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Modelos ideais de motores térmicos (ciclos teóricos) Você entenderá o ciclo-padrão a ar Otto, a ar Diesel e a ar misto, bem com a comparação de eficiência entre eles. Prof. Gustavo Simão Rodrigues 1. Itens iniciais Propósito Os motores de combustão interna funcionam principalmente com gasolina e Diesel. As reações químicas que ocorrem no interior da câmara de combustão são extremamente complexas e difíceis de modelar matematicamente para calcular o desempenho do motor. Conhecer o comportamento termodinâmico dos ciclos-padrão a ar é fundamental para entender e analisar qualitativamente a performance dos motores durante o funcionamento real de operação. Objetivos Reconhecer as características do ciclo-padrão a ar Otto. Reconhecer as características do ciclo-padrão a ar Diesel. Reconhecer as características do ciclo-padrão a ar misto. Comparar a eficiência entre os ciclos-padrão a ar Otto e Diesel. Introdução Antes de começarmos, assista ao vídeo e compreenda os conceitos de modelos ideais de motores térmicos (ciclos teóricos). Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. • • • • 1. Volume constante (Otto) As características do ciclo-padrão a ar Otto No vídeo a seguir, apresentaremos o ciclo de Otto, discutiremos as transformações termodinâmicas existentes no ciclo de Otto e falaremos sobre fluido ativo e ciclo-padrão a ar Otto. Confira! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Fluido ativo Neste vídeo, vamos conferir o conceito de fluido ativo e as hipóteses científicas que descrevem o comportamento desse fluido. Confira! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O fluido ativo (FA) que se encontra na câmara de combustão dos motores de ignição por centelha (ICE) é composto pelo ar, pelo combustível e por resíduos da combustão anterior que variam de acordo com o ajuste e o funcionamento do motor. Por haver esse composto tão complexo, é extremamente difícil analisar o ciclo termodinâmico do FA teoricamente. Dessa forma, para tornar mais fácil o estudo e analisar qualitativamente o processo e, em alguns casos, quantitativamente, o ciclo real é associado a um ciclo-padrão. Isso levando em consideração algumas simplificações que mantenham certa semelhança do ciclo real com o ciclo-padrão e, assim, possa ser feita uma aplicação termodinâmica. A primeira suposição é que o fluido ativo é ar puro, de onde vem a denominação ciclo-padrão a ar. Vamos conferir outras suposições! O ar é um gás ideal. Não há entrada nem saída de ar. Essa suposição permite o emprego da primeira lei da termodinâmica, que é o princípio da conservação da energia para os sistemas termodinâmicos. Tanto o processo de compressão quanto o de expansão são isentrópicos, isto é, adiabáticos (sem troca de calor) e reversíveis. A combustão em si é considerada como um fornecimento de calor ao FA a partir de uma fonte quente. O fornecimento pode ser a volume constante ou a pressão constante ou a combinação de volume e pressão constantes, dependendo do ciclo. Para que o ciclo volte às condições iniciais, o calor é retirado por uma fonte fria, em um processo a volume constante. Todos os processos são tidos como reversíveis. Como, por hipótese, o FA é o ar e é considerado um gás perfeito, temos que o calor específico a volume constante ( ) e o calor específico a pressão constante ( ) valem: • • • • • • Como pela definição do calor específico o volume constante é a variação da energia interna em relação à temperatura, temos: Podemos concluir que: Ou então: Da mesma forma, a definição do calor específico a pressão constante é a variação da entalpia em relação à temperatura: Sendo assim: Ou então: Além disso, a equação de estado dos gases perfeitos também é válida: Em que é a constante do gás, que, para o ar, é igual a 287 J/kgK= 29,3 kgfm/kgK. Ciclo-padrão a ar Otto Neste vídeo, vamos ampliar os conhecimentos a respeito do ciclo termodinâmico de Otto, compreendendo as evoluções da mistura gasosa por meio do gráfico pressão x volume para esse ciclo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os motores a ignição por centelha funcionam com o chamado ciclo Otto. O nome é uma homenagem ao inventor, físico e engenheiro alemão Nikolaus August Otto, que criou o motor de ignição interna quatro tempos e batizou com seu nome o ciclo termodinâmico associado. A imagem a seguir representa o diagrama de pressão (P) em função do volume (V) de um motor ciclo Otto real, denominado diagrama P-V. Esse gráfico é obtido experimentalmente por meio de um pressostato (medidor de pressão) no interior do cilindro. Pode-se observar os quatro tempos do motor (admissão- compressão-expansão-escapamento) de acordo com o deslocamento do pistão do ponto morto inferior (PMI) ao ponto morto superior (PMS). Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Diagrama P-V. Quando todas as suposições do ciclo-padrão a ar listadas anteriormente são consideradas, obtém-se o diagrama P-V, assim como o diagrama temperatura-entropia (T-S). Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. (a) Diagrama P-V do início de um ciclo térmico padrão e (b) Diagrama temperatura-entropia do início de um ciclo térmico padrão. Nos diagramas P-V e T-S, as propriedades (volume e entropia) presentes no eixo das abscissas são propriedades termodinâmicas extensivas. Veja a diferença entre as duas propriedades: Uma forma fácil de distinguir as propriedades extensivas das intensivas é dividir o sistema ao meio. Caso a propriedade tenha seu valor dividido pela metade, é uma propriedade extensiva, como o volume. Caso não seja alterada a propriedade, trata-se de uma propriedade intensiva, como a temperatura. Observe a imagem a seguir. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Para transformar uma propriedade extensiva em intensiva, basta dividir a propriedade pela massa e dessa forma obter a propriedade específica. O volume, por exemplo, quando dividido pela massa, obtém-se o volume específico. Confira a fórmula! Extensivas São aquelas que dependem da massa do FA. Intensivas São aquelas que não dependem da massa do FA. Veja um exemplo: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Padroniza-se que as propriedades específicas são escritas em letras minúsculas e as propriedades extensivas em letras maiúsculas. Mesmo os parâmetros de calor (Q) e trabalho (W) não sendo propriedades do sistema, a nomenclatura é mantida, ou seja, o calor por unidade de massa é dado por: E o trabalho por unidade de massa é: Fazendo a conversão das propriedades extensivas para as propriedades intensivas nos diagramas P-V e T-S, obtemos os gráficos a seguir. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Diagramas de propriedades intensivas: P-V (à esquerda) e T-S (à direita). Agora, vamos analisar os quatro processos das imagens: 1 – 2: Processo de compressão isentrópica. No diagrama P-V, essa curva é definida pela expressão constante, sendo o índice politrópico, definido como a razão entre o calor específico e a pressão constante, , e o calor específico a volume constante, , do FA. Já no diagrama T-S, o processo 1 – 2 é uma reta vertical (entropia constante). 2 – 3: Processo de fornecimento de calor a volume constante (isocórico) simulando o calor liberado pelo combustível na combustão, levando em consideração que todo calor é fornecido quando o pistão está no ponto morto superior. 3 – 4: Processo de expansão isentrópica. Também vale a expressão no diagrama P-V. 4 – 1: Processo de remoção de calor a volume constante, simulando o calor rejeitado pela válvula de escapamento aberta, com uma queda brusca de pressão. O trabalho útil, , do ciclo é definido pela área 1-2-3-4 do diagrama P-V. Já o calor útil é representado pela área 1-2-3-4do diagrama T-S, sendo . Como uma das suposições é que não existe admissão nem escapamento, a primeira lei da termodinâmica é referida a um sistema, e não a um volume de controle. Dessa forma, podemos afirmar que: Onde é a energia interna do sistema. Como para um ciclo , temos que: Esse desfecho está em consonância com a segunda lei da termodinâmica, que, em se tratando de máquinas térmicas, diz não ser possível existir uma máquina térmica cíclica em que todo o calor recebido pela fonte quente seja transformado em trabalho. Isto é, sempre haverá uma rejeição de calor para uma fonte fria. • • • • Esquema visual do funcionamento de uma máquina térmica. Por esse motivo, define-se a eficiência térmica, , de um motor térmico cíclico. Veja: Empregando a nomenclatura do diagrama P-V, temos que: Como, pela definição da segunda lei da termodinâmica, não pode ser igual a zero, a eficiência térmica nunca poderá ser 1 ou 100%. O ciclo termodinâmico que possui a maior eficiência térmica é o ciclo de Carnot, representado na imagem a seguir. Ciclo térmico de Carnot. Esse ciclo é formado por dois processos adiabáticos (B–C e D–A) e dois processos isotérmicos (C–D e A–B). Para o ciclo de Carnot, a eficiência térmica é dada por: Em que e são as temperaturas absolutas (em Kelvin) das fontes fria e quente, respectivamente. Dessa forma, todos os outros ciclos termodinâmicos terão eficiência térmica menor que a do ciclo de Carnot, assim como qualquer motor de combustão interna. A eficiência térmica do ciclo-padrão a ar Otto também pode ser escrita como: Em que é a taxa de compressão do motor e o coeficiente politrópico. A imagem a seguir mostra a variação da eficiência térmica em função da taxa de compressão para FA com alguns valores do coeficiente politrópico. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Comparação da plotagem de eficiência térmica, tendo como variável a compressão. Verificando o aprendizado Questão 1 Um inventor que não estudou as propriedades termodinâmicas dos ciclos-padrão a ar, resolveu criar um motor de combustão interna baseado no ciclo Otto com alto rendimento. Dentre as premissas a seguir, assinale a opção que apresenta deficiência ao tentar aumentar o rendimento térmico do motor. A Aumentar o fornecimento de calor no FA. B Aumentar a taxa de compressão. C Reduzir a temperatura de escapamento. D Eliminar o calor rejeitado. E Aumentar o coeficiente politrópico do FA. A alternativa D está correta. Não existe máquina térmica com 100% de aproveitamento. Isso quer dizer que não existe uma máquina térmica capaz de transformar toda a energia térmica em trabalho. E o que comprova essa constatação é a segunda lei da termodinâmica. Questão 2 Considere um motor de combustão interno revolucionário que funciona aproximadamente com o ciclo de Carnot. Esse motor possui uma temperatura de combustão de 1800ºC. Sabendo que o rendimento térmico é de 45%, qual é a temperatura do escapamento? A 810oC B 867oC C 990oC D 1140oC E 1344oC A alternativa B está correta. Para o ciclo de Carnot, a eficiência térmica é dada por: Com as temperaturas absolutas (em Kelvin), temos: Abastecimento de combustível diesel. 2. Pressão constante (Diesel) As características de funcionamento do ciclo-padrão a ar Diesel Neste vídeo, vamos conferir os conceitos científicos e as características de funcionamento do ciclo de Diesel. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Ciclo-padrão a ar Diesel O ciclo-padrão a ar que simula o ciclo real do motor de ignição por compressão é apresentado a seguir nos diagramas P-V e T-S. A única diferença do ciclo-padrão a ar Diesel para o ciclo-padrão a ar Otto é que no ciclo- padrão a ar Diesel o fornecimento de calor é realizado a pressão constante (isobárico) em vez de volume constante (isocórico). No ciclo padrão a ar Diesel, o calor é fornecido a pressão constante, de 2 para 3 no diagrama pressão-volume (P-V) a seguir. No motor real, pode ser feita a associação à queima do combustível nesse momento quando o pistão está no ponto morto superior. Após isso, o pistão desloca-se para o ponto morto inferior (de 3 para 4) e ocorre uma expansão adiabática, ou seja, sem troca de energia, somente realização de trabalho. Trata-se de uma expansão isentrópica. De 4 para 1, ocorre a remoção de calor do ciclo a volume constante. No motor real, essa fase é semelhante à exaustão dos gases. De 1 para 2, ocorre a compressão adiabática do ar, ou seja, sem fornecimento ou perda de calor, somente trabalho é realizado sobre o gás. Trata-se de uma compressão isentrópica. E de 2 para 3 repete-se o ciclo. Veja o processo completo na imagem. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Ciclo padrão P-V e ciclo padrão T-S, de Diesel. Tanto na expansão quanto na compressão isentrópica, pode-se dizer que: e Além disso, e , logo: e Nos motores Diesel reais, como o representado na imagem a seguir, o patamar de pressão constante só é identificado em motores muito lentos. Dessa forma, os diagramas reais dos ciclos Otto e Diesel são muito semelhantes na prática. Veja no gráfico: Ciclo P-V real de Diesel. A eficiência térmica do ciclo-padrão a ar Diesel tem o mesmo princípio apresentado para o ciclo-padrão a ar Otto. Veja na fórmula: Entretanto, em termos de taxa de compressão, a eficiência térmica para o ciclo-padrão a ar Diesel é dada por: Onde é a razão de corte, que é a razão entre o volume ao fim da combustão pelo volume no início da combustão , é a taxa de compressão do motor e o coeficiente politrópico. A parcela entre colchetes na expressão anterior é sempre maior que um. Sendo assim, para uma mesma taxa de compressão, o ciclo Otto terá eficiência térmica sempre maior que o ciclo Diesel, ou seja, a combustão isocórica tem mais eficiência que a combustão isobárica. Em contrapartida, para uma mesma eficiência térmica, quando se compara os ciclos Otto e Diesel, este último sempre terá uma taxa de compressão maior quando comparado com o ciclo Otto. A imagem a seguir mostra de forma clara essa afirmação. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Comparação de eficiência térmica entre os ciclos de Otto e Diesel. Verificando o aprendizado Questão 1 Rudolf Christian Karl Diesel foi um engenheiro mecânico franco-alemão e inventor do motor a Diesel no século XIX. A principal característica que difere o ciclo Diesel do ciclo Otto é A o fornecimento de calor a pressão constante. B o fornecimento de calor a temperatura constante. C a rejeição de calor a volume constante. D a rejeição de calor a pressão constante. E a compressão e expansão isentrópica. A alternativa A está correta. Como pode ser observado nas imagens, as semelhanças do ciclo Otto e Diesel são: rejeição de calor a volume constante e compressão e expansão isoentrópica. Nenhum dos dois ciclos apresenta rejeição de calor a pressão constante e fornecimento de calor a temperatura constante. No ciclo Otto, o fornecimento de calor é a volume constante e no ciclo Diesel, o fornecimento de calor é a pressão constante. Ciclo padrão P-V e ciclo padrão T-S, de Diesel. Questão 2 A eficiência térmica é uma das principais características dos ciclos-padrão e busca-se aumentar ao máximo seu valor para que os motores de combustão interna apresentem melhores desempenhos. Para aumentar a eficiência térmica do ciclo-padrão a ar Diesel, deve-se A reduzir a taxa de compressão. B reduzir o coeficiente politrópico. C aumentar a rejeição de calor. D aumentar o fornecimento de calor. E aumentar a temperatura de escapamento. A alternativa D está correta. Sabemos que em um ciclo térmico existe uma porcentagem do calor que é convertida em trabalho, e outa que é rejeitada, "escoando" pela fonte fria. Essa porcentagem não se altera durante a repetição do ciclo, sendo assim, para que haja mais realização de trabalho, e porsua vez, maior eficiência, é necessário aumentar o fornecimento de calor ao sistema. Motor a combustão - ignição 3. Pressão Limitada (dual) Conceitos do ciclo-padrão a ar misto ou Sabathé Neste vídeo, vamos conferir os conceitos científicos teóricos relativos ao ciclo-padrão a ar misto, também conhecido como Sabathé. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Ciclo-padrão a ar misto No mundo real, nem o motor a combustão por ignição possui combustão isovolumétrica e nem o motor a combustão por compressão funciona a combustão a pressão constante. Em ambos os ciclos reais dos motores, observa-se uma repentina subida da pressão no início da combustão, que pode ser aproximada por um aumento de pressão isocórico e em seguida, observa-se uma curva com pressão constante. O ciclo termodinâmico que leva em consideração essas características é o ciclo misto, também conhecido como ciclo Sabathé. Conforme imagem adiante, o calor total fornecido é dividido em fornecimento a volume constante e a pressão constante . Nesse ciclo, assim como em todos os outros, a remoção de calor é feita a volume constante. Além disso, a compressão (1-2) e a expansão (4-5) são processos isoentrópicos, ou seja, valem as relações: e Também continuam valendo as considerações para calor específico a volume e calor específico a pressão para o ar: O que implica: E também: Resultando em: Aqui a equação de estado dos gases perfeitos também é válida. Veja: Na imagem a seguir, temos representado tanto o diagrama P-V quanto o diagrama T-S do ciclo Sabathé. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Ciclo Sabathé. À esquerda o diagrama P-V. à direita, o Diagrama T-S. Como podemos observar na imagem, a inclinação da curva de combustão (fornecimento de calor) a volume constante é maior que a inclinação da curva de combustão (fornecimento de calor) a pressão constante. A eficiência térmica do ciclo misto é indicada na formulação abaixo: Em que: : é a taxa de compressão. : é a razão . : é o coeficiente politrópico do FA. : é a razão de corte . Note que caso , o ciclo misto torna-se o ciclo Otto, já que : Já para o caso em que , o ciclo misto se torna o ciclo Diesel, já que : Vale comparar os gráficos da eficiência térmica dos ciclos-padrão a ar Otto, Diesel e misto (ou Sabathé), mostrado na imagem a seguir. Observa-se que o ciclo misto, para uma mesma taxa de compressão, apresenta eficiência térmica maior que do ciclo Diesel. Outra conclusão é que, para atingir uma mesma eficiência térmica, o ciclo Otto necessitará de uma baixa taxa de compressão, em seguida, o ciclo Misto e o ciclo Diesel que requer a maior taxa de compressão para a mesma eficiência térmica. Veja na imagem: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. • • • • Comparação de eficiência entre os ciclos Otto, Diesel e Sabathé. Verificando o aprendizado Questão 1 Nos motores de combustão interna, nem o ciclo-padrão a ar a volume constante e nem o ciclo-padrão a ar Diesel ocorrem durante o funcionamento do motor. Pode-se considerar que, de fato, ocorre A um repentino aumento de pressão a volume constante e um patamar de temperatura constante. B um repentino aumento de pressão a temperatura variável e um patamar de volume constante. C um repentino aumento de pressão a temperatura constante e um patamar de pressão constante. D um repentino aumento de pressão a volume variável e um patamar de temperatura constante. E um repentino aumento de pressão a volume constante e um patamar de pressão constante. A alternativa E está correta. No mundo real em qualquer ciclo de motores, há um repentino aumento de pressão no início da combustão (início do ciclo), que em geral, é considerado como um aumento de pressão isocórico. Em seguida, observa-se uma curva com pressão constante. O ciclo de Sabathé possui essas considerações apresentadas por um ciclo termodinâmico misto. Questão 2 O ciclo termodinâmico que mais se aproxima do funcionamento real de um motor de combustão interna é o ciclo misto, também conhecido como ciclo Sabathé. Dentre as afirmações abaixo, é uma característica do ciclo misto A o fornecimento de calor a pressão e a volume constantes. B a compressão e expansão isocóricas. C a compressão e expansão isovolumétricas. D a rejeição de calor a temperatura constante. E a rejeição de calor a pressão constante. A alternativa A está correta. O ciclo de Sabathé é o ciclo que mais se assemelha ao funcionamento real de um motor a combustão, por apresenta um ciclo misto. Esse ciclo é capaz de fornecer calor a pressão e volume constantes. Ele faz rejeição de calor a volume constante e também possui compressão e expansão com transformações adiabáticas, como podemos ver na imagem a seguir. Ciclo Sabathé - à esquerda, o diagrama P-V; à direita, o Diagrama T-S. 4. Comparação entre os ciclos de Otto e Diesel Comparação da eficiência entre os ciclos-padrão a ar Otto e Diesel Neste vídeo, vamos conferir os comparativos, evidenciando as diferenças entre os ciclos termodinâmicos de Otto e Diesel e de eficiência de ciclos-padrão a ar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Comparativo de eficiência de ciclos-padrão a ar Com algumas propriedades fixadas, podemos fazer uma comparação do desempenho ou da eficiência dos ciclos Otto e Diesel, que são os mais comumente utilizados, e com essa comparação, pode-se concluir dentre as mais variadas aplicações, qual é o mais indicado. Comentário Os comparativos dos ciclos Otto e Diesel são feitos de acordo com a geometria das curvas dos diagramas P-V e T-S, já que as áreas desses gráficos representam, respectivamente, trabalho e calor. Taxa de compressão e calor fornecido iguais Vejamos os procedimentos para que seja feita a comparação, confira: Desenhar os diagramas P-V e T-S genéricos de um ciclo Otto. Fazer a sobreposição de um ciclo Diesel no diagrama P-V a partir das hipóteses feitas. Caso o diagrama P-V seja insuficiente para localizar todos os pontos do ciclo Diesel, recorre-se ao diagrama T-S. A imagem a seguir mostra o resultado dessa comparação. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. • • • Comparação dos diagramas P-V (a esquerda) e T-S (a direita) dos Ciclos de: Otto (linha cheia) e Diesel (linha pontilhada). O ciclo em linha cheia é o ciclo Otto (1-2-3-4) e o ciclo em linha tracejada é o ciclo Diesel (1’-2’-3’-4’). Observa- se no diagrama P-V que os pontos 1 e 1’ são coincidentes, bem como os pontos 2 e 2’, já que o volume total é o mesmo, assim como a taxa de compressão. Ainda no diagrama P-V, de 2’ para 3’, traça-se uma horizontal, já que o processo é de fornecimento de calor a pressão constante. Entretanto, não se sabe se 3’ está à direita ou à esquerda da linha 3-4. Portanto, recorre- se ao diagrama T-S para essa análise. O fornecimento de calor é definido pela área abaixo da curva 2-3 e 2’-3’, que pela hipótese feita, é o mesmo nesse caso. Entretanto, no diagrama T-S, a inclinação da curva isobárica é menor que a inclinação da curva isovolumétrica. Dessa forma, para que as áreas A-2-3-B seja igual a A-2’-3’-D, o ponto 3’ está à direita da linha 3-4 (tanto no diagrama T-S quanto no diagrama P-V). Por consequência, o ponto 4’ no diagrama T-S também estará à direita da linha 3-4. Isso implica que a remoção de calor do ciclo Otto (área A-1-4-B) é menor que a remoção de calor do ciclo Diesel (área A-1’-4’-D), ou seja, a hipótese de mesma taxa de compressão e mesmo calor fornecido resulta em uma eficiência do ciclo Otto maior que do ciclo Diesel, já que o ciclo Diesel perderá mais calor e, dessa forma, terá menos trabalho líquido que o ciclo Otto. Pressão máxima e calor fornecido iguais Tomando o mesmo procedimento realizado para comparar os ciclos Otto e Diesel com a mesma pressão máxima e o mesmo calor fornecido, chegamos à imagem a seguir. Conteúdo interativoAcesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Comparação dos diagramas P-V (a esquerda) e T-S (a direita) dos Ciclos de Otto (linha cheia) e Diesel (linha pontilhada), com pressão máxima e mesma quantidade de calor fornecida. Novamente o ciclo Otto é representando pelos pontos 1-2-3-4 e o ciclo Diesel pelos pontos 1’-2’-3’-4’. Inicia-se no diagrama P-V pela coincidência dos pontos 1 e 1’ e o ponto 2’ terá o mesmo valor de pressão do ponto 3. A questão é onde está localizado o ponto 3’, já que pode estar à esquerda ou à direita da linha 2-3. Passando para o diagrama T-S, o ponto 2’ está acima do ponto 2 e a partir de 2’, traça-se uma isobárica até o ponto 3 (com inclinação menor que a isocórica). Como o calor fornecido é o mesmo, a área A-2-3-C deve ser igual a A-2’-3’-B. Isso só é possível se 3’ estiver à esquerda de 3. Passando para o ponto 4’, no diagrama T-S é uma vertical com a mesma entropia B. Dessa forma, o calor rejeitado no ciclo Otto (área A-1-4-C) é maior que o calor rejeitado no ciclo Diesel (área A-1’-4’-B), o que resulta em uma eficiência do ciclo Diesel maior que do ciclo Otto. Comentário Além da comparação dos diagramas P-V e T-S, diversas outras podem ser realizadas usando os mesmos procedimentos, como, por exemplo, mesmas pressão e temperatura máximas, trabalho realizado e pressão máxima iguais etc. Verificando o aprendizado Questão 1 Na comparação dos ciclos-padrão a ar, para concluir qual é o mais eficiente, verifica-se o ciclo que A apresenta maior temperatura de funcionamento. B possui maior entropia. C possui maior vazão de ar na entrada. D possui maior vazão de ar na saída. E recebe mais calor no tempo referente a combustão. A alternativa E está correta. A temperatura de funcionamento pode ser a mesma e as eficiências diferentes. A entropia pode ser a mesma e as eficiências diferentes. Já os ciclos-padrão a ar não possuem entrada nem saída de ar, sendo o ciclo mais eficiente aquele que recebe mais calor, por ciclo de combustão. Questão 2 As principais comparações feitas dos ciclos-padrão a ar são entre os ciclos: A Brayton e Otto B Diesel e Brayton C Misto e Otto D Otto e Diesel E Sabathé e Brayton A alternativa D está correta. Para realizar a comparação, precisamos fazer testes controlados, e fazemos isso fixando algumas propriedades, tal como a pressão, por exemplo. Quando o assunto é ciclo a ar, os mais comparados no mundo, por sua eficiência, são os ciclos de Otto e Diesel. 5. Conclusão Considerações finais Como vimos, a complexidade da combustão dificulta a análise termodinâmica dos motores de combustão interna. Por esse motivo, utilizam-se os ciclos-padrão a ar que representam qualitativamente o funcionamento dos motores reais e, para isso, diversas hipóteses do fluido ativo (FA) são levadas em consideração. Os principais ciclos-padrão a ar são os ciclos Otto, Diesel e Sabathé (ou misto). O ciclo Otto representa os motores de ignição por centelha, o ciclo Diesel representa os motores de ignição por compressão e o ciclo misto é o que mais se aproxima do ciclo real dos motores de combustão interna. Vimos as principais características desses três ciclos. Por fim, aprendemos como comparar os ciclos Otto e Diesel quando fixadas algumas propriedades. Nos exemplos apresentados, foram fixadas taxa de compressão e calor fornecido, e pressão máxima e calor fornecido. Feitas essas premissas, foram analisados quais ciclos apresentavam maior rendimento térmico. Podcast Ouça agora um bate-papo sobre os conceitos de modelos ideais e motores térmicos; as hipóteses do fluido ativo na análise dos ciclos-padrão a ar; a diferença das propriedades extensivas para as propriedades intensivas; a eficiência térmica do ciclo-padrão a ar Diesel; e os ciclos-padrão a ar Otto e Diesel. Confira! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Confira a indicação de leitura que separamos especialmente para você! Leia o artigo Desempenho comparativo de um motor de ciclo diesel utilizando diesel e misturas de biodiesel, disponível no portal SciELO, e entenda um pouco mais sobre o ciclo de Diesel. Referências BASSHUYSEN, R. V. Internal Combustion Engine Handbook ‒ Basics, Components, Systems, and Perspectives: R-345. SAE, 2004. BOSCH. Automotive Handbook. 6. ed. Alemanha: SAE, 2002. BRUNETTI, F. Motores de Combustão Interna. v. 1. São Paulo: Blucher, 2018. BRUNETTI, F. Motores de Combustão Interna . v. 2. São Paulo: Blucher, 2018. TAYLOR, C. Análise dos Motores de Combustão Interna. São Paulo: Edgard Blucher, 1995. TAYLOR, C. Internal Combustion Engine in Theory and Practice. 2. ed. [S.l.]: MIT Press, 1985. Modelos ideais de motores térmicos (ciclos teóricos) 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução Conteúdo interativo 1. Volume constante (Otto) As características do ciclo-padrão a ar Otto Conteúdo interativo Fluido ativo Conteúdo interativo Ciclo-padrão a ar Otto Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Pressão constante (Diesel) As características de funcionamento do ciclo-padrão a ar Diesel Conteúdo interativo Ciclo-padrão a ar Diesel Conteúdo interativo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Pressão Limitada (dual) Conceitos do ciclo-padrão a ar misto ou Sabathé Conteúdo interativo Ciclo-padrão a ar misto Conteúdo interativo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Comparação entre os ciclos de Otto e Diesel Comparação da eficiência entre os ciclos-padrão a ar Otto e Diesel Conteúdo interativo Comparativo de eficiência de ciclos-padrão a ar Comentário Taxa de compressão e calor fornecido iguais Conteúdo interativo Pressão máxima e calor fornecido iguais Conteúdo interativo Comentário Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências