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1 UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP CURSOS DE DIREITO ATIVIDADES PRÁTICAS SUPERVISIONADAS 8° SEMESTRE São Paulo - SP 2024 2 Fernanda Alves Cardoso – G235193 Geovana Borges Barreto - F19JFE6 Atividades práticas supervisionadas – APS - trabalho apresentado como exigência para a avaliação do 7º/8° semestres, do curso de Direito da Universidade Paulista sob orientação de prof. Laerte Idalino Marzagão Junior. São Paulo – SP 2024 4 Sumário 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 5 2. SOBRE O REU ............................................................................................................... 6 3. SOBRE O RELATOR ...................................................................................................... 7 4. SOBRE OS VOTOS ........................................................................................................ 8 5. DAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CASO ..................................................................... 9 6. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 11 7. REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 12 5 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo analisar os argumentos expostos pelo Relator, Ministro Edson Fachin, no julgamento do Recurso Ordinário em Habeas Corpus nº 146.303, interposto por Tupirani da Hora Lores, condenado pela prática de discriminação religiosa, nos termos do artigo 20, §2º, da Lei nº 7.716/89. O referido recurso foi desprovido, por maioria de votos, pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão realizada em 6 de março de 2018. O caso em questão diz respeito à conduta de Tupirani da Hora Lores, pastor da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, acusado de incitar a discriminação religiosa contra adeptos de diversas correntes religiosas, incluindo católicos, judeus, espíritas, satanistas, muçulmanos, umbandistas e até outras denominações evangélicas. A defesa do acusado sustentou que sua conduta estaria amparada pelo direito fundamental à liberdade de expressão e de religião, arguindo a inexistência de tipicidade em suas ações, bem como a violação do princípio da livre manifestação do pensamento. Entretanto, o Ministro Edson Fachin, relator do feito, refutou tais alegações, entendendo que a conduta do paciente não se configurava como mera manifestação de opinião religiosa, mas, sim, como um ataque a crenças e convicções alheias, colocando em risco a liberdade religiosa de terceiros. O acórdão ressaltou que, embora a liberdade religiosa seja um direito fundamental, seu exercício não pode ser exercido de forma a discriminar ou ofender outras crenças, visto que tal conduta extrapola os limites da convivência pacífica e respeitosa entre diferentes crenças e práticas religiosas, essenciais para o pleno exercício da pluralidade e da democracia. 6 2. SOBRE O REU O caso relatado, diz respeito ao Recurso Ordinário de Habeas Corpus, o qual foi interposto pelo réu Tupirani da Hora Lores, pastor da “Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo”, em análise do referido caso podemos ver que foi condenado pelos crimes previstos no artigo 20, §2º, Lei nº 7.716/89. Após as condenações, o réu realizou diversas manifestações públicas através de vídeos, onde ele realiza a discriminação religiosa contra várias denominações, incluindo Judaísmo, Catolicismo, Teosofia, Islão, Umbanda e outras correntes do Cristianismo. Em sua defesa, o réu alega que não houve intenção discriminatória específica, o que tornaria a conduta alegada significativamente atípica e que sua conduta não ultrapassa os limites da liberdade de expressão e de religião garantidos pelo artigo 5º, incisos IV, VI e VIII da Constituição Federal. O que foi rebatido pelo Supremo Tribunal Federal, onde os argumentos de sua defesa foram rejeitados. 7 3. SOBRE O RELATOR O julgamento realizado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) analisou um recurso ordinário em habeas corpus interposto contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia rejeitado a impetração. O caso envolveu acusações contra um pastor evangélico condenado por práticas consideradas discriminatórias, configurando o crime de racismo, previsto no artigo 20, §2º, da Lei nº 7.716/89. Sob a presidência do Ministro Edson Fachin, no contexto deste caso, o relator desempenhou um papel crítico ao revisar o recurso em habeas corpus que discutia discriminação religiosa e liberdades constitucionais, fornecendo o embasamento jurídico para a decisão da Segunda Turma do STF, que negou provimento ao recurso, por maioria de votos, conforme o voto do Ministro Dias Toffoli, mantendo a condenação. A defesa alegava que a sentença condenatória extrapolou os limites da acusação, configurando decisão extra petita. Argumentou ainda que as condutas atribuídas ao pastor estariam protegidas pela liberdade de expressão e religiosa, sustentando que críticas a outras crenças são inerentes ao exercício do direito de religião. Além disso, a defesa apontou ausência de dolo específico de discriminação, o que afastaria a tipicidade do comportamento. Em contrapartida, as instâncias anteriores entenderam que os atos do recorrente extrapolaram os limites do exercício de direitos, constituindo ataques diretos a diversas religiões, configurando intolerância religiosa. O Supremo Tribunal Federal, ao negar provimento ao recurso, reafirmou o entendimento de que a revisão de fatos e provas não é cabível habeas corpus. O Tribunal também destacou que os atos do recorrente não se limitaram ao exercício de liberdade de culto ou crítica religiosa, mas configuraram ofensas e incitação ao ódio contra outras crenças. Com isso, a decisão final consolidou a condenação do pastor, evidenciando os limites constitucionais da liberdade de expressão e de religião frente à proteção de outros direitos fundamentais, como a liberdade de crença e o respeito à diversidade religiosa. 8 4. SOBRE OS VOTOS O julgamento discutiu a ação penal de um caso envolvendo acusações de intolerância religiosa por meio de discursos e publicações ofensivas. Os ministros debateram a aplicação de sanções penais frente ao direito à liberdade de expressão e religião, envolvendo dois principais temas: a liberdade de expressão religiosa e os limites dessa liberdade diante de manifestações que podem incitar ódio ou discriminação. Os ministros divergem em relação ao trancamento da ação penal e à aplicação de sanções penais. O Ministro Edson Fachin, presidente e relator, defendeu a manutenção de seu voto, argumentando que a intolerância não deve ser combatida com intolerância e que a resposta penal não seria a mais adequada para situações envolvendo discurso religioso, apesar de reconhecer o caráter deplorável das manifestações. O Ministro Dias Toffoli e o Ministro Ricardo Lewandowski apresentaram uma divergência, considerando que as manifestações do acusado incitam o ódio e violam valores fundamentais da Constituição, como a fraternidade e a solidariedade, além de agirem contra os objetivos de um Estado democrático. O Ministro Gilmar Mendes também se alinhou à divergência, considerando que, embora a liberdade de expressão seja importante, há limites claros, especialmente quando se trata de incitação à violência ou discriminação. Ele mencionou o precedente do Caso Ellwanger, que tratava de discriminação religiosa, e a importância de preservar aconvivência pacífica entre diferentes religiões no Brasil. A maioria decidiu pelo prosseguimento da ação penal, entendendo que a conduta do acusado não estava protegida pela liberdade de expressão, pois incentivava o ódio e a discriminação. O relator, Edson Fachin, ficou vencido ao argumentar que o Direito Penal não deveria ser usado para casos que envolvem a liberdade de expressão religiosa, mesmo em manifestações ofensivas. 9 5. DAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CASO Os argumentos apresentados pelo Ministro Edson Fachin em seu voto, considerando sua análise jurídica rigorosa com os princípios constitucionais que regem a liberdade de expressão e a proteção contra a discriminação religiosa, destacam a inaplicabilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio, uma vez que a questão principal envolve a análise do contexto fático-probatório e a interpretação do tipo penal envolvido. Essa restrição é essencial para garantir a eficiência do processo penal, evitando a interposição de habeas corpus em situações que excluam uma avaliação mais aprofundada dos elementos. Além disso, a instrução mencionada pelo Ministro e a análise da congruência entre a denúncia e a sentença confirmam que os fatos atribuídos ao réu se interpretam corretamente ao tipo penal previsto no artigo 20, §2º, da Lei nº 7.716/89, que tipifica o crime de discriminação religiosa. A alegação de atipicidade formal e material das condutas não se sustenta, uma vez que, ao incitar o fim de religiões alheias e disseminar intolerância contra seus adeptos, o acusado praticou atos que vão além da liberdade de expressão. Outro ponto relevante é que o voto do Ministro afastou a ideia de que a comunicação seria fruto de uma “condenação ideológica” de outras crenças, uma vez que o que está em jogo não é o direito de criticar, mas sim a prática de um discurso que promove o ódio e a exclusão religiosa. Nesse sentido, o Ministro Fachin delimita corretamente os limites da liberdade de culto e expressão, reforçando que a defesa de uma religião não pode justificar a agressão a outras crenças, sob pena de se permitir a perpetuação de preconceitos e violência simbólica Por fim, a ressalva feita pelo Ministro quanto à impossibilidade de revisão do contexto fático-probatório no habeas corpus é acertada, pois uma análise mais detalhada e aprofundada exigia a reavaliação de provas, o que não é compatível com a natureza resumida. 10 Portanto, concordamos com os argumentos do Ministro Fachin, pois sua decisão está em conformidade com os princípios constitucionais da liberdade religiosa e da dignidade humana. 11 6. CONCLUSÃO Conclui-se que os atos do réu ultrapassam os limites constitucionais da liberdade de expressão e de religião frente à proteção de outros direitos fundamentais, como a liberdade de crença e o respeito à diversidade religiosa, sendo desprovido o recurso ordinário em habeas corpus por maioria de votos, pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O voto do Ministro Edson Fachin se alinha com os princípios constitucionais fundamentais, garantindo a proteção contra a discriminação religiosa e preservando a dignidade humana. Sua análise cuidadosa reflete a inaplicabilidade do habeas corpus em substituição ao recurso adequado, além de reafirmar que a liberdade de expressão não pode ser usada como justificativa para a disseminação de discursos de ódio ou intolerância religiosa. A decisão demonstra um equilíbrio entre a liberdade individual e a necessidade de coibir práticas que incentivam o preconceito e a violência, consolidando a importância de respeitar os limites do discurso para preservar uma convivência harmoniosa e respeitosa entre diferentes aspectos. Assim, a postura adotada pelo Ministro Fachin é consistente com a proteção dos direitos fundamentais e com a manutenção de um ambiente social reafirmando que a liberdade religiosa, embora ampla, está submetida aos limites do respeito às demais crenças e à dignidade humana. 12 7. REFERÊNCIAS PLANALTO. BRASIL. Lei no 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Disponível em: . Acesso em: 15 nov. 2024. STF. 2a Turma nega recurso de pastor condenado por discriminação religiosa. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=371511. Acesso em: 15 nov. 2024. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 146.303 RIO DE JANEIRO. Disponível em: https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=74786 8674. Acesso em: 15 nov. 2024. https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=371511 Atividades práticas supervisionadas – APS - trabalho apresentado como exigência para a avaliação do 7º/8 semestres, do curso de Direito da Universidade Paulista sob orientação de prof. Laerte Idalino Marzagão Junior. 1. INTRODUÇÃO 2. SOBRE O REU 3. SOBRE O RELATOR 4. SOBRE OS VOTOS 5. DAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CASO 6. CONCLUSÃO 7. REFERÊNCIAS