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<p>Fichamento - Curso DE Direito Constitucional - Dirley DA</p><p>Cunha JR. (02)</p><p>Direito Constitucional (Universidade Federal da Bahia)</p><p>Digitalizar para abrir em Studocu</p><p>A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade</p><p>Fichamento - Curso DE Direito Constitucional - Dirley DA</p><p>Cunha JR. (02)</p><p>Direito Constitucional (Universidade Federal da Bahia)</p><p>Digitalizar para abrir em Studocu</p><p>A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-federal-da-bahia/direito-constitucional/fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02/73282666?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>https://www.studocu.com/pt-br/course/universidade-federal-da-bahia/direito-constitucional/3584153?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-federal-da-bahia/direito-constitucional/fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02/73282666?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>https://www.studocu.com/pt-br/course/universidade-federal-da-bahia/direito-constitucional/3584153?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA</p><p>FACULDADE DE DIREITO</p><p>PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO</p><p>FICHAMENTO SOBRE OS CAPÍTULOS I, X, XI, XII, XIII DO LIVRO:</p><p>CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL – DIRLEY DA CUNHA JR.</p><p>Salvador</p><p>2023</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>ALICE FREITAS DE OLIVEIRA EVANGELISTA</p><p>FICHAMENTO SOBRE OS CAPÍTULOS I, X, XI, XII, XIII DO LIVRO: CURSO</p><p>DE DIREITO CONSTITUCIONAL – DIRLEY DA CUNHA JR., 16º edição.</p><p>Este fichamento, apresentado à</p><p>disciplina Direitos Fundamentais e</p><p>Direitos Humanos, do Programa de</p><p>Pós-Graduação em Direito da</p><p>Universidade Federal da Bahia, como</p><p>requisito parcial de avaliação da</p><p>disciplina.</p><p>Professor: Dirley da Cunha Jr.</p><p>Salvador</p><p>2023</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL</p><p>CAPÍTULO I – CONSTITUCIONALISMO</p><p>1. ORIGEM E CONCEITO</p><p>O constitucionalismo ao longo da história representou um movimento de grande</p><p>importância, dando origem a dinâmicas históricas conhecidas como ciclos</p><p>constitucionais. Essa influência se fez presente em diversas épocas e eventos do passado.</p><p>O cerne do constitucionalismo reside em ser um movimento histórico, político e</p><p>filosófico que, desde sua concepção, buscou restringir o poder absoluto por meio da</p><p>salvaguarda e garantia das liberdades públicas e dos direitos individuais. Esse movimento</p><p>assumiu a tarefa de impor estruturas legais aos Estados e seus governantes, estabelecendo</p><p>limites claros.</p><p>As primeiras manifestações do constitucionalismo, segundo a maioria dos</p><p>estudiosos, datam do regime teocrático do povo hebreu. Nesse contexto, o movimento</p><p>constitucionalista já começava a se fazer presente, lançando as bases para o</p><p>desenvolvimento posterior de ideias e princípios que moldariam as estruturas de</p><p>governança em diferentes períodos históricos.</p><p>Segundo leciona o mestre Dirley da Cunha Jr.1, na origem, não se pregava o</p><p>constitucionalismo a elaboração de Constituições escritas. Aqui, iniciava-se a soberania</p><p>popular, visando o deslocamento do poder.</p><p>2. DESENVOLVIMENTO</p><p>2.1. CONSTITUCIONALISMO ANTIGO</p><p>Na era subsequente à origem do constitucionalismo e ao período do povo hebreu na</p><p>antiguidade, é possível identificar as manifestações desse movimento em dois momentos</p><p>distintos: primeiro na Grécia e depois em Roma.</p><p>1 CUNHA, Dirley, Curso de Direito Constitucional, p.35.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>Na Grécia, o constitucionalismo ganhou destaque através do movimento político-</p><p>constitucional nas cidades-estado, sobretudo em Atenas. Nesse cenário, emergiu uma</p><p>forma de democracia direta e pura, na qual o povo não apenas era governado, mas também</p><p>participava ativamente no governo. Isso resultou em um regime propenso à liberdade,</p><p>enfatizando a plenitude da soberania popular.</p><p>Por outro lado, em Roma, esse movimento se manifestou durante o período da</p><p>Proclamação da República Romana. Nessa fase, as ideias constitucionalistas se</p><p>destacaram de maneira notável. Com a criação do sistema republicano, estabeleceu-se um</p><p>mecanismo de controle do exercício do poder por meio da interdependência dos poderes,</p><p>formando um sistema de freios e contrapesos. Como resultado, o poder foi fragmentado</p><p>e distribuído entre diversos órgãos políticos, permitindo um controle mútuo entre eles.</p><p>2.2.CONSTITUCIONALISMO MEDIEVAL</p><p>Durante a Idade Média, testemunhamos o advento da Magna Carta de 1215, um</p><p>documento que consagrou os princípios constitucionalistas e, entre outras disposições,</p><p>estabeleceu restrições ao poder absoluto do monarca.</p><p>A Magna Carta surgiu como resultado de um pacto celebrado entre o Rei João Sem</p><p>Terra e os Bispos e Barões ingleses. Nesse contexto, esse documento é reconhecido como</p><p>um marco fundamental que contribuiu para a evolução do devido processo legal. Esse</p><p>avanço, por sua vez, atenuou as prisões arbitrárias, garantindo às pessoas o direito à ampla</p><p>defesa.</p><p>2.3. CONSTITUCIONALISMO MODERNO</p><p>De acordo com o ensinamento do mestre Dirley da Cunha Jr.2, após a Magna Carta</p><p>inglesa, o constitucionalismo deslancha em direção à modernidade, ganhando novos</p><p>contornos.</p><p>Na implantação do constitucionalismo na era moderna, destacaram-se momentos</p><p>singulares. O primeiro foi a revolução liberal que conduziu à independência das colônias</p><p>2 CUNHA, Dirley, Curso de Direito Constitucional, p.37.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>inglesas na América do Norte (EUA) em 1776. Outro ponto relevante foi a criação da</p><p>primeira Constituição escrita do mundo que se deu nos EUA, promulgada em 1787,</p><p>seguida pela França em 1791. Ambas as constituições são caracterizadas por duas</p><p>qualidades distintivas: a estruturação do aparato estatal e a imposição de limites ao poder</p><p>governamental, alcançadas por meio da inclusão de declarações de direitos e garantias</p><p>fundamentais.</p><p>3. NEOCONSTITUCIONALISMO</p><p>O neoconstitucionalismo é um paradigma jurídico que emergiu no final do século</p><p>XX como resposta às transformações sociais, políticas e econômicas que moldaram as</p><p>sociedades modernas. Essa abordagem representa uma evolução no entendimento do</p><p>direito constitucional, buscando superar as limitações</p><p>inerentes às abordagens</p><p>tradicionais do constitucionalismo.</p><p>Esse novo enfoque ressalta a importância central da Constituição como a pedra</p><p>angular de um Estado, promovendo a premissa de que os princípios e valores</p><p>constitucionais devem orientar todas as esferas do direito e a ação governamental.</p><p>No contexto do neoconstitucionalismo, a Constituição é concebida como uma norma</p><p>máxima e essencial, à qual todas as outras leis e ações devem estar em harmonia. Isso</p><p>acarreta que a Constituição não pode ser modificada com facilidade e possui um estatuto</p><p>singular.</p><p>3.1.PATRIOTISMO CONSTITUCIONAL</p><p>O conceito de Patriotismo Constitucional surge do pensamento do filósofo alemão</p><p>Jürgen Habermas e descreve uma forma de ligação com a nação que tem origem nos</p><p>valores e princípios estabelecidos na Constituição. Ao contrário do nacionalismo</p><p>tradicional, que se apoia em características étnicas, culturais ou religiosas, este modelo</p><p>de patriotismo destaca-se.</p><p>Nesse sentido, o Patriotismo Constitucional representa uma abordagem ponderada,</p><p>enraizada na visão da Constituição como um contrato social que garante direitos e</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>liberdades inalienáveis a todos os cidadãos. Nessa perspectiva, ser patriota significa</p><p>alinhar-se com os fundamentos e conceitos da Constituição e empenhar-se em tornar esses</p><p>princípios realidade.</p><p>O propósito do Patriotismo Constitucional é fortalecer os pilares da democracia e a</p><p>coesão social. Através da promoção do respeito pelos direitos humanos e pela justiça</p><p>social, esse tipo de patriotismo busca uma trajetória em direção a uma sociedade mais</p><p>igualitária e inclusiva.</p><p>Em resumo, o Patriotismo Constitucional, tal como definido por Jürgen Habermas,</p><p>apresenta uma visão de ligação com a nação que se baseia nos princípios fundamentais</p><p>da Constituição e tem como objetivos o fortalecimento da democracia e a promoção da</p><p>justiça social.</p><p>3.2.TRANSCONSTITUCIONALISMO</p><p>O transconstitucionalismo representa uma teoria no campo do direito constitucional</p><p>que examina as interações entre distintas esferas legais, abrangendo tanto aquelas de</p><p>natureza estatal quanto aquelas de caráter transnacional, internacional e supranacional.</p><p>Este conceito foi formulado por Marcelo Neves, um renomado jurista brasileiro, e</p><p>encontra-se delineado em sua obra intitulada “Transconstitucionalismo”3.</p><p>Neves concebe o transconstitucionalismo como um fenômeno resultante da</p><p>globalização e da intrincada relação entre as diversas ordenações jurídicas. Nos tempos</p><p>contemporâneos, questões constitucionais transcendem as fronteiras de uma única esfera</p><p>legal, sendo compartilhadas entre múltiplas jurisdições.</p><p>Uma ilustração pertinente de problemática transconstitucional é observada na</p><p>salvaguarda dos direitos humanos. Embora os direitos humanos sejam reconhecidos em</p><p>todas as ordens jurídicas modernas, sua interpretação e aplicação não raro diferem. Nesse</p><p>contexto, o transconstitucionalismo assume o papel de promover a coerência na</p><p>interpretação e implementação dos direitos humanos entre as distintas esferas legais.</p><p>O transconstitucionalismo se apresenta como uma teoria ainda em processo de</p><p>desenvolvimento, carecendo de um consenso consolidado em relação aos seus princípios</p><p>3 NEVES, Marcelo. Transconstitucionalismo. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>e ramificações. Contudo, o conceito gradativamente vem conquistando a aceitação de</p><p>juristas e estudiosos do direito constitucional, com o potencial de contribuir para a</p><p>construção de um sistema legal global mais equitativo e eficaz.</p><p>Dentre os principais pilares do transconstitucionalismo, destacam-se: o</p><p>reconhecimento da interdependência entre diferentes esferas legais; a necessidade de</p><p>diálogo e cooperação entre essas diversas jurisdições; e a ênfase na proteção dos direitos</p><p>humanos e valores constitucionais partilhados.</p><p>Apesar da adesão crescente ao transconstitucionalismo por parte de juristas e</p><p>acadêmicos, críticas não faltam, especialmente daqueles que defendem a soberania das</p><p>ordenações legais nacionais. Ainda assim, defensores do transconstitucionalismo</p><p>argumentam que o conceito se afigura essencial para lidar com os desafios impostos pela</p><p>globalização e pela interdependência entre múltiplas esferas legais.</p><p>3.3.ESTADO CONSTITUCIONAL COOPERATIVO</p><p>A teoria política elaborada pelo jurista alemão Peter Häberle, conhecida como Estado</p><p>Constitucional Cooperativo, postula a necessidade de colaboração entre Estados a fim de</p><p>fomentar os direitos humanos e a democracia.</p><p>Aqui, propõe-se que o Estado Constitucional Cooperativo representa uma progressão</p><p>em relação ao Estado Constitucional. O último é caracterizado por ser um Estado</p><p>democrático de direito, fundamentado no princípio da soberania popular. Por outro lado,</p><p>o conceito de Estado Constitucional Cooperativo transcende a noção de soberania popular</p><p>e reconhece a significância da cooperação em âmbito internacional.</p><p>O argumento central de Häberle reside na essencialidade da cooperação internacional</p><p>para a promoção dos direitos humanos e da democracia em um contexto globalizado.</p><p>Desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, o terrorismo e a migração, não</p><p>são passíveis de solução por um único Estado isoladamente. A cooperação entre Estados</p><p>torna-se imperativa para identificar soluções eficazes a tais questões.</p><p>3.4. O NOVO CONSTITUCIONALISMO LATINO-AMERICANO</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>O movimento do Novo Constitucionalismo Latino-americano surge na região da</p><p>América Latina como uma resposta à era de ditaduras militares e às violações dos direitos</p><p>humanos que a marcaram. Esse movimento propõe uma abordagem renovada do</p><p>constitucionalismo, caracterizada por sua natureza participativa, inclusiva e direcionada</p><p>à salvaguarda abrangente dos direitos fundamentais, englobando tanto os direitos sociais,</p><p>quanto os ambientais e culturais.</p><p>Este novo paradigma do constitucionalismo latino-americano é caracterizado por</p><p>algumas características centrais: ampla participação da população; integração dos direitos</p><p>de cunho social; reconhecimento do caráter plurinacional do Estado; e a busca pela</p><p>descolonização do sistema jurídico.</p><p>Algumas das constituições mais proeminentes vinculadas a esse novo movimento são</p><p>as da Bolívia, Equador, México e Brasil. Estes textos constitucionais não somente</p><p>incorporam as características mencionadas previamente, como também se revelaram</p><p>ferramentas cruciais para fomentar os princípios democráticos, a justiça social e a</p><p>sustentabilidade em toda a América Latina.</p><p>3.5. O CONSTITUCIONALISMO NEGRO</p><p>O constitucionalismo negro representa tanto um movimento quanto uma abordagem</p><p>inseridos no âmbito do estudo e aplicação do direito constitucional. Seu foco reside nas</p><p>visões, problemáticas e obstáculos enfrentados pelas comunidades de ascendência</p><p>africana. A proposta central é confrontar as disparidades históricas, sociais e econômicas</p><p>que impactam essas comunidades, valendo-se do direito constitucional como instrumento</p><p>para fomentar a equidade racial, a paridade e os direitos fundamentais.</p><p>O constitucionalismo negro reconhece a tendência de as leis e estruturas legais</p><p>frequentemente manterem a discriminação, segregação e marginalização das</p><p>comunidades negras ao longo do tempo. Esse movimento tem como</p><p>objetivo desafiar</p><p>essas estruturas discriminatórias e se esforça para promover a mudança social, utilizando</p><p>interpretações constitucionais que coloquem ênfase na inclusão, na equidade e na busca</p><p>por reparação.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>O constitucionalismo negro constitui uma abordagem com o propósito de fomentar a</p><p>equidade racial e a justiça social através da utilização do direito constitucional como uma</p><p>ferramenta de mudança. Ao confrontar as normas tradicionais e as interpretações</p><p>convencionais da lei, o constitucionalismo negro busca redefinir conceitos como</p><p>igualdade, liberdade e dignidade humana, para que possam espelhar as realidades</p><p>vivenciadas pelas comunidades negras e suas batalhas por reconhecimento e capacitação.</p><p>O constitucionalismo negro frequentemente ultrapassa limites geográficos, uma vez</p><p>que as batalhas por justiça racial e equidade são questões globais. Ao enfatizar a</p><p>relevância da representação, da expressão e da participação das comunidades negras nos</p><p>âmbitos legais e políticos, essa perspectiva contribui para a formação de sociedades mais</p><p>abertas, progressistas e autenticamente democráticas.</p><p>CAPÍTULO X – TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS</p><p>A Teoria Geral dos Direitos Fundamentais é um ramo da teoria do direito que se</p><p>dedica ao estudo dos direitos fundamentais presentes em sistemas jurídicos democráticos.</p><p>Esses direitos são considerados fundamentais porque são considerados essenciais para</p><p>garantir a dignidade, a liberdade e a igualdade das pessoas, além de constituírem a base</p><p>de um estado de direito democrático.</p><p>2. DELIMITAÇÃO TERMINOLÓGICA E CONCEITUAL DOS DIREITOS</p><p>FUNDAMENTAIS. EM BUSCA DE UM CONCEITO</p><p>CONSTITUCIONALMENTE ADEQUADO DOS DIREITOS</p><p>FUNDAMENTAIS</p><p>Conforme leciona o professor Dirley da Cunha Jr., não há consenso doutrinário sobre</p><p>o conceito de direitos fundamentais. Isso ocorre porque os direitos fundamentais são um</p><p>conjunto de direitos que evoluíram ao longo da história e que, portanto, são definidos de</p><p>diversas maneiras.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>Os direitos fundamentais são também conhecidos como: Liberdades públicas;</p><p>Direitos individuais; Direitos subjetivos; Direitos públicos subjetivos; Direitos humanos</p><p>O Ilmo. autor do texto defende a expressão "direitos fundamentais" como a mais</p><p>adequada para se referir a esses direitos. Essa opção é justificada por dois motivos: É a</p><p>terminologia adotada pela Constituição Federal de 1988 e é a expressão mais abrangente,</p><p>compreendendo todas as outras.</p><p>Assim, direitos fundamentais são direitos essenciais à dignidade da pessoa humana,</p><p>que são garantidos pelo Estado. Eles incluem direitos individuais, sociais, políticos e</p><p>culturais.</p><p>3. A TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLlNEK E AS FUNÇÕES DOS</p><p>DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>A Teoria dos Quatro Estágios de Jellinek representa uma concepção jurídica</p><p>formulada no final do século XIX pelo jurista alemão Georg Jellinek. Seu propósito reside</p><p>na exploração da dinâmica entre o indivíduo e o Estado, por meio da análise aprofundada</p><p>dos direitos fundamentais.</p><p>Essa teoria é frequentemente utilizada para examinar o papel e a evolução dos direitos</p><p>individuais em uma sociedade e como eles interagem com as estruturas estatais.</p><p>Os Quatro Estágios da Teoria de Jellinek são: Função de defesa ou de liberdade;</p><p>Função de prestação; Função de proteção perante terceiros; Função de não descriminação.</p><p>3.1. FUNÇÃO DE DEFESA OU DE LIBERDADE</p><p>Com base nessa função, os direitos fundamentais atuam para evitar que o Estado</p><p>restrinja ou dificulte certas ações do detentor do direito, representando o direito de o</p><p>detentor do direito fundamental não ser impedido em suas ações. Dessa forma, o Estado</p><p>não está autorizado a dificultar o uso de liberdades concedidas (por exemplo, estabelecer</p><p>censura prévia sobre expressões artísticas ou religiosas, limitar a liberdade de movimento</p><p>e o direito de se reunir) nem a criar requisitos excessivos para o exercício de uma</p><p>profissão.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>3.2.FUNÇÃO DE PRESTAÇÃO</p><p>A função de prestação dos direitos fundamentais é a função que garante que o Estado</p><p>proporcione condições para que o indivíduo desenvolva suas potencialidades. Essa</p><p>função está relacionada ao status positivus, que é o status que diz respeito às prestações</p><p>do Estado ao indivíduo.</p><p>Os direitos fundamentais de prestação são aqueles que exigem do Estado a realização</p><p>de ações positivas para garantir o bem-estar do indivíduo. Por exemplo, o direito à</p><p>educação, o direito à saúde, o direito à moradia, o direito ao trabalho, etc. Esses direitos</p><p>são essenciais para a concretização do princípio da igualdade material, que é o princípio</p><p>que garante que todos os indivíduos tenham as mesmas oportunidades de</p><p>desenvolvimento.</p><p>A função de prestação dos direitos fundamentais é uma função importante para a</p><p>construção de uma sociedade justa e democrática. Ela garante que o Estado não apenas</p><p>se abstenha de violar os direitos dos indivíduos, mas também que promova o bem-</p><p>estar de todos.</p><p>3.3. FUNÇÃO DE PROTEÇÃO PERANTE TERCEIROS</p><p>A função de proteção perante terceiros é a função que garante que os direitos</p><p>fundamentais do indivíduo sejam protegidos também contra a ação de outros indivíduos.</p><p>Essa função está relacionada ao status subjectionis, que é o status que diz respeito às</p><p>obrigações do indivíduo perante o Estado.</p><p>Os direitos fundamentais de proteção perante terceiros são aqueles que garantem que</p><p>os indivíduos não sejam vítimas de violações de seus direitos por outros indivíduos. Por</p><p>exemplo, o direito à vida, o direito à integridade física, o direito à honra, o direito à</p><p>imagem, etc. Esses direitos são essenciais para a garantia da dignidade humana, que é o</p><p>valor fundamental que fundamenta os direitos fundamentais.</p><p>A função de proteção perante terceiros é uma função importante para a construção</p><p>de uma sociedade justa e democrática. Ela garante que os indivíduos não sejam vítimas</p><p>de abusos ou violência por outros indivíduos.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>3.4. FUNÇÃO DE NÃO DISCRIMINAÇÃO</p><p>A função de não discriminação dos direitos fundamentais é a função que garante que</p><p>todos os indivíduos sejam tratados de forma igual perante a lei, independentemente de</p><p>sua raça, religião, gênero, orientação sexual, deficiência, etc. Essa função está relacionada</p><p>ao princípio da igualdade, que é um dos princípios fundamentais que fundamentam os</p><p>direitos fundamentais.</p><p>A função de não discriminação é uma função essencial para a construção de uma</p><p>sociedade justa e democrática. Ela garante que todos os indivíduos sejam respeitados em</p><p>sua dignidade humana e que tenham as mesmas oportunidades de desenvolvimento.</p><p>Em resumo, a Teoria dos Quatro Estágios de Jellinek oferece uma estrutura para</p><p>entender a evolução dos direitos individuais em relação ao Estado e como esses direitos</p><p>desempenham diferentes funções ao longo dessa evolução.</p><p>4. ANTECEDENTES HISTÓRICOS E EVOLUÇÃO DOS DIREITOS</p><p>FUNDAMENTAIS</p><p>4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS</p><p>4.2.AS DECLARAÇÕES DE DIREITOS</p><p>Os antecedentes históricos dos direitos fundamentais remontam à Antiguidade,</p><p>quando já se observava a preocupação com a proteção de alguns direitos, como a vida, a</p><p>propriedade e a liberdade religiosa. No entanto, foi apenas no século XVIII, com o</p><p>Iluminismo,</p><p>que os direitos fundamentais ganharam um novo impulso.</p><p>Os pensadores iluministas, como John Locke, Montesquieu e Voltaire, defendiam a</p><p>ideia de que os homens nascem livres e iguais, com direitos inalienáveis. Essas ideias</p><p>influenciaram o movimento constitucionalista, que se desenvolveu na Europa no final do</p><p>século XVIII e início do século XIX.</p><p>Um dos principais marcos da evolução dos direitos fundamentais foi a Declaração</p><p>dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte</p><p>Francesa em 1789. Essa declaração consagrou os princípios da liberdade, igualdade e</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>fraternidade, bem como uma série de direitos civis e políticos, como a liberdade de</p><p>expressão, a liberdade de reunião e a liberdade de religião.</p><p>A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão inspirou a elaboração de outras</p><p>declarações de direitos, como a Declaração dos Direitos dos Estados Unidos, de 1791, e</p><p>a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.</p><p>As revoluções liberais, inglesa, americana e francesa, e suas respectivas declarações</p><p>de Direitos, foram essenciais para a afirmação histórica dos direitos humanos.</p><p>4.2.1. A MAGNA CARTA</p><p>A Magna Carta (1215) consistiu em um diploma contra os abusos do monarca João</p><p>Sem Terra, na Inglaterra. A Carta trouxe a ideia de governo representativo e direitos que,</p><p>posteriormente, seriam universalizados, atingindo todos os indivíduos.</p><p>Esse diploma esteve inserido no período da Idade Média, em que se tinha os feudos,</p><p>cujo sistema era o de divisão de classes. No séc. XVII, tem-se o questionamento do Estado</p><p>Absolutista, em que se buscou limitar o poder do soberano. É com essa ideia que se</p><p>consagra em 1628, a Petition of Right.</p><p>4.2.2. A PETITION OF RIGHT</p><p>A Petition of Right (1628) trata sobre conceito de legalidade. Visando limitar o poder</p><p>do monarca, o baronato inglês, representando pelo Parlamento, estabelece o dever do Rei</p><p>de não cobrar impostos sem a autorização do Parlamento. Além disso, determina que</p><p>nenhum homem livre pode ser detido ou privado de seus bens, das suas liberdades e</p><p>franquias, ser molestado, ou exilado, senão em virtude de sentença legal dos seus pares</p><p>ou da lei do seu país. A exigência de lei, auxiliará em parte importante do devido processo</p><p>legal a ser implementado.</p><p>4.2.3. O HABEAS CORPUS ACT</p><p>O Habeas Corpus Act (1679) é o ato que estabelece algumas normativas para o</p><p>habeas corpus; ideia de apresentar o corpo, ter o corpo presente.</p><p>Era uma medida de liberdade individual e dos seus bens - não era apenas o direito de</p><p>ir e vir como se encontra constitucionalizado.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>4.2.4. O BILL OF RIGHTS</p><p>O Bill of Rights (1689) concede grande poder ao parlamento. Surgiu após a</p><p>Revolução Gloriosa, em que é editada a Declaração Inglesa de Direitos, que visou limitar</p><p>o poder autocrático do Rei, do soberano.</p><p>Afirma a vontade da lei sobre a vontade absolutista do rei.</p><p>A Petition of Right e o Bill of Rigths (Revolução Gloriosa), consagraram a</p><p>supremacia do Parlamento e o império da lei.</p><p>4.2.5. O ACT OF SETTLEMENT</p><p>O Act of Settlement (ou Ato de Estabelecimento) é um ato do Parlamento da</p><p>Inglaterra que foi aprovado em 1701. Ele estabeleceu a sucessão protestante ao trono</p><p>inglês e irlandês, e também reforçou o poder do Parlamento.</p><p>O ato foi promulgado em resposta à deposição do rei Jaime II, um católico, em 1688.</p><p>Os parlamentares ingleses temiam que a sucessão do filho de Jaime II, o rei católico</p><p>Guilherme III, pudesse levar a um retorno do absolutismo e da perseguição religiosa.</p><p>4.2.6. A DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO BOM POVO DA VIRGÍNIA</p><p>A Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia é um documento histórico</p><p>elaborado em 1776, em meio à Revolução Americana.</p><p>A Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia é um documento histórico</p><p>elaborado em 1776, em meio à Revolução Americana. Foi escrita por Thomas Jefferson,</p><p>um dos líderes da independência americana, e foi adotada pelo Primeiro Congresso da</p><p>Virgínia.</p><p>O documento é uma das declarações de direitos mais importantes da história. Ela é</p><p>considerada um marco do Iluminismo e da Revolução Americana, e influenciou a</p><p>elaboração de outras declarações de direitos, como a Declaração de Independência dos</p><p>Estados Unidos e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p><p>A Declaração de Direitos da Virgínia proclama que todos os homens nascem livres e</p><p>iguais, e que têm certos direitos naturais, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>Ela também afirma que o governo existe para proteger esses direitos, e que os cidadãos</p><p>têm o direito de se rebelar contra um governo que não atenda a essa função.</p><p>4.2.7. A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO</p><p>A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão representa um registro histórico</p><p>produzido em 1789 pela Assembleia Nacional Constituinte da França. Reconhecida como</p><p>um ponto crucial da Revolução Francesa, esse texto figura entre os documentos mais</p><p>significativos na trajetória dos direitos humanos ao longo da história.</p><p>A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão proclama a inata liberdade e</p><p>igualdade em direitos de todos os indivíduos desde o nascimento, enfatizando que tais</p><p>direitos são intrínsecos, inalienáveis e sacrossantos. Além disso, estabelece que o</p><p>propósito do governo é salvaguardar esses direitos, e que os cidadãos mantêm o direito</p><p>de se insurgir contra um governo que negligencie esse dever.</p><p>A influência da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é evidente na</p><p>criação de outras declarações de direitos, como a Declaração de Independência dos</p><p>Estados Unidos e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Seu impacto estende-se</p><p>à inclusão nos textos constitucionais de várias nações, incluindo o Brasil.</p><p>4.2.8. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM</p><p>A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento</p><p>internacional que proclama os direitos fundamentais de todos os seres humanos, sem</p><p>distinção de raça, sexo, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social,</p><p>riqueza, nascimento ou qualquer outra condição.</p><p>A DUDH foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro</p><p>de 1948, após a Segunda Guerra Mundial. Ela foi um marco na história dos direitos</p><p>humanos, pois estabeleceu um conjunto de direitos e liberdades universais que todos os</p><p>povos e nações devem respeitar e garantir.</p><p>A DUDH não é um tratado internacional, mas é um documento de referência que</p><p>inspirou muitas leis e constituições nacionais. Ela também é o fundamento do sistema</p><p>internacional de direitos humanos, que inclui órgãos e mecanismos para a proteção e</p><p>promoção dos direitos humanos.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>4.3. A EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: OS DIREITOS</p><p>FUNDAMENTAIS DE PRIMEIRA, SEGUNDA, TERCEIRA E QUARTA</p><p>GERAÇÃO OU DIMENSÃO</p><p>A evolução dos direitos fundamentais é um processo histórico que acompanha o</p><p>desenvolvimento da sociedade humana. Os direitos fundamentais são direitos e garantias</p><p>que são essenciais para a dignidade da pessoa humana e para a construção de uma</p><p>sociedade justa e igualitária.</p><p>A classificação dos direitos fundamentais em gerações ou dimensões é uma forma de</p><p>organizar e compreender esse processo evolutivo. Essa classificação foi proposta pelo</p><p>jurista Karel</p><p>Vasak, em 1979, e divide os direitos fundamentais em três gerações:</p><p> Primeira geração ou dimensão: os direitos fundamentais de primeira geração são</p><p>os direitos civis e políticos. Esses direitos são voltados para a proteção da</p><p>liberdade individual, como o direito à vida, à liberdade de expressão, à liberdade</p><p>de reunião e à liberdade de associação.</p><p> Segunda geração ou dimensão: os direitos fundamentais de segunda geração são</p><p>os direitos econômicos, sociais e culturais. Esses direitos são voltados para a</p><p>promoção da igualdade e da justiça social, como o direito ao trabalho, à educação,</p><p>à saúde, à seguridade social e à moradia.</p><p> Terceira geração ou dimensão: os direitos fundamentais de terceira geração são</p><p>os direitos de solidariedade. Esses direitos são voltados para a proteção de</p><p>interesses difusos ou coletivos, como o direito ao meio ambiente, à paz, ao</p><p>desenvolvimento sustentável e à paz.</p><p> Quarta geração são os direitos relacionados às tecnologias da informação e da</p><p>comunicação (TICs). Eles incluem o direito à privacidade digital, o direito à</p><p>autodeterminação informativa e o direito ao acesso à informação. Esses direitos</p><p>são essenciais para a proteção da liberdade individual e para a construção de uma</p><p>sociedade justa e igualitária no mundo digital.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p> Quinta geração são os direitos relacionados à paz, à democracia e ao meio</p><p>ambiente. Eles incluem o direito à paz, o direito à democracia direta e o direito ao</p><p>meio ambiente sustentável. Esses direitos são essenciais para a proteção da</p><p>dignidade da pessoa humana e para a construção de um mundo mais pacífico,</p><p>democrático e sustentável.</p><p>A classificação de Vasak tem sido criticada por alguns juristas, que argumentam que</p><p>ela é simplista e não reflete a complexidade da evolução dos direitos fundamentais. No</p><p>entanto, essa classificação continua sendo um marco importante no estudo dos direitos</p><p>fundamentais, pois ajuda a compreender o processo histórico de expansão e consolidação</p><p>desses direitos.</p><p>Além das três gerações ou dimensões tradicionais, alguns juristas têm proposto a</p><p>inclusão de uma quarta geração de direitos fundamentais. Os direitos fundamentais de</p><p>quarta geração seriam os direitos relacionados às tecnologias da informação e da</p><p>comunicação (TICs), como o direito à privacidade digital, o direito à autodeterminação</p><p>informativa e o direito ao acesso à informação.</p><p>5. FUNDAMENTOS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>De acordo com o texto, a doutrina dos direitos do Homem questiona a fundamentação</p><p>filosófica desses direitos, ou seja, busca-se descortinar uma justificação que os torne</p><p>necessários e os reforce. Nesse contexto, existem diversas concepções jusfilosóficas que</p><p>esgrimem, com argumentos não raro excludentes entre si, as concepções justificadoras</p><p>dos direitos do Homem.</p><p>As principais concepções são:</p><p>Jusnaturalismo: os direitos do Homem são imperativos do direito</p><p>natural, inatos ao ser humano, anteriores e superiores ao Estado.</p><p>Positivismo: os direitos do Homem são franquias previstas e</p><p>concedidas por lei.</p><p>Idealismo: os direitos do Homem são pautas ideais recolhidas ao</p><p>longo do tempo.</p><p>Realismo: os direitos do Homem são o resultado da experiência</p><p>concreta haurida das lutas políticas, econômicas e sociais.</p><p>Diante da variedade dos fundamentos encontrados e expostos pelas inúmeras</p><p>concepções filosóficas e da dificuldade em harmonizá-los, alguns autores chegam a ver</p><p>com indiferença o debate acerca dos fundamentos dos direitos fundamentais, negando-</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>lhes qualquer utilidade. Bobbio é enfático quando afirma que o problema dos direitos do</p><p>Homem não é fundamentá-los, mas sim realizá-los e protegê-los.</p><p>Bobbio4 entende, portanto, que é uma ilusão buscar-se um fundamento absoluto para</p><p>os direitos fundamentais, que são direitos historicamente relativos e estruturalmente</p><p>diversos. Contra essa ilusão ele levanta quatro dificuldades:</p><p>Primeira dificuldade de conciliar os diversos fundamentos</p><p>propostos: Nenhuma das concepções jusfilosóficas é capaz de</p><p>oferecer um fundamento absoluto para os direitos fundamentais,</p><p>que sejam aceitos por todos.</p><p>Segunda dificuldade de compatibilizar os direitos fundamentais</p><p>com as demais normas jurídicas: Os direitos fundamentais não</p><p>são normas absolutas, mas devem ser compatibilizados com as</p><p>demais normas jurídicas, como as leis e os costumes.</p><p>Terceira dificuldade de dar efetividade aos direitos</p><p>fundamentais: Mesmo que se encontre um fundamento absoluto</p><p>para os direitos fundamentais, isso não garante que eles serão</p><p>efetivamente respeitados.</p><p>Quarta dificuldade de superar as divergências políticas sobre os</p><p>direitos fundamentais: As divergências políticas sobre os direitos</p><p>fundamentais são frequentemente insuperáveis, o que dificulta a</p><p>sua fundamentação.</p><p>Concluindo, Bobbio defende que o problema fundamental dos direitos do Homem</p><p>não é fundamentá-los, mas sim realizá-los e protegê-los.</p><p>6. A CONSTITUCIONALlZAÇÃO DAS DECLARAÇÕES DE DIREITOS, A</p><p>FUNÇÃO LEGITIMADORA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS E SEU</p><p>REGIME JURÍDICO-CONSTITUCIONAL REFORÇADO</p><p>A constitucionalização das declarações de direitos é um fenômeno que ocorre quando</p><p>os direitos fundamentais, que inicialmente foram proclamados em documentos de</p><p>natureza não-constitucional, são incorporados à Constituição. Esse fenômeno tem sido</p><p>observado em diversos países ao redor do mundo, e no Brasil, teve início com a</p><p>Constituição de 1988.</p><p>A constitucionalização dos direitos fundamentais tem uma série de implicações</p><p>importantes. Primeiramente, ela confere a esses direitos um status jurídico superior,</p><p>tornando-os mais difíceis de serem restringidos pelo Estado. Em segundo lugar, ela</p><p>4 BOBBIO, Norberto. A era dos Direitos, p.24.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>fortalece a função legitimadora dos direitos fundamentais, tornando-os um fundamento</p><p>do Estado de Direito e da democracia.</p><p>O regime jurídico-constitucional reforçado dos direitos fundamentais é uma</p><p>decorrência da sua constitucionalização. Esse regime é caracterizado por uma série de</p><p>garantias que visam a assegurar a máxima efetividade desses direitos. Dentre essas</p><p>garantias, destacam-se:</p><p> Aplicabilidade imediata: os direitos fundamentais são aplicáveis</p><p>imediatamente, mesmo que não sejam regulamentados por lei.</p><p> Interpretação conforme a Constituição: as leis devem ser interpretadas</p><p>de forma a serem compatíveis com os direitos fundamentais.</p><p> Controle judicial de constitucionalidade: os direitos fundamentais</p><p>podem ser protegidos pelo Poder Judiciário, que pode declarar a</p><p>inconstitucionalidade de leis ou atos que os violem.</p><p>A constitucionalização dos direitos fundamentais e o seu regime jurídico-</p><p>constitucional reforçado têm sido fundamentais para a consolidação da democracia e do</p><p>Estado de Direito no Brasil. Esses direitos são essenciais para a garantia da liberdade, da</p><p>igualdade e da dignidade da pessoa humana, valores fundamentais de qualquer sociedade</p><p>democrática.</p><p>7. CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Os direitos fundamentais são direitos inerentes a todos os seres humanos,</p><p>independentemente de sua nacionalidade, raça, religião ou qualquer outra condição.</p><p>Eles são reconhecidos e protegidos pelo Estado, e têm como objetivo garantir a</p><p>liberdade, a igualdade e a dignidade da pessoa humana.</p><p>As características dos direitos fundamentais são:</p><p>a) Historicidade - A historicidade é uma das características dos direitos fundamentais</p><p>que diz respeito à sua evolução ao longo do tempo. Os direitos fundamentais não</p><p>são fixos</p><p>e absolutos, mas sim dinâmicos e mutáveis, adaptando-se às mudanças</p><p>sociais, políticas e econômicas.</p><p>b) Universalidade - Os direitos fundamentais são universais, ou seja, são aplicáveis</p><p>a todos os seres humanos, sem distinção.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>c) Inalienabilidade - Os direitos fundamentais são inalienáveis, ou seja, não podem</p><p>ser vendidos, cedidos ou renunciados.</p><p>d) Imprescritibilidade – Os direitos fundamentais são imprescritíveis, ou seja, não se</p><p>perdem com o passar do tempo.</p><p>e) Irrenunciabilidade: os direitos fundamentais são irrenunciáveis, ou seja, não</p><p>podem ser renunciados, mesmo que o indivíduo assim o queira.</p><p>f) Limitabilidade - É uma das características dos direitos fundamentais que diz</p><p>respeito à possibilidade de esses direitos serem restringidos em situações</p><p>específicas. Essa característica é necessária para garantir o equilíbrio entre os</p><p>direitos fundamentais e os demais interesses da sociedade.</p><p>g) Indivisibilidade - tais direitos humanos compõem um único conjunto de direitos,</p><p>uma vez que não podem ser analisados de maneira isolada, separada. Afirma-se</p><p>que, o desrespeito a um deles constitui a violação de todos ao mesmo tempo, ou</p><p>seja, caso seja descumprido seria com relação a todos.</p><p>h) Concorrência - É uma das características dos direitos fundamentais que diz</p><p>respeito à possibilidade de esses direitos se conflitarem entre si. Essa característica</p><p>é necessária para garantir que os direitos fundamentais sejam exercidos de forma</p><p>equilibrada e harmoniosa.</p><p>i) Constitucionalização - É uma característica que diz respeito à positivação desses</p><p>direitos na Constituição. Essa característica é importante para garantir a</p><p>supremacia dos direitos fundamentais sobre os demais atos normativos.</p><p>8. RESTRIÇÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Os direitos fundamentais são direitos inerentes à pessoa humana, que são</p><p>reconhecidos e protegidos pela Constituição Federal. Eles podem ser limitados em</p><p>algumas situações, sempre que necessário para proteger outros direitos ou interesses</p><p>constitucionalmente protegidos.</p><p>As restrições aos direitos fundamentais devem ser interpretadas de forma restritiva e</p><p>proporcional. O controle judicial das restrições aos direitos fundamentais é essencial para</p><p>garantir que elas sejam aplicadas de forma adequada e proporcional.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>Em resumo, as restrições aos direitos fundamentais são possíveis, mas devem ser</p><p>justificadas e limitadas.</p><p>9. AS DIMENSÕES SUBJETIVA E OBJETIVA DOS DIREITOS</p><p>FUNDAMENTAIS</p><p>As dimensões subjetiva e objetiva dos direitos fundamentais são duas formas de</p><p>compreender a sua natureza e importância.</p><p>A dimensão subjetiva dos direitos fundamentais está relacionada ao seu caráter de</p><p>direito subjetivo público. Isso significa que os direitos fundamentais são direitos que</p><p>podem ser exigidos judicialmente do Estado ou de particulares.</p><p>Por exemplo, o direito à liberdade de expressão é um direito subjetivo que permite a</p><p>qualquer pessoa expressar suas opiniões, ideias e crenças sem censura. Se o Estado ou</p><p>um particular impedir alguém de se expressar livremente, essa pessoa poderá ajuizar uma</p><p>ação judicial para garantir o seu direito.</p><p>A dimensão objetiva dos direitos fundamentais, por sua vez, está relacionada ao seu</p><p>caráter de princípio jurídico. Isso significa que os direitos fundamentais são valores ou</p><p>fins que devem ser perseguidos pelo Estado e pela sociedade.</p><p>Por exemplo, o princípio da dignidade da pessoa humana é um princípio objetivo que</p><p>deve ser observado por todos os órgãos do Estado e pelos particulares. Quando o Estado</p><p>ou um particular age de forma a violar a dignidade da pessoa humana, esse ato é</p><p>considerado inconstitucional e ilegal.</p><p>As dimensões subjetiva e objetiva dos direitos fundamentais são complementares. A</p><p>dimensão subjetiva garante o exercício efetivo dos direitos fundamentais, enquanto a</p><p>dimensão objetiva garante que esses direitos sejam respeitados por todos.</p><p>10. A EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (OU</p><p>“EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES</p><p>PRIVADAS” OU EFICÁCIA PRIVADA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS”</p><p>OU EFICÁCIA EXTERNA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS”)</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>A eficácia horizontal dos direitos fundamentais é o princípio jurídico segundo o qual</p><p>os direitos fundamentais não se aplicam apenas às relações entre o Estado e os</p><p>particulares, mas também às relações entre particulares.</p><p>Em outras palavras, significa que os particulares também estão obrigados a respeitar</p><p>os direitos fundamentais, mesmo quando não estão atuando em nome do Estado.</p><p>A eficácia horizontal dos direitos fundamentais é uma conquista importante do</p><p>constitucionalismo moderno. Ela representa o reconhecimento de que os direitos</p><p>fundamentais são direitos que devem ser respeitados por todos, independentemente do</p><p>seu status jurídico.</p><p>CAPÍTULO XI – DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS</p><p>1. OS DIREITOS FUNDAMENTAIS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL</p><p>DE 1988</p><p>A Constituição Federal de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã,</p><p>consagrou um amplo rol de direitos fundamentais, divididos em cinco categorias:</p><p>Direitos individuais e coletivos: são aqueles que garantem a liberdade, a igualdade e</p><p>a segurança do indivíduo. São exemplos o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à</p><p>privacidade, à propriedade e à liberdade de expressão.</p><p>Direitos sociais: são aqueles que garantem o bem-estar social e a igualdade de</p><p>oportunidades. São exemplos o direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à</p><p>previdência social, à proteção à maternidade e à infância e à assistência aos</p><p>desamparados.</p><p>Direitos de nacionalidade: são aqueles que definem o vínculo jurídico entre o</p><p>indivíduo e o Estado. São exemplos o direito à nacionalidade, o direito à cidadania e o</p><p>direito de asilo.</p><p>Direitos políticos: são aqueles que garantem a participação do indivíduo no governo</p><p>e na vida política da sociedade. São exemplos o direito de votar e ser votado, o direito de</p><p>associação política e o direito de manifestação.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>Direitos de defesa: são aqueles que garantem o devido processo legal e a proteção</p><p>contra o abuso do poder do Estado. São exemplos o direito à defesa, o direito ao</p><p>contraditório e o direito à presunção de inocência.</p><p>Os direitos fundamentais têm aplicação imediata, o que significa que eles podem ser</p><p>exigidos diretamente pelos indivíduos, sem a necessidade de lei para regulamentá-los.</p><p>Além disso, os direitos fundamentais não podem ser suspensos, nem mesmo em caso de</p><p>estado de defesa ou estado de sítio.</p><p>A Constituição Federal de 1988 consagrou um importante avanço na proteção dos</p><p>direitos fundamentais no Brasil. Essa conquista foi resultado de um processo histórico de</p><p>lutas e reivindicações populares, que culminou na redemocratização do país em 1985.</p><p>Os direitos fundamentais são essenciais para a construção de uma sociedade justa e</p><p>democrática. Eles garantem que todos os indivíduos, independentemente de sua raça,</p><p>gênero, religião ou condição social, tenham as mesmas oportunidades e possibilidades de</p><p>desenvolvimento.</p><p>2. OS TITULARES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Os titulares dos direitos fundamentais são os indivíduos que podem exigir a</p><p>observância desses direitos. De acordo com a Constituição Federal de 1988, os titulares</p><p>dos direitos fundamentais</p><p>são:</p><p>Os brasileiros: os cidadãos brasileiros, natos ou naturalizados, têm os mesmos</p><p>direitos e garantias fundamentais, independentemente de sua raça, gênero, religião ou</p><p>condição social.</p><p>Os estrangeiros residentes no Brasil e os não residentes: os estrangeiros que residem</p><p>legalmente no Brasil também são titulares dos direitos fundamentais, exceto os direitos</p><p>políticos, como o direito de votar e ser votado. Estrangeiros não residentes também são</p><p>portadores desses direitos.</p><p>As pessoas jurídicas: as pessoas jurídicas, sejam de direito público ou privado,</p><p>também são titulares de alguns direitos fundamentais, naquilo que for compatível com a</p><p>sua natureza. Por exemplo, as empresas têm o direito à propriedade, à liberdade de</p><p>expressão e à liberdade de associação.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>A Constituição Federal também prevê que os direitos fundamentais podem ser</p><p>exercidos por grupos ou coletividades, como as minorias étnicas, religiosas ou culturais.</p><p>Nesse caso, os direitos fundamentais são exercidos coletivamente, para garantir a</p><p>proteção dos interesses dos grupos ou coletividades.</p><p>Os titulares dos direitos fundamentais têm o direito de exigir a observância desses</p><p>direitos, tanto perante o Estado quanto perante os particulares. Em caso de violação dos</p><p>direitos fundamentais, os indivíduos podem recorrer ao Poder Judiciário para garantir a</p><p>sua proteção.</p><p>A Constituição Federal de 1988 estabelece um amplo rol de direitos fundamentais,</p><p>que visam garantir a dignidade da pessoa humana e o seu pleno desenvolvimento. Os</p><p>titulares desses direitos são os indivíduos, independentemente de sua nacionalidade,</p><p>residência ou condição social.</p><p>3. A EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS E O PRINCIPIO DA</p><p>APLICABILIDADE IMEDIATA DAS NORMAS DEFINIDORAS DE</p><p>DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGNIFICADO E ALCANCE DO ART.</p><p>5°, § 10, DA CONSTITUIÇÃODE 1988</p><p>A eficácia dos direitos fundamentais é um tema complexo e controverso no direito</p><p>constitucional brasileiro. A Constituição Federal de 1988, no art. 5º, § 1º, estabelece que</p><p>as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Isso</p><p>significa que esses direitos podem ser exigidos diretamente pelos indivíduos, sem a</p><p>necessidade de lei para regulamentá-los.</p><p>O princípio da aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais tem como objetivo</p><p>garantir a efetividade desses direitos. Ele impede que o Estado ou os particulares possam</p><p>se esquivar do cumprimento desses direitos, alegando a falta de lei regulamentadora.</p><p>No entanto, o alcance do princípio da aplicabilidade imediata dos direitos</p><p>fundamentais não é absoluto. Em alguns casos, os direitos fundamentais podem exigir a</p><p>intervenção do Estado para serem efetivados. Por exemplo, o direito à saúde exige que o</p><p>Estado disponibilize serviços de saúde gratuitos à população. Nesse caso, o Estado deve</p><p>editar leis para regulamentar o direito à saúde e garantir a sua efetivação.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>O art. 5º, § 10, da Constituição Federal de 1988 estabelece que os direitos e garantias</p><p>expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por</p><p>ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja</p><p>parte. Esse dispositivo garante que os direitos fundamentais não sejam interpretados de</p><p>forma restritiva. Os direitos fundamentais podem ser complementados por outros direitos,</p><p>decorrentes do regime democrático, dos princípios constitucionais ou de tratados</p><p>internacionais.</p><p>A doutrina e a jurisprudência brasileira têm interpretado o princípio da aplicabilidade</p><p>imediata dos direitos fundamentais de forma ampla. Os direitos fundamentais são</p><p>considerados normas abertas, que devem ser interpretadas de forma a garantir a sua</p><p>efetividade.</p><p>4. A CONCEPÇÃO MATERIALMENTE ABERTA DOS DIREITOS</p><p>FUNDAMENTAIS NA CONSTITUIÇÃO DE 1988. O SIGNIFICADO</p><p>E ALCANCE DA CLÁUSULA DE "ABERTURA MATERIAL OU DE</p><p>INESGOTABILlDADE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS" DO ART.</p><p>5°, § 2° E O NOVO § 3°</p><p>A Constituição brasileira de 1988, em seu art. 5º, §§ 2º e 3º, prevê que os direitos e</p><p>garantias expressos em seu texto não excluem outros decorrentes do regime e dos</p><p>princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa</p><p>do Brasil seja parte.</p><p>Essas normas têm sido interpretadas como um reconhecimento da existência de</p><p>direitos fundamentais implícitos, ou seja, aqueles que não estão expressamente previstos</p><p>na Constituição, mas que podem ser inferidos a partir de seus princípios e valores</p><p>fundamentais.</p><p>A doutrina brasileira é dividida quanto ao alcance dessas normas. Alguns autores</p><p>entendem que elas apenas reforçam a força normativa dos direitos e garantias expressos</p><p>na Constituição, sem admitir a existência de direitos fundamentais implícitos. Outros, por</p><p>sua vez, entendem que essas normas abrem a possibilidade de reconhecimento de direitos</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>fundamentais não previstos na Constituição, desde que sejam compatíveis com os seus</p><p>princípios e valores fundamentais.</p><p>O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se manifestou de forma definitiva sobre</p><p>o alcance dessas normas. No entanto, alguns julgados recentes têm dado indícios de que</p><p>o Tribunal está caminhando na direção de reconhecer a existência de direitos</p><p>fundamentais implícitos.</p><p>Em suma, a questão do alcance das normas sobre abertura material dos direitos</p><p>fundamentais na Constituição brasileira ainda é polêmica. No entanto, há um movimento</p><p>crescente na doutrina e na jurisprudência brasileira no sentido de reconhecer a existência</p><p>de direitos fundamentais implícitos.</p><p>Aqui estão algumas das principais implicações da concepção materialmente aberta</p><p>dos direitos fundamentais:</p><p> Expande o rol de direitos fundamentais protegidos pelo Estado;</p><p> Fortalece a proteção dos direitos fundamentais;</p><p> Torna mais difícil a restrição de direitos fundamentais;</p><p> Dá mais espaço para a criatividade judicial na interpretação dos direitos</p><p>fundamentais.</p><p>5. A CLASSIFICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NA</p><p>CONSTITUIÇAO DE 1988</p><p>Embora haja várias abordagens para classificar os direitos fundamentais, aquela que</p><p>se mostra mais apropriada leva em consideração as múltiplas funções desempenhadas por</p><p>esses direitos. Essas funções podem ser agrupadas da seguinte forma: a) direitos</p><p>fundamentais como direitos de defesa; b) direitos fundamentais como direito a prestações.</p><p>Os direitos fundamentais, quando vistos como direitos de defesa, conforme</p><p>denominados por Alexy como "direitos a ações negativas", abrangem aqueles que têm</p><p>como propósito salvaguardar a autonomia individual, delimitando o escopo de</p><p>intervenções abusivas por parte do Estado.</p><p>6. O ESTADO DAS COISAS INCONSTITUCIONAL COMO GARANTIA</p><p>DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>O Estado de Coisas Inconstitucional (ECI) é um instituto jurídico que se caracteriza</p><p>pela violação grave e generalizada de direitos fundamentais, decorrente de omissão ou</p><p>ação estatal. O ECI foi criado pela Corte Constitucional Colombiana, em 1997, e foi</p><p>incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF),</p><p>em 2015, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental</p><p>(ADPF) 347/DF.</p><p>A declaração de ECI tem como objetivo compelir o Estado a tomar medidas concretas</p><p>para remediar a violação de direitos fundamentais. Para tanto, o STF pode determinar a</p><p>adoção de políticas públicas, a realização de reformas legislativas ou a criação de</p><p>mecanismos de controle e fiscalização.</p><p>O ECI é uma importante ferramenta para a garantia dos direitos fundamentais, pois</p><p>permite ao STF atuar de forma proativa na defesa de direitos que estão sendo violados de</p><p>forma sistemática. O instituto também tem o potencial de contribuir para a</p><p>democratização do Estado, pois obriga o Poder Público a prestar contas de seus atos e a</p><p>respeitar os direitos dos cidadãos.</p><p>Alguns exemplos de ECI reconhecidos pelo STF são:</p><p> A situação carcerária no Brasil, declarada inconstitucional na ADPF 347/DF;</p><p> A violência contra as mulheres, declarada inconstitucional na ADPF 779/DF;</p><p> A falta de saneamento básico no Brasil, declarada inconstitucional na ADPF</p><p>642/DF.</p><p>A declaração de ECI é um instrumento poderoso, mas também controverso. Alguns</p><p>críticos argumentam que o instituto é demasiadamente amplo e pode levar à judicialização</p><p>excessiva da política. Outros argumentam que o ECI é necessário para garantir a</p><p>efetividade dos direitos fundamentais, especialmente em situações de violação grave e</p><p>generalizada.</p><p>Apesar das críticas, o ECI é um instituto que tem se consolidado no ordenamento</p><p>jurídico brasileiro. O STF tem utilizado o instituto com frequência para compelir o Estado</p><p>a tomar medidas concretas para remediar a violação de direitos fundamentais.</p><p>CAPÍTULO XII – DOS DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, estabelece os direitos e garantias</p><p>fundamentais do indivíduo e da coletividade.</p><p>Os direitos individuais são aqueles que visam à defesa da autonomia pessoal do</p><p>indivíduo, permitindo que ele desenvolva suas potencialidades e goze de sua liberdade</p><p>sem interferência indevida do Estado ou de terceiros. São exemplos de direitos</p><p>individuais a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade.</p><p>A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, estabelece os direitos e garantias</p><p>fundamentais do indivíduo e da coletividade.</p><p>Direitos individuais - Os direitos individuais são aqueles que visam à defesa da</p><p>autonomia pessoal do indivíduo, permitindo que ele desenvolva suas potencialidades e</p><p>goze de sua liberdade sem interferência indevida do Estado ou de terceiros. São exemplos</p><p>de direitos individuais:</p><p>Vida: o direito à vida é o direito fundamental mais importante, pois é a base de todos</p><p>os outros direitos.</p><p>Liberdade: o direito à liberdade é o direito de ir e vir, de manifestar sua opinião, de</p><p>se associar, de trabalhar e de escolher o seu próprio destino.</p><p>Igualdade: o direito à igualdade é o direito de ser tratado com respeito e dignidade,</p><p>sem distinção de raça, sexo, religião, nacionalidade ou qualquer outra condição.</p><p>Segurança: o direito à segurança é o direito de ser protegido do crime, da violência e</p><p>da guerra.</p><p>Propriedade: o direito à propriedade é o direito de possuir bens e usar o fruto do seu</p><p>trabalho.</p><p>Direitos coletivos - Os direitos coletivos são aqueles que destinam-se à proteção de</p><p>um grupo ou coletividade, onde a defesa de seus membros é apenas reflexa ou indireta.</p><p>São exemplos de direitos coletivos:</p><p>Meio ambiente: o direito ao meio ambiente é o direito de viver em um ambiente</p><p>saudável e equilibrado.</p><p>Saúde: o direito à saúde é o direito de ter acesso a serviços de saúde de qualidade.</p><p>Educação: o direito à educação é o direito de ter acesso a uma educação de qualidade.</p><p>Trabalho: o direito ao trabalho é o direito de ter um emprego digno e com condições</p><p>justas.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>Os direitos individuais e coletivos são fundamentais para a construção de uma</p><p>sociedade justa e democrática. Eles garantem que todos os indivíduos,</p><p>independentemente de suas condições, sejam tratados com dignidade e respeito.</p><p>Os direitos individuais permitem que as pessoas desenvolvam suas potencialidades e</p><p>vivam de forma plena e autônoma. Já os direitos coletivos protegem os interesses da</p><p>coletividade, garantindo que todos tenham acesso aos bens e serviços essenciais.</p><p>A Constituição Federal de 1988 é um marco na história do Brasil, pois consagra uma</p><p>série de direitos e garantias fundamentais que foram conquistados após anos de luta.</p><p>CAPÍTULO XIII – DOS DIREITOS SOCIAIS</p><p>Os direitos sociais são um conjunto de direitos fundamentais que buscam garantir o</p><p>bem-estar social e a justiça social. Eles são direitos de segunda geração, que surgiram no</p><p>século XIX, com o movimento socialista.</p><p>Os direitos sociais são considerados direitos fundamentais porque são essenciais para</p><p>a dignidade humana. Eles garantem que todos os indivíduos, independentemente de sua</p><p>condição social, tenham acesso aos bens e serviços essenciais para uma vida digna.</p><p>Os direitos sociais estão previstos na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º.</p><p>São eles:</p><p>Saúde: o direito à saúde é o direito de ter acesso a serviços de</p><p>saúde de qualidade, sem discriminação.</p><p>Educação: o direito à educação é o direito de ter acesso a uma</p><p>educação de qualidade, gratuita e obrigatória dos 4 aos 17 anos</p><p>de idade.</p><p>Trabalho: o direito ao trabalho é o direito de ter um emprego</p><p>digno e com condições justas.</p><p>Cultura: o direito à cultura é o direito de participar da vida cultural</p><p>da sociedade.</p><p>Lazer: o direito ao lazer é o direito de descansar e usufruir de</p><p>atividades de lazer.</p><p>Moradia: o direito à moradia é o direito de ter um lugar para morar</p><p>com dignidade.</p><p>Seguridade social: o direito à segurança social é o direito de</p><p>receber benefícios sociais em caso de necessidade, como</p><p>aposentadoria, seguro-desemprego e auxílio-doença.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p><p>Os direitos sociais são deveres do Estado, que deve garantir que todos os cidadãos</p><p>tenham acesso a esses direitos. O Estado pode garantir os direitos sociais por meio de</p><p>políticas públicas, como a criação de hospitais, escolas, creches, universidades,</p><p>programas de emprego, programas de assistência social, etc.</p><p>Os direitos sociais são essenciais para a construção de uma sociedade justa e</p><p>igualitária. Eles garantem que todos os indivíduos, independentemente de sua condição</p><p>social, tenham oportunidades iguais para desenvolver seu potencial e viver uma vida</p><p>digna.</p><p>Os direitos sociais são importantes por vários motivos. Em primeiro lugar, eles</p><p>garantem a dignidade humana. Todos os indivíduos, independentemente de sua condição</p><p>social, têm direito a viver uma vida digna. Os direitos sociais garantem que todos tenham</p><p>acesso aos bens e serviços essenciais para uma vida digna, como saúde, educação,</p><p>trabalho, moradia, etc.</p><p>Em segundo lugar, os direitos sociais promovem a justiça social. Eles ajudam a</p><p>reduzir as desigualdades sociais e garantir que todos tenham oportunidades iguais. Os</p><p>direitos sociais garantem que todos tenham acesso à educação, ao trabalho, à saúde, etc.,</p><p>independentemente de sua classe social, raça, gênero ou religião.</p><p>Em terceiro lugar, os direitos sociais contribuem para o desenvolvimento econômico</p><p>e social. Uma sociedade que investe em seus cidadãos, garantindo acesso à educação, à</p><p>saúde e ao trabalho, é uma sociedade mais próspera e desenvolvida.</p><p>Apesar da importância dos direitos sociais, eles ainda enfrentam muitos desafios para</p><p>serem plenamente efetivados no Brasil. Um dos principais desafios é a falta</p><p>de recursos</p><p>do Estado. O Brasil é um país com uma grande desigualdade social e, por isso, o Estado</p><p>precisa investir muito em políticas públicas para garantir os direitos sociais.</p><p>Outro desafio é a falta de vontade política. Alguns governantes não estão</p><p>comprometidos com a efetivação dos direitos sociais. Eles preferem investir em políticas</p><p>públicas que beneficiam os grupos mais ricos da sociedade, em detrimento dos mais</p><p>pobres.</p><p>Apesar dos desafios, é importante continuar lutando pela efetivação dos direitos</p><p>sociais. Eles são essenciais para a construção de uma sociedade justa e igualitária.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA</p><p>CUNHA, Dirley. Curso de Direito Constitucional, 16º ed. Editora Juspodium, São Paulo,</p><p>2022.</p><p>Baixado por Daiane Ribeiro (ribeirodaiane3@gmail.com)</p><p>lOMoARcPSD|47523191</p><p>https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=fichamento-curso-de-direito-constitucional-dirley-da-cunha-jr-02</p>