Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DIA 1
Constituição Federal: art. 1-4
LINDB
Código Penal: art. 1° - 12
Código de Processo Penal: art. 1° - 3-F
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO1
SOCIOLÓGICA - Ferdinand Lassalle
● Soma dos fatores reais de poder.
● “Mera folha de papel”
● Para Lassale, coexistem em um Estado duas Constituições: uma real, efetiva, correspondente à soma 
dos fatores reais de poder que regem este país; e outra, escrita, que consistiria apenas numa “folha de 
papel”.
POLÍTICA - Carl Schimtt
● Decisão política fundamental.
● Diferenciava Constituição de lei constitucional.
● Constituição: decisão política fundamental.
● Lei constitucional: pode ou não representar a Constituição, não dizendo respeito à decisão política 
fundamental.
● A Constituição seria fruto da vontade do povo, titular do poder constituinte ; por isso mesmo é que essa 
teoria é considerada DECISIONISTA ou VOLUNTARISTA.
JURÍDICA - Hans Kelsen
● Norma hipotética fundamental.
● Sentido lógico-jurídico: fundamento transcendental de sua validade. Norma hipotética fundamental.
● Sentido jurídico-positivo: serve de fundamento para as demais normas. A Constituição é o 
pressuposto de validade de todas as leis.
CULTURALISTA - Michele Ainis
● Fato cultural, tomando por base os direitos fundamentais pertinentes à cultura.
● A Constituição é produto da cultura.
● Meirelles Teixeira a partir dessa concepção cultural cria o conceito de Constituição Total, segundo o 
qual: "Constituição é um conjunto de normas jurídicas fundamentais, condicionadas pela cultura total, e 
1 Tabelas feitas com base nas aulas do professor Marcello Novelino e Livro do Pedro Lenza.
1
ao mesmo tempo condicionantes desta, emanadas da vontade existencial da unidade política, e 
reguladoras da existência, estrutura e fins do Estado e do modo de exercício e limites do poder político" 
(expressão retirada do livro do professor Dirley da Cunha Júnior na página 85, o qual retirou do livro de J. 
H. Meirelles Teixeira página 78)2.
ABERTA - Peter Haberle
● Pode ser interpretada por qualquer do povo, não só pelos juristas
PLURALISTA - Gustavo Zagrebelsky
● Princípios universais
FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO - Konrad Hesse
● Resposta à concepção sociológica de Lassale.
● A constituição escrita, por ter um elemento normativo, pode ordenar e conformar a realidade política e 
social, ou seja, é o resultado da realidade, mas também interage com esta, modificando-a, estando aí 
situada a força normativa da Constituição.
ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES
ORGÂNICO
● Estrutura do estado.
● Normas reguladoras da estrutura do Estado e do Poder
LIMITATIVOS
● Direitos fundamentais – limitam atuação estatal (caráter negativo).
SOCIOIDEOLÓGICO
● Equilíbrio entre ideias liberais e sociais ao longo da CF.
● Revelam a ideologia que permeia o conteúdo constitucional, podendo ser identificados nas normas que 
consagram os direitos sociais (Capítulo II, Título II)
DE ESTABILIZAÇÃO
● Asseguram solução de conflitos institucionais e protegem a integridade da Constituição e do Estado
FORMAIS DE APLICABILIDADE
● Interpretação e aplicação da Constituição. Ex: Preâmbulo.
2https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1516539/a-constituicao-e-seus-sentidos-sociologico-politico-e-juridico#:~:text=Meirelles%20Teixeira%20a%20partir%20dessa,unidade%20pol
%C3%ADtica%2C%20e%20reguladoras%20da
2
CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
QUANTO AO CONTEÚDO
● Constituição material: possui apenas conteúdo constitucional.
● Constituição formal: além de possuir matéria constitucional, possui outros assuntos. Não importa o seu 
conteúdo, mas a forma por meio da qual foi aprovada.
QUANTO À FORMA
● Constituição escrita: é um documento formal, solene. 
OBSERVAÇÃO: Todas as Constituições brasileiras foram escritas.
● Constituição não-escrita (costumeira, consuetudinária ou histórica): fruto dos costumes da 
sociedade.
QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO
● Constituição dogmática: fruto de um trabalho legislativo específico. Reflete os dogmas de um momento 
específico da história. 
OBSERVAÇÃO: Todas as Constituições brasileiras foram dogmáticas.
● Constituição histórica: fruto de uma lenta evolução histórica.
 QUANTO À ORIGEM
● Constituição promulgada (democrática ou popular): feita pelos representantes do povo. 
Brasil: CF-1891, CF-1934, CF-1946 e CF-1988.
● Constituição outorgada (ou carta constitucional): impostas ao povo pelo governante. 
Brasil: CF-1824 (Dom Pedro I), CF-1937 (Getúlio Vargas), CF-1967 (regime militar).
● Constituição cesarista (plebiscitária ou bonapartista): feita pelo governante e submetida a apreciação 
do povo mediante referendo.
● Constituição pactuada (contratual ou dualista): fruto do acordo entre duas forças políticas de um país.
Ex: Constituição Francesa de 1791, Magna Carta de 1215.
QUANTO À EXTENSÃO
● Constituição sintética (breve, sumária, sucinta, resumida, concisa): trata apenas dos temas principais. 
Ex: Constituição dos EUA.
● Constituição analítica (longa, volumosa, inchada, ampla, extensa, prolixa, desenvolvida, larga): 
entra em detalhes de certas instituições. Ex: CF-1988.
QUANTO À IDEOLOGIA
● Constituição ortodoxa (ou monista): fixa uma única ideologia estatal. 
Ex: Constituição chinesa, Constituição da ex-URSS.
● Constituição eclética (ou compromissória): permite a combinação de ideologias diversas.
QUANTO À FUNÇÃO - J.J.CANOTILHO 
3
● Constituição garantia (negativa ou abstencionista): limita-se a fixar os direitos e garantias 
fundamentais. É uma carta declaratória de direitos.
● Constituição dirigente (ou programática): além de prever os direitos e garantias fundamentais, fixa 
metas estatais. 
Ex: art. 196, CF; art. 205, CF; art. 7º, CF; art. 4º, parágrafo único, CF.
QUANTO À SISTEMATIZAÇÃO
● Constituição unitária (codificada, reduzida ou orgânica): formada por um único documento.
● Constituição variada (legal, inorgânica ou esparsa): formada por mais de um documento.
Art. 5º, § 3º, CF: Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em 
cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros, serão 
equivalentes às emendas constitucionais.
ATENÇÃO: A CF/88 nasce como uma Constituição unitária, mas vem passando por um processo de 
descodificação.
QUANTO AO SISTEMA
● Constituição principiológica: possui mais princípios do que regras. Paulo Bonavides entende que é o 
caso da CF/1988.
● Constituição preceitual: possui mais regras do que princípios.
QUANTO À ESSÊNCIA (CRITÉRIO ONTOLÓGICO) - KARL LOEWENSTEIN3
● Constituição semântica: é a Constituição cujas normas foram elaboradas para a legitimação de práticas 
autoritárias de poder; geralmente decorrem da usurpação do Poder Constituinte do povo. 
Ex: CF-1937, CF-1967.
● Constituição nominal (ou nominalista): quando não há uma concordância, absoluta, entre as normas 
constitucionais e as exigências do processo político, estas não se adaptando àquelas, isto é, se a dinâmica 
do processo político não se adaptar às normas da Constituição, esta será nominal. É Constituição sem 
valor jurídico cujas normas, na maior parte, são ineficazes. 
ATENÇÃO: Bernardo Gonçalves Fernandes, Marcelo Novelino e Marcelo Neves defendem que a 
Constituição Federal de 1988 é nominal (e não normativa).
● Constituição normativa: são aquelas, que possuem valor jurídico, cujas normas dominam o processo 
político, logrando submetê-lo à observação e adaptação de seus termos; é aquela, na qual, há uma 
adequação entre o texto e a realidade social, o seu texto traduz os anseios de justiça dos cidadãos, sendo 
condutor dos processos de poder.
ATENÇÃO: Pedro Lenza afirma que a Constituição brasileira está caminhando da Constituição nominal 
para a normativa, é uma Constituição que se pretende normativa. Eduardo dos Santos afirma que a 
classificação em questão examina como a Constituição é e não como ela pretende ser (SANTOS, Eduardo 
dos. Manual de Direito Constitucional, 2 ed. p. 77) 
3 http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=7593de furto qualificado quando há, no caso concreto, 
circunstâncias excepcionais que demonstrem a ausência de interesse social na intervenção do Estado.
7) A reiteração delitiva afasta a aplicação do princípio da insignificância no crime de descaminho.
8) Inaplicável o princípio da insignificância ao crime do art. 273 do CP, qualquer que seja a quantidade de 
medicamentos apreendidos, pois a conduta traz prejuízos efetivos à saúde pública.
9) Não se aplica o princípio da insignificância na hipótese em que o agente introduz no território nacional 
medicamentos não autorizados pelas autoridades competentes, diante da potencial lesividade à saúde 
pública.
10) É possível, excepcionalmente, aplicar o princípio da insignificância aos casos de importação não 
autorizada de pequena quantidade de medicamento para consumo próprio.
11) O princípio da insignificância não se aplica aos delitos do art. 33, caput, e do art. 28 da Lei de Drogas, 
pois são crimes de perigo abstrato ou presumido.
12) Não é possível aplicar o princípio da insignificância à importação não autorizada de arma de pressão, 
pois configura delito de contrabando, que tutela, além do interesse econômico, a segurança e a incolumidade 
pública.
TÍTULO I - DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
ANTERIORIDADE DA LEI
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
 
 
LEI PENAL NO TEMPO
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, CESSANDO em virtude 
dela a EXECUÇÃO e os EFEITOS PENAIS da sentença condenatória [ABOLITIO CRIMINIS]
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, 
ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado [RETROATIVIDADE DE LEI PENAL 
BENÉFICA]
31
TEMPO DA CONDUTA LEI POSTERIOR RETROAGE?
Fato atípico Fato típico Irretroatividade
Fato típico Aumento de pena, p.ex. Irretroatividade
Fato típico Supressão de figura
 criminosa
Retroatividade
Fato típico Diminuição de pena, p.ex. Retroatividade
Fato típico Migra o conteúdo criminoso para 
outro tipo penal
Princípio da continuidade 
normativo-típica
ABOLITIO CRIMINIS13 CONTINUIDADE NORMATIVA-TÍPICO
O crime é revogado formal e materialmente. O crime é revogado formalmente, mas não 
materialmente.
O fato não é mais punível (ocorre extinção da 
punibilidade – art. 107, III, do CP).
O fato continua sendo punível (a conduta criminosa é 
deslocada para outro tipo penal).
Exemplo: crime de adultério (art. 240 do CP), 
revogado.
Exemplo: crime de atentado violento ao pudor passou 
a ser tipificado no art. 213 em conjunto com o crime 
de estupro (Lei 12.015/2009).
SÚMULA SOBRE APLICAÇÃO DA LEI PENAL
Súmula 611-STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, COMPETE AO JUÍZO DAS EXECUÇÕES a 
aplicação de lei mais benigna.
 
 
LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA 
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as 
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência [ULTRATIVIDADE]
 
A lei excepcional ou temporária possuem duas características essenciais:
- Autorrevogabilidade
- Ultratividade
 
 
TEMPO DO CRIME
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento 
do resultado.
13MARTINA, Correia. Direito penal em tabelas: parte geral. Salvador: Juspodivm, 2017.
32
TEMPO DO CRIME
TEORIA DA ATIVIDADE
Considera-se praticado o crime no momento da conduta (A/O)
Adotada
TEORIA DO RESULTADO Considera-se praticado o crime no momento do resultado.
TEORIA MISTA ou 
UBIQUIDADE
Considera-se praticado o crime no momento da conduta (A/O) ou do 
resultado.
 
 
TERRITORIALIDADE
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime 
cometido no território nacional. 
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e 
aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se 
encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, 
que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações 
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no 
espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.
 
 
LUGAR DO CRIME 
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, 
bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
 
O crime de injúria praticado pela internet por mensagens privadas, as quais somente o autor e o 
destinatário têm acesso ao seu conteúdo, consuma-se no local em que a vítima tomou conhecimento do 
conteúdo ofensivo. STJ. 3ª Seção. CC 184.269-PB, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/02/2022 (Info 724)
LUGAR DO CRIME
TEORIA DA ATIVIDADE 
O crime considera-se praticado no lugar da conduta.
TEORIA DO RESULTADO O crime considera-se praticado no lugar do resultado.
TEORIA MISTA ou 
UBIQUIDADE
O crime considera-se praticado no lugar da conduta ou do resultado.
Adotada
 
DICA: LuTa (Lugar do crime = Ubiquidade/Tempo do crime=Atividade)
 
33
CRIMES À DISTÂNCIA E CRIMES PLURILOCAIS14
(ART. 6.º DO CP X ART. 70 DO CPP)
TEORIA DA UBIQUIDADE (ART. 6.º DO CP) TEORIA DO RESULTADO (ART. 70 DO CPP)
O dispositivo aplica-se a crimes que envolvem o 
território de dois ou mais países, ou seja, conflitos 
internacionais de jurisdição.
O dispositivo aplica-se a crimes que envolvem duas ou 
mais comarcas dentro do Brasil, ou seja, conflitos 
internos de competência local.
Nos CRIMES À DISTÂNCIA (ou crimes de espaço 
máximo), a prática do delito envolve o território de 
dois ou mais países.
Nos CRIMES PLURILOCAIS, a prática do delito envolve 
duas ou mais comarcas/ seções judiciárias dentro do 
mesmo país.
NÃO APLICAÇÃO DA TEORIA DA UBIQUIDADE15
1. CRIMES CONEXOS: não se aplica a teoria da ubiquidade, eis que os diversos crimes não constituem 
unidade jurídica. Deve cada um deles, portanto, ser processado e julgado no país em que foi cometido.
2. CRIMES PLURILOCAIS: aplica-se a regra delineada pelo art. 70, caput, do Código de Processo Penal, ou 
seja, a competência será determinada pelo lugar em que se consumar a infração ou, no caso de tentativa, 
pelo local em que for praticado o último ato de execução. Na hipótese de crimes dolosos contra a vida, 
aplica-se a teoria da atividade, segundo pacífica jurisprudência, em razão da conveniência para a 
instrução criminal em juízo, possibilitando a descoberta da verdade real
3. INFRAÇÕES PENAIS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO: teoria da atividade - “A competência do 
Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal” (art. 63, L. 9099)
4. CRIMES FALIMENTARES: foro do local em que foi decretada a falência, concedida a recuperação 
judicial ou homologado o plano de recuperação extrajudicial (art. 183 da Lei 11.101/2005)
5. ATOS INFRACIONAIS: competente a autoridade do lugar da ação ou da omissão (Lei 8.069/1990 – ECA, 
art. 147, § 1.º).
 
 
EXTRATERRITORIALIDADE 
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: 
I - os crimes [INCONDICIONADA]:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República [P. DEFESA OU REAL]; 
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de 
empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público [P. 
DEFESA OU REAL]; 
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço [P. DEFESA OU REAL]; 
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil [P. PERSONALIDADE OU 
NACIONALIDADE];
II - os crimes [CONDICIONADA]:a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir [P. JUSTIÇA UNIVERSAL]; 
b) praticados por brasileiro [P. NACIONALIDADE ATIVA]; 
15Direito penal esquematizado – Parte geral – vol.1 / Cleber Masson. – 9.ª ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2015.
14ARTINA, Correia. Direito penal em tabelas: parte geral. Salvador: Juspodivm, 2017.
34
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em 
território estrangeiro e aí não sejam julgados [P. REPRESENTAÇÃO]. 
§ 1º - Nos casos do inciso I (INCONDICIONADA), o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que 
absolvido ou condenado no estrangeiro (possibilidade de dupla condenação pelo mesmo fato)
§ 2º - Nos casos do inciso II (CONDICIONADA), a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes 
condições: 
a) entrar o agente no território nacional; 
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; 
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, 
segundo a lei mais favorável. 
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, 
reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: [HIPERCONDICIONADA]
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; 
b) houve requisição do Ministro da Justiça. 
 
 
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO 
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, 
ou nela é computada, quando idênticas. 
 
 
EFICÁCIA DE SENTENÇA ESTRANGEIRA 
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas 
consequências, pode ser homologada no Brasil para: 
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis (depende de pedido da 
parte interessada) 
II - sujeitá-lo a medida de segurança. (depende da existência de tratado de extradição com o país de cuja 
autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do ministro da justiça). 
Parágrafo único - A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada; 
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária 
emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça. 
 
CONTAGEM DE PRAZO +C-F
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo 
calendário comum.
 
FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA 
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, 
na pena de multa, as frações de cruzeiro. 
35
LEGISLAÇÃO ESPECIAL 
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de 
modo diverso. 
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
LIVRO I - DO PROCESSO EM GERAL
TÍTULO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro (PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE OU 
LEX FORI), por este Código, ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes 
conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de 
responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2°, e 100 arts. 50, § 2º; 52, I, parágrafo único; 85; 86, § 1º, II; e 102, I, 
b);
III - os processos da competência da Justiça Militar (aplicação subsidiária do CPP – art. 3°, “a”, CPPM);
IV - os processos da competência do tribunal especial (inciso não é mais válido)
V - os processos por crimes de imprensa (inciso não é mais válido; STF não recepcionou a Lei de Imprensa). 
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis 
especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso.
 
Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a 
vigência da lei anterior. [“TEMPUS REGIT ACTUM” OU PRINCÍPIO DA IMEDIATIDADE]
 
JDPP 1 A norma puramente processual tem eficácia a partir da data de sua vigência, conservando-se os 
efeitos dos atos já praticados. Entende-se por norma puramente processual aquela que regulamente 
procedimento sem interferir na pretensão punitiva do Estado. A norma procedimental que modifica a 
pretensão punitiva do Estado deve ser considerada norma de direito material, que pode retroagir se 
for mais benéfica ao acusado.
 
 
Art. 3o A lei processual penal ADMITIRÁ INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA E APLICAÇÃO ANALÓGICA, bem como o 
suplemento dos princípios gerais de direito.
 
36
DIREITO PROCESSUAL PENAL16 DIREITO PENAL
Admite interpretação extensiva.
Prevalece que não se admite interpretação extensiva 
em prejuízo do réu.
Admite analogia.
É possível o emprego da analogia desde que seja in 
bonnan partem (em favor do réu). O princípio da 
legalidade proíbe a analogia in mallan partem (contra o 
réu).
Admite interpretação analógica. Admite interpretação analógica.
 
JUIZ DAS GARANTIAS
O STF fixou a seguinte regra de transição: quanto às ações penais já instauradas no momento da efetiva 
implementação do juiz das garantias pelos tribunais, a eficácia da lei não acarretará qualquer 
modificação do juízo competente. STF, ADI 6298.
É constitucional o art. 3º da Lei 2019/13.964 (Lei Anticrime), especificamente quanto à instituição e à 
implementação do juiz das garantias no processo penal brasileiro, porquanto trata de questões atinentes ao 
processo penal, matéria da competência legislativa privativa da União (CF/1988, art. 22, I), que tem natureza 
cogente sobre todos os entes federativos e os Poderes da República. No entanto, é formalmente 
inconstitucional — por configurar invasão desarrazoada à autonomia administrativa e ao poder de 
auto-organização do Judiciário (CF/1988, art. 96, I) — a introdução do parágrafo único do art. 3º-D do CPP, 
que impõe a criação de um “sistema de rodízio de magistrados” nas comarcas em que funcionar um 
único juiz. ADI 6.298/DF, relator Ministro Luiz Fux, julgamento finalizado em 24.8.2023 ADI 6.299/DF, relator 
Ministro Luiz Fux, julgamento finalizado em 24.8.2023 ADI 6.300/DF, relator Ministro Luiz Fux, julgamento 
finalizado em 24.8.2023 ADI 6.305/DF, relator Ministro Luiz Fux, julgamento finalizado em 24.8.2023 (Info 1106 
STF) 
 
Art. 3º-A. O processo penal terá ESTRUTURA ACUSATÓRIA, vedadas a iniciativa do juiz na fase de 
investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. (LEI 13964/19)
 
Adoção do SISTEMA ACUSATÓRIO de forma expressa
SISTEMA INQUISITORIAL
▸ Não há separação das funções de acusar, defender e julgar, que estão concentradas em uma única 
pessoa.
▸ Juiz inquisidor, com ampla iniciativa acusatória e probatória.
▸ Princípio da verdade real.
16https://www.buscadordizerodireito.com.br/juscom/artigo/da9e6a4a4aeca98588e4dd77ceb37695?lei=4&artigo=3525&criterio-pesquisa=e
37
SISTEMA ACUSATÓRIO (ADOTADO NO BRASIL)
▸ Há separação das funções de acusar, defender e julgar.
▸ Princípio da busca da verdade.
▸ A gestão da prova recai sobre as partes. O juiz, durante a instrução processual, tem certa iniciativa 
probatória (subsidiariamente)
SISTEMA MISTO ou FRANCÊS
▸ Há uma fase inquisitorial e uma fase acusatória.
O STF atribui interpretação conforme ao art. 3º-A do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, para assentar que o 
juiz, pontualmente, nos limites legalmente autorizados, pode determinar a realização de diligências 
suplementares, para o fim de dirimir dúvida sobre questão relevante para o julgamento domérito. STF, ADI 
6298.
 
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela 
salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder 
Judiciário, competindo-lhe especialmente: (LEI 13964/19)
I - receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º da Constituição 
Federal; (LEI 13964/19)
II - receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, observado o disposto no 
art. 310 deste Código; (LEI 13964/19)
III - zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido à sua 
presença, a qualquer tempo; (LEI 13964/19)
IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; (LEI 13964/19)
V - decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar, observado o disposto no § 
1º deste artigo; (LEI 13964/19)
VI - prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, 
assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto 
neste Código ou em legislação especial pertinente; (LEI 13964/19)
VII - decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não 
repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; (LEI 13964/19)
VIII - prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas 
pela autoridade policial e observado o disposto no § 2º deste artigo; (LEI 13964/19)
IX - determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável para sua 
instauração ou prosseguimento; (LEI 13964/19)
X - requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o andamento da investigação;
XI - decidir sobre os requerimentos de: (LEI 13964/19)
a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática ou de outras 
formas de comunicação; (LEI 13964/19)
b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico; (LEI 13964/19)
38
c) busca e apreensão domiciliar; (LEI 13964/19)
d) acesso a informações sigilosas; (LEI 13964/19)
e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do investigado; (LEI 13964/19)
XII - julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia; (LEI 13964/19)
XIII - determinar a instauração de incidente de insanidade mental; (LEI 13964/19)
XIV - decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399 deste Código; (LEI 
13964/19)
XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e ao seu defensor 
de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no âmbito da investigação criminal, 
salvo no que concerne, estritamente, às diligências em andamento; (LEI 13964/19)
XVI - deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a produção da perícia; (LEI 13964/19)
XVII - decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de colaboração premiada, 
quando formalizados durante a investigação; (LEI 13964/19)
XVIII - outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste artigo. (LEI 13964/19)
§ 1º O preso em flagrante ou por força de mandado de prisão provisória será encaminhado à presença do 
juiz de garantias no prazo de 24 horas, momento em que se realizará audiência com a presença do 
Ministério Público e da Defensoria Pública ou de advogado constituído, VEDADO o emprego de 
videoconferência (LEI 13964/19)
§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade 
policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 dias, 
após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada. (LEI 
13964/19)
O STF, na ADI 6298, fixou os seguintes pontos:
● Declarou a constitucionalidade do caput do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, e, por 
unanimidade, fixou o prazo de 12 meses, a contar da publicação da ata do julgamento, para que sejam 
adotadas as medidas legislativas e administrativas necessárias à adequação das diferentes leis de 
organização judiciária, à efetiva implantação e ao efetivo funcionamento do juiz das garantias em 
todo o país, tudo conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça e sob a supervisão dele. Esse 
prazo poderá ser prorrogado uma única vez, por no máximo 12 meses, devendo a devida justificativa 
ser apresentada em procedimento realizado junto ao Conselho Nacional de Justiça. 
● Declarou a inconstitucionalidade parcial, por arrastamento, do art. 20 da Lei 13.964/2019, quanto à 
fixação do prazo de 30 dias para a instalação dos juízes das garantias.
● Atribui interpretação conforme aos incisos IV, VIII e IX do art. 3º-B do CPP, incluídos pela Lei nº 
13.964/2019, para que todos os atos praticados pelo Ministério Público como condutor de 
investigação penal se submetam ao controle judicial (HC 89.837/DF, Rel. Min. Celso de Mello) e fixou o 
prazo de até 90 dias, contados da publicação da ata do julgamento, para os representantes do 
Ministério Público encaminharem, sob pena de nulidade, todos os PIC e outros procedimentos de 
investigação criminal, mesmo que tenham outra denominação, ao respectivo juiz natural, 
independentemente de o juiz das garantias já ter sido implementado na respectiva jurisdição.
● Atribui interpretação conforme ao inciso VI do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, para 
prever que o exercício do contraditório será preferencialmente em audiência pública e oral.
39
● Atribui interpretação conforme ao inciso VII do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, para 
estabelecer que o juiz pode deixar de realizar a audiência quando houver risco para o processo, ou 
diferi-la em caso de necessidade.
● Declarou a inconstitucionalidade do inciso XIV do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, e 
atribuiu interpretação conforme para assentar que a competência do juiz das garantias cessa com o 
OFERECIMENTO da denúncia.
● Atribui interpretação conforme ao § 1º do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, para 
estabelecer que o preso em flagrante ou por força de mandado de prisão provisória será 
encaminhado à presença do juiz das garantias, no prazo de 24 horas, salvo impossibilidade fática, 
momento em que se realizará a audiência com a presença do ministério público e da defensoria pública 
ou de advogado constituído, cabendo, excepcionalmente, o emprego de videoconferência, mediante 
decisão da autoridade judiciária competente, desde que este meio seja apto à verificação da 
integridade do preso e à garantia de todos os seus direitos.
● Atribui interpretação conforme ao § 2º do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, para 
assentar que: a) o juiz pode decidir de forma fundamentada, reconhecendo a necessidade de novas 
prorrogações do inquérito, diante de elementos concretos e da complexidade da investigação; e b) a 
inobservância do prazo previsto em lei não implica a revogação automática da prisão preventiva, 
devendo o juízo competente ser instado a avaliar os motivos que a ensejaram, nos termos da ADI 6581.
 
Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais, EXCETO AS DE MENOR 
POTENCIAL OFENSIVO, e cessa com o recebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste código. 
(LEI 13964/19)
§ 1º Recebida a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento. 
(LEI 13964/19)
§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias NÃO VINCULAM o juiz da instrução e julgamento, que, após o 
recebimento da denúncia ou queixa, deverá reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso, 
no prazo máximode 10 dias. (LEI 13964/19)
§ 3º Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias ficarão acautelados na secretaria 
desse juízo, à disposição do Ministério Público e da defesa, e não serão apensados aos autos do processo 
enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas irrepetíveis, 
medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que deverão ser remetidos para apensamento 
em apartado. (LEI 13964/19)
§ 4º Fica assegurado às partes o amplo acesso aos autos acautelados na secretaria do juízo das garantias. (LEI 
13964/19)
 
CPP STF
A competência do juiz das garantias abrange todas 
as infrações penais, EXCETO AS DE MENOR 
POTENCIAL OFENSIVO.
As normas relativas ao juiz das garantias NÃO SE 
APLICAM ÀS SEGUINTES SITUAÇÕES: 
a) processos de competência originária dos 
tribunais, os quais são regidos pela Lei nº 
40
8.038/1990;
b) processos de competência do tribunal do júri; 
c) casos de violência doméstica e familiar; e 
d) infrações penais de menor potencial ofensivo.
A competência do juiz das garantias cessa com o 
RECEBIMENTO da denúncia ou queixa.
A competência do juiz das garantias cessa com o 
OFERECIMENTO da denúncia.
O STF, na ADI 6298, fixou os seguintes pontos:
● Atribuiu interpretação conforme à primeira parte do caput do art. 3º-C do CPP, incluído pela Lei nº 
13.964/2019, para esclarecer que as normas relativas ao juiz das garantias NÃO SE APLICAM ÀS 
SEGUINTES SITUAÇÕES: 
a) processos de competência originária dos tribunais, os quais são regidos pela Lei nº 8.038/1990;
b) processos de competência do tribunal do júri; 
c) casos de violência doméstica e familiar; e 
d) infrações penais de menor potencial ofensivo.
● Declarou a inconstitucionalidade da expressão “recebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 
399 deste Código” contida na segunda parte do caput do art. 3º-C do CPP, incluído pela Lei nº 
13.964/2019, e atribuiu interpretação conforme para assentar que a competência do juiz das 
garantias cessa com o OFERECIMENTO da denúncia.
● Declarou a inconstitucionalidade do termo “Recebida” contido no § 1º do art. 3º-C do CPP, incluído pela 
Lei nº 13.964/2019, e atribuiu interpretação conforme ao dispositivo para assentar que, OFERECIDA a 
denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento.
● Declarou a inconstitucionalidade do termo “recebimento” contido no § 2º do art. 3º-C do CPP, incluído 
pela Lei nº 13.964/2019, e atribuiu interpretação conforme ao dispositivo para assentar que, após o 
OFERECIMENTO da denúncia ou queixa, o juiz da instrução e julgamento deverá reexaminar a 
necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de 10 dias.
● Declarou a inconstitucionalidade, com redução de texto, dos §§ 3º e 4º do art. 3º-C do CPP, incluídos 
pela Lei nº 13.964/2019, e atribuiu interpretação conforme para entender que os autos que compõem 
as matérias de competência do juiz das garantias serão remetidos ao juiz da instrução e 
julgamento.
Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas competências dos arts. 4º e 5º 
deste Código ficará impedido de funcionar no processo. (LEI 13964/19)
Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de rodízio de 
magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo. (LEI 13964/19)
O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º-D do CPP (caput e parágrafo único), incluído pela Lei nº 
13.964/2019. STF, ADI 6298.
41
Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado conforme as normas de organização judiciária da União, dos 
Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo 
tribunal. (LEI 13964/19)
 
CPP STF
O juiz das garantias será DESIGNADO conforme as 
normas de organização judiciária.
o juiz das garantias será INVESTIDO, e não 
designado, conforme as normas de organização 
judiciária.
O STF atribuiu interpretação conforme ao art. 3º-E do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019, para assentar 
que o juiz das garantias será investido, e não designado, conforme as normas de organização judiciária da 
União, dos Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados 
pelo respectivo tribunal. STF, ADI 6298.
Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o tratamento dos presos, 
impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem 
da pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal. (LEI 13964/19)
Parágrafo único. Por meio de regulamento, as autoridades deverão disciplinar, em 180 dias, o modo pelo qual 
as informações sobre a realização da prisão e a identidade do preso serão, de modo padronizado e respeitada a 
programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas à imprensa, assegurados a efetividade da 
persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão. (LEI 13964/19)
 
O STF, na ADI 6298, fixou os seguintes pontos:
● Declarou a constitucionalidade do caput do art. 3º-F do CPP, incluído pela Lei nº 13.964/2019. 
● Atribuiu interpretação conforme ao parágrafo único do art. 3º-F do CPP, incluído pela Lei nº 
13.964/2019, para assentar que a divulgação de informações sobre a realização da prisão e a 
identidade do preso pelas autoridades policiais, ministério público e magistratura deve assegurar a 
efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à 
prisão.
JUIZ DAS GARANTIAS
É responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos 
individuais
REGRA DE TRANSIÇÃO: No tocante às ações penais já instauradas no momento da efetiva 
implementação do juiz das garantias pelos tribunais, a eficácia da lei não acarretará qualquer 
modificação do juízo competente.
Será INVESTIDO, e não designado, conforme as normas de organização judiciária da União, dos Estados e do 
42
Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo tribunal.
PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA: Pode deixar de realizar a audiência quando houver risco para o 
processo, ou diferi-la em caso de necessidade.
INVESTIGADO PRESO: o juiz pode decidir de forma fundamentada, reconhecendo a necessidade de 
novas prorrogações do inquérito, diante de elementos concretos e da complexidade da investigação. 
A inobservância do prazo previsto em lei não implica a revogação automática da prisão preventiva, 
devendo o juízo competente ser instado a avaliar os motivos que a ensejaram, nos termos da ADI 6581.
A competência NÃO SE APLICAM ÀS SEGUINTES SITUAÇÕES:
1. processos de competência originária dos tribunais, regidos pela Lei 8038/90;
2. processos de competência do tribunal do júri; 
3. casos de violência doméstica e familiar; e 
4. infrações penais de menor potencial ofensivo.
A competência CESSA COM O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA
OFERECIDA a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e 
julgamento.
Suas decisões NÃO vinculam o juiz da instrução e julgamento. 
Após o OFERECIMENTO da denúncia ou queixa, o juiz da instrução e julgamento DEVERÁ reexaminar a 
necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de 10 dias.
434
QUANTO À ORIGEM DE SUA DECRETAÇÃO - JORGE MIRANDA
● Constituição heterônoma (ou heteroconstituição): feita em um país para vigorar em outro país.
● Constituição autônoma (homoconstituição ou autoconstituição): feita em um país para nele vigorar. É 
a regra geral.
Ex: Constituição brasileira.
CLASSIFICAÇÃO DE RAUL MACHADO HORTA
● Constituição expansiva: além de ampliar temas já tratados, trata de novos temas. 
Ex: CF-1988.
● Constituição plástica: permite sua ampliação por meio de leis infraconstitucionais (segundo a lei, nos 
termos da lei, etc.). 
Ex: CF-1988.
QUANTO À ATIVIDADE LEGISLATIVA
● Constituição-lei: a constituição é tratada como uma lei qualquer. Dá ampla liberdade ao legislador 
ordinário.
● Constituição-fundamento (constituição total ou ubiquidade constitucional): a constituição tenta 
disciplinar detalhes da vida social. Dá uma pequena liberdade ao legislador ordinário.
● Constituição-moldura (Canotilho: Constituição-quadro): como a moldura de um quadro, a constituição 
fixa os limites de atuação do legislador ordinário.
 CONSTITUIÇÃO SIMBÓLICA - MARCELO NEVES
● É a constituição cujo simbolismo é maior que seus efeitos práticos. Para Marcelo Neves, a CF/88 é 
simbólica por ter um elevado número de normas programáticas e dispositivos de alto grau de abstração.
● Marcelo Neves afirma que a constitucionalização simbólica tem como objetivos confirmar determinados 
valores sociais, desejando-se apenas uma vitória legislativa e fortalecer a confiança do cidadão no 
governo ou no Estado, por meio da legislação álibi, por meio da qual se esvaziam pressões políticas e 
apresentam o Estado como sensível a expectativas dos cidadãos, porém sem efetividade. Por fim, teria 
como terceiro objetivo adiar a solução de conflitos sociais, por meio de compromissos dilatórios, 
postergando-se a verdadeira decisão para o futuro.
QUANTO AO CONTEÚDO IDEOLÓGICO - ANDRÉ RAMOS TAVARES
● Constituição liberal: possui apenas direitos individuais ou de 1a dimensão (ex: vida, liberdade, 
propriedade). O Estado tem o dever principal de não fazer. 
Ex: CF-1824, CF-1891.
● Constituição social: além de direitos individuais, prevê direitos sociais ou de 2a dimensão (ex: saúde, 
educação, moradia, alimentação). O Estado tem o dever principal de fazer. 
Ex: CF-1934, CF-1946, CF-1967, CF-1988.
5
SEGUNDO JORGE MIRANDA
● Constituição provisória (ou pré-constituição): possui duração reduzida, até que seja elaborada a 
constituição definitiva.
● Constituição definitiva: possui prazo indeterminado de duração. 
Ex: CF-1988.
CONSTITUIÇÃO BALANÇO OU REGISTRO
● Periodicamente elabora-se uma constituição, fazendo uma análise do avanço social ocorrido nos anos 
anteriores.
CONSTITUIÇÃO EM BRANCO
● Não prevê regras e limites para o exercício do poder constituinte derivado reformador.
QUANTO À RIGIDEZ OU ESTABILIDADE
● Constituição imutável (permanente, granítica ou intocável): não pode ser alterada, pretendendo-se 
eterna e fundando-se na crença de que não haveria órgão competente para proceder à sua reforma. Pode 
estar relacionada a fundamentos religiosos. Ex: a CF-1824 foi imutável nos primeiros 4 anos (limitação 
temporal).
● Constituição rígida: possui um processo de alteração mais rigoroso que o destinado às outras leis. Ex: 
CF-1988.
● Constituição flexível: possui o mesmo processo de alteração que o destinado às outras leis. Os países de 
constituição flexível não possuem o controle de constitucionalidade.
● Constituição transitoriamente flexível: é a Constituição flexível por algum período, findo o qual se torna 
uma Constituição rígida.
● Constituição semirrígida (ou semiflexível): parte dela é rígida e parte é flexível.
● Constituição fixa (ou silenciosa): é aquela que nada prevê sobre sua mudança formal, sendo alterável 
somente pelo próprio poder originário.
● Constituição super-rígida: é a Constituição rígida que possui um núcleo imutável.
CONSTITUIÇÃO DÚCTIL ou CONSTITUIÇÃO SUAVE - GUSTAVO ZAGREBELSKY
● Idealizada pelo jurista italiano Gustavo Zagrebelsky (constituzione mite).
● É aquela que não define ou impõe uma forma de vida, mas assegura condições possíveis para o 
exercício dos mais variados projetos de vida. Reflete o pluralismo ideológico, moral, político e 
econômico existente na sociedade.
CONSTITUIÇÃO UNITEXTUAL OU ORGÂNICA
● Rechaça a ideia de existência de um bloco de constitucionalidade, visto que a Constituição seria disposta 
em uma estrutura documental única.
6
CONSTITUIÇÃO SUBCONSTITUCIONAL
● Constituição subconstitucional admite a constitucionalização de temas excessivos e o alçamento de 
detalhes e interesses momentâneos ao patamar constitucional.
● Para Uadi Lammêgo Bulos, citando Hild Krüger, as constituições só devem trazer aquilo que interessa à 
sociedade como um todo, sem detalhamentos inúteis. Esse excesso de temas forma as constituições 
substitucionais, que são normas que, mesmo elevadas formalmente ao patamar constitucional, não 
o são, porque encontram-se limitadas nos seus objetivos.
CONSTITUIÇÃO PROCESSUAL, INSTRUMENTAL OU FORMAL
● É um "instrumento de governo definidor de competências, regulador de processos e estabelecedor 
de limites à acção política" (Canotilho). Seu objetivo é definir competências, para limitar a ação dos 
Poderes Públicos, além de representar apenas um instrumento pelo qual se eliminam conflitos sociais.
CONSTITUIÇÃO CHAPA BRANCA4 
● O intuito principal da Constituição é tutelar interesses e até mesmo privilégios tradicionalmente 
reconhecidos aos integrantes e dirigentes do setor público.
● A Constituição é fundamentalmente um conjunto normativo “destinado a assegurar posições de poder a 
corporações e organismos estatais ou paraestatais. É a visão da Constituição “chapa-branca”, no sentido 
de uma “Lei Maior da organização administrativa”. Apesar da retórica relacionada aos direitos 
fundamentais e das normas liberais e sociais, o núcleo duro do texto preserva interesses corporativos do 
setor público e estabelece formas de distribuição e de apropriação dos recursos públicos entre 
vários grupos.
● Leitura socialmente pessimista da Constituição que insiste na continuidade da visão 
estatalista-patrimonialista da Constituição e na centralidade do Poder Executivo em detrimento 
tanto da promessa democrática como da tutela judicial dos direitos individuais.
CONSTITUIÇÃO UBÍQUA5
● Onipresença das normas e valores constitucionais no ordenamento jurídico.
● Parte-se da constatação de que os conflitos forenses e a doutrina jurídica foram impregnados pelo direito 
constitucional. A referência a normas e valores constitucionais é um elemento onipresente no direito 
brasileiro pós-1988. Essa “panconstitucionalização” deve-se ao caráter detalhista da Constituição, que 
incorporou uma infinidade de valores substanciais, princípios abstratos e normas concretas em seu 
programa normativo.
CONSTITUIÇÃO LIBERAL-PATRIMONIALISTA5 
● Objetiva preponderantemente garantir os direitos individuais, preservando fortes garantias ao direito 
de propriedade e procurando limitar a intervenção estatal na economia.
5 http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/10959/Resiliencia_constitucional.pdf?sequence=3&isAllowed=y
4 http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/10959/Resiliencia_constitucional.pdf?sequence=3&isAllowed=y
7
CONSTITUIÇÃO PRINCIPIOLÓGICA E JUDICIALISTA5
Leitura da Constituição de 1988 com base nas seguintes características:
● Importância crucial dos direitos fundamentais, incluindo os sociais, sendo a Constituição de 1988 um texto 
denso exigente, limitando a liberdade do legislador e impondo sua implementação; 
● Centralidade dos princípios constitucionais que se multiplicam e adquirem relevância prática e 
aplicabilidade imediata, desde que sejam adotados métodos de interpretação abertos, evolutivos e 
desvinculados da textualidade das regras, em particular a ponderação de princípios e/ou valores;
● Importânciado Poder Judiciário que se torna protagonista da Constituição de 1988, em razão da 
ampliação e da intensificação do controle de constitucionalidade e da incumbência de implementar o 
projeto constitucional mediante aplicação de métodos “abertos” de interpretação.
CONSTITUIÇÃO ORAL
● É “aquela em que o chefe supremo de um povo reclama, de viva voz, o conjunto de normas que deverão 
reger a vida em comunidade” (BULOS, 2014, p. 108).
CONSTITUIÇÃO INSTRUMENTAL
● Para Uadi Lammêgo Bulos, “é aquela em que suas normas equivalem a leis processuais. Seu objetivo é 
definir competências, para limitar a ação dos Poderes Públicos” (BULOS, 2014, p. 108).
TRANSCONSTITUCIONALISMO
● É fenômeno pelo qual diversas ordens jurídicas de um mesmo Estado, ou de Estados diferentes, se 
entrelaçam para resolver problemas constitucionais” (BULOS, 2014, p. 90).
CONSTITUIÇÃO.COM ou “CROWDSOURCING”
● “É aquela cujo projeto conta a opinião maciça dos usuários da internet, que, por meio de sites de 
relacionamentos, externam seu pensamento a respeito dos temas a serem constitucionalizados. Foi a 
Islândia que, pioneiramente, no ano de 2011, fez uma ‘constituição.com’ (crowdsourcing)” (BULOS, 2014, p. 
112).
MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
JURÍDICO ou HERMENÊUTICO CLÁSSICO - Ernerst Fosthoff
● Identidade entre Constituição e Leis.
● Utiliza critérios de Savigny
TÓPICO PROBLEMÁTICO - Theodor Viehweg
● Problema-norma.
● Estudo da norma através de um problema.
8
HERMENÊUTICO CONCRETIZADOR - Konrad Hesse
● Norma-problema.
● Parte-se de pré-compreensões para se chegar ao sentido da norma.
● Interpretação concretizadora.
● Constituição tem força para compreender e alterar a realidade.
NORMATIVO ESTRUTURANTE - Frederic Muller
● Parte-se do direito positivo para se chegar à norma.
● Colhe elementos da realidade social para se chegar à norma.
CIENTÍFICO ESPIRITUAL - Ruldof Smend
● Não se utilizam apenas valores consagrados na Constituição, mas também valores extra-constitucionais, 
como a realidade social e cultura do povo.
● Interpretação sistêmica.
CONCRETISTA DA CONSTITUIÇÃO ABERTA - Peter Haberle
● Interpretação por todo o povo, não apenas pelos juristas
COMPARAÇÃO - Peter Haberle
● Comparar com as diversas Constituições.
PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO
● Toda interpretação constitucional se assenta no pressuposto da superioridade jurídica da Constituição 
sobre os demais atos normativos no âmbito do Estado. Assim, em razão da supremacia 
constitucional, nenhum ato jurídico ou manifestação de vontade pode subsistir validamente se for 
incompatível com a Lei Fundamental.
● Em razão da superlegalidade formal (Constituição como fonte primária da produção normativa, 
identificando competências e procedimentos para a elaboração dos atos normativos inferiores) e material 
da Constituição (subordina o conteúdo de toda a atividade normativa estatal à conformidade com os 
princípios e regras da Constituição), surge o controle de constitucionalidade (judicial review), que nada mais 
é do que uma técnica de atuação da supremacia da Constituição.
PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS E DOS ATOS DO PODER 
PÚBLICO
● Não sendo evidente a inconstitucionalidade, havendo dúvida ou a possibilidade de razoavelmente se 
considerar a norma como válida, deve o órgão competente abster-se da declaração de 
inconstitucionalidade.
● Havendo alguma interpretação possível que permita afirmar-se a compatibilidade da norma com a 
9
Constituição, em meio a outras que carreavam para ela um juízo de invalidade, deve o intérprete optar 
pela interpretação legitimadora, mantendo o preceito em vigor.
● O princípio da presunção de constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público (presunção juris 
tantum) é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de 
autolimitação da atividade do Judiciário que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve 
invalidar os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável.
PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO
● Diante de normas plurissignificativas ou polissêmicas (que possuem mais de uma interpretação), deve-se 
preferir a exegese que mais se aproxime da Constituição (ainda que não seja a que mais obviamente 
decorra de seu texto) e, portanto, que não seja contrária ao texto constitucional.
PRINCÍPIO DA UNIDADE DA CONSTITUIÇÃO
● A Constituição deve ser sempre interpretada em sua globalidade, como um todo, e, assim, as aparentes 
antinomias deverão ser afastadas.
● As normas deverão ser vistas como preceitos integrados (interpretação sistêmica) em um sistema unitário 
de regras e princípios.
 PRINCÍPIO DO EFEITO INTEGRADOR OU DA EFICÁCIA INTEGRADORA
● Na resolução dos problemas jurídico-constitucionais deve dar-se primazia aos critérios ou pontos de vista 
que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade política, ou seja, as normas 
constitucionais devem ser interpretadas com o objetivo de integrar política e socialmente o povo de um 
Estado Nacional.
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE OU RAZOABILIDADE
● Consubstancia uma pauta de natureza axiológica que emana diretamente das ideias de justiça, equidade, 
bom senso, prudência, moderação, justa medida, proibição de excesso, direito justo e valores afins; 
precede e condiciona a positivação jurídica, inclusive de âmbito constitucional; e, ainda, enquanto 
princípio geral do direito, serve de regra de interpretação para todo o ordenamento jurídico.
● Tal princípio exige a tomada de decisões racionais, não abusivas, e que respeitem os núcleos essenciais de 
todos os direitos fundamentais. Como parâmetro, é possível destacar a necessidade de preenchimento de 
3 importantes elementos:
a) Necessidade/exigibilidade: a adoção da medida que possa restringir direitos só se legitima se 
indispensável para o caso concreto e não se puder substituí-la por outra menos gravosa.
b) Adequação/pertinência/idoneidade: o meio escolhido deve atingir o objetivo perquirido.
c) Proporcionalidade em sentido estrito: sendo a medida necessária e adequada, deve-se investigar se o 
ato praticado, em termos de realização do objetivo pretendido, supera a restrição a outros valores 
constitucionalizados. Podemos falar em máxima efetividade e mínima restrição.
PRINCÍPIO DA MÁXIMA EFETIVIDADE ou DA EFICIÊNCIA ou DA INTERPRETAÇÃO EFETIVA
● Deve ser entendido no sentido de a norma constitucional ter a mais ampla efetividade social.
10
PRINCÍPIO DA FORÇA NORMATIVA
● Os aplicadores da Constituição, entre as interpretações possíveis, devem adotar aquela que garanta maior 
eficácia, aplicabilidade e permanência das normas constitucionais, conferindo-lhes sentido prático e 
concretizador, em clara relação com o princípio da máxima efetividade ou eficiência.
PRINCÍPIO DA JUSTEZA ou DA CONFORMIDADE (EXATIDÃO ou CORREÇÃO) FUNCIONAL
● O STF, ao concretizar a norma constitucional, será responsável por estabelecer a força normativa da 
Constituição, não podendo alterar a repartição de funções constitucionalmente estabelecidas pelo 
constituinte originário, como é o caso da separação de poderes, no sentido de preservação do Estado de 
Direito. 
● O seu intérprete final não pode chegar a um resultado que subverta ou perturbe o esquema 
organizatório-funcional constitucionalmente estabelecido.
PRINCÍPIO DA CONCORDÂNCIA PRÁTICA ou HARMONIZAÇÃO
● Partindo da ideia de unidade da Constituição, os bens jurídicos constitucionalizados deverão coexistir 
de forma harmônica na hipótese de eventual conflito ou concorrência entre eles, buscando, assim, 
evitar o sacrifício (total) de um princípio em relação a outro em choque. O fundamento da ideia de 
concordância decorre da inexistência de hierarquia entre os princípios.
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um 
Estado Democrático,destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a 
segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma 
sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem 
interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a 
seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
 
O preâmbulo da CR/88 NÃO PODE, por si só, servir de parâmetro de controle da constitucionalidade de 
uma norma.
O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os fundamentos filosóficos, ideológicos, sociais e econômicos e, 
dessa forma, norteia a interpretação do texto constitucional.
Em termos estritamente formais, o Preâmbulo constitui-se em uma espécie de introdução ao texto 
constitucional, um resumo dos direitos que permearão a textualização a seguir, apresentando o processo 
que resultou na elaboração da Constituição e o núcleo de valores e princípios de uma nação.
O termo "assegurar" constante no Preâmbulo da CF/88 constitui-se no marco da ruptura com o regime 
anterior e garante a instalação e asseguramento jurídico dos direitos listados em seguida e até então 
11
não dotados de força normativa constitucional suficiente para serem respeitados, sendo eles o exercício dos 
direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça.
Nos moldes jurídicos adotados pela CF/88, o preâmbulo se configura como um elemento que serve de 
manifesto à continuidade de todo o ordenamento jurídico ao conectar os valores do passado - a situação 
de início que motivou a colocação em marcha do processo legislativo - com o futuro - a exposição dos fins a 
alcançar -, descrição da situação que se aspira a chegar.
A invocação à proteção de Deus NÃO TEM força normativa, NÃO sendo norma de reprodução 
obrigatória na Constituição Estadual. (ADI 206, STF)
A invocação a Deus, presente no preâmbulo da CF/88, reflete um sentimento religioso. Isso não faz, contudo, 
que o Brasil deixe de ser um Estado laico.
O preâmbulo constitucional situa-se no domínio da política e reflete a posição ideológica do constituinte. 
Logo, não contém relevância jurídica, não tem força normativa, sendo mero vetor interpretativo das 
normas constitucionais, não servindo como parâmetro para o controle de constitucionalidade (STF).
Não tem força normativa, embora provenha do mesmo poder constituinte originário que elaborou toda a 
constituição
É destituído de qualquer cogência (MS 24.645 MC/DF);
NÃO INTEGRA o bloco de constitucionalidade;
Não cria direitos nem estabelece deveres;
Seus princípios não prevalecem diante do texto expresso da constituição;
NATUREZA JURÍDICA DO PREÂMBULO
TESE DA IRRELEVÂNCIA JURÍDICA
● O preâmbulo situa-se no DOMÍNIO DA POLÍTICA, sem relevância jurídica (STF).
ATENÇÃO: apesar de o preâmbulo não possuir força normativa, ele traz as intenções, o sentido, a 
origem, as justificativas, os objetivos, os valores e os ideais de uma Constituição, servindo de vetor 
interpretativo. Trata-se, assim, de um referencial interpretativo-valorativo da Constituição.
TESE DA PLENA EFICÁCIA
● O preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais, sendo, porém, apresentado 
de forma não articulada.
TESE DA RELEVÂNCIA JURÍDICA INDIRETA
,
● Ponto intermediário entre as duas, já que, muito embora participe "das características jurídicas da 
Constituição'', não deve ser confundido com o articulado
12
TÍTULO I - DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
PRINCÍPIOS REGRAS
Normas mais amplas, abstratas, genéricas. Normas mais específicas, delimitadas, determinadas.
Alexy: princípios são MANDAMENTOS DE 
OTIMIZAÇÃO, que devem ser cumpridos na maior 
intensidade possível.
Dworkin: princípios são mandamentos normativos 
aplicados na DIMENSÃO DE PESO ou DE 
IMPORTÂNCIA.
Alexy: são MANDADOS DE DEFINIÇÃO.
Dworkin: Devem ser cumpridas integralmente (all or 
nothing).
Em caso de colisão, resolve-se pela PONDERAÇÃO. Em caso de conflito, resolve-se pela DIMENSÃO DE 
VALIDADE.
Ex: dignidade da pessoa humana. Ex: eleição para Presidente da República.
 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do 
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como FUNDAMENTOS 
[SO-CI-DI-VA-PLU]:
I - a SOberania;
II - a CIdadania
III - a DIgnidade da pessoa humana;
IV - os VAlores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o PLUralismo político.
Parágrafo único. TODO O PODER EMANA DO POVO, que o exerce por meio de representantes eleitos ou 
diretamente, nos termos desta Constituição.
 
PRINCÍPIOS ESTRUTURANTES – art. 1°, CF
PRINCÍPIO REPUBLICANO
“A República”
PRINCÍPIO FEDERATIVO
“Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”
PRINCÍPIO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
“constitui-se em Estado Democrático de Direito”
 
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
 
13
Afronta o princípio da separação dos Poderes a anulação judicial de cláusula de contrato de concessão 
firmado por Agência Reguladora e prestadora de serviço de telefonia que, em observância aos marcos 
regulatórios estabelecidos pelo Legislador, autoriza a incidência de reajuste de alguns itens tarifários em 
percentual superior ao do índice inflacionário fixado, quando este não é superado pela média ponderada de 
todos os itens. STF. RE 1059819/PE, relator Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, 
julgamento virtual finalizado em 18.2.2022 (info 1044). Tese de Repercussão Geral – Tema 991
Art. 3º [REGRA DO VERBO] Constituem OBJETIVOS fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - CONSTRUIR uma sociedade livre, justa e solidária;
II - GARANTIR o desenvolvimento nacional;
III - ERRADICAR a pobreza e a marginalização e REDUZIR as desigualdades sociais e regionais;
IV - PROMOVER o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação.
 
 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos 
povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
Os atos ilícitos praticados por Estados estrangeiros em violação a direitos humanos não gozam de 
imunidade de jurisdição. STJ. RO 109-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, 
julgado em 07/06/2022 (info 740).
DL 4657/42 - LINDB
 
Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente 
publicada. [PRINCÍPIO DA VIGÊNCIA SINCRÔNICA]
§ 1o Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia 3 meses depois 
de oficialmente publicada. 
14
ENTRADA EM VIGOR
BRASIL ESTADO ESTRANGEIRO
45 dias, salvo disposição em contrário 3 meses
 
§ 3º Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo 
deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
§ 4º As correções a texto de lei já em vigor CONSIDERAM-SE LEI NOVA.
 
LC 95/98. Art. 8º A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável 
para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua 
publicação"para as leis de pequena repercussão.
§ 1º A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a 
inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente à sua 
consumação integral.
§ 2º As leis que estabeleçam período de vacância deverão utilizar a cláusula ‘esta lei entra em vigor após 
decorridos (o número de) dias de sua publicação oficial’
 
 
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue 
[PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE OU PERMANÊNCIA]
§ 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível 
ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
§ 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, NÃO REVOGA NEM 
MODIFICA a lei anterior.
 
REVOGAÇÃO TOTAL6 Ab-rogação
REVOGAÇÃO PARCIAL Derrogação
REVOGAÇÃO EXPRESSA OU POR VIA DIRETA
A lei nova taxativamente declara revogada a lei 
anterior ou aponta os dispositivos que pretende 
retirar
REVOGAÇÃO TÁCITA OU POR VIA OBLÍQUA
A lei posterior é incompatível com a anterior, não 
havendo previsão expressa no texto a respeito da sua 
revogação
 
§ 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada NÃO SE RESTAURA por ter a lei revogadora perdido a 
vigência. [REPRISTINAÇÃO]
 
6Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2020
15
REPRISTINAÇÃO7
É um fenômeno legislativo no qual há a entrada novamente em vigor de uma norma efetivamente 
revogada, pela revogação da norma que a revogou.
A repristinação deve ser expressa dada a dicção do artigo 2º, § 3º da LINDB.
EFEITO REPRISTINATÓRIO / REPRISTINAÇÃO OBLÍQUA OU INDIRETA
É a reentrada em vigor de norma aparentemente revogada, ocorrendo quando uma norma que a revogou é 
declarada inconstitucional.
STF: “A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa 
competência de rejeição deferida ao STF, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação 
estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as consequências daí 
decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia das leis e das normas afetadas pelo ato declarado 
inconstitucional”
 
 
Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece [PRINCÍPIO DA 
OBRIGATORIEDADE DA NORMA]
 
CORRENTES DOUTRINÁRIAS QUE PROCURAM JUSTIFICAR O CONTEÚDO DA NORMA8
TEORIA DA FICÇÃO LEGAL
A obrigatoriedade foi instituída pelo ordenamento para a segurança jurídica.
TEORIA DA PRESUNÇÃO ABSOLUTA
Haveria uma dedução iure et de iure de que todos conhecem as leis.
TEORIA DA NECESSIDADE SOCIAL
Amparada, segundo Maria Helena Diniz, na premissa “de que as normas devem ser conhecidas para que 
melhor sejam observadas”, a gerar o princípio da vigência sincrônica da lei.
 
 
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios 
gerais de direito.
 
 
Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
 
 
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a 
coisa julgada. [PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE]
8Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2020
7Informações retiradas do site www.dizerodireito.com.br
16
§ 1º Reputa-se ATO JURÍDICO PERFEITO o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. 
§ 2º Consideram-se ADQUIRIDOS assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer, como 
aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a 
arbítrio de outrem. 
§ 3º Chama-se COISA JULGADA ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.
 
 
Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da 
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família
 
Estatuto pessoal: Pressupõe compatibilidade interna, chamada de filtragem constitucional. Somente é 
possível aplicar a lei do domicílio se houver compatibilidade com o ordenamento interno.
 
§ 1º Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos 
dirimentes e às formalidades da celebração.
§ 2º O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares DO PAÍS 
DE AMBOS os nubentes.
§ 3º Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do 1° domicílio 
conjugal.
§ 4º O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio, e, 
se este for diverso, a do 1° domicílio conjugal.
§ 5º O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa anuência de seu cônjuge, 
requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de 
comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro.
§ 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros, só será reconhecido 
no Brasil depois de 1 ano da data da sentença, salvo se houver sido antecedida de separação judicial por 
igual prazo, caso em que a homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para 
a eficácia das sentenças estrangeiras no país. O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, 
poderá reexaminar, a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de 
sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais. 
 
Com a Emenda Constitucional 66, de 13 de julho de 2010, que instituiu o divórcio direto, a homologação de 
sentença estrangeira de divórcio para alcançar eficácia plena e imediata não mais depende de decurso 
de prazo, seja de um ou três anos, bastando a observância das condições gerais estabelecidas na Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e no Regimento Interno do STJ.(SEC 4.445/EX, Rel. Ministro 
RAUL ARAÚJO, CORTE ESPECIAL, julgado em 06/05/2015, DJe 17/06/2015)9
 
§ 7º Salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não 
emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda.
§ 8º Quando a pessoa não tiver domicílio, considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou 
naquele em que se encontre.
9Informações retiradas do site www.dizerodireito.com.br
17
 Art. 8º [LEX SITUA] Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país 
em que estiverem situados.
§ 1º Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens móveis que ele 
trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.
§ 2º O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa 
apenhada.
 
 
Art. 9º Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.
§ 1º Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial, será esta observada, 
admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato.
§ 2º A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.
 
Art. 9, LINDB4 Art. 435, CC
A obrigação resultante do contrato reputa-se 
constituída no lugar em que residir o proponente.
Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que 
foi proposto.
norma de direito internacional privado norma de direito interno
aplicado a contratos em que as partes estão em 
Estados diferentes
 aplicada às partes residentes no Brasil.Art. 10. A SUCESSÃO POR MORTE OU POR AUSÊNCIA obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou 
o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
§ 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei brasileira em benefício do 
cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente, sempre que não lhes seja mais favorável a lei 
pessoal do de cujus. 
 
Na forma do art. 10, §1º, da LINDB e art. 5º, XXXI, da CF88, aplicar-se-á nesse processo a norma mais benéfica, 
entre a brasileira e a do domicílio do de cujus, ao cônjuge ou filhos brasileiros, ou daqueles que os 
representem. A doutrina vem denominando esta situação de Princípio do Prélèvement. (FIGUEIREDO, 
Luciano e FIGUEIREDO, Roberto. Direito Civil. 6ª ed. Bahia: Juspodivm, 2016, p. 77).
*Informações retiradas do site www.dizerodireito.com.br
 
§ 2º A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
 
LEI DO PAÍS DO DOMICÍLIO DA PESSOA
1. Começo e fim da personalidade;
2. Nome;
3. Capacidade;
4. Direitos de família;
18
5. Penhor.
LEI DO PAÍS DA SITUAÇÃO DOS BENS
Qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes.
LEI DO PAÍS DO DOMICÍLIO DO PROPRIETÁRIO
Bens móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.
LEI DO PAÍS EM QUE SE CONSTITUÍREM
Qualificar e reger as obrigações.
LEI DO PAÍS EM QUE DOMICILIADO O DEFUNTO OU O DESAPARECIDO
Sucessão por morte ou por ausência.
 
 
Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e as fundações, obedecem 
à lei do Estado em que se constituírem.
§ 1º Não poderão, entretanto, ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes de serem os atos 
constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à lei brasileira.
§ 2º Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles tenham constituído, 
dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptíveis 
de desapropriação.
§ 3º Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos 
representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. 
 
 
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui 
tiver de ser cumprida a obrigação.
§ 1º Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil.
§ 2º A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pela lei 
brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente, observando a lei desta, quanto ao 
objeto das diligências.
 
 
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos 
meios de produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.
 
Art. 376. A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor e 
a vigência, se assim o juiz determinar.
19
Não viola a ordem pública brasileira o compartilhamento direto de dados bancários pelos órgãos 
investigativos mesmo que, no Estado (país) de origem, essas informações tenham sido obtidas sem prévia 
autorização judicial, se a reserva de jurisdição não é exigida pela legislação local. STJ. 5ª Turma. AREsp 
701.833/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 04/05/2021 (Info 695)
 
 
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência.
 
 
Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes requisitos:
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi 
proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo STJ. 
 
Art. 961. A decisão estrangeira somente terá eficácia no Brasil após a homologação de sentença estrangeira 
ou a concessão do exequatur às cartas rogatórias, salvo disposição em sentido contrário de lei ou tratado.
A lei ou tratado internacional poderá facilitar ou dispensar a homologação de sentença estrangeira ou a 
concessão do exequatur. Ex: a sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos no Brasil, 
independentemente de homologação pelo STJ (§ 5º do art. 961 do CPC/2015).10
 
REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO DE DECISÃO ESTRANGEIRA
LINDB CPC/15
a) haver sido proferida por juiz competente;
b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente 
verificado à revelia;
c) ter passado em julgado e estar revestida das 
formalidades necessárias para a execução no lugar 
em que foi proferida;
d) estar traduzida por intérprete autorizado;
e) ter sido homologada pelo STJ. 
I - ser proferida por autoridade competente;
II - ser precedida de citação regular, ainda que 
verificada a revelia;
III - ser eficaz no país em que foi proferida;
IV - não ofender a coisa julgada brasileira;
V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo 
disposição que a dispense prevista em tratado;
VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública.
 
 
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a 
disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei.
 
10Informações retiradas do site www.dizerodireito.com.br
20
A TEORIA DO REENVIO, também conhecida como TEORIA DO RETORNO ou DA DEVOLUÇÃO é uma forma 
de interpretação de normas do Direito Internacional Privado, de forma que haja substituição da lei 
nacional pela lei estrangeira, de modo pelo qual seja desprezado o elemento de conexão da ordenação 
nacional, dando preferência ao apontado pelo ordenamento jurídico alienígena.
Esse instituto é utilizado sempre que ocorrer problemas nas interpretações de ordem internacional, 
servindo como meio importante de resolução de conflitos, e sempre que for necessário que o juiz aplique 
direito estrangeiro.
O reenvio é uma interpretação que desconsidera a norma material da regra de conexão e aplica o direito 
internacional privado estrangeiro para chegar à nova norma material, geralmente de âmbito nacional.
O reenvio pode ser dividido em 3 graus:
1° grau: consiste em dois países, onde o primeiro remete uma legislação ao segundo país, que por sua vez 
reenvia ao primeiro;
2° grau: compõe-se por três países, onde o primeiro envia sua legislação ao segundo que a reenvia ao 
terceiro;
3° grau: formado por quatro países, no qual o primeiro remete a legislação ao segundo, que por sua vez 
encaminha ao terceiro e finalmente reenvia ao quarto.
Nesse sentido, o artigo 16 da LINDB proíbe o juiz nacional de aplicar o reenvio, cabendo apenas a 
aplicação do Direito Internacional Privado brasileiro para determinar o direito material cabível, ficando a cargo 
de estrangeiro, se houver, a aplicação do reenvio.11
 
 
Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não terão eficácia 
no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes.
 
 
Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o 
casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos 
filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado. 
§ 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio 
consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos 
legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição e 
à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda,ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu 
nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento
§ 2º É INDISPENSÁVEL a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a 
subscrição de petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua 
advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública. 
 
 
Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules brasileiros na 
vigência do Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, desde que satisfaçam todos os requisitos legais.
11http://sabendoodireito.blogspot.com/2013/12/reenvio-artigo-16.html?m=1
21
Parágrafo único. No caso em que a celebração desses atos tiver sido recusada pelas autoridades consulares, 
com fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei, ao interessado é facultado renovar o pedido dentro em 90 
dias contados da data da publicação desta lei. 
 
 
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos 
abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da 
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis 
alternativas.
 
 
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato, 
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências 
jurídicas e administrativas.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as 
condições para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos 
interesses gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das 
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos.
 
 
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as 
dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos 
administrados.
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado 
a ação do agente.
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos 
que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os 
antecedentes do agente.
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma 
natureza e relativas ao mesmo fato.
 
 
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação 
nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, 
deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de 
direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.
 
 
Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, 
ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as 
22
orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se 
declarem inválidas situações plenamente constituídas.
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos 
de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática 
administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.
 
 
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito 
público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão 
jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse 
geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá 
efeitos a partir de sua publicação oficial.
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo:
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais;
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por 
orientação geral;
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções 
aplicáveis em caso de descumprimento.
 
 
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá impor 
compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo ou da 
conduta dos envolvidos.
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento, sua 
forma e, se for o caso, seu valor.
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os 
envolvidos.
 
 
Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo 
ou erro grosseiro.
 
 
Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de 
mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados, 
preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta pública, 
observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver.
 
 
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das 
normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.
23
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao 
órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.
CÓDIGO PENAL
CONCEITO DE DIREITO PENAL12
ASPECTO FORMAL ou ESTÁTICO
▸ Direito Penal é o conjunto de normas que qualifica certos comportamentos humanos como infrações 
penais, define os seus agentes e fixa sanções a serem-lhes aplicadas.
ASPECTO MATERIAL
▸ O Direito Penal refere-se a comportamentos considerados altamente reprováveis ou danosos ao 
organismo social, afetando bens jurídicos indispensáveis à própria conservação e progresso da sociedade.
ASPECTO SOCIOLÓGICO ou DINÂMICO
▸ O Direito Penal é mais um instrumento de controle social, visando assegurar a necessária disciplina para a 
harmônica convivência dos membros da sociedade.
▸ Aprofundando o enfoque sociológico
- A manutenção da paz social demanda a existência de normas destinadas a estabelecer diretrizes.
- Quando violadas as regras de conduta, surge para o Estado o dever de aplicar sanções (civis ou penais).
- Nessa tarefa de controle social atuam vários ramos do direito, como o Direito Civil, Direito Administrativo, 
etc. O Direito Penal é apenas um dos ramos do controle social.
- Quando a conduta atenta contra bens jurídicos especialmente tutelados, merece reação mais severa por 
parte do Estado, valendo-se do Direito Penal.
IMPORTANTE: O que diferencia a norma penal das demais é a espécie de consequência jurídica, ou 
seja, pena privativa de liberdade (PPL)
- O Direito Penal é norteado pelo princípio da intervenção mínima, só atuando quando os outros ramos do 
direito falham.
DIREITO PENAL
CRIMINOLOGIA
(CIÊNCIA PENAL)
POLÍTICA CRIMINAL
(CIÊNCIA POLÍTICA)
Analisa os fatos humanos 
indesejados, define quais devem 
ser rotulados como crime ou 
contravenção, anunciando as 
penas.
Ciência empíricaque estuda o 
crime, o criminoso, a vítima e o 
comportamento da sociedade.
Trabalha as estratégias e os 
meios de controle social da 
criminalidade.
Ocupa-se do crime enquanto 
NORMA.
Ocupa-se do crime enquanto 
FATO social.
Ocupa-se do crime enquanto 
VALOR.
12Tabelas de Direito Penal foram produzidas a partir de aulas do Professor Rogério Sanches
24
ex.: define como crime lesão no 
ambiente doméstico e familiar.
ex.: quais fatores contribuem para 
a violência doméstica e familiar
ex.: estuda como diminuir a 
violência doméstica e familiar.
CONCEITO DE DIREITO PENAL
PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM A MISSÃO FUNDAMENTAL DO DIREITO PENAL
PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DOS BENS JURÍDICOS
▸ O direito penal deve servir apenas para proteger bens jurídicos relevantes, indispensáveis ao convívio da 
sociedade.
▸ Decorrência do princípio da ofensividade.
PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA
▸ O Direito Penal só deve ser aplicado quando estritamente necessário, de modo que sua intervenção fica 
condicionada ao fracasso das demais esferas de controle (caráter subsidiário), observando somente os 
casos de relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado (caráter fragmentário).
▸ PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE (ou caráter fragmentário do Direito Penal): estabelece que nem 
todos os ilícitos configuram infrações penais, mas apenas os que atentam contra valores fundamentais 
para a manutenção e o progresso do ser humano e da sociedade. Em razão de seu caráter fragmentário, o 
Direito Penal é a última etapa de proteção do bem jurídico. Deve ser utilizado no plano abstrato, para o fim 
de permitir a criação de tipos penais somente quando os demais ramos do Direito tiverem falhado na tarefa 
de proteção de um bem jurídico. Refere-se, assim, à atividade legislativa.
▸ FRAGMENTARIEDADE ÀS AVESSAS: situações em que um comportamento inicialmente típico deixa de 
interessar ao Direito Penal, sem prejuízo da sua tutela pelos demais ramos do Direito.
IMPORTANTE: O princípio da insignificância é desdobramento lógico da fragmentariedade.
▸ PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE: a atuação do Direito Penal é cabível unicamente quando os outros 
ramos do Direito e os demais meios estatais de controle social tiverem se revelado impotentes para o 
controle da ordem pública. Assim, o Direito Penal funciona como um executor de reserva (ultima ratio), 
entrando em cena somente quando outros meios estatais de proteção mais brandos, e, portanto, menos 
invasivos da liberdade individual não forem suficientes para a proteção do bem jurídico tutelado. Projeta-se no 
plano concreto, isto é, em sua atuação prática o Direito Penal somente se legitima quando os demais meios 
disponíveis já tiverem sido empregados, sem sucesso, para proteção do bem jurídico. Guarda relação, 
portanto, com a tarefa de aplicação da lei penal.
PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM O FATO DO AGENTE
PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO
▸ O Estado só pode incriminar condutas humanas voluntárias, isto é, fatos.
ATENÇÃO: Veda-se o Direito Penal do autor: consistente na punição do indivíduo baseada em seus 
pensamentos, desejos e estilo de vida. Conclusão: O Direito Penal Brasileiro segue Direito Penal do Fato.
▸ RESQUÍCIOS DE DIREITO PENAL DO AUTOR NO DIREITO BRASILEIRO: Até 2009, mendicância era 
contravenção penal; Vadiagem é contravenção penal.
25
ATENÇÃO: Identifica-se a aplicação do direito penal do autor em detrimento ao direito penal do fato: 
- Fixação da pena
- Regime de cumprimento da pena e espécies de sanção.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Art. 5º , II, C.F. – “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”
Art. 5º, XXXIX, C.F. – “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;”
Art. 1º, C.P. - “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.”
▸ DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE:
a) não há crime ou pena sem lei (medida provisória não pode criar crime, nem cominar pena)
b) não há crime ou pena sem lei anterior (princípio da anterioridade)
c) não há crime ou pena sem lei escrita (proíbe costume incriminador)
d) não há crime ou pena sem lei estrita (proíbe-se a utilização da analogia para criar tipo incriminador - 
analogia in malam partem).
e) não há crime ou pena sem lei certa (Princípio da Taxatividade ou da determinação; Proibição de criação 
de tipos penais vagos e indeterminados)
f) não há crime ou pena sem lei necessária (desdobramento lógico do princípio da intervenção mínima)
 
▸ Fundamentos do Princípio da Legalidade
- JURÍDICO: taxatividade, certeza ou determinação.
- POLÍTICO: garantia contra a devida ingerência no Estado na vida particular.
- HISTÓRICO: Magna Carta (1215)
- DEMOCRÁTICO: separação dos poderes
PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE/LESIVIDADE
▸ Exige que do fato praticado ocorra lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.
▸ Somente condutas que causem lesão (efetiva/potencial) a bem jurídico, relevante e de terceiro, podem estar 
sujeitas ao Direito Penal.
-CRIME DE DANO: ocorre efetiva lesão ao bem jurídico. Ex: homicídio.
-CRIME DE PERIGO: basta risco de lesão ao bem jurídico. Ex.: embriaguez ao volante; porte de arma.
a) Perigo abstrato: o risco de lesão é absolutamente presumido por lei.
b) Perigo concreto:
● De vítima determinada: o risco deve ser demonstrado indicando pessoa certa em perigo.
● De vítima difusa: o risco deve ser demonstrado dispensando vítima determinada.
PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM O AGENTE DO FATO
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL
▸ Proíbe-se o castigo pelo fato de outrem. Está vedada a responsabilidade penal coletiva.
▸ DESDOBRAMENTOS:
a) Obrigatoriedade da individualização da acusação (é proibida a denúncia genérica, vaga ou evasiva). O 
26
Promotor de Justiça deve individualizar os comportamentos. OBS: Nos crimes societários, os Tribunais 
Superiores flexibilizam essa obrigatoriedade.
b) Obrigatoriedade da individualização da pena (é mandamento constitucional, evitando responsabilidade 
coletiva).
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA
▸ Não basta que o fato seja materialmente causado pelo agente, ficando a sua responsabilidade condicionada 
à existência da voluntariedade (dolo/culpa). Está proibida a responsabilidade penal objetiva, isto é, sem 
dolo ou culpa.
▸ Temos doutrina anunciando CASOS DE RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA (autorizadas por lei):
1- Embriaguez voluntária
Crítica: a teoria da actio libera in causa exige não somente uma análise pretérita da imputabilidade, mas 
também da consciência e vontade do agente.
2- Rixa Qualificada
Crítica: só responde pelo resultado agravador quem atuou frente a ele com dolo ou culpa, evitando-se 
responsabilidade penal objetiva.
3- Responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes ambientais
PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE
▸ Postulado limitador do direito de punir.
▸ Só pode o Estado impor sanção penal ao agente imputável, isto é, penalmente capaz, com potencial 
consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer o caráter ilícito do comportamento), quando dele exigível 
conduta diversa.
PRINCÍPIO DA ISONOMIA
▸ A isonomia que se garante é a isonomia substancial. Deve-se tratar de forma igual o que é igual, e 
desigualmente o que é desigual.
PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA
▸ Convenção Americana de Direitos Humanos - Artigo 8º .2: “Toda pessoa acusada de um delito tem direito a 
que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo, 
toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:”
Art. 5º, LVII C.F. – “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória;”
PRINCÍPIOS RELACIONADOS COM A PENA
PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
▸ A ninguém pode ser imposta pena ofensiva à dignidade da pessoa humana, vedando-se a sanção indigna, 
cruel, desumana e degradante.
27
PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA▸ A individualização da pena deve ser observada em 3 momentos:
1- FASE LEGISLATIVA: observada pelo legislador no momento da definição do crime e na cominação de sua 
pena. Pena abstrata.
2- FASE JUDICIAL: observada pelo juiz na fixação da pena. Pena concreta.
3- FASE DE EXECUÇÃO: garantindo-se a individualização da execução penal (art. 5°, LEP).
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
▸ Trata-se de princípio constitucional implícito (desdobramento da individualização da pena).
Curiosidade: foi durante o Iluminismo, marcado pela obra “Dos delitos e das penas” (Beccaria) que se 
despertou maior atenção para a proporcionalidade na resposta estatal (Beccaria propunha a retribuição 
proporcional).
RESUMO: a pena deve ajustar-se à gravidade do fato, sem desconsiderar as condições do agente.
▸ Dupla face do princípio da proporcionalidade (Lenio Streck):
1a Face: IMPEDIR A HIPERTROFIA DA PUNIÇÃO; GARANTISMO NEGATIVO (Ferrajoli); Garantia do 
indivíduo contra o Estado.
2a Face: Evitar a insuficiência da intervenção do Estado (EVITAR PROTEÇÃO DEFICIENTE); Imperativo de 
tutela; GARANTISMO POSITIVO (Ferrajoli); Garantia do indivíduo em ver o Estado protegendo bens 
jurídicos com eficiência.
PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE
“Artigo 5º, XLV CF – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano 
e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles 
executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.”
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO “BIS IN IDEM”
▸ Veda-se segunda punição pelo mesmo fato.
▸ Exceção: Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, 
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas – possibilidade do sujeito ser processado duas 
vezes pelo mesmo fato.
JURISPRUDÊNCIA EM TESES DO STJ
EDIÇÃO N. 219: PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
1) A aplicação do princípio da insignificância requer a presença cumulativa das seguintes condições 
objetivas: 
a) mínima ofensividade da conduta do agente; 
b) nenhuma periculosidade social da ação; 
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente; e 
d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.
28
2) A reiteração delitiva, a reincidência e os antecedentes, EM REGRA, afastam a aplicação do princípio da 
insignificância, por ausência de reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente.
3) É possível aplicar, EXCEPCIONALMENTE, o princípio da insignificância, inclusive nas hipóteses de reiteração 
delitiva, reincidência ou antecedentes, se as peculiaridades do caso concreto evidenciarem inexpressividade 
da lesão jurídica provocada e reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento do agente.
4) É INAPLICÁVEL o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a 
mulher no âmbito das relações domésticas (Súmula n. 589/STJ).
5) Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito 
tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 
da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da 
Fazenda (Tese revisada sob o rito do art. 1.046 do CPC/2015 - TEMA 157).
6) É POSSÍVEL aplicar o parâmetro estabelecido no Tema n. 157/STJ, para fins de incidência do princípio da 
insignificância no patamar estabelecido pela União aos tributos dos demais entes federados, quando existir 
lei local no mesmo sentido da lei federal.
7) Não se aplica o princípio da insignificância ao delito previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997.
● Art. 183. Desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicações:
Pena - detenção de dois a quatro anos, aumentada da metade se houver dano a terceiro, e multa de R$ 
10.000,00 (dez mil reais).
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, direta ou indiretamente, concorrente para o crime.
8) Os delitos de porte ou posse de munição, de uso permitido ou restrito, são crimes de mera conduta e 
de perigo abstrato, em que se presume a potencialidade lesiva e, por isso, EM REGRA, não é aplicável o 
princípio da insignificância.
9) É POSSÍVEL aplicar o princípio da insignificância aos delitos de porte ou posse de munição de uso 
permitido ou restrito, DESDE QUE a quantidade apreendida seja pequena e esteja desacompanhada de 
armamento apto ao disparo e as circunstâncias do caso concreto demonstrem a ausência de lesividade da 
conduta.
10) NÃO É POSSÍVEL aplicar o princípio da insignificância aos delitos de porte ou posse de munição, de uso 
permitido ou restrito, AINDA QUE em pequena quantidade e desacompanhada de armamento apto ao 
disparo, se a apreensão acontecer no contexto do cometimento de outro crime.
EDIÇÃO N. 220: PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA II
1) O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública (Súmula n. 599/STJ).
29
2) É possível, EXCEPCIONALMENTE, afastar a incidência da Súmula n. 599/STJ para aplicar o princípio da 
insignificância aos crimes praticados contra a administração pública quando for ínfima a lesão ao bem 
jurídico tutelado.
3) O princípio da insignificância é inaplicável ao crime de estelionato cometido contra a administração 
pública, uma vez que a conduta ofende o patrimônio público, a moral administrativa e a fé pública, e possui 
elevado grau de reprovabilidade.
4) A obtenção de vantagem econômica indevida mediante fraude ao programa do seguro-desemprego 
afasta a aplicação do princípio da insignificância.
5) O princípio da insignificância não se aplica aos crimes de apropriação indébita previdenciária e de 
sonegação de contribuição previdenciária, pois esses tipos penais protegem a própria subsistência da 
Previdência Social.
6) Não se aplica o princípio da insignificância aos crimes previstos na Lei n. 7.492/1986, diante da 
necessidade de maior proteção à credibilidade, estabilidade e higidez do Sistema Financeiro Nacional.
7) Nos crimes ambientais, é cabível a aplicação do princípio da insignificância como causa excludente de 
tipicidade da conduta, DESDE QUE presentes os seguintes requisitos: conduta minimamente ofensiva, 
ausência de periculosidade do agente, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e lesão 
jurídica inexpressiva.
8) É inaplicável o princípio da insignificância ao delito de violação de direito autoral.
9) É inaplicável o princípio da insignificância na conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas, diante da 
reprovabilidade e ofensividade do delito.
10) Não é possível aplicar o princípio da insignificância ao crime de dano qualificado ao patrimônio público, 
diante da lesão a bem jurídico de relevante valor social, que afeta toda a coletividade.
EDIÇÃO N. 221: PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA III
1) Para fins de aplicação do princípio da insignificância na hipótese de furto, é imprescindível compreender a 
distinção entre valor irrisório e pequeno valor, uma vez que o primeiro exclui o crime (fato atípico) e o 
segundo pode caracterizar furto privilegiado.
2) A lesão jurídica resultante do crime de furto, em regra, não pode ser considerada insignificante quando o 
valor dos bens subtraídos for superior a 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos.
3) A restituição da res furtiva à vítima não constitui, por si só, motivo suficiente para a aplicação do 
princípio da insignificância.
30
4) Não se aplica o princípio da insignificância ao crime de furto praticado com corrupção de filho menor, 
AINDA QUE o bem possua inexpressivo valor pecuniário, pois as características dos fatos revelam elevado 
grau de reprovabilidade do comportamento.
5) A prática de furto qualificado, em regra, afasta a aplicação do princípio da insignificância, por revelar, a 
depender do caso, maior periculosidade social da ação e/ou elevado grau de reprovabilidade do 
comportamento do agente.
6) É possível aplicar o princípio da insignificância ao crime

Mais conteúdos dessa disciplina