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História da 
Comunicação
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Wiliam Pianco dos Santos
Revisão Textual:
Prof.ª Me. Natalia Conti 
As Origens da Comunicação
• Da Comunicação Oral ao Advento do Papel;
• A Prensa e a Evolução da Leitura;
• O Surgimento do Jornal Impresso.
• Conhecer os primórdios da comunicação humana, desde as primeiras iniciativas em 
sociedade até a complexidade do advento da escrita;
• Pontuar a relevância do uso do papel, da prensa e da imprensa para o desenvolvimento 
comunicacional em etapas preliminares da história da comunicação.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
As Origens da Comunicação
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de 
aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE As Origens da Comunicação
Da Comunicação Oral 
ao Advento do Papel
A história da comunicação humana é longa e fascinante! Nos dias atuais, existe 
a sensação de estarmos vivendo uma verdadeira revolução nos meios e nos modos 
comunicacionais. Se por um lado essa percepção é correta e muito justificável em 
razão dos constantes desenvolvimentos tecnológicos, por outro, esse entendimento 
também pode camuflar o fato de que a comunicação humana nunca deixou de 
progredir. E a razão do porquê a comunicação humana sempre esteve em avanço 
é muito simples: ela esteve sempre imediatamente correlacionada com o próprio 
processo histórico das sociedades, ou seja, com o específico evoluir do homem em 
contato com a natureza.
Outro fator relevante nesse âmbito diz respeito às permanentes conexão e in-
fluência entre alguns fenômenos das mídias ao longo dos tempos. A título de uma 
exemplificação contemporânea, podemos verificar como as séries televisivas atuais 
seguem o mesmo modelo das novelas radiofônicas, e estas, por sua vez, se moldam 
nas histórias em capítulos de revistas do século XIX. Ou seja, tudo isso ocorre por 
meio de uma interatividade (nem sempre óbvia e direta, é verdade) que remete, no 
limite, aos primórdios da comunicação humana.
Por enquanto, fiquemos apenas com mais dois exemplos recentes na História que 
nos auxiliam na compreensão de como os fenômenos comunicacionais entram em 
contato, às vezes com séculos de distância: os historiadores Asa Briggs e Peter Burke 
(2004) fazem uma importante observação quando alertam para o fato de que “foi 
com a era do rádio que o mundo acadêmico começou a reconhecer a importância da 
comunicação oral na Grécia antiga e na Idade Média”; e mais, o advento da televisão, 
na década de 1950, “deu surgimento à comunicação visual e estimulou a emergência 
de uma teoria interdisciplinar da mídia”, compreendendo a história da comunicação 
desde os seus primórdios (p. 13).
Apesar de certas imprecisões entre os resultados obtidos por pesquisadores, 
cientistas e historiadores ao longo de séculos de trabalhos, ainda persiste o enten-
dimento de que os seres humanos iniciaram seus modos de comunicação com ges-
tos, expressões faciais e corporais; passando por rudimentares manifestações orais 
(gritos e grunhidos); depois desenvolvendo a aptidão da fala; então manifestando 
ideias e intenções com desenhos e formas para, então, celebrar a capacidade da 
escrita e da leitura.
O desenvolver desse processo está relacionado com a vida humana em socieda-
de – mais precisamente, pelo início da vida de nossos ancestrais em grupos fixados 
em localidades definidas. A partir do momento em que nossos ancestrais tornaram-
-se seres bípedes (ou seja, quando deixaram de utilizar as mãos para o deslocamen-
to), com a evolução do dedo polegar opositor, o fixar de moradias e a otimização de 
ferramentas de caça e de cultivo da terra, as mãos passaram a ficar cada vez mais 
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9
ocupadas com os instrumentos de trabalho criados, deixando pouca disponibilidade 
para os gestos – disso evoluíram-se até alcançar a fala propriamente dita.
Relativamente à linguagem oral, é certo que esta é muito mais antiga do que a 
linguagem escrita. Em termos de comparação, os pesquisadores acreditam que a 
fala tenha surgido milhões de anos atrás, por meio de um processo lento e gradual, 
enquanto os mais antigos registros de escrita são atribuídos a fontes com cerca de 
seis mil anos.
Portanto, os fatores descritos acima, paralelamente à necessidade de divisão 
do trabalho (entre caçadores; cultivadores de vegetais; preparadores de alimentos; 
vigilantes e cuidadores internos ao grupo; etc.), formataram uma primitiva (mas 
complexa) rede social que convocava, por sua vez, um modo de comunicação mais 
primoroso do que gestos ou gritos.
Com o desenvolvimento constante da linguagem humana, os comportamentos 
aprendidos, as descobertas verificadas, os experimentos testados, enfim, toda uma 
complexa gama de experiências antes individualizadas puderam ser transferidas 
aos outros indivíduos do grupo, bem como às novas gerações. Com isso, podemos 
verificar o enorme ganho cultural que passou a ser fomentado entre homens e 
mulheres por meio de informações trocadas e registradas (apenas mentalmente, 
até aquele momento), para além de aumentar em muitas vezes as possibilidades de 
sobrevivência da espécie no âmbito de uma natureza bastante hostil à fragilidade 
do corpo humano.
Uma nova experiência é incorporada às capacidades humanas a partir do mo-
mento em que homens e mulheres descobrem as possibilidades da expressão ima-
gética. De maneira obviamente rudimentar, os primeiros desenhos criados pela 
humanidade representavam figuras de animais, plantas e vegetais variados, cenas 
da natureza ou episódios pontuais do cotidiano coletivo da época.
Dessas experiências primordiais, os desenhos passam a evoluir para formas mais 
complexas e exigentes no tocante à sua interpretação. Ou seja, aqueles evoluem para 
um gênero ao qual o homem busca atribuir um elaborado significado. É essa tran-
sição, aparentemente simples e despretensiosa, aquilo que fará com que figuras do 
cotidiano (os desenhos iniciais) sejam convertidos em escrita.
Mas é preciso especial atenção neste momento. A escrita nesse período não é 
a escrita moderna, familiar ao nosso tempo contemporâneo, mas antes a escrita 
pictográfica. Trata-se, portanto, de uma etapa da história da comunicação em que 
homens e mulheres ainda desenhavam objetos concretos, mas ali com a pretensãode formar relatos mais dilatados e consistentes (ver Figura 1).
Obedecendo à evolução natural e gradual da capacidade humana, parte desses 
desenhos é transformada em marcas, em sinais com sentido convencional e assi-
milável pelo grupo. Assim, eles tornam-se mais complexos e capazes de sintetizar 
conceitos amplos e abstratos. Essa especificidade demarca a transição da escrita 
pictográfica para o advento dos ideogramas. 
9
UNIDADE As Origens da Comunicação
Um novo processo tem lugar na história da comunicação humana, agora acres-
centando aos ideogramas representações de partes delimitadas pela qualidade fo-
nética da fala humana. Assim, surgem aquilo que podemos compreender como as 
primeiras divisões silábicas de ideias e noções (ou ideogramas). As junções de tais 
sílabas levam às palavras. 
Por fim, surgem os signos alfabéticos que, correlacionando a escrita com a voz 
humana, reproduzem-na graficamente. É desse modo que a escrita, originando-se 
a partir da representação pictográfica, complementa-se com caracteres silábicos e 
alfabéticos, caminhando em direção a modelos cada vez mais complexos e enrique-
cedores da expressão do pensamento humano. Nesse aspecto, são notáveis os usos 
que os egípcios, os assírios e demais povos da Antiguidade fizeram da evolução da 
escrita (ver Figura 2). 
Já a última etapa desse longo processo foi conquistada com o uso exclusivo dos 
caracteres alfabéticos nas comunicações escritas. Essa qualidade espantosa da capa-
cidade da comunicação humana, por sua vez, é atribuída aos fenícios (ver Figura 3).
Vejamos a bela constatação de Antonio Costella a propósito do nosso debate:
Com a escrita, mesmo em sua forma mais rudimentar, o homem venceu 
o tempo e o espaço. Ela permitiu a fixação do conhecimento, manten-
do-o disponível ao longo do tempo, e, simultaneamente, admitiu sua 
disseminação pelo transporte, facultando a comunicação à distância. 
(COSTELLA, 1984: p. 13)
Figura 1 – Exemplo de escrita pictográfica
Fonte: pt.freeimages.com
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Figura 2 – Exemplo de hieróglifo egípcio, variação aprimorada 
dos ideogramas
Fonte: pt.freeimages.co
Figura 3 – Exemplo do Alfabeto Fenício
Fonte: Getty Images
11
UNIDADE As Origens da Comunicação
Para um debate aprofundado sobre as origens da comunicação humana, recomenda-se a 
leitura de História Global: Brasil e geral (2005), da autoria de Gilberto Cotrim.Ex
pl
or
Elemento intimamente ligado à escrita, o papel também é fundamental para a histó-
ria da preservação e manutenção do conhecimento humano. A glória de sua invenção 
é um atributo dos chineses, sendo o ano de 105 d.C. a data tradicionalmente associada 
ao feito. Contudo, mesmo respeitando a sua origem geográfica, a China, diferentes 
historiadores reconhecem que o papel possivelmente já existia, pelo menos, desde o 
final do século II a.C.
Em seu preparo original, o papel resulta de uma substância específica, onde são 
mesclados cascas de árvores, cânhamo e retalhos de seda. Uma vez misturados, esses 
elementos são a fonte de uma espécie de pasta que, convertida em folhas finas, é posta 
em secagem. Certo é que, originalmente, o papel também se confunde com o tecido, 
seja em razão das matérias-primas empregadas para fabricação, ou pela finalidade do 
uso da escrita atribuída a ambos primordialmente.
Mas é o papel quem se estabelece como produto ideal para o uso da escrita. Par-
tindo do Oriente, mais precisamente da China, cerca de um século e meio antes da 
era cristã, o papel reinou por mais de mil anos entre orientais e árabes antes de ser 
conhecido e unânime nos centros europeus – estes dependentes do uso do papiro 
e de pergaminhos, até então. Dessa maneira, trabalhos historiográficos consolidados 
atribuem a chegada do papel árabe (herdeiro do papel oriental) à Europa por volta dos 
finais do século XI e início do século XII, seguramente por Espanha e Itália.
Dado de interesse para os nossos estudos são as evidências de que o papel não fora 
bem recebido na Europa. Relativamente a isso, podemos observar o atraso na passa-
gem desse bem (em alguns casos, uma demora de séculos) de um país a outro naquele 
continente. A título de exemplo, cabem os casos de França e Alemanha, que apenas 
adotaram a fabricação do papel no século XIV. Tal resistência dos europeus ao uso do 
papel é ainda mais curiosa quando considerado que tanto o pergaminho como o papi-
ro já se encontravam escassos desde o século VIII.
Ultrapassadas as barreiras iniciais, inclusive resistências associadas ao preço do co-
mércio do papel, este material consolidou-se na Europa já no século XV. Dessa manei-
ra, o papel europeu ficava pronto para servir à tipografia (quando ela surgisse, é claro).
O papiro é originalmente uma planta. Depois de um preparo específico, em que se apro-
veitam as qualidades próprias de sua planta e de seu caule, o papiro torna-se um excelente 
suporte para a escrita. E ele foi amplamente aproveitado para esse fim ao longo da Antigui-
dade. Já o pergaminho resulta do trato feito sobre a pele de um animal (cabra, carneiro ou 
ovelha) para que esta possa servir como suporte à escrita. O pergaminho ainda é utilizado 
para esse fim nos dias atuais, mas seu auge decorreu durante a Antiguidade e a Idade Média. 
O papiro e o pergaminho são os precursores do papel.
Ex
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A Prensa e a Evolução da Leitura
De maneira generalizada, o vocábulo “impressão” pode ser compreendido como 
o sinal resultante a partir do encontro de um corpo com outro corpo. Tratada de 
modo mais específico, a impressão pode indicar a transferência de um sinal de um 
corpo para outro por meio da pressão promovida entre ambos, mas contando com 
um elemento de permeio: a tinta.
Etimologicamente originária do grego, “tipografia” advém da junção da palavra 
“typos” (figura, forma, modelo) com a palavra “graphein” (escrever), acrescentan-
do-se a essa união o sufixo “ia”. Tipografia é a técnica de imprimir sinais gráficos 
pelo emprego de tipos móveis metálicos. É desse modo que ela está imediatamente 
associada à história própria da impressão, inclusive implicando no momento mais 
fulgurante desta, já que representou o primeiro meio de comunicação de massa 
produzido pelo homem.
A utilização de tipos móveis para a fixação da escrita já era uma ideia em vias de 
execução nos primórdios do século XV na Europa. É com o auxílio do tipo móvel 
que o artesão, finalmente, poderá combinar e recombinar coleções de letras previa-
mente confeccionadas, de maneira a realizar a composição sucessiva de diferentes 
textos. A imperativa necessidade do reuso levou a que o tipo móvel mais qualificado 
fosse o de metal, em substituição a experimentos iniciais com modelos de madeira. 
Dentro desse cenário, ou seja, de uma Europa já possuidora de papel de boa 
qualidade, relativamente abundante e a bom preço, estavam preparadas as condi-
ções para a disseminação dos impressos entre as sociedades daquele continente. 
Isso porque pouco adiantaria a redução dos custos na produção das obras manus-
critas, com o advento dos tipos móveis, se a impressão ainda tivesse de operar 
sobre o pergaminho, um material muito mais caro que o papel.
É conhecida a atribuição histórica que os estudiosos fazem aos chineses relati-
vamente à invenção da impressão tipográfica. Embora esse seja um fato histórico 
confirmado, também devemos considerar que o processo de criação desse produto 
na China esteve completamente alheio aos processos criativos que se deram na 
Europa para o mesmo fim. Como para os nossos estudos muito interessa avaliar as 
consequências do uso da impressão tipográfica para o advento do jornal impresso, 
um fenômeno europeu do século XVII, estaremos mais atentos ao desenrolar histó-
rico desse contexto desde o continente europeu.
Já no mundo ocidental, os louros da invenção da prensa móvel ficam a cargo 
de Johannes Gutenberg (nascido na Alemanha, no ano de 1400). A publicação 
tida como a mais antiga da Europa, “Weltgericht” (“Juízo Final”) data entre 1444 e 
1447, e acredita-seque deveria ser composta por cerca de 74 páginas. Em 1450, já 
seguro de seu ofício, Gutenberg se propõe a imprimir a Bíblia, trabalho que consa-
graria não apenas o seu nome na história da humanidade, mas fundamentalmente 
o da técnica da impressão com tipos móveis.
13
UNIDADE As Origens da Comunicação
As oficinas tipográficas começam a se estabelecer na Europa por volta do ano 
1445, obviamente, partindo da Alemanha antes de se espalharem pelo continente. 
Na América, o primeiro registro de uma oficina desse gênero consta no México, 
em 1533. O Brasil viria a conhecer sua primeira oficina tipográfica apenas em 
1808, em razão da vinda da Família Real Portuguesa ao país.
Conforme podemos notar, a invenção de Gutenberg barateou o livro, facilitando 
o acesso à cultura e ao conhecimento para um número cada vez maior de pessoas. 
Isso porque os livros manuscritos eram muito caros, demorados em seu processo 
de feitura e resultantes de um trabalho árduo e repetitivo de seus autores – basta 
lembrarmos que, ao copiar cada livro, o copista precisava reescrevê-lo da primeira 
à última página. Em suma: quanto maior a tiragem, menor o preço unitário.
Para conhecer um pouco mais sobre a história da impressão tipográfica e do lugar de 
Johannes Gutenberg nesse cenário, assista ao documentário produzido pela rede de tele-
visão inglesa BBC, intitulado Gutenberg e a Máquina que nos criou (2008). 
Disponível em: https://youtu.be/mxBXAsbKdWY
Ex
pl
or
Portanto, com a disseminação dos impressos, nomeadamente dos livros advin-
dos do trabalho em série possibilitado pela impressão tipográfica, as sociedades 
passaram a conceber um novo tipo de coletividade: os leitores. É nesse sentido 
que os investigadores passam a tratar, inclusive, da história da leitura. Asa Briggs 
e Peter Burke informam que os historiadores, baseando-se “na evidência física do 
formato dos livros, nas notas escritas nas margens e nas descrições ou imagens de 
leitores, concluíram que os estilos de leitura realmente se alteraram entre 1500 e 
1800” (BRIGGS; BURKE: 2004, p. 67).
Assim, Briggs e Burke destacam cinco diferentes tipos de leitura para o intervalo 
referido acima, que nós passaremos a acompanhar: leitura crítica, leitura perigo-
sa, leitura criativa, leitura extensiva e leitura privada.
Com os efeitos da impressão gráfica, primeiro na Europa, surge a possibilidade 
da leitura crítica. Isso decorre em razão do aumento das oportunidades de as pes-
soas compararem opiniões diversas em livros diferentes sobre um mesmo assunto. 
Ainda nesse tocante, ou seja, sobre a capacidade de formação de opinião dos im-
pressos, devemos observar que o livro, em seus primeiros tempos, era considerado 
algo como que objeto de culto, sendo a Bíblia razão de especial reverência por 
parte do público leitor.
Mas a leitura também já fora vista como perigosa, especialmente quando pra-
ticada por grupos, então, tratados como subordinados (o caso de mulheres e da 
chamada “gente comum”). Tratando do tempo contemporâneo, não deixa de ser 
válido e curioso contrastar o “perigo da leitura” com o “perigo” do visionamento da 
televisão e/ou do acesso à Internet. Cabe nos referirmos ainda a que, na Europa 
dos séculos XVI e XVII, autoridades seculares consideravam a leitura sem super-
visão como uma atividade subversiva. A ameaça em causa seria justificável (de 
14
15
maneira sintomaticamente atual) porque a leitura seria capaz de encorajar pessoas 
comuns a criticar o governo.
Com os avanços da competência da leitura por parte dos povos, homens e 
mulheres passaram também a promover a criatividade sobre o conteúdo acessado. 
Assim, desenvolveu-se a leitura criativa. Ou seja, um tipo de reflexão sobre os 
textos produzidos de modo a variar os sentidos encontrados nas narrativas autorais. 
Um exemplo claro daquilo que aqui procuramos argumentar pode ser verificado 
em Utopia (1516), obra clássica de Thomas More. Esse livro é tratado, por leitores 
variados, não apenas como uma sátira da Inglaterra do período, mas também como 
um projeto de sociedade ideal, uma “utopia” no sentido mesmo moderno do termo.
A leitura extensiva, por sua vez, serve como principal contraponto à chamada 
“leitura intensiva”. Por outras palavras, a leitura extensiva procura romper com a 
sacralização dos livros. Os historiadores acreditam que 1750 é possivelmente o 
período que demarca o início dessa verdadeira “revolução na leitura”. A partir de 
então, o público leitor procurou estar mais à vontade com práticas hoje conside-
radas comuns, como é o caso de folhear, dar uma olhada e simplesmente avaliar 
capítulos específicos das obras que atendam a determinado interesse de busca ou 
ingênua curiosidade.
Com o passar do tempo, o livro também mudou de características, facilitando 
e até estimulando que fosse folheado. Cada vez mais os textos eram divididos em 
capítulos e parágrafos, constando, por exemplo, de sumários e índices organizados 
em ordem alfabética; ou seja, colaborando com leitores apressados em busca de 
informações pontuais.
Todas essas mudanças sugerem o crescimento da leitura privada. Partindo do 
século XIV até chegar aos dias atuais, tal privacidade na leitura é bastante perceptí-
vel pelo próprio formato do livro. Sobre isso, podemos notar que no século XV os 
primeiros livros eram fólios de tamanho grande, necessitando inclusive de suportes 
ou apoios para serem lidos. Já a partir dos séculos XVI e XVII, os livros começam 
a diminuir de tamanho, estimulando assim a leitura privada e silenciosa.
O Surgimento do Jornal Impresso
É possível dizer que os primórdios daquilo que conhecemos hoje como jornalis-
mo encontram-se já no século I a.C., em Roma, quando o Império, interessado em 
informar a população sobre fatos sociais e políticos ocorridos em seus domínios, 
mandava que fosse produzida a Acta Diurna. Na China, modelos de jornais escritos 
à mão surgiram ainda no século VIII.
Ao longo do século XV, a partir da ampla circulação de correspondências 
dentro do território europeu, surgem as gazetas manuscritas, uma espécie de 
jornal feito à mão. Sua origem está associada ao hábito, então comum na altura, 
de as pessoas fazerem circular as cartas, primeiro de mão em mão, e, depois de 
15
UNIDADE As Origens da Comunicação
lidas, reproduzirem os conteúdos conhecidos de boca a boca. É importante per-
cebemos aqui que, nessa época, ler uma carta era motivo para um ato público. 
Comerciantes, políticos, pessoas das mais elevadas posições sociais usavam as 
cartas como pretexto para amplas reuniões em cafés ou tavernas, por exemplo, 
de modo que o conteúdo de uma carta sempre alcançava inúmeros destinatários.
Diante desse cenário, pessoas comuns (entenda-se, cidadãos sem necessaria-
mente deterem cargos públicos ou de amplo interesse para a sociedade na época), 
em diferentes lugares, começaram a agrupar esses “noticiários” (as informações tor-
nadas públicas pela leitura das cartas) em textos exclusivos. Esses textos, reunidos 
em escritos feitos à mão, eram então vendidos.
Para esse comércio, consumidores não faltavam, e por isso as gazetas manuscri-
tas foram sendo produzidas continuamente. A periodicidade dos correios, trazendo 
as informações em levas sucessivas, permitiu que as gazetas se apresentassem em 
dias certos, habituando assim os leitores e dando origem ao que, definitivamente no 
contemporâneo, compreendemos como jornalismo.
Portanto, o jornal impresso surge a partir da junção de dois elementos, de duas 
experiências: por um lado, da impressão tipográfica; por outro, do jornalismo ma-
nuscrito, ou seja, das gazetas manuscritas.
Conforme já apontamos anteriormente, enquanto as cartas (com o auxílio prestado 
pelos serviços de correspondência) facilitaram o surgimento das gazetas manuscritas e 
a sua ampla circulação nos séculos XV e XVI, a tipografia exercitou-se prioritariamente 
na impressão de livros. Ao longo de todo o primeiro século e meio da história da im-
pressão tipográfica, nenhum jornal saiu dos prelos – eles eramfeitos à mão.
Contudo, dentro desses 150 anos iniciais de sua história, os tipógrafos também 
trabalharam com um outro gênero de escrita: a relação. Relação era a descrição, 
impressa tipograficamente, de um fato excepcional. Como exemplo, podemos ima-
ginar um fenômeno natural, como um terremoto, a morte de uma grande autori-
dade, o início ou fim de uma guerra, etc. Diante dessa excepcionalidade, alguém 
redigia uma notícia relatando o acontecido e o tipógrafo a imprimia com o intuito 
de vender suas cópias.
É importante observarmos, contudo, que a relação não era um jornal. À relação 
faltavam a periodicidade e a variedade de matéria, embora contasse com a atua-
lidade – características definidoras do jornalismo. Em suma, as relações tratavam 
exclusivamente de excepcionalidades, ou seja, buscavam abordar aquilo que, ime-
diatamente, seria de apelo de audiência.
De maneira mais ou menos inconsciente, os tipógrafos começaram a incluir 
em suas relações (gênero de escrita) as qualidades próprias do jornalismo. Assim, 
aquelas publicações passaram a ter mais variedade de temas e matérias, bem como 
também passaram a contar com mais definida periodicidade. Dessa maneira, quase 
imperceptivelmente, a tipografia adotou toda a experiência jornalística advinda das 
16
17
gazetas manuscritas – ela criou o jornal impresso entre os finais do século XVI e o 
início do século XVII, afirmando-se plenamente no XVIII.
Para alguns historiadores, o jornal mais antigo impresso da História é o “Jornal 
completo do mês inteiro de setembro de 1597”, uma publicação mensal editada 
em Praga a partir do referido ano (ver COSTELLA, 1984). Mas, para outros in-
vestigadores, a periodicidade mensal parece muito exagerada para a definição de 
um jornal, caracteristicamente diário. Assim, entre os séculos XVI e XVII, muitas 
publicações surgiram em localidades espalhadas pela Europa; muitas vezes, reivin-
dicando para si o título inaugural do jornalismo. Seja como for, é importante notar 
que o primeiro diário produzido no mundo foi o “Daily Courant”, criado em 1702, 
na Inglaterra, por Elizabeth Mallet.
Já na América, o primeiro jornal fora impresso em 1690, em Boston, localidade 
então pertencente às chamadas Colônias Britânicas. Na região do continente falan-
te do espanhol, a inauguração da prática do jornalismo impresso cabe ao México, 
1722. No Brasil, o jornalismo apenas teve estreia em 1808, com a chegada da 
Família Real Portuguesa ao país – depois de duas tentativas anteriores, frustradas 
exatamente pelo reino português, pouco interessado em permitir que a sua maior 
colônia obtivesse autonomia na produção própria de notícias.
Vejamos aquilo que diz Antonio Costella a respeito do episódio brasileiro:
Com uns prelos desembarcados dos porões da nau “Medusa”, no Rio de 
Janeiro, D. João instituiu, por Decreto de 13 de maio de 1808, a Impres-
são Régia. Dessa oficina tipográfica oficial veio a sair o primeiro jornal 
impresso no Brasil, a “Gazeta do Rio de Janeiro”. O número de estreia 
trouxe a data de 10 de setembro de 1808 e teve como redator Frei Tibúr-
cio José da Rocha. (COSTELLA, 1984: p. 92)
Importante!
Embora alguns historiadores prefiram atribuir a inauguração do jornalismo no Brasil ao 
“Correio Braziliense”, cujo primeiro número data de junho de 1808, esse jornal, mesmo 
publicado em língua portuguesa, foi sempre impresso a partir de Londres, Inglaterra, 
onde vivia exilado o seu criador, Hipólito da Costa.
Importante!
17
UNIDADE As Origens da Comunicação
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
Apontamentos sobre a história da leitura
http://bit.ly/2IauMDy
Comunicação: conceitos, fundamentos e história
http://bit.ly/2Idzukg
A informação escrita: do manuscrito ao texto virtual
http://bit.ly/2Ia6BVL
 Livros
História da comunicação no Brasil
BARBOSA, M. História da comunicação no Brasil. Petrópolis - RJ: Vozes, 2013 
(e-book).
18
19
Referências
BURKE, P.; BRIGGS, A. Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
COSTELLA, A. F. Comunicação - do grito ao satélite (história dos meios de comu-
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