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Riscos Químicos Muitas substâncias químicas presentes na natureza ou produzidas em laboratório fazem parte da vida das pessoas, e muitas vezes elas nem se dão conta disso. Nos dias de hoje, há muita preocupação com a saúde relacionada aos produtos industrializados, não é verdade? E a química faz parte disso. Porém, há substâncias químicas benéficas ao ser humano, como extrato de plantas, remédios, alimentos e aquelas que causam prejuízos à saúde e ao meio ambiente. O que é preciso para evitar danos à saúde é ter consciência do que faz bem e do que faz mal à saúde, sendo o mais importante conhecer a dose de exposição, ou seja, conhecer o limite seguro ao qual se expor. Há um ditado que diz: “O que difere o veneno do remédio é a dose”! Exatamente isso! É preciso refletir sobre os riscos químicos, aquilo que é preciso daquilo que se pode evitar. Assim como na Química, deve haver um equilíbrio! De agora em diante, você terá a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre os riscos químicos. Definição Risco Químico Quando tratamos dos ambientes industriais, não é diferente da vida cotidiana, pois é preciso conhecer os riscos dos produtos que os trabalhadores manuseiam para atuar na prevenção, levando em consideração os limites de tolerância. Muitas vezes, não há como evitar a exposição aos riscos químicos, e sim atuar nas medidas de prevenção de riscos para que eles não causem danos à saúde do trabalhador. Se você analisar onde é possível encontrar produtos químicos, perceberá que eles estão em sua mesa do café da manhã, no leite, na margarina, nos embutidos, no sal, no açúcar, no vinagre, no detergente, na pasta de dente, no desodorante, na tinta da sua casa, no asfalto da sua rua e, por fim, no seu trabalho. Você seria capaz de viver sem tudo isso ou poderia substituir aqueles que causam danos à saúde? Mediar a exposição é ter equilíbrio! A Avaliação Preliminar de Risco é o início do controle da exposição do trabalhador. Portanto, ao analisar os riscos químicos nos ambientes de trabalho, você perceberá que será da mesma forma e que é fundamental entender o que é risco químico! 2 - 38 Risco químico pode ser definido como a probabilidade do indivíduo de sofrer agravo à saúde quando exposto a substâncias químicas perigosas. Podem ser citados como agentes de risco químico: As substâncias, compostos ou produtos que possam ser entrar em contato com o organismo do trabalhador, principalmente pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, gases, neblinas, névoas, vapores ou pela natureza da atividade, de exposição, com os quais possam ter contato ou que possam ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. No ambiente industrial, muitas substâncias químicas podem fazer parte dos processos produtivos, desde a matéria-prima, na fabricação ou no acabamento de produtos industrializados. Reconhecer a presença dos agentes de risco e controlar a exposição dos trabalhadores a eles é o que irá garantir que eles não adoeçam. Quais são os tipos de agentes de risco químico? Os agentes de risco químico são as substâncias, compostos ou produtos químicos que possam causar danos à saúde, penetrando no organismo humano por via respiratória, pela digestão, via ocular e pelo contato. Os agentes de risco químico que penetram no organismo humano pelas vias aéreas são: • Poeiras; • Fumos; • Gases; • Vapores; • Névoas; • Neblinas. 3 - 38 Confira a seguir: Poeira de madeira Fumos metálicos Gás oxigênio Névoa de tinta Neblina Vapor de água Quadro 1 - Tipos de agentes químicos que penetram no organismo por via respiratória Fonte: Da autora (2024) Segundo Silva Filho (1999), os aerodispersoides podem ser classificados em sólidos e líquidos. Entre os sólidos, estão as poeiras, as fumaças e os fumos. Já entre os líquidos, estão as névoas e a neblina. Observe a figura a seguir. Líquido névoa neblina Sólido poeiras fumaças fumos metálicos Figura 1 - Tipos de aerodispersóides Fonte: Adaptado de Senai (2017) 4 - 38 Acompanhe, a seguir, as características de cada uma dessas partículas. De acordo com a Cartilha de Segurança (3M, 2011), têm-se as seguintes definições: • Poeiras: formadas quando um material sólido é quebrado, moído ou triturado. Quanto menor a partícula, mais tempo ela ficará suspensa no ar. • Névoas e neblinas: constituídas por particulados líquidos na forma de gotículas em suspensão na atmosfera. A diferença entre elas é que as névoas são geradas por processo mecânico, como ruptura física de um líquido durante processos de pulverização, nebulização ou borbulhamento; já as neblinas são produto da condensação na atmosfera de pequenas partículas líquidas provenientes de um líquido previamente volatilizado por processo térmico. • Fumos: ocorrem quando um metal ou plástico é fundido (aquecido), vaporizado e se resfria rapidamente, criando partículas muito finas que ficam suspensas no ar. Os fumos, tais como as poeiras, são particulados originados a partir de materiais sólidos. • Fumaças: partículas sólidas originadas em processos de combustão incompleta. • Gases: são substâncias que, à temperatura ambiente, estão no estado gasoso e são geralmente invisíveis. Definem-se como gases as substâncias químicas que se apresentam no estado gasoso quando em Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP), isto é, sob temperatura e pressão ambientes. • Vapores: são substâncias que evaporam de um líquido ou sólido, da mesma forma que a água transformada em vapor d’água. Geralmente, são caracterizados pelos odores: você não vê um vapor, mas sente o cheiro. 5 - 38 Fontes de risco químico Após conhecer a definição dos agentes de risco químicos, você deve estar refletindo quantas vezes já esteve em contato com risco químico, não é mesmo? As fontes de risco químico são diversas, e acredite, o contato pode ser nos locais mais variados como a nossa casa! É possível citar como exemplos de fontes de risco químico: • Lavação de peças; • Processos de galvanização; • Laboratório químico; • Laboratório farmacêutico; • Indústria alimentícia; • Processos de pintura; • Soldagem de peças metálicas; • Lixamento de madeira; • Lixamento de gesso; • Queima de materiais; • Construção civil; • Mineração; • Usinagem de peças metálicas. Esses são alguns exemplos das possíveis fontes de risco químico. O reconhecimento das fontes deve ser criterioso, pois se o risco não for reconhecido, ele não será controlado. O avaliador deve ter conhecimento especializado em risco químico para realizar a APR HO – Análise Preliminar de Risco de Higiene Ocupacional. 6 - 38 A APR HO tem como objetivo reconhecer os possíveis riscos ocupacionais, sendo eles químico, físico e biológico, e caracterizar a exposição do trabalhador ao risco, prevenindo doenças relacionadas aos ambientes de trabalho e à ocupação. Para aprofundar seus conhecimentos sobre APR HO, acesse o link ou código QR a seguir: Quero Saber + https://js.srv.br/reportagens/22_04_2020.pdf Trajetória, meios de propagação e vias de absorção dos riscos químicos A partir do reconhecimento do risco, é preciso identificar a trajetória, por onde esse risco se propaga e quais são as vias de absorção. Essas informações fazem parte da APR HO – é na hora da avaliação qualitativa, quando o avaliador está percorrendo o chão de fábrica, conhecendo os processos, fazendo as entrevistas com os colaboradores que se colhem essas informações. 7 - 38 https://js.srv.br/reportagens/22_04_2020.pdf https://js.srv.br/reportagens/22_04_2020.pdf Para realizar a APR HO, a avaliação qualitativa, é preciso ter em mãos formulários para coletar as informações. Crie o seu formulário para APR HO! Não se esqueça de criar campos para as entrevistas com os trabalhadores e com os responsáveis pelos processos produtivos. Dica Como o trabalhador pode ter contato com os agentes químicos? Os produtos químicos podem estar dispersos no ar onde o trabalhador respirao contaminante ou por contato com a pele, com os olhos e pela ingestão. Pode haver uma intoxicação causada por um agente químico por meio venoso? Sim, é possível caso aconteça de uma substância química, um remédio, por exemplo, ser ministrado de forma incorreta ou o indivíduo ter uma alergia medicamentosa. Reflita Estranho pensar que um trabalhador poderá ingerir produto químico, não é mesmo? Mas isso pode acontecer, principalmente ao levar a mão contaminada à boca, por ingestão acidental, por ambiente contaminado, entre outras formas de exposição. Fumar em locais de trabalho, comer com mãos sujas, usar talheres, copos ou quaisquer outros objetos contaminados, por exemplo, são hábitos que devem ser excluídos dos ambientes de trabalho. 8 - 38 Os agentes de risco químico podem entrar em contato com o organismo através de quatro formas. 1. Via respiratória: o sistema respiratório do organismo humano é formado pela boca, nariz, laringe, brônquios e alvéolos pulmonares. A quantidade de uma contaminante absorvida por via respiratória pode variar de acordo com a concentração, com o tempo de exposição, a quantidade de ar e das características físico-químicas do contaminante (SILVA FILHO, 1999). Bronquios Pulmão esquerdo Diafragma Pulmão direito Traquéia LaringeLaringe Cavidade bucalFaringe Fossas nasais Figura 2 - Sistema respiratório Fonte: Adaptado de Senai (2017) 2. Via sistema tegumentar: segundo Silva Filho (1999), o tegumento reveste toda a superfície corporal (pele e tecidos subcutâneos). Alguns fatores podem influenciar a absorção por via cutânea. Veja quais são: 9 - 38 • lipossolubilidade (facilidade com que o produto químico pode penetrar em uma membrana biológica) do solvente; • grau de dissociação do agente; • volatilidade; • região e estado da pele do indivíduo; • vascularização do indivíduo; • tempo de exposição; • tipo de contato em relação à exposição; • temperatura local. 3. Via digestiva: os órgãos do sistema digestivo humano são responsáveis pela mastigação, ingestão e absorção dos alimentos e a eliminação dos resíduos decorrentes da digestão. 4. Via parenteal: são contaminações que acontecem nas descontinuidades da pele (corte ou feridas), sendo rara a exposição por absorção via parental, pois necessita de grande concentração de agentes químicos (SILVA FILHO, 1999). 10 - 38 FDS – Ficha de Segurança de Produtos Químicos Você sabia que cada produto químico deve ter uma Ficha de Segurança de Produtos Químicos? Essa ficha tem como objetivo fornecer informações referentes à composição do produto químico, sobre os perigos, os meios de proteção, sobre armazenamento, reatividade, transporte, riscos ao meio ambiente, propriedades físico-químicas, emergências, entre outras. É como o remédio e a bula. A FDS é como se fosse a “bula” do produto químico! A Ficha de Segurança de Produtos Químicos – FDS era chamada de FISPQ – Ficha de Identificação de Segurança de Produtos Químicos antes da última atualização da norma brasileira que trata do assunto. Essa alteração deu-se devido à harmonização da nomenclatura desse material de segurança no mundo todo com a implementação do GHS – Sistema Globalmente Harmonizado. A organização da FDS segue um padrão normativo, e a norma que trata desse assunto é a NBR 14725. Essa é uma norma da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, portanto, os fabricantes devem adquiri-la para desenvolver a ficha de cada produto produzido por ele. É com base na FDS que os usuários de produtos químicos buscam informações de saúde e segurança para desenvolver procedimentos, capacitar seus colaboradores, implementar medidas de proteção ao risco e conhecer os perigos dos produtos. Todo fabricante de produto químico deve elaborar a ficha de seus produtos químicos e disponibilizá-las sempre que solicitada. Quem compra e utiliza produtos químicos deve manter um banco de dados de informações de seus produtos químicos através das fichas atualizadas. A ABNT, através da NBR 14725, unificou os critérios de classificação, descrição e rotulagem dos produtos químicos seguindo as recomendações da ONU por meio do GHS – Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals ou, em português, Sistema Globalmente Harmonizado. 11 - 38 As indústrias precisam de informações corretas, específicas e unificadas sobre as substâncias químicas, garantindo a saúde e segurança dos trabalhadores que manuseiam produtos químicos. A identificação dos perigos das substâncias químicas deve acontecer por meio visual, com o uso dos pictogramas e pelas frases de perigo e frases de precaução. Confira a seguir, na figura. Em 2003, a ONU – Organização das Nações Unidas publicou o Manual do GHS – Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals, com o objetivo de apresentar de forma harmonizada a classificação de perigos dos produtos químicos, ampliando a proteção da saúde dos trabalhadores e do meio ambiente. O GHS não é uma obrigação, e sim uma recomendação, porém alguns países, como o Brasil, adotaram essa recomendação, inclusive por aqui essa decisão foi regulamentada. 12 - 38 Muito perigoso para os organismos aquáticos. Atenção Para aprofundar seus conhecimentos a respeito do GHS, acesse o link ou código QR a seguir: Quero Saber + https://ghs-sga.com/?lang=pt-br As empresas que fazem uso de produtos químicos devem manter um arquivo atualizado com as fichas de segurança e capacitar os profissionais que fizerem uso deste material. Os profissionais precisam conhecer sobre a FDS, saber manuseá-la e retirar as informações importantes para repassá-las aos trabalhadores em forma de treinamento, de procedimento operacional, equipamentos de proteção, emergências entre outros. 13 - 38 https://www.istockphoto.com/br/vetor/cuidado-muito-t%C3%B3xico-para-sinal-de-vida-aqu%C3%A1tica-em-fundo-branco-gm1407734248-458837277?searchscope=image%2Cfilm https://ghs-sga.com/?lang=pt-br Criar um banco de dados com as fichas de segurança em meio eletrônico e compartilhar o acesso com a medicina do trabalho, almoxarifado de produtos químicos e demais envolvidos facilita o repasse de informação e consulta aos documentos. Mas, não se esqueça de capacitar todas as pessoas que tiverem acesso ao banco de dados das fichas de segurança! Dica Na ficha de segurança, você encontrará as informações sobre a composição dos produtos químicos. É por meio dela que você saberá quais as substâncias químicas o trabalhador estará exposto e quais você irá monitorar de forma quantitativa. Também, é possível fazer a consulta sobre os limites de tolerância e as propriedades físico-química dos produtos químicos. Atenção A FDS deve estar em conformidade com a NBR 14725 e atualizada pelo fabricante do produto químico. Portanto, se você receber uma ficha desatualizada e fora dos padrões normativos, desconfie das informações e não aceite este documento! 14 - 38 Efeitos da Exposição É sabido que os agentes químicos podem causar danos à saúde. Mas, para que isso não aconteça, é preciso conhecer o potencial toxicológico do agente químico, qual seu limite de exposição, se a pessoa é suscetível ou não, entre outros fatores. As ações dos agentes nocivos à saúde, em virtude de exposições, podem ser locais ou sistêmicas. As ações locais entram diretamente nas vias de penetração de caráter irritativo, e as sistêmicas concentram suas atividades em órgãos diversos. Você sabe quais são os principais efeitos fisiopatológicos dos agentes químicos? Quanto aos aerodispersoides, eles podem ser: • incômodos; • fibrogênicos; • irritantes; • produtores de febre; • sistêmicos; • alergênicos; • cancerígenos; • mutagênicos/teratogênicos. Quanto aos gases e vapores, eles podem ser: • irritantes; • tóxicos; • anestésicos e narcóticos; • alergógenos; • asfixiantes; • carcinogênicos; • pneumoconióticos; • dermacóticos; • efeitos combinados. 15- 38 É fundamental a análise dos efeitos combinados dos produtos, da concentração dos produtos, do tempo de exposição. Segundo a ACGIH (2013), deve-se dar atenção especial às misturas, que podem ocasionar riscos associados com a exposição de duas ou mais substâncias. No manual dos TLVs (Threshold Limit Values), é possível encontrar informações sobre os limites de tolerância para misturas. Você sabia que algumas substâncias químicas quando em contato com a pele podem causar dermatite de contato? De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (2023), a dermatite de contato é uma reação inflamatória na pele decorrente da exposição a um agente capaz de causar irritação ou alergia. A dermatite de contato pode ser irritativa ou alérgica. Irritativa: causada por substâncias ácidas ou alcalinas, como sabonetes, detergentes, solventes ou outras substâncias químicas. As lesões da pele geralmente são restritas ao local do contato. Alérgica: surge após repetidas exposições a um produto ou substância. Depende de ações do sistema de defesa do organismo e, por esse motivo, pode demorar de meses a anos para ocorrer, após o contato inicial. Essa forma de dermatite de contato aparece, em geral, pelo contato com produtos de uso diário e frequente, como perfumes, cremes hidratantes, esmaltes de unha e medicamentos de uso tópico, entre outros. As lesões da pele acometem o local de contato com a pele, podendo se estender a distância. Conhecer quais são os efeitos que os agentes químicos podem causar ao organismo humano é essencial para a determinação da medida de proteção. As informações sobre os possíveis danos à saúde podem ser encontradas nas FDS, no manual dos TLVs (Threshold Limit Values), da ACGIH, e através do número CAS de cada substância química. O número CAS é um número de identificação das substâncias químicas atribuída pelo US Chemical Abstracts Service (CAS). Esse número deve constar na FDS, no item de identificação das substâncias químicas presentes na composição de cada produto químico. 16 - 38 De acordo com CAS (2024), todos os dias os seus cientistas coletam e analisam a literatura científica publicada mundialmente, construindo o acervo de informações científicas da mais alta qualidade e mais atualizado do mundo. Um CAS Registry Number é um identificador único e inequívoco para uma substância específica que permite uma comunicação clara e, com a ajuda dos cientistas do CAS, vincula todos os dados e pesquisas disponíveis sobre a substância. As agências governamentais confiam nos CAS Registry Numbers para a identificação de substâncias em pedidos regulatórios, porque são únicos, fáceis de validar e reconhecidos internacionalmente. Limites de Tolerância (LTs) Você sabe o que são os limites de tolerância ou limites de exposição para as substâncias químicas? Essa é uma questão muito importante em seus estudos sobre risco químico. É preciso compreender como os TLVs são aplicados e quais informações eles nos trazem em comparação aos resultados das avaliações quantitativas. Os limites de exposição se referem às concentrações das substâncias químicas ou dos contaminantes que estão presentes no ar. Eles representam condições às quais, acredita-se, que a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, repetidamente, dia após dia, durante toda uma vida de trabalho, sem sofrer efeitos adversos à saúde, ou seja, é a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará danos à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral (BRASIL, 2022b) Entre as entidades internacionais mais importantes que definem limites de exposição, podem ser citados: os TLVs (Threshold Limit Values), da ACGIH; os REL (Recommended Exposure Limit), da NIOSH; e os PEL (Permissible Exposure Limit), da OSHA. No Brasil, os limites de tolerância são estabelecidos pela NR-15, em seu Anexo 11. A ACGIH é uma associação profissional, e não uma agência do governo dos Estados Unidos, constituída por membros, voltada à promoção da saúde ocupacional e ambiental. Esse grupo de profissionais especialistas em Higiene Ocupacional estuda os contaminantes e os efeitos que estes podem causar ao organismo humano, definem quais são os limites seguros de exposição para a maioria das pessoas expostas e divulgam as informações, com o objetivo de prevenção de doenças. 17 - 38 O NIOSH – National Institute for Occupational Safety and Health, ou Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional, é uma agência do governo dos EUA responsável por realizar pesquisas e divulgar materiais de recomendação para a prevenção de lesões e doenças relacionada ao trabalho. A OSHA é responsável pela Administração de Segurança e Saúde Ocupacional nos EUA, estabelecendo e fiscalizando as normas de saúde e segurança do trabalho. Segundo a NR-9 (BRASIL, 2021, p. 3), “Na ausência de limites de tolerância previstos na NR-15 e seus anexos, devem ser utilizados como referência para a adoção de medidas de prevenção aqueles previstos pela American Conference of Governmental Industrial Higyenists - ACGIH.” A ACGIH (2013, segunda página), em seu livreto dos TLVs, destaca que os “TLVs são desenvolvidos como guias de orientação para o controle dos riscos à saúde. Estas recomendações ou guias têm como objetivo uso na prática da Higiene Ocupacional, devendo, portanto, ser utilizadas e interpretadas somente por pessoas treinadas nesta disciplina.” Todos os anos, a ACGIH publica seus TLVs em um livro que não são adotados como padrões de consenso, pois cada órgão governamental estabelece seus padrões de saúde pública. Para saber mais a respeito das substâncias químicas e os TLVs, acesse o link ou código QR a seguir. Quero Saber + https://www.acgih.org/science/tlv-bei- guidelines/tlv-chemical-substances- introduction/ 18 - 38 https://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_ocupacional https://www.acgih.org/science/tlv-bei-guidelines/tlv-chemical-substances-introduction/ https://www.acgih.org/science/tlv-bei-guidelines/tlv-chemical-substances-introduction/ https://www.acgih.org/science/tlv-bei-guidelines/tlv-chemical-substances-introduction/ https://www.acgih.org/science/tlv-bei-guidelines/tlv-chemical-substances-introduction/ Os Limites de Tolerância (LT) contidos no quadro n.º 1 do Anexo 11 da NR- 15 tem como finalidade servir como base para classificar as atividades ou operações nas quais os trabalhadores ficam expostos a agentes químicos como insalubres, caso os LTs sejam ultrapassados. Os limites de tolerância fixados por essa norma são válidos para jornadas de trabalho de até 48 (quarenta e oito) horas por semana. Você já se perguntou como são utilizados os limites de exposição? Após a etapa de reconhecimento do risco, vem a etapa de avaliação, em que é preciso analisar todas as informações obtidas na APR HO, verificar o tipo de exposição dos trabalhadores ao risco, verificar a possibilidade de formação dos grupos de similaridade de risco, definir uma estratégia de amostragem e quantificar o risco. É aí que entra a aplicação dos limites de exposição. O avaliador irá analisar os resultados das medições dos contaminantes presentes no ar e compará-los aos limites permitidos. Exemplificando, é como se você fizesse um exame de sangue e o resultado do laboratório fosse comparado ao padrão de referência, indicando se você está saudável ou com algum problema de saúde. A ACGIH adota os valores TWA e STEL. “Limite de Exposição – Média Ponderada pelo Tempo (TLV-TWA) é a concentração média ponderada no tempo, para uma jornada normal de 8 horas diárias e 40 horas semanais, à qual, exposta, dia após dia, durante toda a vida de trabalho, sem sofrer efeitos adversos à saúde.” (ACGIH, 2013, p. 4). Para muitas substâncias com o limite média-ponderada (TWA), não existe um TLV-STEL. Você poderá perceber que a NR-15 não adota o valor STEL, e sim a média ponderada e o VALOR TETO. Também, é possível identificar se oagente químico é absorvido pela pele. O valor de Limite de Exposição – Exposição de Curta Duração (TLV- STEL), estabelecido pela ACGIH (2013, p. 5), “É um limite de exposição média ponderada em 15 minutos, que não deve ser ultrapassado em nenhum momento da jornada de trabalho, mesmo que a concentração média ponderada (TWA) em 8 horas esteja dentro dos limites de exposição- média [...]”. 19 - 38 Outro tipo de aerodispersoide que possui um anexo específico para limite de tolerância está associado às poeiras minerais. O Anexo 12 da NR-15 apresenta os limites de tolerância para as poeiras minerais. Esse Anexo aplica-se a todas e quaisquer atividades nas quais os trabalhadores estão expostos ao asbesto, manganês e seus compostos, e sílica livre cristalizada no exercício do trabalho. Confira, na figura a seguir, o trabalhador exposto à poeira mineral. Atenção O asbesto e a sílica cristalina podem causar câncer de pulmão. Por esse motivo, cuidar da exposição do trabalhador exposto a esses riscos é de extrema importância. Complicação de Pneumonicose Pulmão saldável Silicose Pneumonicose Antes de avançarmos para a quantificação dos contaminantes no ar, é preciso entender a etapa de avaliação dos agentes de risco químico. 20 - 38 https://www.istockphoto.com/br/foto/pedras-de-serra-gm89330308-2423088?searchscope=image%2Cfilm Avaliação dos Agentes de Risco Químico A etapa da avaliação pode ser dividida em: • Avaliação qualitativa – obtenção de informações sobre os riscos de forma qualitativa. • Avaliação quantitativa – obtenção de dados quantificáveis, medi- ções dos contaminantes presentes no ar. O principal objetivo de uma avaliação ambiental de agentes químicos é a determinação da existência de riscos através da análise da concentração do agente em função do ciclo de trabalho, em que serão avaliados os vários aspectos que envolvem a caracterização da exposição. Para tanto, serão necessários conhecimentos sobre os agentes presentes, suas interações, as medidas de controle existentes, os ciclos de trabalho, condições de manuseio e operação e outras variáveis que podem influir na avaliação (temperatura, velocidade do ar etc.) (PEIXOTO; FERREIRA, 2013). Através da avaliação, é possível verificar se as medidas de controle existentes estão sendo efetivas e às relações entre a exposição e os possíveis efeitos à saúde do trabalhador. Quando se trata da avaliação quantitativa, é preciso um planejamento do que se irá realizar, monitorar e quantificar, ter definido qual é o objetivo da avaliação quantitativa em questão. Esse planejamento faz parte da definição da estratégia de amostragem. As questões clássicas no planejamento de uma estratégia de amostragem são: 21 - 38 • O que amostrar? • Para que amostrar? • Quem amostrar? • Onde amostrar? • Como amostrar? • Quando realizar a amostragem? • Qual o tempo de amostragem? • Quantas amostras são necessárias? • Preciso repetir a amostragem? Como você já pôde perceber, realizar a amostragem de agentes químicos é complexa, precisa ser muito bem realizada e ser confiável. Deve ser representativa da real exposição do trabalhador, bem dimensionada, baseando-se na formação de Grupos de Exposição Similar (GES) ou GHE (Grupo Homogêneo de Exposição) ao risco, fazendo uso de equipamentos de medição com menor índice de erros, equipamentos certificados, calibrados, aferidos, posicionados corretamente, fazendo a verificação dos turnos de trabalho, entre outros fatores fundamentais para a exatidão dos resultados obtidos na avaliação. Você sabe o que é um Grupo de Exposição Similar (GES) ou um GHE? De acordo com a NHO-08 (FUNDACENTRO, 2009), é um grupo de trabalhadores que experimentam situações de exposição semelhantes de forma que o resultado fornecido pela avaliação da exposição de qualquer trabalhador desse grupo seja representativo da exposição dos demais trabalhadores. Muitos contaminantes podem estar presentes no ambiente e em concentrações diferentes, quer seja na forma de gases e vapores, quer seja na forma de partículas. Vários processos, operações e equipamentos utilizados na indústria podem gerar a emissão de aerossóis, poeiras, fumos, gases e vapores no local de trabalho, expondo o trabalhador a concentrações variáveis dos poluentes. Confira, na figura a seguir, um trabalhador realizando jateamento de peças com areia. 22 - 38 De acordo com Peixoto e Ferreira (2013), o objetivo básico de uma amostragem de agente químico é obter uma amostra do contaminante presente no ambiente de trabalho para quantificar a exposição, e, para um dimensionamento correto da amostragem de agentes químicos, alguns parâmetros deverão ser considerados; entre os mais importantes, é possível citar: o tempo de amostragem, quantidades de amostras, os tipos de amostragem, o amostrador a ser utilizado e o método de coleta. É possível amostrar de forma instantânea e de forma contínua. Conheça a seguir os dois tipos: 1. Amostragens instantâneas – são amostras realizadas em um curto espaço de tempo. Após o ar entrar em contato com o reagente, já se pode fazer a leitura e os resultados correspondem à concentração existente nesse intervalo. A vantagem deste método de amostragem é o registro das concentrações mais altas e mais baixas durante a jornada de trabalho e cálculo da concentração média, por meio da média das amostras instantâneas. É útil quando se avalia concentração de substâncias irritantes e outras que tenham valor-teto e máximo. Figura 3 - Tubos colorimétricos utilizados para gases e vapores Fonte: Adaptado de Dräger (2024) 23 - 38 Você sabia que o bafômetro é um medidor de agente químico de leitura instantânea? Este equipamento testa os níveis de álcool no organismo. 2. Amostragem contínua – é realizada em período variando de 30 minutos até uma jornada de trabalho. Figura 4 - Amostradores ativos: cassetes para avaliação de particulados em amostragem contínua Fonte: Adaptado de Peixoto e Ferreira (2013) Esse tipo de amostragem tem como objetivo fornecer como resultado a média ponderada das condições existentes no período de avaliação do ambiente, porém pode não ser vantajoso, pois não há registro das variações da concentração durante o período, o que impossibilita a determinação das máximas concentrações, não podendo ser verificado se o valor máximo foi ultrapassado. 24 - 38 A quantidade de amostras vai depender muito da variabilidade da exposição e do objetivo da avaliação. Pode ser necessário um grande número de amostragens em horários e dias diferentes para maior confiabilidade da avaliação. É possível classificar os tipos de amostragem quanto à posição do amostrador em: 1. Pessoal – o amostrador permanece fixado no corpo trabalhador próximo à zona respiratória, durante todo o período de trabalho. Esse tipo de avaliação fornece informações da real exposição do trabalhador ao agente químico. Figura 5 - Amostragem pessoal Fonte: Adaptado de Peixoto e Ferreira (2013) 2. Ambiental, de área ou estática – o amostrador é fixado em um determinado local próximo à fonte de risco tem como objetivo fornecer informações sobre a emissividade dessa fonte, quando se quer conhecer a concentração de um contaminante no ambiente, para fins de avaliação de emissão de poluentes. A bomba de amostragem é um equipamento de medição utilizado para coleta de aerodispersoides. Esses equipamentos são importantes por serem um meio adequado para a coleta de diferentes tipos de produtos contaminantes, podendo ser classificados em: • coletores de agentes químicos líquidos (névoas, neblinas); e 25 - 38 • coletores de agentes químicos sólidos (poeiras, fumaças e fumos metá- licos). São encontradas no mercado bombas de amostragem de baixa vazão (que englobam a faixa de 5 ml/min até 500 ml/min) e de alta vazão (acima de 500 ml/min até 6 l/min). Alguns modelos de alta vazão possuem recursos ou acessórios para trabalhar em baixa vazão. No entanto, as específicas parabaixa vazão não são capazes de fornecer alta vazão. Figura 6 - Bomba de amostragem de agentes químicos Fonte: Adaptado de Formis (2024) Nas avaliações para a caracterização da exposição ocupacional a agentes químicos, a coleta ou medição deve ser realizada dentro da chamada zona respiratória (região próxima das narinas sob a influência da respiração), e o tempo de amostragem deve ser maior do que pelo menos um ciclo de trabalho, a fim de evitar que alguma parte da operação não seja avaliada. Assim como todos os instrumentos de medição, as bombas de amostragem individual devem ser calibradas seguindo o procedimento técnico de calibração. Esses equipamentos devem produzir uma vazão de ar constante, permitindo que o ar ambiente passe por um sistema denominado dispositivo de coleta, onde os contaminantes ficam retidos. Há modernos tipos de calibradores de bombas gravimétricas que permitem a calibração quase que instantânea. A bomba de amostragem é o equipamento que suga o ar contaminado, e o amostrador é onde o contaminante fica depositado. É um conjunto que compreende bomba, mais amostrador. A bomba força o ar a passar pelo 26 - 38 https://www.formis.com.br/seguranca-do-trabalho/bombas-de-amostragem/bomba-de-amostragem-de-poeira-bdx-ii-certificacao-acreditada-ao-inmetrorbc interior do tubo, ficando o contaminante retido pelo processo denominado adsorção que é o processo físico-químico em que as moléculas, átomos ou íons ficam retidos na superfície de uma substância, em geral, substâncias sólidas. (LIMA, 2019) Para cada tipo de contaminante há um método de coleta, um equipamento e um amostrado adequado. O material contendo o contaminante será analisado, posteriormente, em laboratório, mediante análise química específica. A amostragem de agentes químicos também pode ser realizada por meio do uso de amostradores passivos, os quais contêm em seu interior uma determinada quantidade de material adsorvente (geralmente carvão ativo). Os amostradores são fixados na lapela do trabalhador, na zona respiratória, e o processo de adsorção do contaminante se dá por difusão. Difusão é o fenômeno pelo qual um soluto no fluido passa de uma região de concentração mais alta para uma região de concentração mais baixa. Após a avaliação ambiental, esses amostradores devem ser encaminhados para análise em laboratório mantendo os cuidados com o envio da amostra. Figura 7 - Amostrador passivo Fonte: Adaptado de Senai (2017) A Norma de Higiene Ocupacional 08 determina o procedimento técnico para coleta de material particulado sólido suspenso no ar de ambientes de trabalho, portanto, é preciso conhecer e estudar essa norma antes de quantificar qualquer agente de risco químico. 27 - 38 Tão importante quanto a NHO-08 são os métodos de amostragem ambiental do NIOSH. Atualmente, está disponível para consulta o manual de estratégia de amostragem do NIOSH em português com acesso gratuito na internet, além da metodologia utilizada para quantificar os agentes químicos e analisar os resultados das avaliações quantitativas em laboratório. É preciso que o profissional tenha conhecimento na área de higiene ocupacional, química e/ou engenharia para quantificar os agentes químicos. Realizar e analisar as amostragens é fundamental para garantir a integridade física do trabalhador, por meio das quais é possível conhecer a real exposição dele ao risco e garantir a salubridade da atividade. Registar os resultados das amostragens é um requisito legal, devendo constar no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), no e-Social, no PPR (Programa de Proteção Respiratória), entre outros programas de segurança do trabalho. É essencial para o gerenciamento dos riscos e estudos de dados estatísticos sobre os riscos ambientais. Medidas de Controle Preventivas e Corretivas A avaliação quantitativa de um ambiente de trabalho é o ponto de partida para o planejamento das medidas de controle a serem adotadas para a eliminação ou atenuação de riscos presentes e para a avaliação das medidas de controle adotadas. Esse tipo de avaliação requer muito planejamento e investimento, tendo em vista que para cada agente existe um método de coleta e/ou análise, utilizando equipamentos analíticos bastante diversificados. Em algumas situações, em que a presença dos agentes em grandes concentrações é visível, pode-se adotar apenas a avaliação qualitativa para dar início a implantação de medidas de controle de risco. A prioridade deve ser dada às medidas de proteção coletiva, podendo ser adotadas como medida preventiva: 1. eliminação do risco; 2. neutralização do risco; e 3. sinalização do risco. 28 - 38 O empregador deve sempre priorizar atitudes prevencionistas em relação aos riscos ambientais. Deve-se buscar sempre pela eliminação ou neutralização do risco, porém nem sempre a eliminação é possível, sendo essenciais as medidas de controle do risco. A eliminação do risco pode ser possível e ocorrer em vários níveis da produção através de: • Substituição de uma matéria-prima nociva por outra que ofereça menos riscos à saúde do trabalhador; • Modificação dos processos produtivos que envolvem riscos; • Melhoria das condições físicas das instalações do local de trabalho. Na impossibilidade da eliminação de um risco, é preciso buscar alternativas para neutralização dos efeitos do agente de risco através de medidas administrativas e de engenharia. Entre as medidas preventivas que podem ser adotadas pela empresa para controlar a exposição aos agentes químicos, podem ser citadas as seguintes: • Fazer uso da ventilação natural e/ou da ventilação local exaustora, com o objetivo de retirar o contaminante presente no ambiente de trabalho; • Armazenar adequadamente os produtos químicos, evitando recipientes abertos, sem rotulagem e sem identificação de perigo; • Substituir o produto químico utilizado por outro menos tóxico; • Reduzir o tempo de exposição aos produtos químicos; • Avaliar as possibilidades de alteração no processo de trabalho, retirando o risco químico do processo ou substituindo-o; • Isolar as operações que envolvem aerodispersoides dos demais setores da fábrica; • Manter os produtos tóxicos em recipientes hermeticamente fechados, evitando a dispersão no ambiente mesmo durante seu uso; 29 - 38 • Conscientizar os trabalhadores dos riscos presentes no ambiente de trabalho através de treinamentos, diálogo de segurança e procedimento operacional; • Sinalizar os riscos no posto de trabalho; • Sinalizar os EPIs necessários para a atividade; • Disponibilizar informações de segurança sobre os riscos dos produtos químicos através de painéis de segurança; • Controle da saúde ocupacional do trabalhador. Confira, na figura a seguir, um painel com instruções de segurança. Sempre que esgotadas todas as possibilidades de implantação das medidas de controle coletivas, aplicam-se as medidas de controle individual. Cabe ao profissional de segurança do trabalho definir as medidas protetivas adequadas, fazer a implantação delas, realizar a capacitação dos trabalhadores sobre as medidas implantadas, definir a forma de manutenção, de substituição do EPI (Equipamento de Proteção Individual) implantado e descarte do mesmo. Entre as medidas de proteção individual, podem ser citadas: • Proteção respiratória adequada ao risco; 30 - 38 https://www.istockphoto.com/br/vetor/instru%C3%A7%C3%B5es-de-seguran%C3%A7a-assinam-chap%C3%A9us-duros-%C3%B3culos-de-seguran%C3%A7a-sapatos-de-dedo-gm1283707755-381061865 • Proteção para os olhos adequada ao risco; • Proteção para o corpo – vestimentas adequadas ao tipo de contaminan- te; • Proteção para as mãos adequadas ao tipo de contaminante; • Proteção para os pés de acordo com o tipo de contaminante. Para garantir a salubridade das atividades e manter a saúde dos trabalhadores que estão expostos aos agentes químicos, cumprir as medidas de controle é essencial. Não basta apenas reconhecer os riscos presentesnas atividades; é preciso realizar a avaliação correta e controlar a exposição do trabalhador a estes riscos. Os profissionais da área de saúde, de segurança do trabalho, juntamente com o empregador, devem buscar pela manutenção da integridade física do trabalhador durante sua vida laboral. A gestão dos riscos é primordial, portanto, manter o PGR, o PPR e o controle da saúde ocupacional do trabalhador garante a salubridade das atividades nos ambientes de trabalho. As atividades que ultrapassarem os limites permitidos, mesmo adotando todas as medidas preventivas e corretivas, devem ser inspecionadas, bem como deve ser verificada a insalubridade das operações e dos locais de trabalho, avaliando a necessidade do pagamento do adicional de insalubridade de acordo com o estabelecido pela NR-15. Porém, não se espera por isso! 31 - 38 Hora de Praticar Você é o Técnico de Segurança de sua empresa e está atuando em parceria com a equipe de Higiene Ocupacional para implantar medidas de proteção aos riscos químicos que foram reconhecidos e avaliados nos locais de trabalho, mapeados durante a APR HO. Após realizadas todas as etapas de antecipação, de reconhecimento e de avaliação dos riscos ambientais, faz-se a escolha da melhor medida protetiva para evitar danos à saúde dos trabalhadores. Entre as medidas preventivas podem ser adotadas para exposição aos agentes químicos, quais você adotaria em sua empresa? Assinale as alternativas que correspondem às medidas preventivas que poderiam ser adotadas no controle dos agentes químicos. ( ) Fazer uso da ventilação natural e/ou da ventilação local exaustora para retirada de contaminante. ( ) Substituir o produto químico utilizado por outro tóxico sem analisar a Ficha de Segurança. ( ) Armazenar adequadamente os produtos químicos. ( ) Reduzir o tempo de exposição do trabalhador ao risco químico. ( ) Sinalização de risco no posto de trabalho. ( ) Gerenciar o plano de ação contido no PPRA. ( ) Isolar as operações que envolvem aerodispersoides dos demais setores da fábrica ou indústria. Obs.: Gabarito disponível no final do book – seção Atenção. Acesse, na biblioteca, o arquivo Registro de Prática e anote suas reflexões e experiências relacionadas a esta atividade. 32 - 38 Atenção Gabarito Hora de Praticar ( x ) Fazer uso da ventilação natural e/ou da ventilação local exaustora para retirada de contaminante. ( x ) Substituir o produto químico utilizado por outro tóxico sem analisar a Ficha de Segurança. ( x ) Armazenar adequadamente os produtos químicos. (x ) Reduzir o tempo de exposição do trabalhador ao risco químico. ( x ) Sinalização de risco no posto de trabalho. ( ) Gerenciar o plano de ação contido no PPRA. ( x ) Isolar as operações que envolvem aerodispersoides dos demais setores da fábrica ou indústria. O estudo realizado aqui trouxe muitos conhecimentos sobre os riscos químicos. Foi possível aprender o que são os agentes de risco químico e como o trabalhador pode se expor a eles, estudando sobre a avaliação de risco, e sobre as medidas de controle e prevenção. Você aprendeu sobre a importância do planejamento da avaliação quantitativa, viu quais são os tipos de equipamentos e amostradores necessários para quantificar os contaminantes químicos, conferiu que existem maneiras de eliminar o risco presente no local de trabalho e que há possibilidade de neutralizar a exposição e controlá-la através da implantação de controle individual. Aprendeu que a gestão do risco e o controle médico da saúde do trabalhador são fundamentais para garantir atividades salubres e trabalhadores saudáveis. 33 - 38 O produto químico identifico e o risco eu indico. Na ficha de segurança, você pode me encontrar porque ele traz um número. Quem sou eu? A SAS B CAS C BAS Lembre-se: guarde sua sugestão de resposta, pois você irá responder essa charada ao final destes estudos no Desafio. E, caso acerte todas as charadas, você ganhará um bônus! Desafio - Charada do Book 34 - 38 Referências ACGIH – American Conference Governmental Industrial Hygienists. TLVs E BEIs – Limites de Exposição Ocupacional para Substâncias Químicas e Agentes Físicos & Índices Biológicos de Exposição (BEIs). Tradução ABHO. São Paulo: ABHO, 2013. BRASIL. Instituto Nacional de Câncer – INCA. Amianto. Brasília, 2022d. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e- prevencao-do-cancer/exposicao-no-trabalho-e-no-ambiente/amianto. Acesso em: 16 abr. 2024. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília: Portaria MTE n.º 4219, 20 de dezembro de 2022a. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e- emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e- orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/ normas-regulamentadoras/nr-01-atualizada-2022-1.pdf. Acesso em: 06 abr. 2024. BRASIL. 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