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1 Luara Paz Problema 1- Coagulação Objetivo 1: Descrever os mecanismos de coagulação ( Cascata de coagulação) O termo hemostasia significa prevenção da perda de sangue, sempre que um vaso sanguíneo é rompido, a hemostasia é obtida por vários mecanismos, são eles: 1- Constrição vascular ou Espasmo vascular 2- Formação de um tampão plaquetário 3- Formação de um coágulo sanguíneo 4- Crescimento de tecido fibroso no coágulo para fechar permanentemente o orifício no vaso ESPASMO VASCULAR Descreve o primeiro estágio da resposta do corpo ao rompimento de um vaso sanguíneo: o espasmo vascular. Esse processo é essencial para reduzir o fluxo sanguíneo na área afetada e minimizar a perda de sangue logo após o trauma. Essa contração vascular resulta de: 1. Espasmo miogênico local: A contração dos vasos sanguíneos após o dano é causada pela resposta dos próprios músculos lisos da parede do vaso. Quando há um corte ou rompimento, as células musculares lisas se contraem automaticamente, reduzindo o diâmetro do vaso e diminuindo o fluxo sanguíneo. Isso ocorre de maneira quase instantânea após o dano. 2. Fatores locais (autacoides): Quando o vaso é rompido, o tecido danificado libera substâncias chamadas autacoides, que são sinais químicos locais que atuam sobre os vasos sanguíneos. No caso do espasmo vascular, o endotélio (a camada de células que revestem os vasos) e as plaquetas liberam várias substâncias, como a serotonina e o tromboxano A2, que também têm efeito vasoconstritor, ajudando a diminuir o fluxo sanguíneo na região danificada. 3. Reflexos nervosos: O trauma também ativa nervos sensoriais na área afetada, causando reflexos que aumentam a vasoconstrição. A dor ou outros estímulos sensoriais gerados pela lesão podem sinalizar ao sistema nervoso para provocar vasoconstrição adicional. O papel das plaquetas é bem destacado aqui. Elas não só participam da formação do tampão plaquetário, mas também liberam o tromboxano A2, uma substância que tem um potente efeito vasoconstritor. Nos vasos menores, as plaquetas são fundamentais para essa constrição adicional. O espasmo vascular é uma resposta inicial, mas ele pode durar de minutos até horas, e quanto mais gravemente um vaso é traumatizado, maior é o grau de espasmo vascular. Esse tempo é importante, pois durante esse período, o corpo começa a formar tampão plaquetário e a iniciar o processo de coagulação sanguínea, que são os próximos passos para estancar o sangramento de maneira mais duradoura. O papel do tramboxano A2 O que é o Tromboxano A2? O tromboxano A2 é um lipídeo vasoativo e agregante plaquetário derivado dos ácidos graxos da membrana celular, especificamente do ácido araquidônico. Ele é produzido principalmente pelas plaquetas após a ativação, através de uma via enzimática que envolve a ciclooxigenase (COX). Como o Tromboxano A2 Age? 1. Vasoconstrição: O tromboxano A2 tem um efeito direto na contração dos músculos lisos das paredes dos vasos sanguíneos. Esse efeito vasoconstritor ajuda a reduzir o diâmetro do vaso sanguíneo rompido e diminuir a perda de sangue logo após o trauma. Em vasos menores, a contribuição do tromboxano A2 é ainda mais significativa para esse controle inicial do fluxo sanguíneo. 2. Agregação Plaquetária: Além de causar vasoconstrição, o tromboxano A2 também potencializa a agregação das plaquetas. Ele faz com que as plaquetas que estão circulando no sangue se "agreguem", ou seja, formem um tampão plaquetário na área da lesão, o que ajuda a estancar o sangramento temporariamente. O tromboxano A2 é um dos principais mediadores que atraem mais plaquetas para o local da lesão, onde elas se ligam umas às outras e à parede do vaso. 3. Amplificação da Resposta Coagulante: A formação de tromboxano A2 é parte de um ciclo de amplificação. À medida que as plaquetas se ativam e liberam tromboxano A2, ele não só ajuda nas ações de vasoconstrição e agregação, mas também pode ativar outras plaquetas para continuar o processo de formação do tampão. O Papel do Tromboxano A2 na Hemostasia e Coagulação Hemostasia primária: Durante os primeiros momentos após uma lesão vascular, a formação do tampão plaquetário é essencial. O tromboxano A2 desempenha um papel central em reunir as plaquetas e fazer com que elas formem esse tampão, limitando a perda de sangue. Ligação com o Sistema de Coagulação: Após a hemostasia primária, o tromboxano A2 ainda está envolvido na coagulação secundária ao ajudar na amplificação do processo que leva à formação de fibrina, o que finaliza o estancamento do sangue. 2 Importância Clínica do Tromboxano A2 O tromboxano A2 tem tanta importância que ele é um alvo terapêutico em várias condições clínicas. Por exemplo, medicações antiplaquetárias, como a aspirina, atuam inibindo a ciclooxigenase (COX), impedindo a produção do tromboxano A2 e, portanto, reduzindo a agregação plaquetária e o risco de eventos trombóticos (como infartos ou acidentes vasculares cerebrais). A aspirina faz isso ao inibir a COX-1, uma enzima que é crucial para a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas. TAMPÃO PLAQUETÁRIO O Papel das Plaquetas As plaquetas ou trombócitos são células do sangue, mas, ao contrário dos glóbulos vermelhos ou brancos, elas não têm núcleo. Elas são produzidas a partir dos megacariócitos na medula óssea e são fragmentos desses grandes precursores. Após sua liberação na corrente sanguínea, elas circulam por cerca de 8 a 12 dias antes de serem eliminadas pelo sistema de macrófagos, especialmente no baço. Características das Plaquetas Embora as plaquetas não tenham núcleos e não possam se reproduzir, elas são ricas em proteínas e organelas que são essenciais para o processo de coagulação: 1. Proteínas contráteis (actina, miosina e trombostenina) – permitem que as plaquetas mudem de forma e se contraiam, o que é essencial na formação do tampão. 2. Grânulos com substâncias ativas – que contêm, por exemplo, ADP e fator ativador de plaquetas (PAF), que ajudam a ativar outras plaquetas e a propagar a resposta de coagulação. 3. Fosfolipídios e glicoproteínas – essas moléculas na superfície das plaquetas são fundamentais para a adesão delas ao local da lesão. Formação do tampão plaquetário Mecanismo de formação do tampão plaquetário, que ocorre logo após a lesão de um vaso sanguíneo. 1. Exposição do colágeno: Quando o vaso se rompe, as fibras de colágeno no interior da parede vascular ficam expostas. Isso é crucial porque as plaquetas, que normalmente não aderem ao endotélio saudável, se ligam fortemente a essas fibras de colágeno expostas. 2. Ativação das plaquetas: Quando as plaquetas entram em contato com o colágeno, elas mudam drasticamente de forma. Elas se dilatam, assumem formas irregulares e começam a projetar pseudópodos, que são extensões da célula. Esse processo é facilitado pelas proteínas contráteis dentro das plaquetas (actina, miosina e trombostenina). 3. Liberação de grânulos: As plaquetas liberam grânulos contendo várias substâncias ativas, como ADP, PAF, e tromboxano A2. O ADP e o PAF ajudam a ativar outras plaquetas próximas, enquanto o tromboxano A2 tem efeito vasoconstritor e também promove a agregação plaquetária. 4. Adesão ao fator de von Willebrand (FvW): Além de se ligarem ao colágeno, as plaquetas também se aderem ao fator de von Willebrand (FvW), uma proteína plasmática que é liberada do plasma para a área da lesão. O FvWajuda a prender as plaquetas ao local da lesão e a garantir que elas formem um tampão estável. 5. Formação do Tampão Plaquetário: O resultado é que uma avalanche de plaquetas se acumula na área da lesão. Inicialmente, esse tampão é solto, mas ele pode ser suficiente para estancar o sangramento em casos de lesões menores. 6. Aperfeiçoamento com Fibrina: Em seguida, o processo de coagulação sanguínea começa, e as fibrinas (que são proteínas do sistema de coagulação) formam umarede de fibrina que se entrelaça com as plaquetas, tornando o tampão mais firme e definitivo. Esse processo gera um coágulo sanguíneo mais robusto que impede a perda contínua de sangue. Resumo do processo: 1. Lesão vascular expõe colágeno e outras substâncias da parede do vaso. 2. As plaquetas se ativam, mudam de forma e se aderem ao colágeno e ao fator de von Willebrand. 3. ADP, PAF e tromboxano A2 são liberados, ativando mais plaquetas, que aderem umas às outras. 4. As plaquetas formam um tampão plaquetário solto, mas eficaz, para estancar o sangramento. 5. O coágulo sanguíneo é reforçado com fibrina para formar um tampão definitivo. Esse tampão plaquetário é um mecanismo de hemostasia primária, essencial para controlar o sangramento enquanto o processo de coagulação sanguínea continua. Importância Clínica A formação do tampão plaquetário é crucial em situações de lesões pequenas e em locais onde a coagulação não é suficiente para parar o sangramento. Distúrbios que afetam a função das plaquetas, como a doença de von Willebrand ou a trombocitopatias, podem resultar em sangramentos excessivos, pois o tampão plaquetário não se forma corretamente. Fechamento de Rupturas Pequenas 3 O processo descrito aqui é fundamental para lidar com lesões microscópicas nos vasos sanguíneos, que acontecem a todo momento, mesmo sem que percebamos. Quando esses pequenos orifícios se formam, especialmente em vasos de calibre muito pequeno (como os capilares), o corpo depende das plaquetas para evitar a perda significativa de sangue. A formação do tampão plaquetário é o processo inicial crucial para parar o sangramento nessas situações. Mecanismo de Fechamento As plaquetas não apenas se agrupam e formam um tampão, mas em casos específicos, elas podem fundir-se com as células endoteliais danificadas e contribuir para a formação de uma nova camada celular endotelial, o que ajuda a reparar o vaso danificado. Esse processo é parte do mecanismo de reparo vascular. As plaquetas não se limitam a formar uma barreira temporária; elas também contribuem para o crescimento e regeneração das células endoteliais, o que ajuda a restaurar a integridade do vaso a longo prazo. Importância nas Lesões Pequenas Ocorrência frequente: Pequenos orifícios vasculares ocorrem continuamente no corpo, seja pela pressão, movimento ou outros fatores do cotidiano. Esses pequenos defeitos podem ser causados por pequenas lesões nas células endoteliais, a camada de células que reveste os vasos sanguíneos. Resposta rápida das plaquetas: As plaquetas são rapidamente atraídas para esses locais de lesão, onde elas se ativam, se agregam e formam o tampão plaquetário. Esse processo evita que o sangue vaze para os tecidos circundantes, o que poderia causar hematomas ou sangramentos visíveis. Prevenção de hemorragias visíveis: Em pessoas com níveis normais de plaquetas, esse mecanismo evita que as pequenas rupturas nos vasos resultem em sangramentos visíveis. Quando as plaquetas estão presentes em número adequado, as pequenas rupturas, como aquelas que causam as petéquias (pontos roxos ou vermelhos na pele), são fechadas antes que a hemorragia se torne visível. Caso da pessoa com baixa contagem de plaquetas Se uma pessoa tem uma baixa contagem de plaquetas, como nas condições trombocitopênicas (como na púrpura trombocitopênica), as plaquetas não conseguem formar tampões eficazes. Isso faz com que o corpo tenha dificuldade em estancar essas pequenas rupturas, resultando em petéquias ou equimoses (hematomas pequenos), que são visíveis na pele. Petéquias: São pontos pequenos, vermelhos ou roxos, que aparecem na pele devido a sangramentos microscópicos causados pela incapacidade das plaquetas de formar tampões adequados nas pequenas rupturas dos vasos capilares. Equimoses: São hematomas maiores que surgem devido à ruptura de vasos sanguíneos maiores, com um acúmulo de sangue sob a pele, que é mais comum em pessoas com plaquetas insuficientes. Esse mecanismo de formação do tampão plaquetário é crucial para a hemostasia primária. A ausência ou deficiência nas plaquetas pode levar a distúrbios hemorrágicos, nos quais o corpo não consegue estancar pequenas rupturas, levando a sangramentos internos e visíveis, como as petéquias, que são indicativos de uma falha no fechamento de orifícios vasculares pequenos. FORMAÇÃO DO COÁGULO SANGUÍNEO O processo de coagulação sanguínea é um evento fundamental para a hemostasia (cessação de sangramento) após a ruptura de um vaso sanguíneo. Esse processo começa rapidamente após o traumatismo vascular. A formação do coágulo é iniciada pela ativação de vários componentes no sangue e na parede do vaso danificado: Em 15 a 20 segundos (para lesões graves) ou 1 a 2 minutos (para lesões menores), as substâncias ativadoras presentes na parede vascular danificada, nas plaquetas e nas proteínas do plasma (como a protrombina) começam a reagir, ativando os fatores de coagulação. Esse processo resulta na formação de uma rede de fibrina, que é responsável por selar a abertura no vaso e impedir a perda excessiva de sangue. Em 3 a 6 minutos após a ruptura do vaso, o coágulo já preenche a abertura do vaso, desde que o defeito não seja grande. Entre 20 a 60 minutos, o coágulo começa a retrair-se, um processo que ajuda a fechar ainda mais o vaso e a estabilizar a formação do coágulo. Após a formação inicial do coágulo, as plaquetas desempenham um papel crucial na retração do coágulo. Esse processo envolve as plaquetas se contraírem e puxarem as bordas do vaso para dentro, ajudando a reduzir a abertura e contribuindo para o fechamento do vaso.\ Destinos do Coágulo Após a formação do coágulo, ele pode seguir dois caminhos principais: Invasão por fibroblastos: O coágulo é gradualmente substituído por tecido conjuntivo (fibroso), que é formado pelos fibroblastos. Esse processo começa algumas horas após a formação do coágulo e pode levar de 1 a 2 semanas para ser concluído. Durante esse período, o coágulo é organizado e convertido em uma estrutura mais permanente que ajuda a selar o vaso danificado. 4 Dissolução: Se o coágulo foi formado em excesso ou em áreas desnecessárias, ele pode ser dissolvido por enzimas específicas ativadas dentro do próprio coágulo. Fatores de Coagulação Lista dos principais fatores de coagulação envolvidos no processo de coagulação. Esses fatores trabalham em sequência para formar a rede de fibrina que sela a ruptura no vaso. Fator I (Fibrinogênio): A principal proteína que será convertida em fibrina, formando a rede do coágulo. Fator II (Protrombina): Sua conversão em trombina é crucial para a transformação do fibrinogênio em fibrina. Fator III (Fator tecidual ou tromboplastina tecidual): Liberado pela parede vascular danificada e inicia a via extrínseca de coagulação. Fator IV (Cálcio): Essencial para várias etapas da cascata de coagulação. Fator Vb: Proacelerina; fator- lábil; Ac- globulina Fator VII: acelerador da conversão de protrombina sérica; proconvertina; fator estável Fator VII: Fator anti- hemofílico, globulina anti- hemofílica, fator anti-hemofílico A Fator IX: Componente da tromboplastina plasmática; fator de Christmas; Fator anti hemofílico-B Fator X: Fator de Stuart Fator XI: Fator anti hemofílico C Fator XII: Fator de Hageman Fator XIII (Fator estabilizador da fibrina): Ajuda a estabilizar a rede de fibrina e a fortalecer o coágulo. Obs: fator VI não aparece pois descobriu-se que ele e o fator V são a mesma molécula, a proacelerina. A formação do coágulo é fundamental para estancar a perda de sangue após a ruptura de um vaso sanguíneo. O processo de retração do coágulo ajuda a reduzir ainda mais o fluxo sanguíneo, garantindo que a abertura do vaso seja completamente fechada. Quando um coágulo não é mais necessário, ele pode ser dissolvido por um processo chamado fibrinólise, mediadopor enzimas como a plasmina, que degradam a fibrina e ajudam a restaurar o fluxo sanguíneo normal. Mecanismo Geral da Coagulação A coagulação depende de um equilíbrio entre substâncias pró- coagulantes (que promovem a coagulação) e substâncias anticoagulantes (que inibem a coagulação). Em condições normais, os anticoagulantes predominam, evitando a coagulação do sangue enquanto circula pelos vasos sanguíneos. No entanto, quando um vaso é rompido, os pró-coagulantes da área lesionada são ativados, ultrapassando os anticoagulantes, e um coágulo se forma. Etapas da Coagulação 1. Ativação do Ativador da Protrombina A ruptura do vaso ou o dano ao sangue leva a uma cascata de reações químicas envolvendo mais de 12 fatores de coagulação. O resultado dessa cascata é a formação do ativador da protrombina. 2. Conversão de Protrombina em Trombina O ativador da protrombina catalisa a conversão da protrombina (uma proteína plasmática) em trombina. Cálcio iônico (Ca²⁺) é necessário para que essa conversão ocorra. 3. Conversão de Fibrinogênio em Fibrina A trombina então converte fibrinogênio (uma proteína plasmática) em fibrina. A fibrina forma filamentos, que se entrelaçam e ajudam a formar o coágulo. Processos Envolvidos Conversão da Protrombina em Trombina A protrombina é produzida pelo fígado e circula no sangue em uma concentração controlada. Quando um vaso sanguíneo é rompido, o ativador da protrombina é gerado, iniciando a conversão da protrombina em trombina. 5 A trombina, em sua forma ativada, é crucial para a formação da rede de fibrina. Conversão de Fibrinogênio em Fibrina O fibrinogênio é uma proteína de alto peso molecular, produzida no fígado, que circula no plasma sanguíneo. Quando o fibrinogênio entra em contato com a trombina, ele sofre uma proteólise (quebra enzimática) para gerar monômeros de fibrina. Esses monômeros se polimerizam rapidamente para formar filamentos de fibrina, que formam uma rede que aprisiona células sanguíneas, plaquetas e plasma, criando o coágulo. Ação do Fator Estabilizador da Fibrina Inicialmente, os filamentos de fibrina formados são relativamente fracos e podem ser facilmente rompidos. Contudo, um processo adicional fortalece essa rede. O fator estabilizador da fibrina, que é ativado pela trombina, forma ligações covalentes entre os monômeros de fibrina, criando uma rede tridimensional de fibrina mais forte e resistente. Esse fator estabilizador ajuda a tornar o coágulo mais durável e resistente ao rompimento, essencial para impedir a perda de sangue a longo prazo. Formação e Aderência do Coágulo O coágulo é composto por uma rede de fibrina que aprisiona células sanguíneas (como os glóbulos vermelhos), plaquetas e plasma. Os filamentos de fibrina aderem às superfícies danificadas dos vasos sanguíneos, tornando o coágulo aderente à abertura no vaso rompido, ajudando a selar a lesão e a evitar mais sangramentos. Retração do Coágulo e Expulsão do Soro Após a formação do coágulo, ocorre um processo de retração: Retração do coágulo: Em 20 a 60 minutos, o coágulo começa a se contrair, ajudando a aproximar as bordas do vaso rompido. Esse processo é indispensável para a hemostasia e é promovido pelas plaquetas. Durante a retração, o líquido presente no coágulo, chamado de soro, é expelido. O soro é o fluido que não contém fibrinogênio e não pode coagular, pois este componente foi removido. Importância das Plaquetas na Coagulação As plaquetas são essenciais para iniciar e sustentar o processo de coagulação, porque: Elas liberam substâncias que promovem a coagulação (como o fator estabilizador da fibrina). Elas se ligam aos filamentos de fibrina, ajudando a estabilizar a rede e promovendo a retração do coágulo. As plaquetas ativam proteínas contráteis (como trombostenina, actina e miosina) que ajudam a contrair o coágulo. O feedback positivo no processo de formação do coágulo é uma parte crucial da coagulação sanguínea, permitindo a amplificação da resposta inicial e garantindo que o coágulo cresça rapidamente até que o sangramento seja controlado. Feedback Positivo na Formação do Coágulo Ação Proteolítica da Trombina A trombina, uma enzima chave no processo de coagulação, não apenas converte o fibrinogênio em fibrina, mas também age diretamente sobre vários fatores de coagulação que ajudam a continuar o processo de coagulação. Um dos efeitos mais importantes da trombina é a conversão da protrombina em mais trombina. Esse efeito autocatalítico de amplificação é essencial para a continuidade do processo de coagulação. Além disso, a trombina ativa outros fatores de coagulação como fator V, fator VIII, e fator XI, o que ajuda a acelerar ainda mais a formação de trombina. Feedback Positivo A formação de trombina gera um ciclo de feedback positivo, onde a produção de trombina acelera o processo de coagulação, promovendo a formação de mais trombina e mais fibrina, até que o sangramento seja estancado.Quando a trombina alcança uma 6 quantidade crítica, o feedback positivo expande rapidamente o coágulo. Vias de Coagulação Via extrínseca Liberação do Fator Tecidual (TF) Quando ocorre um traumatismo na parede do vaso sanguíneo ou nos tecidos ao redor, as células danificadas do tecido liberam o Fator Tecidual (TF), também chamado de Tromboplastina Tecidual. O Fator Tecidual é composto principalmente por fosfolipídios provenientes das membranas das células do tecido danificado. Ele também contém uma lipoproteína com atividade enzimática que tem um papel fundamental na ativação dos fatores subsequentes da coagulação. Ativação do Fator VII O Fator VII é uma proteína presente no plasma sanguíneo. Quando o Fator VII se liga ao Fator Tecidual (TF), ele se ativa para formar Fator VIIa. Fator VIIa tem capacidade de ativar outras proteínas do processo de coagulação, especialmente o Fator X, mas somente na presença de cálcio (Ca²⁺), um íon essencial para o processo de coagulação. Ativação do Fator X O Fator VIIa, junto com o Fator Tecidual (TF) e a presença de cálcio (Ca²⁺), ativa o Fator X. O Fator X ativado (Xa) é uma enzima proteolítica crucial na coagulação, responsável por iniciar a transformação da protrombina em trombina. Formação do Complexo Ativador da Protrombina O Fator Xa (Fator X ativado) não age sozinho. Ele se combina com o Fator V, que está inicialmente inativo. Essa combinação de Fator Xa, Fator V e fosfolipídios (originários das membranas das células danificadas e das plaquetas) forma o complexo ativador da protrombina. Esse complexo é crucial para a clivagem da protrombina em trombina. Importante: O Fator V é ativado pela trombina após o início da coagulação, amplificando o processo. Conversão de Protrombina em Tromina O complexo ativador da protrombina, agora formado, cliva a protrombina (uma proteína plasmática inativa) para transformá-la em trombina. A trombina é a enzima principal no processo de coagulação, e sua formação marca o início da fase final da coagulação. Ela tem várias funções essenciais: Conversão de fibrinogênio em fibrina, formando a rede de fibrina que ajuda a estancar o sangramento. Ativação de mais plaquetas para formar um tampão plaquetário. Ativação de outros fatores da coagulação que intensificam o processo, criando o feedback positivo, acelerando ainda mais a coagulação. Resumo Fator Tecidual liberado pelo tecido danificado, composto por fosfolipídios e lipoproteínas com atividade enzimática. O Fator VII se liga ao Fator Tecidual, formando VIIa, o que ativa a próxima etapa da coagulação. Fator VIIa e o Fator Tecidual, com a presença de cálcio (Ca²⁺), ativam o Fator X, formando o Fator Xa. O Fator Xa se combina com o Fator V (inativo inicialmente) e os fosfolipídios para formar o complexo ativador da protrombina. Esse complexo ativa a protrombina, transformando-aem trombina. A trombina é gerada, que inicia a fase final da coagulação, ativando fibrinogênio em fibrina e promovendo o fechamento do ferimento. 7 Via intrínseca Ativação do Fator XII (Fator Hageman) Quando o sangue entra em contato com uma superfície traumatizada ou com colágeno exposto, ocorre a ativação do Fator XII, também conhecido como Fator Hageman. O Fator XII, que é uma proteína plasmática inativa, passa por uma alteração conformacional ao entrar em contato com a superfície danificada (como colágeno ou vidro). Isso converte o Fator XII em Fator XIIa, uma enzima proteolítica. O Fator XIIa ativa uma série de eventos subsequentes ao clivar outras proteínas envolvidas na coagulação. Liberação de Fosfolipídios das Plaquetas O traumatismo do sangue também resulta no danos às plaquetas, que, ao se aderirem ao colágeno, liberam fosfolipídios plaquetários (como a lipoproteína chamada fator plaquetário 3). Esses fosfolipídios servem como superfície para a reação enzimática de coagulação e ajudam a acelerar o processo. Ativação do Fator XI O Fator XIIa atua sobre o Fator XI, ativando-o para o Fator XIa. O Fator XIa então desempenha um papel essencial, ativando o Fator IX na próxima etapa da via intrínseca. A ativação do Fator XI também é acelerada pela pré-calicreína e pelo cininogênio de alto peso molecular presentes no sangue. Ativação do Fator IX O Fator XIa então ativa o Fator IX, que, após ativado, se torna o Fator IXa. O Fator IXa é crucial porque ele vai formar um complexo com o Fator VIIIa na próxima etapa. Ativação do Fator X – Papel do Fator VIII O Fator IXa, em conjunto com o Fator VIIIa (que foi previamente ativado pela trombina), forma um complexo enzimático. Esse complexo IXa-VIIIa, juntamente com os fosfolipídios plaquetários e o cálcio (Ca²⁺), ativa o Fator X, que se converte no Fator Xa. O Fator VIII é crucial nessa etapa. Na hemofilia clássica, o Fator VIII está ausente ou deficiente, o que resulta em uma falha na ativação do Fator X. Além disso, em condições como a trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas), a ativação do Fator X também pode ser comprometida. Formação do Complexo Ativador da Protrombina O Fator Xa, assim como ocorre na via extrínseca, precisa do Fator V para continuar a reação. O Fator Xa, em conjunto com o Fator V (que precisa ser ativado pela trombina), os fosfolipídios das plaquetas ou tecidos danificados, forma o complexo ativador da protrombina. Esse complexo cliva a protrombina para gerar trombina. Conversão de Protrombina em Trombina A trombina gerada nessa etapa será responsável por promover a formação do coágulo sanguíneo, convertendo fibrinogênio em fibrina, e realizando outras ações que ajudam a selar o ferimento, como ativar mais plaquetas. 8 Resumindo Fator XII é ativado ao entrar em contato com superfícies danificadas (como o colágeno). As plaquetas se aderem ao colágeno e liberam fosfolipídios, essencial para o processo. O Fator XIIa ativa o Fator XI para Fator XIa. O Fator XIa ativa o Fator IX para Fator IXa. O Fator IXa, em conjunto com o Fator VIIIa e fosfolipídios, ativa o Fator X para Fator Xa. O Fator Xa, em conjunto com o Fator V e fosfolipídios, ativa a protrombina para formar trombina. A trombina é gerada e começa a formar a rede de fibrina, fechando o ferimento. A principal diferença entre a via intrínseca e a via extrínseca é que a via extrínseca é mais rápida e ocorre em questão de segundos, enquanto a via intrínseca é mais lenta, geralmente demorando de 1 a 6 minutos. No entanto, ambas as vias trabalham em conjunto para garantir que o processo de coagulação seja eficiente e rápido. Assim como na via extrínseca, a via intrínseca também envolve um feedback positivo. Uma vez que a trombina é gerada, ela ativa o Fator V, amplificando ainda mais a formação de trombina, o que acelera a coagulação Aspecto Via Extrínseca Via Intrínseca Início da ativação Inicia com o trauma nos tecidos fora do vaso sanguíneo ou na parede vascular (colágeno exposto). Inicia com o trauma ao próprio sangue ou a exposição ao colágeno da parede do vaso. Fatores principais envolvidos Fator Tecidual (ou tromboplastina tecidual), Fator VII. Fator XII, Fator XI, Fator IX, Fator VIII. Velocidade Muito rápida, a coagulação pode ocorrer em segundos (15-20 segundos). Mais lenta, pode levar de 1 a 6 minutos para formar o coágulo. Papel do Fator Tecidual Liberado do tecido danificado, inicia a formação do ativador da protrombina. Não envolve fator tecidual, mas usa o contato do sangue com superfícies danificadas. Ativação do Fator X Fator X é ativado pelo complexo Fator VII + Fator Tecidual. Fator X é ativado pela combinação de Fator IXa, Fator VIIIa, e fosfolipídios plaquetários. Feedback positivo Trombina gerada pelo ativador da protrombina acelera o processo de coagulação. Trombina gerada também ativa o Fator V, que acelera ainda mais a formação de trombina. Importância clínica Crucial em lesões de grande porte, onde a ativação rápida é necessária. Essencial para o processo de coagulação em pequenos vasos sanguíneos e após o início do processo por via extrínseca. Exemplo de doença relacionada Deficiência do Fator VII (síndrome de deficiência de VII). Deficiência do Fator VIII (hemofilia clássica) ou Fator IX (hemofilia B). 9 Ou seja: Via Extrínseca: Rápida, iniciada por lesões nos tecidos fora dos vasos, e essencial para uma coagulação imediata. Via Intrínseca: Mais lenta, depende de uma cascata mais longa de reações, e é crucial para amplificar a resposta da coagulação após o início pela via extrínseca. Essas vias trabalham simultaneamente após o dano ao vaso sanguíneo para formar um coágulo eficaz e rápido. A cascata de coagulação é um conjunto de reações bioquímicas que ocorrem no sangue para formar um coágulo e evitar hemorragias. Esse processo envolve uma série de proteínas chamadas fatores de coagulação, que são ativadas sequencialmente numa espécie de “efeito dominó”. Fases da Cascata da Coagulação 1. Fase de Iniciação A coagulação começa por dois caminhos: Via Extrínseca: ativada por lesão tecidual → envolve o Fator Tissular (TF) e Fator VII. Via Intrínseca: ativada pelo contato do sangue com superfícies anormais → envolve Fatores XII, XI, IX e VIII. 2. Fase de Amplificação Ambas as vias convergem na ativação do Fator X, iniciando a Via Comum. O Fator X converte a protrombina (Fator II) em trombina (Fator IIa). 3. Fase de Propagação A trombina transforma fibrinogénio em fibrina, que é a proteína responsável por formar a malha do coágulo. O Fator XIII estabiliza a fibrina, tornando o coágulo mais resistente. Regulação da Coagulação Para evitar coágulos excessivos, o corpo usa mecanismos de controle, como: Antitrombina III (inibe trombina e outros fatores). Proteína C e Proteína S (regulam os fatores V e VIII). OBJETIVO 2- Classificar as hemorragias de acordo com o volume de sangue perdido Geralmente, o exame físico é capaz de fornecer todas as informações necessárias sobre a perda de sangue. Nessa etapa, é importante lembrar de que a hemorragia provoca respostas orgânicas diferentes em idosos, atletas, crianças e indivíduos com doenças crônicas. Quanto ao tipo, os quadros hemorrágicos podem ser arteriais, venosos ou capilares. Nos arteriais, o sangue é liberado em um jato pulsátil, com coloração vermelho viva. Os rompimentos venosos, por sua vez, provocam um vazamento mais lento, de tom mais escuro, em que o sangue escorre pela ferida. Os vazamentos capilares são mais superficiais, caracterizando-se pela cor intermediária e pelo gotejamento lento. Em relação à localização, as hemorragias podem ser externas ou internas. As primeiras são facilmente identificáveis, e as internas representam um desafio maior.Pacientes nessa situação costumam apresentar palidez, fadiga, pulso rápido e fraco, sede, queda de pressão, respiração acelerada, náuseas ou vômitos com sangue, desmaios e confusão mental. Existe ainda uma terceira classificação, referente às hemorragias internas que se exteriorizam. Nesses casos, o sangue é encontrado nas fezes, na urina, no útero, na tosse ou no nariz. Com base nos sinais clínicos mencionados, o Guia de Suporte Avançado de Vida no Trauma (Advanced Trauma Life Suport – ATLS) do Colégio Americano de Cirurgiões descreve quatro classes de hemorragia, que estimam o nível da perda sanguínea: >> CLASSE I: perda de menos de 15% do volume total de sangue e sinais vitais normais. Pacientes saudáveis não necessitam de transfusão. >> CLASSE II: perda entre 15% e 30% do volume sanguíneo. Há taquicardia, taquipneia e pressão de pulso diminuída. Algumas pessoas se estabilizam com soluções cristaloides, outras precisam de transfusão. >> CLASSE III: perda de 31% a 40% do sangue, com queda da pressão arterial e alteração do estado mental. Frequência cardíaca e respiratória se elevam. É necessário administrar concentrado de hemáticas e demais produtos sanguíneos. >> CLASSE IV: perda de mais de 40% do volume sanguíneo, resultado em depressão significativa da pressão arterial e do estado mental. Há taquicardia de mais de 140bpm e redução expressiva da diurese. É preciso realizar transfusão e procedimento cirúrgico imediato. Manejo e controle de hemorragias Independentemente da origem, do local e do tipo da hemorragia, o primeiro passo é tentar estancar o sangramento. Perdas sanguíneas óbvias em áreas compressíveis devem receber pressão direta. Se o método não for suficiente, pode-se recorrer ao torniquete. Atualmente, o uso de “pontos de pressão” é desaconselhado, uma https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/manejo-de-hemorragias-digestivas/ https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/manejo-de-hemorragias-digestivas/ https://secad.artmed.com.br/blog/medicina/manejo-de-hemorragias-digestivas/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535393/ 10 vez que a circulação colateral invalida a técnica rapidamente. Se o paciente já chegar ao hospital com torniquete, é preciso avaliar o tempo de permanência do recurso antes de decidir soltá-lo. Os casos não compressíveis se concentram na região do tronco e das suas junções, e normalmente necessitam de cirurgias complexas. Até iniciar o procedimento, utilizamse agentes hemostáticos de escolha, como a gaze cirúrgica com silicato de alumínio. Após compactar o agente no local afetado, realiza-se pressão direta (mas não intensa) por três minutos. Outras ações, como o tamponamento, também podem ser empregadas no cuidado do indivíduo com hemorragia não compressiva. Se a perda sanguínea continuar mesmo após a intervenção cirúrgica, é possível optar por toracotomia ressuscitativa (RT), oclusão de aoarta endovascular reanimadora (REBOA) ou até pelo uso de medicamentos que aumentam a capacidade de formar coágulos, como o ácido tranexâmico, fibrinogênio e Concentrado de complexo de protrombina (PCC). OBJETIVO 3 Púrpura Trombocitopênica trombótica O que é a PTT? A PTT é uma microangiopatia trombótica caracterizada por: ✅ Trombocitopenia (queda no número de plaquetas) ✅ Hemólise microangiopática (destruição das hemácias nos pequenos vasos) ✅ Trombose generalizada na microcirculação Ela pode ser adquirida (mais comum) ou congénita (rara). Causa/Fisiopatologia O problema central é a deficiência da enzima ADAMTS13, que normalmente quebra os multímeros gigantes do Fator de von Willebrand (FVW). Sem essa quebra, essas moléculas de FVW permanecem grandes e grudam nas plaquetas, formando microtrombosna circulação. Esses trombos obstruem os pequenos vasos, levando à destruição das hemácias (formação de esquizócitos) e à redução das plaquetas. Deficiência ou Inibição de ADAMTS 13 A ADAMTS13 é uma metaloproteinase (uma enzima que quebra proteínas) essencial para o processamento do fator de von Willebrand (vWF), uma proteína que ajuda as plaquetas a se agregarem e formarem coágulos sanguíneos. Em condições normais, a ADAMTS13 corta as longas cadeias do vWF em fragmentos menores, que são mais seguros para a circulação. Na PTT, por algum motivo, há deficiência ou inibição da ADAMTS13. A causa pode ser: Autoimune: Quando o sistema imunológico produz anticorpos que bloqueiam a função da ADAMTS13, isso é chamado de PTT idiopática. Congênita: Quando há uma mutação genética que resulta em uma produção insuficiente ou disfuncional da ADAMTS13, levando à PTT hereditária (Síndrome de UpshawSchulman). Sem a função normal da ADAMTS13, o vWF permanece em sua forma longa e ativa, o que favorece a agregação das plaquetas. Formação de Microcoágulos O vWF ativo, em sua forma mais longa, tem uma maior capacidade de se ligar às plaquetas, levando à formação de microcoágulos. Esses coágulos são formados principalmente em pequenos vasos sanguíneos, como capilares e arteriolas, e podem ser vistos como uma obstrução da microcirculação. Danos às Plaquetas e Anemia Hemolítica A formação de microcoágulos consome as plaquetas. Como os coágulos são compostos em grande parte por plaquetas, elas são “capturadas” nos locais de formação do coágulo e removidas da circulação. Isso resulta em trombocitopenia(baixa contagem de plaquetas). Além disso, a passagem dos glóbulos vermelhos pelos microcoágulos causa a sua ruptura (hemólise), o que leva à anemia hemolítica microangiopática. A hemólise ocorre porque os glóbulos vermelhos são literalmente “rasgados” ao passar pelos vasos sanguíneos obstruídos pelos coágulos. Lesão Endotelial Os microcoágulos podem lesionar as células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos. Essas lesões promovem ainda mais a agregação de plaquetas e a formação de novos coágulos, agravando o ciclo de trombocitopenia e microangiopatia. Isquemia e Danos a Órgãos À medida que os microcoágulos bloqueiam os pequenos vasos, há redução no fluxo sanguíneo para os órgãos vitais. Isso pode levar a isquemia (falta de oxigenação dos tecidos) e dano a órgãos, com destaque para: • Rins: Os rins são frequentemente afetados, podendo levar à insuficiência renal aguda. • Cérebro: Pode ocorrer comprometimento neurológico, como alterações de consciência, convulsões e até coma. • Coração: Em alguns casos, pode ocorrer dano cardíaco. http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento. http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento. http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento. http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento. http://rmmg.org/artigo/detalhes/413#:~:text=Os%20agentes%20hemost%C3%A1ticos%20s%C3%A3o%20divididos,pressionando%20o%20local%20do%20sangramento. 11 Inflamação e Liberação de Substâncias O processo de microcoagulação e a lesão endotelial podem desencadear uma resposta inflamatória, o que agrava a situação e contribui para o aumento da liberação de substâncias pró- coagulantes, criando um ciclo vicioso de coagulação. Formas Secundárias da PTT Embora a forma idiopática da PTT seja mais comum, ela também pode ocorrer como PTT secundária, ou seja, causada por outros fatores. Alguns fatores desencadeantes incluem:Infecções (como a infecção por E. coli que produz toxinas) Transplante de células-tronco hematopoéticas Uso de medicamentos como inibidores da calcineurina, que são usados para prevenir a rejeição em transplantes. Gravidez, especialmente em casos de eclâmpsia. Complicações e Prognóstico O quadro da PTT pode evoluir rapidamente para falência de múltiplos órgãos, especialmente se o tratamento não for iniciado precocemente. O prognóstico tem melhorado muito com o uso da plasmaférese, que é um tratamento capaz de remover as toxinas e anticorpos envolvidos no processo, além de repor a ADAMTS13. Como se manifesta? Os sintomas podem ser súbitos ou lentos e afetam vários órgãos: 🔹 Neurológicos: Confusão, dor de cabeça, convulsões, coma 🔹 Hematológicos: Palidez, icterícia (pelo aumento da destruição das hemácias) 🔹 Sangramentos: Manchas roxas na pele (púrpura), sangramento gengival ou nasal 🔹 Febre (presente em cerca de 50% dos casos) 🔹 Alterações renais (insuficiência renal não é comum na PTT clássica) A evolução pode ser rápida e grave, por isso é uma emergência médica. O que é Microangiopatia Trombótica (MAT)? A Microangiopatia Trombótica (MAT) é um grupo de doenças caracterizadas pela formação de microtrombos na microcirculação (pequenos vasos sanguíneos), levando à destruição das hemácias (hemólise microangiopática) e queda no número de plaquetas (trombocitopenia). Mecanismo da Microangiopatia Trombótica • Dano ao endotélio dos pequenos vasos → Isso leva à ativação das plaquetas e formação de pequenos trombos. • Obstrução dos vasos por trombos → Dificulta a circulação sanguínea. • Esquizócitos (hemácias fragmentadas) → Como os vasos estão parcialmente bloqueados, as hemácias tentam passar, mas acabam sendo destruídas mecanicamente. • Trombocitopenia (queda das plaquetas) → As plaquetas são consumidas na formação dos trombos. Doenças associadas à Microangiopatia Trombótica 🔹 Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT) → Causada pela deficiência da enzima ADAMTS13, levando à formação de trombos plaquetários. 🔹 Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) → Mais comum em crianças, associada a infeções por E. coli O157:H7, que libera toxinas prejudicando o endotélio. 🔹 Síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de Enzimas Hepáticas e Plaquetopenia) → Complicação grave da pré-eclâmpsia. 🔹 Doenças autoimunes → Como lúpus e síndrome do anticorpo antifosfolípide. 🔹 Hipertensão maligna → Pode causar dano endotelial e levar à MAT. Achados laboratoriais A PTT é caracterizada por anemia hemolítica microangiopática e trombocitopenia, o que significa: Anemia normocrômica e normocítica → os glóbulos vermelhos têm tamanho e coloração normais. Presença de esquizócitos → fragmentos de hemácias no exame de sangue, sinal de destruição dos glóbulos vermelhos. Aumento de reticulócitos → porque a medula óssea tenta compensar a destruição das hemácias. Elevação da DHL (Desidrogenase Lática) e bilirrubina indireta → indica destruição das hemácias Diagnóstico Antigamente, era necessário um conjunto de 5 sintomas para fechar o diagnóstico: 1. Anemia hemolítica microangiopática 2. Trombocitopenia 12 3. Sintomas neurológicos 4. Disfunção renal 5. Febre Atualmente, só a anemia hemolítica microangiopática e a trombocitopenia já justificam iniciar o tratamento. Como a PTT pode ser fulminante, o tratamento deve começar o mais rápido possível, sem esperar exames confirmatórios. Exame ADAMTS13 Essa enzima é responsável por evitar a formação excessiva de coágulos no sangue. Na PTT, ela está muito reduzida (Imunoglobulina intravenosa (IVIG): Pode ser utilizada em alta dose para aumentar a contagem de plaquetas e interromper o processo de destruição. Tratamentos alternativos: Quando os corticoides não são eficazes, pode-se usar medicamentos imunossupressores como azatioprina, ciclofosfamida e agentes como o danazol. Estes tratamentos são mais usados em casos refratários. A resposta ao tratamento é avaliada pela redução do sangramento e pelo aumento da contagem de plaquetas, com um foco maior em tratar os sintomas (sangramentos) do que em normalizar a contagem de plaquetas. Efeitos do Corticoide: A prednisona age por três mecanismos principais: 1. Inibe a função dos macrófagos no sistema reticuloendotelial. 2. Diminui a produção de autoanticorpos. 3. Estimula a medula óssea a produzir mais plaquetas. Embora a prednisona seja eficaz, outros corticosteroides, como a metilprednisolona ou dexametasona, não demonstraram benefícios adicionais e podem ter mais efeitos colaterais. A administração de dexametasona em doses altas é às vezes tentada em pacientes refratários, mas seus efeitos não são conclusivos e a imunossupressão de longo prazo pode ser um problema. Em geral, o tratamento é personalizado e depende da resposta do paciente, com foco em evitar complicações hemorrágicas e melhorar a qualidade de vida. Imunoglobulina em Alta Dose O que é: A imunoglobulina intravenosa (Ig IV) foi uma das primeiras terapias eficazes para PTI, sendo usada principalmente em altas doses. Dose: Varia entre 400 e 1.000 mg/kg/dia por 2 a 5 dias consecutivos. Indicação: É eficaz para o controle de sangramentos graves e preparação para procedimentos cirúrgicos. Eficácia: Em 70 a 90% dos casos, a resposta inicial é boa, mas é temporária, o que a torna útil principalmente para controle emergencial. Administração: A infusão deve ser realizada em ambiente hospitalar, pois pode causar reações adversas como cefaleia, febre, tremores, náuseas e até complicações graves como anafilaxia e meningite asséptica. Mecanismo de Ação: 1. Bloqueia os receptores nos macrófagos responsáveis pela destruição das plaquetas. 2. Contém anticorpos anti-idiotípicos que ajudam a reduzir os autoanticorpos que causam a PTI. Imunoglobulina Anti-D: Mais eficaz em pacientes Rh positivos, mas não está disponível em todos os países e parece ter menor eficácia que a Ig IV. Esplenectomia A esplenectomia é a remoção cirúrgica do baço, indicado para pacientes que não respondem ao tratamentos convencionais, como os corticoides. Indicação: Pacientes com trombocitopenia severa (plaquetas abaixo de 20.000/μL) e sangramentos graves. Apresenta uma taxa de sucesso de cerca de 70% a longo prazo. Mecanismo de Ação: Remove o baço, que é o principal local de destruição das plaquetas, além de reduzir a produção dos autoanticorpos que atacam as plaquetas. O risco de complicações é muito baixo, mas pode ocorrer infecção, abscesso ou trombose. A vacinação contra pneumococos e hemófilos e o uso de antibióticos são recomendados no pós-operatório. Abordagem Laparoscópica: A esplenectomia pode ser feita por laparoscopia, que reduz o tempo de internação e a complexidade do procedimento. 14 Riscos: Pacientes com recidiva após esplenectomia devem investigar a presença de baço acessório, que, se presente, pode ser removido para uma nova remissão. Outros Tratamentos Quando usados: Para pacientes que são refratários ao tratamento com corticoides e esplenectomia, ou que continuam apresentando sangramentos. Agentes Imunossupressores: Azatioprina (1-2 mg/kg/dia) e Ciclofosfamida (1-2 mg/kg/dia por 3-12 semanas): Ambas reduzem a produção de anticorpos que atacam as plaquetas. Vincristina (1-2 mg IV por semana por 2-4 semanas): Pode reduzir a fagocitose das plaquetas sensibilizadas. Porém, pode causar neurotoxicidade. Danazol (200 mg 2-3 vezes/dia por 8-14 semanas): Tem efeitos androgênicos (como acne, ganho de peso) e pode causar hepatotoxicidade. Colchicina (0,6 mg 3-4 vezes/dia): Também reduz a fagocitose das plaquetas, mas pode causar diarreia. Eficácia: A resposta a esses tratamentos varia entre 30% e 70%. A decisão de utilizá-los depende dos efeitos colaterais e da gravidade do quadro. Rituximabe O que é: Anticorpo monoclonal que visa diminuir a população de linfócitos B, responsáveis pela produção dos autoanticorpos que causam a PTI. Administração: Dose de 375 mg/m² por 4 semanas, administrada por infusão semanal. Eficácia: Cerca de 30% dos pacientes respondem de forma duradoura ao tratamento. Nos pacientes que recaem, outro ciclo de tratamento pode ser eficaz em 75% dos casos. Riscos: Pode comprometer a produção de anticorpos após a vacinação e aumenta o risco de infecções e reativação de vírus. Agonistas do Receptor de Trombopoetina (Romiplostin e Eltrombopag) O que são: Medicamentos que estimulam a produção de plaquetas na medula óssea. Romiplostin: Administração: Subcutânea. Eficácia: Resultados positivos em pacientes esplenectomizados e não esplenectomizados, aumentando a contagem de plaquetas e reduzindo o uso de prednisona. Eltrombopag: Administração: Oral. Eficácia: Mostrou bons resultados, mantendo as plaquetas acima de 50.000/μL. Também é eficaz em pacientes com PTI associada à hepatite C. Riscos: O uso prolongado pode causar efeitos colaterais graves como fibrose da medula óssea, trombose, toxicidade hepática, catarata e formação de anticorpos. Tratamento de Emergência Objetivo: Controlar rapidamente o sangramento grave, especialmente em pacientes com plaquetas abaixo de 10.000/μL. Tratamentos: 1. Corticoides em alta dose: Prednisona (2 mg/kg) ou metilprednisolona (1 g IV) por 3 dias. 2. Imunoglobulina intravenosa: Para ajudar a elevar a contagem de plaquetas. 3. Transfusão de plaquetas: Para tentar aumentar a contagem de plaquetas rapidamente (6-8 unidades a cada 6 horas). 4. Plasmaférese: Retirada de plasma para pacientes que não respondem aos tratamentos acima. 5. Esplenectomia: Raramente é necessária na fase aguda, mas pode ser considerada em pacientes refratários. PTI na Infância PTI Aguda: Em crianças, a remissão espontânea é comum, e muitas vezes a PTI se resolve sem tratamento. Tratamento: Para casos mais graves, pode-se usar corticoides ou imunoglobulina intravenosa. A esplenectomia pode ser necessária em casos persistentes. Mielograma: Frequentemente realizado para descartar leucemia linfoide aguda em casos 15 graves, já que os sintomas podem ser semelhantes. PTI na Gravidez Indicação de Tratamento: Mulheres grávidas com plaquetas abaixo de 50.000/μL devem ser tratadas para prevenir sangramentos. Tratamento: A imunoglobulina intravenosa é preferida por causar menos efeitos colaterais do que os corticoides. Risco Fetal: A trombocitopênia fetal ocorre em 5-33% dos casos, mas a hemorragia fetal é rara. A via de parto deve ser determinada com base na condição clínica da mãe e do feto, e a cesárea não é necessariamente indicada. Síndrome de Bernard- Soulier A Síndrome de Bernard-Soulier (SBS) é uma rara desordem hereditária da função plaquetária que afeta a capacidade das plaquetas de se agregarem, o que leva a um aumento do risco de sangramentos. É uma condição que afeta a adesão plaquetária, que é um dos primeiros passos na formação do tampão plaquetário durante a coagulação. Vamos detalhar os diferentes aspectos dessa síndrome. Definição A síndrome de Bernard-Soulier é uma trombopatologia rara, caracterizada por uma falha na adesão das plaquetas ao vaso sanguíneo devido a um defeito na glicoproteína Ib-IX-V. A glicoproteína Ib (GPIb) é um receptor importante para a adesão das plaquetas ao colágeno e ao fator de Von Willebrand (vWF) no local da lesão vascular. Fisiopatologia Adesão plaquetária comprometida: O defeito na glicoproteína Ib impede que as plaquetas se conectemadequadamente ao vWF, essencial para a adesão ao local da lesão vascular. Sem essa adesão, o processo de formação do tampão plaquetário é prejudicado, o que resulta em sangramentos. Deficiência da glicoproteína Ib-IX-V: A GPIb é uma proteína da membrana da plaqueta, composta por várias subunidades. Ela se liga ao fator de Von Willebrand (vWF), que está presente na parede dos vasos sanguíneos, facilitando a adesão das plaquetas à lesão. Na síndrome de Bernard-Soulier, a GPIb apresenta defeito ou está ausente, comprometendo a adesão plaquetária. Outros componentes afetados: Embora o defeito principal seja na GPIb, a síndrome também pode afetar outras glicoproteínas e proteínas da plaqueta, comprometendo sua função agregante e seu número. Etiologia Herança: A síndrome de Bernard-Soulier é uma doença genética, geralmente herdada de forma autossômica recessiva. Isso significa que para a pessoa ter a doença, ela deve herdar uma cópia do gene defeituoso de cada um dos pais. Mutação genética: O gene responsável pela produção da glicoproteína Ib está localizado no cromossomo 17. Mutations nesse gene resultam na síntese de uma glicoproteína Ib defeituosa ou ausente, o que leva à falha da adesão plaquetária. Prevalência: É uma doença rara, com estimativas que indicam uma prevalência de 1 em 1.000.000 pessoas. Diagnóstico O diagnóstico da síndrome de Bernard-Soulier é baseado em um conjunto de achados clínicos, laboratoriais e genéticos. História clínica: Pacientes podem apresentar sangramentos excessivos desde o nascimento, como hematomas fáceis, epistaxe, sangramentos gengivais, menorragia e hemorragias pós-traumáticas. Exame físico: Pode ser observado a presença de petéquias (pequenas manchas vermelhas na pele causadas pelo rompimento de capilares sanguíneos) e hematomas. Exames laboratoriais: 1. Contagem de plaquetas: O número de plaquetas pode ser normal ou ligeiramente baixo, mas a função das plaquetas está comprometida. 2. Teste de agregação plaquetária: Exame crucial para o diagnóstico, pois na síndrome de Bernard-Soulier, as plaquetas não se agregam adequadamente quando expostas a agonistas como ADP, colágeno ou trombina. 3. Microscopia: O estudo das plaquetas ao microscópio pode revelar plaquetas de tamanho anormalmente grande, um dos principais achados dessa síndrome. 4. Teste de função plaquetária: No teste de adesão, as plaquetas apresentam dificuldade em se ligar ao fator de Von Willebrand. 5. Teste genético: Testes moleculares podem ser realizados para identificar mutações no gene responsável pela produção da glicoproteína Ib. 16 Diagnóstico diferencial: A síndrome de Bernard-Soulier deve ser diferenciada de outras doenças hemorrágicas, como a doença de von Willebrand e outras trombopatias hereditárias, através dos testes laboratoriais. Prognóstico Prognóstico geral: O prognóstico na síndrome de Bernard- Soulier depende da gravidade dos episódios hemorrágicos e da resposta ao tratamento. A condição pode ser controlada com cuidados médicos adequados, mas a doença tem risco contínuo de sangramentos, que podem ser graves. Qualidade de vida: Pacientes com a síndrome podem ter uma qualidade de vida afetada devido ao risco constante de hemorragias. O acompanhamento médico contínuo é importante para evitar complicações graves, como sangramentos cerebrais. Expectativa de vida: Embora os episódios hemorrágicos possam ser graves, com tratamento adequado, a expectativa de vida pode ser normal, especialmente se os sangramentos forem bem controlados. Tratamento Tratamento sintomático: O principal tratamento é o controle dos episódios hemorrágicos e a prevenção de complicações. 1. Transfusões de plaquetas: Em casos graves de sangramento, as transfusões de plaquetas são indicadas para aumentar a contagem plaquetária e controlar o sangramento. 2. Desmopressina (DDAVP): Embora a resposta da desmopressina seja limitada na síndrome de Bernard- Soulier, ela pode ser utilizada para melhorar a função das plaquetas em alguns casos, promovendo a liberação de fator de Von Willebrand. 3. Inibidores da trombose: Os pacientes com síndrome de Bernard-Soulier devem ser tratados com cautela em relação ao uso de anticoagulantes, pois o risco de sangramentos aumenta. Terapia genética: Atualmente, não há uma terapia genética curativa disponível, mas o tratamento pode ser baseado na gestão de sintomas e na prevenção de complicações hemorrágicas. Tratamento de episódios hemorrágicos agudos: Durante um episódio hemorrágico grave, pode ser necessário realizar uma série de intervenções, como transfusões de plaquetas repetidas ou tratamentos com medicamentos hemostáticos. Cirurgia: Procedimentos invasivos ou cirúrgicos devem ser realizados com cautela, e os pacientes podem necessitar de transfusão de plaquetas pré-operatória ou perioperatória. Acompanhamento clínico: Pacientes devem ser monitorados regularmente para detecção precoce de complicações e para ajustar o tratamento conforme necessário. Cuidados com a gravidez: Durante a gravidez, as mulheres com a síndrome de BernardSoulier devem ser monitoradas de perto para possíveis complicações hemorrágicas. O parto pode precisar ser planejado de forma a minimizar o risco de sangramentos. Prevenção de complicações: Além de tratamentos emergenciais para sangramentos, os pacientes devem ser educados sobre como evitar traumas ou lesões que possam desencadear hemorragias. A síndrome de Bernard-Soulier é uma doença rara, mas com o tratamento adequado e o monitoramento contínuo, as pessoas afetadas podem ter uma vida normal, com controle dos episódios hemorrágicos e redução do risco de complicações. TROMBASTENIA DE GLANZMANN A trombastenia de Glanzmann é uma desordem hemorrágica rara, hereditária, que afeta a função das plaquetas, resultando em uma tendência aumentada a sangramentos. Ao contrário de outras trombopatias, a trombastenia de Glanzmann está associada a um defeito na agregação plaquetária, o que impede que as plaquetas se unam adequadamente para formar um tampão hemostático no local da lesão vascular. Definição A trombastenia de Glanzmann é uma trombopatologia hereditária que resulta da deficiência ou disfunção das glicoproteínas da membrana plaquetária, especialmente a glicoproteína IIb/IIIa (integrina αIIbβ3), que é essencial para a agregação plaquetária. A disfunção dessa glicoproteína impede que as plaquetas se aglutinem adequadamente em resposta a estímulos, comprometendo a formação do tampão plaquetário e resultando em sangramentos espontâneos ou excessivos após lesões. Fisiopatologia Defeito na glicoproteína IIb/IIIa: A glicoproteína IIb/IIIa é uma integrina expressa na superfície das plaquetas que desempenha um papel fundamental na ligação de plaquetas umas às outras através do fator de von Willebrand (vWF) ou fibrinogênio. Na trombastenia de Glanzmann, essa glicoproteína está ausente ou defeituosa, o que impede a agregação plaquetária eficiente. Falha na formação do tampão plaquetário: A agregação plaquetária é crucial para a formação do tampão inicial na hemostasia primária. Sem essa agregação, o sangramento não é adequadamente controlado, resultando em sangramentos espontâneos, como hematomas e epistaxe, ou em sangramentos excessivos após trauma ou cirurgia. 17 Disfunção plaquetária: Embora as plaquetas na trombastenia de Glanzmann possam ser normais em número, elas não conseguem formar agregados estáveis. Isso compromete sua capacidade de interagir com o vaso sanguíneo e com outras plaquetas. Etiologia Herança: A trombastenia de Glanzmann é herdada de forma autossômica recessiva, o que significa que a pessoa afetada precisa herdar uma cópia do gene mutado de cada um dos pais. Em casos muito raros, a doença pode ser herdada de forma autossômica dominante. Mutações no gene da glicoproteína IIb/IIIa: A principal causagenética da trombastenia de Glanzmann é a mutação nos genes que codificam as subunidades da glicoproteína IIb (ITGA2B) ou IIIa (ITGB3). Essas mutações resultam na deficiência ou disfunção das glicoproteínas plaquetárias. Prevalência: A trombastenia de Glanzmann é uma condição rara, com estimativas de prevalência variando de 1 em 1.000.000 a 1 em 1.500.000 pessoas. Diagnóstico O diagnóstico da trombastenia de Glanzmann envolve uma combinação de avaliações clínicas e laboratoriais. História clínica: Pacientes podem apresentar episódios hemorrágicos desde a infância, com sinais e sintomas como sangramentos nas gengivas, epistaxe, hematomas, menorragia e sangramentos após pequenos traumas. Exame físico: Os sinais de sangramento, como petéquias (manchas vermelhas ou roxas na pele) e hematomas, são comuns. Exames laboratoriais: 1. Contagem de plaquetas: A contagem de plaquetas é tipicamente normal, mas a função das plaquetas está comprometida. 2. Teste de agregação plaquetária: O exame de agregação plaquetária é fundamental para o diagnóstico. Na trombastenia de Glanzmann, as plaquetas não se agregam adequadamente com agonistas como ADP, colágeno, trombina ou epinefrina, devido à deficiência da glicoproteína IIb/IIIa. 3. Microscopia: As plaquetas podem parecer normais em termos de número e morfologia ao microscópio, mas, como mencionado, elas não têm capacidade de formar agregados. 4. Testes funcionais de plaquetas: Além dos testes de agregação, os testes de liberação de substâncias das plaquetas, como o ATP e a serotonina, podem ser anormais. 5. Teste genético: A confirmação diagnóstica pode ser feita por meio de testes genéticos que identificam mutações nos genes da glicoproteína IIb/IIIa (ITGA2B e ITGB3). Diagnóstico diferencial: A trombastenia de Glanzmann deve ser diferenciada de outras doenças hemorrágicas, como a doença de von Willebrand e a síndrome de Bernard-Soulier, por meio dos testes de função plaquetária e dos níveis de fator de Von Willebrand. Prognóstico Prognóstico geral: A trombastenia de Glanzmann, se não tratada adequadamente, pode levar a episódios hemorrágicos graves e complicações, como hemorragias internas ou sangramentos pós-cirúrgicos. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado. Qualidade de vida: Pacientes com trombastenia de Glanzmann podem ter qualidade de vida comprometida devido ao risco contínuo de sangramentos. No entanto, com tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue levar uma vida normal. Expectativa de vida: A expectativa de vida é geralmente normal em pacientes com trombastenia de Glanzmann, embora episódios hemorrágicos graves possam ocorrer. O controle adequado das hemorragias é fundamental para a manutenção da saúde. Tratamento O tratamento da trombastenia de Glanzmann é baseado principalmente no manejo dos episódios hemorrágicos e na prevenção de complicações. Tratamento de episódios hemorrágicos agudos: 1. Transfusões de plaquetas: As transfusões de plaquetas são o tratamento de primeira linha para os episódios hemorrágicos graves. Como as plaquetas do paciente são disfuncionais, elas são substituídas por plaquetas normais. 2. Transfusão de concentrado de fibrinogênio: Em alguns casos, pode ser necessário administrar fibrinogênio para ajudar a estabilizar o tampão hemostático. 3. Desmopressina (DDAVP): Embora a desmopressina seja eficaz na doença de von Willebrand e em algumas outras trombopatias, ela tem efeito limitado na trombastenia de Glanzmann. 18 Tratamento preventivo: Em situações de risco de sangramento (como procedimentos cirúrgicos ou traumatismos), os pacientes podem ser tratados com transfusões de plaquetas profiláticas. Terapias farmacológicas: Os antiagregantes plaquetários, como o ácido acetilsalicílico (AAS), são contraindicados, pois agravam o risco de sangramento. Também deve-se evitar medicamentos anticoagulantes em pacientes com trombastenia de Glanzmann. Acompanhamento regular: A monitorização regular dos níveis de plaquetas e a avaliação da função plaquetária são essenciais para ajustar o tratamento conforme necessário. Tratamento de suporte: Em casos de sangramentos leves a moderados, o manejo pode incluir a utilização de agentes hemostáticos e cuidados gerais com ferimentos. Gestão da gravidez: As mulheres com trombastenia de Glanzmann devem ser monitoradas durante a gravidez, especialmente no momento do parto. Transfusões de plaquetas podem ser necessárias, e o parto pode ser planejado para minimizar o risco de sangramentos excessivos. Cuidados com procedimentos invasivos: Procedimentos cirúrgicos e invasivos devem ser realizados com cautela, e os pacientes devem ser preparados com transfusões de plaquetas antes e depois de qualquer intervenção. Prevenção de traumas: Os pacientes com trombastenia de Glanzmann devem ser instruídos a evitar atividades de alto risco que possam resultar em trauma e sangramentos. 19