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👙 Puberdade Adolescência: período cronológico de transição entre infância e vida adulta. Pela OMS: 10 aos 20 anos; pelo ECA: 12 aos 18 anos). Ocorrem alterações sociais e do comportamento. Puberdade: modificações corporais da transição para a fase adulta. Desenvolvimento da capacidade reprodutiva; aceleração e término do crescimento do indivíduo. Fisiologia Gonadarca Ativação do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal Hipotálamo secreta pulsos de GnRH ⇒ age na hipófise, estimulando a produção de LH e FSH ⇒ ovários produzem estrogênio / testículos produzem testosterona ⇒ ovulação e produção de espermatozoides Adrenarca Liberação de androgênios pela glândula adrenal 📈 Aceleração do crescimento 6 - 7 cm/ano Pico do crescimento (velocidade máxima) = ocorre em momentos diferentes para meninas (estadio M3) e meninos (estadio G4) - mais precoce em meninas Desaceleração (após o pico) 👙 Telarca Ação estrogênica - desenvolvimento da mama Primeiro sinal de puberdade feminina 💡 Ginecomastia = desenvolvimento de tecido mamário de padrão feminino no sexo masculino, pode ocorrer em qualquer momento da vida e pode ser manifestação de alguma desordem. Na puberdade, até 2/3 dos meninos podem apresentar ginecomastia, geralmente com bom prognóstico (reverte espontaneamente). Pubarca Pilificação genital Nas meninas, a pubarca significa que a adrenarca já aconteceu (a pilificação é efeito dos androgênios liberados pela adrenal). Nos meninos, a pubarca pode ser efeito da adrenarca ou da própria gonadarca. Menarca Evento tardio da puberdade feminina Geralmente em estadio M4 - fase de desaceleração do crescimento Puberdade 1 Puberdade fisiológica 👧 Meninas ⇒ Início aos 8 - 13 anos ⇒ 1º sinal = telarca ⇒ Geralmente telarca → pubarca → menarca (cerca de 2,5 anos após a telarca) 👦 Meninos ⇒ Início aos 9 - 14 anos ⇒ 1º sinal = aumento testicular (≥ 4 mL) → gonadarca ⇒ Utilizar o orquidômetro Estadiamento de Tanner M1 - pré-pubere M2 - broto mamário → telarca M3 - crescimento da mama e aréola M4 - elevação da aréola (duplo contorno) → menarca M5 - mama adulta P1 - pré-pubere P2 - pelos finos, pouco pigmentados, em grandes lábios P3 - pelos mais escuros, mais grossos, atingem sínfise púbica P4 - pelo adulto, em grande quantidade P5 - pelo adulto, atinge raiz das coxas Puberdade 2 G1 - pré-pubere G2 - aumento do volume do testículo (> 4 mL) G3 - aumento do pênis em comprimento G4 - aumento do pênis em diâmetro G5 - pênis adulto P1 - pré-pubere P2 - pelos finos, pouco pigmentados, na base do pênis P3 - pelos mais escuros, mais grossos, atingem sínfise púbica P4 - pelo adulto, em grande quantidade P5 - pelo adulto, atinge raiz das coxas 👧 Puberdade precoce É definida pelo início dodesenvolvimento puberal antes de 8 anos no sexo feminino e 9 anos no sexo masculino. É fato que existem algumas controvérsias relativas a estes limites etários, mas são estes os pontos de corte usados mais comumente. Os esteroides sexuais induzem alterações somáticas, aceleram a velocidade de crescimento e avançam a idade óssea, o que resulta em diminuição da estatura na idade adulta quando a puberdade se inicia precocemente. Existe uma maior incidência de precocidade puberal em meninas que em meninos. ⇒ Puberdade precoce central ou verdadeira: aquela que ocorre por aumento de GnRH, com maturação e ativação do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal ⇒ Puberdade precoce periférica ou pseudopuberdade precoce: aquela que ocorre sem aumento de GnRH, desencadeada por produção independente de esteroides sexuais. Pode ser do tipo isossexual ou heterossexual. Na primeira, há feminização nas meninas e virilização nos meninos. Na forma heterossexual, há ação dos estrógenos nos meninos e testosterona nas meninas, alterando o padrão de características sexuais normais. Puberdade precoce central Neste tipo, ocorre ativação do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal, com secreção de GnRH e aumento secundário dos esteroides sexuais. As características sexuais são sempre apropriadas ao sexo (isossexuais). Nas meninas, observa-se o desenvolvimento mamário; os meninos apresentam aumento do volume testicular e crescimento peniano. Em linhas gerais, as causas de puberdade precoce central são divididas em dois grupos principais: grupo das causas idiopáticas, o mais comumente encontrado no sexo feminino; e grupo das causas neurogênicas, o mais comumente observado no sexo masculino. ⇒ Etiologia Puberdade 3 ⚠ Idiopática Responde pela maioria (90%) das causas de puberdade precoce central e é mais comum no sexo feminino cerca de 10 a 20 vezes. Tumores do SNC Os hamartomas de túber cinéreo são os principais tumores de SNC que provocam puberdade precoce, geralmente antes de 3 anos de idade. Eles são formados por neurônios secretores de GnRH em localização ectópica. Quando grandes, podem estar associados a crises convulsivas do tipo gelásticas (risos e gargalhadas). Outras manifestações associadas são deficiência intelectual e síndromes dismórficas. A terapia de escolha é feita com análogos de GnRH. A cirurgia é menos indicada. Outros tumores que podem cursar com puberdade precoce são: astrocitomas, ependimomas e gliomas ópticos e hipotalâmicos. A maturação sexual adiantada da neurofibromatose é desencadeada pelo glioma óptico. Outras alterações do SNC Hidrocefalia, anoxia perinatal, infecções, epilepsia, trauma e radioterapia são algumas condições neurológicas também implicadas no desencadeamento do desenvolvimento sexual precoce. Avaliação laboratorial As dosagens hormonais são compatíveis com o estágio do desenvolvimento puberal. Os níveis séricos de estradiol no sexo feminino podem ser baixos, de modo semelhante ao que ocorre na puberdade fisiológica. No sexo masculino, é mais comum a identificação de níveis mais elevados de testosterona. Porém, essas avaliações não permitem a distinção entre uma puberdade central e uma periférica e, para isso, a avaliação das gonadotrofinas é o que se faz necessário. A puberdade precoce central é caracterizada por uma elevação significativa nos níveis de LH (basal ou após estímulo com GnRH). O LH basal pode ser aferido por mais de um método e os valores que definem o aumento dependem do método empregado. Contudo, os níveis basais de LH dentro da normalidade não excluem a possibilidade de uma puberdade central e deve ser feito o teste de estímulo com GnRH. Após o estímulo com o agonista do GnRH, as elevações muito marcadas de LH indicam a ativação do eixo. A resposta puberal nos testes com estímulo caracteriza-se por relação LH/FSH > 1 e também sugere puberdade precoce central. Exames de imagem 🩻 As RX para determinação da idade óssea sempre devem ser solicitadas. 🦴 A idade óssea é invariavelmente avançada em relação à idade cronológica, podendo haver um avanço de mais de dois ou três desvios-padrão. A USG pélvica, no sexo feminino, indica o aumento do volume ovariano e uterino. Na investigação da causa da puberdade precoce central podem ser indicados exames de neuroimagem. Em relação à escolha do método de imagem, a RM deve ser indicada em detrimento da tomografia, por apresentar melhor resolução para identificar lesões ao nível de hipotálamo, pineal, III e IV ventrículos. Lembre-se de que, no sexo masculino, as causas neurogênicas são as causas mais comuns de puberdade precoce central e, deste modo, todos os meninos com este quadro devem ser submetidos a um exame de neuroimagem. No sexo feminino, não há consenso se o exame deve ser feito em todas as meninas. Tratamento Puberdade 4 nalia Typewriter O encontro do LH basal > 0,6 U/L em ambos os sexos é diagnóstico de ativação do eixo, sendo inclusive dispensada, nesses casos, a realização do teste de estímulo com GnRH. Os objetivos do tratamento são prevenir a perda de estatura final, minimizar as repercussões psicossociais na criança e na família. Nos casos em que há uma causa subjacente tratável, esta deverá ser abordada. Além disso, é indicadoo bloqueio do eixo para virtualmente todos os meninos e grande parte das meninas. Atualmente, o tratamento é feito com análogos do GnRH (Lupron - acetato de leuprorrelina; Zoladex - gosserrelina). O mecanismo de ação consta de uma estimulação inicial do análogo sobre a hipófise, seguido de uma dessensibilização dos receptores hipofisários (down-regulation). Assim, a secreção das gonadotrofinas se reduz substancialmente e ocorre a parada ou até mesmo involução de muitas características sexuais secundárias Puberdade precoce periférica É aquela caracterizada pelo aumento dos esteroides sexuais, com níveis de LH/FSH pré-puberais. As possíveis etiologias incluem condições relacionadas às glândulas adrenais (hiperplasia adrenal congênita; tumores adrenocorticais) e doenças gonadais (tumores, cistos, síndrome de McCune-Albright e testotoxicose). O quadro também pode ser decorrente da exposição exógena a hormônios. Como já dito, podem levar à puberdade precoce isossexual ou heterossexual (características virilizantes nas meninas e feminilizantes nos meninos). Ativação Gonadal Autônoma Síndrome de McCune-Albright É uma síndrome rara caracterizada pela tríade manchas café com leite, displasia fibrosa poliostótica (ossos longos e crânio) e precocidade puberal. Acomete ambos os sexos, mas tem predomínio feminino. As alterações costumam ser evidentes por volta de 3 anos de idade, mas há relatos de casos de sangramentos vaginais ainda no primeiro semestre de vida. A síndrome é decorrente de uma mutação no gene que codifica a proteína G, cuja função é estimular a produção intracelular de AMPc. Com isso, ocorre a hiperfunção de diversas glândulas, podendo resultar em diferentes síndromes clínicas: precocidade puberal, gigantismo, síndrome de Cushing, tireotoxicose e hiperplasia adrenal. ⇒ Avaliação indireta da atividade estrogênica, através da citologia vaginal e USG pélvica, revelando aumento do volume de útero e ovário, cistos foliculares e, eventualmente, endométrio. ⇒ Os níveis de LH e FSH são suprimidos e não há resposta ao estímulo com análogo de GnRH. Em alguns casos, com o passar do tempo, pode-se desenvolver uma ativação precoce do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal, levando ao aumento das gonadotrofinas. 💊 Tratamento: o tratamento no sexo feminino envolve o uso de inibidores de aromatase e bloqueadores da ação estrogênica. Testotoxicose esporádica ou familiar Mutação ativadora do receptor de LH É causada por uma mutação que ativa o receptor de LH nas células de Leydig, levando ao seu amadurecimento prematuro e secreção de testosterona. Os meninos afetados têm entre 1 - 4 anos, e apresentam sinais de virilização (aumento do tamanho do pênis, aceleração da velocidade de crescimento e avanço na idade óssea) mais evidentes que o aumento do volume testicular. A herança é autossômica dominante. ⏫ A testosterona encontra-se em níveis elevados e as gonadotrofinas estão em níveis pré-puberais. 💊 Tratamento: inibidores da aromatase associados a bloqueadores dos receptores androgênicos. Lesões gonadais Puberdade 5 As lesões ovarianas podem ser causa de puberdade precoce no sexo feminino. Podemos encontrar lesões que secretam estrogênios e/ou androgênios. As lesões ovarianas funcionantes incluem cistos benignos e tumores neoplásicos. Cistos foliculares ovarianos Os cistos foliculares ovarianos são causa de puberdade periférica isossexual nas meninas. Pequenos cistos ovarianos são comuns antes da puberdade, mas cistos maiores podem ser identificados e podem secretar estrógenos. As dosagens séricas de estradiol são elevadas. Tumores ovarianos São causas raras de puberdade precoce no contexto das neoplasias da infância. O tumor das células da granulosa é a principal neoplasia ovariana implicada como causa de puberdade precoce com manifestações estrogênicas. ⏫ Também produzem altos níveis de estradiol, inibina e hormônio antimülleriano. As gonadotrofinas estão inibidas. 🔪 O tratamento de escolha é a remoção cirúrgica. Dosagens de inibina e hormônio antimülleriano são marcadores confiáveis de recorrência de metástases. Tumores de células de Leydig Os tumores de células de Leydig devem ser considerados no diagnóstico diferencial dos meninos com puberdade precoce e assimetria no volume testicular, pois costumam ser unilaterais. A biópsia do testículo é um procedimento diagnóstico fundamental. São tumores benignos secretores de testosterona potencialmente curáveis com a remoção cirúrgica completa. Doenças da suprarrenal Tumores do córtex suprarrenal Alguns dos tumores desta glândula, como os carcinomas adrenocorticais, podem ser funcionantes (secretores de hormônios). Nestes casos, secretam andrógenos e assim levam ao desenvolvimento de uma puberdade precoce periférica heterossexual nas meninas (virilização) e puberdade precoce periférica isossexual nos meninos (há sinais de virilização sem aumento correspondente no volume testicular). Algumas vezes, os tumores podem secretar glicocorticoide e andrógenos e, com isso, além dos sinais de aceleração puberal, haverá desenvolvimento da síndrome de Cushing. Mais raramente, os tumores de córtex suprarrenal secretam estrógenos, levando ao surgimento de puberdade precoce periférica heterossexual nos meninos (ginecomastia). Há avanço muito importante na idade óssea. ⏫ Laboratorialmente, evidencia-se elevação do sulfato de dehidroepiandrosterona (SDHEA) basal e ausência de redução dos níveis séricos após o teste com dexametasona. Além disso, os exames de imagem de suprarrenal auxiliam na detecção do tumor. 🔪 Tratamento: o tratamento é a remoção cirúrgica do tumor. O tratamento com mitotano, um agente adrenolítico, promove alívio dos sintoma de virilização e hipercortisolismo nos casos recorrentes. Hiperplasia adrenal congênita Ocorre por uma deficiência em algumas das principais enzimas envolvidas com a síntese de cortisol pelas suprarrenais, tais como: 21-hidroxilase (mais comumente), 11-hidroxilase e 3-beta-hidroxiesteroide desidrogenase. Com a redução da síntese de cortisol, o ACTH hipofisário aumenta (feedback positivo) e, com isso, ocorre o aumento na estimulação adrenal. Como há o bloqueio da síntese do cortisol, ocorre o acúmulo de precursores bioquímicos androgênicos, dentre eles a 17-hidroxiprogesterona, sulfato de DHEA e testosterona. Puberdade 6 A deficiência enzimática é variável e, deste modo, há diferentes manifestações. As crianças com a forma clássica perdedora de sal serão identificadas ainda no período neonatal. Na forma não clássica, o diagnóstico pode ser feito apenas pela identificação de precocidade puberal, pois desenvolve-se uma puberdade precoce isossexual nos meninos e virilização nas meninas. ⏫ Laboratorialmente, observam-se elevações sanguíneas marcantes da 17-hidroxi-progesterona; uma diferença importante com os tumores adrenais é que após o teste com dexametasona ocorre a supressão dos níveis dos androgênios. 💊 Tratamento: reposição de corticoides. Puberdade incompleta ou parcial Nas variações benignas do desenvolvimento puberal ou puberdade incompleta, ocorre o aparecimento de apenas uma característica sexual secundária de modo isolado. 🦴 Não há aceleração da velocidade de crescimento e nem amadurecimento ósseo prematuro. Apesar da benignidade do quadro, o acompanhamento destas crianças faz-se importante, pois muitas delas apresentarão puberdade precoce de fato. Telarca precoce: é definida pelo aparecimento unilateral ou bilateral de mamas de modo isolado antes dos 8 anos. Em 80% dos casos, ocorre nos dois primeiros anos de vida, com tendência à involução em alguns meses. A idade óssea é compatível com a cronológica, não há aceleração na velocidade de crescimento e os volumes uterino e ovariano são compatíveis com o pré-púbere. Adrenarca precoce: adrenarca é o termo utilizado para definir o amadurecimento da secreção de androgênios pela adrenal que fisiologicamente acontece por volta dos 6 anos na menina e 7 no menino. Bioquimicamente, representauma mudança no padrão de resposta de secreção adrenal em resposta à estimulação pelo ACTH; ou seja, há um aumento relativo de secreção de 17-hidroxipregnelonona e dehidroepiandrosterona (DHEA) em relação ao cortisol. Na adrenarca precoce, ocorre o aparecimento de pelos pubianos e/ou axilares antes de 8 anos, também de modo isolado. É mais frequente em crianças com doenças neurológicas. A puberdade se processa lentamente dentro da idade normal. Existe, provavelmente, um aumento da sensibilidade da unidade pilossebácea à estimulação de pelos androgênios adrenais. A adrenarca precoce é fator de risco para o desenvolvimento de SOP. ⏫ Laboratorialmente, encontramos um aumento de SDHEA, com o restante da triagem hormonal (LH, FSH e esteroides gonadais) dentro da normalidade. Menarca precoce: a menarca precoce isolada é um diagnóstico raro e de exclusão. Comumente ocorre em meninas com um a três episódios isolados de sangramento vaginal sem qualquer outro caractere sexual secundário e sem aumento da velocidade de crescimento. O restante da sequência de desenvolvimento puberal ocorre na idade esperada. É necessário excluir diagnósticos diferenciais, tais como: vulvovaginite, corpo estranho (associado à descarga vaginal de odor fétido), abuso sexual, prolapso de uretra e sarcoma botrioide. A dosagem basal de gonadotrofinas tem padrão pré-púbere, mas os níveis de estradiol podem estar altos, refletindo possíveis cistos foliculares ovarianos. Puberdade 7