Quando os corticoides não são 
eficazes, pode-se usar medicamentos imunossupressores 
como azatioprina, ciclofosfamida e agentes como o danazol. 
Estes tratamentos são mais usados em casos refratários. 
A resposta ao tratamento é avaliada pela redução do sangramento e 
pelo aumento da contagem de plaquetas, com um foco maior em 
tratar os sintomas (sangramentos) do que em normalizar a contagem 
de plaquetas. 
Efeitos do Corticoide: A prednisona age por três mecanismos 
principais: 
1. Inibe a função dos macrófagos no sistema reticuloendotelial. 
2. Diminui a produção de autoanticorpos. 
3. Estimula a medula óssea a produzir mais plaquetas. 
Embora a prednisona seja eficaz, outros corticosteroides, como a 
metilprednisolona ou dexametasona, não demonstraram benefícios 
adicionais e podem ter mais efeitos colaterais. A administração de 
dexametasona em doses altas é às vezes tentada em pacientes 
refratários, mas seus efeitos não são conclusivos e a 
imunossupressão de longo prazo pode ser um problema. 
Em geral, o tratamento é personalizado e depende da resposta do 
paciente, com foco em evitar complicações hemorrágicas e melhorar 
a qualidade de vida. 
Imunoglobulina em Alta Dose 
 O que é: A imunoglobulina intravenosa (Ig IV) foi uma das 
primeiras terapias eficazes para PTI, sendo usada 
principalmente em altas doses. 
Dose: Varia entre 400 e 1.000 mg/kg/dia por 2 a 5 dias 
consecutivos. 
Indicação: É eficaz para o controle de sangramentos graves e 
preparação para procedimentos cirúrgicos. 
 Eficácia: Em 70 a 90% dos casos, a resposta inicial é boa, mas 
é temporária, o que a torna útil principalmente para controle 
emergencial. 
 Administração: A infusão deve ser realizada em ambiente 
hospitalar, pois pode causar reações adversas como cefaleia, 
febre, tremores, náuseas e até complicações graves como 
anafilaxia e meningite asséptica. 
 Mecanismo de Ação: 
1. Bloqueia os receptores nos macrófagos responsáveis 
pela destruição das plaquetas. 
2. Contém anticorpos anti-idiotípicos que ajudam a reduzir 
os autoanticorpos que causam a PTI. 
 Imunoglobulina Anti-D: Mais eficaz em pacientes Rh 
positivos, mas não está disponível em todos os países e parece 
ter menor eficácia que a Ig IV. 
 Esplenectomia 
A esplenectomia é a remoção cirúrgica do baço, indicado para 
pacientes que não respondem ao tratamentos convencionais, 
como os corticoides. 
 Indicação: Pacientes com trombocitopenia severa (plaquetas 
abaixo de 20.000/μL) e sangramentos graves. 
Apresenta uma taxa de sucesso de cerca de 70% a longo prazo. 
Mecanismo de Ação: Remove o baço, que é o principal local 
de destruição das plaquetas, além de reduzir a produção dos 
autoanticorpos que atacam as plaquetas. 
 
O risco de complicações é muito baixo, mas pode ocorrer 
infecção, abscesso ou trombose. A vacinação contra 
pneumococos e hemófilos e o uso de antibióticos são 
recomendados no pós-operatório. 
 Abordagem Laparoscópica: A esplenectomia pode ser feita 
por laparoscopia, que reduz o tempo de internação e a 
complexidade do procedimento. 
 
 14 
 Riscos: Pacientes com recidiva após esplenectomia devem 
investigar a presença de baço acessório, que, se presente, pode 
ser removido para uma nova remissão. 
 
 
Outros Tratamentos 
 Quando usados: Para pacientes que são refratários ao 
tratamento com corticoides e esplenectomia, ou que 
continuam apresentando sangramentos. 
Agentes Imunossupressores: 
Azatioprina (1-2 mg/kg/dia) e Ciclofosfamida (1-2 
mg/kg/dia por 3-12 semanas): Ambas reduzem a produção de 
anticorpos que atacam as plaquetas. 
 Vincristina (1-2 mg IV por semana por 2-4 semanas): 
Pode reduzir a fagocitose das plaquetas sensibilizadas. 
Porém, pode causar neurotoxicidade. 
 Danazol (200 mg 2-3 vezes/dia por 8-14 semanas): 
Tem efeitos androgênicos (como acne, ganho de peso) e 
pode causar hepatotoxicidade. 
 Colchicina (0,6 mg 3-4 vezes/dia): Também reduz a 
fagocitose das plaquetas, mas pode causar diarreia. 
 Eficácia: A resposta a esses tratamentos varia entre 30% e 
70%. A decisão de utilizá-los depende dos efeitos colaterais e 
da gravidade do quadro. 
 
Rituximabe 
 O que é: Anticorpo monoclonal que visa diminuir a população 
de linfócitos B, responsáveis pela produção dos 
autoanticorpos que causam a PTI. 
Administração: Dose de 375 mg/m² por 4 semanas, 
administrada por infusão semanal. 
Eficácia: Cerca de 30% dos pacientes respondem de forma 
duradoura ao tratamento. Nos pacientes que recaem, outro ciclo 
de tratamento pode ser eficaz em 75% dos casos. 
 Riscos: Pode comprometer a produção de anticorpos após a 
vacinação e aumenta o risco de infecções e reativação de vírus. 
 Agonistas do Receptor de Trombopoetina (Romiplostin e 
Eltrombopag) 
O que são: Medicamentos que estimulam a produção de 
plaquetas na medula óssea. 
Romiplostin: 
Administração: Subcutânea. 
Eficácia: Resultados positivos em pacientes 
esplenectomizados e não esplenectomizados, 
aumentando a contagem de plaquetas e reduzindo o uso de 
prednisona. 
Eltrombopag: 
Administração: Oral. 
Eficácia: Mostrou bons resultados, mantendo as 
plaquetas acima de 50.000/μL. 
Também é eficaz em pacientes com PTI associada à 
hepatite C. 
 Riscos: O uso prolongado pode causar efeitos colaterais 
graves como fibrose da medula óssea, trombose, toxicidade 
hepática, catarata e formação de anticorpos. 
Tratamento de Emergência 
 Objetivo: Controlar rapidamente o sangramento grave, 
especialmente em pacientes com plaquetas abaixo de 
10.000/μL. 
 Tratamentos: 
1. Corticoides em alta dose: Prednisona (2 mg/kg) ou 
metilprednisolona (1 g IV) por 3 dias. 
2. Imunoglobulina intravenosa: Para ajudar a elevar a 
contagem de plaquetas. 
3. Transfusão de plaquetas: Para tentar aumentar a 
contagem de plaquetas rapidamente (6-8 unidades a 
cada 6 horas). 
4. Plasmaférese: Retirada de plasma para pacientes que 
não respondem aos tratamentos acima. 
5. Esplenectomia: Raramente é necessária na fase aguda, 
mas pode ser considerada em pacientes refratários. 
 PTI na Infância 
 PTI Aguda: Em crianças, a remissão espontânea é comum, e 
muitas vezes a PTI se resolve sem tratamento. 
 Tratamento: Para casos mais graves, pode-se usar corticoides 
ou imunoglobulina intravenosa. A esplenectomia pode ser 
necessária em casos persistentes. 
Mielograma: Frequentemente realizado para descartar leucemia 
linfoide aguda em casos 
 
 
 15 
 
graves, já que os sintomas podem ser semelhantes. 
 PTI na Gravidez 
 Indicação de Tratamento: Mulheres grávidas com plaquetas 
abaixo de 50.000/μL devem ser tratadas para prevenir 
sangramentos. 
 Tratamento: A imunoglobulina intravenosa é preferida por 
causar menos efeitos colaterais do que os corticoides. 
 Risco Fetal: A trombocitopênia fetal ocorre em 5-33% dos 
casos, mas a hemorragia fetal é rara. A via de parto deve ser 
determinada com base na condição clínica da mãe e do feto, e 
a cesárea não é necessariamente indicada. 
Síndrome de Bernard- Soulier 
A Síndrome de Bernard-Soulier (SBS) é uma rara desordem 
hereditária da função plaquetária que afeta a capacidade das 
plaquetas de se agregarem, o que leva a um aumento do risco de 
sangramentos. É uma condição que afeta a adesão plaquetária, que 
é um dos primeiros passos na formação do tampão plaquetário 
durante a coagulação. Vamos detalhar os diferentes aspectos dessa 
síndrome. 
 Definição 
A síndrome de Bernard-Soulier é uma trombopatologia rara, 
caracterizada por uma falha na adesão das plaquetas ao vaso 
sanguíneo devido a um defeito na glicoproteína Ib-IX-V. A 
glicoproteína Ib (GPIb) é um receptor importante para a adesão das 
plaquetas ao colágeno e ao fator de Von Willebrand (vWF) no local 
da lesão vascular. 
 Fisiopatologia 
 Adesão plaquetária comprometida: O defeito na 
glicoproteína Ib impede que as plaquetas se conectemadequadamente ao vWF, essencial para a adesão ao local da 
lesão vascular. Sem essa adesão, o processo de formação do 
tampão plaquetário é prejudicado, o que resulta em 
sangramentos. 
 Deficiência da glicoproteína Ib-IX-V: A GPIb é uma 
proteína da membrana da plaqueta, composta por várias 
subunidades. Ela se liga ao fator de Von Willebrand (vWF), 
que está presente na parede dos vasos sanguíneos, facilitando 
a adesão das 
plaquetas à lesão. Na síndrome de Bernard-Soulier, a GPIb 
apresenta defeito ou está ausente, comprometendo a adesão 
plaquetária. 
 Outros componentes afetados: Embora o defeito principal 
seja na GPIb, a síndrome também pode afetar outras 
glicoproteínas e proteínas da plaqueta, comprometendo sua 
função agregante e seu número. 
 Etiologia 
 Herança: A síndrome de Bernard-Soulier é uma doença 
genética, geralmente herdada de forma autossômica 
recessiva. Isso significa que para a pessoa ter a doença, ela 
deve herdar uma cópia do gene defeituoso de cada um dos 
pais. 
 Mutação genética: O gene responsável pela produção da 
glicoproteína Ib está localizado no cromossomo 17. Mutations 
nesse gene resultam na síntese de uma glicoproteína Ib 
defeituosa ou ausente, o que leva à falha da adesão plaquetária. 
Prevalência: É uma doença rara, com estimativas que indicam uma 
prevalência de 1 em 
1.000.000 pessoas. 
Diagnóstico 
O diagnóstico da síndrome de Bernard-Soulier é baseado em um 
conjunto de achados clínicos, laboratoriais e genéticos. 
 História clínica: Pacientes podem apresentar sangramentos 
excessivos desde o nascimento, como hematomas fáceis, 
epistaxe, sangramentos gengivais, menorragia e hemorragias 
pós-traumáticas. 
 Exame físico: Pode ser observado a presença de petéquias 
(pequenas manchas vermelhas na pele causadas pelo 
rompimento de capilares sanguíneos) e hematomas. 
 Exames laboratoriais: 
1. Contagem de plaquetas: O número de plaquetas pode 
ser normal ou ligeiramente baixo, mas a função das 
plaquetas está comprometida. 
2. Teste de agregação plaquetária: Exame crucial para o 
diagnóstico, pois na síndrome de Bernard-Soulier, as 
plaquetas não se agregam adequadamente quando 
expostas a agonistas como ADP, colágeno ou trombina. 
3. Microscopia: O estudo das plaquetas ao microscópio 
pode revelar plaquetas de tamanho anormalmente 
grande, um dos principais achados dessa síndrome. 
4. Teste de função plaquetária: No teste de adesão, as 
plaquetas apresentam dificuldade em se ligar ao fator de 
Von Willebrand. 
5. Teste genético: Testes moleculares podem ser 
realizados para identificar mutações no gene 
responsável pela produção da glicoproteína Ib. 
 
 16 
 Diagnóstico diferencial: A síndrome de Bernard-Soulier deve 
ser diferenciada de outras doenças hemorrágicas, como a 
doença de von Willebrand e outras trombopatias 
hereditárias, através dos testes laboratoriais. 
Prognóstico 
 Prognóstico geral: O prognóstico na síndrome de Bernard-
Soulier depende da gravidade dos episódios hemorrágicos e 
da resposta ao tratamento. A condição pode ser controlada 
com cuidados médicos adequados, mas a doença tem risco 
contínuo de sangramentos, que podem ser graves. 
 Qualidade de vida: Pacientes com a síndrome podem ter uma 
qualidade de vida afetada devido ao risco constante de 
hemorragias. O acompanhamento médico contínuo é 
importante para evitar complicações graves, como 
sangramentos cerebrais. 
 Expectativa de vida: Embora os episódios hemorrágicos 
possam ser graves, com tratamento adequado, a expectativa de 
vida pode ser normal, especialmente se os sangramentos 
forem bem controlados. 
 Tratamento 
 Tratamento sintomático: O principal tratamento é o controle 
dos episódios hemorrágicos e a prevenção de complicações. 
1. Transfusões de plaquetas: Em casos graves de 
sangramento, as transfusões de plaquetas são indicadas 
para aumentar a contagem plaquetária e controlar o 
sangramento. 
2. Desmopressina (DDAVP): Embora a resposta da 
desmopressina seja limitada na síndrome de Bernard-
Soulier, ela pode ser utilizada para melhorar a função 
das plaquetas em alguns casos, promovendo a liberação 
de fator de Von Willebrand. 
3. Inibidores da trombose: Os pacientes com síndrome 
de Bernard-Soulier devem ser tratados com cautela em 
relação ao uso de anticoagulantes, pois o risco de 
sangramentos aumenta. 
 Terapia genética: Atualmente, não há uma terapia genética 
curativa disponível, mas o tratamento pode ser baseado na 
gestão de sintomas e na prevenção de complicações 
hemorrágicas. 
 Tratamento de episódios hemorrágicos agudos: Durante 
um episódio hemorrágico grave, pode ser necessário realizar 
uma série de intervenções, como transfusões de plaquetas 
repetidas ou tratamentos com medicamentos hemostáticos. 
 Cirurgia: Procedimentos invasivos ou cirúrgicos devem ser 
realizados com cautela, e os pacientes podem necessitar de 
transfusão de plaquetas pré-operatória ou perioperatória. 
 Acompanhamento clínico: Pacientes devem ser monitorados 
regularmente para detecção precoce de complicações e para 
ajustar o tratamento conforme necessário. 
 
 Cuidados com a gravidez: Durante a gravidez, as mulheres 
com a síndrome de BernardSoulier devem ser monitoradas de 
perto para possíveis complicações hemorrágicas. O parto pode 
precisar ser planejado de forma a minimizar o risco de 
sangramentos. 
 Prevenção de complicações: Além de tratamentos 
emergenciais para sangramentos, os pacientes devem ser 
educados sobre como evitar traumas ou lesões que possam 
desencadear hemorragias. 
A síndrome de Bernard-Soulier é uma doença rara, mas com o 
tratamento adequado e o monitoramento contínuo, as pessoas 
afetadas podem ter uma vida normal, com controle dos episódios 
hemorrágicos e redução do risco de complicações. 
 TROMBASTENIA DE GLANZMANN 
A trombastenia de Glanzmann é uma desordem 
hemorrágica rara, hereditária, que afeta a função das 
plaquetas, resultando em uma tendência aumentada a 
sangramentos. Ao contrário de outras trombopatias, a 
trombastenia de Glanzmann está associada a um defeito na 
agregação plaquetária, o que impede que as plaquetas se unam 
adequadamente para formar um tampão hemostático no local 
da lesão vascular. 
 Definição 
A trombastenia de Glanzmann é uma trombopatologia 
hereditária que resulta da deficiência ou disfunção das 
glicoproteínas da membrana plaquetária, especialmente a 
glicoproteína IIb/IIIa (integrina αIIbβ3), que é 
essencial para a agregação plaquetária. A disfunção dessa 
glicoproteína impede que as plaquetas se aglutinem 
adequadamente em resposta a estímulos, comprometendo 
a formação do tampão plaquetário e resultando em 
sangramentos espontâneos ou excessivos após lesões. 
Fisiopatologia 
 Defeito na glicoproteína IIb/IIIa: A glicoproteína 
IIb/IIIa é uma integrina expressa na superfície das 
plaquetas que desempenha um papel fundamental na 
ligação de plaquetas umas às outras através do fator de 
von Willebrand (vWF) ou fibrinogênio. Na 
trombastenia de Glanzmann, essa glicoproteína está 
ausente ou defeituosa, o que impede a agregação 
plaquetária eficiente. 
 Falha na formação do tampão plaquetário: A 
agregação plaquetária é crucial para a formação do 
tampão inicial na hemostasia primária. Sem essa 
agregação, o sangramento não é adequadamente 
controlado, resultando em sangramentos espontâneos, 
como hematomas e epistaxe, ou em sangramentos 
excessivos após trauma ou cirurgia. 
 
 17 
 Disfunção plaquetária: Embora as plaquetas na 
trombastenia de Glanzmann possam ser normais em 
número, elas não conseguem formar agregados estáveis. 
Isso compromete sua capacidade de interagir com o 
vaso sanguíneo e com outras plaquetas. 
 Etiologia 
 Herança: A trombastenia de Glanzmann é herdada de 
forma autossômica recessiva, o que significa que a 
pessoa afetada precisa herdar uma cópia do gene mutado 
de cada um dos pais. Em casos muito raros, a doença 
pode ser herdada de forma autossômica dominante. 
 Mutações no gene da glicoproteína IIb/IIIa: A 
principal causagenética da trombastenia de Glanzmann 
é a mutação nos genes que codificam as subunidades da 
glicoproteína IIb (ITGA2B) ou IIIa (ITGB3). Essas 
mutações resultam na deficiência ou disfunção das 
glicoproteínas plaquetárias. 
 Prevalência: A trombastenia de Glanzmann é uma 
condição rara, com estimativas de prevalência variando 
de 1 em 1.000.000 a 1 em 1.500.000 pessoas. 
Diagnóstico 
O diagnóstico da trombastenia de Glanzmann envolve uma 
combinação de avaliações clínicas e laboratoriais. 
 História clínica: Pacientes podem apresentar episódios 
hemorrágicos desde a infância, com sinais e sintomas 
como sangramentos nas gengivas, epistaxe, hematomas, 
menorragia e sangramentos após pequenos traumas. 
 Exame físico: Os sinais de sangramento, como 
petéquias (manchas vermelhas ou roxas na pele) e 
hematomas, são comuns. 
 Exames laboratoriais: 
1. Contagem de plaquetas: A contagem de 
plaquetas é tipicamente normal, mas a função das 
plaquetas está comprometida. 
2. Teste de agregação plaquetária: O exame de 
agregação plaquetária é fundamental para o 
diagnóstico. Na trombastenia de Glanzmann, as 
plaquetas não se agregam adequadamente com 
agonistas como ADP, colágeno, trombina ou 
epinefrina, devido à deficiência da glicoproteína 
IIb/IIIa. 
3. Microscopia: As plaquetas podem parecer 
normais em termos de número e morfologia ao 
microscópio, mas, como mencionado, elas não 
têm capacidade de formar agregados. 
4. Testes funcionais de plaquetas: Além dos testes 
de agregação, os testes de liberação de substâncias 
das plaquetas, como o ATP e a serotonina, podem 
ser anormais. 
5. Teste genético: A confirmação diagnóstica pode 
ser feita por meio de testes genéticos que 
identificam mutações nos genes da glicoproteína 
IIb/IIIa (ITGA2B e ITGB3). 
 Diagnóstico diferencial: A trombastenia de Glanzmann 
deve ser diferenciada de outras doenças hemorrágicas, 
como a doença de von Willebrand e a síndrome de 
Bernard-Soulier, por meio dos testes de função 
plaquetária e dos níveis de fator de Von Willebrand. 
Prognóstico 
 Prognóstico geral: A trombastenia de Glanzmann, se 
não tratada adequadamente, pode levar a episódios 
hemorrágicos graves e complicações, como 
hemorragias internas ou sangramentos pós-cirúrgicos. O 
prognóstico é geralmente bom com tratamento 
adequado. 
 Qualidade de vida: Pacientes com trombastenia de 
Glanzmann podem ter qualidade de vida comprometida 
devido ao risco contínuo de sangramentos. No entanto, 
com tratamento adequado, a maioria dos pacientes 
consegue levar uma vida normal. 
 Expectativa de vida: A expectativa de vida é 
geralmente normal em pacientes com trombastenia de 
Glanzmann, embora episódios hemorrágicos graves 
possam ocorrer. 
O controle adequado das hemorragias é fundamental 
para a manutenção da saúde. 
 Tratamento 
O tratamento da trombastenia de Glanzmann é baseado 
principalmente no manejo dos episódios hemorrágicos e na 
prevenção de complicações. 
 Tratamento de episódios hemorrágicos agudos: 
1. Transfusões de plaquetas: As transfusões de 
plaquetas são o tratamento de primeira linha para 
os episódios hemorrágicos graves. Como as 
plaquetas do paciente são disfuncionais, elas são 
substituídas por plaquetas normais. 
2. Transfusão de concentrado de fibrinogênio: 
Em alguns casos, pode ser necessário administrar 
fibrinogênio para ajudar a estabilizar o tampão 
hemostático. 
3. Desmopressina (DDAVP): Embora a 
desmopressina seja eficaz na doença de von 
Willebrand e em algumas outras trombopatias, ela 
tem efeito limitado na trombastenia de 
Glanzmann. 
 
 18 
 Tratamento preventivo: Em situações de risco de 
sangramento (como procedimentos cirúrgicos ou 
traumatismos), os pacientes podem ser tratados com 
transfusões de plaquetas profiláticas. 
 Terapias farmacológicas: Os antiagregantes 
plaquetários, como o ácido acetilsalicílico (AAS), são 
contraindicados, pois agravam o risco de sangramento. 
Também deve-se evitar medicamentos anticoagulantes 
em pacientes com trombastenia de Glanzmann. 
 Acompanhamento regular: A monitorização regular 
dos níveis de plaquetas e a avaliação da função 
plaquetária são essenciais para ajustar o tratamento 
conforme necessário. 
 Tratamento de suporte: Em casos de sangramentos 
leves a moderados, o manejo pode incluir a utilização de 
agentes hemostáticos e cuidados gerais com ferimentos. 
 
 Gestão da gravidez: As mulheres com trombastenia de 
Glanzmann devem ser monitoradas durante a gravidez, 
especialmente no momento do parto. Transfusões de 
plaquetas podem ser necessárias, e o parto pode ser 
planejado para minimizar o risco de sangramentos 
excessivos. 
 Cuidados com procedimentos invasivos: 
Procedimentos cirúrgicos e invasivos devem ser 
realizados com cautela, e os pacientes devem ser 
preparados com transfusões de plaquetas antes e depois 
de qualquer intervenção. 
 Prevenção de traumas: Os pacientes com trombastenia 
de Glanzmann devem ser instruídos a evitar atividades 
de alto risco que possam resultar em trauma e 
sangramentos. 
 
 
 
 
 
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