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DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 1 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA INTRODUÇÃO As tecnologias da informação e comunicação (TICs) são parte cada vez mais importante do cotidiano das pessoas, seja em suas vidas pessoais, seja no ambiente corporativo. Estão presentes nos mais diversos serviços governamentais e privados, incluindo educação, saúde, transportes, comércio, entre outros. Recentemente, o mundo inteiro foi tomado de surpresa pelo lançamento do ChatGPT, um serviço de inteligência artificial (IA) generativa capaz de produzir textos similares aos criados por seres humanos. A IA pode ser um tema que gera interesse na imprensa e na sociedade, entretanto, esta tecnologia só tem potencial de impactar a produtividade quando aliada a várias outras TICs, tais como: internet das coisas (internet of things – IoT), conectividade, plataformas digitais, análise de grandes quantidades de dados (big data) e segurança cibernética. GLOSSÁRIO – DOCUMENTAÇÃO DIGITAL Assinatura digital: modalidade de assinatura eletrônica, resultado de uma operação matemática, que utiliza algoritmos de criptografia e permite aferir, com segurança, a origem e a integridade do documento. Conceitos relacionados: - assinatura eletrônica - autenticação Assinatura eletrônica: geração, por computador, de qualquer símbolo ou série de símbolos executados, adotados ou autorizados por um indivíduo para ser o laço legalmente equivalente à assinatura manual do indivíduo. Conceitos relacionados: - assinatura digital - autenticação Autenticação: declaração de que um documento original é autêntico – ou que uma cópia reproduz fielmente o original – feita por uma pessoa jurídica com autoridade para tal (servidor público, notário, autoridade certificadora) num determinado momento. Conceitos relacionados: - assinatura digital - assinatura eletrônica - documento legalmente autêntico Autenticidade: credibilidade de um documento enquanto documento, isto é, qualidade de um documento ser o que diz ser e que está livre de adulteração ou qualquer outro tipo de corrupção. A autenticidade é composta de identidade e integridade. A autenticidade de documentos arquivísticos envolve três aspectos: legal, diplomático e histórico. Conceitos relacionados: - autenticação - documento diplomaticamente autêntico - documento historicamente autêntico DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 2 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA - documento legalmente autêntico - identidade - integridade Cadeia de Custódia: documento ou trilha que demonstra a sucessão de entidades coletivas ou pessoas que tiveram posse, custódia e controle sobre os documentos. Conceitos relacionados: - autenticidade - cadeia de preservação Cadeia de Preservação: sistema de controles que se estende por todo o ciclo de vida dos documentos, a fim de assegurar sua autenticidade (identidade e integridade) ao longo do tempo. Conceitos relacionados: - autenticidade - cadeia de custódia - preservação digital Conteúdo estável: característica de um documento arquivístico que torna a informação e os dados nele contidos imutáveis e exige que eventuais mudanças sejam feitas por meio do acréscimo de atualização ou da produção de uma nova versão. Conceitos relacionados: - forma fixa - variabilidade limitada Custodiador confiável: preservador que pode demonstrar que não tem interesse para alterar os documentos arquivísticos preservados, ou para permitir que outros os alterem. Pode ser um profissional – ou um grupo de profissionais, como um arquivo – que tem formação em manutenção e preservação de documentos. Conceitos relacionados: - Autenticidade - Repositório Arquivístico Digital Confiável Digitalização: processo de conversão de um documento para o formato digital, por meio de dispositivo apropriado. Conceitos relacionados: - representante digital Diplomática: disciplina que tem como objetivo o estudo da estrutura formal e da confidencialidade e autenticidade dos documentos. Conceitos relacionados: - autenticidade. Documento analógico (não digital): componente analógico, ou grupo de componentes, que é fixado em um suporte analógico, não sendo constituído por dígitos binários. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 3 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Conceitos relacionados: - documento eletrônico Documento eletrônico: informação registrada, codificada em forma analógica ou em dígitos binários, acessível e interpretável por meio de um equipamento eletrônico. Conceitos relacionados: - documento analógico - documento digital Documento digital: informação registrada, codificada em dígitos binários, acessível e interpretável por meio de sistema computacional. Conceitos relacionados: - documento eletrônico Documento diplomaticamente autêntico: escritos de acordo com a prática do tempo e do lugar indicados no texto e assinados pela pessoa (ou pessoas) competente para produzi-los. Conceitos relacionados: - autenticidade - documento historicamente autêntico - documento legalmente autêntico - diplomática Documento historicamente autêntico: atestam eventos que de fato aconteceram ou informações verdadeiras. Conceitos relacionados: - autenticidade - documento diplomaticamente autêntico - documento legalmente autêntico Documento legalmente autêntico: dão testemunhos sobre si mesmos em virtude da intervenção, durante ou após sua produção, de uma autoridade pública representativa, garantindo sua genuinidade. Conceitos relacionados: - autenticação. - autenticidade. - documento diplomaticamente autêntico. - documento legalmente autêntico. Forma documental: regras de representação de acordo com as quais o conteúdo de um documento arquivístico, seu contexto administrativo e documental, e sua autoridade são comunicados. Conceitos relacionados: - conteúdo estável. - forma fixa. - variabilidade limitada DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 4 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Forma fixa: característica de um documento arquivístico que assegura que sua aparência ou apresentação documental permanece a mesma cada vez que o documento é manifestado, ou pode ser alterada segundo regras fixas. Conceitos relacionados: - conteúdo estável - forma documental - variabilidade limitada Identidade: conjunto de atributos de um documento arquivístico que o caracterizam como único e o diferenciam de outros documentos arquivísticos (ex.: data, autor, destinatário, assunto, número identificador, número de protocolo). Conceitos relacionados: - autenticidade - integridade Integridade: estado dos documentos que se encontram completos e que não sofreram nenhum tipo de corrupção ou alteração não autorizada nem documentada. Conceitos relacionados: - autenticidade - identidade Preservação digital: conjunto de ações gerenciais e técnicas exigidas para superar as mudanças tecnológicas e a fragilidade dos suportes, garantindo o acesso e a interpretação de documentos digitais pelo tempo que for necessário. Conceitos relacionados: - repositório arquivístico digital confiável Repositório Arquivístico Digital Confiável (RDC-Arq): Repositório digital que armazena e gerencia documentos arquivísticos, seja nas fases corrente e intermediária, seja na fase permanente, mantendo autênticos, preserváveis e provendo acesso aos materiais digitais pelo tempo necessário. Conceitos relacionados: - preservação digital Representante digital: comumente denominado “documento digitalizado”, é a representação em formato de arquivo digital de um documento originalmente não digital. Conceitos relacionados: - digitalização DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 5 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Sistema de negócio: é um sistema informatizadoprojetado e construído para atender a processo específico da organização. Por exemplo, sistema acadêmico, sistema de recursos humanos, sistema para processos administrativos (como no caso do SEI), etc. Conceitos relacionados: - autenticação - sistema informatizado de gestão arquivística de documentos (SIGAD) Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD): conjunto de procedimentos e operações técnicas característico do sistema de gestão arquivística de documentos, processado eletronicamente e aplicável em ambientes digitais ou em ambiente híbridos, isto é, em que existem documentos digitais e não digitais ao mesmo tempo. Conceitos relacionados: - autenticidade - sistema de negócio Variabilidade limitada: mudanças na forma e/ou no conteúdo de um documento digital que são limitadas e controladas por meio de regras fixas, de maneira que a mesma consulta ou interação gere sempre o mesmo resultado. Conceitos relacionados: - conteúdo estável - forma fixa INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO BRASIL: ADOÇÃO, PRODUÇÃO CIENTÍFICA E REGULAMENTAÇÃO Entre as oportunidades para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) no Brasil, os dados mostram que a adoção dessa tecnologia por empresas brasileiras e a disponibilidade de cientistas de dados e especialistas em aprendizado de máquina estão em linha com os países europeus. A adoção por organizações governamentais também é significativa. A análise bibliométrica apresentada neste capítulo revela que os Estados Unidos e a China estão isolados em sua disputa pela liderança na produção científica em IA, com o Brasil atrás da maioria dos países desenvolvidos. O recente lançamento do Chat Generative Pre-Trained Transformer (ChatGPT) gerou um alvoroço em torno da IA, em geral, e dos grandes modelos de linguagem generativa, em particular. Personalidades como os empresários Elon Musk e Steve Wozniak, além de especialistas em IA, como Yoshua Bengio e Stuart Russell, assinaram uma carta aberta pedindo uma pausa de seis meses no desenvolvimento da tecnologia. Enquanto isso, vários países estão se apressando para desenvolver regulamentações na área. O Parlamento Europeu acabou de aprovar sua posição de negociação sobre a proposta da Lei de Inteligência Artificial. PANORAMA DA ADOÇÃO DE IA NO BRASIL Se comparado com países europeus, o Brasil não fica atrás da maioria deles, com 13% de suas empresas utilizando algum tipo de IA. A Dinamarca é líder no continente europeu, com 24% de suas empresas declarando usar algum tipo de tecnologia de IA, seguida por Portugal e Finlândia. O baixo nível de adoção em países como Alemanha, Noruega e Suécia sugere que a fronteira de desenvolvimento de DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 6 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA IA não está no continente europeu (Kubota e Lins, 2022). Em termos de tamanho da firma, os valores do Brasil são sempre superiores ao da média europeia. O Brasil se destaca em relação à Europa com um número maior de empresas que utilizaram IA para automação do fluxo de trabalho, seguido por reconhecimento e processamento de imagens. Para outros tipos de uso, não há muita diferença entre firmas brasileiras e europeias. No continente europeu, os diferentes tipos de uso de IA estão mais distribuídos, embora em proporções muito pequenas (Kubota e Lins, 2022). Setor público brasileiro A Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (Ebia) menciona exemplos de adoção de IA no setor público (Brasil, 2021a). Também existe um inventário de casos de uso na administração pública brasileira feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A ferramenta de inteligência de negócios está disponível para qualquer usuário. No restante desta seção, apresenta-se uma análise bibliométrica com o objetivo de caracterizar a literatura sobre IA. O crescimento exponencial no número de documentos nas últimas décadas tornou a análise bibliométrica uma ferramenta poderosa para investigar assuntos de interesse e identificar áreas de pesquisa futuras (Bonilla, Merigó e Torres-Abad, 2015). Além disso, como afirmado por Donthu et al. (2021), a análise bibliométrica é útil para decifrar e mapear o conhecimento científico acumulado e as nuances evolucionárias de áreas do conhecimento bem-estabelecidas, ao dar sentido a grandes volumes de dados desestruturados de forma rigorosa. Estudos bibliométricos bem conduzidos podem fornecer as fundações para o avanço da área de conhecimento de modelo significativo, ao empoderar os pesquisadores a ganhar uma visão geral, identificar as lacunas de conhecimento, apresentar novas ideias de investigação e posicionar as contribuições que pretendem fazer à área. Outras análises bibliométricas têm sido feitas sobre IA; no entanto, esses estudos geralmente estão focados em setores ou aplicações específicas. Por exemplo, Dhamija e Bag (2020) realizaram uma avaliação da IA no ambiente de operações, Guo et al. (2020) realizaram uma análise da literatura de IA relacionada à saúde e Goodell et al. (2021) identificaram as bases, os temas e os grupos de pesquisa relacionados tanto à IA quanto ao aprendizado de máquina no campo das finanças. Esta seção tem como foco a literatura sobre IA de forma mais ampla. Existem opiniões divergentes sobre a base de dados mais adequada para caracterizar efetivamente cada assunto, sendo as bases Scopus e Web of Science (WoS) as mais amplamente utilizadas.13 Riahi et al. (2021) argumentam que a Scopus oferece uma cobertura mais ampla em comparação com a WoS, abrangendo diversos campos de ciência, tecnologia, entre outros, garantindo, assim, alta precisão e uma vasta gama de documentos. Em contrapartida, Bircan e Salah (2022) afirmam que a WoS, como o serviço de indexação mais antigo para publicações científicas, é amplamente utilizada e indexa periódicos de alta qualidade. Portanto, para aproveitar suas respectivas vantagens, tanto a base de dados Scopus quanto a WoS são utilizadas nesta análise. Além de possuir maior quantidade de documentos, a base de dados Scopus demonstra uma tendência de crescimento mais acentuada desde 2000, com uma inclinação maior observada após 2019. Os números na WoS, por sua vez, parecem seguir uma tendência linear de 2000 até 2017, seguida por um aumento substancial de 3 mil para mais de 25 mil documentos nos últimos cinco anos. China e Estados Unidos competem consistentemente pela primeira posição, estando próximos um do outro em ambos os casos. Merecem destaque a Índia, o Reino Unido e a Alemanha como proeminentes na pesquisa em IA. É notável que a maioria dos países representados no top 10 é classificada como de alta renda, com todas as nações do G7 incluídas. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 7 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA A Academia Chinesa de Ciências ocupa a primeira posição em ambas as bases de dados, e muitas universidades da China, bem como dos Estados Unidos, lideram o ranking. Há também instituições do Reino Unido, do Canadá, da França e da Índia entre as quinze primeiras posições. A Universidade de São Paulo (USP) é a primeira a representar o Brasil e ocupa as posições 41 e 67 em Scopus e WoS, respectivamente. Avalia-se também as principais agências de fomento, embora sem representação em formato de tabela. A Fundação Nacional de Ciências Naturais da China ocupa a primeira posição tanto na base Scopus quanto na WoS. A segunda e a terceira posição são ocupadas pela Fundação Nacional de Ciências e pelo Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento da China, na Scopus, e pela Comissão Europeia e pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, na WoS. As primeiras instituições brasileiras ocupam as posições 15 e 22 na Scopus – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), respectivamente – e 19 e 25 naWoS – CNPq e Capes, respectivamente. A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA E DE PAÍSES DO G7 NA REGULAÇÃO DE IA E O GUIA PARA O PODER EXECUTIVO Vários estudos recentes têm se dedicado a analisar a regulação e as estratégias de IA em diferentes países. Cueva et al. (2022), por exemplo, desenvolveram um amplo benchmarking da regulação da IA em um grupo de diversos países. Melo et al. (2022) o fizeram para um grupo selecionado de países: União Europeia (UE), Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Japão. Chiarini e Silveira (2022) avaliaram as estratégias de IA em países latino-americanos, juntamente com a Coreia do Sul. Filgueiras (2023) também examinou as estratégias de IA em países latino-americanos. Radu (2021) analisou essas estratégias em um grupo de nações, enquanto Filgueiras (2022) concentrou-se em Estados Unidos, Brasil, Arábia Saudita, China, Singapura e Rússia. Nesta seção, trazemos algumas informações atualizadas até 2023 para o Brasil e os países do G7. Japão e Reino Unido foram os países com estudos mais aprofundados sobre diferentes modelos de regulação (Cueva et al., 2022). Habuka (2023) classificou os países do G7 em dois grupos em relação à governança da IA. O primeiro, composto por França, Alemanha, Itália e Canadá, está tentando adotar uma abordagem holística e baseada em leis rígidas, estabelecendo obrigações e sanções rigorosas em caso de violação. O segundo grupo, formado por Japão, Reino Unido e Estados Unidos, segue uma abordagem setorial e baseada em leis flexíveis.18 4.1 Brasil Legislação, regulamentação e uso ético compõem o primeiro eixo (transversal) da Ebia, que destaca a importância de encontrar um equilíbrio entre: i) proteção e salvaguarda dos direitos; ii) estruturas adequadas para incentivar o desenvolvimento de uma tecnologia cujo potencial ainda não foi totalmente compreendido; e iii) estabelecimento de parâmetros legais para fornecer segurança jurídica aos diferentes atores na cadeia de valor dos sistemas autônomos (Brasil, 2021a). A Ebia afirma que é necessário estudar os impactos da IA em diferentes setores, evitando ações regulatórias que possam limitar desnecessariamente a inovação, a adoção e o desenvolvimento da IA. Em contrapartida, princípios éticos devem ser seguidos em todas as etapas de uso e desenvolvimento da IA, podendo, até mesmo, ser elevados a requisitos normativos nda, a Agência Nacional de Proteção de Dados elaborou dois documentos sobre IA, um deles sobre sandboxes regulatórios, e tem se envolvido nos debates sobre o tema Sumário da experiência brasileira e do G7 Analisando as diferentes experiências, é possível destacar alguns pontos de interesse. Nos casos da França e da Alemanha, houve uma parceria estreita entre os poderes Executivo e Legislativo. Embora Japão e Reino Unido também sejam países parlamentaristas, a análise dos documentos sugere que os Executivos foram mais autônomos em suas iniciativas referentes à IA. O caso do Canadá destaca a complexa divisão de responsabilidades entre os níveis federal e provincial. O caso britânico, por sua vez, é aquele em que a IA parece ser considerada de forma mais estratégica pelo alto escalão do Poder Executivo. A Ebia propõe várias ações estratégicas coerentes relacionadas à legislação, à regulamentação e ao uso ético da IA, mas parece haver uma falta de implementação. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 8 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA RAZÕES PELAS QUAIS O EXECUTIVO BRASILEIRO DEVE PROMOVER E GUIAR REGULAMENTAÇÕES DE IA Por um lado, a primeira razão para a promoção da regulamentação é que a IA pode ser usada para melhorar a prestação de serviços públicos, por exemplo, quando os cidadãos solicitam informações ou precisam preencher e buscar documentos. Por outro, no entanto, ela pode potencialmente agravar questões relacionadas à prestação de serviços, à privacidade e à ética (Mehr, 2017). No Reino Unido, ela está sendo utilizada para melhorar o atendimento médico do Sistema Nacional de Saúde e tornar o transporte mais seguro (United Kingdom, 2023). uma regulamentação sólida pode ser uma ferramenta para promover a adoção dessas tecnologias pelo governo e pelo setor privado. A segunda razão é a realidade do federalismo de facto40 brasileiro. Quando se trata de questões relacionadas à tecnologia, é comum que o governo federal lidere a implementação de muitas políticas públicas. Portanto, as políticas de IA do governo federal podem ter um efeito exemplar sobre as entidades subnacionais. O cenário parece ser muito mais simples do que no caso canadense mencionado anteriormente. A terceira razão é a regulamentação vertical. Como esperado, ambos os PLs em discussão no Congresso Nacional têm uma natureza mais conceitual e não detalham a regulamentação setorial de IA. Essa regulamentação vertical é tradicionalmente desenvolvida pelos ministérios setoriais e pelas agências reguladoras. Seguindo o arcabouço regulatório do Reino Unido, acreditamos que os reguladores especializados são os mais adequados para entender os riscos em seus setores e podem adotar uma abordagem proporcional para a regulamentação da IA (United Kingdom, 2023). Nesse ponto, é interessante destacar a proposta dos sandboxes regulatórios, que são componente importante dos PLs de regulação da IA, da UE e do Senado Federal brasileiro. Conforme ressalta OECD (2023), várias autoridades regulatórias – tipicamente partes da esfera do Executivo – podem estar envolvidas nos testes, tais como autoridades de regulação, de proteção da propriedade intelectual, de padronização, de proteção de dados, entre outras. As experiências mais avançadas de uso de sandboxes regulatórios no Brasil se dão no âmbito do sistema financeiro. Em 13 de junho de 2019, houve a publicação de Comunicado Conjunto da Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia, do Banco Central do Brasil (BCB), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep), tornando pública a intenção de implantar um modelo de sandbox regulatório no Brasil. Os princípios do sandbox regulatório do BCB, da CVM e da Susep são similares, porém essas autoridades possuem competências legais distintas, aplicáveis aos seguintes âmbitos: BCB, aos sistemas financeiro e de pagamento; CVM, ao mercado de capitais; e Susep, ao mercado de seguros privados.41 A quarta razão para a promoção da regulamentação da IA é que os três poderes do governo são usuários intensivos dessa tecnologia. Grandes modelos de IA estão sendo desenvolvidos por entidades governamentais, explorando as enormes quantidades de dados produzidos pela prestação de serviços públicos. A regulamentação federal deve orientar não apenas o desenvolvimento interno desses modelos, mas também a aquisição de serviços de IA. Além disso, o governo também está promovendo o desenvolvimento tecnológico da IA (Silva, 2023).42 Por fim, a quinta razão – conforme mencionado anteriormente – é que a Ebia propõe várias ações estratégicas sólidas relacionadas à legislação, à regulamentação e ao uso ético da IA, mas parece haver deficiência na sua implementação. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 9 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA CONSIDERAÇÕES FINAIS O Congresso Brasileiro tem avançado significativamente na discussão da regulamentação da IA. Kubota e Lins (2022) mostraram que as empresas brasileiras, quando comparadas às suas contrapartes europeias, estão relativamente bem posicionadas na adoção de tecnologias de IA e na disponibilidade de cientistas de dados e especialistas em aprendizado de máquina. O Brasil também possui exemplos interessantes de adoção de IA no setor público (Brasil, 2021a). Em contrapartida, o volume de produção científica brasileira não é tão significativo quanto o observado em países desenvolvidos. Além disso, o governo parece estar ficando para trás em relação à regulamentação e às orientações de IA quando comparado ao Japão, aosEstados Unidos, à França e ao Reino Unido. Apresentamos uma série de razões pelas quais deve haver um esforço para fechar essa lacuna, visando ao bem-estar dos cidadãos, ao avanço dos serviços públicos e ao desenvolvimento das empresas. Desenhar sistemas de governança para tecnologias de propósito geral não é tarefa fácil (Radu, 2021), e recomendações a respeito são sugestões para pesquisas futuras DIGITALIZAÇÃO CONCEITOS A digitalização é procedimento amplamente utilizado para inserção de documentos físicos em processos eletrônicos ou para conversão de suporte de processos e documentos que passarão a tramitar ou ser disponibilizados em meio digital. No artigo 2º da Resolução CNJ nº 469/2022 (CNJ, 2022b), foram adotados os seguintes conceitos: ● digitalização: conversão da fiel imagem de um documento físico para código digital; ● documento digital: informação registrada, codificada em dígitos binários, acessível e interpretável por meio de sistema computacional, podendo ser nato-digital ou digitalizado; ● documento digitalizado: representante digital resultante do procedimento de digitalização do documento físico associado a seus metadados; ● documento nato-digital: aquele criado originariamente em meio eletrônico; e ● metadado: dado estruturado, que permite classificar, descrever e gerenciar documentos e processos. Os Decretos nos 8.539/2015 (BRASIL, 2015a) e 10.278/2020 (BRASIL, 2020a) apresentam importantes conceitos sobre digitalização e aspectos relacionados, constituindo fonte complementar ao estudo e à aplicação da temática, especialmente o último, que estabelece requisitos para a digitalização de documentos e para que os digitalizados produzam os mesmos efeitos legais dos originais. O documento digitalizado é ontologicamente diverso do documento nato-digital. Enquanto o documento digitalizado é um representante digital, resultante do processo de digitalização do documento físico associado a seus metadados, o documento nato-digital é produzido a partir de sistema informatizado, ou seja, é criado originalmente em meio eletrônico, não existindo, portanto, documentação física correspondente. À compreensão da matéria e sua aplicação são também de interesse as definições constantes do Glossário dos Documentos Arquivísticos Digitais, elaborado pela Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos (CTDE) do Conarq (CONARQ, 2020). Por fim, os conceitos referidos neste Manual encontram-se indicados no Glossário e no Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística (ARQUIVO NACIONAL, 2005). DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 10 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA METADADOS O metadado é um “dado estruturado, que permite classificar, descrever e gerenciar documentos e processos” (CNJ, 2022b). Os metadados associados aos documentos apoiam a gestão, a presunção de autenticidade de documentos arquivísticos e a preservação. Em razão de conterem dados sobre os documentos, possuem papel essencial na gestão de documentos digitais. No caso de documentos digitalizados, agregam dados que auxiliam na identificação e contextualização do representante digital que está sendo capturado ao sistema, assim como sua vinculação ao conjunto físico originário. Os metadados apresentados no artigo 10 da Resolução CNJ n.º 469/2022, orientados ao propósito da conversão de suporte, devem ser trabalhados conjuntamente com os demais metadados de gestão e de preservação de um Sistema Informatizado de Gestão de Processos e Documentos (GestãoDoc) previstos no MoReq-Jus. Na conversão de suporte, devem ser observados os seguintes metadados mínimos: a) identificador do documento: sinal distintivo atribuído ao documento no ato de sua captura para o sistema informatizado. Em outras palavras, no momento da inserção do documento digitalizado no sistema, ele recebe um identificador, que o diferencia dos demais; b)classificação: especificação do elemento de organização lógica do documento com o intuito de agrupá-lo na estrutura do(s) plano(s) de classificação adotado(s), nas áreas meio ou fim; c) data e hora da digitalização: especificação cronológica do evento de digitalização; d)pessoa física executora da digitalização: usuário responsável pelo evento de conversão do documento; e) referência ao documento originário: identificação do documento objeto da conversão, que permita a relação entre o representante digital e o seu original físico; e f) hash (checksum) da imagem: código numérico que tem por objetivo permitir a verificação da fixidade e integridade dos dados após sua transmissão ou armazenamento e ao longo do tempo. ATENÇÃO: além dos metadados mínimos acima indicados, outros que permitam classificar, descrever e gerenciar os documentos e processos, tais como os previstos no MoReq-Jus e no Anexo II do Decreto nº 10.278/2020 (BRASIL, 2020a) poderão ser adotados nas atividades de conversão de suporte. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 11 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA DECRETO Nº 8.539, DE 8 DE OUTUBRO DE 2015 Dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA , no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput , inciso IV e inciso VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, na Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, na Lei nº 12.682, de 9 de julho de 2012, DECRETA: Art. 1º Este Decreto dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Art. 2 º Para o disposto neste Decreto, consideram-se as seguintes definições: I - documento - unidade de registro de informações, independentemente do formato, do suporte ou da natureza; II - documento digital - informação registrada, codificada em dígitos binários, acessível e interpretável por meio de sistema computacional, podendo ser: a) documento nato-digital - documento criado originariamente em meio eletrônico; ou b) documento digitalizado - documento obtido a partir da conversão de um documento não digital, gerando uma fiel representação em código digital; e III - processo administrativo eletrônico - aquele em que os atos processuais são registrados e disponibilizados em meio eletrônico. Art. 3 º São objetivos deste Decreto: I - assegurar a eficiência, a eficácia e a efetividade da ação governamental e promover a adequação entre meios, ações, impactos e resultados; II - promover a utilização de meios eletrônicos para a realização dos processos administrativos com segurança, transparência e economicidade; III - ampliar a sustentabilidade ambiental com o uso da tecnologia da informação e da comunicação; e IV - facilitar o acesso do cidadão às instâncias administrativas. Art. 4º Para o atendimento ao disposto neste Decreto, os órgãos e as entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional utilizarão sistemas informatizados para a gestão e o trâmite de processos administrativos eletrônicos. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 12 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Parágrafo único. Os sistemas a que se refere o caput deverão utilizar, preferencialmente, programas com código aberto e prover mecanismos para a verificação da autoria e da integridade dos documentos em processos administrativos eletrônicos. Art. 5 º Nos processos administrativos eletrônicos, os atos processuais deverão ser realizados em meio eletrônico, exceto nas situações em que este procedimento for inviável ou em caso de indisponibilidade do meio eletrônico cujo prolongamento cause dano relevante à celeridade do processo. Parágrafo único. No caso das exceções previstasno caput, os atos processuais poderão ser praticados segundo as regras aplicáveis aos processos em papel, desde que posteriormente o documento- base correspondente seja digitalizado, conforme procedimento previsto no art. 12. Art. 6º A autoria, a autenticidade e a integridade dos documentos e da assinatura, nos processos administrativos eletrônicos, poderão ser obtidas por meio dos padrões de assinatura eletrônica definidos no Decreto nº 10.543, de 13 de novembro de 2020. (Redação dada pelo Decreto nº 10.543, de 2020) Art. 7º Os atos processuais em meio eletrônico consideram-se realizados no dia e na hora do recebimento pelo sistema informatizado de gestão de processo administrativo eletrônico do órgão ou da entidade, o qual deverá fornecer recibo eletrônico de protocolo que os identifique. § 1 º Quando o ato processual tiver que ser praticado em determinado prazo, por meio eletrônico, serão considerados tempestivos os efetivados, salvo disposição em contrário, até as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos do último dia do prazo, no horário oficial de Brasília. § 2 º Na hipótese prevista no § 1 º , se o sistema informatizado de gestão de processo administrativo eletrônico do órgão ou entidade se tornar indisponível por motivo técnico, o prazo fica automaticamente prorrogado até as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos do primeiro dia útil seguinte ao da resolução do problema. Art. 8º O acesso à íntegra do processo para vista pessoal do interessado pode ocorrer por intermédio da disponibilização de sistema informatizado de gestão a que se refere o art. 4º ou por acesso à cópia do documento, preferencialmente, em meio eletrônico. Art. 9º A classificação da informação quanto ao grau de sigilo e a possibilidade de limitação do acesso aos servidores autorizados e aos interessados no processo observarão os termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 , e das demais normas vigentes. Art. 10. Os documentos nato-digitais e assinados eletronicamente na forma do art. 6º são considerados originais para todos os efeitos legais. Art. 11. O interessado poderá enviar eletronicamente documentos digitais para juntada aos autos. § 1º O teor e a integridade dos documentos digitalizados são de responsabilidade do interessado, que responderá nos termos da legislação civil, penal e administrativa por eventuais fraudes. § 2º Os documentos digitalizados enviados pelo interessado terão valor de cópia simples. § 3 º A apresentação do original do documento digitalizado será necessária quando a lei expressamente o exigir ou nas hipóteses previstas nos art. 13 e art. 14. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 13 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Art. 12. A digitalização de documentos recebidos ou produzidos no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverá ser acompanhada da conferência da integridade do documento digitalizado. § 1º A conferência prevista no caput deverá registrar se foi apresentado documento original, cópia autenticada em cartório, cópia autenticada administrativamente ou cópia simples. § 2º Os documentos resultantes da digitalização de originais serão considerados cópia autenticada administrativamente, e os resultantes da digitalização de cópia autenticada em cartório, de cópia autenticada administrativamente ou de cópia simples terão valor de cópia simples. § 3º A administração poderá, conforme definido em ato de cada órgão ou entidade: I - proceder à digitalização imediata do documento apresentado e devolvê-lo imediatamente ao interessado; II - determinar que a protocolização de documento original seja acompanhada de cópia simples, hipótese em que o protocolo atestará a conferência da cópia com o original, devolverá o documento original imediatamente ao interessado e descartará a cópia simples após a sua digitalização; e III - receber o documento em papel para posterior digitalização, considerando que: a) os documentos em papel recebidos que sejam originais ou cópias autenticadas em cartório devem ser devolvidos ao interessado, preferencialmente, ou ser mantidos sob guarda do órgão ou da entidade, nos termos da sua tabela de temporalidade e destinação; e b) os documentos em papel recebidos que sejam cópias autenticadas administrativamente ou cópias simples podem ser descartados após realizada a sua digitalização, nos termos do caput e do § 1º. § 4º Na hipótese de ser impossível ou inviável a digitalização do documento recebido, este ficará sob guarda da administração e será admitido o trâmite do processo de forma híbrida, conforme definido em ato de cada órgão ou entidade. Art. 13. Impugnada a integridade do documento digitalizado, mediante alegação motivada e fundamentada de adulteração, deverá ser instaurada diligência para a verificação do documento objeto de controvérsia. Art. 14. A administração poderá exigir, a seu critério, até que decaia o seu direito de rever os atos praticados no processo, a exibição do original de documento digitalizado no âmbito dos órgãos ou das entidades ou enviado eletronicamente pelo interessado. Art. 15. Deverão ser associados elementos descritivos aos documentos digitais que integram processos eletrônicos, a fim de apoiar sua identificação, sua indexação, sua presunção de autenticidade, sua preservação e sua interoperabilidade. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 14 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Art. 16. Os documentos que integram os processos administrativos eletrônicos deverão ser classificados e avaliados de acordo com o plano de classificação e a tabela de temporalidade e destinação adotados no órgão ou na entidade, conforme a legislação arquivística em vigor. § 1º A eliminação de documentos digitais deve seguir as diretrizes previstas na legislação. § 2º Os documentos digitais e processos administrativos eletrônicos cuja atividade já tenha sido encerrada e que estejam aguardando o cumprimento dos prazos de guarda e destinação final poderão ser transferidos para uma área de armazenamento específica, sob controle do órgão ou da entidade que os produziu, a fim de garantir a preservação, a segurança e o acesso pelo tempo necessário. Art. 17. A definição dos formatos de arquivo dos documentos digitais deverá obedecer às políticas e diretrizes estabelecidas nos Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico - ePING e oferecer as melhores expectativas de garantia com relação ao acesso e à preservação. Parágrafo único. Para os casos ainda não contemplados nos padrões mencionados no caput, deverão ser adotados formatos interoperáveis, abertos, independentes de plataforma tecnológica e amplamente utilizados. Art. 18. Os órgãos ou as entidades deverão estabelecer políticas, estratégias e ações que garantam a preservação de longo prazo, o acesso e o uso contínuo dos documentos digitais. Parágrafo único. O estabelecido no caput deverá prever, no mínimo: I - proteção contra a deterioração e a obsolescência de equipamentos e programas; e II - mecanismos para garantir a autenticidade, a integridade e a legibilidade dos documentos eletrônicos ou digitais. Art. 19. A guarda dos documentos digitais e processos administrativos eletrônicos considerados de valor permanente deverá estar de acordo com as normas previstas pela instituição arquivística pública responsável por sua custódia, incluindo a compatibilidade de suporte e de formato, a documentação técnica necessária para interpretar o documento e os instrumentos que permitam a sua identificação e o controle no momento de seu recolhimento. Art. 20. Para os processos administrativos eletrônicos regidos por este Decreto, deverá ser observado o prazo definido em lei para a manifestação dos interessados e para a decisão do administrador. Art. 21. O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o Ministério da Justiça e a Casa Civil da Presidência da Repúblicaeditarão, conjuntamente, normas complementares a este Decreto. Art. 22. No prazo de seis meses, contado da data de publicação deste Decreto, os órgãos e as entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão apresentar cronograma de implementação do uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. § 1º O uso do meio eletrônico para a realização de processo administrativo deverá estar implementado no prazo de dois anos, contado da data de publicação deste Decreto . § 2º Os órgãos e as entidades de que tratam o caput que já utilizam processo administrativo eletrônico deverão adaptar-se ao disposto neste Decreto no prazo de três anos, contado da data de sua publicação. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 15 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Art. 23. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 8 de outubro de 2015; 194º da Independência e 127º da República. DILMA ROUSSEFF José Eduardo Cardozo Nelson Barbosa DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 16 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA LEI Nº 12.682, DE 9 DE JULHO DE 2012. (Vide Decreto nº 8.539, de 2015) Dispõe sobre a elaboração e o arquivamento de documentos em meios eletromagnéticos. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º A digitalização, o armazenamento em meio eletrônico, óptico ou equivalente e a reprodução de documentos públicos e privados serão regulados pelo disposto nesta Lei. Parágrafo único. Entende-se por digitalização a conversão da fiel imagem de um documento para código digital. Art. 2º-A. Fica autorizado o armazenamento, em meio eletrônico, óptico ou equivalente, de documentos públicos ou privados, compostos por dados ou por imagens, observado o disposto nesta Lei, nas legislações específicas e no regulamento. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) (Regulamento) § 1º Após a digitalização, constatada a integridade do documento digital nos termos estabelecidos no regulamento, o original poderá ser destruído, ressalvados os documentos de valor histórico, cuja preservação observará o disposto na legislação específica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º O documento digital e a sua reprodução, em qualquer meio, realizada de acordo com o disposto nesta Lei e na legislação específica, terão o mesmo valor probatório do documento original, para todos os fins de direito, inclusive para atender ao poder fiscalizatório do Estado. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 3º Decorridos os respectivos prazos de decadência ou de prescrição, os documentos armazenados em meio eletrônico, óptico ou equivalente poderão ser eliminados. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 4º Os documentos digitalizados conforme o disposto neste artigo terão o mesmo efeito jurídico conferido aos documentos microfilmados, nos termos da Lei nº 5.433, de 8 de maio de 1968 , e de regulamentação posterior. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 5º Ato do Secretário de Governo Digital da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia estabelecerá os documentos cuja reprodução conterá código de autenticação verificável. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 6º Ato do Conselho Monetário Nacional disporá sobre o cumprimento do disposto no § 1º deste artigo, relativamente aos documentos referentes a operações e transações realizadas no sistema financeiro nacional. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 7º É lícita a reprodução de documento digital, em papel ou em qualquer outro meio físico, que contiver mecanismo de verificação de integridade e autenticidade, na maneira e com a técnica definidas pelo mercado, e cabe ao particular o ônus de demonstrar integralmente a presença de tais requisitos. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 17 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA § 8º Para a garantia de preservação da integridade, da autenticidade e da confidencialidade de documentos públicos será usada certificação digital no padrão da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Art. 3º O processo de digitalização deverá ser realizado de forma a manter a integridade, a autenticidade e, se necessário, a confidencialidade do documento digital, com o emprego de assinatura eletrônica. (Redação dada pela Lei nº 14.129, de 2021) (Vigência) Parágrafo único. Os meios de armazenamento dos documentos digitais deverão protegê-los de acesso, uso, alteração, reprodução e destruição não autorizados. Art. 4º As empresas privadas ou os órgãos da Administração Pública direta ou indireta que utilizarem procedimentos de armazenamento de documentos em meio eletrônico, óptico ou equivalente deverão adotar sistema de indexação que possibilite a sua precisa localização, permitindo a posterior conferência da regularidade das etapas do processo adotado. Art. 5º (VETADO). Art. 6º Os registros públicos originais, ainda que digitalizados, deverão ser preservados de acordo com o disposto na legislação pertinente. Art. 7º (VETADO). Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 9 de julho de 2012; 191º da Independência e 124º da República. DILMA ROUSSEFF Márcia Pelegrini Guido Mantega Jorge Hage Sobrinho Luis Inácio Lucena Adams DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 18 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA LEI Nº 14.063, DE 23 DE SETEMBRO DE 2020 - ASSINATURAS ELETRÔNICAS EM INTERAÇÕES COM ENTES PÚBLICOS, EM ATOS DE PESSOAS JURÍDICAS E EM QUESTÕES DE SAÚDE E SOBRE AS LICENÇAS DE SOFTWARES DESENVOLVIDOS POR ENTES PÚBLICOS. LEI Nº 14.063, DE 23 DE SETEMBRO DE 2020 Dispõe sobre o uso de assinaturas eletrônicas em interações com entes públicos, em atos de pessoas jurídicas e em questões de saúde e sobre as licenças de softwares desenvolvidos por entes públicos; e altera a Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, a Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, e a Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÃO PRELIMINAR Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o uso de assinaturas eletrônicas em interações com entes públicos, em atos de pessoas jurídicas e em questões de saúde e sobre as licenças de softwares desenvolvidos por entes públicos, com o objetivo de proteger as informações pessoais e sensíveis dos cidadãos, com base nos incisos X e XII do caput do art. 5º da Constituição Federal e na Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), bem como de atribuir eficiência e segurança aos serviços públicos prestados sobretudo em ambiente eletrônico. CAPÍTULO II DA ASSINATURA ELETRÔNICA EM INTERAÇÕES COM ENTES PÚBLICOS Seção I Do Objeto, do Âmbito de Aplicação e das Definições Art. 2º Este Capítulo estabelece regras e procedimentos sobre o uso de assinaturas eletrônicas no âmbito da: I – interação interna dos órgãos e entidades da administração direta, autárquica e fundacional dos Poderes e órgãos constitucionalmente autônomos dos entes federativos; II – interação entre pessoas naturais ou pessoas jurídicas de direito privado e os entes públicos de que trata o inciso I do caput deste artigo; III – interação entre os entes públicos de que trata o inciso I do caput deste artigo. Parágrafo único. O disposto neste Capítulo não se aplica: I – aos processos judiciais; II – à interação: a) entre pessoas naturaisou entre pessoas jurídicas de direito privado; b) na qual seja permitido o anonimato; c) na qual seja dispensada a identificação do particular; III – aos sistemas de ouvidoria de entes públicos; DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 19 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA IV – aos programas de assistência a vítimas e a testemunhas ameaçadas; V – às outras hipóteses nas quais deva ser dada garantia de preservação de sigilo da identidade do particular na atuação perante o ente público. Art. 3º Para os fins desta Lei, considera-se: I – autenticação: o processo eletrônico que permite a identificação eletrônica de uma pessoa natural ou jurídica; II – assinatura eletrônica: os dados em formato eletrônico que se ligam ou estão logicamente associados a outros dados em formato eletrônico e que são utilizados pelo signatário para assinar, observados os níveis de assinaturas apropriados para os atos previstos nesta Lei; III – certificado digital: atestado eletrônico que associa os dados de validação da assinatura eletrônica a uma pessoa natural ou jurídica; IV – certificado digital ICP-Brasil: certificado digital emitido por uma Autoridade Certificadora (AC) credenciada na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), na forma da legislação vigente. Seção II Da Classificação das Assinaturas Eletrônicas Art. 4º Para efeitos desta Lei, as assinaturas eletrônicas são classificadas em: I – assinatura eletrônica simples: a) a que permite identificar o seu signatário; b) a que anexa ou associa dados a outros dados em formato eletrônico do signatário; II – assinatura eletrônica avançada: a que utiliza certificados não emitidos pela ICP-Brasil ou outro meio de comprovação da autoria e da integridade de documentos em forma eletrônica, desde que admitido pelas partes como válido ou aceito pela pessoa a quem for oposto o documento, com as seguintes características: a) está associada ao signatário de maneira unívoca; b) utiliza dados para a criação de assinatura eletrônica cujo signatário pode, com elevado nível de confiança, operar sob o seu controle exclusivo; c) está relacionada aos dados a ela associados de tal modo que qualquer modificação posterior é detectável; III – assinatura eletrônica qualificada: a que utiliza certificado digital, nos termos do § 1º do art. 10 da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001. § 1º Os 3 (três) tipos de assinatura referidos nos incisos I, II e III do caput deste artigo caracterizam o nível de confiança sobre a identidade e a manifestação de vontade de seu titular, e a assinatura eletrônica qualificada é a que possui nível mais elevado de confiabilidade a partir de suas normas, de seus padrões e de seus procedimentos específicos. § 2º Devem ser asseguradas formas de revogação ou de cancelamento definitivo do meio utilizado para as assinaturas previstas nesta Lei, sobretudo em casos de comprometimento de sua segurança ou de vazamento de dados. Seção III DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 20 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Da Aceitação e da Utilização de Assinaturas Eletrônicas pelos Entes Públicos Art. 5º No âmbito de suas competências, ato do titular do Poder ou do órgão constitucionalmente autônomo de cada ente federativo estabelecerá o nível mínimo exigido para a assinatura eletrônica em documentos e em interações com o ente público. § 1º O ato de que trata o caput deste artigo observará o seguinte: I – a assinatura eletrônica simples poderá ser admitida nas interações com ente público de menor impacto e que não envolvam informações protegidas por grau de sigilo; II – a assinatura eletrônica avançada poderá ser admitida, inclusive: a) nas hipóteses de que trata o inciso I deste parágrafo; b) (VETADO); c) no registro de atos perante as juntas comerciais; III – a assinatura eletrônica qualificada será admitida em qualquer interação eletrônica com ente público, independentemente de cadastramento prévio, inclusive nas hipóteses mencionadas nos incisos I e II deste parágrafo. § 2º É obrigatório o uso de assinatura eletrônica qualificada: I – nos atos assinados por chefes de Poder, por Ministros de Estado ou por titulares de Poder ou de órgão constitucionalmente autônomo de ente federativo; II – (VETADO); III – nas emissões de notas fiscais eletrônicas, com exceção daquelas cujos emitentes sejam pessoas físicas ou Microempreendedores Individuais (MEIs), situações em que o uso torna-se facultativo; IV – nos atos de transferência e de registro de bens imóveis, ressalvado o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1º deste artigo; V – (VETADO); VI – nas demais hipóteses previstas em lei. § 3º (VETADO). § 4º O ente público informará em seu site os requisitos e os mecanismos estabelecidos internamente para reconhecimento de assinatura eletrônica avançada. § 5º No caso de conflito entre normas vigentes ou de conflito entre normas editadas por entes distintos, prevalecerá o uso de assinaturas eletrônicas qualificadas. § 6º As certidões emitidas por sistema eletrônico da Justiça Eleitoral possuem fé pública e, nos casos dos órgãos partidários, substituem os cartórios de registro de pessoas jurídicas para constituição dos órgãos partidários estaduais e municipais, dispensados quaisquer registros em cartórios da circunscrição do respectivo órgão partidário. Art. 6º O art. 7º da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º Compete às AR, entidades operacionalmente vinculadas a determinada AC, identificar e cadastrar usuários, encaminhar solicitações de certificados às AC e manter registros de suas operações. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 21 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA Parágrafo único. A identificação a que se refere o caput deste artigo será feita presencialmente, mediante comparecimento pessoal do usuário, ou por outra forma que garanta nível de segurança equivalente, observadas as normas técnicas da ICP-Brasil.” (NR) Art. 7º O § 2º do art. 10 e o § 6º do art. 32 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 10............................................................................................................................... ............................................................................................................................................. § 2º Após o recebimento da comunicação de constituição dos órgãos de direção regionais e municipais, definitivos ou provisórios, o Tribunal Superior Eleitoral, na condição de unidade cadastradora, deverá proceder à inscrição, ao restabelecimento e à alteração de dados cadastrais e da situação cadastral perante o CNPJ na Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.” (NR) “Art. 32............................................................................................................................... ............................................................................................................................................. § 6º O Tribunal Superior Eleitoral, na condição de unidade cadastradora, deverá proceder à reativação da inscrição perante o CNPJ na Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil dos órgãos partidários municipais referidos no § 4º deste artigo que estejam com a inscrição baixada ou inativada, após o recebimento da comunicação de constituição de seus órgãos de direção regionais e municipais, definitivos ou provisórios. ............................................................................................................................................” (NR) Seção IV Dos Atos Praticados por Particulares perante Entes Públicos Art. 8º As assinaturas eletrônicas qualificadas contidas em atas deliberativas de assembleias, de convenções e de reuniões das pessoas jurídicasde direito privado constantes do art. 44 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devem ser aceitas pelas pessoas jurídicas de direito público e pela administração pública direta e indireta pertencentes aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Art. 9º (VETADO). Seção V Dos Atos Realizados durante a Pandemia Art. 10. O ato de que trata o caput do art. 5º desta Lei poderá prever nível de assinatura eletrônica incompatível com o previsto no § 1º do art. 5º para os atos realizados durante o período da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente da pandemia da Covid-19, de que trata a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, com vistas à redução de contatos presenciais ou para a realização de atos que, de outro modo, ficariam impossibilitados. CAPÍTULO III DA ATUAÇÃO DO COMITÊ GESTOR E DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO PERANTE ENTES PÚBLICOS Art. 11. (VETADO). Art. 12. (VETADO). CAPÍTULO IV DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 22 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA DA ASSINATURA ELETRÔNICA EM QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA Art. 13. Os receituários de medicamentos sujeitos a controle especial e os atestados médicos em meio eletrônico, previstos em ato do Ministério da Saúde, somente serão válidos quando subscritos com assinatura eletrônica qualificada do profissional de saúde. Parágrafo único. As exigências de nível mínimo de assinatura eletrônica previstas no caput deste artigo e no art. 14 desta Lei não se aplicam aos atos internos do ambiente hospitalar. Art. 14. Com exceção do disposto no art. 13 desta Lei, os documentos eletrônicos subscritos por profissionais de saúde e relacionados à sua área de atuação são válidos para todos os fins quando assinados por meio de: I –assinatura eletrônica avançada; ou II – assinatura eletrônica qualificada. Parágrafo único. Observada a legislação específica, o art. 13 desta Lei e o caput deste artigo, ato do Ministro de Estado da Saúde ou da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no âmbito de suas competências, especificará as hipóteses e os critérios para a validação dos documentos de que trata o caput deste artigo. Art. 15. O art. 35 da Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, passa vigorar com as seguintes alterações, numerando-se o atual parágrafo único como § 1º: “Art. 35............................................................................................................................... a) (revogada); b) (revogada); c) (revogada). I – que seja escrita no vernáculo, redigida sem abreviações e de forma legível e que observe a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais; II – que contenha o nome e o endereço residencial do paciente e, expressamente, o modo de usar a medicação; e III – que contenha a data e a assinatura do profissional de saúde, o endereço do seu consultório ou da sua residência e o seu número de inscrição no conselho profissional. § 1º O receituário de medicamentos terá validade em todo o território nacional, independentemente do ente federativo em que tenha sido emitido, inclusive o de medicamentos sujeitos ao controle sanitário especial, nos termos da regulação. § 2º As receitas em meio eletrônico, ressalvados os atos internos no ambiente hospitalar, somente serão válidas se contiverem a assinatura eletrônica avançada ou qualificada do profissional e atenderem aos requisitos de ato da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou do Ministro de Estado da Saúde, conforme as respectivas competências. § 3º É obrigatória a utilização de assinaturas eletrônicas qualificadas para receituários de medicamentos sujeitos a controle especial e para atestados médicos em meio eletrônico.” (NR) CAPÍTULO V DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E DE COMUNICAÇÃO DOS ENTES PÚBLICOS Art. 16. Os sistemas de informação e de comunicação desenvolvidos exclusivamente por órgãos e entidades da administração direta, autárquica e fundacional dos Poderes e órgãos constitucionalmente autônomos dos entes federativos são regidos por licença de código aberto, permitida a sua utilização, cópia, alteração e distribuição sem restrições por todos os órgãos e entidades abrangidos por este artigo. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 23 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se, inclusive, aos sistemas de informação e de comunicação em operação na data de entrada em vigor desta Lei. § 2º Não estão sujeitos ao disposto neste artigo: I – os sistemas de informação e de comunicação cujo código-fonte possua restrição de acesso à informação, nos termos do Capítulo IV da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011; II – os dados armazenados pelos sistemas de informação e de comunicação; III – os componentes de propriedade de terceiros; e IV – os contratos de desenvolvimento de sistemas de informação e de comunicação que tenham sido firmados com terceiros antes da data de entrada em vigor desta Lei e que contenham cláusula de propriedade intelectual divergente do disposto no caput deste artigo. CAPÍTULO VI DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 17. O disposto nesta Lei não estabelece obrigação aos órgãos e entidades da administração direta, indireta, autárquica e fundacional dos Poderes e órgãos constitucionalmente autônomos dos entes federativos de disponibilizarem mecanismos de comunicação eletrônica em todas as hipóteses de interação com pessoas naturais ou jurídicas. Art. 18. Os sistemas em uso na data de entrada em vigor desta Lei que utilizem assinaturas eletrônicas e que não atendam ao disposto no art. 5º desta Lei serão adaptados até 1º de julho de 2021. Art. 19. Revogam-se as alíneas "a", "b" e "c" do caput do art. 35 da Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973. Art. 20. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 23 de setembro de 2020; 199º da Independência e 132º da República. JAIR MESSIAS BOLSONARO Paulo Guedes Eduardo Pazuello Walter Souza Braga Netto RESOLUÇÃO DE TESTES 1. Geração, por computador, de qualquer símbolo ou série de símbolos executados, adotados ou autorizados por um indivíduo a) Assinatura eletrônica b) Assinatura digital c) Arquivo digital d) IA e) Arquivo físico DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 24 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA 2. A __________de documentos arquivísticos envolve três aspectos: legal, diplomático e histórico. a) Autenticação b) Notoriedade c) Autenticidade d) Integridade e) Identidade 3. Por meio da (o) _______________ é possível demonstrar a sucessão de entidades coletivas ou pessoas que tiveram posse, custódia e controle sobre os documentos a) Auditoria b) Trilha c) Sondagem d) Custodiador e) diplomática 4. A análise bibliométrica apresentada neste capítulo revela que os _____________ estão isolados em sua disputa pela liderança na produção científica em IA a) Estados Unidos b) Estados Unidos e Rússia c) Rússia e China d) Estados Unidos e Brasil e) Estados Unidos e China 5. Tem por objetivo de caracterizar a literatura sobre IA: a) Análise Digital b) Análise Bibliométrica c) Análise Científica Digital d) SWOT e) BSC 6. A conversão da fiel imagem de um documento físico para código digital a) Metadados b) Metaverso c) Documentação digital d) Digitalização e) Documentação eletrônica 7. Dado estruturado, que permite classificar, descrever e gerenciar documentos e processos a) Metadado b) Documento nato-digital c) Documento eletrônico d) Documento digital e) Arquivo digital DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 25 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA QUESTÕES COMENTADAS 1. (FGV Analista Senado Federal 2022) Para garantir a presunção de autenticidade dos documentos arquivísticos digitais,deve-se avaliar os ambientes informatizados onde é feita a custódia desses documentos, na auditoria e na certificação destes ambientes. Assim, é preciso manter uma linha de custódia digital documental entre o Sigad e o a) GED. b) RDC-Arq. c) E-Arq. d) ICA-Atom. e) DIP. Comentário: RDC-arq é um conjunto de procedimentos normativos e técnicos capazes de manter autênticos os materiais digitais nele custodiados, de modo a preservá-los e dar acesso a eles pelo tempo necessário. RDC-Arq deverá ser capaz de: Proteger as características do documento arquivístico, em especial a autenticidade (identidade e integridade) e a relação orgânica dos documentos; Preservar e dar acesso, pelo tempo necessário, a documentos arquivísticos digitais autênticos Gerenciar os documentos e metadados de acordo com os princípios relacionados à descrição arquivística multinível e à preservação;; Estar em conformidade com os critérios estabelecidos na ISO (International Organization for Standardization) nº 16363:2012 e na Norma Técnica brasileira – NBR nº 15.472; Utilizar padrões abertos que não possuam restrições legais quanto ao uso, reconhecidos em âmbito nacional e internacional; Adotar protocolos padronizados para comunicação automática, garantida a interoperabilidade 2. O seguinte requisito garante a autenticidade dos documentos arquivísticos eletrônicos: a) metadados. b) marcas d´água. c) cifragem. d) criptografia. e) assinatura digital. Comentário: Assinatura em meio eletrônico, que permite aferir a origem e a integridade do documento. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 26 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA 3. Para a geração de matrizes digitais, não é recomendado que sejam utilizados recursos que resultam num aumento artificial da resolução óptica, com o propósito de fazer com que uma imagem digital pareça ter sido capturada originalmente com maior resolução. Esses recursos são conhecidos como a) reformatação. b) criptografia. c) captura digital. d) hipertexto. e) interpolação. Comentário: A nossa resposta pode ser encontrada nas Recomendações para Digitalização de Documentos Arquivísticos Permanentes. Neste documento há explicação do processo utilizado para acrescentar pixels à imagem digitalizada, a partir dos pixels já existentes, com a finalidade de aumentar a resolução desta. Muito utilizada, por exemplo, em imagens pequenas para a internet, mas não pode ser utilizada para a geração de matrizes digitais. A reformatação é a técnica de mudança da forma de apresentação do documento, sobretudo o digital, com o objetivo de combater a obsolescência tecnológica e prover o acesso contínuo ao mesmo. Pode incluir atividades como a migração de suporte, a conversão de dados e formatos ou mesmo a digitalização. A criptografia é método de codificação de dados utilizando algoritmo específico e chave secreta, com o objetivo de restringir o acesso ao conteúdo informacional a pessoas não autorizadas. Quando utilizado em um documento, somente os usuários conhecedores e portadores dos algoritmos e chaves utilizadas (autorizados em potencial) podem decodificar o documento e conhecer o seu conteúdo. A captura digital é o ato de inserir os dados do documento em sistema de controle próprio. Em resumo, é quando o sistema "toma conhecimento" da existência do documento. O hypertexto é uma forma de estruturação de documentos que permite a leitura por meio de enlaces (links) que possibilitam a conexão direta entre as diversas partes do documento ou deste com outros documentos. DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 27 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA 4. (CESPE Oficial ABIN 2018) Entre as principais características do documento de arquivo, a autenticidade é a que tem ganhado maior destaque com o cenário digital. Comentário: Nas Diretrizes para implementação de repositórios arquivísticos digitais confiáveis - RDC-Arq do CONARQ em sua apresentação temos o seguinte texto: "Os documentos arquivísticos caracterizam-se por registrarem e apoiarem as atividades do órgão ou entidade, servindo de evidência dessas atividades, bem como de fonte de informação para a pesquisa, e para assegurar os direitos dos cidadãos. Assim, é preciso garantir que os documentos sejam acessíveis e permaneçam autênticos em todo o seu ciclo de vida. 5. Sobre documentos digitais em arquivos é correto afirmar: a) O documento digital é o objeto físico, ou seja, o conjunto de cadeias de bits registradas em um suporte. b) A autenticidade de um documento digital, segundo a perspectiva da Diplomática, independe da veracidade de seu conteúdo. c) A autenticação é o mecanismo que garante a autenticidade de um documento digital. d) As técnicas de autenticação baseadas em tecnologia são efetivas para a transmissão de longo prazo dos documentos digitais. e) A partir de um hash, é possível recompor o documento digital que o gerou. Comentário: A) ERRADA: "o documento arquivístico digital é o objeto conceitual, isto é, aquele normalmente apresentado em dispositivo de saída (monitor, caixa de som), e não o objeto físico (as cadeias de bits registradas em um suporte)." B) CERTA: "no que tange ao ponto de vista da diplomática, a autenticidade se refere a não alteração do documento após sua produção, mesmo que o conteúdo não seja verdadeiro" C) ERRADA: "a autenticação não garante necessariamente a autenticidade do documento, na medida em que se pode declarar como autêntico algo que não é." D) ERRADA: "as técnicas de autenticação baseadas em tecnologia não são efetivas para a transmissão dos documentos no tempo, ou seja, quando são armazenados no longo prazo ou quando há atualização/substituição de hardware, software ou formatos." E) ERRADA: "a partir de um hash, não é possível recompor o documento digital que o gerou" DOCUMENTAÇÃO DIGITAL CAP- AD 2024 PROFESSOR MOZART 28 @PROFESSORMOZART @MOZARTROCHA 6. O registro das informações que permitem o rastreamento das tentativas de intervenção ou das intervenções efetivamente realizadas nos documentos digitais recebe o nome de a) trilha de auditoria. b) autoridade de registro. c) Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP). d) sistema operacional. e) Digital Object Identifier (DOI). Comentário: Trilha de auditoria Consiste num histórico de todas as intervenções, ou tentativas de intervenção, feitas no documento e no próprio Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD). Nesse sentido, é também um método sobre os documentos arquivísticos digitais e sobre sua autenticidade (E-arq). 7. O resultado do processo de reprodução, em filme, de documentos, dados e imagens, por meios fotográficos ou eletrônicos, em diferentes graus de redução é conhecido como a) digitalização. b) emulação. c) teletipagem. d) certificação. e) microfilmagem. Comentário: Decreto nº 1799 Art. 3° Entende-se por microfilme, para fins deste Decreto, o resultado do processo de reprodução em filme, de documentos, dados e imagens, por meios fotográficos ou eletrônicos, em diferentes graus de redução. Que o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a tua aprovação!!!