Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Artigo 171, CP 
“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou 
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
§ 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a 
pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. 
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem: 
Disposição de coisa alheia como própria 
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como 
própria; 
Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria 
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada 
de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em 
prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; 
Defraudação de penhor 
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a 
garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; 
Fraude na entrega de coisa 
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; 
Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro 
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a 
saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver 
indenização ou valor de seguro; 
Fraude no pagamento por meio de cheque 
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra 
o pagamento. 
§ 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade 
de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou 
beneficência. 
Estelionato contra idoso 
§ 4 Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso.” (acrescido pela Lei 
13.228, de 28.12.2015) 
§ 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: I - a 
Administração Pública, direta ou indireta; II - criança ou adolescente; III - pessoa com 
deficiência mental; ou IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz.” (acrescido 
pela Lei 13.964, de 24.12.2019)”. 
 
Nomen juris: Estelionato 
 
Elementos do tipo 
O capítulo VI, do título II, da parte especial do CP dispõe acerca dos crimes em que o 
agente utiliza do engodo, da trapaça, da astúcia para cometer delitos, diferentemente 
do que ocorre nos crimes precedentes, em que a violência, grave ameaça e 
clandestinidade imperavam. 
- obter: é o elemento objetivo - significa conseguir. O verbo indica a necessidade de se 
obter o fim colimado, ou seja, a vantagem ilícita; por isto é um crime material; 
- para si ou para outrem: é o elemento subjetivo do tipo, ou seja, o fim colimado pelo 
agente (conseguir a coisa para si ou para outrem); 
- prejuízo alheio: é o elemento normativo do tipo - o prejuízo não pode ser próprio, mas 
de outrem; 
- vantagem: é o objeto material, ou seja, qualquer utilidade em favor do agente ou de 
terceiro; 
- ilícita: é o segundo elemento subjetivo do tipo, ou seja, é necessário que o agente tenha 
consciência da ilicitude da vantagem que obtém da vítima para que haja estelionato. 
Sem esta consciência, o fato é atípico - Nelson Hungria cita como exemplo a situação 
do agente que supõe ser credor de determinada pessoa. Em razão disto, emprega fraude 
para obter o dinheiro que julgar ser seu de direito. Neste caso, não haveria estelionato, 
mas somente art. 345, pois o agente não agiu com dolo de obter vantagem ilícita, mas 
lícita (o erro de fato afasta o dolo e, como o estelionato não admite a culta, torna o fato 
atípico); 
- induzindo: significa levando, ou seja, a fraude é que levará a vítima em erro; 
- mantendo: significa que a vítima foi levada a erro não provocado, mas quando o agente 
percebe tal fato, emprega esforço para mantê-la neste estado; 
- erro: é a falsa percepção da realidade; 
- mediante artifício: emprego de aparato material para enganar a vítima Ex/ disfarce, 
cheque falsificado, conto do bilhete premiado etc; 
- mediante ardil: é a simples conversa enganosa; 
- mediante qualquer meio fraudulento: o legislador se utiliza da interpretação analógica, 
ou seja, após o emprego de uma fórmula exemplificativa, emprega uma fórmula 
genérica. Nesta fórmula pode-se incluir, por ex., o silêncio. 
 
Objetividade jurídica tutelada 
A inviolabilidade patrimonial. 
 
Sujeito ativo 
Qualquer pessoa. Trata-se de crime comum que pode ser praticado por qualquer 
pessoa. É comum que este crime seja cometido em concurso de agentes. Neste caso, 
todos serão responsabilizados por estelionato. 
 
Sujeito passivo 
Quem sofre o prejuízo patrimonial. Atenção: a pessoa enganada pode ser diversa 
daquela que sobre a lesão patrimonial. Neste caso, haverá dois sujeitos passivos: a 
pessoa enganada e a que sofreu a lesão patrimonial, pois o tipo diz: induzir ou manter 
em erro alguém, em prejuízo alheio. 
 
O meio fraudulento deve ser idôneo a enganar a vítima? 
Sim, mas o meio para se aferir é que pode gerar discussões. São três as fórmulas: deve 
ser levada em consideração a prudência ordinária; o discernimento do homo medius; 
ou o discernimento da vítima em cada caso em concreto. A jurisprudência posicionou-
se no sentido de que deva ser analisado o discernimento da vítima no caso concreto, ou 
seja, tendo em vista as condições da vítima. Entretanto, deve-se observar que haverá 
crime impossível, por absoluta ineficácia do meio, quando o engodo for grosseiro a 
qualquer pessoa. 
 
Tipo subjetivo 
O tipo subjetivo é o dolo, ou seja, o querer ou assumir o risco de produzir um resultado 
naturalístico. O dolo deve ser precedente, antecedente, ou seja, o agente deve agir com 
o dolo de empregar fraude. Finalmente, como já foi exposto, o dolo deve ser de obter 
vantagem ilícita. 
 
Consumação 
Com a obtenção da vantagem ilícita patrimonial. Trata-se de crime material em que o 
alcance do resultado é indispensável para a consumação do delito. 
 
Tentativa 
A tentativa deve ser analisada em dois momentos: 
- quando o agente emprega a fraude, mas não engana a vítima. Neste caso, deverá ser 
analisada se a fraude tinha ou não potencial para enganar. Se tinha (sendo analisada em 
razão das circunstâncias da vítima no caso concreto), haverá tentativa. Se não tinha, o 
crime será impossível, aplicando-se a regra do artigo 17, CP. 
- o agente emprega a fraude, engana a vítima, mas não obtém a vantagem ilícita por 
circunstâncias alheias à sua vontade. 
 
Estelionato privilegiado (artigo 171, § 1º, CP) 
Sendo o réu primário e de pequeno valor o prejuízo, a pena poderá ser reduzida de 1/3 a 
2/3 ou substituída pela de multa. A lei não se refere ao valor da coisa, mas ao prejuízo 
sofrido, que deverá ser de pequena monta, até um salário mínimo. O prejuízo deverá ser 
aferido no momento da consumação. Havendo reparação do dano na fase de processo, 
tal fato acarretará na incidência da circunstância atenuante do artigo 65, III, b, CP. Caso 
a reparação do dano ocorra antes do oferecimento da denúncia, tal fato redundará na 
incidência do art. 16, CP. A figura do privilégio estende-se ao parágrafo segundo, muito 
embora a posição dos artigos não leve a esta conclusão, pois este parágrafo indica que 
devem ser aplicadas as mesmas penas. 
 
Formas equiparadas (§ 2º) 
I - dá-se nos casos daquele que vende, permuta ou dá em pagamento coisa alheia como 
própria. Ex: nos casos de alienação fiduciária em que o detentor da posse direta do bem 
(fiduciário) aliena-o, sem levar em consideração que pertence ao fiduciante. 
II - alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria. Neste caso, tal qual no anterior, 
é vedada a alienação, permuta ou dação em pagamento, mas, diferente daquele, só 
recai sobre bens próprios inalienáveis, gravados de ônus, litigioso ou que prometeu 
vender a terceiro. Coisa inalienável é a aquela que não pode ser vendida em razão de 
disposição legal, testamentária ou por convenção. Coisas gravadas com ônus são 
aquelas sobre as quais pesam direitos reais em razãode lei ou de contrato (enfiteuse, 
anticrese, servidão, usufruto, hipoteca etc). Coisa litigiosa é aquela que é objeto de 
discussão em juízo (a coisa litigiosa pode ser alienada, desde que o comprador seja 
advertido de tal fato, caso contrário haverá o crime em tela). 
III - defraudação de penhor. Constitui na alienação de crédito pignoratício sobre o qual 
exerce a posse direta sem o consentimento do credor. 
IV - Fraude na entrega de coisa. É a alteração ou troca fraudulenta sobre a essência (ex/ 
entrega de objeto novo por antiguidade), qualidade (ex/ entrega de peça de ouro 18 por 
de 24 quilates) e quantidade da coisa (ex/ entrega de 1kg quando deveria ser entregue 
1,25 Kg). 
V - fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro. Ocorre este crime 
quando o agente destrói ou oculta coisa própria ou lesa o próprio corpo para receber a 
indenização de seguro. É indispensável o contrato de seguro. Se a conduta causar perigo 
comum, o agente responderá pelo artigo 250 ou 251, pois nestes delitos consta como 
qualificadora a finalidade da vantagem pecuniária Ex/ se o indivíduo põe fogo na própria 
casa para receber o dinheiro do seguro, responderá somente pelo incêndio qualificado. 
VI - fraude no pagamento por meio de cheque. Comete estelionato quem emite cheque, 
sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. O 
delito pode ser pratica por intermédio de duas condutas: 
- emitir cheque sem suficiente provisão de fundos (nesta, o agente coloca em circulação 
a cártula, para pronto pagamento, sem que tenha saldo bancário); 
- frustrar o pagamento de cheque (nesta, o agente tinha saldo quando da emissão da 
cártula, porém, antes do pagamento, retira o dinheiro da conta corrente, ou dá 
contraordem de pagamento ou, ainda, dá outro cheque que sabe será cobrado antes do 
pagamento do sujeito passivo). 
 
Elementos do subtipo 
- emitir: significa colocar o cheque em circulação (não basta o mero preenchimento, 
sendo necessária a efetiva colocação em circulação); 
- frustrar: significa enganar, defraudar; 
Deve-se ressaltar que o cheque é um título extrajudicial para pagamento à vista. Assim, 
quando for emitido para pagamento futuro, ou seja, pós-datado, não haverá estelionato, 
pois a cártula foi dada como garantia de dívida e não como ordem de pagamento à vista, 
surtindo, então, os mesmos efeitos da nota promissória, que é uma garantia para 
pagamento futuro. Não há delito quando o cheque é emitido para a substituição de nota 
promissória vencida e não paga. No cheque visado (o sacado atesta a existência de 
fundos) e no marcado (o sacado designa data para o pagamento do título) o emitente 
não poderá frustar o pagamento, por este motivo não poderá ser responsabilizado. No 
cheque especial, quando o agente supera o valor do crédito contratado, conforme 
posição do STJ, responderá por esta modalidade de estelionato. 
 
Tipo subjetivo 
Dolo. Assim, é necessário o agente queira emitir cheque sem fundos ou frustrar o seu 
pagamento. Além disto, é necessária a incidência do elemento subjetivo do injusto, ou 
seja, deve haver má-fé por parte do agente - a intenção de cometer fraude - Isto se extrai 
do entendimento da Súmula 246 do STF - “Comprovado não ter havido fraude, não se 
configura o crime de emissão de cheque sem fundos”. 
 
Consumação: 
Três posições: 
- Basileu Garcia: entende que é um crime formal e por este motivo a consumação se 
daria no momento da emissão; 
- Nelson Hungria: entende que a consumação ocorre quando o título é colocado em 
circulação; 
- Magalhães Noronha: entende que é um crime material e, por este motivo, a 
consumação só ocorreria no momento em que a cártula é apresentada ao sacado e este 
se recusar ao pagamento pela inexistência de fundos ou em razão de contraordem. 
O STF, por meio da Súmula 521, adotou a posição de Noronha, sendo o foro competente 
o do local onde se deu a recusa do pagamento – ex: cheque de S.P emitido em Salvador. 
O foro competente será do banco sacado, ou seja, São Paulo. 
 
Tentativa 
Admissível, mas rara. Ex: emissão: quando o banco sacado honra o pagamento do 
cheque ou quando terceiro deposita o valor necessário; Ex: frustrar: quando a 
contraordem for por escrito e esta for extraviada. 
 
Pagamento antes e após o oferecimento da denúncia 
Conforme posicionamento do STF, exposto na Súmula 534, o pagamento de cheque 
sem fundos, antes do oferecimento da denúncia, descaracteriza o crime, não havendo 
justa causa para o oferecimento da ação (extingue a punibilidade). Deve-se observar 
que, com a reforma da parte geral do CP em 1984, foi criada a figura do arrependimento 
posterior, que deveria tornar sem eficácia a Súmula, porém o Pretório Excelso 
reexaminando a questão, manteve o entendimento anterior, constituindo a Súmula 
exceção ao artigo 16, CP. Caso o pagamento ocorra após o oferecimento da denúncia, 
isto resultará somente na incidência da circunstância atenuante prevista no artigo 65, 
III, b, CP. Obs: deve-se relembrar que a substituição de título vencido por cheque sem 
fundos não caracteriza o crime. Da mesma forma, se a dívida precede a cheque, com o 
advento deste, não haverá crime – Ex: ‘A’ deve a ‘B’ certa quantia. Em razão disto, emite 
um cheque que, ao ser descontado, retorna por insuficiência de fundos - Não haverá 
crime, porque o prejuízo preexiste, além do que a situação da vítima melhorou, pois 
antes não tinha qualquer garantia e agora passou a ter um título. 
 
Responsabilização pelo “caput” no uso de cheque sem fundos 
- pagamento de dívida com cheque sem fundos emitido por terceiro, sabendo o agente 
dessa circunstância; 
- emissão sobre conta que o agente sabe estar encerrada; 
- emissão com nome falso; 
- emissão sobre conta aberta com dados falsos; 
- o endossante de cheque sem fundos não é responsabilizado pelo § 2º, VI, mas pelo 
“caput” (esta é a posição de Damásio e Fragoso - em sentido contrário Nelson Hungria 
e Noronha); 
- comunicação falsa de furto de talonário para posterior emissão dos mesmos. A 
responsabilização se dará nos moldes do caput. 
 
Artigo 171, § 3º, CP 
Aplica-se a causa de aumento de pena (de 1/3) quando o sujeito passivo for a 
Administração Direta (União, Estados, DF e Municípios) e Indireta (Autarquias, 
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e Fundações Públicas), Institutos 
de Economia Popular, Assistência Social ou Beneficência. 
 
Pena 
Figura simples (caput) e figuras equiparadas (§ 2º): reclusão de 1 a 5 anos , e multa. 
Circunstância privilegiadora (§ 1º): substituição da pena de reclusão pela de detenção, 
diminuí-la de 1 a 2/3, ou aplicar somente a pena de multa. 
Causa de aumento da pena (§ 3º e 4º): aumento de 1/3; ou aumenta em dobro. 
 
Ação Penal 
A Lei 13.964, de 24.12.2019 (com vigência a partir de 23.01.2020) trouxe alteração 
quanto a ação penal fixando a regra da ação penal pública condicionada a 
representação. Excepcionou esta regra, determinando que a ação será pública 
incondicionada quando o ofendido tratar-se de: I. Administração Pública, direta ou 
indireta; II - criança ou adolescente; III - pessoa com deficiência mental; ou IV - maior de 
70 (setenta) anos de idade ou incapaz.”. 
 
Art. 172, CP 
“Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, 
em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado. 
Pena - detenção, de dois a quatro anos, e multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que falsificar ou adulterar a 
escrituração do Livro de Registro de Duplicatas.” 
 
Nomen juris: Duplicata Simulada 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: aquele que emitiu a fatura, duplicata ou nota de venda. Trata-se de crime 
próprio, o praticam o comerciante ou o prestador de serviços que emite o título. 
Sujeito passivo: o recebedor, aquele que desconta a duplicata, bem como o terceiro de 
boa fé contra o qual é sacada a duplicata, emitida a fatura ou na nota de venda. 
 
Elemento Objetivo 
O verbo,a conduta prevista é “emitir”, que significa por em circulação a fatura, duplicata 
ou nota de venda, que não corresponda a realidade da mercadoria (quantidade, 
qualidade) ou quanto ao serviço prestado. O legislador exige uma relação mercantil, ou 
seja, uma mercadoria vendida. No caso de fatura, duplicata ou nota venda sem qualquer 
venda realizada (venda ou serviço inexistente), pode a conduta se amoldar ao 
estelionato (art. 171 CP). Vejamos estes três objetos materiais do crime: 
1. fatura: é a nota descritiva das mercadorias, objeto do contrato, ao serem entregues 
ou expedidas, com indicação da quantidade, qualidade, preço e outras informações 
feita pelo vendedor. é uma prova do contrato de compra e venda. 
2. duplicata: é o título de crédito que emerge de uma compra e venda ou prestação de 
serviços, sacado com correspondência à fatura (por isso o nome duplicata – seria a 
duplicação da fatura), visando uma compra e venda à prazo. 
3. Nota de venda: documento emitido por comerciantes para atender ao fisco, 
especificando a quantidade, qualidade, procedência e preço das mercadorias que 
foram objeto de transação mercantil. 
Neste crime do art. 172 CP, o sujeito ativo altera nestes documentos: 
1. quantidade: por exemplo, vende 100 objetos e inscreve vendido 1.000; 
2. qualidade: vende cobre e faz constar ouro; 
3. o serviço prestado: altera significativamente o que fez. 
 
Elemento Subjetivo 
Trata-se de crime doloso, consistente na vontade livre e consciente de emitir a fatura, 
duplicata ou nota de venda que não corresponda à quantidade ou qualidade da 
mercadoria vendida, ou ao serviço prestado. Para a doutrina, trata-se de dolo genérico, 
ou seja, não há um fim específico do agente. Comprovada a boa fé do agente, tal excluirá 
o crime, pois este tipo não é punido na modalidade culposa. 
 
Figuras equiparadas (parágrafo único) 
Segundo este parágrafo, responderá pelas mesmas penas aquele que falsificar ou 
adulterar a escrituração do Livro de Registro de Duplicatas. Agora as condutas são: 1. 
falsificar: que significa alterar ou modificar fraudulentamente (é a falsidade ideológica – 
art. 299 CP - neste contexto); 2. adulterar: mudar ou viciar o conteúdo, modifica o dado 
correto substituindo-o pelo incorreto. Livro de Registro de Duplicatas trata-se de livro 
contábil obrigatório do comerciante, onde deve escriturar em ordem cronológica as 
duplicatas emitidas, contendo todos os dados que as possam identificar com perfeição. 
 
Consumação e Tentativa 
O tipo penal trouxe a simples conduta de “emitir”, ou seja, basta a mera emissão da 
fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à realidade da mercancia 
realizada. Retira-se disto que independe de prejuízo (resultado naturalístico), bastando 
a mera circulação do documento, logo, trata-se de crime formal, bastando a conduta de 
“emitir”. Com isto, torna-se impossível falar em tentativa. 
 
Ação Penal 
A ação penal é pública incondicionada. 
 
Pena 
Detenção de 2 a 4 anos, e multa. 
 
Art. 173, CP 
“Abusar, em proveito próprio ou alheio, de necessidade, paixão ou inexperiência de 
menor, ou da alienação ou debilidade mental de outrem, induzindo qualquer deles à 
prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico, em prejuízo próprio ou de terceiro: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.” 
 
Nome juris: Abuso de incapazes 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime comum, qualquer pessoa o pratica. 
Sujeito passivo: há sujeito passivo próprio, que nesta hipótese confunde-se com o 
objeto material do crime, que é a pessoa ludibriada. Ademais, por expressa indicação 
do tipo, poderá ser vítima terceira pessoa que teve prejuízo patrimonial em razão do ato 
praticado pelo menor, alienado ou débil mental. 
1. menor: aquele que não completou 18 anos; 
2. alienado mental: é o louco, inimputável, totalmente incapaz (vide art. 26, caput CP) 
3. débil mental: deficiente psíquico, relativamente incapaz (vide art. 26, § único CP). 
 
Elemento Objetivo 
A conduta, o núcleo do tipo é “abusar” que significa exorbitar, exagerar. O agente abusa 
do ofendido, exigindo a lei um contexto de indução, ou seja, não basta a aquiescência 
(concordância) do ofendido, deve haver persuasão, inspiração por parte do sujeito ativo: 
1. da necessidade, paixão ou inexperiência do menor: necessidade é aquilo que é 
essencial para a pessoa. Paixão significa a emoção exacerbada, que termina por 
suplantar a própria razão. Inexperiência é a falta de prática de vida ou de habilidade em 
determinada função. 
2. do estado mental do alienado ou débil: vide acima. 
3. à prática de ato suscetível de produzir efeito jurídico: significa a prática de qualquer 
conduta suficiente a gerar efeitos danosos ao patrimônio da vítima. Ex.: convencer 
menor a comprar um bem inexistente. Caso contrário, não gerando efeitos patrimoniais, 
a conduta é atípica. 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de induzir, abusando da 
condição do ofendido. Há dolo específico, que é o fim especial de conseguir proveito 
próprio ou alheio (patrimonial). 
 
Consumação e Tentativa 
O tipo trouxe o abuso exigindo a indução. Assim o crime apenas se consumará quando 
comprovada a ocorrência do induzimento do ofendido, logo, consuma-se com qualquer 
ato capaz de produzir prejuízos à vítima, independentemente do agente obter algum 
proveito. Trata-se de crime formal (não exige resultado naturalístico, ou seja, o proveito), 
bastando a comprovação do êxito na indução. Assim, admite-se a tentativa se, por 
circunstâncias alheias a vontade do agente não consegue obter o proveito patrimonial 
mesmo o ofendido tendo praticado o ato. 
Ação Penal 
Trata-se de ação penal pública incondicionada. 
 
Pena 
Reclusão, de 2 a 6 anos, e multa. 
 
Art. 174 CP 
“Abusar, em proveito próprio ou alheio, da inexperiência ou da simplicidade ou 
inferioridade mental de outrem, induzindo-o à prática de jogo ou aposta, ou à 
especulação com títulos ou mercadorias, sabendo ou devendo saber que a operação é 
ruinosa: 
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.” 
 
Nomen juris: Induzimento à Especulação 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime comum, qualquer pessoa o pratica. 
Sujeito passivo: há sujeito passivo próprio, confundindo-se com o objeto material do 
crime, que é a pessoa ludibriada. O sujeito se vale de pessoa com: 
1. inexperiência: falta de vivência, seja de pessoas de pouca idade, ou de pessoas 
ingênuas. 
2. simplicidade: caracteriza-se pela franqueza, sinceridade e falta de malícia nas 
atitudes, pessoas crédulas e confiantes nas atitudes de terceiros. 
3. inferioridade mental: são as pessoas portadoras de algum tipo de doença mental ou 
desenvolvimento mental incompleto ou retardado. 
 
Elemento Objetivo 
A conduta, o núcleo do tipo é “abusar” que significa exorbitar, exagerar. O agente abusa 
do ofendido, exigindo a lei um contexto de indução, ou seja, não basta a aquiescência 
(concordância) do ofendido, deve haver persuasão, inspiração por parte do sujeito ativo 
à: 
1. prática de jogo ou aposta: claro que o contexto exigido diz respeito à práticas de jogos 
de azar ou apostas que se referem à sorte ou azar, e não jogos esportivos. 
2. especulação com títulos ou mercadorias: especular é explorar ou auferir vantagens 
aproveitando-se de determinada condição ou posição, v.g., investimento em bolsa de 
valores. Neste caso o legislador exigiu que o sujeito ativo saiba (dolo direto) ou deva 
saber (dolo eventual) que a operação é ruinosa, ou seja, que leva a prejuízo patrimonial. 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de induzir, abusando. Há 
dolo específico, que é o fim especial de conseguir proveito próprio ou alheio 
(patrimonial), inclusive, na especulação, o legislador expressamente exigiu dolo direto 
(sabe ruinosa) ou eventual (deva saber ruinosa).Consumação e Tentativa 
O tipo trouxe o abuso exigindo a indução. Assim o crime apenas se consumará quando 
comprovada a ocorrência do induzimento do ofendido, logo, consuma-se com qualquer 
ato capaz de produzir prejuízos à vítima, independentemente do agente obter algum 
proveito. Trata-se de crime formal (não exige resultado naturalístico, ou seja, o proveito), 
bastando a comprovação do êxito na indução. Com base nisto, a maioria dos 
doutrinadores afirmam que no caso de especulação, mesmo que o ofendido acabe 
tendo lucro, o crime se perfaz, pois a só indução à ruína basta. Discordamos, pois nunca 
se provará no caso concreto que a especulação praticada pelo sujeito ativo era fruto e 
dolo direto (sabe) ou eventual (deva saber) que a operação era ruinosa. Afinal, quantos 
casos são conhecidos de pessoas que especulam no mercado, e acabam auferindo 
lucro. Se for assim, corretores da bolsa nunca poderiam investir para inexperientes! 
Admite-se a tentativa se, por circunstâncias alheias a vontade do agente não consegue 
obter o proveito patrimonial mesmo o ofendido tendo praticado o ato. 
 
Ação Penal 
Trata-se de ação penal pública incondicionada. 
 
Pena 
Reclusão, de 1 a 3 anos, e multa. 
 
Art. 175, CP 
“Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou consumidor: 
I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada; 
II - entregando uma mercadoria por outra. 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
§ 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou 
substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; 
vender pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso, metal de ou outra qualidade: 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
§ 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º.” 
 
Nomen juris: Fraude no Comércio 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, só o pratica o comerciante ou comerciário. 
Sujeito passivo: qualquer pessoa, mas deve ser determinada, pois se exige uma relação 
comercial, logo, há como se determinar o adquirente. 
 
Elemento Objetivo 
As condutas que recaem sobre a mercadoria (objeto material do crime) são: 
1.enganar (caput), que significa iludir, ludibriar; 
2.alterar (§ 1º), que significa modificar ou transformar; 
3. substituir (§ 1º), que significa trocar por outro; 
4. vender(§ 1º) que significa alienar. 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de enganar (dolo 
específico). Empregando o termo enganar somente é possível o dolo direto, ou seja, 
exige-se que o vendedor saiba que a mercadoria é falsificada ou deteriorada, ou que 
esteja alterada, sob pena de excluir-se qualquer responsabilização penal se o sujeito 
estava de comprovada boa fé. 
 
Modalidades de fraude no comércio 
As espécies previstas são: forma simples (caput), qualificada (§ 1º) e privilegiada (§ 2º). 
Interessante analisar que em ambas condutas criminosas (caput e § 1º) o legislador 
enumerou as condutas que conformam o crime, logo, trata-se de crime de forma 
vinculada. 
 
Fraude simples (caput) 
É a forma base, o tipo simples, raiz, com pena abstrata de detenção de 6 meses a 2 anos, 
ou multa. Consiste na conduta de enganar (iludir, ludibriar) o adquirente, cujo legislador 
especificou as únicas duas formas (por isso, crime de forma vinculada). 
a) vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada (I): 
como o legislador se utilizou da expressão vendendo, no caso de permuta (troca) ou 
doação (entrega gratuita), não haverá este crime (afinal, a forma é vinculada). 
Mercadoria compreende qualquer coisa móvel apropriável e negociável, estando 
excluídas as mercadorias que possuem tipificação especial (Princípio da 
Especialidade), como os delitos contra a saúde pública como o que cuida de venda de 
produto alimentício (art. 272 CP), produtos para fins terapêuticos ou medicinais (art. 273 
CP) etc. Falsificada é aquela que imita o original. Deterioradasignifica arruinada, 
estragada. 
b) entregando uma mercadoria por outra: trata-se da substituição maliciosa de uma 
determinada mercadoria pelo comerciante, possivelmente de maior valor por uma de 
menor valor, causando prejuízo patrimonial ao adquirente. 
 
Fraude qualificada (§ 1º) 
Como sabido, qualificadora é a circunstância entendeu o legislador ser mais reprovável, 
merecendo uma pena maior que o tipo raiz (simples). No caso, a pena passa a ser de 
reclusão de 1 a 5 anos, e multa, caso o vendedor: 
1. alterar (modificar, transformar) em obra que lhe é encomendada a qualidade ou peso 
de metal: via de regra é a atividade típica dos joalheiros. Pode ser praticada de duas 
formas: 
a) modificando a qualidade do metal: retira parte valiosa e insere material menos 
valioso; 
b) retirando parte do peso. 
2. substituir (trocar por outro) em obra encomendada pedra verdadeira por falsa ou outra 
de menor valor: é o trabalho de quem lhe dá com pedras preciosas, tal como o joalheiro 
que recebe uma tarefa específica com jóia alheia e substitui por uma falsa ou menos 
valiosa. 
3. vender (alienar): neste caso o comerciante aliena: 
a) pedra falsa por verdadeira: sujeito aliena pedra brilhante e bem lapidada como se 
fosse brilhante. 
b) como precioso metal de outra qualidade: para uma venda de metal específico, o 
sujeito aliena metal de qualidade inferior e sem o mesmo valor. 
 
Figura privilegiada (§ 2º) 
Conforme já verificamos anteriormente (art. 155, § 2º CP), cujo remetemos aos 
comentários quando do estudo daquele crime, se o criminoso é primário e a coisa de 
pequeno valor, pode o juiz: 
a) substituir a pena de reclusão pela de detenção; 
b) diminuí-la de 1 a 2/3. 
c) aplicar somente a pena de multa. 
 
Consumação e Tentativa 
Trata-se de crime material, ou seja, exige resultado naturalístico consistente na 
diminuição do patrimônio da vítima, cujo se dará com a entrega pelo agente e aceitação 
pela vítima enganada. Admite a tentativa, v.g., vítima verifica mercadoria deteriorada, ou 
joalheiro entrega a peça e ofendido rapidamente descobre ser falsa a pedra. 
 
Ação Penal 
Trata-se de ação penal pública incondicionada. 
 
Pena 
Forma simples (caput): detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa. 
Forma qualificada (§ 1º): reclusão de 1 a 5 anos, e multa. 
Figura privilegiada: (§ 2º): a) substituir a pena de reclusão pela de detenção; b) diminuí-
la de 1 a 2/3; c) aplicar somente a pena de multa. 
 
Art. 176, CP 
“Tomar refeição em restaurante, alojar-se em hotel ou utilizar-se de meio de transporte 
sem dispor de recursos para efetuar o pagamento: 
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação, e o juiz pode, conforme 
as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.” 
 
Nomen juris: Outras Fraudes 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime comum, qualquer pessoa o pratica. 
Sujeito passivo: há sujeito passivo determinado que precisa ser um prestador de serviço 
da área da alimentação, hospedagem ou transporte. 
 
Elemento Objetivo 
Os verbos, os núcleos do tipo são: 
1. tomar (refeição): significa comer ou beber em restaurante, almoçando, jantando ou 
lanchando; 
2. alojar-se (em hotel): significa hospedar-se mediante pagamento de preço calculado 
em diárias; 
3. utilizar-se (de meio de transporte): é empregar um deslocamento pago de um lugar 
para outro. 
Apesar de aparentar um tipo misto alternativo (aquele tipo que prevê várias condutas 
alternativamente, E mesmo praticando mais de uma delas, considera-se apenas um 
crime, v.g., tráfico de drogas – art. 33, L. 11.343/06, receptação – art. 180 CP etc.), tal 
não é correto, pois se o sujeito praticar cada uma dessas condutas com vítimas 
diferentes, tal consistirá em três crimes por haver três patrimônios distintos, devendo 
responder por três delitos em concurso material (art.69 CP). 
Restaurante: local onde se serve comida e bebida. Em tese não seria possível se 
estender tal conceito para lugares diversos como bares, cantinas de escolas, estações 
de trem ou quartéis, trailler de lanches, carrinho de pastel, boates, etc., cujo, tal 
ocorrendo, a conduta tecnicamente se amoldaria ao estelionato (art. 171 CP). Porém, 
como a pena do estelionato é muito maior que deste crime (reclusão de 1 a 5 anos), não 
seria justo, um que não pagou o restaurante receber uma pena de multa (este art. 176 
prevê pena de detenção de 15 dias a 2 meses, ou multa), enquanto que aquele que não 
pagou a cantina receberia a pena do estelionato (reclusão). Portanto, os tribunais 
aplicam interpretação extensiva como forma de abrandar disparidades deste tipo, 
abrangendo todos os estabelecimentos que servirem comida e bebida. Porém, não se 
admite tal extensão, no entanto, no próprio domicílio do agente, como ocorre nas 
entregas delivery, tratando-se, neste caso, de estelionato se o sujeito não paga a 
entrega. 
Hotel: local onde se alugam quartos por períodos pré determinados, normalmente 
estabelecidos por diárias (preço por um dia). Ocorre que, tal qual no caso dos 
restaurantes, não teria lógica alguma punir quem se aloja no hotel por um dia e não paga 
com uma pena de multa (ou até perdoado – parágrafo único), e àquele que se hospeda 
num motel, por algumas horas, seria aplicada pena de reclusão e multa do estelionato 
(art. 171 CP). Logo, haverá também a extensão a todo lugar que se hospeda mediante 
pagamento. 
Meio de transporte: aquele utilizado para conduzir para conduzir pessoa de um 
determinado local a outro mediante remuneração. Óbvio que apenas haverá este crime 
para os meios de transporte cujo de praxe o pagamento se faz após o percurso, como no 
caso dos taxis. No caso de avião, como a passagem é sempre adquirida antes de a 
viagem ocorrer, este crime nunca se conforma. Claro que, no caso de pagamento da 
passagem de avião com cheque cujo não é compensando por falta de fundos após a 
viagem, o crime é de estelionato (art. 171, § 2º, VI CP). Idem se no caso da corrida do 
taxi, o agente paga com cheque onde o taxista o descobre sem fundos, haverá 
estelionato, pois o pagamento foi feito, e o título de crédito que representa o dinheiro é 
que era imprestável para solver o débito. 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de tomar refeição, alojar-se 
ou utilizar-se de transporte sem recursos para realizar o pagamento. Segundo a 
doutrina, não há uma vontade especial, tratando-se de dolo genérico. 
 
Sem dispor de recursos 
Para configuração deste crime, é crucial que o agente não possua recursos para realizar 
o pagamento. Qualquer fato diverso disso deve ser resolvido na esfera cível. Assim, caso 
o cliente discorde da conta que lhe foi apresentada, ou que acreditava que poderia pagar 
com cartão de crédito ou cheque cujo gerente nega essa possibilidade, enfim, toda e 
qualquer discussão diversa da insuficiência do pagamento da conta, não haverá crime. 
Claro, no caso concreto é preciso verificar se o sujeito alega discordar da conta para 
exatamente fugir da fraude ao qual pretende. 
 
Perdão judicial (parágrafo único) 
O perdão judicial trata-se de uma causa de extingue a punibilidade do agente (art. 109, 
IX), ou seja, o sujeito é processado e condenado, mas na sentença o juiz o perdoa, ou 
seja, deixa de aplicar a pena. Trata-se de uma clemência (perdão) específico do Estado, 
que, no caso deste crime, será aplicado “conforme as circunstâncias do caso”. Ou seja, 
como o legislador não estipulou quais são os requisitos para aplicação do perdão 
judicial, buscamos os requisitos na doutrina e jurisprudência: 
1. pequeno prejuízo para o ofendido; 
2. réu primário e de bons antecedentes; 
3. personalidade não voltada ao crime; 
4. estado de penúria: trata-se de pessoa pobre. Não se trata de estado de necessidade 
(art. 24 CP), onde, se comprovado que o sujeito praticou a conduta em estado de 
necessidade, não haverá crime por exclusão da antijuridicidade da sua conduta. Na 
penúria, apesar de parcos recursos, a pessoa não está em estado de necessidade. 
 
Pendura 
Por tradição, os acadêmicos de direito costumam comemorar a instalação dos cursos 
jurídicos no Brasil (11 de agosto) dando penduras em restaurantes, tomando refeições 
sem efetuar o devido pagamento. A jurisprudência tem entendido não estar configurado 
este crime pois, em sua grande maioria os estudantes tem condições de pagar a conta, 
embora não queiram fazê-lo pela “tradição” animados pelo chamado animus jocandi 
(vontade de diversão). Assim, tratar-se-ia de mero ilícito civil. Porém, há que 
contextualizar os tempos: alguns estudantes tem nítido ardil e não mais o pendura é 
diplomático onde previamente era declarada a intenção ao comerciante, e nem se pode 
olvidar que os tempos são outros, a realidade econômica do país tem de ser levada em 
consideração. Portanto, o comerciante ludibriado por estudantes que não desejem 
simplesmente comemorar o dia 11 de agosto através de pedidos singelos e de valor 
razoável, mas sim causar prejuízo de monta através de fraude, como forma de 
demonstrar poder e esperteza nos meios acadêmicos, haverá de ser considerado o 
crime de estelionato (art. 171 CP). 
 
Consumação e Tentativa 
É crime material, exigindo resultado naturalístico, que consiste no prejuízo da vítima. 
Aliás, os verbos indicam exatamente o resultado do crime: tomar, alojar-se ou utilizar-
se, que remonta ao serviço efetivamente realizado pelo ofendido. Admite a tentativa, 
v.g., tão logo o taxista inicia a corrida, o sujeito deixa sua carteira cair e o taxista verifica 
inexistir qualquer dinheiro para realizar o pagamento. 
 
Ação Penal (parágrafo único) 
Trata-se de ação penal pública condicionada a representação, ou seja, comete a vítima 
agir para o Ministério Público poder denunciar. 
 
Pena 
Detenção de 15 dias a 2 meses ou multa. 
 
Art. 177, CP 
“Promover a fundação de sociedade por ações, fazendo, em prospecto ou em 
comunicação ao público ou à assembléia, afirmação falsa sobre a constituição da 
sociedade, ou ocultando fraudulentamente fato a ela relativo: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa, se o fato não constitui crime contra a 
economia popular. 
§ 1º - Incorrem na mesma pena, se o fato não constitui crime contra a economia popular: 
I - o diretor, o gerente ou o fiscal de sociedade por ações, que, em prospecto, relatório, 
parecer, balanço ou comunicação ao público ou à assembléia, faz afirmação falsa sobre 
as condições econômicas da sociedade, ou oculta fraudulentamente, no todo ou em 
parte, fato a elas relativo; 
II - o diretor, o gerente ou o fiscal que promove, por qualquer artifício, falsa cotação das 
ações ou de outros títulos da sociedade; 
III - o diretor ou o gerente que toma empréstimo à sociedade ou usa, em proveito próprio 
ou de terceiro, dos bens ou haveres sociais, sem prévia autorização da assembléia geral; 
IV - o diretor ou o gerente que compra ou vende, por conta da sociedade, ações por ela 
emitidas, salvo quando a lei o permite; 
V - o diretor ou o gerente que, como garantia de crédito social, aceita em penhor ou em 
caução ações da própria sociedade; 
VI - o diretor ou o gerente que, na falta de balanço, em desacordo com este, ou mediante 
balanço falso, distribui lucros ou dividendos fictícios; 
VII - o diretor, o gerente ou o fiscal que, por interposta pessoa, ou conluiado com 
acionista, consegue a aprovação de conta ou parecer; 
VIII - o liquidante, nos casos dos ns. I, II, III, IV, V e VII; 
IX - o representante da sociedade anônima estrangeira, autorizada a funcionar no País, 
que pratica os atos mencionados nos ns. I e II, ou dá falsa informação ao Governo. 
§ 2º - Incorre na pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, o acionista que, 
a fim de obter vantagem para si ou para outrem, negocia o voto nas deliberações de 
assembléia geral.” 
 
Nomen juris: Fraudes e abusos na fundação ouadministração de sociedade por ações 
 
Subsidiariedade 
Todas as figuras criminosas arroladas por este dispositivo são subsidiárias por força 
expressa (subsidiariedade expressa) do preceito secundário. Assim, “se o fato constitui 
crime contra economia popular”, não se aplica o artigo 177 CP. Os crimes contra 
economia popular estão catalogados na L. 1.521/51, e ocorrerão sempre que o fato 
praticado tenha lesado ou posto em risco as economias de indefinido número de 
pessoas, e não de algumas ou poucas. 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, o pratica o fundador da sociedade por ações no 
caput, havendo, em cada uma das figuras equiparadas dos incisos I a IX do § 1º, sujeito 
ativo próprio (crime próprio). 
Sujeito passivo: qualquer pessoa que subscreva o capital e a própria sociedade como 
um todo vez que todos estão sujeitos à comunicação fraudulenta e ser prejudicados. No 
tocante à figura equiparada prevista no § 1º, inciso IX, figura como vítima o próprio 
Estado (“falsa informação ao governo”). 
 
Elemento Objetivo 
O verbo, o núcleo do tipo na conduta fundamental ou raiz (caput) é “promover” 
(fundação de sociedade por ações) que significa provocar, gerar ou originar uma 
informação falsa, que pode se dar mediante uma afirmação falsa (crime comissivo – 
ação) ou ocultação fraudulenta (crime omissivo – inação). Assim o sujeito promove uma 
sociedade por ações falseando o prospecto ou a comunicação ao público ou 
assembleia. 
Sociedade por ações: aquela cujo capital (investimento) é dividido em frações, 
representada por títulos que são chamados de ações. A conduta de falsear recai sobre 
o prospecto (material impresso) ou comunicação (qualquer meio de transmissão da 
mensagem, escrito ou falado). 
Público: são as pessoas que poderão subscrever o capital social. 
Assembleia: é o agrupamento de pessoas que já está formando a sociedade. 
Não obstante, várias são as figuras equiparadas previstas no parágrafo primeiro, cujas 
condutas eleitas (verbos) pelo legislador muito se assemelham ao caput. 
I. “afirmar” ou “ocultar”: trata-se do mesmo núcleo do caput. 
II. “promover” falsa cotação: significa gerar ou dar causa à uma irreal visualização do 
preço. 
III. “tomar” empréstimo ou “usar” bens ou haveres sociais: é tanto conseguir um 
empréstimo à sociedade como servir-se de seu patrimônio (bens ou haveres), sem a 
devida autorização. 
IV. “comprar” ou “vender” ações emitidas pela própria sociedade: é adquirir ou alienar 
ações emitidas pela sociedade em nome da própria sociedade. A L. 6.404/76, em seu 
art. 30, § 1º veda expressamente a negociação com próprias ações, apenas permitindo 
algumas operações, como: resgate, reembolso ou amortização, restituições etc., de 
acordo com as normas expedidas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão 
criado para disciplinar e fiscalizar o mercado de ações. 
V. “aceitar” em penhor ou caução como garantia da própria sociedade: quando se vende 
ações de uma sociedade é imprescindível que a sociedade tenha a receber crédito de 
terceiros, ainda que o próprio acionista. Aceitar ações da própria sociedade para 
garantir créditos da própria sociedade é nitidamente fraudulento porque a pessoa não 
pode ser ao mesmo tempo credora e garantidora do crédito. Penhor é um direito real que 
vincula uma coisa a uma dívida, tornando-se a coisa garantia da dívida. Caução é o 
depósito efetivado como garantia de uma obrigação assumida. 
VI. “distribuir”: é entregar, atribuir ou colocar à disposição lucros ou dividendos fictícios, 
ou seja, que não correspondam à realidade do caixa da sociedade. 
VII. “conseguir” aprovação de conta ou parecer: o sujeito obtém aprovação das contas 
se valendo de terceira pessoa que surge na assembleia para votar, embora não seja 
acionista habilitado a fazê-lo, ou então, a pessoa é acionista que está macomunado 
(cooperando - concurso de agentes) com o sujeito ativo para prejudicar a sociedade ou 
os demais acionistas. 
VIII. liquidante que pratica as condutas anteriores: dissolvida a sociedade 
judicialmente, é nomeado uma pessoa que deve praticar uma série de atos para 
proceder a liquidação (art. 1.102 e seguintes do CC - pagamento de contas e 
regularização de procedimentos etc.). Assim, o liquidante também pode praticar este 
crime. 
IX. representante da sociedade anônima estrangeira que pratica dos fatos do inciso I e 
II, ou “dar” falsa informação ao governo: também é uma remissão aos crimes anteriores, 
diferenciando apenas o sujeito ativo bem como acrescentando como ofendido o próprio 
Estado (falsa informação ao governo). 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de afirmar ou ocultar dado 
relevante (caput), com consciência da falsidade, ou realizar quaisquer das condutas 
equiparadas (§ 1º). Há dolo genérico, ou seja, não trouxe o legislador um especial fim de 
agir do agente, contentando-se para conformação do crime, a simples conduta. 
 
Formas equiparadas (§ 1º) 
O legislador previu algumas condutas que se equiparam ao tipo fundamental (caput), 
inclusive, prevendo às condutas previstas nos incisos I a IX tanto a mesma pena abstrata 
àquele tipo quanto a subsidiariedade expressa - “se o fato não constitui crime contra 
economia popular.” Como as figuras previstas neste parágrafo são raiz do caput, a 
classificação muito se assemelha, razão pela qual apenas pontuaremos os dados 
diferenciadores em cada uma das condutas equiparadas (já analisadas quando do 
estudo do tipo objetivo), sendo certo que, quanto ao mais, aquilo falado quanto ao caput 
se aplica. 
 
Forma privilegiada (§ 2º) 
Na maioria dos crimes estudados, quando verificamos haver uma circunstância 
privilegiadora esta se apresenta na forma de uma redução de pena, ou seja, em alguma 
fração redutora da pena aplicada no tipo simples ou mesmo na forma qualificada. Neste 
caso, a circunstância privilegiadora se apresenta na forma de uma pena (detenção de 6 
meses a 2 anos, e multa), que, pode-se afirmar ser privilegiada em relação à pena 
aplicada ao tipo fundamental (caput) e suas formas equiparadas (§ 1º), pois estas 
possuem pena de reclusão de 1 a 4 anos, e multa. 
Tipo objetivo: a conduta é “negociar”, que significa ajustar, o comercializar, a compra e 
venda de voto nas deliberações da assembleia geral. É a troca: o voto dado num ou outro 
sentido para receber um retorno qualquer. Observe-se que a L. 6.404/76 prevê a 
possibilidade de acordo de acionistas, inclusive quanto ao direito de voto (art. 118), logo, 
a incriminação existirá quando a negociação não estiver revestida das formalidades 
legais ou contrariar dispositivo expresso em lei. 
Tipo subjetivo: a conduta é dolosa, consistente na vontade de negociar o voto para obter 
vantagem para si ou outrem (dolo específico). 
Sujeitos do delito: sujeito ativo somente pode ser o acionista (crime próprio); sujeito 
passivo são os demais acionistas e a própria sociedade. 
Consumação: com a só negociação do voto, independentemente do seu próprio 
pronunciamento na assembleia, pois o tipo tem a locução “negocia” “a fim de obter 
vantagem”, ou seja, esta não é exigida. Há apenas que ressaltar que a L. 6.404/76 
autoriza o acordo de acionistas e a tutela penal apenas recairá quando tal acordo advier 
de conduta criminosa com dolo específico, conforme observado acima. 
 
Consumação e Tentativa 
Tanto a forma simples prevista no caput, como as figuras equiparadas (§ 1º) e a 
privilegiada (§ 2º) se tratam de crime formal, consumando-se com a simples conduta 
prevista em cada uma das figuras, independentemente de qualquer resultado lesivo. 
 
Ação Penal 
Trata-se de ação penal pública incondicionada. 
 
Pena 
Forma simples (caput) e equiparada (§ 1º): reclusão de 1 a 4 anos, e multa. 
Forma privilegiada (§ 2º): detenção de 6 meses a 2 anos, e multa. 
 
Art. 178, CP 
“Emitir conhecimento de depósito ou warrant, em desacordo com disposição legal: 
Pena - reclusão, de um a quatroanos, e multa.” 
 
Nomen juris: Emissão irregular de conhecimento de depósito ou warrant 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, o pratica somente o depositário das 
mercadorias, obrigado a emitir os títulos de crédito de acordo com as normas legais 
vigentes. 
Sujeito passivo: a pessoa detentora do título, o portador ou endossatário dos títulos, que 
foi lesada por conta da emissão irregular. 
 
Elemento Objetivo 
A conduta, o verbo é “emitir”, que significa pôr em circulação o título. Conhecimento de 
depósito e warrant são elementos normativos do tipo, inclusive, são normas penais em 
branco (precisam de complemento), pois a forma de sua emissão é disposta pelo 
Decreto 1.102/1903. Ambos são os chamados títulos armazeneiros que são emitidos 
por empresas de Armazéns gerais e entregues ao depositante, que com eles fica 
habilitado a negociar as mercadorias em depósito, passando assim a circular, não as 
mercadorias, mas os títulos que a representam. Nos primórdios, bastava a simples 
locação dos armazéns para o proprietário das mercadorias deixar com o proprietário do 
armazém. Com o passar dos tempos essa relação meramente locatício cedeu lugar à 
“mobilidade” das mercadorias em depósito, de modo a se emitir títulos que 
representasse essas mercadorias, então temos: 
Conhecimento do depósito é um título de representação e legitimação daquelas 
mercadorias, ou seja, representa a mercadoria e legitima o seu portador como 
proprietário da mesma. O proprietário das mercadorias tem um recibo de depósito de 
guarda nos armazéns derivado do contrato de depósito, que atesta não só o depósito, 
mas as próprias mercadorias, logo, este recibo é suscetível de transferência (endosso) 
que é feito mediante o conhecimento do depósito e warrant. 
Warrant: enquanto o conhecimento do depósito incorpora o direito de propriedade 
sobre as mercadorias depositadas, o warrant representa o valor do crédito sobre as 
mercadorias. É um título de crédito que constitui uma promessa de pagamento, ou seja, 
o subscritor ao mesmo tempo se obriga a pagar certa soma em dinheiro no vencimento 
e confere ao portador e portadores sucessivos um penhor sobre as mercadorias 
depositadas. Ou seja, um descreve as mercadorias e seu proprietário; outro serve como 
transferência dessas mercadorias como garantia de pagamento no negócio (pois serve 
como penhor). Portanto, estes títulos andam juntos, mas podem ser negociados 
separadamente. Com o conhecimento do depósito em mãos, o depositante de 
mercadorias em um armazém pode negociá-los livremente, bastando endossar o título. 
Caso queira um financiamento, pode dar as mercadorias depositadas como garantia, 
de forma que endossa o warrant. 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de emitir os títulos, ciente 
da sua irregularidade (dolo direto). Não há um fim específico do agente, logo, trata-se do 
dolo genérico. 
 
Consumação e Tentativa 
Com a circulação dos títulos, independentemente de efetivo prejuízo. Trata-se, por isso, 
de crime formal, pois não há necessidade do desfalque patrimonial para sua 
consumação (a conduta é meramente “emitir”). Exatamente por isso a tentativa torna-
se inadmissível, ou coloca o título em circulação, havendo consumação, ou não o 
coloca, não havendo crime. 
 
Ação Penal 
Trata-se de ação penal pública incondicionada. 
 
Pena 
Reclusão de 1 a 4 anos, e multa. 
 
Art. 179, CP 
“Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou 
simulando dívidas: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa.” 
 
Nomen juris: Fraude à execução 
 
Diferença da fraude contra credores 
O CP não pune neste dispositivo a fraude contra credores, cuja diferença buscamos em 
Humberto Theodoro Jr.: “a) a fraude contra credores pressupõe sempre um devedor em 
estado de insolvência e ocorre antes que os credores tenham ingressado em juízo para 
cobrar seus créditos; é causa de anulação do ato de disposição praticado pelo devedor; 
b) a fraude de execução não depende, necessariamente, do estado de insolvência do 
devedor e só ocorre no curso de ação judicial contra o alienante; é causa de ineficácia 
da alienação.” (Humberto Theodoro Jr, RT, CPP Comentado, 2002, p. 101, neste sentido 
Nelson Nery Jr., CPC Comentado, RT, 2006, p. 849). 
 
Objetividade Jurídica 
Tutela-se o patrimônio. O sujeito passa a se desfazer de seus bens visando que o credor 
no processo cível, não consiga encontrar valores ou patrimônio para satisfazer seu 
crédito. 
 
Sujeitos do delito 
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, o pratica o devedor demandado judicialmente 
por dívida (executado). 
Sujeito passivo: o credor que aciona o devedor (exequente). 
 
Elemento Objetivo 
O núcleo do tipo, o verbo é “fraudar” que significa lesar, iludir ou enganar com o fito de 
obter proveito. O agente frustra a execução judicial de uma dívida tornando-a irrealizável 
pela inexistência (real ou simulada) de bens que a garantam. Execução (ou Liquidação 
de sentença) é o processo instaurado onde se visa cumprir, compulsoriamente, uma 
sentença. O legislador taxou as formas como o sujeito frustra a execução, tratando-se 
de um crime misto alternativo, ou seja, apenas uma das condutas é bastante para 
consumação do crime: 
1. alienando: onerando, vendendo o bem. 
2. desviando: mudar o lugar ou a posição de, deslocar. 
3. destruindo: significa extinguir, eliminar os bens. 
4. danificando: significa arruinar, estragar os bens. 
5. simulando dívidas: o sujeito inventa dívidas com terceiras pessoas dando seus bens 
como forma de pagamento dessas dívidas, o que na verdade tudo não passa de um 
conluio com o “suposto” credor destas dívidas, onde os contratos ou títulos que 
representam tais dívidas são fruto de fraude visando frustrar o pagamento da execução. 
 
Lei especial 
Tratando-se de devedor comerciante, poderá tipificar o crime de Fraude contra credores 
(art. 168) ou Favorecimento de credores (art. 172), crimes específicos da lei de falência 
- L. 11.101/05. 
 
Elemento Subjetivo 
O crime é doloso, consistente na vontade livre e consciente de fraudar a execução, 
praticando as condutas arroladas pelo legislador visando tornar irrealizável a constrição 
dos bens pra garantir a dívida. Há dolo específico, que é o fim especial de conseguir 
proveito próprio (frustrar já significa tirar proveito), impedindo que a dívida recair sobre 
seu patrimônio e, consequentemente, que o credor receba o que de direito. Não existe 
forma culposa. 
 
Ciência da ação 
Para que o crime de conforme, há necessidade que o sujeito saiba da ação judicial em 
execução e que a diminuição de seu patrimônio torne impossível a execução da dívida. 
Como o crime exige dolo específico, não sabendo da ação, não há como se cogitar em 
frustração de algo que não se tem ciência. Não obstante, apesar de saber de uma dívida, 
o sujeito pode ter patrimônio maior que a dívida e suficiente para saldá-la, logo, nada o 
impede de desfazer-se de parte deste patrimônio, desde que o restante seja suficiente 
e esteja livre de quaisquer outros ônus que impeçam servir de garantia da dívida. A mera 
propositura de uma ação não pode tornar indisponível todo o patrimônio do devedor. Por 
exemplo, a execução diz respeito a 10 mil reais, e o sujeito possui três imóveis de alto 
valor, nada impede de vender um destes imóveis. No tocante à chamada citação por 
edital (art. 231 do CPC), tal ocorre de forma ficta pois o devedor não foi encontrado, há 
uma ficção jurídica onde acredita-se que aquele sujeito citado por edital leu o edital e 
sabe da ação, acreditamos que deve-se comprovar sua má fé, ou seja, que passou a 
desfazer-se do patrimônio dolosamente. Isso porque o direito penal não pode valer-se 
de presunções ou ficções jurídicas para levar a condenação de alguma pessoa, há que 
se ter prova do dolo do agente no sentido de frustrar propositadamentea dívida. 
 
Consumação e Tentativa 
Trata-se de crime material. É exigível o resultado que consiste na diminuição do 
patrimônio a que tem direito o credor. Logo, a consumação dá-se no momento em que 
a execução do crédito torna-se irrealizável, através da alienação, desvio, destruição, 
danificação ou simulação de dívidas. 
 
Ação Penal (parágrafo único) 
Trata-se de ação penal privada, mediante interposição de queixa crime. Entretanto, caso 
a vítima (exequente no processo cível) seja a União, Estado ou Município a ação será 
pública incondicionada por força do art. 24, § 2º dso C.P.P. 
 
Pena 
Detenção de 6 meses a 2 anos, e multa.

Mais conteúdos dessa disciplina