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PEDAGOGIA DAS LUTAS E DAS ARTES MARCIAIS E-book 3 Fábio Rodrigo Ferreira Gomes Neste E-Book: INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3 CONTRIBUIÇÃO DA PRÁTICA DE LUTAS E ARTES MARCIAIS NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO �������������������4 AGRESSIVIDADE E AS ARTES MARCIAIS ������������������������������������������������������ 5 JOGOS DE OPOSIÇÃO E MODALIDADES DE LUTAS E ARTES MARCIAIS ������������������������������������������������������ 8 TIPOS DE JOGOS DE OPOSIÇÃO ���������13 Exemplos de lutas e jogos de oposição no ambiente escolar �������������������������������������������������� 14 A POSSIBILIDADE DAS LUTAS E ARTES MARCIAIS COMO OBJETO DE INCLUSÃO ���������������������������������������������17 AS LUTAS DA CULTURA BRASILEIRA: CAPOEIRA ������������������������ 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������30 SÍNTESE ��������������������������������������������������������31 2 INTRODUÇÃO Na atualidade, muitos profissionais da Educação Física têm feito críticas à forma como se usa ou se pratica as expressões da cultura corporal na esco- la� Assim, o esporte futebol deve ter características adequadas e diferentes daquelas feitas nos campe- onatos estaduais e brasileiro de futebol, nos quais a competição e a vitória são a finalidade última desses eventos� Dessa forma, a violência, a deslealdade, o suborno e o doping muitas vezes estão presentes e são até admitidos� Na escola, espera-se que esses subterfúgios não sejam usados e tão pouco admitidos� Por isso, por “da escola” entende-se o esporte, o jogo, a ginástica, a dança, a recreação e as lutas, usados como recur- so, instrumento, métodos de educação, não como finalidades em si. Usa-se a expressão “educar por meio do movimento” para significar que as habili- dades e expressões serão utilizadas como recurso educativo e não como algo com o fim em si mesmo (educar para o movimento)� Para tanto, espera-se que o professor de Educação Física que vá usar os conteúdos de lutas em suas aulas consiga superar as dificuldades naturais que surgem ao se usar estas práticas� Espera-se que o professor saiba adequar a tradição (modelos e para- digmas) das lutas ao mundo atual e às necessidades da escola. Tradição é uma trilha e não um trilho! 3 CONTRIBUIÇÃO DA PRÁTICA DE LUTAS E ARTES MARCIAIS NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO Este texto tem como referência a Educação Física promotora de educação por meio do movimento consciente dos estudantes� Embora isso para nós seja a finalidade principal da Educação Física, outros objetivos poderão compor nossas aulas� Assim, parti- cularmente com o uso de lutas na escola, queremos, fundamentalmente, promover a dimensão atitudinal de nosso estudante, aqueles valores históricos reque- ridos pelo antigo guerreiro feudal japonês (o samurai) chamado de Bushido ou Budo� Por conta disso, essas artes são “meios” ou disciplinas de desenvolvimento moral idealizados para se aprofundar a formação de uma personalidade madura, equilibrada e integrada de um homem em paz consigo mesmo e em harmo- nia com seu ambiente social e natural� 4 AGRESSIVIDADE E AS ARTES MARCIAIS Outro ponto normalmente associado à prática de lutas na escola está na associação desse conteúdo à agressividade� Infelizmente, essa associação, ainda que antiga e errada, é muito presente� Há muito se sabe que agressividade é uma carac- terística humana inata. Um percurso pela obra de Freud e Lacan, que objetivou esclarecer conceitos e usos dos termos agressividade e violência, con- duz ao esclarecimento de que tais termos não se superpõem, ainda que possam estar interligados� O contexto em que aparecem sempre supõe algo de renúncia por parte do sujeito, devido ao tratamento que a civilização dá ao seu prazer (FERRARI, 2006)� O comportamento agressivo, aparentemente danoso e de conotações negativas, na realidade tem funções biológicas importantes, seja nas disputas territo- riais e reprodutivas, na competição por fontes de alimento, na defesa contra predadores e na defesa da cria. Isso fica evidenciado em pesquisas compor- tamentais realizadas com animais de quase todos os gêneros, de insetos a mamíferos� A participação da agressividade em funções biológicas importantes a torna essencial, em certas circunstâncias, para a sobrevivência do indivíduo e da espécie, e faz supor algum controle genético da manifestação agressiva� Essa influência genética, bem como a ambiental, foi 5 detectada, sendo que em espécies cujos indivídu- os formam colônias o reconhecimento individual é um fator importante no controle da agressividade (BRANDEBURGO, 1987). A agressividade é sinônimo de mobilidade� O com- portamento agressivo faz parte da vida humana, devendo ser encarado como normal. Um mínimo de agressividade é necessário para a sobrevivência do ser humano. A agressividade é fundamental para que a criança aprenda a se defender e a se impor no meio em que vive e se desenvolve, para se afirmar e ensaiar-se enquanto pessoa� A agressividade é algo natural do ser humano, e é importante que exista� A agressividade é aceita quando vista como iniciativa, ambição, decisão ou coragem� Se a pessoa for muito passiva, não aceita novos desafios, fica parada, apática, estagnada em sua própria vida� Ela vai precisar de um pouco de ousadia e a ousadia vem da agressividade� O problema da agressividade é a forma como ela é exteriorizada, quando ela é usada de forma vio- lenta, visando atacar, destruir e humilhar alguém. Desta forma, a agressividade seria uma tendência especificamente humana, marcada pela vontade de cometer um ato violento sobre outrem ou conjunto de tendências que se atualizam em condutas reais ou imaginárias, as quais visam a causar dano a outrem, coagi-lo, humilhá-lo etc. 6 O dilema histórico da humanidade é quando conter ou não a agressividade� Sua repressão abala inclusi- ve a saúde física da pessoa. Se não for descarregada, supostamente se acumula até explodir ou até que um estímulo apropriado a “libere”� A agressividade pode ser classificada como nociva quando aparece em forma de condutas irracionais e impulsivas; é admitida quando aparece em formas de comunicação e atitudes� Em ambas as situações, podemos transportar essa “liberação de energia” para um plano simbólico, no qual a agressão poderá ser aceita e perdoável, em formas de movimentos de “luta”, utilizando objetos não perigosos como jornal, bexiga, corda, lenços, tecidos, entre outros� A motricidade relacionada às lutas e confrontos simbólicos e físicos que são proporcionados nas Artes Marciais, quando direcionada e estruturada por uma filosofia, melhora o autoconhecimento e assim contribui positivamente no aspecto emocional do praticante, evitando situações de descontrole que possam tornar-se negativas� 7 JOGOS DE OPOSIÇÃO E MODALIDADES DE LUTAS E ARTES MARCIAIS No que se refere ao universo de formas de lutas, a primeira ideia que se tem é que todas se referem às artes marciais orientais� Porém, observando-se com mais crítica, percebe-se que nem todas as formas de luta são de fato Artes Marciais e nem todas são orientais� Assim, para uma compreensão didática deste universo da cultura corporal – segundo Reid e Croucher (1983, p. 21) em torno de 350 formas –, para este texto usaremos a classificação de Oliveira et al (2015) em pequenas e grandes lutas� As pe- quenas lutas são também conhecidas como jogos de oposição� Para Olivier (2000), os jogos de oposição nada mais são que os esportes de combate praticados, desde o início dos tempos, em quase todas as civilizações e que nasceram das tradições populares� Ainda se- gundo Olivier (2000, p� 10), a riqueza dos jogos de oposição oferecidos às crianças, “ao contrário da briga de pátio, é a possibilidade de confrontar-se com o outro em um contexto que considere suas motivações, suas possibilidades e nossa preocu- pação educativa”� Também Souza Junior e Santos (2010) afirmam que os jogos de oposição têm comoidentidade as mesmas características dos esportes de combate 8 praticados desde o início das civilizações� Alguns desses jogos continuaram ao longo do tempo sendo utilizados de forma simples e com características da cultura local, já outros adquiriram uma forma institucionalizada, tornando-se esportes e lutas os quais hoje conhecemos. Ainda para eles, o objetivo educacional deve ser coerente com a realidade do estudante, onde este é levado a vivenciar as mais diversas manifestações da cultura corporal de ma- neira crítica e consciente, estabelecendo relações com a sociedade em que vive� Desse modo, o papel do educador é levar o estudante a um conhecimen- to de si mesmo e do mundo através da prática de várias atividades� Partindo-se desse pressuposto, Souza Junior e Santos (2010) concluem que as lu- tas devem ser inseridas no contexto escolar, pois propiciam, além do trabalho corporal, a aquisição de valores e princípios essenciais para a formação do ser humano em um aspecto mais ampliado. Por grandes lutas entende-se o conjunto de espor- tes de combate, técnicas de ataque e defesa, lutas folclóricas e/ou culturais e as Artes Marciais� Os esportes de combate são as Artes Marciais que se tornaram competitivas� Como exemplo, podemos citar o Judô e o Taekwondo� Vale dizer que para se tornarem modalidades esportivas, foi necessário mi- nimizar de alguma maneira sua forma de execução tradicional, criando-se regras para as competições� Também podemos entender por esportes de com- bate as lutas historicamente feitas nos Jogos Olímpicos: boxe, luta olímpica ou greco-romana e a 9 luta livre. Essas últimas derivadas do antigo pancrá- cio grego, luta que era realizada nos Jogos Olímpicos da antiguidade e que ainda é praticada na Grécia. SAIBA MAIS Você conhece a tradicional luta grega chamada pancrácio? Não? Então acesse o link a seguir e conheça essa modalidade praticada desde a An- tiguidade: http://www.pangration.org/� Ainda como esportes de combate, entendemos as lutas criadas para competição na tentativa de agre- gar participantes de várias escolas de Artes Marciais (caratê, taekwondo, boxe tailandês, kung fu etc�)� Exemplos são o full contact e o kick boxing� SAIBA MAIS Para conhecer mais sobre lutas competitivas, acesse o link a seguir: http://wako.sport/en/page/introduction/5/� As técnicas de ataque e defesa, ou de defesa pesso- al, são formas abreviadas de Artes Marciais aplica- das de forma prática por profissionais de segurança e formas de combate corpo a corpo desenvolvidas por policiais militares e soldados das forças arma- das� Também são formas de técnicas de ataque e defesa as lutas criadas para este fim. Exemplo disso é a luta israelense conhecida como krav-maga. 10 http://www.pangration.org/ http://wako.sport/en/page/introduction/5/ As lutas folclóricas e/ou culturais são aquelas reali- zadas em festas populares, de característica lúdica, pertencente à tradição de determinado país� Temos diversos exemplos deste tipo de luta, podemos des- tacar, entre outros: o many, de Cuba; chausson ou savate, francês; escrima ou arnis, das Filipinas; kra- bi-krabong e muay thai, da Tailândia, e o uka uka, de indígenas do Alto Xingu� Nessa categoria podemos também colocar os jo- gos de confronto, sejam eles infantis ou não, como exemplo, dentre outros: cabo de guerra e desafios de desequilíbrio, atividades que são, de maneira geral, desenvolvidas nas aulas Educação Física do Ensino Infantil e Fundamental� 11 Esporte e Combate Lutas de ataque e defesa Lutas folcló- ricas e/ou culturais Artes Mar- ciais Judô (Japão); Taekwondo (Coreia); Krav maga (Israel); Hapkido (Coreia) Borreh (Gâmbia); Chausson ou Savate (França); Aikido (Japão); Iaido (Japão); Kobudo (Japão); Boxe; Luta olím- pica; Greco romana; Cheibi gad ga (Índia); Damnyè ou Ladja (Martinica); Hwa rang do (Coreia); Vajramust (Índia) Full contact; Kick boxing Escrima ou Arnis (Filipinas) Glima (Islândia); Gouren (Grã Bretanha); Guresh (Turquia); Krabi-krabong e Muay thai (Tailândia); Laamb (Senegal); Many (Cuba); Sumo (Japão); Tinku (Bolívia); Uka (indígenas do Alto Xingu, Brasil) Alguns exemplos de lutas e sua classificação. Vale dizer que algumas lu- tas, dada sua origem e contexto atual, segundo os critérios apresentados, classificam- se em mais do que uma forma. Exemplo: o Judô surge como Arte Marcial e hoje também é uma forma de Esporte de combate. Tabela 1: Classificação das lutas. Fonte: Elaboração própria. Podcast 1 12 https://famonline.instructure.com/files/648084/download?download_frd=1 TIPOS DE JOGOS DE OPOSIÇÃO Jogos de oposição: são atividades motoras de lutas sob o aspecto lúdico com preparação para moda- lidades específicas como judô, capoeira e caratê, entre outros� São vários os fundamentos de lutas transformados em jogos ou brincadeiras: • Empurrar o parceiro para fora de um círculo adap- tado (sumô); • Empurrar e puxar seu parceiro em linha reta (trator); • Em duplas tentando pisar nos pés do parceiro e/ ou bexiga sem perder o contato das mãos (esgrima com os pés); • Em duplas tentando tocar os joelhos do companheiro; • Briga de galo; • Jogo de imobilização; • Soco e chutes na bexiga; • Chutes e socos em jornais; • Quedas e rolamentos; • Katas adaptados; • Pegar o “rabo” no chão e/ou em pé; • Tentar “roubar a bola” no chão; • Luta ajoelhada. 13 Exemplos de lutas e jogos de oposição no ambiente escolar Pregador é meu Material necessário: pregadores de roupa presos na camisa� Execução: dois a dois de frente um para o outro, aguardando o sinal do professor� Objetivo: ao sinal, tenta-se pegar o pregador do co- lega ao mesmo tempo que se bloqueia as mãos do colega ao tentar retirar o seu� Não se deve correr, permitindo-se somente um pequeno deslocamento para os lados� Variação: Em pé, sentado, de joelhos. Tratorzinho Material necessário: nenhum específico, apenas es- paço suficiente para todos. Execução: dois a dois de frente um para o outro com as mãos apoiadas no peito do colega� Objetivo: ao sinal do professor, deve-se empurrar o colega em linha reta até dois passos. Retoma-se a posição inicial a cada vitória� Pé contra pé Material necessário: nenhum específico, apenas es- paço suficiente para todos. 14 Execução: dois a dois, de frente um para o outro, com as mãos apoiadas nos ombros do colega com o pé direito à frente� Objetivo: ao sinal do professor, deve-se tentar tocar o pé direito do colega com o seu esquerdo ao mesmo tempo que se defende tirando o direito para não ser tocado� Deve-se manter sempre o pé direito à frente do esquerdo� Variação: esquerdo à frente, qualquer pé toca qual- quer pé� Luta do saci Material necessário: nenhum específico, apenas es- paço suficiente para todos. Execução: dois a dois, de lado um para o outro, com apenas um dos pés apoiados no chão e a outra per- na de joelho flexionado. Os braços devem estar cru- zados nas costas� Objetivo: ao sinal do professor, deve-se tentar dese- quilibrar o colega batendo com seu ombro no ombro dele. Perde quem puser os dois pés no chão. Variação: de frente, com as mãos espalmadas na altura do peito, batendo-se nas mãos do colega� Você está bêbado? Material necessário: nenhum específico, apenas es- paço suficiente para todos. Execução: dois a dois, de frente um para o outro, com as mãos à altura do peito espalmadas e de cotovelos 15 flexionados e pés totalmente paralelos e afastados na largura dos ombros� Objetivo: ao sinal do professor, deve-se fazer com que o colega saia da posição de pés paralelos, dese- quilibrando-se para frente ou para trás, batendo-se somente em suas mãos� Mini caratê Material necessário: nenhum específico, apenas es- paço suficiente para todos. Execução: dois a dois de frente um para o outro com as mãos à altura do peito e de cotovelos flexionados. Objetivo: ao sinal do professor, deve-se tocar o om- bro do colega e não se deixar tocar, bloqueando-sea mão do colega sem segurar suas mãos� Cabo de guerra Material necessário: corda grossa de sisal� Execução: pode ser realizado individualmente ou em grupos, de preferência com o mesmo número de participantes, deve-se segurar nas pontas da corda puxando para si� Objetivo: fazer com que o adversário, ou equipe ad- versária, chegue até um limite demarcado ou esta- belecido pelo professor� Observação: nessa brincadeira, especificamente, valem alguns cuidados e regras, por exemplo, não soltar a corda e pedir para parar evitando possíveis acidentes� 16 A POSSIBILIDADE DAS LUTAS E ARTES MARCIAIS COMO OBJETO DE INCLUSÃO Mocarzel (2016) afirma que as atividades físicas e práticas esportivas começaram a sinalizar a neces- sidade de uma transformação didático‐pedagógica do esporte, como é enfatizado por Kunz (1994) e Beltrame e Sampaio (2015). Pode‐se dizer, ainda segundo Mocarzel (2016), que um dos pontos mais necessitados junto ao desenvolvimento educacio- nal é a abrangência cada vez maior dos aspectos pedagógicos e socioculturais inclusivos, atendendo, assim, de forma mais adequada, às crianças, idosos e pessoas com deficiência (PcD). Traz‐se a discussão de que possivelmente o público de PcD seja histo- ricamente o mais excluído nesse universo cultural de forma macrossociológica. Mais de um bilhão de pessoas sofrem com alguma deficiência no mundo todo (OMS, 2016). No Brasil, há quase trinta milhões de PcD. Pontua‐se que atividades físicas e práticas esportivas não só podem mas devem ser utilizadas na colaboração da inserção sociocultural de todos e para todos� Tais princípios são embasados e sus- tentados por atuais e importantes documentos de abrangência internacional, como a Carta Europeia do Desporto (DA EUROPA, 1992) e o Manifesto Mundial da Educação (MOCARZEL, 2016)� 17 Ao se apresentar as práticas corporais das lutas e artes marciais na perspectiva da inclusão, Rufino (2016) afirma que ao menos quatro considerações se fazem fundamentais: 1. É necessário ampliar-se as possibilidades de inclusão de todas as pessoas em vivências signi- ficativas que propiciem aprendizagens e aquisição de conhecimentos, competências e habilidades específicas; 2. A inclusão não deve ser compreendida apenas com a questão de pessoas com deficiência, mas deve contemplar a todos, o que repercute nas re- lações de gênero (homens e mulheres nas lutas), obesidade, interesse nessas práticas etc�; 3. As lutas apresentam certas características que permitem incluir uma diversidade considerável de pessoas (muitas práticas, tipos diferentes de pes- soas que lutam, atividades passíveis de adaptações, variedade de categorias de peso, idade e faixa etc�), o que precisa ser devidamente abordado durante a prática pedagógica; 4. Muitas práticas de luta permitem adaptações em suas dinâmicas, tendo em vista possibilitar formas mais claras de inclusão, as quais envolvem desde práticas adaptadas, encontradas em modalidades tais como as paraolímpicas, até mesmo adaptações nas estruturas das atividades, que podem ser em- pregadas durante as aulas de Educação Física na escola, por exemplo� 18 Com o intuito de aprimorar os olhares e as práticas de inclusão nas lutas, Rufino (2016) diz que é fun- damental que os professores possam ter forma- ção adequada que contemple o olhar de inclusão na perspectiva do respeito e da consideração da diversidade educativa contemporânea� A formação profissional se apresenta como quesito fundamental neste processo, fato que contempla tanto as ações em caráter inicial quanto os proces- sos formativos continuados (em serviço)� Na sociedade oriental, as lutas e Artes Marciais também são difundidas nas escolas dentro das aulas de Educação Física, fazendo com que as valências trabalhadas, os valores morais e disciplinas desenvolvidas possam desabrochar já na idade infantil, tendo a su- pervisão de profissionais graduados e quali- ficados. Na China, treinos de diversos estilos de kung‐fu (ou wushu) fazem parte integran- te oficialmente do conteúdo escolar desde 1925 segundo (LIMA, 2000), embora esses estilos já fossem difundidos anteriormente a essa data pelo kung‐fu ser parte integrante da cultura chinesa. No Japão existem aulas de judô para os universitários do país de forma a difundir a cultura nipônica e também ser uma ação de promoção da saúde para a co- munidade acadêmica que passam por longos períodos de estudo, normalmente conflitando com seus horários de atividade física e lazer (MOCARZEL; COLUMÁ, 2015) (MOCARZEL, 2016, p. 74). 19 Andrade e Almeida (2012), conforme Mocarzel (2016), são categóricos quando afirmam que as polí- ticas públicas brasileiras tratam do tema de maneira superficial. Indo além, no caso brasileiro, Azevedo e Barros (2004), conforme Rufino (2016), alertam através de seu estudo: [...] o fato de o esporte não possuir uma identi- ficação específica na estrutura governamental compromete qualquer política pública espor- tiva, com reflexos ainda mais expressivos nas iniciativas direcionadas aos indivíduos porta- dores de deficiência, cujas representatividades e influência política – pela própria situação da deficiência – são muito inferiores às de outros grupos esportivos organizados. Além disso, novas formas de adaptação das lutas na perspectiva da inclusão poderão oferecer sub- sídios mais adequados a um contingente maior de profissionais que possam desenvolver ações mais efetivas nessa perspectiva� Um ponto que desabona essa iniciativa, já discutido quando falamos sobre violência, agressão e agres- sividade, é que as lutas e artes marciais permitem incentivar o gosto do confronto num quadro de regras restrito e, dessa forma, a “eufemização” da violência (MOCARZEL, 2016)� Dentro das escolas brasileiras, as PcD conseguiram maior inserção e participação através das aulas de 20 Educação Física inclusiva que, paulatinamente, têm obtido resultados significantes (FERREIRA, 2011 apud RUFINO, 2016). Dessa forma, cada vez mais as PcD integram o público praticante de atividades físicas e esportes, incluindo aqui as lutas e Artes Marciais� Consequentemente, muitas dessas modalidades têm buscado adaptações desportivas para a inclusão das PcD em suas práticas e competições, criando catego- rias exclusivas com regras adaptadas para que todos tenham possibilidades iguais de vitória, seguindo o princípio filosófico desportivo do Agon, que prima pelo espírito competitivo desde que os competidores estejam em igualdade (MOCARZEL, 2016)� Tal princí- pio educacional é também um dos pensamentos que norteiam o espírito olímpico (COI, 2001)� A grandiosidade da estética, vertente axiológica ine- rente ao esporte, ganha elevadas proporções quando expressa através da superação das adversidades por um paratleta, com um corpo tido muitas vezes por olhares leigos como “deficiente” (MOCARZEL, 2016). Foi no tocante a essa vertente estética filosó- fica que, em 1960, o COI realizou em Roma (Itália) a primeira edição dos Jogos Paralímpicos (JP), esta- belecendo‐se a partir de então como o maior even- to esportivo para PcD no mundo� O mesmo ocorre periodicamente a cada quatro anos, em diferentes locais pelo mundo, junto com os Jogos Olímpicos (JO) (BOGUSZEWSKI; TORZEWSKA, 2011 apud MOCARZEL, 2016)� 21 Desde a primeira edição dos JP, a esgrima integra o programa desportivo� Adaptada para praticantes com dificuldades de locomoção, os paratletas com- petem em cadeiras de rodas, com suas rodas fixadas ao chão; se um dos esgrimistas mover a cadeira, o combate é interrompido� Mantendo os padrões tradicionais, há duelos de florete, espada e sabre. Em cada prova, há proteções específicas para os competidores e para as cadeiras� Há também regras específicas para a pontuação ser validada. No Brasil, a esgrima para cadeirantes começou a ganhar forma competitiva. Nos JP de 2012 (Londres, Reino Unido), o Brasil ganhou pela primeira vez uma medalha na modalidade. O gaúcho Jovane Guissonesagrou‐se campeão paralímpico derrotando na final de forma emocionante seu adversário Chik Sum Tam, de Hong Kong. O combate terminou em 15 a 14 para o bra- sileiro� Porém, nos JP de 2016 (Rio de Janeiro) o Brasil não conquistou medalhas nesse esporte. Isso demonstra que o país ainda precisa se consolidar nos trabalhos de base para destacar‐se futuramente como uma referência (MOCARZEL, 2016)� Já o judô fez sua estreia no evento em 1988 (Seul, Coréia do Sul); na época, só participaram homens com deficiências visuais. Esse fato repetiu‐se em 1992 (Barcelona, Espanha), 1996 (Atlanta, Estados Unidos) e 2000 (Sydney, Austrália). Em 2004 (Atenas, Grécia) ocorreu o ingresso feminino nos tatames paralímpicos� A entidade responsável pelo esporte é a Federação Internacional de Esportes para Cegos, fundada em Paris (França), em 1981. O Brasil é hoje 22 uma das maiores potências mundiais nessa práti- ca adaptada� Seus resultados são extremamente expressivos desde o início do judô nos JP de 1988 (MOCARZEL, 2016)� No Brasil, a Confederação Brasileira de Kung Fu/ Wushu (CBKW) desenvolveu nos últimos anos ca- tegorias competitivas tanto em formas (demons- trações de coreografias marciais) quanto combate (lutas desportivizadas) (MOCARZEL, 2016)� Mesmo contando ainda com poucos inscritos, pode‐se reco- nhecer que foi dado início aos trabalhos para inclu- são das PcD em tal esporte efetivamente� Na divisão de combate, o Campeonato Brasileiro de 2012 em Fortaleza/CE promoveu a categoria para PcD visual na categoria de Shuai Jiao, prática de agarro, quedas e arremesso do kung‐fu que aproxima‐se de certo modo à prática adaptada paralímpica do judô para PcD visual� Já na divisão de formas, o Campeonato Brasileiro de 2013 em Valinhos/SP realizou catego- ria de estilos tradicionais externos e internos para PcD mental e de estilos tradicionais internos para cadeirantes� Posicionando‐se mais afastada do universo com- petitivo (incluindo os JO e JP), a capoeira, uma das lutas e Artes Marciais que menos enfatiza e vivifica a competição, é, ainda assim, forte aliada do processo inclusivo, principalmente sob a perspectiva socio- cultural� É uma maciça representante do conceito de identidade do Brasil e hoje difundida mundialmente (MOCARZEL, 2016)� 23 Utiliza de maneira singular elementos estéticos amplamente perceptíveis e estimula a ludicidade, a musicalidade e o trabalho dinâmico em grupo – como as rodas e as músicas cantadas e tocadas em conjunto por todos – para criar um universo de união e inclusão do grupo. Este último ponto é uma das bases da solidariedade, tópico bastante eleva- do no resultado da pesquisa de Mello, dos Santos, Rodrigues e Santos (2014) (MOCARZEL, 2016)� 24 AS LUTAS DA CULTURA BRASILEIRA: CAPOEIRA Uma educação física escolar que se orienta para uma nova antropologia, acentuando a autonomia do ser humano, deverá reescrever seus currículos sua didática e sua metodolo- gia [...]. Além disso, a educação física no Brasil deve se tornar uma educação física brasilei- ra! Não existe uma justificativa do porquê no currículo das universidades (formação dos novos professores) e no currículo escolar só ensinar-se o esporte internacional e não a cultura corporal do povo brasileiro. Por que a Capoeira não entra no currículo, por que não os jogos típicos das diferentes regiões do Brasil, por que não as danças, famosas no mundo a respeito do ritmo “brasileiro”? Esta cultura corporal vive ainda no Brasil, vive no povo (DIECKERT, 1985). A contundente citação anterior nos parece dura, mas verdadeira e oportuna, ainda que escrita há mais de 30 anos. Assim, o conteúdo da capoeira, ainda que presente e optativo em pouquíssimas escolas, necessita de algumas transformações curriculares e adaptações pedagógicas� Isso porque a capoei- ra nada mais é do que um recurso pedagógico nas mãos do professor de Educação Física� 25 Para Nascimento e Almeida (2007), a restrição do conteúdo de lutas – entendendo também a capoeira – nas aulas de Educação Física escolar passa por dois argumentos recorrentes por parte de professo- res atuantes: a falta de vivência pessoal em lutas, tanto no cotidiano, como no âmbito acadêmico, e a preocupação com o fator violência, que julgam ser intrínseco às práticas de lutas, o que incompatibiliza a possibilidade de abordagem deste conteúdo na escola� Já há alguns anos que a capoeira tem sido obje- to de estudo por parte de pesquisadores da área de Educação Física� Possivelmente, Subsídios para o Estudo da Metodologia do Treinamento da Capoeiragemo, de 1945, do professor Inezil Penna Marinho, seja o texto precursor. Vários outros – Oliveira (1993), Rocha (1994), Silva (2002), Falcão (2004) – têm contribuído para a literatura da capo- eira como conteúdo para a Educação Física escolar. Embora tais trabalhos tenham contribuído sobrema- neira à área, pouco se tem falado objetivamente do que a prática da capoeira poderia fornecer ao profes- sor de Educação Física escolar enquanto conteúdo. Mesmo para a Educação Física escolar, muitas propostas têm sido feitas, com características militaristas, competitivistas e biologistas� Para Darido (2003), até a década de 1980 os objetivos da Educação Física escolar eram eminentemente voltados para questões técnicas, de rendimento, atrelados à aptidão física e aspectos biológicos� 26 Na busca de novos objetivos e justificativas para as aulas de Educação Física escolar, viu-se aspectos socioculturais e novas dimensões para as aulas� Para efeito de organização didático-pedagógica, os conteúdos da capoeira para a Educação Física es- colar serão organizados a partir do modelo proposto por Coll et al (2000): procedimentos para o ensino e aprendizagem da capoeira (o que se deve saber fazer?); conceitos a partir do ensino e aprendizagem da capoeira e principalmente as atitudes a partir do ensino e da aprendizagem da capoeira (como se deve ser?) (COLL, 2000)� Depois de estudarmos a origem da capoeira e de sua possível contribuição para a Educação como um todo, e para a Educação Física em particular, per- cebemos ainda mais a sua importância� Ao mesmo tempo, sente-se a falta de sua presença como parte integrante do cotidiano do professor de Educação Física, assim como é o basquete, o futebol, o vôlei, manifestações importadas e hoje enraizadas em nossa cultura� Além disso, deve-se considerar a reflexão sobre a inexistência não só da capoeira, mas também de outras atividades culturais populares – o frevo, o maracatu, o samba, a amarelinha, as rodas cantadas etc� – que no Brasil se diferenciam de região para região� Como se pode contribuir para que os estudan- tes conheçam mais nossa cultura, regionalismos, seu passado histórico, tradições e o povo que fez essa 27 história, além de ensinar as demais expressões da cultura corporal? Esse aspecto, muitas vezes ignorado, foi sendo in- fluenciado por imposições que nos levaram a um esvaziamento cultural e a um domínio de outras ati- vidades, nem sempre adequadas à nossa população, por estarem ligadas a origens e costumes paralelos aos nossos. Chega-se ao cúmulo do desconheci- mento de nossa própria cultura, se não ao desprezo� A partir dessas inquietações, surge a necessidade de se propor uma abordagem escolar e educacional da capoeira, a partir da experiência no ensino e for- mação de estudantes de Licenciatura em Educação Física e de Mestres/professores de capoeira que trabalhem com capoeira como conteúdo das aulas de Educação Física escolar ou como curso de ex- tensão em escolas� A prática de capoeira tem crescido no ambiente escolar em duas perspectivas: como modalidade interdisciplinar, em que os responsáveis em passar o conhecimento são professores que se incorporaram a essa função a partir da prática da modalidade, pois não existe um curso formal em que o praticante de capoeira se torna professor; já a segunda é por meio da Educação Física escolar, essa é desenvolvida porprofessores de Educação Física que não possuem uma formação específica em capoeira (SANTOS, 2002; SILVA, 2001)� É importante salientar-se que as perspectivas acima citadas são desenvolvidas com crianças� Segundo Paulo Freire, a “Educação 28 não transforma o mundo� Educação muda pessoas� Pessoas transformam o mundo”� Assim sendo, é necessário buscar-se nas pessoas o instrumento de mudança social� A cultura corporal como conte- údo das aulas de Educação Física deve ser utilizada como instrumento de uma prática educativa efetiva e transformadora� Faz-se necessário identificar no discurso do profes- sor de capoeira na escola seu vínculo educacional� No caso, a capoeira desenvolvida na Educação Física escolar não tem pretensão de transformar as crian- ças em capoeiristas, mas sim apresentar o jogo e usufruir de suas ferramentas pedagógicas – o jogar (movimentos específicos utilizados em duplas), o cantar e o tocar (SANTOS, 2002; OLIVEIRA, 1993; OLIVEIRA, 2009). Podcast 2 Tendo em vista que a capoeira, em si, não existe, mas são pessoas – professores de capoeira e estudantes praticantes de capoeira – que a constroem enquan- to cultura corporal, o objetivo de se usar a capoeira como conteúdo das aulas de Educação Física estará sempre permeado pelo conhecimento particular des- te conteúdo. Não há um método ou caminho para se ensinar capoeira e educar a partir dela� Esse método ou caminho se constrói caminhando. Quanto mais o professor de Educação Física se capacitar, mais e melhores resultados terá. 29 https://famonline.instructure.com/files/648085/download?download_frd=1 São inúmeras as hipóteses que tratam da origem da capoeira e, atualmente dois eixos são os mais conhe- cidos no Brasil: o primeiro trata a capoeira já trazida pelos escravos de países africanos colonizados por Portugal e outra, a mais difundida em viés histórico, é que a capoeira nasce no Brasil como parte de mo- vimentos de resistência social dos povos africanos trazidos ao país na condição de escravos� Para os dois casos, não existem documentações que comprovem as hipóteses pelo amplo movimento his- tórico, cultural e social de apagamento da presença negra no Brasil� Um comprobatório de que a capoeira é essencial- mente brasileira, é o próprio nome: tupinólogos e linguistas explicam que o prefixo caá – mato, floresta virgem e o sufixo puêra, que indica desinência verbal de pretérito – o que não existe mais, formam, etimo- logicamente, o termo capoeira que significa, em uma adequação, mato que foi cortado� Historiadores e outros especialistas, como mestres de capoeira, explicam que a origem do nome capo- eira está atrelada à fase inicial do processo histórico conhecido como Brasil colônia em sua 1ª. fase. Mato que foi cortado ou capoeira era a designação indígena para o espaço de terra que, após ter sido produtiva em alguma cultura agronômica, era quei- mada e preparada para novo plantio e nesse espaço então, os escravos desenvolviam e aprimoravam técnicas corporais já em consolidação de luta, em 30 sua acepção, bem como regulavam a ancestralidade de todo o repertório afro cosmogônico e é por isso, como defendem mestres de capoeira, que a roda ocupa, para a capoeira, um lugar de relevada impor- tância pois ela propicia lugares de fala e assegura deliberações sociais� Quase que imediatamente à consolidação europeia no Brasil, entre o início século XVI e meados do sécu- lo XVIII, a colonização fez com que diferentes etnias indígenas convivessem em espaço físico com outras etnias, as de países africanos que (algumas correntes de estudos defendem predominantemente Angola), foram subjugadas e trazidas ao Brasil como mão de obra escrava no sistema extrativista exploratório, base da economia colonial brasileira� Figura 1: Jogar Capoëra ou danse de la guerre, 1821-1825 (RUGENDAS, 1998). https://bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/20.500.12156.3/19994 31 https://bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/20.500.12156.3/19994 Uma vez verificado o contexto histórico do surgimen- to da capoeira, faz-se importante destacar para o profissional da Educação Física que atuará no ensino escolar, considerar a prática docente da capoeira não apenas no aspecto técnico da arte ou luta mar- cial, que ela também é mas também o ensino das sequências de movimentos e golpes com todos os elementos que envolvem a origem e a constituição da capoeira estimulando oportunidades pedagógi- cas com temas transversais produzindo debates e reflexões no aprimoramento nas práticas docentes. Destaca-se que graças às lutas do Movimento Negro, foi criada em 2003 a Lei Federal n. 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio� Propostas inovadoras de ensino promovem uma participação integrada como jogo de capoeira, lem- brando que a diferença entre o jogo e a luta está na expressão de uma coletividade identitária e social� Parte do acervo que estrutura a capoeira como luta ou arte marcial envolve manifestações como canto e musicalidade e por isso o termo jogo é comumen- te aplicado no lugar de luta e, nessas colocações é importante verificar que a terminologia jogo não apreende apenas um valor lúdico mas para tomar parte desse contexto lúdico deve-se reconhecer as regras que definem o jogo e elas estão estabelecidas a partir, não apenas do treinamento das estruturais da luta como a base, postura, ginga e golpes como 32 também os toques, que são parte do acervo da luta, emitidos pelos instrumentos essenciais que são ata- baque, pandeiro e berimbau, a marcação do bater palmas e a letras das músicas que são cantadas e que transmitem, de forma codificada, qual movi- mento, cadência de movimento e qual estilo de jogo (regional ou angola) deve ser sequenciado na roda� Figura 2: Mestre Bimba - Patrono da capoeira regional e Dr. Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia. Fonte: https://www.pal- mares.gov.br/?p=52567 33 https://www.palmares.gov.br/?p=52567 https://www.palmares.gov.br/?p=52567 Figura 3: Mestre Pastinha - Patrono da capoeira angola e condecorado pela Ordem do Mérito Cultural de 2005 Fonte: https://pt.wikipedia.org/ wiki/Mestre_Pastinha SAIBA MAIS Para conhecer um pouco mais sobre as ori- gens da capoeira, a variação do estilo regional e sobre o mestre Bimba, assista ao documen- tário no link a seguir: https://www.youtube.com/ watch?v=EHnPkKZxcmQ Mestre Bimba – A capo- eira iluminada 34 https://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Pastinha https://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Pastinha https://www.youtube.com/watch?v=EHnPkKZxcmQ https://www.youtube.com/watch?v=EHnPkKZxcmQ CONSIDERAÇÕES FINAIS O conteúdo apresentado teve o objetivo de aprofun- dar o entendimento sobre o uso da luta ou jogos de aposição como ferramentas educativas, assim apre- sentando argumentos que direcionam a luta para um objeto de respeito ao próximo, seja pelo bom uso das regras ou preservação do oponente, por entendê-lo como um amigo ou parceiro� Apresentou-se, ainda, brincadeiras que podem ser aplicadas nas aulas de Educação Física e que não necessariamente necessitam de um expert em artes marciais para adotá-las� Outro ponto que deve ser destacado é a utilização da luta como ferramenta de inclusão desde o âm- bito educativo até o esportivo, com exigência de desempenho. Para finalizar, foi abordada uma arte genuinamente brasileira e que apresenta a luta ligada a outros ele- mentos culturais, de maneira que se torna uma óti- ma ferramenta para a utilização na Educação Física escolar, a Capoeira� 35 SÍNTESE • As lutas também são capazes de absorver indivíduos com necessidades especiais, ou seja, fazer uso da inclusão, e isso ocorre de forma bem ampla, desde o âmbito educativo até o esportivo tendo exigência de alto rendimento; • E para finalizar é abordada uma arte genuinamente brasileira e que apresenta a luta ligada a outros elementos culturais, de maneira que se torna umaótima ferramenta para utilização na Educação Física escolar, a capoeira. • O conteúdo apresenta brincadeiras que podem ser aplicadas nas aulas de Educação Física em que não necessariamente seja necessário ser um expert em artes marciais; • Dessa forma, tem-se o objetivo de se aprofundar o entendimento sobe o uso da luta ou jogos de aposição como ferramenta educativa, assim apresentando argumentos que direcionam a luta como ferramenta de respeito ao próximo, seja pelo bom uso das regras preservação do oponente por entendê-lo como um amigo ou parceiro; • Nas aulas de Educação Física espera-se que o professor de Educação Física que vá abordar lutas em suas aulas consiga superar as dificuldades naturais que surgem ao se usar estas práticas, entendendo os conceitos básicos de lutas e relacionando-os com as próprias atividades que são intrínsecas às crianças. Assim, espera-se que o professor faça adequação da tradição (modelos e paradigmas) das lutas ao mundo atual e os adapte para as necessidades da escola. Todo conteúdo abordado na Educação Física deve seguir os princípios esperados no ambiente escolar; DAS LUTAS AOS JOGOS DE OPOSIÇÃO PEDAGOGIA DAS LUTAS E DAS ARTES MARCIAIS • Contudo, faz-se parte do conteúdo brincadeiras prontas para aplicar, e que ao mesmo tempo elucidam ideias para novas brincadeiras em que a luta está presente; Referências Bibliográficas & Consultadas BELTRAME, A. L. N.; SAMPAIO, T. M. V. Atendimento especializado em esporte adaptado: discutindo a iniciação esportiva sob a ótica da inclusão. Revista da Educação Física/UEM, v. 26, n. 3, p. 377-388, 2015. BRANDEBURGO, M.A.M. A importância biológica do comportamento agressivo. Ciência e cultura, v. 39, n. 5 e 6, pp. 471-482, maio-jun. 1987. COLL, C. et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. 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