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Código Logístico
58866
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6527-1
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 2 7 1
A Educação Física se mostra como um importante 
componente curricular que contribui efetivamente 
para que o aluno possa atuar no mundo de maneira 
crítica, responsável e ética.
Dividido em cinco capítulos, este livro apresenta 
aspectos pedagógicos e metodológicos da Educação 
Física escolar, bem como seus conteúdos e objetivos 
na educação infantil e nos anos iniciais do ensino 
fundamental, além do planejamento e avaliação do 
processo de ensino-aprendizagem.
A obra traz um breve histórico sobre a Educação 
Física escolar, as concepções e as principais teorias 
pedagógicas que influenciaram e ainda influenciam 
as práticas docentes atuais. Apresenta também 
as bases legais da Educação e como é abordada a 
área da Educação Física nos seguintes documentos: 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 
Parâmetros Curriculares Nacionais, Referencial 
Curricular Nacional para a Educação Infantil e Base 
Nacional Comum Curricular.
Metodologia da 
Educação Física escolar: 
educação infantil e 
anos iniciais do ensino 
fundamental
IESDE BRASIL S/A
2019
Claudinara Botton Dal Paz
Vera Lucia Rodrigues de Moraes
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
© 2019 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem 
autorização por escrito das autoras e do detentor dos direitos autorais.
Capa: IESDE BRASIL S/A.
Imagem da capa: Mile Atanasov/ Rawpixel.com/ Robert Kneschke/ Maria 
Sbytova/ wavebreakmedia/ KAZLOVA IRYNA/Shutterstock
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
P368m
Paz, Claudinara Botton Dal
Metodologia da educação física escolar : educação infantil e anos 
iniciais do ensino fundamental / Claudinara Botton Dal Paz, Vera Lucia 
Rodrigues de Moraes. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE Brasil, 2019.
126 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6527-1
1. Educação física para crianças. 2. Esportes escolares. 3. Profes-
sores de educação física - Formação. I. Paz, Claudinara Botton Dal. II. 
Moraes, Vera Lucia Rodrigues de. III. Título.
19-58498 CDD: 372.86
CDU: 373.2/.3.016:613.71
Claudinara Botton Dal Paz
Mestre em Educação Física pela Universidade Federal do 
Paraná (UFPR). Especialista em Deficiência Intelectual pela 
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões 
(URI). Graduada em Educação Física pela Universidade Regional 
do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). Possui 
experiência como professora na rede pública, coordenadora 
de curso de graduação em Educação Física e como docente no 
ensino superior em cursos de Educação Física e Pedagogia. 
Vera Lucia Rodrigues de Moraes
Mestre em Educação pela Universidade do Vale do Rio 
dos Sinos (Unisinos). Especialista em Pedagogia Social pela 
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões 
(URI). Especialista em Ginástica Escolar e graduada em Educação 
Física pela instituição Faculdades Reunidas de Administração 
Ciências Contábeis e Econômicas de Palmas/PR (Facepal). Tem 
experiência como docente no ensino superior em cursos de 
Educação Física (licenciatura e bacharelado). 
Sumário
Apresentação 7
1. A Educação Física escolar 9
1.1 Breve histórico da Educação Física 9
1.2 Teorias pedagógicas da Educação Física 15
1.3 Manifestações da cultura corporal do movimento 23
2. Bases legais da Educação Física escolar 31
2.1 Leis de Diretrizes e Bases da Educação 32
2.2 Parâmetros Curriculares Nacionais 35
2.3 Referencial Curricular Nacional para a Educação 
Infantil 38
2.4 Base Nacional Comum Curricular 46
3. Aspectos didático-metodológicos do ensino da 
Educação Física 57
3.1 Características dos alunos 57
3.2 Conteúdos e objetivos a serem desenvolvidos 61
3.3 Procedimentos metodológicos 69
3.4 Tipos de planejamento e estruturação de aulas de 
Educação Física 74
4. Atividades práticas para as aulas de Educação 
Física 81
4.1 Atividades sem uso de materiais 81
4.2 Atividades com uso de materiais 95
5. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem da 
Educação Física 105
5.1 A avaliação na disciplina de Educação Física 105
5.2 Dimensões, critérios e instrumentos de avaliação na 
Educação Física 110
Gabarito 121
Apresentação
A escola é um espaço de saber e convivência no qual o 
aluno adquire os conhecimentos e habilidades necessários 
para a vida. 
Com base nesse pressuposto e possuindo objetivos 
e competências específicas para cada etapa do ensino, a 
Educação Física se mostra como um importante componente 
curricular que contribui efetivamente para que o aluno possa 
atuar no mundo de maneira crítica, responsável e ética. 
Essas características aprendidas por meio do movi- 
mento promovem o desenvolvimento do aluno sob a ótica 
da integralidade, ou seja, consideram as dimensões motora, 
cognitiva, social e afetiva do ser humano. Entretanto, para 
que ocorra a aprendizagem significativa, deve-se considerar o 
contexto social e cultural no qual o aluno está inserido. 
Dividido em cinco capítulos, este livro apresenta aspectos 
pedagógicos e metodológicos da Educação Física escolar, bem 
como seus conteúdos e objetivos na educação infantil e nos 
anos iniciais do ensino fundamental, além do planejamento e 
avaliação do processo de ensino-aprendizagem.
A obra inicia com um breve histórico sobre a Educação 
Física escolar, as concepções e as principais teorias pedagógicas 
que influenciaram e ainda influenciam as práticas docentes 
atuais, apresentando as manifestações da cultura corporal do 
movimento.
8 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Apresenta também as bases legais da Educação e como é 
abordada a área da Educação Física nos seguintes documentos: 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Parâmetros 
Curriculares Nacionais, Referencial Curricular Nacional para 
a Educação Infantil e Base Nacional Comum Curricular.
Na sequência, destacam-se as características dos alunos, os 
conteúdos e objetivos da Educação Física para cada etapa de 
ensino, os procedimentos metodológicos para o trabalho com 
a disciplina e como ela se organiza no ambiente escolar. Por 
fim, são apresentadas atividades com e sem o uso de materiais, 
e de que forma é possível avaliar o aprendizado dos alunos 
nessa disciplina.
Bons estudos!
1
A Educação Física escolar
Começamos este capítulo com um breve histórico sobre a 
Educação Física escolar, indicando como era a sua prática nas escolas 
e como se modificou ao longo dos anos. Para isso, apontamos as 
principais teorias pedagógicas que influenciaram e ainda influenciam 
as práticas realizadas pelos professores de Educação Física. Por fim, 
destacamos as manifestações da cultura corporal do movimento que 
são hoje objeto de estudo da Educação Física Escolar. Quer saber 
qual é a sua origem e por que existem tantas formas e conteúdos 
diferentes ensinados na escola? Venha conosco!
1.1 Breve histórico da Educação Física
Entender o que é a Educação Física envolve conhecer suas origens 
e sua capacidade enquanto prática pedagógica. Essa reflexão faz 
sentido para compreender como a sua prática na escola evoluiu ao 
longo do tempo, buscando transformá-la e adequá-la aos propósitos 
da educação brasileira.
Segundo Darido e Rangel (2011, p. 1):
Os objetivos e as propostas educacionais foram se 
modificando ao longo dos últimos anos, e todas as 
tendências, de algum modo, ainda hoje influenciam 
a formação profissional e suas práticas pedagógicas. 
Na Educação Física escolar, assim como em outros 
componentes curriculares, não existe uma única forma de 
se pensar e implementar a disciplina da escola.
Nesse sentido, a Educação Física, assim como outras áreas, 
assumiu os objetivos que a sociedade gestou em cada momento 
histórico. Na primeira metade do séculoatingir a consciência 
corporal, melhor dizendo, a corporeidade, em vivências 
que levam o domínio do movimento. É importante que as 
atividades propostas possam despertar as potencialidades 
criativas das crianças, isto é, que por meio dessas aulas o 
aluno consiga desenvolver-se como um todo. (NISTA- 
-PICCOLO; MOREIRA, 2012, p. 32-33)
Além de centrar as ações na corporeidade, ludicidade, jogo e 
motricidade, é importante que o professor de Educação Física 
desenvolva as capacidades motoras dos alunos, a fim de que 
os objetivos nessa fase de ensino sejam atingidos. Dentre essas 
capacidades motoras estão os movimentos essenciais para as 
necessidades básicas, como os movimentos de manipulação que a 
criança utiliza para alimentar-se sozinha.
No trabalho com movimento, o RCNEI indica que deverão ser 
consideradas as diferentes capacidades das crianças em cada faixa 
etária e diversas culturas corporais presentes nas regiões do país, 
sendo que, “ao brincar, jogar, imitar e criar ritmos e movimentos, as 
crianças também se apropriam do repertório da cultura corporal na 
qual estão inseridas” (BRASIL, 1998, p. 15).
Com relação ao equilíbrio e coordenação, o RCNEI destaca 
que as atividades devem estar ligadas a essas capacidades motoras, 
uma vez que são essenciais para o cotidiano da criança que está em 
formação integral. Tais atividades precisam ser trabalhadas de forma 
progressiva e coordenadas com outras capacidades, como força, 
velocidade e flexibilidade.
Juntamente com os conteúdos, o RCNEI fala em orientações 
didáticas para o desenvolvimento das aulas, como organização dos 
espaços, do tempo da aula, da observação e registro e também a 
avaliação do aprendizado das crianças – o que será abordado em 
outro capítulo deste livro.
46 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
É indiscutível a contribuição que o RCNEI e os PCNs trouxeram 
para a educação brasileira, sendo até hoje muito utilizados na 
orientação do trabalho pedagógico de professores nas mais diversas 
localidades do Brasil. Contudo, temos um novo documento 
balizador, construído a partir de fóruns regionais, estaduais e 
nacionais e com a participação da população. Sabe dizer qual é? 
Dica: esse documento já está sendo utilizado na construção de 
referências estaduais e municipais. Conseguiu descobrir? Está em 
dúvida? Falaremos dele na próxima seção.
2.4 Base Nacional Comum Curricular
O cenário educacional tem acompanhado as modificações 
sociais, com relação à adequação de currículo e estruturas didático-
-pedagógicas. Nesse sentido, modificações são constantemente 
realizadas nos documentos legais que norteiam a educação, para, 
a partir destes, realizar os encaminhamentos necessários para a 
melhoria no processo educacional.
Na atualidade, as mudanças estão ocorrendo com muito mais 
rapidez. Desse modo, foram necessárias novas reflexões para 
suprir as lacunas existentes em documentos anteriores, criados 
em realidade social diferente. Foi construída, então, com novas 
perspectivas para a educação, a Base Nacional Comum Curricular 
(BNCC), documento de caráter normativo
que define o conjunto orgânico e progressivo de 
aprendizagens essenciais que todos os alunos devem 
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação 
Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos 
de aprendizagem desenvolvimento, em conformidade com 
o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). 
(BRASIL, 2017, p. 7)
Bases legais da Educação Física escolar 47
O documento traz elementos de outros marcos legais, como LDB 
e PCNs. No entanto, considera questões como o avanço tecnológico 
e o novo perfil de aluno que temos na educação básica. Trata-se 
de uma espécie de compêndio sobre a educação brasileira, desde 
a educação infantil até o ensino médio, com o objetivo de nortear 
os currículos dos sistemas e redes de ensino de todo o país. Para 
esta obra, consultamos a terceira versão do documento, revisada e 
publicada em 20171.
De acordo com esse documento, são necessárias novas 
metodologias que se identifiquem com o perfil de aluno que se quer 
formar, pois a sociedade atual requer um olhar inovador e inclusivo 
às questões do processo educativo, ou seja, “o que aprender, como 
ensinar, como promover redes de aprendizagem colaborativa e 
como avaliar o aprendizado” (BRASIL, 2017, p. 12).
Nessa nova abordagem trazida pela BNCC (BRASIL, 2017), 
são consideradas as diferentes dimensões da natureza humana, 
entendendo o aluno a partir de aspectos físicos, intelectuais e sociais, 
ou seja, em sua integralidade. Gonçalves (1994 apud BRANDL, 
2010, p. 3) “define o ser humano como unidade, totalidade, entidade 
que integra sentimentos, pensamentos e ações. Homem e mundo 
formam uma dialética. Concebe-se, então, o ser humano como uma 
totalidade indivisível, como ser imbricado e inter-relacionado com 
o meio”.
Nessa perspectiva, a BNCC utiliza elementos trazidos por outros 
documentos que a antecederam e aspectos relacionados ao cenário 
atual, a fim de proporcionar uma aprendizagem significativa aos 
alunos. Está organizada para as três etapas da educação básica 
(educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), como 
ilustrado a seguir:
1 Disponível no site do Ministério da Educação (MEC) em versão digitalizada.
48 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Figura 1 – Estrutura geral da BNCC para as três etapas da educação 
básica
EDUCAÇÃO BÁSICA
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Etapas
Áreas do conhecimento
Competências específicas 
de área
Componentes curriculares
Áreas do conhecimento
Bebês 
(0-1 a 6m)
Unidades 
temáticas
Objetos de 
conheci- 
mento
Habilidades
Crianças 
bem 
pequenas 
(1 a 7m – 
3 a 11m)
Crianças 
bem 
pequenas 
(1 a 7m – 
3 a 11m)
Crianças 
pequenas 
(4a – 5a 
11m)
Anos 
Iniciais
Anos 
Finais
Competências específicas 
de componente
Língua 
Portuguesa
Matemática
Habilidades
EDUCAÇÃO 
INFANTIL
Direitos de aprendizagem e 
desenvolvimento
Campos de experiências
ENSINO 
FUNDAMENTAL
Competências específicas 
de área
ENSINO 
MÉDIO
Fonte: BRASIL, 2017, p. 24.
Para a educação infantil, primeira etapa da educação básica, a 
BNCC tem como eixos estruturantes as interações e a brincadeira, 
no sentido de garantir às crianças conviver, brincar, participar, 
explorar, expressar-se e conhecer-se. Para a organização curricular 
da educação infantil, a Base apresenta cinco campos de experiências: 
Bases legais da Educação Física escolar 49
O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, 
cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; e Espaços, 
tempos, quantidades, relações e transformações. Já os objetivos são 
estabelecidos e organizados em três grupos de faixa etária: Bebês 
(zero a um ano e seis meses); Creche – crianças bem pequenas (um 
ano e sete meses a três anos e onze meses); e Crianças pequenas 
(quatro anos a cinco anos e onze meses) (BRASIL, 2017).
Como se observa, a Educação Física também está presente nas 
orientações dadas pela BNCC (BRASIL, 2017). Para a educação 
infantil, especialmente quando se afirma que as interações e 
brincadeiras são eixos estruturantes das práticas pedagógicas nessa 
etapa de ensino, de acordo com as DCNEI2, essas são experiências 
“nas quais as crianças podem construir e apropriar-se de 
conhecimentos por meio de suas ações e interações com seus pares 
e com os adultos, o que possibilita aprendizagens, desenvolvimento 
e socialização” (BRASIL, 2017, p. 37).
Conforme a BNCC, a interação das crianças durante o brincar 
traz aprendizagens para o seu desenvolvimento integral, expressando 
os afetos, as frustrações, a resolução dos problemas e a regulação das 
emoções. Na educação infantil, vivenciar desafios faz com que as 
crianças se sintam provocadas a resolvê-los, e isso contribui para 
a construção dos significados sobre si, os outros e o mundo social 
e natural (BRASIL, 2017). Assim,é direito da criança da educação 
infantil:
Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes 
espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças 
e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a 
produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, 
sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, 
sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais. 
(BRASIL, 2017, p. 38)
2 Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, datadas de 2010, 
que estabelecem diretrizes a serem observadas para a organização de propostas 
pedagógicas na educação infantil.
50 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
O ensino fundamental, com nove anos de duração, é a etapa 
mais longa da educação básica, atendendo estudantes entre 6 e 14 
anos. A BNCC do ensino fundamental – anos iniciais considera ser 
necessário articular essa etapa com as experiências vivenciadas na 
educação infantil (BRASIL, 2017). Assim,
Ao longo do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, a 
progressão do conhecimento ocorre pela consolidação 
das aprendizagens anteriores e pela ampliação das práticas 
de linguagem e da experiência estética e intercultural 
das crianças, considerando tanto seus interesses e suas 
expectativas quanto o que ainda precisam aprender. 
(BRASIL, 2017, p. 59)
Com relação às aulas de Educação Física, a BNCC preconiza que 
“as práticas corporais devem ser abordadas como fenômeno cultural 
dinâmico, diversificado, pluridimensional, singular e contraditório” 
(BRASIL, 2017, p. 213), uma vez que esse componente curricular 
está articulado à área de Linguagens, pois “as atividades humanas 
realizam-se nas práticas sociais, mediadas por diferentes linguagens: 
verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, 
sonora e, contemporaneamente, digital” (BRASIL, 2017, p. 63).
Conforme consta no documento, fazem parte dessa área os 
componentes curriculares Língua Portuguesa, Arte, Educação Física 
e, no ensino fundamental – anos finais, Língua Inglesa. Eles têm a 
função de possibilitar aos alunos participar de práticas de linguagem 
diversificadas, que lhes permitam ampliar suas capacidades 
expressivas em manifestações artísticas, corporais e linguísticas 
(BRASIL, 2017).
Em se tratando da linguagem corporal, ressalta-se a importância 
de oportunizar diferentes atividades para que o aluno possa 
se expressar e se desenvolver de maneira integral, pois “cada 
prática corporal propicia ao sujeito o acesso a uma dimensão de 
conhecimentos e de experiências aos quais ele não teria de outro 
modo” (BRASIL, 2017, p. 214).
Bases legais da Educação Física escolar 51
Com isso, entende-se que a Educação Física, em sua singula- 
ridade, oferece, por meio do movimento, a oportunidade para 
que o aluno possa se comunicar e se expressar, exercitando a sua 
criatividade e interagindo socialmente no meio em que vive.
A BNCC traz ainda as práticas corporais estruturadas em seis 
unidades temáticas: Brincadeiras e jogos; Esportes (marca, precisão, 
técnico-combinatório, rede/quadra dividida ou parede de rebote, 
campo e taco, invasão ou territorial e combate); Ginásticas; Danças; 
Lutas; e Práticas corporais de aventura. “Em princípio, todas 
as práticas corporais podem ser objeto do trabalho pedagógico 
em qualquer etapa e modalidade de ensino” (BRASIL, 2017, 
p. 217), e, para isso, determinam-se critérios de progressão do 
conhecimento, que consideram as características dos alunos e os 
contextos de atuação. Assim, são feitas adaptações conforme a fase 
de aprendizagem dos alunos, materiais e espaço físico disponível.
Especificamente sobre a Educação Física nos anos iniciais, a 
BNCC recomenda que:
Diante do compromisso com a formação estética, sensível 
e ética, a Educação Física, aliada aos demais componentes 
curriculares, assume compromisso claro com a qualificação 
para a leitura, a produção e a vivência das práticas 
corporais. Ao mesmo tempo, pode colaborar com os 
processos de letramento e alfabetização dos alunos, ao criar 
oportunidades e contextos para ler e produzir textos que 
focalizem as distintas experiências e vivências nas práticas 
corporais tematizadas. Para tanto, os professores devem 
buscar formas de trabalho pedagógico pautadas no diálogo, 
considerando a impossibilidade de ações uniformes. 
(BRASIL, 2017, p. 224)
Como podemos observar, considera-se que, nos anos iniciais, a 
Educação Física é responsável por trabalhar a vivência das práticas 
corporais, ficando explícita a necessidade de que os professores 
procurem formas de trabalho interdisciplinares aliadas aos demais 
componentes curriculares, buscando a aprendizagem da leitura 
e escrita.
52 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
A BNCC traz dez competências gerais e dez competências 
específicas de Educação Física para o ensino fundamental. 
As competências específicas são:
1. Compreender a origem da cultura corporal de 
movimento e seus vínculos com a organização da vida 
coletiva e individual. 2. Planejar e empregar estratégias 
para resolver desafios e aumentar as possibilidades de 
aprendizagem das práticas corporais, além de se envolver 
no processo de ampliação do acervo cultural nesse 
campo. 3. Refletir, criticamente, sobre as relações entre a 
realização das práticas corporais e os processos de saúde/
doença, inclusive no contexto das atividades laborais. 
4. Identificar a multiplicidade de padrões de desempenho, 
saúde, beleza e estética corporal, analisando, criticamente, 
os modelos disseminados na mídia e discutir posturas 
consumistas e preconceituosas. 5. Identificar as formas de 
produção dos preconceitos, compreender seus efeitos e 
combater posicionamentos discriminatórios em relação às 
práticas corporais e aos seus participantes. 6. Interpretar e 
recriar os valores, os sentidos e os significados atribuídos 
às diferentes práticas corporais, bem como aos sujeitos 
que delas participam. 7. Reconhecer as práticas corporais 
como elementos constitutivos da identidade cultural dos 
povos e grupos. 8. Usufruir das práticas corporais de forma 
autônoma para potencializar o envolvimento em contextos 
de lazer, ampliar as redes de sociabilidade e a promoção da 
saúde. 9. Reconhecer o acesso às práticas corporais como 
direito do cidadão, propondo e produzindo alternativas para 
sua realização no contexto comunitário. 10. Experimentar, 
desfrutar, apreciar e criar diferentes brincadeiras, jogos, 
danças, ginásticas, esportes, lutas e práticas corporais de 
aventura, valorizando o trabalho coletivo e o protagonismo. 
(BRASIL, 2017, p. 223)
Com base nessas competências, o planejamento deve ser realizado 
para que o aluno possa mobilizar o conhecimento obtido na escola, 
a fim de solucionar problemas relacionados às manifestações da 
cultura corporal.
Bases legais da Educação Física escolar 53
Com essas colocações, apresentamos, neste capítulo, 
documentos pontuais para os caminhos já percorridos da educação 
e da Educação Física, bem como para os novos rumos do processo 
de ensino e aprendizagem. Percebemos elementos inovadores na 
BNCC, que corroboram com o novo momento social e interagem 
com as perspectivas dos documentos precursores.
Considerações finais
A educação brasileira estabeleceu suas finalidades e objetivos por 
meio de documentos legais que serviram como guia para as áreas 
de atuação nos ambientes escolares. Neste capítulo, apresentamos 
quatro documentos que marcaram profundamente a atuação de 
todos os envolvidos com a educação brasileira: a LDBEN, de 1996; 
os PCNs, de 1997; o RCNEI, de 1998; e a BNCC, de 2017.
Apresentamos de que forma a área de Educação Física está 
presente nesses documentos, o que contribuiu muito para a 
afirmação da disciplina no ambiente escolar. Assim, é notória a 
importância da Educação Física na educação infantil e no ensino 
fundamental. Logo, identificar os objetivos, finalidades e conteúdos 
a seremtrabalhados na Educação Física a partir desses documentos 
balizadores é fundamental para o futuro professor. Para tanto, faz-se 
necessário conhecer as realidades sociais, econômicas e culturais da 
comunidade em que os professores atuarão.
Ampliando seus conhecimentos
• CONFEF. Confederação Brasileira de Educação Física. 
Disponível em: https://www.confef.org.br/confef/. Acesso em: 
18 jul. 2019.
O site traz diversos conteúdos sobre a área da Educação 
Física, marcos legais, notícias e matérias atualizadas, e eventos 
nacionais e internacionais para formação complementar.
54 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
• BNCC e Educação Física: o que você precisa saber. Nova 
Escola, 30 out. 2018. Disponível em: https://novaescola.org.
br/conteudo/12980/bncc-e-educacao-fisica-o-que-voce-
precisa-saber. Acesso em: 18 jul. 2019.
Esse artigo aborda com clareza como a Educação Física está 
estruturada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Atividades
1. O que de mais importante a LDBEN trouxe para a área da 
Educação Física, na opinião de Darido e Rangel (2011)?
2. Por que o RCNEI deve ser estudado pelos professores de 
Educação Física?
3. Qual é a diferença existente entre os PCNs e a BNCC com 
relação à organização dos conteúdos de Educação Física?
Referências
BRANDL, C. E. H. (org.). Educação Física escolar: questões do cotidiano. 
Curitiba: CRV, 2010.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http://portal.
mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. 
Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares 
nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.
br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. 
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/
SEF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_
vol1.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf
Bases legais da Educação Física escolar 55
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 
2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/
BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física no ensino superior: 
Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. São Paulo: 
Guanabara Koogan, 2011.
FINCK, S. C. M. A Educação Física e o esporte na escola: cotidiano, saberes e 
formação. Curitiba: Ibpex, 2011.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3. ed. São Paulo: Phorte, 2005.
GALLARDO, J. S. P. Prática de ensino em Educação Física: a criança em 
movimento: livro do professor. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009.
NISTA-PICCOLO, V. L.; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na 
educação infantil. São Paulo: Cortez, 2012.
3
Aspectos didático-metodológicos 
do ensino da Educação Física
No capítulo anterior, estudamos os documentos que 
fundamentam e norteiam a educação. Essas bases legais também 
trazem a Educação Física como componente curricular, seus 
objetivos e conteúdos. Cada um desses documentos apresenta 
avanços, adequando a educação e os componentes curriculares ao 
contexto social e educacional atual.
Neste capítulo, apresentaremos as características dos alunos 
da educação infantil e anos inicias, os conteúdos e objetivos da 
Educação Física para essas etapas de ensino, os aspectos didáticos 
e metodológicos para o ensino da Educação Física, e, por fim, a 
organização da disciplina no ambiente escolar, ou seja, como é seu 
planejamento.
Com contribuições teóricas de autores e com base em nossas 
próprias experiências, trazemos neste capítulo elementos essenciais 
para a docência do professor de Educação Física na educação 
infantil e anos iniciais, buscando oportunizar conhecimentos que, 
de forma pontual, auxiliarão na execução de estágios e na atuação 
docente futura. E aí, futuro professor? Vamos iniciar nossa jornada 
na docência?
3.1 Características dos alunos
Este livro trata da Educação Física nas primeiras etapas da 
educação básica, mais especificamente, na educação infantil e anos 
iniciais do ensino fundamental. Para que possamos entender os 
conteúdos, objetivos, procedimentos metodológicos e planejamento 
58 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
de aulas, é preciso, antes, conhecer as características dos alunos 
dessas etapas, isso porque as atividades devem estar de acordo com a 
fase de desenvolvimento da criança, trazendo, em sua estruturação, 
dinâmicas que despertem nela o interesse em aprender.
O desenvolvimento do ser humano, segundo Nista-Piccolo 
e Moreira (2012, p. 41), ocorre por meio do amadurecimento e é 
dividido em períodos: “da vida uterina ao nascimento, do recém- 
-nascido aos 3 anos, contemplando a primeira infância, e dos 3 aos 
6 anos, fase denominada de segunda infância”. A educação infantil 
compreende o atendimento de alunos de 0 a 6 anos, e os anos iniciais 
do ensino fundamental são responsáveis pelos alunos de 6 a 11 anos 
(1º ao 5º ano).
Vamos conhecer, agora, como é a criança na educação infantil. 
Conhecer a criança nessa etapa de ensino é fundamental, pois, 
segundo a LDBEN (BRASIL, 1996, s/p), é dever do Estado garantir 
“atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de 0 a 
6 anos de idade”, sendo que a Emenda Constitucional n. 59/2009 
determinou a obrigatoriedade da educação básica dos 4 aos 17 anos, 
ou seja, é obrigatória, no território nacional, a presença das crianças 
a partir dos 4 anos em ambiente escolar. Assim, os profissionais que 
atendem essas crianças precisam compreender as suas características 
para que possam planejar suas ações junto ao educandário.
Sendo a primeira etapa da educação básica, é na educação infantil 
que ocorre a primeira separação da criança do ambiente familiar, 
o primeiro contato com um ambiente formal e institucionalizado, 
o que exige uma atenção especial para que a adaptação ocorra de 
forma natural e sem traumas. Para Freire e Scaglia (2009), nessa 
etapa, as crianças estão aprendendo a lidar com os símbolos, 
assim, caracterizam-se por exercitar intensamente as suas funções 
simbólicas, sendo a escola um local de imaginação e fantasia.
Com relação ao desenvolvimento motor, Freire e Scaglia (2009) 
afirmam que, antes de a criança se expressar verbalmente, já são 
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 59
desenvolvidas as capacidades motoras a serem utilizadas até o fim da 
vida, e, a partir do início da fala, a motricidade vai se aperfeiçoando 
e se tornando mais complexa. Com isso, “ela dedica-se ao exercício 
da fantasia, da imaginação, isto é, de ver dentro de si todas as coisas 
que percebe do mundo real” (FREIRE; SCAGLIA, 2009, p. 15).
Uma criança, nos anos iniciais de sua vida, possui capacidade 
de criar situações diferentes com um mesmo objeto. Por exemplo, 
um pote que possui finalidade de guardar mantimentos é visto pela 
criança como um chapéu, uma cama para bonecas, ou até mesmo 
um carrinho. Esse pote, então, pode servir de brinquedo e deter a 
atenção da criança durante horas.
Em se tratando do crescimento infantil, Gallahue e Ozmun 
(2005) afirmam que, no primeiro ano de vida, as crianças aumentam 
no comprimento e no peso rapidamente. Dizem, ainda, que 
“o período pré-natal e a primeira infância preparam para o que está por 
vir no desenvolvimento do repertório de movimentos e habilidades 
físicas fundamentais” (GALLAHUE; OZMUN, 2005, p. 144).
As crianças também têm características cognitivas e afetivas 
próprias, sendo que uma delas é a curiosidade e o desejode saber o 
porquê das coisas. Elas têm boa imaginação e são criativas, sempre 
ansiosas para aprender e agradar os adultos, porém precisam de 
orientação para tomar decisões (GALLAHUE; OZMUN, 2005).
Para Nista-Piccolo e Moreira (2012), os gestos das crianças 
podem refletir o seu estado emocional, sendo que o corpo é o 
acesso à emoção. Os limites e capacidades são demonstrados 
pelas expressões do corpo. Na primeira infância, existe uma forte 
relação entre estado emocional e atividade física. Desse modo, as 
diferentes manifestações de linguagem possibilitam a compreensão 
de si mesmas, oferecem possibilidades de criar e de se comunicar 
corporalmente.
Ao ingressar no ensino fundamental, Freire e Scaglia 
(2009) afirmam que não há grandes diferenças em termos de 
60 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
desenvolvimento, o que não dificulta o trabalho do professor de 
Educação Física. Segundo Gallardo (2009), crianças de 6 e 7 anos 
apresentam dificuldades em se organizar, embora bem menos que 
nas fases anteriores. Nessa fase, elas já conseguem compreender 
normas e valores.
No primeiro e segundo anos do ensino fundamental, a criança 
consegue realizar operações mentais de classificar e conservar. 
Ela pensa, cria, critica e organiza o pensamento de acordo com o 
tempo e espaço, e faz isso socialmente, compreende suas próprias 
ações e se desafia a superar suas habilidades. As noções de espaço e 
tempo constituem-se inicialmente no plano motor e, posteriormente, 
no intelectual (FREIRE; SCAGLIA, 2009). Nesse estágio, a criança 
apresenta um crescente desenvolvimento dos sentidos (visão, olfato, 
tato e audição), e estes, ao serem combinados com a motricidade, 
mostram a capacidade perceptiva e de exploração que ela tem 
(FREIRE; SCAGLIA, 2009).
Entre os 8 e 9 anos, ocorre a passagem dos jogos de faz de 
conta para jogos com regras ou marcados por construções mais 
conceituais, e, por volta dos 9 e 10 anos, a vida social da criança 
apresenta características crescentes de colaboração, envolvendo 
discussões de diferentes pontos de vista (FREIRE; SCAGLIA, 2009).
Intelectualmente, podemos observar as mudanças que ocorrem 
nos primeiros anos do ensino fundamental. A partir das palavras 
de Freire e Scaglia (2009, p. 20), a criança passa “a se deparar com 
elementos concretos. Era preciso considerar o real para resolver 
problemas, especialmente porque eles eram coletivos. No quarto 
ano, a criança já está bem adaptada a suas novas tarefas intelectuais. 
O pensamento dirige-se mais ao coletivo que ao individual”.
Segundo os autores, nos anos iniciais, as crianças aventuram-se 
com mais facilidade aos desafios motores e apresentam aumento da 
força física e crescimento corporal, que contribui para sua confiança 
em desempenhar determinadas funções.
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 61
Com relação aos aspectos morais, percebe-se que, no quarto e 
quinto anos, as crianças apresentam um bom entendimento de regras 
e as discutem com seus pares. Há uma diminuição do egocentrismo 
e favorecimento do coletivo. As maiores diferenças entre o quarto e 
quinto anos referem-se aos traços de pré-adolescência que podem 
aparecer, porém, no que tange aos aspectos físicos, intelectuais e 
motores, não apresentam mudanças significativas.
Elucidadas as características dos alunos, podemos conhecer os 
conteúdos e objetivos para cada fase de ensino com base em autores 
e documentos legais, o que será abordado na próxima seção.
3.2 Conteúdos e objetivos a 
serem desenvolvidos
As bases legais para a disciplina de Educação Física, apresentadas 
no capítulo anterior, abordam conteúdos e objetivos a serem 
desenvolvidos com os alunos, tema este de grande importância para 
a docência do professor da educação básica.
Entendemos que o currículo escolar é formado não só por 
conteúdos, mas também por elementos que privilegiam todas as 
dimensões do ser humano. Por isso a disciplina de Educação Física, 
assim como as demais, possui objetivos e competências a serem 
atingidos pelos alunos que frequentam o ambiente escolar.
Nesta seção, trataremos dos conteúdos e objetivos para as etapas 
da educação básica enfatizadas no livro.
3.3.1 Conteúdos
Entendemos que o conhecimento escolar se constrói com base 
no conhecimento prévio do aluno, no seu interesse em aprender 
e na mediação do professor. Com base nisso, vamos conhecer os 
conteúdos escolares da Educação Física para a educação infantil e 
para os anos iniciais do ensino fundamental.
62 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Coll et al. (2000 apud DARIDO; RANGEL, 2011, p. 64) definem 
conteúdo como
uma seleção de formas ou saberes culturais, conceitos, 
explicações, raciocínios, habilidades, linguagens, valores, 
crenças, sentimentos, atitudes, interesses, modelos de 
conduta, etc. cuja assimilação é considerada essencial para 
que se produzam desenvolvimento e socialização adequada 
no aluno.
Castellani Filho et al. (2009) utilizam o termo conhecimento 
para designar conteúdo. Desse modo, é possível entender que 
conteúdo abrange um conjunto de elementos essenciais para o 
desenvolvimento do aluno e que favorece a sua formação integral.
A LDBEN traz orientações das aprendizagens essenciais, e 
não apenas de conteúdos mínimos a serem ensinados. Assim, os 
conteúdos curriculares estão a serviço do desenvolvimento de 
competências – noções fundantes da BNCC – e devem ter base 
nacional comum complementada pelas características regionais e 
locais de cada estabelecimento escolar (BRASIL, 2017).
Complementarmente, Castellani Filho et al. (2009) afirmam que 
a seleção e organização de conteúdos deve objetivar a promoção da 
leitura da realidade, analisando o que determinou a necessidade do 
seu ensino. Para os autores, é preciso considerar a realidade da escola 
quanto aos materiais, pois para o ensino de algumas habilidades 
se exige material específico. Destacamos, assim, a importância de 
adaptar as atividades à realidade local, no que diz respeito ao espaço 
e material disponíveis.
Conforme o exposto, conteúdos envolvem aspectos que vão 
além de informações conceituais. Entendemos que a formação, e 
isso inclui os saberes da Educação Física, envolve o aluno como 
um todo. Com relação às atividades oferecidas na Educação 
Física, “esse universo compreende saberes corporais, experiências 
estéticas, emotivas, lúdicas e agonistas, que se inscrevem, mas não 
se restringem, à racionalidade típica dos saberes científicos que, 
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 63
comumente, orienta as práticas pedagógicas na escola” (BRASIL, 
2017, p. 209).
Darido e Rangel (2011) abordam três dimensões do conhe 
cimento: conceitual, procedimental e atitudinal. A dimensão 
conceitual refere-se ao conhecimento acerca das atividades, 
como conhecer o modo correto de executar práticas corporais; a 
dimensão procedimental vincula-se às habilidades práticas, como 
vivenciar situações de brincadeiras e jogos; já a dimensão atitudinal 
diz respeito à parte comportamental, por exemplo, respeitar os 
adversários e os colegas.
Para a educação infantil, cujas características foram apresentadas 
na seção anterior, o RCNEI (BRASIL, 1998, p. 48) aponta que
as diferentes aprendizagens se dão por meio de sucessivas 
reorganizações do conhecimento, e este processo é 
protagonizado pelas crianças quando podem vivenciar 
experiências que lhes forneçam conteúdos apresentados 
de forma não simplificada e associados a práticas sociais 
reais. É importante marcar que não há aprendizagem sem 
conteúdo.
A BNCC explicita que as aprendizagens e o desenvolvimento 
das crianças têm como eixos estruturantes as interações e 
a brincadeira. Assim, as atividades devem priorizar essa 
característica, assegurando-lhes os direitos de conviver, brincar, 
participar, explorar, expressar-se e conhecer-se. O documento 
estrutura ocurrículo dessa etapa em cinco campos de experiências, 
no âmbito dos quais são definidos os objetivos de aprendizagem e 
desenvolvimento (BRASIL, 2017).
Em todas as mudanças de etapas da educação básica, é necessário 
que a transição seja gradativa e que seja respeitado o tempo de 
adaptação necessário. Nos anos iniciais, “as crianças estão vivendo 
mudanças importantes em seu processo de desenvolvimento que 
repercutem em suas relações consigo mesmas, com os outros e com 
o mundo” (BRASIL, 2017, p. 58). Segundo Gallardo (2009), embora 
64 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
as crianças de 6 e 7 anos já tenham condições físicas e cognitivas 
para realizar diferentes tarefas motoras, é importante incluir no 
planejamento conteúdos significativos e que possibilitem o trabalho 
de reflexão e análise no decorrer das aulas. Atividades escritas 
podem ser trabalhadas, como jogos de construção, simbólicos ou 
com regras, em que se priorize o desenvolvimento de capacidades 
sociais, motoras, efetivas, cognitivas, de relação interpessoal e 
inserção do aluno no mundo.
Para a BNCC, é necessário, nessa etapa, dar continuidade às 
experiências em torno do brincar, desenvolvidas na educação infantil 
(BRASIL, 2017). Além disso, problematizar os seus conhecimentos 
nas vivências escolares contribui para a compreensão de mundo e 
sua inserção na sociedade.
Segundo a BNCC, “cada uma das práticas corporais tematizadas 
compõe uma das seis unidades temáticas abordadas ao longo do 
Ensino Fundamental” (BRASIL, 2017, p. 14). A proposta curricular, 
adequada à realidade local, está organizada em dois blocos (1º e 2º 
anos; 3º ao 5º ano) e se refere aos seguintes objetos de conhecimento 
em cada unidade temática, conforme o Quadro 1:
Quadro 1 – Proposta curricular para os anos iniciais
UNIDADES 
TEMÁTICAS
OBJETOS DE CONHECIMENTO
1º E 2º ANOS 3º AO 5º ANO
Brincadeiras 
e jogos
Brincadeiras e jogos 
da cultura popular 
presentes no contexto 
comunitário e regional
Brincadeiras e jogos 
populares do Brasil e do 
mundo
Brincadeiras e jogos de 
matriz indígena e africana
Esportes
Esportes de marca
Esportes de precisão
Esportes de campo e taco
Esportes de rede/parede
Esportes de invasão
Ginásticas Ginástica geral Ginástica geral
(Continua)
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 65
UNIDADES 
TEMÁTICAS
OBJETOS DE CONHECIMENTO
1º E 2º ANOS 3º AO 5º ANO
Danças
Danças do contexto 
comunitário e regional
Danças do Brasil e do 
mundo
Danças de matriz indígena 
e africana
Lutas
Lutas do contexto 
comunitário e regional
Lutas de matriz indígena e 
africana
Práticas 
corporais de 
aventura
Fonte: Brasil, 2017, p. 225.
Podemos observar que, para os anos iniciais, as práticas 
corporais de aventura não são indicadas, e as demais unidades 
temáticas apresentam os objetos de conhecimentos (conteúdos) a 
serem desenvolvidos nos 1º e 2º anos e nos 3º e 4º anos, de forma 
geral.
A unidade temática Brincadeiras e jogos refere-se a atividades 
voluntárias com limites de tempo e espaço, “caracterizadas pela 
criação e alteração de regras, pela obediência de cada participante 
ao que foi combinado coletivamente, bem como pela apreciação do 
ato de brincar em si” (BRASIL, 2017, p. 214).
Na unidade Esportes, a BNCC orienta o trabalho nos anos iniciais 
com cinco classificações para os esportes: os esportes de marca são 
aqueles que utilizam o tempo e distância ou o peso, podendo ser 
esportes da modalidade de atletismo (corridas) ou aqueles em que 
há uma busca pela superação de resultados anteriores; os esportes 
de precisão são caracterizados pelo lançamento ou arremesso de 
objeto que acerte um alvo ou que atinja uma distância maior; os 
esportes de campo e taco são aqueles que utilizam este material para 
66 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
sua realização, como beisebol e críquete; os esportes de rede/parede 
possuem como característica o arremesso de implemento sobre uma 
rede ou parede, como voleibol, badminton, squash, tênis e tênis de 
mesa; os esportes de invasão são aqueles em que as equipes precisam 
transpor um implemento para um alvo, por exemplo, basquetebol, 
futebol, handebol, entre outros (BRASIL, 2017).
A ginástica geral corresponde a
práticas corporais que têm como elemento organizador 
a exploração das possibilidades acrobáticas e expressivas 
do corpo, a interação social, o compartilhamento do 
aprendizado e a não competitividade. Podem ser constituídas 
de exercícios no solo, no ar (saltos), em aparelhos (trapézio, 
corda, fita elástica), de maneira individual ou coletiva, 
e combinam um conjunto bem variado de piruetas, 
rolamentos, paradas de mão, pontes, pirâmides humanas 
etc. Integram também essa prática os denominados jogos de 
malabar ou malabarismo. (BRASIL, 2017, p. 215)
As danças são “o conjunto das práticas corporais caracterizadas 
por movimentos rítmicos, organizados em passos e evoluções 
específicas, muitas vezes também integradas a coreografias”, e, nesses 
anos de ensino, são enfatizadas as danças do contexto comunitário e 
regional dos alunos, os tipos de danças realizadas no Brasil e aquelas 
de origem indígena e africana (BRASIL, 2017, p. 215).
Por fim, as lutas são caracterizadas por disputadas corporais, 
em que os participantes podem “mobilizar, desequilibrar, atingir 
ou excluir o oponente de um determinado espaço” (BRASIL, 2017, 
p. 2018), como a capoeira, o judô, a esgrima, entre outras.
Explicitados os conteúdos a serem trabalhados e podendo o 
professor adentrar nas classificações acima de acordo com a sua 
realidade local, é importante conhecer os objetivos da Educação 
Física para cada uma das etapas.
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 67
3.3.2 Objetivos
Segundo Nista-Piccolo e Moreira (2012), os objetivos da 
educação visam à possibilidade de desenvolvimento no sentido 
de preparar o sujeito para atuar na sociedade. Para a educação 
infantil, os autores dizem que o espaço não deve ser somente para 
crianças que apresentam bom desempenho, mas deve proporcionar 
experiências de movimento, em que o aluno se desenvolva nos 
aspectos sociais, cognitivos, motores e afetivos, com possibilidades 
de criar, tomar decisões, conhecer e avaliar suas potencialidades. 
Nessa fase, as atividades não devem ter caráter competitivo.
Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão 
sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária, sendo 
que a creche compreende bebês (zero a um ano e seis meses) e 
crianças bem pequenas (um ano e sete meses a três anos e onze 
meses), e a pré-escola, crianças pequenas (quatro anos a cinco anos e 
onze meses). Assim, os objetivos correspondem às possibilidades de 
aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças. 
“Todavia, esses grupos não podem ser considerados de forma rígida, 
já que há diferenças de ritmo na aprendizagem e no desenvol- 
vimento das crianças que precisam ser consideradas na prática 
pedagógica” (BRASIL, 2017, p. 44).
Na BNCC, encontram-se os objetivos relacionados aos campos 
de experiências, já mencionados no capítulo anterior, por exemplo 
“corpo, gestos e movimentos”, cujo objetivo para crianças bem 
pequenas é “apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura 
no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras” (BRASIL, 2017, p. 47). 
Diante disso, entende-se que, para a educação infantil, as atividades 
deverão ter caráter lúdico, sendo privilegiadas as brincadeiras e os 
jogos, sempre considerando as características dessa fase e o potencial 
de aprendizagem dos alunos.
68 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Nos anos iniciais do ensino fundamental, Gallardo (2009, p. 56) 
estabelece alguns objetivos, entre os quais “organizar atividades que 
auxiliem as crianças a alcançar o estágio maduro de execução de 
movimentos fundamentais; facilitara apropriação teórico-prática 
das manifestações da cultura corporal (familiar e do meio físico-
-social próximo)”. Além disso, participar de atividades em grupo 
favorece as relações de sociabilidade e desenvolve a afetividade, 
elemento importante para a aprendizagem e para as relações 
interpessoais na escola, na família e na sociedade. Atividades em 
grupo podem ser utilizadas nas práticas com jogos, brincadeiras e 
atividades desportivas.
Essas práticas permitem, segundo Gallardo (2009, p. 65), 
“ampliar e aperfeiçoar as habilidades motoras desenvolvidas nos anos 
anteriores”, bem como apropriar-se do conhecimento necessário 
para combinar habilidades motoras fundamentais e desenvolver 
capacidades de socialização, que contribuem para a realização das 
atividades em grupo, como a construção e estabelecimento de regras 
a serem seguidas durante a atividade.
Na BNCC, encontramos as habilidades previstas para os anos 
iniciais, entre as quais destacamos: “Descrever, por meio de múltiplas 
linguagens (corporal, oral, escrita, audiovisual), as brincadeiras e os 
jogos populares do Brasil e de matriz indígena e africana, explicando 
suas características e a importância desse patrimônio histórico 
cultural na preservação das diferentes culturas” (BRASIL, 2017, 
p. 225).
Diante dos objetivos e conteúdos da Educação Física escolar, 
faz-se necessário conhecer os procedimentos metodológicos que 
levarão a uma aprendizagem significativa. Mas o que são esses 
procedimentos metodológicos? Vamos conhecer?
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 69
3.3 Procedimentos metodológicos
Os procedimentos metodológicos para o ensino da Educação 
Física são os meios utilizados pelo professor para ministrar sua aula, 
objetivando o aprendizado de seus alunos. Método “é o caminho 
para se atingir um objetivo” (GALLARDO, 2009, p. 42) e a sua 
escolha depende da visão de homem e de mundo que o professor 
tem – e isso depende também do contexto histórico em que ele vive.
Vale ressaltar que, atualmente, busca-se utilizar métodos que 
estimulem o aluno a ser ativo e participativo no processo de ensino-
-aprendizagem. Para isso, o professor é mediador e incentiva o 
aluno a intervir na construção do conhecimento. Essa abordagem 
é chamada de metodologia ativa e condiz com o que consta na Base 
Nacional Comum Curricular (BNCC) sobre “um olhar inovador e 
inclusivo a questões centrais do processo educativo”, pois no novo 
cenário mundial:
reconhecer-se em seu contexto histórico e cultural, 
comunicar-se, ser criativo, analítico-crítico, participativo, 
aberto ao novo, colaborativo, resiliente, produtivo e 
responsável requer muito mais do que o acúmulo de 
informações. Requer o desenvolvimento de competências 
para aprender a aprender, saber lidar com a informação 
cada vez mais disponível, atuar com discernimento e 
responsabilidade nos contextos das culturas digitais, aplicar 
conhecimentos para resolver problemas, ter autonomia 
para tomar decisões, ser proativo para identificar os dados 
de uma situação e buscar soluções, conviver e aprender com 
as diferenças e as diversidades. (BRASIL, 2017, p. 12)
Todas essas características e competências citadas pela BNCC 
exigem do professor o conhecimento ampliado sobre métodos 
e estratégias que promovam o aprendizado dos alunos. Esse 
aprendizado precisa atender às necessidades dos alunos diante 
do cenário mundial, um cenário que está em constante evolução. 
Podemos, a partir disso, identificar métodos e estratégias de ensino 
que podem estar presentes nas ações dos professores em sala de aula.
70 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Com influência das tendências higienista, militarista e 
esportivista, temos o método tradicional de ensino, centrado no 
professor como detentor do conhecimento, “onde impera uma 
forma de planejamento unidirecional, elaborado pelo professor, que 
obedece às normas e regras preestabelecidas” (GALLARDO, 2009, 
p. 43). Quando abordamos, neste livro, a importância da cultura 
corporal de movimento dos alunos, automaticamente estamos 
nos afastando desse método de ensino e nos aproximando de 
metodologias que consideram o aluno como elemento central de sua 
aprendizagem, dotado de experiências motoras, interesses diversos e 
inserido em determinado contexto socioeconômico-cultural.
Nesse sentido, concordamos com Darido e Rangel (2011) 
quando dizem que os meios que o professor utilizará devem estar 
contextualizados, ou seja, o professor precisa conhecer a realidade 
dos alunos e do local em que o ensino será realizado. Por isso,
o professor, ao optar por determinada forma de agir, deve 
estar constantemente refletindo sobre sua prática social, 
como ser um professor que, além de pensar sobre suas 
ações, e, consequentemente, nas reações de seus alunos 
(interação professor aluno), é integrante de uma escola e de 
uma sociedade, ou seja, de uma cultura escolar. (DARIDO; 
RANGEL, 2011, p. 103)
A Educação Física possui diferentes métodos de ensino ou 
procedimentos metodológicos. Neste livro, abordamos esses métodos 
divididos nas etapas de ensino, respeitando as características dos 
alunos apresentadas na seção anterior. Para tal, com base nas teorias 
dos livros de Darido e Rangel (2011), Gallardo (2009), Nista-Piccolo 
e Moreira (2012), vamos expor os procedimentos metodológicos 
para se trabalhar na educação infantil e nos anos iniciais do ensino 
fundamental.
Quando pensamos em procedimentos metodológicos para 
a Educação Física, devemos ter consciência de que se referem à 
maneira como o professor vai conduzir a aula, sempre com o objetivo 
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 71
da aprendizagem do aluno. Uma vez selecionados os conteúdos, 
escolhem-se os meios para que sejam apropriados pelos alunos. 
Dentre os procedimentos metodológicos, podemos citar o ensino 
por meio da imitação, a demonstração, a resolução de problemas e 
desafios, os quais precisam considerar a progressão pedagógica, isto 
é, que as atividades são organizadas da forma mais simples para a 
mais complexa. Juntamente com os procedimentos metodológicos, 
existem as técnicas ou estratégias de ensino, em que os alunos 
podem aprender de forma individual ou em grupos (duplas, trios, 
quartetos), dispondo-os espalhados pelo ambiente ou em círculos, 
colunas, filas, entre outros.
O ambiente, os recursos materiais, o conhecimento da realidade 
dos alunos e suas características são fatores que precisam ser 
observados quando o professor estabelece o percurso para o aluno 
aprender, ou seja, os procedimentos metodológicos que vai adotar. 
Vale ressaltar a importância de elementos como a ludicidade, a 
musicalidade e a recreação, que atraem os alunos para a realização 
das atividades.
Com relação à ludicidade na educação infantil, Nista-Piccolo e 
Moreira (2012, p. 70) afirmam que:
É preciso que o ambiente preparado seja um espaço de 
vivências alegres (inclusive se este ambiente for o interior 
da escola), de momentos de descobertas que permitam o 
fazer novamente. Mas esta repetição do movimento deve 
acontecer por iniciativa da própria criança, de querer sentir 
novamente a emoção da alegria, a sensação da satisfação. 
Isso exige que a proposta lúdica não possa se distanciar das 
metas estabelecidas pelo professor. Se ele quiser ensinar 
determinado conteúdo, esquecendo-se de oferecê-lo no 
mundo mágico que a criança vive, isto é, desconectado da 
ludicidade, isso poderá significar para ela que a atividade não 
é brincadeira, afastando o prazer de brincar daquela situação.
Sendo assim, podemos destacar que, na educação infantil, os 
procedimentos metodológicos utilizados enfatizam a exploração 
72 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
do aluno sobre o seu corpo, o ambiente (espaço e objetos) e seu 
corpo no ambiente. Essa exploração pode ocorrer quando o aluno 
encontra determinados obstáculosou desafios, ou quando, por meio 
da demonstração do professor, ele busca adquirir um conhecimento 
novo.
Segundo o RCNEI (1998, p. 24), “as práticas culturais 
predominantes e as possibilidades de exploração oferecidas pelo 
meio no qual a criança vive permitem que ela desenvolva capacidades 
e construa repertórios próprios”.
Nos anos iniciais, os procedimentos metodológicos utilizados 
vão se aperfeiçoando de acordo com o nível de entendimento dos 
alunos. Vale ressaltar que, além dos procedimentos mencionados 
na educação infantil, pode-se utilizar diferentes formas para a 
participação dos alunos no processo de aprendizagem, como 
“participação individual, em grupo, com tarefas, com avaliação 
comparativa etc.” (GALLARDO, 2009, p. 51).
Procedimentos metodológicos que permitem ao aluno 
desenvolver a criatividade e a autonomia na resolução de problemas 
são importantes para a sua formação integral. Para Gallardo (2009), 
as atividades em grupos estimulam a cooperação, a responsabilidade 
e a independência.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, podemos observar 
uma evolução no conhecimento dos alunos, assim, procedimentos 
metodológicos que propiciam responsabilidade e autonomia podem 
ser trabalhados nesse nível de ensino. Um exemplo seria o “dia do 
ajudante”, em que o aluno auxilia o professor no andamento da aula.
A partir do 4º ano, a iniciação aos jogos pré-desportivos 
acontece e há a possibilidade de diferentes estratégias de ensino para 
essa etapa, por exemplo, diferentes formas de organizar as equipes, 
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 73
auxílio dos mais habilidosos aos menos habilidosos, participação e 
competição com igualdade de condições (GALLARDO, 2009).
A associação de conteúdos de outras disciplinas como Ciências 
ou Português pode incidir sobre os procedimentos metodológicos, o 
que chamamos de trabalho interdisciplinar, e este deve ser planejado 
em conjunto com os demais professores da escola.
Rever os procedimentos metodológicos e buscar contribuições 
teóricas faz parte de uma metodologia reflexiva, que, segundo 
Schon (1992 apud DARIDO; RANGEL, 2011, p. 105), resume-se em 
“conhecimento da ação; reflexão na ação e reflexão da ação” e pode 
ser entendida como:
O conhecimento na ação acontece um pouco antes de o 
professor iniciar sua aula e é um momento em que reflete 
sobre as possibilidades humanas e materiais que possui. 
Já a reflexão na ação ocorre durante a aula, no instante exato 
em que esta está acontecendo, possibilitando ao professor 
tomar novas decisões sobre os problemas que vão surgindo. 
Imediatamente após a aula (e durante um certo tempo 
depois), o professor passa a refletir sobre os acontecimentos 
da mesma, como tomou as decisões, quais poderiam ser 
diferentes, o que faltou para que a mesma fosse melhor, 
enfim, o que deu certo ou errado. (DARIDO; RANGEL, 
2011, p. 105)
Sendo assim, definir os procedimentos metodológicos vai além 
de selecionar os conteúdos e os objetivos a serem desenvolvidos. 
O professor precisa conhecer a realidade e trabalhar de acordo com 
a cultura corporal de movimento dos alunos, permitindo que se 
desenvolvam em suas autonomias de forma criativa e responsável. 
Para tanto, o planejamento do professor é elemento indispensável 
para atingir os objetivos da Educação Física na educação infantil e 
anos iniciais. A seguir, vamos conhecer como se faz um planejamento 
para a disciplina de Educação Física.
74 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
3.4 Tipos de planejamento e estruturação 
de aulas de Educação Física
Identificadas as características dos alunos, os conteúdos, objetivos 
e procedimentos metodológicos, é hora de aprender como realizar 
um bom planejamento em Educação Física. Em conformidade com 
a LDBEN, artigo 13, incisos I e II, os docentes serão incumbidos de 
“participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento 
de ensino; elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta 
pedagógica do estabelecimento de ensino” (BRASIL, 1996).
Com relação ao planejamento na área educacional, este busca 
atender às necessidades da educação para o século XXI. Deve levar 
em conta os desafios, como conteúdos fragmentados, e ter como 
propósito preparar as gerações para as incertezas e imprevistos do 
futuro, sendo o planejamento um processo contínuo e em constante 
movimento (FONSECA; MACHADO, 2015).
Planejar é organizar o trabalho docente para o ano letivo. Esse 
planejamento requer uma atenção importante aos objetivos que são 
propostos para a disciplina e para a organização das ações docentes. 
Segundo Turra (1991 apud FONSECA; MACHADO, 2015, p. 49), 
“qualquer proposta de trabalho em qualquer área de ação, para ser 
desenvolvida com êxito, implica num mínimo de organização”.
Existem três tipos de planejamento no ambiente escolar: o 
plano de estudo ou de curso, o plano de trabalho ou de unidade, 
e o plano de aula. O plano de estudo ou plano de curso é o 
planejamento utilizado para um ano letivo inteiro. Ele é individual 
para cada turma na qual o professor irá trabalhar. O plano de 
trabalho ou de unidade é um planejamento realizado durante 
um período. Esse período pode ser de quinze dias, um mês, um 
bimestre, um trimestre ou um semestre. O plano de aula contém 
o planejamento das atividades da disciplina que serão realizadas 
em um dia.
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 75
Para Fonseca e Machado (2015), um plano de curso deve conter:
• Dados de identificação: contendo nome da escola, ano letivo, 
nome do professor, disciplina, ano e turma.
• Diagnóstico da turma: “sondagem inicial para conhecimento 
do contexto da escola, das características, conhecimentos, 
necessidades e interesses dos alunos” (FONSECA; 
MACHADO, 2015, p. 59).
• Objetivos: da escola, do nível de ensino (educação infantil ou 
anos iniciais) e da disciplina.
• Conteúdos: podem ser acompanhados de um cronograma.
• Procedimentos ou metodologia: como a disciplina será 
desenvolvida durante o ano.
• Recursos existentes (humanos, físicos, audiovisuais etc.).
• Avaliação.
• Referências: fontes bibliográficas.
O plano de unidade ou de trabalho deve conter as informações: 
dados de identificação, objetivos da disciplina para determinado 
período, conteúdos, procedimentos, recursos, avaliação e referências, 
assim como foi detalhado no plano de curso.
Por fim, um plano de aula precisa conter: dados de identificação, 
como nome da escola, do professor, disciplina, turma, turno, data, 
duração da aula, tema da aula (tema geral e amplo – ex.: ginástica 
geral), conteúdo (ex.: rolamentos), objetivo da aula, parte inicial 
(aquecimento), parte principal (atividades que atendam ao objetivo 
da aula e ao conteúdo) e parte final (chamada também de volta 
à calma, para estabilizar a frequência cardíaca dos alunos); e 
procedimentos metodológicos, recursos e observação, esta última 
realizada após a aula, contendo informações referentes à aula, o 
76 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
que deu certo ou errado, o que foi flexibilizado ou observação com 
relação aos alunos, de forma individual ou no grande grupo.
Na concepção de Fonseca e Machado (2015, p. 54), “o plane- 
jamento escolar é um processo que envolve o antes, o durante e 
o depois da ação educativa, nas diferentes instâncias em que ela 
ocorre”. Assim, é um processo que precisa ser pensado de acordo 
com as necessidades da realidade dos alunos, ser claro e flexível, 
observar as condições de espaço, materiais e tempo disponíveis e 
atender aos objetivos. Mas, afinal, como elaborar um objetivo para 
o meu planejamento?
Primeiramente, há de se considerar os objetivos para cada fase 
de ensino estabelecidos pelas bases legais. Segundo a BNCC,
Na Educação Infantil, as aprendizagens essenciais 
compreendem tanto comportamentos, habilidades 
e conhecimentos quanto vivências quepromovem 
aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos 
de experiências, sempre tomando as interações e a 
brincadeira como eixos estruturantes. Essas aprendizagens, 
portanto, constituem-se como objetivos de aprendizagem e 
desenvolvimento. (BRASIL, 2017, p. 44)
Logo, estruturar um objetivo para o planejamento em Educação 
Física na educação infantil recai sobre a promoção das vivências e 
experiências que as crianças vão ter a partir das brincadeiras.
Para elaborar um objetivo para a aula, é preciso pensar no 
quê, para quem e para que vamos realizar determinada aula. 
Nesse sentido, primeiramente delimita-se um verbo, por exemplo, 
proporcionar, promover ou propiciar. Em seguida, coloca-se o que 
será desenvolvido e para quem será a aula (ex.: alunos do 2º ano), 
e, então, o para quê, a fim de que essas atividades sejam realizadas. 
A seguir, no Quadro 2, temos o exemplo de um plano de aula, com 
algumas informações preenchidas.
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 77
Quadro 2 – Plano de aula
PLANO DE AULA
Dados de identificação
Plano nº: 2º ano Data: Horário: Duração:
Turma: 21 Turno: Tarde Nº de alunos:
Escola/Município:
Professora: Disciplina:
Tema: Jogos populares Conteúdo: Queimada
Objetivo da aula: Proporcionar aos alunos do 3º ano atividades lúdicas e recreativas 
de queimada com variações para desenvolver coordenação motora ampla e noção 
espaço-temporal.
Estrutura da aula
Parte inicial: Aquecimento
Parte principal
Atividade n° 01:
Atividade n° 02: 
Atividade n° 03:
Atividade n° 04:
Atividade n° 05:
Atividade nº 06:
Parte final:
Dados complementares
Material/recursos:
Referências:
Observação final:
Fonte: Elaborado pelas autoras.
78 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Há de se considerar que, ao desenvolver as atividades da parte 
principal da aula, o professor precisa organizá-las de forma a obedecer 
a progressão pedagógica para o seu desenvolvimento, ou seja, iniciar 
com a atividade de menor grau de dificuldade e aumentar esse grau 
ao longo da aula. Na parte final, é possível desenvolver atividades 
que exijam a cognição dos alunos, de forma a utilizar em menor 
escala o esforço físico, a fim de diminuir a frequência cardíaca.
Vale ressaltar que cada estabelecimento de ensino possui 
seu Projeto Político Pedagógico (PPP), construído com todos os 
agentes participantes da educação dos alunos. Este documento 
segue regimentos legais, de acordo com a cidade, o estado e o país, 
e descreve os planos de estudo das disciplinas, que podem ser 
alterados em tempo determinado pelos órgãos responsáveis pela 
educação da cidade ou estado. Cabe aos professores organizar 
seus planejamentos e trabalhar pela educação de qualidade que o 
país almeja.
Considerações finais
Encerramos este capítulo com a certeza de que ele servirá como 
importante material de apoio ao futuro professor de Educação Física 
ou profissional que atuará na educação infantil e nos anos iniciais do 
ensino fundamental.
Compreender os processos que envolvem o ensino da Educação 
Física nessas etapas de ensino recai pontualmente sobre a prática 
docente, sendo de extrema importância a reflexão acerca das ações 
– antes, durante e depois de serem realizadas. Atingir os objetivos a 
que se propõe a Educação Física exige um planejamento adequado, 
considerando a realidade dos alunos e a sua cultura corporal de 
movimento.
Aspectos didático-metodológicos do ensino da Educação Física 79
Proporcionar atividades que enriquecem o repertório motor 
é tarefa indispensável do professor de Educação Física, pois elas 
promovem o desenvolvimento dos alunos em todos os aspectos: 
físicos, sociais, afetivos e psicológicos. Preparado para esse desafio?
Ampliando seus conhecimentos
• BARBOSA, C. L. A. Educação Física e didática: um diálogo 
possível e necessário. Petrópolis: Vozes, 2010.
Esse livro traz elementos sobre didática e planejamento de 
ensino em Educação Física, mostra exemplos de planos de 
aula completos para anos finais do ensino fundamental e 
adentra na forma de avaliação da disciplina.
• NEIRA, M. G. Educação Física: desenvolvendo competências. 
3. ed. São Paulo: Phorte, 2009.
Esse livro aborda a prática docente em Educação Física, os 
objetivos educacionais, as dimensões dos conteúdos e as 
concepções de aprendizagem. Traz, ainda, elementos sobre 
planejamento de ensino e formação dos professores.
Atividades
1. O que Freire e Scaglia (2009) afirmam a respeito das 
características motoras dos alunos da educação infantil e dos 
anos iniciais?
2. Quais procedimentos metodológicos podem ser utilizados 
para a docência do professor de Educação Física?
3. Explique os tipos de planejamento existentes para as aulas de 
Educação Física.
80 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Referências
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http://portal.
mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. 
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/
SEF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
volume3.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 
2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/
BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
CASTELLANI FILHO, L. et al. Metodologia do ensino da Educação Física. 
São Paulo: Cortez, 2009.
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física no ensino superior: 
Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. São Paulo: 
Guanabara Koogan, 2011.
FONSECA, D. G. da.; MACHADO, R. B. (orgs.). Educação Física: 
(re)visitando a didática. Porto Alegre: Sulina, 2015.
FREIRE, J. B.; SCAGLIA, A. J. Educação como prática corporal. São Paulo: 
Scipione, 2009.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento 
motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3. ed. São Paulo: Phorte, 2005.
GALLARDO, J. S. P. Prática de ensino em Educação Física: a criança em 
movimento: livro do professor. São Paulo: FTD, 2009.
NISTA-PICCOLO, V. L.; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na 
educação infantil. São Paulo: Cortez, 2012.
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf
4
Atividades práticas para as aulas de 
Educação Física
Após conhecer as características dos alunos das etapas da 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, e entender 
sobre os procedimentos metodológicos e o planejamento e 
estruturação das aulas, você vai conhecer atividades com e sem o 
uso de materiais, para que possa utilizá-las nas aulas, vinculando-
-as à metodologia adequada às características de seus alunos e 
estruturando-as conforme o planejamento que foi apresentado no 
capítulo anterior. Vamos conhecer as atividades?
4.1 Atividades sem uso de materiais
Nesta seção, vamos conhecer atividades que podem ser realizadas 
sem o uso de materiais e saber como utilizá-las de maneira criativa, 
possibilitando o desenvolvimento integral do aluno. Como consta 
no Capítulo 1 deste livro, o objeto de estudo da Educação Física 
é o movimento humano, e este pode ser concebido por meio de 
diferentes manifestações corporais. O aluno tem preferência por 
determinadas atividades corporais de acordo com o que lhe é 
transmitido de gerações anteriores, ou com o que ele observa na 
mídia e no local onde vive.
Assim, quando são escolhidas as atividades para incluir em seu 
planejamento, é preciso considerar as características dos alunos 
e a cultura na qual estão inseridos, para despertar o interesse em 
aprender e tornar as aulas agradáveis e prazerosas.
Para a etapa da educação infantil, vamos utilizar as atividades 
na perspectivade um ensino menos sistematizado e incentivando a 
82 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
liberdade de imaginar, conforme indicam Freire e Scaglia (2009). Para 
os autores, “a Educação Infantil deveria ser a escola da imaginação. 
As crianças precisariam ser livres para explorar a imaginação que se 
revela a cada instante nos jogos que elas buscam realizar o tempo 
todo” (FREIRE; SCAGLIA, 2009, p. 108). É importante oportunizar 
atividades em que a criança experimente novos movimentos a partir 
das habilidades motoras básicas, como correr, rolar, equilibrar-se, 
pendurar-se, entre outras, possibilitando o conhecimento do corpo, 
os sentidos e o desenvolvimento psicomotor, na perspectiva da 
imaginação e da criatividade.
Nesse sentido, apresentamos, a seguir, atividades a serem 
realizadas sem a utilização de materiais.
Expressando emoções: o professor conversa com os alunos 
sobre as emoções que sentimos e, depois, estimula a expressão dos 
sentimentos que conhecem por meio da linguagem corporal, sem 
emitir som. Pode-se oferecer desafios em forma de perguntas, como: 
Quem consegue expressar a raiva sem manifestar som? Em duplas, 
eles tentam adivinhar o sentimento que o colega está expressando 
(NISTA-PICCOLO; MOREIRA, 2012).
Podemos desenvolver as emoções com atividades que utilizem 
o faz de conta e a fantasia, tão importantes nessa faixa etária. 
Uma possibilidade seria uma viagem a uma floresta encantada. 
Ao encontrar o grande urso feroz, os alunos expressam o sentimento 
de espanto, de medo, por exemplo. Nessa viagem, outras emoções 
podem ser sentidas, como alegria ao encontrar um tesouro perdido, 
a raiva e a tristeza ao perdê-lo na correnteza de um rio, ou a 
felicidade em encontrar o caminho de volta para casa. Nesse mundo 
imaginário, muitas emoções podem ser sentidas, e a educação 
infantil é terreno fértil para isso.
Identificar os sons do ambiente: o professor conversa sobre 
os diferentes sons que existem e que ouvimos na escola. Pode-se 
perguntar: Quais sons você ouve na escola? Quais sons fazem você 
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 83
ficar feliz quando ouve? Quais sons você não gosta de ouvir? A partir 
dessas indagações, o professor estimula os alunos a realizarem os 
sons com a boca. Dependendo do local onde fica a escola, diferentes 
tipos de sons podem ser escutados, como: barulho do avião, do mar, 
do rio, do trem, dos pássaros, de uma indústria ou fábrica próxima 
da escola, do trânsito, entre outros.
Identificar os cheiros e sabores: nessa linha de percepção dos 
sentidos, estimula-se o aluno a identificar cheiros característicos, 
de quais ele mais gosta e de quais não gosta. Esses cheiros podem 
ser: o cheiro do almoço, cheiro do lixo, cheiro do banheiro, cheiro 
do perfume, das flores. É possível fazer o mesmo com os sabores, 
promovendo um momento de degustação de diferentes alimentos, 
com a experimentação do doce, azedo, quente, frio, identificando 
tipos e alimentos, o que auxilia também na promoção de hábitos 
alimentares saudáveis.
Adivinhar o bicho: pergunta-se ao aluno se ele sabe imitar um 
bicho. O professor chama um aluno de cada vez para fazer a imitação. 
Os demais tentam adivinhar qual bicho o colega está imitando. Essa 
atividade é também um jogo simbólico para desenvolver a noção 
do próprio corpo e a imaginação (FREIRE; SCAGLIA, 2009). 
Nesse sentido, pode-se fazer questionamentos que vão estimular a 
expressão oral e motora, como: Você sabe como faz o sapinho? E o 
leão? Assim, os alunos vão se expressando em nível motor por meio 
da imaginação e da fantasia.
Família de bichos: o professor escolhe cinco animais e sussurra 
para cada aluno o animal que ele vai representar. Depois, todos se 
espalham pelo ambiente e fazem gestos e sons relacionados ao animal 
que representam. A tarefa dos alunos é procurar e aproximar-se dos 
seus pares, ou seja, da sua família, que está imitando o mesmo bicho.
Acorda, seu urso: em um ambiente amplo e com espaço razoável 
para movimentação, um aluno representando o urso fica de costas 
e longe dos demais, de olhos fechados, “dormindo”. Os colegas se 
84 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
aproximam do urso e falam, ao mesmo tempo: “Acorda, seu urso!”. 
Nesse momento, o urso acorda e corre atrás dos demais, que fogem 
para o local de origem. Aqueles que ele encostar viram urso também 
e ajudam a pegar os outros.
Coelhinho, sai da toca: em trios, dois alunos fazem a toca do 
coelho encostando as mãos acima da cabeça do terceiro aluno, 
que é o coelho e deve ficar dentro da toca. Ao sinal do professor, 
“coelhinho, sai da toca”, os coelhos precisam procurar outra toca. 
Para que todos vivenciem a situação de coelho, pode-se trocar as 
funções dos alunos no decorrer da atividade.
Raposa e pintinhos: os alunos ficam dispostos de um lado 
do espaço/quadra sendo os pintinhos e, no centro, fica um aluno 
denominado raposa. Ao sinal do professor, os pintinhos precisam 
atravessar o espaço e chegar ao outro lado sem serem tocados pela 
raposa. Se forem tocados, passam a ser raposas e ajudam a pegar os 
outros pintinhos.
Corrida dos opostos: o professor forma dois grupos de alunos 
e os posiciona em duas fileiras uma de frente para a outra, a dois 
passos de distância. Um grupo representa o quente e o outro, o 
frio. O professor fala elementos quentes e frios, alternadamente. 
A equipe que representa o elemento vai correr e pegar o outro grupo, 
que deve fugir. A atividade ocorre da seguinte maneira: quando 
todos estiverem alinhados, o professor dirá, por exemplo, “picolé”. 
O grupo que representa o frio vai correr atrás do grupo que 
representa o quente, para pegá-los, e quem for pego passa para a 
outra fileira. Depois, todos se posicionam novamente e a atividade 
continua. Essa atividade pode ser realizada com outros comandos 
do professor, como: sol e lua, maçã e laranja, uma e duas palmas, 
ou comando visual, como levantar um braço e levantar os dois, ou 
apontar o lado para o qual os alunos devem correr.
Pisando na sombra: essa atividade é desenvolvida em local 
aberto e em dia ensolarado. As crianças tentam pisar na sombra 
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 85
do colega e evitar que pisem em suas próprias sombras (FREIRE; 
SCAGLIA, 2009).
Identificar os batimentos: o professor solicita aos alunos que 
verifiquem, no próprio corpo, os locais em que se percebem com 
maior nitidez os batimentos cardíacos. Depois, dialoga sobre quando 
estamos em repouso e quando nos movimentamos. Por fim, solicita 
que os alunos verifiquem e comentem o que sentiram em repouso, 
depois de caminharem e depois de correrem.
Estátua: o professor solicita aos alunos que realizem algum 
movimento. Ao seu sinal (pode ser apito, palma ou comando de 
voz), os alunos param de realizar os movimentos, posicionando- 
-se como estátuas. Em seguida, indica o próximo movimento a ser 
realizado. Temos como exemplos de movimentos nessa atividade: 
caminhar pelo espaço, nas linhas da quadra (se o espaço for uma 
quadra poliesportiva), correr, rastejar, rolar, girar, saltar, andar de 
marcha ré, entre outros. Esses exemplos, acompanhados da fantasia, 
trazem maior prazer para a realização, ou seja, se o objetivo é saltar, 
o comando pode ser imitar um coelho ou canguru; se o objetivo é 
rastejar, imitar uma cobra ou lagarto; se o objetivo é correr rápido, 
imitar um foguete, e assim por diante.
Atividades em círculos: formando círculos, é possível realizar 
diversas atividades, como rodas cantadas tradicionais da sua região.
Outros exemplos de atividades para serem realizadas em círculo 
que compreendem diferentes movimentações são: correr no lugar, 
saltar num pé só, com os dois pés, equilibrar-se, dançar, girar, 
desenvolver noção de espaço como perto e longe, rápido e devagar, 
em cima e embaixo, em pé, sentado ou deitado, marchar ao som das 
palmas do professor,frente e atrás, partes do corpo, entre outros.
Sendo assim, podemos trabalhar as seguintes atividades: dar 
as mãos e realizar o deslocamento para os dois lados do círculo 
(podendo cantar músicas tradicionais da sua região, por exemplo, 
“roda cutia”); passar o abraço para o colega ao lado e assim por 
86 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
diante; telefone sem fio; vivo e morto (em pé ou abaixado); oi e tchau 
(quando o professor fala “oi”, os alunos se aproximam do centro do 
círculo, e quando o professor fala “tchau”, se afastam); encostar em 
suas partes do corpo e encostar nas partes do corpo dos colegas 
(mãos, pés, dedos, ombros e joelhos). Vale ressaltar a importância 
de o professor conduzir os alunos ao aprendizado sobre as partes do 
corpo que podem ser tocadas no colega, instruindo-os sobre aquilo 
que pode ser abusivo. Nessa formação, existem muitas possibilidades 
de atividades. Seja criativo!
Atividades em colunas e filas: existem diferentes possibilidades 
de atividades em colunas e filas. Os alunos podem ficar com as 
pernas afastadas e o último aluno da coluna passa pelo “túnel de 
pernas” e se posiciona do outro lado, afastando também as pernas 
para os demais passarem. Perfilados um ao lado do outro, com o 
professor na outra extremidade do espaço, os alunos executam 
passos de acordo com a orientação do professor, por exemplo, 
“vamos todos fazer cinco passos de formiguinha”, ou “três passos de 
sapinho”, entre outros, até todos chegarem ao local onde o professor 
está. Outra atividade em coluna é realizar um trem, em que cada 
aluno encosta suas mãos nos ombros do outro e o trem desloca-se 
pelos ambientes da escola, com os alunos imitando os seus sons e 
fazendo os comandos do professor: “acelera o trem”, “velocidade 
máxima”, “vamos parar na estação, “o trem descarrilhou”, “está bem 
devagar” etc.
Sombra: crianças formam duplas e espalham-se pelo espaço. 
Um dos alunos da dupla é a sombra, se posicionando atrás do 
outro. O aluno que está na frente desloca-se livremente pelo espaço, 
executando movimentos livres e variados, e a sombra precisa imitar 
esses movimentos. Ao sinal do professor, invertem-se os papéis 
(NISTA-PICCOLO; MOREIRA, 2012).
Esconde-esconde: pode ser realizado nas diferentes etapas 
de ensino enfatizadas nesta obra. Existem variações quanto à sua 
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 87
execução, lembrando que, na educação infantil, o simples fato 
de esconder o rosto com as mãos é característica dessa atividade. 
Segundo Freire (2009, p. 47),
As crianças menores que conseguem realizar este brinquedo 
costumam esconder apenas o rosto, julgando que assim 
o pegador não as vê. As crianças um pouco mais velhas 
escondem parte do corpo, tornando-se assim, facilmente 
visíveis. Somente as maiores (final da primeira infância) 
sabem ocultar todo o corpo, de modo a não serem vistas.
Assim, executa-se essa brincadeira em diversos espaços, onde 
um aluno fecha os olhos encostando-se virado para a parede e os 
demais escondem-se pelo ambiente. Após todos terem se escondido 
e ao sinal do professor, este aluno vai procurar os escondidos, e 
aquele que for encontrado primeiro será o próximo aluno a procurar 
os outros depois de todos serem encontrados.
Atividades com elementos da ginástica e que trabalham 
qualidades físicas das crianças também podem ser realizadas na 
educação infantil, como: fazer estrelinha ou roda, avião, ponte e vela; 
corrida de carrinho de mão em duplas, em que um colega segura 
as pernas do outro e este se desloca movimentando os braços com 
as mãos no chão; ainda em duplas e com as mãos unidas, puxar ou 
empurrar o colega para determinado lugar.
Segundo Castellani Filho et al. (2009, p. 77), é importante 
trabalhar com “formas ginásticas que impliquem as próprias 
possibilidades de saltar, equilibrar, balançar e girar em situações de” 
desafios no ambiente natural, como árvores, declives, barrancos, 
desafios no próprio espaço da escola, como pátio e parquinho, e 
desafios com a utilização de materiais ginásticos ou alternativos.
Com esses exemplos de atividades, é possível adaptar espaços 
e regras e usar a criatividade para fazer variações. É importante, 
também, que as crianças ajudem na construção de regras e que 
proponham novos elementos, pois isso incentiva a sua criatividade. 
Para a educação infantil, é preciso inserir as atividades em um 
88 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
contexto de faz de conta, considerando as características dessa 
faixa etária.
Para os anos iniciais do ensino fundamental, vamos propor 
atividades considerando a transição da educação infantil para 
essa etapa. Além da possibilidade de realizar algumas descritas na 
educação infantil, principalmente para 1º e 2º anos, apresentamos 
um conjunto de atividades que possuem elementos motores, 
cognitivos, sociais e afetivos que exigem um grau e conhecimento 
maior dos alunos para que eles possam realizá-los de forma efetiva. 
Por isso, é importante o diagnóstico da turma e dos alunos, a fim 
de organizar o planejamento das atividades, bem como repensar as 
ações a partir da metodologia reflexiva, descrita no capítulo anterior.
Gallardo (2009, p. 63) traz exemplos de atividades a serem 
desenvolvidas nos anos iniciais:
Caminhar executando passos largos, curtos ou alternando 
passos curtos e longos; explorar o deslocamento do corpo 
no espaço (para frente, para trás, para os lados, em linhas 
curvas, retas ou misturando linhas retas e curvas); explorar 
diferentes posições do corpo (deitado, em repouso ventral 
ou dorsal, andando de cócoras ou engatinhando, sentado 
com ou sem apoio, utilizando quadrupedia ventral ou 
dorsal); identificar variações do centro de gravidade (centro 
de gravidade baixo, médio ou alto; caminhar na ponta dos 
pés, de cócoras etc.); explorar diferentes expressões gestuais 
ou afetivas que indiquem alegria, raiva, tristeza, desânimo, 
rejeição, aceitação, competição etc.
Para os anos iniciais, dividiremos as atividades de acordo 
com a formação/posição dos alunos no ambiente: posicionados 
aleatoriamente pelo ambiente, em círculos ou em filas e colunas.
Posicionados aleatoriamente pelo ambiente, os alunos podem 
realizar diferentes atividades sem o uso de materiais. Espaços amplos 
e que oferecem segurança contribuem para a realização de atividades 
em que os alunos ficam dispostos aleatoriamente e livres para 
movimentarem-se em todas as direções. Esses espaços favorecem 
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 89
a realização de atividades dinâmicas e com grande movimentação. 
De acordo com as características dos alunos, podem possuir regras 
simples e que vão se tornando complexas a partir da compreensão 
dos alunos, ou seja, uma mesma atividade pode ter variações que 
acrescentam a ela complexidade.
Com os alunos dispostos de forma aleatória no espaço, as 
atividades de pegar podem ser realizadas das mais diversas formas. 
A seguir apresentamos alguns exemplos.
Pega-pega: é a mais tradicional forma de brincar, sendo comum 
a prática em momentos que vão além da sala de aula, como no 
recreio e nas ruas. Conforme explica Freire (2009, p. 121), “escolhe-
-se um pegador que tentará pegar as demais crianças dentro de um 
espaço limitado. Aquele que for pego passa a ser o pegador”. O autor 
ainda sugere que a escolha do pegador seja feita pelas crianças e que 
elas também auxiliem na determinação das regras da brincadeira. 
Além disso, há opções de variações quanto às dimensões espaciais 
(redução ou ampliação do espaço de fuga) e formas de captura 
(acrescentando pegadores ou estabelecendo um local onde estão 
salvos dos pegadores) (FREIRE, 2009, p. 10).
Pega-cola: escolhe-se um aluno para ser o pegador e os demais 
fogem dele. Quem for pego permanece “colado”, como uma estátua, 
e só pode continuar fugindo se outro colega o “descolar”, encostando 
aXX, por exemplo, a 
10 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
sociedade privilegiava apenas a aptidão física e a higiene, por causa 
do desenvolvimento econômico do país. Nessa época, o cenário 
tinha como característica a formação de pessoas como força de 
trabalho para a produção.
Em termos cronológicos,
a Educação Física escolar sistematizada teve início no final 
do século XIX. Nesta época, o país iniciava sua transição de 
sociedade escravista para uma formação social capitalista. 
Acompanhando as tendências que dominavam na Europa 
em diferentes campos do saber, existia a preocupação de 
construir um homem novo, que pudesse dar suporte 
à nova ordem política econômica e social emergente. 
(GALLARDO, 2009, p. 11)
Diante do exposto, especificam-se diferentes concepções – 
ou tendências – com relação à Educação Física escolar, as quais 
acompanharam os diferentes contextos históricos e econômico- 
-sociais pelos quais passou o país. Assim, historicamente, a Educação 
Física apresentou as seguintes tendências pedagógicas.
1.1.1 Higienista e militarista
Na concepção higienista, a preocupação estava centrada nos 
hábitos de higiene, valorizando o desenvolvimento físico e moral a 
partir da atividade física. Para Darido e Rangel (2011), o higienismo 
é uma das concepções dominantes na Educação Física.
Gallardo (2009) afirma que, no Brasil, existia uma classe de 
médicos que buscava a reformulação de hábitos de higiene na 
família para libertar a população do vício do período colonial, como 
a preguiça, a imoralidade e a indolência, o que prejudicava a saúde, 
a moral e a vida coletiva. Assim, para alcançar os objetivos dessa 
sociedade, os higienistas recorreram às práticas de Educação Física, 
que, “com base em critérios estabelecidos pelas ciências biológicas, 
encarregaram-se de implementar programas disciplinares e de 
exercitação corporal nas escolas, a fim de desenvolver e fortalecer 
A Educação Física escolar 11
física e moralmente os indivíduos, tornando-os aptos para a 
construção da nova sociedade” (GALLARDO, 2009, p. 11).
Nessa concepção, as aulas de Educação Física eram separadas 
entre meninos e meninas, pois, para os meninos, era importante a 
formação de corpos saudáveis, produtivos, fortes, para se tornarem 
futuros militares, e, para as meninas, o essencial era a formação de 
mães saudáveis, para se tornarem futuras donas de casa com muitos 
filhos (GALLARDO, 2009).
Dessa forma, as práticas motoras da época fundamentavam-se 
em movimentos ginásticos oriundos dos métodos alemão, sueco e 
francês. A Educação Física tinha como premissa básica, portanto, 
a necessidade de atividades somente práticas, a fim de formar 
corpos fortes e saudáveis, tal como exigido pelo momento histórico, 
econômico e social (DARIDO; RANGEL, 2011).
Assim como a higienista, a concepção ou tendência militarista 
também reduzia a Educação Física apenas a atividades práticas, 
sem necessidade de uma reflexão e fundamentação teórica para dar 
suporte a ela (DARIDO; RANGEL, 2011). A concepção militarista 
surgiu sob forte influência de um acontecimento histórico: a 
Primeira Guerra Mundial. Mesmo a guerra tendo início em 1914, 
o movimento com as alianças entre os países buscava a formação 
de contingentes militares a fim de defender os territórios. Assim, 
os militares começaram a ditar um novo modelo de homem a ser 
formado: o homem forte e capaz de defender a sua pátria.
Essa influência militar pôde ser observada em 1907, com a 
criação da Escola de Educação Física da Força Policial do Estado de 
São Paulo, a primeira escola de formação de instrutores de Educação 
Física no Brasil, e, em 1922, com a criação do Centro Militar de 
Educação Física do Rio de Janeiro. Além de dar continuidade à 
concepção higienista, a concepção militarista introduziu nas escolas 
a necessidade de formar futuros militares (GALLARDO, 2009). 
12 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Somente em 1939, no Brasil, foi criada a primeira escola civil de 
formação de professores de Educação Física (CASTELLANI FILHO 
et al., 2009).
Nesse período, a Educação Física escolar possuía como princípio 
“o adestramento físico como maneira de preparar o aluno para o 
cumprimento do seu dever de defender a nação dos perigos internos 
e externos” (GALLARDO, 2009, p. 12), sendo que, na época, diversas 
abordagens ginásticas para a prática surgiram no país, como o 
método francês, a calistenia e o método natural austríaco.
Dentre esses métodos, o que inicialmente teve maior influência 
nas práticas de Educação Física no Brasil foi o método alemão, que
caracteriza-se por considerar o corpo humano uma 
máquina composta de eixos de movimentos (articulações) 
e alavancas a serem movimentadas (segmentos corporais). 
Dessa forma, são propostos movimentos padronizados 
que tenham a mesma amplitude, intensidade e velocidade 
para todos, sejam esportistas, trabalhadores ou estudantes. 
A disciplina, a obediência às ordens superiores e a exatidão 
dos movimentos são a chave do êxito. Quanto maior o 
número de indivíduos atuando sincronizadamente, maior é 
o poder atribuído a esse tipo de organização. (GALLARDO, 
2009, p. 12)
Posteriormente, o êxito desse método em função de sua relação 
com o trabalho coletivo necessário na produção industrial começou 
a ser imitado e interpretado por outros países e grupos sociais, de 
diferentes formas, como a utilização de grandes aparelhos (ginástica 
artística) e pequenos aparelhos (ginástica rítmica). Originaram-se, 
assim, outros movimentos ginásticos, como o método francês, que 
interpretava as idiossincrasias do método alemão, o austríaco, que 
promovia a liberdade individual e a livre expressão, e a calistenia, 
que deu origem à ginástica localizada (GALLARDO, 2009).
Observa-se, também, nessa época, que as aulas eram uma 
extensão da prática realizada pelos soldados. Os exercícios eram 
pautados em métodos ginásticos estrangeiros, contudo, não havia 
idiossincrasias: 
característica de 
comportamento 
peculiar de um 
indivíduo ou de 
determinado 
grupo.
A Educação Física escolar 13
consenso entre os profissionais sobre os tipos de atividades que 
deveriam ser ministradas nas aulas de Educação Física (FINCK, 
2011).
Segundo Darido e Rangel (2011, p. 3),
no modelo militarista, os objetivos da Educação Física na 
escola eram vinculados à formação de uma geração capaz 
de suportar o combate, a luta, para atuar na guerra; por isso, 
era importante selecionar indivíduos perfeitos fisicamente e 
excluir os incapacitados.
Além da preocupação com as questões higiênicas, morais, 
disciplinares e militares associadas à Educação Física, ainda existia 
uma grande importância no condicionamento dos alunos em relação 
ao progresso econômico do país, e essa tendência predominou nas 
redes de ensino (GALLARDO, 2009).
Além dessas concepções, temos uma tendência muito forte e que 
até hoje tem influência na Educação Física escolar: a esportivista. 
Conte-nos: você chegou a praticar esportes como futebol, basquete 
ou corrida nas aulas de Educação Física? Apostamos que sim e 
vamos explicar como surgiu essa valorização do esporte nas aulas 
de Educação Física.
1.1.2 Esportivista
Seguindo a ordem da produtividade que privilegia a eficiência 
e a eficácia, os esportes atendem ao modelo vivido pela ordem 
econômica do mundo. Essa tendência da Educação Física desportiva, 
divulgada no Brasil por Auguste Listello, coincidiu com o final da 
Segunda Guerra Mundial, quando novas correntes disputavam 
supremacia no interior da instituição escolar (CASTELLANI FILHO 
et al., 2009).
Uma das concepções que mais observamos quando se fala em 
Educação Física escolar é a esportivista, pois os esportes são um dos 
conteúdos a serem desenvolvidos nas aulas dessa disciplina e estão 
claramente presentes nos documentos legais, como os Parâmetros 
14 Metodologia da Educação Física escolar: 
educaçãomão em qualquer parte do corpo. Essa atividade possui muitas 
variações, como: permanecer colado com as pernas afastadas e um 
colega passa por baixo delas para “descolar”; permanecer colado em 
posição agachada e o colega passa por cima, com as pernas afastadas 
para descolar; permanecer colado com as mãos para cima e o colega 
encosta nas mãos para descolar; para descolar, é necessário dar um 
abraço no colega; e assim por diante. Aqui, você pode exercitar sua 
criatividade! Vale lembrar da possibilidade de variar a quantidade 
de pegas, colocando um, dois ou três alunos, dependendo do 
número de alunos da turma (quando há mais de 15 ou 20 alunos, 
90 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
sugere-se um número de dois ou três pegas). Outra variação é a 
troca de pegadores.
Pega-tubarão: os alunos ficam dispostos nas duas extremidades 
do ambiente e são denominados peixes. Um aluno fica no centro do 
ambiente e é denominado tubarão. Ao sinal do professor, os alunos 
trocam de lado, atravessando o centro, onde está o tubarão. Este, por 
sua vez, precisa tentar capturar os peixes, que, ao serem capturados, 
se transformam em tubarão. O professor passa a dar outro sinal até 
que todos os peixes sejam capturados nessa travessia.
Pega-fruta: o professor estabelece dois grupos com número 
igual ou semelhante de crianças (meninos e meninas, crianças com 
camisetas coloridas e camisetas escuras, alunos com bermudas e 
com calças, e assim por diante). Após a definição dos grupos, um 
deles é maçã e o outro é laranja. Quando o professor falar “maçã” ou 
“laranja”, o grupo correspondente tenta capturar o outro. Quem for 
capturado fica colado em posição de estátua, até um companheiro 
do mesmo grupo encostar e descolar. O professor vai alternando os 
comandos de acordo com a motivação dos alunos em fugir ou em 
tentar capturar.
Pega-corrente: indicado para alunos a partir do 3º ano. Escolhe-
-se um pegador e os demais fogem. Quem for capturado pelo 
pegador precisa dar as mãos para ele e, juntos, vão formando uma 
corrente para pegar os demais. Essa atividade pode ser variada com 
os alunos em duplas, de mãos dadas, que fogem, ou escolhendo dois 
ou mais pegadores que formam duas ou mais correntes.
Pega-mímica: a turma deve ser dividida em dois grupos e estes 
se posicionam cada um em uma extremidade do espaço. O grupo 
escolhe uma mímica para realizar, de acordo com a orientação do 
professor (pode ser de animal, esporte, brincadeira ou qualquer 
outra mímica – que também pode ser escolhida pelos alunos), e vai 
ao encontro do outro grupo para realizar a mímica. Se as crianças 
adivinharem a mímica, elas tentam capturar os alunos que a fizeram, 
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 91
os quais fogem na direção do seu lado de origem. Quem for pego 
passa a pertencer ao outro grupo e a atividade segue alternando os 
grupos que realizam as mímicas.
Pega partes do corpo: escolhe-se um pegador e os demais 
alunos fogem. Ao serem tocados pelo pegador, precisam continuar 
fugindo, porém colocando uma das mãos no local onde o pegador 
encostou, e assim também com a outra mão, caso o pegador encostar 
novamente. Ao ser encostado pela terceira vez, este passa a ser o 
pegador e o pegador passa a ser o fugitivo, como os demais.
Pega nunca três: é uma variação do pega-pega tradicional, porém 
há apenas um fugitivo e um pegador, enquanto os demais alunos 
estão espalhados pela quadra em duplas e de mãos dadas. Para “se 
livrar do pegador, o fugitivo, além de correr, pode salvar-se pegando 
na mão de um dos componentes da dupla” (FREIRE; SCAGLIA, 
2009, p. 94). Ao dar a mão para um colega, automaticamente, o 
aluno que está no outro lado da dupla passa a fugir do pegador. Caso 
o fugitivo seja pego, invertem-se os papéis.
As atividades em círculos também possuem muitas formas de 
serem realizadas e podem ser adaptadas em diferentes espaços, 
com as crianças posicionadas em pé, sentadas ou deitadas no chão. 
A seguir apresentamos algumas opções para essa forma de posição 
dos alunos.
Ovo choco sem bola: os alunos posicionam-se em pé e em 
círculo, sendo que um deles caminha ao redor do círculo. Este 
encosta nas costas de um colega escolhido e foge, correndo ao redor 
do círculo. O escolhido tenta capturá-lo antes de o fugitivo chegar 
ao local vago pelo escolhido. Se o fugitivo for pego, este encosta 
novamente em outro colega, caso contrário, o aluno que não 
conseguiu capturar vai encostar em outro colega do círculo. Para 
que todos participem da brincadeira, sem exclusão, orienta-se que 
aqueles alunos que já participaram sentem-se nos seus lugares no 
círculo até todos realizarem a tarefa de capturar e fugir.
92 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Jogo do maestro: os alunos se posicionam em círculo e 
sentados no chão. Escolhe-se um aluno que irá se ausentar do 
espaço enquanto os demais decidem quem será o maestro. Chama-
-se o aluno ausente e o maestro começa a fazer gestos repetitivos 
(bater palmas, tocar partes do corpo, bater no chão), os quais serão 
imitados pelos demais colegas. O aluno que se ausentou deve 
se posicionar no centro do círculo e tentar descobrir quem é o 
maestro. O professor pode dar três ou mais tentativas para que ele 
descubra quem é o maestro. Depois, este passa a ser o aluno que se 
ausenta (FREIRE; SCAGLIA, 2009).
Gato e rato: é uma brincadeira muito conhecida, na qual os 
alunos ficam em círculo, em pé e de mãos dadas. Dois alunos são 
designados como o gato e o rato, sendo que o rato fica dentro do 
círculo e o gato fora. Um dos alunos do círculo é a porta, e o gato, ao 
tocar na porta, dialoga com ela:
Gato: Bate três vezes na porta.
Porta: – Quem é?
Gato: – É o gato.
Porta: – E o que você quer?
Gato: – O rato está?
Porta: – Não.
Gato: – Que horas ele volta?
Porta: – Às cinco horas.
Então, o círculo gira com os alunos contando até cinco para que 
o gato novamente toque a porta. O mesmo diálogo acontece, porém 
a porta deixa o gato entrar para tentar pegar o rato. O rato tenta fugir 
com o apoio dos demais componentes do círculo, podendo passar 
por baixo dos braços dos colegas em qualquer parte do círculo. 
A atividade se repete para que todos passem pelas funções de gato 
e rato.
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 93
Jogo do vai ou vem: os alunos ficam dispostos em círculo e em 
pé, e um aluno caminha ao redor do círculo, do lado de fora. Este 
deve tocar as costas de algum colega e falar “vai” ou “vem”. Ao falar 
“vai”, os dois alunos apostam uma corrida ao redor do círculo, cada 
um por um lado, para ocupar o lugar vago. Se falar “vem”, os dois 
alunos correm na mesma direção para ocupar o lugar vago. Aquele 
que não conseguir ocupar o lugar deve tocar em outro aluno do 
círculo para realizar novamente a ação.
Máquina de lavar: cada grupo, de cinco alunos, forma um 
círculo com quatro alunos e o outro se posiciona fora, sendo 
designado como o pegador. O pegador escolhe um aluno do círculo 
para tentar capturar, e os que estão no círculo movimentam-se 
para impedir que o pegador consiga encostar no aluno escolhido. 
Essa movimentação assemelha-se ao movimento da máquina de 
lavar, pois o círculo não pode soltar as mãos. Invertem-se os papéis 
para que todos os alunos vivenciem a função de pegador.
Atividades em colunas ou filas e sem utilização de materiais 
podem ser adaptadas para qualquer ambiente da escola, desde 
que não interfiram nas atividades das outras turmas. Filas são 
organizadas com os alunos posicionados um ao lado do outro e 
colunas com os alunos um atrás do outro. A seguir, apresentamos 
algumas possibilidades nessa formação.
Cabeça pega o rabo: deve-se dispor a turma em colunas com 
cinco alunos cada, e as mãos devem ser colocadas nos ombros do 
colega da frente. O aluno posicionado na frente da coluna é a cabeça, 
e o que está no final da coluna é o rabo. Assim, a atividadese realiza 
com a cabeça tentando encostar no rabo, que tenta escapar sem 
soltar as mãos do ombro do colega da frente. Trocam-se os papéis 
para que todos possam desempenhar as funções de cabeça e rabo.
As sombras: os alunos são dispostos em colunas, sendo que o 
que está posicionado na frente realiza movimentos diversos e os 
que estão atrás precisam imitá-lo. Invertem-se os papéis para que 
94 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
todos fiquem na frente da coluna e consigam realizar movimentos 
de forma criativa.
Telefone sem fio gestual: os alunos são posicionados em coluna 
e não podem olhar para trás. O último aluno toca no colega da 
frente, que se vira para trás para receber um gesto, o qual deverá 
ser repassado para o próximo aluno. Ao chegar no final da coluna, 
o gesto deve ser compartilhado com todos para analisarem se foi 
parecido com o gesto inicial.
Jokenpô em duas filas: os alunos, em duplas, ficam dispostos 
em duas filas, uma de frente para a outra. A dupla joga jokenpô 
(pedra, papel e tesoura) e quem ganha a atividade parte para 
capturar o outro colega, que precisa fugir até um local determinado. 
A atividade se repete até que todos vivenciem as funções de pegador 
e fugitivo algumas vezes.
Par ou ímpar: os alunos, em duplas, ficam dispostos em duas 
filas, uma de costas para a outra. Uma fila é designada como a fila 
par, e a outra, a fila ímpar. Quando o professor fala um número par, 
a fila par persegue os alunos da fila do ímpar, que fogem para um 
local determinado; se o professor falar um número ímpar, os alunos 
da fila do ímpar serão os perseguidores. Essa atividade pode ter 
variações, como usar o resultado de uma conta feita pelo professor 
ou definir as filas com outras palavras ou comandos como: pelo 
(falar um animal que possui pelos) ou pena (um animal que possui 
penas), quente (falar um elemento que é quente) e frio (um elemento 
que é frio, gelado), sol e lua.
Os guias: formam-se colunas com quatro ou cinco alunos e com 
as mãos posicionadas nos ombros do colega da frente. O aluno da 
frente da coluna fecha os olhos, enquanto o último passa o comando 
para os demais, até chegar ao primeiro da coluna. O comando é feito 
pressionando os dedos nos ombros (direito ou esquerdo) e, assim 
que o comando chegar ao primeiro aluno, este descola-se para o 
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 95
lado correspondente. Invertem-se os papéis para todos serem os 
primeiros da coluna.
Tora humana: os alunos ficam deitados no chão, em colunas, 
bem próximos uns dos outros. Recomenda-se que seja realizada 
em um piso de tatame e/ou em colchonetes. O aluno de uma das 
extremidades da coluna inicia a atividade rolando por cima dos 
demais e se posicionando da mesma forma na outra extremidade, e 
assim por diante, até que todos os alunos também o façam. O professor 
orienta para que o rolamento aconteça com os alunos posicionando 
os braços juntos ao corpo e alinhados, para que evitem machucar os 
colegas com os cotovelos. Os alunos deitados não podem flexionar 
os joelhos, pois isso impede a passagem. Essa atividade pode ser 
variada com os alunos posicionados mais afastados uns dos outros 
para realizar saltos e chegar à outra extremidade.
As opções de atividades sem uso de materiais dependem também 
da criatividade do professor, que poderá adaptar as sugestões 
descritas nesta seção e proporcionar brincadeiras que considerem 
a cultura corporal de movimento dos alunos. Danças e cantigas de 
roda sem utilização de recurso sonoro são desenvolvidas de acordo 
com a região onde a escola se localiza. A seguir, apresentamos opções 
de atividades com a utilização de materiais diversificados.
4.2 Atividades com uso de materiais
Na educação infantil, os recursos materiais possibilitam a 
realização de diversas atividades que atendem aos objetivos da 
Educação Física para essa etapa do ensino. Além de oferecer 
subsídios para os professores, esses recursos, quando coloridos e 
atrativos, promovem a motivação dos alunos para a realização das 
atividades. De acordo com Freire e Scaglia (2009), as escolas de 
educação infantil precisam ter um farto material à disposição e é 
importante que ele “seja colorido, diversificado, atraente e versátil, 
para permitir uma variedade grande de brincadeiras” (FREIRE; 
96 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
SCAGLIA, 2009, p. 108). Cabe ao professor usar sua criatividade 
com os materiais para proporcionar experiências significativas aos 
alunos, contribuindo para a sua formação.
Segundo Nista-Piccolo e Moreira (2012, p. 36-37), na educação 
infantil,
a criança quer explorar o espaço ao seu redor e precisa 
se movimentar; portanto é muito importante que ela 
possa vivenciar diferentes sensações provocadas para 
experimentar novos movimentos. Por exemplo, a sensação 
que ela exprime ao se pendurar em uma barra fixa ou ao 
pular num trampolim acrobático, as variações que consegue 
descobrir brincando com um arco ou uma bola nas mãos, 
a criatividade de movimentos que faz com uma fita, ou 
ainda, a superação da insegurança em andar pela primeira 
vez sobre uma trave de equilíbrio, são todas experiências 
inesquecíveis para a criança quando vivenciadas com prazer.
Portanto, cabe ao professor organizar o ambiente para que o 
aluno possa vivenciar diferentes formas de se movimentar, sendo 
os recursos materiais ferramentas que auxiliam nesse processo. 
A seguir, trazemos sugestões para serem trabalhadas na educação 
infantil.
Tapete ou corredor de texturas: o professor constrói um tapete 
ou corredor com diferentes texturas (areia, água, grama, terra, 
algodão, lã etc.) para que os alunos pisem de pés descalços ou 
engatinhando, e possam tocar com as mãos, a fim de identificar 
o que sentiram sobre aquela textura. Depois, o professor pode 
promover um diálogo, indagando qual sensação tiveram ao tocar, e 
associar com emoções que vivenciam no dia a dia. Outra forma de 
as crianças identificarem texturas pode ser tocando-as com os olhos 
vendados, o que aguça o sentido do tato.
Desenhar o corpo: em duplas, um colega se deita no solo e o 
outro faz o contorno do corpo com giz. Depois, pode acrescentar 
detalhes, como roupa, olhos, nariz, cabelos, acessórios, entre outros, 
o que incentivará a criatividade.
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 97
Atividades com bola: na educação infantil, é possível trabalhar 
diferentes atividades usando bola, por exemplo: passar a bola em 
círculo com os alunos sentados ou em pé; passar a bola em colunas 
ou filas por cima da cabeça, ao lado do corpo ou por baixo das 
pernas, sentados e com pernas afastadas; rolar a bola no chão em 
duplas; conduzir a bola com as mãos quicando-a ou rolando-a em 
determinado espaço, entre outras.
Atividades com corda: várias atividades podem ser realizadas 
com esse material: caminhar por cima da corda, desenvolvendo o 
equilíbrio; cabo de guerra; saltar por cima da corda estando esta 
parada ou em movimento; passar por baixo da corda rastejando 
ou rolando, entre outras. Segundo Freire e Scaglia (2009, p. 111), 
“as brincadeiras de corda desenvolvem bastante as habilidades de 
saltar e correr, além de desenvolver as noções de tempo e espaço”.
Atividades em colchão ou colchonetes: o professor pode 
solicitar aos alunos que realizem o movimento de rolar, rastejar, 
saltar em cima com um pé ou com os dois juntos ou girar (executar 
uma cambalhota).
Atividades com arcos: são exemplos de atividades com esse 
material: passar por dentro; posicionados no chão, saltar dentro 
deles com os dois pés juntos; girar o arco nos braços, cintura e 
cabeça; conduzir os arcos rolando-os pelo ambiente.
Atividades com jornais: os alunos podem equilibrar o jornal 
com diferentes partes do corpo (mão, cabeça, costas, joelhos); 
equilibrar e conduzir o jornal; amassar o jornal; fazer bolinhas e 
acertar um alvo determinado; usá-loscomo peteca; conduzir a 
bolinha com os pés pelo ambiente; encher o cesto acertando o alvo.
Atividades com músicas: o professor pode promover rodas 
cantadas, dança da cadeira (que pode ser feita com arcos no chão 
ou círculos desenhados com giz), danças do folclore; usar a música 
como comando para fazer o jogo da estátua; e usar músicas que 
possuem comando para realização de diversos movimentos.
98 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Além dos materiais e atividades descritos, na educação infantil 
o professor pode trabalhar com outros materiais diversos, a fim de 
que seus alunos tenham experiências diversificadas de movimentos. 
Por exemplo: túneis, piscinas de bolinhas, balões, bastões, panos 
e lenços, giz, papel pardo, cones, brinquedos diversos, materiais 
alternativos/recicláveis (pneus, latas, embalagens plásticas, caixas de 
papelão, sacolas plásticas), entre outros. A seguir, alguns exemplos.
Roubo do rabo: os alunos ficam dispostos livremente pelo 
espaço, cada um com uma sacola plástica presa com uma das 
extremidades no elástico da calça ou calção atrás do corpo. Ao sinal 
do professor, correm e tentam capturar os rabos dos colegas. Quando 
todos tiverem seus rabos capturados, verifica-se quem conseguiu 
capturar mais rabos da turma. Após isso, cada aluno devolve o rabo 
que capturou e a atividade pode ser realizada mais vezes.
Boliche: com garrafas pet, construir pinos de boliche, podendo 
ser enfeitados e enumerados. Estes são agrupados e, com o auxílio 
de uma bola e estipulando uma distância, os alunos tentam acertar 
os pinos para derrubá-los.
Estilingue com garrafa pet e balão: recorta-se a extremidade 
de uma garrafa pet e coloca-se a ponta de um balão no gargalo 
da garrafa. Usando um pedaço pequeno de papel amassado como 
munição, pede-se aos alunos para que acertem determinado alvo, 
que pode ser uma garrafa pet vazia no chão ou um alvo feito pelo 
professor no quadro.
Jogo com bolinha de jornal e pet: recorta-se a extremidade de 
uma garrafa pet para cada aluno, sendo esta segurada por eles pelo 
gargalo. Com uma bolinha de jornal, lançam-na uns para os outros 
utilizando apenas o material construído. Essa atividade pode ser 
realizada em duplas ou trios e variando a bolinha – de tênis ou tênis 
de mesa.
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 99
Para os anos iniciais do ensino fundamental, além da 
possibilidade de os alunos executarem atividades descritas para a 
educação infantil, vamos apresentar atividades que são realizadas 
com o uso de materiais e que podem possuir regras com um nível ou 
grau maior de dificuldade.
Estafetas em colunas: com os alunos divididos em duas ou 
mais colunas, o primeiro de cada coluna, com uma bola em mãos, 
desloca-se até um cone e volta entregando-a para o próximo colega 
da sua coluna. Esse tipo de atividade pode ser realizado com muitas 
variações, que dependem do conhecimento motor dos alunos, por 
exemplo:
• com a bola nas mãos, saltar em um pé só;
• deslocar-se rolando a bola no chão;
• quicar a bola com as duas ou uma das mãos;
• lançar para cima e segurá-la sem deixar cair no chão;
• deslocar-se em “marcha ré”, com outro tipo de material que 
não seja uma bola (cone, arco, jornal etc.);
• deslocar-se com uma colher na boca, equilibrando uma 
bolinha de jornal ou de tênis na ponta da colher;
• deslocar-se saltando com os pés dentro de um saco;
• deslocar-se e pendurar um pano com um prendedor de 
roupas em um barbante;
• duas equipes em colunas deslocam-se para jogar o jogo da velha.
Essa última atividade é realizada em duas equipes dispostas em 
duas colunas. Ao sinal do professor, o primeiro aluno de cada coluna 
desloca-se até determinado local onde está um jogo da velha riscado 
no chão ou feito com nove arcos. Junto ao jogo, estão três cones para 
cada equipe que serão utilizados para jogar (três amarelos e três 
vermelhos, por exemplo). Quando o aluno realiza uma jogada, corre 
100 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
de volta à sua coluna, então, o próximo corre e faz o mesmo. Ganha 
a equipe que conseguir vencer o jogo da velha. Se, após três jogadas, 
as equipes não conseguirem vencer o jogo da velha, a atividade 
continua com o próximo aluno trocando de lugar um de seus cones, 
até que alguma equipe vença o jogo.
Queimada ou caçador: essa é uma brincadeira muito popular 
com a utilização da bola e pode ser desenvolvida de diferentes 
formas:
• Queimada livre: os alunos são dispostos livremente pelo 
espaço com duas bolas de posse de dois alunos. Estes precisam 
queimar os demais, que também podem tomar posse da bola e 
queimar os outros. Não é permitido ao aluno lançar a mesma 
bola duas vezes consecutivas. Quem for queimado senta-se 
no chão e espera a atividade terminar, até que reste apenas 
um aluno sem ser queimado. Inicia-se novamente a atividade, 
entregando a bola para outros dois alunos.
• Queimada maluca: formam-se duas equipes – uma fica dentro 
do espaço delimitado e a outra do lado de fora. A equipe do 
lado de fora precisa queimar os alunos que estão dentro do 
espaço, enquanto o professor cronometra em quanto tempo 
estes conseguem queimar todos os participantes da equipe. 
Ao ser queimado, o aluno espera do lado de fora do jogo. 
O professor marca o tempo e inverte-se a posição das equipes. 
A equipe que queimar os adversários em menor tempo é a 
vencedora.
• Queimada em dois campos: o professor separa os alunos em 
duas equipes com número igual ou semelhante. Os que estão 
no centro da quadra precisam fugir e queimar os alunos da 
outra equipe, e os que estão na “reserva” apenas queimam os 
que estão no centro. Ao ser queimado, o aluno dirige-se para 
a reserva e um aluno da reserva entra no seu lugar, conforme 
a Figura 1 a seguir.
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 101
Figura 1 – Figura explicativa da queimada em dois campos
Reserva 
equipe B
Centro
Equipe A
Centro
Equipe B
Reserva 
equipe A
Fonte: Elaborada pelas autoras.
Cabra-cega: utilizando um lenço, o professor venda um aluno 
que deverá tentar encostar nos demais colegas, os quais terão um 
espaço delimitado para se deslocar. Ao ser encostado, o aluno 
vendado deverá, por meio do toque, descobrir quem é o seu colega.
Segundo Gallardo (2009), nessa etapa do ensino, o professor 
pode utilizar diferentes jogos e adaptá-los conforme a cultura de 
movimento dos alunos, por exemplo:
jogos e brincadeiras ligados à cultura corporal regional 
trazidos ou ensinados por colegas. Alguns exemplos: 
queimada, taco, pique bandeira, gol a gol, controle, chute ao 
gol, bobinho, dois toques, amarelinha, pular corda, bambolê, 
esconde-esconde, bolinha de gude, pião, lenço atrás, corre 
cutia, pega-pega, duro ou mole, mão de rua, cabo de guerra, 
cirandas e brincadeiras de roda. (GALLARDO, 2009, p. 63)
É possível que você conheça algumas das brincadeiras e jogos 
citados. O importante é resgatar as brincadeiras e jogos vivenciados 
nos locais de atuação do professor, bem como em suas memórias da 
infância.
Circuitos motores: o professor monta um circuito com 
obstáculos construídos com diferentes materiais, proporcionando 
a vivência dos elementos motores fundamentais: correr, saltar, 
rastejar, equilibrar, arremessar, entre outros. A realização do circuito 
pode ser feita cronometrando o tempo de cada aluno, o tempo da 
equipe ou o tempo de todos os alunos como sendo de uma equipe 
só, desafiando-os, assim, a superar esse tempo.
Zerinho: é uma brincadeira que utiliza a corda, conhecida como 
o jogo de passar, em que um aluno corre pela corda enquanto duas 
102 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
pessoas a giram. Conforme explica Freire (2009, p. 79), a atividade é 
feita da seguinte maneira: “Duas pessoas batem a corda, segurando-a 
nas extremidades; a corda é batida em direção às crianças, as criançassão colocadas em coluna perpendicular à corda; uma a uma passa 
correndo sob a corda sem serem interrompidas por esta; duas a duas 
as crianças se revezam batendo corda”.
O autor propõe que essa atividade seja realizada da forma como 
os alunos preferirem, para que se estimule a sua autonomia, isto é, 
podem passar em duplas, na hora em que se sentirem confiantes e 
quantas vezes quiserem. A atividade pode ter variações, incluindo 
o salto juntamente com a corrida, ou seja, a criança corre para o 
centro, salta uma ou mais vezes e depois corre para fora.
Atividades em círculo com bolas: podemos identificar 
diferentes atividades realizadas em círculos utilizando bolas, por 
exemplo: batata-quente; lançar sem deixar cair no chão; jogo do 
bobinho sentado ou em pé; entre outras.
Passar o arco em círculo: essa atividade se realiza com os alunos 
de mãos dadas e em círculo. As mãos de dois alunos estão entre um 
arco e este deverá ser passado pelo corpo dos alunos sem que soltem 
as mãos uns dos outros. É possível acrescentar um ou mais arcos.
Atividades pré-desportivas: ao final dos anos iniciais, as 
atividades pré- desportivas estão elencadas como conteúdos a 
serem desenvolvidos. Com caráter lúdico e recreativo, podem ser 
trabalhadas em diferentes jogos, trazidos pelo professor ou pelos 
alunos. São exemplos: queimada ou caçador – já visto anteriormente 
– (pré-desportivo do handebol), jogo de câmbio (pré-desportivo 
do voleibol), jogo de bobinho com os pés (futebol), jogo de acertar 
o alvo ou o cesto (basquete), jogo da velha utilizando elementos 
esportivos, entre outros.
Atividades práticas para as aulas de Educação Física 103
Considerações finais
Neste capítulo, oferecemos um rico material de apoio que auxi-
liará na construção dos planos de aula dos professores. Entendemos 
que cada região do nosso país possui seu contexto histórico e cultural, 
por isso, cabe ao professor explorar ao máximo as potencialidades 
do ambiente em que está inserido, transformando a aula em um 
momento de aprendizado, mas ao mesmo tempo prazeroso para 
o aluno.
Ao conseguir proporcionar aos alunos um ensino e aprendizado 
de forma eficiente, que atenda às suas necessidades e à sua formação 
de forma integral, o professor estará incentivando nesses alunos o 
gosto pelo hábito saudável de manter o corpo em movimento, o que 
auxilia na prevenção de doenças decorrentes do sedentarismo.
A prática de movimentos de forma prazerosa, além de contribuir 
para o desenvolvimento motor dos alunos, traz benefícios para os 
aspectos psicológicos, cognitivos, afetivos e sociais, essenciais para a 
formação de um aluno autônomo, responsável e comprometido com 
a sociedade em que vive.
Ampliando seus conhecimentos
• MATTOS, M. R. G.; NEIRA, M. G. Educação Física infantil: 
construindo o movimento. São Paulo: Phorte, 2008.
Esse livro, em sua 7ª edição, faz uma introdução sobre 
elementos do movimento (esquema corporal, estruturação 
espacial e orientação temporal) e traz construtos teóricos sobre 
a Educação Física infantil em uma perspectiva construtivista, 
orientações para planejamento e sugestões de atividades para 
a educação infantil e anos iniciais.
104 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
• CASTRO, A. de. Jogos e brincadeiras para Educação Física: 
desenvolvendo a agilidade, a coordenação, a velocidade e a 
força. Trad. de Guilherme L. Summa. Petrópolis: Vozes, 2012.
Esse livro traz uma coletânea de jogos e brincadeiras para 
serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física no ensino 
fundamental. Ele apresenta atividades que possuem uma 
infinidade de variações e podem ser adaptadas e moldadas.
Atividades
1. Como deve ser o ensino na educação infantil, segundo a 
perspectiva de Freire e Scaglia?
2. É possível trabalhar a mesma atividade na educação infantil 
e nos anos iniciais?
3. Como podem ser as atividades pré-desportivas realizadas no 
final dos anos iniciais do ensino fundamental?
Referências
CASTELLANI FILHO, L. et al. Metodologia do ensino da Educação Física. 
São Paulo: Cortez, 2009.
FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 2009.
FREIRE, J. B.; SCAGLIA, A. J. Educação como prática corporal. São Paulo: 
Scipione, 2009.
GALLARDO, J. S. P. Prática de ensino em Educação Física: a criança em 
movimento: livro do professor. São Paulo: FTD, 2009.
NISTA-PICCOLO, V. L.; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na 
educação infantil. São Paulo: Cortez, 2012.
5
Avaliação do processo de ensino- 
-aprendizagem da Educação Física
Até aqui, apresentamos a história, legislação, características dos 
alunos, procedimentos metodológicos, formas de planejamento e 
atividades para as aulas de Educação Física escolar, isso tudo na 
perspectiva de promover uma aula adequada no que tange à cultura 
corporal de movimento.
Salientamos que a avaliação é uma fase importante das ações 
educativas e deve ser realizada desde o início do processo de ensino-
-aprendizagem. Além disso, justifica-se a sua realização se utilizada 
para contribuir com esse processo, e não com o intuito de selecionar 
e rotular os alunos.
A seguir, trazemos elementos importantes para que você 
compreenda como ocorre o processo avaliativo da aprendizagem 
na disciplina de Educação Física. Como podemos definir o que é 
avaliação? Como e quando devemos avaliar? Vamos entender?
5.1 A avaliação na disciplina 
de Educação Física
A avaliação é um elemento contínuo no processo de ensino- 
-aprendizagem. Desse modo, faz sentido quando utilizada como 
contribuição para o currículo escolar, sempre partindo do princípio 
de que cada criança é única e, por esse motivo, não deve ser 
comparada às demais. Avaliar é um processo muito importante no 
contexto educacional, mas é uma atividade difícil de se realizar, pois 
envolve juízo de valores, observação, reflexão e conhecimento sobre 
106 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
cada aluno, a fim de elaborar e planejar ações que contribuirão para 
o seu aprendizado e desenvolvimento.
Na perspectiva de Castellani Filho et al. (2009), a avaliação 
não pode ser reduzida ao universo técnico de seu entendimento, 
mas deve levar em conta a observação, análise e conceituação de 
elementos no desenvolvimento das atividades. Estes elementos 
compõem a totalidade da conduta humana e se expressam por meio 
de diferentes atividades da Educação Física.
A avaliação é utilizada tanto para o diagnóstico como para a 
retroalimentação na ação educativa. Ela aponta os erros e permite 
uma recuperação para o aluno e para o professor. Segundo Brandl 
(2010, p. 113), “o ato de avaliar pode ser entendido como um 
posicionar-se constante frente ao realizado, confrontando-o com 
o desejado”.
Nessa perspectiva, fazemos a avaliação diagnóstica a fim de 
conhecer os alunos para, então, realizar o planejamento das ações. 
A partir daí, avalia-se para saber se as ações planejadas e executadas 
estão atingindo os objetivos, a fim de que os alunos adquiram as 
competências indicadas nos documentos legais mencionados 
anteriormente. Com isso, entende-se que o processo de ensino- 
-aprendizagem exige a avaliação constante, para planejar e replanejar, 
caso necessário.
Castellani Filho et al. (2009) abordam a avaliação considerando 
uma perspectiva dialógica e interativa entre os envolvidos no 
processo. Esse diálogo permite decidir em conjunto, com os alunos 
assumindo responsabilidades, o que é caracterizado como uma 
avaliação participativa.
Gallardo (2009, p. 91) utiliza e explica o termo avaliação por 
compromisso:
a avaliação por compromisso envolve a participação 
conjunta e a definição de um processo interessante. Partir 
para esse tipo de avaliação não é jogar fora o que já existe 
107Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
em termos de conceito e instrumentos de avaliação, mas 
simplesmente refletir sobre o que avaliar e por que avaliar 
na EducaçãoFísica escolar.
Considerando essas colocações, entende-se que, atualmente, nas 
ações educativas, o aluno é o protagonista, podendo participar desde 
o planejamento até a reflexão sobre a sua evolução no aprendizado. 
Isso se caracteriza como uma metodologia ativa e reflexiva, na qual 
o professor é um mediador no processo de ensino-aprendizagem.
No início do ano letivo, é importante que o aluno conheça o 
processo avaliativo, podendo opinar sobre ele, tornando-o, assim, 
mais significativo. Porém nem sempre foi assim. Como lembram 
Darido e Rangel (2011), na década de 1970, a avaliação era utilizada 
com o intuito de atribuir nota e compará-la com o modelo padrão, 
estabelecido por normas e tabelas. Nessa época, as classificações 
eram obtidas a partir de testes de suficiência física no início do ano 
e eficiência física no final do ano. Utilizavam-se testes de força e 
coordenação, nos quais os alunos eram classificados nas categorias: 
fraco, regular, bom e excelente. A aplicação dos testes era “mecânica, 
descontextualizada e aleatória” (DARIDO; RANGEL, 2011, 
p. 123) e essa forma de avaliação muitas vezes submetia os alunos ao 
sentimento de incompetência e vergonha.
Para as autoras, tal concepção servia para classificar, punir a 
indisciplina ou os erros e também selecionar os alunos. Vale ressaltar 
que o processo avaliativo acompanhava as tendências vigentes da 
Educação Física, sendo que, quando prevaleciam o militarismo e o 
tecnicismo, a avaliação era essencialmente quantitativa, mensurando 
o biológico, uma vez que a prática pedagógica se restringia à 
repetição de movimentos e à aptidão física.
A partir da década de 1970, houve muitas mudanças nas 
concepções da Educação Física. No Capítulo 1, vimos que surgiram 
novas teorias pedagógicas e novas formas de conceber a avaliação 
nesse componente curricular. Segundo Fonseca e Machado 
108 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
(2015), visar novas perspectivas para a Educação Física escolar 
envolve a retomada de concepções que influenciam implícita ou 
explicitamente nas ações avaliativas.
Assim, na década de 1970, devido a críticas acerca do processo 
avaliativo, surgiu uma nova visão nesse aspecto. Dessa forma, a Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) afirma que 
“a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: 
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com 
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos 
resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais” 
(BRASIL, 1996, art. 24, inc. V).
Esse documento aborda a avaliação sob outra perspectiva, 
diferente da que se tinha em décadas anteriores. Nos Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCNs), tem-se que “tradicionalmente, a 
avaliação, na área da Educação Física, se resume a alguns testes de 
força, resistência e flexibilidade, medindo apenas a aptidão física do 
aluno” (BRASIL, 1997, p. 55). O documento lembra, também, que a 
aptidão física é apenas um dos aspectos a serem avaliados. É preciso 
considerar que cada aluno é único, com expectativas e motivações 
diferentes.
Segundo a Base Nacional Comum Curricular, as aprendizagens 
se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam 
o currículo em ação, resultam do envolvimento e participação 
das famílias e da comunidade, e referem-se, entre outras ações, 
a “construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de 
processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as 
condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência 
para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos 
alunos” (BRASIL, 2017, p. 15).
Nesse sentido, a Educação Física possui um novo formato de 
avaliação, que difere da abordagem essencialmente quantitativa, 
109Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
centrada exclusivamente na aptidão física e testes motores, utilizada 
décadas atrás. Nesse novo enfoque, a Educação Física propõe uma 
avaliação na qual professor e aluno definem o que e como avaliar. 
Para isso, combinam instrumentos de avaliação e critérios dentro do 
trabalho proposto.
Na Educação Física, cujo objeto de estudo é a cultura corporal do 
movimento, a avaliação é tema de constantes discussões a respeito 
dos elementos que a envolvem. Nessas reflexões, entende-se que 
deve ser dada uma atenção ao tempo necessário para que o aluno 
efetive a sua aprendizagem, ou seja, ao número de aulas adequado 
para que a aprendizagem ocorra de acordo com o ritmo da turma 
(CASTELLANI FILHO et al., 2009). Sendo assim, considera-se o 
ritmo da turma e o ritmo individual dos alunos para estabelecer os 
instrumentos e critérios, lembrando que a avaliação é um processo 
contínuo.
Freire (2009, p. 174) reflete: “Se é difícil avaliar a aprendizagem 
da leitura e da escrita, do cálculo, da geografia etc., que dirá 
quanto à aprendizagem da Educação Física?”. Segundo o autor, 
não é fácil avaliar o movimento, pois ele abrange vários elementos, 
como força, flexibilidade, coordenação, resistência, equilíbrio, 
agilidade, cognição, afetividade, entre outros. São vários os fatores 
que envolvem as atividades na Educação Física e, por isso, esse 
componente curricular não deve avaliar somente a parte motora. 
Como os outros componentes, precisa também considerar a criança 
como um todo. Nesse sentido, Gallardo (2009, p. 91-92) afirma que:
Avaliar o desenvolvimento do aluno na aula de Educação 
física escolar implica ressaltar os aspectos da formação 
humana. Avaliar atitudes é complicado e requer a 
participação de todos os envolvidos no processo ensino- 
-aprendizagem. O resultado desse tipo de avaliação 
contribui expressivamente para a formação do cidadão, pois 
o aluno é avaliado no contexto escolar e por suas ações na 
comunidade a que pertence.
110 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Isso está de acordo com os objetivos da educação, que perpassam 
a formação do aluno de forma integral, considerando as diferentes 
dimensões que envolvem os aspectos biológicos, cognitivos, afetivos 
e sociais.
Para exemplificar a avaliação do processo de ensino- 
-aprendizagem, considerando que este deve ocorrer em todos 
os momentos, trazemos a avaliação de uma aula segundo Nista- 
-Piccolo e Moreira (2012). Nessa avaliação, os autores afirmam que 
é importante identificar os alunos que demostraram dificuldades 
ao brincar em grupos e realizar as tarefas, os que estimularam e 
auxiliaram os colegas, bem como aqueles que respeitaram as regras 
de convivência, que envolvem o momento certo de falar e de ouvir.
Nesta seção, trouxemos reflexões sobre a avaliação como 
elemento fundamental do processo de ensino-aprendizagem. 
A seguir, abordaremos os instrumentos, critérios e dimensões da 
avaliação, importantes para o conhecimento do futuro docente.
5.2 Dimensões, critérios e instrumentos de 
avaliação na Educação Física
Nesta seção, vamos refletir sobre o que, quando e como avaliar. 
Como vimos anteriormente, a avaliação na Educação Física não deve 
ser centrada apenas no domínio motor, já que o movimento envolve 
também relações cognitivas, afetivas e sociais. Desse modo, segundo 
Darido e Rangel (2011, p. 128), “a avaliação em Educação Física 
deve considerar a observação, análise e conceituação de elementos 
que compõem a totalidade da conduta humana, ou seja, a avaliação 
deve estar voltada para a aquisição de competências, habilidades, 
conhecimentos e atitudes dos alunos”.
Para avaliar, é preciso conhecer o aluno, observá-lo em suas ações 
durante as aulas, buscando entender suas atitudes e a evolução no 
111Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
aprendizado. Como um suporte para o planejamento das atividades 
e da avaliação, é importante conhecer a família e o contexto em que 
ela está inserida, pois, com essas informações, é possível saber se o 
alunoestá tendo um rendimento satisfatório e condizente com o 
seu potencial. Nessa perspectiva, a observação é um instrumento 
fundamental no processo avaliativo e deve ser utilizada durante 
todos os momentos na prática educativa.
Darido e Rangel (2011) afirmam que, ao avaliar, o professor deve 
responder às seguintes questões: O que o aluno sabe em relação 
ao conteúdo? Quais experiências anteriores teve? Quais os seus 
interesses e qual o seu estilo de aprendizagem? Para as autoras, 
com essas respostas, o professor pode formular ações para facilitar 
a aprendizagem, sendo que esse levantamento faz parte de uma 
avaliação diagnóstica.
É preciso, então, avaliar o aluno considerando-o em sua 
individualidade e integralidade, como ser social e cultural, bem 
como deve-se levar em consideração o seu conhecimento prévio e 
a evolução deste.
A avaliação deve abranger as dimensões cognitiva 
(competências e conhecimento), motora (habilidades 
motoras e capacidades físicas) e atitudinal (valores), 
verificando a capacidade de o aluno expressar sua 
sistematização dos conhecimentos relativos à cultura 
corporal em diferentes linguagens – corporal, escrita e 
falada. (DARIDO; RANGEL, 2011, p. 128)
Para avaliar o aluno em todos os aspectos que envolvem a cultura 
corporal do movimento, os instrumentos podem ser provas teóricas, 
trabalhos escritos, seminários, observações sistemáticas, testes de 
habilidades e capacidades físicas, gravações em vídeo, entre outros. 
A partir desses materiais, é possível coletar os dados para que a sua 
análise seja feita posteriormente (DARIDO; RANGEL, 2011).
112 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Segundo Freire (2009), instrumentos que não se materializam 
em anotações podem ser práticos e úteis para um professor que 
possui muitos alunos e para escolas com poucas condições. Desse 
modo, a observação pode ser o seu instrumento da avaliação, 
considerando que essa proposta deve ser adequada à fase de 
aprendizagem dos alunos.
Entende-se que a avaliação é um processo preponderante para 
o êxito nas ações de ensino e aprendizagem. Desse modo, a escolha 
dos instrumentos é muito importante, além disso, os instrumentos 
de avaliação precisam ser diversificados. Contudo, segundo Darido e 
Rangel (2011), o problema não consiste na escolha dos instrumentos, 
mas na concepção que envolve a sua utilização. Nas palavras das 
autoras, “o problema não reside no modo de coletar as informações, e 
sim no sentido da avaliação, que deve exercer-se como um contínuo 
diagnóstico das situações de ensino e de aprendizagem, útil para 
todos os envolvidos no processo pedagógico” (DARIDO; RANGEL, 
2011, p. 128).
Para Luckesi (1997 apud BRANDL, 2010), utilizar provas como 
forma de ameaça ou castigo à indisciplina não tem relação com o 
ensino e aprendizagem de conteúdos, tem a ver com doutrinamento 
por meio do medo, agindo para controlar ações indesejáveis. Essa 
afirmação nos leva a compreender o quanto é importante levar em 
consideração o que foi pontuado nos capítulos anteriores no que 
tange ao ensino da Educação Física, conteúdos, objetivos e métodos, 
assim como o planejamento. Se o processo for condizente com o que 
se espera de uma aula, com todas as considerações já mencionadas, 
não será necessário o professor usar de provas como ameaça para 
obter o respeito e a atenção dos alunos nas atividades.
Na Educação Física, qualquer instrumento de avaliação que seja 
adotado apresenta limitações. Se for um instrumento quantitativo, 
não é adequado, pois a atividade humana é imensurável. Se for 
qualitativo, faltará a objetividade. Para os testes físicos, em função 
113Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
de que levaria muito tempo para executá-los, muitos professores 
escolhem apenas alguns e solicitam que os alunos auxiliem no 
controle da atividade. Além desses elementos, existem outros 
que são qualitativos e dependem da análise do professor e 
de seu conhecimento sobre o aluno e o seu desenvolvimento 
(FREIRE, 2009).
Castellani Filho et al. (2009) explicitam que utilizar instrumentos 
de avaliação bem elaborados, estimulando a curiosidade dos alunos 
e empregando os dados coletados de forma precisa, é algo possível 
de ser realizado em todas as partes da aula. Assim, instrumentos, 
técnicas e procedimentos podem motivar os alunos e coletar 
informações sobre o seu desempenho.
Para Fonseca e Machado (2015), três concepções orientam 
as reflexões a respeito da avaliação: a tradicional, de caráter 
classificatório, com princípios quantitativos; a formativa ou 
mediadora, com princípios qualitativos, que acompanha o processo, 
visando perceber as dificuldades do aluno e do professor e contribuir 
para a aprendizagem; e a emancipatória, que visa mobilizar o senso 
crítico do aluno e da escola como um todo, na perspectiva de 
emancipação individual e institucional.
Essa terceira concepção vem ao encontro do que é almejado: 
formar um aluno com autonomia, consciente de sua responsabilidade 
na aquisição do conhecimento. Contudo, utilizar a avaliação 
apenas como estratégia para a aprendizagem prejudica a noção de 
consciência crítica do aluno, uma vez que este focará o seu interesse 
no resultado da avaliação, e não no verdadeiro sentido do aprender 
(BRANDL, 2010).
Nesse sentido, Fonseca e Machado (2015) afirmam que, para o 
aluno superar a prática de apenas copiar e memorizar, e para que 
desenvolva a capacidade de criatividade, criticidade, coletividade, 
senso estético e autonomia, é preciso ser responsável por seu 
conhecimento. E para esse processo ocorrer,
114 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
o professor deve alargar o seu olhar sobre o que acontece nas 
suas aulas, incluindo a avaliação na sua prática cotidiana. 
Lançar mão de práticas diversificadas, diversificar também 
o conteúdo de suas aulas, utilizar diferentes instrumentos 
que auxiliem no registro e acompanhamento das ações do 
aluno, bem como mobilizar experiências auto avaliativas, 
são ações que encaminharão possíveis rupturas ao encontro 
de novas perspectivas. (FONSECA; MACHADO, 2015, 
p. 87-88)
Para Castellani Filho et al. (2009), o uso de medidas e avaliação 
deve possibilitar uma leitura crítica sobre a cultura corporal, 
para, então, ampliar e aprofundar a compreensão dessa realidade. 
Conforme as colocações, a avaliação deve ocorrer continuamente 
durante o ano letivo, considerando a individualidade do aluno, 
seu conhecimento prévio, suas expectativas e as expectativas do 
professor com relação ao conteúdo.
Em se tratando de quando deve ser feita, a avaliação deve integrar 
as suas três modalidades básicas: diagnóstica, formativa e somativa, 
que, no processo tradicional, são consideradas modelos estanques. 
No entanto, diagnosticar é um processo contínuo que deve ser feito 
não apenas no início do ano letivo, mas acompanhando o aluno, 
a fim de reformular a trajetória, caso seja necessário (FONSECA; 
MACHADO, 2015).
Com relação à avaliação formativa, Darido e Rangel (2011) 
pontuam que a observação avaliadora deve ser feita em todos os 
momentos, e o resultado dessa avaliação deve ser comunicado aos 
alunos, informando-lhes as suas dificuldades e os seus avanços. 
A somativa envolve avaliar o produto final, ou seja, avaliar o aluno 
ao final de um processo.
No Capítulo 3, apresentamos os conteúdos e suas dimensões, 
as quais envolvem também a avaliação, isto é, podemos utilizar 
diferentes instrumentos para avaliar os conteúdos sob diferentes 
dimensões, que são: conceitual, procedimental e atitudinal.
115Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
Na dimensão conceitual, segundo Darido e Rangel (2011), 
poderia ser utilizada uma prova teórica, entretanto, esta deverá ir 
além de reproduzir somente o que foi apresentado pelo professor; 
deve solicitar a interpretação dos conteúdos apresentados. Segundo 
as autoras,“não se trata de fazer o aluno decorar qual o papel do 
futebol para a cultura brasileira, mas sim localizar no seu cotidiano 
como é possível perceber a força da cultura do futebol nas artes, 
na linguagem, nas atitudes, além de outros” (DARIDO; RANGEL, 
2011, p. 130).
A dimensão procedimental se refere às habilidades do aluno, 
ao saber fazer, com relação aos movimentos. Diferentemente de 
décadas atrás, quando apenas eram utilizados testes de habilidades 
e capacidades para avaliar os alunos, hoje estes são utilizados como 
processo contínuo de avaliação, identificando-se progressões 
ou regressos quanto aos conteúdos. São realizados no sentido de 
comparar os alunos com o seu próprio rendimento anterior, e não 
com padronizações gerais (BRANDL, 2010). Darido e Rangel (2011) 
afirmam que, nessa dimensão, pode-se avaliar a capacidade dos 
alunos de coletar notícias, acrescentando seus comentários pessoais 
para o que está vigente na mídia sobre assuntos relacionados aos 
conteúdos da Educação Física, como a importância da atividade 
física, problemas de postura, Copas do Mundo, Olimpíadas, 
entre outros.
A terceira dimensão é a atitudinal, que se vincula às atitudes do 
aluno, e, por conta disso, é consideravelmente difícil de avaliar. Afinal, 
como examinar elementos como tolerância e solidariedade? Na 
tradição da escola, esse aspecto não era avaliado, sendo considerado 
não quantificável e não importante (DARIDO; RANGEL, 2011). 
Desse modo, essa avaliação é cercada de dúvidas, pois é necessário 
transformar dados qualitativos em quantitativos. Para avaliar o 
aluno sob esse aspecto, o instrumento mais utilizado é a observação 
nas aulas. A observação é um instrumento cercado de subjetividade, 
116 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
pois os aspectos observados e mais considerados por um professor 
podem variar para outro professor da mesma disciplina e formação, 
ou seja, cada professor faz a análise sob a sua ótica, de acordo com as 
suas vivências, experiências e expectativas (BRANDL, 2010).
Segundo a autora, para isso, é necessário que a avaliação tenha 
critérios bem definidos, por exemplo: participa ativamente das aulas 
de Educação Física? Mostra-se interessado em aprender os diversos 
conteúdos da Educação Física? Demonstra atitudes de respeito 
com o professor? Coopera com os colegas durante a realização das 
atividades? Durante as atividades, de que forma resolve os atritos 
ou perdas? Demonstra atitudes de discriminação em relação aos 
menos habilidosos, de etnias ou gêneros diferentes? Esses são alguns 
critérios que poderão nortear a observação como instrumento de 
avaliação da dimensão atitudinal dos conteúdos.
Como mencionado anteriormente, a observação é um 
instrumento muito importante no processo avaliativo e pode 
contribuir efetivamente para a aprendizagem. Porém, ao observar, 
é preciso que existam critérios preestabelecidos, ou seja, deve-se 
saber de antemão o que se quer avaliar por meio da observação. 
Salientamos que os critérios devem ter coerência com os objetivos 
dos conteúdos para a aprendizagem.
Com o instrumento escolhido para a sua avaliação, juntamente 
com critérios predeterminados, o professor tem subsídios para a 
elaboração de um parecer descritivo sobre a evolução do aluno no 
decorrer do tempo estabelecido no planejamento, seja esse parecer 
resultante do planejamento anual (plano de estudo), trimestral ou 
bimestral (plano de trabalho), ou diário (plano de aula). O parecer 
descritivo precisa contemplar os aspectos motor, afetivo, cognitivo e 
social, por meio dos quais o aluno demonstra seu aprendizado.
 Atualmente, na educação infantil e anos iniciais do ensino 
fundamental, os boletins escolares são elaborados a partir de 
pareceres, considerando o desenvolvimento e aprendizado dos 
117Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
alunos em sua totalidade, a fim de verificar se possuem condições 
de avançar a etapa de ensino ou se são necessárias outras estratégias 
para promover esse avanço. Vale ressaltar que, para essas etapas, 
o instrumento mais utilizado é a observação sistemática, em que 
são verificados os aspectos mencionados anteriormente e que 
buscam atingir os objetivos e competências da disciplina e a etapa 
da educação básica.
Considerando o exposto, entende-se que a avaliação é uma parte 
importante do processo de ensino-aprendizagem. Ela é contínua, 
utilizada desde o planejamento ao feedback das ações do professor e 
dos alunos, e traz subsídios para novas ações e novas possibilidades 
de aprendizagens significativas.
A avaliação, segundo Castellani Filho et al. (2009, p. 110), “deve 
servir para indicar o grau de aproximação ou afastamento do eixo 
curricular fundamental, norteador do projeto pedagógico que se 
materializa na aprendizagem dos alunos”.
Sendo assim, a avaliação na disciplina de Educação Física é de 
fundamental importância para o planejamento dos professores. 
Somente com ela é possível identificar a evolução dos alunos em 
seus aprendizados. Tão importante quanto os conteúdos, objetivos e 
procedimentos metodológicos, a avaliação permite que o professor 
reflita sobre suas ações na busca pelo aprendizado dos alunos.
Considerações finais
A avaliação envolve muitas questões pontuais para a educação, 
como a escolha dos instrumentos e critérios, a fim de que possa 
contribuir de maneira significativa para a aprendizagem dos alunos.
Ela envolve uma reflexão constante acerca do seu propósito e está 
alinhada aos conteúdos, objetivos e métodos de ensino na Educação 
Física. Deve ser realizada na perspectiva da inclusão, evitando-se 
a seleção e a rotulação. Os alunos podem participar do processo 
118 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
de construção dos instrumentos com base nas dimensões dos 
conteúdos, o que faz com que se tornem autônomos e responsáveis 
pela aquisição de seu conhecimento.
Ampliando seus conhecimentos
• SANTOS, W. dos. et al. Avaliação na Educação Física escolar: 
construindo possibilidades para a atuação profissional. 
Educação em Revista, v. 30, n. 4, p. 153-17, 2014. Disponível 
em: http://www.scielo.br/pdf/edur/v30n4/08.pdf. Acesso em: 
18 jul. 2019.
Esse artigo aborda práticas avaliativas para a Educação Física 
escolar, traz vivências de aulas com uma turma dos anos 
iniciais do ensino fundamental e aponta sugestões para se 
projetar a avaliação com base em experiências práticas.
• D-19: didática da Educação Física: avaliação. 2012. 1 vídeo 
(7 min.). Publicado pelo canal UNIVESP. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=Grket2uAscU. Acesso 
em: 18 jul. 2019.
O vídeo aborda a avaliação na Educação Física sob a ótica 
multidimensional, trazendo relatos de professores sobre a 
avaliação, os quais convergem com o conteúdo apresentado 
neste capítulo.
Atividades
1. Como era a avaliação na década de 1970?
2. A Lei de Diretrizes e Bases aborda a avaliação no artigo 24. 
O que consta sobre o tema no artigo? Qual é a diferença com 
relação à avaliação na década de 1970?
119Avaliação do processo de ensino-aprendizagem 
da Educação Física
3. A dimensão atitudinal dos conteúdos vincula-se às atitudes 
do aluno. Qual instrumento é mais apropriado para a 
avaliação nessa dimensão?
Referências
BRANDL, C. E. R. (org.). Educação Física escolar: questões do cotidiano. 
Curitiba: CRV, 2010.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. 
Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares 
nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.
br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Base NacionalComum Curricular. 
2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/
BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
CASTELLANI FILHO, L. et al. Metodologia do ensino da Educação Física. 
São Paulo: Cortez, 2009.
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física no ensino superior: 
Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. São Paulo: 
Guanabara Koogan, 2011.
FONSECA, D. G. da.; MACHADO, R. B. (org.). Educação Física: 
(re)visitando a didática. Porto Alegre: Sulina, 2015.
FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 2009.
GALLARDO, J. S. P. Prática de ensino em Educação Física: a criança em 
movimento: livro do professor. São Paulo: FTD, 2009.
NISTA-PICCOLO, V. L.; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na 
educação infantil. São Paulo: Cortez, 2012.
Gabarito
1 A Educação Física escolar
1. As concepções que embasaram a Educação Física Escolar no 
início do século XIX até o final da década de 1970 foram a 
higienista, a militarista e a esportivista, cada qual com sua 
justificativa. A concepção higienista, segundo Gallardo 
(2009), se justificava por meio de uma classe de médicos que 
buscava a reformulação dos hábitos de higiene da população 
para libertá-la de vícios do período colonial, como a preguiça, 
que prejudicavam a saúde, a moral e a vida coletiva.
Por sua vez, a concepção militarista, surgida sob forte 
influência da Primeira Guerra Mundial, buscava a formação 
de contingentes militares a fim de defender os territórios. 
Assim, o novo modelo de homem a ser formado era o homem 
forte e capaz de defender a sua pátria.
Já a concepção esportivista seguia a ordem de eficiência e 
eficácia de uma sociedade capitalista, com influência nas 
vitórias da Seleção Brasileira de Futebol nas Copas do Mundo 
de 1958 e 1962, levando ao forte predomínio dos esportes nas 
aulas de Educação Física.
2. Psicomotricidade, desenvolvimentista, crítico-superadora, 
crítico-emancipatória e teoria do ensino aberto foram as 
teorias que surgiram em meados da década de 1980, quando 
a Educação Física começou a ser debatida em função do 
período de redemocratização política do país e das novas 
formas (concepções e tendências) para o ensino/prática da 
Educação Física na escola.
122 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
3. O movimento humano é o objeto de estudo da Educação 
Física e pode ser concebido por meio de diferentes 
manifestações corporais. É natural que o aluno apresente 
preferências por determinadas modalidades de acordo 
com o que lhe é transmitido de geração a geração, ou com 
o que ele observa na mídia e no local em que vive. Além 
disso, sendo um país com grande espaço territorial e que 
possui diferentes manifestações culturais, entender a cultura 
corporal de movimento dos alunos e trabalhar com ela no 
ambiente escolar é de extrema importância para o professor, 
pois esse entendimento e apropriação da cultura corporal 
dos alunos influenciam diretamente no processo de ensino- 
-aprendizagem da Educação Física.
2 Bases legais da Educação Física escolar
1. Darido e Rangel afirmam que a LDBEN trouxe grandes 
avanços para a Educação Física escolar, entre eles ter passado 
a vê-la como um componente curricular e, talvez até o mais 
importante, a ligação da disciplina ao PPP da escola, o que 
possibilita a sua integração ao cotidiano escolar.
2. Porque este é o documento que trata da importância do 
movimento na primeira infância, o movimento que é o 
elemento essencial de trabalho do professor de Educação 
Física.
3. Nos PCNs, os conteúdos são divididos em três blocos 
– Conhecimento sobre o corpo; Atividades rítmicas e 
expressivas; e Jogos, esporte, lutas e ginástica –, enquanto na 
BNCC, os conteúdos são divididos em seis unidades temáticas 
–Brincadeiras e jogos; Esportes; Ginásticas; Danças; Lutas; e 
Práticas corporais de aventura.
Gabarito 123
3 Aspectos didático-metodológicos 
do ensino da Educação Física
1. Com relação ao desenvolvimento motor, Freire e Scaglia 
(2009) afirmam que, antes de a criança se expressar 
verbalmente, já forma as capacidades motoras que vai utilizar 
até o final da sua vida, e, com o início da fala, a motricidade 
vai se aperfeiçoando e se tornando mais complexa. A partir 
disso, “ela dedica-se ao exercício da fantasia, da imaginação, 
isto é, de ver dentro de si todas as coisas que percebe do 
mundo real” (FREIRE; SCAGLIA, 2009, p. 15).
2. Dentre os procedimentos metodológicos, podemos citar o 
ensino por meio da imitação, demonstração e resolução de 
problemas e desafios. Eles precisam considerar a progressão 
pedagógica, na qual as atividades são organizadas da forma 
mais simples para a mais complexa. Existem ainda as técnicas 
ou estratégias de ensino, nas quais os alunos podem aprender 
de forma individual ou em grupos (duplas, trios, quartetos), 
espalhados pelo ambiente ou em círculos, colunas ou filas.
3. Existem três tipos de planejamento no ambiente escolar: 
o plano de estudo ou de curso, o plano de trabalho ou de 
unidade, e o plano de aula. O plano de estudo ou plano de 
curso é o planejamento utilizado para um ano letivo inteiro, 
individual para cada turma. O plano de trabalho ou de 
unidade é um planejamento realizado durante um período. 
O plano de aula contém o planejamento das atividades da 
disciplina que serão realizadas em um dia.
124 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
4 Atividades práticas para as 
aulas de Educação Física
1. Para os autores, na educação infantil, é preciso utilizar 
as atividades em uma perspectiva menos sistematizada, 
incentivando a liberdade de imaginar. A educação infantil, 
segundo eles, “deveria ser a escola da imaginação” (FREIRE; 
SCAGLIA, 2009, p. 108), onde as crianças estariam livres para 
explorar a imaginação a cada novo jogo, experimentando 
novos movimentos a partir das habilidades motoras básicas, 
como correr, rolar, equilibrar-se, pendurar-se, entre outras, 
o que possibilita o conhecimento do corpo, dos sentidos e o 
desenvolvimento psicomotor, na perspectiva da imaginação 
e da criatividade.
2. Sim. Existe a possibilidade de realizar nos anos iniciais as 
atividades descritas na educação infantil, principalmente 
para 1º e 2º anos. Contudo, é importante o diagnóstico 
da turma e dos alunos, a fim de organizar o planejamento 
das atividades, adequando-as à fase de aprendizagem, e de 
repensar as ações considerando o grau de dificuldade.
3. Ao final dos anos iniciais, as atividades pré-desportivas 
estão elencadas como conteúdos a serem desenvolvidos 
com caráter lúdico e recreativo, podendo ser trabalhadas em 
diferentes jogos trazidos pelo professor ou pelos próprios 
alunos. Temos como exemplos: a queimada ou caçador (pré-
-desportivo do handebol), jogo de câmbio (pré-desportivo 
do voleibol), jogo de bobinho com os pés (futebol), jogo de 
acertar o alvo ou o cesto (basquete), jogo da velha utilizando 
elementos esportivos, entre outros.
Gabarito 125
5 Avaliação do processo de ensino- 
-aprendizagem da Educação Física
1. Na década de 1970, a avaliação tinha o intuito de atribuir 
nota e comparar o desempenho dos alunos a um modelo 
padrão, estabelecido por normas e tabelas. Nessa época, 
as classificações eram feitas a partir de testes de suficiência 
física, no início do ano, e de eficiência física, no final do 
ano, e utilizavam-se testes de força e coordenação, nos quais 
os alunos eram classificados nas categorias: fraco, regular, 
bom e excelente. Nessa época, a aplicação dos testes era 
mecânica, descontextualizada e aleatória. E essa forma de 
avaliação muitas vezes submetia os alunos ao sentimento de 
incompetência e vergonha.
2. Em seu artigo 24, inciso V, a LDBEN diz que os seguintes 
critérios devem ser observados para a verificação do 
rendimento escolar: “a) avaliação contínua e cumulativa 
do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos 
qualitativos sobre os quantitativose dos resultados ao longo 
do período sobre os de eventuais provas finais”. A diferença é 
que a avaliação tem maior prevalência do qualitativo sobre o 
quantitativo e é feita ao longo do período, e não só em provas 
ao final do período.
3. Para avaliar o aluno sob a dimensão atitudinal, o instrumento 
mais utilizado é a observação nas aulas.
Código Logístico
58866
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6527-1
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 2 7 1
A Educação Física se mostra como um importante 
componente curricular que contribui efetivamente 
para que o aluno possa atuar no mundo de maneira 
crítica, responsável e ética.
Dividido em cinco capítulos, este livro apresenta 
aspectos pedagógicos e metodológicos da Educação 
Física escolar, bem como seus conteúdos e objetivos 
na educação infantil e nos anos iniciais do ensino 
fundamental, além do planejamento e avaliação do 
processo de ensino-aprendizagem.
A obra traz um breve histórico sobre a Educação 
Física escolar, as concepções e as principais teorias 
pedagógicas que influenciaram e ainda influenciam 
as práticas docentes atuais. Apresenta também 
as bases legais da Educação e como é abordada a 
área da Educação Física nos seguintes documentos: 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 
Parâmetros Curriculares Nacionais, Referencial 
Curricular Nacional para a Educação Infantil e Base 
Nacional Comum Curricular.
	Página em branco
	Página em brancoinfantil e anos iniciais do ensino fundamental
Curriculares Nacionais (PCNs) e a Base Nacional Comum Curri- 
cular (BNCC). Na BNCC, o esporte é uma das unidades temáticas 
dos conteúdos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física.
Essa influência do esporte no sistema escolar é de tal 
magnitude que temos, então, não o esporte da escola 
mas sim o esporte na escola. Isso indica a subordinação 
da educação física aos códigos/sentido da instituição 
esportiva. Caracterizando-se o esporte na escola como um 
prolongamento da instituição esportiva: esporte olímpico, 
sistema desportivo nacional e internacional. Esses códigos 
podem ser resumidos em: princípios de rendimento atlético/
desportivo, competição, comparação de rendimento e 
recordes, regulamentação rígida, sucesso no esporte como 
sinônimo de vitória, racionalização de meios e técnicas etc. 
(CASTELLANI FILHO et al., 2009, p. 53-54)
As vitórias da Seleção Brasileira de Futebol nas Copas do Mundo 
de 1958 e 1962 contribuíram muito para a associação da Educação 
Física aos esportes, principalmente ao futebol. A satisfação da 
população em assistir às disputas da Seleção e acompanhá-las teve 
seu auge com a terceira vitória do Brasil, em 1970, influenciando 
fortemente o predomínio dos esportes nas aulas.
Essa concepção esportivista, que também pode ser chamada 
de mecanicista, tradicional ou tecnicista, sofreu e sofre muitas 
críticas, pois a sua relação com a eficiência e a eficácia faz com que 
muitos alunos sejam excluídos das aulas. Apesar disso, os esportes 
continuam a ser muito praticados nas aulas atualmente.
Com a chegada da década de 1980 e o período de redemocra- 
tização política do país, profissionais de Educação Física começaram 
a se encontrar e a debater sobre novas formas (concepções e 
tendências) de ensino. Tais discussões contribuíram para um 
rompimento com a excessiva valorização esportiva, que tinha o 
desempenho dos alunos nas aulas como único objetivo (DARIDO; 
RANGEL, 2011).
A Educação Física escolar 15
Essa crítica aos conteúdos esportivos foi influenciada por pes- 
quisas na área da educação, as quais ocasionaram o que chamamos 
de crise da Educação Física, em que vários novos movimentos 
começaram a surgir no final de 1970. Esses movimentos, que 
chamaremos aqui de teorias pedagógicas da Educação Física, 
procuraram romper com o modelo esportivista e tradicional 
da época. Vamos conhecer algumas dessas teorias? A seguir, 
apontaremos as principais.
1.2 Teorias pedagógicas da Educação Física
Como vimos na seção anterior, foi a partir dos anos 1980 que 
a Educação Física começou a ser debatida no que diz respeito aos 
seus objetivos, conteúdos e métodos, passando a ser repensada no 
âmbito das propostas pedagógicas da educação. Assim, observamos 
o surgimento de algumas teorias pedagógicas da Educação Física, 
como veremos a seguir.
1.2.1 Psicomotricidade
Segundo Darido e Rangel (2011), foi na década de 1970 que a 
educação psicocinética tornou-se relevante em alguns programas 
de Educação Física escolar. É conhecida também por educação 
psicomotora ou psicomotricidade, divulgada em alguns programas 
de escolas com alunos portadores de deficiência física e mental.
Tendo como autor de maior influência o francês Jean Le Boulch, 
a psicocinética ou psicomotricidade surgiu como uma contestação 
à visão dualista do corpo e mente a que a Educação Física estava 
ligada. Le Boulch afirma que a psicocinética não é um método 
para a Educação Física, mas uma teoria geral do movimento que 
deve ser utilizada como um meio para o aprendizado dos alunos 
(CASTELLANI FILHO et al., 2009).
Mesmo utilizando o movimento apenas como um meio para 
o aprendizado dos alunos, essa teoria vincula-se fortemente à 
16 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Educação Física para justificar sua importância no ambiente escolar, 
sendo uma das responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo das 
crianças a partir do movimento realizado por elas.
Gallardo (2009) explica o trabalho do profissional de Educação 
Física e aponta para a importância do movimento na educação 
da criança, ou seja, a educação pelo movimento, e não para o 
movimento.
O trabalho do profissional passa a organizar-se em torno 
do desenvolvimento das estruturas psicomotoras de base: 
coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, organização 
espaço temporal e esquema corporal, buscando integrar 
homem e espaço, corpo e alma. O desenvolvimento 
psicomotor torna-se pré-requisito para a aquisição dos 
conteúdos cognitivos, e a educação do movimento dá lugar 
à educação pelo movimento. (GALLARDO, 2009, p. 16)
Conforme Darido e Rangel (2011, p. 8), “a psicomotricidade 
defende uma ação educativa que deva ocorrer com base nos 
movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais, 
favorecendo a gênese da imagem do corpo, núcleo central da 
personalidade”. Segundo os autores:
O discurso e a prática da Educação Física sob essa influência 
da psicomotricidade conduz à necessidade do professor 
se sentir com responsabilidades escolares e pedagógicas. 
Busca desatrelar sua atuação na escola dos pressupostos 
da instituição esportiva, valorizando o processo de 
aprendizagem e não mais a execução de um gesto técnico 
isolado. (DARIDO; RANGEL, 2011, p. 8)
Nessa teoria, a prática do movimento e o estímulo por meio dos 
exercícios de esquema corporal e aptidões motoras possibilitam a 
mudança dos hábitos, ideias e sentimentos da criança (CASTELLANI 
FILHO et al., 2009). Portanto, é muito difundida mundialmente e 
utilizada pelos educadores para o trabalho na educação infantil e 
A Educação Física escolar 17
nos anos iniciais do ensino fundamental. O professor de Educação 
Física, inserido nesse contexto, utiliza a psicomotricidade como 
auxílio no aprendizado cognitivo dos alunos.
1.2.2 Desenvolvimentista
A teoria desenvolvimentista tem como principal autor Go Tani 
e, ao contrário da psicomotricidade, baseia-se no desenvolvimento 
motor como principal meio para a aprendizagem, sendo defendida 
a ideia de que o movimento é o principal meio e fim da Educação 
Física. Assim, não é função da Educação Física o desenvolvimento de 
capacidades que auxiliem na alfabetização e no pensamento lógico- 
-matemático, embora isso possa ocorrer como uma consequência da 
prática motora (DARIDO; RANGEL, 2011).
Dirigida inicialmente para crianças de 4 a 14 anos, a teoria utiliza 
as fases do desenvolvimento motor como elemento central para a 
construção das aulas de Educação Física, considerando o estágio 
motor em que a criança se encontra.
Gallahue e Ozmun (2005), em sua obra Compreendendo o 
desenvolvimento motor: crianças, bebês, adolescentes e adultos, trazem 
detalhadamente as fases do desenvolvimento motor, mostrando os 
movimentos que as crianças são capazes de realizar.
Nessa teoria,
Os conteúdos devem ser desenvolvidos segundo uma ordem 
de habilidades básicas e específicas. As básicas podem ser 
classificadas em habilidades locomotoras (p. ex.: andar, 
correr, saltar), manipulativas (p. ex.: arremessar, chutar 
e rebater) e de estabilização (p. ex.: girar, rolar, e realizar 
posições invertidas), e as específicas são mais influenciadas 
pela cultura e estão relacionadas à prática do esporte, do 
jogo, da dança e das atividades industriais. (DARIDO; 
RANGEL, 2011, p. 9)
18 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Contudo, há uma crítica com relação à teoria desenvolvimentista, 
no sentido de que as pessoas podem não apresentar um mesmo 
padrão de desenvolvimento motor, ou seja, podem não estar 
no período correspondente à idade em que se encontram. Para 
Gallardo (2009), isso compromete a participação dos alunos nas 
atividades esportivas e culturais, pois não apresentam o mesmo 
desenvolvimento motor que seus pares, isto é, não possuem 
maturação na execução das habilidades motoras. Segundo Darido 
e Rangel (2011, p. 10), “há uma tentativa defazer corresponder o 
nível de desenvolvimento motor à idade em que o comportamento 
deve aparecer. Por exemplo, aos 7 anos, a criança deve apresentar 
padrões maduros nas habilidades, ou seja, movimentos executados 
com qualidade próxima à execução de um adulto”.
Outra limitação da teoria seria que, dependendo do contexto 
cultural e ambiental em que estão inseridos os alunos, uma 
habilidade motora pode ser mais complexa que a outra, por 
exemplo: chutar uma bola para uma criança brasileira pode ser 
menos complexo do que para uma criança de outro país; ou nadar 
em uma cidade litorânea e nadar em uma cidade longe do litoral 
(DARIDO; RANGEL, 2011).
Apesar disso, nessa teoria, a Educação Física tem um papel 
importante no processo de aperfeiçoamento do movimento motor, 
oferecendo experiências de novos movimentos. Nessa abordagem, 
devemos proporcionar condições para que o comportamento motor 
seja desenvolvido, oferecendo, assim, experiências de movimento 
adequadas à faixa etária dos alunos, observando os erros e oferecendo 
estratégias de atividades para que sejam superados.
Considerando o nível de desenvolvimento motor, é função do 
professor de Educação Física possibilitar à criança um repertório 
grande de movimentos, para que ela desenvolva, de forma ampla, as 
habilidades motoras e capacidades físicas.
A Educação Física escolar 19
1.2.3 Teoria do ensino aberto
A teoria do ensino aberto ou de aulas abertas foi proposta por 
Reiner Hildebrandt e Ralf Laging, em 1986, e caracteriza-se pela 
participação dos alunos em decisões sobre os objetivos, conteúdos, 
metodologia e avaliação da disciplina. Nesse caso, o aluno é o 
centro do processo de ensino, sendo considerada a possibilidade 
de ele ajudar e decidir no planejamento da disciplina. Segundo 
Hildebrandt (apud FINCK, 2011, p. 39), nessa teoria, o “objeto 
de estudo é o mundo do movimento e suas implicações sociais, 
que têm como principal objetivo trabalhar o movimento em sua 
amplitude e complexidade, com a intenção de proporcionar aos 
participantes autonomia para as capacidades de ação”.
Ao contrário do que se pensa inicialmente, o professor de 
Educação Física não estaria deixando os alunos livres para fazerem 
o que querem nas aulas; eles apenas auxiliam e ajudam na decisão 
do planejamento e execução da disciplina. O que acontece é uma 
interação entre professor e aluno que agrega pontos positivos ao 
aprendizado dos alunos, construído por meio da escolha de temas, 
de estímulos e de tarefas a serem realizadas.
Para Fonseca e Machado (2015), na escola, o perfil da Educação 
Física era de mera atividade de prática corporal destituída de 
compromisso e, devido a isso, a disciplina passou a ser pouco 
valorizada em relação aos outros componentes curriculares, embora 
os alunos gostassem de praticar as atividades.
1.2.4 Teoria construtivista
Essa teoria, que se contrapõe à tendência mecanicista da 
Educação Física, tem suas bases nos estudos teóricos de Jean Piaget, 
o qual afirma que a construção do conhecimento no sujeito ocorre 
por meio da interação dele com o mundo (DARIDO; RANGEL, 
2011). 
20 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Na área da Educação Física, João Batista Freire é considerado um 
representante dessa teoria ao propor uma pedagogia do movimento. 
Fundada na ideia de complexidade, a teoria do movimento deveria 
definir como conteúdos básicos as atividades que, ao contrário de 
estabelecer padrões de movimento e fechar as possibilidades de ação, 
criassem um leque de possibilidades (FREIRE; SCAGLIA, 2009).
Dessa forma, diante de um problema ou situação nova, o 
organismo abre uma série de possibilidades antes de tentar resolver 
o obstáculo (FREIRE; SCAGLIA, 2009). Essas possibilidades criam 
hipóteses de escolhas para a resolução do problema, sendo a escolha 
pela melhor hipótese dependente da história de vida da pessoa e das 
experiências que ela teve anteriormente. Assim:
Tudo leva a crer, portanto, que, quanto mais diversificadas 
forem as situações novas, maior o leque de possibilidades 
que se formará, o que equivale dizer que mais ampla poderá 
ser a atuação da inteligência, independente de se tratar de 
motricidade, de racionalidade, de afetividade ou de outra 
dimensão qualquer. (FREIRE; SCAGLIA, 2009, p. 154)
 A teoria construtivista, na área da Educação Física, considera 
o conhecimento prévio do aluno, resgatando a cultura de jogos e 
brincadeiras que eles carregam. Portanto, envolve a cultura no 
processo de ensino-aprendizagem, em que o “aluno constrói o 
seu conhecimento a partir da interação com o meio, resolvendo 
problemas” (DARIDO; RANGEL, 2011, p. 11).
Assim, ao colocar o jogo como principal conteúdo, considerando 
as experiências do aluno, sua bagagem cultural de jogos e 
brincadeiras, a teoria construtivista permite que o aluno aprenda 
enquanto brinca. Da mesma forma, o movimento pode ser um 
instrumento para aprendizagem de outros conteúdos, como leitura 
e escrita, por exemplo. 
1.2.5 Teoria crítico-superadora
Apresentando grande número de representantes e estudiosos, a 
teoria crítico-superadora utiliza o discurso da justiça social como 
A Educação Física escolar 21
ponto de apoio. Na Educação Física, há uma grande obra a respeito 
dessa teoria, construída pelo coletivo de autores Bracht, Castellani 
Filho, Escobar, Soares, Pinto Varjal e Taffarel, em 1992, intitulada 
Metodologia do Ensino da Educação Física.
Para Finck (2011), a teoria contribui para que ocorram mudanças 
sociais, diminuindo, assim, as desigualdades sociais, afirmando que 
a escola se faz como um todo na organização e na efetivação do 
trabalho comprometido de todos os educadores.
Com relação ao conteúdo a ser desenvolvido nas aulas de 
Educação Física,
os adeptos desta abordagem propõem que se considere a 
relevância social dos conteúdos, sua contemporaneidade 
e sua adequação às características sociais e cognitivas dos 
alunos. Para a organização do currículo, ressaltam que é 
preciso fazer com que o aluno confronte os conhecimentos 
do senso comum com o conhecimento científico, para 
ampliar o seu acervo de conhecimento. (DARIDO; 
RANGEL, 2011, p. 13)
Essa teoria tem como objeto de estudo a cultura corporal, que se 
concretiza em diferentes temas, como jogos, esportes, lutas, danças, 
ginásticas, entre outros. As habilidades motoras são consideradas, 
porém não como objeto central de conhecimento da Educação 
Física (FINCK, 2011). A organização dos conteúdos deve ter 
coerência com a leitura da realidade. Deve-se, portanto, analisar o 
que determinou a escolha e a necessidade do ensino do conteúdo 
(CASTELLANI FILHO et al., 2009).
Sendo assim, nessa abordagem, temos uma Educação Física 
contextualizada com a cultura corporal dos sujeitos e com a busca 
de autonomia em seus aprendizados.
1.2.6 Teoria crítico-emancipatória
A teoria crítico-emancipatória é uma abordagem didática-
-pedagógica da Educação Física que tem como autor o professor 
22 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Elenor Kunz, que sugere uma reflexão sobre o ensino dos esportes 
(apud FINCK, 2011). Essa proposta possibilita uma educação por 
intermédio do desenvolvimento e do esporte na escola, podendo 
contribuir para que crianças e jovens tenham uma apreciação crítica 
a respeito do conhecimento da cultura corporal.
Finck (2011, p. 67) destaca a relevância dessa teoria para o 
trabalho com os esportes nas escolas, ao falar dos “encaminhamentos 
metodológicos, evidenciando seus valores e mostrando a relevância 
desse fenômeno social de uma forma crítica e significativa, vindo, 
assim, a contribuir para a emancipação do aluno como cidadão”.
Seguindo a lógica do aluno emancipado, Kunz afirma que 
existem dois aspectos que precisam ser considerados nessa teoria: 
a busca pela emancipação do aluno, que poderá, por meio das aulas 
de Educação Física, “aprender a analisar e questionar a realidade, 
construindoseus próprios conceitos na busca de uma sociedade 
mais justa”, e “a preocupação com a construção de propostas práticas, 
possíveis de serem desenvolvidas e que possam contribuir para o 
atendimento dos objetivos” (apud Finck, 2011, p. 67).
Assim como a teoria crítico-superadora, o objeto de estudo 
da teoria crítico-emancipatória é a cultura corporal, sendo os 
jogos, ginásticas, esportes, capoeira e dança os elementos a serem 
compreendidos e contextualizados (DARIDO; RANGEL, 2011).
A partir do exposto, Darido e Rangel (2011) afirmam que o 
objetivo do ensino crítico é compreender a estrutura autoritária 
dos processos institucionalizados que formam falsas convicções, 
interesses e desejos, e, portanto, “promover condições para que essas 
estruturas autoritárias sejam suspensas e o ensino encaminhado 
para uma emancipação, possibilitada pelo uso da linguagem, que 
tem papel importante no agir comunicativo” (DARIDO; RANGEL, 
2011, p. 15).
A Educação Física escolar 23
Sendo assim, conforme visto nas teorias pedagógicas que se 
originaram a partir de estudos que buscam compreender a Educação 
Física como área de relevância no ambiente escolar, é por meio da 
cultura corporal do movimento que o trabalho dos professores 
precisa ser fundamentado. Mas, afinal, o que é cultura corporal do 
movimento e como ela se manifesta?
1.3 Manifestações da cultura 
corporal do movimento
Para compreendermos o aluno como um todo, é preciso 
considerar diversos aspectos que influenciam suas ações nas 
atividades propostas na Educação Física escolar. Nesse sentido, 
entende-se que o aluno traz características do meio em que vive e 
estas se expressam por meio de diferentes atitudes. Para que ocorra 
a aprendizagem, é necessário que o aluno tenha interesse e que 
estabeleça conexões com a sua realidade, ou seja, com o meio social 
e cultural em que vive.
O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua 
história é uma história de cultura, na medida em que tudo 
o que faz está inserido num contexto cultural, produzindo 
e reproduzindo cultura. O conceito de cultura é aqui 
entendido como produto da sociedade, da coletividade 
à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e 
transcendendo-os. (BRASIL, 1997, p. 23)
Nessa perspectiva, considera-se que o aluno está inserido em 
uma cultura e que se expressa por diferentes linguagens, entre as 
quais a do movimento. A criança tem características próprias que 
precisam ser respeitadas, assim como as atividades propostas devem 
estar de acordo com a fase de seu desenvolvimento. Para isso, 
existem diferentes recursos utilizados para proporcionar elementos 
de desenvolvimento da criança por meio do movimento, os quais 
atendem a aspectos cognitivos, motores e socioafetivos. Apesar 
disso, para Brandl (2010), ainda existe um desconhecimento das 
24 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
características e necessidades da criança e de como acontece o seu 
desenvolvimento e a sua aprendizagem, ou seja, há um desrespeito 
com a sua corporeidade infantil.
“Corporeidade pode ser entendida como corpo em 
movimento que busca a vida num determinado tempo histórico 
e cultural” (NISTA-PICCOLO; MOREIRA, 2012, p. 50). Os 
autores complementam que a leitura do corpo é um processo de 
conscientização, afirmação da personalidade, da individualidade, 
do sentido de presença à etnia humana, e que esse entendimento 
resulta na compreensão de que a realidade do corpo vai além da 
dicotomia corpo e mente, natureza e cultura.
Kolyniak (2005 apud BRANDL, 2010, p. 32) explicita que, desde 
o nascimento, por meio da consciência, o corpo vai se conformando 
como corporeidade, a qual é observada nos movimentos, na 
expressividade, na postura e no significado atribuído ao padrão 
estético, assim, “humano vivo é corporeidade, é cultura encarnada”.
As primeiras interações do ser humano consigo mesmo e com 
o ambiente ocorrem por meio do movimento, ou seja, a criança se 
expressa e se desenvolve a partir de atos motores, que se concretizam 
no âmbito de resolver problemas relacionados ao ambiente. 
De acordo com Darido e Rangel (2011), as formas básicas de 
movimentação se combinam de diferentes maneiras para atender às 
demandas ambientais, que estão inseridas na cultura. E o conjunto 
de manifestações expressivas corporais se denomina cultura corporal 
de movimento.
Logo, o movimento humano, objeto de estudo da Educação 
Física, pode ser concebido por meio de diferentes manifestações 
corporais. O aluno tem preferência por determinadas modalidades 
de acordo com o que lhe é transmitido de geração em geração, ou 
com o que ele observa na mídia e no local em que vive.
A Educação Física escolar 25
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), 
“dentre as produções da cultura corporal, algumas foram incorporadas 
pela Educação Física em seus conteúdos: o jogo, o esporte, a dança, 
a ginástica e a luta. Estes têm em comum a representação corporal 
com características lúdicas e de diversas culturas humanas”. Essas 
produções “ressignificam a cultura corporal humana e o fazem 
utilizando uma atitude lúdica” (BRASIL, 1997).
Já a BNCC (2017) afirma que a Educação Física se constitui como 
um componente curricular cujo objeto de estudo é a cultura corporal 
do movimento humano, envolvendo as diferentes manifestações do 
movimento, entre elas os esportes, jogos, lutas e ginásticas.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC),
A Educação Física é o componente curricular que tematiza 
as práticas corporais em suas diversas formas de codificação 
e significação social, entendidas como manifestações das 
possibilidades expressivas dos sujeitos, produzidas por 
diversos grupos sociais no decorrer da história. Nessa 
concepção, o movimento humano está sempre inserido 
no âmbito da cultura e não se limita a um deslocamento 
espaço-temporal de um segmento corporal ou de um corpo 
todo. (BRASIL, 2017, p. 213)
Ainda segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a 
Educação Física deve oferecer
uma série de possibilidades para enriquecer a experiência 
das crianças, jovens e adultos na Educação Básica, 
permitindo o acesso a um vasto universo cultural, Esse 
universo compreende saberes corporais, experiências 
estéticas, emotivas, lúdicas e agonistas [...] Para além 
da vivência, a experiência efetiva das práticas corporais 
oportuniza aos alunos participar, de forma autônoma, em 
contextos de lazer e saúde. (BRASIL, 2017, p. 213)
26 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Ao abordar a cultura corporal dos alunos, a Educação Física 
utiliza suas experiências e práticas culturais, e o currículo escolar 
é construído com base nessas práticas e saberes – e não na prática 
hegemônica e esportiva da escola tradicional (GALLARDO, 2009). 
Assim, todos os alunos devem participar das atividades numa 
perspectiva inclusiva que pondere suas características e a fase da 
aprendizagem, adequando espaços, materiais, regras e outros 
procedimentos metodológicos.
As atividades precisam ser motivadoras, não muito fáceis que 
tornem a aula tediosa, nem além da capacidade de entendimento e 
execução dos alunos, para que estes tenham êxito no que é proposto 
pelo professor. Além disso, deve-se organizar os conteúdos em 
ordem crescente de dificuldade, conforme as capacidades de ordem 
motora, cognitiva e afetivo-social dos alunos e em concordância 
com os objetivos da Educação Física escolar.
Para Gallardo (2009), as sugestões de atuação da Educação Física 
para os cinco primeiros anos servem como indicadores iniciais, e 
não como pontos de chegada. Nesse sentido, a riqueza propiciada 
pelas manifestações da cultura corporal não se esgota em sua 
realização pura e simples, mas leva a uma reflexão que contribui 
para a formação de valores e convivência social.
“O conhecimento do mundo na criança depende das relações 
que esta estabelece com os outros e com as coisas”(FREIRE, 2009, 
p. 17). E, considerando essa fase, as atividades devem ter caráter 
lúdico, proporcionando o desenvolvimento de habilidades por meio 
de jogos e brincadeiras.
O professor de Educação Física, então, deve ter conhecimento 
da cultura corporal do movimento, entendendo o conhecimento 
prévio do aluno, suas expectativas e as competências e habilidades 
que devem ser desenvolvidas na Educação Física escolar.
A Educação Física escolar 27
Considerações finais
A Educação Física escolar é marcada por uma evolução histórica 
e influenciada por propósitos econômicos, sociais e ideológicos do 
Brasil e do mundo. De acordo com o que foi exposto neste capítulo, 
observamos que muitos estudiosos e pensadores concentraram 
seus esforços em mostrar a importância dessa disciplina para a vida 
humana e, por isso, da sua inclusão no ambiente escolar.
Optamos por apresentar, em forma de concepções, de que 
maneira a Educação Física escolar foi trabalhada, desde o seu 
surgimento no ambiente escolar e a partir da chamada crise da 
Educação Física dos anos 1980. Assim, descrevemos algumas das 
principais teorias pedagógicas que sustentam a área da Educação 
Física e que influenciam de maneira significativa a prática do 
professor nas escolas.
A escola é um espaço de saber e de convivência, onde o aluno, 
por meio de diferentes áreas, adquire conhecimentos, competências, 
habilidades e experiências. Estas, em particular, se desenvolvem 
nos aspectos cognitivo, motor, afetivo e social, com o intuito de 
que o aluno possa atuar no mundo de maneira comprometida, 
responsável e ética. Sendo assim, ao refletir sobre a cultura corporal 
de movimento na prática docente, objeto de estudo da Educação 
Física escolar, todos os aspectos citados anteriormente devem ser 
considerados de forma equivalente.
Pelo fato de vivermos em um país com grande espaço territorial 
e diferentes manifestações culturais, entender a cultura corporal dos 
alunos e considerá-la, no trabalho escolar, é de extrema importância 
para o professor, pois esse entendimento e apropriação influenciam 
diretamente no processo de ensino e aprendizagem da Educação 
Física.
28 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Ampliando seus conhecimentos
• ABORDAGENS pedagógicas em Educação Física escolar 
parte 01. 2010. 1 vídeo (9 min.). Publicado pelo canal Omar 
Schneider. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=wlSdK7lduD4. Acesso em: 18 jul. 2019.
Trata-se de um vídeo sobre a história da Educação Física, 
que traz um complemento sobre as teorias pedagógicas da 
área. Além disso, apresenta contribuições importantes sobre 
ensino-aprendizagem da Educação Física escolar.
• NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Educação Física, currículo e 
cultura. São Paulo: Phorte, 2009.
Essa obra trata da função social da escola, das tendências do 
ensino da Educação Física e da importância da cultura no 
momento histórico. Aborda, ainda, o atual contexto, fazendo 
um convite à sua investigação e às concepções pedagógicas 
que o influenciam.
Atividades
1. Quais foram as concepções que embasaram a Educação 
Física escolar no início do século XIX até o final da década 
de 1970? Explique o motivo da existência dessas concepções.
2. Quais foram as teorias pedagógicas da Educação Física 
que surgiram na década de 1970 e que são relatadas neste 
capítulo? Explique o porquê do surgimento dessas teorias.
3. O conjunto de manifestações expressivas corporais se 
denomina cultura corporal de movimento. Por que devemos 
considerá-lo nas aulas de Educação Física?
A Educação Física escolar 29
Referências
BRANDL, C. E. R. (org.). Educação Física escolar: questões do cotidiano. 
Curitiba: CRV, 2010.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. 
Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares 
nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.
br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. 
2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/
BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 18 jul. 2019.
CASTELLANI FILHO, L. et al. Metodologia do ensino da Educação Física. 
São Paulo: Cortez, 2009.
DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação Física no ensino superior: 
Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. São Paulo: 
Guanabara Koogan, 2011.
FINCK, S. C. M. A Educação Física e o esporte na escola: cotidiano, saberes e 
formação. Curitiba: Ibpex, 2011.
FONSECA, D. G. da.; MACHADO, R. B. (org.). Educação Física: 
(re)visitando a didática. Porto Alegre: Sulina, 2015.
FREIRE, J. B.; SCAGLIA, A. J. Educação como prática corporal. São Paulo: 
Scipione, 2009.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. Compreendendo o desenvolvimento motor: 
bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3. ed. São Paulo: Phorte, 2005.
GALLARDO, J. S. P. Prática de ensino em Educação Física: a criança em 
movimento: livro do professor. São Paulo: FTD, 2009.
NISTA-PICCOLO, V. L.; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na 
educação infantil. São Paulo: Cortez, 2012.
2
Bases legais da 
Educação Física escolar
As concepções e abordagens pedagógicas da Educação Física, 
tratadas no capítulo anterior, surgiram e se firmaram com objetivos, 
conteúdos e métodos influenciados pelos contextos econômicos 
e momentos históricos vividos pela sociedade. De acordo com os 
diferentes momentos históricos, podemos observar a formulação 
de políticas públicas educacionais que legitimam e norteiam a área 
da Educação Física na escola, e esses documentos são revistos e 
reformulados pelos governos com o passar dos anos.
Este capítulo trata das bases legais da educação e de como é 
colocada a área da Educação Física nessas bases, iniciando com a 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN (BRASIL, 
1996), um marco para a educação nacional. A partir da LDBEN, 
documentos importantes norteadores foram criados e são referência 
para autores e pesquisadores da educação, por isso, serão abordados 
neste livro: os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,1997), 
o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (BRASIL, 
1998) e, por fim, o mais novo documento que temos em vigência, a 
Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017).
Vale lembrar que as políticas públicas educacionais assumem 
um papel fundamental na resolução de problemas enfrentados 
pela sociedade em geral e legitimam a atuação das diversas áreas 
do conhecimento em um determinado território de abrangência. 
Nesse contexto, insere-se a área da Educação Física, que, ao longo 
dos anos, vem se destacando no cenário educacional, uma vez que 
sua atuação é debatida e defendida por pessoas que buscam sua 
valorização mediante pesquisas que afirmam a sua importância.
32 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Sendo assim, é essencial conhecer as bases legais que 
fundamentam a prática educacional e como a Educação Física se 
faz presente nesses documentos para a afirmação e valorização da 
área como componente curricular escolar. Vamos conhecer esses 
documentos e o que eles nos dizem sobre a Educação Física na 
escola?
2.1 Leis de Diretrizes e Bases da Educação
Em meio ao surgimento de concepções, abordagens e 
discussões acerca dos caminhos que a educação e a Educação Física 
deveriam seguir no país, novas leis são formuladas para atender ao 
desenvolvimento socioeconômico da nação.
Dentre as bases legais que orientam o papel das diferentes áreas 
de conhecimento dentro do ambiente escolar, temos a Lei n. 9.394, 
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional, a LDBEN. Assim como outras leis, a LDBEN, 
que teve sua primeira versão em 1961, vem se modificando até os 
dias atuais por meio de outras leis que aprimoram o seu texto em 
busca da qualidade da educação nacional.
Segundo Darido e Rangel (2011), a LDBEN foiresultado de 
diversas discussões entre sociedade, deputados, senadores e Poder 
Executivo durante um período de oito anos. Ela trouxe uma série de 
mudanças, em que se destacam a mudança da estrutura didática, a 
autonomia dos estabelecimentos escolares e o enfoque na formação 
do cidadão. A principal mudança de estrutura e nomenclatura foi 
a divisão em dois níveis de ensino: a educação básica, formada por 
educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; e a educação 
superior.
Dentro da educação básica, como afirma a LDBEN, segundo 
Darido e Rangel (2011, p. 53),
existem outros três níveis de Ensino, sendo que cada um 
deles deve contribuir para o alcance dos seus objetivos, 
Bases legais da Educação Física escolar 33
sempre adequado à faixa etária dos alunos. A Educação 
Infantil tem como objetivo principal a preocupação com 
o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade, 
complementando a ação da família e da comunidade. 
O Ensino Fundamental, com duração mínima de 9 anos, 
voltado para crianças a partir de 6 anos, tem como objetivo 
principal a formação básica do cidadão.
Em conformidade com a Constituição Federal, a LDBEN “reforça 
os princípios constitucionais da liberdade de aprender, ensinar, 
pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber, do 
pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas” (GALLARDO, 
2009, p. 80). A referida lei traz como objetivo da educação infantil 
a autonomia e independência da criança para o seu autocuidado, e 
como objetivo principal do ensino fundamental a apropriação de 
valores e conhecimentos do aluno para que ele viva em sociedade 
(GALLARDO, 2009).
A motivação de trabalhar com a referida lei neste livro é que ela 
serviu para a formulação e implementação de outros documentos, 
como as Diretrizes Curriculares Nacionais, os Parâmetros 
Curriculares Nacionais e o Referencial Curricular para a Educação 
Infantil – estes dois últimos vamos conhecer mais adiante.
Com relação à presença da Educação Física na LDBEN, no 
parágrafo 3° do artigo 26, tem-se que: “A Educação Física, integrada 
à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da 
Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições 
da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos” 
(BRASIL, 1996). Anos depois, esse parágrafo foi reformulado pela 
Lei n. 10.328 de 2001, acrescentando-se a palavra obrigatório logo 
após “componente curricular”.
No artigo 27 da LDBEN, constam as diretrizes para os conteúdos 
curriculares da educação básica, reforçando, no inciso IV, o lugar da 
Educação Física:
34 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos 
direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum 
e à ordem democrática;
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos 
em cada estabelecimento;
III - orientação para o trabalho;
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas 
desportivas não formais. (BRASIL, 1996)
Em seu artigo 26, a LDBEN prevê que os currículos do ensino 
fundamental e médio devem ter uma base comum e uma base 
diversificada, exigidas pelas características regionais e locais da 
sociedade, da cultura, da economia e da clientela. No ano de 2013, 
na redação desse artigo, foi acrescentado, além dos currículos do 
ensino fundamental e médio, o da educação infantil, e o termo 
clientela foi substituído pela palavra educandos.
Como podemos observar, a LDBEN trouxe referenciais essenciais 
para a elaboração de novas orientações em busca da qualidade da 
educação nacional. Para a área da Educação Física, Darido e Rangel 
(2011, p. 56) afirmam que a LDBEN trouxe grandes avanços:
Um desses aspectos é o fato de a Educação Física ser 
encarada como um componente curricular, e, talvez, 
mais importante ainda, seja o fato de a disciplina dever se 
ligar ao projeto político pedagógico da escola, oferecendo 
a possibilidade de que se integre ao cotidiano escolar e 
demonstre sua importância.
Os documentos criados com base na orientação da LDBEN 
são hoje muito utilizados pelos profissionais da área, uma vez 
que orientam o trabalho pedagógico nas escolas. A partir desses 
documentos, formações de professores são realizadas a fim de 
atingir os objetivos da educação.
Na LDBEN, assim como nos demais documentos que serão 
apresentados neste livro, podemos perceber a nítida presença da 
Educação Física como conteúdo curricular obrigatório da educação 
Bases legais da Educação Física escolar 35
básica, sendo debatida e reformulada ao longo dos anos. Portanto, 
faz-se necessário ter conhecimento sobre a legislação que norteia 
a educação, bem como as responsabilidades de cada área do 
conhecimento no ambiente escolar.
Vamos conhecer mais bases legais importantes para a Educação 
Física?
2.2 Parâmetros Curriculares Nacionais
Apresentamos, agora, os Parâmetros Curriculares Nacionais 
(PCNs), de 1997, documento criado para todas as áreas do 
conhecimento presentes no ambiente escolar. Eles sugerem e 
orientam o encaminhamento das áreas nas escolas e estão divididos 
em livros separados.
Surgidos a partir de um enfoque dado pela LDBEN, a qual reforça 
a necessidade de se propiciar a todos uma educação básica comum, 
o que pressupõe a formulação de um conjunto de diretrizes capazes 
de nortear os currículos e seus conteúdos mínimos, os PCNs foram 
organizados tendo como base temas transversais e documentos que 
abordam a especificidade de cada componente curricular.
Para a disciplina de Educação Física, segundo Finck (2011), 
os PCNs orientaram a elaboração dos currículos de estados e 
municípios e serviram de reflexão para a prática de professores. 
Já no entendimento de Brandl (2010), os PCNs abordam os 
conteúdos em procedimentos, conceitos e atitudes, nos quais, 
conceitos e procedimentos mantêm grande proximidade, pois o 
movimento gira em torno do compreender e sentir, embora a ênfase, 
na prática, esteja no fazer.
Os PCNs utilizaram como fundamentação elementos de 
diferentes teorias pedagógicas que convergiram para a sua formação, 
buscando entender a Educação Física desde sua concepção. Desse 
modo, encontra-se nos parâmetros a seguinte colocação: “Para que 
36 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
se compreenda o momento atual da Educação Física é necessário 
considerar suas origens no contexto brasileiro, abordando as 
principais influências que marcam e caracterizam essa disciplina 
e os novos rumos que estão se delineando” (BRASIL, 1997, p. 19).
Essa afirmação demonstra a preocupação em entender o processo 
percorrido, a situação atual e de que modo se constituirá futuramente, 
de acordo com o cenário social, preconizando a autonomia do aluno 
para a utilização de seu potencial de movimento e para exercê-lo de 
maneira social e culturalmente significativa e adequada.
Já ao abordar a cultura corporal de movimento como objeto de 
estudo da Educação Física, os PCNs “apontam alguns caminhos por 
meio da Cultura corporal de Movimento, como colaboradores da 
formação do cidadão, que se pretende participativo, solidário, crítico 
e autônomo” (DARIDO; RANGEL, 2011, p. 59). Preocupando-se 
com a formação do ser humano e considerando a cultura corporal 
de movimento colaboradora desse processo, temos um documento 
organizado que orienta o trabalho da Educação Física no ambiente 
escolar.
Os PCNs da Educação Física estão divididos em duas partes. 
A primeira trata dos princípios e das características da área da 
Educação Física no ensino fundamental, evidenciando as influências, 
tendências e o quadro atual da disciplina na escola. Apresenta o 
objeto de estudo da Educação Física relacionando-o com os 
temas transversais, bem como aspectos conceituais, atitudinais e 
procedimentais concernentes à metodologia, conteúdos, objetivos 
e avaliação na disciplina. A segunda parte traz os critérios para a 
seleçãodos conteúdos com base nos conhecimentos da cultura 
corporal de movimento, objetivos, metodologia e avaliação e 
também quanto a orientações didáticas para o ensino da Educação 
Física nas séries finais, hoje, anos finais do ensino fundamental 
(FINCK, 2011).
Bases legais da Educação Física escolar 37
Conforme os PCNs, a cultura corporal é fundamental para o 
desenvolvimento da Educação Física na escola, pois
O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua 
história é uma história de cultura, na medida em que tudo 
o que faz está inserido num contexto cultural, produzindo 
e reproduzindo cultura. O conceito de cultura é aqui 
entendido como produto da sociedade, da coletividade 
a qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e 
transcendendo-os. (BRASIL, 1997, p. 26)
Nesse sentido, respeitar a cultura é fundamental para que as 
atividades façam sentido ao aluno e promovam aprendizagens 
significativas. Segundo os PCNs, “a área de Educação Física 
hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos pela 
sociedade a respeito do corpo e do movimento” (BRASIL, 1997, 
p. 27). Encontramos também neste documento que, entre esses 
conhecimentos, são de grande importância as atividades com fins 
de lazer e expressão de sentimentos, as quais promovem a saúde.
Assim como a LDBEN estabelece as diretrizes para a educação 
nacional, os PCNs são instrumentos que definem a orientação que 
cada disciplina deve seguir para formar o cidadão que vai atuar e 
viver em sociedade. Para a Educação Física, os PCNs definem que:
Cabe à escola trabalhar com o repertório cultural local, 
partindo de experiências vividas, mas também garantir o 
acesso a experiências que não teriam fora da escola. Esta 
diversidade de experiências precisa ser considerada pelo 
professor quando organiza atividades, toma decisões 
sobre encaminhamentos individuais e coletivos e avalia 
procurando ajustar a sua prática às reais necessidades de 
aprendizagem dos alunos. (BRASIL, 1997 p. 59)
Aulas diversificadas, assim como a inclusão, progressão 
das atividades e adequação ao nível de ensino são princípios 
metodológicos a serem considerados quando se planeja atividades 
com os alunos. São conhecimentos que a graduação em Educação 
Física proporciona para o ensino formal.
38 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Nesse sentido, cabe ao professor elaborar o seu planejamento de 
aulas, a fim de que os alunos possam fazer escolhas, decidir, resolver 
problemas, tornando-se cada vez mais independentes e responsáveis.
Os PCNs trazem os conteúdos divididos em três grandes blocos 
que se articulam entre si, mas possuem suas especificidades. São 
eles: Conhecimentos sobre o corpo; Esportes, jogos, lutas e ginástica; 
e Atividades rítmicas e expressivas. Para cada bloco, o documento 
traz uma gama de possibilidades a serem trabalhadas nas aulas em 
diferentes níveis de ensino.
Os alunos do primeiro ciclo, compreendendo estudantes que se 
encontram nos anos iniciais do ensino fundamental, devem atingir 
os seguintes objetivos com as aulas de Educação Física:
participar de diferentes atividades corporais, procurando 
adotar uma atitude cooperativa e solidária, sem discriminar 
os colegas pelo desempenho ou por razões sociais, físicas, 
sexuais ou culturais; conhecer algumas de suas possibilidades 
e limitações corporais de forma a poder estabelecer algumas 
metas pessoais (qualitativas e quantitativas), conhecer, 
valorizar, apreciar e desfrutar de algumas das diferentes 
manifestações de cultura corporal presente no cotidiano; 
e organizar autonomamente alguns jogos, brincadeiras ou 
outras atividades corporais simples. (BRASIL, 1997, p. 63)
Vamos ver agora o que diz o Referencial Curricular para a 
Educação Infantil, que integra a série de documentos dos PCNs. 
Afinal, como deve ser o ensino na educação infantil? E onde entra a 
Educação Física nessa fase de ensino?
2.3 Referencial Curricular Nacional para a 
Educação Infantil
O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil 
(RCNEI) é um documento, pós-promulgação da LDBEN, a 
considerar a educação infantil a primeira etapa da educação básica. 
Bases legais da Educação Física escolar 39
Portanto, o primeiro espaço formal e institucional que a criança 
frequenta regularmente, um espaço de educação dos direitos 
humanos e de movimentos que garantem a vida individual e em 
sociedade. A finalidade da educação infantil é desenvolver a criança 
de maneira integral nos aspectos físico, intelectual, linguístico, 
afetivo e social, complementando a educação recebida na família 
e na comunidade em que vive, conforme determina a LDBEN 
(NISTA-PICCOLO; MOREIRA, 2012).
Assim, partindo de orientação da LDBEN para que a educação 
brasileira estabeleça e siga diretrizes curriculares nacionais, Paulo 
Renato Souza, então ministro da educação no governo Fernando 
Henrique Cardoso, afirma que
O Referencial foi concebido de maneira a servir como um 
guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, 
conteúdos e orientações didáticas para os profissionais 
que atuam diretamente com crianças de zero a seis anos, 
respeitando seus estilos pedagógicos e a diversidade cultural 
brasileira. (BRASIL, 1998, p. 7)
O RCNEI é um conjunto com três volumes, organizado da 
seguinte forma: o volume 1 contém uma reflexão sobre creches e pré-
-escolas do Brasil, trazendo as concepções da criança, da educação 
e dos profissionais que serviram para a construção dos objetivos da 
educação infantil, e organiza os eixos de trabalho sobre Formação 
Pessoal e Social e Conhecimento de Mundo; o volume 2 refere-se à 
experiência de Formação Pessoal e Social que favorece os processos 
de construção da Identidade e Autonomia das crianças (BRASIL, 
1998); por fim, o volume 3 é
relativo ao âmbito de experiência Conhecimento de 
Mundo que contém seis documentos referentes aos eixos 
de trabalho orientados para a construção das diferentes 
linguagens pelas crianças e para as relações que estabelecem 
com os objetos de conhecimento: Movimento, Música, Artes 
Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade e 
Matemática. (BRASIL, 1998, p. 9)
40 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Para este livro, vamos manter o foco no volume 3, pois nele 
encontramos a importância do movimento na primeira infância, 
elemento essencial de trabalho do professor de Educação Física.
O movimento é tão importante na educação infantil que, no 
volume 3 do RCNEI, é apresentado como o primeiro elemento a 
ser considerado pelo professor. Do total de 40 páginas destinadas 
a orientar o trabalho com as crianças, já no primeiro parágrafo da 
introdução, podemos encontrar a ênfase que é dada ao movimento 
na educação infantil:
As crianças se movimentam desde que nascem, adquirindo 
cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se 
apropriando cada vez mais das possibilidades de interação 
com o mundo. Engatinham, caminham, manuseiam objetos, 
correm, saltam, brincam sozinhas ou em grupo, com objetos 
ou brinquedos, experimentando sempre novas maneiras de 
utilizar seu corpo e seu movimento. Ao movimentar-se, as 
crianças expressam sentimentos, emoções e pensamentos, 
ampliando as possibilidades do uso significativo de gestos 
e posturas corporais. O movimento humano, portanto, é 
mais do que simples deslocamento do corpo no espaço: 
constitui-se em uma linguagem que permite às crianças 
agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o ambiente 
humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor 
expressivo. (RCNEI, 1998, p. 15)
Nessa perspectiva, Nista-Piccolo e Moreira (2012) afirmam que 
é função da Educação Física possibilitar o pensamento das crianças, 
que as leva à imaginação, sendo esta área uma das linguagens da 
expressão humana. É importante, também, estimular diferentes 
formas de movimento, pois é por meio dele que a criança se expressa, 
se comunica com os demais e interage com o ambiente.
Noprimeiro ano de vida da criança, o RCNEI afirma que os 
movimentos de preensão e locomoção são as maiores conquistas e 
que a relação do seu corpo com o ambiente é desenvolvida por meio 
da experimentação ou exploração.
Bases legais da Educação Física escolar 41
Ao observar um bebê, pode-se constatar que é grande o 
tempo que ele dedica a explorações do próprio corpo – fica 
olhando as mãos paradas ou mexendo-as diante dos olhos, 
pega os pés e diverte-se em mantê-los sob o controle das 
mãos – como que descobrindo aquilo que faz parte do seu 
corpo e o que vem do mundo exterior. Pode-se também 
notar o interesse com que investiga os efeitos dos próprios 
gestos sobre os objetos do mundo exterior, por exemplo, 
puxando várias vezes a corda de um brinquedo que emite 
um som, ou tentando alcançar com as mãos o móbile 
pendurado sobre o berço, ou seja, repetindo seus atos 
buscando testar o resultado que produzem. (BRASIL, 1998, 
p. 21)
Para Gallahue e Ozmun (2005), o aprendizado efetivo do 
movimento de locomoção se dá a partir da possibilidade de vivenciá-
-lo de diversas formas, em diferentes ambientes e com diversos 
obstáculos, sendo que o domínio dos movimentos se amplia com a 
exploração da criança.
A partir do primeiro ano até os três, a criança apresenta um 
aumento da autonomia em sua locomoção, sendo a fase em que 
mais se movimenta e faz descobertas. Segundo o RCNEI, “a grande 
independência que andar propicia na exploração do espaço é 
acompanhada também por uma maior disponibilidade das mãos: a 
criança dessa idade é aquela que não para, mexe em tudo, explora, 
pesquisa” (BRASIL, 1998, p. 22).
Os gestos manuais usados para a alimentação, ainda que 
praticados com um pouco de insegurança, e gestos simbólicos 
utilizados no faz de conta, como embalar uma boneca, surgem a 
partir da imitação existente no meio em que vivem. Além disso, 
nessa fase, a criança começa a reconhecer a imagem do seu corpo 
e suas características físicas, essenciais para a construção de sua 
identidade (BRASIL, 1998).
42 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Sendo assim, é importante que o professor utilize a imitação 
como uma das estratégias para o aprendizado no plano do 
movimento. Para Nista-Piccolo e Moreira (2012), as crianças, nessa 
fase, se expressam por meio dos movimentos, e as atividades de 
Educação Física devem contemplar os grandes grupos musculares 
e promover valores como honestidade, cooperação, participação e 
responsabilidade.
Já após os quatro anos de idade e até os seis, de acordo com o 
RCNEI,
constata-se uma ampliação do repertório de gestos 
instrumentais, os quais contam com progressiva precisão. 
Atos que exigem coordenação de vários segmentos motores 
e o ajuste a objetos específicos, como recortar, colar, encaixar 
pequenas peças etc., sofisticam-se. Ao lado disso, permanece 
a tendência lúdica da motricidade, sendo muito comum que 
as crianças, durante a realização de uma atividade, desviem 
a direção de seu gesto; é o caso, por exemplo, da criança 
que está recortando e que de repente põe-se a brincar com 
a tesoura, transformando-a num avião, numa espada etc. 
(BRASIL, 1998, p. 24)
É nessa fase que as brincadeiras e os jogos culturais possuem 
um repertório maior, o que contribui sobremaneira para o 
desenvolvimento e aprimoramento da coordenação motora das 
crianças, bem como para a precisão nos movimentos essenciais ao 
cotidiano. Nessa fase, ainda é importante destacar a cultura na qual 
a criança está inserida, pois dependendo do ambiente em que vive, 
ela pode possuir um maior desenvolvimento motor em relação às 
demais crianças. O RCNEI destaca isso quando afirma que
Uma criança que vive à beira de um rio utilizado, 
por exemplo, como forma de lazer pela comunidade 
provavelmente aprenderá a nadar sem que seja preciso 
entrar numa escola de natação, como pode ser o caso de 
uma criança de ambiente urbano. Habilidades de subir 
Bases legais da Educação Física escolar 43
em árvores, escalar alturas, pular distâncias, certamente 
serão mais fáceis para crianças criadas em locais próximos 
à natureza, ou que tenham acesso a parques ou praças. 
(BRASIL, 1998, p. 24-25)
Além das características do movimento de zero a seis anos que 
o RCNEI traz, ele apresenta os objetivos para cada fase: de zero a 
três anos e de três a seis anos de idade. De zero a três anos, a prática 
educativa deve ser organizada no sentido de a criança:
familiarizar-se com a imagem do próprio corpo; explorar as 
possibilidades de gestos e ritmos corporais para expressar-
-se nas brincadeiras e nas demais situações de interação; 
deslocar-se com destreza progressiva no espaço ao andar, 
correr, pular etc., desenvolvendo atitude de confiança 
nas próprias capacidades motoras; explorar e utilizar os 
movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para o 
uso de objetos diversos. (BRASIL, 1998, p. 27)
Para as crianças de três a seis anos, tais objetivos deverão ser 
aprimorados, e o RCNEI acrescenta:
ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento, 
utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas 
brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação; 
explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, 
como força, velocidade, resistência e flexibilidade, 
conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades 
de seu corpo; controlar gradualmente o próprio 
movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento 
e ajustando suas habilidades motoras para utilização em 
jogos, brincadeiras, danças e demais situações; utilizar os 
movimentos de preensão, encaixe, lançamento etc., para 
ampliar suas possibilidades de manuseio dos diferentes 
materiais e objetos; apropriar-se progressivamente da 
imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando 
seus segmentos e elementos e desenvolvendo cada vez mais 
uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo. 
(BRASIL, 1998, p. 24)
44 Metodologia da Educação Física escolar: 
educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental
Finda a parte que cabe ao movimento na educação infantil, 
o RCNEI destaca os conteúdos que devem ser trabalhados e que 
são organizados em dois blocos: possibilidades expressivas dos 
movimentos e seu caráter instrumental, trazendo a expressividade, 
o equilíbrio e a coordenação como conteúdos a serem desenvolvidos 
por meio das atividades.
Sobre a expressividade, o RCNEI afirma que
a dimensão subjetiva do movimento deve ser contemplada 
e acolhida em todas as situações do dia a dia na instituição 
de educação infantil, possibilitando que as crianças 
utilizem gestos, posturas e ritmos para se expressar e se 
comunicar. Além disso, é possível criar, intencionalmente, 
oportunidades para que as crianças se apropriem dos 
significados expressivos do movimento. A dimensão 
expressiva do movimento engloba tanto as expressões e 
comunicação de ideias, sensações e sentimentos pessoais 
como as manifestações corporais que estão relacionadas 
com a cultura. (BRASIL, 1998, p. 30)
Desse modo, considera-se importante oferecer uma gama 
de atividades que possibilitem as mais diversas formas de se 
movimentar, como: engatinhar, rolar, escalar, manusear objetos, 
entre outras. Isso é proporcionado por meio de “brincadeiras que 
compõem o repertório infantil e que variam conforme a cultura 
regional” e “apresentam-se como oportunidades privilegiadas para 
desenvolver habilidades no plano motor, como empinar pipas, 
jogar bolinhas de gude, atirar com estilingue, pular amarelinha etc.” 
(BRASIL, 1998, p. 24).
Considerar a cultura regional na qual a criança está inserida 
é primordial na construção de ações que vão favorecer a sua 
formação integral. A Educação Física, a fim de contribuir para essa 
formação, deve centrar suas ações na corporeidade, ludicidade, jogo 
e motricidade. Portanto,
Bases legais da Educação Física escolar 45
Com um trabalho do professor voltado à exploração e à 
descoberta do próprio corpo, é possível

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