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Propriedades físicas e biológicas do 
solo
Apresentação
O solo pode ser considerado o material inconsolidado que se origina a partir da rocha matriz que 
recobre a Terra. Para sua formação, são necessários centenas e até milhares de anos de atividade 
de intempérie do ambiente associada aos fatores biológicos.
Basicamente, o solo é constituído por partículas sólidas, ar, água, matéria orgânica e uma 
quantidade e diversidade significativa de organismos. Esse ambiente é responsável por suporte e 
fonte nutricional para as plantas. Além disso, alguns fatores físicos interferem diretamente na 
produtividade vegetal, tais como a água, o oxigênio, a resistência mecânica e a temperatura.
O solo pode ser considerado um ambiente muito heterogêneo em composição, distribuição e 
profundidade. Deve-se atentar ao fato de que cada espécie vegetal pode ter um comportamento 
distinto em cada solo, não só a espécie, mas também em relação ao estágio fenológico da cultura e 
zona climática.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as principais propriedades físicas dos solos, as 
características desejáveis de um solo ideal e as atividades biológicas do solo responsáveis pelas 
modificações físico-químicas.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever as principais propriedades físicas dos solos.•
Identificar as características de um solo fisicamente ideal.•
Explicar qual é o papel dos organismos presentes nos solos nas modificações físicas e químicas 
dos solos.
•
Desafio
O aumento significativo da densidade do solo pode ser o indício de que está ocorrendo 
compactação. Nessa situação, o solo apresenta redução da porosidade que seria preenchida por ar 
e água. Pode apresentar também maior resistência mecânica para o desenvolvimento radicular, 
menor infiltração ou percolação da água da chuva, consequentemente, aumento do escoamento 
superficial e início do processo de erosão hídrica do solo.
Na qualidade de profissional, imagine que você foi contratado para prestar uma consultoria.
Acompanhe o caso:
Diante do exposto, buscando auxiliar João, responda:
Por que isso está acontecendo com as plantas do agricultor e o que deve ser feito para melhorar 
essa questão?
Infográfico
A textura do solo se refere à proporção de diferentes partículas. Essa compreensão é fundamental 
para melhor manejá-lo. A determinação precisa de tal textura normalmente é realizada em 
laboratórios de análises de solo com a análise granulométrica. Porém, às vezes, o agricultor não 
necessita de tanta precisão e não dispõe de tempo suficiente para análises laboratoriais. Nesse 
caso, pode-se recorrer à análise pelo tato.
Veja o Infográfico a seguir para conhecer as etapas de análise da textura do solo por meio do tato.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/bedc6766-3b0f-478c-8569-f9865af47318/c441b45a-f144-48f4-a5e6-2c9cb21c0a70.png
Conteúdo do livro
O conhecimento dos atributos físicos e biológicos do solo interfere no manejo, sendo um processo 
vital para a sustentabilidade de campos agrícolas. Esse conhecimento é indispensável para o 
fornecimento adequado de nutrientes para as espécies cultivadas, além de possibilitar, por 
exemplo, o correto dimensionamento dos terraços para a minimização dos processos de 
degradação do solo.
No capítulo Propriedades físicas e biológicas do solo, da obra Morfologia e gênese do solo, base 
teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as principais propriedades físicas dos 
solos, as características físicas de um solo ideal e o papel dos organismos presentes no solo nas 
modificações físico-químicas.
Boa leitura.
MORFOLOGIA E 
GÊNESE DO SOLO 
Ricardo Marcelo Gonçalves
Propriedades físicas e 
biológicas do solo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Descrever as principais propriedades físicas dos solos.
 � Identificar as características de um solo fisicamente ideal.
 � Explicar qual é o papel dos organismos presentes nos solos nas mo-
dificações físicas e químicas dos solos.
Introdução
O solo é um dos principais fatores que interferem na produtividade 
agrícola. A expressão do potencial genético de uma espécie vegetal se 
dá em função das interações com as condições edafoclimáticas, ou seja, 
as condições do clima e do solo. A compreensão da composição do 
solo reflete diretamente na forma de melhor manejá-lo e de otimizar o 
desenvolvimento vegetal.
Neste capítulo, você estudará as propriedades físicas do solo, como 
a relação entre composição e comportamento das plantas cultivadas; 
o manejo para obtenção de maior produtividade; o método de avaliação 
da textura do solo; a determinação do momento correto para manejar 
o solo com maquinários; as diferenças entre os cultivos convencional e 
conservacionista com relação ao manejo do solo; e a influência dos or-
ganismos desde a formação dos solos até a disponibilidade de nutrientes 
para as plantas. O capítulo iniciará com as principais propriedades físicas 
do solo; na sequência, discutirá as características físicas de um solo ideal 
e finalizará com o tópico sobre os principais organismos do solo e as 
modificações e influências que exercem na constituição físico-química 
do solo.
1 Principais propriedades físicas do solo
A palavra “solo” se refere à camada superficial da Terra com material frouxo 
e distinto da rocha-matriz subterrânea. O solo é fruto das interações entre o 
material geológico-matriz, clima, topografia e atividade biológica por longo 
tempo, ou seja, resulta da interação de processos físico-químicos e biológicos. 
A composição do solo pode ser resumida em quatro componentes princi-
pais: material mineral inorgânico (~ 40%); porosidade do solo que pode ser 
preenchida por ar e água (~ 50%); matéria orgânica (~ 5%) e organismos e 
microrganismos (MADIGAN et al., 2016). 
As propriedades físicas do solo interferem diretamente no modo de manejá-
-lo. Assim, o sucesso de um projeto agronômico pode depender dessas pro-
priedades. A presença de determinadas espécies de plantas em uma região tem 
relação direta com as propriedades físicas do solo, como também influenciam 
na dinâmica da água e dos solutos ou nutrientes para as plantas (BRADY; 
WEIL, 2013). 
Definir as características físicas de cada horizonte do solo, como, por 
exemplo, cor e textura, possibilita classificar os perfis e analisar a aptidão 
para cultivo agrícola. Neste capítulo, você vai ver as seguintes propriedades 
físicas do solo: coloração, textura, classes texturais, estrutura, densidade, 
compactação e porosidade. 
O conhecimento das propriedades físicas textura e estrutura do solo é de 
suma importância para conferir a sustentabilidade desse ambiente frente às 
ações antrópicas de manejo. Ambas propriedades estão relacionadas com 
a capacidade de retenção e percolação de água, ou seja, de acordo com a 
composição de um solo, diferentes estratégias de manejo podem ser adotadas 
visando à minimização da degradação por erosão (BRADY; WEIL, 2013).
Coloração do solo
Característica mais evidente a ser analisada, apesar de ter pouco efeito so-
bre o uso e o comportamento dos solos. Sua análise fornece subsídios para 
a inferência de outras propriedades e condições. A correta classificação e 
interpretação dos solos depende da padronização das cores, como o uso da 
tabela de cores de Munsell, que você pode ver na Figura 1a. Os solos podem 
apresentar cores variadas, como vermelho, marrom, amarelo, branco, preto 
e verde (Figura 1b). As cores também podem variar ao longo da mesma área 
e em profundidade.
Propriedades físicas e biológicas do solo2
A tabela de Munsell é organizada com base em três fatores: 
 � Matriz: geralmente é vermelho ou amarelo em solos.
 � Valor: refere-se ao claro ou escuro, sendo o preto equivalente ao valor zero.
 � Croma: brilho ou intensidade,em que o cinza neutro se refere ao valor zero. 
As cores do solo são influenciadas por três fatores: 
 � quantidade de matéria orgânica (MO) presente; 
 � quantidade de água; 
 � presença e estado de oxidação de ferro (Fe) e manganês (Mn). 
A MO confere cor escura ao solo por recobrir as partículas minerais pe-
culiares (Figura 1c). Os solos também apresentam coloração mais escura 
quando úmidos (Figura 1d). A água é um fator que interfere indiretamente na 
coloração do solo, pois influi no teor de oxigênio no solo ou taxa de acúmulo 
de MO e no nível de oxidação do Fe e Mn. 
Solos com Fe oxidado apresentam coloração com tons vermelhos e marrons carac-
terísticos, típicos de locais elevados e com boa drenagem. Quando o Fe é reduzido, 
solos apresentam colorações acinzentadas e azuladas, típicas de solos com pouca 
drenagem. Quando em anaerobiose por tempo prolongado, o Fe reduzido é mais 
solúvel e é lixiviado, conferindo coloração cinza-claro típico dos minerais silicatados, 
solo denominado gleizado (BRADY; WEIL, 2013). 
3Propriedades físicas e biológicas do solo
Figura 1. Diferentes colorações de solo devido a diversos fatores. (a) Tabela de cores de 
Munsell (matriz 10YR da tabela). (b) Cores avermelhadas na topossequência ou catena de 
solos no Zimbábue se referem à melhor drenagem interna (em destaque são torrões do 
horizonte B de cada solo da catena). (c) Coloração mais escura devido ao acúmulo de húmus 
e cores cinzentas devido à depleção do húmus. (d) Presença de umidade na alteração da 
coloração do solo (lado direito foi pulverizado com água). 
Fonte: Brady e Weil (2013, pranchas 1-111).
(a) (b)
(c) (d)
Propriedades físicas e biológicas do solo4
Textura do solo
A textura do solo se refere às proporções das diferentes partículas que cons-
tituem o solo e é um ponto fundamental para a compreensão das melhores 
formas de manejá-lo. Ela é considerada uma propriedade permanente, pois 
não pode ser facilmente alterada. Devemos analisar a textura dos diferentes 
horizontes (BRADY; WEIL, 2013).
As partículas são classificadas de acordo com seu tamanho, podendo 
variar de boulderes ou > 1 m até argilaspodem ocorrer em qualquer parte do perfil, geralmente 
herdada do material de origem do solo.
Formação e estabilidade dos agregados do solo
A formação dos agregados do solo é influenciada por processos físico-químicos 
(responsáveis pelos agregados menores) e biológicos (agregados maiores). 
As argilas são responsáveis pela formação dos agregados físico-químicos, 
enquanto, em solos arenosos, a agregação é realizada por processos biológicos. 
Os processos físico-químicos mais importantes são a floculação e a ex-
pansão e contração das massas de argila. A floculação ocorre por ligações 
argila-argila, em que cátions situados ao redor atrairão as cargas negati-
vas das duas partículas, sendo um intermediador para que ocorra a união. 
Cátions polivalentes (por exemplo, Fe2+ e Ca2+) podem se unir às moléculas 
de MO e possibilitar a formação de agregados entre argila e com partículas 
de silte fino (Figura 4a). Em regiões áridas e semiáridas em que predominam 
cátions monovalentes (por exemplo, Na+), as partículas de argila não têm 
força suficiente para a formação dos agregados, tendo baixa permeabilidade 
de ar e água e tornando o solo inadequado para o cultivo de plantas (Figura 
4b) (BRADY; WEIL, 2013). 
9Propriedades físicas e biológicas do solo
Figura 4. Processo de floculação do solo: (a) participação de cátions divalentes na união de 
partículas de argila; (b) participação de íons monovalentes, podendo formar um processo 
de dispersão entre as partículas de argila.
Fonte: Brady e Weil (2013, p. 120).
A MO influencia na formação e estabilidade dos agregados e funciona como 
substrato para os processos biológicos, o que você vai ver mais adiante neste 
capítulo. A MO reveste minerais de silte e areia, sendo que esses polímeros 
orgânicos complexos interagem com partículas de argila silicatadas para 
formar agregados estáveis (BRADY; WEIL, 2013).
Os tratos culturais para plantio podem favorecer ou desfavorecer a formação 
dos agregados. Se o solo está na condição friável, pode haver quebra dos torrões 
em agregados naturais e favorecer o crescimento radicular e a emergência 
das plântulas. Porém, a intensificação e a alta frequência das operações pode 
acelerar a perda da MO dos horizontes superficiais, tornando os agregados 
mais fracos (BRADY; WEIL, 2013).
Propriedades físicas e biológicas do solo10
Solos sob chuvas pesadas ou irrigação podem ser suscetíveis ao encrosta-
mento, em que as gotas d’água desfazem os agregados e partículas de argila 
percolam o perfil do solo. A superfície do solo fica então coberta por uma 
camada sem estrutura definida, processo denominado de selamento super-
ficial, em que há menor infiltração de água e aumento de erosão (BRADY; 
WEIL, 2013). Visualize esse processo na Figura 5.
Figura 5. Observação do processo de encrostamento superficial do solo sob 
diferentes simulações de pluviosidade sobre argissolo vermelho-amarelo. 
As imagens de (a) a (d) correspondem a 0, 27, 54 e 80 mm, respectivamente. 
Fonte: Rosa (2013, documento on-line).
(a)
(b)
(c)
(d)
11Propriedades físicas e biológicas do solo
Densidade e compactação do solo
Densidade do solo é definida como a massa por unidade de volume de solo seco 
(partículas sólidas + espaços porosos), enquanto a densidade de partículas se 
refere à massa das partículas sólidas em um volume conhecido de partículas. 
A densidade do solo pode ser determinada com anel de amostragem ou anel de 
Kopeck, em que o solo é coletado, seco em estufa e pesado e, então, calcula-
-se a sua densidade com base no volume conhecido do anel de amostragem, 
como ilustra a Figura 6.
Figura 6. Amostragem de solo com uso do anel de Kopeck para determinação da den-
sidade do solo: (a) amostragem em um perfil de solo utilizando-se uma ferramenta que 
auxilia na penetração do anel no solo; (b) amostras de solo preparadas em laboratório 
para secagem em estufa. 
Fonte: Rodrigues (2015, documento on-line).
Solos com maior quantidade de espaços porosos são mais suscetíveis à 
compactação. Em outras palavras, qualquer fator que afete a quantidade de 
espaços porosos influenciará na densidade do solo. Solos com textura fina 
(por exemplo, franco-argiloso e franco-siltoso) normalmente apresentam 
menor densidade do que os arenosos. Isso se deve à formação dos agregados 
e à maior porosidade. A densidade do solo tende a aumentar nos perfis mais 
profundos, provavelmente, devido à menor concentração de MO, fatores 
biológicos e maior compactação (BRADY; WEIL, 2013). 
Propriedades físicas e biológicas do solo12
Aumentos na densidade do solo se refletem em ambiente mais adverso para o cultivo 
de plantas, redução da porosidade e interferência negativa na dinâmica da água no 
solo (BRADY; WEIL, 2013). 
O cultivo convencional do solo, com várias operações de revolvimento, 
pode causar aumento da densidade em longo prazo (reduz a MO e há degra-
dação estrutural do solo). Como medida de prevenção dessa adversidade, 
o agricultor pode implantar a adubação verde e rotações de culturas. O manejo 
mecanizado e com implementos pesados pode originar o pé de arado, ou seja, 
a compactação de camadas limítrofes em que os implementos penetram no solo. 
Nessas condições, o desenvolvimento radicular é comprometido (há aumento 
significativo da resistência à penetração, redução da dinâmica da água e de 
nutrientes e redução da porosidade) (BRADY; WEIL, 2013).
Espaço poroso dos solos
O cálculo da densidade pode ser utilizado para a determinação da porosidade. 
Em solos que apresentam a densidade de partículas iguais, quanto menor a 
densidade maior será o percentual de poros. A porosidade varia muito entre 
solos: os valores variam de 25 a 60% em camadas subsuperficiais compactadas 
e superficiais com alta agregação e MO, respectivamente. Os poros podem 
ser classificados da seguinte maneira:
 � Macrósporos: > 0,08 mm, possibilitam a livre circulação de ar e água. 
Em solo arenoso, por exemplo, prevalece este tipo.
 � Micrósporos:passíveis de serem manejadas, por meio, por exemplo, 
do processo de descompactação e agregação. Algumas propriedades físicas 
do solo necessitam de um longo período de tempo para correção, cabendo a 
você, agrônomo, detectar as deficiências e adotar as estratégias para melhoria. 
Os horizontes superficiais do solo precisam estar em boas condições físicas 
para o cultivo vegetal. São vários os fatores físicos que você deve levar em 
consideração para obter um solo desejável. Para que a planta expresse todo 
seu potencial genético, você deve se atentar, principalmente, para as seguintes 
propriedades físicas do solo: estrutura, capacidade de reter água, taxa de 
infiltração, densidade do solo, porosidade e drenagem. Tais condições são 
suscetíveis a mudanças bruscas. Por exemplo, sob condições de um solo com 
textura argilosa, o manejo do solo pode ser influenciado pelo teor de umidade 
presente, que pode chegar ao ponto de facilitar ou até de impossibilitar o 
manejo (BRADY; WEIL, 2013).
As camadas superficiais variam nas proporções de areia, silte e argila, 
motivo pelo qual podem influenciar no desenvolvimento vegetal. Alguns 
nutrientes minerais podem ser lixiviados para horizontes mais profundos por 
meio da água da chuva ou de irrigação e ficarem inacessíveis para as raízes. 
Os nutrientes são mais facilmente lixiviados de solos arenosos devido ao 
fato de as partículas serem grandes e apresentarem baixa retenção hídrica. 
Por outro lado, solos argilosos retêm mais água e íons minerais, que podem 
ser absorvidos pelas raízes (SADAVA et al., 2019). 
O solo com textura ideal denomina-se marga e apresenta a mistura ótima 
das partículas argila, silte e areia. Esse tipo de solo se caracteriza por apre-
sentar as proporções desejáveis de ar, água (relativos à porosidade do solo) 
e nutrientes disponíveis para as plantas (principalmente adsorvidos aos coloides 
do solo, como argila e MO). É comum esse solo estar presente nas camadas 
mais superficiais, ou seja, mais ser propício para o cultivo vegetal (SADAVA 
et al., 2019).
Devido à sua plasticidade e coesão, os solos argilosos são mais suscetíveis 
à compactação e ao encharcamento. Geralmente, após secagem, esses solos 
se tornam duros e densos. Um dos fatores determinantes para o manejo com 
maquinário do solo é o teor de umidade. Solos com textura argilosa são mais 
complexos do que os com textura arenosa e podem levar mais tempo para secar 
15Propriedades físicas e biológicas do solo
e atingir o ponto de friabilidade. A MO do solo influencia a friabilidade do 
solo; por exemplo, um solo argiloso enriquecido com MO (~ 4%) estará menos 
suscetível a danos estruturais do solo mesmo sob condições de saturação, 
como mostra a Figura 7. 
Figura 7. Relação entre nível de água e MO e sua influência na suscetibi-
lidade a danos estruturais em solo argiloso. Os extremos no gráfico são 
representados pelo manejo do solo quando ele se encontra em capaci-
dade de campo e baixos teores de MO (maior índice de suscetibilidade 
aos danos) e quando se encontra seco e com alto teor de MO (baixa 
suscetibilidade aos danos).
Fonte: Brady e Weil (2013, p. 123).
O solo se encontra em condições ideais para o manejo quando está friável. 
Para saber se ele está friável, você verifica, a partir do “método do tato”, se 
o solo não está muito pegajoso ou duro, de modo que os torrões possam ser 
desfeitos dos agregados com facilidade. Nessas condições, o solo pode ser 
manejado de modo que os torrões maiores sejam desfeitos, porém os agregados 
menores são mantidos devido à sua estabilidade. De acordo com a textura do 
solo, cada tipo de solo apresenta um conteúdo máximo de água permitido para 
atingir a friabilidade ideal (BRADY; WEIL, 2013).
Propriedades físicas e biológicas do solo16
Pela presença de óxidos e hidróxidos de alumínio e ferro, os solos argilosos 
de regiões tropicais úmidas são menos pegajosos e plásticos e mais fáceis de 
serem manejados do que os solos de regiões temperadas. Apesar de apresenta-
rem alta capacidade de retenção de água, esses solos apresentam características 
físicas favoráveis, pois, mesmo após uma chuva, possibilitam seu preparo para 
o cultivo por conta da estabilidade dos agregados (BRADY; WEIL, 2013).
No contexto dos melhores atributos físicos do solo, a agricultura conven-
cional de cultivo e preparo do solo — operações de revolvimento do solo com 
aiveca, gradagens —, estabelecida desde a Idade Média, está migrando para o 
cultivo conservacionista. No plantio convencional, apesar da incorporação dos 
restos culturais, do revolvimento do solo e do controle das plantas daninhas, 
o que frequentemente ocorria era a formação do pé de arado. No cultivo 
conservacionista, preconiza-se minimizar as operações de movimentação 
do solo e aumentar a quantidade de resíduos vegetais remanescentes sobre a 
superfície do solo (pelo menos 30% da área permanece coberta). No chamado 
plantio direto, praticamente uma cultura é semeada sob os restos culturais da 
antecessora. Os restos culturais minimizam os efeitos das erosões eólica e 
hídrica (BRADY; WEIL, 2013).
Pé de arado é a formação de solo compactado na região limítrofe, em que o aiveca 
ou os discos de gradagens penetram em profundidade.
O gesso (sulfato de cálcio) ou calcário pode ser aplicado ao solo (pH ácidos) 
para melhorar as propriedades físicas. O gesso possibilita a substituição do 
sódio pelo cálcio adsorvido nas partículas de argila e, com isso, pode promover 
maior floculação e redução da perda dos agregados, reduzindo o encrostamento 
superficial do solo. Outras melhorias são o aumento da infiltração da água do 
solo e, consequentemente, redução da erosão hídrica e redução da resistência 
de camadas mais profundas, facilitando a penetração e o desenvolvimento 
dos sistemas radiculares.
17Propriedades físicas e biológicas do solo
Os atributos físicos do solo podem ser divididos em dois grupos com 
relação à produção agrícola, acompanhe (LETEY, 1958):
 � Fatores que afetam diretamente a produtividade:
 ■ água;
 ■ oxigênio;
 ■ temperatura;
 ■ resistência mecânica.
 � Fatores que afetam indiretamente a produtividade:
 ■ textura;
 ■ estrutura;
 ■ densidade;
 ■ porosidade.
Letey (1958) faz o seguinte questionamento e discussão: quais são os valores 
ideais de cada fator direto para otimizar a produção? Não há uma resposta 
simples. A dificuldade de resposta pode estar no fato de que os parâmetros 
físicos variam muito de acordo com o tempo e a posição no perfil do solo. 
Por exemplo, a quantidade de água é constantemente alterada pela evapotranspi-
ração e precipitação, e diferentes tipos de solo apresentam quantidades distintas 
de água potencial. Os fatores devem ser analisados de modo integrado, e não 
independentemente, uma vez que, sob condições naturais, é quase impossível 
alterar um fator físico sem alterar os demais. Por exemplo, para o crescimento 
ideal de uma planta, a exigência pode ser de solo saturado em água, porém 
o teor de oxigênio pode ser limitante para o desenvolvimento radicular para 
a maioria das culturas nessa condição. É desejável o balanceamento entre as 
propriedades físicas do solo. 
As condições físicas do solo também são dependentes de muitas variáveis 
da própria planta — por exemplo, espécies de plantas respondem de modo 
diferente às propriedades físicas; há também o estágio fenológico de desen-
volvimento em que a planta se encontra e as condições climáticas. Segundo 
Letey (1958), o fator físico de controle dominante é a água. A densidade 
aparente e o tamanho dos poros afeta a relação entre a água e a aeração e 
resistência mecânica. Aumento de água reduz a aeração (indesejável), porém 
reduz a resistência mecânica (desejável). O aumento da densidade aparente e 
a redução da aeração do solo reduzem o intervalo hídrico ótimo (IHO) para 
o desenvolvimento da planta (intervalo entre o ponto de murcha permanente 
e capacidade de campo). 
Propriedades físicas e biológicas do solo18
Em suma, deve-se atentar para manejarem uma faixa equilibrada a água 
potencial, a resistência mecânica, a aeração e a temperatura. Como o manejo e 
o clima são fatores integrais, não é possível correlacionar a textura, a densidade 
ou a estrutura do solo com a produtividade. Correlações entre as proprieda-
des físicas ideais e o desenvolvimento de plantas podem ser estabelecidas 
para determinadas espécies de plantas para certa zona climática. Por fim, 
a determinação do IHO para o desenvolvimento da planta pode ser um método 
eficiente para caracterizar as propriedades físicas de um perfil de solo com 
relação à produção agrícola (LETEY, 1958). 
Como vimos, são muitas as propriedades físicas que o agrônomo deve 
considerar para obter um solo ideal, e elas devem ser analisadas de modo 
integrado, ou seja, quando uma propriedade é alterada outras também serão. 
Uma vez determinadas as espécies vegetais mais aptas para dada condição eda-
foclimática, deve-se manejar o solo para fornecer todo suporte nutricional para 
o desenvolvimento da planta e se atentar para a conservação desse ambiente. 
Exemplos de atributos físicos passíveis de serem melhorados são a disponibilidade 
hídrica por meio da irrigação e o aumento da MO do solo ao longo do tempo pela 
adoção de estratégias como adubação verde, rotação de cultura, plantio direto. Com 
o tempo, isso melhorará a agregação do solo, a disponibilidade hídrica e nutricional 
para a planta e os organismos do solo. 
3 Organismos do solo e modificações 
físico-químicas
O solo é constituído por uma vibrante comunidade viva, como fungos, bac-
térias, insetos, raízes e minhocas. Apenas um grama de solo pode conter um 
bilhão de bactérias e mais de um quilômetro linear de hifas fúngicas. Esses 
números podem estar subestimados, pois, para essa determinação, utiliza-
-se contagem celular em meio de cultura e, dificilmente, os meios artificiais 
de cultivo atendem às necessidades nutricionais de toda a comunidade de 
microrganismos (TORTORA; CASE; FUNKE, 2017).
19Propriedades físicas e biológicas do solo
Tortora, Case e Funke (2017) utilizam uma analogia para definir o solo 
como “fogo biológico”, ou seja, a matéria orgânica que ali for depositada 
logo será consumida pelo “fogo” que irá decompor essa matéria. Parte dos 
elementos irá constituir uma fração do solo e a outra parte participará dos 
ciclos biogeoquímicos. 
Principais organismos e atividades que 
realizam no solo
A fauna (animais) do solo pode ser subdividida da seguinte forma: 
 � Macrofauna: minhocas, centopeias e toupeiras, por exemplo.
 � Mesofauna: ácaros e colêmbolos.
 � Microfauna: protozoários e nematoides. 
A flora (plantas) inclui algas, diatomáceas e raízes de plantas superiores. 
Fungos e bactérias tendem a predominar no solo (BRADY; WEIL, 2013). 
Os organismos do solo podem contribuir com o processo de agregação das 
partículas, por meio de atividades de moldagem e escavação, associação e 
rede estabelecida entre raízes e hifas fúngicas e produção de gomas orgânicas 
ou exsudatos por fungos e bactérias. 
As raízes modificam as propriedades físicas de diversas maneiras. Elas 
estabilizam as ligações organominerais e propiciam o fendilhamento e a con-
tração devido à perda de umidade, aumentando a estabilidade dos agregados. 
À medida que o solo seca, há contração do volume e fissuras são abertas. 
As raízes de plantas podem contribuir com a secagem por meio da absorção 
de água. A absorção de água pelas plantas, principalmente pelas gramíneas, 
potencializa o processo de agregação física, podendo causar a mudança de 
volume em materiais argilosos (BRADY; WEIL, 2013). 
Muitos microrganismos são atraídos pelos exsudados das raízes e estabe-
lecem relações simbióticas. Quando as raízes morrem e são decompostas, irão 
constituir a MO até mesmo nos horizontes mais profundos do solo. O pH da 
rizosfera pode ser muito diferente do restante do solo. A rizosfera interfere 
no fornecimento de nutrientes, tanto pela absorção quanto pela solubilização 
a partir dos minerais no solo (BRADY; WEIL, 2013).
Propriedades físicas e biológicas do solo20
Os procariotos heterotróficos do solo, junto com os fungos, são os respon-
sáveis pela degradação da MO. Algumas bactérias apresentam grande impor-
tância para a nutrição vegetal, como as que realizam a oxidação do nitrogênio 
(nitrificação), transformando o nitrogênio de uma forma mais estável (amônia) 
para uma forma mais móvel (nitrito), que as plantas podem absorver, além de 
fazerem a fixação do nitrogênio. De forma semelhante, as arqueias oxidam o 
enxofre, tornando-o disponível para as plantas. A redução de íons inorgânicos 
(por exemplo, Fe e Mn) e a oxidação dos procariotos influenciam nas cores do 
solo e na sua disponibilidade para outros organismos (BRADY; WEIL, 2013).
As espécies de fungos mais comumente encontradas nos horizontes su-
perficiais de solos ácidos são Penicillium, Fusarium, Aspergillus e Mucor. 
Os fungos são microrganismos decompositores da matéria orgânica do solo, 
portanto apresentam papel fundamental na ciclagem dos nutrientes. Eles 
melhoram os atributos físicos do solo com a estabilização dos agregados. 
As micorrizas (fungos que se desenvolvem na interface solo–raiz em simbiose 
com a planta) favorecem a absorção de alguns nutrientes, como o fósforo e 
outros nutrientes imóveis do solo. Tais fungos podem se disseminar para 
plantas vizinhas e torná-las interligadas, de modo a favorecer a transferência 
de nutrientes. Porém, nem todas as espécies fúngicas são benéficas para as 
plantas; por exemplo, algumas podem parasitar o sistema radicular e produzir 
micotoxinas, podendo levar a planta à morte (BRADY; WEIL, 2013). 
Animais maiores, como cupins e minhocas, revolvem o solo, ingerem 
partículas e formam pellets e coprólitos. Os fungos micorrízicos apresen-
tam a capacidade de, em curto período de tempo, provocar a estabilidade 
de agregados maiores. As bactérias também exsudam substâncias similares 
aos fungos, que também contribuirão para a agregação. Polímeros orgânicos 
complexos provenientes do processo de decomposição podem interagir com 
partículas de argila silicatadas e óxido de alumínio (Al2O3) e ferro (Fe2O3) 
para formar a união de partículas individuais, sendo estáveis até em água 
(BRADY; WEIL, 2013).
A análise de um fragmento mineral do solo pode revelar a presença e 
interação de organismos fototróficos, como algas, líquens e musgos. 
A presença desses organismos pode sustentar a sobrevivência de organismos 
quimiorganotróficos, como fungos e bactérias. Em estágio mais avançado da 
comunidade quimiorganotrófica, além das bactérias, também estão presentes 
arqueias e eucariotos. O produto da respiração desses organismos no solo 
é a produção de dióxido de carbono, o qual dissolve-se em água e origina 
o ácido carbônico (H2CO3), responsável pela lenta degradação das rochas, 
principalmente as constituídas por calcário. Outros organismos são capazes 
21Propriedades físicas e biológicas do solo
de excretar ácidos orgânicos, que também contribuem com a degradação das 
rochas (MADIGAN et al., 2016).
A associação dos fatores bióticos que acabamos de ver com fatores abióticos 
(por exemplo, clima e água) pode causar rachaduras nas rochas e evoluir para a 
origem de partículas menores que podem se combinar com a MO. Plantas pio-
neiras podem se desenvolver nesse micro-hábitat, como mostra a Figura 8a. Os 
sistemas radiculares podem se desenvolver nas rachaduras e acelerar o processo 
de degradação da rocha-matriz. A comunidade microbiológica é mais enriquecida 
na rizosfera (interface entre raiz e ambiente externo) devido, principalmente, 
às excreções que a planta produz, e há o estabelecimento de simbiose. Quando 
essas plantas morrem em sucessão com outras, esse micro-hábitat é enriquecido 
com MO, que poderá contribuir com o aumento em quantidade e diversidade de 
microrganismos. Solos mais profundos são enriquecidos com a solubilização 
de minerais e a percolação nos horizontes do solo (MADIGAN et al., 2016).
Figura8. Micro-hábitat do solo e fotografias de microscopia eletrônica de varredura: 
(a) constituição das partículas minerais (areia, silte e argila), matéria orgânica, água, ar e 
microbiologia (bactérias) do solo; (b) Microcoleus associadas aos grãos de areia.
Fonte: Adaptada de Madigan et al. (2016).
(a) (b)
Ao longo de centenas e até milhares de anos, esse micro-hábitat pode 
evoluir para um horizonte mais profundo e, dessa forma, suportar plantas 
maiores (exemplo de sucessão seria briófitas, pteridófitas e gimnospermas 
e/ou angiospermas). Animais maiores, como minhocas, podem viver neste 
ambiente e desempenhar importante papel, como revolvimento das camadas 
superficiais, aceleração do processo de decomposição de resíduos vegetais, 
aeração com a criação de galerias e melhoria da fertilidade do solo. 
Propriedades físicas e biológicas do solo22
As minhocas alteram as condições químicas principalmente na profundi-
dade de 15 a 35 cm, sendo que as pelotas fecais apresentam muitas bactérias, 
MO e nutrientes para as plantas. As minhocas também auxiliam na incorpora-
ção física de resíduos da superfície, minimizando as perdas de nutrientes, como 
o nitrogênio, por lixiviação e volatilização, como você pode ver no Quadro 3. 
As formigas podem melhorar a porosidade do solo, favorecer a infiltração de 
água e alterar o pH do solo. Os cupins auxiliam no revolvimento e incorpo-
ração de resíduos ao solo, interferindo na formação do solo, na fertilidade e 
na produtividade (BRADY; WEIL, 2013). A percolação de partículas de solo 
pode originar outros horizontes e constituir um perfil (MADIGAN et al., 2016).
A microbiologia do solo é influenciada por nutrientes inorgânicos como 
nitrogênio e fósforo e pela água. A quantidade de água presente está relacio-
nada, principalmente, com a textura do solo. A água fica retida no solo por 
duas maneiras: adsorvida às partículas (principalmente de argila) ou como 
água livre em camadas finas na porosidade (Figura 8a). A água apresenta 
compostos dissolvidos, que constituirão a solução do solo, principal veículo 
de nutrição das plantas. 
Fonte: Adaptado de Brady e Weil (2013).
Característica Pelota fecal Solo
Argila e silte (%) 38,8 22,2
Densidade (Mg/m3) 1,11 1,28
Estabilidade dos agregados* 849 65
Capacidade de troca de cátions (cmol/Kg) 13,8 3,5
Ca2+ trocável (cmol/Kg) 8,9 2,0
K+ trocável (cmol/Kg) 0,6 0,2
P solúvel (ppm) 17,8 6,1
Nº total (%) 0,33 0,12
* N° de gotas de água necessário para desmanchar o agregado
Quadro 3. Comparação entre as características de pelotas fecais de minhocas com uma 
amostragem de seis solos da Nigéria
23Propriedades físicas e biológicas do solo
Na maioria dos solos com atividade biológica prevalece uma grande diver-
sidade de espécies, as quais desempenham diferentes processos enzimáticos ou 
físicos diariamente. Observa-se a presença de uma redundância funcional, que 
origina a estabilidade e a resiliência do ecossistema. Quando há predominância 
da diversidade de espécies, a falta de uma não comprometerá o sistema como 
um todo. Entretanto, a carência de espécies-chave (por exemplo, bactérias 
nitrificantes e minhocas) pode comprometer a manutenção de processos impor-
tantes, como oxidação da amônia e do metano ou constituição da porosidade 
do solo (BRADY; WEIL, 2013). 
Redundância funcional: várias espécies realizando as mesmas funções.
Estabilidade: capacidade do solo de desempenhar funções importantes, como 
ciclagem de nutrientes, assimilação de resíduos orgânicos e agregação.
Resiliência: recuperação da saúde funcional frente a uma adversidade.
A atividade microbiológica é mais intensa no solo na região da rizosfera, 
nos detritos em decomposição, na MO dos orifícios realizados pelas minhocas, 
nas fezes de fauna, entre outros. Cerca de 80% da atividade do solo se deve 
ao metabolismo da microflora. Alguns representantes da microfauna, como 
nematoides e protozoários, apresentam destaque na ciclagem dos nutrientes 
como predadores de fungos e bactérias.
Os microrganismos são responsáveis pelas transformações inorgânicas, 
como nitratos, sulfatos e fosfatos. Em condições de solos bem drenados, 
o ferro e o manganês são oxidados para o estado de maior valência, tornando-se 
formas de baixa solubilidade e não tóxicas para as plantas. A oxidação desses 
organismos também pode prevenir os efeitos deletérios do selênio ou cromo. 
A fixação do nitrogênio é considerada como um dos mais importantes pro-
cessos, em termos nutricionais para as plantas, realizados por microrganismos. 
O nitrogênio gasoso é transformado em uma forma utilizável, principalmente 
por actinomicetos do gênero Frankia, cianobactérias em locais alagados (por 
exemplo, arrozais) e bactérias do tipo rizóbio, que realizam a fixação em solos 
agrícolas. A fixação normalmente ocorre em nódulos radiculares ou outras 
associações com as plantas (BRADY; WEIL, 2013).
Propriedades físicas e biológicas do solo24
Alguns organismos são responsáveis por grandes alterações físicas no solo, 
que podem influenciar o habitat de outros organismos. Tais organismos são 
referidos como engenheiros do ecossistema. Como exemplo dessas espécies, 
temos os microrganismos responsáveis pela crosta superficial impermeável 
nos desertos (minimizam a perda de água). Formigas, cupins, minhocas e 
roedores criam orifícios que alteram o movimento da água e ar nos solos. Esses 
orifícios também facilitam o desenvolvimento radicular em horizontes densos. 
Besouros da família Scarabaeidae intensificam a ciclagem dos nutrientes ao 
enterrarem fezes de outros animais. Isso contribui para evitar a perda pelo 
escoamento superficial e pela volatilização dos nutrientes. 
Solos áridos
A maior quantidade e diversidade de microrganismos situa-se no horizonte 
superficial, onde se concentra maior quantidade de MO e rizosferas. Entre-
tanto, 35% da crosta terrestre é constituída por solos áridos, ou seja, solos 
que apresentam a relação entre precipitação e evapotranspiração menor do 
que 1 — ambientes em que a reposição de água é menor do que as perdas por 
evaporação e transpiração pelas plantas. Nesses locais, sobrevivem apenas 
microrganismos específicos. 
Apesar de esses locais não terem uma rica cobertura vegetal, sua comu-
nidade de microrganismos desempenha papel fundamental, pois é capaz 
de sobreviver dentro e na superfície de rochas. Predominam microrganis-
mos como fungos, bactérias, cianobactérias, algas verdes, líquens e musgos. 
As cianobactérias Microcoleus predominam nas crostas de solos, enquanto 
Chroococcidiopsis é uma espécie que pode sobreviver em poros, rachaduras e 
fissuras. Tais microrganismos desempenham importante papel na intempérie 
das rochas (MADIGAN et al., 2016).
As crostas biológicas de solo (CBS) são importantes por conferir estabi-
lidade ao ecossistema árido. Por apresentar lenta taxa de formação (menos de 
1 cm/1000 anos), essa estabilidade é fundamental. Cianobactérias e fungos são 
responsáveis pela coesão, enquanto líquens e musgos conferem estabilidade 
posteriormente. Essas interações microbiológicas que se estabelecem previ-
nem a erosão do solo (Figura 8b). As CBS são as principais responsáveis pelo 
estabelecimento dos ciclos hidrológicos e pela disponibilidade de água para 
a vegetação local. A destruição das CBS reduz a fertilidade e pode originar 
o processo de desertificação (MADIGAN et al., 2016).
25Propriedades físicas e biológicas do solo
Como vimos, os organismos do solo desempenham papel fundamental 
em algumas propriedades físicas do solo, como, por exemplo, a agregação, e 
na ciclagem dos nutrientes para as plantas, principalmente contribuindo com 
a elevação da MO. Deve-se, de modo geral, propiciar um solo com grande 
diversidade de organismos, de micro a macro, para conferir melhoria de 
algumas propriedades físicas do solo, suporte nutricional para as plantas e 
sustentabilidade desse ambiente.
BRADY, N. C.; WEIL, R. R. Elementos da natureza e propriedades dos solos. 3. ed. Porto 
Alegre: Bookman, 2013.GONÇALVES, A. D. M. A.; LIBARDI, P. L. Análise da determinação da condutividade hi-
dráulica do solo pelo método do perfil instantâneo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 
v. 37, n. 5, p. 1174–1184, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbcs/v37n5/07.
pdf. Acesso em: 2 jun. 2020.
LETEY, J. Relationship between soil physical properties and crop production. 
In: STEWART, B. A. (ed.). Advances in soil science. NewYork: Springer, 1958. p. 277–294.
MADIGAN, M. T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
RIBEIRO, K. D. et al. Soil physical properties, influenced by pores distribution, of six soil 
classes in the region of Lavras-MG. Ciência e Agrotecnologia, v. 31, n. 4, p. 1167–1175, 2007. 
Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cagro/v31n4/33.pdf. Acesso em: 2 jun. 2020.
RODRIGUES, A. M. et al. Análises físico-químicas de solo de taludes degradados na bacia 
hidrográfica do Rio Maranduba, Ubatuba/SP. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA 
FÍSICA APLICADA, 16., 2015, Teresina. Anais eletrônicos... Disponível em: https://www.
researchgate.net/publication/282672841_ANALISES_FISICO-QUIMICAS_DE_SOLO_DE_
TALUDES_DEGRADADOS_NA_BACIA_HIDROGRAFICA_DO_RIO_MARANDUBA_UBA-
TUBASP. Acesso em: 2 jun. 2020.
ROSA, J. D. et al. Processo de formação de crostas superficiais em razão de sistemas 
de preparo do solo e chuva simulada. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 37, n. 2, 
p. 400–410, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbcs/v37n2/a11v37n2.pdf. 
Acesso em: 2 jun. 2020.
SADAVA, D. et al. Vida: a ciência da biologia: forma e função de plantas e animais. 
11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. v. 3.
TORTORA, G. J.; CASE, C. L.; FUNKE, B. R. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
Propriedades físicas e biológicas do solo26
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cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
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local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Leituras recomendadas
MALAVOLTA, E. Manual de nutrição mineral de plantas. São Paulo: Ceres, 2006.
TORTORA, G. J.; CASE, C. L.; FUNKE, B. R. Microbiologia, 12 ed., Porto Alegre, Artmed, 2016.
27Propriedades físicas e biológicas do solo
Dica do professor
O solo é uma vibrante comunidade viva: em apenas um grama de solo pode conter um bilhão de 
bactérias e mais de um quilômetro linear de hifas fúngicas. Assim, pode ser considerado um dos 
principais reservatórios da biodiversidade do planeta. Os organismos do solo podem ser 
subdivididos em macro, meso e microfauna e flora. Os microrganismos apresentam papel 
fundamental na sustentabilidade desse ambiente.
Assista à Dica do Professor para conhecer os principais fatores que interferem na quantidade e na 
diversidade dos microrganismos no solo.
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Exercícios
1) A análise e a classificação de um perfil de solo possibilita a escolha das espécies vegetais 
com maior aptidão ao cultivo para determinada região. O conhecimento das propriedades 
físicas do solo, tais como a textura e a estrutura, auxilia na compreensão da capacidade de 
retenção de água, percolação e quantidade de ar presente. Nesse contexto, pode-se afirmar 
que a textura do solo se refere:
A) ao modo como as partículas estão agregadas.
B) à porosidade do solo.
C) aos canais do solo.
D) ao tamanho das partículas.
E) ao horizonte do solo.
2) A textura do solo está relacionada às proporções entre as partículas de areia, silte e argila. 
Os intervalos de classificação dos tamanhos das partículas refletem no comportamento e 
nas propriedades físicas do solo. Portanto, um solo com textura arenosa é caracterizado por: 
A) produzir a sensação de maciez quando friccionado contra os dedos.
B) ser constituído, basicamente, por quartzo e ter baixa retenção de água.
C) ter grande superfície específica das partículas e alta retenção de água e nutrientes.
D) ter pouca aeração e baixa fertilidade.
E) ter drenagem lenta e pouca aeração.
3) O cultivo convencional de preparo do solo consiste em operações de revolvimento e 
nivelamento do solo com discos de aiveca e grade. Observa-se uma migração do cultivo 
convencional para o conservacionista ou plantio direto. Essa mudança de preparo do solo se 
deve principalmente ao fato de que:
A) a movimentação do solo pode aumentar a densidade, reduzir o teor de matéria orgânica e 
favorecer a degradação da estrutura do solo a longo prazo.
B) a movimentação do solo pode reduzir a densidade, aumentar o teor de matéria orgânica e 
favorecer a degradação da estrutura do solo a longo prazo.
C) a movimentação do solo pode reduzir a densidade, reduzir o teor de matéria orgânica e 
favorecer a agregação da estrutura do solo a longo prazo.
D) a movimentação do solo pode aumentar a densidade, aumentar o teor de matéria orgânica e 
favorecer a agregação da estrutura do solo a longo prazo.
E) a movimentação do solo pode aumentar a densidade, reduzir o teor de matéria orgânica e 
favorecer a agregação da estrutura do solo a longo prazo.
4) São muitos os fatores físicos que podem interferir nas condições ideais de um solo. Assim, 
deve-se atentar para a formação e a estabilidade dos agregados, bem como para a 
capacidade de retenção de água, a infiltração no solo, a densidade, a porosidade, a 
drenagem, etc. Dentre os fatores físicos, quais interferem diretamente na produtividade 
agrícola? 
A) Água, densidade, porosidade e resistência mecânica.
B) Água, densidade, estrutura e temperatura.
C) Água, oxigênio, textura e estrutura.
D) Textura, estrutura, temperatura e densidade.
E) Água, oxigênio, temperatura e resistência mecânica.
5) A maior quantidade e diversidade de organismos do solo situa-se na camada superficial, 
região com maior quantidade de matéria orgânica e rizosfera. Estima-se que 35% da crosta 
terrestre seja constituída por solos áridos.
Sobre as crostas biológicas de solo (CBS) em regiões áridas, analise as afirmativas a seguir 
assinalando V, para verdadeiro, ou F, para falso:
( ) As CBS são importantes por conferir estabilidade ao ecossistema. 
( ) Cianobactérias e fungos são responsáveis pela coesão de partículas. 
( ) As interações biológicas nas CBS favorecem a ocorrência de erosão. 
( ) As CBS são responsáveis pelo ciclo do enxofre. 
( ) A destruição das CBS aumenta a fertilidade.
A ordem correta de preenchimento das lacunas, de cima para baixo, é:
A) V – V – F – V – F.
B) V – V – F – F – F.
C) F – V – F – F – F.
D) F – V – V – V – F.
E) V – V – V – V – F.
Na prática
Um dos maiores desafios do agrônomo é fornecer todo o suporte necessário para que a planta 
desenvolva seu potencial genético. Um solo com boas propriedades físicas e rico em nutrientes é a 
base para sustentar essa premissa.
Neste Na Prática, a partir de um caso fictício, acompanhe uma análise da interferência das ações 
antrópicas na qualidade física do solo por meio de indicadores. Compreender e quantificar os 
impactos é fundamental para o estabelecimento de sistemas agrícolas sustentáveis.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/6034a859-6e26-4c04-ba49-7fddf741de5d/b4adf499-5e2c-4308-aadd-0f8c48a9481c.png
Saiba +
Para ampliar seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Diagnóstico rápido da estrutura do solo (DRES)
Assista ao depoimento do pesquisador Henrique Debiase, da Embrapa Soja, sobre o DRES, método 
de avaliação visual dos solos que apresenta um diagnóstico rápido e indica para a adoçãode 
práticas de manejo que podem melhorar a qualidade dos solos tropicais e subtropicais, com ênfase 
para áreas de plantio direto.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Tempo de adoção do sistema plantio direto e a relação com 
atributos do solo
O objetivo deste trabalho foi avaliar alguns atributos do solo em propriedades rurais da região 
Oeste do Estado do Paraná com diferentes tempos de adoção do sistema de plantio direto. 
Aproveite a leitura.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Atributos físicos do solo sob diferentes manejos no Sul de 
Roraima
Leia, neste artigo, sobre a influência das ações antrópicas nas propriedades físicas do solo em uma 
propriedade rural em Roraima.
https://www.youtube.com/embed/DkEtT9Yr0_I
http://ojs.ufgd.edu.br/index.php/agrarian/article/view/2743/0
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://periodicos.uerr.edu.br/index.php/ambiente/article/view/153/67

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