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Impresso por Laura Parada Nogueira, E-mail lparadanogueira@gmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido
por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 05/05/2025, 15:12:51
 
 Resumo do livro 
Antropologia da doença parte III –
François Laplantine 
 
Marciane Montagner Missio 
 
INTRODUÇÃO 
O presente resumo trata-se de uma análise crítica da obra do autor e que busca 
propiciar uma visão geral do conteúdo a ser tratado no mesmo, bem como destaque de partes 
importantes e comparações que relacionam os temas trabalhado na disciplina de Introdução à 
Antropologia Social para a Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Santa Maria. 
O livro aborda como os estudos da Antropologia contribuem para a reflexão na ciência 
médica e formação dos profissionais entendedores de saúde, doença, tratamento e cura. 
A Antropologia conforme sua postura utiliza-se de comparações e pesquisas para 
promover uma reflexão. 
A obra, conforme Laplantine (1986) se refere, visa construir modelos operatórios “
que não se substituem à realidade empírica mas ajudam a pensá-la e a pôr em evidência o que 
ela não diz .”
De acordo com o prefácio de Thomas, Laplantine (1986, p.5) 
 é um autor que jamais cede a polêmica, jamais entra no conflito, hoje tão em moda, 
‘viva a medicina/abaixo a medicina’, jamais cede à tentação de opor medicina 
tradicional a medicina moderna, de acordo com o espírito simplista dos tipologistas 
americanos. 
O autor faz uma abordagem de apresentação de modelos teóricos que pontuam e 
organizam todas manifestações sobre saúde. A parte III trata-se das formas elementares da 
cura, de acordo com os modelos terapêuticos composto pelo modelo alopático e 
homeopático, aditivo e substrativo, exorcista e adorcista, sedativo e excitativo. 
Segundo Laplantine (1986, p.173), a homeopatia trata-se de combater o mal (a 
doença) estimulando-o contra ele mesmo, ou seja, utilizar “as defesas do corpo a fim de 
favorecer a produ ção de anticorpos.”
A Alopatia é uma terapia extremamente brutal, “provocando principalmente efeitos 
colaterais que podem ser piores do que a doença que se procura tratar.”(Ibid., p.162). 
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No modelo subtrativo, a doença é tratada pela via da eliminação, expulsão. O modelo 
aditivo trata-se de um reforço propriamente dito, por exemplo, a prescrição de alimentos com 
altas calorias, fortificantes ou vitaminas. 
O modelo exorcista é a terceira alternativa terapêutica, o exorcista é quem cura e 
engaja-se “em uma verdadeira guerra contra a doença que ele procura extrair do corpo ou do 
espírito de seu cliente e anulá-la. (JUCÁ et al.,2012) ”
No adorcismo segundo Jucá et al (2012) 2 “envolve uma reinterpretação do que, no 
Ocidente, percebemos como mal, que passa a adquirir valor positivo possibilitando 
determinados procedimentos terapêuticos. Laplantine (1986) mostra como exemplo “os casos 
de possessão onde o espírito que assume o corpo do curador é aliado no processo de cura e 
não causa adoecimento, ou mesmo, sinal de patologia pré-existente. 
No modelo sedativo encontra-se na sedação o centro de sua terapêutica e isto para 
apaziguar o estado patológico. 
O excitativo por sua vez, ainda conforme Jucá et al (2012) 2 é um modelo que “envolve 
um tratamento ‘tônico’ para ativar organismos ou personalidade quando os mecanismos de 
defesa não mais funcionam a contento. 
Além de realizar uma relação entre a etiologia e a terapêutica. 
O objetivo do livro e o que o autor espera mostrar é que a Antropologia da saúde 
também deve se voltar para o sujeito, a doença pode influenciar na vida do indivíduo, assim 
como a cultura da pessoa pode intervir na forma como ela será compreendida. 
 
DESENVOVIMENTO 
Laplantine (1986) em seu livro utiliza duas variantes: a homeopatia e a psicanálise. 
São dois modelos centrados no doente, atribuem ao sujeito a responsabilidade da 
construção da doença. Contrasta-se com a Alopatia que é um modelo que visa eliminar o 
sintoma pelo seu contrário. 
A ação médica tanto no seu sentido tradicional ou a biomedicina, sempre tenta fazer 
uma ligação entre a patologia (o doente ou o órgão doente) e a terapia a ser usada (qual o 
tratamento a ser prescrito). 
A medicina ainda utiliza-se das concepções de fragmentar o sujeito e tratar cada parte 
separadamente sem considerar o sujeito na sua totalidade, além de utilizar-se dos mesmos 
métodos e terapias para indivíduos de sociedades e culturas diferentes. 
Vale ressaltar que essa concepção contraria os princípios e métodos da Terapia 
Ocupacional, que visa o sujeito na sua totalidade, considerando sua história de vida, o meio 
onde ele está inserido e suas condutas de acordo com suas particularidades e tradições 
herdadas de seus antecedentes. 
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por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 05/05/2025, 15:12:51
Assim como a Antropologia , a Terapia Ocupacional considera o indivíduo dentro do 
seu contexto, o homem é considerado um ser que tem sentimentos, pensamentos, aflições e 
não uma mera estrutura biológica que foi acometida por uma patologia que precisa ser 
“exorcizada”. 
A medicina tratará uma doença em indivíduos diferentes e com uma mesma patologia 
através da mesma abordagem terapêutica. O texto de Helman enfatiza que os 1 (p.23) 
princípios de uma cultura herdada vão moldar o comportamento dos sujeitos. Esses princípios 
mostram “a forma de ver o mundo, de vivenciá-lo emocionalmente e de comportar-se dentro 
dele em relação a outras pessoas, a deuses ou forças sobrenaturais e ao meio ambiente natural. 
Ainda conforme Helman : 1
[...] para compreender a saúde e a doença é importante evitar ‘culpar a vítima’, isto 
é, ver seu mau estado de saúde como decorrente exclusivamente da cultura em que 
vive ao invés de considerar também sua situação econômica e social. (p.25) 
 Uma cultura, segundo Helman nunca pode ser analisada num vácuo, mas sim 1(p.25) “
como um componente de um complexo de influências que se refere aquilo em que as pessoas 
acreditam e ao modo como vivem. ” 
Segundo Laplantine (1986, p.207) a prática médica ainda “está longe de sempre 
obedecer ao esquema da anterioridade do conhecimento das causas que levam à pesquisa e à 
determinação do remédio apropriado” se que os médicos conhecem a “eficácia . Considerando-
de um medicamento, mas pouco sabem ou nada conhece de seu processo de ação, e ainda 
menos da causa da doença que ele está tratando .”
 
 CONCLUSÃO 
No texto, Laplantine aborda que quando uma patologia acomete um indivíduo e “se a 
causalidade não está claramente demonstrada, não deixava de ser pressentida ou 
procurada[...]”. 
 Aplicando a realidade, essa afirmação não é efetiva porque na maioria dos casos os 
médicos não buscam uma explicação para a doença mas seguem um padrão de terapia e 
medicação que foram eficazes no tratamento para tal patologia. Atualmente não se faz a 
identificação e procura de futuras conseqüências para cada decisão tomada pelo médico, usa-
se parâmetros quantitativos e numéricos para uma maioria, desclassificando os valores 
numéricos que não são muito freqüentes. 
Por exemplo, quando um medicamento funciona eficazmente em 49 indivíduos 
pesquisados e em 1 indivíduo não é eficaz e torna-se prejudicial. Utiliza-se a concepção da 
maioria, no momento da escolha de um medicamento o médico supõe que o doente se 
enquadrará nos parâmetros dos 49 que utilizaram o medicamento e obtiveram a cura. 
O câncer também foi considerado uma doença com várias concepções, popularmenteconsiderado como um castigo divino ou manifestação maligna de um espírito mau. Hoje essa 
visão é ultrapassada pelo fato de se ter descoberto maneiras de lidar e tentar eliminá-lo do 
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corpo, além de se compreender que trata-se de uma produção anormal de células 
indiferenciadas que podem se propagar pelo corpo. Há muito tempo atrás o câncer não era 
tratado pela medicina, principalmente em sociedades dominadas pela religião havia uma idéia 
de que através da sua crença no divino a pessoa seria curada e exorcizada o espírito que se 
apossou daquele corpo. 
O livro de Laplantine através de seus modelos de exorcismo e adorcismo deixa um 
ponto negativo para reflexão, porque pode nos levar a pensar e associar a doença ao 
espiritismo. Dessa maneira o espiritismo considera o câncer como uma maneira de 
reequilibrar a vida, ele surge na pessoa porque o indivíduo tentou suportar problemas maiores 
do que podia. 
O espiritismo assim como a maioria das outras religiões se contrapõe a visão da 
medicina, na qual o câncer não é motivado por um falta de equilíbrio emocional ou 
incapacidade de suportar momentos difíceis como na visão espírita mas sim uma série de 
fatores de risco associado aos fatores genéticos. 
O livro em nossa opinião coloca no leitor essa curiosidade de conhecer e pensar sobre 
como a doença é considerada por essas religiões e se condiz ou não com a nossa realidade. 
O autor, conforme diz o prefácio do livro, é uma pessoa que não entra no conflito, não 
cede a polêmica, analisando-o criticamente faz boas explicações sobre o que procura estudar 
mas se esquece ou propositalmente não critica nem toma um posicionamento a respeito do 
que estuda. O livro deixa a desejar nesse aspecto, não leva ao leitor contrariar ou se por a 
favor das idéias do autor. 
Portanto concluímos que, e talvez seja esta a proposta de Laplantine, que o leitor 
analise o que foi estudado e então faça suas próprias interpretações e críticas sobre os temas 
que se aplicam ou não a realidade. 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
1- HELMAN, Cecil G. A abrangência da Antropologia médica, in Cultura, Saúde e
Doença. Porto Alegre: ARTMED Ed. 2003, p. 21-29. 
 
2- JUCÁ, Vládia; FILHO, Naomar de Almeida. Atos de saúde: tratamento, cura e 
conceitos correlatos.[s.n.]. Disponível em: http://atosdesaude.blogspot.com.br/p/ . Acesso em: 5 jul 2014 
 
LAPLANTINE, François. .São Paulo: Martins Fontes.3. Antropologia da Doença
ed.,2004.

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