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Síndrome de Zellweger Aspectos Clínicos e Moleculares Grupo A.2 Membros do grupo • Luiza Soares • Cauê Filipe Vieira • André Philip Soares Franklin • Felipe Hsing • Leticia Barros V. da Costa • Gisele Lustoza • Manuela P G Cordeiro • Rafael Rezende • Raiza Sirino • Lucas de Oliveira • João Vitor Borges • Mariana Aparecida • Victor Carneiro • Classificação da doença • Proteína associada e sua função no organismo • Via afetada pela doença • O comprometimento metabólico sob um aspecto clínico • Tratamento e acompanhamento Tópicos abordados Classificação da Síndrome de Zellweger A Síndrome de Zellweger (SZ) é uma doença peroxissomal rara, também conhecida como síndrome cerebro-hepato-renal, caracterizada por defeitos na formação dos peroxissomos nas células do cérebro, fígado e rins. Essa condição impede a beta- oxidação de ácidos graxos de cadeia longa, essencial para a sobrevivência, levando a problemas graves e, geralmente, à morte precoce. Indivíduos afetados frequentemente apresentam atrasos no desenvolvimento, convulsões, deficiência visual e auditiva, disfunção hepática e hipotonia. Classificação da Síndrome de Zellweger • As patologias dos peroxissomos podem ser divididas em duas categorias principais: aquelas em que a organela não se forma adequadamente, devido a alterações na biogênese do peroxissomo, e aquelas causadas por defeitos em proteínas específicas dos peroxissomos. A síndrome de Zellweger é o principal exemplo de distúrbio relacionado à biogênese dos peroxissomos. • Em condições normais, a formação dos peroxissomos depende da ação de um conjunto de proteínas chamadas peroxinas (PEX), codificadas por genes PEX. Na síndrome de Zellweger, mutações em genes PEX comprometem o processo de biogênese. A síndrome de Zellweger é causada por defeitos nos genes PEX, responsáveis pela produção de proteínas atuantes na biogênese dos peroxissomos. A proteína associada à Síndrome de Zellweger é geralmente uma das peroxinas (Proteínas PEX), mais comumente a peroxina 1 Essas proteínas apresentam diversas funções na formação, manutenção e funcionamento dos peroxissomos, como : - Reconhecimento e importação de proteínas do citosol para dentro dos peroxissomos; - Montagem da estrutura da membrana do peroxissomo; -Controle da divisão e da proliferação dos peroxissomos; -Auxílio na reciclagem de proteínas peroxissomais defeituosas Sem peroxinas funcionando corretamente (como acontece na Síndrome de Zellweger), há prejuízo funcional dos peroxissomos, o que afeta a ocorrência de processos vitais. Proteína associada e sua função Via metabólica afetada Principais diferenças entre a via de degradação lipídica mitocondrial e peroxissomal O sistema peroxissomal prefere ácidos graxos de cadeia muito longa → atua encurtando ácidos graxos para que ocorra a β-oxidação mitocondrial. Na primeira etapa oxidativa, os elétrons passam diretamente ao O , gerando H O → imediatamente clivado a H O e O pela catalase → não há síntese de ATP, mas liberação de calor 2 2 2 2 2 Acetil-CoA e NADH produzidos são exportados para o citosol até alcançarem a mitocôndria Via metabólica afetada No indivíduo normal: Nos peroxissomos, a enzima Acil-Coa Oxidase converte VLCFA em moléculas menores → posteriormente finalizadas nas mitocôndrias. Síndrome de Zellweger: peroxissomos disfuncionais → enzimas não ativas → acúmulo de VLCFA no sangue e tecidos. Beta-Oxidação de Ácidos Graxos de Cadeia Muito Longa (VLCFA) Via metabólica afetada Metabolismo do Fitanoato No indivíduo normal: O ácido fitânico (proveniente da dieta, especialmente laticínios e carnes) é metabolizado nos peroxissomos → enzima fitanoil- CoA hidroxilase realiza alfa-oxidação → essencial para quebrar o fitanoato, que não pode ser degradado por beta-oxidação direta. Na Síndrome de Zellweger: peroxissomos não funcionam → fitanoil-CoA hidroxilase fica inativa → acúmulo de ácido fitânico no sangue e tecidos. Testes genéticos: painel multigênico e análise genômica completa Exames de sangue, ressonância magnética e ultrassonografia Comprometimento metabólico : Testa alta, fontanelas grandes, hipotonia grave, disfunções hepáticas e má-formação cerebral. Com a disfunção dos peroxissomos no organismo, causada pela condição genética, haverá problemas nas vias de β-oxidação de ácidos graxos e síntese de plasmalógenos. Características comuns encontradas nos portadores Como diagnosticar a doença um aspecto clínico Tratamento e acompanhamento Não tem cura, por ser uma doença genética. O tratamento é para amenizar sintomas e prevenir complicações. Hipotonia → fisioterapia e fortalecimento muscular Disfunção hepática → reposição oral de sais biliares e monitoramento Má absorção lipídica → suplementação de vitaminas lipossolúveis e acompanhamento nutricional Convulsões → medicamentos anticonvulsivos e/ou uso de canabidioil (redução de crises em 92%) Perda auditiva ou visual: acompanhamento otorrinolaringologista e oftalmológico Evitar alimentos com alto conteúdo de ácido fitanico (peixe, derivados de leite, carne vermelha): não é tão eficiente porque existe a produção endógena desse ácido graxo Obrigado Referências bibliográficas NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de bioquímica de Lehninger. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. RODWELL, V. W. et al. Harper: bioquímica ilustrada. 31. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019. MOSER, H. W. Enfermedades peroxisomales: clasificación y descripción de las anomalías bioquímicas. Revista de neurologia, v. 28, n. S1, p. 45, 1999. ELUMALAI, V.; PASRIJA, D. Zellweger spectrum disorder. Em: StatPearls. 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