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Texto 5- A PESSOA HUMANA COMO SER RELACIONAL
É um fato antropológico incontestável que cada indivíduo só pode se
humanizar em uma porção da Humanidade, quer dizer, beneficiando-se de matrizes
culturas que a sua comunidade de origem lhe concede.
Cada pessoa vive o pertencimento geral à Humanidade e lhe pertence em
virtude de uma natureza geral comum. Cada pessoa só consegue desenvolver sua
própria humanidade por meio da mediação de seus semelhantes. “Essa não
autossuficiência essencial do ser humano que o constitui como um ser naturalmente
sociável”1.
As principais comunidades nas quais o ser humano está inserido são: família ,
amigos, religiosa, estado, humanidade.
As relações que os indivíduos estabelecem entre si foi discutida por Stein na
obra Psicologia e Ciências do Espírito. Ela distingue três tipos de associações
humanas e o tipo de relação que ocorre em cada uma delas: a massa, a sociedade e a
comunidade.
Na massa os indivíduos comportam-se da mesma maneira, e não existe uma
unidade entre eles, nem uma vida comum; o que prevalece na massa é o contágio
psíquico, em que as pessoas vão sendo tomadas por seus impulsos, de modo coletivo,
sem uma reflexão. Não existe, portanto, vida espiritual na massa, só vida psíquica.
Por isso, a massa precisa de um guia externo a ela. Não há motivação interna nem
tomada de posição consciente.
Na sociedade, os indivíduos que a compõem são ligados por um objetivo.
Realiza-se uma união pessoal espiritual. Os membros exercem um papel dentro da
sociedade, mas existe apenas um caráter objetivo, no qual cada um é objeto em
relação ao outro. Na sociedade falta a relação pessoal própria da comunidade. A
sociedade pode acontecer em um partido político, em uma empresa etc.
Bello2 afirma que a comunidade possui uma natureza orgânica. Sua gênese
está no estabelecimento de uma relação de troca entre pessoas, que diz respeito à
2 STEIN, E. [1922]. Psicologia e scienze dello spirito: contributi per uma fundazione filosófica. 2. ed.
Tradução de A. M. Pezzella. Roma: Cità Nuova, 1999b. Prefácio.
1 RUS, E. Pessoa e Comunidade segundo Edith Stein: uma experiência de comunhão.In:
MAHFOUD. Miguel, SAVIAN, Juvenal(orgs.) .Diálogos com Edith Stein: Filosofia, Psicologia,
Educação. São Paulo: Paulus, 2017.
comunicação, às ações e aos sentimentos recíprocos. Reconhece-se, além disso, que
as personalidades mais influentes podem imprimir um caráter típico em um grupo.
Comparando a comunidade e a sociedade, Stein afirma que nessa última falta uma
história, uma tradição.
As características essenciais da comunidade envolvem cada um de seus
membros, de modo que podemos nos referir à comunidade como entidade que possui
uma personalidade. Ela tem também alma e espírito.
O ser humano é chamado ao desenvolvimento da sua singularidade em
comunidade. Visões individualistas ou massificantes são reducionistas da realidade e
não dão conta da complexidade humana. Algumas observações sobre a vida
comunitária são importantes:
A PESSOA É FORMADA PELA COMUNIDADE. De fato, por meio das
experiências comunitárias, elabora-se um tipo próprio, isto é, um caráter específico de
uma comunidade, em virtude o qual os seus membros se reconhecem e se
compreendem. Esse tipo próprio colore o caráter individual da pessoa, imprimindo-lhe
uma marca particular.
CADA PESSOA SE BENEFICIA DAS EXPERIÊNCIAS COMUNITÁRIAS
QUE PROMOVEM O DESENVOLVIMENTO DA NOTA PRÓPRIA DO
INDIVÍDUO.
Ex: um artista dotado de uma energia criativa, mas que permanece improdutivo
até entrar em relação com um círculo de artistas. A sua energia própria se desenvolve
quando entra em contato com a forte vitalidade criativa que anima a comunidade
artística à qual se afilia.
CADA PESSOA ALIMENTA A COMUNIDADE EM QUE ESTÁ INSERIDA.
Cada pessoa deve questionar-se como pode enriquecer de modo fecundo a
comunidade a qual pertence. Pois aquele que se fecha em si mesmo, não faz com
que a sua vida interior volte-se para o exterior, não pode ser considerado um
membro da comunidade o acesso às fontes que podem infundir nela energias
capazes de movê-la.
Stein aleta para risco de na vida comunitária, o coletivo absorva o que a pessoa
tem e singular. A pessoa pode acomodar-se e viver de modo inautêntico.
Mesmo nos casos em que a pessoa participa da vida comunitária com toda a sua
alma, não deve ser totalmente absorvida pelo viver na e para a comunidade.
Cada pessoa tem um impulso para viver “a sua própria vida’, para realizar todas
as suas possibilidades, para atualizá-las, mesmo que elas não estiverem contidas
no tipo de comunidade a qual a pessoa pertence. Não podemos esquecer que
cada pessoa é um eu único.

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