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FARMACOBOTÂNICA Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Reconhecer os principais passos para o desenvolvimento de fitoterápicos. > Definir quais os parâmetros importantes para a produção de fitoterápicos. > Identificar ações necessárias para o controle de qualidade em cada etapa de produção. Introdução A fitoterapia é uma prática integrativa centrada na aplicação de derivados de origem vegetal veiculados em formas farmacêuticas, como preparações líquidas, sólidas e semissólidas. No Brasil, a fitoterapia foi inserida na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde (PNPIC-SUS) em 2006, impulsionando a pesquisa e a produção de fitoterápicos em território nacional. Para obter fitoterápicos, o fluxo produtivo é composto por três estágios, sendo eles: obtenção da planta medicinal e droga vegetal; obtenção dos extratos Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade de fitoterápicos Patrícia Weimer Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 e frações purificadas dos compostos bioativos; e produção do fitoterápico (forma farmacêutica final). Desde a pesquisa até a comercialização dos fitoterápicos, cada estágio apresenta níveis de complexidade distintos, envolvendo a atuação de equipes multidisciplinares com participação fundamental do farmacêutico. Neste capítulo, você vai estudar as principais etapas da pesquisa e do de- senvolvimento de fitoterápicos, desde o cultivo das plantas medicinais até a obtenção dos extratos e das formas farmacêuticas. Vai, também, conhecer os parâmetros mínimos para o controle de qualidade do fitoterápico em produção, englobando análises de matérias-primas ativas vegetais, produto intermediário e produto acabado. Etapas do desenvolvimento de fitoterápicos O termo “fitoterápico” compreende os produtos de finalidade profilática, curativa ou paliativa obtidos de matérias-primas ativas de origem vege- tal. Os produtos fitoterápicos dividem-se em duas categorias principais: os medicamentos e os produtos tradicionais. Essa divisão está relacionada à forma de avaliação da segurança e da eficácia desses fitoterápicos. Os medicamentos fitoterápicos são submetidos a ensaios pré-clínicos e clínicos em seu desenvolvimento. Já os produtos tradicionais fitoterápicos apresentam comprovação da sua segurança e eficácia pelo uso tradicional. O uso tradicional é comprovado pela existência de registros técnico-científicos por período superior a 30 anos. Essas diferenças impactam diretamente o processo e as etapas de desenvolvimento, mas ambas as categorias devem ter as boas práticas de fabricação (BPF) ou manipulação (BPM) e controle de qualidade assegurados durante sua produção (ANVISA, 2014b). Os produtos tradicionais fitoterápicos são indicados para pato- logias leves. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável pela regulação e pelo enquadramento de produtos tradicionais e medicamentos fitoterápicos de registro simplificado, divulgando instruções nor- mativas e informes técnicos a respeito. Procure as informações mais atualizadas no portal eletrônico da Anvisa, em que é possível encontrar esclarecimentos sobre a regulamentação de industrialização, manipulação, comercialização e registros de insumos, de produtos tradicionais e medicamentos fitoterápicos. O primeiro passo do desenvolvimento dos fitoterápicos consiste na iden- tificação dos compostos responsáveis pela atividade biológica (por exemplo, ação anti-inflamatória e ação laxativa). Para produtos tradicionais fitoterápi- 2 Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade de fitoterápicos Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 cos, os registros de uso tradicional determinam a atividade biológica principal. Para medicamentos fitoterápicos, por sua vez, a aplicação de diferentes abor- dagens de pesquisa determina a atividade biológica. Entre as mais comuns, destacam-se a pesquisa etnofarmacológica, a quimiotaxonômica e a triagem empírica e ao acaso. A escolha da abordagem está associada aos objetivos da pesquisa ou dos pesquisadores envolvidos (ELISABETSKY; SOUZA, 2010). A pesquisa etnofarmacológica fundamenta-se na experiência e no conheci- mento de uma população quanto ao uso de determinadas plantas medicinais. Os pesquisadores objetivam encontrar justificativas para o uso popular por meio de estudos químicos e farmacológicos. Adota-se a aplicação popular como um ponto de partida, mas os achados científicos podem confirmar ou não a aplicação farmacológica dos compostos bioativos (ELISABETSKY; SOUZA, 2010). Para investigação, o uso popular não requer registros técnico-científicos prévios, diferindo do uso tradicional nesse aspecto. Já a triagem empírica consiste na avaliação de extratos ou compostos de plantas por diferentes metodologias in vitro para identificar uma atividade biológica (seleção randômica). Comumente, aplicam essa abordagem os grupos de pesquisa que trabalham com determinados modelos experimen- tais e realizam uma triagem (screening) com diferentes espécies vegetais (ELISABETSKY; SOUZA, 2010). Por fim, a descoberta ao acaso ocorre quando o produto descoberto não tem relação direta com o objetivo da pesquisa, sendo considerado, muitas vezes, um acidente. Contudo, essa prática é dependente das habilidades de observação dos pesquisadores, que são responsáveis por vislumbrar um potencial de aplicação da nova substância. O primeiro medicamento fitoterápico totalmente brasileiro chegou ao mercado em 2005. Denominado Acheflan e indicado para o tra- tamento tópico de inflamações, esse fitoterápico surgiu da parceria público- -privada entre quatro universidades (UFSC, Unifesp, PUC-Campinas e Unicamp) e a Aché Laboratórios. O início de seu desenvolvimento foi fundamentado no uso popular da espécie Cordia verbenace D.C. para o tratamento de processos inflamatórios. Após ensaios preliminares, os pesquisadores identificaram a ação biológica de seu óleo essencial, sendo o composto marcador o alfa-humuleno. A partir dos resultados promissores dos ensaios pré-clínicos, identificou-se a possibilidade de elaborar um medicamento inédito, englobando todas as etapas de desenvolvimento, desde a concepção até os testes farmacotécnicos e ensaios clínicos em instituições brasileiras (FERNANDES et al., 2007; MEDEIROS et al., 2007; SEGS, 2015). Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 3 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 A etapa de determinação dos compostos bioativos também compreende a definição dos farmacógenos de interesse, ou seja, quais partes do material vegetal apresentam os compostos bioativos. Durante o desenvolvimento exploram-se diferentes partes do material vegetal, como folhas, flores, frutos, inflorescências, cascas e raízes. A escolha do farmacógeno é direcionada pelo grupo do metabólito especializado de interesse, de acordo com a função que ele desempenha no próprio material vegetal. Por exemplo, os flavonoides e as cumarinas atuam na proteção do material vegetal contra a radiação ultravioleta. Por isso, espera-se encontrar maiores concentrações desses compostos nas partes aéreas, não nas raízes. Após a definição do farma- cógeno, este deverá ser empregado como matéria-prima vegetal de partida para o processo extrativo, e as demais partes da planta são classificadas como contaminantes. Nesse caso, quando se define somente o emprego de folhas, a presença de galhos se enquadra como contaminante e é investigada no controle de qualidade. Para a obtenção de fitoterápicos são necessários insumos farmacêuticos ativos vegetais (IFAV) e adjuvantes farmacêuticos. As matérias-primas se enquadram em material vegetal fresco, seco ou estabilizado ou, também, como extratos brutos ou purificados. Obtêm-se os extratos purificados dos extratos brutos, após o emprego de processos específicos para separaçãoe concentração de uma ou mais classes de metabólitos. As etapas de secagem, as extrações e as purificações estabilizam os compostos bioativos presentes na matéria-prima de origem vegetal. O impacto desses processos deve ser previsto durante o desenvolvimento da matéria-prima e do fitoterápico propriamente dito (ANVISA, 2014b; BASSANI; PETROVICK, 2017). A atividade farmacológica do fitoterápico está associada ao fito- complexo, que é um conjunto de todas as substâncias, originadas do metabolismo primário ou secundário, responsáveis, em conjunto, pelos efeitos biológicos de uma planta medicinal ou seus derivados. Formulações que apre- sentem compostos isolados, mesmo que obtidos de origem vegetal (fitofármaco), são consideradas fitoterápicos. Além disso, se o medicamento apresentar uma associação entre fitocomplexo e molécula ativa de origem sintética, ele não pode ser enquadrado como medicamento fitoterápico (ANVISA, 2014b). Após a definição da abordagem de pesquisa para identificar a atividade biológica, iniciam-se os estudos pré-clínicos, estudos de fitoquímica e estudos agronômicos mais aprofundados (ALBUQUERQUE; HANAZAKI, 2006; MONTA- NARI; BOLZANI, 2001). Mensura-se o potencial terapêutico do fitoterápico Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...4 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 em desenvolvimento por meio desses estudos pré-clínicos, envolvendo a aplicação de métodos in vitro, in vivo (com animais) e in silico (métodos com- putacionais). Resultados promissores nessa etapa possibilitam a condução futura de ensaios clínicos (humanos). Paralelamente aos ensaios pré-clínicos, há os estudos fitoquímicos. Estes identificam os compostos responsáveis pela atividade biológica, por aprofundamento dos processos de extração, purificação, identificação e quantificação dos compostos bioativos do fitocomplexo (ALBUQUERQUE; HANAZAKI, 2006; MONTANARI; BOLZANI, 2001; OLIVEIRA et al., 2010). A última categoria de estudo que antecede os estudos de pré-formulação e formulação corresponde aos estudos agronômicos. A pesquisa agronômica das plantas medicinais avalia o impacto das condições edafoclimáticas (tem- peratura, umidade, características do solo, radiação solar e precipitação pluvial, etc.) durante o cultivo, bem como os estudos de modificações gené- ticas, quando necessário. A fim de evidenciar esses impactos na composição qualiquantitativa do fitocomplexo, os estudos agronômicos se baseiam nos estudos fitoquímicos, pois as plantas medicinais cultivadas são o ponto de partida para obter drogas vegetais e demais derivados (MAGALHÃES et al., 2006). Conforme vimos, o IFAV e os excipientes farmacêuticos (destituídos de ação terapêutica) compõem os fitoterápicos. A bula do medicamento deve conter a descrição dessas matérias-primas. Os excipientes podem ser, por exemplo, conservantes, edulcorantes, corantes, flavorizantes, emulsificantes, espessante, lubrificantes, diluentes, aglutinantes, desintegrantes, antioxidan- tes, promotores de fluxo. Quando o emprego de substâncias não ativas visa a assegurar a solubilidade do fármaco, as características físico-químicas, o espessamento ou a melhora das características organolépticas da formulação, classificamos as substâncias como adjuvantes farmacêuticos. Por fim, para garantir a estabilidade dos compostos bioativos durante o processamento e a integridade físico-química na forma farmacêutica final, há estudos de pré-formulação, formulação e transposição da escala produtiva. Os ensaios de pré-formulação têm enfoque no IFAV para o desenvolvimento de metodologias analíticas para o produto, estudos de qualidade e reatividade. Já os estudos de formulação buscam avaliar a interação entre os adjuvantes e o IFAV e contemplam a prospecção de matérias-primas e fornecedores, porque a qualidade da formulação relaciona-se à qualidade dos insumos (BASSANI; PETROVICK, 2017). Os fornecedores devem garantir a oferta dos insumos nas quantidades apropriadas para produção dos lotes e, em especial para o IFAV, devem assegu- Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 5 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 rar a qualidade ao longo do tempo e a reprodutibilidade do perfil fitoquímico. Nessa etapa, a escolha da forma farmacêutica se baseia na estabilidade do IFAV e na via de administração, para a maximização do efeito terapêutico. As principais formas de apresentação dos fitoterápicos são comprimidos, cápsula, tinturas, extratos secos, fluídos e líquidos, infusões, decoctos, pós e apresentações semissólidas (MONTEIRO; BRANDELLI, 2017). Durante os estudos de formulação, também se estudam os impactos dos processos de transformação, a estabilidade da formulação, a análise dos perigos e pontos críticos de controle (APPCC), assim como a otimização do processo produtivo. Por fim, reavaliamos as características do produto após a etapa de transposição de escala (scaling up), com aumento da capacidade de produção da escala-piloto para escala-industrial. Além disso, podemos exe- cutar pequenos ajustes no método de produção (BASSANI; PETROVICK, 2017). Depois dos estudos de pré-formulação, formulação e transposição de escala, a última etapa do desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos consiste na condução de estudos clínicos para averiguar a segurança e a efi- cácia dos medicamentos. Durante todas as etapas de desenvolvimento, é de responsabilidade da empresa manter registros eletrônicos e/ou físicos, para apresentar à Anvisa mediante solicitação de registro do produto tradicional ou medicamento fitoterápico (ANVISA, 2014a, 2014b). Nesta seção, vimos as principais etapas do desenvolvimento de fitote- rápicos, sendo elas: abordagem do estudo inicial (ou embasamento no uso tradicional), estudos pré-clínicos, fitoquímicos, agronômicos, estudos de pré- -formulação, formulação, estabilidade, transposição do tamanho de escala e estudos clínicos (para medicamentos fitoterápicos). Após o desenvolvimento e a aprovação do registro/notificação perante a agência regulatória, a empresa está autorizada a produzir os fitoterápicos. As etapas de produção e seus parâmetros são temas da próxima seção deste capítulo. Parâmetros e etapas para a produção de fitoterápicos Um fluxo produtivo de fitoterápicos, de maneira geral, apresenta três estágios principais: as entradas (input) de matérias-primas ativas e adjuvantes, o fluxo de transformação e a obtenção do produto terminado (saída — output). Dife- rentes etapas podem preceder cada estágio, principalmente para obtenção e entrada de matérias-primas. Tais variações decorrem da infraestrutura física das empresas e de acordo com os recursos humanos qualificados disponíveis para execução dos processos (BASSANI; PETROVICK, 2017). Ao longo desta Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...6 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 seção, vamos estudar as etapas do processo produtivo de fitoterápicos com enfoque na produção industrial. Os produtos tradicionais e medicamentos fitoterápicos podem ser produzidos em escala industrial ou magistral (farmácia de manipu- lação). Quando produzidos em escala industrial, os fabricantes de fitoterápicos precisam adotar as boas práticas de fabricação e, no âmbito magistral, devem assegurar as boas práticas de manipulação, ambas de acordo com a legislação vigente (ANVISA, 2007, 2013, 2022b). Em comparação à produção industrial, a manipulação de fitoterápicos apresenta simplificação dos processos, estando restrita à aquisição da droga vegetal ou extratos, seguida das etapas de pesa- gem, mistura, formulação e envase. A manipulação de fitoterápicos se refere à produção individualizada, conforme prescrição médica, e a fabricação industrial se refere à produção em larga escala, o que impacta os equipamentos e métodos empregados (MONTEIRO; BRANDELLI, 2017). O ponto de partida de qualquer fitoterápicoé obter a planta medicinal. Inicialmente, um profissional habilitado (por exemplo, botânico) identifica amostras do material vegetal. Em seguida, ocorre a obtenção de plantas medicinais por meio de cultivo (colheita) ou extrativismo (coleta e manejo sustentável). O cultivo é uma prática intencional do ser humano, realizado em uma área predeterminada e apropriada para o crescimento e o desenvol- vimento das espécies vegetais. Nesse processo, adotam-se as boas práticas agrícolas e monitoram-se as características do solo e demais condições do plantio, de acordo com os estudos agronômicos. É proibida a utilização de agroquímicos durante o cultivo, e ausência deles é verificada na etapa de controle de qualidade. Se necessário, para o favorecimento do cultivo, empregam-se técnicas de compostagem, adubação, cultivo mínimo e o plantio consorciado de espécies (ANVISA, 2014a; BASSANI; PETROVICK, 2017; MONTEIRO; BRANDELLI, 2017). É recomendável que a empresa responsável pela obtenção da planta medicinal registre informações referentes à coleta/colheita, como data, horário ou período da coleta, fase de desenvolvimento da planta e local (ge- orreferenciamento) (ANVISA, 2014a). Após a colheita ou coleta, submete-se o material vegetal ao processo de limpeza para remoção de materiais estranhos e sujidades. Para a limpeza, há técnicas de lavagem por imersão com água ou soluções alcoólicas, bem como jatos de ar, desde que a técnica aplicada garanta a integridade do material (ANVISA, 2014a; BASSANI; PETROVICK, 2017). Eventualmente, o material pode passar pela etapa de seleção para remover as partes indesejadas. Por exemplo, ao coletar as partes aéreas de determinada Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 7 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 planta medicinal, suas folhas (farmacógeno desejado) são selecionadas, e os galhos e flores, descartados (BASSANI; PETROVICK, 2017). As próximas etapas da obtenção da droga vegetal são a estabilização e a secagem do material fresco. Caso os derivados vegetais sejam obtidos a partir do material fresco, eles seguem para etapa de processamento sem passar pela secagem. Devido à facilidade de processamento e conservação a longo prazo, a maioria das amostras vegetais passam por processos de estabilização e secagem, que reduzem a atividade enzimática do material vegetal e a proliferação microbiana (ANVISA, 2014a; BASSANI; PETROVICK, 2017; MONTEIRO; BRANDELLI, 2017). Nessa etapa, o método de secagem (natural ou artificial) ocorre de acordo com a validação da etapa de desenvolvimento. Além disso, o produtor da droga vegetal mantém registros de temperatura, tempo de secagem e volume de material seco. Finalizada a etapa de seca- gem, o material é acondicionado em embalagens apropriadas e devidamente identificadas. Em seguida, ocorre a armazenagem. Durante o armazenamento, devem ser controladas e registradas a temperatura, a umidade e a lumino- sidade (ANVISA, 2014a). O produto resultante das etapas anteriores chama-se droga vegetal, e sua obtenção pode corresponder a uma parte da cadeia produtiva da empresa ou ao produto acabado e colocado para comercialização. Pode-se adquirir a droga vegetal por outras empresas especializadas na extração dos componentes ativos e/ou na formulação de fitoterápicos (por exemplo, comprimidos, cápsu- las, preparações líquidas e semissólidas). A Figura 1 demonstra as principais etapas do processo produtivo de fitoterápicos e os produtos intermediários resultantes, que seguem para a próxima etapa do processo. Figura 1. Etapas da produção de fitoterápicos, com destaque para os produtos de saída (output), matérias-primas de entrada (input) e processos de cada etapa. Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...8 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 A cominuição do material vegetal pode ser conduzida durante a produção da droga vegetal ou previamente à produção dos extratos. Uma alternativa para favorecer o processo extrativo é a moagem do ma- terial vegetal, sendo indispensável caracterizar seu grau de cominuição. A escolha do equipamento para moagem se dá com base nas características estruturais do material, no grau de cominuição desejado e no volume de material fragmentado a ser obtido. Para tal, os equipamentos podem operar pelo sistema de impacto, atrito, cisalhamento ou pressão. As variáveis desse processo, como tempo, rotações, força, entre outras, são validadas na etapa de desenvolvimento, quando também acontece seu controle e seu registro durante a produção (ANVISA, 2014a; BASSANI; PETROVICK, 2017). Os processos de extração variam de acordo com o método, o grau de seletividade e os solventes empregados. Usualmente, a primeira extração demonstra menor seletividade na obtenção dos metabólitos de interesse, formando o extrato bruto. Após, o extrato bruto passa por processos de extração mais seletivos, por variação da polaridade e pH do líquido extrator, obtendo-se extratos concentrados e enriquecidos (líquidos, secos ou fluidos) (BASSANI; PETROVICK, 2017). Entre os métodos de extração mais comuns na indústria, destacam-se a maceração, percolação, prensagem, turboextração, extração por fluido supercrítico, extração por micro-ondas e por ultrassom. Cada técnica tem vantagens e desvantagens. A escolha ocorre com base nas características do material vegetal e características físico-químicas dos metabólitos de inte- resse. Todas as variáveis do processo extrativo e os pontos críticos do processo são validados na etapa de desenvolvimento do fitoterápico e controlados durante o processo de extração (ANVISA, 2022a; BASSANI; PETROVICK, 2017). Conforme demonstrado na Figura 1, se desejável, é possível purificar ou concentrar os extratos obtidos. A purificação ocorre para remoção de materiais indesejáveis presentes no extrato, como sedimentos. Entre as técnicas mais comuns, destacam-se a filtração, decantação, sedimentação e centrifugação. A concentração, por sua vez, elimina total ou parcialmente o líquido extrator ou um de seus componentes. Os produtos resultantes podem apresentar variações na viscosidade e na densidade, mas suas características precisam ser compatíveis com a forma farmacêutica a ser produzida na etapa seguinte (BASSANI; PETROVICK, 2017; MONTEIRO; BRANDELLI, 2017). Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 9 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 A última etapa da produção dos fitoterápicos trata da obtenção de formas farmacêuticas. Nessa etapa, os processos empregados relacionam-se às es- pecificidades da formulação, mas a pesagem e a mistura de IFAV e adjuvantes são processos comuns a todas as cadeias produtivas. A adequabilidade do misturador baseia-se no volume de produção (lote) e nas características dos produtos intermediários (estado físico, granulometria, propriedades de fluxo, entre outras). Durante essa etapa, as variáveis do processo precisam ser condizentes com as instruções da ordem de produção, a fim de garantir uma mistura uniforme. Com a finalização da mistura, o produto é envasado ou submetido a etapas mais específicas, como compressão e revestimento (obtenção de comprimidos), encapsulamento (obtenção de cápsulas), a de- pender da forma farmacêutica. Por fim, o produto acabado é acondicionado na embalagem e comercializado mediante aprovação dos parâmetros de qualidade (AULTON, 2005). Nesta seção, estudamos os principais parâmetros e etapas do processo produtivo de fitoterápicos para empresas de diferentes segmentos, comple- mentando a cadeia de obtenção da planta medicinal: droga vegetal, extratos e formas farmacêuticas. Durante a produção, todos os parâmetros se baseiam no processo de desenvolvimento, principalmente nos estudos fitoquími- cos, agronômicos e de formulação. Além disso, o mapeamento dos pontos críticos de controle e processo auxiliam na obtenção de reprodutibilidade, qualidadee eficácia terapêutica dos fitoterápicos. A próxima seção detalha as principais técnicas e métodos para verificação da qualidade durante o processo produtivo. Controle de qualidade das etapas de produção O controle de qualidade durante o processo produtivo compreende a ava- liação das matérias-primas, produtos intermediários e produto acabado. Como vimos, as plantas medicinais para obtenção dos fitoterápicos precisam ser devidamente identificadas. A Farmacopeia Brasileira apresenta uma relação de monografias para plantas medicinais, tinturas e extratos fluidos. Além disso, o compêndio oficial brasileiro também apresenta descrições das metodologias gerais para identificação e caracterização de matérias-primas de origem vegetal (ANVISA, 2022a). Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...10 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Quando a planta medicinal ou seus derivados em análise não apresen- tarem monografia na edição mais recente da Farmacopeia Brasileira, recomenda-se a consulta às farmacopeias estrangeiras reconhecidas pela Anvisa, como a alemã, a americana, a internacional (Organização Mundial da Saúde), a europeia, a japonesa, entre outras. Na ausência de monografias nesses com- pêndios oficiais, a empresa deve elaborar e validar as metodologias de análise, principalmente em relação à quantificação dos metabólitos do fitocomplexo, além de apresentar a documentação na etapa de registro. Os testes de identificação botânica combinam técnicas de avaliação ma- croscópica, microscópica das estruturas vegetais e identificação química de metabólitos pela aplicação de metodologias qualitativas e quantitativas (ANVISA, 2014a, 2022a). Com a observação macroscópica, obtêm-se informa- ções como coloração, textura e tamanho do material vegetal. Já a análise microscópica permite a identificação de estruturas celulares e teciduais, como presença de estômatos, tricomas e fragmentos de estruturas vasculares (xilema e floema) (ANVISA, 2014a, 2022a; MONTEIRO; BRANDELLI, 2017). Asso- ciados à identificação botânica, os testes de identificação química asseguram a autenticidade da espécie vegetal, ou seja, possibilitam a identificação de possíveis fraudes. Outra finalidade dos testes químicos se refere à avaliação do perfil fi- toquímico da planta medicinal, droga vegetal e dos extratos. Geralmente, esses testes contemplam reações específicas para grupos de metabólitos secundários (por exemplo, reação Wasicky para alcaloides tropânicos), téc- nicas espectrofotométricas e cromatográficas (em camada delgada, líquida e gasosa). Em prática, recomenda-se a utilização de substâncias químicas de referência (padrões purificados dos marcadores fitoquímicos) para análise concomitante com as amostras de origem vegetal (ANVISA, 2014a, 2022a). Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 11 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Para o controle de qualidade de plantas medicinais e drogas vegetais, há os testes de pureza e integridade do material. Os testes de pureza verificam a presença de contaminantes químicos e microbiológicos determinando matéria estranha, teor de água, teor de cinzas, metais pesados e agrotóxicos. Na pesquisa de matéria estranha, o material vegetal é inspecionado quanto à presença de insetos, resíduos do solo de cultivo (terra e areia, por exemplo), presença de outras partes indesejadas da planta ou presença de outras es- pécies vegetais. Conforme a Farmacopeia Brasileira, o percentual de matéria estranha não pode ultrapassar 2% (m/m). O teor de água é mensurado pelos métodos volumétrico (técnica de Karl Fischer), azeotrópico (destilação com tolueno) ou gravimétrico (perda por dessecação). Paralelamente ao teor de água, a matéria-prima vegetal é avaliada quanto ao teor de cinzas totais (solúveis e insolúveis) (ANVISA, 2014a, 2022a). Além disso, para evitar contaminantes que representem risco à saúde humana, é necessário determinar o teor de metais pesados por espectrometria de absorção atômica ou de emissão atômica. Também ocorre a pesquisa de resíduos de agrotóxicos no material vegetal. Apesar do uso de agrotóxicos não ser permitido para o cultivo de plantas medicinais no Brasil, estas podem sofrer contaminação cruzada de plantações próximas, pelo solo, água e ar contaminados. A Farmacopeia Brasileira apresenta uma relação dos micro- -organismos patológicos e microtoxinas a serem investigados e os respectivos limites aceitos (ANVISA, 2014a, 2022a). Como vimos, a droga vegetal é aplicada como matéria-prima para a produção de extratos. Dependendo da técnica e das soluções extratoras empregadas, obtêm-se extratos com características físico e físico-químicas distintas. O Quadro 1 detalha a relação dos testes de controle de qualidade para cada categoria de extrato. Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...12 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Q ua dr o 1. T es te s de c on tr ol e de q ua lid ad e de e xt ra to s ou d er iv ad os v eg et ai s Ex tr at o líq ui do Ex tr at o m ol e Ex tr at o se co Ó le o es se nc ia l Ó le o fi xo De sc ri çã o da s ca ra ct er ís tic as o rg an ol ép tic as (a sp ec to , c or e o do r) X X X X X En sa io s de id en ti fi ca çã o (q ua lit at iv os e s em iq ua nt it at iv os p ar a de sc ri çã o do p er fil fi to qu ím ic o) X X X X X Gr an ul om et ri a X Re sí du o se co X X X pH X Ín di ce d e ac id ez X Ín di ce d e és te re s X Ín di ce d e io do X Ín di ce d e sa po ni fi ca çã o X Ín di ce d e re fr aç ão X Po de r r ot at ór io X (C on tin ua ) Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 13 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Ex tr at o líq ui do Ex tr at o m ol e Ex tr at o se co Ó le o es se nc ia l Ó le o fi xo De ns id ad e re la ti va X X X De ns id ad e ap ar en te X De te rm in aç ão d e ág ua X X X X De te rm in aç ão d e te or a lc oó lic o X* De te rm in aç ão d e m et an ol e 2 -p ro pa no l X* De te rm in aç ão d e su bs tâ nc ia s ex tr aí ve is p or e ta no l X* X X Li m pi de z de lí qu id os X* Vo lu m e m éd io Vi sc os id ad e X So lu bi lid ad e X Q ua nt if ic aç ão d o( s) m ar ca do r( es ) X X X X X *Q ua nd o ap lic áv el . Fo nt e: A da pt ad o da In st ru çã o no rm at iv a nº 0 4, d e 18 d e ju nh o de 2 01 4 (A N VI SA , 2 01 4a , p . 5 6) . (C on tin ua çã o) Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...14 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Seguindo o esquema da Figura 1, utilizam-se os extratos vegetais e seus derivados concentrados na produção de formas farmacêuticas. Os testes de controle de qualidade das formas farmacêuticas precisam estar de acordo com os preceitos da Farmacopeia Brasileira e da legislação vigente. Da mesma forma que os ensaios de identificação botânica, a farmacopeia apresenta descrições das metodologias gerais para caracterização das formas farma- cêuticas (ANVISA, 2022a). O Quadro 2 mostra a relação dos testes de controle de qualidade necessários para cada forma farmacêutica. Esses métodos também são aplicáveis à medicamentos de origem sintética, não somente para medicamentos fitoterápicos. Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 15 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Q ua dr o 2. T es te s de c on tr ol e de q ua lid ad e de fo rm as fa rm ac êu tic as Co m pr im id o Cá ps ul a Gr an ul ad o Lí qu id a (t in tu ra , xa ro pe ) Se m is só lid a Ad es iv os tr an sd ér m icos De sc ri çã oA X X X X X X Gr an ul om et ri a X De si nt eg ra çã o X X Di ss ol uç ão X* X* Du re za X De te rm in aç ão d e ág ua X X X Fr ia bi lid ad e X X Fl ui de z X pH X X Vi sc os id ad e X* * De ns id ad e re la ti va X* * (C on tin ua ) Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...16 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Co m pr im id o Cá ps ul a Gr an ul ad o Lí qu id a (t in tu ra , xa ro pe ) Se m is só lid a Ad es iv os tr an sd ér m ic os De ns id ad e e vo lu m e ap ar en te X Co nt eú do d e sa ca ro se X* * Te m pe ra tu ra d e am ol ec im en to X Un ifo rm id ad e de d os es un it ár ia sB X X X X X X Pe so m éd io X X X X Fo rç a ad es iv a X Fo rç a de tr aç ão X Se pa ra çã o de fa se X* * Te or X X X X X X A Te st es d e co r, od or , f or m a, ta m an ho e te xt ur a (e xa m e vi su al ). B Pa ra u ni fo rm id ad e de d os es u ni tá ri as , o bs er va r a a pl ic aç ão d o m ét od o de U ni fo rm id ad e de C on te úd o (U C) o u de V ar ia çã o de p es o (V P) d e ac or do c om a fo rm a fa rm ac êu tic a. *A d is so lu çã o em fo rm as s ól id as é ap en as n ec es sá ri a qu an do c on st ar e m m on og ra fia d a es pé ci e ve ge ta l e m fa rm ac op ei a re co nh ec id a pe la A nv is a. * * Q ua nd o ap lic áv el . Fo nt e: A da pt ad o da In st ru çã o no rm at iv a nº 0 4, d e 18 d e ju nh o de 2 01 4 (A N VI SA , 2 01 4a , p . 5 8) . (C on tin ua çã o) Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade... 17 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Neste capítulo, estudamos a obtenção de fitoterápicos, composta por etapas e segmentos distintos e executados por equipes com conhecimentos multidisciplinares. O profissional farmacêutico detém conhecimentos gerais e específicos, desempenhando papel central no desenvolvimento, geren- ciamento das etapas produtivas e controle de qualidade. Também atua na capacitação e treinamento das equipes, tanto no ambiente industrial quanto no magistral. O alcance de produtos fitoterápicos com eficácia, segurança e qualidade ao mercado está diretamente relacionado com a execução de todos os processos, desde o desenvolvimento (ensaios pré-clínicos e clínicos, estudos fitoquímicos, agronômicos, de formulação e transposição de escala produtiva) ao processo produtivo amparado no controle de qualidade e dos pontos críticos. Além disso, os produtores de fitoterápicos atuam junto às agências regulatórias e devem estar em consonância com a legislação vigente. Referências ALBUQUERQUE, U. P.; HANAZAKI, N. As pesquisas etnodirigidas na descoberta de novos fármacos de interesse médico e farmacêutico: fragilidades e perspectivas. 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Disponível em: https:// bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/rdc0026_13_05_2014.pdf. Acesso em: 30 nov. 2022. ANVISA. Resolução - RDC nº 67, de 8 de outubro de 2007. Dispõe sobre boas práticas de manipulação de preparações magistrais e oficinais para uso humano em farmácias. Brasília, DF: Anvisa, 2007. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/ anvisa/2007/rdc0067_08_10_2007.html. Acesso em: 30 nov. 2022. ANVISA. Resolução - RDC nº 658, de 30 de março de 2022. Dispõe sobre as diretrizes gerais de boas práticas de fabricação de medicamentos. Brasília, DF: Anvisa, 2022b. Disponível em: https://in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-658-de-30-de-marco- -de-2022-389846242. Acesso em: 30 nov. 2022. AULTON, M. E. Delineamento de formas farmacêuticas. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...18 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 BASSANI, V. L.; PETROVICK, P. R. 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Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobrequalidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Farmacobotânica — desenvolvimento, produção e controle de qualidade...20 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Identificação interna do documento 64DJU2NVBA-0YZWL91 Nome do arquivo: C17Farmacobotanicadesenvolvimentoproducaocontrolequalidadefi_20 2212151641576841003.pdf Data de vinculação à solicitação: 15/12/2022 16:41 Aplicativo: 618979