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ESTUDO PARA TOXICOLOGIA 1. Conceitos básicos - Agentes tóxicos/toxicantes: substância química que, através de certas condições de exposição, é capaz de causar danos alterando alguma função ou levando a morte. - Veneno: substância química, ou mistura de substâncias químicas, que provoca a intoxicação ou a morte com baixas doses. - Ação tóxica: maneira de um agente tóxico exercer sua atividade sobre os tecidos MECANISMO - Efeito tóxico: alteração anormal, indesejável ou nociva, decorrente da exposição a substâncias potencialmente tóxicas RESULTADO - Intoxicação: processo patológico causado por substâncias químicas e caracterizado por desequilíbrio fisiológico secundários a modificações bioquímicas no organismo = Processo evidenciado por sinais e sintomas ou mediante exames laboratoriais - Droga: toda substancia capaz de modificar o sistema fisiológico ou estado patológico, utilizada com ou sem intenção de benefício do organismo receptor. - Fármaco: toda substância de estrutura química definida capaz de modificar ou explorar o sistema fisiológico ou estado patológico, em benefício do organismo receptor - PODEM GERAR EFEITO TÓXICO – DOSE - Xenobiótico: substâncias químicas estranhas ao organismo não possuem papel fisiológico conhecido. - Toxina: substância tóxica produzida por um sistema biológico (plantas, animais, fungos e bactérias) - Toxicidade: capacidade inerente a um agente tóxico de produzir um efeito deletério no organismo é a medida relativa do potencial tóxico da substância - Antídoto: é a sustância que se opõe ao efeito tóxico, atuando sobre o próprio toxicante Mecanismo de ação dos antídotos: a) Neutralização (antígeno e anticorpo) - reação específica entre antígeno e anticorpo, formando complexos que perdem a toxicidade. b) Impedir absorção adsorção - adsorvem o toxicante no trato gastrointestinal (carvão ativado, Terra de Füller) / ligação com proteína - ligam-se a determinados tóxicos, impedindo sua absorção. (albumina, clara de ovo) c) Quelação (metais) - formação de complexos solúveis e inativos com metais pesados (ex.: mercúrio, chumbo, arsênio), facilitando sua eliminação. - Antagonista: é a substância que exerce uma ação oposta à do agente tóxico · Dependendo das condições de exposição, toda substância pode agir como toxicante, causando efeito nocivo ao ser vivo. - Dose: A quantidade total de substância à qual um organismo é exposto corresponde à quantidade total de material que penetra em um organismo por uma via específica de exposição a) Dose Letal 50 (DL50): Dose, obtida estatisticamente, em mg/kg, de uma determinada substância, necessária para matar 50% de uma população de animais EX: Naftalina É utilizada para avaliar a toxicidade aguda de uma substância, ou seja, os efeitos imediatos após uma única exposição ou exposições curtas. · É rapidamente absorvida pela via inalatória, oral e dérmica · Pode lentamente passar da forma sólida para a de vapor · Passando para o estado gasoso, pode ser inalada ou ingerida intencionalmente ou não, sofrendo a vítima efeitos perigosíssimos. - Toxicidade aguda Classificação: · Extremamente tóxica: DL50 1 a 50 mg/kg · Moderadamente tóxica: DL50 > 50 a 500 mg/kg · Levemente tóxica: DL50 > 0,5 a 5 g/kg · Relativamente não tóxica: DL50 acima de 5 g/kg RISCO = TOXICIDADE X EXPOSIÇÃO · Probabilidade estatística de uma substância química provocar efeitos nocivos em condições definidas de exposição · Substância com alta toxicidade, mas baixa exposição – baixa probabilidade de causar intoxicações - Antagonista fisiológico funcional: Agentes atuam em diferentes receptores produzindo efeitos opostos que se contrabalançam EX: DDT e benzodiazepínicos DDT diminui fechamento canais Na+ hiperexcitabilidade neuronal = Inseticida organoclorado. Impede o fechamento dos canais de sódio (Na⁺) nos neurônios, prolongando a despolarização. Benzodiazepínicos aumenta ação do GABA depressão neuronal Benzodiazepínicos atuam como antagonistas fisiológicos funcionais do DDT, pois equilibram a excitação excessiva causada pelo DDT com um efeito depressor no SNC, mesmo que atuem em locais diferentes. 2. Fundamentos da toxicologia - Fases da intoxicação: A. Fase de exposição: contato do agente tóxico com o organismo Depende: · Dose do agente tóxico (concentração) Maior dose, maior intoxicação · Via de introdução Intensidade do efeito tóxico X rapidez de resposta Intravenosa > Respiratória > Intrapeitoral > Intramuscular > Subcutânea > Intradérmica > Oral > Dérmica · Duração e frequência da exposição · Propriedades físico-químicas das substâncias Solubilidade, tamanho das partículas, estabilidade, pressão de vapor · Fatores relacionados à suscetibilidade individual Peso, genética, absorção, sexo, idade Relação EXPOSIÇÃO X EFEITO = Em uma exposição baixa, o organismo compensa através da homeostase . Quanto maior e mais prolongada a exposição ao tóxico, maior será o efeito negativo no organismo. Inicialmente, há compensação; depois, surgem danos reversíveis, seguidos por lesões permanentes e, finalmente, a morte. Duração da exposição: testes e estudos · Aguda: Exposição única ou repetida em menos de 24 horas. Dura pouco tempo. Exemplo: ingestão acidental de veneno · Sobreaguda: Ainda de curta duração, mas um pouco mais prolongada do que a aguda. Pouco usada atualmente, mas pode envolver exposições repetidas muito próximas (ainda dentro de poucos dias). · Subcrônica: Exposição repetida entre 1 mês e menos de 3 meses. Exemplo: exposição ocupacional a vapores químicos durante um projeto de curto prazo. · Crônica Exposição repetida por mais de 3 meses Pode envolver doses baixas, mas contínuas Exemplo: uso prolongado de medicamentos, exposição ambiental a metais pesados, poluição etc. RESUMINDO Quais os fatores relacionados com a toxicidade de uma substância na fase de exposição? 1. Dose Quanto maior a dose, maior a chance de toxicidade. DL50: Ela mostra a dose necessária para causar morte em 50% dos indivíduos testados. 2. Via de exposição Oral, dérmica, inalatória, intravenosa, etc. Algumas vias permitem absorção mais rápida ou direta, como a intravenosa. 3. Duração da exposição Exposição aguda, subcrônica, crônica.. Exposições prolongadas podem causar acúmulo da substância no organismo. 4. Frequência da exposição Exposição contínua ou intermitente. Repetição constante pode levar a efeitos cumulativos. 5. Características fisicoquímicas da substância Lipossolubilidade, peso molecular, pH, estado físico (gás, líquido, sólido), etc Substâncias lipossolúveis, por exemplo, atravessam membranas com mais facilidade. 6. População exposta Idade, sexo, genética, estado de saúde, peso, condições nutricionais, etc. Crianças, idosos e pessoas com doenças hepáticas ou renais são mais vulneráveis. 7. Interações com outras substâncias Misturas de substâncias podem potencializar (sinergismo) ou reduzir (antagonismo) os efeitos tóxicos. B. Fase toxicocinética: movimento do agente tóxico dentro do organismo. É formada pelos processos de Absorção, Distribuição e Eliminação (Biotransformação e Excreção) QUANTIDADE X CONCENTRAÇÃO NO PLASMA Relaciona os processos de absorção, distribuição e eliminação do agente em função do tempo Liberação do toxicante: através do sítio de exposição Se os mecanismos de oposição falham, o toxicante atinge o sítio-alvo (como proteínas, lipídios ou DNA), gerando efeito tóxico. · Etapas que favorecem a toxicidade (Liberação): Absorção: entrada no corpo. Distribuição ao alvo: transporte até o local de ação. Reabsorção: prolonga a permanência. Intoxicação: efeitos tóxicos aparecem. Etapas que reduzem a toxicidade (Oposição): Eliminação pré-sistêmica: antes de chegar à circulação. Distribuição fora do alvo: vai para locais inativos. Excreção: eliminação do organismo. Detoxificação: metabolismo torna o composto inativo. Intervêm nesta fase: • Absorção: É o processo de transferência do agente químico do local de administração para a circulação geral.Esse processo se dá através das membranas biológicas. 1.Transporte passivo Difusão simples Filtração 2. Transportes especializados Transporte ativo Difusão facilitada Endocitose Absorção cutânea: - Fatores que influenciam a) Ligados ao agente: lipossolubilidade, grau de dissociação, peso molecular, volatilidade, viscosidade b) Ligados ao indivíduo: região da pele, integridade da pele, pilosidades locais, vascularização c) Ligados às condições de contato ou da exposição duração e tipo do contato, temperatura local da pele e do ambiente Absorção gastrointestinal: - Fatores que influenciam a) Relacionados ao toxicante lipossolubilidade dissociação propriedades irritativas e eméticas resistência ao pH estomacal, enzimas digestivas e enzimas da microbioraintestinal Absorção pulmonar: - Fatores que influenciam Tamanho das partículas Pulmões = grande área de absorção (90 m²). Via respiratória → intoxicação rápida (pulmão → coração). • Distribuição: FATORES LIGADOS AO AGENTE TÓXICO • lipossolubilidade - quanto maior a lipossolubilidade mais rápida a chegada aos órgãos-alvo grau de ionização – quanto menor a ionização maior a absorção afinidade com moléculas orgânicas – quanto maior a afinidade mais lenta a distribuição aos órgãos-alvo Ex: CO-Hemoglobina, chumbo-ossos, clorados-tecido adiposo, metais-grupos SH grau de oxidação do toxicante · CO se liga à hemoglobina → impede transporte de oxigênio. · Chumbo se acumula nos ossos. · Pesticidas clorados se acumulam em tecido adiposo. · Metais pesados (como mercúrio) ligam-se a grupos sulfidrila (–SH) de proteínas. Ex: As3+ (cumulativo) - mais tóxico e acumula no organismo e As5+ (eliminado) - menos tóxico e mais facilmente eliminado Barreiras biológicas: Hemato-encefálica: passagem depende da afinidade por células do SNC e da lipossolubilidade do agente tóxico. Ex: álcoois, drogas de abuso, nicotina, praguicidas organofosforados, solventes orgânicos Placentária: · Funções: trocas gasosas, passagem de nutrientes, excreção de metabólitos fetais, controle hormonal do feto · Passagem de toxicantes: · por difusão passiva, facilitada, transporte ativo e filtração · depende da lipossolubilidade e peso molecular do composto · depende da circulação e do metabolismo placentário · pode ocorrer passagem em todas as fases da gestação Ex: etanol, metais, drogas de abuso (BEBÊS COM SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA) Sítios de armazenamento: PROTEÍNAS PLASMÁTICAS Maior parte dos toxicantes distribuem-se ligados à albumina (ligações reversíveis) Ex: fármacos de caráter ácido: fenobarbital, ácido valpróico lipoproteínas: Ex: fármacos de caráter básico - imipramina, clorpromazina, propranolol substâncias de maior peso molecular e são lipossolúveis - FORMA LIGADA - farmacologicamente inativa - FORMA LIVRE - farmacologicamente/toxicologicamente ativa Explica a toxicidade do paration metabolizado a paraoxon (predomínio da forma livre) • Armazenamento: Sítios de armazenamento: · fígado · rins · lipídios (solventes, organoclorados, cocaína, THC) · ossos · cabelos · leite materno, entre outros • Biotransformação: É o conjunto de reações químicas ou estruturais que uma substância sofre no organismo, geralmente mediada por enzimas, para: · Tornar-se mais polar e hidrossolúvel · Reduzir ou eliminar sua toxicidade · Facilitar a excreção renal Fase I – Reações de Funcionalização: Essas reações introduzem ou expõem grupos funcionais (como -OH, -NH₂, -COOH) na molécula do toxicante. Principais tipos: · Oxidação (ex: via citocromo P450) · Redução · Hidrólise Objetivo: preparar o composto para a Fase II e, às vezes, já tornar a molécula menos tóxica e mais hidrossolúvel Fase II – Reações de Conjugação As substâncias (ou seus metabólitos da Fase I) são ligadas a compostos endógenos, aumentando muito a solubilidade em água. Principais tipos: · Glicuronidação (ácido glicurônico) · Sulfatação (ácido sulfúrico) · Conjugação com glutationa · Acetilação · Metilação Objetivo: tornar o composto muito mais hidrossolúvel → facilitar excreção (principalmente renal e biliar) - Quase sempre resulta em perda da toxicidade. • Excreção: Excreção - processo pelo qual uma substância é expulsa do organismo Eliminação por biotransformação - processo pelo qual as substâncias mudam de estrutura, mas continuam no organismo sob a forma de metabólitos VIAS: Renal (através da urina) Pulmonar (através do ar expirado) Biliar (através da bile) Suor Saliva Leite Gastrintestinal (pelas fezes) C. Fase toxicodinâmica: corresponde ao mecanismo de ação do agente tóxico no organismo Mecanismos de interação entre as moléculas do toxicante e os sítios de ação - desequilíbrio homeostático Classificação: INESPECÍFICOS • Efeito depende de suas propriedades físico-químicas • Ácidos ou bases que são irritantes e corrosivos nos tecidos de contato ESPECÍFICOS • Efeito mais seletivo pois atuam em uma “estrutura-alvo” (enzimas, moléculas transportadoras, canais iônicos, ácidos nucleicos, etc) - Xenobiótico original chumbo, tetrodotoxina, cianeto - Compostos endógenos bilirrubina deslocada da albumina pela sulfonamida 1. Alteração da expressão gênica Substâncias como metais pesados e asbesto podem afetar os genes, levando à produção anormal de proteínas, o que pode causar doenças como o câncer. 2. Alteração química de proteínas específicas Substâncias como chumbo (Pb) e organofosforados modificam proteínas importantes, prejudicando funções vitais, como a síntese de heme ou a atuação da enzima acetilcolinesterase. 3. Alteração do funcionamento celular Tóxicos podem desregular neurotransmissores (dopamina, serotonina, adrenalina), como ocorre com as anfetaminas, afetando o sistema nervoso. 4. Prejuízo na síntese de ATP Alguns compostos, como cianeto (CN), comprometem a produção de energia celular (ATP), levando à falência celular. 5. Aumento de cálcio intracelular Substâncias como paracetamol e clorofórmio podem interferir nos transportadores de cálcio, causando acúmulo dentro das células e gerando danos. 6. Estresse oxidativo Compostos como chumbo, cromo, mercúrio e paraquat promovem a formação de radicais livres, que danificam lipídios, proteínas e DNA. D. Fase clínica: manifestação clínica dos efeitos resultantes da ação tóxica É a fase em que há evidências de sinais e sintomas, ou ainda alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas, caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo Momento em que surgem sinais, sintomas ou alterações detectáveis por exames, indicando os danos causados pela ação do toxicante no organismo Efeitos tóxicos: - carcinogênicos, mutagênicos, teratogênicos hepatotóxicos, nefrotóxicos, neurotóxicos, asfixiantes - Mecanismo de ação: anticolinesterásicos, metemoglobinizantes - Usos: praguicidas, solventes, aditivos alimentares, medicamentos 3. Avaliação da toxicidade e avaliação do risco - Efeito adverso: alteração anormal, indesejável ou nociva após a exposição à substâncias potencialmente tóxicas - Risco: probabilidade de que um efeito adverso ocorra devido à exposição a uma substância química. - Riscos aceitáveis: probabilidade de que um efeito ou dano seja tolerado por um organismo. Ou seja, que o benefício real trazido pelo uso da substância seja maior do que o risco. - Toxicidade: capacidade de causar um efeito nocivo ou morte aos organismos vivos. Avaliação de risco: associação entre a exposição e a incidência de efeitos adversos = avaliação toxicológica É feita utilizando-se espécies animais, seguindo as rigorosas normas preconizadas pelos Órgãos Reguladores do país Toxicidade depende: a) Dose : quantidade de uma substância química administrada a um organismo vivo. Expressa em unidade de peso corpóreo. b) Via de administração: respiratória, dérmica, parenteral. c) Frequência de exposição: doses únicas ou múltiplas Relações: Dose-Efeito = quanto a substância afeta um indivíduo. Dose-Resposta= quantas pessoas respondem ao efeito em diferentes doses. - Indivíduos sensíveis: reagem com baixas doses. - Indivíduos resistentes: reagem só com altas doses. DL50: é a dose ou concentração de um agente químico que causa a morte de 50% da população testada, sob condições experimentais definidas. · O ponto CL50 marca a concentração letal para 50% dos indivíduos. Para efeitos NÃO CARCINOGÊNICOS Tipos de efeitos considerados: · Efeito terapêutico: dose eficaz · Efeito tóxico: dose tóxica · Efeito letal: dose letal Referências de resposta: Percentuais usados: 1%, 5%, 50%, 95%, 99% DL50: É a dose letal média, ou seja, a dose que causa a morte de 50% dos animais testados, sendo estatisticamente determinada. Verificação da toxicidade aguda – teste em animais Toxicidade aguda: Exposição única (ou múltipla) a um composto, analisando efeitos adversos em até 24 horas (podendo durar até 4 semanas). · Objetivo: Avaliar os efeitos tóxicos imediatos. Testes comuns: · DL50 oral, dérmica · CL50 inalatória · Irritação/corrosão (ocular e dérmica) · Sensibilização cutânea Detalhes: · Usam-se múltiplas espécies e ambos os sexos (ex: camundongos, ratos, galinhas, coelhos, cães). · Testa-se mínimo de 4 doses. Níveis de efeitos adversos: - NOAEL (Nenhum Efeito Adverso Observado) Maior dose que não causa nenhum efeito tóxico detectável no organismo. - LOAEL (Menor Nível com Efeito Observado) Menor dose em que já se observa algum efeito adverso. - IDA (Ingestão Diária Aceitável) Quantidade de uma substância (em alimentos ou bebidas) que pode ser ingerida todos os dias, durante toda a vida, sem causar risco à saúde. IDA = NOAEL ÷ 100 - PDE (Exposição Diária Permitida) É a dose segura de uma substância química que pode ser consumida todos os dias por toda a vida, sem causar danos à saúde. - FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) É um documento obrigatório que traz informações sobre os perigos de um produto químico e como manuseá-lo com segurança, incluindo: · Transporte · Armazenamento · Uso · Ações de emergência Serve para proteger a saúde do usuário e o meio ambiente. - FREQ (Ficha de Resposta a Emergência Química) Documento criado para ajudar equipes em casos de emergência química. Contém informações importantes como: · Nome do produto · Medidas de segurança · Riscos de incêndio · Propriedades físicas, químicas e ambientais · Dados toxicológicos · Observações úteis para a resposta rápida e eficaz 4. Toxicologia analítica Detecção de agentes tóxicos Objetivo: diagnóstico e prevenção - Metodologia: Métodos presuntivos ou de triagem · Selecionar classes de substâncias, especialmente em situações nas quais não se tem conhecimento do provável agente tóxico envolvido. · Métodos rápidos e direcionados a grupos químicos funcionais ou de maior especificidade. · Técnicas mais comuns: · testes colorimétricos identificação de drogas de apreensão · cromatografia em camada delgada (CCD) drogas de apreensão, alimentos, matrizes biológicas etc · imunoensaios triagem de fármacos em matrizes biológicas Métodos confirmatórios - Análise toxicológica sistemática (ATS) Nas situações em que não há elementos que indiquem o provável toxicante, faz-se a busca químico-analítica de substâncias desconhecidas em matrizes biológicas 1. Testes colorimétricos Testes de cor ou “spot tests” – a. baseiam-se em reações químicas que, na presença de moléculas que apresentem determinados grupos funcionais, apresentem mudanças de coloração. b. produto da reação ser um pigmento ou corante; c. formação de complexos de coordenação com metais de transição; d. formação de composto por pareamento iônico. EX: maconha – teste com reagente “fast blue” coloração vermelho-violeta = indicativo da presença de canabinóides no material 2. Cromatografia de camada delgada A cromatografia é um método físico-químico de separação. Ela está fundamentada na migração diferencial dos componentes de uma mistura, que ocorre devido a diferentes interações, entre duas fases imiscíveis, a fase móvel e a fase estacionária Fase móvel: solvente (gás ou líquido) que se move através da coluna, carregando os solutos. Fase Estacionária: sólido (ou líquido impregnado em um sólido) que permanece dentro da coluna de separação. 3. Imunoensaios Competição pela ligação aos anticorpos entre o analito presente na amostra (livre) e o analito marcado presente no kit. O analito marcado, também chamado de antígeno marcado ou traçador, só poderá se ligar ao anticorpo específico dependendo da concentração do antígenos de interesse (não marcado) da amostra; ou seja, há uma disputa pelos sítios de ligação dos anticorpos da molécula a ser analisada. Métodos confirmativos 4. Extração por Head Space Método de extração de etanol e metanol em sangue por headspace com análise por cromatografia gasosa com detector de ionização em chama (HS/GC-FID) Substâncias voláteis 5. Extração em fase sólida (SPE) · Alta seletividade, pelo uso de diferentes solventes · Uso de pequeno volume de solventes · Baixo tempo de análise · Boa recuperação de analitos Espectroscopia Baseados na medição da quantidade de radiação produzida (espectrometria de emissão) ou absorvida (espectrometria de absorção) pelas moléculas ou pelas espécies atômicas de interesse Cromatografia de coluna Cromatografia gasosa (utilizada para separar os componentes de gases ou substâncias volatilizáveis) Detectores dispositivos que transformam as variações na composição do gás de arraste em sinais elétricos 6. Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE/ HPLC) Fase Móvel - solvente. Este arrasta a amostra. Cromatógrafo - bomba, coluna cromatográfica, detector e registrador Coluna Cromatográfica - fase estacionária composta por sólidos ou semi-rígidos de partículas porosas esféricas ou irregulares material inerte Detectores - não existe um detector com todas as propriedades ideais para a CLAE/ HPLC Mais usados – Fotométricos/DAD, de Fluorescência, amperométrico e Índice de Refração - Espectrometria de massas EQUAÇÃO DA RETA: y =a x+b Onde: · y: resposta do detector (geralmente área do pico ou razão área do analito/IS – padrão interno) · x: concentração do analito na amostra (ng/mL, µg/mL etc.) · a: inclinação da reta (sensibilidade – variação da resposta por unidade de concentração) · b: intercepto (resposta quando a concentração é zero – idealmente próxima de zero) 7. Espectrometria de absorção atômica A espectrometria atômica mede o elemento na sua forma atômica livre gasosa. Se baseia na capacidade dos elementos em interagir com a radiação eletromagnética na região UV-VIS do espectro. A propriedade de absorver radiação em comprimentos de ondas específicos é usada como parâmetro de identificação do elemento. Validação = Confiabilidade analítica É fundamental que os laboratórios demonstrem, através da VALIDAÇÃO, que os métodos de ensaio que executam conduzem a resultados confiáveis e adequados à qualidade pretendida. O objetivo de uma validação é demonstrar que o método é apropriado para a finalidade pretendida, ou seja, a determinação qualitativa, semi-quantitativa e/ou quantitativa de fármacos e outras substâncias em produtos farmacêuticos. · Verificação de parâmetros · Linearidade · Especificidade e Seletividade; · Precisão; · Exatidão; · Limite de Detecção; · Limite de Quantificação; Especificidade e Seletividade · É a capacidade que o método possui de medir exatamente um composto em presença de outros componentes tais como impurezas, produtos de degradação e componentes da matriz. · Um método específico é um método que produz uma resposta para um único analito. · Um método seletivo é um método que produz uma resposta para um analito particular sem interferências de outros componentes na matriz. · Há poucos métodos específicos. - Linearidade: É a capacidade de uma metodologia analítica de demonstrar que os resultados obtidos são diretamente proporcionais à concentração do analito naamostra, dentro de um intervalo especificado. - Sensibilidade: · Capacidade do método distinguir duas concentrações próximas · Quanto maior o coeficiente angular (a) maior será a sensibilidade - Precisão: A precisão avalia a proximidade entre os resultados obtidos em repetidas determinações de uma mesma amostra. Ela é classificada em três níveis: · Repetibilidade: grau de concordância entre resultados obtidos no mesmo laboratório, por um mesmo analista, com o mesmo equipamento e em curto intervalo de tempo. Requer no mínimo 9 determinações: 3 concentrações (baixa, média e alta) com 3 réplicas cada, ou 6 réplicas a 100% da concentração do teste. · Reprodutibilidade: avalia a concordância entre resultados obtidos em diferentes laboratórios, sendo típica de estudos colaborativos para padronização de métodos. · Precisão intermediária: mede a variação entre resultados no mesmo laboratório, mas em dias diferentes, com diferentes analistas e/ou equipamentos. · A precisão é expressa como desvio padrão relativo (DPR) ou coeficiente de variação (CV%), e o valor máximo aceitável é de até 5%, dependendo da metodologia, concentração do analito, tipo de matriz e finalidade do método. - Exatidão: A exatidão avalia o grau de concordância entre o valor obtido experimentalmente e o valor verdadeiro ou aceito como referência. · Deve ser verificada com no mínimo 9 determinações, abrangendo o intervalo linear do método: 3 concentrações (baixa, média e alta), com 3 réplicas em cada nível. · A exatidão é expressa pela percentual de recuperação do analito adicionado à amostra ou pela razão entre a concentração média obtida experimentalmente e a concentração teórica esperada. Fórmula de Recuperação: · Recuperação= ( Concentração experimental/ CTA) * 100 - Limite de Detecção (LD): O Limite de Detecção (LD) é a menor quantidade de analito que pode ser detectada por um método analítico, porém sem necessidade de quantificação precisa. Ele indica o menor sinal mensurável distinguível do ruído de fundo com confiabilidade. O LD é especialmente importante para métodos aplicados à detecção de impurezas, resíduos ou contaminantes em níveis traço. - Limite de quantificação (LQ) O intervalo especificado é a faixa entre os limites de quantificação superior e inferior de um método analítico. Normalmente é derivado do estudo de linearidade e depende da aplicação pretendida do método 5. Toxicologia social - Drogas ilícitas: substâncias comercializadas livremente, de forma legal, podendo ou não estar submetidas a algum tipo de limitação de sua comercialização Cuja produção, comercialização e consumo são considerados crime, sendo proibidos por leis específicas QUESTÕES PARA PROVA Sobre Toxicocinética, analise as afirmativas abaixo como Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo. (V) A fase da absorção consiste na passagem do agente tóxico através das membranas biológicas, alcançando a corrente sanguínea. (F ) Na fase da absorção, o transporte das substâncias químicas ocorre somente por difusão simples ou passiva. (F ) Na fase da distribuição, o único local que acumula agente tóxico é a proteina plasmática. (V) Conforme o tipo de agente tóxico absorvido, ele pode ser eliminado inalterado ou como produtos de biotransformação. a) V,F,V,F b) V،V٫V٫V c) F,V,F,V d) V,V,V,F e) V,F,F,V 2) Você trabalhou em uma indústria farmacêutica por 10 anos. A indústria não fornecia equipamento de proteção e você desenvolveu uma série de efeitos sérios na saúde nos últimos 7 anos. Você está, possivelmente, experimentando que tipo de exposição? a) Crônica. b) Aguda. c) Subcrônica. d) Sobreaguda. e) Letal. Com relação ao processo de biotransformação, é correto afirmar que: a) Ocorre exclusivamente nos microssomos hepáticos, no retículo endoplasmático liso dos hepatócitos. b) Tem como finalidade principal facilitar a excreção. c) Ocorre em duas fases, sendo a primeira conjugativa e a segunda de oxirredução e hidrólise. d) Sempre diminui o efeito tóxico dos xenobióticos. e) Aumenta a lipossolubilidade dos xenobióticos. 4) O símbolo apresentado pela figura a seguir representa substâncias químicas que têm efeitos prejudiciais à saúde humana, podendo causar destruição de tecidos vivos, nomeadamente olhos, pele e vias respiratórias. Assinale a opção que apresenta a descrição correta do símbolo da figura: a) Substância tóxica. b) Substância irritante. c) Substância corrosiva. d) Substância inflamável. e) Substância extremamente tóxica. 5) Intoxicação é um processo patológico que pode ser causado por uma substância exógena ou endógena, causando um desequilíbrio fisiológico no organismo e consequentemente alterações bioquímicas. O processo de intoxicação envolve quatro fases. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das fases da intoxicação: a) Exposição, toxicocinética, toxicodinâmica e clínica. b) Exposição, intoxicação, toxicocinética e clínica. c) Intoxicação, exposição, toxicocinética e toxicodinâmica. d) Intoxicação, agente tóxico, toxicodinâmica e sinais clínicos. e) Intoxicação, biotransformação, toxicocinética e sinais clínicos. 6) A substância tóxica penetra no corpo seguindo uma via de absorção. A via digestiva é a mais frequente na maioria das intoxicações. Nos casos de intoxicação na indústria, as vias de ingresso mais comuns são: a) Ocular e nasal. b) Respiratória e dérmica. c) Pele e pulmão. d) Ocular e dérmica. 7) O organismo humano representa, Na atualidade, um repositório de substâncias tóxicas. Acredita-se que cada um tem a possibilidade de estar contaminado com até 200 dessas substâncias, sendo que a cada ano novas substâncias são acrescentadas a essa mistura. As substâncias tóxicas podem causar danos à saúde humana quando ingeridas, inaladas ou quando em contato com a pele. Com relação às substâncias tóxicas, analise as afirmativas abaixo: I- A natureza dos efeitos tóxicos produzidos por um certo agente químico independe da frequência e duração da exposição. II- Algumas substâncias tóxicas se decompõem dentro do corpo, principalmente, no fígado, dando lugar a outros compostos químicos. Estes compostos são denominados metabólitos. Ill- Absorção é a passagem de substâncias químicas do local de contato para a circulação sanguínea. IV- A toxicidade depende da via de exposição. A exposição pulmonar requer doses mais altas que as usuais para um efeito qualitativamente igual ao normal em relação à exposição oral V- O efeito tóxico local requer a absorção e distribuição do toxicante. São CORRETAS as afirmativas: a) I, Ill e V. b) ll e lII. c) II, Ill e V d) Il, IV e V. e) I, IV e V. 13) Uma amostra controle de fenobarbital em plasma foi analisada por um laboratório. A concentração real de fenobarbital na amostra era de (10 mais ou menos 1)g/L. A análise feita pelo laboratório, utilizando 10 replicatas desta amostra, determinou uma concentração (7 mais ou menos 0,5)g/L. Podemos afirmar que este método apresenta: a) boa precisão e exatidão b) precisão e exatidão c) boa precisão e má exatidão d) má precisão e boa exatidão e) Bom limite de quantificação 14) Considerando um método A com uma curva de calibração com a equação y = 2x + 5, e um método B, com a curva de calibração com equação y = 4x + 5, podemos afirmar que: a) A tem maior sensibilidade que B, pois o coeficiente angular da reta é maior b) A têm maior sensibilidade que B pois o coeficiente angular da reta é menor c) B têm maior sensibilidade que A, pois o coeficiente angular da reta é menor d) B têm maior sensibilidade que A, pois o coeficiente angular da reta é maior e) Os dois métodos apresentam sensibilidade semelhantes, pois a intersecção do gráfico com o eixo é igual para os dois métodos 15) No ano de 2014, entrou em vigor no Brasil a Lei Federal n. 13.103, também conhecida como Lei dos Caminhoneiros, que exige que os motoristas das categorias C, D e E realizem exames toxicológicos de larga janela. As substâncias pesquisadas são: cocaína e derivados,maconha e derivados, estasy, anfetaminas, metanfetaminas e opiáceos. As anfetaminas, também conhecidas como "rebites", estão entre as substâncias mais utilizadas pelos caminhoneiros. A respeito das anfetaminas, avalie as afirmações a seguir. I. A midríase é um dos efeitos adversos associado ao uso das anfetaminas e deixa o condutor mais sensível à radiação luminosa. Il. As anfetaminas e seus derivados podem ser detectados na urina, nas unhas, nos pelos corporais e no cabelo, até 90 dias após o consumo. III. A síndrome de abstinência de anfetaminas se caracteriza por sinais e sintomas opostos aos induzidos pelo abuso, favorecendo o aparecimento de sono, fome intensa, exaustão, depressão, entre outros. IV. O uso prolongado de anfetaminas tende a provocar no usuário uma intoxicação grave e, entre as manifestações clínicas mais frequentes, está hipertermia, que pode causar desidratação, convulsão e morte. É correto apenas o que se afirma em: a) l e ll. b) l e IV. c) Il e lll. d) II, Ill e IV. e) I, Ill e IV. image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png