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Estenoses Valvares TE ANATOMIA/FISIOLOGIA - Estenose = estreitamento de uma valva cardíaca. O problema está na valva A valva não abre bem, dificultando a passagem do sangue. Isso gera turbulência, que é ouvida como sopro cardíaco. - Depende de qual valva está estenosada e em que momento do ciclo ela deveria estar aberta. O sopro de uma estenose ocorre quando a valva deveria estar aberta, mas está estreitada. 🔸 Sopro sistólico · As valvas aórtica e pulmonar (semilunares) devem abrir na sístole. Se está estenosada → há dificuldade para o sangue sair → sopro sistólico. · Sopros sistólicos: estenose de válvulas semilunares (aórtica/pulmonar) 🔸 Sopro diastólico · As valvas mitral e tricúspide devem abrir na diástole (quando o sangue do átrio entra no ventrículo). Se está estenosada → dificuldade na entrada do sangue → sopro diastólico. · Sopros diastólicos: estenose de válvulas atrioventriculares (mitral/tricúspide) ESTENOSE AÓRTICA - Aumentando com aumento da expectativa de vida da população. - Causa + comum = calcificação - Somente em estenose importante há benefício da troca valvar. Critérios para EAo importante (grave): · Área valvar aórtica (AVA) ≤ 1,0 cm² e/ou · Área valvar indexada (AVAi) ≤ 0,6 cm²/m² (ajusta para superfície corporal) · Gradiente médio VE-aorta ≥ 40 mmHg (diferença de pressão na sístole) · Velocidade máxima do jato aórtico ≥ 4,0 m/s - Esses critérios são avaliados no ecocardiograma Doppler. - Área valvar menor = maior estenose. - A estenose aórtica é diferente das demais. Sua etiologia não é reumática (febre reumática), que é uma doença autoimune que começa com infecção. A principal etiologia é a calcificação, parecido com a placa de aterosclerose na coronária. Chega fibroblastos e calcifica. Só faz a troca da valva em estenoses graves, por isso não vamos nos preocupar com as leves/moderadas. O ecocardiograma diz sobre a gravidade da doença. Vê-se principalmente a área valvar: quando menor abertura, pior. A área da valva tem que estar menor ou igual a 1cm. Já a área valvar indexada (se o coração/pessoa é maior/menor, a área também deve ser maior/menor, então usa-se o valor de correção em pacientes extremos), nesses pacientes é 0,6. Também precisa de um aumento do gradiente médio VE/aorta maior ou igual a 40mmHg ou da velocidade, passa com mais velocidade máxima do jato aórtico ser maior ou igual a 4m/s. TIPOS DE ESTENOSES AÓRTICA: - Calcificação: é o mais comum com o avançar da idade. O que calcifica é a valva, tem dificuldade de abrir, mas fecha direitinho, não tem insuficiência! - Reumática: ocorre uma fusão das comissuras, gerando um buraco, tem dificuldade de abrir e de fechar. Como é reumática tem-se estenose e insuficiência - Congênitas: são menos comuns. Não é todo paciente que tem uma anomalia que sofre com a estenose, mas tem chance de evoluir. Tipo Mecanismo Características Calcificação (mais comum) Acúmulo de lipídios e calcificação progressiva da valva Não costuma gerar insuficiência. Valva fecha bem, mas não abre direito Reumática Febre reumática causa fusão das comissuras valvares Gera estenose e insuficiência valvar simultaneamente Congênita Ex: válvula aórtica bicúspide Pode evoluir com calcificação e estenose precoce O paciente tem algum fator de risco e começa acumular LDL, que atrai células inflamatórias (monócitos ...) o LDL oxidado pelo macrófago começa a atrair fibroblastos e osteoblastos que calcifica. Começa com uma inflamação gordurosa e forma calcificação - Importante: A calcificação da valva aórtica ocorre de forma semelhante à aterosclerose: LDL se deposita → Ativa inflamação (monócitos/macrófagos) → Estimula fibroblastos e osteoblastos → Calcificação progressiva - Fatores de risco: idade, sexo masculino, aumento de lipídeos, PA, DM, síndromes metabólicas e tabagismo - Focar nos achados clínicos, sintomatologia, exame físico para distinguir as valvopatias -> esse é o jeito que será cobrado na prova provavelmente! · EXAME FÍSICO - Pulso parvus et tardus: Pulso fraco e atrasado - Sopro sistólico ejetivo com pico telessistólico: ejetivo e não regurgitativo, tem um reforço na sístole. Esse sopro é parecido com o tricúspide - Hipofonese de B2 e B1: Valva fecha mal → som fraco. B2 está diminuído porque a valva aórtica calcificada fecha com menor impacto, B1 está diminuído às custas da mitral e B2 da aórtica. As valvas fecham de forma passiva pela diferença da PA entre as câmaras. Se tem um aumento grande de diferença de PA, as valvas fecham forte -> hiperfonese. Nesse caso, tem aumento do VE e o átrio não reduz, a diferença é pouca, tem hipofonese - Desdobramento paradoxal de B2 ou B2 única: A valva aórtica demora a fechar, então a valva pulmonar fecha antes, invertendo o desdobramento fisiológico. - Fenômeno de Gallavardin: O sopro da EAo irradiado para o ápice pode se confundir com sopro da insuficiência mitral — atenção para não errar no diagnóstico! · ELETROCARDIOGRAMA - Sobrecarga ventricular e atrial esquerda - Alteração de repolarização ventricular (padrão Strain) → infra ou supra de ST, inversão ou apiculação de T) · RADIOGRAFIA DE TÓRAX - Sinais de congestão pulmonar · ECOCARDIOGRAMA - AVA ≤ 1,0 cm² e AVA indexada ≤ 0,6 cm3/m² - Gradiente VE/Aorta ≥ 40 mmHg - Velocidade máxima do jato aórtico ≥ 4,0 m/s - Razão das velocidades de fluxo entre a via de saída do VE e valva aórtica isso na grave. · Dispneia: Ocorre uma hipertrofia ventricular esquerda, elevação das pressões de enchimento e hipertensão venocapilar pulmonar (é o principal) · Angina: Desbalanço da oferta/consumo de oxigênio no miocárdio hipertrófico. Redução do gradiente de perfusão miocárdica (pressão diastólica final elevada). Sai pouco sangue, chega pouco sangue. · Síncope: Débito cardíaco fixo não aumenta com esforço → hipóxia cerebral COMPLICADORES - Paciente com sintoma deve intervir na valva. Se ele não tiver fator complicador não precisa intervir, mas se tiver tem que intervir mesmo sem sintoma. · Ecocardiograma: FEVE 5m/s. Gradiente médio VE/aorta > 60mmHg · Teste ergométrico: capacidade funcional limitada, resposta pressórica inadequada: PAS sobe 10 mmHg CIRURGIAS · Cirurgia de troca valvar aórtica: - Primeira escolha para pacientes com menos de 70 anos e sem contraindicação ou risco cirúrgico elevado - 1º opção: trocar a valva. Não troca se o paciente tem risco cirúrgico · Implante de bioprótese aórtica transcateter - TAVI - Primeira escolha em pacientes com risco cirúrgico proibitivo, contraindicações à cirurgia convencional, fragilidade ou risco intermediário. Via transfemoral é a preferencial - 2º opção: TAVI - colocar nova valva sintética no lugar da outra, sem precisar tirar ela, só introduz · Valvoplastia aórtica por cateter-balão - "Ponte terapêutica" para procedimentos definitivos (cirurgia ou TAVI) em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou sintomas avançados - Paliação nos casos com contraindicações definitivas à cirurgia convencional e TAVI. - 3º opção: Quando não pode fazer nada - colocar o balão, mas vai ter insuficiência cardíaca pois ele mantém a valva aberta. - Fluxograma faz ECO e classifica. Se for grave e com sintomas -> intervém. Sem sintoma porém tem os fatores complicadores -> intervém. ESTENOSE MITRAL · Principal etiologia reumática (a fisiopatologia é diferente da anterior, a causa é a febre reumática: infecção de orofaringe, que leva a alterações imunológicas e lesiona a valva · 0,1% no EUA · Crescendo causa degenerativa - Uma impactação aórtica pode refletir na mitral devido sua proximidade anatômica · EXAME FÍSICO - Facies mitralis: (rosto avermelhado, que se for só isso pode ter diagnósticos diferenciais como: lúpus eritematoso, rosácea, queimadura por sol ..., mas se tiver sopro tem que pensar em estenose mitral.- Estalido de abertura precoce: a maior parte das valvopatias com etiologia reumática, que tem a fusão das comissuras, apresenta esse estalido. Em condições fisiológicas não auscultamos a abertura, apenas o fechamento. Também auscultamos isso na tricúspide. - Hiperfonese de B1 e B2: Mitral é B1 e Tricúspide é B2 - Sopro diastólico em ruflar, com reforço pré-sistólico se paciente em ritmo sinusal - Sinais de congestão pulmonar e insuficiência cardíaca direita: quando se tem uma lesão mitral sem estenose e sem insuficiência, tem grande chance de trazer uma sobrecarga para o átrio esquerdo que sobrecarrega o sistema venoso pulmonar e o pulmão. - Presença de Insuficiência Tricúspide concomitante · ELETROCARDIOGRAMA - Sobrecarga de AE e de câmaras direitas - FA · RADIOGRAFIA DE TÓRAX - Sinais de aumento de AE: elevação do brônquio fonte esquerdo (sinal da bailarina), duplo contorno atrial à direita, 4º arco na silhueta cardíaca à esquerda. - Sinais de congestão pulmonar. · ECOCARDIOGRAMA - AVM intervir. grave sem sintoma, procurar complicadores, se tiver -> intervir! CIRURGIAS · Valvoplastia mitral por cateter-balão: 1º opção · Cirurgia de troca valvar: 2º opção, por exemplo se o paciente tem um trombo ativo não pode usar o cateter · Implante valvar mitral transcateter: 3º opção. É mais complicada de fazer, tem que furar o átrio. QUAL VALVA USAR, METÁLICA OU BIOLÓGICA - Usa-se mais a metálica quando se aparece a estenose de forma precoce, em uma faixa etária de 30-40 anos, se o paciente não tiver complicação de anticoagular, pois a metálica tem que anticoagular pro resto da vida, primeiramente devido a durabilidade, ela dura para o resto da vida, ao contrário da biológica. A mitral é a valva que sofre maior pressão, então sua durabilidade será baixa, porém a biológica não precisa anticoagular. Em próteses metálicas não precisa imunossuprimir. ESTENOSE TRICÚSPIDE · EXAME FÍSICO - Estalido de abertura precoce - Hiperfonese de B1 - Sopro diastólico em ruflar, com reforço pré-sistólico se paciente em ritmo sinusal em borda esternal esquerda, que aumenta com a inspiração forçada (devido mais sangue no átrio direito) - Sinais de congestão sistémica: hepatomegalia, ascite, edema de membros inferiores, estase jugular, sinal de Kussmaul · ELETROCARDIOGRAMA - Sobrecarga de AD - FA · RADIOGRAFIA DE TÓRAX - Aumento de AD · ECOCARDIOGRAMA - AVT ≤ 1,0 cm2 - Gradiente diastólico médio AD/VD ≥ 5 mmHg - Aumento isolado de AD - PHT tricúspide ≥ 190 ms ((tempo em que se mantem a pressão elevada dentro da valva) - Estudo hemodinâmico quando se tiver discrepância entre a clínica e o ECO, assim como nas outras estenoses! Diferencial: ressonância nuclear magnética. TIPOS DE ESTENOSES TRICÚSPIDE - Reumática: é a principal causa - Outras: endocardite infecciosa, lúpus eritematoso, deformidade congênitas, lesão pós radioterapia ... SINTOMAS - A fadiga é o principal sintoma. - Pode vir associado a dor e edema de membros inferiores. Ausência de dispneia. Pode estar associada a palpitações, ascite, sinais de disfunção hepática. COMPLICADORES - Eletrocardiograma: FA - Congestão sistêmica: avaliação de comprometimento hepático (elevação de enzimas, alteração do coagulograma). CIRURGIA · Valvoplastia tricúspide por cateter-balão: 1º opção - Contraindicado se presença de trombo refratário à anticoagulação e/ou vegetação · Troca da valva tricúspide: 2º opção - Preferência por prótese biológica (tem menor pressão do que a mitral, por isso tem maior durabilidade) image1.png image2.png image3.png image4.png