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DIREITO EMPRESARIAL João Glicério 2025.1 I unidade - Teoria Geral do Dir Empresarial II unidade - títulos de crédito 1 prova - 22/05 2 prova - 08/07 2 chamada - 15/07 Pontuação de presença 2,0 (um para cada prova, as provas valem 9,0) Faltar até 4 dias - 2pt (faltei 2 aulas (?)) Faltar até 6 dias - 1pt Não há abono de faltas Referências Marlon Tomazette Andre Santa Cruz Márcia Carla Gladston e Roberta Mamede Reposição sexta a noite (19:00 às 22:00) - 11 abril Assuntos da primeira prova ● Conceito de empresário ✅ ● Elementos de empresário ✅ ● Aquisição de personalidade jurídica ✅ ● Hipóteses de atividades cíveis ✅ ● Vedação ao exercício da atividade empresarial ✅ ● Preposto do empresário ✅ ● Obrigações do empresário ✅ ● Atos do registro ✅ ● Exame das formalidades ✅ ● Estabelecimento empresarial (só o que foi dado) ✅ ● Escrituração empresarial ● Nome empresarial AULA 02 - FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E EMPRESÁRIO Mesmo que direito comercial. Fundamentos históricos Capacidade de abstração Revolução Francesa Revolução industrial 1808 - Código Comercial Napoleônico. 2 códigos para coisas que antes estavam unificadas - civil (1804) e comercial (1808). A ideia era a distinção das classes sociais. Poder político e poder econômico. Burguesia X nobreza Instrumento de viabilização de privilégios para a burguesia. Teoria dos atos de comércio Não tinha um conceito fundamental para evitar que a nobreza se encaixasse nele. Existia uma Lista de atos que deveriam ser considerados de comércio (ex: assunção de riscos, seguros, bancos, indústria), pois eram os atos da burguesia. Extrativismo, pecuária…eram práticas da nobreza, portanto, não eram considerados atos de comércio. Privilégios de sala especial eram reflexos desse período. Pejotização da pessoa física. 1850 - código comercial brasileiro. Lei 556 - a única parte vigente é de direito empresarial marítimo. Ato de comércio, conforme Alfredo Rocco, pressupõe a interposição na troca. Mas esse conceito era muito amplo, alcançando o que não era ato de comércio. Busca por um novo sistema que acabou se consolidando em 1942 na Itália - a Teoria da Empresa. Para preencher as lacunas e corrigir os efeitos da teoria dos atos de comércio. Características das Teorias Teoria dos Atos de Comércio 1. Bipartição dos atos de comércio 2. Ausência de um conceito fundamental A Teoria da Empresa trouxe um conceito fundamental de empresário Art 2082 do Código italiano e ART 966 do CC brasileiro (cópia com diferença de ser X considerar). O cc italiano tenta reunificar o direito privado. Frustrada. A unificação foi meramente legislativa e mesmo assim parcial (não constam todas as normas). Portanto, não está unificado. AULA 03 - ELEMENTOS DO CONCEITO DE EMPRESÁRIO Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Elementos do conceito de empresário: ● Profissionalismo: 1. Habitualidade Atender à demanda periódica da atividade. Não significa que é diária, considera-se a intenção de perpetuidade. Faz-se uma análise fática a partir da forma como a pessoa organizou o negócio ex: comprou ou alugou as cordas para o bloco, a contratação foi episódica ou tinha a intenção de ser duradoura… 2. Pessoalidade Exercício da atividade pelo empresário ou por alguém que o faça em seu nome. Responsabilidade dos atos feitos pelos seus prepostos. Pessoalidade e responsabilidade são os dois lados de uma mesma moeda, a responsabilidade é uma decorrência lógica da pessoalidade. Com o surgimento do CDC, cria-se um terceiro elemento para aferir o profissionalismo: o Monopólio de informações. 3. Monopólio de Informações O empresário, no entanto, não precisa saber tudo. O titular não precisa ter as informações técnicas. Ex: dono de hospital não precisa ser necessariamente médico. Ele é obrigado a deter os elementos relacionados ao consumo do produto ou serviço que ele oferece ex: eventuais defeitos, composição química, estrutura mecânica, possíveis problemas que podem ser gerados em relação a saúde do consumidor… Isso deve ser necessariamente compartilhado com os consumidores. As mesmas informações que é obrigado a saber, é obrigado a compartilhar. E o segredo de empresa? Não é obrigado a saber, portanto, não é obrigado a compartilhar. ● Atividade econômica com intuito lucrativo 1. Lucro A configuração da atividade empresarial não se faz com o lucro, mas com o intuito lucrativo. Lucro é um conceito econômico. Por exemplo, uma associação pode ter lucro, mas não um intuito lucrativo. Lucro como objetivo. Existem atividades não empresariais que têm o lucro como fim, ex: advocacia. Ter lucro não é o critério. Pois pode não ter lucro por razões alheias a sua vontade. Se não tem finalidade lucrativa, não é empresário. Mas se tem finalidade lucrativa, pode ser ou não empresário. Será preciso verificar os demais elementos. Obs: conceito de empresa. Perfis da empresa (Asquini): 1. Subjetivo - sujeito da atv econômica, é o empresário. 2. Objetivo - objeto, o estabelecimento empresarial. 3. Funcional /Abstrato - relacionado à empresa. 4. Corporativo - mão de obra, prepostos do empresário. ● Gierke defendeu apenas os três primeiros, já que o quarto é um meio de produção. Empresa é o vínculo jurídico que liga o sujeito ao objeto. Não é tangível. Se substituir o termo empresa por atividade e for sonoramente adequado, a aplicação é adequada. ● Organizada Organização é o terceiro elemento do conceito de empresário. Organização é a articulação dos 4 fatores de produção - capital, insumos, tecnologia e mão de obra. Capital pode ser próprio ou alheio. Não precisa ter dinheiro, tem que coordenar Insumo - material usado Tecnologia - aprimoramento da técnica para atender a demanda. Mão de obra pode ser direta ou indireta A) Direta - aquela que tem vínculo empregatício. B) Indireta - não tem vínculo empregatício. Pode, portanto, ser tercerizado. Não precisa ser empregado. Vincenzo Buonocore propôs que não era imprescindível haver mão de obra contratada, mas hoje a doutrina majoritária acredita que se não coordena recursos humanos, não pode ser considerado empresário. A doutrina majoritária diz que o restante do conceito - “para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” - também é elemento, mas o professor discorda, acha que não há caráter distintivo em nada disso. Atividades civis Atividades não empresariais. 1) Hipótese excludente - aquele que não atender os requisitos do 966. Será exercente de atividade de natureza civil. 2) ss único do ART 966 - profissionais intelectuais Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Profissionais liberais em geral - médicos, contadores, advogados, músicos, escultores… (O STJ acha que o parágrafo único se aplica aos advogados, de modo que não é empresarial. Para Glicério, não se descaracteriza a atividade empresarial em qualquer tipo de advocacia) Ainda que contrate colaboradores e auxiliares Ex: se a médica for também contratada de um hospital, o paciente procura a instituição e não o indivíduo. O centro médico é atividade empresarial do hospital, algumas salas e os profissionaisque alugam exercem a atividade civil E a forma como a atividade se organiza que vai definir a sua natureza jurídica Profissional como elemento de empresa - empresarial Profissional símbolo - atividade civil Ex: duas clínicas com características idênticas, mas na clínica A cada médico tem seus clientes e despesas e, ao fim, as rateiam. Já na clínica B, os médicos se reuniram para um projeto comum, o faturamento e a clientela são da clínica, o e-mail é corporativo e o nome na porta é da clínica. Na clínica A, o referencial é o profissional. Na clínica B, o referencial é a clínica. A é atividade de natureza civil. B é atividade de natureza empresarial. Algumas clínicas têm tendência à atividade civil ou empresarial. 3) Hipótese rural Para atividade rural, a natureza jurídica é determinada pelo lugar do registro. Se na Junta Comercial do Estado da Bahia, será considerado empresário. Se na RCPJ - Registro Civil das Pessoas Jurídicas, atividade de natureza civil. Natureza do registro é constitutiva, não declaratória como nos outros casos. Origem na teoria dos atos de comércio e a atividade da nobreza. Pode a pessoa que fez a escolha por um tipo de registro alterar depois? pode! Se não houver registro, presume-se a atv civil. A faculdade está em onde realizar o registro. O registro em si não é facultativo. 4) Clubes de Futebol Lei SAF - Sociedade Anônima do Futebol (está na lei, mas não é SAF!!) As associações voltadas à prática desportiva do futebol podem requerer o registro na Junta Comercial e serão consideradas empresárias. Associação empresária. Se aplica apenas a essa hipótese. Pode escolher onde efetuará o registro e isso determinará se é ou não empresário. 5) Cooperativas ss único do ART 982 cc Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. As cooperativas sempre serão sociedades simples e as sociedades por ações serão sempre sociedades empresárias. Não existem exceções. As cooperativas têm de fazer o registro na Junta Comercial, mas não muda a natureza de sociedade simples. Sociedades por ações também na Junta Comercial. Empresarial (Empresário individual e sociedade empresária) O empresário individual recebe CNPJ para fins fiscais, embora seja pessoa física. (...) Aula online - Vedações ao exercício da atividade empresarial (caderno de Marivan) 1) Incapacidades: proteção do indivíduo vulnerável Em regra, para ser empresário, a pessoa física deve ser absolutamente capaz. a) O incapaz pode ser empresário individual, mas não pode começar uma atividade empresarial (risco máximo). Portanto, tem autorização apenas para continuá-la (princípio da preservação da empresa), desde que esteja representado ou assistido, mediante autorização judicial (genérica e que pode ser revogada a qualquer momento) com expedição de alvará, em que deverá constar a relação dos bens do incapaz ao tempo da associação, pois os bens particulares estarão protegidos de eventuais insucessos da atividade. Obs: O emancipado é absolutamente capaz. Obs 2: Sendo deferida a continuação da empresa, o incapaz é que será o empresário. O relativamente incapaz pratica o ato em seu próprio nome. O representante do absolutamente incapaz pratica os atos em nome deste. Obs 3: Em negócios em que não se pode contar com a participação do representante ou assistente do incapaz, o juiz deverá nomear um gerente para fazê-lo naquele caso necessário. Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. § 1º Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. § 2º Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização. § 3º O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011) Art. 975. Se o representante ou assistente do incapaz for pessoa que, por disposição de lei, não puder exercer atividade de empresário, nomeará, com a aprovação do juiz, um ou mais gerentes. § 1º Do mesmo modo será nomeado gerente em todos os casos em que o juiz entender ser conveniente. § 2º A aprovação do juiz não exime o representante ou assistente do menor ou do interdito da responsabilidade pelos atos dos gerentes nomeados. Essa nomeação não exime aquele que indicar o gerente, seja o representante, seja o assistente, da responsabilidade pelos atos praticados por este, desde que provada a culpa in eligendo (má escolha). a) O incapaz poderá ser sócio de uma sociedade empresária desde o começo, pois o risco é compartilhado. Para isso, é preciso que os seguintes requisitos sejam atendidos: - i) Representação ou assistência; - ii) Não participar da administração da sociedade; e - iii) O capital social tem de estar totalmente integralizado. 1) Proibições (devem ser interpretadas restritivamente) Vedação da atividade empresarial por aqueles que já a exerceram, mas praticaram atos ilícitos ou se mostraram potencialmente nocivos https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12399.htm#art2 quando da prática da atividade empresarial. A proteção aqui é da comunidade, e não do indivíduo. Tais proibições legais não tornam nulos os atos praticados pelos proibidos de exercer a atividade empresarial, mas tornam irregular o exercício da empresa. a) Falido: ficará impedido enquanto não for reabilitado. Obs: A forma mais comum de reabilitação do falido é com a extinção de suas obrigações. b) Condenado por crime incompatível com o exercício da empresa (artigo 35 da lei de registro de empresas). A pena conterá previsão a esse respeito. (obs: poderá retornar com a extinção da punibilidade) Art. 35. Não podem ser arquivados: I - os documentos que não obedecerem às prescrições legais ou regulamentares ou que contiverem matéria contrária aos bons costumes ou à ordem pública, bem como os que colidirem com o respectivo estatuto ou contrato não modificado anteriormente; II - os documentos de constituição ou alteração de empresas mercantis de qualquer espécie ou modalidade em que figure como titular ou administradorpessoa que esteja condenada pela prática de crime cuja pena vede o acesso à atividade mercantil; c) Leiloeiro; agente auxiliar do empresário, que dele contém informações sigilosas d) Estrangeiro em certas atividades relacionadas ao interesse público nacional evidente Exemplos: extração de petróleo, atividade bancária, rádio e difusão, empresas jornalísticas (inclusive a administração da programação), empresas de aviação etc. Obs: Não se aplica ao naturalizado há mais de 10 anos. e) Devedor do INSS f) Servidor público, a depender do seu regime jurídico Obs: Há muita variação. No âmbito do Executivo, por exemplo, aqueles que entraram antes de 97, podem exercer atividade empresarial normalmente. Aqueles que entraram após 97, não podem. Aqueles que em 2017 fizeram o pedido de redução de carga horária, quando lhe foi disponibilizada a escolha, também podem exercer atividade empresarial. Obs 2: O servidor público advogado pode ser sócio administrador da sociedade de advogados, caracterizando uma exceção. Obs 3: A LOMAN proíbe os magistrados de serem empresários individuais ou de exercerem cargo de administração em sociedade, permitindo-lhes a condição de quotista ou acionista. Idêntica é a situação dos membros do Ministério Público, pelas mesmas razões. Servidor público federal (?) Aula 15/04 Responsabilidade pelos atos do preposto Preposto - Toda mão de obra utilizada pelo empresário . Em síntese, podemos afirmar que o preposto que exerce determinadas atividades jurídicas dentro da empresa, substituindo empresário em determinados atos, seja na órbita interna, seja na órbita externa em relação a terceiros. Sendo assim, os atos que pratica nessa condição são atos do preponente. (Tomazette). Dois requisitos configuram a responsabilidade do empresário pelos atos dos prepostos - OBJETO e LUGAR em que a atividade é exercida. Teoria da aparência. Se vende pela internet, está ampliando também a sua responsabilidade. A proposta obriga, salvo se for irrisória. Esse conceito é construção da jurisprudência consumerista - proposta completamente fora do mercado, da razoabilidade. Nem sempre um desconto de 90%, por exemplo, torna a proposta irrisória. Ex: passagem aérea. Já 50% em um carro tornaria a proposta irrisória. Gerente é o preposto que exerce funções de chefia. Não é obrigatório. Não se exige qualquer formação específica. Contabilista é preposto obrigatório. Cuida da scrituração, livros e balanços. Deve ter formação específica em contabilidade. Pode ser terceirizado, salvo nas localidades onde não existir contador, podendo o próprio empresário fazer sua contabilidade. Artigos do código civil no caderno de Marivan Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor. Aula 17/04 OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO Aula quinta-feira 22/04 Obrigações - registro, livros e balanços Registro é um gênero que comporta três espécies - matrícula, arquivamento e autenticação. O sistema de registro das empresas é dividido entre o Departamento Nacional do Registro Empresarial e Integração (DREI) e as juntas comerciais. Autenticação tem dupla função: veracidade (função que os cartórios também fazem) e regularidade (visa evitar fraudes, é a função mais importante). A junta vai autenticar todas as páginas do livro. Controle de autenticidade dos livros fiscais feito pela Receita, dos livros empresariais ainda é feito pela Junta. A matrícula já foi o ato do registro, hoje não é mais. Havia 5, hoje são apenas aqueles 3 Matrícula é o ato de registro dos auxiliares do empresário: os tradutores públicos, os intérpretes comerciais e os leiloeiros oficiais (agentes privados que exercem funções públicas). Eles não assumem o risco da atividade e podem desenvolver atividades com conotação técnica e/ou jurídica. Auxiliares - tradutores públicos, intérpretes comerciais e leiloeiros. Tradutor público juramentado - modificação do idioma de um documento escrito Intérprete comercial - modificação do idioma para conversação Leiloeiro - surge para ajudar o empresário a comprar e vender seus bens e posteriormente é apropriado pelo Estado para exercer essa função. Agente privado exercendo uma função pública. A lei fala de mais dois: administrador de armazém geral e os trapicheiros, mas não há mais tais figuras. Arquivamento é ato de registro do empresário e de constituição, alteração e dissolução das sociedades empresárias. Prazo para requerer o arquivamento (não para arquivar) na junta comercial é de 30 dias a contar do momento em que foi assinado. O deferimento do arquivamento retroage ao momento do requerimento, portanto, não importa se acontecer depois. O ato terá sido considerado no momento da assinatura do contrato. Se o requerimento foi feito fora do prazo, há uma situação de irregularidade e aquele requerimento apenas produzirá efeitos dali em diante, a partir do dia em que foi deferido. Não há nem retroatividade interna (requerimento) nem externa (prática do ato). Não há retroatividade. Serão considerados atos praticados por empresário irregular e arcará com os ônus de ser irregular. Atos não convalidados. Ex: credor cobrando da sociedade x responsabilidade pessoal do sócio. Dentro do prazo - ex tunc Fora do prazo - ex nunc, a partir do momento em que foi deferido o registro. Data do instrumento é aquela em que o último assinou Exame das formalidades O Estado não exerce um controle material. A livre iniciativa é prevista na constituição de forma imodificável. Embora existam questões que possam ser controladas pelo Estado como petróleo, minérios… questões que estão ligadas à soberania. Por isso, a Junta Comercial faz o exame apenas das formalidades do registro. Ao verificar isso, pode-se deparar com vícios sanáveis ou insanáveis. Insanáveis atingem a validade do ato praticado, o que impõe à Junta Comercial o indeferimento do pedido. Já os vícios sanáveis, atingem a eficácia do ato praticado, sua registrabilidade, mas podem ser corrigidos - convertendo o processo em exigência para que o interessado corrija o vício. Exemplo contrato social assinado por absolutamente incapaz - invalido - gera indeferimento do pedido Exemplo 2 - sanável: Uma das certidões não foram apresentadas Mas… na prática, as Juntas comerciais mesmo diante de vícios sanáveis tem convertido em exigência para aproveitar os atos. Processo decisório do registro Os atos decisórios são divididos em duas categorias: 1. Atos de maior complexidade Decididos pelo colegiado. Existem dois colegiados: plenário de vogais e turmas de vogais Vogal é o integrante da Junta comercial O plenário julga apenas os recursos das decisões das Turmas e das decisões singulares. Esses atos são: - Constituição SA (mudança que passou a considerar) - Arquivamentos relacionados com as Operações Societárias (fusão, cisão, transformação, incorporação…) - Grupos de sociedades e os consórcios de empresas Prazo de 5 dias úteis para decisão, salvo recurso (julgado pelo Plenário)2. Atos de menor complexidade Decididos singularmente Quem decide singularmente é a presidência da Junta Comercial - de forma direta ou por delegação. Os demais arquivamentos são decididos pela presidência, matrícula e autenticação? tambem Prazo de dois dias úteis para decisão Obs: se a Junta Comercial não julgar no prazo, a consequência é o registro por decurso do prazo (deferimento tácito). Depois, poderá anular o registro, mas houve registro naquele periodo. Registro automático - nada tem a ver com o registro por decurso do prazo. Caso de inversão do registro a priori, no exato momento já há o registro e a análise é posterior (a psteriori vai manter ou anular (mesma lógica dos vícios sanáveis e insanáveis). Só se aplica em casos específicos - atos de menor complexidade e, mesmo assim, é preciso atender a dois requisitos: A) Utilização do instrumento padrão (modelo) da DREI B) Aprovação da consulta previa da viabilidade do nome empresarial e, quando for o caso, viabilidade de localização Processo revisional Se a Junta indeferiu pode propor uma ação judicial ou recorrer administrativamente. Se decidir que seja administrativamente, estaremos falando do processo revisional. 1. Pedido de reconsideração. Feito ao próprio órgão julgador. Se mantiver o indeferimento, pode na sequência propor o recurso ao plenário. 2. Recurso ao plenário Plenário de vogais Julgará deferindo ou indeferindo. Se indeferir, pode utilizar o recurso a DREI 3. Recurso a DREI Antigamente, só se podia propor uma ação judicial após exaurir a esfera administrativa, mas não é mais assim. Mesmo prazo para cada medida: 10 dias úteis. Irregularidade Acontece apenas quando o empresário não faz o seu registro na Junta Comercial. Consequências: 1. Responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais - sócios passam a responder de maneira ilimitada por todas as obrigações sociais. 2. O não registrado não terá acesso ao benefício da recuperação de empresas. Também não terá legitimidade ativa para requerer a falência de outro empresário, só pode ter sua falência decretada (pode ser réu) 3. Não terá inscrição nos cadastros federais. O que não exclui a responsabilidade tributária, só não conseguirá pagar pela ausência de inscrição e arcará com as consequências disso: multa, juros… 4. Não terá matrícula no INSS 5. Não poderá contratar com o poder Público. Balanços periódicos ASSUNTO PULADO PELO PROFESSOR PARA MINISTRAR AULA PRÓPRIA ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL ● Definição É o objeto, o instrumento de trabalho do empresário. Refere-se ao conjunto de bens materiais e imateriais do patrimônio empresarial destinados ao exercício econômico organizado / atividade econômica organizada. Obs: Não é o lugar onde a atividade empresarial é exercida, mesmo que haja referências a estabelecimento como lugar em textos técnicos, como leis tributárias. Obs 2: Não confundir com o patrimônio empresarial como um todo, que abarca todos os bens materiais e imateriais destinados, ou não, ao exercício de atividade econômica organizada. Para compor o estabelecimento, a parcela do patrimônio empresarial precisa estar efetivamente ligada, direta ou indiretamente, à prática da atividade econômica organizada, mesmo que não seja a atividade fim. se for outra atividade econômica autônoma, terá mais de um estabelecimento Obs 3: Ao estabelecimento empresarial pode se atribuir valor econômico, que corresponde ao valor resultante da soma de todos os bens acrescido do chamado aviamento (valor agregado ao estabelecimento empresarial em razão de sua organização - exemplos das duas lojas da Boticário - aula de 06/05 - não se confunde com a marca). Quanto maior a coordenação dos 4 elementos essenciais de empresa, maior o aviamento. Obs 4: O aviamento pode ser positivo ou negativo (valor de mercado menor do que o patrimônio) e o seu cálculo é feito por especialistas que buscam aferir a capacidade do negócio para produzir lucro. ● Trespasse ● Ponto empresarial Lugar onde a atividade empresarial é desenvolvida. Aula do dia 13/05 (aulas tirocinante) - ESTUDAR AS DUAS AULAS PELA DOUTRINA E CADERNOS ESCRITURAÇÃO 1. Princípios 2. Livros empresariais Classificação: obrigatórios e facultativos (especiais para parte da doutrina) Um livro obrigatório - livro diário Livros de empregados, livro de duplicata, livro das sociedades anônimas Livros facultativos - adotados porque facilitam a gestão feita pelo empresário - livro razão, livro caixa Requisitos extrínsecos: termo de abertura, encerramento e autenticação e Força probatória - se alguém entra com ação pleiteando algo que deveria estar registrado, há o problema da força probatória para o empresário Prova que gera presunção relativa. Como se dá a exibição se há sigilo? Pode ser tanto de forma integral como parcial Art 420 e 421 cdc Art 1182 cc Dever de guarda Perdura até que estejam prescritas ou decaídas todas as obrigações Se tiver a perda, comunicar a Junta, comunicar à Receita Federal e a Imprensa Obrigações contábeis Balanço patrimonial Balanço de resultado econômico Sociedades de grande porte obrigadas a realizar auditoria, NOME EMPRESARIAL Um distintivo do empresário e não da sua atividade. Proteção voltada para o mercado comercial Art 1155, SS único - sociedades simples, fundações e associações por extensão Direito de personalidade - nome especial, não exatamente igual ao nome civil. Alguns autores acham que não pode ser de propriedade, por isso, seria um direito de personalidade Direito de propriedade - elementos da propriedade industrial do empresário, vincula a clientela… Direito pessoal - Não é de personalidade nem de propriedade, não pode ser alienado (1164) Espécies de nome Depende do tipo 1. Firma individual: sociedade unipessoal ou empresário individual Pode usar o nome completo ou… Elemento nominal e elemento pluralizador (qualquer um que indique que há mais de uma pessoa) Os que têm responsabilidade limitada não podem constar no nome (?) Elemento fantasia 2. Razão social 3. Denominação Princípios Princípio da veracidade - o nome não pode induzir ideia falsa Princípio da novidade/especialidade - nao podem existir dois nomes empresariais iguais no mesmo registro, direito de exclusividade sobre o uso a fim de evitar a confusão; o parâmetro e territorial - âmbito nacional art 1166 CC - âmbito estadual DREI Art 23 - A junta não pode registrar duas empresas com o mesmo nome: avaliar o nome completo excluindo Dura indefinidamente enquanto tiver o registro Nome fantasia - nomi