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Até agora, já desenvolvemos uma série de habilidades frutos do conhecimento
do constitucionalismo, da Constituição e de todo o arcabouço de
conhecimento adquirido até aqui. Nesta unidade, falaremos sobre os direitos e
as garantias fundamentais, suas diferenças doutrinárias e históricas, além de
outros temas muito importantes para a sua formação.
A+
A-Unidade 2
Introdução
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 1/38
Os direitos humanos e os direitos fundamentais, como veremos, possuem
algumas características que os diferenciam, no entanto são braços que
caminham juntos para um mesmo fim: a proteção do homem, aqui entendido
como membro da humanidade, ou seja, homens, mulheres, crianças, sem
distinção de raça, cor ou qualquer outra.
Estudaremos a teoria dos direitos fundamentais, a importância da distinção de
direitos humanos e direitos fundamentais, a sua evolução histórica, as
constituições que primeiro positivaram os direitos fundamentais. Também
veremos os limites dos direitos fundamentais e os motivos para tratarmos os
direitos fundamentais em nível internacional. Estudaremos, do mesmo modo, a
classificação dos direitos fundamentais, gerações/dimensões e, por fim, um
tema bem atual: os animais como sujeitos de direitos humanos. Vamos lá?
Direitos e Garantias Fundamentais
O que são os direitos fundamentais? Tomemos emprestado o belo conceito de
Uadi Lammêgo Bulos:
A+
A-
05:18
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 2/38
Direitos fundamentais são o conjunto de normas, princípios,
prerrogativas, deveres e institutos, inerentes à soberania popular, que
garantem a convivência pacífica, digna, livre e igualitária,
independentemente de credo, raça, origem, cor, condição econômica ou
status social (BULOS, 2019, p. 526).
Segundo Barcellos:
A expressão direitos fundamentais designa o conjunto de direitos que a
ordem jurídica, tendo em seu topo a Constituição, reconhece e/ou
consagra. O uso dos dois verbos – reconhecer/consagrar – é proposital,
já que, embora não se vá entrar aqui nesse debate, é possível visualizar
os direitos, ou alguns deles pelo menos, como preexistentes à ordem
jurídica, sendo por ela apenas reconhecidos. Para outras concepções, os
direitos não seriam preexistentes, mas a ordem jurídica de cada país é
que os consagraria a partir de determinado momento histórico. Seja
como for, a eventual invocação da preexistência de um direito é, em
geral, um importante argumento filosófico e/ou político que visa obter
seu reconhecimento jurídico, de modo que as duas posições não são
estanques (2018, p. 534).
Assim como os direitos humanos, os direitos fundamentais têm o condão de
defender uma preocupação antiga: a dignidade da pessoa humana, aqui, em
relação ao Estado. De certo que, para entendermos bem o conceito dos
direitos fundamentais, precisaremos mergulhar em outras construções
constitucionais. Comecemos, então, pela teoria dos direitos fundamentais.
Teoria dos Direitos Fundamentais
O que são os chamados direitos fundamentais? São as posições jurídicas
necessárias para a satisfação e concretização do valor dignidade. Há, contudo,
uma diversidade terminológica do tema na doutrina, que utiliza vários termos
para tratar do tema, conforme Bulos (2017, p. 527): “[...] direitos humanos
fundamentais, direitos humanos, direitos do homem, direitos individuais,
direitos públicos subjetivos, direitos naturais, liberdades fundamentais,
liberdades públicas etc.”.
A+
A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 3/38
Algumas dessas expressões têm significados específicos (por exemplo, direitos
políticos), mas a maioria delas pode ser utilizada como sinônimo.
Segundo Barcellos:
Existe uma certa distinção terminológica entre a expressão direitos
fundamentais – em geral, utilizada no Brasil para descrever o conjunto
de direitos reconhecidos pela ordem jurídica de um país – e os direitos
reconhecidos pela ordem internacional, categoria que é comumente
identificada como “direitos humanos”. A Constituição de 1988 utiliza a
expressão “direitos fundamentais da pessoa humana” apenas uma vez
(art. 17) e “direitos e garantias fundamentais” uma outra (art. 5º, § 1º),
ocupando-se mais das espécies de direitos que integram o gênero dos
direitos fundamentais e dos quais ela cuida de forma específica, a saber:
direitos individuais, trabalhistas, políticos e sociais, além de direitos
coletivos e difusos. A expressão direitos humanos é utilizada algumas
vezes no texto constitucional, em geral no contexto das relações
internacionais do País (art. 4º, II) e de tratados internacionais de direitos
humanos (art. 5º, § 3º; art. 109, § 5º) (2018, p. 534).
Iniciada a discussão acerca da terminologia, faremos um breve paralelo entre
os nomes utilizados para discutir a proteção dos direitos do homem.
Direitos Fundamentais X Direitos Humanos X Liberdades Públicas X Direito
Público Subjetivo (Classificação Baseada em Ingo Wolfgang Sarlet)
Direitos fundamentais são os direitos humanos positivados em uma
determinada ordem jurídica. Os direitos humanos não dependem de previsão
normativa. Liberdades públicas são o conjunto de direitos fundamentais
ligado à noção de direito de defesa. A primeira dimensão dos direitos
fundamentais limitava-se à noção de liberdades públicas (por exemplo,
liberdade de expressão, liberdade de religião). A expressão direito público
subjetivo surgiu na Teoria Geral de Direito sob a influência de uma concepção
positivista na qual os direitos públicos subjetivos representam uma
autolimitação do Estado. Esse, o Estado, embora soberano, quando cria
direitos objetivos faz com que os cidadãos sejam investidos de direitos
públicos subjetivos. Daniel Sarmento discorda desse posicionamento e afirma
que esses direitos antecedem ao surgimento do Estado (SILVA, 2005).
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01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 4/38
Distinção entre Direitos Humanos e Fundamentais
Direitos humanos e direitos fundamentais são expressões técnicas utilizadas
para expressar realidades distintas. Direitos humanos podem ser entendidos
como o conjunto de direitos reconhecidos no plano internacional, como as
declarações, os tratados, os convênios etc.
Por sua vez, direitos fundamentais são o conjunto de direitos positivados em
um ordenamento jurídico. São os direitos humanos positivados no plano
interno de cada Estado, especialmente no texto constitucional.
A tendência é entender que o direito internacional tem influência direta no
sistema interno, e, nesse sentido, a distinção acima apontada perderia
relevância. Há uma necessidade de se entender o direito internacional dos
direitos humanos como direito positivo dentro do ordenamento brasileiro (por
exemplo, reconhecimento do caráter supralegal das convenções internacionais
sobre direitos humanos, ainda que não internalizados).
Os direitos fundamentais não se limitam àqueles previstos no texto
constitucional. A constituição não esgota o rol dos direitos considerados como
fundamentais. Ela traz um núcleo fundamental não exaustivo.
Direitos Fundamentais do Homem
Direitos fundamentais do homem é a expressão usada por José Afonso da Silva
(2005, p. 248) para se referir aos direitos fundamentais. “São as prerrogativas
A+
A-
SAIBA MAIS
Conceito de Direitos e Garantias
Na Edição 1, abril de 2017, no Tomo de Direito Administrativo e
Constitucional da Enciclopédia Jurídica da PUCSP, Ingo Wolfgsang
Sarlet se debruça sobre o conceito de direitos e garantias fundamentais
e na sua diversidade terminológica.
Para saber mais, indicamos a leitura do artigo a seguir.
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/67/edicao-1/conceito-
de-direitos-e-garantias-fundamentais
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 5/38
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/67/edicao-1/conceito-de-direitos-e-garantias-fundamentais
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/67/edicao-1/conceito-de-direitos-e-garantias-fundamentaise instituições que o direito positivo concretiza em garantias de uma
convivência digna, livre e igual de todas as pessoas, como vimos,
proporcionada pelo Constitucionalismo e a Constituição”. A análise do
conceito trazido por Silva (2005) é importante porque identifica os principais
elementos da teoria dos direitos fundamentais:
PRINCIPAIS ELEMENTOS
DA TEORIA DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS
POSITIVAÇÃO
CONCRETIZAÇÃO
GARANTIAS
DIGNIDADE
LIBERDADE
IGUALDADE
CONVIVÊNCIA
A+
A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 6/38
A Convivência, a Revolução Francesa e os Direitos Fundamentais
No lema da Revolução Francesa (“Liberdade, igualdade e fraternidade”), é
possível refletir a questão da convivência. Há três elementos básicos no
conceito: uma reflexão sobre direitos, uma reflexão sobre o caráter
fundamental desses direitos e uma reflexão sobre o direcionamento desses
direitos ao homem.
A definição de direito se dá por serem direitos que podem ser exigíveis. A
exigibilidade é a nota caracterizadora do direito. Os direitos fundamentais
restam como uma relação obrigacional. Não há, portanto, a ideia de aviso ou
conselho ou ainda pretensão. Há sim a exigibilidade. A relação jurídica
obrigacional dos direitos fundamentais acontece por meio do credor: ser
humano/pessoa; objeto: todos os direitos relacionados com a dignidade; e
devedor: o estado e os particulares.
O Direito Fundamental não é qualquer direito, mas apenas aqueles tidos como
fundamentais. Serão considerados fundamentais os direitos que tiverem
vinculação direta com a dignidade da pessoa humana. Sem tais direitos, a
pessoa humana não se realiza, não convive e, às vezes, não sobrevive.
O Direito do Homem são direitos do ser humano. São inerentes à pessoa
humana.
Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais e dos Direitos Humanos
A formatação dos direitos fundamentais está diretamente ligada à evolução do
constitucionalismo. Não há como dissociar a evolução dos direitos
fundamentais da evolução do constitucionalismo. A adoção dos direitos
fundamentais pela Constituição é uma das características do Estado
democrático de direito. Se não há direitos fundamentais concretizados, o
nome Estado democrático de direito é pura retórica. Canotilho (2013) nos
apresenta as dimensões do princípio do Estado democrático de direito:
juridicidade, constitucionalidade e direitos fundamentais.
Os direitos fundamentais são fruto de um processo evolutivo lento, gradual e
constante da humanidade. Hannah Arendt (apud PIOVESAN, 2018, p. 187)
dizia que “[...] os direitos fundamentais não são um dado, mas um construído”.
Albert Einstein, em discurso realizado em 1954, um ano antes de seu
falecimento, afirmou que “[...] os direitos humanos não estão nas estrelas,
cabem aos homens construí-los” (EINSTEIN apud PIOVESAN, 2018, p. 187).
Os principais documentos acerca da evolução histórica dos direitos
fundamentais e dos direitos humanos é basicamente o mesmo rol de
documentos da evolução do constitucionalismo.
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A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 7/38
MAGNA CARTA LIBERTATUM (1215).
PETITION OF RIGHTS (1628).
HABEAS CORPUS AMENDMENT ACT (1679).
BILL OF RIGHTS (1689) (Inglaterra).
DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO BOM POVO DA VIRGÍNIA (16.06.1776).
DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA (04.07.1776).
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO (FRANÇA –
26.08.1789).
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM (ONU –
10.12.1948).
Entendida a diferença entre os direitos fundamentais e os direitos humanos,
além de estudarmos a teoria dos direitos fundamentais e sua evolução
histórica, passemos à análise de grandes documentos que consagraram os
direitos fundamentais, tornando-os essenciais para o convívio humano.
Declaração de Independência dos
Estados Unidos (4 de julho de 1776)
Vejamos o preâmbulo da Declaração de Independência dos Estados Unidos:
Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um
povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os
poderes da Terra, posição igual e separada, as que lhe dão direito as leis
da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos
homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos
os homens foram criadas iguais, foram dotados pelo Criador de certos
direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca
da felicidade.
Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os
homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos
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01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 8/38
governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne
destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e
instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizado-lhes
os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe
a segurança e a felicidade.
[...] governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos
poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer
forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito
de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais
princípios e organizado-lhes os poderes pela forma que lhe pareça mais
conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade (NATIONAL
ARCHIVES, 2019, on-line).
Passemos à análise da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
importante documento histórico.
Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão (26 de agosto 1789)
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é um importante
documento histórico, fruto da Revolução Francesa, que buscou definir direitos
individuais e coletivos. Vejamos o preâmbulo desse documento:
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembléia Nacional,
tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos
direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da
corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos
naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta
declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes
lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os
atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer
A+
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01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 9/38
momento comparados com a finalidade de toda a instituição política,
sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos
cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se
dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral
(ACQUA apud FERREIRA FILHO, 1978, p. 147).
A declaração tem sua conotação universal, não se reportando apenas ao
Estado e povo franceses. Apesar de a Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão não integrar o sistema internacional, ela é a fonte histórica para os
direitos fundamentais previstos na CF. Thomas Jefferson, um dos principais
elaboradores da Declaração de Independência dos Estados Unidos, era
embaixador dos Estados Unidos na França (cargo que ocupou entre os anos de
1.784 a 1.789) e influenciou, de forma direta, a elaboração da Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão.
Primeira Constituição a Positivar a
Proteção dos Direitos Humanos
A discussão doutrinária referente à identificação da primeira constituição a
positivar os direitos humanos abrange: Constituição da Bélgica de 1831;
Constituição do Império do Brasil (art. 179) de 1824 (BRASIL, 1824, on-line); e
Bill of Rights da Constituição Americana.
Características dos Direitos Fundamentais
Na doutrina, é possível identificar uma variedade de sistematizações das
características dos direitos fundamentais. São elas:
A historicidade, que representa o processo histórico dos quais os direitos
fundamentais são fruto. Em decorrência da historicidade,é possível que alguns
direitos reconhecidos como essenciais à dignidade da pessoa humana em um
determinado momento da história possam não ser reconhecidos como tal em
um momento histórico diverso. O reconhecimento do que é ou não
diretamente ligado à dignidade da pessoa humana depende da incidência de
variáveis culturais, históricas etc. (por exemplo, direito a um meio ambiente
ecologicamente equilibrado não era reconhecido como um direito
fundamental).
A+
A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 10/38
O princípio da vedação do retrocesso não é uma proteção absoluta (caráter
histórico dos direitos fundamentais; direitos fundamentais são um construído).
Há discussão quanto à possibilidade de uma nova constituição estabelecer
situações que violem os direitos humanos (por exemplo, previsão de penas
cruéis). Adotando-se o conceito tradicional de poder constituinte originário,
haverá o reconhecimento da possibilidade de tal procedimento.
Posicionamento diferente é adotado por aqueles que reconhecem os direitos
humanos como conceito filosófico; nesse caso, é necessário o reconhecimento
de limitações ao exercício do poder constituinte originário. É preciso
reconhecer que a vedação do retrocesso é importante, mas ela não se
apresenta como algo que garanta proteção a todas as situações.
Os direitos fundamentais são coisas fora do comércio. A inalienabilidade do
direito fundamental não é possível. O que será possível é a exploração
econômica do seu reflexo patrimonial. Não se deve confundir direito
fundamental com o objeto de proteção. Uma coisa é o direito à propriedade,
outra coisa é o bem sobre o qual recai a propriedade; o que não se pode alienar
é a capacidade de ser proprietário. A compra e venda é uma situação diferente,
que incide sobre o objeto do direito de propriedade.
O desuso do direito não gera a sua perda. Não podemos confundir a
imprescritibilidade do direito fundamental com o objeto de proteção desse
direito. Com a usucapião, ocorre a perda do objeto, e não a perda da
capacidade de ser proprietário.
A característica da irrenunciabilidade define que os direitos fundamentais não
podem ser renunciados. Uma das implicações que podemos citar é a vedação à
eutanásia em diversas legislações no mundo, inclusive no Brasil. Aquele que
auxilia alguém a tirar sobre própria vida responde pelo crime, vez que a vida
não é um direito renunciável.
A+
A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 11/38
A personalidade define que os direitos fundamentais são personalíssimos, ou
seja, pertencem a uma só pessoa e, por isso, não podem ser transmitidos, se
encerram com a morte do titular.
Os direitos fundamentais, segundo a limitabilidade/relatividade, não são
absolutos. Todos os direitos são relativos (por exemplo, legítima defesa, estrito
cumprimento do dever legal).
Limitabilidade/relatividade dos Direitos Fundamentais e a Vedação
à Tortura
Muitos doutrinadores afirmam que a vedação à tortura seria um direito
absoluto. A vedação à tortura está relacionada com a proteção das
integridades física, moral e psicológica (é uma das projeções desse direito). O
direito à integridade física pode ser relativizado (por exemplo, prisão
representa uma restrição à integridade psicológica). Há teses em contrário e
autores que defendem ser possível a tortura em situações excepcionais.
Limites à Incidência dos Direitos Fundamentais
Os direitos fundamentais não podem ser utilizados para justificar a prática de
ilícito, sustentar a irresponsabilidade civil ou anular outros direitos
constitucionais. O choque entre direitos fundamentais é diferente do choque
de regras.
A+
A-
REFLITA
Reality Shows e os Direitos Fundamentais
Os reality shows não são inconstitucionais. Não há renúncia nem
alienação de direitos. A disposição sobre a liberdade não está com a
empresa organizadora; as pessoas podem sair se quiserem. Pense sobre
isso! Reflita sobre o assunto acessando o link a seguir.
http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/52203/reality-
show-a-indisponibilidade-dos-direitos-fundamentais-e-a-dignidade-
da-pessoa-humana.
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 12/38
http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/52203/reality-show-a-indisponibilidade-dos-direitos-fundamentais-e-a-dignidade-da-pessoa-humana
http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/52203/reality-show-a-indisponibilidade-dos-direitos-fundamentais-e-a-dignidade-da-pessoa-humana
http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/52203/reality-show-a-indisponibilidade-dos-direitos-fundamentais-e-a-dignidade-da-pessoa-humana
Outra garantia dos direitos se dá por meio da indivisibilidade e
interdependência, e o que garante os direitos civis e políticos é condição para
a observância dos direitos sociais, econômicos e culturais e vice-versa
(PIOVESAN, 2018, p. 60).
Segundo Ricardo Lewandowski, a proibição de retrocesso:
Independentemente da geração a que pertençam, milita a favor dos
direitos fundamentais, em especial dos sociais, o princípio da proibição
do retrocesso, plasmado no art. 30 da Declaração Universal dos Direitos
do Homem de 1948, da ONU, cuja redação é a seguinte: “Nenhuma
disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o
reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de
exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à
destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos”
(LEWANDOWSKI, 2018, on-line).
A proibição de retrocesso é parte da proteção que se deve dar aos direitos
fundamentais. Cada vez que um direito fundamental é conquistado e
reconhecido como tal precisa de proteção para que não se volte aos tempos
quando ele não era garantido. O exemplo da tortura é importante por isso.
Durante muito tempo, acreditou-se que a tortura era meio válido para se
conseguir informações, mas depois foi percebido que sob tortura qualquer
pessoa admite qualquer coisa. Logo, ela não era útil; ao contrário, era
condenável.
Aspectos da Vedação do Retrocesso
A vedação do retrocesso impede a revogação das normas que tratam dos
direitos sociais. É possível a redução do grau de concretização, o que não pode
ocorrer é a revogação da concretização de forma arbitrária (MIRANDA, 2018).
Além disso, não pode reduzir o grau de abrangência. A vedação ao retrocesso
impede a redução da abrangência do direito social previsto (ZAGREBELSKY,
2011). Esse posicionamento diminui o grau de liberdade da atuação do poder
público.
A+
A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 13/38
A universalidade é afirmada desde a Antiguidade, e foi impulsionada pelos
constitucionalismos norte-americano e francês. A ideia de universalidade é
muito presente desde a Antiguidade, mas o constitucionalismo impulsiona tal
característica. Historicamente, o reconhecimento dessa universalidade sofre
vários ataques, sendo o maior deles o holocausto (diferenciação de raças).
Tratamentos dispensados ao índio e questões de escravidão são exemplos de
comprometimento da universalidade no Brasil, sendo possível identificá-los
em: plano de titularidade – todos os seres humanos são titulares direitos
fundamentais –; plano temporal – os direitos fundamentais estão presentes
em todas as épocas da história –; e plano cultural – os direitos fundamentais
estão presentes em todas as culturas do globo.
A chamada universalidade tem previsão em diversos documentos
internacionais, mas, segundo Flávia Piovesan, é contestada pelos adeptos do
relativismo cultural, pois, para esses,
[...] a noção de direito está estritamente relacionada ao sistema político,
econômico, cultural, social e moral vigente em determinada sociedade.
Sob esse prisma, cada cultura possui seu próprio discurso acerca dos
direitos fundamentais, que está relacionado às específicas
circunstâncias culturais e históricas de cada sociedade. Nesse sentido,
acreditam os relativistas, o pluralismocultural impede a formação de
uma moral universal, tornando-se necessário que se respeitem as
diferenças culturais apresentadas por cada sociedade, bem como seu
peculiar sistema moral. A título de exemplo, bastaria citar as diferenças
de padrões morais e culturais entre o islamismo e o hinduísmo e o
mundo ocidental, no que tange ao movimento de direitos humanos.
Como ilustração, caberia mencionar a adoção da prática da
clitorectomia e da mutilação feminina por muitas sociedades da cultura
não ocidental (PIOVESAN, 2018, p. 62-64).
E quais seriam os limites nessa busca pelo não retrocesso? É importante
lembrar que existem algumas vedações, como as apresentadas a seguir:
i. Vedação do direito de escolha: não seria possível uma cultura que vedasse a
escolha.
Por exemplo: vedação ao direito de escolha das mulheres.
A+
A-
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 14/38
ii. Vedação do direito de ser igual ou a ser diferente: não seria possível uma
cultura que vedasse o direito de ser igual ou o direito de ser diferente.
A universalidade dos direitos humanos é reforçada pela recente construção do
jus cogens em matéria do direito internacional. O jus cogens é formado por
normas cogentes e imperativas. A ideia de existência de normas internacionais
superiores reafirma a questão da universalidade
Motivo para Internacionalização dos
Direitos Humanos
Direitos humanos, diferentemente do direito ambiental, não é um tema
internacional por si mesmo. Questiona-se, então, qual a justificativa para a sua
internacionalização. O que justifica a internacionalização é o repúdio aos
A+
A-
REFLITA
O Impacto do Terrorismo nos Direitos Humanos
Podemos afirmar que os direitos humanos, assim como os direitos
fundamentais, nasceram para a proteção do homem, entendido como
gênero neutro para humanidade. Contudo, recentemente a ONU
autorizou o combate ao terrorismo. Não seria isso um contrassenso?
Autorizar que se mate para proteger outras pessoas não seria uma
violação aos direitos humanos?
Guilherme Berger Schmitt, em seu artigo “O impacto do terrorismo nos
direitos humanos: uma análise crítica das medidas internacionais de
combate ao terrorismo à luz dos direitos humanos”, discute essa
incongruência, entre outras. Reflita sobre o assunto acessando o link a
seguir.
https://periodicos.ufms.br/index.php/revdir/article/view/766.
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 15/38
https://periodicos.ufms.br/index.php/revdir/article/view/766
horrores da Segunda Guerra Mundial e as barbáries nazistas. Outras
explicações: há estados recém-independentes que não foram sensibilizados,
mas há outros motivos. Os Estados reconhecem a internacionalização,
ratificando tais pactos, para que demonstrem, pelo menos na retórica, não
compactuar com práticas violadoras. Dessa forma, garante-se legitimidade dos
direitos humanos no plano internacional.
Perspectivas dos Direitos Fundamentais
Existem duas perspectivas dos direitos fundamentais, que são divididas em:
perspectiva subjetiva e perspectiva objetiva.
A perspectiva subjetiva dos direitos fundamentais (dimensão clássica) realiza a
análise dos direitos fundamentais na perspectiva dos seus titulares.
Reconhece-se a existência de uma relação jurídica obrigacional de forma que
os indivíduos (credores) possam exigir em face do Estado (devedor – visão
clássica) a preservação desses direitos. Enquanto direitos, eles apresentam
uma relação que não se apresenta claramente e uma relação jurídica
obrigacional. Junto com o direito, surge o dever de todos em respeitá-lo.
A dimensão subjetiva corresponde ao modelo histórico ou clássico dos direitos
fundamentais. “A teoria liberal concebia os direitos fundamentais como limites
impostos ao poder do Estado, que impunham a este um dever jurídico de
abstenção” (SARMENTO, 2010, p. 128). Os direitos fundamentais são
entendidos como verdadeiros direitos dos indivíduos, exigíveis juridicamente
do Estado.
Já a perspectiva (ou dimensão) objetiva dos direitos fundamentais se trata de
uma análise não sob a perspectiva dos titulares do direito fundamental, mas
sob a dimensão da obrigação positiva do Estado na efetiva proteção dos
direitos fundamentais, ainda que essa atuação incida em face de terceiros ou
mesmo em face do próprio titular do direito.
É necessário levarmos em consideração o reconhecimento de que as violações
aos direitos humanos não ocorrem apenas por parte do estado, sendo possível
a violação por parte dos particulares.
Como consequência, por ser obrigação do Estado a efetiva preservação dos
direitos fundamentais, sua atuação também deverá incidir sobre os
particulares. Essa situação está relacionada à eficácia horizontal dos direitos
fundamentais. É preciso haver o reconhecimento de que os direitos
fundamentais representam os valores mais importantes de uma determinada
sociedade, por exemplo a vida. O direito fundamental à vida não é, tão
somente, um direito de titularidade de cada indivíduo, sendo necessário o seu
reconhecimento como um valor importante para todo o meio social. A
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proteção da vida de um determinado indivíduo não é de interesse apenas
desse, mas de toda a sociedade.
O titular do direito também tem a obrigação de tomar precauções para
preservar tal bem, já que esse seria de interesse de toda a sociedade. Além de
titular do direito, o indivíduo tem a obrigação de tutelar tal bem.
A perspectiva objetiva não exclui a perspectiva subjetiva, mas a ela se agrega.
Os direitos fundamentais são também valores ou finalidades que dirigem todo
Poder Público e que traduzem condicionamentos impostos também aos
particulares e mesmo aos outros Estados (a violação de um Estado aos direitos
fundamentais de seus integrantes atinge a todos da comunidade
internacional).
É necessário o reconhecimento de que não é apenas o Estado que ocupa o polo
passivo da relação jurídica obrigacional nos direitos humanos. Mesmo os
particulares e outros Estados podem ser reconhecidos como devedores, ou
seja, também têm a obrigação de respeitar tais direitos.
A dimensão objetiva dos “[...] direitos fundamentais liga-se ao reconhecimento
de que tais direitos, além de importarem certas prestações aos poderes
estatais, consagram também os valores mais importantes em comunidade
política” (SARMENTO, 2010).
Planos de Eficácia dos Direitos Fundamentais
O plano de eficácia pode ser dividido em dois segmentos: eficácia vertical e
eficácia horizontal ou eficácia privada.
Segundo Savazzoni, em relação à eficácia vertical:
Os adeptos desta teoria justificam a eficácia direta dos direitos
fundamentais nas relações privadas com base na constatação de que os
perigos que espreitam os direitos fundamentais, no mundo
contemporâneo, não provêm apenas do Estado, mas também dos
poderes sociais e de terceiros em geral. Ressalte-se que não se trata de
uma doutrina radical, vez que não se nega a necessidade de ponderar o
direito fundamental em jogo com a autonomia privada dos particulares
envolvidos no caso, ou seja, essa teoria está longe de pregar a
desconsideração da liberdade individual nas relações jurídicas privadas,
como asseveram alguns (2009, p. 2).
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Ainda para Savazzoni, em relação à eficácia horizontal ou eficácia privada:
Para os adeptos desta teoria, os valores constitucionais, incorporados
nas normas consagradoras de direitos fundamentais, “aplicam-se ao
direito privado por meio das cláusulas gerais oferecidas pela legislação
civil” e continua que deve [...] ser interpretada conforme seus ditames
(2009, p. 2).
Diz Sarmento:
[...] teoria da eficácia mediata nega a possibilidade de aplicação direta
dos direitos fundamentais nas relações privadas porque, segundo seus
adeptos, esta incidência acabaria exterminando a autonomia da
vontade, e desfigurando o Direito Privado,ao convertê-lo numa mera
concretização do Direito Constitucional (2010, p. 143).
Possibilidade de ser devedor em face de um direito subjetivo próprio –
decorre do reconhecimento dos direitos fundamentais como valores
essenciais à sociedade (dimensão objetiva dos direitos fundamentais).
Por exemplo: proibição do uso de drogas; obrigatoriedade do uso do cinto de
segurança.
Possibilidade de ser devedor em face de um direito subjetivo de um
terceiro – decorre do reconhecimento de que as violações aos direitos
fundamentais podem ser praticadas tanto pelo Estado como pelos
particulares.
“O direito de um termina onde começa o do outro” (Autor desconhecido,
ditado popular.)
Os particulares podem se apresentar como credores e devedores na relação
jurídica obrigacional dos direitos fundamentais.
Deveres Fundamentais
O reconhecimento da eficácia horizontal é ratificado pelo fato de que,
paralelamente aos direitos fundamentais, existem os deveres fundamentais.
Acompanhe a seguir quais são:
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 Manifestações da existência de deveres fundamentais:
a) O art. 10 da Declaração Universal dos Direitos do Homem prevê que “toda
pessoa tem deveres para com a comunidade”.
b) O capítulo I do título II da CF é denominado “Dos direitos e deveres
individuais e coletivos”.
c) O art. 205 da CF (BRASIL, 1988, on-line) prevê a educação como um dever
do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade.
NCC:
“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988, on-line).
Relação jurídica obrigacional prevista pelo texto constitucional:
Reconhecimento expresso da eficácia horizontal nas relações privadas. Família
e sociedade são colocadas como devedoras na relação obrigacional,
envolvendo o direito fundamental da educação.
Atenção: Educação é uma expressão mais ampla que a ensino. O dispositivo
não está tratando do ensino, mas da educação.
Por exemplo: jogar lixo para fora do carro – violação do direito de educação
(desvirtua a educação das demais gerações).
d) O art. 225 da CF (BRASIL, 1988, on-line) prevê a defesa e a preservação do
meio ambiente ecologicamente equilibrado como um dever do poder público e
da coletividade.
CF:
“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações” (BRASIL, 1988, on-line).
e) O art. 227 da CF (BRASIL, 1988, on-line) prevê o dever da família, da
sociedade e do Estado de assegurar à criança e ao adolescente o direito à vida,
à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além
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de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.
CF:
“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao
adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação,
à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de
toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão” (BRASIL, 1988, on-line).
Eficácia irradiante dos direitos fundamentais – os direitos e garantias
fundamentais são dotados de uma especial força expansiva, projetando-se por
todo o universo constitucional e servindo como critério interpretativo de
todas as normas do ordenamento jurídico.
Eficácia dos direitos fundamentais nas relações privadas – as teorias sobre a
eficácia horizontal dos direitos fundamentais são:
Teoria da ineficácia horizontal (teoria adotada nos EUA).
Teoria da eficácia indireta (teoria adotada na Alemanha).
Teoria da eficácia direta (teoria adotada em Portugal, Espanha e na Itália).
Segundo a teoria da ineficácia horizontal (teoria adotada nos EUA), os direitos
fundamentais não se aplicam às relações entre particulares, sendo exigíveis
apenas contra o Estado.
A jurisprudência norte-americana aceita a aplicação de direitos fundamentais
em uma relação entre indivíduos, desde que determinada ação privada possa
ser equiparada a uma ação estatal.
Também é possível que determinado direito tido como fundamental seja
aplicado nas relações entre particulares quando uma lei ordinária preveja tal
possibilidade. Nesse caso, a aplicação ou não desse direito seria uma decisão
puramente do âmbito ordinário (diferente do que ocorre com a teoria da
eficácia indireta).
De acordo com a teoria da eficácia indireta (teoria adotada na Alemanha), os
direitos fundamentais não se aplicam diretamente na relação entre
particulares, sob pena de violar a autonomia da vontade, o que comprometeria
todo o direito privado. A solução adotada para que os direitos fundamentais
sejam aplicados nas relações privadas é propiciar uma intermediação da
legislação constitucional com a legislação de direito privado. O juiz aplicaria a
norma de direito civil e indiretamente os direitos fundamentais.
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É diferentemente do que ocorre com a teoria da ineficácia horizontal. Na
teoria da eficácia indireta, a decisão de aplicação dos direitos fundamentais
nas relações privadas está no âmbito constitucional, mas depende do
legislador ordinário para garantir a sua efetividade. O direito fundamental é
aplicado por meio da lei (haveria obrigatoriedade de o legislador ordinário
legislar).
É exemplo da manifestação dessa teoria a utilização das cláusulas gerais pelo
direito privado. Assim, os direitos fundamentais seriam utilizados para
interpretar as normas privadas.
Segundo a teoria da eficácia mediata, os direitos fundamentais não são
imediata e diretamente aplicáveis às relações interprivadas. A eficácia é
mediata e indireta, porque é tarefa (dever-competência), em primeira linha, do
Poder Legislativo ao criar normas de direito privado, e, na omissão ou
insuficiência legislativa, do Poder Judiciário, ao aplicar e desenvolver o direito
privado, sobretudo ao recurso “preenchimento” das cláusulas gerais e
conceitos jurídicos indeterminados com conteúdos axiológicos que subjazem
(aos) ou informam os direitos fundamentais.
Segundo a teoria da eficácia direta (teoria adotada em Portugal, Espanha e na
Itália), os direitos fundamentais podem ser aplicados diretamente, sendo
prescindível a intermediação de norma privada. O ideal é que o legislador edite
norma para que sejam estabelecidos critérios objetivos para a atuação do
judiciário, mas, havendo omissão do legislativo, o juiz aplica diretamente.
Sobre a corrente adotada no Brasil, as decisões do STF sempre adotaram a
eficácia direta, mas só recentemente é que os julgados do supremo têm
levantado a discussão das teorias existentes.
Funções dos Direitos Fundamentais (Canotilho)
Segundo Canotilho (2003), são funções dos direitos fundamentais:
Função de defesa ou de liberdade.
Função de prestação.
Função de proteção perante terceiros.
Função de não discriminação.
A função de defesa ou de liberdade dá os direitos fundamentais que evitam
abusos do estado, exigindo um não fazer, uma atuação negativa. “Essa função
está relacionada à 1ª dimensão dos direitos fundamentais” (CANOTILHO,
2003, p. 165).
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A função de prestação é quando, no desempenho dessas funções, os direitos
fundamentais exigem uma atuação positiva do estado, corporificada emprestações normativas (legislativas) e materiais, que, muitas vezes, devem ser
traduzidas em políticas públicas.
A seguir, a função relacionada à 2ª dimensão dos direitos fundamentais:
As demandas decorrentes do exercício da função de prestação impõem uma
atuação mais complexa por parte do Poder Público. A implementação de uma
função de prestação é mais difícil que a implementação de uma função de
defesa.
A função de proteção perante terceiros é quando o Estado fica na posição de
garantidor da não violação, por parte de terceiros, do direito fundamental.
“[...] muitos dos direitos impõem um dever ao Estado (poderes públicos) no
sentido de proteger perante terceiros os titulares de direitos fundamentais”
(CANOTILHO, 2003, p. 166).
Classificação dos Direitos
Fundamentais
A classificação dos direitos fundamentais está dividida em duas: direitos
fundamentais meramente formais e direitos fundamentais materiais.
a) Direitos fundamentais meramente formais são aqueles que a CF (BRASIL,
1988, on-line) rotula como sendo fundamentais (TÍTULO II).
b) Direitos fundamentais materiais são os direitos vinculados à vida humana
digna.
São posições jurídicas essenciais que concretizam a dignidade da pessoa
humana. Nem todos os direitos previstos no art. 5º (BRASIL, 1988, on-line)
estão protegidos pela cláusula pétrea. Somente aqueles que estiverem
vinculados à dignidade humana serão considerados como direitos
fundamentais em sentido material e serão protegidos pela cláusula pétrea.
Há quem diga que essa classificação não se sustenta.
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STF – Min. Moreira Alves – “a leitura do art. 60, § 4º, deveria ser literal”
(MENDES, 2004, p. 221).
Seria possível a revogação de algum dispositivo do art. 5º da CF (BRASIL,
1988, on-line)? (Divergência).
i. Sim – a proteção do art. 60, § 4º, abrangeria, apenas, os direitos
fundamentais diretamente relacionados à dignidade da pessoa humana. Os
dispositivos que não sustentassem tal situação (direitos considerados
formalmente, mas não materialmente constitucionais) poderiam ser
revogados.
ii. Não – a leitura do art. 60, § 4º, deve ser literal. Todos os dispositivos estariam
protegidos, ainda que o direito nele refletido seja, tão somente, formalmente
fundamental.
Classificação de Ruy Barbosa
A classificação de Ruy Barbosa está dividida em direitos e garantias. Veja a
seguir sobre o que elas tratam.
a) Direitos – disposições meramente declaratórias, que imprimem existência
legal aos direitos reconhecidos.
Norma de conteúdo declaratório.
b) Garantias – disposições assecuratórias, que limitam o poder em defesa do
direito.
Norma de conteúdo assecuratório.
Por exemplo: MS pode ser considerado como uma garantia e como um direito.
Como é feita a classificação na Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988,
on-line)? O constituinte originário fez a opção de separar os direitos em blocos,
nada impedindo, contudo, que se encontrem alguns em capítulos diferentes. É
importante lembrar que basta que o texto esteja previsto na Constituição para
que assim o seja considerado. Vejamos como foi feito:
a) Direitos individuais.
b) Direitos coletivos.
c) Direitos sociais.
d) Direitos à nacionalidade.
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e) Direitos políticos.
Tratamento Constitucional
Entendida essa classificação, pôs-se o legislador constituinte a inserir em
títulos e capítulos os assuntos dispostos na Constituição (BRASIL, 1988, on-
line). Assim ficou organizada a nossa Constituição:
Título II. Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
Capítulo I Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5º, CF).}
Capítulo II Direitos Sociais (art. 6º, 7º, 8º, 9º, CF).
Capítulo III Da Nacionalidade (art. 12 e 13, CF).
Capítulo IV Dos Direitos Políticos (art. 14, 15, 16, CF).
Capítulo V Dos Partidos Políticos (art. 17, CF).
Direitos Fundamentais
Assim, existe uma fórmula para caracterizar os direitos fundamentais: direitos
individuais + direitos coletivos + direitos sociais + direitos da nacionalidade +
direitos políticos.
A Constituição estabelece a dignidade da pessoa humana como um dos seus
fundamentos, ou seja, nessa concepção, a pessoa é tida como fundamento e
fim da sociedade e do Estado.
- Classificação de Georg Jellinek (2000, p. 5).
i. Direitos de defesa.
Direitos envolvidos: direitos civis e direitos políticos.
Objetivo: proteger o indivíduo em face do Estado.
Caráter: negativo (exigem uma abstenção por parte do Estado).
Nomenclatura: direitos de defesa.
ii. Direitos à prestação.
Direitos envolvidos: direitos sociais.
Objetivo: garantir a efetividade dos direitos fundamentais.
Caráter: positivo (exigem prestações jurídicas e materiais por parte do
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Estado).
○ Nomenclatura: direitos prestacionais.
○ Possuem maior dificuldade para sua implementação.
Lembrar da reserva do possível – limitações orçamentárias limitam a
implementação dos direitos prestacionais.
iii. Direito de participação.
Direitos envolvidos: direitos de nacionalidade (art. 12, CF) e direitos
políticos (art. 14, CF) (BRASIL, 1988, on-line).
Objetivo: garantir uma maior participação do indivíduo na vida do Estado.
○ Caráter: positivo e negativo.
○ Nomenclatura: direitos de participação.
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Críticas Doutrinárias feitas à Expressão “Geração” de Direitos
As críticas à expressão “Geração” de Direitos residem em duas ideias
equivocadas: a primeira de que existiria a substituição gradativa de uma
geração por outra. O processo é de acumulação e não de sucessão. A segunda
de que a existência de uma geração posterior depende da maturação da
geração anterior. Vários direitos sociais (tidos como de 2ª geração) surgiram
antes da efetivação de direitos civis (tidos como de 1ª geração), fato ocorrido
com os direitos trabalhistas da Era Vargas.
Ideia equivocada de considerar os direitos de 1ª geração como negativos e não
onerosos enquanto os de 2ª geração como positivos e onerosos.
Consequência: enfraquecimento da normatividade dos direitos sociais.
É necessário o reconhecimento de uma afinidade estrutural entre os direitos
fundamentais.
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FIQUE POR DENTRO
Gerações de Direitos do Homem
Uma crítica à teoria das gerações. Como vimos, parte da doutrina
passou a defender a classificação segundo a qual os direitos eram
divididos por gerações. Essa primeira classificação foi proposta de
forma despretensiosa por Karel Vasak. A primeira dessas gerações seria
a liberdade, a segunda a igualdade e a terceira a fraternidade. Não
obstante o sucesso dessa primeira classificação, houve quem dela
discordasse. Os outros autores que se debruçaram sobre o tema
achavam que o termo geração daria uma ideia de que uma geração
superaria e tomaria o lugar da outra.
George Marmelstein Lima debruça-se sobre o tema em artigo intitulado
“Críticas à teoria das gerações (ou mesmo dimensões) dos direitos
fundamentais”.
https://jus.com.br/artigos/4666/criticas-a-teoria-das-geracoes-ou-
mesmo-dimensoes-dos-direitos-fundamentais.
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https://jus.com.br/artigos/4666/criticas-a-teoria-das-geracoes-ou-mesmo-dimensoes-dos-direitos-fundamentais
https://jus.com.br/artigos/4666/criticas-a-teoria-das-geracoes-ou-mesmo-dimensoes-dos-direitos-fundamentais
○ Por exemplo: dificuldade de desvincular.
i´. Direitos fundamentais de primeira dimensão.
Valor: liberdade.
Objetivo: proteger o indivíduo em face da atuação do Estado.
Direitos envolvidos: direitos civis e direitos políticos.
Por exemplo: direito à vida, à liberdade, à propriedade, à manifestação, à
expressão, à associação, ao voto, ao devido processo legal e à igualdade
perante a lei (igualdade formal).
Titularidade: direitos individuais.
Direitos de defesa(cunho negativo) (abstenção do Estado – obrigação de
não fazer).
Está relacionada às liberdades clássicas, negativas ou formais.
Momento histórico.
Surgimento das primeiras constituições escritas.
Surgimento do estado liberal a (estado mínimo).
No modelo de Estado liberal, a atuação do Estado deve ser mínima. Ele deve se
abster de interferir na vida dos cidadãos. Seu papel é o de garantir direitos, e
suas obrigações perante a sociedade têm caráter negativo, estando ligadas às
obrigações de não fazer (os chamados deveres negativos).
No campo econômico, Smith (1983, p. 10) fazia referência à “mão invisível do
mercado”.
ii. Direitos fundamentais de segunda dimensão.
Valor: igualdade.
Objetivo: reduzir as desigualdades existentes.
Direitos envolvidos: direitos sociais, direitos econômicos e direitos culturais.
Envolve também direitos sem conteúdo contraprestacional (aqueles em que
não há obrigatoriedade de prestação pelo Estado. não há a necessidade de
um fazer, como, por exemplo, as liberdades sociais, a liberdade de
sindicalização, o direito de greve, o direito a férias e o direito ao repouso
semanal remunerado.
Titularidade: direitos coletivos.
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01/04/2025, 13:00 Unidade 2
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Direitos prestacionais (cunho positivo).
Os Direitos Fundamentais de Segunda Dimensão demandam atuação do
Estado; há uma obrigação de fazer (por exemplo: saúde, trabalho, assistência
social, educação).
Está relacionada às liberdades positivas, reais ou concretas.
○ Previsão constitucional: art. 6° e ss.
○ Momento histórico: crise do modelo capitalista.
Revolução Industrial
A alteração da realidade social faz surgir novas demandas perante o Estado. O
século XIX foi marcado por uma profunda exploração do operário (luta do
proletariado).
Primavera dos Povos (1848).
Manifesto Comunista (1848).
Constituição francesa (1848).
A Constituição francesa é a precursora do Estado do Bem-Estar Social.
Geralmente, são mencionadas a Constituição do México (1917) e a
Constituição alemã (1919), sendo esquecida a Constituição francesa de 1848.
Criação da organização internacional do trabalho.
Surgimento do Estado do bem-estar social (welfare state ou estado
providência).
iii. Direitos fundamentais de terceira dimensão.
Valor: fraternidade.
Direitos envolvidos: direito ao meio ambiente. Segundo Bonavides:
[...] a globalização política na esfera da normatividade jurídica introduz
os direitos de quarta geração, que, aliás, correspondem à derradeira fase
de institucionalização do Estado Social. São direitos de quarta geração o
direito à democracia, o direito à informação e o direito ao pluralismo.
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Deles dependem a concretização da sociedade aberta para o futuro, em
sua dimensão de máxima universalidade, para a qual parece o mundo
inclinar-se no plano de todas as relações de convivência (2019, p. 321).
Titularidade: direitos difusos (família, grupo, nação).
Momento histórico.
Constatação da divisão entre países ricos e países pobres, desenvolvidos e
subdesenvolvidos.
Doutrina discute quanto à existência de outras dimensões.
Direitos fundamentais de quarta dimensão (BONAVIDES, 2019, p. 322).
Direitos envolvidos: direito à democracia, direito de informação e pluralismo
político.
Para alguns autores, a 4ª dimensão seria integrada pelos direitos das minorias,
direitos vinculados à biotecnologia e direitos intergeracionais.
Questão da Diferença Cultural
A questão atual é a diferença cultural e a dificuldade da sociedade em viver
com o diferente. Bobbio (2004, p. 37), em A era dos direitos, trata da tolerância
e da intolerância e reconhece que ambas podem ora ser benéficas, ora
prejudiciais.
Por exemplo: intolerância às violações aos direitos humanos – intolerância
boa. Não aceitação do diferente – intolerância má.
O direito à verdade e o direito à memória envolvem o direito de proteção da
cultura histórica do diferente (por exemplo, índios, imigrantes etc.).
A intolerância decorrente do choque de culturas e de religiões e caracteriza
uma violação ao direito ao pluralismo. A superação dessa situação está
necessariamente ligada à questão do direito de informação. O diferente (por
questão cultural ou religiosa) somente será respeitado quando for
conhecido.
Pluralismo Político
Pluralismo político não se limita ao pluralismo político partidário (por exemplo,
pluralismo de ideias).
Direitos Fundamentais e as Questões Territoriais
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01/04/2025, 13:00 Unidade 2
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As ameaças aos direitos fundamentais não se limitam aos limites territoriais, e
as questões que envolvem tais direitos extrapolam esses limites. As ameaças
são globais. Os direitos fundamentais precisam trabalhar essas ameaças
globais.
Direitos fundamentais de quinta dimensão (BONAVIDES, 2019, p. 322).
Direito envolvido: direito à paz mundial (a paz mundial interessa a todos).
Outros autores apontam para outras realidades:
Patrimônio da humanidade – Unesco. Nesses casos, o Estado tem um dever a
mais de proteger esses patrimônios. São patrimônios que não pertencem ao
Estado ou a uma determinada pessoa, e sim de interesse de todos.
Direitos da natureza (visão ecocêntrica): reconhecimento da natureza como
sujeito de direito.
Direitos dos animais (visão ecocêntrica): reconhecimento dos animais como
sujeito de direito.
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SAIBA MAIS
Animais como Sujeitos de Direito
Os animais, no ordenamento jurídico brasileiro, não são protegidos pelos
Direitos Fundamentais. Esses, como já vimos, são direcionados à Pessoa
Humana. Contudo, é importante a leitura do Artigo 225, § 1º da Constituição
Federal de 1988:
(art. 225, § 1º, VII, CF) (BRASIL, 1988, on-line) vedação de
práticas que submetam os animais à crueldade.
CF
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo
para as presentes e futuras gerações.
§ 1º. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao
Poder Público:
“VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as
práticas que coloquem em risco sua função ecológica,
provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais
a crueldade (Regulamento)”.
Quem seria o titular desse direito? No trecho “todos têm direito”, o
direcionamento é para a espécie humana. Ela tem o direito a um meio
ambiente ecologicamente equilibrado e, para que isso possa tornar-se
realidade há o dever de proteção. Assim, no ordenamento brasileiro, não é
possível defender que os animais seriam sujeitos de direito, mas o dispositivo
constitucional representa uma aproximação dessa concepção.
Para saber mais, consulte o link:
https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_26.06.2019/art_225_.asp
01/04/2025, 13:00 Unidade 2
https://ava.auden.edu.br/course/view.php?id=90# 31/38
https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_26.06.2019/art_225_.asp
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A-
SAIBA MAIS
Quadro 2.1 - Dimensões dos direitos humanos
Fonte: Bonavides (2018, p. 345).
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DIMENSÕES DOS DIREITOS HUMANOS
 
1ª
DIMENSÃO
2ª
DIMENSÃO
3ª DIMENSÃO
4ª
DIMENSÃ
Valor - Liberdade. - Igualdade. - Fraternidade.  
Momento
histórico
- Surgimento
das
primeiras
constituições
escritas.
- Revoluções
liberais.
- Revolução
Industrial.
- Luta do
proletariado.
- Constatação da
divisão dos países
em ricos e pobres;
desenvolvidos e
subdesenvolvidos
 
Direitos
envolvidos
- Direitos
civis.
- Direitos
políticos.
- Direitos
sociais.
- Direitos
econômicos.
- Direitos
culturais.
- Direito ao meio
ambiente.
- Direito à paz.
- Direito ao
desenvolvimento.
- Direito à
autodeterminação
dos povos.
- Direito à
democrac
- Direito d
informaçã
- Pluralism
político.Titularidade
- Direitos
individuais.
- Direitos
coletivos.
- Direitos difusos.  
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Dimensões dos Valores Constitucionais
Piovesan (2018) trabalha com as dimensões que os valores
constitucionalmente previstos podem ter.
a) Dimensão fundamentadora: os valores constitucionalmente previstos
representam o núcleo básico e informador de todo o sistema jurídico-positivo.
b) Dimensão orientadora: os valores constitucionalmente previstos
representam metas e fins predeterminados que fazem ilegítima toda e
qualquer disposição normativa que persiga fins distintos.
c) Dimensão crítica: os valores constitucionalmente previstos servem como
critério ou parâmetro de valoração de atos e condutas.
ATIVISMO JUDICIAL – RESERVA DO POSSÍVEL – MÍNIMO EXISTENCIAL.
Teoria da reserva do possível – a efetivação de direitos encontra obstáculos
nos limites orçamentários existentes. A Administração Pública é, por definição,
a gestão de meios escassos para atender a necessidades ilimitadas.
Limites à implementação de políticas públicas pelo Poder Judiciário:
a) Aspectos fáticos.
b) Aspectos jurídicos:
i. Separação dos poderes.
ii. Gasto deve ter previsão em leis orçamentárias.
iii. Falta de legitimação dos membros do poder legislativo.
a) Aspectos fáticos: a possibilidade de implementação de políticas públicas
encontra obstáculo nos limites do orçamento do Estado. O limite material
seria a disponibilidade de recursos da administração.
Entre os direitos fundamentais, aqueles classificados como pertencentes à
2ª dimensão de direitos fundamentais demandam uma prestação positiva do
Estado. Se esse deixa de adotar as medidas necessárias à realização concreta
dos preceitos da constituição, se deixa de cumprir o dever de prestação que
a constituição lhe impôs, incidirá em violação negativa do texto
constitucional.
De qualquer forma, o judiciário não pode, sob o pretexto de uma garantia de
máxima efetividade das normas constitucionais, imputar ao Estado
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responsabilidade irrestrita na garantia de todos os direitos, dados os limites
fáticos à sua implementação.
Teoria do Núcleo Essencial do Direito Fundamental – Mínimo Existencial
O mínimo existencial se caracteriza como subconjunto menor e mais preciso
de direitos sociais indispensáveis a uma existência digna. A administração não
pode deixar de cumprir o núcleo essencial de um direito à prestação se esse se
qualifica como direito fundamental.
Compreende-se como núcleo essencial de um direito fundamental o mínimo
necessário a ser realizado pelo Estado para o reconhecimento do próprio valor
que se almejou resguardar juridicamente. O Estado deve garantir as condições
materiais mínimas.
É um conceito trabalhado pela doutrina para garantir uma eficácia mínima aos
direitos sociais. O texto constitucional consagra um grande número de
direitos, mas nem todos podem ser efetivados frente à limitação orçamentária
existente. Assim, a doutrina/jurisprudência identifica um grupo diretamente
ligado ao mínimo para uma existência digna. Frente a esse, não é possível a
alegação do princípio da reserva do possível.
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Considerações Finais
Trabalhamos, nesta unidade, os direitos fundamentais e verificamos sua
proximidade e suas diferenças com os direitos humanos. Além disso,
estudamos o tratamento constitucional dos direitos fundamentais e as
gerações e dimensões desses.
É importante agora que o(a) aluno(a) se questione: qual a importância dos
direitos fundamentais em minha vida? Pergunta complexa, não é mesmo? Ao
falarmos de dimensões dos direitos fundamentais, falamos sobre a primeira
delas, que é a liberdade. Você já refletiu sobre como a liberdade é importante
A+
A-
INDICAÇÃO DE LEITURA
Teoria Geral dos Direitos Fundamentais
Autores: Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins
Ano: 2019
Editora: Atlas
ISBN: 9788522487219
Sinopse: Uma pesquisa séria e profunda acerca dos direitos e garantias
fundamentais. Os autores Dimitri Dimoulis e Leonardo Martins
mergulham no ordenamento jurídico-constitucional brasileiro por meio
de um excelente estudo. De forma bem didática, eles buscam relacionar
os problemas enfrentados por todos nós brasileiros e a proteção
constitucional adquirida. Leitura recomendada para quem quer se
aprofundar no tema.
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para cada um de nós. O fato de você ter ido à padaria, ao shopping ou mesmo
ficado em casa é um ato de liberdade garantido constitucionalmente.
E ao pensar nas mazelas da vida, nas oportunidades de emprego, de viajar, de
passear, você já se imaginou igual aos demais? Já teve seu direito perseguido e
clamou por igualdade?
Por fim, por várias vezes nos pegamos pensando no futuro e no mundo que
deixaremos para aqueles que chegarão depois de nós. Você agora sabe que
isso é um direito de terceira dimensão ligado à fraternidade. Como é bom
estudar, não é mesmo? Passemos agora, na próxima unidade, a tratar dos
direitos humanos propriamente ditos.
Atividade
Weiss e Kroetz estão conversando sobre suas vidas e suas conquistas. Em determinado
momento, Weiss diz que o fato de pagar boletos o faz ser extremamente infeliz e propõe a
Kroetz que ele pague suas contas, e, em troca, se tornaria seu escravo, suportando, inclusive,
penas corporais pelos seus erros. Kroetz aceita sem pensar duas vezes. Com base na narrativa
apresentada, assinale a alternativa correta.
Weiss pode abrir mão de seu direito fundamental à liberdade, contudo Kroetz deve antes
pagar um valor por ele para caracterizar o contrato de escravidão.
O Contrato de Escravidão é válido e foi previsto na Lei Áurea, vigente nos dias atuais.
Não é possível que Weiss abra mão de seu direito fundamental de liberdade em favor de
Kroetz. Ele deve antes oferecer tal direito ao Estado, que, recusando, garante a quem pediu o
direito de vender-se livremente.
A doutrina defende que há uma proibição de retrocesso nos direitos fundamentais, ou seja,
não é possível alguém abrir mão de sua própria liberdade em troca da escravidão.
Não é possível, nesse caso, Weiss se tornar escravo de Kroetz.
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Atividade
A frase “Direitos humanos para humanos direitos” esconde vários preconceitos, um deles a
tentativa de construção de dois tipos de humanidades, os que estão certos e os que estão
errados. Essa não é uma característica dos direitos fundamentais ou dos direitos humanos. Essa
dualidade não foi abarcada pela luta e construção de tais direitos. A respeito da eficácia dos
direitos fundamentais, assinale a alternativa correta.
A eficácia vertical traduz a noção clássica, na qual os direitos fundamentais visam proteger o
cidadão em face do Estado opressor. Todos eles. Sem distinção.
A eficácia horizontal traduz a noção clássica na qual os direitos fundamentais visam proteger
o cidadão em face do Estado opressor. Todos eles.
Não é possível a aplicação de direitos fundamentais nas relações entre particulares. Assim, o
Estado pode tratar de forma diferente pessoas de situações semelhantes, ainda que sem
justificativa.
O direito fundamental dos bandidos deve ser diminuído sempre, ou seja, quem comete crimes
perde o direito a ter direitos.
Eficácia horizontal e eficácia vertical dizem respeito, respectivamente, à proteção do cidadão
contra o Estado e à proteção do cidadão contra outro cidadão.
Atividade
A doutrina costuma usar as expressões “geração de direitos” e “dimensões de direitos”
fundamentais. Qual a diferença entre esses dois termos?
Geração é gênero do qual as dimensões são espécies.
Dimensão é gênero, e gerações são espécies de direitos fundamentais.
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Geração dá a ideia de momentos que serão superados (uma geração supera ou substitui a
outra), enquanto dimensão dá a ideia de continuidade de todas as conquistas.
A liberdade é considerada pela doutrina direito de 2ª dimensão, enquanto a igualdade é
considerada de 1ª geração.
A liberdade é considerada pela doutrina direito de 1ª dimensão, enquanto a igualdade é
considerada de 3ª geração.
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