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LÍNGUA PORTUGUESA CONCURSO AULÃO REVISÃO BLOCO 1 Comunicação: Língua x Linguagem; A Língua: Norma Culta e Variedades Linguísticas; Semântica: Denotação e Conotação; Intertextualidade (Paráfrase x Paródia) Figuras de Linguagem Sinonímia, Antonímia, Homonímia, Paronímia; Polissemia e Ambiguidade; Coesão e Coerência textuais; O Discurso Tipologia Textual Língua O que é Língua? A Língua é um instrumento de comunicação. Ela é composta por regras gramaticais que possibilitam que determinado grupo de falantes consiga produzir enunciados que lhes permitam comunicar-se e compreender-se. A língua possui um caráter social: pertence a todo um conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre ela. Cada membro da comunidade pode optar por esta ou aquela forma de expressão. Dessa forma, cada indivíduo pode usar de maneira particular a língua comunitária, originando a fala. Por outro lado, não é possível criar uma língua particular e exigir que outros falantes a compreendam. Linguagem O que é Linguagem? Linguagem é a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. A Linguagem está relacionada a fenômenos comunicativos; se há comunicação, há linguagem. Podemos usar inúmeros tipos de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, tais como: sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, por exemplo). Num sentido mais genérico, a Linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de sinais de que se valem os indivíduos para comunicar-se. A Linguagem pode ser: Verbal: a Linguagem Verbal é a forma de comunicação feita a partir do uso da fala ou da escrita Linguagem Não Verbal: é aquela em que se utiliza outros métodos de comunicação, que não são as palavras. Dentre elas estão a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a linguagem corporal, uma figura, a expressão facial, um gesto etc. Língua Escrita x Língua Falada Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a comunicação linguística em toda sua totalidade, já que pode ser permeada por expressões faciais, gestos, alterações no tom de voz etc. A língua escrita não é apenas a representação da língua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas e o tom de voz do falante. No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se: Fatores regionais Fatores culturais Fatores contextuais Fatores profissionais Fatores naturais Oralidade Expressão de determinada língua através da fala. Exemplo: “Trouxe este livro pra você”. • Não se preocupa com o uso correto das normas gramaticais; • Utiliza vocabulário simples, expressões populares e coloquialismos; • Ocorre o uso de gíria, palavrões, palavras inventadas, onomatopeia, gestos; • Aplicação de palavras abreviadas ou contraídas: cê, pra, tá, tbm, dps, tlg; • Está sujeita a mudanças regionais, culturais e sociais. Informalidade formalidade Informalidade oralidade O Preconceito Linguístico Chamamos de preconceito linguístico a discriminação que resulta da realização de comparativos indevidos entre um modelo idealizado da língua falada com a maneira como as pessoas realmente se comunicam. Há um “padrão” que foi instituído do falar, quando um grupo foge ao padrão, sofre preconceito. Temos como exemplo quando se compara a forma de falar de diferentes regiões dentro de um mesmo país. Esse tipo de preconceito está ligado, também, à classe social ocupada pelos falantes. Ou seja, pessoas de poder aquisitivo mais elevado, podendo estudar mais e com melhores condições, tendem a exercer preconceito contra o modo de falar daqueles mais humildes. Outra forma muito comum de preconceito linguístico, porém menos difundida, ocorre entre países falantes da mesma língua, como Brasil e Portugal e Estados Unidos e Inglaterra. Não é raro ouvirmos que o inglês “de verdade” é o da Inglaterra. Há um forte preconceito nisso, valoriza-se o inglês britânico em detrimento do americano. As variações das línguas são incompreendidas por algumas pessoas, o que leva a atitudes preconceituosas. Variação Linguística A Língua não é una (com N mesmo), ou seja, não é indivisível; ela pode ser considerada um conjunto de dialetos. Já ouvi dizer que em país algum se fala uma língua só. Isso é uma verdade. Há várias línguas dentro da oficial de um país. E, no Brasil, não é diferente. Cada região, cada grupo sociocultural tem seu falar. Pode-se até afirmar que cada cidadão tem o seu. A essa característica da Língua damos o nome de variação linguística. Variação diatópica: entre pessoas de regiões geográficas diferentes. Variação diastrática: entre pessoas de classes socioculturais diferentes Variação diafásica: quando uma pessoa que domina a variedade culta da língua mas faz diferentes usos dependendo do contexto em que se encontra. Variedade Culta Padrão: é caracterizada pela disciplina gramatical, o que resulta em significados mais delimitados, e maior incidência de termos técnicos. Variedade Popular: é caracterizada pelo relaxamento da disciplina gramatical, por um vocabulário restrito e usado amplamente nos mais variados sentidos. Contudo, cabe assinalar que a variedade popular, com farta utilização de expressões idiomáticas, é rica em metáforas e várias outras formas de colorir a expressão linguística. Denotação x Conotação As palavras e enunciados de uma língua podem operar em dois eixos de significação: o eixo denotativo e o eixo conotativo • Denotação: Sentido Literal • Conotação: Sentido Não-Literal Denotação x Conotação Exemplo de Denotação: Suzanne Von Richtofen matou seus pais. Exemplo de Conotação: Eu morro de amores por você. Denotação x Conotação • No primeiro exemplo o verbo “morrer" (conjugado na forma “matou") assume o sentido literal de matar pois essa jovem planejou a morte dos pais junto ao namorado e se encontra presa. Já no segundo exemplo, o mesmo verbo assume o sentido figurado, utilizado para expressar a intensidade amorosa sentida pela sujeito em relação a segunda pessoa. Estratégias de Interpretação Textual Pressupostos e subentendidos são informações implícitas num texto, não expressas formalmente, apenas sugeridas por marcas linguísticas ou pelo contexto. Estratégias de Interpretação Textual Pressupostos Os pressupostos são informações implícitas, facilmente compreendidas devido a palavras ou expressões presentes na frase que permitem ao leitor compreender essa informação. O enunciado depende dessa pressuposição para que faça sentido. Assim, o pressuposto é verdadeiro e irrefutável. Estratégias de Interpretação Textual Marcas linguísticas que facilitam a identificação de pressupostos: • Verbos que indicam fim, continuidade, mudança e implicações: começar, continuar, parar, deixar, acabar, conseguir, etc. • Advérbios: felizmente, finalmente, ainda, já, depois, antes, etc. • Pronome introdutório de orações subordinadas adjetivas: que. • Locuções que indicam circunstâncias: depois que, antes que, desde que, visto que, etc. 14 Estratégias de Interpretação Textual Subentendidos Os subentendidos são insinuações, informações escondidas, dependentes da interpretação do leitor. Não possuem marca linguística, sendo deduzidos através do contexto comunicacional e do conhecimento que destinatários têm do mundo. Podem ser ou não verdadeiros e podem ser facilmente negados, visto serem unicamente da responsabilidade de quem interpreta a frase. Conceitos em LP – Texto: é um conjunto de palavras e frases encadeadas que têm a finalidade de transmitir uma mensagem a partir de sua interpretação. – Contexto: MUITO IMPORTANTE!!! É a interligação das diversas frases que formam um texto. Cada uma delas é ligada à anterior e à posterior por uma relação semântica. Se uma das frases éanalisada isoladamente, fora de seu contexto original, poderá assumir significado diferente daquele inicial, por isso o contexto é tão importante. Precisamos sempre estar atentos ao contexto do enunciado da questão, ao que ela pede, e ao contexto do seu texto base. – Compreensão de texto: consiste em analisar o que realmente está escrito, ou seja, coletar dados do texto. – Interpretação de texto: consiste em saber o que se infere (conclui) do que está escrito Inferir: concluir pelo raciocínio, a partir de fatos, indícios; deduzir INTERTEXUTALIDADE Muito comum em concursos, a Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois ou mais textos, que podem ser verbais, não-verbais ou mistos. Observe os dois textos no próximo slide e note como Murilo Mendes (século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX): INTERTEXUTALIDADE Canção do Exílio "Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá." Gonçalves Dias Canção do Exílio “Minha terra tem macieiras da Califórnia Onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, Os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. Gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas Nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade!” Murilo Mendes INTERTEXUTALIDADE A relação entre os dois textos é evidente! A paródia-piadista de Murilo Mendes é um exemplo de intertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias. No jornalismo, na literatura e até mesmo nas artes (como a PINTURA), a intertextualidade é constante. PARÁFRASE X PARÓDIA A paráfrase, originária do grego para-phrasis (repetição de uma sentença), constitui-se na recriação textual, tendo como suporte um texto-fonte. Ao parafrasearmos um texto, estamos atribuindo-lhe uma nova “roupagem” discursiva, embora mantendo a mesma ideia contida no texto original. Vejamos novamente a intertextualidade com a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, um dos textos mais usados para a inspiração de outros: Texto Original: “Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá, As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. [...]” Gonçalves Dias Paráfrase: “Meus olhos brasileiros se fecham saudosos Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? Eu tão esquecido de minha terra… Ai terra que tem palmeiras Onde canta o sabiá! [...]” Carlos Drummond de Andrade Podemos notar que Carlos Drummond, pertencente à era Modernista, baseando-se na criação de Gonçalves Dias, nos apresenta outra versão, porém com o mesmo discurso poético de saudosismo pela belíssima terra natal. A paródia, de forma tendenciosa, também é pautada pela recriação de um texto, entretanto, utiliza-se de um caráter contestador voltado para a crítica, muitas vezes sob um tom cômico, humorístico. Como podemos perceber na paródia feita por Oswald de Andrade do texto de Casimiro de Abreu: MEUS OITO ANOS “Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! [...]” Casimiro de Abreu MEUS OITO ANOS Oh que saudades que eu tenho Da aurora de minha vida Das horas De minha infância Que os anos não trazem mais Naquele quintal de terra! Da rua de Santo Antônio Debaixo da bananeira Sem nenhum laranjais [...] Oswald de Andrade PARÁFRASE X PARÓDIA A leitura dos poemas, percebemos que a intenção de Oswald de Andrade foi a de criticar o romantismo e o sentimento nacionalista revelados pelas palavras de Casimiro de Abreu. Mesmo porque o ideário modernista trazia vigorosamente um repúdio aos moldes anteriormente adotados por outros artistas, principalmente àqueles que compuseram o Romantismo e o Parnasianismo. PARÁFRASE X PARÓDIA Existe uma parte da Língua Portuguesa que estuda os processos de manipulação da linguagem que permitem a quem fala ou escreve sugerir conteúdos emotivos e intuitivos por meio das palavras. Além disso, estabelece princípios capazes de explicar as escolhas particulares feitas por indivíduos e grupos sociais no que se refere ao uso da língua conotativa, ou seja, figurada FIGURAS DE LINGUAGEM ANTÍTESE É a aproximação, na linguagem escrita ou falada, de termos ou expressões que têm sentidos opostos. Exemplos: Os bobos e os espertos convivem no mesmo espaço. Observe que “bobos” é antônimo à “espertos”. Bem como “alegria” é de “tristeza”. ANTÍTESE X PARADOXO Tanto uma quanto outra são pautadas na oposição. A antítese é marcada por palavras ou orações naturalmente opostas quanto ao sentido. Há presença de palavras opostas, ou seja, antônimas. Exemplos: “A verdade e a mentira fazem parte do dia a dia.” “Estou acordado e todos dormem, todos dormem, todos dormem.” O paradoxo é marcado por ideias opostas relacionadas a um mesmo referente, empregando duas palavras que, mesmo opostas, se fundem em uma ideia. Exemplos: “Os mesmos braços que serviram de abrigo hoje transmitem solidão.” “Dor, tu és um prazer!” METÁFORA A mais popular e conhecida de todas as figuras de linguagem. Trata-se um tipo de comparação em que o conectivo está subentendido. O segundo termo é usado com o valor do primeiro. Ex: Aquela criança é uma flor. Há uma comparação implícita entre a criança e a flor! A base da metáfora é a ligação entre dois elementos que possuem características semelhantes, mesmo que inusitadas. METÁFORA Ex: A professora é uma fera. A METÁFORA DA PROFESSORA BRAVA FOI CRIADA PELA COMPARAÇÃO DELA COM AS CARACTERÍSTICAS DE FEROCIDADE DA FERA. METÁFORA Ex: Meu pensamento é um rio subterrâneo. (Fernando Pessoa) Nesse caso, a metáfora é possível na medida em que o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade etc.). Ex: Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar algum. Por trás da expressão “uma estrada de terra que leva a lugar algum”, que indica uma alma rústica e abandonada (e angustiadamente inútil), há uma comparação subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada (e inútil) quanto uma estrada de terra que leva a lugar algum. METÁFORA x COMPARAÇÃO Ambas são parecidas, empregam as palavras em sentido figurado, por analogia, mas na comparação há a presença de um elemento comparativo e na metáfora a comparação é implícita. Ela é cheirosa como uma flor (comparação) Ela é uma flor (metáfora) PROSOPOPÉIA Também conhecida como personificação, significa atribuir a seres inanimados (sem vida) características de seres animados ou atribuir características humanas a seres irracionais. É uma figura de linguagem usada para tornar mais dramática a comunicação. Ex: As árvores pedem socorro. Ex: O luar acaricia o mar CATACRESE É uma figura de palavra que ocorre quando, na falta de um termo específico para designar um conceito, utiliza-se outro por empréstimo a partir de alguma semelhança de sentido. Ex: dentes do serrote. Ex: braço da poltrona Ex: vaso de cabeça para baixo. EUFEMISMO Ocorrequando a intenção é suavizar uma palavra ou expressão considerada desagradável ou excessivamente forte. O autor ou emissor da mensagem, notadamente, não quer chocar o leitor ou receptor. Ex: Renato é apenas desprovido de beleza. (Chocaria ao dizer que Renato é feio, então, usa-se de eufemismo). Ex: Vovô foi morar junto com Deus. (Entristeceria dizer que o avô morreu, então, usa-se de eufemismo). METONÍMIA Ocorre quando se opta pela utilização de uma palavra em lugar de outra, designando um objeto, com base em uma relação lógica de proximidade entre o objeto designado e a palavra. “Trabalhava ao piano, não só Chopin como ainda os estudos de Czerny.” Era trabalhada a música dos autores Chopin e Czerby. o autor pela obra o continente pelo conteúdo a causa pelo efeito e vice-versa o lugar pelo produto feito no lugar a matéria pelo objeto a marca pelo produto concreto pelo abstrato e vice-versa GRADAÇÃO É a sequência de palavras, podendo ser sinônimas ou não, que promovem a intensificação de uma ideia. Ex: O trigo nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se, mediu-se Em menos de um ano passou de estagiário, a funcionário, a chefe e a tirano. HIPÉRBOLE Consiste no exagero de uma ideia de maneira intencional por parte do autor de uma frase para dar mais expressividade a ela. “Pela lente do amor Vejo tudo crescer. Vejo a vida mil vezes melhor”. Gilberto Gil Faz umas dez horas que essa menina começou com essa maquiagem. ALITERAÇÃO “Leve, breve, suave, um canto de ave (..)” Fernando Pessoa Trata-se da repetição ordenada de mesmos sons consonantais. ASSONÂNCIA Repetição ordenada de sons vocálicos idênticos. Exemplo: “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral”. Caetano Veloso Há a repetição do som da letra “o” São palavras que se aproximam semanticamente por uma relação de equivalência ou semelhança. Não existem sinônimos perfeitos, mas, em um dado contexto, palavras com sentido próximo, embora não idênticos, podem ser utilizadas para se referir e retomar o mesmo ser no texto. As questões de sinonímia dependem de um bom vocabulário e de uma boa captação do que a palavra significa no contexto em que aparece. Por exemplo, “marcar” e “agendar” são sinônimos, certo? Marcar uma consulta = Agendar uma consulta. Certo? Errado! Depende do contexto! No exemplo acima são consideradas sinônimos pelo contexto apresentado! Veja que não é mais possível trocar um verbo pelo outro no exemplo abaixo. Observe este outro exemplo em que estas palavras não são sinônimos: Ex: O jogador marcou um gol. Aquele momento me marcou para sempre. Sinônimos São palavras que se aproximam semanticamente por uma relação de antagonismo ou oposição. Ex: Gosto de silêncio: não tolero barulho. (silêncio x barulho) Em alguns casos, duas palavras podem não ser exatamente antônimos em seu sentido clássico, mas podem aparecer como opostas no contexto em que se dá aquele contraste. A relação de antonímia se dá no contexto. Ex: Não fale nada, acalme-se e respire. (falar x se acalmar e respirar) Antônimos Homônimos homógrafos: palavras que têm a mesma grafia, mas trazem sentidos diferentes. Pare (verbo “parar” Pare (placa de transito) Homônimos homófonos: palavras que têm a mesma pronúncia, mesmo som, mas trazem sentidos diferentes. Apressar (de ter pressa) Apreçar (de colocar preço) Homônimos perfeitos: São palavras que têm som e grafia idênticos, diferenciando-se somente pelo sentido. Quase sempre, são palavras de classes diferentes. Verão ( estação) Verão (de “ver” o futuro) Homônimos São pares de palavras parecidas na pronúncia ou na grafia. Muitas vezes, essa semelhança conduz a erros ortográficos. O conhecimento dessas palavras também é muito importante para interpretação de texto e questões de vocabulário. Absolver Absorver Parônimos Uma mesma palavra pode ter múltiplos sentidos. É diferente de um homônimo perfeito, pois a polissemia se refere a vários sentidos de uma única palavra. Homônimos são palavras diferentes, geralmente de classes diferentes, que têm sentidos diferentes. A palavra polissêmica é uma só, mas se reveste de novos sentidos, muitas vezes por associações figuradas. A diferença na prática é bem sutil. Vejamos alguns exemplos: Quero um suco de laranja natural (feito da fruta) Sou natural da Argentina (originário) Água é um recurso natural (da natureza) Pintou um retrato bastante natural (fiel, próximo) Quero um vinho natural (temperatura ambiente) Polissemia É a possibilidade de dupla leitura de um enunciado. É o bom e velho duplo sentido. Pode ser estrutural ou polissêmica. Nem sempre é um problema, pois pode ser proposital e está presente na literatura, nas piadas, nas propagandas. Porém, deve ser evitada, porque é considerada vício de linguagem, porque prejudica a clareza. Ex: João foi atrás do táxi correndo. Ex: Ele sentou na cadeira e quebrou o braço. Ambiguidade A coerência observa as relações de sentido e lógica que um texto oferece. O texto tem uma lógica própria, arquitetada pelo autor. Você não tem que necessariamente concordar com aquele sentido, mas deve ser capaz de ver a relação de lógica que se tenta construir ali. A coerência se constrói pela manutenção da expectativa que o uso de certas palavras traz ao leitor. Nesse sentido, a contradição gera incoerência. Vejamos alguns exemplos: Ex: “Nós temos que tomar medidas urgentes, imediatas e drásticas para resolver o problema da educação. Portanto, é fundamental que paremos para pensar, sem pressa, e formemos comissões para estudos e estratégias de longo prazo.” Observe que o texto se inicia com tom de “urgência” e “imediatismo” e prossegue com um tom de “calma”. Há visível contradição entre “urgente” e “sem pressa” e “longo prazo”. Esse é um texto incoerente, contraditório. Ex: “Aquela menina sempre foi a mais dedicada da classe. Estudou com muito afinco e disciplina para o concurso e, mesmo assim, foi aprovada.” Observe que a conjunção concessiva “mesmo assim” quebra a expectativa criada antes, pois, após a conjunção, cria-se a expectativa de que ela não passou. É incoerente usar um sentido de concessão para algo que seguiu o efeito esperado sem obstáculos. A conjunção coerente aqui seria uma conclusiva (“logo”, “portanto”). Ex: “Todos me odeiam, mas ninguém gosta de mim.” Novamente, há incoerência, pois foi usada uma conjunção adversativa (“mas”), que indica contraste e oposição, para relacionar partes que tem o mesmo sentido. Se não há oposição, não é lógico usar uma conjunção adversativa. Qualquer tipo de contradição gera incoerência, seja temporal, argumentativa, espacial, de nível de formalidade. COERÊNCIA Quando ler a palavra coesão, pense essencialmente na “ligação” entre palavras e partes do texto, recuperando e adiantando informação. A coesão também se refere à retomada de elementos do texto por meio de palavras coesivas ou artifícios textuais. Coesão é “referência” a partes do texto. A coesão não garante a lógica de um texto, mas contribui grandemente para que enxerguemos a coerência dele, pois guia o leitor adiante na leitura, ao mesmo tempo que recupera sentido já mencionado. Coesão recorrencial é aquela em que os recursos são utilizados para “jogar” o leitor para trás no texto. Ela trabalha na base da repetição e da retomada. Se o leitor é levado para trás no texto, retomando informações já sugeridas, os recursos normalmente utilizados são a reescritura (paráfrase), os pronomes, os advérbios e outras palavras remissivas. Coesão sequencial é responsável por estabelecer a “continuidade” lógica e estrutural de um texto. Por outro lado, se o leitor é conduzido para frente no texto, a leitura é avançada em um fluxo lógico, que culmina em uma “premissa consecutiva” (consequência ou conclusão do que foi mencionado). Nesse caso, os recursos utilizados normalmente são as conjunções, as preposições e os pronome relativos, que dão sequência ao texto e estabelecem relações de “antes e depois”, “causa e consequência”. Assim, no estudoda Coesão, têm um papel fundamental as classes de palavras que servem para “ligar”, “associar”, “retomar” e “anunciar” frases e palavras, como as conjunções, as preposições e as respectivas locuções (conjuntivas e prepositivas). No entanto, qualquer classe gramatical pode ter um papel coesivo, se tiver no texto a função de ligar ou retomar partes dele. Vejamos exemplos mais sutis de coesão: Ex: Fui ao supermercado comprar legumes. Não havia nada lá. Isso nunca tinha ocorrido antes. Observe que o advérbio “lá” retoma “supermercado” e que o pronome “isso” retoma todo o trecho “não havia nada”, ou seja, retoma o acontecimento. Embora os elementos utilizados para a coesão sejam geralmente palavras, até mesmo a omissão de termos pode ser utilizada como artifício de coesão. COESÃO Esses aspectos do texto são totalmente interligados, mas não são de forma alguma sinônimos. Coesão é a relação das partes do texto, basicamente a referência que um termo faz a outro dentro do texto. Coerência é a relação lógica, a ausência de contradição, a congruência do texto. Sentido é a informação original, simplesmente. Então, uma mudança de sentido pode tornar o texto incoerente, uma alteração nos elementos coesivos também pode deixar o texto incoerente, se o resultado for uma leitura confusa, sem sentido, contraditória. COESÃO X COERÊNCIA A coesão faz relação entre partes do texto. Coesão Anafórica: Quando o mecanismo de coesão retoma um termo ou informação que veio antes dele, diz-se que há coesão anafórica. Coesão Catafórica: Quando “anuncia” um termo ou informação que aparecerá depois, diz-se que há coesão catafórica. Isso tudo está detalhado na função referencial dos pronomes demonstrativos. Ex: Estudo todo dia. Isso faz a diferença. (anafórico) Ex: Desejo isto diariamente: ser aprovado logo. (catafórico) COESÃO RECORRENCIAL: ANAFÓRICA X CATAFÓRICA Referências Fora do Texto: Quando os elementos coesivos se referem a elementos fora do texto, como tempo e espaço, a gramática diz que eles têm função dêitica, ou exofórica (fora). “Esse texto foi escrito aqui.” Aqui onde? Esse sentido dependerá de onde foi escrito. “Vamos almoçar amanhã.” Que dia é amanhã? Depende de que dia é tomado como referência no momento da escrita. “O Rio de Janeiro anda muito violento, quem poderá nos ajudar?”. A palavra “nos” se refere a “nós”, mas quem é esse “nós”? Perceba que as três referências (“aqui”, “amanhã” e “nós”) estão fora do texto. COESÃO EXOFÓRICA Continuidade Textual: Conforme estudamos, a coesão estabelece o fluxo de leitura do texto. Vamos ver nesse momento as estratégias utilizadas para dar “sequência” a um texto, adicionando novas orações, novos trechos, ordenando logicamente a estrutura de suas partes, de modo que haja “continuidade” coesa e coerente, isto é, que haja progressão textual. O maior instrumento desse tipo de coesão é o “conector”, especialmente a conjunção. Por exemplo, se uma oração se inicia por “mas”, já se subentende uma continuidade de algo que foi dito antes, em outra oração, e que vai sofrer uma oposição agora. Ex: Eu gosto de esportes, mas não pratico nenhum. COESÃO SEQUENCIAL GÊNERO DISCURSIVO São as características peculiares a cada tipo de texto, a maneira como ele está apresentado ao leitor, seu “layout”, a forma como está organizado. Esses detalhes é que determinam a que tipo de gênero cada texto pertence. Na verdade, o gênero textual é um modelo de texto, é o “jeito” específico que os textos possuem, por exemplo: um poema possui características na sua forma e estrutura bem específicas, o conteúdo é tratado em linguagem literária, etc. Uma oração traz características de ritmo de um texto oral, etc. Conceitos em LP Polifonia: é uma característica textual bastante particular e importante. Um texto será considerado polifônico quando abranger diversas vozes compondo o contexto. Vamos aprofundar nisso. Entendendo a formação da palavra, “poli” (muitos) e “fonia” (som/voz), entende-se que o termo se refere a múltiplas vozes de um discurso. A polifonia, então, será a identificação da presença de outras obras ou até referências dentro de uma outra obra (metaliguagem referenciada). Isso nos leva a pensar em intertextualidade. Monofonia: é um característica do o texto que é dotado de apenas uma voz que elabora o discurso. A polifonia, por outro lado, apresenta inúmeras vozes entrecruzadas. DISCURSO – O QUE É É a introdução das falas de uma personagem numa narrativa. DISCURSO DISCURSO DIRETO X DISCURSO INDIRETO DISCURSO – O QUE É DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO O discurso direto é caracterizado por ser uma transcrição exata da fala das personagens, sem participação do narrador. O discurso indireto é caracterizado por ser uma intervenção do narrador no discurso ao utilizar as suas próprias palavras para reproduzir as falas das personagens. X DISCURSO - CARATERÍSTICAS DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO É introduzido por um verbo de elocução, seguido de dois-pontos e mudança de linha para um novo parágrafo; É iniciado por um travessão, que indica a mudança da voz do narrador para a voz da personagem; É feito na 1.ª pessoa do discurso (eu ou nós). É introduzido por um verbo de elocução, seguido de uma preposição que marca a mudança da voz do narrador para a reprodução da voz da personagem feita também pelo narrador. É construído na mesma frase, não havendo mudança de linha ou de parágrafo; É feito na 3.ª pessoa do discurso (ele, ela, eles, elas). DISCURSO - EXEMPLOS DISCURSO DIRETO DISCURSO INDIRETO A aluna afirmou: — Preciso estudar muito para o teste. A aluna afirmara que precisava estudar muito para o teste. DISCURSO Se, ao reportar a fala de alguém, o narrador utilizar o discurso direto, é esperado que ele reproduza a fala do personagem sem se envolver com o dito, sem modificar o texto e sem se posicionar a respeito. Da mesma forma, espera-se que, em um discurso indireto, no qual o narrador utiliza as próprias palavras para reproduzir aquilo que foi dito por terceiros, apareça posicionamento, palavras que marcam um envolvimento do narrador com aquilo que está sendo reportado. Olhe: “Sua mãe falou: Manda esse menino entrar, se não vou buscá-lo à força para fazer o dever!” Discurso Direto: não há envolvimento com o dito, o autor apenas reporta a fala da mãe. “Se eu fosse você, entrava logo, pois sua mãe disse que virá te buscar à força para fazer o dever.” Discurso Indireto: observe que, antes de falar o que a mãe do menino disse, o narrador-personagem posicionou-se a respeito: se eu fosse você... Então: Discurso Direto: sem envolvimento. Discurso indireto: com envolvimento. DISCURSO Mas, vejam só, pra ficar legal, tem que haver o MAS... rsrs! E no caso a seguir? Olhe: Sua mãe esbravejou: manda esse menino entrar, se não vou buscá-lo à força para fazer o dever! O verbo esbravejar está marcando posicionamento do narrador-personagem em relação ao que está sendo reportado! Ele está dizendo que a mãe estava muito brava, pois falar é diferente de esbravejar. Então é possível um discurso direto com envolvimento do autor! O envolvimento é marcado pela escolha verbal quando for D.D. Olhe: “Que situação mais chata!” – Despejou como um desabafo. “Despejou como um desabafo”= marca de opinião do autor em um discurso direto. MODALIZADORES DE D. Trata-se de uma palavra ou expressão por meio da qual o enunciador revela alguma intenção relativa ao conteúdo daquilo que ele mesmo emite. A partir do uso de modalizadores como os advérbios. O enunciador deixa seus posicionamentos subentendidos ou sugeridos, de forma a influenciar o interlocutor ou leitor a compreender o enunciado sob um determinado aspecto que lhe é (dissimuladamente ou não) proposto. Pode-se afirmar, sem margem para dúvidas, que não existe possibilidade de comunicação sem que haja modalização explícita ou implícita, uma vez que sempre haverá INTENÇÃO NO DISCURSO EMITIDO. Asseverativos: Aqueles que conferem certeza a um discurso, podendo ser afirmativos ou negativos.Exemplos: evidentemente, certamente, claro, sem dúvida, lógico;“de jeito nenhum”, “de forma alguma”, etc. Dubtáveis: aqueles que colocam um discurso em dúvida, estabelecem que um enunciado está sujeito à desconfiança, à incerteza ou à imprecisão. Exemplos: talvez, possivelmente, é provável etc. Delimitadores: aqueles que estabelecem uma restrição ou um limite ao entendimento do alcance de conceitos ou do discurso. Exemplos: quase, tipo de, espécie de, linguisticamente, geograficamente etc. Deontológicos: Aqueles que indicam obrigatoriedades, proibições e permissões. Exemplos: necessariamente, obrigatoriamente, não deve fazer, deve apresentar etc. Afetivos: Apresentam as emoções do enunciador diante do conteúdo do discurso, bem como posicionamentos de princípio ou predileções. Exemplos: infelizmente, curiosamente, espantosamente, sinceramente, francamente, lamentavelmente etc. DISCURSO D DISCURSO I Quando é feita a passagem do discurso direto para o discurso indireto, ocorrem diversas transformações para que a voz da personagem possa ser reproduzida pela voz do narrador. Discurso direto: — Vou ali agora e volto rápido. Discurso indireto: Ele disse que ia lá naquele momento e que voltava rápido. Discurso direto: — Nós viajaremos amanhã. Discurso indireto: Eles disseram que viajariam no dia seguinte. DISCURSO INDIRETO LIVRE (DISCURSO DIRETO E INDIRETO) Além do discurso direto e do discurso indireto, existe ainda outro tipo de discurso - o discurso indireto livre, caracterizado por ser um discurso dinâmico em que as falas das personagens (na 1.ª pessoa) se encontram inseridas dentro do discurso do narrador (na 3.ª pessoa). O discurso indireto livre não apresenta uma estrutura, não havendo qualquer indício da introdução das falas das personagens na narrativa. Assim, confunde-se facilmente a voz da personagem com a voz do narrador. DISCURSO INDIRETO LIVRE EXEMPLO “Emília ficou boquiaberta com a proposta do novo vizinho. Quem é que ele pensa que é para chegar e começar logo tentando mudar diversas coisas no prédio? O síndico disse ao vizinho que a proposta teria de ser votada em reunião. Ele que nem pense que eu vou concordar com ele.” “Emília ficou boquiaberta com a proposta do novo vizinho. Quem é que ele pensa que é para chegar e começar logo tentando mudar diversas coisas no prédio? O síndico disse ao vizinho que a proposta teria de ser votada em reunião. Ele que nem pense que eu vou concordar com ele.” TIPOLOGIA TEXTUAL O texto faz parte do nosso cotidiano. Recorremos a ele para pedir um favor, enviar um e-mail importante, para comentar uma foto de um amigo nas redes sociais, para pedir um café, para solicitar ao banco o cancelamento do cartão de crédito, para reivindicar melhorias no transporte público, enfim! Para essas e para outras tantas situações, usamos o quê? O texto!!! O gênero textual, oral ou escrito é escolhido a partir da finalidade do texto, por isso os exemplos são ilimitados. Se eu vou convidar um amigo próximo para uma viagem, por exemplo, posso fazer isso oralmente, pelo telefone ou pessoalmente, posso escrever um bilhete ou mandar uma mensagem informal via internet, mas não há necessidade de se fazer um ofício ou um e-mail formal! FATORES PARA TIPOLOGIAS TEXTUAIS Escolher o gênero textual depende de quê? Finalidade do texto – qual é o objetivo do texto, o que se pretende com ele. Os interlocutores – leva-se em consideração para quem o texto se destina, qual é a função do destinatário ou interlocutor, existe uma hierarquia. A situação – normalmente observa-se se a situação é formal ou informal. Se a comunicação deve ser rápida ou não. TIPOLOGIA TEXTUAL X GÊNERO TEXTUAL Os textos são divididos didaticamente em TIPOS TEXTUAIS e cada TIPO dividido em vários GÊNEROS TEXTUAIS. Observe o próximo slide! TIPOLOGIA TEXTUAL X GÊNERO TEXTUAL TIPOS TEXTUAIS GÊNEROS TEXTUAIS NARRATIVO ARGUMENTATIVO* EXPOSITIVO* INSTRUCIONAL/ INJUNTIVO FÁBULA / PIADA / LENDA / DIÁRIO / AUTOBIOGRAFIA CURRÍCULO (ETC). TEXTO DE OPINIÃO / CARTA DE LEITOR / EDITORIAL/ RESENHA CRÍTICA SEMINÁRIO / CONFÊRENCIA / PALESTRA / RELÁTORIO CIENTÍFICO / RECEITA / REGULAMENTO / MANUAL DE INSTRUÇÃO *DISSERTATIVO: ARGUMENTATIVO EXPOSITIVO E a DESCRIÇÃO? Entra em que parte? Descrever é fazer o que chamamos de representação verbal de um ser, coisa ou paisagem, através da indicação dos seus aspectos mais característicos. Quem descreve algo demonstra os aspectos mais singulares e salientes do que está sendo detalhado, fazendo com que o leitor ou ouvinte possa imaginar exatamente o que foi descrito. Diferentemente da narração, que faz uma história progredir através do tempo, a descrição faz interrupções na história, para apresentar melhor um personagem, um lugar, um objeto, enfim, o que o autor julgar necessário para dar mais consistência ao texto. Por isso a descrição é muito importante para o tipo NARRATIVO e está comumente ligada a ele. DESCRIÇÃO X NARRAÇÃO Esses dois tipos textuais misturam-se muito comumente em vários textos. Em um dado momento da narração de uma história, é preciso parar e descrever o ambiente, os personagens, as sensações para que a história possa ser visualizada na mente do leitor. Na leitura de um romance, não temos contato com a cena representada, como temos ao assistir a um filme ou a uma novela televisiva, o que temos na leitura é apenas a descrição que o autor faz do entorno do enredo, assim podemos visualizá-lo mentalmente. Quanto mais rica a descrição dentro de uma narração, mais rico será o texto! A maior diferença entre descrição e narração é o TEMPO. Na narração, temos o tempo como elemento da narrativa, podendo ser cronológico ou psicológico. Já na descrição, não existe passagem de tempo, descreve-se o elemento apenas em um determinado momento. Qual é o critério utilizado para a divisão dos gêneros em tipos textuais? As características dominantes de cada gênero os colocam em um grupo de textos (tipo) e não em outro. TIPO narrativo: todos os textos que estão neste grupo possuem os chamados elementos essenciais da narrativa: tempo, lugar, personagens, fato (enredo) e narrador em sua estrutura. E o relato? Também possui os elementos da narrativa, mas relatam algo real, não fictício. TIPO argumentativo: os textos deste grupo se dedicam a convencer o interlocutor. Possuem, portanto, TESE (opinião) e ARGUMENTOS. TIPO expositivo: os textos aqui têm por objetivo falar sobre um determinado assunto, explicar, expor sobre algo. TIPO instrutivo: os textos deste tipo dedicam-se a levar o interlocutor a desenvolver uma dada atividade sozinho. São passadas instruções para que isso ocorra. NARRAÇÃO - ELEMENTOS - Personagens: São os seres que participam da narrativa. Algumas ocupam lugar de destaque, também chamadas protagonistas, outras se opondo a elas, denominadas de antagonistas. As demais caracterizam-se como secundárias. - Tempo: Marcado cronologicamente, ou seja, determinado por horas e datas, revelado por acontecimentos dispostos numa ordem sequencial e linear - início, meio e fim; ou psicológico, aquele ligado às emoções e sentimentos, caracterizado pelas lembranças dos personagens, reveladas por momentos imprecisos, fundindo-se em presente, passado e futuro, o tempo retrata o momento em que ocorrem os fatos (manhã, tarde, noite, na primavera, em dia chuvoso, em um dia feliz ou triste, uma manhã de domingo, etc). - Espaço: É o lugar onde os fatos acontecem. Algumas vezes é apenas sugerido no intuito de aguçar a mente do leitor, outras, para caracterizar os personagens de forma contundente. Dependendo do enredo, a caracterização do mesmo torna-se de fundamental importância, como, por exemplo, os romances regionalistas. - Narrador: Tecnicamente, podemos dizer que pode-se narrar algo de maneiras diferentes. O ponto de vista de quem nada pode mudar. Geralmente, se resumem em três possibilidades: A)Narrador-observador: Ele revela ao leitor somente os fatos que consegue observar. / Usa a3ª pessoa. / Não é personagem, não participa da história. / Embora não seja personagem da história, sua visão é limitada àquilo que consegue observar. B)Narrador-onisciente: O narrador não apenas observa, mas conhece TUDO sobre a história, até o pensamento dos personagens / Usa a 3ª pessoa. / Não é personagem, não participa da história. / Sua visão é multilateral, conhece todos os lados da história. / Algumas vezes limita-se a observar os fatos de forma objetiva, em outras, emite opiniões e julgamento de valor acerca do assunto. C) Narrador-personagem: A narrador é também personagem (principal ou secundária) da história narrada. / Usa a 1ª pessoa. / Possui uma visão limitada dos fatos, pois está vendo sob o seu ponto de vista. NARRAÇÃO - ELEMENTOS - Enredo: É o conjunto de fatos que constituem a ação da narrativa. Todo enredo é composto por um conflito vivido por um ou mais personagens, cujo foco principal é prender a atenção do leitor por meio de um clima de tensão que se organiza em torno dos fatos e os faz avançar. Geralmente, o conflito determina as partes do enredo, representadas pelas referidas partes: Introdução – É o começo da história, no qual se apresentam os fatos iniciais, os personagens, e, às vezes, o tempo e o espaço. Complicação – É a parte em que se desenvolve o conflito. Clímax – Figura-se como o ponto culminante de toda a trama, revelado pelo momento de maior tensão. É a parte em que o conflito atinge seu ápice. Conclusão ou desfecho final – É a solução do conflito instaurado, podendo apresentar final trágico, cômico, triste ou até mesmo surpreendente. Tudo irá depender da decisão imposta pelo narrador. DISSERTAÇÃO ARGUMENTAÇÃO - DEDUÇÃO X INDUÇÃO A dedução, ou método dedutivo, existe para deduzir conclusões relativas a questões particulares. A partir de premissas validadas pela ciência e tidas como verdadeiras, o cientista elabora verdades particulares. Assim, a conclusão só pode ser considerada correta se todas as premissas forem verdadeiras. Ex: Todo homem é mortal; João é um homem; (Dedução: logo, João é mortal). Na indução, ou método indutivo, o trajeto rumo ao conhecimento começa na observação. Partindo do que se é observado, ou seja, do particular, elabora-se uma regra geral. A indução se baseia, portanto, na generalização e na probabilidade. Só pode garantir a verdade até certo grau. Ou seja, a sua conclusão tem apenas um grau de probabilidade de ser verdadeira. Ex: Foram observados 100 cisnes, todos eram brancos. (Indução: logo, todos os cisnes são brancos.) EXPOSIÇÃO O discurso expositivo tem por objetivo informar, definir, explicar, aclarar, discutir, provar e recomendar alguma coisa, recorrendo à razão e ao entendimento. Na organização do texto expositivo, é necessário escolher o tema a desenvolver, definir o propósito que perseguimos ou os objetivos, conhecer o destinatário da exposição, pesquisar a informação sobre o tema, selecionar os dados de interesse, elaborar um guião com o plano do que se vai escrever ou dizer. INJUNÇÃO Trata-se do texto instrucional, presente nas bulas dos remédios, nas receitas de comida, nas instruções de jogos, nas instruções de como usar aparelhos eletroeletrônicos, de como utilizar novos programas de computador, etc. O texto instrucional tem uma estrutura bem simples, o que permite a uma pessoa leiga no assunto em questão aprender a manusear ou a fazer uma coisa a partir de sua leitura. Essa é a intenção: ensinar aqueles que não sabem jogar um jogo, a jogar; ensinar aqueles que não sabem preparar um prato diferente, a preparar; ensinar as pessoas que tomam remédios, a tomá-los adequadamente image1.png image2.png image3.png