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SEMANA 14
AVISO IMPORTANTE
O material será disponibilizado com os dados pessoais do participante, em área de acesso restrita. O
compartilhamento indevido de materiais do NÚCLEO DURO – TURMA 5 ensejará a interrupção imediata
do serviço, bem como adoção das medidas cabíveis.
Qual a duração do curso?
Qual o principal material da preparação e quando ele é enviado?
Quais materiais serão disponibilizados neste curso?
Como eu devo me guiar com este material?
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
O NÚCLEO DURO – TURMA 5 é dividido em 16 semanas.
O principal material da nossa preparação é o e-book dividido em metas com doutrina e
questões sobre o tema. Este material será disponibilizado na nossa plataforma sempre aos finais de
semana para que vocês possam utilizá-lo ao longo da semana.
1- E-book de doutrina e questões - Este e-book é dividido em metas, que correspondem aos
dias da semana em que o aluno deve cumprir. No início de cada meta, disponibilizamos os artigos
relacionados ao tema, ao passo que no final disponibilizamos questões de concursos anteriores para
treinamento (disponibilizado semanalmente);
2- E-book de Súmulas por assunto - Este e-book visa orientar nosso aluno, a partir de um
cronograma, a realizar uma leitura das principais súmulas dos Tribunais Superiores (disponibilizado
integralmente no início do curso);
3- E-book de Lei Seca - Compilamos as principais leis, que possuem grande incidência em
concursos de Delegado de Polícia e que são específicas para o seu concurso. Esse e-book visa, através de
um cronograma elaborado por nossa equipe, organizar o estudo tão importante da lei seca
(disponibilizados semanalmente).
4- E-book de Jurisprudência - Selecionamos os principais julgados mais recentes para facilitar o
seu estudo. Com o cronograma criado pela nossa equipe, você estudará os principais informativos de uma
maneira constante e leve (disponibilizados semanalmente).
Isto é bem intuitivo. No E-book principal (doutrina e questões), cada meta se refere a um dia
da semana (Meta 1, Segunda-feira; Meta 2, terça-feira, etc). O final de semana deve ser reservado para a
revisão da semana, através da leitura dos artigos indicados no início de cada meta.
Prezado(a) aluno(a),
Caso possua alguma dúvida jurídica sobre o conteúdo disponibilizado no curso, pedimos que utilize a sua
área do aluno. Há um campo específico para enviar dúvidas.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Acreditamos que o melhor método de estudo é a partir da edificação de uma base de
conhecimento pautada no tripé doutrina – lei seca – jurisprudência, aliada à constante resolução de
questões objetivas.
Por isso, aconselhamos que se inicie o dia estudando a meta do dia (E-book principal doutrina
e questões). No momento do estudo não tente resumir a matéria, pois nossas metas diárias já suprirão esta
necessidade. O ideal é que tome notas inteligentes em post-its e façam grifos para a revisão. Notas
inteligente são aquelas que sem precisar esgotar o tema faz com que você relembre os principais pontos. A
organização das suas anotações é crucial para sua aprovação.
Atendendo sugestões, explicaremos melhor como vocês devem se guiar com esse material:
Passamos a indicar no Caderno de Doutrina, antes de iniciar a meta, os artigos
correspondentes, além dos dispositivos que reputamos mais relevantes e com maior probabilidade de estar
na sua prova.
A leitura desses dispositivos fará parte do ciclo de revisão semanal proposto pelo curso (leitura
realizada aos finais de semana) .
Encerrado o estudo da doutrina passe para a resolução dos exercícios e súmulas selecionadas.
Até aqui foi feito o mais importante.
Após tudo isso, se sobrar tempo, é hora de ler a lei seca do caderno de leis. Essa tarefa de
repetição de leitura de artigos não demandará muito tempo por dia e é essencial para a sua aprovação.
Lembramos que os artigos indicados nos cadernos de Lei seca não correspondem à meta
justamente para que vocês sempre leiam mais vezes a letra da lei, independentemente de ter estudado o
tema ou não.
Estamos abertos a críticas e sugestões. Este é um processo coletivo no qual a participação de
vocês é fundamental para que a preparação para a prova seja potencializada. Evite a possibilidade de ter
a sua posse impedida em razão compartilhamento ilegal e indevido do material deste material sem
autorização.
Vamos Juntos!
Equipe Dedicação Delta.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Sumário
META 1.............................................................................................................................................................9
DIREITO PENAL: CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (PARTE I)...............................................................................9
1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................9
2. ESPÉCIES DE FALSIDADE.......................................................................................................................10
3. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.........................................................................................................11
4. CRIMES EM ESPÉCIE..............................................................................................................................14
4.1 Moeda Falsa (Art. 289).............................................................................................................................................14
4.1.1 Conduta Equiparada..........................................................................................................................................20
4.1.2 Figura Privilegiada.............................................................................................................................................20
4.1.3 Crime Funcional/ figura qualificada..................................................................................................................21
4.1.4 Crimes Assimilados ao de Moeda Falsa (Art. 290)............................................................................................23
4.2 Petrechos Para Falsificação De Moeda (Art. 291)....................................................................................................26
4.3 Emissão De Título Ao Portador Sem Permissão Legal (Art. 292).............................................................................28
4.4 Da Falsidade De Títulos E Outros Papéis Públicos...................................................................................................29
4.4.1 Falsificação de PAPÉIS públicos.........................................................................................................................29
4.4.2 Petrechos De Falsificação (Art. 294)..................................................................................................................33
4.5 Da Falsidade Documental........................................................................................................................................34
4.5.1 Falsificação do Selo ou Sinal Público (Art. 296).................................................................................................34
4.5.2 Falsificação de Documento Público (Art. 297)..................................................................................................36
4.5.3 Falsificação de Documento Particular (Art. 298)...............................................................................................45
4.5.4 Falsidade Ideológica (Art. 299)..........................................................................................................................49
QUESTÕES PROPOSTAS..................................................................................................................................60
META 2...........................................................................................................................................................63DIREITO PENAL: CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (PARTE II)............................................................................63
4.5.5 Falso Reconhecimento de Firma ou Letra (Hipótese Especial de Falsidade Ideológica) (Art. 300)..................63
4.5.6 Certidão ou Atestado Ideologicamente Falso (Art. 301)...................................................................................64
4.5.7 Falsidade material de atestado ou certidão......................................................................................................65
4.5.8 Falsidade de Atestado Médico (Art. 302)..........................................................................................................65
4.5.9 Reprodução ou Adulteração de Selo ou Peça Filatélica (Art. 303)...................................................................67
5. USO DE DOCUMENTO FALSO (ART. 304)....................................................................................................68
6. SUPRESSÃO DE DOCUMENTO (ART. 305)...................................................................................................72
7. DE OUTRAS FALSIDADES.............................................................................................................................73
7.1. Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou para outros
fins - Art. 306 – Leitura do Código.................................................................................................................................73
7.2. Falsa Identidade (Art. 307)......................................................................................................................................73
7.3. Uso ou Cessão para Uso de Documento de Identificação Civil de Terceiro (Art. 308)...........................................76
7.4. Fraude de lei sobre estrangeiros............................................................................................................................76
7.5. Fraude à Proibição da Propriedade ou da Posse de Certos Bens Por Estrangeiros (Art. 310)...............................77
7.6. Adulteração de Sinal Identificador de Veículo Automotor (Art. 311)....................................................................77
8. DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO...............................................................................80
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
8.1. Fraudes em Certames de Interesse Público (Art. 311-A)........................................................................................80
QUESTÕES PROPOSTAS..................................................................................................................................89
META 3...........................................................................................................................................................92
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DOS CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA..........................................92
1. INTRODUÇÃO..............................................................................................................................................93
2. DIREITO TRIBUTÁRIO PENAL X DIREITO PENAL TRIBUTÁRIO......................................................................93
3. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA..................................................................................................................94
4. CRIMES TRIBUTÁRIOS E PRISÃO CIVIL POR DÍVIDA.....................................................................................95
5. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA E INVIOLABILIDADE DOMICILIAR.....................................................................96
6. CONSTITUCIONALIDADE DA TRANSFERÊNCIA DIRETA DE INFORMAÇÕES DAS ENTIDADES BANCÁRIAS AOS
ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.........................................................................................................97
7. COMPETÊNCIA PARA PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA............100
8. O PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO E OS CRIMES TRIBUTÁRIOS.......................................................................102
9. DENÚNCIA NOS CRIMES SOCIETÁRIOS (CRIMES DE GABINETE)...............................................................103
10. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA:............................................................................................................103
11. NECESSIDADE DE PRÉVIO EXAURIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.........................................106
12. CONCURSO DE CRIMES...........................................................................................................................109
13. PARCELAMENTO E PAGAMENTO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO.....................................................................109
14. DOS CRIMES EM ESPÉCIE PREVISTOS NA LEI 8.137/90...........................................................................116
14.1 Considerações gerais...........................................................................................................................................116
14.2 Análise do Art. 168-A, CP - Apropriação Indébita Previdenciária........................................................................119
14.3 Análise do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária - Art. 337-A Do C)...........................................122
14.4 Análise dos Crimes Constantes da Lei 8137/90...................................................................................................123
15. CRIMES FUNCIONAIS CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA – ART. 3º............................................................128
16. JURISPRUDÊNCIA CORRELATA................................................................................................................129
QUESTÕES PROPOSTAS................................................................................................................................135
META 4.........................................................................................................................................................140
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS.................................................................140
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................................140
2. CRIME x CONTRAVENÇÃO PENAL.............................................................................................................140
3. COMPETÊNCIA..........................................................................................................................................141
4. ANÁLISE DA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS..........................................................................................143
5. PARTE ESPECIAL DA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS.............................................................................151
5.1 Contravenções Penais Referentes à Pessoa..........................................................................................................151
5.2 Contravenções Penais Referentes ao Patrimônio.................................................................................................155
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
5.3 Contravenções Referentes à Incolumidade Pública..............................................................................................156
5.4 Contravenções Referentes à Paz Pública...............................................................................................................160
5.5 Contravenções Referentes à Fé Pública.................................................................................................................162
5.6 Contravenções Referentes à Organização Do Trabalho........................................................................................163
5.7 Contravenções Referentes à Polícia de Costumes.................................................................................................1655.8 Contravenções Referentes à Administração Pública.............................................................................................173
6. CONTRAVENÇÃO PENAL x LEI MARIA DA PENHA.....................................................................................175
7. CONTRAVENÇÃO PENAL x LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS........................................................................175
QUESTÕES PROPOSTAS................................................................................................................................177
META 5.........................................................................................................................................................180
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: CRIMES NO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO...........................................180
1. BEM JURÍDICO..........................................................................................................................................181
2. CONCEITO DE VEÍCULO AUTOMOTOR......................................................................................................181
3. PROCEDIMENTO NOS CRIMES DE TRÂNSITO............................................................................................181
4. SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO DA PERMISSÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO- ART. 292......................................184
4.1 Suspensão/Proibição Do Direito De Dirigir Como Pena.........................................................................................185
4.2 Suspensão/Proibição Do Direito De Dirigir Como Medida Cautelar......................................................................189
5. MULTA REPARATÓRIA..............................................................................................................................189
6. PRISÃO EM FLAGRANTE E FIANÇA............................................................................................................190
7. AGRAVANTES............................................................................................................................................191
8. CRIMES EM ESPÉCIE..................................................................................................................................193
8.1 Natureza Dos Delitos De Trânsito..........................................................................................................................193
8.2 Homicídio Culposo De Trânsito..............................................................................................................................194
9. LESÃO CORPORAL CULPOSA DE TRÂNSITO...............................................................................................202
10. OMISSÃO DE SOCORRO SEM CULPA DO CONDUTOR.............................................................................204
11. FUGA DO LOCAL DE ACIDENTE...............................................................................................................205
12. CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR COM CAPACIDADE PSICOMOTORA ALTERADA (EMBRIAGUEZ AO
VOLANTE).....................................................................................................................................................207
13. VIOLAÇÃO DA SUSPENSÃO OU OMISSÃO DA ENTREGA DA HABILITAÇÃO.............................................210
14. CORRIDA/DISPUTA/COMPETIÇÃO AUTOMOBILÍSTICA NÃO AUTORIZADA – CRIME DE RACHA.............211
15. DIREÇÃO SEM PERMISSÃO/HABILITAÇÃO..............................................................................................213
16. PERMISSÃO/ENTREGA DA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR A PESSOA SEM AUTORIZAÇÃO...........214
17. TRÁFEGO COM VELOCIDADE INCOMPATÍVEL COM A SEGURANÇA........................................................215
18. FRAUDE PROCESSUAL EM ACIDENTE – ART. 312....................................................................................215
19. APLICAÇÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS AOS CRIMES DO CTB...............................................217
QUESTÕES PROPOSTAS................................................................................................................................221
ATENÇÃO
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Equipe DD
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
META 6 – REVISÃO SEMANAL.......................................................................................................................227
Direito Penal: Crimes Contra A Fé Pública...................................................................................................................227
Legislação Penal Especial: Lei Dos Crimes Contra A Ordem Tributária.......................................................................228
Legislação Penal Especial: Crimes No Código De Trânsito Brasileiro...........................................................................230
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 14
META DIA ASSUNTO
1 SEG DIREITO PENAL: Crimes Contra a Fé Pública (Parte I)
2 TER DIREITO PENAL: Crimes Contra a Fé Pública (Parte II)
3 QUA LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: Lei dos Crimes Contra a Ordem Tributária
4 QUI LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: Lei de Contravenções Penais
5 SEX LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: Crimes no Código de Trânsito Brasileiro
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
META 1
DIREITO PENAL: CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (PARTE I)
CP:
• Art. 7º, I, “b” e § 1º
• Art. 171
• Art. 241 e 242
• Art. 289 a 311-A
• Art. 327
• Art. 337-A
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS (importância em razão do princípio da especialidade)
• Art. 348, 349, 350 Código Eleitoral
• Art. 311, 312 Código Penal Militar
• Art. 1°, 1, da Lei n. 8.137/90.
• Art. 171, Lei n° 11.101/05
• Art. 9° da Lei n.7.492/86.
• Art. 66 da Lei 9.605/98
• Art. 45, 68, Lei de Contravenções Penal
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
• Art. 289, CP
• Art. 291, CP
• Art. 293 a 295, CP
• Art. 297 a 299, CP
• Art. 304, CP
• Art. 307, CP
1. INTRODUÇÃO
Segundo ensina o professor Cleber Masson, a fé pública constitui-se em realidade e interesse que a
lei deve proteger, pois sem ela seria impossível a vida em sociedade. De fato, o homem necessita acreditar
na veracidade ou na genuinidade de certos atos, documentos, sinais e símbolos empregados na
multiplicidade das relações diárias.
Portanto, a ofensa à fé pública significa mais do que uma violação à certeza das relações jurídicas e
à convicção geral na autenticidade e valor dos documentos e atos prescritos para as relações coletivas,
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
acarretando também uma ameaça a interesses jurídicos de várias outras naturezas: (a) interesses
patrimoniais dos indivíduos; (b) interesse público na segurança das relações jurídicas; privilégio monetário
do Estado; e (d) os meios de prova.
Veja os requisitos que são inerentes a todos os crimes de falso:
1) Dolo : todos os crimes contra a fé pública são dolosos, sendo o dolo consubstanciado na
consciência e vontade de imitar a verdade.
2) Imitação da verdade : A imitação da verdade pode ser realizada por duas formas distintas:
2.1. Alteração da verdade: é a mudança do verdadeiro, ou seja, altera-se o conteúdo do
documento ou moeda verdadeiros;
2.2. Imitação da verdade propriamente dita: o sujeito cria documento ou moeda falsos,
formando-os ou fabricando-os.
A imitação da verdade pode ser produzida pelos seguintes meios:
Contrafação ou fabricação: consiste em criar materialmente uma coisa semelhante à
verdadeira;
Alteração: é a transformação da coisa verdadeira, de forma a representar algo diverso da
situação original;
Supressão: quando se destrói ou oculta algo para que a verdade não apareça;
Simulação: é a falsidade ideológica, relativa ao conteúdo do documento, pois seu aspecto
exterior ou formal permanece autêntico;
Uso: é a utilização da coisa falsificada.
3) Dano potencial: os crimes contra a fé pública se satisfazem coma potencialidade de ocorrência do
dano, patrimonial ou não, dispensando a necessidade de prejuízo concreto. E somente há dano
potencial quando o documento falsificado é capaz de iludir ou enganar as pessoas em geral.
Dano potencial
Dano patrimonial ou não
Dano deve ser convincente (não pode ser perceptível a olho nu, sob pena de configurar o
crime de estelionato).
2. ESPÉCIES DE FALSIDADE
Os crimes delineados contra a fé pública comportam três espécies de falsidade
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
A. Falsidade material (ou falsidade externa): é a que incide materialmente sobre a coisa. Refere-se
à forma, aos elementos exteriores do documento. Nesse caso, a imitação da verdade pode
ocorrer mediante: contrafação (ex.: cria um documento falso), alteração (ex.: altera um
documento verdadeiro) ou supressão.
B. Falsidade ideológica: refere-se ao conteúdo do documento. Nesse caso, o documento é
materialmente verdadeiro, emitido por órgão competente, mas seu conteúdo é falso. Aqui não há
a contrafação, alteração ou supressão de natureza material, pois a imitação da verdade é viabilizada
somente pela simulação. Ex.: declaração de valor menor na escritura pública de compra e venda
de imóvel.
C. Falsidade pessoal: relaciona-se à qualificação da pessoa, como idade, filiação, nacionalidade,
profissão etc. Exemplo do sujeito que atribui a si mesmo falsa identidade para obter vantagem em
proveito próprio.
FALSIDADE MATERIAL FALSIDADE IDEOLÓGICA FALSIDADE
PESSOAL
Incide sobre a coisa Incide sobre o conteúdo do
documento
Incide sobre a qualificação
pessoal
Por meio de contrafação,
alteração ou supressão
Por meio de simulação Por meio da atribuição de
dados falsos
3. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO
Buscando facilitar a identificação da competência para processar e julgar os crimes contra a fé
pública, Renato Brasileiro estabeleceu 4 premissas básicas:
1) Em se tratando de falsificação (falsidade material) – a competência será determinada pelo ente
responsável pela confecção do documento. Ex: documentos ou papéis federais – órgãos federais.
Documentos ou papéis particulares – justiça estadual.
PEGADINHA: Falsificação de CNH é de competência da Justiça Estadual, pois,
embora seja válida em todo o território nacional, é emitida por autoridade estadual.
2) Em caso de uso de documento falso pelo próprio autor da falsificação (falsificação + uso) - a
competência será determinada pela natureza do documento, já que o uso será absorvido pelo crime
de falso (post factum impunível)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
1) Em caso de uso de documento falso, que não seja pelo mesmo agente responsável pela falsificação
do documento - é irrelevante a verificação do órgão expedidor desse documento (se federal ou
estadual) para fins de competência, já que esta será determinada em virtude da pessoa física ou
jurídica prejudicada pelo uso, ou seja, a qual foi apresentado o documento.
Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de
documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi
apresentado o documento público, não importando a qualificação do órgão
expedidor
Utilização de formulários falsos da Receita Federal para iludir particular
O fato de os agentes, utilizando-se de formulários falsos da Receita Federal, terem
se passado por Auditores desse órgão com intuito de obter vantagem financeira
ilícita de particulares não atrai, por si só, a competência da Justiça Federal. Isso
porque, em que pese tratar-se de uso de documento público, observa-se que
a falsidade foi empregada, tão somente, em detrimento de particular. Assim
sendo, se se pudesse cogitar de eventual prejuízo sofrido pela União, ele seria
apenas reflexo, na medida em que o prejuízo direto está nitidamente limitado à
esfera individual da vítima, uma vez que as condutas em análise não trazem
prejuízo direto e efetivo a bens, serviços ou interesses da União, de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas (art. 109, IV, da CF). STJ. 3ª Seção. CC
141593-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 26/8/2015 (Info
568).
Falsidade de documento emitido pela União para ludibriar particular: Justiça
Estadual
Quando as pessoas enganadas, e efetivamente lesadas, pela eventual prática do
crime de falsificação são os particulares, ainda que a União tenha o interesse na
punição do agente, tal interesse é genérico e reflexo, pois não há ofensa a seus
bens, serviços ou interesses. No caso concreto, houve a falsificação/adulteração
de autenticação mecânica (protocolo) da secretaria da Justiça Federal em
determinado município. Segundo foi apurado, o falso não visava obter vantagem
judicial, mas, tão somente, justificar a prestação de serviços advocatícios ao
particular contratante, que exigiu dos advogados prova do efetivo ingresso da
ação judicial. Inexistindo prejuízo ao Poder Judiciário da União, a eventual prática
delituosa não se amolda às hipóteses de crime de competência federal (art. 109,
IV, da CF). STJ. 3ª Seção. CC 125065-PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 14/11/2012
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
2) Em se tratando de crimes de falsificação ou de uso de documento falso cometidos como meio
para a prática de um crime-fim, sendo por este absorvidos - a competência será determinada pelo
sujeito passivo do crime-fim. Ex.: estelionato.
Vamos esquematizar?
A mesma pessoa falsifica e usa o documento
(falsificação + uso)
Uma pessoa falsifica o documento
Outra pessoa usa o documento falsificado
Responde apenas pelo art. 297 do Código
Penal, ficando o art. 304 do CP absorvido
pelo
princípio da consunção (pós fato impunível.
Falsificador responde pelo art. 297 do CP
Quem usa o documento falsificado
responde pelo art. 304 do CP.
Competência para julgar a FALSIFICAÇÃO do
documento:
Competência para julgar o USO do
documento falso:
Definida em razão do órgão expedidor. Definida em razão do órgão a quem é
apresentado.
Atente-se às súmulas pertinentes sobre o tema:
Súmula vinculante 36-STF: Compete à Justiça Federal comum processar e julgar
civil denunciado pelos crimes de falsificação e de uso de documento falso quando
se tratar de falsificação da Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) ou de Carteira
de Habilitação de Amador (CHA), ainda que expedidas pela Marinha do Brasil.
Súmula 62, STJ: Compete à Justiça Estadual processar e julgar crime de falsa
anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, atribuído à empresa
privada
Súmula 104-STJ: Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes
de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de
ensino
Súmula 107, STJ: Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de
estelionato praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das
contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão à autarquia federal.
Súmula 200-STJ: O juízo federal competente para processar e julgar acusado de
crime de uso de passaporte falso é o do lugar onde o delito se consumou.
13
Já caiu em prova e foi considerada correta a seguinte alternativa: Em crimes de moeda falsa, a
jurisprudência predominante do STF é no sentido de reconhecer como bem penal tutelado não
somente o valor correspondente à expressão monetária contida nas cédulas ou moedas falsas, mas
a fé pública, a qual pode ser definida como bem intangível, que corresponde, exatamente, à
confiança que a população deposita em sua moeda.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Usar passaporte estrangeiro falso perante companhia aérea: Justiça estadual. O
uso de passaporte boliviano falso perante empresa privada de aviação é crime de
competência da Justiça Estadual. STF. 1ª Turma. RE 686241 AgR/SP e RE 632534
AgR/SP, Rei. Min. Rosa Weber, julgados em 26/11/2013 (lnfo 730).
Usar passaporte falso junto à polícia federal:Justiça federal
Compete à União executar os serviços de polícia de fronteiras, nos termos do art.
21, XXII, da Constituição Federal. Uma vez verificado que o suposto delito de uso
de documento falso (passaporte) foi praticado em detrimento de serviço prestado
pela Polícia Federal, relativo ao controle de fronteiras, resta inequívoco o
interesse da União em sua aplicação. STJ. 6ª Turma. RHC 31.039/RJ, Rei. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 21/02/2013.
4. CRIMES EM ESPÉCIE
4.1 Moeda Falsa (Art. 289)
Falsificar, FABRICANDO-A ou ALTERANDO-A, moeda metálica ou papel-moeda de
curso legal no país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
a) Bem jurídico tutelado:
A fé pública, no tocante à emissão de moeda de curso legal, sendo que a proteção recai não apenas
sobre o interesse dos particulares, mas também do Estado, enquanto titular do direito de emitir e fazer
circular a moeda.
O STJ denominou o crime de moeda falsa de pluridimensional, uma vez que,
além de proteger preponderantemente a fé pública, de forma mediata assegura o
patrimônio particular e a celeridade das relações empresariais e civis. HC 210764,
5ª T. STJ, 2016.
b) Conduta:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
O tipo previsto no caput pune o agente que falsificar, fabricando ou alterando, moeda metálica ou
papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro.
Na fabricação, o agente cria a moeda – como na confecção de notas a partir de papel comum com
aparência de cédula verdadeira, ao passo que, na alteração, o agente somente modifica a moeda
originariamente verdadeira para ostentar valor superior ao real.
Nas palavras de Rogério Sanches1:
“Falsificar significa conferir aparência enganadora, recaindo a conduta sobre
moeda metálica ou papel-moeda (nacional ou estrangeira). Há duas formas de se
praticar o delito: fabricando a moeda (manufaturando, fazendo a cunhagem) ou
alterando (modificando, adulterando). Na primeira, o próprio agente produz (cria)
a moeda, enquanto na segunda, utilizando moeda verdadeira (autêntica), a altera
(por exemplo, diante de uma cédula de R$ 1,00 ou de R$ 10,00, a transforma em
R$ 100,00) ”.
De acordo com a doutrina de FRAGOSO, somente se configura o crime se a alteração for no sentido
de atribuir maior valor à cédula ou à moeda metálica. Assim, se o agente altera somente números ou
símbolos que nada têm a ver com o aumento do valor da moeda, não pratica o crime em apreço. Bem
assim, não ocorre o delito na hipótese em que a alteração faz com que o valor nominal seja diminuído
em relação ao verdadeiro.
Trata-se de tipo misto alternativo, de modo que a falsificação de várias moedas no mesmo
contexto fático não desnatura a unicidade do crime (há crime único), devendo a quantidade de moedas ser
valorada como circunstância judicial negativa quando da fixação da pena-base. No entanto, se houver
contextos fáticos diversos, pode haver continuidade delitiva, por exemplo.
Requisito indispensável: Imitatio veri – Para configurar o delito a cédula falsa deve se assemelhar
com a verdadeira e, assim, ter aptidão de enganar terceiros. Caso contrário não trará ofensa à fé pública,
não configurando o crime do art. 289 do CP. A falsificação grosseira configura crime impossível em relação
ao crime de moeda falsa.
No entanto, pode ocorrer que a falsificação seja grosseira e inapta, de modo geral, para enganar
terceiros, mas, no caso concreto, tenha sido o meio fraudulento utilizado para enganar determinada
pessoa. Neste caso, poderá configurar crime patrimonial (estelionato), nos termos da Súmula n. 73 do STJ.
Súmula 73, STJ: A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura,
em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.
1 Manual de Direito Penal – Parte Especial.
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NÚCLEO DURO
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FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA2: caso seja grosseira a falsidade da moeda, de modo
que facilmente se possa identificá-la por análise superficial, o presente crime não
se configura, já que o objeto não é capaz de iludir a fé pública (o que caracteriza
crime impossível , nos termos do artigo 17 do CP) – mostrando-se, portanto,
indispensável a perícia (RF 139/390). No entanto, não é qualquer falsificação
grosseira que ensejará a atipicidade da conduta, pois se tiver o potencial de iludir
alguém, será estelionato, conforme a súmula 73 do STJ: "A utilização de papel-
moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, de
competência da Justiça Estadual ".
Se grosseira, mas capaz de enganar alguém: estelionato.
Se grosseira, mas incapaz de enganar ninguém: crime impossível.
Da presente decisão, extraímos também a indispensabilidade da perícia, salvo
em situação que se enquadra nas exceções legais, com provas substitutas.
c) Objeto material:
Moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no país ou no estrangeiro.
Se for moeda fora de circulação, como cruzeiro, por exemplo, não configurará este delito. Mas a
depender da situação, poderia configurar estelionato, por exemplo. (Objeto de questionamento de
prova oral no concurso para Delegado SP/2018)
Obs: Cheque-viagem não é moeda de curso legal obrigatório, portanto, a sua falsificação não enseja
a tipificação no art. 289.
d) Sujeito ativo:
Trata-se de crime comum, de modo que qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do presente delito.
Por sua vez, na figura qualificada do §3º, o sujeito ativo é o funcionário público, diretor, gerente ou fiscal de
banco de emissão (crime próprio).
É possível participação como, por exemplo, na intermediação para que o moedeiro obtenha
adquirentes.
e) Sujeito passivo: a coletividade, bem como, secundariamente, eventual lesado pela conduta do agente.
f) Elemento subjetivo: É o dolo, consistente na vontade consciente de falsificar moeda, fabricando-a ou
alterando-a.
2 https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/06/25/certo-ou-errado-utilizacao-de-papel-moeda-
grosseiramente-falsificado-pode-configurar-o-crime-de-estelionato/
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Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: Crime de falsidade material de
documento público se consuma com a efetiva utilização do documento público falsificado e a ocorrência de
prejuízo.
NÚCLEO DURO
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SEMANA 14/16
Neste crime, não se exige finalidade especial por parte do agente, nem mesmo intenção lucrativa
ou que pretenda colocar a moeda falsificada em circulação (corrente minoritária entende que haveria este
especial fim de agir, sob pena de não configurar o crime).
ATENÇÃO: O agente deve ter ciência de que a moeda falsificada será posta em circulação, expondo a risco a
fé pública. Dessa forma, é atípica a conduta de falsificar moeda com a intenção de exibir habilidade
artística.
g) Consumação e tentativa:
A consumação do crime ocorre no momento e no local da fabricação ou da alteração da moeda,
desde que seja idônea a iludir. Independe de repasse a alguém ou de ser colocada em circulação (crime
formal e de perigo concreto).
A tentativa é possível, mas é de difícil configuração.
HC 210764, 5ª T. STJ (2016) - "O crime de moeda falsa é formal e de perigo
abstrato, tendo em vista que a mera execução da conduta típica presume
absolutamente o perigo ao bem jurídico tutelado, sendo prescindível a obtenção
de vantagem ou prejuízo a terceiros para a consumação" (STJ. 5• T., HC 210764, j.
21/06/2016).
Considerações importantes:
Se, a partir da falsificação, o agente obtém vantagem indevida, o falso é absorvido pelo
estelionato, quando neste se exaure, em razão do princípio da consunção ou absorção,
conforme Súmula 17 do STJ.
Súmula 17 do STJ: "quando o falso se exaure no estelionato, sem mais
potencialidade lesiva, e por este absorvido.
Caiu em prova 2022! Empresário emitiu notas subfaturadas com a única
finalidade de redução do valor devido a título de ICMS, conduta que perdurou por
7 (sete) meses.Na hipótese, em relação aos crimes de falso (falsidade ideológica)
e ao crime contra a ordem tributária, aplicam-se os seguintes institutos:
Consunção e continuidade delitiva. (item correto) A súmula 17 do STJ baseia-se
no princípio da consunção e exige, para ser aplicada, que o crime de falsidade
(crime meio) fique completamente exaurido (sem potencialidade lesiva), após
ter sido empregado
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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para a prática do estelionato (delito-fim). O item ainda fala que o Delito
perpetuou- se por 7 meses caracterizando a continuidade delitiva.
Obs.: Trata-se da posição dominante. No entanto, é importante mencionar, sobretudo em
provas discursivas, que há divergência sobre o tema. Explica Rogério Sanches (Manual de Direito
Penal parte especial. Volume único. 11ª edição. 2019. pg. 385):
"Por fim, devemos lembrar que o crime de estelionato, pela sua natureza, pode vir
acompanhado pelo ato de falsificação de documentos. Nessa hipótese discute-se
se há (ou não) o concurso de delitos, havendo três posicionamentos :
a) de acordo com o STJ, protegendo bens jurídicos diversos, o agente responde
pelos dois crimes (estelionato e falso), em concurso material (art. 69 do CP),
considerando a pluralidade de condutas produzindo vários resultados. Contudo, se
o falso se esgota (se exaure) no estelionato, o delito contra a fé-pública (falso)
ficará absorvido pelo patrimonial (art. 171)"
b) segundo o STF o agente responderá pelos dois delitos, porém em concurso
formal, considerando haver uma conduta (dividida em dois atos) produzindo
pluralidade de resultados. Deve-se notar, contudo, que o Pleno do tribunal, em
julgamento de processo de extradição, também já se manifestou pela possibilidade
de absorção do falso pelo estelionato quando a potencialidade lesiva daquele se
exaure neste último {Ext. 931/PT, rei. Min. Cezar Peluso, OJe 14/10/2005).
c) o crime de falso absorve o estelionato , se o documento for público, já que a
pena do falsum é mais severa (princípio da absorção).
Se, após falsificá-la, o mesmo agente coloca a moeda em circulação, consistirá em mero
exaurimento (post factum impunível). Neste exemplo, caso inexista prova da autoria da
falsificação, o agente que traz consigo a moeda falsa pode ser condenado pelo delito de
circulação de moeda falsa (art. 289, § 1º).
Desistência voluntária: o agente responde pelo delito de petrechos para falsificação de moeda
(art. 291).
h) Competência: O crime de moeda falsa, em qualquer das suas modalidades, será de competência da
Justiça Federal, pois ofende interesses da União.
Obs.1: mesmo em caso de moeda estrangeira ou moeda nacional falsificada no estrangeiro,
considerando violar interesse da União e impondo a extraterritorialidade da lei penal brasileira, nos termos
do art. 7º, I, “b” e § 1º, do CPB.
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NÚCLEO DURO
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Obs2.: O STJ já decidiu que, ainda que o crime de moeda falsa seja absorvido pelo peculato , a efetiva
utilização das notas falsificadas atrai o interessa da União e determina a competência da Justiça Federal:
“CONFLITO DE COMPETÊNCIA. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. POSSE ILEGAL DE
ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO. MOEDA FALSA. INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO
ENTRE AS CONDUTAS. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 122/STF. SEPARAÇÃO DOS
PROCESSOS. CONFLITO CONHECIDO. COMPETÊNCIA DO JUÍZO SUSCITADO PARA
PROCESSO E JULGAR OS CRIMES DE TRÁFICO E POSSE DE ARMA DE USO
RESTRITO.
(...) 3. Independentemente da análise se o crime de moeda falsa será absorvido
pelo crime de peculato, constata-se que houve a efetiva utilização de notas
falsificadas na prática criminosa, o que, por si só, já revela o interesse da União e
autoriza a manutenção dessa ação penal na Justiça Federal. (...)” (STJ, CC
145.378/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe 06/10/2017)
Jurisprudência pertinente sobre o tema:
INSIGNIFICÂNCIA: Na visão dos Tribunais Superiores, é inaplicável o princípio da
bagatela (insignificância) ao crime de falsificação de moeda, ainda que ínfimo o
valor de face, considerando que o alcance da norma jurídica não é evitar prejuízos
patrimoniais (âmbito de proteção dos crimes contra o patrimônio), mas manter a
confiança da população na higidez da moeda.
Recente Juris!!! Atenção: Em regra, não se admite o princípio da insignificância nos crimes contra a fé pública,
salvo quando há circunstâncias excepcionais verificadas.
Excepcionalmente, admite-se o princípio da insignificância nos crimes contra a fé
pública (uso de atestado falso) em casos que o dolo do réu revela, de plano, "a
mínima ofensividade da conduta do agente, a nenhuma periculosidade social da
ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a
inexpressividade da lesão jurídica provocada", a demonstrar a atipicidade
material da conduta e afastar a incidência do direito penal, sendo suficientes as
sanções previstas na Lei trabalhista.STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1816993/B1,
Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 16/11/2021
ARREPENDIMENTO POSTERIOR: O STJ decidiu que não se aplica a regra do
arrependimento posterior se o agente repara o dano que causou à pessoa que
recebeu a moeda falsa, pois, neste crime, a relevância não está no prejuízo
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CESPE/2018 - A conduta de dolosamente adquirir dólares falsos para colocá-los em circulação por
intermédio de operações cambiais tem a mesma gravidade que a conduta de falsificar papel moeda, sendo,
por isso, punida com as mesmas penas deste crime. Item Correto.
NÚCLEO DURO
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patrimonial, mas na fragilização da confiança que deve ser depositada no sistema
monetário.
4.1.1 Conduta Equiparada
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou
exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação
moeda falsa.
Caiu em prova 2022! O agente que desvia e faz circular moeda verdadeira, cuja circulação não estava ainda
autorizada, incorre nas mesmas penas do delito de moeda falsa. (item correto)
ATENÇÃO! Somente poderá ter sua conduta subsumida ao disposto neste parágrafo o agente que
não concorreu , de qualquer modo, para a falsificação (se concorreu será post factum impunível).
Considerações sobre a figura equiparada:
Tipo misto alternativo: O § 1° prevê crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado, ou seja, ainda
que o agente pratique vários verbos do núcleo do tipo, o crime será um só.
O dolo é consubstanciado na vontade consciente de praticar uma das condutas típicas previstas, de
modo que o agente deve ter conhecimento efetivo da falsidade da moeda. Caso contrário, como
não há modalidade culposa, sua conduta será atípica. Não é partícipe desse crime aquele que, não
estando em conluio com o passador da moeda, apenas o acompanha, mesmo sabedor da falsidade.
O crime estará consumado no momento em que o autor praticar o núcleo do tipo. Em relação ao
núcleo verbal “guardar”, temos um crime permanente, razão pela qual a consumação, quanto a ele,
se protrai no tempo.
Trata-se de crime plurissubsistente, sendo possível a tentativa
4.1.2 Figura Privilegiada
§ 2°, "Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou
alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com
detenção, de seis meses a dois anos, e multa".
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NÚCLEO DURO
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Trata-se do agente que recebe de boa-fé a moeda falsa, acreditando tratar-se de moeda autêntica,
e, após descobrir sua falsidade, a restitui à circulação.
Ex.: comerciante que, tendo recebido inúmeras notas falsas durante o movimento semanal, e,
mesmo tendo percebido sua falsidade, decide repassar as cédulas a outros clientes para não ficar com o
prejuízo.
Considerações importantes:
A forma privilegiada tem que ser cometida com dolo direto,pois se exige que o agente tenha
certeza plena acerca da falsificação. Não é aceito o dolo eventual.
O indivíduo precisa estar de boa-fé!
Caso o sujeito tenha agido de má-fé ab initio, ou seja, tenha ciência da falsificação da
moeda desde o momento em que recebeu, deverá responder pelo § 1°.
Caso o agente só saiba da falsidade depois de transmitir a moeda, não responderá pelo
delito, nem mesmo caso se recuse a receber de volta ou a indenizar o recebedor após a
descoberta. No máximo, isso deve ser solucionado no campo cível.
Quem apenas guarda a moeda, sem intenção de restituir à circulação, também não
pratica o crime.
Momento consumativo - a forma privilegiada estará consumada no momento em que a moeda
falsa é colocada em circulação. Tratando-se de delito plurissubsistente - é possível a tentativa.
IMPO - Admite suspensão condicional do processo
O STJ entendeu cabível a aplicação das agravantes "contra ascendente, descendente, irmão ou
cônjuge" ou "contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida". (HC 211.052-RO,
Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, Rei. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 5/6/2014).
4.1.3 Crime Funcional/ figura qualificada
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário
público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou
autoriza a fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja
circulação não estava ainda autorizada .
ANÁLISE DO §3°:
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NÚCLEO DURO
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a) Sujeito ativo: Nesta modalidade o crime é próprio, aparecendo como sujeito ativo (razão do maior
rigorismo na punição) o funcionário público que pratica o fato em violação de dever funcional inerente
ao ofício ou atividade de emissão de moedas.
Funcionário público (art. 327 do CP)
Diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou
emissão
b) Objeto material:
Moeda
Papel moeda
Nota-se que a lei não menciona a moeda metálica. Assim, a produção de moeda metálica em
quantidade superior à autorizada é fato atípico (lacuna legislativa), já que não se admite analogia in
malam partem em sede de Direito Penal.
c) Crime formal - O tipo qualificado estará consumado no momento em que o agente realiza o núcleo do
tipo, não sendo necessária a produção de qualquer resultado ulterior.
ANÁLISE DO §4º
a) Sujeitos:
Sujeito ativo - pode ser qualquer pessoa (crime comum);
Sujeito passivo - é o Estado.
b) Objeto material - é a moeda verdadeira: O dispositivo versa sobre moeda verdadeira e fabricada
legitimamente, mas que é colocada em circulação antes da autorização competente.
c) Consumação – Trata-se de crime formal, que se consuma no momento em que o agente coloca a
moeda em circulação, sendo irrelevante que venha a obter qualquer proveito com essa conduta (Se
houver, será mero exaurimento).
d) Tentativa: A tentativa é possível, já que se está diante de crime plurissubsistente (ex.: o sujeito
impedido pela autoridade quando estava prestes a colocar a moeda em circulação).
e) Penas: As penas cominadas a essa figura são as do caput e não as do § 3º, pois o parágrafo
subordina- se ao artigo (Noronha).
Os 2 parágrafos acima são normas penais em branco, vez que outra lei é que determinará o título
ou o peso e que a quantidade também deve ser autorizada por outra norma.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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4.1.4 Crimes Assimilados ao de Moeda Falsa (Art. 290)
Art. 290 - Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com
fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota, cédula
ou bilhete recolhidos, para o fim de restituí-los à circulação, sinal indicativo de sua
inutilização; restituir à circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já
recolhidos para o fim de inutilização:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
Parágrafo único - O máximo da reclusão é elevado a doze anos e multa, se o crime
é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava
recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do cargo. (Vide Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
a) Conduta:
Utilização de meio fraudulento para conseguir o ressurgimento ou a remontagem de cédulas,
bilhetes ou notas já inutilizadas ou fora de circulação. Não há contrafação, mas sim recomposição
fraudulenta de moeda verdadeira.
O tipo alberga três crimes, assim nomeados por Fragoso:
1) Formação de cédulas com fragmentos: FORMAR cédula, nota ou bilhete representativo de moeda
com fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros.
Não se cuida de unir uma cédula rasgada, mas sim de compor outra cédula, com junção de
fragmentos de notas distintas. Ou seja: o agente reúne fragmentos de cédulas, notas ou bilhetes
verdadeiros para formar uma unidade nova, falsificada
NÃO se inclui a moeda metálica!!!!
Não se confunde com a alteração de papel-moeda (aposição de dizeres e números de uma
cédula verdadeira em outra, para aumentar o seu valor), que caracteriza o crime de moeda
falsa (art. 289). Diferentemente da alteração, a formação implica constituição de moeda
inédita, e não transformação da moeda verdadeira em falsificada.
Nesse sentido, quanto ao recorte e colagem de pedaços de cédula verdadeira em
outra, para o fim de aumentar o valor, o STF entendeu configurado o crime do
art. 289 do CP (RTJ 33/506).
2) Supressão de sinal indicativo ou inutilização: SUPRIMIR, em nota, cédula ou bilhete recolhidos, para
o fim de restituí-los à circulação , sinal indicativo de sua inutilização;
Aqui, o agente retira o sinal que demonstra sua inutilização, para restituí-la à circulação.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Tem como objeto material o papel-moeda afastado da circulação (sem curso legal) com sinal
(carimbo, picote) que indique sua inutilização
A conduta consiste em suprimir esse sinal (raspagem, lavagem, descoloração, entre outros meios)
Nesta modalidade, há um fim específico de agir, pois o agente deve visar restituí-la para a
circulação.
3) Restituição à circulação: RESTITUIR à circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições (com
fragmentos), ou já recolhidos para o fim de inutilização:
Nas modalidades anteriores há elaboração (formação ou supressão), mediante o uso de fraude.
Nessa há somente restituição à circulação, tanto do material já inutilizado, quanto daquele
recolhido para inutilização.
Não se confunde com a introdução de moeda falsa em circulação, pois nesse caso a ação tem
por objeto moeda falsificada (fabricada ou alterada). Obs.: Bitencourt entende que a introdução
em circulação de moeda formada com fragmentos não se enquadraria nesse tipo, mas sim no de
moeda falsa (art. 289, § 1º).
Se a restituição for praticada pelo mesmo agente que formou a moeda ou suprimiu o sinal,
haverá crime único. Nas palavras de Cleber Masson:
“O delito somente pode ser praticado pelo sujeito que não participou da
falsificação do papel-moeda ou da retirada de sinal indicativo da sua inutilização.
De fato, aquele que praticar qualquer das condutas anteriores, e posteriormente
restituir à circulação a cédula, bilhete ou papel-moeda, será responsabilizado
unicamente pelo comportamento inicial, pois a conduta posterior será absorvida,
em homenagem ao princípio da consunção (post factum impunível).”
Tal como no delito de moeda falsa, é indispensável a potencialidade de enganar. Se o objeto
falsificado não tiver a potencialidade de iludir alguém, sendo um elemento grosseiro, não se configura o
tipo penal.
Trata-se de tipo penal misto alternativo, de modo que estará caracterizado um único delito quando
o agente realizarmais de uma conduta no tocante ao mesmo objeto material (cédula, nota ou bilhete).
Exemplo: “A” forma uma cédula com fragmentos de cédulas verdadeiras e, em seguida, a coloca em
circulação.
Contudo, haverá concurso de crimes (tipo misto cumulativo) quando o agente praticar duas ou
mais condutas em relação a objetos diversos. Exemplo: “A” forma uma cédula com fragmentos de cédulas
verdadeiras, e também suprime sinal indicativo de inutilização de cédula já recolhida, para o fim de restituí-
la à circulação.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Obs.: Diferentemente do que ocorre no caso do art. 289, as condutas de RECEBER, ADQUIRIR OU OCULTAR
moeda nas condições descritas no art. 290 NÃO SÃO EQUIPARADAS AO CRIME PREVISTO NESTE
DISPOSITIVO. Assim, aquele que recebe o papel-moeda fraudado, nas condições apontadas pelo art. 290
do Código Penal, deve ser responsabilizado por receptação (CP, art. 180) ou favorecimento real (CP, art.
349).
E se o agente recebe de boa-fé a moeda fraudada nos termos do art. 290 e depois a recoloca em
circulação? Nesse caso existem duas correntes:
• 1ª C (Fragoso e Hungria) - também é receptação
• 2ª C (Bitencourt), é fato atípico, pois na receptação não há interrupção da cadeia criminosa
originada do crime a quo, interrupção essa que se opera no caso em análise com o
recebimento de boa-fé. Logo, aplicar tanto a receptação quanto a figura privilegiada do art.
289, § 2º ao caso em análise caracterizaria analogia in malam partem, além do que haveria
desproporcionalidade da sanção cominada à receptação.
b) Sujeitos: crime comum tanto em relação ao sujeito ativo quanto ao sujeito passivo
Na forma fundamental (caput) - crime comum tanto em relação ao sujeito ativo quanto ao sujeito
passivo
Na forma qualificada – crime próprio
c) Elemento subjetivo: É o dolo.
No núcleo “suprimir” também se reclama uma especial finalidade (elemento subjetivo específico),
representado pela expressão “para o fim de restituí-los à circulação”.
Não são admitidas as modalidades culposas.
d) Consumação e tentativa: crime formal . Consuma-se com a formação da moeda, supressão do sinal ou
restituição à circulação. Admite tentativa
e) Competência: competência da justiça federal!
f) Forma qualificada (§ único): crime próprio
Se o agente é funcionário público que trabalha na repartição onde estava recolhido o dinheiro ou
tem fácil acesso a ela. Não é qualquer funcionário público, mas somente aquele cujo cargo facilite o acesso
ao dinheiro. A conduta é mais reprovável, pois além da ofensa à fé pública, há violação dos deveres do
cargo.
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
Parágrafo único - O MÁXIMO DA RECLUSÃO é elevado a doze anos e multa, se o
crime é cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se
achava recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do cargo.
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NÚCLEO DURO
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ATENÇÃO: Os crimes assimilados aos de moeda falsa pertencem ao rol dos delitos não
transeuntes, pois deixam vestígios de ordem material. Destarte, a prova da materialidade do fato exige a
elaboração de exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado
(CPP, art. 158).
4.2 Petrechos Para Falsificação De Moeda (Art. 291)
Art. 291. Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou
guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente
destinado à falsificação de moeda:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
a) Considerações importantes:
Trata-se de punição dos atos preparatórios para a falsificação, configurando exceção à regra da não
punibilidade dos atos preparatórios. (crime obstáculo)
É crime subsidiário em relação ao do art. 289.
Em regra, é competência da justiça federal!!!
Cuidado! STJ: "Se os petrechos ou instrumentos apreendidos não se prestam
apenas para a contrafação da moeda, já que podem ser utilizados para a prática
de outras fraudes, como, por exemplo, o 'conto do paco' (na ação, um suposto
estelionatário deixa cair um pacote de dinheiro no chão, a vítima devolve e é
chamada para receber uma gratificação pelo ato, porém, o que acontece é um
assalto), a competência para conhecer da ação penal é da Justiça Estadual"
(Conflito de Competência 7.682-0/SP, Rei. Min. Anselmo Santiago).
b) Tipo objetivo: os verbos do tipo são:
• Fabricar
• Adquirir
• Fornecer
• Possuir
• Guardar.
Nas hipóteses de “possuir” ou “guardar”, trata-se de crime permanente, admitindo a
prisão em flagrante a qualquer momento.
c) Objeto material (“petrecho” para falsificação de moeda) consiste em: maquinismo, aparelho,
instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à falsificação de moeda.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Segundo ensina Cleber Masson, o termo “especialmente” diz respeito à finalidade precípua do
objeto, sendo certo que o bem pode ser utilizado para outros fins, embora seja prioritariamente
empregado na contrafação de moedas.
Em outras palavras: o aparelho que for encontrado serve para outras finalidades e também pode
servir para a falsificação de moeda. É o caso de uma impressora. Não se pode dizer que se trata de uma
máquina que sirva exclusivamente para falsificar papel-moeda, mas ela pode sim servir para caracterizar
este delito caso fique comprovado que o agente a tinha para essa especial destinação.
É nesse sentido o entendimento do STF. Confira:
Para tipificar o crime do art. 291 do CP, basta que o agente detenha a posse de
petrechos destinados à falsificação de moeda, sendo prescindível que o
maquinário seja de uso exclusivo para esse fim
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado
à falsificação de moeda. A expressão “especialmente destinado” não diz respeito
a uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim fosse, só o
maquinário exclusivamente voltado para a fabricação ou falsificação de moedas
consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua
consumação (crime impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos
utilizados pela Casa de Moeda são direcionados exclusivamente para a fabricação
de moeda. A dicção legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao
objeto, ou seja, a consumação depende da análise do elemento subjetivo do tipo
(dolo), de modo que, se o agente detém a posse de impressora, ainda que
manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar
precipuamente para contrafação de moeda, incorre no referido crime. STJ. 6ª
Turma. REsp 1758958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/09/2018
(Info 633).
Haverá o crime do art. 291 independentemente de os petrechos serem verdadeiros (ex.: máquinas
subtraídas da Casa da Moeda) ou falsos, desde que sejam eficazes à finalidade pretendida.
Ressalta-se que a prova de que os petrechos são eficazes à falsificação depende de perícia
(subsistindo o crime ainda que se conclua ser o objeto capaz de realizar, em parte , a contrafação).
Na hipótese em que o sujeito é surpreendido com os petrechos para falsificação e se constata já haver
ocorrido a contrafação de moeda, haverá concurso de crimes ou incide o princípio da consunção?
R.: Conforme explica Cleber Masson (ob. cit., p. 470), existem duas posições sobre o tema:
o 1ª corrente: Masson e Rogério Greco - O agente deve ser responsabilizado pelo crime de
petrechos para falsificação de moeda (art. 291) em concurso material com o delito de moeda
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Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: Aquele que adquire objeto
especialmente destinado à falsificação de moeda, sem, contudo, efetivamente produzir moeda falsa, não
incorre em conduta criminosa, uma vez que praticou ato meramente preparatório.
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falsa (art. 289 do CP). Tais crimes consumam-se em momentos distintos, não havendo falar em
princípio da consunção.
o 2ª corrente: Rogério Sanches e Hungria - Incide o princípio da consunção, resultando na
absorção do crime-meio (art. 291) pelo crime-fim, que é o de moeda falsa (art. 289).
d) Elemento subjetivo: É o dolo, independentemente de qualquer finalidade específica. Não se admite a
modalidade culposa.
e) Consumação e Tentativa:
Cuida-se de crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado: consuma-se com a
fabricação, aquisição, fornecimento, posse ou guarda dos objetos destinados à falsificação de moeda,
independentemente da sua efetiva utilização pelo agente.
Não admite tentativa!
DICA: Ainda estudaremos os demais crimes, mas tome nota desde já que somente haverá
criminalização referente aos petrechos quando utilizados para a falsificação de moeda falsa (art. 291) e
papéis públicos (art. 294). NÃO existe o crime de "petrechos de falsificação" para documentos públicos e
particulares.
4.3 Emissão De Título Ao Portador Sem Permissão Legal (Art. 292)
Emitir, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha
promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do
nome da pessoa a quem deva ser pago:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos
documentos referidos neste artigo incorre na pena de detenção, de quinze dias a
três meses, ou multa.
a) Considerações iniciais:
Crime de menor potencial ofensivo nas duas modalidades.
Norma penal em branco, pois a permissão é encontrada em outra lei.
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b) Sujeitos do crime:
Sujeito ativo é qualquer um que emita título ao portador fora dos casos autorizados, bem como
aquele que recebe ou utiliza como dinheiro os referidos documentos (crime comum).
Sujeito passivo é o Estado, bem assim o particular eventualmente prejudicado, desde que não
tenha conscientemente recebido o título (quem recebe com conhecimento da proibição de
emissão do título é sujeito ativo).
c) Conduta: O núcleo do tipo é “emitir”, ou seja, colocar em circulação a nota, bilhete, ficha, vale ou
título que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do
nome da pessoa a quem deva ser pago. O objeto deve ser destinado a circular como dinheiro.
d) Objeto material: bilhete, ficha, vale ou título ao portador, que não contenham indicação em relação a
quem se dirigem. Deve conter a promessa de pagamento em dinheiro. Não pode haver permissão
legal.
e) Elemento subjetivo: para Bitencourt, somente dolo direto, não se admitindo dolo eventual, em
nenhuma modalidade, pois o agente deve ter consciência de que se trata de título utilizado em
substituição ao dinheiro e sem permissão legal. Como esse conhecimento deve ser atual, não há que
se falar em dolo eventual. Não é punido na modalidade culposa. Não demanda especial fim de agir.
f) Consumação: com a emissão. É crime formal e unissubsistente. Não admite tentativa.
4.4 Da Falsidade De Títulos E Outros Papéis Públicos
4.4.1 Falsificação de PAPÉIS públicos
Art. 293 - Falsificar, FABRICANDO-OS ou ALTERANDO-OS:
I - Selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão
legal destinado à arrecadação de tributo ;
II - papel de crédito público que não seja moeda de curso legal
III - vale postal; este inciso foi revogado pelo art. 36 da Lei 6.538/78 que pune, de
forma especial, o crime de falsificação do vale postal.
IV - Cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro
estabelecimento mantido por entidade de direito público;
V - talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação
de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja
responsável;
a) Tipo objetivo
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O núcleo do tipo é falsificar, mediante fabricação ou alteração , algum dos papéis públicos
enumerados nos incisos do caput do artigo 293.
Fabricando: manufaturando, produzindo a partir de matérias-primas, fazendo a cunhagem de.
Alterando: modificando, transformando, produzindo a mudança de
b) Objeto material
Selo destinado a controle tributário, papel selado (papel em que o selo lhe é inerente, adquirido
nas repartições tributárias) ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de
tributo. (Adotando fórmula genérica, a lei determinou que qualquer outro papel de emissão legal,
que se destine a arrecadar tributos, pode ser objeto material do crime);
Papel de crédito público que não seja moeda de curso legal (Ex.: É o título da dívida pública
apólices, obrigações do Tesouro, emitido pela União, Estados ou Municípios)
Cautela de penhor (documento com o qual a coisa empenhada em garantia pode ser retirada)
Caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade
de direito público
Tratando-se de caderneta de depósito referente a estabelecimento privado, poderá haver
crime do art. 297 ou 298, a depender do caso
Talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas
públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável;
O alvará expedido para outros fins (como por exemplo, entrada de menores em
estabelecimentos de diversão, configurará o delito do art. 297 do CP.
Bilhete (papel impresso que confere ao seu portador o direito de usufruir de meio de transporte
coletivo), passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela União, por Estado
ou por Município
Como já deixamos a dica, documento falsificado deve ser apto a iludir , pois se grosseira a falsificação, não
se configura o crime em estudo. Mostra-se, portanto, imprescindível a realização do exame pericial nas
peças fabricadas ou adulteradas.
c) Sujeitos do crime
Sujeito passivo – Estado
Sujeito ativo – crime comum
Se for funcionário público, haverá uma causa de aumento de pena.
d) Consumação e tentativa: crime formal, cuja consumação dispensa a efetiva circulação do papel
público falsificado ou a ocorrência de dano a terceiro.
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e) Competência: em regra, da justiça estadual, salvo se ocasionar prejuízo à União, hipótese em que a
competência será da justiça federal.
f) Figuras equiparadas:
§ 1o Incorre na mesma pena quem:
I - Usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere
este artigo;.
II - Importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou
restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário;
III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda,
troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito
próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial (CRIME
PRÓPRIO), produto ou mercadoria:
a) em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado;
b) sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina a
obrigatoriedade de sua aplicação. NORMA PENAL EM BRANCO!!!!
Inciso I – Usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo;
Pratica o a figura equiparada prevista no inciso I pessoa diversa do falsário. Por outro lado, se o
agente incidiu em qualquer das modalidades do caput, trata-se de post factum impunível.
Guardar, possuir e deter são crimes permanentes
Inciso II - Importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à
circulação selo falsificado destinado a controle tributário;
Refere-se apenas ao selo falsificado destinadoa controle tributário
Inciso III - importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede,
empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio , no exercício de
atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria:
o Crime próprio
o Lei penal em branco homogênea (a norma explicativa está contida no §5º)
o Crime formal
É dispensável a constituição definitiva do crédito tributário para que esteja consumado o crime
previsto no art. 293, §1º, III, "b", do CP. Isso porque o referido delito possui natureza formal, de modo que
já estará consumado quando o agente importar, exportar, adquirir, vender, expuser à venda, mantiver em
depósito, guardar, trocar, ceder, emprestar, fornecer, portar ou, de qualquer forma, utilizar em proveito
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CESPE/2020 - Caracteriza crime contra a fé pública a venda, no exercício de atividade comercial, de
mercadoria em que tenha sido aplicado selo falsificado que se destina a controle tributário.
Item correto.
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: Aquele que suprimir sinal legítimo
indicativo de inutilização em papel público, com o fim de torná-lo novamente utilizável, incorrerá nas
mesmas penas previstas para o crime de falsificação de papéis públicos (art. 293, “caput”, do CP).
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próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria sem selo oficial.
(STJ – Informativo 546 – 2014, sexta turma, DPN).
§2º - Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-
los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização :
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (Médio potencial ofensivo)
§ 3º - Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis
a que se refere o parágrafo anterior. (Como você já deve saber, se quem suprimiu
o carimbo ou sinal indicativo de inutilização é aquele que o usa em conduta
subsequente, será punido somente pela primeira prática criminosa).
No §2º, temos papeis públicos legítimos – que não foram falsificados mediante contrafação ou
alteração, mas foram inutilizados.
Exige especial fim de agir, consubstanciado no fim de reutilizar tais papeis, porém, dispensável que
venha a efetivamente ocorrer para a consumação, por tratar-se de crime formal.
g) Figura privilegiada
§ 4º - Quem usa ou restitui à circulação, embora recibo de boa-fé, qualquer dos
papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o seu § 2º, depois
de conhecer a falsidade ou alteração, incorre na pena de detenção, de 6 (seis)
meses a 2 (dois) anos, ou multa. (menor potencial ofensivo)
§ 5o Equipara-se a atividade comercial, para os fins do inciso III do § 1o, qualquer
forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças
ou outros logradouros públicos e em residências . (norma penal explicativa)
h) Princípio da especialidade
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Se qualquer das condutas estabelecidas nos§§ 2° a 4° recair em selo ou outra forma de
franqueamento ou vale postal, o crime será o do art. 37 da Lei no 6.538/76.
Falsificação ou alteração de nota fiscal, fatura duplicata, nota de venda, ou qualquer outro
documento relativo à operação tributável - crime do art. 1º, III da Lei 8137/90 (crime material)
4.4.2 Petrechos De Falsificação (Art. 294)
Art. Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente
destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. (Médio potencial ofensivo)
a) Conduta: os núcleos verbais são:
• Fabricar
• Adquirir
• Fornecer
• Possuir
• Guardar
Não criminaliza a fabricação, aquisição ou fornecimento de documentos públicos ou privados,
carimbos, títulos, vales postais, bilhetes, talão, guia, selos ou sinais característicos, mas tão somente
objetos destinados a falsificá-los.
Trata-se de crime subsidiário em relação ao de falsificação de papéis públicos. Criminaliza atos que
seriam meramente preparatórios, pois tipifica a mera posse ou guarda do “petrecho”. Assim, o agente que
falsifica não responde pelo crime de petrecho (consunção), mas apenas pela falsificação de papéis públicos.
b) Objeto material - objeto destinado à falsificação de quaisquer dos papéis referidos no art. 293 (deve-
se investigar a destinação subjetiva).
Se a ação for destinada à falsificação de vale postal, selo ou qualquer outro meio de
franqueamento postal, caracterizará o crime descrito no art. 38 da Lei n.º 6.538/78.
É indiferente que o agente esteja atuando a título oneroso ou gratuito.
A comprovação da idoneidade dos objetos à falsificação deve ocorrer por meio de perícia. Ainda
que se conclua não ser o objeto examinado apto à falsificação completa do papel, o crime se configurará, já
que basta a eficácia para a realização parcial.
O artigo 295 traz uma causa de aumento de pena na hipótese de ser praticado por funcionário
público. Aplica-se aos crimes dos arts. 293 e 294.
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Art. 295 - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do
cargo, aumenta-se a pena de sexta parte .
4.5 Da Falsidade Documental
4.5.1 Falsificação do Selo ou Sinal Público (Art. 296)
Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:
I - SELO público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de
Município;
II - SELO ou SINAL atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade,
ou sinal público de tabelião.
a) Bem jurídico tutelado: fé pública, em especial a genuinidade dos selos e sinais públicos destinados à
autenticação de atos oficiais públicos.
Esse tipo tem reduzido alcance nos dias atuais, haja vista o surgimento de novas formas de avalizar
a autenticidade de atos públicos (publicação no Diário Oficial, por exemplo).
b) Sujeitos:
Sujeito ativo é qualquer um (crime comum).
Sujeito passivo, primariamente, é o Estado e a coletividade; secundariamente, pessoa física ou
jurídica lesada.
c) Conduta: é falsificar, fabricando ou alterando.
d) Objeto material: selo ou sinal público (termos similares) - é marca a ser aposta ou estampada em
determinados papéis para atribuir-lhes autenticidade (chancela, carimbo ou sinete, por exemplo).
Não se confundem com o instrumento que os produz
Inciso I - São os selos destinados a reconhecer como verdadeiros os atos emanados desses
entes. Não se confunde com o selo destinado ao controle tributário do artigo antecedente.
Inciso II - Não se incluem as empresas públicas, sociedade de economia mista e os entes de
cooperação, pois são pessoas jurídicas de Direito Privado. A autoridade que o artigo menciona
é aquela que autentica documentos utilizando selos ou sinais.)
Não haverá crime do art. 296:
Quando a falsificação recair sobre carimbo para reconhecimento de firma em tabelionato. Esse
carimbo não é sinal público (RT571/394).
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Quando a falsificação recair sobre selo público de titularidade de autoridade estrangeira (mas
poderá constituir meio para a prática de outro delito).
Quando a falsificação recair sobre selos destinados a autenticar atos oficiais do Distrito Federal.
Não há crime se o selo ou sinal já não possuem utilidade ou se estiverem estragados.
e) Consumação e tentativa:
Trata-se de crime formal, que se consuma com a falsificação, independentemente da obtenção de
vantagem indevida ou da provocação de prejuízo a alguém. Admite tentativa.
Figuras equiparadas
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado; desde que não tenha praticado a
falsificação (post factum impunível)
II - quem utiliza indevidamenteo selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem
ou em proveito próprio ou alheio.
III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou
quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da
Administração Pública.
Incorre nas mesmas penas do falso quem:
Usa o selo ou sinal falsificados - falsificador não responde por esse crime; mera detenção é atípica.
Utiliza-os indevidamente – aqui, o selo ou sinal são verdadeiros, mas sua utilização é indevida.
Para doutrina majoritária, não se exige efetivo prejuízo ou, alternativamente, obtenção de
proveito.
Altera, falsifica ou usa indevidamente símbolos da Administração Pública - tem como objeto
material não apenas sinais ou símbolos destinados à autenticação de documentos, alcançando
quaisquer símbolos, utilizados para quaisquer fim, abrangendo até mesmo os símbolos
meramente identificadores de órgãos ou entidades.
a) Objeto material:
A abrangência do dispositivo é considerável, já que são considerados quaisquer caracteres aptos a
identificar órgãos ou entidades da Administração Pública. Esses sinais podem ser apostos tanto em papéis
como em outros objetos, como plaquetas destinadas a identificar o patrimônio de entes públicos,
normalmente afixadas em móveis, veículos etc.
b) Tipo subjetivo: dolo, não sendo necessário qualquer fim especial de agir. Não há modalidade culposa.
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NÚCLEO DURO
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c) Consumação e tentativa: consuma-se com a falsificação ou com a utilização do selo falso, exigindo-se
efetivo prejuízo ou obtenção de proveito apenas na hipótese do §1º, II (uso indevido de selo ou sinal).
Admite-se tentativa, salvo na modalidade de uso. A realização simultânea de várias condutas caracteriza
crime único (crime de ação múltipla ou de conteúdo variado).
d) Forma majorada (§ 2º): funcionário público que pratica o crime prevalecendo-se do cargo.
§ 2º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do
cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
4.5.2 Falsificação de Documento Público (Art. 297)
(Lembrar das regras de competência do início do arquivo)
Art. 297 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, documento público, ou alterar
documento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do
cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de
entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações
de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.
§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº
9.983, de 2000)
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a
fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de
segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento
que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa
da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com
as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou
diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §
3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do
contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)
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Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: O crime de falsificação de
documento público (art. 297 do CP) é próprio de funcionário público.
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Trata-se de crime de elevado potencial ofensivo, comum, formal, de forma livre, comissivo,
instantâneo, de perigo abstrato, unissubjetivo e plurissubsistente.
a) Bem jurídico tutelado: fé pública, no que tange à autenticidade dos documentos emanados da
Administração Pública (ou equiparados). A fé pública deve ser compreendida como a crença na
legitimidade, veracidade e lealdade para com os documentos que materializam a vida de cada ser
humano. (Presunção de legitimidade/veracidade).
b) Sujeito ativo: crime comum!!! Qualquer pessoa pode praticar!
Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se sexta
parte (1/6) da pena. (§ 1º do art. 297 do CP).
§1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do
cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
c) Sujeito passivo: Estado e pessoa física ou jurídica prejudicada pela falsificação
d) Elemento subjetivo: Dolo. O delito não exige finalidade especial animando o agente. A finalidade
especial poderá mudar o crime.
e) Conduta: O tipo pune “falsificar, no todo ou em parte” ou “alterar” documento público.
Pune-se aqui a falsidade material , que é aquela que diz respeito à forma do documento.
A falsificação pode ser total, hipótese em que o documento é inteiramente criado, ou parcial,
adicionando-se, nos espaços em branco da peça escrita, novos (e relevantes) elementos.
Já na conduta alterar, o agente modifica documento público existente (e verdadeiro), substituindo
ou alterando dizeres inerentes à própria essência do documento.
“Falsificar no todo” - significa dizer que o documento é inteiramente criado;
“Falsificar em parte” - consiste no fato de que o agente adiciona novos elementos nos espaços
em branco do documento.
“Alterar” - o agente modifica documento público existente (e verdadeiro), substituindo ou
alterando dizeres da peça.
ATENÇÃO! O uso do documento falsificado pelo agente falsificador é post factum
impunível, em razão do princípio da consunção;
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NÚCLEO DURO
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ATENÇÃO: Segundo o STF, Prefeito que, ao sancionar lei aprovada pela Câmara dos Vereadores,
inclui artigo que não constava originalmente do projeto votado pratica o crime de falsificação de
documento público (art. 297, § 1º do CP). Neste caso, o fato de o réu ser prefeito e, logicamente
funcionário público, não pode ser utilizado como circunstância desfavorável apta a aumentar a pena base,
mas tão somente como causa de aumento de pena, sob pena de configurar bis in idem.
f) Consumação e Tentativa:
Crime material - se consuma com a falsificação ou alteração potencialmente lesivas, sendo
irrelevante o efetivo uso do documento para fins de consumação. Porém, ocorrendo o efetivo uso
do documento, temos que diferenciar duas situações:
(1) Quem usa o documento é o próprio falsificador ou terceiro que, de qualquer modo,
concorreu para a falsificação: O agente responderá pelo crime do art. 297, ficando o art.
304 absorvido, pois estes artigos protegem o mesmo bem jurídico. O art. 304 seria um post
factum impunível.
(2) Quem usa o documento é terceiro que não concorreu, de qualquer modo, para a
falsificação: O falsificador responde pelo art. 297 e quem usa pelo art. 304, ambos do CP.
Admite a tentativa.
Note que este capítulo não prevê o crime autônomo de petrechos para falsificação. Este delito é previsto
nos Capítulos I (moeda falsa) e II (falsidade de títulos e outros papéis públicos), mas não no Capítulo III
(falsidade documental), razão pela qual as condutas pertinentes aos petrechos de falsificação devem ser
consideradas meros atos preparatórios (impuníveis) quando relacionadas aos delitos de falsidade
documental.
g) Objeto material: É preciso seja o documento público.
No âmbito penal, documento público é o escrito elaborado por pessoa determinada e
representativo de uma declaração de vontade ou da existência de fato, direito ou obrigação, dotado de
relevância jurídica e com eficácia probatória.
Podem ser objetivo material do delito em questão o documentopúblico falsificado ou o documento
público verdadeiro alterado.
Características:
Forma escrita (independentemente no idioma)
Elaborado por pessoa determinada (escrito anônimo não é considerado documento)
Conteúdo revestido de relevância jurídica e eficácia probatória
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NÚCLEO DURO
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OBS.1: Não constitui documento o escrito indecifrável ou aquele que somente seu autor pode
entender!
OBS.2: Petição inicial não é considerada documento para fins penais. STJ. 6ª Turma. HC
222613- TO
OBS.3: Papel assinado em branco não é documento para fins penais, em razão da ausência de
conteúdo. Torna-se documento a partir do momento em que é preenchido.
OBS.4: Fotocópia sem autenticação não tem eficácia probatória e, portanto, não pode ser
considerada documento para fins penais. No entanto, se autenticada por oficial público ou
conferida em cartório, será considerada documento.
Espécies de documento público:
(1) Documento formal e substancialmente público: emanado de agente público no exercício de
suas funções e seu conteúdo diz respeito a questões inerentes ao interesse público (Ex.: atos
legislativos, executivos e judiciários);
(2) Documento formalmente público, mas substancialmente privado: aqui, o interesse é de
natureza privada, mas o documento é emanado de entes públicos (atos praticados por
escrivães, tabeliães etc. ).
Documentos públicos por equiparação: São documentos particulares que o legislador optou por
colocar no mesmo patamar dos documentos públicos para fins de aplicação da pena:
FIGURA EQUIPARADA (CAI MUITO)
§2º - Para os efeitos penais, EQUIPARAM-SE a documento público o emanado de
entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso (cheque,
nota promissória, letra de cambio etc.), as ações de sociedade comercial (S/A ou
sociedade comandita por ações), os livros mercantis (obrigatórios ou não) e o
TESTAMENTO PARTICULAR (não abrange o codicilo).
Documento emanado de entidade paraestatal: As entidades paraestatais são as pessoas jurídicas
de direito privado que atuam em colaboração com o Estado, sem fins lucrativos. (Entidades do 3º
Setor).
Título ao portador ou transmissível por endosso: É imprescindível que sejam passíveis de
transmissão por endosso. Ex. Cheque.
Obs.: Nota promissória após o vencimento, ou um cheque após o prazo de
apresentação, quando sua transferência já não se pode fazer por endosso, senão
mediante cessão civil, deixam de ser equiparados a documentos públicos
Ações de sociedade comercial: Estas ações podem ser preferenciais ou não (ações em
geral). 39
documento particular
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Livros mercantis: Aqui, abrangem-se os livros obrigatórios ou facultativos destinados a registrar
as atividades empresariais.
Testamento particular (ou hológrafo): Neste caso, não estão abrangidos os codicilos.
Considerações importantes:
Os documentos
ainda que emanados do funcionário no exercício de suas funções,
não serão considerados públicos , tendo em vista a insegurança em relação à manutenção da
integridade
Parte da doutrina (Bittencourt) entende que a cópia reprográfica, ainda que autenticada, não
constitui documento público. Sanches discorda, pois se trata de documento autenticado por oficial
público ou cartório.
O em que houver reconhecimento de firma ou autenticação não será, por
esse motivo, considerado público, mas, no que tange aos atos do tabelião, sim.
Para Damásio, o telegrama, transmitido por funcionário público, no exercício de suas funções,
quando diz respeito a assunto de conteúdo público, constitui documento público.
A falsificação do cartão de crédito ou débito configura a falsificação de documento público ou
particular?
R.: O cartão de crédito NÃO é documento público, sequer por equiparação. A Lei nº 12.737 equiparou o
cartão de crédito e débito a documento particular.
Logo, ainda que praticada antes da Lei nº 12.737/2012, a conduta de falsificar, no
todo ou em parte, cartão de crédito ou débito é considerada como crime de
falsificação de documento particular (art. 298 do CP). STJ. 6ª Turma. REsp
1578479- SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para acórdão Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2/8/2016 (Info 591).
A substituição de fotografia em documento público configura o crime do art. 297 ou falsa
identidade? R.: Embora haja entendimento em sentido contrário, prevalece configurar o crime de
falsidade material do art. 297, vez que a foto é parte integrante do documento.
Obs.: A falsidade deve ser apta a iludir (a falsidade grosseira pode ser instrumento para o estelionato). Para
saber se a falsidade é grosseira ou não, é imprescindível a perícia. No caso de substituição de fotografias
em carteira de identidade a perícia é DISPENSÁVEL.
Vale relembrar:
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escritos a lápis,
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: Há sempre concurso entre os crimes
de falsificação de documento público e estelionato, segundo entendimento do sumulado do Superior
Tribunal de Justiça.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Para o STJ, nos termos de sua súmula 17, quando o falso é utilizado como meio para a prática de
estelionato e se exaure neste sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. Hipótese em que o
crime- meio é de gravidade igual (caso seja falsificação de documento particular) ou mais grave (caso seja
falsificação de documento público) que o crime-fim, mas é por este absorvido.
Contudo, para o STF o agente deve responder em concurso formal pelos dois delitos, justificando
que há violação a bens jurídicos diversos (no entanto, já aplicou a súmula 17 do STJ também, de modo que
o entendimento sumulado prevalece, mas é bom saber).
Essa discussão não se repete quando a falsificação de documento ocorre subsequentemente à
prática de outro crime (responde pelos dois crimes). Ou seja: se o agente falsifica um documento público
para acobertar a prática de outro crime, responderá por ambos os crimes, não incidindo o princípio da
consunção!
Vamos para uma discursiva?
Caiu na prova Delegado – MG 2011
→ Quais as posições doutrinárias e jurisprudenciais com relação à falsificação de documento utilizado,
efetivamente para prática de crime de estelionato?
Há quatro posicionamentos acerca da temática. A primeira delas entende que a falsidade
documental absorve o estelionato. Segundo essa posição, a falsificação é crime formal,
independentemente de qualquer resultado. Contudo, se este resultado advier (obtenção de vantagem
econômica, por exemplo), não subsistirá outro crime, mas mero exaurimento da falsidade documental.
A segunda corrente é no sentido de que há concurso material de crimes, nos termos do art.69 CP.
Isto porque, em decorrência de ofensa a bens jurídicos diversos, não se verificaria o fenômeno da absorção.
Ademais, o crime de falso estaria consumado em momento anterior ao da prática do estelionato. E, se já
estava consumado, não poderia sofrer nenhuma alteração posterior no plano da tipicidade.
Uma terceira posição defende que há concurso formal de crimes, sustentando que, a despeito de
bens jurídicos diversos, a conduta seria uma só, ainda que desdobrada em diversos atos, aplicando-se o
art.70, caput, 1º parte, do Código Penal.
Por fim, há a corrente que o estelionato absorve a falsidade documental, consagrada na súmula 17
do STJ, que aduz que quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido. Segundo os defensores dessa corrente, conflito aparente de leis é solucionado pelo princípio da
consunção, prevalecendo essa corrente majoritariamente.
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Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte assertiva: Aquele que faz inserir na Carteira de
Trabalho e Previdência Social do empregado declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado estará
sujeito às penas cominadasao crime de falsidade ideológica.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Deste modo, o crime fim (estelionato) absorve o crime meio (falsidade documental), desde que este
se esgote naquele, isto é, desde que a fé pública, o patrimônio ou outro bem jurídico qualquer não possa
ser atacados pelo documento falsificado e utilizado por alguém como meio fraudulento para obtenção de
vantagem ilícita em prejuízo alheio.
Por fim, é importante ressaltar que com o advento da lei nº 13.964/19 (pacote anticrime), o crime
de estelionato passou a ser de ação penal pública condicionada á representação, em regra, de forma que a
respectiva persecução penal da infração dependerá da vontade da vítima. O crime de falsificação de
documentos, por sua vez, é sempre de ação penal pública condicionada.
4.5.2.1 Falsificação de documento previdenciário
§ 3o Nas mesmas penas incorre quem INSERE ou FAZ INSERIR: (Incluído pela Lei nº
9.983, de 2000)
I – Na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado
a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de
segurado obrigatório
II – Na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento
que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa
da que deveria ter sido escrita;
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com
as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou
diversa da que deveria ter constado.
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem OMITE, nos documentos mencionados no §
3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do
contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)
Nota-se que aqui, bem como no §4º, tratam de exceções em que a falsidade, na verdade, não é
material, mas sim ideológica, tendo em vista que o documento é verdadeiro, mas as informações inseridas
não. No entanto, em PROVA OBJETIVA, siga a letra da lei e considere tratar-se de crime de falsidade
material!
a) Sujeitos do delito
42
infração
infrações
A inserção deve ser juridicamente relevante e ter potencialidade para prejudicar
direitos.
A omissão empregada pelo agente deve ser juridicamente relevante e ter
potencialidade para prejudicar direitos, não bastando a mera omissão!
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Tratando-se de autor funcionário público, não incidirá a causa de aumento do §1º, tendo em vista
sua posição topográfica, de modo que se aplica apenas ao caput.
O sujeito passivo desse crime é, primeiramente, o Estado, representado pela Previdência Social, e,
secundariamente, o segurado e seus dependentes que vierem ser prejudicados.:
b) Conduta do §3º
O tipo objetivo consiste em INSERIR (introduzir, colocar) ou FAZER INSERIR (estimular, incentivar que
outrem introduza ou coloque). Ou seja: prevê
Pessoa que não seja segurado obrigatório em folha de pagamento ou outro documento
destinado a fazer prova perante a previdência social (§ 3º, I)
São segurados obrigatórios, na forma do art. 11 da Lei n.º 8.213/90, o empregado, o
empregado doméstico, o contribuinte individual, o trabalhador avulso e o segurado
especial.
Declaração falsa ou diversa da que deveria constar em CTPS ou documento que deva produzir
efeitos perante a previdência social (§ 3º, II)
Declaração falsa ou diversa da que deveria constar em ou ainda em documento contábil ou
qualquer outro relacionado às obrigações da empresa perante a previdência social (§ 3º, III).
c) Conduta do §4º
O tipo objetivo é OMITIR, em qualquer dos documentos mencionados no § 3º. Trata-se, portanto,
de uma
A remuneração
A vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.
Nome do segurado e seus dados pessoais
Nesta hipótese, só haverá crime se houver a omissão concomitante do nome dos
segurados e de seus dados pessoais
STJ (Inf. 539): A simples omissão de anotação na Carteira de Trabalho e
Previdência Social (CTPS) não configura, por si só, o crime de falsificação de
documento público (art. 297, § 4º, do CP). Isso porque é imprescindível que a
conduta do agente
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
preencha não apenas a tipicidade formal, mas antes e principalmente a tipicidade
material, ou seja, deve ser demonstrado o dolo de falso e a efetiva possibilidade
de vulneração da fé pública. (REsp 1.252.635-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 24/4/2014)
ATENÇÃO! Se a omissão ou falsidade ocorre para sonegar contribuição previdenciária , tipifica-se o
art. 337-A, que absorve o delito de falso (HC 114051).
Sonegação de contribuição previdenciária
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer
acessório, mediante as seguintes condutas:
I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações
previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário,
trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe
prestem serviços;
II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da
empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador
ou pelo tomador de serviços;
III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações
pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais
previdenciárias
Fique atento à jurisprudência sobre o tema:
De quem é a competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo
empregatício na CTPS (art. 297, § 4º, do CP)?
- STJ: Justiça FEDERAL. O sujeito passivo primário do crime omissivo do art. 297, §
4.º, do Diploma Penal, é o Estado, e, eventualmente, de forma secundária, o
particular, terceiro prejudicado, com a omissão das informações, referentes ao
vínculo empregatício e a seus consectários da CTPS. Cuida-se, portanto de delito
que ofende de forma direta os interesses da União, atraindo a competência da
Justiça Federal, nos termos do art. 109, IV, da CF/88. Nesse sentido: STJ. 3ª Seção.
CC 145567/PR , Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 27/04/2016.
- 1ª Turma do STF: Justiça ESTADUAL. Nesse sentido: 1ª Turma. Ag.Reg. na Pet
5084, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/11/2015 .
É típica a conduta de uso de documento falso, consistente em passaporte
expedido pela República do Uruguai, apresentado à
Polícia Federal por ocasião de
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
abordagem realizada em aeroporto, mediante
tentativa de saída irregular do país e burla ao controle aeroportuário de
fronteiras. 2. O art. 297 do Código Penal não distingue procedência do documento,
se emitido por autoridade nacional ou estrangeira.(…) (REsp 1568954/SP, Rel.
Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe
07/11/2016)
4.5.2.2 Princípio da Especialidade e Falsificação de Documento Público:
Na legislação penal extravagante há tipos especiais de falsidade de documento público.
A. Art. 348 do Código Eleitoral - Para fins eleitorais: esta especializante faz com que a norma especial
derrogue a norma geral.
Art. 348. Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar
documento público verdadeiro, para fins eleitorais: Pena - reclusão de dois a seis
anos e pagamento de 15 a 30 dias-multa.
§ 1º Se o agente é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do
cargo, a pena é agravada.
§ 2º Para os efeitos penais, equipara-se a documento público o emanado de
entidade paraestatal inclusive Fundação do Estado.
B. Art. 311 do Código Penal Militar
Art. 311. Falsificar, no todo ou em parte, documento público ou particular, ou
alterar documento verdadeiro, desde que o fato atente contra a administração ou
o serviço militar:
Pena - sendo documento público, reclusão, de dois a seis anos; sendo documento
particular, reclusão, até cinco anos.
Exemplo: falsificarcarteira de reservista para tomar posse em concurso público – não atenta contra
a administração militar (a competência não é da Justiça Militar).
Exemplo: Falsificar documento público para ser dispensado do serviço militar – é da competência da
Justiça Militar.
4.5.3 Falsificação de Documento Particular (Art. 298)
Art. 298 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, documento particular ou ALTERAR
documento particular verdadeiro:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Trata-se de crime de médio potencial ofensivo, comum, formal, de forma livre, comissivo,
instantâneo, de perigo abstrato, unissubjetivo e plurissubsistente.
Segundo Rogério Sanches, as condutas nucleares típicas são idênticas às do art. 297, aplicando-se
aqui os mesmos comentários dispensados àquele dispositivo. A diferença reside no objeto material (lá - art.
297 -, documento público; aqui -art. 298 -, particular).
a) Sujeito do delito:
Sujeito ativo: crime comum – pode ser praticado por qualquer pessoa
Sujeito passivo: Estado e pessoa física ou jurídica prejudicada pela falsificação
b) Objeto jurídico: Fé pública
c) Elemento subjetivo: Dolo
d) Consumação e Tentativa: crime forma. Admite tentativa
e) Objeto material: documento particular
O conceito de documento particular deve ser feito por exclusão, sendo todo aquele que não seja
público ou equiparado a público.
Para a configuração do delito, é preciso que o documento tenha algum interesse jurídico. Se for
totalmente irrelevante para o direito, é objeto absolutamente impróprio.
CESPE/2018 - Nos crimes de falsidade documental, considera-se documento particular todo aquele não
compreendido como público, ou a este equiparado, e que, em razão de sua natureza ou relevância, seja
objeto da tutela penal — como cartão de crédito, por exemplo. Item Correto.
Observações importantes:
Documentos públicos nulos – em razão da inobservância das formalidades legais, são considerados
documentos particulares para fins penais.
O fato de o documento particular ser destinado à autoridade pública não o transforma em público
(RTESP 57/358).
O fato de o documento particular ser registrado em cartório não o transforma em documento
público, pois o registro serve apenas para dar publicidade ao documento. Cópia autenticada de
documento particular é documento particular.
O cheque só deve ser considerado como documento particular quando já tiver sido apresentado
ao banco e recusado por falta de fundos, visto não ser mais transmissível por endosso.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Notas fiscais e livros caixas são considerados documentos particulares. Somente seriam
considerados documentos públicos aqueles cuja elaboração, de alguma forma, competisse aos
funcionários públicos.
LEMBRANDO: Fotocópias sem autenticação, documentos impressos sem assinatura ou documento
anônimos não podem ser considerados documentos particulares para fins penais.
Não há necessidade que o documento saia da esfera de poder do falsário. Mas, por óbvio, para que
seja iniciada a ação penal, deve ter sido encontrado com o agente ou exibido por ele.
Segundo Hungria, caso após intentar a falsificação ou alteração, o falsário suprime o objeto
material do delito, extingue-se a punibilidade pelo arrependimento eficaz , até porque, terá desaparecido o
objeto do crime, impossibilitando que se faça prova de forma indireta.
Fique atento à jurisprudência sobre o tema:
O contrato social de uma sociedade empresária é documento particular. Assim,
caso seja falsificado, haverá o crime de falsificação de documento particular (e
não de documento público). Não se pode condenar o réu pelo crime de uso de
documento falso quando ele próprio foi quem fez a falsificação do documento. A
pessoa deverá ser condenada apenas pela falsidade, e o uso do documento falso
configura mero exaurimento do crime de falso. STF. 1ª Turma. AP 530/MS, rel.
orig. Min. Rosa Weber, red.p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
9/9/2014 (Info 758)
F) Falsificação de cartão
Despenca em prova!!!
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento
particular o CARTÃO DE CRÉDITO ou DÉBITO.
A Lei 12.737/12 acrescentou parágrafo ao art. 298 do CP, equiparando a documento particular o
cartão de crédito ou débito.
A jurisprudência já caminhava neste sentido. Portanto, a referida lei apenas positivou o
entendimento da jurisprudência.
Inf. 591, STJ- 2016:
A Lei nº 12.737/2012 acrescentou o parágrafo único ao art. 298 do CP prevendo o
seguinte: Art. 298. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar
47
Relembrando:
Clonagem de cartão + saques na conta bancária da vítima por meio do caixa eletrônico: furto
mediante fraude.
Clonagem de cartão + saques na conta bancária da vítima ou compras em lojas por meio de
atendimento no balcão por funcionário: estelionato.
Além disso, prevalece que, em se exaurindo o falso na conduta do furto ou do estelionato, aquele será consumido por um destes, em razão da consunção (súmula 17 do STJ, que, embora o STF tenha decisões em sentido contrário, também a aplica).
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
documento particular verdadeiro: (...) Parágrafo único. Para fins do disposto no
caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. Ocorre
que mesmo antes da edição da Lei nº 12.737/2012 a jurisprudência do STJ já
considerava que cartão bancário poderia se amoldar ao conceito de "documento".
Assim, a inserção do parágrafo único no art. 298 do Código Penal apenas
confirmou que cartão de crédito/débito é considerado documento, sendo a Lei nº
12.737/2012 considerada como lei interpretativa exemplificativa. Logo, ainda que
praticada antes da Lei nº 12.737/2012, a conduta de falsificar, no todo ou em
parte, cartão de crédito ou débito é considerada como crime de falsificação de
documento particular (art. 298 do CP). STJ. 6ª Turma.
Nucci lembra que, enquanto a nota promissória e o cheque são títulos de crédito igualados a
documento público, pois podem circular no comércio, gerando maiores danos a terceiros, o cartão de
crédito e débito é equiparado a documento particular, cuja pena é menor. Aduz ainda que a diferença é
consistente, pois o cartão não circula.
f) Princípio da especialidade:
Artigo 349 do Código Eleitoral:
Art. 349. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar
documento particular verdadeiro, para fins eleitorais:
Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa.
Artigo 311 do CPM:
Art. 311. Falsificar, no todo ou em parte, documento público ou particular, ou
alterar documento verdadeiro, desde que o fato atente contra a administração ou
o serviço militar:
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LEMBRE-SE:
FALSIDADE MATERIAL - ALTERA-SE A FORMA DO DOCUMENTO;
FALSIDADE IDEOLÓGICA - ALTERA-SE O CONTEÚDO DO DOCUMENTO
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena - sendo documento público, reclusão, de dois a seis anos; sendo documento
particular, reclusão, até cinco anos.
Lei 12.663/12 – Lei da Copa.
A “Lei da Copa dispõe sobre as medidas relativas à Copa das Confederações FIFA 2013, à Copa do
Mundo FIFA 2014 e à Jornada Mundial da Juventude -2013, que serão realizadas no Brasil): o art. 30 da Lei
12.663/12 pune com detenção de 3 meses a 1 ano ou multa reproduzir, imitar, falsificar ou modificar
indevidamente quaisquer Símbolos Oficiais de titularidade da FIFA.
Trata-se de lei penal temporária (art. 3° do CP), com vigência até 31 de dezembro de 2014,
dependendo o início do processo de expressa representação da FIFA.
Art. 30. Reproduzir, imitar, falsificar ou modificar indevidamente quaisquer
Símbolos Oficiais de titularidade da FIFA: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1
(um) ano ou multa.
Art. 34. Nos crimes previstos neste Capítulo, somente se procede mediante
representação da FIFA.
Art. 36. Os tipos penaisprevistos neste Capítulo terão vigência até o dia 31 de
dezembro de 2014. (Crime temporário)
4.5.4 Falsidade Ideológica (Art. 299)
Art. 299 - OMITIR, em documento público ou particular, declaração que dele
devia constar, ou nele INSERIR ou FAZER INSERIR declaração falsa ou diversa da
que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a
verdade sobre fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e
reclusão de um a três anos, e multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis,
se o documento é particular.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime
prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de
registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.
a) Falsidade Material x Falsidade Ideológica
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Na falsidade material, o documento é perceptivamente falso, ou seja, ao menos para as
autoridades é possível identificar, por vias externas, que não é verdadeiro.
Já na falsidade ideológica, não há modificação na estrutura do documento, pois ele é elaborado,
preenchido e assinado por quem estava autorizado a fazê-lo, mas somente falsidade quanto ao conteúdo,
que não corresponde à realidade.
Obs.: Por não haver alteração estrutural, não há espaço para prova pericial, posto que o crime de
falsidade ideológica não deixa vestígios materiais! (já caiu em prova!)
Nas palavras de Cleber Masson:
“Na falsidade ideológica, o documento é formalmente verdadeiro, mas seu
conteúdo, a ideia nele lançada, é divergente da realidade Não há contrafação ou
alteração de qualquer espécie. O sujeito tem autorização para criar o documento,
mas falsifica seu conteúdo. Daí a razão de o crime de falsidade ideológica ser
também conhecido como falso ideal, falso moral ou falso intelectual. O ponto
marcante da falsidade ideológica repousa no conteúdo falso lançado pela pessoa
legitimada para a elaboração do documento. Logo, se vem a ser adulterada a
assinatura do responsável pela emissão do documento, ou então efetuada
assinatura falsa, ou finalmente rasurado ou modificado de qualquer modo seu
conteúdo, estará caracterizada a falsidade material”.
Esquematizando...
FALSIDADE MATERIAL FALSIDADE IDEOLÓGICA
Previsão: art. 297 e 298 do CP. Previsão: art. 299 do CP.
Envolve a forma do documento (sua parte
exterior – a ideia que ele carrega).
Envolve o conteúdo do documento (juízo
inverídico).
O documento apresenta defeitos extrínsecos
(rasuras, novos dizeres, supressão de
palavras)
Não há rasuras ou supressão de palavras.
A pessoa que elabora o documento possui
legitimidade para isso.
É imprescindível a perícia. Em regra, não há necessidade de perícia.
Atenção! Se o agente, além de falsificar ou alterar a forma, ainda insere nele informações falsas,
não responderá por falsidade ideológica, mas apenas pelo falso material, por força do princípio da
consunção.
b) Bem jurídico tutelado: fé pública, especialmente a confiabilidade dos documentos públicos ou
particulares.
50
(Adaptada): Maria, com 55 anos de idade, declara, por pura vaidade, num documento público perante uma
repartição pública estadual que tem 47 anos de idade. Desse modo, tal afirmativa é falsa, e, apesar disso,
tal assertiva não provocou nenhuma consequência. Considerando o caso descrito: Maria não cometeu
crime algum. (Item correto).
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
c) Sujeitos:
Sujeito passivo é, primariamente, o Estado e, de forma secundária, a pessoa lesada.
Sujeito ativo é qualquer um, mas, se for funcionário público, no exercício de suas funções e delas
se prevalecer, estará caracterizada a majorante do parágrafo único.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime
prevalecendo-se do cargo , ou se a falsificação ou alteração é de
assentamento de registro civil , aumenta-se a pena de sexta parte.
d) Elemento subjetivo: O crime é punido a título de dolo, porém com dolo específico (especial).
Só haverá crime quando o agente o faz “com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar
a verdade sobre o fato juridicamente relevante”.
Portanto, não há crime quando o particular presta declaração perante o funcionário público
desconhecendo a sua falsidade. No entanto, se o funcionário público, percebendo a falsidade, der
continuidade à elaboração do documento, será responsabilizado pelo delito, na forma do art. 13, §2º, “a”
do CP.
Acusada, movida por vaidade feminina , foi absolvida pelo fato de haver
promovido novo registro de nascimento, buscando parecer mais jovem do que o
namorado com quem ia casar-se (RT 447/367) (Não houve o elemento subjetivo
do tipo).
Caiu em prova 2021! A falta do dolo específico consistente no fim de prejudicar direito, criar obrigação ou
alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante acarreta a atipicidade do delito de Falsidade
Ideológica. (item correto).
e) Conduta: as condutas são:
OMITIR (não dizer, não mencionar) – crime omissivo puro
INSERIR (introduzir diretamente)
FAZER INSERIR (estimular, incentivar que outrem introduza ou coloque, fornecer informação a
terceira pessoa, responsável pela elaboração do documento)
OBS.1: Nas modalidades omitir e inserir há a falsidade imediata (a própria pessoa que confecciona o
documento comete o falso). Na modalidade fazer inserir, o agente faz com que terceiro as introduza.
51
públic
CESPE/2020: Para que o crime de falsidade ideológica se configure, é necessário que o objeto da conduta
seja a inserção de declarações falsas em documentos públicos, não se configurando esse tipo penal no caso
de documentos particulares. Item incorreto.
CESPE/2020 (Adaptada): A conduta de quem faz declaração falsa de estado de pobreza para fins de
obtenção dos benefícios da justiça gratuita em ação judicial é considerada atípica. Item correto
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
OBS.2: Particular somente pode praticar falsidade ideológica em documento público em três
hipóteses:
1) Faz funcionário público de boa-fé inserir declaração falsa em documento público – nesse caso, o
particular irá praticar o crime pelo núcleo “fazer inserir”;
2) Elabora documento público por equiparação, de sua alçada, com declaração falsa.
3) Concurso de pessoas com o funcionário público
OBS.3: As condutas recaem sobre declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita. Ou seja, é
possível haver falsidade ideológica mesmo constando do documento conteúdo verdadeiro. É o que ocorre
quando o agente insere ou faz inserir uma declaração verdadeira, porém diversa da que deveria constar.
f) Objeto Material: documento (pena mais alta) ou
Prevalece que, em regra, inexiste o crime quando a falsa ideia recai sobre documento (público ou
particular) cujo conteúdo está sujeito à fiscalização da autoridade, como, por exemplo, na falsa declaração
em requerimento de atestado de residência (RT525/349), declaração de pobreza para obter justiça
gratuita, declaração cadastral em geral como em hotéis, por ex., dentre outros.
É atípica a mera declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de
obter os benefícios da justiça gratuita. A conduta de firmar ou usar declaração de
pobreza falsa em juízo, com a finalidade de obter os benefícios da gratuidade de
justiça, não é crime, pois aludida manifestação não pode ser considerada
documento para fins penais, já que é passível de comprovação posterior, seja por
provocação da parte contrária seja por aferição, de ofício, pelo magistrado da
causa. STJ. 6ª Turma. HC 261074-MS, Rel. Min. Marilza Maynard
(Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em 5/8/2014 (Info 546).
Considerações importantes:
Nos termos do art. 130 da lei n° 7.210/84 (LEP), constitui o crime de falsidade ideológica declarar ou
atestar falsamente prestação de serviço para fimde instruir pedido de remição de pena.
Contrato com “laranjas”: A inserção, no contrato social da empresa, de nomes fictícios ou de pessoas
que, de fato, não tomam parte na sociedade, constitui crime de falsidade ideológica (em documento
particular)
52
particular.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Simulação em negócio jurídico (art. 167, §1º, CC) pode configurar crime de falsidade ideológica.
Petição de advogado: não é considerado documento para fins penais. São alegações que devem ser
verificadas e comprovadas.
Documento sem assinatura: inofensivo à fé pública, não há o crime.
Como caracterizar a conduta do agente que abusa do papel em branco assinado?
R.: Somente haverá falsidade ideológica (art. 299) quando o papel tiver sido confiado ao agente
para ulterior preenchimento. Assim, se o agente, tendo autorização para preencher o documento, o faz
inserindo informações falsas ou diversas do que havia sido acordado com o signatário, haverá crime do art.
299.
Por outro lado, se o agente se tiver se apossado de forma ilegítima (à revelia do signatário) do
papel que preencheu, o crime será de falsidade material (art. 297 ou 298). O mesmo acontece se o agente
tiver recebido o documento de forma legítima, mas, posteriormente, tiver o signatário revogado a
autorização para o preenchimento.
Adquiriu de forma legítima, tendo autorização
para preencher e preencheu em
desconformidade com a realidade
Haverá crime de falsidade ideológica.
Adquiriu de forma ilegítima, não tendo
autorização para preencher
Haverá crime de falsidade material
Adquiriu de forma legítima, mas a autorização
para preencher fora, posteriormente, revogada:
Haverá crime de falsidade material
Em se tratando de nota promissória emitida sem alguns de seus requisitos essenciais, é permitido
ao portador de boa-fé do título preencher os espaços em branco. Vide Súmula 387 do STF.
Súmula 387, STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode
ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
ATENÇÃO: Como a falsidade ideológica afeta o documento tão somente em sua ideação e não a
sua autenticidade ou inalterabilidade, os tribunais superiores entendem que é desnecessária a realização
de perícia.
h) Consumação e tentativa
Trata-se de crime formal, que se consuma com a omissão ou com a inserção de declaração falsa ou
diversa da que deveria constar. Dispensa-se, portanto, o efetivo uso do documento falso, bem como a
obtenção de vantagem ou ocorrência do prejuízo.
Na modalidade omissiva não cabe tentativa!
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Já caiu em prova e foi considerada incorreta a seguinte alternativa: O momento consumativo da falsidade
ideológica se dá com a efetiva concretização de prejuízo material para o Estado ou para o particular.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Caiu na prova Delegado Amazonas 2022! Quanto ao crime de falsidade ideológica, assinale a
afirmativa correta. O elemento “devia constar” é elemento normativo do tipo, que pode converter-se em
lei penal em branco se o dever for legal. (item correto)
Fique atento à jurisprudência sobre o tema:
A empresa ostensiva, ou seja, a importadora aparente, que não indica o
verdadeiro importador das mercadorias pratica o delito tipificado no art. 299 do
Código Penal (falsidade ideológica). Ademais, considera-se como local da infração
a sede fiscal da pessoa jurídica responsável pela inserção, na Declaração de
Importação, de seu nome como importadora ostensiva, sabedora de que o real
importador é outro. STJ. 3ª Seção. AgRg no CC 175.542/PR, Rel. Joel Ilan Paciornik,
julgado em 24/02/2021
Na falsidade ideológica, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da
pretensão punitiva é o momento da consumação do delito (e não o momento da
eventual reiteração de seus efeitos). STJ. 3ª Seção. RvCr 5.233-DF, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 13/05/2020 (Info 672).
A conduta prevista no revogado art. 125, XIII, da Lei nº 6.815/80, subsume-se
agora ao art. 299 do Código Penal (falsidade ideológica)
O art. 125, XIII, da Lei nº 6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) previa o seguinte
crime: Art. 125 (...) XIII - fazer declaração falsa em processo de transformação de
visto, de registro, de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a
obtenção de passaporte para estrangeiro, laissez-passer, ou, quando exigido, visto
de saída: Pena: reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos e, se o infrator for estrangeiro,
expulsão. A Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração), revogou integralmente o
Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), inclusive o art. 125, XIII. A Lei nº
13.445/2017 não repetiu, em seu texto, um crime semelhante ao que era previsto
no art. 125, XIII, do Estatuto do Estrangeiro. Apesar disso, não houve abolitio
criminis neste caso, considerando que esta conduta continua sendo crime. A
conduta de fazer declaração falsa em processo de transformação de visto, de
registro, de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a obtenção de
passaporte para estrangeiro, laissez-passer ou, quando exigido, visto de saída,
configura agora o crime do art. 299 do Código Penal (falsidade ideológica). Desse
modo, não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica. O
princípio da
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
continuidade normativa ocorre quando uma norma penal é revogada, mas a
mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração
penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente ou
normativamente diverso do originário. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1422129-SP,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/11/2019 (Info 660).
STJ: Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que não condiz
com a realidade. Não é típica a conduta de inserir, em currículo Lattes, dado que
não condiz com a realidade. Isso não configura falsidade ideológica (art. 299 do
CP) porque: 1) currículo Lattes não é considerado documento por ser eletrônico e
não ter assinatura digital; 2) currículo Lattes é passível de averiguação e, portanto,
não é objeto material de falsidade ideológica. Quando o documento é passível de
averiguação, o STJ entende que não há crime de falsidade ideológica mesmo que
o agente tenha nele inserido informações falsas. STJ. 6ª Turma. RHC 81451-RJ, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017 (Info 610).
Obs.: Cuidado com esse julgado acima, pois em 2019 e 2020 alguns Ministros
que atuam na política brasileira passaram por esse “desconforto” de terem seus
currículos lattes desmentidos pela imprensa! Pode ser objeto de prova!
Necessidade de prova de que o Prefeito que assinou documentos do Município
tinha ciência inequívoca de que a declaração era falsa
Prefeito que assina documentos previdenciários com conteúdo parcialmente falso
não deve ser condenado por falsidade ideológica se não foram produzidas provas
de que ele tinha ciência inequívoca do conteúdo inverídico da declaração. Neste
caso, ele deverá ser absolvido, nos termos do art. 386, III, do CPP, por ausência de
dolo, o que exclui o crime. STF. 1ª Turma. AP 931/AL, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 6/6/2017 (Info 868).
Candidato que deixa de contabilizar despesas em sua prestação de contas no
TRE. Determinado Parlamentar Federal, quando foi candidato ao Senado, ao
entregar a prestação de contas ao TRE, deixou de contabilizar despesas com
banners e cartazes no valor de R$ 15 mil. O STF considerou que havia indícios
suficientes para receber a denúncia contra ele formulada e iniciar um processo
penal para apurar a prática do crime de falsidade ideológica (art. 299 do CP). STF.
1ª Turma. Inq 3767/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/10/2014 (Info
765).
g) Causas de aumento de pena Majorante de pena – aumento de pena em 1/6
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Funcionário público prevalecendo-se docargo
Falsificação ou alteração recair sobre assentamento de registro civil
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público , e comete o crime
prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de
registro civil , aumenta-se a pena de sexta parte.
Cuidado para não confundir!
FUNCIONÁRIO PÚBLICO PREVALECENDO-SE DO CARGO
Art. 297 – falsificação de
documento público
Art. 298 – Falsificação de
documento particular
Art. 299 – Falsidade
Ideológica
Configura causa de
aumento de pena (§1º).
NÃO é causa de aumento de pena
Pode ser valorada como
circunstância judicial desfavorável,
em razão da maior reprovabilidade
do comportamento do agente.
Configura causa de aumento
de pena (parágrafo único)
h) Prazo prescricional
Regra: Na falsidade ideológica, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão
punitiva é o momento da consumação do delito (e não o momento da eventual reiteração de seus
efeitos)
A falsidade ideológica é crime formal e instantâneo, cujos efeitos podem se
protrair no tempo. A despeito dos efeitos que possam, ou não, gerar, a falsidade
ideológica se consuma no momento em que é praticada a conduta. Diante desse
contexto, o termo inicial da contagem do prazo da prescrição da pretensão
punitiva é o momento da consumação do delito (e não o da eventual reiteração
de seus efeitos). Caso concreto: em 2010, foi incluído um sócio “laranja” no
contrato social da empresa. Ele não iria ser sócio realmente, sendo isso uma
falsidade ideológica. Logo, considera-se que aí foi praticado o crime. Não se pode
afirmar que esse crime (essa conduta) teria sido reiterado quando, por ocasião da
alteração contratual ocorrida em 2019, deixou-se de regularizar o nome do sócio
verdadeiramente titular da empresa, mantendo-se o nome do “laranja”. Isso
porque não há como se entender que constitui novo crime a omissão em corrigir
informação falsa por ele inserida em documento público, quando teve
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
oportunidade para tanto. Logo, o termo inicial da contagem da prescrição foi
2010. STJ. 3ª Seção. RvCr 5233-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado
em 13/05/2020 (Info 672).
Exceção: crime de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil
No crime de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil (forma majorada do delito),
o prazo prescricional terá início com a data em que o fato se tornou conhecido (art. 111, IV, CP), e não com
a data da sua realização/consumação.
O conhecimento exigido pela lei refere-se à ciência – ainda que informal - por parte da autoridade
pública responsável por apurar, processar e punir o delito, incluindo o Delegado de polícia, membro do MP
e do Poder Judiciário.
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a
correr:
IV - Nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do
registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido
i) Princípio da especialidade:
Simulação fraudulenta: Duplicata simulada (art. 172, CP) e fraude à execução (art. 179, CP)
Duplicata simulada
Art. 172 - Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à
mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado.
Pena - detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrerá aquele que falsificar ou adulterar a
escrituração do Livro de Registro de Duplicatas.
Fraude à execução
Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando
bens, ou simulando dívidas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante queixa
Promover a inscrição de nascimento inexistente (art. 241, CP) e Registrar filho alheio como próprio
(art. 242, CP);
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Registro de nascimento inexistente
Art. 241 - Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexistente: Pena -
reclusão, de dois a seis anos. Parto suposto.
Supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido
Art. 242 - Dar parto alheio como próprio; registrar como seu o filho de outrem;
ocultar recém-nascido ou substituí-lo, suprimindo ou alterado direito inerente ao
estado civil:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.
Declaração falsa com a finalidade de suprimir ou reduzir tributo: art. 1º, I e II da Lei 8137/90) – o
falso fica absorvido pelo princípio da consunção. Ex.: a indicação de endereço falso com o intuito de
pagar IPVA com alíquota menor configura crime contra a ordem tributária – e não crime de falsidade
ideológica.
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou
contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
I - Omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;
II - Fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo
operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
Falsidade ideológica na lei de crimes contra o sistema financeiro nacional: Art. 9º e 10º, Lei 7.492/86
Art. 9º Fraudar a fiscalização ou o investidor, inserindo ou fazendo inserir, em
documento comprobatório de investimento em títulos ou valores mobiliários,
declaração falsa ou diversa da que dele deveria constar:
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
Art. 10. Fazer inserir elemento falso ou omitir elemento exigido pela legislação,
em demonstrativos contábeis de instituição financeira, seguradora ou instituição
integrante do sistema de distribuição de títulos de valores mobiliários:
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
Falsidade ideológica para fins eleitorais: art. 350 do Código Eleitoral
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Art. 350. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia
constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia
ser escrita, para fins eleitorais:
Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa, se o documento
é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o
documento é particular.
Parágrafo único. Se o agente da falsidade documental é funcionário público e
comete o crime prevalecendo-se do cargo ou se a falsificação ou alteração é de
assentamentos de registro civil, a pena é agravada.
Falsidade ideológica no âmbito militar: art. 312, CPM
Art. 312. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia
constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia
ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade
sobre fato juridicamente relevante, desde que o fato atente contra a
administração ou o serviço militar:
Pena - reclusão, até cinco anos, se o documento é público; reclusão, até três anos,
se o documento é particular.
Falsidade ideológica em autorização ou licenciamento ambiental - art. 66 da Lei 9.605/98 (Rogério
Sanches, Manual de Direito Penal Parte Especial, 2016).
Art. 66. Fazer o funcionário público afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade,
sonegar informações ou dados técnico-científicos em procedimentos de
autorização ou de licenciamento ambiental :
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa
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4 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE /
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia
Federal
3 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE /
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia
Federal
2 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de
Polícia - Edital nº 01
5 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE /
CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de Polícia
Federal
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
QUESTÕES PROPOSTAS
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegadode
Polícia - Edital nº 01
Quanto ao crime de falsidade ideológica, assinale a
afirmativa correta.
A-O elemento “devia constar” é elemento normativo do
tipo, que pode converter-se em lei penal em branco se o
dever for legal.
B-Não é possível a configuração do delito na modalidade
crime omissivo.
C-Na inserção indireta, a terceira pessoa deve ter
conhecimento de que confecciona o documento de maneira
falsa.
D-No caso de concurso de pessoas, é possível que um agente
responda por inserir e, outro, por fazer inserir.
E-O delito é despido de especial de agir, bastando a
declaração de conteúdo falso.
Com relação aos crimes contra a fé pública, julgue o item
que se segue.
O crime de moeda falsa é incompatível com o instituto do
arrependimento posterior.
Certo
Errado
No que concerne aos crimes previstos na parte especial do
Código Penal, julgue o item subsequente.
Em se tratando do crime de falsidade ideológica, o prazo
prescricional se reinicia com a eventual reiteração de seus
efeitos.
Certo
Errado
O princípio da insignificância é admitido na doutrina e na
jurisprudência em relação ao delito de
A-descaminho.
B-uso de documento falso.
C-supressão de
documento. D-roubo
simples.
E-contrabando.
Com relação aos crimes contra a fé pública, julgue o item
que se segue.
O indivíduo foragido do sistema carcerário que utiliza
carteira de identidade falsa perante a autoridade policial
para evitar ser preso pratica o crime de falsa identidade.
Certo
Errado
6 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Delegado de Polícia
No dia 09/07/2017, Henrique foi parado em uma fiscalização
da Operação Lei Seca. Após solicitar a Carteira Nacional de
Habilitação (CNH) de Henrique, o policial militar que
participava da operação suspeitou do documento
apresentado. Procedeu então à verificação na base de dados
do DETRAN e confirmou a suspeita, não encontrando o
número de registro que constava na CNH, embora as demais
informações (nome e CPF), a respeito de Henrique,
estivessem corretas. Questionado pelo policial, Henrique
confessou que havia adquirido o documento com Marcos,
seu vizinho, que atuava como despachante, tendo pago R$
2.000,00 pelo documento. Afirmou ainda que sequer havia
feito prova no DETRAN. Acrescente-se que, durante a
instrução criminal, ficou comprovado que, de fato, Henrique
obteve o documento de Marcos, sendo este o autor da
contrafação. Além disso, foi verificado por meio de perícia
judicial que, no estado em que se encontra o documento, e
em face de sua aparência, pode iludir terceiros como se
documento idôneo fosse. Logo, pode-se afirmar que a
conduta de Henrique se amolda ao crime de
a) falsificação de documento público, previsto no caput do
art. 297 do Código Penal.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
b) uso de documento falso, previsto no art. 304 do Código
Penal.
c)falsa identidade, previsto no art. 307 do Código Penal.
d)falsidade ideológica, previsto no caput art. 299 do Código
Penal.
e)falsificação de documento particular, previsto no caput do
art. 298 do Código Penal.
7 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Delegado de Polícia
Marque a alternativa correta do ponto de vista legal.
a)No crime de estupro, aumenta-se a pena de metade se
resultar a gravidez da vítima.
b) Luiz, delegado de polícia civil, lotado em uma determinada
delegacia de polícia, deixou, por indulgência, de
responsabilizar o inspetor Amâncio após tomar
conhecimento de que este teria praticado uma determinada
infração. Nesse contexto, pode-se afirmar que o delegado
praticou, em tese, o crime de condescendência criminosa.
c)No crime de incêndio, aumenta-se a pena em dois terços
se o delito for praticado em galeria de mineração.
d) Aquele que dolosamente retém documento de identidade
de terceira pessoa responde pelo delito de supressão de
documento.
e) No crime de Falsa Identidade, o agente não apresenta
nenhum documento de identidade para se identificar.
8 - 2018 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia
Julgue o item seguinte, relativos a institutos
complementares do direito empresarial, teoria geral dos
títulos de crédito, responsabilidade dos sócios, falência e
recuperação empresarial.
Os livros comerciais, os títulos ao portador e os
transmissíveis por endosso equiparam-se, para fins penais, a
documento público, sendo a sua falsificação tipificada como
crime.
( ) Certo ( ) Errado
9 - 2018 - FUNDATEC - PC-RS - Delegado de Polícia
De acordo com a lei, a doutrina e a jurisprudência dos
Tribunais Superiores, analise as situações hipotéticas a seguir:
I. Larapius foi preso em flagrante pela prática de um crime
de roubo. Ao ser apresentado na Delegacia de Polícia para
ser
autuado, atribui-se identidade falsa. Nessa hipótese, de
acordo com o entendimento do Superior Tribunal de justiça,
estará cometendo o crime de falsa identidade.
II. Isolda, ao chegar no edifício aonde reside, chamou de
“Matusalém” o porteiro Agostinho, 72 anos de idade,
porque ele demorou para abrir o portão. Isolda praticou o
crime de injúria qualificada, art. 140, parágrafo 3º do Código
Penal e agravada pelo fato de ter sido praticada contra
idoso.
III. Padarício, visando obter vantagem econômica para si,
adulterou a balança de pesagem de produtos de sua padaria.
Alguns meses depois, fiscais estiveram no estabelecimento
comercial e constataram a fraude. Nesse caso, o Delegado
de Polícia deverá indiciar Padarício pelo crime de
estelionato.
IV. Na farmácia de Malaquias, durante fiscalização, foi
constatado que havia medicamentos em depósito, para
venda, de procedência ignorada. Nesse caso, Malaquias
poderia ser enquadrado em crime contra a saúde pública,
porém de acordo com o Superior Tribunal de Justiça, a pena
prevista para esse crime, reclusão de dez a quinze anos e
multa, seria desproporcional e, portanto, não poderia ser
aplicada.
Quais estão corretas?
a)Apenas I.
b) Apenas II.
c)Apenas I e IV.
d) Apenas I, II e III.
e) I, II, III e IV.
10 - 2017 - IBADE - PC-AC - Delegado de Polícia
O crime de falsidade de atestado médico:
a) resta caracterizado quando uma pessoa adultera um
atestado verdadeiro, a fim de ampliar seus dias de
afastamento do trabalho.
b) exige, em sua forma simples, especial fim de agir
c)além de exigir uma falsidade material, é classificado como
crime comum.
d) é uma forma de falsidade ideológica, tipificado de forma
autônoma devido à especialidade.
e)está arrolado entre os crimes contra a saúde pública.
61
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Respostas3
3 1: A 2: A 3: E 4: C 5: E 6: B 7: E 8: C 9: C 10: D
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
META 2
DIREITO PENAL: CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (PARTE II)
4.5.5 Falso Reconhecimento de Firma ou Letra (Hipótese Especial de Falsidade Ideológica) (Art. 300)
Reconhecer, como verdadeira, no exercício de função pública , firma ou letra que
o não seja:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público; e de um a
três anos, e multa, se o documento é particular.
a) Tipo objetivo e objeto material
O verbo nuclear é “reconhecer”, no sentido de afirmar, declarar, autenticar como verdadeira firma
(assinatura) ou letra que não o sejam.
Portanto, o objeto material do delito é a firma ou letra falsa. Se forem verdadeiras, resta
descaracterizado o crime.
b) Sujeito ativo
Trata-se de crime próprio, que só pode ser praticado por quem exerça função pública, com poderes
para reconhecer firmas ou letras (tabelião de notas, oficial do Registro Civil, os cônsules etc.).
Se o agente pratica o ato fora do exercício de sua função, ou se não tem legítima atribuição para o
reconhecimento, não se consuma o crime do art. 300, por deficiência do elemento material.
No exercício da função pública é diferente de em razão da função pública!!!!!
Segundo ensina Cleber Masson, o fato será atípico em relação ao tabelião que se omitir nodever
funcional de fiscalizar os atos praticados por seus funcionários, ensejando o reconhecimento de firma falsa,
sem prejuízo, contudo, da responsabilidade civil e administrativa.
Em caso de falsa perícia, quando o perito, com atribuição para realizar exames grafológicos ou
grafotécnicos em documentos, atestar firma ou letra falsa como sendo verdadeiras, haverá o crime de falsa
perícia (art. 342, CP).
c) Elemento subjetivo:
É dolo, inclusive dolo eventual, na hipótese de o funcionário atestar a veracidade da firma/letra,
mesmo havendo dúvida quanto à autenticidade.
63
NÚCLEO DURO
TURMA 5
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4.5.6 Certidão ou Atestado Ideologicamente Falso (Art. 301)
(FORMA ESPECIAL DA FALSIDADE IDEOLÓGICA)
ATESTAR ou CERTIFICAR falsamente, em razão de função pública , fato ou
circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de
serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem :
Pena - detenção, de dois meses a um ano. (Menor potencial ofensivo)
a) Sujeito ativo
É crime próprio, que só pode ser cometido por funcionário público autorizado a emitir e atestados
e certidões.
Ao contrário do delito anterior, não se exige que o agente esteja no exercício da função; basta que
cometa uma das condutas típicas em razão dela, ou seja,, em razão das facilidades proporcionadas pela
posição funcional.
b) Objeto material
Não se confunde com falsidade ideológica, que se refere a documento de forma genérica. Aqui, a
conduta recai sobre determinadas espécies de atestados ou certidões.
Atestado é um documento que traz em si o testemunho de um fato ou circunstância de que o
funcionário tomou conhecimento.
Certidão (ou certificado) é o documento pelo qual o funcionário, no exercício de suas atribuições
oficiais, afirma a verdade sobre fato ou circunstância contida em documento público.
c) Conduta
O funcionário público atesta ou certifica falsamente determinado fato ou circunstância. Ou seja:
aqui, o documento é formalmente verdadeiro, elaborado por quem de direito, mas seu conteúdo é
inverídico.
Conforme a doutrina, para a caracterização do crime que, é indispensável que a certidão ou atestado
sejam idôneos e habilitem pessoa interessada a:
Obter cargo público (ex.: emitir certidão de antecedentes criminais com conteúdo negativo),
Isenção de ônus ou de serviço de caráter público (ex.: certidão isentando a pessoa da atividade de
jurado)
Qualquer outra vantagem.
A expressão “qualquer outra vantagem” deve ser interpretada de forma restritiva, como se faz com
a interpretação analógica, para que não sejam retiradas condutas mais graves do âmbito de incidência do
299, sob o pretexto de se enquadrarem no presente dispositivo em razão do termo aberto. Portanto,
“qualquer outra vantagem” deve ser compreendida como vantagem de natureza pública, em consonância
com as hipóteses expressamente elencadas na lei
64
(Adaptada) - O dentista, funcionário público, que, no exercício de sua função pública, emite atestado falso,
em favor do amigo, certificando consulta inexistente, para abono de falta no trabalho, pratica o crime de
certidão ou atestado ideologicamente falso (art. 301, do CP). Item correto.
Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte assertiva: Constitui crime de certidão ou atestado
ideologicamente falso (art. 301 CP), atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou
circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público,
ou qualquer outra vantagem, sendo que se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica- se, além da pena
privativa de liberdade, a de multa.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Se o fato ou circunstância a que se refere o documento não constituir condição, pressuposto ou
requisito da vantagem pretendida, não haverá adequação do fato ao delito.
4.5.7 Falsidade material de atestado ou certidão
§ 1º - FALSIFICAR, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou ALTERAR o teor
de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que
habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter
público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de três meses a dois anos. (Menor potencial ofensivo)
a) Sujeito ativo – crime comum
Diferentemente do caput, que só pode ser praticado por funcionário público, a doutrina e
Jurisprudência entendem que o §1º trata de crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa.
b) Consumação – crime formal
Assim como o caput, é crime formal, consumando-se com a falsificação ou alteração,
independentemente do uso ou qualquer consequência ulterior.
c) Intuito de lucro – PPL + multa
§ 2º - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa
de liberdade, a de multa.
4.5.8 Falsidade de Atestado Médico (Art. 302)
Dar o MÉDICO, no exercício da sua profissão , atestado falso:
Pena - detenção, de um mês a um ano . (Menor potencial ofensivo)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
a) Sujeito ativo
É crime próprio, que restringe sua aplicação ao médico.
Assim, dentistas, veterinários, enfermeiros etc., caso forneçam atestados falsos no exercício da
profissão, incorrerão nas penas previstas para o delito do art. 299 (falsidade ideológica), que são bem mais
gravosas, razão pela qual há muitas críticas na doutrina em relação ao crime do art. 302, por haver um
desarrazoado privilégio ao médico, violando a proporcionalidade.
Se o médico é funcionário público e fornece certidão que habilite alguém a obter cargo público,
isenção de ônus ou serviço público - o crime é do art. 301.
Quem usa o atestado, comete o crime do art. 304 (uso de documento falso), com a pena deste art.
302.
Obs.: Se o médico for funcionário público, e solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem, para emitir o atestado falso, estará configurado o crime de corrupção
passiva (CP, art. 317).
b) Elemento subjetivo: Dolo, não exigindo especial finalidade.
Atestar o médico fato ou circunstância, na dúvida, pode caracterizar o dolo eventual.
c) Conduta e objeto material
O núcleo do tipo é “dar”, no sentido de fornecer/ entregar, documento em que se atesta fato
médico relevante e não correspondente com a realidade.
Segundo a doutrina majoritária, a falsidade deve versar sobre fato relevante (como a existência ou
não de alguma enfermidade ou condição especial de saúde do indivíduo, por exemplo), e não sobre opinião
ou prognóstico do profissional. Assim, a mera opinião emitida pelo profissional, mesmo que equivocada,
não configurará o crime.
Obs.: Atestado falso de óbito, sem exame do cadáver, importa no presente crime!
Importante ressaltar que atestado médico falso e atestado ideologicamente falso não se
confundem, o que pode ser verificado conforme o quadro comparativo abaixo (retirado do livro do Cleber
Masson):
FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO
Art. 302 do CP
Pena: detenção, de um mês a um ano.
Art. 301 do CP
Pena: detenção, de dois meses a um ano.
Sujeito ativo: somente pode ser cometido pelo Sujeito ativo: somente pode ser cometido pelo
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médico. Sua área de especialização é irrelevante. funcionário público autorizado a emitir atestados
ou certidões.
O agente deve dar o falso atestado “no exercício
da sua profissão”, isto é, a afirmação há de
relacionar- se com o estado de saúde do
solicitante.
Não se exige seja a conduta realizada no exercício
da função pública. Basta a prática do fato “em
razão da função pública”, isto é, valendo-se das
facilidades proporcionadas pela posição funcional.
Objeto material: é o atestado médico falso. Objeto material: é o atestado ou a certidãoideologicamente falsos.
Núcleo do tipo: fornecer, entregar, produzir
documento em que se atesta fato médico
relevante e não correspondente com a realidade.
Núcleo do tipo: afirmar a ocorrência de fato ou
situação de que o funcionário público tenha ciência
direta e pessoal. Afirmar a existência ou
inexistência de determinado documento ou
registro junto ao
órgão público.
Consumação: consuma-se no momento em que o
médico entrega o falso atestado,
independentemente da sua utilização posterior
pelo solicitante
Consumação: consuma-se no momento em que o
sujeito conclui a certidão ou atestado
ideologicamente falso, e o entrega a outrem,
independentemente da sua efetiva utilização pelo
seu destinatário ou da causação de prejuízo a
alguém.
Obs.: Se o crime é cometido com o fim de lucro , como, por exemplo, consulta médica mais cara em
troca do atestado falso, aplica-se também multa. (§único)
4.5.9 Reprodução ou Adulteração de Selo ou Peça Filatélica (Art. 303)
Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, salvo
quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no
verso do selo ou peça:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
É imprescindível que o objeto tenha valor para coleção, sob pena de incidir no art. 293, I.
ATENÇÃO! O crime em comento agora está previsto na lei 6.538/78. Manteve-se o preceito
primário, entretanto, reduzindo-se a pena máxima para 2 (dois) anos, tornando a infração de menor
potencial ofensivo.
Figura equiparada:
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Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: Aquele que falsifica documento
público e em seguida o utiliza responde pela falsificação e pelo uso, em concurso material.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Parágrafo único - Na mesma pena incorre quem, para fins de comércio, faz uso do
selo ou peça filatélica.
O uso pelo próprio agente falsificador constituirá post factum impunível. Não admite a tentativa,
por se tratar de crime unissubsistente.
Também não se configura o ilícito se, não tendo sido feita a anotação visível a respeito da
reprodução ou alteração, o vendedor anuncia que se trata de selo reproduzido ou alterado. A essência do
delito é a fraude, que não ocorre em tal caso.
5. USO DE DOCUMENTO FALSO (ART. 304)
Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os
arts. 297 a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração .
a) Considerações iniciais:
Conforme a doutrina, trata-se de “tipo remetido” ou “crime remetido”, que é aquele que indica
outros tipos para ser integralmente compreendido.
Trata-se de norma penal em branco homogênea homovitelinea, já que o complemento advém de
lei penal.
Trata-se de norma penal em branco invertida (ao revés ou ao avesso) - o preceito secundário do
tipo penal está incompleto, pois não há pena específica para o crime do art. 304 do CP, mas sim a aplicação
daquela "cominada à falsificação ou à alteração".
b) Bem jurídico tutelado: Tutela-se a fé pública, punindo-se o uso de documentação falsa.
c) Sujeitos:
Sujeito passivo - é o Estado. A pessoa eventualmente lesada será vítima mediata ou indireta
Sujeito ativo - O crime é comum, razão pela qual o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, desde
que não seja a responsável pela falsificação do documento.
Se quem usa o documento é o próprio falsificador, o crime do art. 304 ficará absorvido
(princípio da consunção) pela contrafação anterior.
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NÚCLEO DURO
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d) Elemento subjetivo: dolo, não exigindo finalidade específica.
É imprescindível que a pessoa tenha consciência da falsidade do documento, de modo que não
haverá rime se o agente usar o documento falso ignorando sua origem ilícita.
e) Objeto material: quaisquer papéis falsificados ou alterados previstos nos artigos 297 a 302:
Documento público – art. 297
Documento particular – art. 298
Documento público ou particular ideologicamente falso – art. 299
Documento contendo falso reconhecimento de firma ou letra – art. 300
Certidão ou atestado ideologicamente falso – art. 301
Certidão ou atestado materialmente falso – art. 301 §1º
Atestado médico falso – art. 302
Lembrando... Como nos demais casos envolvendo crimes de falso, o documento deve:
Referir-se a fato juridicamente relevante
Ser apto a iludir – falso grosseiro é meio ineficaz para ludibriar a fé pública, configurando crime
impossível
Necessidade de perícia: De acordo com a doutrina, a prova da falsidade e da sua capacidade de iludir – sob
pena de configurar crime impossível, em regra, depende de perícia, podendo ser substituída, quando não
se pôs em dúvida a falsificação; quando há inequívoca certeza da falsidade ou quando é reconhecida a
falsificação pelo réu, sendo o documento trazido para os autos.
Também nesse sentido, já decidiu o STJ que “é possível a condenação pelo crime de uso de documento
falso (art. 304 do CP) com fundamento em documentos e testemunhos constantes do processo,
acompanhados da confissão do acusado, sendo desnecessária a prova pericial para a comprovação da
materialidade do crime, especialmente se a defesa não requereu, no momento oportuno, a realização do
referido exame”.
f) Tipo objetivo:
A conduta típica consiste em fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se
referem os arts. 297 a 302.
O núcleo verbal é “fazer uso de” – isso significa utilizar (valer-se, empregar) o documento como se
verdadeiro fosse. Portanto, em regra, não há crime se a pessoa apenas possui ou porta o documento falso,
pois a lei não criminalizou os verbos “portar” e “possuir”.
Exceção em que basta “portar” para que se configure, dispensando a apresentação do
documento: Carteira Nacional de Habilitação, tendo em vista ser de porte obrigatório, por expressa
previsão do Código Nacional de Trânsito, devendo o motorista exibi-la quando solicitado.
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Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: Não há crime de uso de documento
falso na conduta do motorista que, somente depois de lhe ter sido exigida pelo agente, exibe Carteira
Nacional de Habilitação falsa em barreira policial.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Obs.: Para a tipicidade do crime, a doutrina majoritária defende ser indispensável que o documento
falso seja utilizado em sua destinação específica. Para NORONHA, para a caracterização do crime, basta que
o escrito saia da esfera de disponibilidade do agente, ainda que empregado em finalidade diversa daquela a
que se destinava.
Para configurar crime, há necessidade de apresentação espontânea do documento falso ou a
apresentação do documento deve se dar por exigência da autoridade?
R.: De acordo com a doutrina majoritária e o entendimento dos Tribunais Superiores, a
apresentação de documento falso por exigência de autoridade (ex.: blitz) também configura do crime,
sendo irrelevante que o agente tenha feito uso espontâneo do documento ou o tenha apresentado em face
da exigência da autoridade. Argumenta-se que esta - a exigência da autoridade - é a forma normal de
utilização do documento.
5ª T. STJ: "O delito previsto no art. 304 do Código Penal consuma-se mesmo
quando a carteira de habilitação falsificada é exibida ao policial por exigência
deste, e não por iniciativa do agente" (HC 240201, j. 25/03/2014).
Além disso, os Tribunais Superiores entendem que o uso de documento falso e a atribuição a si
mesmo de falsa identidade são condutas típicas mesmo em alegada situação de autodefesa, vez que há
limites para o exercício desta e as condutas mencionadas ofendem a fé pública. (HC 111.706/SP, rei. Min.
Cármen Lúcia, DJe 17/12/2012).
Caiu em prova Cespe 2021! Suponha que, em determinado estabelecimento prisional, um visitante
de preso estivesse sob suspeita de estar cometendo um crime e, ao ter sido abordado, tenha atribuídoa si
falsa identidade perante a autoridade policial. Nessa situação, se a falsa atribuição tiver ocorrido como
autodefesa, a conduta será atípica penalmente. (item incorreto) Súmula 522/STJ: A conduta de atribuir-
se falsa identidade perante autoridade policial é típica , ainda que em situação de alegada autodefesa.
g) Consumação e Tentativa:
Dada a sua natureza de delito formal, o crime se consuma com a simples utilização de documento
comprovadamente falso, independentemente da obtenção de qualquer vantagem ulterior. (Inf. 553 do STJ).
A admissibilidade da tentativa é objeto de divergência doutrinária:
1ª C – Masson: Admite a tentativa quando a conduta for plurissubsistente
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2ª C – Hungria: Não admite a tentativa, tendo em vista a impossibilidade de fracionamento da
conduta, tratando-se de crime unissubsistente.
h) Concurso de crimes
Uso de vários documentos distintos no mesmo contexto fático – crime único (só há a violação da fé
pública uma vez)
Uso de documento falso em contextos diversos – concurso material ou continuidade delitiva – se
presentes os requisitos do art. 71 do CP
i) Competência:
Súmulas que tratam da competência para processo e julgamento deste crime:
Súmula 104 do STJ: Compete a Justiça Estadual o processo e julgamento dos
crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento
particular de ensino.
Súmula 200 do STJ: O Juízo Federal competente para processar e julgar acusado
de crime de uso de passaporte falso é o do lugar onde o delito se consumou.
Súmula 546 do STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de
documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi
apresentado o documento público, não importando a qualificação do órgão
expedidor.
Súmula Vinculante 36: Compete à Justiça Federal comum processar e julgar civil
denunciado pelos crimes de falsificação e de uso de documento falso quando se
tratar de falsificação da Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) ou de Carteira de
Habilitação de Amador (CHA), ainda que expedidas pela Marinha do Brasil.
j) Distinção de crimes:
Uso de documento falso na Lei de crimes contra a Ordem Tributária – art. 1°, IV, da Lei dos Crimes
Tributários (Lei n.8.137/90).
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou
contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: IV -
Elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva
saber falso ou inexato;
Uso de documento falso na Lei de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional – art. 14, Lei 7492/86
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Art. 14. Apresentar, em liquidação extrajudicial, ou em falência de instituição
financeira, declaração de crédito ou reclamação falsa, ou juntar a elas título falso
ou simulado:
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.
Uso de documento falso na Lei de Falências - art. 175 da Lei 11.101/05
Art. 175. Apresentar, em falência, recuperação judicial ou recuperação
extrajudicial, relação de créditos, habilitação de créditos ou reclamação falsas, ou
juntar a elas título falso ou simulado: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro)
anos, e multa.
Uso de documento falso no CPM – Art. 315
Art. 315. Fazer uso de qualquer dos documentos falsificados ou alterados por
outrem, a que se referem os artigos anteriores: Pena - a cominada à falsificação
ou à alteração.
Uso de documento falso para fins eleitorais - art. 353 do Código Eleitoral
Art. 353. Fazer uso de qualquer dos documentos falsificados ou alterados, a que se
referem os artigos. 348 a 352:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.
6. SUPRESSÃO DE DOCUMENTO (ART. 305)
Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo
alheio, documento público ou particular VERDADEIRO, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos , e multa, se o documento é público, e
reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é particular.
Qualquer pessoa pode praticar o crime em comento, inclusive o proprietário do documento, desde
que dele não pudesse dispor.
Se o documento é falso, não há crime.
Além disso, conforme a doutrina majoritária, se o documento for passível de substituição, como
traslados, certidões ou cópias autenticadas, o crime não se caracteriza, podendo, no entanto, configurar
outro delito (como, por exemplo, furto).
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7.1. Falsificação do sinal empregado no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou
para outros fins - Art. 306 – Leitura do Código-
7.2. Falsa Identidade (Art. 307)
NÚCLEO DURO
TURMA 5
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a) Elemento subjetivo: dolo + especial finalidade (em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo
alheio).
b) Consumação: com a destruição, supressão ou a ocultação, ainda que a finalidade não tenha sido
alcançada. Trata-se de um crime formal.
c) Especialidade: o agente que, após receber carga dos autos, na qualidade de advogado da parte,
retira folha dos autos de processo cível, substituindo-a por outra contendo requerimento diverso do
original, por exemplo, comete o crime do art. 356 do CP (sonegação de papel ou objeto de valor
probatório), e não do art. 305 do mesmo diploma legal.
Diferença entre supressão do documento, dano e furto (Nucci):
Depende do intuito do agente. Se for para fazer o documento desaparecer para não servir da prova
de algum fato relevante juridicamente, trata-se de delito contra a fé pública (art. 305); caso seja somente
para causar um prejuízo para a vítima, é delito contra o patrimônio na forma de “dano” (art. 163); se for
subtraído para ocultação, por ser valioso em si mesmo (como um documento histórico), trata-se de delito
contra o patrimônio na modalidade “furto” (art. 155).
Na modalidade ocultar, trata-se de delito permanente.
CAPÍTULO IV
7. DE OUTRAS FALSIDADES
Art. 306 - Falsificar, fabricando-o ou alterando-o, marca ou sinal empregado pelo
poder público no contraste de metal precioso ou na fiscalização alfandegária, ou
usar marca ou sinal dessa natureza, falsificado por outrem:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Parágrafo único - Se a marca ou sinal falsificado é o que usa a autoridade pública
para o fim de fiscalização sanitária, ou para autenticar ou encerrar determinados
objetos, ou comprovar o cumprimento de formalidade legal:
Pena - reclusão ou detenção, de um a três anos, e multa.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
ATRIBUIR-SE ou ATRIBUIR A TERCEIRO falsa identidade para obter vantagem, em
proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui
elemento de crime mais grave. (Menor potencial ofensivo e de subsidiariedade
expressa).
Trata-se de infração de menor potencial ofensivo, sendo da competência do JECRIM (Lei nº 9.099).
Só será aplicado o delito do art. 307 se o fato não constituir crime mais grave.
a) Bem jurídico tutelado: fé pública (não a documental, mas sim a pessoal), no tocante à identidade
individual, pessoal, própria ou de terceiro.8
b) Sujeitos:
Sujeito ativo - Qualquer pessoa pode praticar o delito em estudo.
Sujeito passivo - será o Estado e, secundariamente, eventual lesado pela ação criminosa.
c) Objeto Material: Identidade - O que se entende por identidade?
Identidade é o conjunto de caracteres peculiares de uma pessoa, que permite identificá-la e
distingui-la das demais, individualizando-a, como seu estado civil (idade, filiação, matrimônio,
nacionalidade, entre outros aspectos) e seu estado pessoal (profissão ou qualidade pessoa).
d) Elemento subjetivo: dolo + especial fim de agir.
O agente deve atribuir-se uma falsa identidade com o intuito de obter uma vantagem – que pode
ser própria ou alheia – ou com o intuitode causar dano a terceiro. Essa vantagem ou esse dano pode ser de
cunho material ou moral.
Ex.: vantagem moral alheia - dizendo ser o irmão condenado, o agente vai preso no lugar do
familiar, tendo como objetivo deixá-lo em liberdade.
e) Conduta
Segundo Rogério Sanches, a conduta delituosa consiste em atribuir-se (imputar-se) ou atribuir a
terceiro, falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a
outrem.
Assim, haverá o crime quando o agente, por escrito ou verbalmente:
1. Se faz passar por terceira pessoa, existente ou fictícia;
2. faz com que terceiro se passe por outro indivíduo, real ou não.
Veja que, diferentemente do delito de uso de documento falso, aqui não há apresentação de
documento falso. A falsa identidade se caracteriza pela a atribuição a si mesmo ou a outrem de
elementos/características que gerem erro na correta identificação do agente ou da terceira pessoa. Ex: Ao
ser parado no trânsito pela polícia o agente diz nome diverso do seu.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
É crime comissivo, de modo que não pratica este crime o agente que se silencia acerca da qualidade
equivocada que lhe atribuem.
Como já mencionamos, segundo o STJ, “a conduta de atribuir-se falsa identidade perante
autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa”. É o teor da Súmula 522.
O entendimento do STF também é o mesmo.
“O princípio constitucional da autodefesa (art. 5º, inciso LXIII, da CF/88) não
alcança aquele que atribui falsa identidade perante autoridade policial com o
intento de ocultar maus antecedentes, sendo, portanto, típica a conduta
praticada pelo agente (art. 307 do CP). O tema possui densidade constitucional e
extrapola os limites subjetivos das partes. STF. Plenário. RE 640139 RG, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 22/09/2011”.
Além disso, é um delito subsidiário, que fica absorvido se a intenção do agente é praticar
estelionato, violação sexual mediante fraude, simulação de casamento etc, já que, nesses casos, a
identificação mentirosa constitui o meio para a prática de crime mais grave.
Conforme mencionado acima, para a doutrina majoritária, a substituição de fotografia em
documento público, não caracteriza falsa identidade, mas falso material , haja vista que a foto é parte
integrante do documento – mas há quem entenda ser falsa identidade.
f) Consumação e Tentativa
Crime formal - a consumação ocorre no momento em que o agente praticar o núcleo do tipo,
independentemente de alcançar a finalidade especial (obtenção de vantagem ou causação de dano
a outrem).
A tentativa será possível na modalidade plurissubsistente - atribuição de falsa identidade realizada
por escrito).
i) Especialidade:
1. Código Penal x Lei de Contravenções Penais: o art. 45 da LCP pune com prisão simples de 1 (um)
a 3 (três) meses (ou multa) fingir-se funcionário público . O art. 46 da mesma lei pune com multa
usar, publicamente, de uniforme, ou distintivo de função pública que não exercer; usar,
indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação cujo emprego seja regulado por lei – na LCP
não se exige finalidade específica, são subsidiários. Ademais, se for usurpação de função pública,
o crime será o do 328 do CP.
2. Art. 307 do CP x art. 68 da LCP (Nucci): Quando houver a recusa ao fornecimento de dados
identificadores ou o fornecimento de dados inverídicos, sem a finalidade de obter vantagem ou
prejudicar alguém , trata-se de contravenção penal. Entretanto, havendo tal intuito e sendo
conduta comissiva (“atribuir-se”), passa a ser o crime do art. 307, até mesmo porque o art. 68,
parágrafo
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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único, da Lei das Contravenções Penais menciona, expressamente, ser tipo subsidiário (“se o fato
não constitui infração penal mais grave”).
Cuidado para não confundir o uso de documento falso com o crime de falsa identidade!!! Vamos
esquematizar?
ART. 307 — FALSA IDENTIDADE ART. 304 — USO DE DOCUMENTO FALSO
Consiste na simples atribuição de falsa
identidade, sem a utilização de documento
falso.
Aqui há obrigatoriamente o uso de documento
falso.
Ex.: ao ser parado em uma blitz, o agente
afirma que seu nome é Pedro Silva, quando,
na verdade, ele é João Lima.
Ex.: ao ser parado em uma blitz, o agente, João
Lima, afirma que seu nome é Pedro Silva e
apresenta o RG falsificado com este nome.
7.3. Uso ou Cessão para Uso de Documento de Identificação Civil de Terceiro (Art. 308)
USAR, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou
qualquer documento de identidade alheia ou CEDER a outrem, para que dele se
utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro:
Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui
elemento de crime mais grave. (Menor potencial ofensivo e de subsidiariedade
expressa).
Note que o tipo pune tanto quem usa, como quem cede.
Qualquer documento de identidade alheia carteira de identidade, carteira de trabalho, CNH etc.
Ao contrário do delito antecedente, não se exige nenhuma finalidade especial.
7.4. Fraude de lei sobre estrangeiros
Art. 309 - Usar o estrangeiro , para ENTRAR ou PERMANECER no território
nacional, NOME que não é o seu:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa. (Médio potencial ofensivo)
Crime próprio, que só pode ser praticado por estrangeiro, inclusive o apátrida (sem pátria).
Objeto jurídico: fé pública, especialmente voltada ao interesse do Estado no controle da imigração.
O tipo restringe a ação delituosa ao fato do estrangeiro usar NOME que não é seu, ou seja, deve
haver identificação nominal, não englobando estado civil, profissão, nacionalidade etc).
O tipo não exige utilização de documento falso, podendo o agente utilizá-lo ou não.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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De acordo com o ensinamento de MIRABETE, a expressão território nacional deve ser tomada no
seu sentido jurídico, incluindo, portanto, o mar territorial e o espaço aéreo correspondente à coluna
atmosférica.
Consumação: se dá no momento em que o nome é usado, independentemente de conseguir entrar
ou permanecer no território nacional.
Parágrafo único - Atribuir a estrangeiro FALSA QUALIDADE para promover-lhe a
ENTRADA em território nacional:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Este é crime praticado por terceiro que atribui falsa qualidade ao estrangeiro, enquanto o caput é o
crime do próprio estrangeiro.
Nessa hipótese, trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa, inclusive
funcionário do serviço de imigração.
Ademais, o tipo menciona falsa QUALIDADE, permitindo, ao contrário do caput que a falsidade da
informação recaia sobre elementos diversos do nome.
Além disso, nesta figura, somente a ENTRADA é que está vedada, ou seja, se o sujeito atribuir falsa
qualidade para o estrangeiro permaneça no território nacional não haverá crime.
7.5. Fraude à Proibição da Propriedade ou da Posse de Certos Bens Por Estrangeiros (Art. 310)
Prestar-se a figurar como proprietário ou possuidor de ação, título ou valor
pertencente a estrangeiro, nos casos em que a este é vedada por lei a
propriedade ou a posse de tais bens:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa. (Médio potencial ofensivo)
Norma penal em branco.
A doutrina menciona que justifica o crime em comento pelo fato que de certas atividades são
vedadas a estrangeiros, como, por exemplo, serviços jornalísticos e radiodifusão, exploração de jazidas,
recursos minerais, potenciais de energia.
Trata-se de crime permanente, perdurando a conduta ilícita enquanto o agente figurar como
proprietário ou possuidor dos bens do estrangeiro.
7.6. Adulteração de Sinal Identificador de Veículo Automotor (Art. 311)
Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo
automotor,de seu componente ou equipamento:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
a) Bem jurídico:
O tipo penal tem por objetivo proteger a autenticidade dos sinais que identificam os veículos
automotores (esse é um dos aspectos relacionados com a “fé pública”).
b) Conduta
A redação do artigo menciona adulterar ou remarcar.
Assim, o agente - adultera (modifica) ou - remarca (coloca uma nova marca) o número de chassi
(numeração que fica sobre a estrutura de aço da carroceria) ou - qualquer sinal identificador do veículo
automotor (ex: placas), - sinal identificador de um componente do veículo. Lembrando que essa alteração
deve ser passível de iludir a vítima.
c) Consumação
Consuma-se o crime com a efetiva remarcação ou alteração (crime material), independentemente
da produção de qualquer resultado ulterior. Não exige a finalidade de ocultar a origem criminosa.
d) Considerações importantes:
Em atenção ao princípio da legalidade, a doutrina majoritária entende que se o sujeito raspar o
chassi do veículo não haverá este crime, tendo em vista que o tipo exige alteração ou remarcação.
Não consta “suprimir”.
O STJ entende que a substituição de placa de um veículo pela de outro configura o crime, pois se
trata de um sinal indicador do veículo que foi alterado.
A pessoa que recebe o veículo já adulterado, sabendo dessa circunstância, não pratica o crime do
art. 311, mas sim o do art. 180 (receptação). Se recepta o veículo e, em seguida, promove a
adulteração, será responsabilizada por ambos os delitos em concurso material.
Segundo a jurisprudência atual do STJ e do STF, é típica a conduta de adulterar a placa de veículo
automotor mediante a colocação de fita adesiva. A caracterização do crime previsto no art. 311 do CP
prescinde de finalidade específica do agente (dispensa). Além disso, a colocação de fita adesiva pode ser
um meio idôneo de enganar a fiscalização de trânsito, sendo, portanto, crime possível. STJ 6ª Turma.
AgRg nos EDcl no REsp 1329449/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 18/09/2012. STF 2ª
Turma. RHC 116371/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/8/2013.
O Código Penal prevê o crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor. O que se
entende por veículo automotor?
R.: O conceito é extraído do CTB: “todo veículo a motor de propulsão que circule por seus próprios
meios, e que serve normalmente para o transporte viário de pessoas e coisas, ou para a tração viária de
veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas.”
Nesse sentido, estão EXCLUÍDOS do conceito e, portanto, o tipo penal em apreço:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Veículos de tração humana ou propulsão animal
Reboque o Semirreboque
É nesse sentido o recente entendimento do STJ:
Adulterar placa de veículo reboque ou semirreboque não configura o crime do
art. 311 do CP
O Código Penal prevê o crime de adulteração de sinal identificador de veículo
automotor: Art. 311. Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal
identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento: (...) A
conduta de adulterar placa de veículo reboque ou semirreboque é formalmente
atípica. O reboque e o semirreboque são veículos, no entanto, não são veículos
automotores. Isso porque veículo automotor é aquele que pode circular por seus
próprios meios. O reboque e o semirreboque não conseguem circular por seus
próprios meios. Precisam ser “puxados” por um veículo automotor. STJ. 6ª Turma.
RHC 98058-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 24/09/2019 (Info 657).
e) Causa de aumento de pena (§1º)
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão
dela, a pena é aumentada de um terço.
O conceito de funcionário público está no art. 327 do Código Penal.
Ademais, deve existir nexo entre o crime e a atividade pública exercida pelo agente, que atua "no
exercício da função pública ou em razão dela"
f) Figura Equiparada (§2º)
§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o
licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo
indevidamente material ou informação oficial .
Crime próprio - o funcionário público presta auxílio àquele que adulterou ou remarcou o número
do chassi ou outro sinal identificador do veículo.
Crime de forma vinculada - a contribuição prestada pelo funcionário público ocorre por meio do
fornecimento indevido de material ou informação oficial que é necessário para o licenciamento ou
registro do veículo remarcado ou adulterado.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Elemento subjetivo - o agente público deve ter ciência de que o veículo teve sinais identificadores
adulterados ou remarcados, bem como que a informação ou material fornecido é útil para o
respectivo licenciamento ou registro.
Consumação - o crime estará consumado com o simples fornecimento indevido pelo agente,
independentemente de registro ou licença do órgão de trânsito (delito formal).
CAPÍTULO V
8. DAS FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO
(Incluído pela Lei 12.550. de 2011)
A doutrina faz forte crítica em relação à inserção do presente capítulo dentro de crimes contra a fé
pública, entendendo, boa parte dos autores, que deveria ter sido inserido no título “dos crimes contra a
administração pública, por tutelar, na verdade, a credibilidade (lisura, transparência, legalidade,
moralidade, isonomia e segurança) dos certames de interesse público.
8.1. Fraudes em Certames de Interesse Público (Art. 311-A)
Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou
de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos; Ex: exame escrito no processo de habilitação de
motorista.
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; Ex: ENEM
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei; Ex: OAB
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Médio potencial ofensivo)
Trata-se de crime comum, podendo praticá-lo qualquer pessoa que participa do certame, seja como
candidato, seja como integrante, direto ou indireto, da estrutura organizadora.
Segundo Rogério Sanches, é punida a conduta de quem utiliza (emprega, aplica) ou divulga (efeito
de tornar público, propagar), indevidamente (sem justo motivo), com o fim de beneficiar a si ou a outrem,
ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso (abrangendo não apenas as perguntas e
respostas, mas também outros dados secretos que, se utilizados indevidamente, geram desigualdade na
disputa) de:
a. Concurso público (instrumento de acesso a cargos e empregos públicos);
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Dizer direito - Divulgação antecipada do resultado do concurso para poucas pessoas: “Se o Presidente da
Comissão, antes da publicação do resultado no Diário Oficial, divulga a classificação final do certame e a
relação de aprovados para outras pessoas, comete ele o crime do art. 311-A do CP? Penso que não. Em
primeiro lugar, porque com o encerramento da fase de correção das provas e a remessa do resultado, pela
Instituição organizadora ao órgão contratante, não há mais sigilo dessa informação. A publicação no Diário
Oficial é tão somente uma formalidade destinada a garantir a ampla publicidade, mas que não tem o
condão de fazer com que, antes de sua efetivação, as informações sejam tidas como sigilosas pelo simples
fato de não terem sido veiculadas na Imprensa Oficial. Ademais, como um segundo aspecto a ser
considerado, deve- se mencionar que faltaria ao agente o elemento subjetivo especial considerando que
ele não agiu com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame”.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
b. Avaliação ou exame públicos (qualquer espécie de avaliação do conhecimento promovida pela
Administração Públicaou entidade conveniada, abrangendo, por exemplo, o exame escrito no
processo de habilitação de motorista);
c. Processo seletivo para ingresso no ensino superior (englobando vestibulares e demais formas
de avaliação seletiva para ingresso no ensino superior, como, por exemplo, a prova do ENEM);
d. Exame ou processo seletivo previstos em lei (compreendendo, por. exemplo, o exame da OAB,
previsto na Lei 8.906/94).
Especialidade: a violação de sigilo funcional envolvendo certames de interesse público não
caracteriza o crime do art. 325, mas sim o do art. 311-A do CP.
No entanto, conforme a doutrina majoritária, quem, não sendo integrante na estrutura responsável
pela organização do certame e tampouco concorrente ou participante deste, recebe informação ou, de
qualquer forma, vem a ter conhecimento do conteúdo sigiloso em razão da divulgação feita pelo agente,
ainda que saiba de sua origem ilícita, NÃO PRATICA O TIPO PENAL EM COMENTO, a menos que tenha
concorrido de algum modo para a sua prática. Também não incorre neste crime quem propala por ouvir
dizer, sem que tenha contribuído de alguma forma para o seu vazamento.
Abrangência: qualquer dado sigiloso que, caso utilizados indevidamente, gera desigualdade na
disputa (ex.: número de questões e matérias que serão cobradas, nomes de examinadores etc), não apenas
as perguntas e respostas.
No então, estão excluídas do campo de incidência do tipo as avaliações ordinárias de desempenho
dos alunos e demais provas periódicas em instituições de ensino, ainda que públicas.
Antes da Lei 12.550 de 2011, que incluiu o presente capítulo no Código Penal, a "cola eletrônica"
(utilização de aparelho transmissor e receptor em prova), uma das formas mais corriqueiras de fraudar os
certames de interesse público, era considerada atípica pelos Tribunais Superiores, vez que a conduta
embora fosse próxima de estelionato, não preenchia todos os elementos do tipo, de modo que, em face do
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
princípio da reserva legal e da proibição de aplicação da analogia in malam partem, não poderia ser punido
o agente.
Embora haja divergência, a doutrina majoritária entende que, com o artigo em questão, o
problema está plenamente sanado, vez que é impossível obter as respostas às perguntas se estas não
forem divulgadas a terceiros, que não fazem parte do certame, em momento inadequado. A cola
“tradicional” também está inclusa aqui.
§1o Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o
acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput.
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário
público. Nesse caso, porém, apesar do silêncio da lei, não basta ser servidor
público, mas deve o agente valer-se da sua condição profissional, o que não
significa dizer que o conteúdo sigiloso do certame deva estar entre as suas
atribuições.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA AOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
A conduta prevista no revogado art. 125, XIII, da Lei nº 6.815/80, subsume-se
agora ao art. 299 do Código Penal (falsidade ideológica)
O art. 125, XIII, da Lei nº 6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) previa o seguinte
crime: Art. 125 (...) XIII - fazer declaração falsa em processo de transformação de
visto, de registro, de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a
obtenção de passaporte para estrangeiro, laissez-passer, ou, quando exigido, visto
de saída:Pena: reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos e, se o infrator for estrangeiro,
expulsão. A Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração), revogou integralmente o
Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), inclusive o art. 125, XIII. A Lei nº
13.445/2017 não repetiu, em seu texto, um crime semelhante ao que era previsto
no art. 125, XIII, do Estatuto do Estrangeiro. Apesar disso, não houve abolitio
criminis neste caso, considerando que esta conduta continua sendo crime. A
conduta de fazer declaração falsa em processo de transformação de visto, de
registro, de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a obtenção de
passaporte para estrangeiro, laissez-passer ou, quando exigido, visto de saída,
configura agora o crime do art. 299 do Código Penal (falsidade ideológica). Desse
modo, não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica. O
princípio da continuidade normativa ocorre quando uma norma penal é
revogada, mas a
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração
penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente ou
normativamente diverso do originário. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1422129-SP,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/11/2019 (Info 660).
Adulterar placa de veículo reboque ou semirreboque não configura o crime do
art. 311 do CP
O Código Penal prevê o crime de adulteração de sinal identificador de veículo
automotor: Art. 311. Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal
identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento: (...) A
conduta de adulterar placa de veículo reboque ou semirreboque é formalmente
atípica. O reboque e o semirreboque são veículos, no entanto, não são veículos
automotores. Isso porque veículo automotor é aquele que pode circular por seus
próprios meios. O reboque e o semirreboque não conseguem circular por seus
próprios meios. Precisam ser “puxados” por um veículo automotor. STJ. 6ª Turma.
RHC 98058-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 24/09/2019 (Info 657).
Para tipificar o crime do art. 291 do CP, basta que o agente detenha a posse de
petrechos destinados à falsificação de moeda, sendo prescindível que o
maquinário seja de uso exclusivo para esse fim
O art. 291 do Código Penal tipifica, entre outras condutas, a posse ou guarda de
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado
à falsificação de moeda. A expressão “especialmente destinado” não diz respeito
a uma característica intrínseca ou inerente do objeto. Se assim fosse, só o
maquinário exclusivamente voltado para a fabricação ou falsificação de moedas
consubstanciaria o crime, o que implicaria a absoluta inviabilidade de sua
consumação (crime impossível), pois nem mesmo o maquinário e insumos
utilizados pela Casa de Moeda são direcionados exclusivamente para a fabricação
de moeda. A dicção legal está relacionada ao uso que o agente pretende dar ao
objeto, ou seja, a consumação depende da análise do elemento subjetivo do tipo
(dolo), de modo que, se o agente detém a posse de impressora, ainda que
manufaturada visando ao uso doméstico, mas com o propósito de a utilizar
precipuamente para contrafação de moeda, incorre no referido crime. STJ. 6ª
Turma. REsp 1758958-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/09/2018
(Info 633).
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Clonagem de cartão de crédito ou débito antes da entrada em vigor da Lei nº
12.737/2012
A Lei nº 12.737/2012 acrescentou o parágrafo único ao art. 298 do CP prevendo o
seguinte: Art. 298. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou
alterar documento particular verdadeiro: (...) Parágrafo único. Para fins do
disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou
débito. Ocorre que mesmo antes da edição da Lei nº 12.737/2012 a jurisprudência
do STJ já considerava que cartão bancário poderia se amoldar ao conceito de
"documento". Assim, a inserção do parágrafo único no art. 298 do Código Penal
apenas confirmou que cartão de crédito/débito é considerado documento, sendo
a Lei nº 12.737/2012 considerada como lei interpretativa exemplificativa. Logo,
ainda que praticada antes da Lei nº 12.737/2012, a conduta de falsificar, no todo
ou em parte, cartãode crédito ou débito é considerada como crime de falsificação
de documento particular (art. 298 do CP). STJ. 6ª Turma. REsp 1578479-SC, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 2/8/2016 (Info 591).
Competência para julgar o crime do art. 297, § 4º, do CP
De quem é a competência para julgar o crime de omissão de anotação de vínculo
empregatício na CTPS (art. 297, § 4º, do CP)? * STJ: Justiça FEDERAL. O sujeito
passivo primário do crime omissivo do art. 297, § 4.º, do Diploma Penal, é o
Estado, e, eventualmente, de forma secundária, o particular, terceiro prejudicado,
com a omissão das informações, referentes ao vínculo empregatício e a seus
consectários da CTPS. Cuida-se, portanto de delito que ofende de forma direta os
interesses da União, atraindo a competência da Justiça Federal, nos termos do art.
109, IV, da CF/88. Nesse sentido: STJ. 3ª Seção. CC 145567/PR , Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 27/04/2016. * 1ª Turma do STF: Justiça ESTADUAL. Nesse
sentido: 1ª Turma. Ag.Reg. na Pet 5084, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
24/11/2015 .
Falsa identidade (art. 307 do CP) é crime mesmo em situação de autodefesa
Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade
policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. Aprovada em
25/03/2015, DJe 06/04/2015. Importante.
Colocar fita na placa: crime do art. 311 do CP
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
A norma contida no art. 311 do Código Penal busca resguardar a autenticidade
dos sinais identificadores dos veículos automotores, sendo, pois, típica, a simples
conduta de alterar, com fita adesiva, a placa do automóvel, ainda que não
caracterizada a finalidade específica de fraudar a fé pública. Assim, a conduta de
colocar uma fita adesiva ou isolante para alterar o número ou as letras da placa do
carro e, assim, evitar multas, pedágio, rodízio etc., configura o delito do art. 311
do CP. STF. 2ª Turma. RHC 116371/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
13/8/2013 (Info 715). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1327888/SP, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 03/03/2015.
Desnecessidade de prova pericial para condenação por uso de documento falso
(art. 304)
É possível a condenação pelo crime de uso de documento falso (art. 304 do CP)
com fundamento em documentos e testemunhos constantes do processo,
acompanhados da confissão do acusado, sendo desnecessária a prova pericial
para a comprovação da materialidade do crime, especialmente se a defesa não
requereu, no momento oportuno, a realização do referido exame. O crime de uso
de documento falso se consuma com a simples utilização de documento
comprovadamente falso, dada a sua natureza de delito formal. STJ. 5ª Turma. HC
307586-SE, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador convocado
do TJ/SP), julgado em 25/11/2014 (Info 553).
Inaplicabilidade do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa
Imagine que o réu tenha utilizado uma nota de R$ 100 falsificada para pagar uma
dívida. Após alguns dias, descobriu-se que a cédula era falsa e, antes que
houvesse denúncia, o agente ressarciu o credor por seus prejuízos. O réu praticou
o crime de moeda falsa. É possível aplicar a ele o benefício do arrependimento
posterior (art. 16 do CP)? NÃO. Não se aplica o instituto do arrependimento
posterior ao crime de moeda falsa. No crime de moeda falsa — cuja consumação
se dá com a falsificação da moeda, sendo irrelevante eventual dano patrimonial
imposto a terceiros —, a vítima é a coletividade como um todo, e o bem jurídico
tutelado é a fé pública, que não é passível de reparação. Desse modo, os crimes
contra a fé pública, semelhantes aos demais crimes não patrimoniais em geral,
são incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a
impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da
coisa subtraída. STJ. 6ª Turma. REsp
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
1242294-PR, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/11/2014 (Info 554).
Candidato que deixa de contabilizar despesas em sua prestação de contas no
TRE Determinado Parlamentar Federal, quando foi candidato ao Senado, ao
entregar a prestação de contas ao TRE, deixou de contabilizar despesas com
banners e cartazes no valor de R$ 15 mil. O STF considerou que havia indícios
suficientes para receber a denúncia contra ele formulada e iniciar um processo
penal para apurar a prática do crime de falsidade ideológica (art. 299 do CP). STF.
1ª Turma. Inq 3767/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/10/2014 (Info
765).
Falsidade de contrato social para ocultar o verdadeiro sócio
O contrato social de uma sociedade empresária é documento particular. Assim,
caso seja falsificado, haverá o crime de falsificação de documento particular (e
não de documento público). Não se pode condenar o réu pelo crime de uso de
documento falso quando ele próprio foi quem fez a falsificação do documento. A
pessoa deverá ser condenada apenas pela falsidade, e o uso do documento falso
configura mero exaurimento do crime de falso. STF. 1ª Turma. AP 530/MS, rel.
orig. Min. Rosa Weber, red.p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em
9/9/2014 (Info 758).
Art. 293 do CP e desnecessidade de constituição definitiva do crédito tributário
É dispensável a constituição definitiva do crédito tributário para que esteja
consumado o crime previsto no art. 293, § 1º, III, "b", do CP. Isso porque o
referido delito possui natureza FORMAL, de modo que já estará consumado
quando o agente importar, exportar, adquirir, vender, expuser à venda,
mantiver em depósito, guardar, trocar, ceder, emprestar, fornecer, portar ou, de
qualquer forma, utilizar em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade
comercial ou industrial, produto ou mercadoria sem selo oficial. Por ser um crime
formal, não incide na hipótese, a Súmula Vinculante 24 do STF, que tem a
seguinte redação: “Não se tipifica crime MATERIAL contra a ordem tributária,
previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento
definitivo do tributo.” STJ. 6ª Turma. REsp 1332401-ES, Rel. Min. Maria Thereza
de Assis Moura, julgado em 19/8/2014 (Info 546).
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Falsa declaração de hipossuficiência não configura falsidade ideológica (art. 299)
É atípica a mera declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de
obter os benefícios da justiça gratuita. A conduta de firmar ou usar declaração de
pobreza falsa em juízo, com a finalidade de obter os benefícios da gratuidade de
justiça, não é crime, pois aludida manifestação não pode ser considerada
documento para fins penais, já que é passível de comprovação posterior, seja por
provocação da parte contrária seja por aferição, de ofício, pelo magistrado da
causa. STJ. 6ª Turma. HC 261074-MS, Rel. Min. Marilza Maynard
(Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em 5/8/2014 (Info 546).
Moeda falsa e aplicação das agravantes do art. 61, II, “e” e “h” do CP
Nos casos de prática do crime de introdução de moeda falsa em circulação (art.
289, § 1º, do CP), se a nota falsificada é repassada para “ascendente,
descendente, irmão ou cônjuge” ou para “criança, maior de 60 (sessenta) anos,
enfermo ou mulher grávida”, incidirão as agravantes previstas nas alíneas "e" e
"h" do inciso II do art. 61 do CP. Isso o sujeito passivo desse delito não é apenas o
Estado, mas também a pessoa lesada com a introdução da moeda falsa. STJ. 6ª
Turma. HC 211052-RO, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 5/6/2014 (Info 546).
Art. 297, § 4º do CP e necessidade de ser demonstrado o dolo de falso
A simples omissão de anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social
(CTPS) não configura, por si só, o crime de falsificação de documento público (art.
297,§ 4º, do CP). Isso porque é imprescindível que a conduta do agente preencha
não apenas a tipicidade formal, mas antes e principalmente a tipicidade material,
ou seja, deve ser demonstrado o dolo de falso e a efetiva possibilidade de
vulneração da fé pública. STJ. 5ª Turma. REsp 1252635-SP, Rel. Min. Marco
Aurélio Bellizze, julgado em 24/4/2014 (Info 539).
Advogado que substitui folha da petição inicial
Se determinado advogado altera clandestinamente a petição inicial que havia
protocolizado, substituindo uma folha por outra, tal conduta NÃO configura os
crimes dos arts. 298 e 356 do CP, considerando que a petição inicial não pode ser
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Artigos relacionados para leitura:
Código Penal: Arts. 289 ao 311-A.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
considerada documento para fins penais. STJ. 6ª Turma. HC 222613-TO, Rel. Min.
Vasco Della Giustina (Des. convocado do TJ-RS), julgado em 24/4/2012.
Competência para julgar uso de documento falso
Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de
documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi
apresentado o documento público, não importando a qualificação do órgão
expedidor. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/10/2015, DJe 19/10/2015.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- Direito Penal – Parte Especial – Volume 2 – 12ª edição – Cleber Masson;
- Manual de Direito Penal – Parte especial – 11ª edição – Rogério Sanches Cunha.
- Curso de Direito Penal – Parte especial – Vol. 3 – Arts. 213 a 361 do Código Penal – 3ª edição – Guilherme
de Souza Nucci.
- Site Dizer o Direito – www.dizerodireito.com.br
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
QUESTÕES PROPOSTAS
11 - 2017 - CESPE - PC-GO - Delegado de Polícia
instrução de determinado processo judicial, foi comprovada
falsificação da escrituração em um dos livros comerciais de
uma sociedade limitada, em decorrência da criação do
chamado “caixa dois”. A sentença proferida condenou pelo
crime apenas o sócio com poderes de gerência.
A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção
correta.
a)A conduta praticada pelo sócio constitui crime falimentar.
b) Na situação, configura-se crime de falsificação de
documento público.
c)Sendo o diário e o livro de registro de atas de assembleia
livros obrigatórios da sociedade citada, a referida falsificação
pode ter ocorrido em qualquer um deles.
d) Em decorrência da condenação criminal, o sócio-gerente
deverá ser excluído definitivamente da sociedade.
e)O nome do condenado não pode ser excluído da firma
social, que deve conter o nome de todos os sócios, seguido
da palavra “limitada”.
12 - 2016 - FUNCAB - PC-PA - Delegado de Polícia
depois de ingressar na posse de uma carteira de habilitação
pertencente a outrem, aproveitando-se de sua semelhança
fisionômica para com o titular do documento, adultera o
nome ali constante, substituindo-o pelo seu. Considerando
que a adulteração não era perceptível ictu oculi e que o
autor pretendia utilizar o documento para conduzir
irregularmente veículo automotor, é correto afirmar que
Etevaldo cometeu crime de:
a)falsificação de documento publico.
b)uso de documento de identidade
alheia.
c)falsa identidade.
d) uso de documento falso, na forma
tentada. e)falsidade ideológica documento
publico.
13 - 2014 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia
refere aos crimes contra a fé pública, assinale a alternativa
INCORRETA.
a)Para caracterização do crime de uso de documento falso, é
necessário que o documento falso seja efetivamente
utilizado em sua destinação específica.
b)A falsidade é material quando o vício incide sobre o
aspecto físico do documento, a sua forma.
c)O crime de moeda falsa não prevê qualquer modalidade
culposa.
d)No crime de falsificação de documento público, se o
agente é funcionário público e se prevalece do cargo para
cometê-lo, sua pena será aumentada em um sexto.
e)A denominada “cola eletrônica” consistente na utilização
de conteúdo sigiloso em certames de interesse público não
pode ser considerada crime.
14 - 2014 - Aroeira - PC-TO - Delegado de Polícia
A falsificação de cartão de crédito ou de débito da Caixa
Econômica Federal configura o crime de:
a)falsificação de papéis públicos.
b)falsificação de documento público.
c)falsificação de documento particular.
d)falsidade ideológica.
15 - 2014 - VUNESP - PC-SP - Delegado de Polícia
“X”, valendo-se de um documento de identidade falsificado,
consegue abrir uma conta corrente no Banco do Brasil com a
finalidade de lavar dinheiro. O bem jurídico tutelado no
crime praticado por “X” é(são)
a) o patrimônio.
b) a administração da justiça.
c)a administração pública.
d) a fé pública.
e)as finanças públicas.
16 - 2013 - CESPE - DPF - Delegado de Polícia
Com relação aos crimes previstos no CP, julgue o item que se
segue.
A falsa atribuição de identidade só é caracterizada como
delito de falsa identidade se feita oralmente, com o poder de
ludibriar; quando formulada por escrito, constitui crime de
falsificação de documento público.
( ) Certo ( ) Errado
17 - 2013 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia
89
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Com relação aos crimes previstos no CP, julgue o item que se
segue.
A falsa atribuição de identidade só é caracterizada como
delito de falsa identidade se feita oralmente, com o poder
de ludibriar; quando formulada por escrito, constitui crime
de falsificação de documento público.
( ) Certo ( ) Errado
18 - 2013 - COPS-UEL - PC-PR - Delegado de Polícia
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente,
afirmações quanto ao crime de falsidade ideológica tipificado
no Art. 299 do Código Penal.
a)Na conduta de fazer inserir, mesmo que o funcionário
público tenha conhecimento da inverdade declarada, este
não responde pelo crime.
b) Trata-se de um crime material, estando o crime
consumado no momento em que a falsidade produz prejuízo
a terceiro. c)Promover a inscrição de nascimento inexistente
aumenta a pena da sexta parte nos moldes do Parágrafo
Único do Art. 299 do Código Penal, por se tratar de assento
de registro civil. d)No crime de falsidade ideológica de
documento público, as condutas de omitir ou inserir
demandam a participação de funcionário público na
condição de sujeito ativo.
e)Se o sujeito ativo for funcionário público, a pena é
aumentada da sexta parte, mesmo que este não se tenha
prevalecido de seu cargo.
19 - 2013 - FUNCAB - PC-ES - Delegado de Polícia
Túlio, em razão de seu casamento com Maria, declarou
no cartório de registro de pessoas naturais que era
divorciado, sendo o matrimônio com Maria consumado.
Entretanto, Túlio era casado com Claudia, mas estavam
separados de fato há muitos anos. Serviram como
testemunhas Joana e Paulo, primos de Túlio, que tinham
conhecimento do casamento e da separação de fato deste
com Claudia. Assim pode-se afirmar:
I. Houve o crime de falsidade ideológica praticado por Túlio,
mas que restará absorvido pelo princípio da especialidade.
II. Trata-se de crime próprio, sendo coautores Joana e Paulo,
primos de Túlio.
III. A anulação do casamento de Túlio com Claudia pelo
motivo da bigamia, tornaria inexistente o crime de bigamia.
IV. O objeto material desse crime é Claudia.
Indique a opção que contempla a(s) assertiva(s) correta(s).
a)I, II, III e IV.
b) I, II e III, apenas.
c) II, apenas.
d) III, apenas.
e) IV, apenas.
20 - 2012 - FUNCAB - PC-RJ - Delegado de Polícia
Entre as hipóteses a seguir consignadas, assinale aquela que
corresponde a crime de falsidade ideológica (art. 299 do CP).
a) Rildo, desempregado, tencionando trabalhar como
motorista, após obter um espelho de Carteira Nacional de
Habilitação não preenchido, embora verdadeiro, nele
consigna seus dados pessoais e imprime sua foto, passando-
se por pessoa habilitada para conduzir veículo automotor,
sem de fato o ser.
b) Aderbal, de formafraudulenta, consigna, na Carteira de
Trabalho e Previdência Social de um empregado de sua
empresa, salário inferior ao efetivamente recebido por ele,
visando a reduzir seus gastos para como INSS.
c)Magnólia, com intenção de integrar à sua família o filho de
outrem, registra a criança em seu nome, como se sua mãe
fosse, valendo-se, para tanto, da desatenção do funcionário
do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, que deixa
de exigir a documentação pertinente ao ato.
d) Tibúrcio, funcionário público do instituto responsável por
manter atualizados os registros de antecedentes criminais
em determinado Estado-Membro, aproveitando-se de sua
atribuição funcional, entra com sua senha no sistema
informatizado do órgão e inclui, fraudulentamente, na folha
de antecedentes de seu vizinho, crime por ele não praticado,
em vingança por conta de uma rixa antiga.
e) A fim de auxiliar uma amiga a contratar financiamento
para aquisição de eletrodomésticos, Alberico, sócio-gerente
em uma empresa têxtil, valendo-se de sua posição, assina
declaração afirmando que tal pessoa trabalha de forma
remunerada naquele estabelecimento empresarial, o que
não condiz coma realidade.
90
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Respostas4
4 11: B 12: A 13: E 14: C 15: D 16: E 17: E 18: D 19: C 20: E
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
META 3
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DOS CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CF/88
• Art. 5º, XI
• Art. 5º, LXVII
• Art. 141, §1º
• Art. 173, §5º
OUTROS DISPOSITIVOS LEGAIS
• Lei 8137/90
• Art. 168-A, CP
• Art. 297 a 299, CP
• Art. 316, §1º, CP
• Art. 318, CP
• Art. 327, CP
• Art. 334, CP
• Art. 337-A, CP
• Art. 61, CPP
• Art. 136, CTN
• Art. 195, CTN
• Art. 4º, 5º e 6º, LC 105/01
• Art. 20 da Lei 10.522/02
• Art. 83, §§2º e 4º da lei 9430/96
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
CF/88
• Art. 173, §5º
LEI 8137/90
• Art. 1º e 2º (importantíssimos)
• Art. 4º, I
• Art. 7º, IV, VII e IX
• Art. 11 e 12
92
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
OUTROS DISPOSITIVOS LEGAIS
• Art. 168-A, CP
• Art. 316, §1º, CP
• Art. 318, CP
• Art. 334, CP
• Art. 337-A, CP
• LC 105/01
1. INTRODUÇÃO
Normalmente, imagina-se que os crimes contra a ordem tributária são apenas aqueles previstos
nos arts. 1º e 3º da Lei nº 8.137/90. Trata-se de um engano. Além desse diploma, existem também crimes
tributários tipificados no Código Penal. Vejamos os crimes tributários existentes atualmente:
Na Lei nº 8.137/90:
Sonegação fiscal (art. 1º);
Crimes da mesma natureza de sonegação fiscal (art. 2º);
Crimes funcionais tributários (art. 3º).
No Código Penal:
Descaminho (art. 334);
Sonegação de contribuição previdenciária (art. 337-A);
Apropriação indébita previdenciária (art. 168-A);
Excesso de exação (art. 316, § 1º);
Facilitação de contrabando ou descaminho (art. 318);
Obs.: A lei 8137/90 não faz menção apenas aos crimes contra a ordem tributária, como também se
refere aos crimes contra a ordem econômica e contra as relações de consumo. O capítulo I é o que nos
interessa, vez que faz referência aos crimes contra a ordem tributária. São estudados os artigos 1º ao 3º da
referida lei.
Art. 1º, Lei 8.137/90: crimes materiais, com exceção do inciso V;
Art. 2º, Lei 8.137/90: crimes formais, à exceção da apropriação indébita;
Art. 3º, Lei 8.137/90: crime funcional contra a ordem tributária.
2. DIREITO TRIBUTÁRIO PENAL X DIREITO PENAL TRIBUTÁRIO
93
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
CTN. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por
infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do
responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Direito Penal Tributário: Estuda as infrações e as respectivas sanções eminentemente penais que
causem danos ao erário. O bem jurídico protegido é o Erário, o patrimônio do Estado e a ordem
econômica, bens de natureza supraindividual. Observam as regras gerais do CP.
Direito Tributário Penal: Estuda as infrações e sanções de natureza administrativa, também ligadas
à sonegação de tributos, e deveres anexos à relação jurídica tributária. Observa as regras gerais do
CTN e da legislação tributária de regência.
Cezar Roberto Bitencourt aponta dois fatores para diferenciar o crime tributário da infração fiscal:
a) Materialmente, o crime tributário deve representar uma ofensa a um determinado bem
jurídico, e não uma mera infração das normas impostas pelo Direito Tributário, porquanto
não se pode admitir a criminalização de condutas constitutivas de mera infração de dever;
b) Não obstante a antijuridicidade ser uma categoria comum a todos os ramos do Direito, a
persecução de delitos, dentre eles os crimes tributários, atende a princípios e regras de
imputação específicos, propriamente penais, do que se conclui que a constatação da
responsabilidade penal objetiva e subjetiva e a declaração de culpabilidade constituem
pressupostos necessários e irrenunciáveis para a aplicação da pena.
Nesse contexto, em respeito ao princípio da fragmentariedade do Direito Penal, não é todo e
qualquer inadimplemento de tributo que enseja a tutela do direito penal. Por esse motivo, fiquem atentos
aos seguintes conceitos:
Inadimplemento - não é crime por si só. Ex.: contribuinte declara o fato gerador, cumpre as
obrigações acessórias, mas não paga o tributo.
Elisão - prática legítima do contribuinte que, por meio de planejamento tributário, impede a
ocorrência do fato gerador ou diminui o valor do tributo a pagar, sem que haja a fraude.
Sonegação - supressão ou redução do tributo por meio fraudulento. Sonegar é o ato
realizado visando suprimir ou reduzir tributo, mediante omissão, fraude, falsificação, alteração,
adulteração ou ocultação.
Assim, em regra, somente as condutas de sonegação fiscal são penalmente relevantes.
3. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA
Não há nenhuma previsão de modalidade culposa. Ainda, não é possível a aplicação de sanção
penal pelo simples motivo de o sujeito ocupar cargo na estrutura societária de empresa que comete
sonegação
94
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
fiscal. Em outras palavras: não é suficiente para legitimar a tutela penal que o denunciado conste como
sócio- administrador da pessoa jurídica para responder por sonegação fiscal. O ministro Celso de Mello
explica: “A circunstância objetiva de alguém meramente ostentar a condição de sócio de uma empresa não
se revela suficiente para autorizar qualquer presunção de culpa e, menos ainda, para justificar, como efeito
derivado dessa particular qualificação formal, a decretação de uma condenação penal”. Neste sentido:
STJ - O simples fato de o acusado ser sócio e administrador da empresa constante
na denúncia não pode levar a crer, necessariamente, que ele estivesse
participando dos fatos delituosos a ponto de se ter dispensado ao menos uma
sinalização de sua conduta, ainda que prevê, sob pena de restar configurada
responsabilidade criminal objetiva. (STJ. 6° Turma, HC 224.728/PE)
STF - O diretor-geral da empresa de telefonia Vivo foi denunciado pelo fato de que
na filial que funciona no Estado de Pernambuco teriam sido inseridos elementos
inexatos em livros fiscais. Diante disso, o Ministério Público denunciou o referido
diretor pela prática de crime contra a ordem tributária (art. 1º, II, da Lei nº
8.137/90). A denúncia aponta que, na condição de diretor da empresa, o acusado
teria domínio do fato, o poder de determinar, de decidir, e de fazer com que seus
empregados contratados executassem o ato, sendo responsável pelo delito. O STF
determinou o trancamento da ação penal afirmando que não se pode invocar a
teoria do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova,
citando de forma genérica o diretor estatutário da empresa para lhe imputar um
crime fiscal que teria sido supostamente praticado na filial de um Estado-membro
onde elenem trabalha de forma fixa. Em matéria de crimes societários, a
denúncia deve apresentar, suficiente e adequadamente, a conduta atribuível a
cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel
desempenhado pelos denunciados na estrutura jurídico-administrativa da
empresa. Não se pode fazer uma acusação baseada apenas no cargo ocupado
pelo réu na empresa. STF. 2ª Turma. HC 136250/PE
4. CRIMES TRIBUTÁRIOS E PRISÃO CIVIL POR DÍVIDA
Art. 5º, LXVII, CF – Não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do
depositário infiel;
95
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
O STF entendeu, no RE 466.343, que os dispositivos infraconstitucionais que contemplavam a
prisão do depositário infiel não são compatíveis com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, de
modo que a única prisão civil que sobrevive no ordenamento jurídico pátrio é a prisão do devedor de
alimentos.
Nesse sentido, parte da doutrina entende que a prisão decorrente da prática de crimes tributários
seria inconstitucional, por não passar de uma prisão por dívida (tributária).
No entanto, segundo entendimento sedimentado no Supremo Tribunal Federal, a criminalização
prevista na Lei n° 8.137/90 não pode ser equiparada à prisão civil por dívida, em virtude de ser figura
distinta do mero inadimplemento. Como já explicado anteriormente, os crimes tributários protegem o
erário público das fraudes perpetradas por contribuintes, não criminalizando o mero inadimplemento.
STF - O Supremo Tribunal Federal reafirmou a jurisprudência no sentido de que a
criminalização de sonegação fiscal (prevista na Lei 8.137/1990) não viola o artigo
5°, inciso LXVII, da Constituição Federal, em virtude de ter caráter penal e não se
relacionar com a prisão civil por dívida. (STF, Primeira Turma, ARE 999425)
5. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA E INVIOLABILIDADE DOMICILIAR
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 195, CTN: Para os efeitos da legislação
tributária, não têm aplicação quaisquer disposições
legais excludentes ou limitativas do direito de
examinar mercadorias, livros, arquivos,
documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais,
dos comerciantes industriais ou produtores, ou da
obrigação destes de exibi-los.
Art. 5º, XI, CF: A casa é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de
flagrante de delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial.
Segundo leciona Renato Brasileiro, a legislação atribui às autoridades da Administração Fazendária
o dever de fiscalizar os atos dos sujeitos passivos das obrigações tributárias. No entanto, o exercício desse
poder-dever de fiscalização não é ilimitado, e nem pode se dar de maneira abusiva, de modo que a
jurisprudência do STF é firme no sentido de que a autoexecutoriedade da fiscalização tributária não
permite o ingresso na “casa” (em seu sentido amplo) sem prévia autorização judicial. Veja:
STF - Sem que ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas
no texto constitucional (art. 5º, XI), nenhum agente público, ainda que vinculado à
administração tributária do Estado, poderá, contra a vontade de quem de direito
(“invito domino”), ingressar , durante o dia, sem mandado judicial, em espaço
privado não aberto ao público onde alguém exerce sua atividade profissional, sob
96
6. CONSTITUCIONALIDADE DA TRANSFERÊNCIA DIRETA DE INFORMAÇÕES DAS ENTIDADES BANCÁRIAS
AOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
pena de a prova resultante da diligência de busca e apreensão assim executada
reputar-se inadmissível, porque impregnada de ilicitude material. (HC 103.325/RJ)
Nas palavras do professor Renato Brasileiro (2020):
“De se ver, então, que o poder fiscalizador da administração
tributária perdeu, em favor do reforço da garantia constitucional
do domicílio (CF, art. 5°, XI), a prerrogativa da auto-
executoriedade. O ingresso de agentes fiscais em dependência
domiciliar do contribuinte (v.g., escritório de contabilidade)
também está condicionado, portanto, à existência de prévia
autorização judicial. Por consequência, na eventualidade de
haver o ingresso da autoridade administrativa no domicílio do
contribuinte sem o seu consentimento, e tampouco sem prévia
autorização judicial, eventuais provas ali obtidas hão de ser
consideradas obtidas por meios ilícitos imprestáveis, portanto,
quer para eventual processo penal, quer para eventual processo
administrativo de apuração e exigência do tributo.”
A Lei Complementar 105/01 trata do sigilo de dados bancários e financeiros. Nos arts. 5º e 6º, há
previsão no sentido de que as entidades responsáveis pela proteção do sigilo bancário e financeiro deverão
apresentar informações ao fisco, desde que haja um procedimento em curso. Essas informações seriam
transmitidas de maneira direta, sem a necessidade de prévia autorização judicial.
Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos
limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras
informarão à administração tributária da União, as operações financeiras
efetuadas pelos usuários de seus serviços.
Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros
e
97
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos
e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou
procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis
pela autoridade administrativa competente.
Em que pese parte da doutrina sustentar a inconstitucionalidade do art. 5º, LC 105/02, a
jurisprudência do STF é no sentido de que tal dispositivo é CONSTITUCIONAL. Isso porque não haveria
quebra do sigilo de dados bancários e financeiros nesses casos, mas somente uma mera transferência de
informações, ficando o Fisco obrigado a resguardar o sigilo das informações recebidas.
Portanto, as instituições financeiras e bancárias são obrigadas a transmitir ao Fisco essas
informações, desde que o órgão de fiscalização tributária preserve o caráter sigiloso delas.
Ressalta-se que, para que haja o repasse das informações, é necessário que haja processo
administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, sem os quais a requisição de informações
dependerá de prévia autorização judicial.
STF - Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos
regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de
novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das
informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo
neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma
transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de
sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas
a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art.
145, § 1º, da Constituição Federal. (ADI 2.859/DF)
É importante frisar que tal competência seria extensível às autoridades fiscais da União, e também
dos Estados e Municípios, caso regulamentassem a matéria. Nesse sentido entendeu o Supremo Tribunal
Federal ao posicionar-se sobre a matéria nas ADI 2390/DF, ADI 2386/DF, ADI 2397/DF e ADI 2859/DF,
julgadas em 24/2/2016, desde que cumpridos os seguintes requisitos:
Pertinência temática entre a obtenção das informações bancárias e o tributo objeto de cobrança no
procedimento administrativo instaurado;
Prévia notificação do contribuinte quanto à instauração do processo e a todos os demais atos,
garantido o mais amplo acesso do contribuinte aos autos,permitindo-lhe tirar cópias, não apenas
de documentos, mas também de decisões;
Sujeição do pedido de acesso a um superior hierárquico;
Existência de sistemas eletrônicos de segurança que fossem certificados e com o registro de acesso;
e, finalmente,
Estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios
98
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Quais órgãos podem requerer informações bancárias diretamente às instituições financeiras?
Polícia judiciária – Não poderá, é necessária autorização judicial.
Ministério Público – Em regra, não poderá, como orienta a jurisprudência dos tribunais superiores,
entretanto, na hipótese requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de
titularidade de órgãos e entidades públicas, com o fim de proteger o patrimônio público, não se
podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário, uma vez que o sigilo não é oponível pelo
administrador público, que tem o dever de probidade e transparência, na esteira dos princípios
constitucionais da administração pública. (STJ. 5ª Turma. HC 308.493/CE)*
Tribunal de contas – Em regra é necessária autorização judicial, entretanto este é desnecessário na
hipótese de envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito originárias de recursos
públicos, que não são cobertos pelo sigilo bancário (STF. MS 33340/DF)
Fisco, Federal, Estadual, Distrital ou Municipal – Há possibilidade de requisição direta, com base
no art. 6º da LC 105/2001. O repasse das informações dos bancos para o Fisco não pode ser
definido como sendo "quebra de sigilo bancário", entretanto, estados e municípios precisam
realizar regulamentação análoga ao decreto Federal 3.724/2001, que regulamenta a LC 105/2001
no âmbito da união.
Comissões parlamentares de inquérito – Há possibilidade de requisição direta, seja a comissão
federal, estadual ou distrital. (art. 4º, § 1º da LC 105/2001). Prevalece que CPI municipal não pode
uma vez que os poderes da comissão parlamentar são os típicos da autoridade judicial e no
desenho federativo brasileiro não há competência municipal para instituição de justiça especifica.
*Obs.: em relação ao compartilhamento de dados obtidos pelo COAF, o STF analisou, no tema 990 de
repercussão geral, a possibilidade ou não de os dados bancários e fiscais do contribuinte, obtidos pelo Fisco
no legítimo exercício de seu dever de fiscalizar, serem compartilhados com o Ministério Público para fins
penais, sem a intermediação do Poder Judiciário, senão vejamos:
É possível o compartilhamento, sem autorização judicial dos relatórios de
inteligência financeira da UIF e do procedimento fiscalizatório da Receita
Federal com a Polícia e o Ministério Público.
1. É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da
UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil (RFB),
que define o lançamento do tributo, com os órgãos de persecução penal para fins
criminais, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial, devendo ser
resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente
instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional. 2. O compartilhamento
pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito unicamente por
meio de
99
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
comunicações formais, com garantia de sigilo, certificação do destinatário e
estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais
desvios.
Essa é a tese do Tema 990 da Repercussão Geral fixada, por maioria, pelo Plenário (Informativos
960 e 961). Vencido o ministro Marco Aurélio, que não referendou a tese. RE 1055941/SP, rel. Min. Dias
Toffoli, julgamento em 4.12.2019. (RE-1055941)
Dizer o direito: Quadro-resumo dos órgãos que podem requisitar informações bancárias diretamente
(sem autorização judicial)
SIGILO BANCÁRIO
Os órgãos poderão requerer informações bancárias diretamente das instituições financeiras?
POLÍCIA NÃO. É necessária autorização judicial.
MP
NÃO. É necessária autorização judicial (STJ HC 160.646/SP, Dje
19/09/2011).
Exceção: É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações
bancárias de contas de titularidade de órgãos e entidades públicas, com
o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra
ilegal de sigilo bancário (STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, j. em 20/10/2015).
TCU
NÃO. É necessária autorização judicial (STF MS 22934/DF, DJe de
9/5/2012).
Exceção: O envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito
originárias de recursos públicos não é coberto pelo sigilo bancário (STF.
MS 33340/DF, j. em 26/5/2015).
Receita Federal
SIM, com base no art. 6º da LC 105/2001. O repasse das informações dos
bancos para o Fisco não pode ser definido como sendo "quebra de sigilo
bancário".
Fisco estadual,
distrital, municipal
SIM, desde que regulamentem, no âmbito de suas esferas de
competência, o art. 6º da LC 105/2001, de forma análoga ao Decreto
Federal 3.724/2001.
CPI
SIM (seja ela federal ou estadual/distrital) (art. 4º, § 1º da LC 105/2001).
Prevalece que CPI municipal não pode.
7. COMPETÊNCIA PARA PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA
100
CAIU EM CONCURSO
→ FGV – PCA/2021 – Delegado de Polícia. Luiz, vereador na cidade de Natal/RN, incorreu na prática do Art.
1º, incisos I, II e IV, c/c. os artigos 11 e 12, inciso I, todos da Lei nº 8.137/90, consubstanciada em fraude
tributária consistente na redução de ICMS devido ao Estado do Amazonas, praticado no âmbito de filial da
sucursal da Refinaria de Petróleo de Manguinhos, situada em Comarca de Careiro da Várzea/AM. Quando
do comportamento delitivo do Luiz, havia pedido de recuperação judicial da Refinaria de Petróleo de
Manguinhos processado na Comarca de Careiro da Várzea/AM. Posteriormente o TJAM, em sede de
exceção de incompetência, acolheu o pedido defensivo e determinou que o processamento da recuperação
judicial da Refinaria de Petróleo de Manguinhos passasse para a competência da Comarca do Rio de
Janeiro/RJ, em razão deste ser o local da sede do principal estabelecimento comercial da referida empresa.
A competência para o processo e o julgamento do crime tributário será
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
A Justiça competente irá variar de acordo com a competência tributária. Esta última pode ser
definida, de forma perfunctória, como a atribuição para instituir e majorar tributos.
Nesse caso, será de competência da Justiça Federal quando:
(1) Se o objeto do crime for tributo federal. Ex.: imposto de renda
(2) Sendo hipótese de conexão entre delitos de competência da justiça Estadual e da Justiça Federal.
Ex.: na hipótese de supressão de imposto de renda (IR) e imposto sobre serviço (ISS), a
competência será fixada na justiça federal, com base na sumula 122 do STJ.
STJ Súmula 122 - Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos
crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do
art. 78, II, a, do Código de Processo Penal.
PENAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIME DO ART. 4º DA LEI N.
8.137/1990. PRÁTICA DE DUMPING. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A UNIÃO.
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Compete à Justiça estadual processar e
julgar ação penal relacionada a crime contra a ordem econômica (Lei n.
8.137/1990), salvo se praticados "em detrimento de bens, serviços ou interesses
da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas" e, "nos casos
determinados por lei" (CR, art. 109, IV e VI; STJ, CC 56.193/RS, Rel. Min. Og
Fernandes; CC 42.957/PR, Rel. Min. Laurita Vaz; STF, RE 502.915, Rel. Min.
Sepúlveda Pertence). 2. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo
de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de Campo Mourão/PR, ora suscitante.
(CC 119.350/PR, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 26/11/2014, DJe 04/12/2014)
Quanto à competência de foro, esta será do local ondeocorrer a consumação do delito por meio
da constituição definitiva do crédito tributário , na forma da súmula vinculante 24.
101
(A) da Vara Única da Comarca de Careiro da Várzea/AM.
(B) do Tribunal de Justiça do Amazonas.
(C) de uma das Varas Criminais da Comarca do Rio de Janeiro/RJ.
(D) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
(E) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.
Resposta correta: Alternativa ‘a’. A competência para processar e para julgar os crimes materiais contra a
ordem tributária é do local onde ocorrer a consumação do delito por meio da constituição definitiva do
crédito tributário
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
8. O PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO E OS CRIMES TRIBUTÁRIOS
Consoante jurisprudência dos tribunais superiores, é plenamente aplicável o princípio da
consunção, uma vez demonstrado que um delito servira como meio para a prática de um crime tributário,
hipótese em que o crime fim irá absorver o crime meio, desde que esgotada sua lesividade naquele.
Crimes contra a ordem tributária e estelionato: O crime contra a ordem tributária abrange o delito
de estelionato, por ser esse um crime meio.
Crime contra a ordem tributária e falsidade ideológica ou uso de documento falso - caso o delito
de falsidade ou uso de documento falso tenha sido perpetrado como meio para a prática do delito
contra a ordem tributária, esse crime absorve aquele, com base no princípio da consunção. Porém,
se tais delitos NÃO tiverem relação com o delito contra a ordem tributária, não se fala em
absorção, e haverá um concurso de crimes.
STJ - O réu foi denunciado porque elidiu tributo, ao prestar declaração de imposto
de renda, lançando deduções referentes a despesas médicas fictícias, e,
posteriormente, para assegurar a impunidade do crime de sonegação fiscal que
havia cometido, apresentou à Delegacia da Receita Federal diversos recibos
contendo declarações falsas acerca do pagamento de serviços de saúde. É
aplicável o princípio da consunção quando os crimes de uso de documento falso e
falsidade ideológica – crimes-meio - são praticados para facilitar ou encobrir a
falsa declaração, com vistas à efetivação do pretendido crime de sonegação fiscal
– crime-fim -, localizando-se na mesma linha de desdobramento causal de lesão
ao bem jurídico, integrando, assim, o iter criminis do delito-fim. Assim, o crime de
sonegação fiscal absorve o de falsidade ideológica e o de uso de documento falso
praticados posteriormente àquele unicamente para assegurar a evasão fiscal. (STJ.
3a Seção. EREsp 1154361/MG)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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9. DENÚNCIA NOS CRIMES SOCIETÁRIOS (CRIMES DE GABINETE)
Os delitos contra a ordem tributária também são conhecidos como delitos de gabinete ou
societários, pois, são praticados a portas fechadas, dificultando a descrição da denúncia do fato criminoso.
Assim, o STF e STJ permitem que a denúncia descreva o fato sem individualizar a conduta do agente
com todas as suas circunstâncias. No entanto, embora não seja necessária a descrição pormenorizada da
conduta de cada denunciado, o MP deve narrar qual é o vínculo entre o denunciado e o crime a ele
imputado, sob pena de a denúncia ser inepta. (STJ, HC 214.861-SC).
Obs.1: Como já dito, a mera condição de sócio NÃO é suficiente para caracterizar a responsabilidade penal do
agente, devendo haver a prova de que o agente concorreu para a infração penal.
Obs.2: A denúncia genérica, sinônimo de criptoimputação, é aquela que não se pormenoriza a conduta de
todos os denunciados. Atualmente tal denúncia não é admitida pelos Tribunais Superiores.
STF- CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. IMPUTAÇÃO PENAL DEDUZIDA
CONTRA SÓCIOS DA EMPRESA. ACUSAÇÃO QUE DEVE NARRAR, DE MODO
INDIVIDUALIZADO, A CONDUTA ESPECÍFICA QUE VINCULA CADA SÓCIO AO
EVENTO SUPOSTAMENTE DELITUOSO. A QUESTÃO DOS DELITOS SOCIETÁRIOS E A
INADMISSÍVEL FORMULAÇÃO DE ACUSAÇÕES GENÉRICAS. OFENSA AOS
POSTULADOS CONSTITUCIONAIS DA PLENITUDE DE DEFESA E DA PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. A invocação da condição de sócio e/ou
de administrador de organização empresarial, sem a correspondente e
individualizada descrição de determinada conduta típica que os vincule, de modo
concreto, ao evento alegadamente delituoso, não se revela fator suficiente apto a
justificar, nos delitos societários, a formulação de acusação estatal genérica ou a
prolação de sentença penal condenatória. (STF HC 105953 MC/SP)
10. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA:
O princípio da insignificância ou bagatela será aplicado apenas quando presentes os seus quatro
vetores, que são:
Mínima ofensividade da conduta;
Ausência de periculosidade social da ação;
Reduzidíssimo grau de reprovação;
Inexpressividade da lesão ao bem jurídico tutelado.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Em regra, o princípio da insignificância se aplica aos crimes tributários federais e de descaminho
[também é um crime tributário] quando o crédito tributário não ultrapassar o limite de R$ 20.000 (vinte mil
reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei 10.522/02 com as atualizações efetivadas pelas portarias nº 75 e
130 do Ministério da Fazenda.
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de
descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$
20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002,
com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério
da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo).
Observações importantes:
(1) O valor máximo para aplicar o princípio da insignificância é de 20 mil reais (e agora, tanto para o
STF como para o STJ).
STJ. - Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de
descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$
20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002,
com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da
Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1688878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 28/02/2018 (recurso repetitivo).
No referido repetitivo, o STJ equiparou seu posicionamento àquele esposado por ambas as turmas
do STF:
STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
07/05/2018. STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em
17/4/2018 (Info 898).
Explicação para adotar o valor de 20 mil reais: (Fonte: Dizer o Direito)
Esse valor foi fixado pela jurisprudência tendo como base a Portaria MF nº 75, de
29/03/2012, na qual o Ministro da Fazenda determinou, em seu art. 1º, inciso II , “o não
ajuizamento de execuções fiscais de débitos com a Fazenda Nacional, cujo valor
consolidado seja igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais).”
Em outros termos, essa Portaria determina que, até o valor de 20 mil reais, os débitos
inscritos como Dívida Ativa da União não serão executados.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Com base nisso, a jurisprudência construiu o seguinte raciocínio: ora, não há sentido lógico
permitir que alguém seja processado criminalmente pela falta de recolhimento de um
tributo que nem sequer será cobrado no âmbito administrativo-tributário. Se a própria
“vítima” não irá cobrar o valor, não faz sentido aplicar o direito penal contra o autor desse
fato.
Vale lembrar que o direito penal é a ultima ratio. Se a Administração Pública entende que,
em razão do valor, não vale a pena movimentar a máquina judiciária para cobrar a quantia,
com maior razão também não se deve iniciar uma ação penal para punir o agente.
(2) O princípio da insignificância aplica-se somente aos crimes tributários federais!!! Não se aplica
aos crimes tributários estaduais!
Esse valor de 20 mil para aplicação da insignificância deve ser considerado para tributosFEDERAIS!!! (Info 540, STJ), de modo que esse parâmetro não serve para tributos estaduais/municipais. Isso
porque o art. 20 a Lei 10522, bem como as portarias, regram a questão tributária da União. Assim, caso se
aplicasse essa regra no plano estadual, haveria uma ingerência indevida na autonomia dos estados.
Não pode ser aplicado para fins de incidência do princípio da insignificância nos
crimes tributários estaduais o parâmetro de R$ 20.000,00 (vinte mil reais),
estabelecido no art. 20 da Lei 10.522/2002, devendo ser observada a lei estadual
vigente em razão da autonomia do ente federativo. STJ. 5ª Turma. AgRg-HC
549.428-PA. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020.
(3) Segundo o STJ e STF, a reiteração da conduta criminosa no descaminho inviabiliza a aplicação do
princípio da insignificância. Vejamos:
O delito de descaminho reiterado e figuras assemelhadas impede o
reconhecimento do princípio da insignificância, ainda que o valor apurado esteja
dentro dos limites fixados pela jurisprudência pacífica desta Corte para fins de
reconhecimento da atipicidade. Precedentes: HC 133.566, Segunda Turma, Rel.
Min. Cármen Lúcia DJe de 12/05/2016, HC 130.489AgR, Primeira Turma, Rel. Min.
Edson Fachin DJe de 09/05/2016, HC 133.736 AgR, Segunda Turma, Relator Min.
Gilmar Mendes, DJe 18/05/2016.
(4) Não se aplica o princípio da insignificância ao crime de contrabando!!! (Somente se aplica ao
crime de descaminho!!!)
Não se aplica porque o objeto sobre o qual recai a conduta proibida no crime de contrabando é
“mercadoria proibida”, e não a mera sonegação. Assim, o bem jurídico tutelado não é apenas a questão
financeira do ente estatal, mas também a saúde pública/incolumidade pública, uma vez que o estado, por
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CONDIÇÃO DE PUNIBILIDADE
JUSTA CAUSA e
uso próprio.
pequena quantidade de medicamento destinada a
NÚCLEO DURO
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motivos de saúde pública/incolumidade pública, proíbe a importação ou exportação de determinada
mercadoria. (Crime pluriofensivo).
STJ. 3ª Seção. REsp 1688878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
28/02/2018 (recurso repetitivo).
STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 07/05/2018.
STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info
898).
Exceção: No STJ, temos um precedente ISOLADO em sentido contrário, admitindo a aplicação do
princípio da insignificância ao crime de contrabando de
Trata-se de um caso extremamente específico em que o STJ reconheceu a mínima
ofensividade da conduta do agente, ausência periculosidade da ação, reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento e inexpressividade da lesão jurídica provocada, autorizando excepcionalmente a aplicação
do princípio da insignificância. STJ, 5ª T, EDcl no AgRg no Resp 1708371/PR – 2018.
11. NECESSIDADE DE PRÉVIO EXAURIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA
STF - Súmula Vinculante 24: não se tipifica crime material contra a ordem
tributária, previstos nos incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento
definitivo do tributo.
1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou
contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
I - Omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;
II - Fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo
operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer
outro documento relativo à operação tributável;
IV - Elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva
saber falso ou inexato;
O STF, na ordem de habeas corpus 81.611/ DF, entendeu que a decisão definitiva no processo
administrativo fiscal, concluindo pela efetiva supressão ou redução do tributo, constitui
em relação aos crimes do art. 1º, da Lei 8.137/90, do inciso I ao IV, por se
tratar de crimes materiais. Logo, o delito só estará consumado após o término do processo administrativo
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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fiscal, com o lançamento definitivo do tributo, razão pela qual não pode o órgão acusatório oferecer
denúncia por esses delitos sem que haja o lançamento definitivo.
Ressalta-se que, segundo o STF, para fazer a prova da constituição definitiva do crédito tributário
não se exige a juntada integral do procedimento administrativo fiscal. Veja:
Para o início da ação penal, basta a prova da constituição definitiva do crédito
tributário (Súmula Vinculante 24), sendo desnecessária a juntada integral do
Procedimento Administrativo Fiscal correspondente. STJ. 5ª Turma. RHC 94288-RJ,
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/05/2018 (Info 627).
Ademais, a constituição posterior do crédito tributário, por sua vez, não tem condão de convalidar
a ação penal que foi iniciada em descompasso com as normas jurídicas e com a sumula vinculante 24,
sendo a ação “nulla ab initio”, nesse sentido:
STJ – A constituição do crédito tributário após o recebimento da denúncia não
tem o condão de convalidar a ação penal que foi iniciada em descumprimento da
súmula vinculante 24. Desde o nascedouro essa ação penal é nula porque
referente a atos desprovidos de tipicidade (STJ. 5° Turma, HC 238.417/SP)
STF – O ajuizamento de ação penal antes da constituição definitiva do crédito
tributário trata-se de vicio processual que não é passível de convalidação. (STF. 1°
Turma. HC 97854)
ATENÇÃO: NÃO SE APLICA A NECESSIDADE DO PRÉVIO EXAURIMENTO DA INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA AO DELITO DE DESCAMINHO, POR SE TRATAR DE CRIME FORMAL.
Considerações importantes!
(1) Excepcionalmente, a jurisprudência admite a mitigação da SV 24-STF em duas situações:
1ª. Nos casos de embaraço à fiscalização tributária;
2ª. Diante de indícios da prática de outros delitos, de natureza não fiscal
Os crimes contra a ordem tributária pressupõem a prévia constituição definitiva
do crédito na via administrativa para fins de tipificação da conduta. A
jurisprudência desta Corte deu origem à Súmula Vinculante 24 (...) Não obstante a
jurisprudência pacífica quanto ao termo inicial dos crimes contra a ordem
tributária, o Supremo Tribunal Federal tem decidido que a regra contida na
Súmula Vinculante 24 pode ser mitigada de acordo com as peculiaridades do caso
concreto, sendo possível dar
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NÚCLEO DURO
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início à persecução penal antes de encerrado o procedimento administrativo, nos
casos de embaraço à fiscalização tributária ou diante de indícios da prática de
outros delitos, de natureza não fiscal. STF. 1ª Turma. ARE 936653 AgR, Rel. Min
Roberto Barroso, julgado em 24/05/2016. A jurisprudência desta Corte Superior é
firme no sentido de que se admite a mitigação da Súmula Vinculante n. 24/STF
nos casos em que houver embaraço à fiscalização tributária ou diante de indícios
da prática de outras infrações de natureza não tributária. Precedentes. STJ. 6ª
Turma. AgRg no HC 551422/PI, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 09/06/2020.
(2) A Súmula Vinculante 24 pode ser aplicada para fatos ocorridos antes da sua vigência.
A Súmula Vinculante 24 tem aplicação aos fatos ocorridos anteriormente à sua
edição. Como a SV 24 representa a mera consolidação da interpretação judicial
que já era adotada pelo STF e pelo STJ mesmo antes da sua edição, entende-se
que é possível a aplicação do enunciado para fatos ocorridos anteriormente à sua
publicação. STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
19/5/2015 (Info 786). STJ. 3ª Seção. EREsp 1318662-PR, Rel. Min. Felix Fischer,
julgado em 28/11/2018 (Info 639).
(3) Posterior invalidação do lançamento definitivo gera a atipicidade da conduta!
(4) No caso de concurso de crimes envolvendo crime contra a ordem tributária e outro delito, a
ausência de lançamento definitivo pornão ter sido concluído o processo administrativo fiscal, bem
como a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento ou extinção da punibilidade pelo
pagamento, NÃO impede que a persecução penal prossiga em relação ao outro delito praticado
em concurso.
(5) A extinção do crédito tributário pela prescrição não influencia na ação penal por crime contra a
ordem tributária. Veja:
O reconhecimento de prescrição tributária em execução fiscal não é capaz de
justificar o trancamento de ação penal referente aos crimes contra a ordem
tributária previstos nos incisos I a IV do art. 1º da Lei nº 8.137/90. A constituição
regular e definitiva do crédito tributário é suficiente para tipificar as condutas
previstas no art. 1º, I a IV, da Lei nº 8.137/90, não influenciando em nada, para
fins penais, o fato de ter sido reconhecida a prescrição tributária. STJ. 5ª Turma.
AgRg no AREsp 202.617/DF, Rel. Min. Campos Marques (Des. Conv. do TJ/PR),
julgado em 11/04/2013. STJ. 6ª Turma. RHC 67771-MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 10/3/2016 (Info 579).
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DICA DE PROVA: Se na prova perguntar se pode ocorrer investigação preliminar antes da constituição
definitiva do crédito, marque que sim. Por outro lado, se for indagado se pode ocorrer a decretação de
medidas cautelares antes da constituição definitiva do crédito tributário, marque que não.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Outro tema importante relaciona-se à impossibilidade de decretação de medidas cautelares
penais antes da constituição definitiva do tributo, ora, não há propriamente crime de sonegação,
revelando-se ilegal o manejo das referidas medidas:
STJ – Assim, não existindo lançamento definitivo do crédito tributário, revela-se
ilegal a concessão de medida de busca e apreensão e de quebra de sigilo
telefônico e fiscal, em procedimento investigatório (STJ. 5° Turma. HC 211.393)
É importante frisar que em decisão - minimamente “contra intuitiva” - o STF admite a investigação
preliminar ainda que não tenha havido a constituição definitiva do inquérito, logo, não é ilegal a abertura
de inquérito policial antes da constituição definitiva do crédito tributário.
STF – Nos crimes de sonegação tributária apesar da jurisprudência condicionar a
perseguição penal a existência de lançamento tributário definitivo, o mesmo não
ocorre com a investigação preliminar. Já é possível o início da investigação
criminal para apurar o fato ainda que antes da constituição definitiva (STF. ° 1
Turma. HC 106152/MS)
12. CONCURSO DE CRIMES
Se o agente, com uma única conduta, der causa à supressão ou redução de diversos tributos, a
exemplo da supressão de PIS e COFINS, mediante a falsificação de uma única nota fiscal, NÃO haverá
concurso de crimes, e sim crime único, já que o bem jurídico tutelado NÃO é a ordem tributária de cada
ente federativo, mas a ordem tributária em sua totalidade.
É nesse sentido o entendimento do STJ:
STJ – Não há concurso formal, mas crime único, na hipótese em que o
contribuinte, numa única conduta, declara imposto de renda de pessoa jurídica
com inserção de dados falsos ainda que tal conduta tenha obstado o lançamento
de mais de um tributo ou contribuição. ( STJ. 6° Turma REsp 1294687/PE)
13. PARCELAMENTO E PAGAMENTO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO
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parcelamento.
NÚCLEO DURO
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O art. 9º, da Lei nº 10.684/2003 criou o Plano de Recuperação Fiscal (REFIS) e trouxe o instituto da
suspensão da pretensão punitiva estatal, que se dá enquanto o agente estiver incluído no
Entretanto, o simples requerimento de inclusão no parcelamento, sem demonstração de
correspondência dos débitos objeto do requerimento, NÃO acarreta a suspensão da execução da pena
eventualmente aplicada. É necessária a comprovação de que o débito objeto do parcelamento diga
respeito à ação penal ou execução que se pretende ver suspensa, sendo insuficiente a mera adesão ao
programa de recuperação fiscal.
STF – Haverá suspensão do processo penal nos crimes contra a ordem tributária,
quando o agente ingressa no regime de parcelamento dos débitos tributários,
ficando suspensa a pretensão punitiva do Estado (STF. 2° Turma, ARE 1037087)
Nesse mesmo julgado tratou-se da prescrição, que NÃO corre durante o período de suspensão da
pretensão punitiva, enquanto estiverem sendo cumpridas as condições de parcelamento do débito fiscal,
como prevê o art. 9º da lei 10.685/2003.
O prazo da prescrição da pretensão punitiva fica suspenso
durante o parcelamento do débito tributário
O que acontece se o réu de um crime contra a ordem tributária
aderir ao parcelamento da dívida? Haverá a suspensão do
processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária, quando o
agente ingressa no regime de parcelamento dos débitos
tributários, fica suspensa a pretensão punitiva penal do Estado
(o processo criminal fica suspenso). Durante o parcelamento o
que ocorre com o prazo prescricional? Também fica suspenso. O
prazo prescricional não corre enquanto estiverem sendo
cumpridas as condições do parcelamento do débito fiscal. É o
que prevê o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003. Se, ao final, o
réu pagar integralmente os débitos, haverá a extinção da
punibilidade. STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
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regime de
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Panorama atual: O pagamento do débito tributário que enseja a extinção da punibilidade pode ser
realizado de 2 formas:
1) Pelo regime de parcelamento
2) Pelo pagamento integral (1x só)
1) Parcelamento de débito: disciplinado no art. 83, §§2º e 4º da lei 9430/96, com redação dada
pela Lei 12. 382/11
O parcelamento do débito tributário suspende a pretensão punitiva e a prescrição desde
que formalizado até antes do recebimento da denúncia. Após o pagamento integral
inclusive acessórios, extingue-se a punibilidade.
Limite temporal do pedido de parcelamento: Apenas se formalizado antes do recebimento
da denúncia é que o pedido de parcelamento do débito tributário pode ensejar a extinção
da punibilidade futura.
Obs.: a limitação temporal para adesão ao regime de parcelamento foi introduzida pela Lei
12.382/11. Ante a ausência de limitação temporal, o STF entendia que o pedido de adesão
ao regime de parcelamento poderia ser realizado até o transito em julgado.
Momento do parcelamento: O parcelamento do crédito tributário precisa ser antes do
recebimento da denúncia?
o Créditos tributários constituídos antes da Lei nº 12.382/2011 (antes de 01/03/2011): NÃO.
O parcelamento podia ser feito após o recebimento da denúncia
o Créditos tributários constituídos após a Lei nº 12.382/2011 (dia 01/03/2011 ou depois):
SIM. O parcelamento do crédito tributário, realizado após o oferecimento da denúncia, não
extingue a punibilidade do ilícito penal (STJ. 5ª Turma. HC 505.195/SP, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 06/08/2019).
(...) 3. Antes da alteração do art. 83 da Lei n. 9.430/1996 pela Lei nº 12.382/2011,
mesmo após o recebimento da denúncia da ação penal, a adesão a programa de
parcelamento de crédito tributário permitia a suspensão da pretensão punitiva
estatal e do prazo prescricional.
4. Em razão de a nova redação do art. 83 da Lei n. 9.430/1996 estabelecer
regramento menos benéfico - porque limitou os efeitos do parcelamento àqueles
casos em que a adesão ao programa tenha se dado antes do recebimento da
denúncia -, este STJ decidiu que o art. 83 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da
Lei n. 12.382/2011, somente se aplicaria às condutas posteriores a sua entrada
em vigor, em 1°/3/2011 (art. 7º).
5. No caso, a constituição definitiva do crédito tributário ocorreu em 20/11/2012.
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NÚCLEO DURO
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6. A adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) da Lei n.
13.496/2017, em 7/8/2017, não implica suspensão da pretensão punitiva nem do
prazo prescricional, porque se deu em data posterior ao recebimento da denúncia
da Ação Penaln. 0006722-15.2014.4.05.8300, em 8/8/2014.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 485.562/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
26/03/2019.
(2) Pagamento integral: disciplinado no art. 9º, §2º da Lei 10.684/03:
O pagamento integral do débito tributário extingue a punibilidade, sem limite temporal
para tal fixado expressamente em lei. Ou seja: pode ser mesmo após o trânsito em julgado.
O pagamento, para fins de extinção da punibilidade, tem que ser integral, o que inclui os
acessórios.
Veja a explicação extremamente elucidativa retirada do “Dizer o Direito”:
Imagine a seguinte situação: O réu foi condenado pela prática dos delitos de apropriação indébita
previdenciária (art. 168-A, § 1º, I do CP) e de sonegação de contribuição previdenciária (art. 337-A, III do
CP). Ocorre que, quatro dias após a condenação (antes do trânsito em julgado), o réu pagou integralmente
o débito tributário devido no caso.
Esse pagamento irá influenciar na condenação? O pagamento integral do débito tributário feito
após a condenação (antes do trânsito em julgado) interfere na condenação? SIM. O pagamento integral do
débito tributário feito após a condenação (antes do trânsito em julgado) acarreta a extinção da
punibilidade. Segundo decidiu o STF (AP 516 ED/DF), o pagamento integral do débito fiscal realizado pelo
réu, mesmo após a condenação do acusado, é causa de extinção de sua punibilidade, conforme previu o
art. 9º, § 2º da Lei n.° 10.684/2003 (que continua em vigor mesmo com o advento da Lei nº 12.382/2011):
Art. 9º É suspensa a pretensão punitiva do Estado, referente aos crimes previstos
nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e nos arts. 168-A e
337-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, durante
o período em que a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes
estiver incluída no regime de parcelamento.
§ 2º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo quando a pessoa
jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos
oriundos de tributos e contribuições sociais, inclusive acessórios.
Em 2011, foi editada a Lei nº 12.382, que alterou o art. 83 da Lei nº 9.430/96 e passou a dispor
sobre os efeitos do parcelamento e do pagamento dos créditos tributários no processo penal. Veja o que
diz a Lei:
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NÚCLEO DURO
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Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem
tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei n.°8.137, de 27 de dezembro de 1990,
e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168-A e 337-A do
Decreto-Lei n.° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será
encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera
administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
(Redação dada pela Lei nº 12.350/2010)
§ 2º É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente aos crimes previstos no
caput, durante o período em que a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada
com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no parcelamento, desde que o
pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes do recebimento da
denúncia criminal. (Incluído pela Lei 12.382/2011)
§ 3º A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da pretensão
punitiva. (Incluído pela Lei 12.382/2011)
§ 4º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput quando a pessoa
física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral
dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios, que tiverem sido objeto de
concessão de parcelamento. (Incluído pela Lei 12.382/2011)
O que estabeleceu a Lei nº 12.382/2011?
No caso dos seguintes delitos:
Crimes contra a ordem tributária (arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90);
Apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP); e
Sonegação previdenciária (art. 337-A do CP):
Caso o agente ingresse no regime de parcelamento dos débitos tributários: fica suspensa a
pretensão punitiva penal do Estado (o processo criminal fica suspenso).
Caso o agente pague integralmente os débitos: haverá extinção da punibilidade.
Até aqui, a Lei nº 12.382/2011 disciplinou o tema de forma semelhante ao que já fazia a Lei nº
10.684/2003 acima exposta. No que a Lei nº 12.382/2011 foi diferente da Lei nº 10.684/2003?
@tabelaviadizerodireito:
LEI Nº 10.684/2003
(ART. 9º)
LEI Nº 12.382/2011
(ALTEROU O ART. 83 DA LEI N.° 9.430
Pela Lei nº 10.684/2003, o pedido de parcelamento
e o pagamento integral dos débitos irão produzir
efeitos no processo penal mesmo que a denúncia
já
tenha sido recebida.
Pela Lei nº 12.382/2011, o pedido de parcelamento e o
pagamento integral dos débitos somente irão produzir
efeitos no processo penal se tiverem sido formalizados antes
do
recebimento da denúncia criminal.
113
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Na verdade, o pagamento integral do débito irá
ocasionar a extinção da punibilidade mesmo que já
tenha sido proferida sentença condenatória.
Assim, pela redação literal do dispositivo, se o pagamento
integral ocorrer após a denúncia ter sido recebida, não haverá
extinção da punibilidade.
Art. 9º É suspensa a pretensão punitiva do Estado,
referente aos crimes previstos nos arts. 1º e 2º da
Lei n.°8.137, de 27 de dezembro de 1990, e nos
arts. 168A e 337A do Decreto-Lei n.°2.848, de 7 de
dezembro de 1940 – Código Penal, durante o
período em que a pessoa jurídica relacionada com
o agente dos aludidos crimes estiver incluída no
regime de parcelamento.
Veja que não há nenhuma exigência de que o
parcelamento ocorra antes do recebimento da
denúncia.
Art. 83 (...)
§ 2º É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente aos
crimes previstos no caput, durante o período em que a
pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente
dos aludidos crimes estiver incluída no parcelamento, desde
que o pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes
do recebimento da denúncia criminal.
Veja que há exigência de que o pedido de parcelamento
tenha sido formalizado antes do recebimento da denúncia.
§ 2º Extingue-se a punibilidade dos crimes
referidos neste artigo quando a pessoa jurídica
relacionada com o agente efetuar o pagamento
integral dos débitos oriundos de tributos e
contribuições sociais, inclusive acessórios.
§ 4º Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos
no caput quando a pessoa física ou a pessoa jurídica
relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos
débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios, que
tiverem sido objeto de concessão de parcelamento.
A redação do § 4º é um pouco confusa, mas, em resumo, o
que ele diz é o seguinte: extingue-se a punibilidade quando
ocorre o pagamento integral dos débitos que tenham sido
objeto de parcelamento.
Tudo bem! Vale lembrar, no entanto, que o § 2º afirma que
o processo criminal só fica suspenso se o parcelamento
ocorre antes do recebimento da denúncia.
Em outras palavras, se o parcelamento ocorre depois do
recebimento da denúncia, o processo criminal prossegue
normalmente e pode ser que o réu seja condenado mesmo
com o débito parcelado.
Obs.: a Lei nº 12.382/2011, ao tratar sobre extinção da
punibilidade, caracteriza-se como lei penal e, sendo
desfavorável ao réu, não se aplica a fatos ocorridos antes de
sua vigência.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO PAGAMENTO
114
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
O art. 9º, §2º, da Lei 10.684/2003 trouxe a possibilidade de o pagamento integral do tributo
suprimido ou reduzido, inclusive acessórios, extinguir a punibilidade. Para tanto, o pagamento poderá ser
feito a qualquer tempo, inclusive após o trânsito em julgado.
O art. 9º da Lei nº 10.684/2003 continua em vigor?
R.: SIM. O pagamento do tributo, a qualquer tempo, extingue a punibilidade do crime tributário. O
art.9º da Lei n.°10.684/2003 não foi revogado e continua em vigor. Ao contrário das Leis 11.941/2009 e
12.382/2011, a Lei n.°10.684/2003 trata de pagamento direto (e não de pagamento após parcelamento).
Assim, o pagamento integral implica a extinção da punibilidade por força do § 2º do art. 9º da Lei
10.684/2003.
E se o pagamento integral tivesse ocorrido após o trânsito em julgado, mesmo assim haveria a
extinção da punibilidade?
R.: SIM. O pagamento integral do débito tributário, ainda que após o trânsito em julgado da
condenação, é causa de extinção da punibilidade do agente, nos termos do art. 9º, § 2º, da Lei nº
10.684/2003. O art. 9º da Lei nº 10.684/2003 não estabeleceu qualquer restrição quanto ao momento ideal
para realização do pagamento. Logo, não cabe ao intérprete, por isso, impor limitações ao exercício do
direito postulado. Incide, dessa maneira, o disposto no art. 61, caput, do CPP:
Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a
punibilidade, deverá declará-lo de ofício.
Obs.: O STJ mudou o posicionamento e entende que o pagamento do tributo devido NÃO extingue
a punibilidade do crime de descaminho, já que atualmente se entende que o descaminho é crime FORMAL
e não material.
Obs.: Não extingue a punibilidade do crime de estelionato previdenciário (art. 171, § 3º, do CP) a
devolução à Previdência Social, antes do recebimento da denúncia, da vantagem percebida ilicitamente,
podendo a iniciativa, eventualmente, caracterizar arrependimento posterior, previsto no art. 16 do CP.
O art. 9º da Lei 10.684/2003 prevê hipótese excepcional de extinção de
punibilidade, "quando a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o
pagamento integral dos débitos oriundos de tributos e contribuições sociais,
inclusive acessórios", que somente abrange os crimes de sonegação fiscal,
apropriação indébita previdenciária e sonegação de contribuição previdenciária,
ontologicamente distintos do estelionato previdenciário, no qual há emprego de
ardil para o recebimento indevido de benefícios. Dessa forma, não é possível
aplicação, por analogia, da causa extintiva de punibilidade prevista no art. 9º da
Lei 10.684/2003 pelo pagamento do débito ao estelionato previdenciário, pois
115
O que se entender por “crimes de colarinho branco”?
Revela-se crucial comentar sobre os (agora) cada vez mais “famosos” crimes do colarinho branco.
Expressão cunhada pela doutrina penalista a partir dos estudos do sociólogo norte americano Edwin
Sutherland, a expressão se refere aos delitos essencialmente praticados por indivíduos que gozam de
elevado status social e/ou ocupam posição de destaque na iniciativa privada ou no serviço público.
Como exemplos típicos das infrações penais etiquetadas como crimes do colarinho branco, podemos citar a
macrocriminalidade econômica, desenhada no ordenamento jurídico pátrio pelas leis (i) de lavagem de
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
não há lacuna involuntária na lei penal a demandar o procedimento supletivo, de
integração do ordenamento jurídico.
Obs.: Pagamento da multa tributária não extingue a punibilidade do crime previsto no art. 1º, V, da
Lei 8.137/90. (Inf. 598, STJ – 2017)
O pagamento da penalidade pecuniária imposta ao contribuinte que deixa de
atender às exigências da autoridade tributária estadual quanto à exibição de livros
e documentos fiscais não se adequa a nenhuma das hipóteses de extinção de
punibilidade previstas no § 2º do art. 9º da Lei nº 10.864/2003. STJ. 6ª Turma.
REsp 1.630.109-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
14/2/2017
Há de se atentar, ainda, para a intenção do legislador em prestigiar o interesse arrecadatório do
Estado na instituição da causa de extinção da punibilidade do parágrafo 2º do artigo 9º da Lei n.
10.864/03. Com efeito, a par das críticas doutrinárias acerca de tal modalidade de exclusão da
punibilidade, visto que o Direito Penal não constitui instrumento de coerção de inadimplentes, o
certo é que quis o legislador anistiar o contribuinte que efetua o pagamento integral do débito
tributário com o objetivo de aplacar a sonegação fiscal. E no delito do artigo 1º, inciso V, parágrafo
único, da Lei n. 8.137/90 não há supressão ou a redução de tributos, mas, sim, desobediência das
requisições da autoridade fiscal pelo contribuinte que não cumpre com obrigação de fazer,
deixando de exibir livros ou documentos necessários à atividade fiscalizatória do Estado. No delito
em questão, o bem jurídico tutelado é a preservação da própria função institucional do Fisco.
14. DOS CRIMES EM ESPÉCIE PREVISTOS NA LEI 8.137/90
14.1 Considerações gerais:
a) Bem jurídico tutelado: Protege-se o interesse do Erário, o patrimônio do Estado e a Ordem
Econômica. Trata-se de bens jurídicos de natureza supraindividual.
#LINKCOMCRIMINOLOGIA
116
capitais (9.613/98), (ii) dos crimes contra o sistema financeiro nacional (7.492/86), (iii) dos crimes contra a
ordem tributária (8.137/90), entre outras.
A terminologia utilizada, naturalmente, se deu com o evidente fito de identificar a parcela da população
que mais frequentemente comete tais delitos, amiúde usando vestes sociais, gravatas, ternos e colarinho
branco. Esse fundamento é importante para compreender-se, de outra sorte, a ideia dos crimes do
colarinho AZUL. Diversamente aos crimes do colarinho branco, esses delitos aqui são praticados por
pessoas economicamente desabastadas e se verifica como uma alusão aos macacões azuis utilizados nas
fábricas dos Estados Unidos, servindo como “identificador” dos autores mais recorrentes, evidenciando a
oposição à criminalidade econômica supramencionada.
Aqui se pode dar como exemplos os crimes patrimoniais (furto, estelionato, roubo), lesões corporais,
crimes de dano, entre outros. Apesar de um evidente caráter preconceituoso na classificação, ela se pauta
por questões estatísticas a partir dos delitos efetivamente descobertos e/ou investigados pelo sistema de
justiça, que autorizam identificar a “clientela” mais frequente desse tipo de criminalidade.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
b) Elemento subjetivo: dolo; não admitem modalidade culposa
c) Sujeitos dos crimes:
Existem:
Crimes tributários praticados por particulares - estão previstos no art. 1º e 2º da Lei 8137 –
CRIME COMUM
Crimes tributários praticados por funcionário público - estão previstos no art. 3º da Lei -
CRIME PRÓPRIO
Atenção: são crimes próprios, mas para ser sujeito ativo é preciso que seja um
funcionário público com atribuição para a prática das condutas elencadas, um
funcionário público da administração fazendária. PF que tem o dever de fiscalizar,
fazer cobrança do tributo.
Obs.: Pessoa jurídica pode responder por crime tributário?
Art. 173, §5º da CF: A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos
dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a
às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem
econômica e financeira e contra a economia popular.
A Constituição Federal permite a responsabilidade penal da pessoa jurídica tanto em relação à
crimes ambientais (art. 225, §3º) como também em relação aos crimes contra a ordem econômico-
financeira (art. 173, §5º). Ocorre que essa previsão não é autoaplicável, precisando de norma
infraconstitucional disciplinando-a para que tenha aplicabilidade.
117
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Crimes ambientais: O art. 3º da Lei 9.605/98 prevê a responsabilização da PJ, concretizando o
mandamento constitucional.
Crimes contra a ordem tributária: A Lei 8137/90 não prevê essa responsabilização. Cuida somente
da responsabilidade da pessoa física.
Doutrina majoritária/ STJ: PJ não pode ser sujeito ativo de crime contra a ordem tributária. O S.A. é
a pessoa física que diretamente contribuiu para as condutas. Pessoas com poder de gestão, de gerência na
pessoa jurídica. Por outro lado, parte minoritária da doutrinaentende que seria possível responsabilizar
penalmente a PJ por crimes contra a ordem tributária em razão da previsão constitucional, mesmo que não
haja disciplina legal.
d) Natureza dos Delitos:
Os delitos do art. 1º inciso I a IV são CRIMES MATERIAIS, pois há previsão de uma conduta
instrumental, a fraude descrita nos incisos, e um resultado, que é a supressão ou redução do tributo. Por
isso apenas estes incisos são mencionados na súmula vinculante 24, vista acima.
Ou seja, a consumação dos crimes materiais do art. 1°, do inciso I ao IV se dá com a constituição
definitiva do crédito tributário, posto se tratarem de crimes materiais em razão da exigência de um
resultado naturalístico pelo tipo penal.
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou
contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;
II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo
operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer
outro documento relativo à operação tributável;
IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva
saber falso ou inexato;
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa..
Os crimes do art. 2º e o inciso V do art. 1º são CRIMES FORMAIS, já que para a consumação basta
a conduta instrumental sem necessidade de ocorrência de um resultado, ou seja, praticada a fraude
descrita o tipo restará configurado independentemente de haver supressão ou redução do tributo.
Art 1° inciso V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou
documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço,
efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação.
118
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
Art. 2° Constitui crime da mesma natureza:
I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou
empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de
tributo;
II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social,
descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que
deveria recolher aos cofres públicos;
14.2 Análise do Art. 168-A, CP - Apropriação Indébita Previdenciária
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos
contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à
previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a
segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II - recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado
despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de
serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores já
tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e
efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.
§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se
o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o
pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive acessórios; ou
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior
àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
119
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
A apropriação indébita previdenciária é delito bastante comum, tratando-se grosso modo da
seguinte situação: o empregador, responsável tributário desconta a contribuição dos empregados, e deixa
de repassar esses valores à previdência social.
A opção de colocar o crime no art. 168-A, CP trouxe problemas uma vez que o legislador criou uma
derivação do art. 168, CP (crime de apropriação indébita), sugerindo uma semelhança de tratamento para
as duas condutas delituosas, o que não é verdade. Veja as diferenças:
APROPRIAÇÃO INDÉBITA APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA
Crime comissivo: Conduta incriminada é
“apropriar- se”, que significa tornar-se dono,
passar a agir como se fosse dono.
A conduta incriminada é “ deixar de repassar” à Previdência
social as contribuições recolhidas dos contribuintes. Trata-se
de crime omissivo próprio
Crime material: o resultado apropriação se
encontra dentro do tipo penal: é necessário que o
agente exteriorize a vontade de ser dono.
Crime formal x crime material:
Doutrina majoritária - defende ser crime formal.
Basta que o agente deixe de repassar os valores, não sendo
exigido resultado material para consumação do delito. O
resultado não está inserido no tipo penal. Uma coisa é deixar
de repassar e se apropriar dos valores e outra é o simples não
repasse.
Pleno do STF, Inq. 2537 - é crime material.
A razão de ser da mudança desse posicionamento é a
questão da decisão definitiva do procedimento
administrativo de lançamento, pois quando o crime é formal
pouco interessa a decisão no plano administrativo.
Inf. 498, STF: (...) Salientando que a apropriação indébita
previdenciária não consubstancia crime formal, mas omissivo
material — no que indispensável a ocorrência de apropriação
dos valores, com inversão da posse respectiva —, e tem por
objeto jurídico protegido o patrimônio da previdência social,
entendeu-se que, pendente recurso administrativo em que
discutida a exigibilidade do tributo, seria inviável tanto a
propositura da ação penal quanto a manutenção do
inquérito, sob pena de preservar-se situação que degrada o
contribuinte. Inq 2537 AgR/GO, rel. Min. Marco Aurélio,
10.3.2008. (Inq-
2537)
Trata-se de tipo incongruente: isso quer dizer que,
é aquele em que não há uma perfeita adequação
entre os elementos objetivos e subjetivos do tipo
penal. Caracteriza-se pela presença de um especial
Trata-se de tipo congruente: de acordo com a doutrina e
jurisprudência, não há necessidade do animus rem sibi
habendi. Não é necessário provar que o cidadão queria se
apropriar dos valores.
120
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
fim de agir, o dolo específico. No caso do delito do
art. 168 há o especial fim de agir de tornar-se dono
– animus rem sib habendi
Fique atento à jurisprudência sobre o tema:
Apropriação indébita de contribuição previdenciária não exige "dolo específico"
Para a caracterização do crime de apropriação indébita de contribuição
previdenciária (art. 168-A do CP), não há necessidade de comprovação do “dolo
específico” de se apropriar de valores destinados à previdência social. STJ. 6ª
Turma. AgRg no Ag 1083.417-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/6/2013
(Info 526). STJ. 3ª Seção. EREsp 1296631-RN, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em
11/9/2013 (Info 528).
Efeitos da suspensão da exigibilidade de crédito tributário na prescrição da pretensão punitiva
A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita
previdenciária (art. 168-A do CP) permanece suspensa enquanto a exigibilidade do
crédito tributário estiver suspensa em razão de decisão de antecipação dos
efeitos da tutela no juízo cível. Isso porque a decisão cível acerca da exigibilidade
do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da própria
existência do tipo penal, visto ser o crime de apropriaçãoindébita previdenciária
um delito de natureza material, que pressupõe, para sua consumação, a
realização do lançamento tributário definitivo. STJ. 5ª Turma. RHC 51596-SP, Rel.
Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556).
Apropriação indébita previdenciária: NÃO pode ser aplicado o princípio da insignificância
Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de apropriação indébita
previdenciária. Não é possível a aplicação do princípio da insignificância aos
crimes de apropriação indébita previdenciária e de sonegação de contribuição
previdenciária, independentemente do valor do ilícito, pois esses tipos penais
protegem a própria subsistência da Previdência Social, de modo que é elevado o
grau de reprovabilidade da conduta do agente que atenta contra este bem
jurídico supraindividual. O bem jurídico tutelado pelo delito de apropriação
indébita previdenciária é a subsistência financeira da Previdência Social. Logo, não
há como afirmar-se que a reprovabilidade da conduta atribuída ao paciente é
de grau
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
reduzido, considerando que esta conduta causa prejuízo à arrecadação já
deficitária da Previdência Social, configurando nítida lesão a bem jurídico
supraindividual. O reconhecimento da atipicidade material nesses casos implicaria
ignorar esse preocupante quadro. STF. 1ª Turma. HC 102550, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 20/09/2011. STF. 2ª Turma. RHC 132706 AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 21/06/2016. STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr 4.881/RJ, Rel. Min.
Felix Fischer, julgado em 22/05/2019.
14.3 Análise do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária - Art. 337-A Do C)
Sonegação de contribuição previdenciária (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000):
Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer
acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
I - omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações
previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário,
trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe
prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
II - deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da
empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador
ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
III - omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações
pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais
previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983,
de 2000)
§ 1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa as
contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à
previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da
ação fiscal. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
§ 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena (PERDÃO JUDICIAL) ou aplicar
somente a de multa se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
I - (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior
àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais. (Incluído pela Lei nº 9.983,
de 2000)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
§ 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal não
ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá reduzir a
pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa. (Incluído pela Lei nº
9.983, de 2000)
§ 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas
datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social.
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
Natureza do delito: crime material
Desdobramento: sendo crime material, a persecução penal está condicionada a decisão final do
procedimento administrativo de lançamento definitivo do tributo. - Incide a SV 24.
14.4 Análise dos Crimes Constantes da Lei 8137/90
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou
contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: Pena
- reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
O crime ocorre quando a pessoa não paga nada (suprime) ou paga menos do que deveria (reduz) o
valor do tributo (imposto, taxa, empréstimos compulsórios, contribuição de melhoria ou contribuições
sociais) ou o do acessório mediante uma das condutas fraudulentas previstas nos incisos.
Características do delito:
Crime material - o resultado supressão ou redução já está inserido no tipo penal
Crime próprio – Sujeito ativo será apenas o contribuinte
Exigência de especial fim de agir - intenção de fraudar o fisco.
Inciso I: omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;
Ex.: emplacamento de carro em outro estado para reduzir o valor da alíquota de IPVA.
Especialidade em relação ao art. 299, CP.
Inf. 579, 6ª T, STJ – 2016:
Se o contribuinte deixa de apresentar declaração ao Fisco com o fim de obter a
redução ou supressão de tributo e consegue atingir o resultado almejado, tal
conduta consubstancia crime de sonegação fiscal, na modalidade do inciso I do
art. 1º da Lei nº 8.137/90. A constituição do crédito tributário, por vezes, depende
de uma obrigação acessória do contribuinte, como a declaração do fato gerador
da obrigação tributária (lançamento por declaração). Se o contribuinte não realiza
tal
123
Inciso II: fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de
qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
Inciso III: falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro
documento relativo à operação tributável;
Inciso IV: elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso
ou inexato;
Inciso V: negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente,
relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em
desacordo com a legislação.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
ato com vistas a não pagar o tributo devido ou a reduzir o seu valor, comete o
mesmo crime daquele que presta informação incompleta. A circunstância de o
Fisco dispor de outros meios para constituir o crédito tributário, ante a omissão
do contribuinte em declarar o fato gerador, não afasta a tipicidade da conduta; o
arbitramento efetivado é uma medida adotada pelo Fisco para reparar a evasão
decorrente da omissão e uma evidência de que a conduta omissiva foi apta a
gerar a supressão ou, ao menos, a redução do tributo na apuração. Assim,
segundo entendeu o STJ, a omissão na entrega da antiga Declaração de
Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) consubstanciava conduta
apta a firmar a tipicidade do crime de sonegação fiscal previsto no art. 1º, I, da Lei
nº 8.137/90, ainda que o Fisco dispusesse de outros meios para a constituição do
crédito tributário
Especialidade em relação aos crimes do art. 297, CP (falsificação de documento público) e art. 298,
CP (falsificação de documento particular)
a) O agente se nega ou deixa de fornecer nota fiscal (ou documento equivalente) relativa a venda de
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada. Ex: o comprador pede a nota fiscal e o
vendedor se nega (recusa) a fornecê-la.
b) O agente fornece a nota fiscal ou documento equivalente em desacordo com a legislação
A SV 24 não se aplica ao inciso V por se tratar de um crime de mera conduta.
Tal inciso, inclusive, não está mencionado na redação da referidasúmula.
124
Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que
poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da
dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Inf. 598, STJ – 2017: Pagamento da multa tributária não extingue a punibilidade
do crime previsto no art. 1º, V, da Lei 8.137/90
O pagamento da penalidade pecuniária imposta ao contribuinte que deixa de
atender às exigências da autoridade tributária estadual quanto à exibição de livros
e documentos fiscais não se adequa a nenhuma das hipóteses de extinção de
punibilidade previstas no § 2º do art. 9º da Lei nº 10.864/2003. STJ. 6ª Turma.
REsp 1.630.109-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
14/2/2017
Há de se atentar, ainda, para a intenção do legislador em prestigiar o interesse
arrecadatório do Estado na instituição da causa de extinção da punibilidade do
parágrafo 2º do artigo 9º da Lei n. 10.864/03. Com efeito, a par das críticas
doutrinárias acerca de tal modalidade de exclusão da punibilidade, visto que o
Direito Penal não constitui instrumento de coerção de inadimplentes, o certo é
que quis o legislador anistiar o contribuinte que efetua o pagamento integral do
débito tributário com o objetivo de aplacar a sonegação fiscal. E no delito do
artigo 1º, inciso V, parágrafo único, da Lei n. 8.137/90 não há supressão ou a
redução de tributos, mas, sim, desobediência das requisições da autoridade fiscal
pelo contribuinte que não cumpre com obrigação de fazer, deixando de exibir
livros ou documentos necessários à atividade fiscalizatória do Estado. No delito
em questão, o bem jurídico tutelado é a preservação da própria função
institucional do Fisco.
Ocorre quando a autoridade fazendária, no exercício da fiscalização tributária, dá uma ordem à
pessoa exigindo alguma providência e esta se recusa a cumpri-la. Esse parágrafo único é como se fosse um
crime de desobediência específico para ordens da autoridade fazendária no exercício da fiscalização
Não há supressão ou a redução de tributos mas, sim, desobediência das requisições da autoridade
fiscal pelo contribuinte que não cumpre com obrigação de fazer.
Caso concreto – STJ, 2017:
O Fisco estadual estava fazendo uma fiscalização tributária na empresa Jojo Ltda.
O Auditor Fiscal intimou João, sócio-administrador da pessoa jurídica, para que
ele apresentasse, no prazo de 10 dias, os livros e documentos ficais das vendas
efetuadas pela empresa nos anos de 2014 a 2016. Apesar disso, João não atendeu
a exigência imposta. Em consequência, a Administração Tributária Estadual lavrou
125
Inciso I: fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra
fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Auto de Infração, aplicando multa tributária de R$ 30 mil à empresa. Além disso, a
SEFAZ encaminhou representação fiscal para fins penais ao Ministério Público
para apurar eventual responsabilidade penal. O Promotor de Justiça ofereceu
denúncia contra João imputando-lhe a prática do crime previsto no art. 1º, inciso
V e parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.137/90. Quando viu que o negócio ficou
complicado, João correu na SEFAZ e efetuou o pagamento integral da multa
sancionatória aplicada. Depois, apresentou petição ao juiz do processo criminal
requerendo a extinção da punibilidade alegando que o pagamento da multa
amolda-se à hipótese prevista no § 2º do art. 9º da Lei nº 10.864/2003. O STJ
negou: O pagamento da multa sancionatória imposta pelo Fisco não gera a
extinção da punibilidade porque se trata apenas de sanção administrativa que não
se confunde com tributo e acessórios. A obrigação do contribuinte de apresentar
os livros e documentos fiscais é uma obrigação acessória, consistente que é uma
obrigação de fazer (prestação positiva), nos termos do § 2º do art. 113. Quando
esta obrigação é descumprida, o Fisco aplica uma multa e esta penalidade
pecuniária converte-se em obrigação principal (§ 3º do art. 113). Apesar de se
converter em obrigação tributária principal, esta multa continua sem poder ser
considerada como tributo. Assim, a penalidade pecuniária (multa) imposta ao
contribuinte que deixa de atender a requisição da autoridade fiscal constitui
obrigação tributária principal (art. 113, §§ 1º e 3º), mas não configura "tributo",
por força do comando expresso contido no art. 3º que exclui do conceito de
tributo a sanção decorrente de ato ilícito. Em outras palavras, a sanção pecuniária
imposta ao contribuinte que deixa de atender a requisição da autoridade fiscal
(multa) é uma obrigação tributária principal, mas não é tributo. (Inf. 598).
Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a
2 (dois) anos, e multa.
Natureza do delito - crime formal. Tipo incongruente, pois há um especial fim de agir.
Inf. 568, STJ – 2015:
O termo inicial do prazo prescricional da pretensão punitiva do crime previsto no
art. 2º, I, da Lei 8.137/1990 ("fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre
rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou
parcialmente, de pagamento de tributo") é a data em que a fraude é perpetrada,
e
126
Inciso II: deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado
ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres
públicos;
Inciso III: exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer
percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo
fiscal;
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
não a data em que ela é descoberta. Isso porque o referido tipo tem natureza de
crime formal, instantâneo, sendo suficiente a conduta instrumental, haja vista não
ser necessária a efetiva supressão ou redução do tributo para a sua consumação,
bastando o emprego da fraude. Assim, o fato de a fraude ter sido empregada em
momento determinado, ainda que irradie efeitos até ser descoberta, não revela
conduta permanente, mas sim, crime instantâneo de efeitos permanentes - os
quais perduraram até a descoberta do engodo.
Natureza do delito crime formal
Princípio da Especialidade - a redação é parecida com o art. 168-A, CP.
a. art. 168-A, CP: deixa de recolher contribuição social destinada a previdência social
b. art. 2º, II a Lei: deixa de recolher outros tributos ou contribuições sociais que não as destinadas ao
INSS
A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se
formalmente no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (apropriação indébita tributária), desde que
comprovado o dolo.
O contribuinte que, de forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher o ICMS
cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço, incide no tipo penal do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90. O
valor do ICMS cobrado do consumidor não integra o patrimônio do comerciante, o qual é mero
depositário desse ingresso de caixa que, depois de devidamente compensado, deve ser recolhido aos
cofres públicos. Vale ressaltar, contudo, que, para caracterizar o delito, é preciso comprovar a existência
de intenção de praticar o ilícito (dolo). STF. Plenário. RHC 163334/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 18/12/2019 (Info 964). O não repasse do ICMS recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária,
em qualquer hipótese, enquadra-se (formalmente) no tipo previsto art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90, desde que
comprovado o dolo. Em outras palavras, o tipo do art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 não fica restrito apenas
às hipóteses em que há
substituição tributária.
O que se criminaliza é o fato de o sujeito passivo se apropriar do dinheirorelativo ao imposto,
devidamente recebido de terceiro, quer porque descontou do substituído tributário, quer porque cobrou
do consumidor, não repassando aos cofres públicos (vide STJ. 3ª Seção. HC 399109-SC).
Famoso caixa 2.
127
Inciso IV: deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas
de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento;
Inciso V: utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo
da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à
Fazenda Pública.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
15. CRIMES FUNCIONAIS CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA – ART. 3º
Por fim temos os crimes funcionais específicos, trata-se de norma penal em branco, ora, o conceito
de funcionário público para fins penais depreende-se do art. 327 do Código penal.
Art. 327 – Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
Art. 3° Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos previstos
no Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal (Título XI,
Capítulo I):
I - extraviar livro oficial, processo fiscal ou qualquer documento, de que tenha a
guarda em razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total ou parcialmente,
acarretando pagamento indevido ou inexato de tributo ou contribuição social;
II - exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,
ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, mas em razão dela,
vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, para deixar de lançar
ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los parcialmente. Pena -
reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
III - patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a
administração fazendária, valendo-se da qualidade de funcionário público. Pena -
reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Tratam-se de crimes:
Próprios, uma vez que exigem condição especial do agente;
Formais, uma vez que a consumação não exige a ocorrência de um resultado naturalístico
especifico;
Exceção: O inciso I é crime material
Dolosos, uma vez que a conduta não é típica se realizada em virtude de imperícia,
imprudência e negligência, exigindo-se dolo especifico;
Comissivos, pois exige comportamento ativo do agente;
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Plurissubsistentes, pois a conduta do agente pode ser fracionada.
16. JURISPRUDÊNCIA CORRELATA
Para a incidência do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 em caso de sonegação fiscal de
tributos federais, é necessário que o valor da dívida seja igual ou superior a R$ 1
milhão; se a sonegação fiscal for de tributos estaduais ou municipais, deve-se
analisar o que define a Fazenda local
O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de sonegação fiscal (art.
1º, I, da Lei nº 8.137/90) deverá ser aumentada no caso de o delito “ocasionar
grave dano à coletividade”. A jurisprudência entende que se configura a referida
causa de aumento quando o agente deixa de recolher aos cofres públicos uma
vultosa quantia. Em outras palavras, se o valor sonegado foi alto, incide a causa de
aumento do art. 12, I. Nesse cálculo deve-se incluir também os juros e multa: Para
os fins da majorante do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 (grave dano à coletividade), o
dano tributário deve ser valorado considerando seu valor atual e integral,
incluindo os acréscimos legais de juros e multa. A Portaria nº 320, editada pela
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, prevê que os contribuintes que estão
devendo acima de R$ 1 milhão são considerados “grandes devedores” e devem
receber tratamento prioritário na atuação dos Procuradores. O STJ utiliza, então,
essa Portaria como parâmetro para analisar a incidência ou não da causa de
aumento do art. 12, I: A majorante do grave dano à coletividade, trazida pelo art.
12, I, da Lei nº 8.137/90, deve se restringir a situações especiais de relevante
dano. Desse modo, é possível, para os tributos federais, utilizar, analogamente, o
critério previsto no art. 14 da Portaria 320/PGFN, por meio do qual se definiu
administrativamente os créditos prioritários como sendo aqueles de valor igual ou
superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). E se a sonegação fiscal envolver
tributos estaduais ou municipais, como deverá ser o parâmetro nesses casos? Em
se tratando de tributos estaduais ou municipais, o critério deve ser, por
equivalência, aquele definido como prioritário ou de destacados créditos (grandes
devedores) para a fazenda local. Dito de outro modo, em caso de tributos
estaduais ou municipais, não se de deve utilizar a Portaria 320/PGFN, mas sim os
eventuais atos normativos estaduais e municipais que definam o que sejam
“grandes devedores” para o Fisco local. STJ. 3ª Seção. REsp 1849120-SC, Rel. Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 11/03/2020 (Info 668). O STF comunga do mesmo
entendimento e utiliza como parâmetro esses atos infralegais que definem
“grandes devedores”? Não. Existe julgado do STF no qual foi afastado esse
critério: “Quanto à Portaria 320/2008 da Procuradoria-Geral da Fazenda
129
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Nacional, anoto que essa norma infralegal apenas dispõe sobre o Projeto Grandes
Devedores no âmbito da PGFN, conceituando, para os seus fins, os “grandes
devedores”, com o objetivo de estabelecer, na Secretaria da Receita Federal do
Brasil, método de cobrança prioritário a esses sujeitos passivos de vultosas
obrigações tributárias, sem limitar ou definir, no entanto, o grave dano à
coletividade, ao contrário do que afirma o impetrante.” (STF. 2ª Turma. HC
129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017. Info 882).
Causa de aumento do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90
O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de sonegação fiscal (art.
1º, I, da Lei nº 8.137/90) deverá ser aumentada no caso de o delito “ocasionar
grave dano à coletividade”. A jurisprudência entende que se configura a referida
causa de aumento quando o agente deixa de recolher aos cofres públicos uma
vultosa quantia. Em outras palavras, se o valor sonegado foi alto, incide a causa de
aumento do art. 12, I. Nesse cálculo deve-se incluir também os juros e multa: Para
os fins da majorante do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 (grave dano à coletividade), o
dano tributário deve ser valorado considerando seu valor atual e integral,
incluindo os acréscimos legais de juros e multa. A Portaria nº 320, editada pela
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, prevê que os contribuintes que estão
devendo acima de R$ 1 milhão são considerados “grandes devedores” e devem
receber tratamento prioritário na atuação dos Procuradores. O STJ utiliza, então,
essa Portaria como parâmetro para analisar a incidência ou não da causa de
aumento do art. 12, I: A majorante do grave dano à coletividade, prevista pelo art.
12, I, da Lei nº 8.137/90, restringe-se a situações de especialmente relevante
dano, valendo, analogamente, adotar-se para tributos federais o critério já
administrativamente aceito na definição de créditos prioritários, fixado em R$
1.000.000,00 (um milhão de reais), do art. 14, caput, da Portaria 320/PGFN. Em
outras palavras, para a incidência do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 em tributos
federais, é necessário que o valor da dívida seja igual ou superior a R$ 1 milhão. E
se a sonegação fiscal envolver tributos estaduais ou municipais, como deverá ser
o parâmetro nesses casos? Em se tratando de tributos estaduais ou municipais, o
critério deve ser, por equivalência, aquele definido como prioritário ou de
destacados créditos (grandes devedores) para a fazenda local. Dito de outro
modo, em caso de tributosestaduais ou municipais, não se de deve utilizar a
Portaria 320/PGFN, mas sim os eventuais atos normativos estaduais e municipais
que definam o que sejam “grandes devedores” para o Fisco local. STJ. 3ª Seção.
REsp 1.849.120-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/03/2020 (Info 668). O
STF comunga do mesmo entendimento e utiliza como parâmetro esses atos
infralegais que definem “grandes devedores”? Não. Existe
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
julgado do STF no qual foi afastado esse critério: “Quanto à Portaria 320/2008 da
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, anoto que essa norma infralegal apenas
dispõe sobre o Projeto Grandes Devedores no âmbito da PGFN, conceituando,
para os seus fins, os “grandes devedores”, com o objetivo de estabelecer, na
Secretaria da Receita Federal do Brasil, método de cobrança prioritário a esses
sujeitos passivos de vultosas obrigações tributárias, sem limitar ou definir, no
entanto, o grave dano à coletividade, ao contrário do que afirma o impetrante.”
(STF. 2ª Turma. HC 129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
17/10/2017. Info 882).
STJ REsp 1561442: Se o contribuinte deixa de apresentar declaração ao Fisco com
o fim de obter a redução ou supressão de tributo e consegue atingir o resultado
almejado, tal conduta consubstancia crime de sonegação fiscal, na modalidade do
incisivo I do art. 1º da Lei n° 8.137/90.
STJ REsp 1.326.034: Se há uma incompatibilidade entre os rendimentos
informados pelo contribuinte na declaração de ajuste anual e os valores
movimentados no ano calendário em sua conta bancária isso caracteriza a
presunção relativa de omissão de receita, configurando o crime previsto no art.
1º, I, da Lei n° 8.137/90.
STJ HC 131787: O uso de documento falso é absorvido pelo crime de sonegação
fiscal quando constitui meio/caminho necessário para a sua consumação.
Constitui mero exaurimento do delito de sonegação fiscal a apresentação de
recibo ideologicamente falso à autoridade fazendária, no bojo de ação fiscal,
como forma de comprovar a dedução de despesas para a redução da base de
cálculo do imposto de renda de pessoa física.
STF HC 106152: Mesmo não tendo havido ainda a constituição definitiva do
crédito tributário, já é possível o início da investigação criminal para apurar o fato.
STJ HC 211.393: Não existindo o lançamento definitivo do crédito tributário,
revela- se ilegal à concessão de medida de busca e apreensão e de quebra de
sigilo fiscal, em procedimento investigatório, visando apurar crime de sonegação
fiscal.
STJ HC 238417: A constituição de crédito tributário após o recebimento da
denúncia não tem o condão de convalidar a ação penal que foi iniciada em
descompasso com as normas jurídicas vigentes e com a SV24 do STF. Desde o
nascedouro, essa ação penal é nula porque referente a atos desprovidos de
tipicidade.
131
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
STJ EREsp 1318662 - 28/11/2018. A súmula vinculante 24 pode ser aplicada a
fatos anteriores à sua edição. Como esta representa a mera consolidação da
interpretação judicial que já era adotada pelo STF e pelo STJ mesmo antes da sua
edição, entende-se que é possível a aplicação do enunciado para fatos ocorridos
anteriormente à sua publicação.
STJ REsp 1293633: A pendência de procedimento administrativo em que se
discute eventual direito de compensação de débitos tributários com eventuais
créditos perante o Fisco não tem o condão, por si só, de suspender o curso da
ação penal, eis que devidamente constituído o crédito tributário sobre o qual
recai a persecução penal.
STJ AgRg no AREsp 202617: O reconhecimento de prescrição tributária em
execução fiscal não é capaz de justificar o trancamento de ação penal referente
aos crimes contra a ordem tributária previstos nos incisos I a IV do art. 1º da Lei
8.137/90. A constituição regular e definitiva do crédito tributário é suficiente para
tipificar as condutas previstas no art. 1°, I a IV da Lei n° 8.137/90, não
influenciando em nada, para fins penais, o fato de ter sido reconhecida a
prescrição tributária.
STJ REsp 1294687: A conduta consistente em praticar qualquer uma ou todas as
modalidades descritas nos incisos I a IV do art. 1º da Lei 8.137/90 (crime misto
alternativo) conduz à consumação de crime de sonegação fiscal quando houver
supressão ou redução de tributo, pouco importando se atingidos um ou mais
impostos ou contribuições sociais. Não há concurso formal, mas crime único, na
hipótese em que o contribuinte, numa única conduta, declara Imposto de Renda
de Pessoa Jurídica com a inserção de dados falsos, ainda que tal conduta tenha
obstado o lançamento de mais de um tributo ou contribuição.
STF RHC 122774: Não se pode concordar com o argumento de que a aplicação da
SV 24-STF a fatos anteriores à sua edição configura retroatividade “in malam
partem”. Isso porque o aludido enunciado apenas consolidou interpretação
reiterada do STF sobre a matéria, A súmula vinculante não é lei nem ato
normativo, de forma que a SV 24-STF não inovou no ordenamento jurídico. O
enunciado apenas espelhou (demonstrou) o que a jurisprudência já vinha
decidindo.
STJ REsp 1.234696: O simples requerimento de inclusão no parcelamento
instituído pela Lei n° 11.941/09 sem demonstração da correspondência dos
débitos tributários sonegados com os débitos objeto do requerimento, não
acarreta a
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
suspensão da execução da pena aplicada por crime contra a ordem tributária. É
necessária a comprovação de que o débito objeto de parcelamento diga respeito
à ação penal ou execução que se pretende ver suspensa, sendo insuficiente a
mera adesão ao Programa de Recuperação Fiscal III.
O prazo da prescrição da pretensão punitiva fica suspenso durante o
parcelamento do débito tributário.
STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018
(Info 911).
STJ HC 363474; STF RHC 128245: O pagamento integral do débito tributário feito
após a condenação, mas antes do trânsito em julgado, acarreta a extinção da
punibilidade com base no art. 9º, §2º da Lei 10.684/03. De igual modo, o
pagamento integral do débito tributário, a qualquer tempo, até mesmo após o
trânsito em julgado da condenação, é causa de extinção da punibilidade do
agente, nos termos do art. 9°, §2°, da Lei 10.684/03.
STJ REsp 1630109: O pagamento da penalidade pecuniária imposta ao
contribuinte que deixa de atender às exigências da autoridade tributária estadual
quanto à exibição de livros e documentos fiscais não se adéqua a nenhuma das
hipóteses de extinção de punibilidade previstas no §2° do art. 9° da Lei 10.864/03.
STJ RHC 31062: O delito do art. 1°, V, da Lei 8.137/90 é formal e prescinde do
processo administrativo-fiscal para o esclarecimento da persecução penal, não
estando abarcado pela condicionante da Súmula Vinculante n°24 do STF.
Não pratica o crime do art. 3º, III, da Lei 8.137/90 o auditor fiscal que corrige
minuta de impugnação administrativa que posteriormente é ajuizada na
Administração Tributária. (...) É atípica a conduta de agente público que procede à
prévia correção quanto aos aspectos gramatical, estilístico e técnico das
impugnações administrativas, não configurando o crime de advocacia
administrativa perante a Administração Fazendária. STJ. 6ª Turma. REsp 1770444-
DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 08/11/2018 (Info 639).
É possível a elevação da pena-base dos crimes contra a ordem tributária com
fundamento nas consequências do delito quando o valor sonegado é de grande
monta.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Nos delitos contra a ordem tributária e contra a Administração Pública é possível
o agravamento da pena-base com fundamento no prejuízo sofrido pelos cofres
públicos, quando o valor do prejuízo representa montante elevado, dada a maior
reprovabilidade da conduta. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1249284/SC,Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/06/2018.
Para fazer a prova da constituição definitiva do crédito tributário não se exige a
juntada integral do PAF. Para o início da ação penal, basta a prova da constituição
definitiva do crédito tributário (Súmula Vinculante 24), sendo desnecessária a
juntada integral do Procedimento Administrativo Fiscal correspondente. STJ. 5ª
Turma. RHC 94288-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
22/05/2018 (Info 627).
134
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
QUESTÕES PROPOSTAS
01- 2018 - CESPE - PC-SE - Delegado de Polícia
A respeito de crimes contra a ordem tributária, ações
processuais e penas que lhe são correlatas, julgue o próximo
item, de acordo com a Lei n.º 8.137/1990 e alterações.
A pena de multa atribuída a particulares e servidores
públicos que praticarem crime de natureza tributária é
fixada em dias- multa, sendo o mínimo de dez e o máximo
de trezentos e sessenta dias-multa.
Certo ( ) Errado ( )
02- 2018 - CESPE - PC-SE - Delegado de Polícia
A respeito de crimes contra a ordem tributária, ações
processuais e penas que lhe são correlatas, julgue o próximo
item, de acordo com a Lei n.º 8.137/1990 e alterações.
Pessoa natural tem a prerrogativa de provocar a iniciativa do
Ministério Público para que ajuíze ação penal pública em
razão da prática de crime contra a ordem tributária de que
tiver conhecimento, fornecendo ao Ministério Público, por
escrito, as informações necessárias sobre o fato.
Certo ( ) Errado ( )
03- 2018 - CESPE - PC-SE - Delegado de Polícia
A respeito de crimes contra a ordem tributária, ações
processuais e penas que lhe são correlatas, julgue o próximo
item, de acordo com a Lei n.º 8.137/1990 e alterações.
A pena privativa de liberdade aplicável ao crime de
falsificação de nota fiscal é de seis meses a dois anos,
podendo ser convertida em multa pecuniária.
Certo ( ) Errado ( )
04- 2018 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia
Acerca de tráfico ilícito de entorpecentes, crimes contra
o meio ambiente, crime de discriminação e preconceito e
crime contra o consumidor, julgue o próximo item.
Importador ou prestador de serviço que promover
propaganda com o objetivo de obter vantagem indevida
com
o produto fornecido ou o serviço prestado cometerá crime
contra o consumidor.
Certo ( ) Errado ( )
05- 2018 - UEG - PC-GO - Delegado de Polícia
Conforme a Lei n. 8.137/1990, constitui crime contra as
relações de consumo, que pode ser punido na modalidade
culposa, reduzindo-se a pena e a detenção de 1/3 (um terço)
ou a de multa à quinta parte, a seguinte conduta:
a) favorecer ou preferir, sem justa causa, comprador ou
freguês, ressalvados os sistemas de entrega ao consumo por
intermédio de distribuidores ou revendedores.
b) elevar o valor cobrado nas vendas a prazo de bens ou
serviços, mediante a exigência de comissão ou de taxa de
juros ilegais.
c) induzir o consumidor ou usuário a erro, por via de
indicação ou afirmação falsa ou enganosa sobre a natureza,
qualidade do bem ou serviço, utilizando-se de qualquer
meio, inclusive a veiculação ou divulgação publicitária.
d) vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou,
de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria,
em condições impróprias ao consumo.
e) destruir, inutilizar ou danificar matéria-prima ou
mercadoria, com o fim de provocar alta de preço, em
proveito próprio ou de terceiros.
06- 2018 - UEG - PC-GO - Delegado de Polícia
Configura hipótese legal de recurso de ofício (reexame
necessário), a absolvição do acusado em processo por crime
a) de tortura
b) de genocídio
c) contra a economia popular
d) contra as relações de consumo
e) resultante de preconceito de raça ou de cor
07- 2018 - VUNESP - PC-BA - Delegado de Polícia
A respeito da Lei no 8.078/90 (Código do Consumidor) e da
Lei no 8.137/90 (Crimes contra a ordem tributária e as
relações de consumo), é correto afirmar que
135
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
a) os crimes contra as relações de consumo, previstos no art.
7o da Lei no 8.137/90, são praticados somente mediante
dolo.
b) os crimes contra o consumidor, previstos no Código de
Defesa do Consumidor, são de menor potencial ofensivo.
c) o Código do Consumidor, no que concerne aos crimes nele
previstos, estabelece a responsabilidade penal da pessoa
jurídica.
d) a Lei no 8.137/90, no que concerne aos crimes contra as
relações de consumo, estabelece a responsabilidade penal
da pessoa jurídica.
e) a Lei no 8.137/90, no que concerne aos crimes contra as
relações de consumo, prevê como circunstância agravante
da pena a prática em detrimento de menor de 18 ou maior
de 60 anos.
08- 2017 - FAPEMS - PC-MS - Delegado de Polícia
Considerando os tipos penais previstos em diversas leis
especiais, assinale a alternativa correta.
a) O condutor que, metros antes da blitz, para evitar multa,
trocar de posição com outra pessoa, responderá pela fraude
processual de trânsito prevista no artigo 312 da Lei n°
9.503/1997.
b) O funcionário público que constrange fisicamente o
estagiário a praticar contravenção penal poderá ser
responsabilizado pelo crime de tortura do artigo 1° da Lei n°
9.455/1997.
c) A pichação de edifício público não é considerada crime
ambiental pela Lei n° 9.605/1998.
d) No âmbito do tráfico de drogas previsto no artigo 33 da
Lei n° 11.343/2006 considera-se causa de aumento de pena
o fato de a conduta realizar-se em concurso eventual de
pessoas.
e) A exposição à venda de mercadoria em condições
impróprias é considerada crime contra as relações de
consumo por meio da Lei n° 8.137/1990, ainda quando
praticada culposamente.
09- 2017 - CESPE - PC-GO - Delegado de Polícia
Considere os seguintes atos, praticados com o objetivo
de suprimir tributo:
1) Marcelo prestou declaração falsa às autoridades
fazendárias;
2) Hélio negou-se a emitir, quando isso era obrigatório, nota
fiscal relativa a venda de determinada mercadoria;
3) Joel deixou de fornecer nota fiscal relativa a prestação de
serviço efetivamente realizado.
Nessas situações, conforme a Lei n.º 8.137/1990 e o
entendimento do STF, para que o ato praticado tipifique
crime material contra a ordem tributária, será necessário o
prévio lançamento definitivo do tributo em relação a
a) Hélio e Joel.
b) Marcelo apenas.
c) Hélio apenas.
d) Joel apenas.
e) Hélio, Marcelo e Joel.
10- 2005 - NCE-UFRJ - PC-DF - Delegado de Polícia
Quanto aos crimes contra a ordem tributária, é INCORRETO
afirmar que:
a) constitui crime suprimir ou reduzir tributo, ou
contribuição social e qualquer acessório, mediante a
conduta de omitir informação, ou prestar declaração falsa às
autoridades fazendárias;
b) extingue-se a punibilidade quando o agente promover o
pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive
acessórios;
c) se cometidos em quadrilha ou co-autoria, o co-autor ou
partícipe que através de confissão espontânea revelar à
autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a
sua pena reduzida de um a dois terços;
d) são de ação penal pública;
e) a remição abrange exclusivamente as infrações cometidas
anteriormente à vigência da lei que a concede, não se
aplicando às infrações resultantes de conluio.
11- 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia
Ana contratou Cláudio, prestador de serviços, para consertar
seu aparelho de televisão. Sem autorização de Ana e sem
motivo justo, Cláudio utilizou, dolosamente, peças de
reposição usadas na reparação do aparelho.
Nessa situação hipotética, a conduta de Cláudio é
considerada
a) crime previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC).
b) crime previsto no CP.
136
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
c) crime previsto na Lei n.º 8.137/1990, que define crimes
contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de
consumo, e dá outras providências.
d) atípica, pois não há lei que preveja essa conduta como
crime.
e) contravençãopenal.
12- 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia
A respeito da legislação penal extravagante brasileira,
assinale a opção correta.
a) Não constitui crime de abuso de autoridade a conduta,
consumada ou tentada, de violação de domicílio, fora das
hipóteses constitucionais e legais de ingresso em casa alheia,
quando praticada por delegado de polícia, uma vez que este
está amparado pelo estrito cumprimento do dever legal,
como causa legal de exclusão de ilicitude da conduta típica.
b) O direito penal econômico visa tutelar os bens jurídicos de
interesse coletivo e difuso, coibindo condutas que lesem ou
que coloquem em risco o regular funcionamento do sistema
econômico-financeiro, podendo estabelecer como crime
ações contra o meio ambiente sustentável.
c) Agente absolvido de crime antecedente de tráfico de
drogas, em razão de o fato não constituir infração penal,
ainda poderá ser punido pelo crime de branqueamento de
capitais, uma vez que a absolvição daquele crime
precedente pela atipicidade não tem o condão de afastar a
tipicidade do crime de lavagem de dinheiro.
d) Segundo entendimento do STJ, o crime de porte ilegal de
arma de fogo é delito de perigo abstrato, considerando-se
típica a conduta de porte de arma de fogo completamente
inapta a realizar disparos e desmuniciada, ainda que
comprovada a inaptidão por laudo pericial.
e) Para o STF, haverá crime contra a ordem tributária, ainda
que esteja pendente de recurso administrativo que discuta o
débito tributário em procedimento fazendário específico,
haja vista independência dos poderes.
13- 2014 - ACAFE - PC-SC - Delegado de Polícia
Identifique o que constitui crime contra a ordem
tributária e assinale a alternativa correta.
I Adquirir, distribuir e revender derivados de petróleo, gás
natural e suas frações recuperáveis, álcool etílico, hidratado
carburante e demais combustíveis líquidos carburantes, em
desacordo com as normas estabelecidas na forma da lei.
II Usar gás liquefeito de petróleo em motores de qualquer
espécie, saunas, caldeiras e aquecimento de piscinas, ou
para fins automotivos, em desacordo com as normas
estabelecidas na forma da lei.
III Negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota
fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada,
ou fornecê-la em desacordo com a legislação.
IV Sem autorização legal, produzir, adquirir, transportar,
industrializar, ter consigo, consumir ou comercializar
produtos ou matéria- prima pertencentes à União.
a) Apenas II e III estão corretas.
b) Apenas a afirmação III está correta.
c) Apenas II e IV estão corretas.
d) Apenas I, II e IV estão corretas.
e) Todas as afirmações estão corretas.
14- 2013 - CESPE - DPF - Delegado de Polícia
No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal
extravagante, julgue o item subsequente.
Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º
8.137/1990, forem praticados por servidor contra a
administração tributária, a pena imposta aumentará de um
terço até a metade.
Certo ( ) Errado ( )
15- 2013 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia
No que diz respeito aos crimes previstos na legislação penal
extravagante, julgue o item subsequente.
Se os crimes funcionais, previstos no art. 3.º da Lei n.º
8.137/1990, forem praticados por servidor contra a
administração tributária, a pena imposta aumentará de um
terço até a metade.
Certo ( ) Errado ( )
16- 2013 - CESPE - PC-BA - Delegado de Polícia
Em relação aos crimes contra a administração pública e aos
delitos praticados em detrimento da ordem econômica e
tributária e em licitações e contratos públicos, julgue o item
seguinte.
137
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Servidor público que, na qualidade de agente fiscal, exigir
vantagem indevida para deixar de emitir auto de infração
por débito tributário e de cobrar a consequente multa
responderá, independentemente do recebimento da
vantagem, pela prática do crime de concussão, previsto na
parte especial do Código Penal (CP).
Certo ( ) Errado ( )
17- 2012 - FUNCAB - PC-RJ - Delegado de Polícia
Constitui crime contra as relações de consumo, EXCETO:
a) fraudar preços por meio de divisão em partes de bem ou
serviço, habitualmente oferecido à venda em conjunto.
b) formar acordo, convênio, ajuste ou aliança entre
ofertantes, visando à fixação artificial de preços ou
quantidades vendidas ou produzidas.
c) deixar de organizar dados fáticos, técnicos e científicos
que dão base à publicidade.
d) favorecer ou preferir, sem justa causa, comprador ou
freguês, ressalvados os sistemas de entrega ao consumo por
intermédio de distribuidores ou revendedores.
e) fraudar preços por meio de junção de bens ou serviços,
comumente oferecidos à venda em separado.
18- 2011 - FUMARC - PC-MG - Delegado de Polícia
Com relação à legislação especial, é INCORRETO afirmar que
a) nos crimes contra a ordem tributária, o pagamento do
tributo, antes do recebimento da denúncia, caracteriza
causa extintiva de punibilidade.
b) motorista de táxi que se distrai conversando com
passageiro e atropela pedestre, causando-lhe lesões
corporais e é induzido pelo acompanhante a deixar de
prestar socorro à vítima, responde pelo crime de lesão
corporal culposa, funcionando a omissão de socorro e a
circunstância de estar no exercício da profissão como causas
especiais de aumento de pena, conforme a Lei nº 9.503/97,
respondendo o passageiro pelo crime de omissão de
socorro, previsto no art. 135 do Código Penal.
c) a Lei de Tortura prevê exceção, ao princípio da
territorialidade, determinando a aplicação da lei brasileira a
crimes ocorridos fora do território brasileiro, sempre que a
vítima for brasileira.
d) para o crime de tráfico ilícito de entorpecentes, a
associação eventual constitui causa de aumento de pena,
sendo a associação para o tráfico, prevista no art. 35 da Lei
nº 11.343/2006, delito autônomo que demanda
comprovação da estabilidade e permanência da societas
sceleris.
19- 2009 - FUNIVERSA - PC-DF - Delegado de Polícia
Suponha que todos os revendedores de gás liquefeito de
petróleo (GLP) ajustem artificialmente preço final de venda
do produto em determinada localidade. A esse respeito, é
correto afirmar que
a) o ajuste é comum e em nada influencia na concorrência
entre as empresas.
b) há, em princípio, um ilícito penal a ser apurado que se
subsumi ao crime contra o consumidor.
c) o fato descrito encarta-se como crime contra a ordem
econômica.
d) a relação de consumo é afetada pela conduta descrita;
portanto, há contravenção praticada contra a economia
popular.
e) a investigação a respeito do caso ficará a cargo da Polícia
Federal, em virtude de que a União possui o monopólio de
distribuição do GLP no Brasil.
20- 2009 - FUNIVERSA - PC-DF - Delegado de Polícia
Com a finalidade de impulsionar as vendas e atrair
consumidores, a empresa Construlegal fez publicar, em jornal
de grande circulação, anúncio de venda promocional de
cimento com entrega imediata do produto. João, atraído
pelo anúncio, efetuou a compra de 100 sacos do produto.
Contudo, somente após a concretização do negócio, ele
tomou conhecimento de que o comerciante não detinha o
produto para entrega imediata.
Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar
a) que o comerciante cometeu delito de afirmação falsa ou
enganosa contra as relações de consumo, ocorrendo, no
presente caso, a consumação da infração penal com a
publicação enganosa.
b) que a conduta do comerciante configura propaganda
enganosa, prática comercial não tipificada como criminal,
sendo passível apenas de multa
c) que, após a decisão do Supremo Tribunal Federal que
reconhece a impossibilidade de prisão civil, o crime
praticado pelo comerciante é passível tão-somente da pena
de multa.
138
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
d) que, tratando-se de infração penal,só poderão ser
considerados sujeitos passivos do delito, os consumidores
que, acreditando no anúncio, efetuaram a compra.
e) que a conduta adotada pela empresa Construlegal
configura mero inadimplemento civil, não estando,
portanto, Respostas5
enquadrada nas infrações penais cometidas contra o
consumidor.
5 : 01:C 02:C 03:E 04:C 05:D 06:C 07:B 08:E 09:B 10:E 11:A 12:B 13:B 14:E 15:E 16:E 17:B 18:D
19:C 20:A
139
Cuidado! Se determinada lei fizer menção especificamente à palavra CRIME, não estará
abrangendo as contravenções penais!
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
META 4
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS
1. INTRODUÇÃO
Conforme entendimento da doutrina, o DECRETO Nº 3688/1941 foi recepcionado pela Constituição
Federal de 1988 como lei ordinária.
Ademais, a doutrina ainda entende que se deve fazer uma interpretação extensiva para incluir as
contravenções penais como espécies do gênero infração penal. Assim, quando a CF/88, por exemplo,
menciona a palavra “infração” ou “delito” (no inc. XI ou inc. XXXIX, ambos do art. 5º), deve-se fazer uma
interpretação extensiva abrangendo também a contravenção penal.
2. CRIME x CONTRAVENÇÃO PENAL
Pode-se definir as infrações penais em dois grandes grupos, os crimes, punidos com pena de
reclusão ou detenção independentemente da pena de multa e as contravenções penais, punidas com
prisão simples, na forma da lei 3.688, nesse sentido orienta o artigo primeiro da lei de introdução ao código
penal:
Art. 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou
de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a
pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente,
pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente.
Entretanto, é importante frisar que não há um rigor metodológico na diferenciação entre crimes e
contravenções, sendo estas diferenciadas pelas penas aplicadas e pelo procedimento a qual as infrações se
subordinam. Veja o quadro esquematizado abaixo:
CRIME CONTRAVENÇÃO
Quanto à pena
privativa de liberdade
Infração penal que a lei comina
pena de reclusão ou de detenção,
quer isoladamente, quer alternativa
ou cumulativamente com a pena de
multa
Infração penal a que a lei
comina, isoladamente, pena de
prisão simples (cumprida sem
rigor penitenciário, nos termos
do art. 6º da LCP) ou de multa,
140
Atenção! – As expressões “crime anão” e crimes “liliputianos” podem ser utilizadas como
sinônimos de contravenção, ambos os termos se ligam ao “tamanho” da contravenção em relação aos
fatos definidos como crimes e são amplamente utilizadas pela literatura.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
ou ambas alternativa ou
cumulativamente.
Quanto à espécie de
ação penal
Pode ser ação penal pública
condicionada/incondicionada ou
privada.
Ação penal pública
incondicionada, nos termos do
Art. 17 da LCP.
Quanto à
admissibilidade da
tentativa
(punibilidade)
Tentativa é punível (em regra). Não é punível a tentativa, nos
termos do a Art. 4º. LCP.
Quanto à
extraterritorialidade
da lei penal brasileira
Admite-se extraterritorialidade (art.
7º do CP).
Não se admite
extraterritorialidade, nos
termos do Art. 2º da LCP.
Quanto à
competência para
processar e julgar
Pode ser competência da justiça
estadual ou federal.
Somente competência da
justiça estadual.
* Exceção: foro por
prerrogativa de função.
Quanto ao limite das
penas
Limite da pena privativa de
liberdade é de 40 anos (artigo 75 do
CP).
A duração da pena de prisão
simples não pode, em caso
algum, ser superior a 05
anos
(artigo 10 da LCP)
3. COMPETÊNCIA
A competência para o processo e julgamento das contravenções penais será, em regra, da Justiça
comum estadual, salvo quando praticado por agente detentor de foro por prerrogativa de função em
conexão com algum crime.
Isso porque o próprio Constituinte originário determinou que as contravenções penais estão
excluídas da competência da justiça federal. Veja:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas
141
excluídas as
ATENÇÃO: Se o autor da contravenção for Juiz Federal será julgado pelo TRF, pois possui foro por
prerrogativa de função. O critério funcional se sobrepõe à competência material.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
públicas,
e da Justiça
Eleitoral;
e ressalvada a competência da Justiça Militar
Veja, ainda, o entendimento sumulado do STJ sobre o tema:
STJ Súmula nº 38: Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da
Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em
detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades.
Nesse sentido, segundo o entendimento do STJ e da doutrina majoritária, as regras processuais de
conexão e continência, se submetem à regra constitucional do art. 109, IV, da CR, determinando a
separação obrigatória dos processos se houver conexão entre crime federal e contravenção.
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PENAL. CONTRAVENÇÃO. EXPLORAÇÃO DE JOGOS
DE AZAR (ART. 50 DECRETO-LEI Nº 3.688/41). CONTRABANDO (ART. 334 DO CP).
CONEXÃO. INVIABILIDADE DE JULGAMENTO PERANTE O MESMO JUÍZO. SÚMULA
Nº 38/STJ. DESMEMBRAMENTO.1. Apesar da existência de conexão entre o crime
de contrabando e contravenção penal, mostra-se inviável a reunião de
julgamentos das infrações penais perante o mesmo Juízo, uma vez que a
Constituição Federal expressamente excluiu, em seu art. 109, IV, a competência
da Justiça Federal para o julgamento das contravenções penais, ainda que
praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União. Súmula nº
38/STJ. Precedentes. 2. Firmando- se a competência do Juízo Federal para
processar e julgar o crime de contrabando conexo à contravenção penal, impõe-
se o desmembramento do feito, de sorte que a contravenção penal seja julgada
perante o Juízo estadual. (CC 120.406/RJ, Rel. Ministra ALDERITA RAMOS DE
OLIVEIRA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado
em 12/12/2012, DJe 01/02/2013)
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CONTRAVENÇÃO PENAL PRATICADA A
BORDO DE AERONAVE. ARTIGO 109, INCISOS IV E IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
DE 1988. SÚMULA Nº 38/STJ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.
2. O artigo 109, inciso IX, da Constituição Federal de 1988, utilizado pelo Juízo
suscitado para embasar o declínio da competência para o Juízo Federal, refere-se
tão somente aos crimes cometidos a bordo de navios e aeronaves, excluídas,
142
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
portanto, as contravenções penais. (CC 117.220/BA, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 26/10/2011, DJe 07/12/2011).
4. ANÁLISE DA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS
Art. 1º Aplicam-se as contravenções às regras gerais do Código Penal, sempre que
a presente lei não disponha de modo diverso.
Segundo o art. 1º, aplicam-se às contravenções às regras gerais do Código Penal, sempre que a
presente lei não disponha de modo diverso. Ou seja, aplica-se subsidiariamente o Código Penal às
contravenções penais.
Ex.: abolitio criminis – art. 2º, CP. Ex.: Novatio legis in mellius – art. 2º, p. único, CP
Obs.: Além das regras gerais do CP, aplicam-se subsidiariamente, as disposições do Código de Processo
Penal e da Lei 9.099/95. Conforme o art. 61 da Lei 9.099/95, são infrações de menor potencial ofensivo
aquelas cuja pena máxima não seja superior a 2 anos de privação de liberdade e todas as contravenções
penais (nesse caso, não há limite ao quantum da pena).
Relembrando algumas particularidades do Jecrim:
No Juizado Especial haverá uma audiência preliminar.
Se estiverem previstos os requisitos do art. 76 da Lei 9099/95, o MP irá propor a transação penal.
Caso aceite o acordo e haja a homologação do juiz,o indivíduo, após cumprir o acordo, terá extinta a sua
punibilidade. Lembre-se que a homologação da transação penal não produz coisa julgada material, motivo
pelo qual, havendo descumprimento, poderá o Ministério Público oferecer denúncia.
Caso o autor não faça jus à transação, pois, por exemplo, já foi beneficiado dois anos atrás por
outra transação, ou então que não compareça à audiência preliminar. Neste caso, o MP oferece a denúncia
oral, caso em que o indivíduo será citado desde então, ficando ciente da data da audiência de instrução e
julgamento.
Caso o acusado não esteja presente, o juiz determina a sua citação pessoal. Não sendo encontrado
para a citação pessoal, os autos serão remetidos ao juízo comum, correndo pelo rito sumário, tendo em
vista que Juizado Especial Criminal não faz citação por edital.
Caso o juiz rejeite a denúncia, no Juizado Especial, não caberá RESE, mas caberá recurso de
apelação no prazo de 10 dias .
Interrogado o réu, há espaço para os debates orais. Em seguida, o juiz prolata a sentença, a qual, no
Jecrim, dispensa o relatório.
143
Dessa sentença cabe apelação no prazo de 10 dias.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional.
Do artigo 2° da lei de contravenção penal, depreende-se a impossibilidade de aplicação do princípio
da extraterritoriedade à contravenção, que não será punível, nem passível de persecução penal, quando
realizada fora do território nacional.
De acordo com o STF, não é possível extradição de estrangeiro por Contravenção:
A exploração ilícita de jogo e a exposição ilícita de material de jogo configuram
contravenções penais no ordenamento jurídico brasileiro. A extensão, nesse
ponto, não pode ser concedida, por expressa vedação do artigo 77, II, da Lei n.
6.815/80. (Ext 787 extensão, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno,
julgado em 23/03/2006).
Art. 3º - Para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão voluntária.
Deve-se, todavia, ter em conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, de um ou
de outra, qualquer efeito jurídico.
Com base neste artigo, é possível dizer que, se a lei não prevê dolo ou culpa, basta que a conduta
seja voluntária. Trata-se de dispositivo elaborado à luz da Teoria Psicológico-normativa, em que dolo e
culpa eram espécies de culpabilidade.
De acordo com a doutrina, o artigo foi revogado tacitamente, pela reforma de 1984 do Código
Penal. Isso porque, sem a realização de efetivo controle de não recepção, uma vez que, em virtude da
adoção do sistema finalista, a lei sempre terá em conta o dolo ou a culpa, não se punindo objetivamente as
condutas não orientadas a produção de um resultado especifico.
Nesse sentido, aplica-se o parágrafo único do artigo 18 do Código Penal:
Parágrafo único – Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por
fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
Art. 4º Não é punível a tentativa de contravenção.
Por razões de política criminal, o legislador achou por bem não tornar punível a tentativa de
contravenção.
144
Atenção! A tentativa de contravenção é causalmente possível, em especial naquelas em que se
exige a produção de um resultado naturalístico, entretanto, o legislador não possibilitou a punição do
agente contraventor.
Assim, pode-se dizer que é atípica a tentativa de contravenção.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Aplicam-se às contravenções penais:
Art. 14, I, CP – contravenção consumada.
Art. 16, CP – arrependimento posterior.
Art.17, CP – crime impossível.
Obs.: Dificilmente será aplicado o artigo 15, CP – desistência voluntária e arrependimento eficaz –
pois, na maioria das contravenções, não há resultado naturalístico ou este não é exigido para consumação.
São infrações de perigo abstrato. Exceção: art. 29, LCP.
Art. 5º As penas principais são:
I – prisão simples.
II – multa.
Art. 6º A pena de prisão simples deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em
estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime semi-
aberto ou aberto.
§ 1º O condenado a pena de prisão simples fica sempre separado dos condenados
a pena de reclusão ou de detenção.
§ 2º O trabalho é facultativo, se a pena aplicada, não excede a quinze dias.
Art. 10. A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser
superior a cinco anos, nem a importância das multas ultrapassar cinquenta
contos.
A cominação exclusiva de pena de multa e prisão simples, como comentado anteriormente, são os elementos
que, em virtude da dicção da lei de introdução ao Código Penal, definem o conceito de crime e contravenção.
Em relação à pena de prisão simples, segundo o art. 6º, deve ser cumprida, sem rigor penitenciário,
em estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime semiaberto ou aberto.
O §1º diz que o condenado a pena de prisão simples fica sempre separado dos condenados à pena
de reclusão ou de detenção. Ademais, o condenado a prisão simples, nem mesmo em caráter regressivo,
poderá ser transferido para o regime fechado.
145
Atenção! A contravenção penal no estrangeiro não gera reincidência no Brasil, conforme o
disposto no art. 2º da LCP.
Atenção! Lembre-se sempre do período depurador e da dicção do código penal!
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
No tocante ao limite da pena de prisão simples. o art. 10 diz que a duração da pena, em nenhum
caso, pode ser superior a 5 anos. Isso significa que:
o A pena unificada não deve ultrapassar esse limite.
o As causas de aumento e redução de pena da parte geral do CP aplicam-se às contravenções.
O trabalho, em regra, é obrigatório, mas poderá ser facultativo quando a pena de prisão simples
não exceder a 15 dias (§2º).
Em relação à pena de multa, seguiremos o critério do Código Penal, sendo o mínimo de 10 e o
máximo de 360 dias-multa. O valor no mínimo de 1/30 do maior salário mínimo vigente na época dos fatos,
ou até 5 vezes o maior salário-mínimo vigente no país, de acordo com as condições econômicas do
apenado.
Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção
depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no
estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção.
A reincidência só será conhecida quando o agente tiver sentença condenatória, passada em julgado
condenando-o no Brasil ou no estrangeiro por crime, ou no Brasil por motivo de contravenção!
Não é reincidente o agente que condenado por contravenção, cometer crime posterior.
Não é reincidente o agente que condenado anteriormente por contravenção fora do território
nacional, comete crime ou contravenção no território nacional.
É reincidente o agente condenado, que vem a cometer contravenção posterior.
É reincidente o agente condenado (com trânsito em julgado) por contravenção que vem a cometer
outra contravenção posterior.
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de
transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha
condenado por crime anterior.
O tema é complexo. Nesse sentido, expomos a tabela trazida na doutrina do professor Rogério
Sanches, de modo a permitir uma melhor compreensão sobre o assunto.
146
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Se a pessoa é condenada
definitivamente por
E depois da condenação
definitiva pratica novo(a)
Qual será a consequência?
CRIME
(No Brasil ou exterior)
CRIME REINCIDÊNCIA
CRIME
(No Brasil ou exterior)
CONTRAVENÇÃO
(No Brasil)
REINCIDÊNCIA
CONTRAVENÇÃO
(No Brasil)
CONTRAVENÇÃO
(No Brasil)
REINCIDÊNCIA
CONTRAVENÇÃO
(No Brasil)
CRIME
NÃO HÁ reincidência.
Foi uma falha da lei.
Mas gera maus antecedentes.
CONTRAVENÇÃO
(No estrangeiro)
CRIME ou CONTRAVENÇÃO
NÃO HÁ reincidência.
Contravenção no estrangeiro não
influi aqui.
Art. 8° - No caso de ignorância ou de errada compreensão da lei, quando
escusáveis,a pena pode deixar de ser aplicada. (ERRO DE DIREITO)
Segundo o art. 8º, no caso de ignorância (desconhecimento da existência da lei) ou de errada
compreensão da lei, quando escusáveis, a pena pode deixar de ser aplicada. Na verdade, prevê aqui uma
espécie de perdão judicial.
De acordo com o art. 21 do Código Penal, o desconhecimento da lei é inescusável, sendo tratado
como mera atenuante (art. 65, II, CP). Nesse caso, a Lei de Contravenções Penais deve ser aplicada, porque
é mais benéfica, já que esse enseja o perdão judicial.
Todavia, quanto à errada compreensão da lei – erro de proibição – o art. 8º da Lei de
Contravenções Penais estaria tacitamente revogado pelo art. 21 do Código Penal (erro de proibição), que
permite a isenção de pena (norma mais benéfica do que o presente artigo 8º).
Art. 9° - A multa converte-se em prisão simples, de acordo com o que dispõe o
Código Penal sobre a conversão de multa em detenção.
Parágrafo único - Se a multa é a única pena cominada, a conversão em prisão
simples se faz entre os limites de 15 (quinze) dias e 3 (três) meses.
De acordo com a doutrina, o art. 9º foi REVOGADO, uma vez que o art. 51, CP, ao considerar a
multa como dívida de valor, passou a vedar a conversão da multa em prisão.
Assim, a multa é considerada dívida de valor a ser executada na Vara da Fazenda Pública.
147
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada
perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as
normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às
causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº
13.964, de 2019)
Art. 11. Desde que reunidas as condições legais, o juiz pode suspender por tempo
não inferior a um ano nem superior a três, a execução da pena de prisão simples,
bem como conceder livramento condicional.
O art. 11 prevê os institutos da suspensão condicional da pena e do livramento condicional, desde
que reunidas as condições legais.
Assim, estando previstas as condições do art. 77, é possível conceder o sursis da pena de prisão
simples pelo período de 1 a 3 anos. Para tanto, é preciso cumprir os seguintes requisitos:
Pena não pode ser superior a 2 anos
Não deve ser cabível a substituição por restritiva de direitos
Circunstâncias judiciais favoráveis
Réu não pode ser reincidente em crime doloso
O período de suspensão da execução da pena de prisão simples será de 1 a 3 anos, enquanto para o
crime o período de prova é de 2 a 4 anos.
Em relação ao livramento condicional, segue o mesmo procedimento do Código Penal, sendo
concedido quando o sujeito tem uma pena igual ou superior a 2 anos, além de cumprir os requisitos do art.
83.
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena
privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:
I - Cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em
crime doloso e tiver bons antecedentes;
II - Cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime
doloso; III – comprovado (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
a) bom comportamento durante a execução da pena; (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela
infração; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
V - Cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime
hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico
de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes
dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou
grave ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à
constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará
a delinqüir.
Art. 12. As penas acessórias são a publicação da sentença e as seguintes
interdições de direitos:
I – a incapacidade temporária para profissão ou atividade, cujo exercício dependa
de habilitação especial, licença ou autorização do poder público;
lI – a suspensão dos direitos políticos.
Parágrafo único. Incorrem:
a) na interdição sob nº I, por um mês a dois anos, o condenado por motivo de
contravenção cometida com abuso de profissão ou atividade ou com infração de
dever a ela inerente;
b) na interdição sob nº II, o condenado a pena privativa de liberdade, enquanto
dure a execução do pena ou a aplicação da medida de segurança detentiva.
Ressalta-se que é amplamente majoritário o entendimento da doutrina de que O ARTIGO 12 FOI
REVOGADO pela reforma penal de 1984, que aboliu as penas acessórias, convolando-as em efeitos da
condenação. No entanto, Nucci entende que não houve revogação.
Art. 13. Aplicam-se, por motivo de contravenção, as medidas de segurança
estabelecidas no Código Penal , à exceção do exílio local.
Art. 14. Presumem-se perigosos, além dos indivíduos a que se referem os ns. I e II
do art. 78 do Código Penal :
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
I – o condenado por motivo de contravenção cometido, em estado de embriaguez
pelo álcool ou substância de efeitos análogos, quando habitual a embriaguez;
II – o condenado por vadiagem ou mendicância;
Art. 15. São internados em colônia agrícola ou em instituto de trabalho, de
reeducação ou de ensino profissional, pelo prazo mínimo de um
ano: (Regulamento)
I – o condenado por vadiagem (art. 59);
II – o condenado por mendicância (art. 60 e seu parágrafo);
Art. 16. O prazo mínimo de duração da internação em manicômio judiciário ou em
casa de custódia e tratamento é de seis meses.
Parágrafo único. O juiz, entretanto, pode, ao invés de decretar a internação,
submeter o indivíduo a liberdade vigiada.
De acordo com a doutrina majoritária, os artigos 13 a 15 estão REVOGADOS, pois se referem ao
período em que o Código Penal adotava o sistema do duplo binário (aplicação cumulativa de pena e
medida de segurança).
A reforma de 1984 adotou o Sistema Vicariante, com aplicação de pena para os imputáveis e de medida de
segurança para os inimputáveis.
Em relação ao art. 16, a doutrina majoritária entende que não se aplica mais a liberdade vigiada,
em face de sua extinção pela reforma da parte geral do Código Penal em 1984. No entanto, Nucci, em
sentido contrário, entende que o parágrafo continua em vigor, aplicando-se a liberdade vigiada ao
contraventor, por ser mais favorável.
Ressalta-se que o prazo mínimo de duração da internação é de 6 meses para a contravenção
penal. Ademais, via de regra, a medida de segurança imposta ao sujeito será tratamento ambulatorial, pois
se trata de contravenção penal.
Art. 17. A ação penal é pública, devendo a autoridade proceder de ofício.
Último ponto de extrema importância é o dever da autoridade proceder de ofício a ação penal, que
por razões de política criminal, sempre terá natureza pública, como estabelece a lei em seu artigo 17.
O processo das Contravenções Penais se dá por meio de Ação Penal Pública Incondicionada.
Rito: sumaríssimo, em regra, se tramitar no JECRIM. Se tramitar no juízo comum, o rito é sumário.
Fase pré-processual – termo circunstanciado de ocorrência.
Portanto, se um autor de uma contravenção penal é flagrado, será levado à delegacia.
Após, será lavradoum TCO, sendo encaminhado ao Juizado Especial. Caso não seja possível
seu comparecimento ao Juizado, deverá assinar um termo de compromisso de
comparecimento
150
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
5. PARTE ESPECIAL DA LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS
5.1 Contravenções Penais Referentes à Pessoa
Art. 18. Fabricar, importar, exportar, ter em depósito ou vender, sem permissão
da autoridade, arma ou munição:
Pena – prisão simples, de três meses a um ano, ou multa, de um a cinco contos de
réis, ou ambas cumulativamente, se o fato não constitue crime contra a ordem
política ou social.
Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da
autoridade:
Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis
a três contos de réis, ou ambas cumulativamente.
§ 1º A pena é aumentada de um terço até metade, se o agente já foi condenado,
em sentença irrecorrivel, por violência contra pessoa.
§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de
duzentos mil réis a um conto de réis, quem, possuindo arma ou munição:
a) deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina;
b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de
arma a tenha consigo;
c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente
alienado, menor de 18 anos ou pessoa inexperiente em manejá-la.
Os artigos 18 e 19 foram derrogados pela Lei de Armas de Fogo (Lei n.º 9.437/97), posteriormente,
revogada pelo Estatuto de Desarmamento - Lei 10826/2003 em relação às armas de fogo, continuando
vigente, no entanto, em relação às armas brancas. Nas palavras do professor Renato Brasileiro:
De se notar que as denominadas armas brancas, assim compreendidas como
aqueles artefatos cortantes ou perfurantes, normalmente constituídos por peça
em lâmina ou oblonga, não constituem objeto material do Estatuto do
Desarmamento, embora seu porte possa caracterizar contravenção penal
(Decreto-Lei n. 3.688/41, art. 19);
151
Populares avisaram à polícia que João e José, embriagados, discutiam na via pública. Avistados e abordados, os policiais verificaram que nenhum dos dois traziam quaisquer documentos, além de terem localizado na cintura de João uma arma de fogo e sob as vestes de José uma faca. Nesse contexto, competem aos policiais
conduzir João e José para a Delegacia de Polícia para responderem pela contravenção penal de perturbação de sossego.
depois de comprovar a identidade de João e José e verificando que eles não usavam, no momento da discussão, a arma de fogo e a faca que traziam (respectivamente), liberá-los da abordagem.
conduzir João e José para a Delegacia de Polícia, pois praticaram crime de tentativa de lesão corporal (mútua).
prender João e José em flagrante delito por tentativa de homicídio, considerando o porte de arma de fogo e a faca, ambos objetos letais.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
A Lei de Contravenções Penais abrange tanto a arma branca própria como arma branca imprópria.
Veja a diferença entre elas:
Arma branca própria – finalidade específica de ataque e defesa (ex.: soco inglês/punhal)
Arma branca imprópria – qualquer objeto que possa ser utilizado como arma (ex: a faca de cozinha).
Portanto, temos que:
Se for arma branca – Lei de Contravenções Penais
Se for arma de fogo – Estatuto do Desarmamento.
Inclusive, recentemente o STF entendeu que o porte de arma branca é conduta que permanece
típica na Lei de Contravenções Penais (RHC 56,128/MG. Julgado em 26.03.2020).
A previsão do art. 19 da Lei das Contravenções Penais continua válida ainda hoje?
• Em relação à arma de fogo: NÃO. O porte ilegal de arma de fogo caracteriza,
atualmente, o crime previsto nos arts. 14 ou 16 do Estatuto do Desarmamento. •
Em relação à branca: SIM. O art. 19 do Decreto-lei nº 3.688/41 permanece vigente
quanto ao porte de outros artefatos letais, como as armas brancas. A jurisprudência
do STJ é firme no sentido da possibilidade de tipificação da conduta de porte de
arma branca como contravenção prevista no art. 19 do DL 3.688/41, não havendo
que se falar em violação ao princípio da intervenção mínima ou da legalidade. STJ.
5ª Turma. RHC 56128-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 10/03/2020 (Info
668).
Já caiu em prova:
152
E) conduzir os dois para a Delegacia de Polícia; José para responder pela contravenção penal de porte de arma branca, e João porque foi preso em flagrante delito por porte ilegal de arma de fogo.
Alternativa correta: Letra E
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Obs.: Art. 13 do Estatuto do Desarmamento x Art. 19, §2º, “c” da Lei de Contravenções Penais:
Conforme explica Renato Brasileiro (2020), se um menor de 18 (dezoito) anos ou portador de deficiência
mental se apoderar de munição, como resultado da inobservância do dever objetivo de cuidado por parte
de seu respectivo proprietário ou possuidor, a conduta amoldar-se-á à contravenção penal do art. 19, §2°,
alínea "c", do Decreto-Lei n. 3.688/41, e não ao crime do art. 13 do Estatuto do Desarmamento, cujo
único objeto material é a arma de fogo (não abrange acessório ou munição).
Art. 13: Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18
(dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de
fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade: Pena – detenção,
de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.
Art. 20. Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto:
Pena - multa de hum mil cruzeiros a dez mil cruzeiros.
Art. 21. Praticar vias de fato contra alguém:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de cem mil réis a um
conto de réis, se o fato não constitue crime.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é
maior de 60 (sessenta) anos
VIAS DE FATO se caracterizam como toda agressão físicas sem dolo de lesionar. Assim, o que
distingue a contravenção das vias de fato para a tentativa de lesão é a intenção do agente.
Ex.: se o agente intenta lesionar, mas não consegue. Ou seja, tenta ferir, mas produz vias de fato,
haverá tentativa do agente. Eventuais vias de fato empregada para a prática de roubo, estupro ou extorsão
ficarão absorvidas.
São exemplos de condutas que podem configurar a contravenção de vias de fato:
Desferir um tapa
Empurrar
Puxar o cabelo.
Arremesso de líquido contra a pessoa
153
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Rasgar roupa da pessoa
Eritemas (vermelhidão).
Aqui temos um caso de subsidiariedade expressa, uma vez que somente é aplicável se o fato não
constituir crime.
Qualquer pessoa poderá praticar essa contravenção (comum). O sujeito passivo é a vítima das vias
de fato. No entanto, se a vítima é maior de 60 anos, a pena será aumentada de 1/3 até 1/2.
Atente-se que, no tocante à ação penal, apesar de o art. 17 dizer que as contravenções são
apuradas por meio de ação penal pública incondicionada, a parcela da doutrina entende ser necessária a
representação, pois, se para lesões leves, que são crimes, exige-se a representação, então a contravenção
de vias de fato também deveria ser de a ação penal pública condicionada à representação, sob pena de
violar o princípio da proporcionalidade. No entanto, não foi esse entendimento que prevaleceu. Veja a
explicação do professor Renato Brasileiro sobre o tema:
“Na medida em que a Lei nº 9.099/95 transformou os crimes de lesão corporal
leve e lesão corporal culposa em crimes de ação penal pública condicionada à
representação (art. 88), houve quem sustentasse que a contravenção penal de
vias de fato (Dec.lei 3.688/41, art. 21), por se tratar de um minus em relação
àqueles delitos, exigiria, por razões de proporcionalidade, a representação do
ofendido como condição de procedibilidade para o oferecimento da denúncia.
115 Acabou prevalecendo, todavia, a orientação de que não houve qualqueralteração da espécie de ação penal quanto ao referido crime-anão, que continua
pública incondicionada, nos termos do art. 17 da Lei das Contravenções Penais.”
Art. 22. Receber em estabelecimento psiquiátrico, e nele internar, sem as
formalidades legais, pessoa apresentada como doente mental:
Pena – multa, de trezentos mil réis a três contos de réis.
§ 1º Aplica-se a mesma pena a quem deixa de comunicar a autoridade
competente, no prazo legal, internação que tenha admitido, por motivo de
urgência, sem as formalidades legais.
§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa de
quinhentos mil réis a cinco contos de réis, aquele que, sem observar as
prescrições legais, deixa retirar-se ou despede de estabelecimento psiquiátrico
pessoa nele, internada.
Art. 23. Receber e ter sob custódia doente mental, fora do caso previsto no artigo
anterior, sem autorização de quem de direito:
154
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil
réis a cinco contos de réis.
5.2 Contravenções Penais Referentes ao Patrimônio
Art. 24. Fabricar, ceder ou vender gazua ou instrumento empregado usualmente
na prática de crime de furto:
Pena – prisão simples, de seis meses a dois anos, e multa, de trezentos mil réis a
três contos de réis.
“Gazua” é chave falsa, mixa.
Condutas: fabricar, ceder ou vender este instrumento. Se o agente é surpreendido adquirindo
“gazua” o fato é atípico. Também não comete receptação, porque se trata de produto de contravenção
penal e o objeto material da receptação é produto de crime.
A contravenção do art. 24 não se caracteriza para qualquer crime patrimonial, somente para crime
de furto. Assim, o objeto material deve ter destinação própria para prática de furto. Deve-se atentar para o
termo “usualmente”, sendo necessário o exame pericial para a sua caracterização.
Art. 25. Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou
roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio
ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados
usualmente na prática de crime de furto, desde que não prove destinação
legítima: Pena – prisão simples, de dois meses a um ano, e multa de duzentos mil
réis a dois contos de réis.
Conduta: ter em seu poder (possuir).
Objeto material é chave falsa ou instrumento usualmente utilizado na prática de furto.
Sujeito ativo é o condenado definitivo por furto ou roubo, o vadio ou, ainda, o mendigo. Se o
sujeito usa a chave falsa para furtar alguma coisa, a contravenção penal configura ato preparatório
para o furto qualificado, sendo, a contravenção absorvida.
A doutrina e a jurisprudência entendem que o dispositivo não foi recepcionado pela CF/88 quanto
ao vadio ou mendigo, por criar uma presunção de periculosidade não mais admitida por nosso
sistema constitucional. Trata-se de um resquício do direito penal do autor, o que não é tolerado
pelo direito brasileiro.
O art. 25 da Lei de Contravenções Penais não foi recepcionado pela CF/88 por
violar os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da isonomia.
Art. 25. Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou
roubo,
155
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio ou
mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados
usualmente na prática de crime de furto, desde que não prove destinação
legítima: Pena — prisão simples, de dois meses a um ano, e multa de duzentos mil
réis a dois contos de réis. STF. Plenário. RE 583523/RS e RE 755565/RS, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgados em 3/10/2013 (Info 722).
Art. 26. Abrir alguém, no exercício de profissão de serralheiro ou oficio análogo, a
pedido ou por incumbência de pessoa de cuja legitimidade não se tenha
certificado previamente, fechadura ou qualquer outro aparelho destinado à
defesa de lugar nu objeto:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis
a um conto de réis.
5.3 Contravenções Referentes à Incolumidade Pública
Art. 28. Disparar arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, em via
pública ou em direção a ela:
Pena – prisão simples, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a três
contos de réis.
Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a dois meses,
ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, quem, em lugar habitado ou
em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, sem licença da
autoridade, causa deflagração perigosa, queima fogo de artifício ou solta balão
aceso.
QUEIMAR FOGOS DE ARTIFÍCIO – é a única conduta do art. 28 que mantém vigência. Há
contravenção quando não há licença da autoridade, conforme a potencialidade lesiva dos fogos de artifício.
Os fogos que possuem queima livre não precisam de autorização.
DISPARO DE ARMA DE FOGO - revogada, configura o crime do art. 15 do Estatuto do Desarmamento.
CAUSAR DEFLAGRAÇÃO PERIGOSA – revogada pelo art. 251, §1º do Código Penal e art. 16,
parágrafo único, inc. III da L.10826/2003.
SOLTAR BALÃO ACESO - revogada. Trata-se de crime ambiental (art. 42, Lei 9605/98). Nas palavras
do professor Gabriel Habbib:
O art. 28, parágrafo único, da Lei de Contravenções Penais, foi derrogado pelo
presente tipo penal [art. 42, Lei 9065/98] no tocante à soltar balão aceso, tendo
em vista que a lei de crimes ambientais é posterior e tipificou a mesma conduta.
156
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Art. 29. Provocar o desabamento de construção ou, por erro no projeto ou na
execução, dar-lhe causa:
Pena – multa, de um a dez contos de réis, se o fato não constitue crime contra a
incolumidade pública.
Segundo o art. 29, constitui contravenção a conduta de provocar o desabamento de construção ou,
por erro no projeto ou na execução, dar-lhe causa.
A pena é de multa, se o fato não constitui crime contra a incolumidade pública. Trata-se de um caso
de subsidiariedade expressa.
Veja, a conduta de provocar o desabamento da construção é dolosa. Se o desabamento coloca em
risco a vida, a integridade física ou mesmo o patrimônio de um número elevado de pessoas, sendo um caso
de perigo comum, haverá o crime do art. 256 do Código Penal, desde que cause o perigo comum.
Se o agente provoca intencionalmente o desabamento de uma construção alheia, sem causar
perigo comum, incorrerá em crime de dano. Se o imóvel for público, o crime é de dano qualificado, pois a
própria contravenção diz isso, por conta da subsidiariedade expressa.
Haverá a contravenção quando o indivíduo provoca o desabamento de construção própria e
dolosamente, sem causar perigo comum, ou quando provocar o desabamento de construção alheia, sem
causar perigo comum, mas com a autorização do dono.
A conduta de dar causa ao desabamento por erro no projeto ou na execução somente poderá ser
cometido pelo engenheiro, arquiteto, pedreiro, projetista, etc. No entanto, há aqui uma contravenção
culposa. Essa conduta também ficará absorvida quando houver resultado de perigo comum, pois cairá no
art. 256, parágrafo único, do CP.
O sujeito ativo, na modalidade dolosa, poderá ser qualquer pessoa. Na modalidade culposa, a
contravenção é própria, devendo ser engenheiro, arquiteto, pedreiro, projetista, etc. O sujeito passivo é a
coletividade
Art. 30. Omitir alguém a providência reclamada pelo Estado ruinoso de construção
que lhe pertence ou cuja conservação lhe incumbe:
Pena – multa, de um a cinco contos de réis.
Art. 31. Deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não
guardar com a devida cautela animal perigoso:
Pena – prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa, de cem mil réis a um
conto de réis.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
a)na via pública, abandona animal de tiro, carga ou corrida, ou o confia à pessoa
inexperiente;
b) excita ou irrita animal, expondo a perigo a segurança alheia;
c) conduz animal, na via pública, pondo em perigo a segurança alheia.
Art. 31, caput - Elemento subjetivo: culpa – omissão de cautela - negligência Parágrafo único –
punido a título de dolo
Para haver a contravenção, a omissão deve ser relativa a animal perigoso, capaz de causar danos a
alguém.
As contravenções do art. 31, caput e alínea “a” são contravenções de perigo abstrato, motivo pelo
qual dispensa a comprovação da situação de perigo. No tocante às alíneas “b” e “c”, as
contravenções são de perigo concreto, pois o tipo penal exige a exposição de perigo a segurança
alheia.
O sujeito ativo é qualquer pessoa que tenha o animal ou esteja na posse dele. O sujeito passivo é a
coletividade, mas secundariamente a vítima exposta a uma situação de perigo, provocada pelo
animal.
Art. 32. Dirigir, sem a devida habilitação, veículo na via pública, ou embarcação a
motor em aguas públicas:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
A Súmula 720 do STF prevê que o art. 309 do Código de Trânsito Brasileiro derrogou o art. 32 da Lei
das Contravenções Penais no tocante à direção sem habilitação em vias terrestres. Por essa razão, só
continua o dispositivo ter aplicação, no tocante à condução, em águas públicas, de embarcação motorizada,
sem a devida habilitação.
Súmula 720- o art. 309 do código de trânsito brasileiro, que reclama decorra do
fato perigo de dano, derrogou o art. 32 da lei das contravenções penais no
tocante à direção sem habilitação em vias terrestres.
Assim, se a conduta não gerar perigo de dano, é mera infração administrativa do CTB. Se gerar
perigo de dano, ocorre o crime do art. 309, CTB.
Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para
Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de
dano: Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
Art. 33. Dirigir aeronave sem estar devidamente licenciado:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, e multa, de duzentos mil réis a
dois contos de réis.
Art. 34. Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo
em perigo a segurança alheia:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de trezentos mil réis
a dois contos de réis.
O CTB não derrogou o art. 34, pois não esgotou toda e qualquer modalidade de direção perigosa,
elencando apenas aquelas mais gravosas, tais como:
Embriaguez ao volante (art. 306)
Racha (art. 308)
Dirigir sem habilitação (art. 309)
Excesso de velocidade ou velocidade incompatível (art. 311)
Assim, a jurisprudência entende que o art. 34 da Lei de Contravenções Penais (LCP) continua em
vigor quanto à direção perigosa de veículo automotor em relação às modalidades não previstas no CTB (ex.:
cavalo de pau; freadas bruscas; trafegar na contramão; ultrapassar pela direita etc. - STF HC 86276/MG).
Apesar das divergências, prevalece que a contravenção é de perigo abstrato.
Obs.: “vias públicas” - São as vias de acesso ao público (ruas, estradas, etc.). Estacionamento de
supermercado ou de shopping, segundo a jurisprudência MAJORITÁRIA, não caracteriza via pública.
Obs.: A lei não exige que o veículo seja motorizado, motivo pelo qual abrange carroças, charretes,
bicicletas, etc. Também se aplica o dispositivo quanto à Direção Perigosa de embarcação em águas
públicas.
Art. 35. Entregar-se na prática da aviação, a acrobacias ou a vôos baixos, fora da
zona em que a lei o permite, ou fazer descer a aeronave fora dos lugares
destinados a esse fim:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil
réis a cinco contos de réis.
Art. 36. Deixar do colocar na via pública, sinal ou obstáculo, determinado em lei
ou pela autoridade e destinado a evitar perigo a transeuntes:
Pena – prisão simples, de dez dias a dois meses, ou multa, de duzentos mil réis a
dois contos de réis.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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a) apaga sinal luminoso, destrói ou remove sinal de outra natureza ou obstáculo
destinado a evitar perigo a transeuntes;
b) remove qualquer outro sinal de serviço público.
Art. 37. Arremessar ou derramar em via pública, ou em lugar de uso comum, ou
do uso alheio, coisa que possa ofender, sujar ou molestar alguem:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que, sem as devidas cautelas,
coloca ou deixa suspensa coisa que, caindo em via pública ou em lugar de uso
comum ou de uso alheio, possa ofender, sujar ou molestar alguem.
Art. 38. Provocar, abusivamente, emissão de fumaça, vapor ou gás, que possa
ofender ou molestar alguém:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
5.4 Contravenções Referentes à Paz Pública
Art. 39. Participar de associação de mais de cinco pessoas, que se reunam
periodicamente, sob compromisso de ocultar à autoridade a existência, objetivo,
organização ou administração da associação:
Pena – prisão simples, de um a seis meses, ou multa, de trezentos mil réis a três
contos de réis.
§ 1º Na mesma pena incorre o proprietário ou ocupante de prédio que o cede, no
todo ou em parte, para reunião de associação que saiba ser de carater secreto.
§ 2º O juiz pode, tendo em vista as circunstâncias, deixar de aplicar a pena,
quando lícito o objeto da associação.
O art. 5º, XVII, da CF diz que é plena a liberdade de associação para fins lícitos, desde que não tenha
caráter paramilitar. É livre ainda o direito de reunião e de associação. Victor Rios Gonçalves e José Baltazar
dizem que esse direito não tem caráter absoluto, motivo pelo qual as autoridades têm o direito de
conhecer a existência da associação e de saber qual é a finalidade, bem como saber quem são os
administradores.
Perceba que se trata de uma contravenção de caráter habitual. Isso porque somente se consumará
com a reiteração dos atos, que se dá pelas reuniões.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Art. 40. Provocar tumulto ou portar-se de modo inconveniente ou desrespeitoso,
em solenidade ou ato oficial, em assembléia ou espetáculo público, se o fato não
constitue infração penal mais grave;
Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis
a dois contos de réis.
Art. 41. Provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar
qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto:
Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis
a dois contos de réis.
Trata-se de contravenção denominada pela doutrina de “falsa alarma”. Ex.: sujeito liga para o dono
da loja e informa que existem ladrões no seu interior, quando sabe que o perigo não existe, haverá esta
contravenção. Todavia, se o sujeito ligar para a polícia para dizer que está tendo um assalto na loja, não
cometerá essa contravenção, mas sim a comunicação falsa de crime.
A contravenção também irá se consumar quando o agente provoca ação da autoridade pública,
mediante comunicação de desastre que não existe. Ex.: telefonar para os bombeiros para dizer que está
tendo um incêndio, mas não tem incêndio algum, haverá a contravenção.
Qualquer pessoa poderá praticar. O sujeito passivo é a coletividade.
Art. 42. Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios:
I – com gritaria ou algazarra;
II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições
legais;
III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que
tem a guarda:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis
a dois contos de réis.
Segundo o art. 42, constitui contravenção a conduta perturbar alguém o trabalho ou o sossegoalheios:
Com gritaria ou algazarra;
Exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;
Abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
Provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda.
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ATENÇÃO – Se ocorrer poluição sonora em níveis prejudiciais à saúde humana, haverá crime
ambiental. Nesse sentido, o STJ HC 54536/MS. (6-6-2006) – potencialidade de causar danos à saúde.
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Há aqui uma contravenção penal de ação vinculada, pois o tipo penal especifica as suas formas de
execução. Ex.: pratica o art. 42, I, o sujeito que sai às 2:00 AM para bater panela na rua.
Elemento subjetivo: dolo de perturbar o trabalho ou sossego alheio.
Sujeito ativo é qualquer pessoa. Sujeito passivo é a coletividade. Perceba que não basta que apenas
uma pessoa se sinta atingida, devendo ser um número considerável de pessoas incomodadas, a fim de
restar configurada a contravenção penal.
Nesse sentido o STF no HC 85032/RJ decidiu que, por se tratar de uma
Contravenção Penal relativa à paz social, a perturbação deve alcançar um numero
considerável de pessoas
Obs.: É necessário que o juiz, promotor ou delegado se valha do critério do homem-médio, pois existem
pessoas demasiadamente sensíveis ao incômodo. Devem ser considerados outros aspectos, tais como
costumes, cultura e outras peculiaridades.
5.5 Contravenções Referentes à Fé Pública
Art. 43. Recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
O sujeito é obrigado a aceitar dinheiro e moeda. Essa contravenção se configura quando o
indivíduo oferece uma moeda para pagamento e o destinatário se recusa a receber, ou então só recebe se
for por um valor menor.
Essa contravenção não estará configurada se há motivação legítima. Ex.: deixar de receber nota
com mancha de tinta, ou notas rasgadas. Também não há essa contravenção quando a recusa se dá por
moeda estrangeira ou moeda brasileira que deixou de circular validamente no território nacional.
Art. 44. Usar, como propaganda, de impresso ou objeto que pessoa inexperiente
ou rústica possa confundir com moeda:
Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis.
Art. 45. Fingir-se funcionário público:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena – prisão simples, de um a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a três
contos de réis.
A contravenção é subsidiária, pois a finalidade do agente é somente satisfazer a própria
vaidade. Assim, se a intenção do agente é obter vantagem indevida, ou causar prejuízo a outra pessoa,
haverá o crime de falsa identidade (art. 307) ou, se o particular praticar ato privativo de funcionário
público, responde pelo crime de usurpação de função pública. (art. 328).
Ex.: indivíduo é parado pela polícia por excesso de velocidade. O indivíduo diz que é promotor de
justiça e tem uma audiência em 10 minutos. Fingiu ser funcionário público, pois queria obter vantagem
indevida diante da não lavratura da multa. Neste caso, o crime é de falsa identidade e não haverá a
contravenção. Se o agente vai além, e começa a realizar atos próprios do funcionário público, e de forma
habitual, haverá o crime de usurpação de função pública (art. 328).
O sujeito ativo é qualquer pessoa e o sujeito passivo é o Estado.
Para parte da doutrina, o funcionário público pode ser sujeito ativo da contravenção penal quando
finge ocupar uma função diversa da que ocupa. No entanto, outra parcela da doutrina não concorda,
afirmando que caracteriza apenas uma infração administrativa.
Art 46. Usar, publicamente, de uniforme, ou distintivo de função pública que não
exerce; usar, indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação cujo emprêgo
seja regulado por lei.
Pena – multa, de duzentos a dois mil cruzeiros, se o fato não constitui infração
penal mais grave.
5.6 Contravenções Referentes à Organização Do Trabalho
Art. 47. Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem
preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil
réis a cinco contos de réis.
A Constituição Federal, no art. 5º., diz que é livre o exercício da profissão, desde que atendidas as
condições exigidas em lei. Assim, se não houver lei regulamentando a atividade econômica, o fato será
atípico.
Trata-se de norma penal em branco, pois é preciso saber quais as exigências que a lei traz para o
exercício da profissão. Ressalta-se que essa norma penal abrange o profissional suspenso ou impedido de
exercer a profissão por determinação de sua entidade. Veja como fica a tipificação:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Se o agente exercer atividade da qual está impedido por decisão administrativa, responde pelo
crime do art. 205, CP.
Art. 205 - Exercer atividade, de que está impedido por decisão administrativa:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
Se exercer atividade ou profissão da qual está suspenso ou privado por decisão judicial pratica o
crime do art. 359, CP.
Art. 359 - Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi
suspenso ou privado por decisão judicial:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, ou multa.
• Exercício ilegal de profissão de médico, dentista ou farmacêutico (art. 282, CP).
Art. 282 - Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também
multa.
A contravenção é de perigo, mas, para sua consumação, é necessária habitualidade, motivo pelo
qual é necessária a reiteração da prática contravencional. Ademais, haverá contravenção mesmo que não
haja finalidade de lucro ou prejuízo a terceiros.
Obs.: guardador de automóveis/flanelinha
De acordo com o STJ:
Segundo a melhor doutrina, o art. 47 do Decreto-Lei n.º 3.688/41 busca garantir
sejam determinadas profissões exercidas por profissionais habilitados, coibindo,
desse modo, o abuso e a dissimulação em desfavor daqueles que acreditam estar
diante de profissionais aptos.
Assim, a simples ausência de inscrição no órgão competente, em casos como o
presente, em que não se exige do profissional conhecimento especial ou
habilitação específica, não tipifica o delito, inexistindo justificativa para a
intervenção do Direito Penal. (HC 190.186/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 14/06/2013)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
I – A profissão de guardador e lavador autônomo de veículos automotores está
regulamentada pela Lei 6.242/1975, que determina, em seu art. 1º, que o seu
exercício “depende de registro na Delegacia Regional do Trabalho competente”.
II – Entretanto, a não observância dessa disposição legal pelos pacientes não
gerou lesão relevante ao bem jurídico tutelado pela norma, bem como não
revelou elevado grau de reprovabilidade, razão pela qual é aplicável, à hipótese
dos autos, o princípio da insignificância.
III - A aplicação do princípio da insignificância deve observar alguns vetores
objetivos: (i) conduta minimamente ofensiva do agente; (ii) ausência de risco
social da ação; (iii) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e (iv)
inexpressividade da lesão jurídica.
IV – Critérios que se fazem presentes na espécie, levando ao reconhecimento do
denominado crime de bagatela.
V - Como é cediço, o Direito Penal deve ocupar-se apenas de lesões relevantes aos
bens jurídicos que lhe são caros, devendo atuar sempre como última medida na
prevenção e repressão de delitos, ou seja, de forma subsidiária a outros
instrumentos repressivos. In casu, a questão pode ser facilmente resolvida na
esfera administrativa. VI –Ordem concedida, para restabelecer a decisão que
rejeitou a denúncia.
(HC 115046, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado
em 19/03/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-160 DIVULG 15-08-2013 PUBLIC 16-
08-2013).
Art. 48. Exercer, sem observância das prescrições legais, comércio de
antiguidades, de obras de arte, ou de manuscritos e livros antigos ou raros:
Pena – prisão simples de um a seis meses, ou multa, de um a dez contos de réis.
Art. 49. Infringir determinação legal relativa à matrícula ou à escrituração de
indústria, de comércio, ou de outra atividade:
Pena – multa, de duzentos mil réis a cinco contos de réis.
5.7 Contravenções Referentes à Polícia de Costumes
Art. 50. Estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessivel ao
público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Pena – prisão simples, de três meses a um ano, e multa, de dois a quinze contos
de réis, estendendo-se os efeitos da condenação à perda dos moveis e objetos de
decoração do local.
§ 1º A pena é aumentada de um terço, se existe entre os empregados ou participa
do jogo pessoa menor de dezoito anos.
§ 2o Incorre na pena de multa, de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 200.000,00
(duzentos mil reais), quem é encontrado a participar do jogo, ainda que pela
internet ou por qualquer outro meio de comunicação, como ponteiro ou
apostador. (Redação dada pela Lei nº 13.155, de 2015)
§ 3º Consideram-se, jogos de azar:
a) o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da
sorte;
b) as apostas sobre corrida de cavalos fora de hipódromo ou de local onde sejam
autorizadas;
c) as apostas sobre qualquer outra competição esportiva.
§ 4º Equiparam-se, para os efeitos penais, a lugar acessivel ao público:
a) a casa particular em que se realizam jogos de azar, quando deles habitualmente
participam pessoas que não sejam da família de quem a ocupa;
b) o hotel ou casa de habitação coletiva, a cujos hóspedes e moradores se
proporciona jogo de azar;
c) a sede ou dependência de sociedade ou associação, em que se realiza jogo de
azar;
d) o estabelecimento destinado à exploração de jogo de azar, ainda que se
dissimule esse destino.
Segundo o art. 50, constitui contravenção a conduta de estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar
público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele.
Núcleos: estabelecer (organizar, instituir), explorar (auferir lucro com os jogos de azar, fora da
condição de apostador).
Consideram-se jogos de azar:
O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte;
As apostas sobre corrida de cavalos fora de hipódromo ou fora de local onde sejam
autorizadas;
As apostas sobre qualquer outra competição esportiva.
Equiparam-se, para os efeitos penais, a lugar acessível ao público:
A casa particular em que se realizam jogos de azar, quando deles habitualmente participam
pessoas que não sejam da família de quem a ocupa;
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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O hotel ou casa de habitação coletiva, a cujos hóspedes e moradores se proporciona jogo
de azar
A sede ou dependência de sociedade ou associação, em que se realiza jogo de azar;
O estabelecimento destinado à exploração de jogo de azar, ainda que se dissimule esse
destino.
A lei pune o dono do local e o responsável pelo negócio, inclusive, na hipótese de cassino clandestino.
Será partícipe, o funcionário que colabora com a efetivação do negócio no estabelecimento.
No que toca às casas particulares, o entendimento que se firmou foi no sentido de que só existe a
contravenção penal quando o proprietário admite aleatoriamente pessoas para participar dos jogos que ali
acontecem, desde que seja de modo habitual. Todavia, se os jogos acontecem com amigos e familiares,
fazendo apostas, não haverá contravenção.
Obs.: A exploração por meio de máquinas caça-níquel ou de videopôquer poderá configurar a
contravenção. Em regra, essas máquinas são adulteradas para limitar a possibilidade de ganho do
apostador. Neste caso, as vítimas são indeterminadas, motivo pelo qual estará configurado um crime
contra a economia popular (art. 2º, IX, da Lei 1.521/51).
IX - obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número
indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos
("bola de neve", "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros equivalentes);
Obs.: Os jogos que dependam mais da habilidade do jogador, mais do que a sorte, não se incluem entre os
chamados jogos de azar. Ex.: sinuca, truco, pôquer, etc. Ademais, só haverá a contravenção se o jogo de
azar foi praticado mediante aposta. Ou seja, se se permite o jogo de azar sem aposta, não haverá qualquer
contravenção.
Pergunta-se: Aposta online de jogo de pôquer, se o provedor estiver fora do território nacional será
punível no Brasil?
R.: Não será punível, pois inexiste extraterritorialidade de contravenção penal. O comando foi feito
no Brasil, porém a aposta foi feita no exterior. O resultado também ocorrerá no exterior. Dessa forma, não
será punível a contravenção.
* Leitura dos artigos abaixo.
Art. 51. Promover ou fazer extrair loteria, sem autorização legal:
Pena – prisão simples, de seis meses a dois anos, e multa, de cinco a dez contos
de réis, estendendo-se os efeitos da condenação à perda dos moveis existentes
no local.
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
§ 1º Incorre na mesma pena quem guarda, vende ou expõe à venda, tem sob sua
guarda para o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na circulação bilhete de
loteria não autorizada.
§ 2º Considera-se loteria toda operação que, mediante a distribuição de bilhete,
listas, cupões, vales, sinais, símbolos ou meios análogos, faz depender de sorteio a
obtenção de prêmio em dinheiro ou bens de outra natureza.
§ 3º Não se compreendem na definição do parágrafo anterior os sorteios
autorizados na legislação especial.
Art. 52. Introduzir, no país, para o fim de comércio, bilhete de loteria, rifa ou
tômbola estrangeiras:
Pena – prisão simples, de quatro meses a um ano, e multa, de um a cinco contos
de réis.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende, expõe à venda, tem sob
sua guarda. para o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na circulação,
bilhete de loteria estrangeira.
Art. 53. Introduzir, para o fim de comércio, bilhete de loteria estadual em território
onde não possa legalmente circular:
Pena – prisão simples, de dois a seis meses, e multa, de um a três contos de réis.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende, expõe à venda, tem sob sua
guarda, para o fim de venda, introduz ou tonta introduzir na circulação, bilhete de
loteria estadual, em território onde não possa legalmente circular.
Art. 54. Exibir ou ter sob sua guarda lista de sorteio de loteria estrangeira:
Pena – prisão simples, de um a três meses, e multa, de duzentos mil réis a um
conto de réis.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem exibe ou tem sob sua guarda lista
de sorteio de loteria estadual, em território onde esta não possa legalmente
circular.
Art. 55. Imprimir ou executar qualquer serviço de feitura de bilhetes, lista de
sorteio, avisos ou cartazes relativos a loteria, em lugar onde ela não possa
legalmente circular:
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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Pena – prisão simples, de um a seis meses, e multa, de duzentos mil réis a dois
contos de réis.
Art. 56. Distribuir ou transportar cartazes, listas de sorteio ou avisos de loteria,
onde ela não possa legalmente circular:
Pena – prisão simples, de um a três meses, e multa, de cem a quinhentos mil
réis.
Art. 57. Divulgar, por meio de jornal ou outro impresso, de rádio, cinema, ou
qualquer outra forma, ainda que disfarçadamente, anúncio, aviso ou resultado de
extração de loteria, onde a circulaçãodos seus bilhetes não seria legal:
Pena – multa, de um a dez contos de réis.
Art. 58. Explorar ou realizar a loteria denominada jogo do bicho, ou praticar
qualquer ato relativo à sua realização ou exploração:
Pena – prisão simples, de quatro meses a um ano, e multa, de dois a vinte contos
de réis.
Parágrafo único. Incorre na pena de multa, de duzentos mil réis a dois contos de
réis, aquele que participa da loteria, visando a obtenção de prêmio, para si ou
para terceiro.
O Jogo do bicho, previsto no art. 58 da Lei de contravenções penais, foi revogado pelo decreto lei
6259/44 que passou a regulamentar o tema.
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. PENAL. APREENSÃO DE MÁQUINAS DE
JOGOS ELETRÔNICOS (MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL). ORIGEM ESTRANGEIRA NÃO
DEMONSTRADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Para que se vislumbre
a suposta prática do crime de descaminho é necessário que haja indícios acerca
da origem estrangeira das mercadorias, já que a adequação típica se perfaz
justamente quando o agente introduz no mercado interno produto sem o devido
recolhimento, no todo ou em parte, do respectivo tributo.
2. Não sendo possível atestar a procedência estrangeira das máquinas eletrônicas
apreendidas, ressaltando que o laudo de exame pericial sequer indicou o
fabricante ou fornecedor do produto, permanece a competência da Justiça
Estadual para
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
processar e julgar o feito. (CC 117.352/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2011, DJe 07/12/2011)
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é assente em afirmar que a
exploração e funcionamento das máquinas de jogos eletrônicos, caça-níqueis,
bingos e similares é de natureza ilícita, revelando prática contravencional descrita
no art. 50 da Lei de Contravenções Penais. (RMS 21.422/PR, Rel. Min. Luiz Fux,
Primeira Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 18.2.2009.). Precedentes. Súmula
83/STJ.
4. Ademais, ficou decidido por esta Corte que a Lei Complementar n.116/2003
não legitima a prática de jogos de azar, como os denominados caça-níqueis,
deixando de prever, expressamente, que se enquadram no conceito de diversões
eletrônicas; e que também não revogou a norma contida no art. 50 do Decreto-
Lei n. 3.688/1941 (Lei de Contravenções Penais). Sobretudo, em razão da
realização de jogos de azar, sem amparo legal, vulnerar a ordem pública, a
economia popular e o direito dos consumidores (além de infringir a legislação
penal, notadamente os arts. 50 e 51 da Lei de Contravenções Penais).
(Precedente: REsp 813.222/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma,
julgado em 8.9.2009, DJe 4.5.2011.) 5. Dessa forma, impossível prestar suporte à
ação interposta pela recorrente visando que lhe fosse garantido o regular
exercício do direito de explorar as atividades de bingo, sob o fundamento de que
é lícita a exploração da atividade.
Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 98.031/SP, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2013, DJe
25/02/2013)
Atente-se ao entendimento do STJ sumulado:
Súmula 51-STJ: A punição do intermediador, no jogo do bicho, independe da
identificação do "apostador" ou do "banqueiro".
Art. 59. Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o
trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou
prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses.
Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado
meios bastantes de subsistência, extingue a pena.
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Atenção.: O art. 61 previa a contravenção de importunação ofensiva ao pudor, que foi revogada
em 2018!
Art. 61. Importunar alguem, em lugar público ou acessivel ao público, de modo ofensivo ao
pudor: (Revogado pela Lei nº 13.718, de 2018) . Pena – multa, de duzentos mil réis a dois contos
de réis. (Revogado pela Lei nº 13.718, de 2018)
NÚCLEO DURO
TURMA 5
SEMANA 14/16
Arts. 60 e 61 – REVOGADOS
Por tratar-se de uma contravenção que recai sobre o ser do indivíduo, tomando-se em conta o que
ele se tornou para a sociedade e não o que ele fez a ela, a mendicância deixou de ser punida pelo nosso
ordenamento jurídico, visando preservar a dignidade da pessoa humana (art. 60, da LCP revogado
pela Lei 11.983 /09). Apesar de se encontrar no mesmo sentido, a vadiagem ainda é punida em nosso
ordenamento jurídico (art. 59 , LCP), desrespeitando, mais uma vez, a dignidade da pessoa humana.
Entregar-se à ociosidade: conduta omissiva - sendo apto para o trabalho, o sujeito não o faz porque
não quer.
Prover a própria subsistência mediante ocupação ilícita: conduta comissiva daqueles que optam por
exercer atividades profissionais ilícitas.
Ex.: cambistas.
Fundamento: a cautela com a ociosidade, presumindo-se que quem não pode prover a
subsistência, seguirá na direção da prática de crimes contra o patrimônio.
Art. 62. Apresentar-se publicamente em estado de embriaguez, de modo que cause
escândalo ou ponha em perigo a segurança própria ou alheia:
Pena – prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis
a dois contos de réis.
Parágrafo único. Se habitual a embriaguez, o contraventor é internado em casa de
custódia e tratamento.
Segundo o art. 62, constitui contravenção a conduta de apresentar-se publicamente em estado de
embriaguez, de modo que cause escândalo ou ponha em perigo a segurança própria ou alheia.
Perceba que se trata de contravenção de perigo, a qual deverá ser demonstrada no caso concreto.
Sujeito ativo é qualquer pessoa.
O parágrafo único diz que, se habitual a embriaguez, o contraventor é internado em casa de
custódia e tratamento. O sujeito passivo é a coletividade.
Art. 63. Servir bebidas alcoólicas:
I – a menor de dezoito anos; (Revogado pela Lei nº 13.106, de 2015)
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NÚCLEO DURO
TURMA 5
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II – a quem se acha em estado de embriaguez;
III – a pessoa que o agente sabe sofrer das faculdades mentais;
IV – a pessoa que o agente sabe estar judicialmente proibida de frequentar
lugares onde se consome bebida de tal natureza:
Pena – prisão simples, de dois meses a um ano, ou multa, de quinhentos mil réis a
cinco contos de réis.
Segundo o art. 63, constitui contravenção a conduta de servir bebidas alcoólicas:
A quem se acha em estado de embriaguez;
À pessoa que o agente sabe sofrer das faculdades mentais;
À pessoa que o agente sabe estar judicialmente proibida de frequentar lugares onde se consome
bebida de tal natureza.
Caso o fornecimento de bebidas alcoólicas se dê à pessoas menores de 18 anos, por conta da
alteração dada pela Lei 13.106/2015, houve a alteração do ECA para acrescentar ao art. 243 a venda de
bebidas alcoólicas a menores de idade, passando a ser considerado crime (e não mais contravenção penal):
Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente,
de qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa
causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou
psíquica: (Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui
crime mais grave. (Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)
Art. 64. Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo:
Pena – prisão simples, de dez dias a um mês, ou multa, de cem a quinhentos mil
réis.
§ 1º Na mesma pena incorre aquele que, embora para fins didáticos ou científicos,
realiza em lugar público ou exposto ao publico, experiência dolorosa ou cruel em
animal vivo.
§ 2º Aplica-se a pena com aumento de metade, se o animal é submetido a
trabalho excessivo ou tratado com crueldade, em exibição ou espetáculo público.
Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por
motivo