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INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA E SÍNDROME DO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO AGUDO INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA: Síndrome caracterizada pelo aparecimento de disfunção súbita de qualquer setor do sistema fisiológico responsável pela respiração. Incapacidade do sistema respiratório de desempenhar suas duas principais funções, a oxigenação do sangue arterial e remoção de gás carbônico do sangue venoso • PaO2 55 mmHg (hipercapnia) ETIOPATOGENIA: Alterações extrapulmonares e intrapulmonares Componentes extrapulmonares: Renovação do ar alveolar e Ventilação Componentes intrapulmonares: Troca gasosa (alvéolo-capilar), Difusão e Relação ventilação-perfusão (V/Q) ALTERAÇÕES EXTRAPULMONARES: • Patologias do SNC • Comprometimento do SNP • Patologias do arcabouço torácico • Alterações de vias aéreas Exemplos: Centro respiratório – depressão por drogas • Medula espinhal – trauma raqui-medular • Sistema nervoso periférico – miastenia gravis • Músculos respiratórios – fadiga diafragmática • Restrição da parede torácica – cifoescoliose • Obstrução de vias aéreas – edema de glote ALTERAÇÕES INTRAPULMONARES: Hipoxemia (aumento do drive ventilatório) • Aumento da RVA • Queda da Complacência • Aumento do espaço morto fisiológico Exemplos de IRpA por baixa V/Q e shunt: Pneumonias • Edema agudo de pulmão cardiogênico • SARA • Hemorragia alveolar • Atelectasias • Grande derrame pleural ou pneumotórax Exemplos de IRpA por defeito de difusão: Doenças que acometem o interstício pulmonar • Pneumocistose • Pneumonias intersticiais • Fibrose pulmonar • Tuberculose miliar • Linfangite carcinomatosa • Edema pulmonar (fases iniciais) CLASSIFICAÇÃO DE IRpA - Tipo I Hipoxemia– normocápnica): • PaO2 50 mmHg DIAGNÓSTICO: apresentação clínica e exames complementares QUADRO CLÍNICO: Dispnéia • Cianose • Padrão paradoxal • Uso de musculatura acessória • Batimento de asa de nariz • Tiragens EXAMES COMPLEMENTARES: • Gasometria arterial: Na IRpA hipoxêmica a gasometria demonstra uma alcalose respiratória com hipoxemia ou somente hipoxemia. Já na IRpA ventilatória a gasometria demonstra uma acidose respiratória com hipoxemia. • Radiografia de tórax. TRATAMENTO: • Oxigenoterapia • Suporte ventilatório mecânico: Ventilação mecânica não- invasiva ou ventilação mecânica invasiva. SINDROME DO DESCONFORTO RESPIRATÓRIO AGUDO Síndrome clínica caracterizada pelos seguintes itens: taquidispnéia grave, cianose, hipoxemia refratária à oxigenoterapia, diminuição da complacência pulmonar e infiltrados alveolares difusas na radiografia de tórax. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: • Instalação aguda: dentro de uma semana após uma injúria conhecida, ou nova piora respiratória. • Hipoxemia refratária • Radiografia de tórax com infiltrados difusos e bilaterais. • A origem do edema não deve ser explicada por falha cardíaca ou congestão, demanda a avaliação objetiva através de ecocardiograma, para afastar edema hidrostático. ETIOLOGIA: Lesões diretas e indiretas • infecção pulmonar • aspiração • contusão pulmonar • inalação de fumaça e gases tóxicos • afogamento • sepse • trauma • hipotensão prolongada • pancreatite aguda • circulação extracorpórea • múltiplas transfusões HISTOPATOLOGIA: • Fase exsudativa • Fase proliferativa • Fase de reparo e fibrose FASE EXSUDATIVA: Congestão capilar e abertura das junções endoteliais • Agregação de granulócitos (microtrombos) • Extravasamento rico em proteínas • Colapso alveolar • Pulmões pesados • Essa fase perdura entre três e sete dias FASE PROLIFERATIVA: • Proliferação fibroblástica • Pneumócitos II perdem suas granulações FASE DE REPARO E FIBROSE: • Processo de regeneração desordenado • Muscularização da microcirculação (hipertensão pulmonar) • Retração pulmonar e fibrose SINAIS CLÍNICOS: • Instalação do edema + alteração do surfactante: sinais de insuficiência respiratória. • Alteração de troca gasosa: hipoxemia e acidose respiratória. • Diminuição da complacência CLASSIFICAÇÃO DA SDRA: É realizada pelo índice de oxigenação ou índice de hipoxemia (PaO2/fiO2) nível de PEEP empregado: • SDRA grave: PaO2/fiO2 5cmH2O • SDRA MODERADA: PaO2/fiO2 = 200 A 300, com PEEP > 5cmH2O • SDRA LEVE: PaO2/fiO2 > 300, com PEEP > 5cmH2O TRATAMENTO: • Controle do agente causal • Equilíbrio hidrossalino • Ventilação Mecânica protetora • Suporte nutricional • Terapia farmacológica (surfactante, anti-inflamatórios etc.) • Fisioterapia PROGNÓSTICO: Recuperação lenta e na maioria dos óbitos deixou de ser decorrente da hipoxemia refratária e sim pela disfunção múltipla de órgãos. FATORES PROGNÓSTICOS – Positivos: • Idade 50 • PaO2/FiO2 > 250 • Sem bacteremia ou sepse • Etiologia por drogas ou medicamentos Negativos: • Idade > 65 anos • Disfunção outros órgãos • Complacência