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INSTITUTO FEDERAL GOIANO - IFGOIANO CENTRO DE REFERÊNCIA EM FORMAÇÃO EM REDE – CERFOR PÓS-GRADUAÇÃO EM DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA Memorial Descritivo das Unidades Temáticas I do Curso de Pós-Graduação em Docência na Educação Profissional e Tecnológica Estudantes: Clarice aparecida Megguer Túlio de Almeida Machado Deide Campos Marques Jessica Oliveira Ribeiro Souza Maria dos Anjos Beirigo Cunha CATALÃO, 2024 Eixo 8 – A Pesquisa e a Extensão no Trabalho Pedagógico da EPT: Teorias e didáticas A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil tem um impacto social profundo que varia conforme a região do país, refletindo as diferentes necessidades econômicas e sociais locais. O processo de expansão foi impulsionado por diversas políticas públicas, com destaque para a criação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que foi significativamente ampliada nos últimos anos, passando de 140 escolas em 2002 para 644 em 2016. Essa expansão, promovida por programas como o PRONATEC, tem como objetivo melhorar a oferta de educação técnica e aumentar a empregabilidade da população jovem, especialmente em regiões menos favorecidas. Os dados representam uma estimativa do impacto relativo de acordo com as características e necessidades de cada região, com valores hipotéticos para ilustrar a variação do impacto social da EPT. Como mostrado abaixo, as regiões Nordeste e Sudeste apresentam um impacto significativo, refletindo tanto o crescimento econômico quanto a adaptação das escolas às demandas de tecnologia e inovação locais. Impactos Regionais Fonte: Anuário Estatístico INEP https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/anuario_estatistico_educacao_profissional_tecno logica_2019.pdf Região Norte e Nordeste: Em regiões como o Norte e o Nordeste do Brasil, esta modalidade de ensino tem mostrado um impacto positivo significativo na redução da desigualdade social e no fortalecimento da economia local. A presença dos Institutos Federais nessas regiões não apenas proporciona formação técnica de qualidade, mas também contribui para o desenvolvimento de setores como agropecuária, indústria e serviços no caso dos SENAR. A qualificação profissional tem sido um fator chave para o aumento da renda média e a redução do desemprego, criando oportunidades especialmente em áreas menos industrializadas, onde o acesso ao ensino superior é mais limitado. Região Sudeste e Sul: Por outro lado, nas regiões mais industrializadas do Sudeste e Sul, são impactos consideráveis, mas com um foco maior na qualificação profissional voltada para áreas tecnológicas e industriais avançadas. A alta concentração de indústrias nessas regiões exige uma força de trabalho qualificada em áreas como engenharia, informática e tecnologias emergentes. Além disso, as Unidades Tecnológicas nessas regiões têm um papel importante na inovação e no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Em Mina Gerais em fevereiro de 2020 iniciou o EMTI Profissional (Ensino Médio Tempo Integral Profissional) com a proposta de fomentar a formação completa e a inclusão social dos jovens. Com a preparação técnica de nível médio tem oportunidade para o seu desenvolvimento humano e participação ativa na cidadania. Além de contar com matérias integradora, preparação básica para o trabalho e empreendedorismo. A proposta é que em 2027 todas as escolas possam oferecer o EMTI Profissional, são vários cursos técnicos que são distribuídos de acordo com a necessidade da cidade, por exemplo, em Guaxupé, são oferecidos o técnico de informática para internet e o de segurança do trabalho. Mais em algumas regiões, tem o de química, alimentos, açúcar e álcool dentre de acordo com a demanda. O Papel dos Institutos Federais A pesquisa de Dias, (2016), por exemplo, aponta que a atuação da Rede Federal tem sido fundamental para a transferência de conhecimento e a capacitação profissional em diversas regiões. Os Institutos Federais têm sido descritos como agentes transformadores do desenvolvimento regional, com uma forte contribuição para o desenvolvimento social e econômico local, tanto pelo aumento de empregabilidade quanto pelo fomento à inovação tecnológica. Os IFs estão presentes em todas as regiões do país, desempenhando um papel estratégico na formação de mão de obra qualificada e na promoção do desenvolvimento local. Eles atuam em setores como: Agricultura sustentável, Indústria e inovação tecnológica, Saúde, educação e serviços. Além disso, ao articular ensino, pesquisa e extensão, os Institutos Federais formam cidadãos preparados para atuar criticamente em um mundo em constante transformação. Assim, a EPT é uma ferramenta estratégica para o crescimento econômico e a redução das desigualdades regionais no Brasil. Surgimento da EPT no Brasil O trabalho pedagógico na Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil, começou a se consolidar no século XX, com uma crescente preocupação em integrar a formação técnica ao desenvolvimento de uma educação mais crítica, reflexiva e socialmente engajada. Embora o ensino técnico existisse desde os primórdios da educação brasileira, foi a partir da década de 1930, com a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e outras iniciativas, que se reconheceu a necessidade de um projeto pedagógico mais amplo, que englobasse as demandas do mercado de trabalho, a cidadania e a formação integral do indivíduo. 1. Década de 1930: O marco inicial do desenvolvimento da Educação Profissional e Tecnológica no Brasil pode ser situado no período de 1930, com a criação das Escolas Técnicas Federais, que visavam qualificar trabalhadores para o desenvolvimento da indústria no país. Nessa época, o foco estava principalmente na formação técnica e no aprendizado prático. 2. Reformas e Ações Educacionais nas Décadas de 1960-1970: O sistema de educação, principalmente na década de 1960, passou por um processo de modernização, com maior atenção ao desenvolvimento de métodos pedagógicos voltados para a prática, impulsionados pela ideia de que o ensino técnico não deveria ser apenas reprodutor de técnicas, mas também formador de cidadãos críticos e capazes de refletir sobre o contexto social. Um exemplo disso foi a criação do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), que representava uma tentativa de qualificar tecnicamente os alunos enquanto fomentava uma educação com maior grau de reflexão e ação crítica. 3. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996: Formalizou a ideia de que a Educação Profissional deveria ser integrada ao ensino básico, promovendo uma abordagem mais ampla e diversificada. As escolas técnicas e profissionais passaram a ter uma maior conexão com a educação geral, criando possibilidades de ensino para atender as demandas de uma sociedade em transformação, sendo um ponto de inflexão para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (EPT). Principais Autores da EPT Diversos teóricos e pedagogos discutiram a educação profissional ao longo das décadas, e suas contribuições foram fundamentais para o desenvolvimento do trabalho pedagógico, segue alguns: 1. Anísio Teixeira: Defendeu a ideia de que a educação deve ser integral, ou seja, não deve se limitar à formação técnica, mas incluir uma preparação para a vida cidadã. Teixeira acreditava na educação como um meio para a emancipação do indivíduo, algo que se reflete nos princípios da EPT, onde se busca não apenas formar técnicos, mas cidadãos conscientes de seu papel social e político. 2. Paulo Freire: Embora mais conhecido por suas contribuições para a educação básica e popular, Freire também influenciou ao defender uma educação libertadora e crítica, voltada para ocontexto social do aluno. A ideia de que o ensino deve ser dialógico e participativo é fundamental para as práticas pedagógicas, especialmente quando se busca engajamento com a comunidade e o mercado de trabalho. 3. Carlos Rodrigues Brandão: Um dos mais importantes teóricos da educação popular no Brasil, Brandão enfatizou a importância da educação em contextos reais, com foco na participação ativa dos alunos e em um ensino que respeite as culturas locais. Seus conceitos de “educação popular” e “educação para a autonomia” se aplicam diretamente, que deve formar trabalhadores críticos e não apenas técnicos. 4. José Carlos Libâneo: Contribuiu para a reflexão sobre as formas de organização do trabalho pedagógico e a estrutura curricular, buscando integrar as áreas técnica e profissional de forma que o aluno se tornasse capaz de aplicar seus conhecimentos de maneira inovadora. 5. Dermeval Saviani: Também influenciou com suas contribuições sobre a pedagogia crítico-social, defendendo uma educação que articule a formação técnica e as questões sociais. Saviani, aponta a importância de uma educação que estejam diretamente conectadas com as necessidades do mercado de trabalho e com a sociedade, sem perder de vista a função social e emancipadora da educação. Esses autores ajudaram a moldar a pedagogia crítica e reflexiva dentro da EPT no Brasil, defendendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão como parte fundamental para a formação de um profissional não só técnico, mas também ético, crítico e socialmente engajado. A Integração do Ensino, Pesquisa e Extensão A integração entre ensino, pesquisa e extensão é um princípio essencial para a formação completa e crítica. Esse modelo pedagógico buscava não apenas a capacitação técnica, mas também o desenvolvimento de um profissional reflexivo e atuante em sua comunidade. O tripé ensino-pesquisa- extensão foi fundamental para a construção de um saber que estivesse alinhado às necessidades sociais, culturais e econômicas do país. A pesquisa e a extensão privilegiam a interação dialógica e transformadora entre a academia e o mundo do trabalho, conforme disposto na Resolução CNE n° 7, de 18 de dezembro de 2018 (BRASIL, 2018), que estabelece as diretrizes para a extensão na educação superior, além da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, estabelecido por meio do art. 207 da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988). Ensino e Pesquisa A pesquisa, dentro desse contexto, não se limita à produção de conhecimento acadêmico, mas envolve a investigação aplicada, voltada para a prática profissional. Oliveira (2015), destaca que a pesquisa deve ser incorporada aos currículos de forma a possibilitar que o estudante desenvolva habilidades críticas e reflexivas sobre o seu campo de atuação. Para ele: "A pesquisa na educação profissional não se limita a gerar conhecimento, mas a transformar as práticas pedagógicas, envolvendo o estudante de forma ativa e engajada". Esse olhar investigativo permite que o aluno não apenas aprenda, mas questione, propondo soluções para os desafios enfrentados no ambiente de trabalho e na sociedade. Freire (2012), por sua vez, reforçou a importância de uma educação que seja "dialógica e investigativa", em que o conhecimento não seja transmitido de forma vertical, mas sim construído coletivamente, por meio da interação entre professores e alunos. A pesquisa, nesse sentido, “deve ser um processo de aprendizagem contínuo, onde o estudante é encorajado a buscar novas formas de resolver problemas, baseando-se não só em teorias, mas na realidade concreta do seu ambiente.” Extensão e a Prática Social A extensão, por sua vez, é a ponte que conecta o conhecimento acadêmico com as necessidades da comunidade. De acordo com Cortellazzo (2012), ela deve ser vista como um "instrumento de transformação social", permitindo que a educação não seja isolada, mas aplicada diretamente às demandas sociais e ao contexto local. Ele argumenta que: "A prática extensionista na EPT deve atuar como um mediador entre a escola e a sociedade, promovendo o desenvolvimento local e regional, e criando uma relação mais próxima entre teoria e prática". Essa perspectiva é essencial, pois permite que os alunos, ao envolver-se com a comunidade, desenvolvam soluções inovadoras e práticas para os problemas reais enfrentados por ela. A Contribuição de Saviani Saviani (2021), ao refletir sobre a educação no Brasil, enfatiza a necessidade de uma pedagogia crítica que integre as três áreas de maneira harmônica. Ele afirma que: "A educação profissional não deve ser apenas uma formação técnica, mas um meio de conscientização política e social dos estudantes". Para ele, a pesquisa e a extensão devem estar diretamente conectadas ao processo de ensino, criando um espaço onde os alunos não apenas aprendem técnicas, mas também se tornam agentes transformadores da sociedade. Ele defende que deve ser um "instrumento de emancipação" e que, por meio da integração entre ensino, pesquisa e extensão, é possível desenvolver uma consciência crítica nos alunos, preparando-os para atuar de forma ética e responsável no mercado de trabalho. A Prática Pedagógica e o Protagonismo do Estudante Segundo Tavares e Freitas (2016), a integração entre ensino, pesquisa e extensão permite que o estudante assuma um papel protagonista no processo de aprendizagem. "O aluno, ao ser colocado no centro do processo educacional, tem a oportunidade de aplicar o que aprendeu em situações reais, desenvolvendo habilidades autônomas e inovadoras". Essa abordagem metodológica busca promover uma aprendizagem ativa, em que o estudante, por meio de projetos e ações extensionistas, possa experimentar diretamente as implicações de seus conhecimentos e criar soluções para os problemas da sociedade. Esta é uma das dimensões essenciais que permite aproximar a teoria acadêmica da realidade social e profissional das comunidades. Como afirma Zabalza (2015), a extensão tem o papel de: "aproximar a universidade da sociedade, realizando uma troca de saberes que favorece o desenvolvimento comunitário". Essa integração busca aplicar o conhecimento técnico e científico em contextos reais, beneficiando tanto a sociedade quanto os próprios estudantes. Portanto, vai além do ensino formal, promovendo o protagonismo da comunidade e a interação de saberes que são essenciais para a transformação social. Mediação Pedagógica x Mediação Tecnológica As mediações pedagógicas e tecnológicas se tornaram um elemento essencial na educação contemporânea, especialmente na cultura digital, onde a interação com as tecnologias digitais molda a forma como aprendemos e ensinamos. Com a crescente digitalização da educação, é necessário repensar o papel do professor, o uso das tecnologias e os processos de aprendizagem para construir práticas educativas eficazes, centradas no desenvolvimento do aluno e adaptadas ao mundo digital. Elas devem caminhar juntas, integrando práticas educativas e recursos digitais. Segundo Moran (2015): "A tecnologia não substitui o professor, mas potencializa sua mediação, ampliando os espaços e as possibilidades de aprendizagem". Instituições como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFES), ao longo dos anos, têm desenvolvido programas de capacitação para trabalhadores em áreas como agricultura, saúde e tecnologia da informação. Nesse sentido, Melo (2013) ressalta que: "A Extensão não é apenas um complemento ao ensino, mas uma atividade educativa de importância fundamental para a formação cidadã". Como exemplo disso, em 2020, o IFBA realizou mais de 200 ações extensionistas voltadas ao desenvolvimento de comunidades em situação de vulnerabilidade, oferecendo desde cursos de qualificação até assessoria técnica para pequenos empresários. Esses projetos buscavam atenderàs demandas locais, promovendo a qualificação dos trabalhadores e a capacitação profissional em áreas- chave para o desenvolvimento econômico e social das regiões. Além disso, a Extensão também tem papel central na prática social no ensino técnico, onde as habilidades adquiridas pelos alunos são aplicadas para resolver problemas reais nas comunidades. Pérez (2009) destaca que "a prática extensionista deve ser entendida como uma ação pedagógica que proporciona uma aprendizagem significativa, ao mesmo tempo que gera benefícios diretos para a comunidade". Diversas iniciativas têm demonstrado quanto a prática é fundamental para promover a transformação social e o empoderamento da população. O Instituto Federal do Ceará (IFCE), por exemplo, com seu projeto de extensão, interagiu com mais de 30 mil pessoas em 2020, oferecendo cursos de capacitação e eventos técnicos voltados ao desenvolvimento local, com foco no setor agropecuário e da construção civil. Ela também se conecta com o fortalecimento do empreendedorismo local, proporcionando não apenas formação técnica, mas também oportunidades para o desenvolvimento de novos negócios. Cunha e Rocha (2017) afirma que: "A Extensão atua como um vetor de inovação social, onde o conhecimento técnico se aplica diretamente ao desenvolvimento de soluções para problemas reais da comunidade". O Instituto Federal de Goiás (IFG) em 2019, promoveu workshops e incubadoras de startups, gerando novos empreendimentos e impulsionando a economia regional. Essas ações extensionistas não apenas contribuíram para o desenvolvimento profissional dos alunos, mas também geraram impactos significativos para a economia local, ao fornecer suporte e capacitação a microempresas e pequenas iniciativas. Outro ponto importante é a inclusão social. Freire (2005) reforça que "a educação deve ser um ato de liberdade e de transformação, e a Extensão é uma via crucial para essa transformação". Projetos que capacitam pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. O Instituto Federal de São Paulo (IFSP), oferece projetos extensionistas voltados para a capacitação de jovens de comunidades carentes em áreas como informática, mecânica e comércio, ajudando esses jovens a ingressarem no mercado de trabalho e melhorar suas condições de vida. Entretanto, apesar dos impactos positivos da Extensão, ainda existem desafios significativos. O financiamento de projetos extensionistas é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas instituições, já que muitos desses projetos dependem de recursos públicos, que nem sempre são suficientes. Além disso, a integração das atividades extensionistas com os currículos dos cursos técnicos ainda enfrenta algumas resistências, o que impede que o potencial completo da Extensão seja aproveitado. Cunha (2012) alerta que: "A extensão é uma prática que precisa ser sistematizada e integrada aos currículos dos cursos, pois seu potencial de transformação social e educacional é imenso". Apesar desses desafios, a Extensão tem um impacto significativo tanto nas comunidades atendidas quanto no desenvolvimento dos estudantes. Para os alunos, as práticas extensionistas oferecem uma experiência de aprendizado prático, consolidando o conhecimento adquirido em sala de aula e permitindo que desenvolvam habilidades profissionais e sociais. Como afirma Pérez (2009), "a Extensão é uma oportunidade de aprendizagem que integra os saberes acadêmicos com as necessidades sociais reais". Para as comunidades, as ações extensionistas promovem a capacitação, o fortalecimento de microempresas e a inclusão social, criando soluções sustentáveis para as necessidades locais e gerando oportunidades de emprego e desenvolvimento. Portanto, a Extensão não só contribui para a formação técnica dos alunos, mas também desempenha um papel crucial no desenvolvimento social e econômico das comunidades, sendo uma estratégia eficaz para promover a transformação e o fortalecimento das práticas sociais locais. Ela proporciona, assim, uma conexão entre o ensino, a pesquisa e a realidade social, garantindo que o conhecimento gerado nas instituições de ensino possa ser aplicado para atender às demandas da sociedade de forma concreta e transformadora. Como conclui Zabalza (2015), "a Extensão é um dos pilares que sustenta o compromisso das instituições de ensino com a sociedade, e seu impacto vai além da formação acadêmica, atingindo profundamente o desenvolvimento social e econômico". Desafios na Formação Docente para a Cultura Digital Um dos principais desafios enfrentados na formação docente é preparar os professores para lidar com a rápida evolução das tecnologias. Mais do que aprender a operar ferramentas, o educador precisa desenvolver uma postura reflexiva e adaptável, capaz de avaliar o impacto dessas tecnologias no ensino e identificar quando e como utilizá-las de forma significativa. Isso envolve compreender questões éticas, como privacidade, responsabilidade e o uso crítico das mídias digitais, além de estimular o pensamento crítico e a autonomia nos alunos. Esses desafios incluem a necessidade de adaptação às novas tecnologias, atualização pedagógica e desenvolvimento de competências digitais. Segundo Kenski (2012), "o professor precisa ser um eterno aprendiz, apropriando-se das tecnologias para transformar a prática pedagógica e criar novas possibilidades de ensino". Além disso, Moran (2015) destaca que "a formação docente deve integrar tecnologias digitais como aliadas no processo de ensino, e não apenas como ferramentas complementares". Esses desafios demandam políticas de formação continuada que considerem a complexidade da cultura digital e seu impacto nas práticas educativas. Outro desafio é a inclusão de práticas que estimulem o protagonismo dos estudantes, utilizando tecnologias que promovam a colaboração e o aprendizado ativo. Para isso, a formação docente deve incluir metodologias ativas e práticas pedagógicas que valorizem a interação entre estudantes, professores e tecnologias, como o uso de projetos colaborativos online, redes de aprendizagem e ferramentas de comunicação e criação digital. O Papel da Cultura Digital na Educação A cultura digital vai além do uso de dispositivos e plataformas; ela envolve uma compreensão mais ampla sobre como a tecnologia influencia o aprendizado, a comunicação, as relações interpessoais e a construção do conhecimento. Na educação, ela transforma o conceito de ensino e aprendizagem, oferecendo novas possibilidades, como o ensino híbrido, a personalização do aprendizado e a utilização de ambientes de realidade aumentada e gamificação. Para que esses recursos sejam efetivos e integrados aos objetivos pedagógicos, é essencial que os professores tenham uma formação específica na cultura digital. Seu principal papel na educação é transformar o acesso ao conhecimento e promover novas formas de interação e aprendizado. Como afirma Pierre Lévy (1999): "A cultura digital reorganiza a inteligência coletiva, permitindo que todos contribuam e aprendam em rede". Benefícios da Integração entre Cultura Digital e Formação Docente A integração entre a cultura digital e a formação docente permite que o professor se torne um mediador e facilitador do aprendizado, estimulando a participação ativa dos alunos e promovendo um ambiente colaborativo. Com competências digitais bem desenvolvidas, os professores podem adaptar o conteúdo ao contexto dos alunos, oferecendo atividades que respeitem o ritmo de cada um e utilizem recursos digitais interativos, como vídeos, simulações e jogos educacionais. Além disso, a formação digital proporciona ao professor a capacidade de criar um ambiente educacional mais inclusivo, capaz de atender a diferentes perfis e necessidades de aprendizagem. Ferramentas de acessibilidade digital, como legendas, transcrições automáticas e opçõesde personalização, garantem que os alunos com diferentes habilidades e preferências possam participar de maneira equitativa. Contribuições para as Comunidades A) Desenvolvimento Social e Econômico: As atividades de extensão permitem que o conhecimento produzido nas instituições de EPT seja aplicado diretamente nas comunidades, atendendo às suas necessidades específicas. Isso resulta em projetos que impulsionam o desenvolvimento local, como cursos de capacitação profissional, consultorias para pequenos empreendedores e iniciativas de inclusão digital. Por exemplo, o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) tem se destacado em projetos de extensão voltados para a formação integral, visando o mundo do trabalho e contribuindo para a inserção profissional de jovens e adultos. B) Transformação Socioambiental: A pesquisa aplicada nas instituições frequentemente aborda questões ambientais e busca soluções sustentáveis para problemas locais. Projetos de pesquisa e extensão têm sido instrumentos de transformação socioambiental, promovendo práticas sustentáveis e conscientização ecológica nas comunidades. Estudos indicam que essas atividades são fundamentais na formação dos estudantes e na promoção de mudanças positivas na sociedade. C) Fortalecimento da Cidadania: A extensão universitária desempenha um papel essencial na formação de profissionais cidadãos, capazes de interagir com a comunidade e contribuir para a transformação da realidade social. A integração entre universidade e comunidade, por meio de projetos de extensão, tem sido reconhecida como uma estratégia eficaz para promover a cidadania e a responsabilidade social. A integração entre ensino, pesquisa e extensão nas instituições (EPT) tem desempenhado um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida das comunidades e cidades onde essas instituições estão inseridas. Essa tríade promove o desenvolvimento social, econômico e cultural, estabelecendo uma relação de reciprocidade entre a academia e a sociedade. Conclusão A Educação Profissional e Tecnológica no Brasil é um campo de grande relevância para o desenvolvimento regional, com a capacidade de gerar oportunidades de emprego, reduzir desigualdades sociais e promover a inovação tecnológica. As metodologias e práticas pedagógicas são fundamentadas nas contribuições de autores como Paulo Freire, Anísio Teixeira, Carlos Rodrigues Brandão, José Carlos Libâneo, Dermeval Saviani, entre outros, pois buscam articular a formação técnica com a cidadania, preparando os estudantes para os desafios do mercado de trabalho e para a atuação crítica na sociedade. A melhoria na gestão da pesquisa e extensão em conjunto com ações educativas correlatas, ampliará novas possibilidades no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Pena, Gonçalves e Oliveira (2022), a influência da privatização do público e venda de produtos educativos, não poderão afetar os princípios da educação na sua essência, no desenvolvimento intelectual, moral e físico do ser humano A integração entre ensino, pesquisa e extensão é essencial para o sucesso, pois promove uma educação mais completa e alinhada às necessidades do mercado e da sociedade. A adoção de práticas pedagógicas inovadoras, como a Aprendizagem Baseada em Projetos e o Ensino por Problemas, contribui para a formação de profissionais que não apenas dominam habilidades técnicas, mas que são capazes de refletir, inovar e contribuir para a transformação social. Com essa abordagem, a EPT no Brasil continua a ser uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento econômico e a redução das desigualdades regionais no país. Referências • ANUÁRIO ESTATÍSTICO, INEP. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/anuario_esta tistico_educacao_profissional_tecnologica_2019.pdf. Acesso em: 20 nov. 2024. • BERENGUER, M. E.; MAIA, M. E.; BONILLA, A. S. Educação tecnológica e profissional na Colômbia. Mundo Afora, n. 14, p. 166-181, 2016. • BILLETT, S. Vocational education: purposes, traditions and prospects. Dordrecht: Springer, 2011. • BRASIL. Constituição Federal de 1988. 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